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  • PF desmantela “fábrica” de lixeiras adulteradas usada para esconder cocaína no Aeroporto de Guarulhos

    Guarulhos, 14 de janeiro de 2026

    Estrutura produzia recipientes com fundo falso para abastecer o tráfico internacional; ação ocorre em meio a recorde de apreensões e prisões no terminal em 2025.

    A Polícia Federal desarticulou uma estrutura criminosa que usava lixeiras “adaptadas” com fundo falso para esconder cocaína em áreas próximas ao setor de embarque do Aeroporto Internacional de Guarulhos. A operação, realizada nesta semana, cumpriu dois mandados de busca e apreensão no município e mirou endereços apontados pelos investigadores como uma espécie de linha de produção dos compartimentos clandestinos.

    Segundo a apuração, o grupo fazia da peça aparentemente banal, a lixeira, um item-chave para burlar a fiscalização, criando um espaço oculto onde a droga era armazenada antes de seguir viagem. O esquema teria como destino principal países da Europa, rota recorrente para o envio de cocaína a partir do maior aeroporto do país.

    A PF informou que o caso está inserido em duas frentes investigativas, batizadas de Heavy Cleaning e Persecutio Punctata, que miram organizações especializadas em logística e ocultação de entorpecentes no ambiente aeroportuário. Ainda no contexto da mesma investigação, um homem apontado como um dos líderes do grupo foi preso no último fim de semana. Ele seria responsável por fornecer a cocaína e pagar as chamadas “mulas”, recrutadas para transportar a droga até o destino final.

    A descoberta da “fábrica” joga luz sobre um aspecto menos visível do tráfico internacional: a sofisticada engrenagem montada fora do terminal para alimentar o crime dentro dele. Em vez de depender apenas do improviso, quadrilhas investem em métodos de ocultação de entorpecentes cada vez mais elaborados e, muitas vezes, sob medida para driblar inspeções e cães farejadores.

    Recorde em 2025 aumenta pressão sobre o aeroporto

    O desdobramento ocorre dias depois de a própria Polícia Federal divulgar um balanço que mostra a dimensão do problema e o tamanho do cerco no Aeroporto de Guarulhos. De acordo com os dados da corporação, 2025 terminou com 3.992 quilos de entorpecentes apreendidos e 820 pessoas presas por diversos crimes no terminal, um recorde histórico de apreensões para a unidade.

    Do total interceptado, cerca de 46% era cocaína, geralmente com destino europeu, enquanto aproximadamente 52% eram derivados de THC, como haxixe e skunk, que costumam ter origem na América do Norte e na Ásia, tendo o Brasil como destino final. O levantamento também indica que, entre as prisões, 451 tiveram relação com tráfico internacional, 307 foram capturas por mandados judiciais e 62 ocorreram por outros crimes, como contrabando, descaminho e uso de documento falso.

    Um dado que chama atenção é a persistência do método de transporte por ingestão de cápsulas, que exige acompanhamento médico e mobiliza equipes de segurança e saúde. Em janeiro, por exemplo, a PF relatou ocorrências recentes desse tipo no terminal, com suspeitos encaminhados ao Hospital Geral de Guarulhos para preservar a integridade física durante os procedimentos.

    Impacto local e próximos passos

    Para Guarulhos, as operações têm reflexo direto: além de reforçar o combate ao crime transnacional, elas pressionam a infraestrutura de atendimento e custódia, envolvendo hospitais, delegacias e serviços públicos. Em paralelo, o aeroporto, por onde passam milhões de passageiros, segue no centro da disputa entre quadrilhas que buscam novas brechas e forças de segurança que ampliam fiscalização, inteligência e cooperação com outros órgãos.

    A Polícia Federal não detalhou, até o momento, se houve apreensão de drogas especificamente nesta etapa das buscas ligadas às lixeiras adulteradas, nem quantos integrantes são investigados. O caso segue sob investigação para identificar a cadeia completa do esquema, do fornecimento da cocaína ao recrutamento e pagamento de transportadores e para mapear possíveis ramificações em outros estados e países.

  • O que aconteceu com o mercado de criptomoedas no dia 10 de Outubro

    Guarulhos, 25 de dezembro de 2025

    É natal, clima de festa, mas nossa equipe jornalista reuniu os dados para expor alguns acontecimentos recentes que intrigaram os leitores do jornal O Dia de Guarulhos.

    Recentemente, no dia 10 de outubro, um evento que ficou conhecido na comunidade como a “sexta-feira negra das criptomoedas”. Mas o que realmente aconteceu nesse dia, e por que o mercado ainda está sentindo seus efeitos, incluindo brasileiros e paulistanos?

    Para entender tudo isso, precisamos voltar ao início. Deixe-me explicar alguns termos:

    O que são Market Makers, ou “MMs”? Eles são grandes instituições financeiras que garantem liquidez para o mercado. Isso quer dizer que, mesmo em momentos de baixa procura, eles colocam ordens tanto de compra quanto de venda nas plataformas (chamadas exchanges) para garantir que sempre haverá alguém disponível para realizar a operação que você quer fazer.

    Um dos principais Market Makers é uma empresa chamada Wintermute. Esses players são extremamente importantes, especialmente em exchanges gigantes como a Binance, pois mantêm os preços estáveis e os spreads baixos. Spread, aliás, é a diferença entre o preço pelo qual você pode comprar uma criptomoeda e o preço pelo qual pode vendê-la. Quanto menor o spread, mais eficiente é o mercado.

    No entanto, no dia 10 de outubro, ocorreu algo incomum. Trump anunciou tarifas pesadas de 100% sobre as importações chinesas. Essa notícia por si só já seria suficiente para deixar qualquer mercado financeiro instável, e com as criptomoedas não foi diferente. Nesse mesmo dia, aconteceu algo ainda mais complicado: a API da Binance, que é basicamente o sistema de comunicação usado pelos Market Makers para enviar suas ordens automaticamente, apresentou atrasos inesperados. Esse foi o evento n°1.

    Esses atrasos são muito perigosos para MMs, já que suas operações são altamente precisas. Eles fazem operações “casadas”: compram e vendem quase simultaneamente, sempre mantendo suas posições equilibradas (o que chamam de operação delta-neutra). Quando ocorre um atraso nessa comunicação, o risco aumenta muito, podendo causar prejuízos enormes. Por isso, assim que perceberam o atraso, esses players rapidamente retiraram suas ordens de compra e venda do mercado. Esse foi o evento n°2.

    Com a retirada dos Market Makers, a liquidez do mercado despencou quase imediatamente. O livro de ofertas, que normalmente tem ordens suficientes para absorver grandes movimentos, simplesmente desapareceu. Isso significou que vendedores que tinham ordens para vender criptomoedas a qualquer preço (as chamadas “ordens a mercado”) acabaram não encontrando compradores disponíveis. E o resultado disso foi brutal: em poucos minutos, o preço de várias criptomoedas na Binance caiu rapidamente para quase zero. Esse foi o evento n° 3.

    Nesse caos, exchanges como a própria Binance tiveram que agir rapidamente, provavelmente assumindo temporariamente o papel de market makers para estabilizar o mercado. Ou seja, elas compraram grandes quantidades de criptomoedas para evitar que a queda continuasse descontroladamente.

    O problema é que essas criptomoedas compradas às pressas precisam ser vendidas posteriormente, já que exchanges e Market Makers não têm interesse em especular com essas posições. Eles precisam devolver essas posições ao mercado, retornando ao estado de equilíbrio. No entanto, fazer isso em um cenário de baixa liquidez é complicado, já que não há compradores suficientes interessados em absorver essas grandes quantidades. Esse é o evento n°4.

    Além disso, um estudo feito pela Kaiko, uma empresa que monitora dados do mercado cripto, apontou que aproximadamente 1/3 da liquidez total do mercado simplesmente sumiu após esse evento. E com menos liquidez disponível, qualquer venda mais significativa tem um impacto muito maior nos preços.

    Queda no OI desde dia 10/out, dados da Glassnode
    Open Interest – queda abrupta desde o dia 10

    Outra consequência que tem sido observada desde então é um padrão curioso no comportamento dos preços das criptomoedas. Durante o período em que as bolsas dos Estados Unidos estão fechadas, especialmente de noite e de madrugada, costumamos ver pequenas altas impulsionadas por notícias positivas. Porém, assim que as bolsas abrem, geralmente por volta das 11:30 ou meio-dia no horário de Brasília, as criptomoedas começam a cair novamente. Isso ocorre porque esses grandes players aproveitam o aumento momentâneo do preço para “desovar” parte do estoque acumulado no dia 10 de outubro.

    padrão observado de desova de criptomoedas ao meio dia
    Padrão observado

    Não sabemos exatamente quanto tempo essa situação vai durar. O que sabemos é que, enquanto os grandes players ainda estiverem vendendo suas posições e enquanto a liquidez não retornar aos níveis anteriores, o mercado continuará frágil e sujeito a quedas significativas.

    No entanto, esse cenário não deve ser visto como algo permanente. Pelo contrário, parece temporário. À medida que a liquidez se recupera lentamente e que os grandes players vão terminando de vender suas posições acumuladas, o mercado pode voltar a um equilíbrio mais saudável. Ao ler ontem uma postagem da Binance Square sobre o referral code 2026, percebi que o sentimento da comunidade a respeito de uma recuperação está se montando novamente. Além disso, se em paralelo surgirem notícias positivas como a aprovação de regulamentações favoráveis nos Estados Unidos (como o chamado “Clarity Act”), podemos ver uma recuperação rápida e forte nos preços das criptomoedas.

    Portanto, acompanhar esses sinais será essencial para entender quando o mercado voltará ao normal.

  • Guarulhos sedia curso para Patrulhas Maria da Penha com agentes de nove cidades

    Guarulhos, 28 de outubro de 2025

    Entre os dias 20 e 24 de outubro, Guarulhos sediou uma capacitação voltada à atuação das Patrulhas Maria da Penha, reunindo 40 agentes de Guardas Civis Municipais de nove cidades da região: Guarulhos, Arujá, Atibaia, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, São Sebastião e Suzano. O treinamento ocorreu no campus Dutra da Universidade de Santo Amaro (Unisa), na Vila Hermínia, e foi coordenado pela Secretaria de Segurança Urbana (SSU) em parceria com a Guarda Civil Municipal (GCM).

    Foco na proteção às mulheres

    A formação teve como eixo central o enfrentamento à violência doméstica e familiar, com ênfase em:

    • gestão de risco nas ocorrências;
    • procedimentos de atendimento às vítimas;
    • rede de proteção e encaminhamentos;
    • medidas protetivas e o fluxo de concessão e fiscalização.

    Ao longo da semana, os participantes acompanharam aulas teóricas e palestras sobre legislação aplicada, protocolos de acolhimento e articulação intersetorial com saúde, assistência social e Judiciário. A proposta foi padronizar procedimentos, qualificar o primeiro atendimento e aprimorar a integração entre as forças de segurança e os serviços especializados.

    Especialistas convidados

    O curso contou com profissionais de referência na área de segurança pública e políticas para mulheres, incluindo representantes da Secretaria Nacional de Segurança Pública, Polícias Civis e Militares de diferentes estados e comandos de GCMs. A presença desses especialistas trouxe boas práticas nacionais, estudos de caso e discussão de estratégias de monitoramento de medidas protetivas.

    Encerramento e próximos passos

    Na sexta-feira (24), a solenidade de encerramento reuniu autoridades da SSU e das GCMs das cidades participantes, além da Subsecretaria de Políticas para as Mulheres. Segundo a organização, a expectativa é ampliar a cooperação regional e realizar novas edições com módulos práticos de campo, simulando protocolos de abordagem, avaliação de risco e encaminhamentos rápidos para a rede de proteção.

    Por que importa

    • Agilidade salva vidas: a padronização de rotinas e o monitoramento ativo das medidas protetivas reduzem o tempo de resposta.
    • Atuação regional: ao integrar cidades vizinhas, a capacitação cria fluxos contínuos para casos que transitam entre municípios.
    • Formação permanente: reciclagens regulares mantêm as equipes atualizadas sobre novas diretrizes legais e ferramentas de proteção.

    Serviço
    O que foi: Curso para Atuação das Patrulhas Maria da Penha
    Quando: 20 a 24 de outubro de 2025
    Onde: Campus Dutra da Unisa, Vila Hermínia, Guarulhos
    Quem participou: 40 agentes das GCMs de 9 cidades da região

  • Guarulhos registra 4,16 milhões de passageiros em agosto; alta de 8,8% ante 2024

    Após recorde histórico em julho, fluxo segue forte e consolida retomada; viagens domésticas representaram 63,6% do total

    Guarulhos, 19 de setembro de 2025

    O Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos (GRU) movimentou 4.158.977 passageiros em agosto de 2025, uma alta de 8,8% em relação a agosto de 2024. O resultado mantém o ritmo aquecido observado no meio do ano e confirma a trajetória de crescimento do principal hub aéreo do país.

    Em agosto, os embarques e desembarques domésticos somaram 2.643.424 pessoas (63,6%), enquanto as operações internacionais chegaram a 1.515.553 passageiros (36,4%). Ao todo, foram 26.360 movimentos de aeronaves no mês.

    O desempenho veio logo após o recorde histórico de julho, quando o aeroporto ultrapassou 4,4 milhões de passageiros, a maior marca mensal desde o início da concessão. Naturalmente, agosto mostrou leve acomodação em relação a julho, como ocorre sazonalmente, mas ainda assim ficou muito acima do volume de um ano atrás.

    O comportamento da demanda indica um segundo semestre robusto, sustentado pela malha doméstica e pelo aumento gradual das conexões internacionais, segundo a leitura do mercado com base na evolução da malha e da procura observadas no meio do ano.

    Por dentro dos números de agosto

    • Passageiros totais: 4.158.977
    • Domésticos: 2.643.424 (63,6%)
    • Internacionais: 1.515.553 (36,4%)
    • Movimentos de aeronaves: 26.360
    • Variação anual (ago/25 vs. ago/24): +8,8%

    Por que importa para Guarulhos

    O fluxo de passageiros em alta impulsiona empregos diretos e indiretos na cidade (varejo, alimentação, transporte e hotelaria), amplia a arrecadação municipal e aumenta a visibilidade de Guarulhos como porta de entrada do Brasil. Para o próximo trimestre, a expectativa é de manutenção do movimento elevado com a proximidade dos feriados de novembro e do início da alta temporada de verão.