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Falta de chuva ajuda companhias aéreas brasileiras em setembro

 

Pelo menos um setor da economia esta lucrando com a estiagem prolongada que atinge várias regiões do Brasil: as companhias aéreas. Em setembro, a demanda doméstica subiu 3 por cento sobre um ano antes, puxada pelas viagens de passeio, informou a associação que representa o setor.

"O clima ajudou o turismo", resumiu o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, ao anunciar os números do setor sobre o mês passado. "Esta calor, o pessoal vai viajar."

As viagens de turismo compensaram com sobras a queda na procura corporativa por bilhetes, o que a Abear atribuiu a uma combinação de menor atividade econômica e cenário eleitoral, o que tem feito decisões de negócios serem postergadas.

Em geral responsáveis por cerca de 60 por cento da demanda, as viagens de negócios também garantem maior rentabilidade às empresas aéreas, já que o preço médio dos bilhetes é bem maior.

De todo modo, a maior atividade nas viagens de lazer ajudou as companhias aéreas a conseguirem maior planejamento das frotas, com o nível médio de ocupação dos voos subindo 1,3 ponto percentual sobre setembro de 2013, para 78,67 por cento.

Isso porque a oferta de assentos em aeronaves no mercado doméstico, avançou 1,3 por cento na mesma base de comparação, menos da metade do avanço da demanda.

No acumulado de janeiro a setembro, o nível médio de ocupação, chamado de "load factor", cresceu 4,2 pontos, para 79,5 por cento.

"Foram números saudáveis para a industria", disse o consultor técnico da Abear Maurício Emboaba.

Se por um lado, a maior participação do turismo aumentou a taxa de ocupação das aeronaves, por outro prejudicou a rentabilidade das empresas, reclamou Emboaba.

A entidade, que representa as companhias aéreas Gol, TAM, Azul e Avianca, reforçou o discurso para que o governo federal reveja os critérios de tributação sobre o querosene de aviação, um dos principais custos das companhias, e cuja estrutura distorcida torna as viagens mais caras do que em outros países, segundo Sanovicz.

"Durante os últimos anos, conseguimos enfrentar as adversidades da economia. Com aumento da eficiência, mas nossa lição de casa esta chegando no limite" disse a jornalistas. "Agora dependemos muito de decisões do setor público para dar previsibilidade e estabilidade" ao setor.

 

Economistas voltam a piorar projeção para o PIB do Brasil

 

Economistas do mercado financeiro voltaram a reduzir a projeção para o crescimento da economia brasileira neste ano, segundo o boletim Focus divulgado pelo Banco Central. O relatório indica que o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) crescerá 0,27% neste ano. Na semana passada, o mercado havia elevado de 0,24% para 0,28% a previsão do PIB, quebrando uma sequência de 19 revisões negativas.

O levantamento é o primeiro divulgado após o BC divulgar que a economia desacelerou e cresceu só 0,27% em agosto, de acordo com o IBC-Br, resultado bem inferior ao 1,52% de julho. Com isso, pelas contas da autoridade monetária, o país cresce só 0,04% no ano, fortalecendo o pessimismo do mercado.

A pesquisa dessa semana também piorou a perspectiva para a indústria para queda de 2,24%, contra retração de 2,16% apontada no relatório anterior.

Em relação à inflação, a projeção continuou em 6,45% para este ano e 6,3% para o ano que vem. Entre o chamado “top 5”, grupo de economistas que mais acertam as previsões, a estimativa também foi mantida em 6,51%, acima do teto da meta do governo, de 6,5%. A pesquisa manteve ainda inalterada a projeção para a taxa básica de juros, a Selic, em 11% ao ano.




 

Novelis fechará fábrica de alumínio no Brasil



A multinacional Novelis anunciou que vai fechar sua fábrica de alumínio primário no Brasil, em Ouro Preto (MG), em meio à estratégia de se focar em laminação e reciclagem do metal no país.

A unidade em Ouro Preto, aberta em 1934, será fechada até o final do ano. A fábrica emprega cerca de 350 trabalhadores e tem capacidade para produzir 18 mil toneladas métricas de alumínio primário por ano.

No ano passado, a Novelis, controlada pelo grupo indiano Aditya Birla Group, completou investimento de US$ 340 milhões na expansão de laminação no Brasil, que ampliou a capacidade de 400 mil para 600 mil toneladas anuais. Os recursos foram aplicados na fábrica de Pindamonhangaba (SP), a maior instalação industrial da empresa na América do Sul.

"A decisão de encerrar as operações em Ouro Preto é consistente com nossa estratégia global", disse Tadeu Nardocci, presidente da Novelis para a América do Sul, em comunicado.

"Além disso, o fechamento é motivado por questões sistêmicas que afetam toda a indústria de alumínio primário no Brasil e que têm impactado o custo das operações e da competitividade", acrescentou o executivo.

QUEDA NOS PREÇOS



No fim de março, a Alcoa, maior produtora de alumínio dos Estados Unidos, anunciou corte de 147 mil toneladas de capacidade em duas usinas de alumínio primário no Brasil, diante da forte queda nos preços do insumo no mercado internacional e dos custos elevados de energia no país.

A produção brasileira de alumínio primário acumula queda de 23,2% de janeiro a agosto, para 682,3 mil toneladas segundo dados da associação que representa o setor, Abal.

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) baixou de 6% para zero em agosto o imposto de importação de alumínio primário. A medida vale até agosto de 2015.

 

'Prévia' do PIB continua crescendo em agosto

Após registrar a maior alta mensal em seis anos em julho, o nível de atividade da economia brasileira continuou avançando em agosto, o que indica que o Produto Interno Bruto (PIB) poderá sair do "atoleiro" no terceiro trimestre deste ano – nos dois primeiros trimestres, o país entrou na chamada recessão técnica.

Segundo os dados divulgados pelo BC, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) – um indicador criado para tentar antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) – registrou alta de 0,27% em agosto. Neste caso, a comparação não considera as variações conforme a época do ano (ou seja, foi feita após ajuste sazonal). Foi o segundo mês seguido de expansão.

Na parcial dos oito primeiros meses de 2014, segundo o BC, foi registrada, entretanto, uma contração de 0,11%, ou seja, houve pequena queda no nível de atividade. Neste caso, a comparação foi feita sem ajuste sazonal. Já no acumulado de 12 meses até agosto, a prévia do PIB registrou alta 0,93%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o crescimento da economia. O cálculo oficial desse dado é feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostrou, no segundo trimestre, uma contratação de 0,6% na economia, após um recuo de 0,2% nos três primeiros meses do ano – o que configura, segundo economistas, um quadro de "recessão técnica".

Para o mercado financeiro, o crescimento do PIB será de apenas 0,28% neste ano. O governo federal estima um, até o momento, uma expansão de 0,9% para o PIB de 2014. O Banco Central, por sua vez, projeta uma expansão de 0,7% para 2014.

Resultados do IBC-Br x PIB
O IBC-Br foi criado para tentar ser um "antecedente" do PIB. O índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos. Os últimos resultados do IBC-Br, porém, não têm mostrado proximidade com os dados oficiais do PIB, divulgados pelo IBGE.

Em 2012, por exemplo, o IBC-Br mostrou um crescimento de 1,6%. Posteriormente, o resultado oficial do PIB mostrou uma alta menor, de 1%. O mesmo aconteceu nas últimas divulgações trimestrais do PIB, quando o indicador não correspondeu aos resultados oficiais do PIB – divulgados pelo IBGE.

O Banco Central já avaliou, em 2013, que o IBC-Br não seria uma medida do PIB, mesmo que tenha sido criado para tentar antecipar o resultado, mas apenas "um indicador útil" para o BC e para o setor privado. "Se o IBC-Br acertasse na mosca é que seria surpreendente", afirmou o diretor de Política Econômica da entidade, Carlos Hamilton, no fim de 2012.

Definição dos juros
O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo Banco Central para definir a taxa básica de juros (Selic) do país. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária. Atualmente, entretanto, os juros básicos estão em 11% ao ano e a expectativa do mercado é de que assim permaneçam até o fim deste ano.

Pelo sistema de metas de inflação que vigora no Brasil, o BC precisa calibrar os juros para atingir as metas preestabelecidas. Quanto maiores as taxas, menos pessoas e empresas dispostas a consumir, o que tende a fazer com que os preços baixem ou fiquem estáveis. Para 2014 e 2015, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Desse modo, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país e medida pelo IBGE, pode ficar entre 2,5% e 6,5%, sem que a meta seja formalmente descumprida. Em 12 meses até setembro deste ano, o IPCA somou 6,75%, segundo números oficiais do IBGE.

 

Sede de aquisições da AB InBev quer a Pepsi

 

Se a Anheuser-Busch InBev não puder tomar sua cerveja preferida, talvez ela se contente com uma Pepsi. Com quase US$ 90 bilhões em acordos fechados nos últimos dez anos, incluindo a aquisição da fabricante da Budweiser em 2008, nenhuma empresa de bebidas gasta como a AB InBev. A maior parte das especulações sobre a próxima jogada do gigante da cerveja de US$ 170 bilhões tem se focado na segunda maior cervejaria do setor, a SABMiller. No entanto, uma companhia do tamanho e com as ambições da AB InBev tem outras opções, entre elas a PepsiCo.

A AB InBev e seus assessores vêm estudando há muito tempo se uma fusão com a empresa de refrigerantes e snacks de US$ 142 bilhões tem sentido estratégica e financeiramente, disseram fontes do setor. Mas não há negociações em andamento, nem existe uma oferta iminente. O cenário é um dos muitos avaliados pela empresa, acrescentou uma das fontes, pedindo não ser identificada porque as informações são privadas. A AB InBev deveria pensar em algo além do mercado da cerveja, disse a Albert Fried Co. Assim, empresas como a Monster Beverage ou a Keurig Green Mountain, que estão ainda mais longe do núcleo da cervejeira, entrariam no seu radar. De qualquer maneira, é pouco provável que a AB InBev saia de mãos abanando.

A cultura da AB InBev está “baseada em fazer grandes acordos, dar grandes passos à frente”, disse Richard Withagen, analista da Kepler Cheuvreux em Amsterdã, em entrevista por telefone:

— É tudo especulação sobre qual será o próximo passo. Que vai haver um próximo passo é quase certeza, eu não acho que essa empresa queira apenas gerenciar o negócio sem expandi-lo.

VELHOS CONHECIDOS

A AB InBev e a PepsiCo se conhecem bem, disse uma das fontes, mencionando o acordo de engarrafamento das empresas na América Latina. Os negócios de refrigerantes e snacks da PepsiCo são atraentes em meio à desaceleração dos lucros na área da cerveja, disseram as fontes. Qualquer acordo entre as empresas teria que ser amistoso.

O motor de uma aquisição seria o custo potencial e os benefícios para a receita de vender cerveja e refrigerantes através do mesmo sistema de distribuição. A AB InBev e seus financiadores brasileiros, entre eles o bilionário Jorge Paulo Lemann, da 3G Capital, também poderiam aumentar a lucratividade da PepsiCo como fizeram após a compra da Anheuser-Busch. Lemann e seus dois velhos parceiros de negócios são proprietários da AB InBev e membros do seu conselho.

— Olhando o histórico deles, esses brasileiros sempre gostaram de histórias de autoajuda — disse Ian Shackleton, analista da Nomura Holdings Inc. em Londres, em entrevista por telefone. — A SABMiller não preenche esse requesito.

Uma opção poderia ser a Coca-Cola, disse Shackleton. Potencialmente, há mais “alavancas para puxar em termos de redução de custos” do que na PepsiCo, que já vem reduzindo gastos em meio à pressão do investidor ativista Nelson Peltz, segundo o analista.



O maior obstáculo dos alvos fora do mundo da cerveja poderia ser que a AB InBev simplesmente se sente melhor só com a cerveja.

Então sobra a SABMiller. Andrew Holland do Société Générale diz que ela é “de longe o alvo mais atraente” para a AB InBev por causa do tamanho, da posição na África e da potencial economia de custos de um acordo. Philip Gorham, analista da Morningstar, diz que uma oferta poderia custar muito e não ser do interesse dos acionistas.

—O ponto principal é que eles sempre vão ser extremamente empreendedores — disse Shackleton da Nomura. — Eles têm um estudo de caso da Pepsi? Tenho certeza. Eles têm um da Coca-Cola? Sem dúvida. Eles têm um da SABMiller? É claro que sim. Com o preço certo, na oportunidade certa, tudo é interessante.

 

 

GM, Ford, Fiat e Volks são as montadoras campeãs de reclamações

 

GM, Ford, Fiat e Volks são as montadoras mais reclamadas no Procon-SP nos oito primeiros meses do ano, de acordo com boletim divulgado pelo órgão de proteção ao consumidor. Juntas, as dez fabricantes de automóveis que mais tiveram queixas registradas no Procon no período somaram 299 reclamações. O principal problema – 61% das queixas – diz respeito a defeito no veículo. De 1° de janeiro a 31 de agosto deste ano as montadoras registraram 50 campanhas de recall no país, convocando mais de 800 mil veículos defeituosos de volta às concessionárias.

Embora sejam as últimas colocadas na lista, Peugeot Citröen e Toyota deixaram de resolver 75% das reclamações encaminhadas. A média do índice de resolução das empresas também é baixo: apenas 47,1%. Para o Procon-SP, o número ideal de solução é acima de 95%.


A GM, que concentra o maior número de reclamações no Brasil - foram 74, com índice de solução de apenas 46% - enfrenta nos EUA um longo processo judicial por conta de um problema na ignição de veículos da marca,que matou pelo menos 27 pessoas no país. O escândalo foi agravado pelo fato de a montadora ter demorado para convocar recall e sanar o problema. Só em 2014 o número de recalls da montadora nos EUA já passou de 70, somando 30 milhões de veículos afetados. O mais notório foi o recall que afetou 2,6 milhões de carros em razão das chaves de ignição defeituosas.

O Procon-SP orienta que, o consumidor que tiver problemas semelhantes ou quaisquer dúvidas sobre seus direitos, entre em contato com os canais de atendimento ou procure o Procon de sua cidade.



 

Mercado de trabalho em setembro foi o pior em 14 anos

 

O mercado de trabalho deve registrar em setembro um dos piores saldos de criação de empregos para o mês nos últimos 14 anos. Segundo fontes do governo, a geração de postos com carteira assinada não superará 100 mil. Em setembro de 2013, foram abertas 211 mil vagas. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) devem ser divulgados pelo Ministério do Trabalho na próxima semana e ficarão bem abaixo da projeção dos analistas: criação de 144 mil empregos.

Setembro costuma ser favorável a contratações, sobretudo na indústria de transformação, que se prepara para as entregas de fim de ano. Mas o setor vem fechando vagas e registra saldo negativo há cinco meses consecutivos. A estimativa de técnicos do governo é que o resultado da indústria no Caged fique positivo, mas abaixo do obtido em setembro nos últimos três anos: 60 mil postos.

Com a crise no setor automobilístico, que colocou boa parte dos trabalhadores em férias coletivas ou em regime de suspensão temporária dos contratos de trabalho, as contratações na indústria deverão ser puxadas pela produção de alimentos e bebidas. Os setores de serviços e comércio, que ainda vêm sustentando o mercado de trabalho, não devem surpreender positivamente. A agricultura virá com saldo negativo, devido à entressafra. As demissões no setor começaram em agosto e deverão ser aprofundadas em setembro.

NO ANO, EXPECTATIVA DE 700 MIL POSTOS

Para o professor Rodrigo Leandro de Moura, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV), um conjunto de fatores ajuda a explicar a desaceleração do mercado de trabalho, como a estagnação da economia por dois trimestres seguidos e a piora nas expectativas, com inflação em alta, pessimismo dos empresários e incertezas geradas pelas eleições.

— O governo não fez os ajustes necessários e o mercado de trabalho reflete a piora no cenário econômico.

A estimativa dos técnicos é que a meta de criar um milhão de empregos neste ano não será alcançada. Deverão ser gerados 700 mil novos postos.




 

Emprego na indústria  do Brasil recua 0,4%

 

O emprego na indústria registrou queda de 0,4% em agosto, na comparação com julho, informou o IBGE. Foi o quinto resultado consecutivo nesse tipo de comparação. Frente ao mesmo mês do ano passado, houve queda de 3,6% — a mesma taxa de julho, igualando a marca de pior perda desde 2009. O resultado é divulgado uma semana depois de o instituto revelar que o setor cresceu pelo segundo mês seguido em agosto.

Com a sequência de taxas negativas, o nível de pessoal ocupado no setor já acumula perda de 2,9%, só entre abril e agosto. No ano, o recuo é de 2,7% e, em 12 meses, de 2,4%. A série de cinco quedas se iguala à sequência de meses negativos do ano passado, quando o nível de emprego recuou consecutivamente de maio a setembro. Em 2013, no entanto, o recuo acumulado foi menos intenso, de 1,8%. De acordo com o IBGE, uma série negativa mais forte que essa foi observada entre outubro de 2008 e junho de 2009: nos nove meses que se seguiram ao estouro da crise, a queda acumulada do emprego na indústria foi de 7%.

Para André Macedo, gerente da pesquisa industrial do IBGE, o mercado de trabalho no setor está em linha com o momento ruim da indústria brasileira.

— Mais do que o resultado de 0,4%, o que chama mais a atenção é a sequência de resultados negativos. A melhora (na produção, em julho e agosto) é algo muito pontual para que haja algum tipo de alteração de cenário do mercado de trabalho — avalia o especislista.

RENDIMENTO AUMENTA, HORAS PAGAS RECUAM

O único indicador positivo no mês foi o valor da folha de pagamento real, que cresceu 0,5% frente a julho e acumula alta de 0,4% no acumulado em 12 meses. Segundo os cálculos do IBGE, no entanto, o resultado recupera apenas parcialmente a perda de 5,1% acumulada nos dois últimos meses. O índice recuou 1,6% na comparação com agosto de 2013.

No período, também houve recuo no número de horas pagas — que indica o nível de produção. A queda frente a julho foi de 0,8%, e, na comparação com agosto de 2013, chegou a 4,5% — a pior desde outubro de 2009, quando havia sido de 5,3%.

— Fico com a ideia de que o aumento na folha de pagamento é uma melhora em funçao de bases mais baixas — explica André Macedo.

RECUO EM 13 DAS 14 REGIÕES PESQUISADAS

A queda em agosto foi disseminada, atingindo 13 das 14 regiões pesquisadas pelo instituto — quadro um pouco melhor que o do mês passado, quando todos os locais investigados tiveram índices negativos. Neste mês, só Pernambuco registrou resultado positivo, de 0,6%.

O maior impacto veio de São Paulo, maior parque industrial do país, onde o nível de ocupação caiu 4,8%. Segundo o IBGE, a taxa foi pressionada pelo menor dinamistmo nas indústrias de meios de transportes (-7,3%), máquinas e equipamentos (-6,4%) e produtos de metal (-9,9%).

Também houve fortes quedas no Paraná (-5,2%), Rio Grande do Sul (-4,7%), Minas Gerais (-3,3%) e regiões Norte e Centro-Oeste (-2,2%).


PRODUÇÃO INDUSTRIAL DEVE ENCERRAR ANO EM QUEDA

Em julho, o criação de vagas na indústria havia tido queda de 0,7% frente ao mês anterior. Segundo analistas ouvidos pelo GLOBO na ocasião, o nível de ocupação deve demorar para reagir, já que há uma defasagem entre a produção e o mercado de trabalho, que só começa a melhorar após seguidas altas da produção.

O cenário para o ano não é positivo. O avanço de 0,7% da produção em agosto, revelado pelo IBGE na semana passada, ainda não indica uma recuperação da indústria e sequer recupera as perdas acumuladas nos quatro meses anteriores, que chegam a 3,4%. Para o fim de 2014, a expectativa é que o setor recue 2,14%, segundo o mais recente boletim Focus.





 

 

Azul e Avianca terão 21 novos voos por dia em Congonhas

As empresas aéreas Azul e Avianca ganharam direito de operar, respectivamente, 13 e 8 novos voos por dia em Congonhas, em São Paulo, informou a Agência Nacional de Aviação Civil. A decisão é resultado da distribuição de novos horários de pousos e decolagens no aeroporto, um dos mais movimentados e disputados do país.

No total, a Anac disponibilizou em Congonhas 43 novos slots, termo técnico para horário de pouso ou de decolagem. A Azul ficou com 26 e a Avianca, com 17. Como cada par de slot forma um novo voo (um pouso + uma decolagem), a primeira terá 13 novos voos e a segunda, 8. Eles serão operados de segunda a sexta e não valem para os finais de semana.

Mesmo com a decisão,TAM e Gol continuam liderando em participação em Congonhas. Elas têm ali, respectivamente, 236 e 234 slots por dia, de segunda a sexta. A Avianca, que tinha 24, passou agora a 40. E a Azul, que não realizava voos durante dias de semana no aeroporto, tem agora 26, o equivalente a 5% de participação.

As empresas terão direito a operar os novos voos entre 27 de outubro de 2014 e 29 de março de 2015. Nesse período, a Anac vai avaliar, entre outros, a pontualidade da companhias. Se houver descumprimento, elas podem perder o direito.

Concorrência
No dia 26 de setembro, a Anac anunciou que Congonhas passaria a receber mais voos a partir deste ano. De acordo com a agência, a medida vai incentivar a concorrência entre empresas, o que deve resultar em redução no preço de bilhetes.

Por hora, Congonhas opera hoje até 30 pousos e decolagens da aviação comercial (jatos de companhias como TAM e Gol) em sua pista principal. Com a decisão, passará a operar até 33, dependendo do horário. Isso significa até 1 voo e meio a mais por hora.

O limite para 30 movimentos por hora, ou slots, havia sido estabelecido após o acidente com o avião da TAM, em 2007, a maior tragédia da aviação brasileira e que deixou 199 mortos. Antes do acidente, Congonhas operava até 48 pousos e decolagens por hora. A redução aconteceu devido às suspeitas de que o acidente poderia ter relação com o uso da pista do aeroporto.

 

Inflação oficial em 12 meses sobe a 6,75%




A inflação oficial brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou alta de 0,57% em setembro, informou o IBGE. Em agosto, o avanço havia sido de 0,25%. No acumulado em 12 meses terminados em setembro, o indicador avança 6,75%, o maior neste tipo de comparação desde outubro de 2011, quando subira 6,97%. No ano (entre janeiro e setembro), o índice já avança 4,61%.

A forte aceleração no acumulado em 12 meses, que havia ficado em 6,51% em agosto, veio acima do esperado pelo mercado. Segundo a Reuters, a mediana das projeções de analistas estava em 6,64%. Com o aumento, o IPCA se distancia muito do teto da meta do governo para a inflação, que é de 6,5%.

O avanço de setembro foi puxado pelo grupo alimentação e bebidas, que, após três meses em queda, registrou alta de 0,78% A categoria teve o maior impacto sobre o resultado, respondendo por 0,19 ponto percentual do índice. Entre as maiores altas, destacam-se a cebola, que subiu 10,17% e a farinha de mandioca, que avançou 2,52%. Já o tomate recuou 9,42%. Os alimentos são responsáveis pela maior parcela das despesas de consumidores.



Carnes têm o maior impacto

A alta na categoria foi influenciada pelo avanço no preço das carnes, de 3,17%. O resultado teve peso de 0,08 ponto percentual sobre o IPCA, o maior impacto individual sobre o índice. É a maior alta das carnes desde outubro de 2013, quando o grupo também avançou 3,17%. Eulina afirma que há uma combinação de razões para a alta do produto:

— Os pecuaristas argumentam que os pastos ainda estão secos por conta da seca do início do ano. Além disso, esse período do segundo semestre é de entressafra. O Brasil é o principal exportador de carne, a arroba do boi vem subindo desde o início do ano e os mercados estão favoráveis ao mercado brasileiro. Há ainda quem diga que há especulação.

Ela explica que não se pode dizer que a alta de alimentos é generalizada, já que produtos como tomate, batata e feijão carioca têm queda.


Passagens aéreas sobem mais de 17%

O segundo maior peso veio do grupo de transportes, que acelerou a alta de 0,33%, em agosto, para 0,63%, em setembro. O grupo teve impacto de 0,12 ponto percentual sobre o índice. O resultado foi influenciado pelos preços das passagens aéreas, que subiram 17,85% no mês, com uma contribuição de 0,07 ponto percentual. Já os combustíveis caíram 0,05%. O preço do litro da gasolina recuou 0,07% e o do etanol, -0,01%. A maioria das regiões teve queda nos preços de combustíveis. A exceção ficou por conta de Salvador, onde a gasolina ficou 10,98% mais cara e o etanol subiu 12,12%.

— Foi uma alta considerável, mais que dobrou o IPCA de agosto para setembro — afirma Eulina Nunes dos Santos, da Coordenação de Índice de Preços do IBGE.

No Rio, o grupo alimentação e bebidas sobe 9,86%. Segundo o IBGE, o cenário ainda é impactado por um prolongamento do efeito Copa do Mundo.

— Rio e São Paulo vêm sendo pressionados por alimentação fora de casa. Esse movimento de Copa propiciou aumentos — afirma Eulina.

Serviços aceleram

Os serviços aceleraram os preços em setembro. Em agosto tinham subido 0,59% e agora avançam 0,77%. A alimentação fora de casa acelerou de 0,71% para 0,81%. Já aluguel residencial passou de 0,66% em agosto para 0,57% em setembro. Nos últimos 12 meses, os serviços sobem 8,58%.

Já os itens administrados passaram de 0,50% em agosto para 0,40% em setembro. Nos últimos 12 meses, avançam 5,32%.



FMI Alertou sobre inflação alta

O relatório trimestral “Panorama da Economia Mundial”, divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), mostrou que o Brasil foi a economia, entre as principais do planeta, com o maior corte na previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014. A expansão, projetada até então em 1,3%, caiu 1 ponto percentual, para apenas 0,3%, o que configura estagnação. O Japão teve revisão de 0,7 ponto, de 1,6% para 0,9%.

Segundo o organismo, a inflação continuará próxima do teto da meta em 2014 e 2015, “refletindo persistência inflacionária, constrangimentos de oferta e pressão reprimida de preços administrados”. Agora o FMI projeta a inflação ao consumidor em 6,3% em 2014 e em 5,9% em 2015, contra 5,9% e 5,5% respectivamente no relatório anterior.

FMI não descarta recessão no Brasil

A perspectiva de expansão do Brasil no momento “é relativamente fraca”, “abaixo da capacidade potencial de médio prazo”, afirmou o vice-diretor de Pesquisas do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gian Maria Milesi Ferretti, em coletiva de apresentação das novas projeções do relatório “Panorama da Economia Mundial”. Embora muito cauteloso, Ferretti não descartou a possibilidade de o Brasil viver uma recessão no conjunto dos quatro trimestres de 2014 — uma contração técnica foi registrada no primeiro semestre. Perguntado sobre este risco, o economista do FMI disse que, em vez de discutir “se o crescimento é de mais ou menos 0,1%”, preferia se focar “na perspectiva geral de crescimento”.

A recuperação dependerá muito da resolução da incerteza política associada à eleição presidencial, que contribuiu para a perda acentuada de confiança de empresários e consumidores este ano, e da queda inflação, que permitiria uma política monetária mais expansionista. Acelerar os investimentos será fator-chave para a recuperação brasileira, bem como renovar o fôlego do consumo das famílias, diz o economista.

Segundo Ferretti, o ciclo de elevação dos juros pelo Banco Central (BC) para combater a inflação alta contribuiu para a desaceleração do Brasil, que viu ceifada em 1 ponto percentual a projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014, para apenas 0,3%. O impacto do aperto política monetária, avalia, continuará, dada a persistência das pressões inflacionárias e o período longo de efeito das decisões sobre juros.

Além disso, advertiu, o cenário externo já não é tão favorável ao Brasil. Os termos de troca dos produtos vendidos ao exterior caiu e a demanda internacional por commodities, como soja e minério de ferro, não é tão forte como em anos atrás, quando a economia brasileira viveu seu auge recente. A escalada do déficit em conta corrente (resultado negativo das transações comerciais e financeiras com o resto do mundo) para cerca de 3,5% evidencia este entrave, diz Ferretti.

— Combinados esses fatores, é um panorama de crescimento modesto, claramente abaixo da capacidade potencial de crescimento do Brasil no médio prazo — afirma o economista. — Queremos focar, em vez de se o crescimento é de mais ou menos 0,1%, na perspectiva geral de crescimento, e esta permanece relativamente fraca para o Brasil, permanece relativamente fraca para a região (América Latina) como um todo, E esperamos, novamente, que a resolução da incerteza política e uma inflação mais controlada pela política monetária ajudem na recuperação da confiança, favorecendo a retomada da atividade econômica.

O Brasil sofreu a mais forte revisão de projeções de crescimento entre as principais economias destacadas pelo FMI, tanto em 2014 quanto em 2015. Segundo o documento divulgado , o corte para o próximo ano foi de 0,6 ponto percentual, para 1,4%. O Brasil é destaque negativo entre as nações emergentes. Seu desempenho no Brics — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — só não é pior do que o russo. As economias chinesa e indiana são as emergentes de grande porte mais bem posicionadas.

 

Poupança tem menor entrada de recursos em 9 anos

Os depósitos superaram os saques na caderneta de poupança em R$ 1,36 bilhão no mês de setembro, informou o Banco Central (BC) Trata-se da menor entrada líquida de recursos para meses de setembro desde 2005, quando houve a retirada de R$ 708 milhões.

No acumulado dos nove primeiros meses deste ano, a captação da poupança (depósitos menos retiradas) somou R$ 15,53 bilhões, a menor entrada de recursos para este período do ano desde 2011, quando R$ 9,49 bilhões entraram na poupança. Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve queda de 68,2% (em relação ao ingresso de R$ 48,94 bilhões em 2013).

Depósitos, retiradas e saldo da poupança
Em setembro deste ano, ainda segundo o BC, os depósitos na caderneta de poupança somaram R$ 145 bilhões, enquanto os saques ficaram em R$ 143,72 bilhões. O volume dos rendimentos creditados nas contas dos investidores alcançou R$ 3,56 bilhões no mês passado.

Com isso, o volume total de recursos aplicados na caderneta subiu em setembro deste ano. No fechamento de 2013, o estoque de recursos na poupança totalizava R$ 597,94 bilhões, subiu para R$ 638,47 bilhões em agosto e para R$ 643,41 bilhões em setembro.

Cenário econômico e baixa atratividade
Segundo economistas, o cenário econômico, com alta da inflação e do nível de endividamento das famílias, tem contribuído para a queda no volume de entrada de recursos na caderneta de poupança neste ano. Além disso, o processo de aumento dos juros básicos da economia (a Selic), implementado pelo Banco Central entre abril do ano passado e maio deste ano, diminuiu a rentabilidade da poupança frente a outras modalidades de investimento.

De acordo com cálculos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), com a estabilidade da taxa básica de juros da economia em 11% ao ano desde o final de maio, as aplicações em renda fixa como fundos de investimento mantêm mais atratividade e "ganham da poupança na maioria das situações".

Isso ocorre porque o rendimento dos fundos de renda fixa sobe junto com a Selic. Já o rendimento das cadernetas, quando a taxa de juros está acima de 8,5% (o que acontece desde agosto), é fixo em 6,17% ao ano mais a variação da TR (Taxa Referencial, que é calculada pelo BC). Segundo a Anefac, as cadernetas de poupança vão continuar mais interessantes frente aos fundos de renda fixa quando a taxa de administração cobrada por eles for superior a 2,5% ao ano.

Fundo de reserva
Especialistas avaliam que, independentemente do rendimento, a caderneta de poupança ainda é uma boa opção de investimento em alguns casos. Pode ser uma boa opção, por exemplo, para pequenos poupadores (com pouco dinheiro guardado), para pessoas que buscam aplicações de curto prazo (poucos meses) ou que procuram formar um "fundo de reserva" para emergências – uma vez que não há incidência do Imposto de Renda.

"Os investidores costumam não gostar muito da caderneta de poupança, por ser um investimento que oferece baixos valores de rendimento. No entanto, posso dizer com segurança que ela é atraente para diversas pessoas, especialmente para aquelas que querem investir para a realização de um objetivo de curto prazo. Contudo, a pessoa educada financeiramente deverá buscar outras linhas que se adequam aos sonhos de médios e longos prazos também", avaliou Reinaldo Domingos, educador financeiro e presidente da DSOP Educação Financeira.

Nos fundos de investimento, ou até mesmo no Tesouro Direto (programa do governo de compra de títulos públicos pela internet) há cobrança do imposto de renda e, na maior parte dos casos, de taxa de administração. Nos fundos de investimento e no Tesouro Direto, o IR incide com alíquota regressiva, ou seja, quanto mais tempo os recursos ficarem aplicados, menor é o valor da alíquota incidente no resgate.

 

 

Venda de imóveis novos em São Paulo cai 48% em agosto

Em agosto, foram vendidos 1.797 imóveis novos em São Paulo, uma queda de 48% em relação ao mesmo período de 2013 (3.464), segundo pesquisa do sindicato da habitação, Secovi. Em julho deste ano, 736 unidades haviam sido negociadas, representando uma variação de 144,2%.

"No primeiro mês após a Copa do Mundo, os incorporadores imobiliários responderam com o aumento da quantidade de lançamentos. Este comportamento deve se consolidar a cada mês, até o final do ano", disse Emílio Kallas, vice-presidente de Incorporação e Terrenos Urbanos do sindicato, por meio de nota.

Segundo o presidente do Secovi, Claudio Bernardes, apesar do movimento de recuperação, as vendas ainda foram tímidas, provavelmente por influência do clima eleitoral, além de incertezas quanto aos rumos políticos e econômicos do país a partir de 2015.

As vendas acumuladas de janeiro a agosto de 2014 totalizaram 11.587 unidades, resultado 48,8% inferior diante das 22.638 unidades comercializadas em iguais oito meses de 2013.

Lideraram as vendas os imóveis de dois dormitórios, com 762 unidades e participação de 42,4%. Já o segmento de um dormitório respondeu por 33,5% do volume comercializado no mês, com 602 unidades.

O VGV (Valor Global de Vendas) de agosto atingiu R$ 984,2 milhões, uma queda de 40,9% frente ao volume de R$ 1,66 bilhão registrado no mesmo mês do ano passado.

O indicador VSO (Vendas sobre Oferta) de 12 meses encerrados em agosto foi de 48,6%. Ou seja, venda média de 48,6% dos imóveis ofertados nos últimos 12 meses.

De acordo com a Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio), em agosto, foram lançadas 2.115 unidades, um aumento de 117,4% em relação às 973 unidades lançadas em julho. Frente a agosto de 2013, foi registrada redução de 30,4%.

 

Montadoras de automóveis anunciam férias

 

O aumento de quase 9% nas vendas de carros entre agosto e setembro não foi suficiente para restabelecer a confiança das montadoras na retomada na demanda. Ford, Volkswagen e Renault já anunciaram novos períodos de férias coletivas ou licenças em suas fábricas. A GM, por sua vez, abriu outro programa de demissão voluntária (PDV). A Mercedes-Benz também tem reduzido sua produção em um dia na semana, para se adequar a oferta.

Em nota, a Volks informa que dará férias coletivas a uma parte do primeiro turno produtivo de sua unidade de São José dos Pinhais, no Paraná. O período vai durar de meados de outubro até o início de novembro. “No sentido de adequar os volumes de produção à demanda de mercado, a Volkswagen do Brasil iniciará um período de férias coletivas na unidade”, limita-se a dizer, sem detalhar quantos empregados serão atingidos.

A Renault deixará quase 50% dos seus 6,5 mil empregados na fábrica paranaense em férias entre os dias 13 e 22 deste mês. A montadora explica que foi prejudicada pela baixa nas exportações à Argentina e também pela redução da demanda interna.

A Ford para totalmente a fabricação de carros e caminhões em São Bernardo do Campo de hoje até o dia 13. A medida abrange 3,5 mil empregados.

A GM, que já está com 930 funcionários com o contrato suspenso, no chamado lay off, abriu nesta quarta-feira novo PDV nas unidades de São José dos Campos e São Caetano do Sul.

Na unidade de São José dos Campos, o programa ficará aberto até dia 8. Já na planta do  ABC Paulista, até dia 6. A empresa não dá detalhes sobre, por exemplo, a expectativa do número de empregados que deve aderir ao PDV. Em todo o país a GM emprega 21 mil pessoas.




 

Indústria do Brasil volta a encolher em setembro

A indústria brasileira não conseguiu sustentar a força proporcionada pelo fim da Copa do Mundo e voltou a contrair-se em setembro, prejudicada por quedas na produção e no volume de novos pedidos, apontou o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês).

O PMI apurado pelo Markit recuou em setembro a 49,3, deixando para trás o recorde de alta de cinco meses de 50,2 registrado em agosto, quando a produção e a assinatura de novos negócios aumentaram com o fim do evento esportivo.

Com isso, volta a ficar abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração, território em que permaneceu em cinco dos últimos seis meses.

"Com o número de setembro, o PMI de indústria encerra o terceiro trimestre a 49,6, sugerindo que a indústria brasileira permaneceu em contração após encolher no segundo trimestre", destacou o economista-chefe do HSBC André Lóes.

O volume de produção na indústria, segundo o Markit, recuou em setembro pela quinta vez nos últimos seis meses, diante do enfraquecimento do mercado em geral e da proximidade das eleições, destacadamente no subsetor de bens de investimento.

Ao mesmo tempo, a demanda mais fraca afetou o volume de novos pedidos, que encolheu pela taxa mais rápida desde maio. Somente a subcategoria de bens de capital viu aumento.

Com tudo isso, os empregos na indústria foram cortados pelo segundo mês seguido em setembro, sendo que a forte queda no nível de funcionários na categoria de bens de investimento superou as contratações nas outras.

Em relação a preços, os dados da pesquisa apontaram que pela primeira vez desde agosto de 2009 houve evidências de pressão para baixo nos custos de insumos. Com isso, os preços dos produtos caíram em setembro pela segunda vez em mais de dois anos e meio, com os entrevistados atribuindo isso ao enfraquecimento do mercado.

Em julho a produção industrial brasileira, último dado disponível, chegou a crescer após cinco meses de queda, com alta de 0,7%, mas analistas não consideraram o resultado como o início de tendência de recuperação para o setor.

Na quinta-feira o IBGE divulga os dados de agosto da produção, e pesquisa da Reuters aponta crescimento muito baixo, de apenas 0,1% sobre julho, dando pouco sinais de recuperação da recente crise.

As perspectivas para o setor neste ano são negativas, em meio a baixos níveis de confiança. Pesquisa Focus do Banco Central mostra que a projeção de economistas de instituições financeiras é de que o setor vai encolher 1,95% em 2014, quando o Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar apenas 0,29%.

 

Ambev passa Petrobras e tem maior valor de mercado

 

A Ambev superou a Petrobras como a empresa com maior valor de mercado da América Latina, segundo levantamento da consultoria Economatica. Enquanto a indústria de bebidas chegou a valer US$ 103,2 bilhões, a petroleira atingiu US$ 96,36 bilhões.

Na véspera, a ação preferencial da Petrobras registrou queda de 11,08%, liderando as perdas do Ibovespa, após divulgação de duas pesquisas na sexta-feira (26) mostrando a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, avançando na corrida presidencial.

Segundo dados da Economatica, entre todas as empresas de capital aberto da América Latina e Estados Unidos com valor de mercado acima de US$ 100 bilhões, a Petrobras é a única com queda do preço das suas ações e valor de mercado no período entre 31 de dezembro de 2010 e 26 de setembro de 2014.

As ações preferenciais da empresa caíram 38,18%, enquanto os papéis ON tiveram queda de 50,59%, considerando os preços em dólar. Já o valor de mercado da Petrobras caiu de US$ 228 bilhões para US$ 108 bilhões no período.

 

BC reduz previsão de crescimento do Brasil

 

O Banco Central derrubou a previsão de crescimento para este ano de 1,6% para 0,7% por causa de queda nos investimentos, desaceleração do consumo das famílias, retração na indústria e agricultura menos dinâmica. A autarquia ainda não espera uma grande recuperação da atividade econômica no ano que vem. De acordo com o relatório trimestral de inflação, divulgado nesta segunda-feira, a autoridade monetária aposta numa expansão de apenas 1,2% no acumulado em um ano ao fim do segundo trimestre, o limite de projeção do BC.

É a segunda vez este ano que a autoridade monetária reduz a previsão para o PIB brasileiro em 2014. Na semana passada, o governo federal reduziu de 1,8% para 0,9% a previsão de avanço da economia este ano, em relatório do Ministério do Planejamento. Mas, ainda assim, as duas projeções estão muito acima das expectativas do mercado: pesquisa do BC divulgada nesta segunda-feira mostra que os analistas reduziram pela 18ª semana seguida as previsões para o PIB brasileiro, desta vez de 0,3% para 0,29%. Em 2015, a estimativa permaneceu em 1,01%.


Nesse cenário traçado pelo Banco Central, o investimento deve encolher, em 2014, muito mais que o estimado no relatório trimestral de junho. A previsão passou de uma queda de 2,4% para nada menos que corte de 6,5%. Já o consumo das famílias deve desacelerar. O crescimento dos gastos do brasileiro — combustível do crescimento nos últimos anos — deve ficar em 1,6%. A aposta anterior era de 2%.

Nas perspectivas do BC, a agropecuária não deve ter um resultado tão bom quanto o esperado anteriormente. E a indústria deve amargar uma retração maior que o estimado antes, apesar do bom desempenho dos setores de extração mineral e petróleo.

BC: Melhora depende da confiança do comsumidor

O BC pondera que esse ritmo de crescimento menor tira pressão sobre a inflação e isso é benéfico para a economia. O Comitê de Política Monetária (Copom) vê um alinhamento entre oferta e demanda e espera mudanças estruturais nesse sentido, ou seja, o consumo dos brasileiros tende a desacelerar e o investimento ganhar força. A expectativa é que o cenário externo contribua para o desenvolvimento do país com aumento de competitividade do setor produtivo.

“Na visão do Copom, as mudanças (...) antecipam uma composição do crescimento de médio prazo mais favorável ao crescimento potencial. Nessa direção também apontam avanços em qualificação da mão de obra e o programa de concessão de serviços públicos. Nesse contexto, o Comitê entende que, em prazos mais longos, emergiriam bases para ampliação da taxa de investimento da economia, para uma alocação mais eficiente dos fatores de produção e, consequentemente, para que as taxas de crescimento do PIB efetivo retomassem patamares mais elevados e até mesmo para que o crescimento potencial aumentasse”, ressalta o BC no relatório. “O Comitê ressalta, contudo, que a velocidade da materialização das mudanças acima citadas e dos ganhos delas decorrentes depende do fortalecimento da confiança de firmas e famílias”.

Há alguns meses, o Banco Central tem mostrado preocupação crescente com o desenvolvimento econômico. Por isso, mesmo num cenário de inflação resistente, parou de aumentar os juros básicos em maio para não sacrificar a atividade econômica.

O Comitê de Politica Monetária interrompeu o mais longo ciclo de aperto monetário da sua história e deixou a taxa básica (Selic) em 11% ao ano. Esse é o principal instrumento do BC para controlar a inflação.

Enquanto isso, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado oficialmente no sistema de metas, está acima do limite permitido. A meta é de 4,5% com uma margem de tolerância de 2 pontos percentuais. No entanto, o IPCA está em 6,51% no acumulado nos últimos 12 meses.

A previsão do BC para a inflação neste ano caiu levemente de 6,4% para 6,3% neste ano. É praticamente a mesma esperada pelo mercado financeiro de 6,31%. Para o ano que vem, o BC aumentou a projeção para a inflação de 5,7% para 5,8%. Já os economistas do mercado financeiro projetam IPCA de 6,3%.



Para a taxa básica Selic, economistas elevaram a expectativa de 11,25% ao ano para 11,38% em 2015. Para este ano, a perspectiva permaneceu em 11%.

O BC vê um quadro favorável para o controle da inflação no futuro. A esperança é que a pressão sobre os preços podem até desaparecer no ano que vem.

“O Copom pondera que, apesar de a inflação ainda se encontrar elevada, pressões inflacionárias ora presentes na economia — a exemplo das decorrentes dos (...) processos de realinhamentos de preços e de ganhos salariais incompatíveis com ganhos de produtividade — tendem a arrefecer ou, até mesmo, a se esgotarem ao longo do horizonte relevante para a política monetária”, diz o relatório.




 

Congonhas dá mais espaço a Azul e Avianca

 

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) anunciou uma realocação nos slots (espaço para pousos e decolagens) no Aeroporto de Congonhas, que vai beneficiar as emprestas entrantes como Azul e Avianca. Com a mudança, o número de movimento que estava limitado desde o acidente com o avião da TAM, em 2007, a 30 por hora na pista principal, sobe para 32 e 33 para aviação comercial dependendo do horário. Para isso, a Anac retirou espeço da aviação geral (jatinhos executivos) de quatro movimentos por hora para dois ou um, também dependendo do horário.

Uma portaria publicada  no Diário Oficial da União hoje define o calendário para aalocação dos slots, que começa no dia 30 de novembro.

A partir de agora o órgão promete analisar rigorosamente os requisitos de regularidade ( não cancelamento de voos) e pontualidade por parte das empresas que operam no aeroporto. Quem não cumprir os horários perderá espaço no aeroporto, que serão entregues aos concorrentes, assim como terá que pagar multas.

A Anac justifica que a medida “ incentiva a concorrência e melhores preços, sem representar um aumento da capacidade do aeroporto, que permanece operando dentro das regras de segurança da aviação civil”

 

Taxa de desemprego no Brasil é preocupante

 

A taxa de desemprego ficou praticamente estável em agosto, em 5%, nas seis principais regiões metropolitanas do país (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre), segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) divulgada  pelo IBGE. É a menor taxa para meses de agosto da série histórica, iniciada em março de 2002.

O instituto informou que a taxa de desocupação total foi de 4,9% em julho, de 4,8% em junho e 4,9% em maio. É a primeira vez, desde o fim da greve de mais de 70 dias que atingiu o instituto, que a taxa é divulgada para o total das regiões pesquisadas. Desde maio, a taxa vinha sendo divulgada apenas parcialmente, para quatro regiões, com exceção de Salvador e Porto Alegre.

O rendimento médio ficou em R$ 2.055,50, registrando alta de 1,7% em relação a julho e de 2,5% na comparação com agosto de 2013. O emprego com carteira assinada subiu 0,7% em agosto frente a julho e 0,4% em relação a agosto de 2013.

FORÇA DE TRABALHO AUMENTA PELA 1ª VEZ NO ANO

Foi a primeira vez no ano que o contingente de pessoas na força de trabalho (empregadas ou à procura de emprego) e a ocupação aumentaram. A ocupação subiu 0,8% em relação ao mês anterior e teve leve queda na comparação com o mesmo mês do ano passado. Já o contingente de desocupados ficou em 1,221 milhão de pessoas nas seis regiões, um avanço de 3,3% em relação a julho e uma queda de 5,8% na comparação com agosto do ano passado.


Segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, não foram geradas vagas suficientes para atender a demanda, com tendência de alta.

— Foi a primeira vez que a ocupação cresceu no ano. Essa ocupação foi concentrada de forma significativa na construção civil em São Paulo e em postos de saúde e educação pública e privada — afirmou.

NO RIO, TAXA CAI PARA 3%

Azeredo afirmou que o aumento da força de trabalho pode ter sido resultado da queda de rendimento em meses anteriores. Entre maio e junho a renda média caiu 1,5%.

A região metropolitana do Rio registrou a menor taxa de desemprego entre todas as regiões pesquisadas. A taxa de desocupação caiu de 3,6% em julho para 3% em agosto. Foi a menor variação registrada pela região metropolitana, considerando todos os meses, desde o início da série em 2002. Em relação a agosto de 2013, a taxa caiu 1,5 ponto percentual de 4,5% para 3%. Já em Porto Alegre, subiu de 1,4 ponto percentual, de 3,4% para 4,8%, nessa comparação.



NA PNAD 2013

A divulgação ocorre em meio à crise institucional que vive o instituto. Na semana passada, o IBGE informou que errou na sua principal pesquisa. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2013), que mostra o retrato socieconômico mais amplo do país, com dados de mercado de trabalho, educação e acesso a bens do país, teve o peso de regiões metropolitanas em sete estados (Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul) superestimado.

Como nessas regiões o rendimento costuma ser mais elevado que no interior dos estados, houve impacto no cálculo de concentração de renda, além da taxa de analfabetismo, trabalho infantil, entre outros.




 

Executivos da Embraer são acusados de suborno

O Ministério Público abriu uma ação criminal contra oito empregados da Embraer, informou o “Wall Street Journal”. Eles são acusados de subornar autoridades da República Dominicana para garantir a aprovação de um contrato de US$ 92 milhões para o fornecimento de caças Super Tucanos às Forças Armadas do país.

A ação criminal, a qual o “Journal” teve acesso, corre em segredo de Justiça e marca uma das primeiras tentativas das autoridades brasileiras de processarem cidadãos do país por pagamento de propina no exterior. O processo obteve ajuda do Departamento de Justiça americano e da Securities and Exchange Commission (SEC, o xerife do mercado financeiro americano).

As agências americanas também estão investigando os acordos da Embraer na República Dominicana e em outros países e forneceram às autoridades brasileiras provas dos delitos, segundo o pedido de ajuda legal feito por procuradores brasileiros.

Empresa de ponta

A Embraer, uma das companhias brasileiras de maior destaque, é a terceira maior fabricante de aviões comerciais em volume de vendas e emprega mais de 18 mil pessoas em suas fábricas em Brasil, China, Portugal, França e Estados Unidos. A empresa tem suas ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE).

“Uma vez que o assunto é objeto de uma investigação em andamento no Brasil e nos Estados Unidos, a companhia não pode comentar mais detalhadamente sobre qualquer aspecto do caso, inclusive com respeito ao procedimento no Brasil, onde a empresa não é alvo de investigação”, informou a Embraer em um comunicado.

A Embraer informou em 2011 que estava sendo investigada nos Estados Unidos por suposta violação da Lei Internacional de Práticas de Corrupção. Como as ações da Embraer são negociadas na NYSE e porque alguns dos supostos pagamentos de suborno passaram pelos Estados Unidos, as autoridades americanas têm autorização para investigar a companhia. Porta-vozes do Departamento de Justiça e da SEC não quiseram comentar a reportagem do “Journal”.

Já o Ministério Público brasileiro apresentou uma queixa-crime de 31 páginas num tribunal do Rio de Janeiro em agosto passado, o primeiro passo para um processo criminal. O representante do Ministério Público também não quis comentar o caso.

Pagamento ao coronel

O processo alega que executivos do setor de vendas da Embraer ofereceram US$ 3,5 milhões para subornar um coronel da reserva da Força Aérea dominicana, que, por sua vez, pressionou parlamentares locais para aprovar a compra dos caças por meio de um acordo de financiamento entre a República Dominicana e o BNDES. A venda foi concluída e os caças entregues.

O coronel da reserva, Carlos Piccini Nuñez, atuava como diretor de projetos especiais para as Forças Armadas da República Dominicana em 2008, quando ocorreram as negociações. O contrato previu a entrega de oito caças Super Tucanos, de propulsão turbo para apoio em missões de ataque. Essas aeronaves têm feito sucesso entre as Forças Aéreas de países em desenvolvimento, por seu baixo custo e disponibilidade.


Segundo o “Journal”, a Força Aérea da República Dominicana e o Ministério da Defesa do país não responderam aos pedidos de entrevista com Piccini.

Segundo a reportagem do jornal americano, a ação criminal alega que o vice-presidente de vendas da Embraer, Eduardo Munhós de Campos, prometeu pagar a propina, e auxiliou no arranjo dos pagamentos feitos por Orlando José Ferreira Neto, outro vice-presidente; os diretores regionais Acir Luiz de Almeida Padilha Jr., Luiz Eduardo Zorzenon Fumagalli e Ricardo Marcelo Bester; e os gerentes Albert Phillip Close, Luiz Alberto Lage da Fonseca e Eduardo Augusto Fernandes Fagundes.



 

 

Dilma rebate ‘espanto’ após saque de R$ 3,5 bi do Fundo Soberano
 

A presidente Dilma Rousseff afirmou, em conversa com a imprensa após discursar na Cúpula do Clima das Nações Unidas, que “é estranhérrimo” e "estarrecedor" o modo como repercutiu no Brasil o anúncio de que o governo está sacando R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano — poupança de sobras orçamentárias — para fechar as contas de 2014. Segundo Dilma, o mecanismo foi criado em 2008 exatamente para a situação corrente, em que o país, e consequentemente a arrecadação, está crescendo menos.

— Nas vacas gordas, você tem dinheiro. Nas vacas magras, tem menos dinheiro. Um fundo soberano, criado em 2008 porque tivemos uma arrecadação e todo um desempenho a melhor, foi feito para ser usado quando? Quando o país precisasse, porque ele tem característica contracíclica, e foi criado exatamente assim. É estarrecedor que questionem o uso do Fundo Soberano quando o país cresce menos do que crescia quando o Fundo foi formado. Ele foi feito para isso.

Segundo a presidente, irresponsabilidade teria sido gastar o dinheiro em qualquer outra situação:

— Tivemos uma atitude séria, sistemática, de guardar para o futuro. E agora é a hora de usar. Estranho muito esta forma de tratar o Fundo soberano, esse espanto. Esse espanto é por quê? Aliás, (o Fundo Soberano) foi feito nos nossos governos. Eu era ministra da Casa Civil, sei exatamente quando ele foi formado e em que condições, e com quais razões. Poderíamos ter gasto o dinheiro com qualquer coisa. Não, nós guardamos o dinheiro. Para usar de forma contracíclica, ao invés de piorar a situação quando o crescimento é menor, você usa esse dinheiro para melhorar a situação.

Dilma negou ainda que o saque dos recursos da colchão para momentos difíceis signifique que o Brasil está em crise.

— Significa que hoje o crescimento é menor do que antes e você age para ampliar (o crescimento) — rebateu a presidente.




 

Preços do etanol caem em nove estados e no DF

Os preços do etanol hidratado nos postos brasileiros caíram em nove estados e no Distrito Federal, subiram em outros 15 e permaneceram estáveis em Rondônia e no Amapá na semana encerrada no sábado (20). Na semana anterior, houve queda em 12 estados, alta em outros 13 e estabilidade em Rondônia e no Distrito Federal.

Os dados são da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e mostram que no período de um mês os preços do etanol caíram em sete estados, subiram em outros 18 e ficaram estáveis em São Paulo e Distrito Federal.

Principal estado consumidor, São Paulo viu a cotação subir 0,32% na semana passada, para R$ 1,875 o litro. Na semana, o maior avanço das cotações foi registrado no Mato Grosso (5,47%), enquanto o maior recuo ocorreu em Goiás (2,48%). No mês, a maior queda ocorreu justamente em Goiás (5,37%) e o avanço mais significativo, na Bahia (10,11%).

No Brasil, o preço mínimo registrado para o etanol foi de R$ 1,499 o litro, no estado de São Paulo, e o máximo foi de R$ 3,20 o litro, no Acre. Na média, o menor preço foi de R$ 1,875 o litro, em São Paulo. O maior preço médio foi verificado no Acre, de R$ 2,944 o litro.

 

Genéricos são em média 57,37% mais baratos em SP

Pesquisa da Fundação Procon-SP mostra que os medicamentos genéricos são em média 57,37% mais baratos do que os de referência na cidade de São Paulo.

O levantamento identificou diferença de até 875,84% nos preços de um mesmo medicamento genérico nas farmácias. O medicamento Nimesulida, 100 mg, 12 comprimidos, por exemplo, custava R$ 1,78 em um estabelecimento e em outro, R$ 17,37.

Quanto aos de referência, a maior diferença encontrada foi de 280,06%. O Amoxil (Amoxicilina), da Glaxosmithkline, 500 mg, 21 cápsulas, foi encontrado em um estabelecimento da capital paulista pelo preço de R$ 15,50 e em outro, por R$ 58,91.

A pesquisa, realizada em agosto, envolveu 15 drogarias, distribuídas pelas cinco regiões do município de São Paulo, onde foram pesquisados 56 medicamentos, sendo 28 de referência e 28 genéricos. Segundo a diretora de estudos e pesquisas do Procon-SP, Valéria Garcia, na comparação entre preços de medicamentos de referência e genéricos, observa-se que a diferença é grande e os medicamentos genéricos são, em geral, mais baratos. “Mas é bom lembrar que um genérico de um mesmo laboratório também pode apresentar preços diferentes entre as drogarias. Logo, é essencial a pesquisa de preços sempre aliada à recomendação e prescrição médica”, diz.

Interior de SP
No interior paulista, São José dos Campos foi a cidade onde os preços variaram mais: a maior diferença encontrada nos genéricos foi de 881,38%, e de 300,06% para remédios de referência.

O levantamento foi feito em Araçatuba,Bauru,Caçapava,Campinas,Guarujá,Jacareí,Ribeirão preto,Santos,São Vicente, São José dos Campos,São José do Rio Preto e Sorocaba.
Recomendações
De acordo com o Procon-SP, vários fatores são determinantes de preço, como aplicação de descontos que varia de acordo com as condições locais de mercado, rentabilidade da loja, condições comerciais de compra; políticas comerciais diferentes para cada canal de venda (loja física, telefone e loja virtual); redes regidas pelo sistema de franquia, no qual não há uma política única de preços entre os franqueados.

O Procon recomenda que o consumidor faça uma criteriosa pesquisa de preço consultando a lista de Preços Máximos (PMC) dos medicamentos, disponível no site da Anvisa (www.anvisa.gov.br). A consulta também poderá ser efetuada nas listas de preços que
devem estar disponíveis ao consumidor nas unidades do comércio varejista, ou seja, nas
farmácias e drogarias.

"Munido dessa informação o consumidor deve comparar os preços dos medicamentos
entre os diversos estabelecimentos, como também os da própria rede, já que podem
variar significativamente."

 

 

BC vê 'provável fim do ciclo de redução da inadimplência'

 

A inadimplência na carteira de crédito doméstico fechou em 3% em junho de 2014, índice estável em relação a dezembro de 2013, depois de três semestres consecutivos de redução, "indicando o provável fim do ciclo de redução da inadimplência".

A avaliação é do Banco Central, por meio do relatório de estabilidade financeira, que avaliou o sistema financeiro nacional no primeiro semestre deste ano.

"Esse comportamento é explicado por um ritmo menos acentuado de queda da inadimplência nos bancos privados, cuja diminuição no semestre foi de apenas 0,1 ponto percentual, e pelo aumento de 0,2 ponto percentual nos bancos públicos. Constatam-se também comportamentos diferentes na análise por pessoa jurídica e pessoa física. No primeiro caso, houve aumento de 0,2 ponto percentual; no segundo, redução de 0,1 ponto percentual", acrescentou a autoridade monetária.

O último dado divulgado pela autoridade monetária sobre a inadimplência refere-se ao mês de julho, quando a inadimplência nas operações bancárias das pessoas físicas com recursos livres atingiu 6,6% -o maior patamar desde maio deste ano, quando estava em 6,7%. Já a taxa de inadimplência das operações dos bancos com as empresas, ainda no segmento com recursos livres, subiu de 3,4% para 3,5% em julho. A taxa geral, para recursos livres, atingiu 4,9% em julho – maior nível desde maio deste ano (5%).

Medidas de estímulo ao crédito
O aumento da taxa de inadimplência das famílias e das empresas acontece em um momento no qual governo anunciou medidas de estímulo ao crédito com o objetivo de tentar ajudar o crescimento da economia brasileira - que vem registrando baixos níveis neste ano.

Em agosto, o Banco Central anunciou duas medidas que vão liberar cerca de R$ 25 bilhões para os bancos emprestarem aos seus clientes. Em julho, a instituição já havia liberado R$ 45 bilhões para os bancos emprestarem.

Além disso, o Ministério da Fazenda também anunciou medidas para medidas para facilitar a compra de imóveis financiados, além da concessão do crédito consignado para trabalhadores do setor privado e para retomada de garantias – como automóveis e caminhões – pelos bancos, em caso de inadimplência.

Proteste recomenda cautela
A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) recomendou que as pessoas pensem duas vezes antes de adquirir um novo empréstimo. "As instituições financeiras poderão retomar mais facilmente os bens financiados. Devemos ter em mente a situação do tomador de crédito hoje, que já se encontra endividado e que, num cenário de juros elevados, não tem para onde correr", avaliou a entidade.

 

 

Comércio de SP tem alta de 10,1% nas vendas

O varejo da cidade de São Paulo teve alta média de 10,1% nas vendas na 1ª quinzena de setembro em comparação com o mesmo período de 2013, segundo balanço da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). De acordo com a entidade, o comércio foi beneficiado por dois dias úteis a mais.

As comercializações a crédito, medidas pelo Indicador de Movimento do Comércio a Prazo (IMC), saltaram 11,8%, impulsionadas pela concessão de crédito por parte de bancos oficiais, ajudando o financiamento de bens duráveis. Já as vendas à vista, segundo o Movimento de Cheques (ICH), cresceram 8,4% na quinzena.

“Esse avanço em setembro ajuda a compensar as quedas nas vendas no 1º semestre, que teve dias úteis perdidos em razão dos feriados e da Copa”, diz Rogério Amato, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de SP (Facesp). Desde 1º de janeiro, as vendas a prazo e à vista aumentaram 1,5% e 2,1%, respectivamente, ante o mesmo período de 2013, avanço moderado no ano de 1,8%, explicado por fatores como alta taxa de juros, crédito mais restrito por parte de bancos privados, queda da confiança do consumidor e incerteza no campo político. Em relação à 1ª quinzena de agosto, as vendas a prazo apresentaram alta de 9,9%, com o mesmo número de dias úteis. As vendas à vista caíram 20,2% na 1ª quinzena de setembro. A queda foi sazonal, já que em agosto os consumidores escolheram presentes de pequeno valor de uso pessoal para o Dia dos Pais, comprados à vista.

Inadimplência
O Indicador de Registro de Inadimplentes, que mede a entrada de registro de consumidores inadimplentes, apresentou, na 1ª quinzena de setembro, altas de 4,1%, 10,3% e 1,8% nas comparações mensal, anual e no acumulado. Para o Indicador de Recuperação de Crédito, que aponta os cancelamentos de dívidas, houve crescimentos de 12,7%, 6,9% e 2,2% nas mesmas comparações.

De acordo com o Instituto de Economia da ACSP, os dados sinalizam uma provável elevação da inadimplência em setembro em relação a 2013, mas não são motivo de preocupação, diante dos recebimentos de parcelas do 13º salário dos aposentados e, posteriormente, dos trabalhadores ativos, além da reabertura das campanhas de renegociações de dívidas.

 

 

Gasolina fica mais cara e puxa avanço da inflação pelo IPC-S

 

O preço da gasolina voltou a subir e puxou o avanço da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S). Da primeira para a segunda semana de setembro, o indicador passou de 0,21% para 0,39%.

A gasolina, cuja variação ficou em 0,46%, depois de recuar 0,31% no início do mês influenciou o grupo de gastos com transportes (de 0,03% para 0,28%). Nesta apuração, todas as oito classes de despesa componentes do índice apresentaram acréscimo em suas taxas de variação.

Também registraram avanços os grupos de alimentação (de 0,29% para 0,43%); educação, leitura e recreação (de 0,22% para 0,64%); habitação (de 0,35% para 0,46%); comunicação (de -0,45% para 0,09%); vestuário (de -0,21% para -0,01%); despesas diversas (de 0,16% para 0,20%); e saúde e cuidados pessoais (de 0,51% para 0,53%).

Veja a variação de preços de produtos:
Carnes bovinas (de 1,08% para 1,91%)
Show musical (de 0,36% para 2,35%)
Tarifa de eletricidade residencial (de 0,23% para 0,99%)
Pacotes de telefonia fixa e internet (de 1,23% para 3,06%)
Roupas (de -0,35% para 0,04%)
Alimentos para animais domésticos (de -0,60% para 0,03%)
Médico (de 0,74% para 0,90%)

 

Acionistas do Santander aprovam aumento de capital

Acionistas do Santander aprovaram em assembleia extraordinária a emissão de até € 4,7 bilhões em um aumento de capital para adquirir a fatia que o banco espanhol ainda não possui na sua unidade brasileira. A operação contemplará a emissão de até 665 milhões de ações do banco, o equivalente a 5,62% do Santander.

Durante a assembleia, a nova presidente do Conselho de Administração do Santander, Ana Botín, disse que, com a aprovação da oferta para comprar os 24,75% do Santander Brasil que o espanhol ainda não detém, a política de diversificação do grupo se fortalece, sendo "chave para consolidar essa nova fase de crescimento de nossos lucros".

Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliário (CVM), o Santander Brasil disse que aguarda as últimas autorizações regulatórios para dar início à permuta de ações. Após o processo de troca ser concluído, os acionistas minoritários da unidade brasileira passarão a deter certificados de depósitos de valores mobiliários (BDRs) do Santader Espanha.

O Brasil, que ao lado do Reino Unido é um dos motores dos resultados do banco, é um dos dez mercados nos quais o Santander conta com uma presença significativa em nível mundial.

Ana Botín aproveitou para enviar uma mensagem de confiança a respeito da economia brasileira ao destacar que ela "superará o período de desaceleração econômica pelo qual está passando".

A executiva também sinalizou que a transação permitirá ao banco um aumento nos lucros por ação do grupo nos próximos anos "graças às perspectivas favoráveis de nosso banco no Brasil", disse.

Além disso, Ana Botín defendeu que a operação no Brasil representa um impulso para a política do grupo de ter subsidiárias listadas em bolsas de valores.

Sobre seu possível sucessor no comando do Santander Reino Unido, Botín não quis fazer comentários, mas sinalizou que uma decisão será tomada em breve.

DISCURSO EMOTIVO

Em sua primeira aparição pública como presidente do Conselho do Santander, Ana Botín protagonizou um discurso emotivo ao defender o legado de seu pai, apostando em continuar com a estratégia de diversificação do grupo e priorizando a política de dividendos.

Em seus cerca de trinta anos na presidência do banco, ele colocou o Santander como primeira entidade da zona do euro e um dos primeiros dez bancos do mundo em capitalização de mercado", disse Botín em tributo ao seu pai, Emilio Botín, falecido na última terça-feira após um ataque cardíaco, aos 79 anos.

"A atenção a vocês (acionistas) foi sempre uma de suas prioridades e o dividendo, objeto principal de atenção para o banco", afirmou Botín, nomeada presidente do Conselho na quarta-feira passada por unanimidade, após ressaltar que seguiria com tal estratégia.

Diante de possíveis reservas expressadas por parte de alguns investidores quanto ao fato de o banco seguir comandado por um membro da família Botín pela quarta geração, a nova presidente do Conselho se limitou a dizer que foi nomeada a partir de uma proposta da comissão de nomeações e "em linha com os mais altos padrões de governança corporativa".



 

Inflação da baixa renda acumula alta de 6,22% em 12 meses

 

A inflação da baixa renda medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1) acumula alta de 4,01% no ano e de 6,22% nos últimos 12 meses, segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV). De julho para agosto, o indicador não mostrou variação.

As taxas de inflação para a baixa renda ficaram abaixo das registradas para o conjunto da população, calculadas pelo IPC – de 0,21% no mês passado e de 6,76% no acumulado em 12 meses.

Das oito classes de despesa que integram o cálculo do índice, três apresentaram acréscimo em suas taxas de variação: alimentação (de -0,59% para -0,03%); saúde e cuidados pessoais (de 0,14% para 0,20%); e educação, leitura e recreação (de 0,25% para 0,38%).

Nestes grupos, os destaques partiram dos itens: hortaliças e legumes (de -13,29% para -7,11%), artigos de higiene e cuidado pessoal (de -0,12% para 0,37%) e passagem aérea (de -15,31% para 8,80%).

Na contramão, foi registrada desaceleração na variação dos grupos de transportes (de 0,25% para -0,25%); habitação (de 0,36% para 0,23%); comunicação (de -0,07% para -0,93%); vestuário (de -0,10% para -0,48%); e despesas diversas (de 0,14% para 0,12%).

Nesta classes de despesa, destacam-se os itens: tarifa de ônibus urbano (de 0,48% para -0,41%), tarifa de eletricidade residencial (de 1,63% para -0,20%), tarifa de telefone residencial (de 0,00% para -1,97%), roupas infantis (de 0,97% para -0,73%) e cartão de telefone (de 1,14% para 0,37%).

 

Banco Central faz declarações catastróficas para o Brasil até 2016


 

O primeiro ano do mandato do próximo presidente deve ser marcado pela alta de preços acima do planejado pelo governo. O Banco Central admitiu que só espera que a inflação volte para o centro da meta de 4,5% nos primeiros trimestres de 2016. A informação é da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), publicada. A expectativa foi calculada com a hipótese de a taxa básica de juros (Selic) permanecer nos atuais 11% ao ano. Esse pelo menos é o plano de voo do BC, explicitado no documento: deixar os juros estáveis por um bom tempo.

Nas contas do BC, com juros no patamar atual e o dólar em R$ 2,25, a perspectiva para inflação neste ano caiu em relação à projeção feita na reunião do Copom em julho. No entanto, ainda está acima da meta de 4,5%. O número não é revelado nas atas do Copom, mas essa indicação de tendência é importante para os agentes econômicos. O BC apenas divulga esse cálculo nos relatórios trimestrais de inflação. O próximo será publicado ainda neste mês.

Para o ano que vem, o Banco Central informou que a projeção ficou estável. O Copom sublinhou, entretanto, que as expectativas para o IPCA entram em trajetória de convergência para a meta nos “trimestres iniciais” de 2016.

O comitê também deixou claro que não pretende diminuir os juros. A possibilidade era cogitada no mercado financeiro. Alguns negócios foram fechados no mercado futuro sob essa premissa, mas ela foi claramente descartada na ata da reunião da semana passada. No texto, os diretores explicaram que a Selic estável por um bom tempo garantirá que a inflação volte a cair.

"É plausível afirmar que, mantidas as condições monetárias – isto é, levando em conta estratégia que não contempla redução do instrumento de política monetária –, a inflação tende a entrar em trajetória de convergência para a meta nos trimestres finais do horizonte de projeção", disse o colegiado, que completou.

"O Copom destaca que, em momentos como o atual, a política monetária deve se manter vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos 12 meses, persistam no horizonte relevante para a política monetária".


Na semana passada, os diretores do Banco Central decidiram — por unanimidade — manter a taxa básica de juros em 11% ao ano. A medida era esperada pela totalidade do mercado financeiro, que esperava uma sinalização mais clara sobre os próximos passos. E o BC deu: retirou da nota divulgada no fim da reunião a expressão “neste momento”. Isso foi entendido como um indicativo que a Selic permanecerá estável no futuro, informação confirmada na ata.

A avaliação dos analistas é que o Banco Central está de mãos atadas por causa da inflação acumulada em 12 meses e pela recessão vivida pelo país. O Índice de preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 6,51%: acima do limite máximo da meta do governo que é de 4,5%, mas tem uma margem de tolerância de 2 pontos percentuais.

No campo do crescimento,a economia brasileira encolheu nos  últimos dois trimestres. Se o BC voltasse a aumentar os juros para conter a inflação poderia aprofundar a crise nos setores que mais sofrem como, por exemplo, a indústria.




 

Governo anuncia incentivos fiscais para usineiros


 

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou incentivos fiscais para usineiros. Segundo ele, o Reintegra será ampliado para os exportadores de etanol e o açúcar. O programa devolve tributos pagos na exportação até o limite de 3% do faturamento das empresas.

— O etanol e o açúcar vão entrar no Reintegra. Vão entrar imediatamente com o decreto que nós vamos fazer. Eles vão se se beneficiar este ano com uma alíquota de 0,3% sobre o valor exportado. E, no ano que vem, com 3% — disse o ministro.

O ministro afirmou que, a partir do ano que vem, essa alíquota de 3% valerá para todos os setores do Reintegra. Em entrevista publicada ontem no GLOBO, o ministro lembrou que, para ajudar as exportações de manufaturados, o governo havia reimplantado o Reintegra.

Ele antecipou que, para o ano que vem, o governo fixará a alíquota em 3%, o que representa uma renúncia de R$ 3 bilhões. Na avaliação de Mantega, a medida ajudará os exportadores, ao baratear a produção, e será uma forma de compensar uma eventual valorização do câmbio. — Isso vai ajudar os exportadores porque barateira a exportação brasileira e compensa uma eventual valorização do câmbio — afirmou.

Em junho deste ano, depois de reunião com a presidente Dilma Rousseff e empresários no Palácio do Planalto, Mantega anunciou o retorno do Reintegra com alíquotas entre 0,1% e 0,3%. O programa havia funcionado até 2013, com alíquota de 3%. Mas os setores de etanol e açúcar não eram beneficiados.

Em 2013, o setor de açúcar e etanol exportou US$ 13,7 bilhões segundo dados compilados pelo Ministério da Agricultura. Nos primeiros oito meses deste ano, no entanto, o faturamento do setor com exportações está 28% menor devido a uma redução nos volumes embarcados e nos preços do açúcar.

Enfrentando uma concorrida disputa à reeleição, a presidente Dilma Rousseff vem enviando nos últimos tempos sinais amigáveis ao mercado esperando recuperar a confiança de eleitores e investidores após a economia cair em recessão técnica neste ano.

As indústrias brasileiras de açúcar e etanol têm sido duramente afetadas por políticas do governo, que mantiveram os preços da gasolina doméstica artificialmente baixos para evitar uma alta na inflação. Cerca de 50 das usinas de cana do país, que no passado chegaram a totalizar cerca de 400, fecharam as portas desde a crise financeira global de 2008. Por volta de outras 60 usinas entraram com pedidos de proteção contra credores.



Os candidatos opositores Aécio Neves e Marina Silva têm culpado as políticas de controle de preço de Dilma pela elevação das expectativas de inflação e por prejudicar as finanças da Petrobras. Marina, que figura em recentes pesquisas de opinião empatada com Dilma em um provável segundo turno em outubro, prometeu elevar os preços da gasolina caso seja eleita. Tal medida ajudaria produtores de etanol a competir com a gasolina pela preferência dos consumidores.

A ampliação dos benefícios tributários no ano que vem colocará uma pressão financeira extra sobre o governo, que já enfrenta dificuldades para economizar recursos suficientes para alcançar a meta fiscal em 2014.

 

Baixo crescimento do Brasil  prejudicam investimentos


A agência de classificação de risco americana Moody’s anunciou que colocou a nota do Brasil em perspectiva negativa. Antes, a perspectiva era estável. Atualmente, o país tem grau de investimento — nota dada a países considerados seguros de se investir — na agência, com a nota Baa2. Abaixo dessa nota, ainda há um nível antes do chamado grau especulativo.

Na Moody's, uma nota em perspectiva negativa significa que o país pode ser rebaixado em um prazo de 12 a 18 meses. Em abril deste ano, porém, a agência havia informado que uma revisão da nota da dívida do país era "pouco provável".

A alteração na perspectiva se aplica a todas as classes de rating da agência. Segundo a Moody's, "a mudança reflete o risco crescente de que a manutenção de baixo crescimento e a piora nas métricas sobre a dívida do país indicam redução na capacidade de pagamento do Brasil, o que desencadearia queda na classificação de crédito". Para a Moody's, o "desafio fiscal" que a situação econômica impõe "impede melhora nos indicadores da dívida".

Entre os principais motivadores da mudança, segundo a agência, está a "redução contínua da crescimento econômico do Brasil, que dá poucos sinais de voltar a seu potencial no curto prazo".

A Moody's também citou a "deterioração no sentimento do investidor", que resultou na queda acentuada da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no PIB do segundo trimestre, indicador que registra investimentos na compra de máquinas, equipamentos e construção civil.

Ao mesmo tempo, a Moody's manteve a classificação de risco dos títulos soberanos brasileiros em Baa2, por causa do "resiliência do país a choques financeiros externos" e da pouca exposição das finanças do país a mudanças globais do apetite por risco.

Alerta pode adiar investimento,dizem analistas

Para analistas do mercado financeiro, os problemas com a política fiscal e a inflação em alta pesaram na decisão da agência.



Nos últimos quatro anos, todas as variáveis acompanhadas pela agência, como a dívida líquida, a inflação e o crescimento, pioraram muito. O governo também é muito criticado pela chamada "contabilidade criativa", que mascara as contas públicas e representa risco significativo para a dúvida pública. Olhando tudo isso, o cenário é muito ruim. O que a Moody's fez foi sinalizar que, se isso continuar, são grandes as chances de haver um rebaixamento — avaliou Rogério Freitas, sócio da Teórica Investimentos, uma gestora de recursos.

Segundo Freitas, a mudança na perspectiva pela Moody's "terá impacto real, nem que seja marginal", na economia:

— As agências cumprem um papel dentro do sistema. Um alerta como esse pode fazer com que alguns investimentos sejam adiados ou que o custo de se fazer negócios no Brasil aumente na avaliação do investidor estrangeiro.

Um outro gestor, que preferiu não ser identificado, disse que o principal motivo para a deterioração da situação fiscal do Brasil foi o fato de o governo atual "ter abandonado o tripé", em referência à combinação de meta de inflação, câmbio flutuante e poupança para pagar juros da dívida.

— O governo tem que voltar a mirar uma inflação de 4,5%, não de 6,5%, no teto da meta, como tem feito — criticou.

Mas, para Freitas, o mercado financeiro está mais otimista com a perspectiva brasileira do que as agências de classificação de risco. isso porque os investidores estão apostando na vitória de Marina Silva (PSB) nas eleições presidenciais, candidatura que vem ganhando força, segundo pesquisas de intenção de voto. A principal bandeira econômica de Marina é, justamente, retomar o tripé macroeconômico.

— Não é papel da Moody's traçar seus cenários especulando sobre o futuro eleitoral. Mas o mercado financeiro está fazendo isso e está mais confiante em uma mudança —acrescentou.

Na disputa com Marina pela confiança do empresariado, a presidente Dilma Rousseff (PT) também já prometeu mudanças na política econômica e em sua equipe da área em eventual segundo mandato.


S&P JÁ HAVIA REDUZIDO RATING

Em março, a Standard&Poor’s rebaixou a nota do Brasil de de "BBB" para "BBB-", encerrando uma década de elevações da nota brasileira e surpreendendo o governo e o mercado, que não esperavam tal medida antes das eleições presidenciais. A nota deixou o Brasil ainda com grau de investimento, mas no menor patamar desta categoria.

Com isso, a Fitch se tornou a única a não fazer qualquer alteração na nota do Brasil. Em julho, a agência encerrou a revisão anual da nota do Brasil e anunciou que manteve a classificação em "BBB", com perspectiva estável.



 

Cresce número de consumidores que buscam crédito

As medidas de estímulo ao crédito anunciadas pelo Banco Central em julho impulsionaram os consumidores a buscar crédito em agosto. A quantidade de pessoas que procuraram crédito aumentou 6,6%, na comparação com o mês anterior, segundo pesquisa da Serasa Experian.

Frente a agosto do ano passado, a procura por crédito subiu 1,3%. No entanto, no acumulado de janeiro a agosto deste ano, a demanda do consumidor acumula queda de 5,2%.

Quanto às faixas de renda, a demanda cresceu em todas, com destaque para o aumento de 7,4% no caso dos consumidores que ganham entre R$ 500 e R$ 1.000 por mês. Na sequência, estão as pessoas que têm renda mensal entre R$ 1.000 e R$ 2.000, com alta de 6,4%. Nas demais camadas de rendimento mensal, a procura do consumidor em agosto cresceu 5,5% (faixa de renda mensal abaixo de R$ 500) até 5,9%, para os consumidores que recebem entre R$ 2.000 e R$ 5.000 por mês.

Na análise por regiões, o maior avanço da demanda do consumidor por crédito ocorreu na Sul, com alta de 10,7% em agosto. No Sudeste o crescimento foi de 8,4% frente a julho. No Nordeste, a alta foi de 2,5% e no Centro-Oeste, de 1,2%. Apenas a Região Norte registrou queda, de 0,8%, em relação a julho.

 

Inflação oficial fecha agosto em 0,25%

A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou agosto em 0,25%. Em julho, a taxa havia ficado em 0,01% e em agosto do ano passado, a taxa foi 0,24%.

Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumula taxas de 4,02% no ano e 6,51% em 12 meses, pouco acima portanto do teto da meta do governo, que é 6,5%.

A inflação em agosto continuou sendo puxada pelo grupo de despesas habitação que, com taxa de 0,94%, respondeu por mais de metade do IPCA. Os principais itens individuais responsáveis pela alta do índice foram o de empregados domésticos, 1,26% mais caro, e energia elétrica com variação de 1,76% em agosto.

Os alimentos, por sua vez, com uma deflação (queda de preços) de 0,15%, foram os principais responsáveis por evitar uma alta mais acentuada do IPCA.




 

Em agosto a produção de veículos cai 22,4% no Brasil

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) confirmou que a indústria automobilística andou de marcha ré no mês passado. Na comparação com agosto do ano passado, as vendas de veículos (automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus) caíram 17,2% e a produção teve um recuo 22,4%, totalizando 272,5 mil unidades.

No acumulado do ano até agosto, foram produzidos 2,1 milhões de unidades, uma queda de 185 em relação a igual período de 2013. Nessa mesma base de comparação, os licenciamentos tiveram retração de 9,7%. Também foi registrada queda na comparação com julho. As vendas recuaram 7,6% e a produção, 5,3%.

Para Luiz Moan, presidente da Anfavea, agosto teve um desempenho abaixo das expectativas por conta do mês ter tido um dia útil a menos e pelas condições de crédito mais restrito, que só começaram a melhorar na última semana do mês, além do cenário "conturbado por fatores externos ao setor". Como exemplo, citou a disputa eleitoral.

— O mês ficou abaixo das nossas expectativas iniciais, mas esperamos um segundo semestre melhor que o primeiro — disse.



 

Tesouro  brasileiro faz a 3ª vendas de  títulos em 2014

O Tesouro Nacional anunciou mais uma emissão de títulos no mercado internacional. Segundo nota divulgada pelo Ministério da Fazenda, o papel oferecido aos investidores estrangeiros será denominado em dólares com vencimento em janeiro de 2025.

Ainda de acordo com a nota, a emissão será liderada pelos bancos Morgan Stanley, BTG Pactual e Citigroup. Os títulos serão emitidos nos mercados americano e europeu, mas o Tesouro também poderá estender a operação ao mercado asiático.

Essa é a terceira captação de recursos que o governo faz no exterior em 2014. A primeira ocorreu em março, quando foram emitidos € 1 bilhão em títulos com vencimento em 2021. Já a segunda foi em julho, quando o Tesouro vendeu US$ 3,55 bilhões em papéis com vencimento em 2045.

Como o Brasil já tem em caixa todos os dólares que precisa para honrar sua dívida externa este ano, a ideia da emissão é principalmente reduzir taxas e melhorar a curva de juros externos dos papéis emitidos pelo governo. Essa estratégia também ajuda o setor privado, pois os juros dos títulos públicos servem como referência para as operações feitas pelo setor privado no mercado internacional.

 

Gasolina deve subir ainda este ano

Questionado se haveria aumento no preço da gasolina ainda neste ano, Mantega afirmou que "todo ano tem aumento da gasolina". "Este ano não deve ser diferente. Ano passado tivemos dois aumentos de gasolina. Não há uma regra fixa, mas todo ano pode ter um ou dois aumentos de gasolina", declarou o ministro da Fazenda.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo enviará uma nova lei ao Congresso Nacional para reajustar a tabela do Imposto de Renda em 4,5% em 2015. Isso porque a Medida Provisória 644, enviada em 30 de abril, por ocasião do Dia do Trabalho, não foi votada e perdeu a validade na última sexta-feira (29).

"Vamos resolver isso com alguma nova lei. Isso vamos verificar. Não vamos deixar sem essa revisão da tabela. Ainda não tem uma definição como vamos encaminhar isso", disse o ministro da Fazenda após ser questionado por jornalistas.

A tabela do imposto de renda é corrigida anualmente em 4,5% desde 2007. O percentual de 4,5% é o que o governo estabelece como meta para a inflação anual. Representantes dos trabalhadores, porém, têm pedido nos últimos anos uma correção maior da tabela, alegando que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado como referência no sistema de metas de inflação, tem ficado acima da meta central. Em 12 meses até julho, o índice ficou em 6,5%.

No ano passado, foram feitos dois reajustes nos preços da gasolina. O primeiro aconteceu em janeiro, quando a Petrobras reajustou o diesel em 5,4% e a gasolina, em 6,6%. O último ocorreu no fim de novembro, quando a Petrobras anunciou que os preços da gasolina e do diesel foram reajustados nas refinarias. Na ocasião, a alta foi de 4% para a gasolina e de 8% para o diesel.

 

 

Analistas cortam previsão para o PIB a 0,52%

 

Analistas do mercado financeiro reduziram, pela 14ª vez consecutiva, a previsão para o crescimento da economia brasileira neste ano. Segundo o boletim Focus divulgado pelo Banco Central, a nova projeção é de alta de apenas 0,52% em 2014, bem menor que a expectativa de 0,70% da semana passada.

O relatório é o primeiro a sair após o IBGE divulgar o resultado do PIB do segundo trimestre, que não só mostrou contração de 0,6% no segundo trimestre, mas também revisou o dado relativo aos primeiro trimestre, que ficou negativo em 0,2%. As duas quedas seguidas caracterizaram a chamada recessão técnica.

Os números decepcionaram ainda mais os analistas, que já estavam pessimistas em relação à economia do país. Na quinta-feira, antes da divulgação dos dados do IBGE, a mediana das projeções indicava alta de 0,69%. Na sexta-feira, a estimativa caiu para os 0,52% reveleados nesta segunda. O resultado ruim também influenciou as projeções dos economistas para o ano que vem. Agora, a previsão é de alta de 1,1% (frente a 1,2% apontada na semana passada).

A previsão para a indústria, um dos setores que mais pesou sobre a queda do PIB no segundo trimestre, teve leve alta, mas permaneceu negativa em 1,7%. Para o ano que vem, a expectativa é de alta de 1,7%.

Em relação à inflação, a estimativa dos economistas permaneceu a mesma. A previsão é que o IPCA feche o ano em 6,27%. Para 2014, a mediana das projeções subiu levemente, de 6,28% para 6,29%.

Também não houve alteração da projeção para a taxa de juros deste ano, que foi mantida em 11% ao ano. Já para o ano que vem, a mediana das previsões subiu para 12% ao ano. Nas últimas semanas, as estimativas para a Selic de 2015 têm oscilado entre 11,75% e 12% ao ano, influenciadas principalmente pelas projeções para a alta de preços do ano que vem.

 

 

Economia brasileira encolhe 0,6% no 2º trimestre

A economia brasileira encolheu 0,6% no segundo trimestre deste ano, na comparação com os três meses anteriores, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O dado do primeiro trimestre de 2014 – que, ao ser divulgado, em maio deste ano, indicava expansão de 0,2% – foi revisado para queda de 0,2%. Com a sequência de dois trimestres seguidos de queda, configura-se um quadro que os economistas chamam de recessão técnica.

A última vez que o Brasil registrou uma recessão técnica foi no último trimestre de 2008 e primeiro de 2009, durante a crise econômica mundial.

Em valores correntes (em reais), o Produto  Interno B ruto no segundo trimestre deste ano chegou a R$ 1,27 trilhão. Ele é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, e serve para medir a evolução da economia. Esse cálculo pode ser feito tanto do lado da produção (riquezas) quanto dos gastos (demanda) – os dois valores são iguais.

Os principais impactos no PIB entre abril e junho vieram do recuo nos investimentos (5,3%) e na indústria (1,5%). Para analistas, a Copa e a crise na indústria foram decisivos para o resultado. "A principal causa foi a queda dos investimentos. Já tem algum tempo que eles estão caindo, mas a queda foi forte nesse trimestre", analisa Rebeca de La Rocque Palis, gerente da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE.

Na comparação com igual período do ano passado, a queda do PIB foi de 0,9%. No acumulado em quatro trimestres encerrados no 2º trimestre de 2014, a atividade doméstica ainda registra alta, mas de apenas 1,4%.

Recessão técnica
Ao comentar a situação de recessão técnica, o IBGE entende que houve estabilidade na economia no primeiro trimestre. "A gente considera queda e crescimento quando o numero é de 0,5 pra cima e queda de 0,5 para baixo", explica Rebeca.

Como é considerada a possibilidade de recuperação no curto prazo, a recessão técnica difere de uma recessão mais profunda, quando há também aumento do desemprego e falência de empresas.

Após a divulgação do PIB, o ministro Guido Mantega disse uqe não se deve falar em recessão. "Para mim, é uma parada prolongada", afirmou. "Estamos falando de dois trimestres, e sabemos que a economia está em movimento. Recessão é quando tem desemprego aumentando e a renda caindo, aqui temos o contrário."

Menos investimentos
Os investimentos sofreram forte queda de 5,3% em relação ao trimestre anterior (1º trimestre de 2014), puxando o resultado negativo do PIB.

Na comparação com igual período do ano passado a baixa chega a 11,2%.

"O destaque negativo são realmente os investimentos, que já têm quatro trimestres com taxas negativas e a taxa ainda mais negativa nesse trimestre”, afirma Rebeca. "O menor resultado antes desse foi no primeiro trimestre de 2009, quando (os investimentos) caíram 11,8%."

Segundo a analista, a queda forte é influenciada por outros componentes do investimento, como construção civil e produção de máquinas e equipamentos.

Gastos do governo
Os gastos do governo recuaram 0,7% em relação ao trimestre anterior. "O consumo do governo [nesse trimestre] foi o menor desde o terceiro trimestre de 2012, quando teve queda de 0,8%”, completou Rebeca.

Na comparação com igual período de 2013, houve expansão de 0,9%.

Consumo das famílias
O consumo das famílias cresceu a uma taxa de 0,3%, e, em relação ao 2º trimestre do ano anterior, a expansão foi de 1,2%.

"A gente vê menos (crescimento) do que o que tinha ocorrido no primeiro trimestre, mas continuou crescendo", avalia a gerente. O IBGE só considerou as quatro regiões que foram divulgadas pela Pesquisa Mensal de Emprego (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Recife), e não considerou Salvador e Porto Alegre na conta.

Exportações
Quanto ao setor externo, as exportações de bens e serviços cresceram 2,8%, enquanto as importações apresentaram queda de 2,1%, em relação ao primeiro trimestre de 2014.

Na comparação anual, as vendas para o exterior tiveram alta de 1,9%, enquanto as importações recuaram 2,4%, de acordo com o IBGE.

Indústria
Dos três setores analisados pelo IBGE para o cálculo do PIB, apenas um mostrou variação positiva, o de agropecuária, que teve ligeira alta, de 0,2% no segundo trimestre ante o trimestre anterior.

“A indústria como um todo teve queda de 1,5%, foi a taxa mais baixa desde o segundo [trimestre] de 2012, que também caiu 1,5%", afirma a gerente de Contas Nacionais.

O IBGE destacou o desempenho ruim da indústria automotiva, que teve férias coletivas no perioodo e baixa exportação. "Argentina e Venezuela estão passando por problemas, e nós exportamos para lá, não está havendo renovação interna da frota (de veículos)", analisa Rebeca, "E teve aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados, no início do ano), que recai sobre vários produtos da indústria automotiva”.

Na contramão, as indústrias de alimentos e bebidas, perfumaria e indústria farmacêutica cresceram no segundo trimestre.

Serviços
O setor de serviços teve queda de 0,5%. "Foi a menor taxa desde o quatro trimestre de 2008, que foi 2,8%", diz Rebeca. "Serviços de informação continuam sendo um dos setores que mais crescem, mas a parte de energia elétrica, água e esgoto não cresceu tanto.”

Em relação ao segundo trimestre do ano passado, o setor de agropecuária não teve variação; serviços sustentaram alta de 0,2%; e a indústria apresentou queda de 3,4%, na mesma base de comparação.

Previsão para o ano
Para 2014, a previsão de economistas do mercado financeiro é de alta 0,7%, segundo o boletim mais recente divulgado pelo Banco Central. Essa projeção vem caindo desde o início do ano e motivou o jornal "Financial Times" a comparar o movimento à "dança da cordinha", desafio em que é preciso passar sob a corda colocada cada vez mais perto do chão.

A expectativa do governo para o PIB deste ano é um pouco mais otimista: crescimento de 1,8%, segundo a divulgação mais recente, feita em julho. Ela foi revista em relação à inicial, de que a alta neste ano seria semelhante à de 2013, que foi de 2,5%.

 

 

Governo prevê queda de R$ 1,1 bilhão nos investimentos da Petrobras



O Projeto de Lei Orçamentária para o próximo ano, entregue ao Congresso, prevê redução de R$ 1,1 bilhão nos investimentos da Petrobras: de R$ 84,5 bilhões na proposta orçamentária enviada ao Congresso em 2014, para R$ 83,4 bilhões.

Segundo a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, a redução se deve à conclusão de vários projetos e não uma queda real nos investimentos da estatal.

— É uma pequena redução. Mas houve os investimentos para a questão do pré-sal e vários investimentos estão sendo concluídos — disse Miriam.

Ela citou o caso da Refina Abreu e Lima, em Pernambuco, que terá gastos ainda em 2014 de R$ 3,6 bilhões e em 2015 não haveria os mesmos gastos.

Miriam ainda minimizou a queda de verbas no Ministério da Integração Nacional, de quase R$ 2,5 bilhões.

No total, o Ministério da Justiça perdeu R$ 161,1 milhões, mas a ministra explicou que isso se deve ao fim do chamado efeito Copa

— Na prática, aumentamos os recursos da Justiça, com mais R$ 174,3 milhões para centros de Segurança — disse Miriam.

A verba global caiu porque as ações da Copa terminaram. Mas retirando as ações da Copa, as demais ações tiveram aumento de verbas.

— Quando tiro o efeito Copa, era R$ 3,954 bilhões e estamos propondo R$ 4,22 bilhões. Para produzir mesma experiência da Copa. Mesmos moldes. O que parece uma redução significa um aumento, quando retiro o efeito Copa.




 

Internacionalização das empresas brasileiras cresceu em 2013

A internacionalização das empresas brasileiras cresceu 1,6% em 2013 (de 21,3% para 22,9%), segundo levantamento elaborado pela Fundação Dom Cabral (FDC), considerada uma das melhores escolas de negócios da América Latina. O estudo, que levou em conta 66 empresas com operações internacionais, seja através de subsidiárias ou franquias, mostrou que a construtora Norberto Odebrecht aparece em primeiro lugar no ranking, com índice de transnacionalidade de 0,549. Em segundo lugar, ficou a siderúrgica Gerdau, com índice de 0,547.

- Há muito tempo a empresa vem focando sua estratégia no exterior, desde a década de 70, e não se rende a dificuldades econômicas. Não é uma surpresa ter sido a primeira no ranking - disse o professor Sherban Leonardo Cretoiu, do núcleo de estratégia e negócios internacionais da FDC.

O ranking representa apenas uma amostra de multinacionais brasileiras, que concordaram em participar da pesquisa. O levantamento é feito anualmente e leva em consideração os dados de ativos, receitas e funcionários dessas companhias no exterior.

De acordo com o professor Sherban Leonardo, o baixo crescimento da economia brasileira no ano passado, e este ano, elevou a expectativa das empresas com suas operações no exterior. De acordo com o especialista, as companhias esperam, por exemplo, vendas maiores lá fora, e margens de lucro melhores, equilibrando a receita com o desempenho mais fraco por aqui

- É natural que com a economia mais lenta, a expectativa com o exterior fique mais positiva entre aquelas empresas que já atuam em outros países. Aqui, há muitos empresários em clima de expectativa com o país, especialmente com o que virá depois da eleição - disse Sherban.

O especialista lembra, entretanto, que o Brasil é o principal mercado dessas companhias e que o baixo crescimento econômico não é o fator determinante para que elas busquem novos mercados no exterior. Segundo ele, as companhias também estão interessadas em ganhar competitividade, quando cruzam as fronteiras, conhecendo novos processos de gestão e incorporando novas tecnologias.

- O baixo crescimento da economia é apenas um dos fatores que levam as empresas a reforçar ou iniciar operações no exterior. Há fatores que vão além do campo financeiro idz Sherban.

O levantamento mostrou que 65,1% das empresas pretendem expandir suas operações nos mercados em que já atuam no exterior. Outras 55,6% planejam entrar em novos países em 2014, números que vêm se repetindo nos levantamentos anteriores.

Por enquanto, a pesquisa não mostrou intenção dos emrpesários de reforçar investimentos na Europa, mostrou a pesquisa. No ano passado, a Turquia ainda apareceu no radar das empresas, mas este ano nenhum país europeu foi citado. O levantamento mostrou intenção de aumentar operações em países latino-americanos que apresentam crescimento econômico expressico, como a Colômbia, por exemplo.

A América do Sul lidera com 75,8% das multinacionais brasileiras com presença física na região, seguida da América do Norte (66,7%) e Europa (54,6%). Os Estados Unidos e a Argentina são os países onde essas empresas têm maior presença. Entre as 66 empresas do levantamento, 39 possuem operações nos EUA e 33 na Argentina. Mas a Argentina foi o país que mais perdeu empresas brasileiras (cinco) no ano passado, o que pode ser atribuído aos problemas políticos e econômicos.

 

 

Percentual de famílias endividadas é o maior desde 2013


 

A parcela de brasileiros endividados cresceu em agosto, alcançando o maior patamar desde julho de 2013, na época, eles eram 65,2%. Ela foi de 63% em julho para 63,6% este mês, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor feita pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). O número também foi maior do que no mesmo mês do ano passado, quando 63,1% da população tinha dívidas. Este foi o primeiro aumento neste indicador desde fevereiro de 2014.

Outro índice que aumentou foi o das pessoas com dívidas ou contas atrasadas, que avançou após três meses de quedas consecutivas. Em julho, ele era de 18,9%, em agosto, 19,2%. Porém, o quadro é melhor do em agosto do ano passado. Na época, 21,8% de brasileiros tinham dívidas em atraso.


Houve melhora também no percentual de pessoas que não têm condições de pagar suas dívidas. Em julho deste ano, elas eram 6,6% da população. Em agosto, eram 6,5% em agosto. Na comparação anual, o índice foi de 7% em 2013 para 6,5% em 2014.

A inadimplência no grupo dos que ganham mais de dez salários mínimos avançou tanto na comparação com 2013 (de 54,7% para 57,6%) quanto em relação ao mês anterior (de 57% em julho para 57,6% em agosto).

Por outro lado, a parcela de inadimplentes dentro do grupo que recebe até dez salários mínimos ficou estável em relação a 2013 (64,8%), mas cresceu em julho contra agosto (de 64,3% para 64,8%).

O cartão de crédito foi apontado por 75,8% das famílias como seu principal tipos de dívida. Em segundo lugar ficaram os carnês, para 17% dos entrevistados, e o financiamento de carro ficou com em terceiro, com 13,4%.

— Apesar da moderação na concessão de crédito e também na demanda, algumas modalidades ainda apresentam crescimento, fazendo com que as famílias se endividem. É o caso do financiamento imobiliário. Ao longo dos últimos anos tem subido a importância dele, principalmente para a faixa de renda superior a dez salários mínimos — explica Marianne Hanson, economista da CNC.

Segundo Marianne, o crédito imobiliário foi considerado o principal tipo de dívida para 15,7% das famílias com renda de mais de dez salários mínimos, e por 5,5% das famílias que ganham menos. No quadro geral, este é o principal tipo de endividamento de 7,3% das famílias, logo atrás do financiamento de automóveis.

O percentual de endividados pode ser um pouco agravado com a proximidade do fim do ano:

— Geralmente, o consumo é aquecido no segundo semestre, principalmente no final dele. E isso pode causar um aumento no endividamento — disse Marianne.

Já as medidas anunciadas pelo governo, na semana passada, para estimular o crescimento da oferta de crédito pode não surtir o efeito esperado:

— Mas os reflexos mas não devem ser muito grandes, porque os juros estão em patamar muito elevado, encarecendo o crédito. Por isso não vemos tendência de alta muito expressiva nos próximos meses.

 

Banco Central inundou mercado com US$ 92 bilhões



A estratégia do Banco Central (BC) de evitar uma valorização mais forte do dólar oferecendo a moeda americana através de leilões diários de contratos de swap cambial, operação que equivale a uma venda de dólares no mercado futuro, deve perder eficácia daqui para frente. Segundo analistas, a moeda americana seguirá ganhando força nos próximos meses, seja por influências domésticas ou externas.

Um ano depois de anunciar a medida, o BC já ofertou ao mercado cerca de US$ 92 bilhões através destes papéis, na maior intervenção no câmbio dos últimos 12 anos. Em 2002, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito, o dólar chegou perto de R$ 4, e o BC despejou US$ 40 bilhões para segurar a cotação. Ao manter o dólar artificialmente entre R$ 2,20 e R$ 2,30, o BC quer evitar mais pressão sobre a inflação.

— A questão aqui é a diferença entre o remédio e o veneno. Se exagerar na dose, o BC acaba deixando transparecer que o real está fraco e atrai especuladores. Mas se não intervir no câmbio, o dólar sobe e a inflação vai junto — avalia Sidnei Nehme, diretor da corretora de câmbio NGO.

Mas a expectativa dos investidores é que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) eleve os juros nos EUA já em 2015. Isso atrairia parte dos recursos que migram para países emergentes, como o Brasil. Essa saída de capitais vai pressionar a moeda americana.

O dólar também pode subir mais dependendo de quem vencer a eleição presidencial no Brasil este ano. No caso de reeleição da presidente Dilma Roussef, alguns especialistas estimam que a moeda americana pode chegar a dezembro de 2015 mais próxima de R$ 2,60. No caso de um candidato da oposição sair vencedor, a aposta é de um dólar entre R$ 2,20 e R$ 2,30 ao fim de 2015.

Diante deste cenário de incertezas, por enquanto, o BC não poderá abrir mão das intervenções no câmbio, avaliam especialistas. Mas, ao mesmo tempo, a estratégia poderá não ser tão eficiente para segurar o dólar como vinha se mostrando até agora.

— O BC pode até aumentar sua intervenção, mas a tendência da moeda americana é de alta — diz Paulo Bittencourt, diretor da Apogeo Investimentos, uma empresa do Grupo Vinci Partners.

Até agora, BC lucrou R$ 21 bi

A vantagem dos swaps é que eles não drenam as reservas internacionais do país. Na prática, as operações de swap são uma troca entre o BC e os investidores interessados em se proteger da variação do dólar. Ao oferecer estes papéis, o Banco Central toma o risco cambial e perde quando a moeda americana se valoriza. Se o dólar recua, o BC tem lucro. Em troca, o comprador do papel paga a taxa de juros do período ao governo. É como se o Banco Central vendesse dólares, aplicasse os reais recebidos em juros e recomprasse a moeda estrangeira no vencimento do contrato. Até junho, com o recuo do dólar, o BC lucrou mais de R$ 21 bilhões nessas operações.

Para Sidnei Nehme, se em lugar dos swaps o BC tivesse vendido R$ 92 bilhões de suas reservas, provavelmente o mercado teria uma avaliação mais negativa da posição externa do país, e o dólar estaria mais forte.

— Mas em algum momento o BC terá que desmontar essas posições. Os leilões não podem substituir uma política fiscal austera e uma política monetária que vise cumprir a meta de inflação estabelecida.

Para o especialista em câmbio da consultoria Tendências, Bruno Lavieri, o bom senso indica que um limite para o uso dos swaps seria chegar ao equivalente a 50% das reservas internacionais, que são o lastro dessas operações. Hoje, os contratos oferecidos já correspondem a 25% das reservas. Lavieri observa que um dos problemas de segurar o câmbio artificialmente é que tanto o mercado quanto os empresários perdem a noção do preço relativo da moeda americana, causando incerteza.

Na avaliação de Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, as intervenções no mercado de câmbio deverão continuar ao menos até o final do primeiro semestre do ano que vem. No entanto, isso não impedirá a alta da cotação do dólar.

— O programa de swap vai continuar, mas apenas para suavizar o processo de apreciação do dólar. Acho isso correto. Evita um comportamento de pânico dos investidores — afirmou Goldfajn.




 

Comerciantes acreditam ter menos estoque que o necessário

 

A maioria dos comerciantes da região metropolitana de São Paulo acredita que os estoques do varejo são insuficientes para a demanda de agosto. É o que indica uma pesquisa divulgada pela FecomercioSP.

De acordo com o levantamento, o Índice de Estoques (IE) para o mês ficou em 107,6 pontos, o que representa baixa de 1,3% em relação a julho. Em comparação com agosto de 2013, a queda foi de 13,2%. O indicador representa a percepção dos comerciantes sobre a quantidade de produtos estocados nas lojas, e varia de 0 a 200. A marca dos 100 pontos indica o limite entre inadequação e adequação, segundo a FecomercioSP.

A quantidade de comerciantes que afirmaram ter menos produtos do que esperam vender aumentou 14,3% entre julho e agosto. Já a parcela dos que dizem contar com excesso de mercadorias caiu 3,5%.

Em nota, os economistas da FecomercioSP explicam que "em agosto foram vistos os primeiros indícios de que o período de ajustes de estoque está começando a surtir efeito". Segundo os especialistas, a falta de estoques "pode indicar uma retomada ainda que modesta da demanda, além da adaptação do varejo às novas perspectivas". Os economistas dizem ainda que os números também podem indicar uma adaptação do comércio "aos novos tempos de consumo mais fraco".

 

Novas medidas do BC podem gerar R$ 140 bilhões em empréstimos

 

O Banco Central anunciou um novo conjunto de medidas para liberar R$ 25 bilhões em capital dos bancos e injetar dinheiro na economia para estimular o crescimento. A autoridade monetária fez uma nova mudança nos depósitos compulsórios, parte dos recursos dos clientes que os bancos são obrigados a recolher aos cofres do BC. Essa alteração deve colocar R$ 10 bilhões em circulação. A alteração da regra é válida por um ano.

A autarquia também reverteu todas as medidas tomadas em 2010 para restringir o crédito, batizadas de macroprudenciais. Isso libera mais R$ 15 bilhões do capital dos bancos, o que poderia gerar empréstimos novos de até R$ 140 bilhões. Há menos de um mês,  os técnicos da autarquia anunciaram mudanças que , juntas, tinham um potencial de irrigar a economia com R$ 45 bilhões.

Para estimular os bancos a não deixarem dinheiro parado no Banco Central, a diretoria da autarquia decidiu subir de 50% para 60% a parcela do compulsório sobre depósitos a prazo (como CDBs, por exemplo) que não terá remuneração. Ou seja, ficaria parada no cofre do BC sem render nada. Por outro lado, as instituições podem usar esse dinheiro para fazer novos empréstimos ou até comprar carteiras de operações de crédito de bancos menores.

O Banco Central ainda permitiu que Letras Financeiras – título de dívida de banco - sejam usadas para o cumprimento da exigibilidade sobre os recursos a prazo. Ou seja, isso libera mais dinheiro para os bancos emprestarem. Na prática, essas mudanças no compulsório pune o banco mais conservador e estimula o consumo com R$ 10 bilhões a mais na praça.

— A medida permite distribuir liquidez entre as instituições — frisou Flávio Vilela, chefe substituto do departamento de Operações Bancárias e do Sistema de Pagamentos do BC. — Tomamos uma medida esperando que tenha resultado.

Para Luis Otávio Leal, economista do banco ABC Brasil, ainda não está claro se as medidas terão efeito sobre a economia, ainda em ritmo lento.

— A pergunta é se os bancos não querem emprestar ou se o consumidor não tem espaço para pegar o empréstimo. Se for essa segunda opção, de demanda, vamos ter que esperar. Vamos ter uma boa prova agora (após as medidas do BC) do que vai acontecer — disse Leal.

Incentivos ao setor automotivo

Uma das preocupações do Banco Central é com o segmento de veículos. Em 2010, a avaliação era que os bancos estavam com ofertas irresponsáveis, já que financiavam carros usados num prazo tão longo que no final do contrato, o bem já não valia mais nada e não poderia ser usado como garantia. Com isso, as pessoas paravam de pagar os empréstimos. Agora, o quadro mudou.

O mercado de automóveis não mostra a mesma força. Para incentivar o setor, o BC reverteu o restante das medidas macroprudenciais tomadas em 2010, que desincentivava os bancos a emprestarem por prazos mais longos. Em alguns casos, o Banco Central chegou a exigir que a instituição tivesse três vezes mais capital para realizar uma operação muito longa. Agora, qualquer financiamento terá o chamado “Fator de Ponderação de Risco” (FPR) de 75%. Ou seja, o banco tem de manter um capital de 75% do valor da operação para fazer o empréstimo. Isso estimula a ousadia das instituições financeiras.

— Dada a dinâmica de crédito atual com o comportamento prudente que os bancos estão tendo nas concessões, não precisa dessas regras prudenciais. O risco sistêmico que se via lá no final de 2010 não se vê mais hoje — ponderou Caio Ferreira, chefe do departamento de Regulação Prudencial do BC.

Num outro passo tomado para dinamizar o consumo, o BC também alterou os critérios para classificação de operações consideradas de “varejo” pelas instituições. A alteração beneficia principalmente pequenas empresas. Isso porque o Banco Central aumentou de R$1,5 milhão para R$ 3 milhões o volume de empréstimo que um único banco pode ter para uma empresa de pequeno porte para que essas operações sejam beneficiárias das condições diferenciadas para o varejo. O BC ainda aumentou de R$ 3,6 bilhões para R$ 15 bilhões o teto do faturamento dessas empresas. Isso deve destinar muito mais dinheiro ao segmento.

Já para grandes operações, o BC resolveu exigir menos garantias. Um dos setores beneficiados é o comércio exterior. Para tentar estimular os exportadores, o Banco Central cortou de 100% para 20% a exigência de capital para que o banco faça, por exemplo, uma carta de crédito para quem vende produto brasileiro ao exterior. Ou seja, a instituição não precisará ter um capital disponível exatamente do valor do empréstimo porque o BC entendeu que a própria mercadoria já é uma garantia. A autoridade monetária ainda diminuiu de 100% para 50% as garantias sobre empréstimos concedidos com critérios de performance.

Para atender um pleito dos banqueiros, o Banco Central ainda premiou as instituições que fizerem operações de crédito consignado com servidores públicos federais. Por terem estabilidade no emprego, a exigência de capital disponível para fechar o empréstimo caiu de 100% para 75% do valor do financiamento.

Na tentativa de tirar obstáculos à internacionalização dos bancos brasileiros, o BC resolveu dar o mesmo tratamento que recebem as instituições financeiras internacionais lá fora. Por isso, o banco brasileiro que comprar títulos de país que tem rating melhor que AA- não terá de ter capital de contrapartida para fechar o negócio. A exigência caiu de 20% para zero.



 

Índice de cheques sem fundos é o maior desde 1991



Durante o mês de julho, 2,24% dos cheques foi devolvido pela segunda vez depois devido à falta de fundos, segundo indicador da Serasa Experian. Este é o maior percentual para julho desde o início da série histórica, em 1991.

Em julho de 2013, a taxa de devolução foi de 20,3%. Na comparação mensal, o aumento foi de 0,32 pontos percentuais. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, 2,11% dos cheques emitidos foram devolvidos, contra 2,07% no ano passado.

Para os economistas da Serasa, a maior inadimplência mostra a maior dificuldade que o brasileiro vem tendo para pagar suas dívidas. Entre os fatores que dificultam o pagamento está a desaceleração da economia, os juros altos, o enfraquecimento do mercado de trabalho e a inflação ainda alta — apesar de o IPCA de julho ter sido de 0,01%, o acumulado do ano está em 6,5%.

Em julho, ainaidmplência do consumifor subiu 11%, na comparação interanual, enquanto em relação a junho, o aumento foi de 4%, também de acordo com dados da Serasa. Um dos fatores que influenciou este crescimento foi a devolução de cheques, que avançou 11,6% de junho para julho.

Na avaliação dos economistas da Serasa, os feriados da Copa do Mundo em junho diminuíram os dias em que as pessoas podiam ir aos bancos devolver os cheques, causando uma espécie de represamento. Com menos jogos e feriados em julho, mais gente pôde ir às instituições, aumentando o índice de devolução.

Os dois estados com maior percentual de cheques devolvidos de janeiro a julho foram Roraima (12,13%) e Amapá (10,52%), que ficaram muito acima da média nacional para o período. Já os que menos tiveram devoluções foram São Paulo (1,48%) e Amazonas (1,15%). Entre as regiões, a Norte foi a que mais devolveu cheques (4,31%), e a Sudeste registrou o menor índice (1,62%).




 

 

Anvisa proíbe venda de água mineral da Nestlé


A Anvisa suspendeu a venda e distribuição, em todo o país, do lote 32966047S1 de Água Mineral Natural sem gás de 300ml da marca São Lourenço, produzida pela Nestlé. O lote, que possui validade até 23/10/2014, apresentou a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa acima do limite estabelecido na legislação sanitária. A bactéria causa alterações de odor e sabor nos alimentos, mas normalmente não representa risco preocupante à saúde da população em geral. No entanto, em crianças, gestantes e pessoas com sistema imunológico fragilizado, a bactéria pode causar infecções, informou a Anvisa.

A amostra foi coletada pela Vigilância Sanitária de Campinas após denúncia de um consumidor que relatou gosto estranho do produto. A vigilância sanitária de Minas Gerais, onde está localizada a fábrica do produto, já foi acionada para adotar as medidas necessárias junto à empresa.

A medida tem validade imediata. O lote em questão não pode ser vendido e o recolhimento é de responsabilidade do fabricante.

Procurada para comentar o assunto, a Nestlé disse, em nota, que ao receber o primeiro contato da autoridade sanitária, em fevereiro, informando sobre alteração de parâmetro no lote, tomou a decisão de suspender imediatamente a distribuição e venda dos produtos. "A medida foi tomada ainda que controles internos não tivessem apontado nenhuma desconformidade com a legislação vigente", complementou.

Para o esclarecimento de dúvidas ou informação adicional, a empresa coloca à disposição dos consumidores o telefone 0800-979-1819.

 

Economia brasileira encolheu 1,2% no segundo trimestre

Com o desempenho oscilante do comércio e com a indústria em retração, a economia brasileira encolheu 1,2% no segundo trimestre deste ano, nos cálculos do Banco Central. O número veio acima da expectativa dos analistas do mercado financeiro de que o IBC-Br (índice que mede a atividade no Brasil) tivesse uma queda de cerca de 1,6% no período, mas, ao mesmo tempo, é o pior resultado desde o primeiro trimestre de 2009, auge da crise financeira, quando o recuo havia sido de 2,68%. De acordo com os dados revisados pelo Banco Central, esse já seria o terceiro trimestre de retração da economia.

Os dados consideram o índice dessazonalizado (que não leva em conta as variações por época do ano). No primeiro trimestre deste ano, a economia encolheu 0,02%, de acordo com o IBC-Br. Já nos últimos três meses do ano passado, a retração foi de 0,29%. No entanto, metodologicamente, o IBC-Br não pode ser considerado uma simples prévia do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país). Isso porque o dado oficial, calculado pelo IBGE, é muito mais complexo. O índice construído pelos técnicos da autoridade monetária é o que os economistas chamam de proxy, ou seja, uma aproximação. O resultado oficial será divulgado pelo instituto no próximo dia 29.

Os dados oficiais do IBGE são de que o PIB cresceu 0,2% no primeiro trimestre sobre os últimos três meses de 2013. Mas boa parte dos analistas não descarta a possibilidade de que esse número seja revisado para mostrar contração, com a divulgação do resultado do PIB do segundo trimestre.


RESULTADO DE JUNHO É O PIOR DESDE MAIO DE 2013

Somente em junho, mês da Copa do Mundo (que diminuiu o número de dias úteis e, consequentemente, de atividade econômica), esse índice do BC revelou que a economia encolheu 1,48%. Foi o pior resultado mensal desde maio do ano passado. Isso porque o resultado do comércio ficou muito abaixo do que previam os especialistas. A queda de junho também foi a quinta seguida na comparação mensal. O IBC-Br acumula alta de 1,41% em 12 meses, ainda segundo dados dessazonalizados.

— Acho que não podemos falar em recessão técnica (dois trimestres seguidos de retração) porque o IBC-Br não crava exatamente o que aconteceu na economia brasileira. O primeiro trimestre, por exemplo, teve desempenho positivo nas contas oficiais do IBGE — ponderou André Perfeito, economista-chefe da corretora Gradual. — Mas esse número já indica que teremos um segundo trimestre negativo no resultado das contas nacionais do IBGE.

Na avaliação do economista-chefe do ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal, o resultado de junho não foi uma surpresa, diante dos dados já divulgados de indústria e comércio, mas o Banco Central acabou revisando o IBC-Br de abril e maio, o que levou a esse recuo de 1,2% no trimestre.

— A intensidade da queda do IBC-Br no segundo trimestre foi maior por causa do efeito Copa, que afetou a indústria, por exemplo. É diferente daquele momento lá atrás, quando entre o quarto trimestre de 2008 e o primeiro trimestre de 2009 tivemos o pior momento da crise econômica internacional — disse Leal.

OUTROS INDICADORES MOSTRAM PÉ NO FREIO

Octavio de Barros, diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, também afirmou, em relatório nesta sexta-feira, que a queda apontada pelo IBC-Br reforça percepção de desaceleração da atividade econômica no segundo trimestre. A contração já foi indicada por outros indicadores, caso das vendas no varejo e produção industrial, por exemplo, divulgadas pelo IBGE.

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, porém, reforçou nesta sexta-feira que não é correto afirmar que a variação do PIB do Brasil foi negativa no segundo trimestre tendo como base o IBC-Br. O diretor, que participa de seminário em São Paulo, lembrou que a projeção do BC para o PIB é a que consta no Relatório de Inflação, que é de 1,6% para 2014. Entretanto, as expectativas dos especialistas, ouvidos em pesquisa Focus do próprio BC, são de que o PIB crescerá apenas 0,81% em 2014, bem aquém dos 2,5% vistos em 2013.

ÍNDICE BALIZA POLÍTICA DE JUROS

O IBC-Br foi criado pelo BC para balizar a condução da política de juros para controlar a inflação. É para ele que o BC olha na hora de fixar a taxa básica de juros (Selic), que está em 11% ao ano. O dado leva em consideração Esses são os indicadores que mais pesam no “PIB do BC.

No segundo trimestre, as vendas do varejo registraram uma queda de 0,6%, na comparação com o primeiro trimestre, de acordo com os dados do IBGE após ajuste sazonal. Já a indústria registrou uma retração de 0,9% da sua produção no período.

 

Lucro do Banco do Brasil cai 62% no 2º trimestre

O Banco do Brasil anunciou que teve lucro líquido de R$ 2,829 bilhões no segundo trimestre, ante resultado positivo de R$ 7,472 bilhões um ano antes — queda de 62%. A queda se deu, segundo Ivan Monteiro, vice-presidente de relações com investidores do banco estatal, porque o resultado do segundo trimestre do ano passado foi fortemente elevado com os recursos obtidos na abertura de capital da BB Seguridade. Excluídos os efeitos desse IPO no lucro do segundo trimestre de 2013 (R$ 2,789 bilhões), o lucro obtido entre março e junho deste ano equivale a uma alta de 1,4% na comparação anual.

Assim como seus concorrentes privados, o BB também se beneficiou, no segundo trimestre, do atual cenário de juros mais altos. O crescimento na área de seguros e de cartões foram outros fatores que contribuíram para os ganhos.

— Tivemos forte crescimento na área de seguros e expansão constante da área de cartões ao longo do segundo trimestre (alta de 29,4% em comparação ao mesmo período do ano passado). Além disso, tivemos bons resultados de tesouraria, impulsionados pelo aumento da Selic (taxa básica de juros) — afirmou a jornalistas.

De acordo com Monteiro, o lucro da BB Seguridade chegou a R$ 845,4 milhões no segundo trimestre, volume 53,6% superior ao lucro do segundo trimestre de 2013.

O lucro ajustado (que exclui itens extraordinários) da maior instituição financeira do país foi de R$ 3,0 bilhões no período, contra R$ 2,6 bilhões de um ano antes, um aumento de 14%. No acumulado do primeiro semestre, o Banco do Brasil teve lucro líquido de R$ 5,506 bilhões, enquanto no mesmo período do ano anterior havia obtido R$ 10 bilhões.

CRÉDITO

A carteira de crédito total do banco chegou a R$ 718,8 bilhões em junho deste ano, alta de 12,5% na comparação anual e de 2,8% em relação ao trimestre anterior. O resultado está abaixo do guidance (meta) do banco para o ano, que varia de 14% a 18%. Ainda assim, a projeção para o fechamento de 2014 está mantida, de acordo com Monteiro. Ele acredita numa aceleração da concessão de empréstimo, tanto na pessoa física quanto na jurídica, no decorrer do segundo semestre.

Os destaques da carteira ficaram para o financiamento imobiliário e para o crédito ao agronegócio, que registraram incrementos em 12 meses de 84,5% e 23,7%, respectivamente. No período, o BB manteve a liderança em crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN), com 21,3% de participação de mercado.

— O segundo semestre é sempre bem melhor que o primeiro, temos eventos como natal, por exemplo. E também é bem forte por conta do agronegócio. Além disso, não tem mais Copa do Mundo. Achamos que haverá uma recuperação natural de alguns segmentos — disse, para completar: — Continuamos focados na estratégia de crescer a carteira nas linhas de menor risco, como consignado e imobiliário, além do crédito do agronegócio.

ABAIXO DOS CONCORRENTES

O lucro líquido do Banco do Brasil, porém, ficou bem abaixo de seus principais concorrentes privados, Bradesco e Itaú Unibanco. O primeiro teve lucro líquido no segundo trimestre de R$ 3,78 bilhões, alta de 28,1% em relação a igual período de 2013. Já no acumulado do primeiro semestre, o lucro chegou a R$ 7,22 bilhões, avanço de 23,1%.

O Itaú Unibanco, por sua vez, chegou a R$ 4,899 bilhões no segundo trimestre — patamar recorde na história do banco —, um crescimento de 36,7% em relação a igual período de 2013. No semestre, o resultado foi de R$ 9,318 bilhões, um incremento de 32,1%.

O balanço só ganhou de longe do Santander, que anunciou lucro líquido de R$ 527,5 milhões no segundo trimestre deste ano. O resultado é 1,75% maior que o registrado nos primeiros três meses do ano e 5,3% superior ao obtido no segundo trimestre de 2013. O lucro acumulado no semestre chegou a R$ 1,406 bilhão, recuo de 5,7% na comparação com o ano passado.

 

BNDES adia IPOs para 2015

O BNDES adiou para 2015 seus planos de realizar duas ofertas públicas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) de empresas da sua carteira de capital empreendedor, disse um superintendente da instituição de fomento, que busca agora unir-se a investidores privados no primeiro fundo do país especializado em mercado de acesso.

Segundo Luiz Souto, superintendente da área de capital empreendedor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, ao menos duas das 36 companhias investidas (cerca de R$ 2,5 bilhões) já estão prontas para ir a mercado, tanto do ponto de vista de governança corporativa como de necessidade de capitalização, aguardando apenas melhoras do cenário macroeconômico.

"No ano que vem teremos ao menos dois IPOs", disse Souto em entrevista à Reuters, recusando-se a citar o nome das companhias. No ano passado, ele havia dito que os IPOs ocorreriam este ano.

"Neste momento temos dificuldade no cenário macroeconômico. Isso reflete no mercado como um todo. Mas estamos com os ingredientes na cozinha", completou.

Na semana passada, o presidente-executivo da BM&FBovespa, Edemir Pinto, disse que a bolsa não tem expectativa de nenhuma oferta pública inicial de ações este ano.

A estratégia do banco agora inclui unir-se a investidores privados em um fundo especializado em empresas do mercado de acesso, o Bovespa Mais, segmento da bolsa voltado para pequenas e médias companhias. Esse tipo de fundo recebeu incentivos fiscais do governo federal em junho, tendo sido regulamentado recentemente pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O BNDES terá até 30% do fundo multisetorial de R$ 250 milhões, cujo gestor será anunciado daqui a cerca de um mês. O gestor ficará encarregado de buscar de cinco a oito empresas a serem investidas, no país todo, explicou Souto.

Segundo o superintendente, não houve mudança de estratégia do BNDES, apenas uma complementação, rumo ao objetivo do banco de trazer investimento privado para empresas da área de capital empreendedor.

"Continuamos com a estratégia de listar as companhias primeiro no Bovespa Mais, tendo como objetivo um futuro IPO", disse. "No Bovespa Mais as empresas têm que atender condições mínimas de governança, e assumem compromisso de fazer o IPO em até sete anos."

O executivo disse acreditar que o mercado de capitais brasileiro tem condições de abrigar ofertas menores, de 100 a 200 milhões de reais -- frente ao valor médio de 500 milhões de reais atualmente -- e há interesse de investidores e bancos de investimento.

Das companhias na carteira do banco, a empresa de tecnologia Senior Solution realizou IPO no ano passado, enquanto Altus Sistemas de Automação, CAB Ambiental, Nortec Química e Quality Software já estão listadas no Bovespa Mais para negociar ações nos próximos anos. Além da Senior, Biomm e Nutriplant já têm papéis negociados no Bovespa Mais.

 

México deverá superar o Brasil na produção de veículos

Brasil e México revivem neste ano uma disputa acirrada pelo título de maior produtor de veículos da América Latina. Na parcial do ano, a indústria mexicana abriu ligeira vantagem, somando 1,86 milhão de unidades fabricadas de janeiro a julho contra 1,82 milhão que saíram das montadoras brasileiras no mesmo período.

Na última semana, quando esses resultados foram divulgados, analistas disseram à imprensa estrangeira que, ainda neste ano, o México deverá superar o Brasil no ranking mundial de produção de veículos, o que não acontece desde 2002, de acordo com dados da associação internacional das montadoras, a Oica.

"Não acredito que seja ainda neste ano. Não colocaria minha mão no fogo, ainda tem todo um segundo semestre. Mas o México vai terminar (o ano) muito mais perto do Brasil", diz Gerardo San Roman, mexicano que preside no Brasil a consultoria Jato Dynamics, especializada no setor.

No ano passado, o Brasil foi o sétimo maior fabricante do mundo, com 3,74 milhões de unidades, uma alta de 9,9% frente ao ano anterior.

Logo atrás, a indústria mexicana somou 3 milhões, 1,7% a mais que em 2012.

Neste ano, porém, apesar do volume semelhante de veículos montados até julho, os dois países vivem situações bem diferentes.

A produção brasileira caiu 17% frente aos primeiros sete meses de 2013, enquanto a mexicana subiu 7,4%.

México exporta; Brasil vende aqui
O México tem a produção em ascensão com um "boom" de fábricas de carros: três foram inauguradas em menos de um ano. Mas a grande maioria dos veículos produzidos não fica no país: praticamente 80% da produção é voltada à exportação, a maior vocação da indústria de veículos mexicana. Parte vai para o mercado brasileiro; mais de 70%, para os EUA.

No Brasil, é o contrário: cerca de 80% da produção é consumida no mercado nacional. O que as montadoras brasileiras exportam vai, principalmente, para a Argentina. Acontece que esses dois "clientes" estão comprando menos neste ano do quem em 2013.

A Argentina enfrenta uma crise econômica e reduziu importações, fazendo o Brasil depender ainda mais do mercado interno.

Apesar de o desconto no Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) continuar valendo até o fim do ano, as marcas reclamam que as vendas no mercado brasileiro não crescem porque osbancos estão limitando financiamento.

De janeiro a julho, foram emplacados 8,6% menos veículos de veículos do que mesmo período de 2013. Como consequências, há paralisações temporárias nas fábricas, por meio de férias coletivas, e redução de turnos, além do chamado lay-off, que é a suspensão de contratos por tempo determinado.

Ainda que projete uma melhora neste segundo semestre, a associação de montadoras, a Anfavea, pverê é que o país fechará 2014 com queda de 10% na produção, somando 3,34 milhões de veículos. A "Anfavea" mexicana, chamada Amia, prevê alcançar 3,32 milhões.

Segredos do México

O México era o maior produtor de veículos da América Latina no início dos anos 2000. Em 2003, foi superado pelo Brasil. A disputa só voltou a esquentar há poucos anos, com o início da recuperação dos mercados dos EUA e do Canadá, após a crise financeira mundial.

Para o presidente da consultoria Jato, a indústria automobilística mexicana foi embalada por uma série de fatores. Veja abaixo.

- geografia: o México é vizinho dos Estados Unidos, o país que mais compra carro no mundo, depois da China, e está perto do Canadá. "Esses países agora estão consumindo, precisando de importação. O mercado americano se recuperou, voltando ao patamar de 17, 18 milhões de veóculos (emplacados ao ano)", diz Gerardo San Roman.

Além disso, o território é banhado por dois oceanos, Pacífico e Atlântico, facilitando o escoamento de mercadorias tanto para a Europa quanto para a Ásia. Como resultado, o especialista explica que o país possui uma região com forte presença da indústria automotiva, uma espécie de ABC mexicano, no chamado Bajio, "bem no meio do México".

Lá estão duas fábricas da Nissan e as de General Motors, Honda, Mazda, além das futuras plantas da BMW – bem maior que a que será inaugurada no Brasil- e da parceria Renault-Nissan-Daimler, para compactos das marcas de luxo Mercedes e Infiniti. E tudo cercado por uma série de fornecedores.

- acordos comerciais: o mais importante são as dezenas de acordos de livre comércio com os principais mercados do mundo. Essas negociações permitem, por exemplo, que carros sejam produzidos naquele país e vendidos em outros lugares, como o Brasil, sem taxa de importação. Ou seja: com preço similar ao dos veículos nacionais.

- moeda desvalorizada: outra atração para as montadoras é que a moeda mexicana está desvalorizada frente ao dólar, aponta San Roman.

- custo menor de produção: os custos de produção naquele país são menores do que nos EUA e na Europa, e também no Brasil, em parte porque as leis trabalhistas "são mais relaxadas", diz o consultor mexicano. "O Brasil, apesar de ter uma boa mão de obra, se tornou muito caro (produção de veículos", compara.

- qualificação: além de ter menos encargos, o México conseguiu qualificar trabalhadores para atingir os padrões americanos, europeus e asiáticos. E se aproveitou do fato de que a língua inglesa é a segunda do país, completa San Roman.

E o Brasil?
Para o consultor, o Brasil ainda tem muito potencial para crescimento da frota de veículos, tanto que há novas fábricas confirmadas para este e os próximos anos, incluindo as de marcas de luxo.

Mas o momento atual, diz ele, é de incertezas, com a proximidade das eleições e o desaquecimento das economias que influenciam a indústria, a da Argentina e a da China.

San Roman alerta que, apesar de o México viver esse "boom" automobilístico, a produção é apoiada em veículos leves (automóveis, picapes, SUVs, etc) e o Brasil ainda é maior na fabricação de veículos pesados (caminhões e ônibus).

"O Brasil já é o maior da América Latina, e pode se fortalecer na produção de caminhões. O México não tem essa capacidade. Essa é uma ciência à parte, requer muita tecnologia, investimentos enormes", explica. "Se o Brasil se tornar um gigante em caminhões, será gerada mais riqueza do que o México com veículos leves."

 

Dívidas do sistema Eletrobras com Petrobras chegam a R$ 7,2 bilhões

 

O diretor Financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, disse que as dívidas acumuladas das empresas do sistema Eletrobras com a Petrobras Distribuidora (BR) somam R$ 7,2 bilhões.

Segundo Barbassa, essas dívidas se devem ao fornecimento de combustível pela BR para a geração de energia na Região Norte por usinas térmicas operadas por distribuidoras da Eletrobras. Ele explicou que os R$ 7 bilhões são a dívida neste momento.

— É como se fosse uma conta-corrente. Depende do fluxo, pois a gente tem contas a receber e, ao mesmo tempo, menos recursos entram — disse Barbassa.

No início do mês, a BR chegou a suspender por dois dias o fornecimento de combustível para a Manaus Energia, dizendo que só retornaria o serviço com o pagamento à vista. Mas, logo em seguida, a estatal voltou a regularizar as entregas do produto. As negociações entre a Petrobras e a Eletrobras continuam em andamento. A Eletrobras está esperando receber um empréstimo de R$ 6,5 bilhões do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal para pagar R$ 850 milhões do total da dívida.




 

Reajuste na energia e na água pode impactar inflação em agosto

O aumento de 18% na tarifa de energia elétrica em São Paulo a partir do dia 4 de julho e o reajuste de 6,75% na taxa de água e esgoto no Rio de Janeiro, em 1° de agosto, podem provocar impacto na inflação oficial do país, o IPCA, no mês de agosto. Em julho, o índice desacelerou e ficou em 0,01%, a menor taxa desde junho de 2010, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Tanto São Paulo quanto Rio de Janeiro têm peso grande. Em São Paulo , a energia elétrica é praticamente um terço do IPCA de São Paulo. E a energia, em todas as áreas, tem importância grande no consumo das famílias (2,3%), peso parecido com o da carne [peso de 2,21%]. Então, qualquer movimento na energia tem peso no bolso das pessoas”, explicou Eulina Nunes, coordenadora de Índice de Preços do IBGE.

De acordo com ela, apesar de ter sido aplicado em julho, o reajuste no preço da energia em São Paulo deve refletir no IPCA de agosto devido à data em que entrou em vigor.

O IBGE informou ainda que em Belém, no Pará, houve reajuste de 34,41% a partir do dia 7 de agosto, na energia elétrica, e em Vitória, no Espírito Santo, o aumento foi de 22,74%, ocorrida na mesma data.

“A água e esgoto também tem peso porque é caro. O consumo de água não é barato, há impostos que entram. E é um item relevante para o IPCA porque os itens monitorados são despesas onde há continuidade no gasto. Assim como a comida, a água tem consumo diário e quanto mais você gasta, mais você paga. Então, ela tem peso relevante no bolso das famílias (1,10% no Rio)”, completou Eulina.

Ainda no Rio de Janeiro, o pedágio sofreu reajuste de 5% em algumas rodovias a partir do dia 1° de agosto e outras vias ainda sofrerão a mesma alteração no preço a partir do dia 11 do mesmo mês. No entanto, segundo a coordenadora, o item não tem tanta relevância para o índice quanto a energia e a água.

Inflação fica em 0,01% em julho
A inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou de junho para julho, passando de 0,4% para 0,01%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa é a menor taxa desde junho de 2010, quando ficou em 0. No mês seguinte daquele ano, o IPCA também registrou 0,01%.

Depois de estourar o teto da meta do governo no acumulado em 12 meses em junho – quando ficou em 6,52% – o IPCA recuou para 6,5% na mesma comparação em julho, taxa que é exatamente o teto da meta da inflação do Banco Central. No ano, até julho, o IPCA está em 3,76%.

 

Produção de petróleo no Brasil bate recorde


A produção de petróleo no Brasil aumentou 6,9% em junho, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, alcançando 2,246 milhões de barris de petróleo por dia, informou a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O volume superou o recorde anterior, de 2,231 milhões de barris diários, alcançado em janeiro de 2012. Na comparação com maio deste ano, a alta foi de 2,6%.

Ainda segundo os dados da ANP, a produção de gás natural também registrou elevação nos dois tipos de comparação, avançando 8,2% em relação a junho de 2013 e 2,4% frente a maio, a 86,6 milhões de metros cúbicos. Somadas, os dois combustíveis alcançaram produção de 2,79 milhões de barris de óleo equivalente diários.

No Rio, 1,7 milhão de barris diários

A maior parte da produção veio do Rio de Janeiro, que respondeu por 67,8% do resultado nacional. Em junho, os poços fluminenses produziram 1,708 milhão de barris de óleo equivalente (petróleo e gás natural) diários, uma alta de 2,74% em relação a maio e de 1,76% na comparação com junho do ano passado.

No mês retrasado, a produção de petróleo ajudou a salvar o desempenho da indústria no estado, segundo dados divulgados na quarta-feira pelo IBGE. Puxado pela produção de óleos e derivados, o setor cresceu 5,4% em junho, frente a maio, recuperando parte da perda acumulada de 7%, registrada nos últimos três meses.

Pré-sal: alta de 6,2%

A ANP informou ainda que a produção no pré-sal teve alta de 6,2% em relação ao mês anterior, alcançando 583,2 mil barris de óleo equivalente por dia. Em junho, houve exploração em 33 poços localizados em águas profundas.

A agência também informou que a maioria (90,4%) da produção de petróleo e gás no país em junho foi proveniente de campos operados pela Petrobras. O campo de Roncador, na bacia de Campos, foi o campeão, com média de 256,2 mil barris por dia. Entre os produtos de gás natural, lidera o ranking o campo de Mexilhão, na bacia de Santos, com média de 6,6 milhões de metros cúbicos em junho.




 

Venda de veículos reage em julho e cresce 11,5%

 

As vendas de automóveis, que ainda estão sendo beneficiados com o IPI menor, teve uma alta de 11,5% nas vendas em julho comparado ao mês anterior. Em junho foram produzidos 204.251 veículos contra 227.708 em julho. Mas, no acumulado do ano, a produção caiu 7,6% e em julho contra julho 12,5%. Os dados foram divulgados  pela Anfavea, associação que representa as montadoras.

Segundo a associação, este foi o pior desempenho de produção e vendas para o mês de julho desde 2007.

Já as vendas de autoveículos, o que reúne caminhões, ônibus e automóveis, subiram 11,8% em julho na comparação com junho. Em relação ao ano passado, porém, os números negativos voltam a aparecer. A comercialização caiu 12,9% em julho deste ano contra o mesmo mês de 2013. Entre os meses de janeiro e julho, as vendas retraíram 8%, também na comparação anual.

A produção dos autoveículos também apresentou crescimento de junho para julho, de 17%. Mas, de novo, apresentou forte queda de 20,5% em relação a julho e de 17,4% no acumulado do ano. As exportações cresceram na comparação mensal (40,2%), mas ainda apresentam forte retração na comparação com julho do ano passado (36,7%) e no acumulado do ano, caindo 35,4% ante igual período de 2013.

E o nível de emprego nas montadoras também ficou negativo na comparação anual. Ele fechou julho em 150.295 postos ocupados, queda de 4,2% em relação ao registrado um ano antes.

Em julho, a Anfavea reduziu suas projeções de desempenho da indústria este ano, prevendo queda de 10% na produção e recuo de 5,4% nas vendas no mercado interno. A projeção para as exportações é de queda de 29%.

Na ocasião, os estoques de veículos novos à espera de comprador eram de cerca de 400 mil unidades, suficiente para mais de 40 dias de vendas. Com produção caindo mais do que as vendas, o estoque de veículos nas fábricas e nas concessionárias caiu de 395,5 mil para 382,6 mil unidades de junho para julho.



 

Itaú Unibanco tem lucro líquido de R$ 4,9 bilhões

O Itaú Unibanco anunciou que teve lucro líquido de R$ 4,899 bilhões no segundo trimestre, acima dos R$ 4,419 bilhões registrados nos três primeiros meses do ano.

No primeiro semestre, o lucro da instituição financeira atingiu R$ 9,318 bilhões, depois de chegar a R$ 7,055 bilhões no segundo semestre do ano passado. De acordo com a consultoria Economatica, o lucro do Itaú nos seis primeiros meses deste ano é o maior da história do banco considerando esse período.

Em bases recorrentes, o lucro do maior banco privado do país atingiu R$ 4,973 bilhões. A previsão média de sete analistas consultados pela Reuters para esta linha era de R$ 4,634 bilhões.

No fim de junho, a carteira de crédito do Itaú Unibanco somava R$ 487,623 bilhões, com expansão de 9,6% em 12 meses. Os destaques foram os segmentos de consignado (62,1%), imobiliário (26,1%) e cartão de crédito (28,6%).

O índice de inadimplência da carteira do banco, medido pelo saldo de operações vencidas com mais de 90 dias, chegou a 3,4% no final do semestre, ante 4,2% um ano antes. Foi o oitavo trimestre consecutivo de queda.

As despesas do Itaú Unibanco com provisões para perdas com calotes somaram R$ 4,465 bilhões no período. Descontados valores obtidos com recuperação de crédito, o montante foi de R$ 3,23 bilhões, ante R$ 3,16 bilhões no trimestre anterior e R$ 3,65 bilhões em igual trimestre do ano passado.

A rentabilidade sobre o patrimônio líquido, índice que mede como os bancos remuneram o capital de seus acionistas, ficou em 23,7% para o Itaú Unibanco no trimestre, em bases recorrentes. O número tinha sido de 22,6% de janeiro a março e 19,3% no segundo trimestre de 2013.

 

Economistas pioram de novo projeção para PIB deste ano

 

A projeção de economistas de instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano mostrou deterioração pela 10ª semana seguida com piora da expectativa para a indústria, enquanto o cenário para a inflação mostrou mais um pequeno alívio. De acordo com a pesquisa Focus do Banco Central , a projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014 agora é de 0,86%, contra 0,90% na semana anterior. Em 2013, o PIB cresceu 2,5%.

Um dos principais pesos sobre a economia é a indústria, cuja perspectiva de retração piorou para 1,53%, ante 1,15%. Em junho, a produção industrial brasileira recuou 1,4%, o quarto mês seguido de queda e a pior série de perdas desde 2010, conforme divulgado na semana passada. Sobre 2015, a projeção para o crescimento do PIB no Focus permaneceu em 1,5%, com a estimativa de expansão de 1,7% na indústria.

As expectativas de inflação, por outro lado, vêm perdendo força há três semanas, e os agentes econômicos consultados no Focus agora projetam a alta do IPCA em 2014 a 6,39%, 0,02 ponto percentual a menos do que na pesquisa anterior.

Com isso a projeção se afasta um pouco mais do teto da meta do governo, de 4,5% com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos. Depois de o IPCA ter superado o teto em 12 meses em junho com alta de 6,52%, os analistas esperam agora a divulgação dos números de julho na sexta-feira.

Em relação ao ano que vem, a perspectiva mediana foi elevada a 6,24%, contra 6,21%. Para os próximos 12 meses, houve ajuste de 0,09 ponto percentual para cima, a 6,03%. Para o Top-5 de médio prazo, com as instituições que mais acertam as projeções, houve manutenção da perspectiva de inflação a 6,39% em 2014 e 6,75% em 2015.

O cenário para a política monetária, por sua vez, não sofreu alterações, com a perspectiva de que a Selic encerre este ano nos atuais 11% e 2015 a 12%. Para os agentes consultados, novo ciclo de aperto monetário será iniciado apenas em janeiro de 2015, com alta de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, sem mudanças em relação à pesquisa anterior.

Já o Top-5 de médio prazo manteve a projeção de que a taxa básica de juros encerrará 2014 a 11%, mas reduziu a perspectiva para o ano que vem a 11,75%, contra 12%. Na sexta-feira, a curva de juros futuros também projetava a Selic a 11,75% no fim do ano que vem.

 

Produção da indústria cai 1,4% em junho

A produção de veículos caiu 12% de maio para junho e impactou a indústria brasileira, que mostrou retração pela quarta vez seguida.

No sexto mês do ano, a atividade industrial registrou baixa de 1,4% frente ao mês anterior, a maior desde dezembro de 2013 nesse tipo de comparação, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"São quatro meses de resultados negativos. A magnitude dessa queda tem uma relação importante com o menor número de dias trabalhados para o mês de junho. Claro que tem relação direta com redução de jornada de trabalho, concessão de férias coletivas, redução de turnos de trabalho. Claro que o evento Copa do Mundo tem relação com esses fatores”, disse André Luiz Macedo, gerente da coordenação de Industria do IBGE.

Frente a junho do ano anterior, a queda foi ainda maior, de 6,9%. Segundo a pesquisa, foi o recuo mais forte desde setembro de 2009, quando o índice teve baixa de 7,4%.

No segundo trimestre, a indústria brasileira mostra queda de 5,4% e, no primeiro semestre, de 2,6%, em relação aos mesmos períodos de 2013. Em 12 meses, o índice acumula baixa de 0,6% – a primeira queda desde março do ano passado.

Maioria dos setores tem queda
Segundo o IBGE, na comparação mensal, junho contra maio, a maioria das atividades da indústria mostrou queda, com destaque para a produção de veículos automotores, reboques e carrocerias (-12,1%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-29,6%). Na contramão, aumentou a produção de derivados do petróleo e biocombustíveis (6,6%), produtos alimentícios (2,1%) e bebidas (2,5%).

“O movimento de queda passa pela atividade de automóveis e caminhões ele vai também às autopeças. Ou seja, a gente tem toda a cadeia da produção automobilística com comportamento de queda”, afirmou Macedo.

Nessa mesma base de comparação, o setor de bens de consumo duráveis, como carros e eletrodomésticos, apresentou uma queda de 24,9%, a mais forte desde o início da série histórica do IBGE. A produção de bens bens de capital, caso das máquinas e equipamentos, também mostrou baixa de 9,7%. O setor produtor de bens de consumo semi e não-duráveis, como roupas e alimentos, registrou queda de 1,3%. A menor queda (0,1%) foi vista nos bens intermediários, caso das matérias-primas.

Comparação anual
Na comparação com junho de 2013, a queda também foi generalizada, quando analisados os setores da indústria. A maior retração partiu da indústria de veículos automotores, reboques e carrocerias, que recuou 36,3%, "pressionada em grande parte pela menor fabricação de automóveis, de caminhões, de caminhão-trator para reboques e semirreboques, de autopeças e de veículos para transporte de mercadorias", segundo informou o IBGE. Essa é a maior queda desde dezembro de 2008, quando havia recuado 51%, de acordo com Macedo.

Também sofreram reduções as produções de máquinas e equipamentos (-14,2%), metalurgia (-12,7%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-25,1%), produtos de metal (-15,6%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-18,4%), entre outros.

Na contramão, avançaram as produções de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (9,9%), produtos alimentícios (7,4%), indústrias extrativas (2,9%) e bebidas (9,4%).

A produção de bens de consumo duráveis caiu 34,3% e de bens de capital, 21,1%. Também tiveram resultados negativos bens de consumo semi e não-duráveis (-3,0%) e de bens intermediários (-2,9%).

No semestre
No ano, assim como nos outros tipos de comparação, o setor que mais diminuiu sua produção foi o de veículos automotores, acumulando queda de 16,9%. Na sequência, aparecem produtos de metal (-10,1%) e metalurgia (-5,0%), entre outros. Entre as oito atividades que aumentaram sua produção estão, principalmente, indústrias extrativas (4,1%) e produtos alimentícios (2,1%).

Entre as categorias, recuaram as produções de bens de consumo duráveis (-8,6%) e de bens de capital (-8,3%), pressionadas especialmente pela redução na fabricação de automóveis (-16,7%) e de equipamentos de transporte (-15,1%). O segmento de bens intermediários mostrou queda de 2,2%.

A única taxa positiva no semestre é a do setor produtor de bens de consumo semi e não-duráveis, que cresceu 0,3%, "impulsionado principalmente pela maior produção de medicamentos, gasolina automotiva e álcool etílico".

 

Embraer reverte prejuízo e tem lucro de R$ 319,8 milhões

A  Embraer teve lucro líquido atribuído aos acionistas de R$ 319,8 milhões no segundo trimestre, revertendo prejuízo de R$ 9,9 milhões no mesmo período de 2013. O resultado da terceira maior fabricante de aeronaves comerciais do mundo também teve ganho, de 23,6%, frente ao trimestre anterior.

No semestre, o lucro da companhia ficou em R$ 578,5 milhões – um ganho de cerca de 1000% sobre o lucro de R$ 51,8 milhões no primeiro semestre de 2013.

A receita líquida atingiu R$ 3,93 trilhões no segundo trimestre, uma alta de 21% frente ao mesmo período de 2013. Nos seis primeiros meses do ano, a receita líquida ficou em R$ 6,86 bilhões, alta de 27% sobre os mesmos seis meses do ano passado.

Aeronaves
De abril a junho, a Embraer entregou 29 aeronaves comerciais e 29 executivas. A carteira de pedidos firmes fechou o trimestre em US$ 18,1 bilhões, segundo a companhia.

No semestre, foram entregues 43 aeronaves comerciais e 49 executivas (39 jatos leves e 10 jatos grandes), comparado com 39 aeronaves comerciais e 41 executivas (31 jatos leves e 10 jatos grandes) no mesmo período de 2013.

 

 

Brasil não está fazendo reformas estruturais

Às vésperas do recesso de verão do Fundo Monetário Internacional (FMI), a diretora-gerente Christine Lagarde reuniu-se com um grupo de jornalistas, na sede do organismo multilateral, para discutir as perspectivas da economia mundial. Ao falar do Brasil, brincou que o país foi “uma força perturbadora” dos trabalhos do organismo por um mês, devido à Copa do Mundo, durante a qual funcionários, diretores e ela própria pararam constantemente para acompanhar os jogos. Mas também falou sério. Questionada se, diante de 15 meses de prognósticos ruins e repetição das mesmas recomendações, o governo brasileiro estava falhando na adoção de políticas para corrigir fragilidades, diplomaticamente concordou:

— Temos reiterado as mesmas fortes recomendações para que reformas estruturais sejam feitas, gargalos sejam reduzidos na economia e que o potencial, a capacidade de o Brasil entregar crescimento seja liberada. E isso não vem sendo feito — afirmou a diretora-gerente, que colocou o Brasil ainda em estado de atenção em relação à expansão do déficit em conta corrente (que fechou em 3,6% do PIB, ou 2,9% justados, em 2013, para um patamar que o Fundo considera ideal entre 1% e 2,5%).

Lagarde reforçou a mensagem de que o mundo passa por um período de retomada desigual do crescimento, com tração nos motores dos países ricos e desaceleração sincronizada e sistemática das nações emergentes. Alertou para os riscos associados à nomalização das políticas monetárias dos EUA e do Reino Unido, que pode provocar turbulências e desarrumar ainda mais a casa dos países em desenvolvimento.

O receituário para vencer os obstáculos, disse Lagarde, é inequívoco: reformas estruturais, conserto dos problemas macroeconômicos (inflação alta, déficits em contas externas, desequilíbrios fiscais) e muita coordenação entre autoridades.

Ela acredita ainda que a criação de mecanismos como o Arranjo de Contingência de Reservas (ACR) das nações que compõem o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) não afronta o FMI, e sim convoca parceria entre os diversos agentes, refletindo um mundo multipolar mas interdependente. A diretora-gerente considera ainda que a falha do Congresso dos EUA em ratificar a reforma de governança do Fundo, que dará mais poder aos emergentes, não afeta a eficiência da instituição nem lhe retira credibilidade.

Sobre a iminência de default da Argentina, nesta quarta-feira, Lagarde afirma que os efeitos serão circunscritos ao país sul-americano, do ponto de vista de turbulências. Mas o episódio acentuará a necessidade de reavaliação dos processos de reestruturação de dívida, da eficiência da ação coletiva, “(d)a escolha de leis e outros critérios legais tipicamente encontrados nesses casos”. O próximo trabalho do FMI sobre o tópico será apresentado à diretoria-executiva do órgão entre o fim de setembro e o início de outubro, pouco antes da Reunião Anual da instituição e do Banco Mundial, em Washington.

Abaixo, alguns trechos da entrevista.

CONDIÇÕES GLOBAIS

“Estamos passando por uma recuperação desigual do crescimento global. O que estamos identificando é risco associado com a normalização das políticas monetárias dos países ricos, começando com EUA e Reino Unido. O Fed (Federal Reserve, BC americano) e o Banco da Inglaterra estão agora considerando o fim dos estímulos e a elevação dos juros. Banco Central Europeu e Banco do Japão provavelmente continuarão mais um tempo com a política acomodativa. Haverá consequências. Se a comunicação for bem calibrada e feita, acreditamos que os efeitos colaterais serão administráveis. Mas claramente temos em mente o que aconteceu em maio do ano passado e como apenas a comunicação da intenção afetou os mercados emergentes”.

EMERGENTES

“Também temos uma desaceleração mais sincronizada dos emergentes. Eu colocaria a China de lado, pois medidas tomadas vão segurar o crescimento de 7,5%. Mas demais emergentes, sim. Isso terá ‘consequências para a vizinhança’, no sentido de que os países que comercializam ou se beneficiam de investimentos dessas nações emergentes vão arcar com os efeitos desta desaceleração sincronizada. Se levarmos esses dois elementos em consideração (desaceleração e normalização monetária dos ricos), claramente haverá impacto na tentativa das autoridades tomarem medidas e realçar a fragilidade do crescimento”.

SETOR EXTERNO E AÇÕES

“(Antes), era mais uma questão do superávit da China versus o déficit dos EUA no debate. O que vemos agora é menos desequilíbrio, mas esta questão está mais espalhada. Do lado superavitário, claramente vemos dois líderes, China e Alemanha. Do lado do déficit, temos os suspeitos de sempre, os EUA e alguns dos países europeus, mas também países como Turquia, África do Sul e Brasil. Está espalhando-se esse lado do déficit. Então, acreditamos que o caminho de políticas é manter a casa em ordem, cada um com suas particularidades no caso dos emergentes. O que é comum a todos é fazer reformas estruturais de diversas categorias. E nos frontes monetário e fiscal, cada um também tem políticas para adotar. A segunda recomendação é: falem uns com os outros. E a terceira é cooperem o quanto puderem. Parece incongruente recomendar cooperação em tempos em que você não vê muita cooperação, mas, economicamente, isso é o mais desejável, mais comunicação, mais cooperação, particularmente os banqueiros centrais, quando forem mudar o curso de política”.

COPA DO MUNDO

“O Brasil foi uma força perturbadora do trabalho do FMI recentemente, porque a Copa do Mundo mobilizou todo mundo nesta instituição, todos grudados na tela de TV por um mês e muitos jogos. Afetou todos os níveis da instituição, dos diretores-executivos ao staff, incluindo a diretora-gerente, embora eu não tenha assistido todos os jogos, mas vi alguns”.

BRASIL

“É verdade que temos revisado para baixo nossas projeções para o Brasil e é verdade que todos temos reiterado as mesmas fortes recomendações para que reformas estruturais sejam feitas, gargalos sejam reduzidos na economia e que o potencial, a capacidade de o Brasil entregar crescimento seja liberada. E isso não vem sendo feito”.

ARGENTINA

“Estamos obviamente monitorando a situação. A Argentina está fora dos mercados financeiros e de qualquer círculo financeiro há muito tempo e, embora defaults sejam sempre lamentáveis, nós não temos a visão de que teria grandes consequências significativas além daquela situação geográfica particular (...) (há) a questão significativa dos princípios da reestruturação de dívidas e qual seria o resultado das decisões legais que estão sendo tomadas em NY no momento, que têm significado mais amplo. Os princípios da reestruturação de dívidas e a eficiência da ação coletiva precisarão ser reavaliadas, junto com escolhas de leis e outros critérios legais tipicamente encontrados nesses casos. É neste ponto em que estamos trabalhando e continuaremos nos próximos meses”.

REFORMA DE GOVERNANÇA E CREDIBILIDADE O FMI

“Sobre (a redistribuição das) cotas, não acho que afete a eficiência do Fundo, a efetividade da diretoria. Quando olho para os nossos programas, linhas de crédito em vigor, a estabilidade que tentamos entregar por intermédio da nossa assistência técnica, da supervisão bilateral que oferecemos baseada em 70 anos de expertise em campo, não acho que a falha de alguns membros em aprovar a reforma de governança é um impedimento às nossas operações. Isso está corroendo a credibilidade da instituição. Alimenta algumas pesquisas acadêmicas e alguns editoriais de observadores, mas na minha vida cotidiana, nas nossas operações com o staff e os membros da diretoria, e, mais importante, nas minhas tratativas com as autoridades dos países, incluindo com as dos países do Brics, isso não afeta o Fundo e não corrói nossas ações”.

INICIATIVAS FINANCEIRAS DO BRICS

“O Arranjo de Contingência de Reservas (ACR) criado pelo Brics vem sendo construído nos últimos três ou quatro anos. Então, acho que é bastante independente da falha dos EUA em ratificarem a reforma (de governança). É atribuída uma ligação pelos observadores, mas o Brics já vinha falando disso há algum tempo, eles decidiram em um encontro deles, há alguns anos, os princípios (do ACR). Há uma cooperação intrínseca entre o ACR e o FMI. Dos US$ 100 bilhões que o Brics reservaram, cada membro pode sacar do que aportou até 30%. Para mais, tem que ter um programa em curso com o FMI. Quando se olha para a relação do FMI com essas novas agências, os acordos, é muito similiar ao Chiang Mai (mecanismo de contingência e reserva) criado pelos países asiáticos, que tem o FMI do outro lado. Não digo que foi um ‘corte e cola’. O Brics não é uma região, Brics é um agrupamento com interesses comuns. Embora, por interesses comuns, eu digo a mim mesma ‘eles não são a mesma coisa de forma alguma’...”.

PAPEL DO FMI

“Estamos celebrando os 70 anos das instituições de Bretton Woods e há muita nostalgia expressa sobre os objetivos dos ‘fundadores’. O mundo mudou ao redor do FMI e o próprio Fundo mudou imensamente. E continuará a mudar. Esta é uma das belezas desta instituição, ela se ajusta, é flexível, mudamos os instrumentos e os programas ao longo do tempo, mudamos a supervisão, ampliamos massivamente a assistência técnica. E continuaremos a fazê-lo. Todo o mundo está mudando continuamente. O equilíbrio de poder está mudando, há confrontos e há poderes econômicos emergindo, se consolidando e cooperando, há efeitos sobre os vizinhos, que valerá a pena continuar explorando. O fato é que a rede de proteção que os coreanos particularmente demandaram no encontro do G-20 vem sendo construída, em torno do arranjo do Chiang Mai, do mecanismo europeu de estabilidade, do ACR, dos instrumentos de swap entre vários bancos centrais. Isso reflete o fato de que o mundo é vastamente global e interdependente e precisa, provavelmente, de diferentes camadas nesta rede de proteção. Mas não vejo nada que seja inconsistente com a missão do FMI, que acho que é coordenação, cooperação entre os pilares das redes de proteção internacionais – das quais o FMI é a peça central”.



 

Brasil é um dos cinco emergentes mais vulneráveis

 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera o Brasil uma das cinco economias emergentes mais vulneráveis do mundo atualmente, em situação frágil para enfrentar uma possível deterioração das condições globais. O país seria afetado de forma dura se o processo de normalização das políticas monetárias das nações ricas — retirada de estímulos e aumento dos juros — for acidentado e se os próprios emergentes continuarem crescendo abaixo do esperado, como ocorre há três anos. Combinados, esses fatores podem gerar turbulências, limitar e encarecer o acesso a recursos, derrubar as commodities que alimentam as exportações, aumentar dívidas e travar investimentos, reduzindo ainda mais a projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, de apenas 2% em 2015.

Fazem companhia ao Brasil no grupo preocupante, listado no relatório anual de avaliação de efeitos colaterais (spillover) do FMI, divulgado nesta terça-feira, Índia, Turquia, Indonésia e África do Sul. No caso de novo furacão financeiro, essas nações arcariam com a maior elevação dos juros dos títulos soberanos e privados, a queda mais acentuada dos preços de ativos em seus mercados (como ações na Bolsa) e a desvalorização cambial mais robusta.

O grupo dos “Cinco Frágeis” foi citado pela primeira vez em agosto do ano passado, em relatório do banco americano Morgan Stanley, que teve grande repercussão. O texto afirmava que esses países seriam os mais vulneráveis à instabilidade da economia global, sobretudo à retirada dos estímulos à economia dos EUA.

Os cinco países já tiveram um ensaio do tipo de agruras por que podem passar, após os EUA indicarem que começariam a retirar os estímulos à economia americana, em maio do ano passado. Nos sete meses seguintes, os cinco emergentes sofreram reversão de expectativas, fuga de capitais e perda de valor da moeda frente ao dólar, acentuando problemas domésticos.

A ação do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) começou efetivamente em novembro. Até outubro deste ano, o Fed vai acabar com o programa de compra de títulos. Os mercados, então, começarão a antecipar quando ocorrerá a primeira alta de juros, próximos a zero desde 2008, atraindo de volta os capitais que inundaram os emergentes entre 2009 e 2012.

O FMI, no trabalho coordenado pelo economista Hamid Faruqee, acredita que as maiores chances são que a mudança monetária dos ricos ocorra de forma ordenada. Mas reconhece que os BCs de EUA, Inglaterra, Europa e Japão enfrentam situação inédita e desafiadora e que não é possível descartar dificuldades, como turbulências nos mercados a partir de sinais trocados de comunicação, subidas dos juros antes do previsto e em maior intensidade do que a esperada.

Ao mesmo tempo, o Fundo avalia que os países emergentes — Brasil incluído — passam por desaceleração do crescimento consistente, gradual e prolongada, que sugere deficiências estruturais arraigadas. Até 2018, estas nações terão expansão abaixo do potencial, como resultado de ganhos residuais ou mesmo perdas, como na América Latina, de produtividade nos anos recentes.

Hamid Faruqee explica que este cenário pode alimentar ainda mais o mau humor dos investidores, tornando as turbulências mais graves e reduzindo ainda mais o crescimento. Ou seja, arrisca-se um círculo vicioso. Os emergentes, como o Brasil, teriam muito a perder. Mas também os países ricos, por intermédio de comércio global mais fraco, menos receitas de multinacionais e bancos, que têm no mundo em desenvolvimento um de seus principais filões, e possíveis esqueletos da crise financeira hoje mascarados.

— É difícil atribuir probabilidade, mas o fato é que existe o risco de o pior cenário se materializar. No cenário mais adverso, os emergentes desapontariam, nos próximos três anos, crescendo 0,5 ponto percentual menos anualmente. Nos últimos três anos, as projeções foram cortadas sistematicamente. Além disso, tivemos os problemas de maio do ano passado, que foram amostra do desafio de os ricos saírem da atual política monetária — advertiu Faruqee.

No caso do Brasil, o ritmo anêmico da economia, diz o FMI, está relacionado a baixas taxas de investimento e poupança doméstica. O país, segundo a equipe econômica, está atualmente em recessão. E não crescerá mais do que 1,3% em 2014, pelos números do Fundo. A saída é resolver gargalos de infraestrutura, especialmente nos setores elétrico e de transporte, aumentar a eficiência do investimento público, adotar medidas que elevem competitividade,reanimar a confiança dos investidores e desestimular o consumo como âncora da expansão.

Isso passa por um dever de casa mais amplo. Começa com a redução do rombo nas contas públicas, com um ajuste fiscal, e passa pela reconstrução dos amortecedores regulatórios. E se estende a dois outros pontos-chave: derrubar a inflação alta e diminuir a necessidade de financiamento externo (expressa pelo déficit em conta corrente). Sem melhorar essas condições, afirma o FMI, o espaço de manobra para reação em caso de nova crise estará muito limitado.

Em outro relatório, de avaliação do setor externo, o FMI considera que o déficit em conta corrente do Brasil, em 3,6% do PIB (ou 2,9%, com dados ajustados), está “moderadamente” acima do que seria aconselhável. Para o Fundo, o ideal é um número entre 1% e 2,5% do PIB.

— Não há nenhum senso de alarme na avaliação do Brasil, de forma geral ela é a de que o número está moderadamente acima do que deveria. Não é que não haja questões a se observar, mas eu colocaria a ênfase no moderadamente — afirmou o economista Steven Phillips, que coordenou o estudo, que mostra que o real ainda está muito valorizado.

As escolhas do governo brasileiro terão impacto direto no Cone Sul. Ao lado de China, Rússia e Venezuela, o Brasil é a nação em desenvolvimento que mais pode contaminar negativamente os vizinhos em caso de desaceleração mais acentuada do crescimento, segundo o FMI. Estão no radar de influência brasileira os parceiros de Mercosul _ Argentina, Uruguai e Paraguai _ e a Bolívia. A economia paraguaia arcaria com o maior custo. Expansão 1 ponto percentual menor no Brasil em 2015 poderia diminuir o PIB do Paraguai em 0,9 ponto.

“Os acordos regionais de comércio têm contribuído para o fortalecimento dos laços comerciais entre o Brasil e os países do Cone Sul. Considerando seu tamanho, o Brasil tornou-se um grande consumidor de bens produzidos pelos seus vizinhos. Esses países, portanto, estão vulneráveis a uma desaceleração no Brasil”, diz o relatório de efeitos colaterais do FMI.




 

 Analistas continuam a reduzir previsão do PIB brasileiro

 

A série de medidas anunciadas na semana passada pelo Banco Central para estimular o crédito e aquecer a economia ainda não surtiu efeito no humor dos analistas do mercado. Pela nona vez consecutiva, os economistas ouvidos pela pesquisa Focus, realizada pelo BC, reduziram a projeção do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país), desta vez para apenas 0,9%, segundo dados divulgados nesta segunda-feira. Na edição anterior do relatório, a expectativa era de 0,97%.

Apesar do pessimismo com a atividade econômica, a previsão para a produção industrial, que vinha sendo cortada nas últimas quatro semanas, parou de cair. Os economistas continuam esperando que o setor feche o ano em contração de 1,15%, mesma projeção da semana passada.

A previsão de alta do PIB em 2014 continuou em 1,5%, mesmo número indicado nas últimas quatro semanas. Para o ano que vem, a expectativa do mercado é que a indústria cresça 1,7%, mesma taxa indicada na semana passada.

Os dados foram apurados no mesmo dia em que o BC anunciou uma série de ações para estimular o crédito, inclusive a liberação de parte dos depósitos compulsórios, permitindo que o dinheiro, normalmente destinado a uma conta do BC, possa ser movimentado pelas instituições financeiras, o que deve injetar até R$ 45 bilhões no sistema financeiro.

Apesar da divulgação semanal, os dados para o boletim Focus são coletados diariamente. Pelo sistema do BC, os cerca de 100 analistas que participam da pesquisa podem alterar diariamente suas projeções, de acordo com os sinais do mercado. Na quinta-feira passada, véspera do anúncio, a mediana das projeções para o PIB estava em 0,93%. Na sexta, após o anúncio no início da manhã, os economistas tinham até as 17h para revisar suas projeções para cima. No entanto, foram na direção oposta, levando a mediana aos 0,9% divulgados.

Em relação à inflação, que tem demonstrado tendência de queda, puxada pelo alívio no preço dos alimentos, a mediana das projeções recuou pela segunda vez consecutiva. Agora, a expectativa é de que o IPCA, índice que mede a inflação oficial no país, feche o ano em 6,41%, contra previsão anterior de 6,44%. O número, no entanto, ainda é próximo do teto da meta do governo, de 6,5%.

PIB fraco 28-07PREOCUPAÇÃO COM CRESCIMENTO

Neste mês, o Banco Central divulgou que a atividade econômica encolheu 0,18% em maio. Foi o pior resultado do IBC-Br, conhecido informalmente como o “PIB do BC”, desde dezembro do ano passado. O resultado fortaleceu as expectativas de que o PIB do segundo trimestre venha fraco.

A estimativa é apenas um dos dados que indicam que o Brasil pode crescer menos neste ano, o que tem preocupado o mercado e o governo. Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI), cortou a previsão de crescimento do Brasil (assim como fez em relação à atividade econômica mundial) para apenas 1,3%. Antes,o próprio governo havia admitido que o PIB deve crescer 1,8%, contra projeção anterior de 2,5% para este ano.

Para analistas,o Banco Central emitiu sinais contraditórios ao mercado na semana passada. Primeiramente, na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), descartou um novo corte na taxa básica de juros, a Selic. No dia seguinte, no entanto, anunciou uma série de medidas, inclusive a liberação de parte dos depósitos compulsórios, que normalmente “congelam” o dinheiro dos bancos, em uma manobra para estimular o crédito.

 

Turistas estrangeiros gastaram US$ 797 milhões no Brasil

Com a Copa do Mundo, o Brasil registrou um recorde histórico de ingressos de recursos de turistas estrangeiros que vieram ao país. Dados divulgados pelo Banco mostram que os viajantes estrangeiros deixaram US$ 797 milhões no país no mês de junho, uma alta de 75,9% na comparação com os US$ 453 milhões registrados em junho do ano passado. Essa foi a maior receita na análise mensal desde o início da série histórica do Banco Central, em 1947.

No acumulado de janeiro a junho, o total gasto pelos estrangeiros no Brasil chega a US$ 3,64 bilhões – uma alta de 4,8% ante os US$ 3,48 bilhões registrados no primeiro semestre de 2013.

As despesas de brasileiros no exterior também bateram recorde e chegaram a US$ 2,0 bilhões em junho, uma alta de 4,9% na comparação com o valor de US$ 1,90 bilhão gasto pelos brasileiros em viagens fora do país no mesmo mês de 2013. No primeiro semestre, o montante deixado lá fora também foi recorde e chegou a US$ 12,48 bilhões – 2,3% a mais que os US$ 12,20 bilhões registrados nos seis primeiros meses do ano passado.

O chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Fernando Rocha, destacou que a entrada de mais receitas com viagens contribuiu para uma redução de 17,3% nas despesas líquidas com viagens internacionais – com gasto líquido de US$ 1,2 bilhão em junho.

- Esse aumento de receitas ocorreu por causa do afluxo de turistas estrangeiros ao Brasil, por ocasião da Copa do Mundo - disse o chefe-adjunto.

Ele destacou que o resultado parcial para julho também aponta para um crescimento significativo na entrada de recursos. Até 23 de julho, a entrada de receitas com viagens cresceu cerca de 50% na comparação com o mesmo período do ano passado.

- As receitas de viagens internacionais no semestre, de US$ 3,64 bilhões, também representam o maior valor da série histórica para o período. Essa influência da Copa nas viagens internacionais, embora concentrada no fim do semestre, foi de uma magnitude que permite que o resultado (do semestre) seja o maior para toda a série - afirmou.

Em junho, o Brasil registrou déficit de US$ 3,4 bilhões na conta de serviços, 4,5% acima do valor registrado no mesmo mês de 2013.

TRANSAÇÕES CORRENTES

As transações do Brasil com o exterior registraram déficit de US$ 3,34 bilhões em junho – contra um déficit de US$ 3,88 bilhões apurado no mesmo mês do ano passado. O resultado contribuiu para um déficit de US$ 43,31 bilhões no acumulado dos seis primeiros meses, ante US$ 43,18 bilhões no mesmo período do ano passado. Esses números, que formam a conta de transações correntes, consideram balança comercial, balança de serviços e transferências unilaterais, como doações e remessas de lucro.

- Houve uma menor despesa líquida de viagens em junho, o que ajuda a explicar o resultado das transações correntes. Outro ponto que ajuda a explicar o resultado é uma redução nas despesas com juros e uma redução na conta de lucros e dividendos - afirmou o chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central.

- Essa redução de lucros e dividendos está ligada a uma atividade econômica em moderação e a uma taxa de câmbio mais depreciada - acrescentou.

O Banco Central projeta um déficit em transações correntes para julho de US$ 6,7 bilhões de dólares. Em julho do ano passado, o saldo negativo ficou perto de US$ 9 bilhões. Se a projeção se confirmar, o resultado de julho permitirá, segundo o chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, que haja uma redução, pelo seguindo mês seguido, no déficit em transações correntes acumulado em 12 meses.

- Caso a projeção do Banco Central esteja certa, teremos uma nova redução do déficit em transações correntes em 12 meses, para algo perto de US$ 78,9 bilhões - disse Rocha, que observou que o déficit em 12 meses está em US$ 81,1 bilhões.

Os números do Banco Central mostram ainda que o ingresso líquido de Investimento Estrangeiro Direto (IED) atingiu US$ 3,9 bilhões no mês passado. Nos 12 meses encerrados em junho, os ingressos líquidos de IED somaram US$ 63,3 bilhões, o que equivale a 2,79% do PIB.



 

 

 

BC prevê 14% de alta nos preços da energia elétrica

O Banco Central subiu de 11,5% para 14% sua estimativa de reajuste dos preços da energia elétrica neste ano. A informação está na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) – que manteve os juros estáveis em 11% ao ano na semana passada –, divulgada .

O reajuste da energia previsto pelo BC já é quase o dobro do estimado pela própria instituição no início deste ano. Em janeiro de 2014, o Banco Central previa que o aumento da eletricidade seria de 7,5%, valor que foi mantido em fevereiro. Em abril, já estimava uma alta de 9,5% e, em maio, passou para 11,5%.

Falta de chuvas
O setor energético passa por uma situação mais complicada neste ano por conta da falta de chuvas. Em situações normais, quase toda a energia consumida no Brasil vem de hidrelétricas. No início desde ano, porém, os reservatórios das principais usinas do país baixaram muito devido à falta de chuvas e, para poupar água, todas as termelétricas disponíveis estão sendo usadas.

Porém, como as térmicas funcionam por meio da queima de combustíveis (óleo, gás, biomassa), a energia gerada por elas costuma ser mais cara e isso impacta a conta de luz. A queda no nível dos reservatórios também levou a patamar recorde o preço da energia no mercado à vista, para onde recorrem as distribuidoras que não têm sob contrato, a preços fixos, toda a energia que precisam para atender aos seus consumidores.

Pela regra, tanto o custo extra com as térmicas quanto com a compra de energia no mercado à vista deveriam ser pagos pelas distribuidoras nesse primeiro momento. Depois, elas seriam compensadas por meio de reajustes que acontecem todos os anos. Mas alegaram não ter recursos suficientes, e o governo lançou um plano de socorro.

Ele se comprometeu a colocar R$ 13 bilhões no setor elétrico neste ano com recursos orçamentários, e já admite que o total de empréstimos bancários às empresas pode chegar a R$ 17,7 bilhões. Este valor para socorrer as distribuidoras será repassado às contas de luz de todos os brasileiros a partir de 2015.

Preços administrados
Na ata do Copom divulgada nesta quinta-feira, o Banco Central também subiu de 5% para 6% sua previsão para os chamados "preços administrados" em 2015 e também passou a projetar uma variação de 4,8% para 2016.

Os preços administrados, que geralmente sobem todos os anos, são: ônibus interestaduais, energia elétrica residencial, água, planos de saúde, serviços farmacêuticos, telefone fixo, telefone celular, telefone público e pedágio. Aqueles que não têm reajuste pré-determinado anualmente, mas que sobem de vez em quando, são: gasolina, álcool combustível, gás de bujão, óleo diesel, ônibus urbano, metrô, trem e correios.

Telefonia
O Banco Central também informou na ata do Copom que suas estimativas contemplam redução de 3,8% nas tarifas de telefonia neste ano. Em maio, a instituição previa que a telefonia teria uma queda maior em 2014: 4,2%.

 

Avanço de 13% no fluxo de passageiros nos aeroportos do país


 

Os aeroportos brasileiros tiveram grande movimentação durante a Copa do Mundo, com 17,8 milhões de passageiros circulando pelos principais terminais, mais que os 15,8 milhões observados na mesma época no ano passado. Mas, ao contrário do divulgado antes pela Secretaria de Aviação Civil (SAC), não foi superado o recorde para um único dia.

O pico da Copa ocorreu em 14 de julho, dia seguinte à final entre Alemanha e Argentina, quando 560 mil passageiros estiveram nos 21 principais aeroportos usados no torneio. O número é alto, mas está atrás dos 567 mil passageiros de 28 de fevereiro de 2014, sexta-feira de Carnaval, e dos 561 mil de 20 de dezembro de 2013. A correção veio depois que o GLOBO alertou a SAC sobre inconsistências nos números divulgados na semana passada.

Em 14 de julho, o governo organizou um evento para divulgar os números da Copa do Mundo, com a presença da presidente Dilma Rousseff e de 16 ministros, entre eles Moreira Franco, da SAC. Na ocasião, o governo exaltou os recordes de movimento nos aeroportos, que não foram acompanhados de caos aéreo, mas deu informações desencontradas sobre o volume real de passageiros que circularam pelos terminais do ano passado para cá.

Na época, foi divulgado que os 548 mil passageiros de 3 de julho (ainda não havia dados dos dias 14 e 15 de julho) tinham sido o pico histórico, à frente dos recordes anteriores: 467 mil passageiros em 28 de fevereiro de 2014, e 420 mil em 20 de dezembro de 2013. Esses números, porém, estavam errados, abaixo inclusive da média observada no meio do ano passado. Na terça-feira, a SAC explicou que havia feito um recorte diferente dos dados, o que acabou por subestimar o movimento de passageiros no Carnaval e no fim do ano passado.

Ao todo, segundo a SAC informou, 17,8 milhões de passageiros circularam pelos aeroportos brasileiros entre 10 de junho e 15 de julho de 2014. O novo balanço inclui os dias 14 e 15 de julho, dias subsequentes ao término da Copa, quando muitas pessoas ainda voltavam para casa. O número é 13% superior aos 15,8 milhões de passageiros verificado no mesmo período do ano passado.

Na terça, a SAC explicou que vários aeroportos, quando considerados isoladamente, superaram o movimento observado em 20 de dezembro de 2013 e 28 de fevereiro de 2014. No Galeão, por exemplo, passaram 68,9 mil passageiros em 14 de julho, 23% a mais que os 56,2 mil de 20 de dezembro do ano passado. A maior variação ocorreu em Fortaleza. Em 5 de julho, dia seguinte ao jogo entre Brasil e Colômbia na cidade, 30,4 milhões de passageiros circularam pelo aeroporto, 54% a mais que os 19,7 milhões de 20 de dezembro. Em Curitiba e Porto Alegre, aconteceu o inverso: o pico durante a Copa foi menor que o movimento em 20 de dezembro e 28 de fevereiro.

A SAC também comparou a movimentação dos aeroportos brasileiros durante a Copa com os terminais da África do Sul, sede do Mundial de 2010. Segundo a SAC, os aeroportos sul-africanos movimentaram 4,5 milhões de passageiros entre 1º de junho e 17 de julho de 2010. Só Guarulhos, o aeroporto com maior movimento no Brasil, recebeu 4,1 milhões de passageiros entre 10 de junho e 15 de julho deste ano.

O Galeão recebeu 1,92 milhão de passageiros durante a Copa. Quando considerado apenas o dia 14 de julho, os aeroportos do Galeão, Santos Dumont e Jacarepaguá tiveram uma movimentação de 1.703 aeronaves (769 voos regulares, 96 voos charter, 838 aviação geral) e transportaram 101 mil passageiros. Segundo a SAC, isso é 6% maior que o movimento de 29 de julho de 2013, dia seguinte ao encerramento da Jornada Mundial da Juventude, realizada no Rio.

Na terça, a SAC também passou números atualizados sobre voos atrasados e o tempo para atendimento em diversos serviços nos aeroportos. O índice médio de atrasos (voos que partem mais de 30 minutos depois do previsto) durante a Copa foi de 6,94%. São considerados satisfatórios índices de até 15%.

O tempo médio para inspeção dos passageiros no raio-x foi de dois minutos e 13 segundos. O tempo de restituição de bagagem em voos internos durou, em média, oito minutos e 36 segundos. Já nos voos internacionais, foram 28 minutos e 18 segundos. O check-in doméstico levou, em média, dez minutos e 40 segundos. Na imigração, o tempo gasto foi de 5 minutos e 7 segundos por passageiro.

Embora os índices de atrasos tenham ficado dentro do satisfatório, houve aeroportos mais problemáticos, como os de Cuiabá e Porto Alegre. Boletins divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) ao longo da Copa mostram que, em Cuiabá, os atrasos foram superiores a 15% em oito dias (quatro deles depois que cidade deixou de receber jogos). No caso de Porto Alegre, foram sete dias, mas apenas um depois do fim da Copa na cidade.

Média de atrasos ficou abaixo de 15%

Os atrasos acima do normal em geral foram pontuais, atingindo um ou outro aeroporto. Em três dias, porém, os atrasos foram generalizados, alcançando 20% em todo país e afetando vários terminais. Um desses dias foi 17 de junho, dia do jogo entre Brasil e México, atingindo Curitiba, Santos Dumont, Galeão, Porto Alegre, Congonhas, Recife e Salvador. Em todo o país, o índice ficou em 20%.

Em 28 de junho, dia de Brasil e Chile pelas oitavas de final da Copa no Mineirão, o índice de atrasos ficou em 18,3% no país. Os aeroportos com atrasos acima do satisfatório foram Santos Dumont, Curitiba, Cuiabá, Congonhas, Confins, Brasília e Salvador. Em 4 de julho, quando o Brasil derrotou a Colômbia em Fortaleza e se classificou para as semifinais, também houve muitos atrasos, mas a média nacional ficou abaixo dos 15%.

Os boletins diários que a SAC começou a divulgar em 12 de junho, dia da abertura da Copa, registram alguns fatos curiosos. Um deles envolveu a seleção da Rússia. “Uma carga de embutidos e laticínios da delegação russa foi retida em Guarulhos – já que se trata de produtos com entrada proibida no país”, informou boletim divulgado em 15 de junho.



 

Governo reduz para US$ 150 cota de importação

A cota de isenção para importação de produtos por via terrestre foi reduzida de US$ 300 para US$ 150, segundo portaria do ministro da Fazenda, Guido Mantega, publicada no Diário Oficial da União. Quem exceder o valor terá de pagar Imposto de Importação de 50% do valor dos produtos transportados.

A redução da cota foi incluída na portaria que regulamenta o funcionamento de free shop em cidades brasileiras que tenham fronteira direta com municípios de países vizinhos.

A nova cota entra em vigor imediatamente e vale também para quem chega ao Brasil de navio ou outro transporte fluvial. Não houve alteração para quem vem ao Brasil de avião, que continua tendo isenção até US$ 500.

A autorização para o funcionamento de free shop em fronteira terrestre tem como base uma lei aprovada pelo Congresso e sancionada pela presidente Dilma Rousseff em dezembro de 2012. A regulamentação editada pelo Ministério da Fazenda permite a quem cruzar a fronteira realizar compras de até US$ 300 nessas lojas.

Para que as lojas passem a funcionar, porém, será necessário a adequação de leis municipais. Somente poderão ter free shops municípios que tenham as “cidades gêmeas” do outro lado da fronteira.

Poderão abrigar as lojas as seguintes cidades: Assis Brasil (AC), Brasiléia (AC), Epitaciolândia (AC), Santa Rosa do Purus (AC), Tabatinga (AM), Oiapoque (AP), Bela Vista (MS), Corumbá (MS), Mundo Novo (MS), Paranhos (MS), Ponta Porã (MS), Porto Murtinho (MS), Barracão (PR), Foz do Iguaçu (PR), Guaíra (PR), Guajará-Mirim (RO), Bomfim (RR), Pacaraíma (RR), Aceguá (RS), Barra do Quaraí (RS), Chuí (RS), Itaqui (RS), Jaguarão (RS), Porto Xavier (RS), Quaraí (RS), Santana do Livramento (RS), São Borja (RS), Uruguaiana (RS) e Dionísio Cerqueira (SC).



 

Mercado reduz previsão  de  alta do PIB de 2014

 

A economia brasileira deve crescer menos de 1% este ano, segundo os economistas do mercado financeiro. É a primeira vez que a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano fica abaixo dessa marca. De acordo com o relatório de mercado (Focus), divulgado pelo Banco Central, a previsão para o PIB caiu de 1,05% para 0,97%. Foi a oitava queda seguida.

As previsões do mercado financeiro, coletadas pelo BC por meio de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras na semana passada, confirmam o cenário de desaceleração da economia brasileira. Em 2013, o PIB registrou crescimento de 2,5%. Para 2015, a previsão do mercado de alta do PIB ficou estável em 1,5%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o crescimento da economia.

Para conter a inflação, o BC subiu os juros entre abril do ano passado e maio deste ano, influenciando também o ritmo de atividade. Com taxas maiores, há redução do crédito e do dinheiro em circulação, assim como do número de pessoas e empresas dispostas a consumir, o que tende a fazer com que os preços caiam ou parem de subir.

No fim de maio, o IBGE informou que a economia do país registrouexpansão de 0,2% nos três primeiros meses de 2014, em relação ao quarto trimestre de 2013, com destaque para o bom desempenho da agropecuária.

A expansão do PIB do país previsto para 2014 pelo mercado financeiro, de 0,97%, continua abaixo do estimado no orçamento federal, de 2,5%, e também menor que a previsão divulgada pelo Banco Central na semana passada, de alta de 1,6%.

Menos inflação
O mercado financeiro também previu menos inflação para este ano. Os economistas dos bancos reduziram de 6,48% para 6,44% sua previsão de 2014 para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país e calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com isso, o valor se distanciou um pouco do teto de 6,5% do sistema de metas de inflação para o ano. A previsão chegou a ultrapassar o teto em abril, mas depois recuou. Para 2015, a expectativa dos economistas dos bancos para o IPCA, porém, subiu de 6,10% para 6,12%.

Pelo sistema que vigora atualmente no Brasil, a meta central tanto para 2014 quanto para 2015 é de 4,5%. Entretanto, há um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Desse modo, o IPCA pode oscilar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

Taxa de juros
A previsão do mercado financeiro para a taxa básica de juros (Selic) da economia brasileira, por sua vez, foi mantida em 11% ao ano até o fechamento de 2014. Na semana passada, o BC manteve a taxa estável neste patamar pelo segundo encontro seguido do Comitê de Política Monetária (Copom).

Para o fim de 2015, a previsão dos analistas para o juro básico da economia permaneceu em 12% ao ano.

Câmbio, balança comercial e investimentos estrangeiros
Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2014 recuou de R$ 2,39 para R$ 2,35 por dólar. Para o término de 2015, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio ficou estável em R$ 2,50 por dólar.

A projeção para o superávit da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2014 permaneceu em US$ 2 bilhões na semana passada. Para 2015, a previsão de superávit comercial subiu de US$ 9,4 bilhões para US$ 9,8 bilhões.

Para este ano, a projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil permaneceu em US$ 60 bilhões. Para 2015, a estimativa dos analistas para o aporte de investimentos estrangeiros ficou estável em US$ 55 bilhões.

 

 

Mesmo com queda nas vendas, preços de carros sobem

 
Mesmo com as vendas de veículos tendo caído 7,3% entre janeiro e junho, o preço dos zero quilômetros subiu no mesmo período, apesar da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). De acordo com um levantamento feito pela consultoria Oikonomia, o preço médio dos automóveis aumentou 6% no primeiro semestre deste ano, ou R$ 2,7 mil, para R$ 47,8 mil. Um ano antes, o valor médio estava em R$ 45,1 mil. O movimento de alta tem ajudado as montadoras a compensar parte da forte retração da demanda.

De acordo com o estudo, o faturamento das montadoras caiu, mas não na mesma proporção que as vendas. O recuo foi de 3%, no mesmo período, segundo a Oikonomia.

— Quando as vendas estão em queda, a montadora aumenta o preço. Isso ocorre para que ela cumpra o seu plano de negócios (business plan) financeiro apresentado à matriz — explicou Raphael Galante, consultor da Oikonomia.

O maior descasamento entre as curvas de vendas e faturamento, de acordo com a consultoria, é da Ford. A receita foi de R$ 7 bilhões em seis meses, uma elevação de 5,4%, sentido oposto à redução de 7,5% nas vendas da montadora. Procurada, a Ford disse não reconhecer os números usados na pesquisa e, por isso, não quis comentar. A Oikonomia esclareceu, por sua vez, que os números estão nos balanços divulgados pela Fenabrave.

A Anfavea, associação que representa as montadoras instaladas no Brasil, reconhece que houve aumento de preços no primeiro semestre, mas atribui esse reajuste à volta de parte do IPI, em dezembro (de zero para 3% nos carros de até 1000 cilindradas); à obrigatoriedade, desde janeiro, do airbag e freio ABS nos veículos que saem da fábrica e, ainda, à maior venda de carros acima de 1000 cilindradas, cujos valores são mais altos, elevando a média de preços. Sobre o aumento do faturamento, no entanto, a Anfavea não comentou.

Para a agência Autoinforme, que acompanha a inflação nas concessionárias, o preço dos automóveis subiu 4% apenas no primeiro trimestre como resultado do aumento do IPI e pelo repasse dos custos dos equipamentos de segurança, como o airbag.

Galante, da Oikonomia, também aponta a recomposição de parte do IPI e a entrada do airbag como fatores de elevação de parte do preço ao consumidor. Mas frisa que há uma forte resistência das montadoras em reduzir suas margens de lucro.

— Ocorre que o mercado não está mais aceitando as elevações de preço e para de comprar. Prova disso é a grande quantidade de concessionárias fechando as portas — afirmou.

Em 2013, a Oikonomia já havia registrado o mesmo movimento de alta no faturamento mesmo com queda nos emplacamentos de novos veículos. Nas contas da consultoria, a receita das montadoras no Brasil cresceu R$ 3,3 bilhões em 2013, para R$ 161,3 bilhões, mesmo com o recuo de 1,6% nas vendas durante o ano.



 

Poupança fica menos atrativa em 2014

 

Com a trajetória de alta da taxa de juros da economia do país (a Selic), deixar o dinheiro rendendo na poupança torna-se menos atrativo em 2014 com relação a outros investimentos, apontam levantamentos de entidades.

A elevação da Selic começou em meados de 2013. Ela passou de 7,25% ao ano para 11% desde abril de 2014. Nesta quarta-feira, o Banco Central manteve a taxa em 11% ao ano– patamar mais alto desde 2011.

Cálculos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) apontam que a poupança variou 3,39% no acumulado do primeiro semestre do ano (como os juros estão superiores a 8,5% ao ano, as poupanças nova e antiga estão rendendo a mesma coisa).

No mesmo período, as variações do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e do CDB (Certificado de Depósito Bancário) foram de 4,93% e 4,84%, respectivamente. Os fundos de renda fixa, por exemplo, tiveram variação de 4,32% no mesmo período, e os Fundos DI (atrelados ao CDI), de 3,81%.

A Easynvest Título Corretora fez os cálculos em um período um pouco maior – de janeiro até o dia 11 de julho, e o cenário se mantém: a variação da poupança no acumulado do período, de 4,02%, perde para 8 de 9 outros tipos de investimento comparados na amostra. O único que rendeu menos foi o fundo de índice ETF DIVO11 (um fundo espelhado em índices com cotas negociadas em bolsa da mesma forma que as ações), que inclusive teve variação negativa (- 5,10%). Pelo levantamento da corretora, a maior variação no período foi a da NTN-B Principal (com vencimento em 15 de maio de 2035), um dos títulos do Tesouro Direto: a alta acumulada no ano é de 14,4%. O CDI, por exemplo, acumula alta de 5,36% no ano. O Ibovespa, por sua vez, acumula alta de 6,36% de janeiro a 11 de julho.

Rendimento da poupança
O rendimento da poupança é de 0,5% mais a variação da Taxa Referencial (TR) sempre que a Selic está acima de 8,5% ao ano, o que aconteceu durante os seis primeiros meses de 2014. Pelas novas regras, estabelecidas em 2012, a poupança passa a render 70% da taxa Selic mais a variação da TR quando os juros básicos recuarem para 8,5% ao ano, ou abaixo disso. As aplicações que já existiam antes da mudança, contudo, seguem com a variação antiga em qualquer cenário.

Imposto de Renda
“Com a Selic em alta, ela influencia todas as aplicações atreladas aos juros”, disse o diretor-executivo de estudos e pesquisas econômicas da Anefac, Miguel de Oliveira.

O especialista lembrou, contudo, que quem aplica dinheiro em fundos têm de pagar taxas de administração que variam de 0,5% a 3%. Há ainda a incidência do Imposto de Renda (IR) sobre o rendimento, que varia de 15% a 22,5% (alguns investimentos, no entanto, não têm a incidência do IR, como LCI e LCA).

Com a cobrança acima de 2,5% ao ano de taxa os fundos começam a perder para a poupança (que não tem nem taxa de administração nem a incidência do IR), diz Oliveira.

O rendimento da poupança no primeiro semestre, contudo, superou a variação do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&F Bovespa), que foi de 3,2% no período.

A variação do dólar no acumulado do ano, por sua vez, foi a única que registrou depreciação no primeiro semestre, com queda de 5,95%. O fundo cambial registrou recuo ainda maior, de 6,44%.

Oliveira estimou que o ciclo de alta de juros da economia deve ficar mantido no patamar atual até o final do ano, por conta do desaquecimento da economia – se o governo sobe muito os juros, prejudica o investimento. Dessa forma, a variação até o momento para a poupança e fundos pode ser tomada como uma base até o final do ano, estima.

 

Controle do banco do Brics será de fundadores



O controle do banco de investimentos do Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) será dos fundadores da instituição mesmo com entrada de novos sócios, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O capital inicial do banco é de US$ 50 bilhões, sendo US$ 10 bilhões de cada um dos países-membros, podendo chegar a US$ 100 bilhões.

Ao detalhar a estrutura da instituição, na VI Cúpula do Brics , Mantega apontou que já há interessados em participar do banco:

- Já há vários países que demonstraram interesse e poderão ingressar no banco. Porém, os cinco membros fundadores terão sempre, no mínimo, 55% do capital e manterão o controle do banco.

O interesse dos países em desenvolvimento, explicou Mantega, está ligado à necessidade de capital para financiar projetos de infraestrutura. Hoje, há uma carência de recursos para essas áreas. As linhas de financiamento de instituições como o Banco Mundial não são suficientes para atender aos projetos do mundo, considerando países desenvolvidos e emergentes.

Uma das diferenças do novo banco de investimento do Brics e instituições como Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional, apontou o ministro da Fazenda, é a divisão do poder. Enquanto nesses organismos o comando se divide entre americanos e europeus, no banco de fomento haverá divisão de poder igual entre os cinco países e um rodízio de quem vai comandar.

— Vocês estão olhando quem vai ser o primeiro presidente, o segundo presidente. Não tem a menor importância. A importância é a participação acionária. Nesse caso, o poder é dividido igual entre os cinco países. (...) A estrutura de poder é bastante democrática entre os cinco sócios — afirmou.

Mantega revelou a intenção do banco de ter uma boa classificação pelas agências de rating para auxiliar na captação de recursos e emissão de bônus. Além disso, destacou que a operação do banco e também o julgamento dos projetos a serem financiados será “totalmente profissional”. Para se credenciar a receber os financiamentos, disse Mantega, os países devem ter economia sólida e não serem inadimplentes.

Os países terão um prazo de sete anos a partir da criação do banco para aportar a contribuição inicial de US$ 10 bilhões cada. No Brasil, esses recursos terão como origem o Tesouro Nacional.

A Índia ocupará a primeira presidência do Novo Banco de Desenvolvimento, enquanto a sede ficará em Xangai. O Brasil terá a presidência do Conselho de Administração, responsável por decisões de novos membros e investimentos, enquanto a Rússia ficou com a presidência do Conselho de Ministros, que é a instância política da instituição e cuida de questões estratégicas. A África do Sul, por sua vez, terá a primeira sede regional, Joanesburgo.

Nos bastidores, a informação é que o governo brasileiro tentou até o último momento ficar com a primeira presidência do banco de fomento, com mandato de cinco anos, mas acabou cedendo para se chegar a um consenso e evitar o fracasso.


 

Embraer recebe novos pedidos da

A fabricante de aviões Embraer anunciou que recebeu novos pedidos por jatos de três empresas aéreas, com destaque para a brasileira Azul, que assinou uma carta de intenções para encomendas que podem totalizar US$ 3,1 bilhões.

A fabricante também anunciou contratos com a japonesa Fuji Dream Airlines (FDA) e com a Azerbaijan Airlines (Azal), do Azerbaijão. Enquanto o acordo com a FDA envolve o pedido firme de três jatos E175 com opções para outras três aeronaves do mesmo modelo, em encomenda que pode chegar a US$ 258,6 milhões a valor de lista, o contrato com a Azul conta com pedido firme por dois jatos E190, com valor estimado em US$ 95,4 milhões.

No caso da FDA e da Azerbaijan Airlines, os pedidos já estavam incluídos na carteira de pedidos do segundo trimestre, de US$ 18,1 bilhões, conforme divulgado na véspera. A encomenda da Azul, porém, deverá ser incluída na carteira de pedidos no quarto trimestre deste ano, segundo a Embraer, quando está prevista a conclusão do contrato.

A empresa aérea, que já tem aviões da Embraer na sua frota juntamente com turboélices ATRs e que recentemente anunciou a adição de jatos da Airbus para fazer voos internacionais, fez um pedido firme por 30 aviões do modelo 195 da segunda geração, que está sendo desenvolvida pela fabricante brasileira.

A carta de intenções também considera opções por outros 20 jatos do mesmo modelo, com um valor estimado de US$ 3,1 bilhões a preços de lista se todas as encomendas forem convertidas em pedidos firmes. Com essa encomenda, a Azul passa a ser o operador-lançador do jato, informou a Embraer, acrescentando que a primeira entrega de um avião da segunda geração está prevista para ocorrer no primeiro semestre de 2018.

A Embraer informou que a Royal Air Maroc, companhia aérea do Marrocos, decidiu introduzir o E190 como parte da estratégia de atualização de sua frota, assinando um contrato de arrendamento de quatro jatos com a Aldus Aviation, empresa irlandesa especializada na locação de aviões da fabricante.




 

Aos 60 anos, planos de saúde triplicam de preço



Um dos tipos de ação mais levados à Justiça, para redução do valor das mensalidades, é o de reajuste dos planos de saúde em idades próximas aos 60 anos, que chegam a mais que triplicar. O aumento, considerado elevado por muitos especialistas, está de acordo com a lei dos planos de saúde, mas é visto como abusivo pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC). Ele ocorre em um momento em que boa parte dos segurados já está aposentada ou em vias de se aposentar, com a consequente redução do salário e o natural crescimento das despesas com exames, consultas e remédios. Especialistas afirmam que ações na Justiça têm conseguido limitar os aumentos à faixa dos 30%. Mas a vitória não é sempre garantida.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determina que o valor para a última faixa etária (de 59 anos ou mais) não pode ser superior a seis vezes o da primeira (de zero a 18 anos), o que representa uma diferença de até 500%. As regras estabelecem, ainda, que a variação acumulada entre a sétima (44 anos a 48 anos) e a última faixa (acima dos 59 anos) não pode ser maior que a acumulada entre a primeira e a sétima. O fato é que os planos têm concentrado parte considerável dos reajustes nas duas últimas faixas.

A arquiteta Miriam Bersein Teperman sabe o quanto o aumento do plano pesa no orçamento. Cliente de um plano coletivo da SulAmérica desde 2004, aos 58 anos pagava R$ 467 por mês, valor que passou para R$ 1.515 aos 59 anos e agora, aos 65, já está um pouco acima de R$ 1.800.

— No último reajuste, recebi uma carta com o aviso de aumento de 18,9%. Inconformada, entrei na Justiça. Por força de liminar, estou pagando metade desse valor desde fevereiro. Estou preocupada, porque o juiz deu ganho de causa à empresa, e já me avisaram que, se perder a apelação, terei de pagar a diferença desses meses com juros e correção monetária. É um absurdo. Pagamos por um serviço pelo qual temos de esperar meses para uma simples marcação de consulta. Até solicitação para cirurgia de coluna já me negaram — queixa-se Miriam.

Procurada, a SulAmérica disse que os reajustes de planos coletivos (empresariais ou contratados por adesão de associações ou sindicatos) têm percentuais variáveis. Os contratos são reavaliados uma vez por ano, de acordo com o perfil de risco dos segurados, custos e frequência de utilização do plano (sinistralidade); além de fatores como a inflação médica, explica a operadora.

Em relação ao caso de Miriam, a companhia ressalta que o processo discute, quatro anos após a aplicação e pagamento regular dos prêmios, o reajuste por faixa etária previsto em contrato. A operadora lembra ainda que a decisão foi favorável à SulAmérica em primeira instância, reconhecendo que o reajuste está em conformidade com o contrato.

NEGOCIAÇÃO PODE DAR RESULTADO

Antes de recorrer à Justiça, tentar negociar com a operadora pode trazer bons resultados. Cliente de um plano individual da Unimed Leste Fluminense desde 2005, Edna Amorim Charret pagava, até fevereiro, R$ 417,35. Em março, no aniversário de 59 anos, foi notificada de que o plano teria reajuste de 107,85% em abril, passando a mais de R$ 850.

— Procurei logo a Unimed e mostrei que não conseguiria pagar o novo valor. Após uma rápida negociação, a mensalidade foi reduzida para R$ 586. Antes do último aumento, nunca me preocupei muito com os reajustes, mas teria que abandonar a cobertura se o valor não fosse revisto — conta.

A Unimed informou que a notificação expedida em março encontrava-se amparada por cláusula contratual. Visando, contudo, a uma solução satisfatória para ambas as partes, em caráter excepcional, a operadora explica que assinou um acordo para redução do reajuste para 40%.

A advogada Renata Vilhena, especializada em direito da saúde, diz que tem crescido o número de ações na Justiça que buscam redução dos reajustes aplicados pelas operadoras. Em boa parte das ações, afirma, os juízes têm limitado os aumentos a 30%.

— É importante lembrar que a maioria dos abusos nos reajustes acontece nos planos coletivos, que, assim como os individuais, são fiscalizados pela ANS, mas que têm percentual de reajuste livremente negociado entre a operadora e a instituição contratada — ressalta Renata.

A advogada do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) Joana Cruz destaca que os reajustes a nessa faixa etária frequentemente têm sido excessivos, na ótica do CDC.

— As empresas sempre alegam a necessidade de reajustes acima da inflação, devido ao ao fato de o aumento das despesas médico-hospitalares ser maior que o de outros setores da economia. O problema é a falta de transparência, pois elas nunca mostram as planilhas de custo — diz Joana.

O aumento de custo é justamente o que alega a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), entidade que reúne as maiores operadoras de planos no país, para os reajustes mais altos nessa faixa etária. Segundo a federação, os aumentos dependem do perfil de uso dos serviços de saúde e essencialmente da idade e, por isso, a lei permite que se cobrem mensalidades diferenciadas por faixa etária. Além disso, na passagem da penúltima para a última faixa etária, diz a FenaSaúde, o aumento do custo médio per capita, pela experiência estatística e atuarial, em muitos casos, pode dobrar.

Os reajustes elevados na mudança de faixa etária não são, contudo, a única preocupação dos consumidores que estão perto dos 60 anos, ressalta a advogada do Idec. Fazer um upgrade no plano de saúde nessa faixa etária é outra questão complicada Segundo Joana, é preciso que o consumidor observe se o contrato prevê essa possibilidade.

— Se não houver a cláusula, ao migrar para um plano superior o cliente pode ter que cumprir carências de até dois anos para marcação de cirurgia e procedimentos de alta complexidade, sem poder usar a rede credenciada que já tinha, nem a que vai ter com o novo plano — explica Joana.

POUCAS ALTERNATIVAS PARA IDOSOS

Outro aspecto levantado por Renata é a dificuldade do usuário que se aposenta ou sai do emprego nessa faixa etária, perdendo a cobertura do plano empresarial. Segundo ela, há dois tipos de situação: a de quem descontava coparticipação mensal para o plano e a de quem não tinha. No primeiro caso, se a pessoa ficou empregada por mais de dez anos, tem direito à manutenção vitalícia do plano, desde que pague a parte que antes era arcada pela empresa. Caso o prazo de contribuição tenha sido inferior a uma década, terá direito à permanência no plano por cada ano de coparticipação. Caso o plano não tenha coparticipação, o que é a situação mais comum atualmente, o consumidor poderá manter o plano, dependendo do contrato, pelo período de seis meses a dois anos, e aí terá a árdua tarefa de contratar um novo plano no mercado.

Joana ressalta que, na prática, restam apenas os coletivos por adesão, pois a oferta de individuais vem sendo reduzida, e as mensalidades são altas:

— Como as mensalidades de cobertura são bastante elevadas na faixa acima dos 60 anos, e o aposentado já tem uma perda natural da renda, a alternativa é entrar em um plano por acordo de adesão junto a uma instituição representativa. Seja como for, por lei, as operadoras não podem negar a oferta de cobertura para quem já passou dos 60 anos.

Embraer fecha parceria com Saab para produção de caça

Embraer assinou um memorando de entendimentos com a Saab para uma parceria na administração conjunta do Projeto F-X2 no Brasil, com a fabricante brasileira realizando grande parte do trabalho de produção e entrega das versões de um e dois assentos do caça de última geração Gripen NG para a Força Aérea Brasileira (FAB), segundo comunicado.

Em dezembro, o governo brasileiro anunciou a aquisição de 36 caças suecos, com investimento previsto de US$ 4,5 bilhões. O modelo disputava com o francês Rafale e o americano F-18 Super Hornet, da Boeing.

Pelo acordo, a Embraer coordenará todas as atividades de desenvolvimento e produção no Brasil em nome da Saab, e também participará do desenvolvimento de sistemas, da integração, testes em voo, montagem final e entregas.

“A Embraer e a Saab serão responsáveis pelo desenvolvimento completo da versão biposto do Gripen NG, ao mesmo tempo em que as duas empresas estudam a formação de uma parceria estratégica para promoção e vendas das duas versões, monoposto e biposto, no mercado global”, informou a fabricante brasileira.

O acordo será implementado após a conclusão das negociações entre a Saab e o Brasil sobre a finalização do contrato do Projeto F-X2, sendo que a expectativa é de que as conversas sejam concluídas até o fim deste ano.



 

Governo negocia novo empréstimo a distribuidoras de energia

 

O governo federal está negociando com bancos um aditivo ao empréstimo de R$ 11,2 bilhões para as distribuidoras de eletricidade que seja suficiente para, pelo menos, cobrir as liquidações do mercado de curto prazo de energia de julho e agosto, disse à Reuters uma fonte que acompanha as negociações. Segundo essa mesma fonte, o valor desse aditivo deve superar a casa dos R$ 2 bilhões.

Somente em julho, o montante que precisa ser liquidado pelas distribuidoras, e que não está coberto pelas tarifas de energia elétrica, é de R$ 1,3 bilhão, referentes às operações do mercado de curto prazo de maio. Na quarta-feira, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) adiou para 31 de julho o pagamento desse R$ 1,3 bilhão, que deveria inicialmente ocorrer até a sexta-feira desta semana. O adiamento teve como principal objetivo ganhar tempo para achar uma solução para ajudar as distribuidoras a fazer a liquidação sem comprometer suas finanças.

No fim de abril, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) assinou contrato de empréstimo dos R$ 11,2 bilhões com um sindicato formado por Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú Unibanco, Santander Brasil, Citibank, BTG Pactual, Bank of America Merrill Lynch, JPMorgan e Credit Suisse.

Os recursos contratados na ocasião serviriam para cobrir as necessidades das distribuidoras ao longo deste ano, mas terminaram em junho diante dos altos custos das empresas com a compra de energia mais cara das termelétricas.

 

 

Metade dos transatlânticos virão ao Brasil no próximo verão

A próxima temporada de cruzeiros marítimos no Brasil, que vai de novembro a abril de 2015, contará com dez navios no litoral do país. Isso equivale à metade do número de embarcações registradas no verão 2010/2011. Em passageiros, o movimento encolheu de um pico de 805.189, em 2011/2012, para 596.532, na temporada passada. Segundo a Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Abremar Brasil), isso se deve ao custo de operação no Brasil. Com menor margem de lucro, em comparação a outros importantes mercados de cruzeiros no mundo, as companhias estariam deslocando embarcações para navegar em águas de destinos que oferecem maior rentabilidade, sobretudo na Ásia e no Oriente Médio, explica Roberto Fusaro, presidente da Abremar.

— Operar cruzeiros turísticos no Brasil custa entre 50% e 100% mais que em destinos de Europa e EUA. Taxas portuárias, custo da praticagem, exigências trabalhistas e outros fatores tornam a operação menos rentável.

Procura pelos cruzeiros há, garante Fusaro. A estimativa para a temporada 2014/2015 é elevar o número de viajantes para 640 mil, apesar de contar com um navio a menos que no verão passado. A expansão virá da oferta de minicruzeiros, roteiros de menor duração e com preço mais acessível. Isso vai ampliar o número de vagas disponíveis.

O mercado confirma a demanda aquecida. Em maio, a operadora de turismo CVC teve aumento de 20% nas vendas de cruzeiros turísticos, ante igual mês de 2013. Além disso, segundo a Abremar, quatro companhias — Costa, MSC, Pullmantur e Royal Caribbean — vão oferecer 239 cruzeiros, em dez navios. Precisamente, a oferta vai subir para 640.564 vagas.

— A Copa atrapalhou o turismo brasileiro. O movimento caiu, as pessoas adiaram as férias. Agora, parecem estar comprando antecipadamente viagens para o verão. O dólar também está melhor — diz Valter Patriani, vice-presidente de Produtos, Vendas e Marketing da operadora.

Para ele, ao montar minicruzeiros, as companhias marítimas conseguem praticamente dobrar a oferta de saídas, embora reduzam o tíquete médio. Em dezembro, há saídas de sete dias a bordo do Sovereign por R$ 1.579 por pessoa. Um minicruzeiro de três dias, no Zenith, no mesmo mês, custa R$ 699.

INVASÃO MEXICANA NA COPA

Durante a Copa, dois navios fretados no México estão circulando pelo litoral do país.

— Num cruzeiro ficou muito mais fácil viajar para acompanhar a Copa. A viagem inclui tudo, hospedagem, alimentação, ingressos. E é uma ótima maneira de conhecer lugares — diz a engenheira mexicana Carla Olivares.


Já o empresário Paul Ginsburg lamentou o fato de o navio ter sido fretado exclusivamente para mexicanos. Ele pretende voltar ao Brasil:

— Uma das vantagens de um cruzeiro é conhecer pessoas de vários lugares.

O aumento de passageiros previsto para a próxima temporada vai garantir a manutenção da receita gerada pelos cruzeiros turísticos na temporada 2013/2014, que foi de R$ 1,15 bilhão. Este total representa queda de 18% ante o verão 2010/2011, de acordo com pesquisa de Clia Abremar Brasil e FGV.

— As empresas querem ampliar a atuação no país. Mas a melhoria em infraestrutura e custos prometida pelo governo é lenta. Com isso, o Brasil perde navios para destinos mais lucrativos — diz o presidente da Clia Abremar.

O Porto Veleiro, em Búzios, que é privado, aguarda há quatro anos autorização da Secretaria de Patrimônio da União para concluir a construção de cinco gates, que servem para a chegada de pequenos barcos que trazem passageiros de navios em escala no balneário fluminense.

— Temos todas as licenças. Mas o processo é lento demais. Teremos 97 das 122 escalas previstas para a cidade no próximo verão. As outras vão para o cais municipal — diz Carlos Eduardo Bueno, à frente do Porto Veleiro e da BrasilCruise, que reúne os terminais de cruzeiros marítimos do país.

PACOTE DE INCENTIVOS

A Secretaria de Portos reconhece a morosidade no avanço em estrutura portuária do país. Mas enumera esforços para mudar o quadro. Desde novembro de 2011 até o fim do ano que vem, perto de R$ 660 milhões estão sendo investidos em modernização e ampliação dos portos de Santos, Natal, Recife, Salvador e Fortaleza.

— Essas obras permitem receber navios maiores. Devem ajudar, sobretudo, a fortalecer o circuito de cruzeiros no Nordeste. Nossa meta é voltar ao patamar de 800 mil passageiros por temporada no verão 2015/2016 — diz Tiago Correia, secretário de Infraestrutura Portuária da Secretaria de Portos.

— É preciso lembrar da sazonalidade: temos receita por cinco meses, custo por 12 — diz, por sua vez, Américo da Rocha, diretor de Operações do Pier Mauá, no Rio.

Os portos cobram dos navios taxas como as de embarque, desembarque, trânsito e atracação. Rocha crê que, se a temporada crescer, esses custos podem cair. Ele diz, porém, que, a despeito da queda no movimento de passageiros e navios recentemente, essas taxas não tiveram reajuste.

A incidência de tributos como PIS e Cofins sobre o combustível, questões trabalhistas, como a exigência de contratação de 25% de mão de obra brasileira por navios estrangeiros, e a praticagem oneram a operação no país, diz Rodrigo Paiva, diretor da Mind Estudos e Projetos, consultoria do setor.

— A competitividade nessa área vai depender de uma política que ajude a estimular a operação, atacando os altos custos — opina Paiva.

Isso pode estar perto de acontecer. O Ministério do Turismo promete para este semestre um pacote de medidas para estimular atividades em diversos setores, como o de cruzeiros marítimos, afirma Vinicius Lummertz, secretário nacional de Políticas de Turismo.

— Vamos entrar num momento de grande ampliação de portos. O PAC prevê um total de R$ 7,5 bilhões para o setor, até 2015. Há outros R$ 6 bilhões para terminais portuários. No total, serão mais de 50 portos beneficiados. E vamos lançar um conjunto de medidas, que inclui novas legislações, para garantir eficiência ao setor.

 

Brasil captação da poupança recua 66%


Com o orçamento mais apertado por causa da inflação, o brasileiro economiza menos. A chamada captação líquida da poupança caiu mais da metade no primeiro semestre deste ano. De acordo com dados divulgados pelo Banco Central, os poupadores depositaram R$ 9,6 bilhões a mais do que sacaram da aplicação financeira mais popular do país: 66% a menos do registrado nos seis primeiros meses do ano passado.

Segundo o BC, foi o pior primeiro semestre desde 2011, quando o brasileiro precisou sacar mais recursos do que depositou. A captação ficou negativa em R$ 1,7 bilhão na época.

Os juros maiores também interferem no comportamento da caderneta de poupança; Como o Banco Central manteve a taxa básica (Selic) em 11% ao ano, os fundos de investimentos têm rentabilidade maior e começa a ser mais procurado pelos investidores que tentam ter ganhos reais. Afinal, a poupança tem perdido para a inflação. Enquanto o IPCA está em 6,37% nos últimos 12 meses, a aplicação rende apenas 6% ao ano, mais TR.

Hoje, o brasileiro guarda R$ 626,9 bilhões. Sobre esse valor, os bancos pagaram R$ 19,4 bilhões de rendimentos no primeiro semestre deste ano.



 

Paraná consegue liberação de empréstimo depois de pedir prisão de secretário

Dois dias depois de o governo do Paraná ter pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, o Banco do Brasil liberou um empréstimo de R$ 817 milhões que vinha sendo alvo de uma disputa entre o estado e a União. Na terça-feira, dia 1º de julho, o Procurador do Estado do Paraná, Sergio Botto de Lacerda, apresentou uma petição ao STF alegando que o Tesouro vinha descumprindo liminares do próprio Supremo que determinavam a liberação desse financiamento e, por isso, Augustin e o subsecretário de Relações Intergovernamentais, Eduardo Coutinho, incorriam no crime de desobediência de ordem judicial que prevê a prisão em flagrante.

A queda de braço entre o Paraná e o Tesouro envolve a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O estado quer que o Tesouro desconsidere seus percentuais de gastos com saúde, que estão abaixo do limite da LRF, e com pessoal (que estão acima do exigido pela Lei) na hora de avaliar os pedidos de empréstimo. A briga chegou ao STF e o ministro Marco Aurélio Mello apoiou a tese do governo estadual determinando que os limites deveriam ser desconsiderados. Ele chegou a estabelecer uma multa diária de R$ 100 mil pelo descumprimento da liminar e depois elevou o valor para R$ 500 mil.

Assim, o Paraná entendeu que a demora da liberação do empréstimo de R$ 817 milhões, feito no âmbito do Proinveste, programa voltada para investimentos em infraestrutura, foi um descumprimento da decisão do STF. O Tesouro, por sua vez, alegou que apenas seguiu com o trâmite normal do processo e que o contrato de garantia da operação foi assinado no dia 13 de maio. A secretaria também informou que não impôs restrições para que o Banco do Brasil liberasse o dinheiro.

- Mas o fato é que logo depois do pedido de prisão o dinheiro foi liberado pelo Banco do Brasil e os outros pedidos de financiamento do Paraná também andaram - afirmou um funcionário do governo do Paraná.

O pedido de prisão do secretário e de seu adjunto ainda está sendo avaliado pelo STF.



 

Consumidores da Eletropaulo terão aumento de 18,08%

A partir desta sexta-feira, a conta de luz dos consumidores da AES Eletropaulo (SP) vai ficar mais cara para as residências e comércio (baixa tensão) com reajuste de 18,08%, enquanto para a indústria (alta tensão) o aumento será de 19,93%. O reajuste foi homologado pela diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A Eletropaulo foi obrigada a devolver para os consumidores este ano cerca de R$ 313 milhões, o que elevaria em 3,3 pontos percentuais o reajuste da tarifa para os consumidores. A Aneel deduziu do reajuste em 2013 metade do valor referente a 246,4 quilômetros de cabos inexistentes incluídos pela empresa como itens da base de remuneração da revisão tarifária da empresa em 2012.

O valor total está estimado em R$ 626 milhões e deve ser abatido nos próximos reajustes. A Eletropaulo informou ontem que vai entrar na Justiça contra a decisão da Aneel que obriga a concessionária a devolver os recursos aos consumidores.

A concessionária presta serviço para 6,5 milhões de unidades consumidoras na capital de São Paulo e em outros 23 municípios da região metropolitana.

CELTINS

A agência também aprovou o reajuste anual da concessionária Companhia de Energia Elétrica do Estado de Tocantins (Celtins). A conta de luz dos consumidores residenciais e comerciais (baixa tensão) vai subir 10,98% e industriais (alta tensão) 10,43%. As novas tarifas entrarão em vigor a partir de amanhã, dia 4. A empresa fornece energia para 506 mil unidades consumidoras de 139 municípios do estado de Tocantins

Segundo o relator do processo da companhia, o diretor André Pepitone, a melhoria na qualidade do serviço da Celtins, os índices de interrupções de energia e duração destas quedas, levou a que a redução da tarifa fosse menor.



 

Redução do poder aquisitivo inibem vendas de veículos

 

A venda de automóveis no Brasil apresentou redução de 10,22% no primeiro semestre do ano em relação a igual período de 2013, segundo dados divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabreve). O total comercializado foi de 1,186 milhão de veículos. Segundo a entidade, esse é o pior semestre desde 2010 e o terceiro pior da história. Na comparação de junho ante maio, a queda foi de 9,46%, com a venda de 187.577 automóveis. Os dados negativos fizeram a federação a elevar a previsão de queda nas vendas para 2014.

Os motivos para a queda assinalados pela Fenabreve foram a redução do poder aquisitivo dos consumidores, as restrições na concessão de crédito e as compras antecipadas em dezembro, uma vez que os consumidores optaram por evitar o Imposto sobre Produtos Industriais (IPI) mais elevados a partir de janeiro, quando a alíquota foi elevada.

Sobre a manutenção do IPI nos atuais patamares, o presidente da Fenabrave, Flávio Meneghetti, disse que essa decisão vai contribuir para não piorar ainda mais o quadro do setor. A alíquota para carros 1.0, por exemplo, passaria de 3% para 7% já neste mês.

— Se tivesse uma recomposição total dos impostos, o mercado não teria condições de repassar para o preço e a queda de vendas seria maior. Seria mais uma cacetada forte nas vendas — disse.

Segundo a Fenabrave, a manutenção do IPI também vai contribuir para um aumento de venda no segundo semetre em relação ao primeiro. A previsão é de 5% de alta. Além do IPI, o fim da Copa, os 14 lançamentos de novos modelos e a renovação da frota por parte das locadoras de automóveis. Também está prevista uma nova corrida no final do ano para a troca de veículos antes do restabelicimento das alíquotas do IPI - que foi adiado de 1º de julho de 2014 para 1º de janeiro de 2015.

No entanto, essa melhora não será suficiente para reverter a queda no ano, que está prevista em 10,51% para o segmento de automóveis. Somando os demais segmentos (comerciais leves, caminhões, ônibus) a previsão de queda para o ano é de 8,1%, bem acima dos 3,2% previstos no início do ano, já no cenário pessimista. A entidade também não confia nas previsões de crescimento do PIB por parte do governo




 

Real completa 20 anos com perda de 80% de seu valor

O real entrou em circulação há exatos 20 anos, deixando para trás uma inflação de três dígitos e o consequente troca-troca de moedas. Com a estabilização da economia, alcançada por meio de um conjunto de mudanças que recebeu o nome de Plano Real, o brasileiro experimentou por um tempo a sensação de ver seu dinheiro valendo mais.

“Era muita inflação, e eram muitos zeros. Não haveria caixa registradora que conseguisse registrar tantas casas decimais se o real não tivesse sido criado”, disse Davi Simão Silber, professor de economia da Universidade de São Paulo (USP). Antes do real, os preços disparavam de um dia para o outro e a variação média chegava a 100% em um mês.

Apesar do trabalho que deu para o brasileiro se acostumar com a nova moeda – muitos usavam calculadoras para transformar a moeda anterior (cruzeiro real) em real e ter uma referência de quanto o produto valia –, o plano deixou como herança a possibilidade de se planejar gastos.

“O brasileiro aprendeu o verdadeiro valor do dinheiro. Soube quanto ganhava efetivamente e o real valor dos bens que poderia adquirir. Conseguimos entender os juros no Brasil e a necessidade de se ter metas claras de combate à inflação. A capacidade de compra aumentou, determinada pela estabilidade da economia. E o mais importante é que durante os anos de estabilidade, todo brasileiro começou a planejar o futuro, elaborar um planejamento financeiro de longo prazo”, diz Fabiano Guasti Lima, pesquisador do Instituto Assaf.

O que dá para comprar com R$ 1?
A hiperinflação foi extinta na década de 1990, mas os preços continuaram subindo ao longo dos anos, e o R$ 1, que antes comprava dez pãezinhos ou até mesmo um quilo de frango, hoje não paga muito mais que um punhado de balas e chicletes.

É difícil achar produtos por R$ 1. No hortifruti, é possível comprar pouca coisa: algumas laranjas, cebolas ou uma maçã. Na padaria, consegue-se comprar menos de três pães, com o quilo beirando os R$ 8. Entre os industrializados, nada muito saudável fica dentro desta faixa de preço, a não ser sucos em pó, gelatinas e refrigerantes. Procurando bem, encontra-se um chocolate ou biscoito em promoção, garrafas de água de 300 ml ou uma lata de ervilha.

Considerando a inflação acumulada de julho de 1994 até maio deste ano, de 359,89% pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o poder de compra da moeda brasileira caiu perto de 80%. Assim, R$ 1 de 20 anos atrás vale agora R$ 0,21, bem como R$ 10 daquela época foram reduzidos a R$ 2,13. Quando comparada a quantia de R$ 100 em 1994 e neste ano, a diferença chega a R$ 78,70. Os cálculos são do matemático José Dutra de Oliveira Sobrinho.

Como está a inflação hoje
Segundo Silber, professor da USP, o país hoje convive com uma inflação que não pode ser considerada baixa, mesmo que fique longe da alta de preços do início dos anos 90.

“A literatura considera alta [inflação] quando passa de 10% ao ano. Baixa é de até 3%. O Brasil está no meio do caminho [cerca de 6%]. Hoje, a inflação neste país é de arrocho salarial [quando os reajustes de salário não acompanham a inflação]. Se tirar os preços que o governo controla, como de ônibus, gasolina e energia, a inflação seria desconfortável. E o pessoal de mais baixa renda é o que mais sente, não consegue mais comprar carne todo dia”, afirma.

Preços acima da média
Alguns gastos subiram ainda mais que a inflação desde o início do Plano Real e preocupam quem se acostumou com a estabilidade. “O brasileiro é muito mais sensível a um aumento na taxa de inflação. Sem a adoção do Plano Real, certamente, ela continuaria bastante descontrolada, nos patamares observados anteriormente ao plano ou até pior”, diz Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria.

A cesta básica vendida na cidade de São Paulo, por exemplo, ficou 443,82% mais cara, enquanto a inflação acumulada foi de 359,89%. O preço da cesta era de R$ 67,40 em julho de 1994 e passou para R$ 366,54 em maio deste ano, de acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

“O medo atual da inflação se deve à perda de poder de compra que sentimos no nosso bolso. Compramos menos coisas que comprávamos no início do Plano Real. Sem ele [plano], que lançou as bases de estabilidade da economia, a situação seria bem crítica. Teríamos inflação bastante elevada, alto nível de desemprego e crescimento medíocre do PIB [Produto Interno Bruto]. A Argentina hoje é um reflexo desse cenário”, diz o pesquisador do Instituto Assaf.

O reajuste do salário mínimo ao longo dos anos também fez o brasileiro sentir como a inflação corroeu seu poder de compra, que havia sido retomado nos idos de 1994. De R$ 64,79, o piso passou para R$ 724. Sem tirar a inflação, o aumento no valor é animador, mas, quando a taxa é considerada, o crescimento é bem menor, de 146%, conforme aponta estudo do Instituto Assaf.

 

Confiança do paulistano em junho tem pior nível desde 2003

A confiança dos paulistanos atingiu, em junho, o pior patamar desde outubro de 2003, aponta o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

O indicador caiu 1,9% sobre maio, para os 107,4 pontos, e ficou mais perto da zona de pessimismo - abaixo dos cem pontos. Na comparação com junho do ano passado (145 pontos), o ICC despencou 26%.

Desde fevereiro, quando chegou aos 136,4 pontos, o indicador apresenta tendência de queda, com quatro variações negativas seguidas, diz a Fecomercio-SP.

"Inflação elevada, modestos ganhos de renda e juros mais altos continuam a prejudicar o orçamento doméstico das famílias da cidade de São Paulo. Esse quadro, além de fazer com que a percepção da economia em geral seja ruim, tem contribuído para frear perspectivas favoráveis sobre o futuro próximo", dizem os economistas da Serasa, em nota.

De maio para junho, foi mantido apenas o índice para paulistanos com remuneração inferior a dez salários mínimos, em 110,6 pontos. Para as demais segmentações, a confiança diminuiu no período, diz. No caso dos que ganham a partir de dez salários mínimos, por exemplo, o indicador caiu 6,2%, para 100,5 pontos.

Subindicadores
Os dois subindicadores do ICC apresentaram queda no mês. O Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA), que apura a satisfação dos consumidores com a situação momentânea, caiu 0,8% aos 110,9 pontos. O Índice de Expectativas do Consumidor (IEC), que mede as projeções para os próximos meses, recuou para 105 pontos, com variação de -2,7%.

 

 

Vendas de imóveis de 1 dormitório crescem 400%

 

Com o aumento dos preços dos imóveis e a mudança no perfil das famílias brasileiras, a preferência pelos imóveis novos de um dormitório tem se consolidado, principalmente em grandes metrópoles como São Paulo. Nos últimos dez anos, a venda desse tipo de moradia na capital cresceu 406,39%.

Enquanto em 2004 as vendas desse tipo de imóvel somaram 1.657 unidades, em 2013 saltaram para 8.391. Os números são de um levantamento do sindicato da habitação de São Paulo (Secovi-SP). Neste ano, de janeiro até abril, dos 6.266 imóveis lançados, 1.800, o que corresponde a 28% do total, são de um dormitório.

O valor comercializado dos imóveis (VGV) de um quarto, acompanhando o aumento das vendas, registrou uma variação ainda maior, de 686,5%, ao passar de R$ 471 milhões em 2004, para R$ 3,7 bilhões no final de 2013. Os números foram atualizados pela inflação calculada pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).

“As famílias estão menores. Está chegando ao mercado uma nova geração de compradores, com menos filhos, solteiros. Hoje, o orçamento das famílias é muito mais adequado para esses imóveis menores”, afirma Sousa.

Os imóveis pequenos também têm conseguido atrair o consumidor pelas facilidades que oferece aos moradores. “Não é apenas preço, porque, em muitos casos, imóveis novos menores são até mais caros do que imóveis antigos maiores na mesma região. Praticidade conta muito hoje em dia, e vai contar cada vez mais. Os condomínios desses imóveis oferecem praticidades, serviços que facilitam o dia a dia”, aponta Marcos Caielli, diretor de negócios imobiliários do Portal de Documentos.

Os números do Secovi mostram que os imóveis novos com número maior de dormitórios também registraram aumento nas vendas, assim como nos valores comercializados nos últimos dez anos, mas numa proporção bem abaixo das unidades de apenas um quarto.

“A demanda continua grande por imóveis, independentemente do tamanho, mas o que percebemos é que lançamentos de imóveis maiores, com mais quartos, são mais raros”, diz o professor do Ibmec.

De 2004 a 2013, as vendas de imóveis de dois dormitórios subiram 118,46% (de 6.717 para 14.674) e de três, 8,79% (de 7.049 para 7.669).

"De 2004 a 2012, a média de imóveis ofertados de um quarto era de 8% [do total]. De repente, no final de 2012 e 2013, tivemos a oferta crescendo 150%. Isso acontece por dois fatores: busca pelo ticket mais barato, que cabe no bolso. O segundo quesito igual ou mais importante é o fato de, hoje, o grande comprador, em média, estar na faixa que vai até 35 anos de idade, que se preocupa mais com mobilidade [localização] do que com o tamanho", disse Celso Petrucci, economia-chefe do SecoviSP.

O único tipo de imóvel que tem registrado queda nas vendas é o de quatro quartos. Em 2004, foram comercializados 4.760 e, no ano passado, apenas 2.585, uma queda de 45,69%.

Quanto ao valor geral de vendas dessas residências, o crescimento foi de 168,32% (de R$ 2,141 bilhões para R$ 5,746 bilhões) no caso de imóveis de dois quartos, e de 67,64% (de R$ 3,064 bilhões para R$ 5,137 bilhões), no de três. Já os imóveis de quatro dormitórios mostraram retração de 19,3% no valor de vendas, de R$ 5,992 bilhões para R$ 4,831 bilhões.

Investimento com mais liquidez
Para as construtoras e incorporadoras, bem como para quem investe no mercado imobiliário, os imóveis menores são mais vantajosos, na avaliação dos especialistas. Isso porque quem constrói lucra mais com a venda de dois imóveis pequenos no lugar de um grande, bem como quem compra para oferecer à locação.

“Esses imóveis normalmente são os preferidos de quem precisa alugar, pois são novos, em excelentes localizações na cidade, e com serviços de conveniência. Portanto, é um investimento com maior liquidez [retorno] para investidores, tanto para locação quanto para revenda”, justifica Caielli, do Portal de Documentos.

E se engana quem pensa que essa é uma tendência apenas vista em grandes cidades. Municípios próximos às metrópoles e até municípios no Nordeste têm apostado nesse filão de mercado, segundo Sousa, do Ibmec.

Banco italiano abrirá filial no Brasil


 

O banco italiano Intesa Sanpaolo anunciou a abertura de uma unidade no Brasil para atender clientes corporativos, parte de estratégia para reforçar sua rede internacional. Em comunicado, o banco afirmou que o banco em São Paulo deverá iniciar as operações em poucos meses, após a obtenção de licenças junto às autoridades para atuar como banco comercial e de investimento tanto em moeda local como em moeda estrangeira.

Segundo o Intesa Sanpaolo, a unidade brasileira funcionará como uma “parceira de negócios”, trabalhando ao lado de empresas italianas, além de companhias nacionais e internacionais com presença no país.

— Para o nosso grupo, a abertura da nova filial em São Paulo representa um retorno muito aguardado a um mercado que sempre foi fundamental para nós — afirmou o gerente geral e chefe da divisão corporativa e de investimento do banco, Gaetano Miccichè.

O banco irá oferecer uma plataforma de produtos e serviços, com a oferta, por exemplo, de assessoria para entrada no mercado brasileiro e para atividades como empréstimos para exportações, seguros de crédito e financiamento internacional de projetos.

— Do ponto de vista de setores industriais, um foco especial será dado aos setores particularmente importantes para a economia brasileira, como infraestrutura, óleo e gás, energia e agricultura — disse o Intesa Sanpaolo.

Com capitalização de mercado de € 40,1 bilhões o Intesa Sanpaolo é líder no mercado italiano e um dos maiores bancos da zona do euro. Sua rede internacional de apoio a clientes corporativos cobre 29 países em regiões como o Oriente Médio e Norte da África, além de países em que as companhias italianas têm forte atividade, como Estados Unidos, Rússia, China e Índia.

 

Juros de pessoas física, com recursos livres, foi para 42,5% ao ano

Os juros bancários médios dos empréstimos para pessoas físicas subiram pelo quinto mês seguido em maio deste ano, para 42,5% ao ano. É o maior nível desde julho de 2011 – ou seja, em quase três anos.

Os números, que tratam das operações com recursos livres (quando os juros são livremente acertados), foram divulgados pelo Banco Central (BC), por meio da nota de juros e crédito bancário.

Em abril deste ano, os juros bancários de pessoas físicas estavam em 42% ao ano. Na parcial de 2014, a taxa avançou 4,5 pontos percentuais, pois estava em 38% ao ano no fechamento de 2013.

Alta dos juros básicos
O aumento desses juros acontece após o próprio Banco Central ter iniciado, em abril do ano passado, um ciclo de alta da taxa básica de juros da economia (a Selic), para tentar conter o crescimento da inflação.

Com o aumento da taxa e o encarecimento dos empréstimos, a instituição consegue reduzir o número de pessoas e empresas dispostas a consumir. Assim, o preço dos produtos e serviços tende a cair ou ficar estável.

Desde o ano passado, os juros básicos passaram de 7,25% para 11% ao ano, o que corresponde a uma elevação de 3,75 pontos percentuais. O processo de alta dos juros foi interrompido apenas no mês passado.

Juros bancários sobem mais do que Selic
Com o aumento dos juros básicos do país, também houve alta na taxa de captação das instituições financeiras, ou seja, no quanto os bancos pagam pelos recursos que serão emprestados às pessoas.

Em abril do ano passado, antes do início da alta dos juros básicos fixados pelo BC, a taxa de captação, para operações com pessoas físicas, estava em 9% ao ano, passando para 12% ao ano em maio. Um crescimento de 3 pontos percentuais.

No mesmo período, os juros bancários das instituições financeiras para pessoas físicas cresceram 8,1 pontos percentuais, visto que estavam em 34,4% ao ano em abril de 2013, ou seja, quase o triplo do aumento da taxa Selic.

Deste modo, os dados do BC mostram que as instituições financeiras não só estão repassando a alta do custo de captação que tiveram por conta da elevação dos juros básicos da economia, como também estão elevando os juros cobrados de seus clientes acima da alta da Selic.

'Spread bancário'
O aumento dos juros bancários com intensidade maior que a alta da taxa básica gerou o aumento do chamado spread bancário (diferença entre o que os bancos pagam pelos recursos e o que cobram dos clientes).

O spread é composto pelo lucro dos bancos, pela taxa de inadimplência, por custos administrativos, pelos depósitos compulsórios e pelos tributos cobrados pelo governo federal, entre outros.

Em abril do ano passado, antes do início do processo de alta dos juros básicos da economia, o spread bancário nas operações com pessoas físicas estava em 25,4 pontos percentuais. Em maio deste ano, já estava em 30,5 pontos percentuais.

O alto nível dessa diferença entre taxas no Brasil já foi duramente criticado, no passado, pela presidente da República, Dilma Rousseff, e por integrantes da equipe econômica, como o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Taxa média de empresas e geral
No caso das operações dos bancos com as empresas, ainda com base nos chamados recursos livres, a taxa média somou 23% ao ano em abril – com alta de 0,1 ponto percentual frente ao patamar de abril (22,9% ao ano). Em 2014, porém, a taxa avançou 1,6 ponto percentual.

Já a taxa média geral de todas as operações com recursos livres (pessoas físicas e empresas) ficou estável em 32% ao ano em maio. Com isso, os juros estão no maior patamar desde fevereiro de 2012 (32,5% ao ano). No acumulado de 2014, a taxa média de juros bancários avançou três pontos percentuais.

 

Parcela de cheques sem fundos sobe em maio

A parcela de cheques devolvidos por falta de fundos no país ficou em 2,17% em maio, leve alta sobre a taxa de 2,13% de abril e da de 2,15% de maio de 2013, divulgou a empresa de análise de crédito Serasa Experian.

Em números absolutos, no mês passado foram devolvidos 1.376.096 cheques e compensados 63.506.394.

No acumulado dos primeiros cinco meses de 2014, o percentual de devolução de cheques sem fundos foi de 2,12%, superior à devolução de 2,10% em igual período de 2013, diz a divulgação.

"O crescimento da inadimplência com cheques em maio com relação a abril reflete a sazonalidade típica do período, tendo em vista a data comemorativa do Dia das Mães. Já o patamar mais elevado da inadimplência com cheques neste ano em relação ao ano passado – tanto no mês de maio quanto no acumulado do ano (janeiro a maio) — é reflexo de uma conjuntura dominada pelo encarecimento do custo do crédito (altas sucessivas das taxas de juros) e pela elevação da inflação. Tais fatores afetam negativamente a capacidade dos consumidores em honrar em dia os seus compromissos", afirmam os economistas da Serasa, em nota.

Roraima liderou o ranking estadual dos cheques sem fundos nos primeiros cinco meses de 2014, com 11,95% de devoluções. O Amazonas foi o estado com o menor percentual (1,19%).

Entre as regiões, a Norte foi a que liderou o ranking, com taxa de 4,36%. A região Sudeste foi a que apresentou o menor percentual (1,64%).

 

Analistas esperam retração da indústria em 2014

Os economistas do mercado financeiro já esperam que a produção industrial, um dos indicadores que compõem o PIB, sofra contração em 2014. A mediana das projeções para o setor está em -0,14%, a primeira previsão negativa desde que as estimativas para o desempenho do setor em 2014 começaram a ser feitas, em 2010. Na semana passada, a expectativa ainda era de alta, de 0,51% e, há um mês, de 1,4%.

O pessimismo reflete o desempenho do setor nos últimos meses. Em abril, a produção industrial recuou 0,3%, frente ao mês anterior, segundo os dados mais recentes divulgados pelo IBGE. Na comparação anual, o resultado foi ainda mais amargo: queda de 5,8%, pior número desde setembro de 2009, influenciado pela maior quantidade de feriados em abril deste ano.

A piora da expectativa para a atividade industrial influenciou a mediana das projeções para o PIB, que reucou pela quarta semana consecutiva. Desta vez, os analistas reduziram as projeções para apenas 1,16%. Os analistas também estão mais pessimistas para o ano que vem, apostando em alta de 1,5%, uma queda em relação à projeção da semana passada, que era de 1,73%.

Em relação à inflação, a mediana das projeções foi mantida em 6,46%, refletindo a trégua na alta de preços dos alimentos, que vem ajudando a segurar o IPCA.

A previsão também foi mantida para a taxa básica de juros, a Selic, que, segundo os analistas ouvidos pelo BC, deve encerrar 2014 nos atuais 11% ao ano.

 

Sancionada  ‘flexibilização’ de exploração de linhas rodoviárias

 

Governo sanciona ‘flexibilização’ de exploração de linhas rodoviárias
Foi publicada no "Diário Oficial da União" a lei 12.996, que resultou da Medida Provisória 638 e traz uma mudança profunda do sistema de exploração de linhas rodoviárias interestaduais e internacionais no país.

Uma emenda incluída de última hora na MP permite que empresas de ônibus atuem no setor apenas com autorizações, sem a exigência de licitações que vinham sendo preparadas há mais de cinco anos pelo governo. Originalmente, a MP tratava do programa Inovar-Auto, de benefícios ao setor automotivo.

Para as operadoras do setor e os fabricantes de ônibus, porém, a medida poderá destravar investimentos da ordem de R$ 6 bilhões em renovação da frota ao longo de quatro anos. Esses investimentos vinham sendo represados por conta da incerteza gerada a partir da dificuldade do governo de promover as licitações das linhas.

Contudo, na avaliação de entidades de defesa do consumidor, como a Proteste, a "flexibilização" das regras pra exploração das linhas fere a Constituição Federal, ao restringir a necessidade de licitações para definição dos operadores.

A emenda incluída na MP 638 foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff, que aceitou também a inclusão de outro "jabuti" no texto: áreas públicas no Distrito Federal ocupadas desde 2006 por entidades religiosas "poderão ser regularizadas, no todo ou em parte", dispensadas as exigências da Lei 8.666, de 1993.




 

Petrobras investirá US$ 5 bi na expansão de gás


 

A Petrobras informou que fará investimentos para escoar, até o litoral, o gás natural produzido nos campos do pré-sal em alto-mar, através de gasodutos e unidades de processamento de gás. Segundo a companhia, conforme seu plano de negócios 2014- 2018, estão previstos investimentos de US$ 5 bilhões, que representam 50% dos recursos da área de gás e energia, para escoamento e tratamento do gás.

A estatal informou que não prevê novos investimentos na expansão de sua malha de gasodutos de transporte terrestre. Como mostrou a reportagem, especialistas calculam que, para atender ao aumento na oferta de gás até 2030, serão necessários investimentos de ao menos US$ 22 bilhões em infraestrutura terrestre de transporte. Esses investimentos poderiam ser feitos pela estatal ou por empresas privadas.

A Petrobras confirmou que não prevê investimentos na expansão da malha de gasodutos terrestres, que atualmente é de 9 mil quilômetros, mas apenas investimentos da ordem de US$ 590 milhões até 2030 "para garantia da continuidade, confiabilidade e segurança operacionais da infraestrutura logística existente de atendimento ao mercado neste período sem a necessidade de novos gasodutos de transporte". Segundo a Petrobras, o atendimento à demanda das distribuidoras e usinas térmicas será garantido por novos pontos de entrega e estações de compressão (que aumentam o volume do gás fornecido).

Especialistas acreditam, porém, que a infraestrutura terrestre precisa ser ampliada. A Petrobras prevê uma oferta média de 168 milhões de metros cúbicos de gás por dia entre 2020 e 2030. Hoje, a capacidade de oferta está em cerca de 100 milhões de metros cúbicos. Para Marco Tavares, da consultoria Gas Energy, a oferta de gás natural no mercado já em 2025 poderá chegar a 200 milhões de metros cúbicos por dia, incluindo não apenas os volumes da Petrobras, mas de terceiros. Para Tavares, a atual malha de gasodutos teria que ser triplicada.

— Os números são muito maiores, e é evidente que o Brasil vai precisar de muito mais investimento em infraestrutura. O modelo é que trava os investimentos, porque a Petrobras atua da geração à distribuição, o que inibe os investidores privados — destacou Tavares.

Pela Lei do Gás, de 2009, os investimentos no transporte precisam ser feitos por chamadas públicas, ou seja, através do envio de propostas ao governo. Analistas dizem que a regulamentação é complexa e atrasa projetos.

O próprio governo federal prevê um aumento maior da oferta de gás para os próximos anos. Segundo o Plano Decenal de Expansão da Malha de Transporte Dutoviário (Pemat), a oferta de gás natural em 2022 poderá chegar a 202,5 milhões de metros cúbicos por dia.

 

 

A moda agora é customizar aviões comerciais por até US$ 300 milhões


 

Encomendar jatos particulares Gulfstream de US$ 65 milhões é coisa do passado. Bilionários que querem voar em grande estilo, levando dezenas de amigos e colegas, estão recorrendo aos fabricantes de aviões comerciais para comprar modelos personalizados.

Segundo reportagem publicada pela revista “Wired”, fabricantes de jumbos, como o 747 e o A380, estão oferecendo o serviço a príncipes sauditas, oligarcas russos e outros ricaços do tipo. Já teve até avião sendo entregue com pista de boliche. Os preços são astronômicos: US$ 80 milhões por um Boeing 737, US$ 280 milhões por um Boeing 747-8, e US$ 300 milhões por um A380.

A Airbus está tão focada neste novo nicho que chegou a encomendar um estudo detalhado, denominado “Billionaires Study”, que concluiu que magnatas do petróleo do Oriente Médio e industriais chineses só apreciam viajar em bando: mais de uma dúzia.



Ou seja, os já conhecidos luxuosos modelos Gulfstream ou Bombardier já não bastam. E os jatos comerciais que apertam centenas de pessoas menos endinheiradas na classe econômica se tornam palacetes depois de redecorados com mesas de jantar enormes, cadeiras de couro, banheiros com ducha e banheira, suítes com cama de casal e salas de TV e de jogos.

Os clientes recebem uma espécie de catálogo com um grande número de possibilidades à sua escolha e o céu é o limite para os pedidos.


Eles querem ter, no ar, o mesmo padrão a que eles estão acostumados em suas casas ou escritórios — afirmou David Velupillai, diretor de marketing da Airbus, ao jornal “Sydney Morning Herald”. — Como você pode imaginar, um bilionário vai gastar pouco para ter um bom escritório e uma linda casa, então eles querem duplicar esse estilo de vida no ar.

personalização de jatos comerciais começou no fim da década de 1990. Mas, recentemente, houve um forte aumento no fluxo de bilionários da Rússia, do Oriente Médio e da China — ao passo que, com a crise econômica, as encomendas de companhias aéreas minguaram —, o que jogou luz sobre o filão.

Desde a abertura de sua agência especializada em aviões particulares, em 1997, a Airbus já vendeu mais de 170 aeronaves. A Boeing começou antes, em 1996, e já entregou 195 do total de 217 pedidos recebidos.

— O nosso mercado é o de bilionários, e não o de milionários — diz Velupillai.



 

 

Confiança do empresário é a mais baixa desde 2009

Levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que a confiança do empresário é a mais baixa desde 2009. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) ficou em 47,5 pontos neste mês, numa escala que vai de zero a 100. O resultado é igual ao registrado em janeiro de 2009, quando o Brasil enfrentava os efeitos da crise financeira internacional.

O indicador de junho representa uma queda de 0,5 ponto na comparação com maio e de 7,3 pontos na comparação com junho de 2013. Também se manteve abaixo dos 50 pontos pelo terceiro mês consecutivo, mostrando falta de confiança do empresário durante todo o segundo trimestre de 2014.

Segundo a CNI, o pessimismo é maior entre os empresários da indústria de transformação, segmento em que o ICEI foi de 48,5 pontos, e da indústria da construção, em que indicador caiu para 46,7 pontos, em junho. Na indústria extrativa, a confiança aumentou 1,8 ponto e ficou em 50,6 pontos, próximo da linha divisória dos 50 pontos.

A pesquisa aponta ainda que o ICEI ficou abaixo dos 50 pontos entre os empresários das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. No Norte e no Nordeste, o indicador ficou acima dos 50 pontos. O levantamento foi feito entre 2 e 11 de junho com 2.636 empresas de todo o país, das quais 992 são pequeno porte, 1.001 são médias e 643 são de grande porte.

Economia acelera 0,12% em abril

 

A economia brasileira cresceu 0,12% em abril de 2014 frente ao mês anterior. É o que aponta o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado pela autoridade monetária. O dado mostra um resultado melhor que o registrado em março, quando a atividade cresceu apenas 0,05% segundo o IBC-Br. Esse dado foi revisado pelo Banco Central. Anteriormente, o indicador de março havia apontado uma queda de 0,11%.

Os números do BC mostram, no entanto, que o atual cenário de inflação elevada, queda no consumo das famílias e fraco desempenho da indústria e do comércio ainda prejudica o crescimento. Segundo o IBC-Br, a economia teve alta de 2,19% num período acumulado em 12 meses, segundo os dados dessazonalizados, ou seja, sem a influência de variações de cada época do ano. No acumulado de 2014, a taxa é de 0,8%.

Octavio de Barros, diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, afirmou, em relatório enviado a clientes, que a queda de 2,29% em relação a abril de 2013 do IBC-Br confirmou as expectativas da instituição de desaceleração do PIB no segundo trimestre.

"Levando em conta a queda do indicador na comparação interanual e considerando-se outros indicadores coincidentes referentes a abril e maio, continuamos acreditando que o PIB do segundo trimestre apresentará desaceleração ante o período anterior", afirmou o economista no texto.

Diferença para o cálculo oficial

O IBC-Br é um dos instrumentos usados pelo Banco Central para definir a taxa básica de juros (Selic) do país. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária. No entanto, o cenário agora é o oposto. Para conter o aumento dos preços, o BC aumentou os juros nove vezes seguidas, num total de 3,75 pontos percentuais, a partir de abril do ano passado, quando a taxa estava em 7,25%. Na última reunião, a taxa foi mantida em 11% ao ano.

O IBC-Br não pode ser considerado uma prévia do PIB porque o dado oficial é muito mais complexo. É o que os economistas chamam de proxy, uma aproximação. As divergências com o número do IBGE refletem-se nos números.




 

Decisão que proíbe protestos nos aeroportos foi concedida

 

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) obteve na 8ª Vara Federal liminar proibindo manifestações nas imediações e dentro dos aeroportos. Com isso, o Sindicato Municipal dos Aeroviários do Rio de Janeiro (Simarj), que reúne trabalhadores em terra na cidade do Rio, decidiu interromper a greve que começou à 0h desta quinta-feira. Segundo a entidade, todos os trabalhadores já estão em seus postos.

Cerca de 20 sindicalistas chegaram a ir em passeata com carro de som até o Terminal 2 do Galeão, mas, ao serem informados da decisão da Justiça, interromperam a manifestação. A multa pode chegar a R$ 500 mil por hora de ocupação indevida e prejuízo da aviação civil, informou a Agência Nacional de Aviação Civil em nota .

Com isso, a greve dos aeroviários não causou transtornos no Aeroporto Internacional Tom Jobim e no Santos Dumont. Os terminais ficaram cheios por causa da quantidade de voos na manhã desta quinta-feira e os passageiros enfrentaram filas nos guichês. Sem paralisação dentro dos terminais, o protesto que chegou a ser iniciado no entorno do Galeão fez com que passageiros se atrasassem para seus voos.


Após ficar duas horas presa no engarrafamento entre o Jardim Botânico e o aeroporto do Galeão, a empresária Tatiana Maia acabou perdendo o voo da TAM para Fortaleza, marcado para as 9h. Com ingressos comprados para os jogos EUA x Gana (em Natal, no dia 16) e Brasil x México (em Fortaleza, no dia 17), ela temia perder as partidas, que planejara assistir com o marido, o americano David Lewis.

— Vou perder dois jogos da Copa do Mundo. Vou cobrar de quem? — lamentou Tatiana, que foi informada de que o próximo voo para o Nordeste só partiria no dia 17 de junho.

O pequeno grupo de aeroviários ocupou parte de via de acesso ao Aeroporto do Galeão, causando grande congestionamento na região. A Anac disse que está acompanhando a situação e vai continuar monitorando eventuais impactos nas operações.

Por volta das 7h50m, houve uma paralisação no sistema de check-in da Gol, que deixou os passageiros apreensivos. Até as 8h30m, o sistema ficou fora do ar. Segundo a Gol, o problema aconteceu com a conexão de internet da Oi e o sistema de check-in foi redirecionado para o link secundário, que é da Embratel. A companhia afirma que o serviço no balcão e nos totens já foi restabelecido.

CATEGORIA PEDE 12% DE AUMENTO

A paralisação dos aeroviários seria de 24h, segundo o Simarj, nos aeroportos Tom Jobim, Santos Dumont e Jacarepaguá. A entidade já estava atendendo a uma determinação da Justiça de pelo menos 80% dos trabalhadores permanecerem em atendimento. Também a pedido da Justiça, não foram realizados piquetes, segundo o vice-presidente do sindicato, José Andrade Cruz.

— A intenção não é prejudicar o usuário. Não queremos o usuário contra o nosso movimento, por isso estamos com a greve mais na parte operacional, interna, sem mexer no check-in — disse ele, antes de ser informado da liminar obtida pela Anac.

A categoria reivindica o “Abono Copa”, já que há um aumento na carga de trabalho neste período, além de reajuste salarial real de 12% e a revisão dos valores dos benefícios da cesta básica e vale-refeição, entre outros itens. O sindicato patronal oferece apenas 5,6%, que corresponde à reposição da inflação de 2013. A paralisação se restringe ao Rio e não afeta os aeroportos em outros municípios.

O sindicato, ligado à Força Sindical, é o único que ainda não assinou a convenção coletiva com o Sindicato Nacional das Empresas de Transporte Aéreo (Snea), que representa companhias como TAM e Gol. Segundo o Sindicato Nacional dos Aeroviários, ligado à CUT, são 64 mil trabalhadores da categoria no Brasil e cerca de cinco mil no Rio. O Simarj representaria pouco mais da metade que os aeroviários no município.

— Com a Copa, a única coisa que nós ganhamos foi trabalho. Não abriremos mão do abono Copa, pois nosso trabalho aumentou. tentamos a negociação há 9 meses, mas todas as tentativas foram frustadas.

Os funcionários também reclamam dos vestiários que não possuem vasos sanitários, causando problemas e constrangimento aos trabalhadores. Uma nova reunião está prevista para segunda-feira, entre a categoria e o sindicato patronal no Tribunal Regional do Trabalho.

Após a audiência de conciliação que terminou sem acordo na tarde desta quarta-feira na Seção Especializada em Dissídios Coletivos do TRT/RJ, a desembargadora do TRT/RJ Edith Maria Corrêa Tourinho concedeu a liminar determinando manutenção em atividade de pelo menos 80% do efetivo. Em caso de descumprimento, incidiria multa de R$ 50 mil contra o sindicato laboral, segundo informou o tribunal.




 

Emprego industrial recua 0,3% em abril

Após dois meses seguidos de alta, o emprego na indústria brasileira registrou queda de 0,3% em abril, segundo levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Frente a abril de 2013, o recuo foi ainda maior, de 2,2%. Os dados não levam em conta as alterações na produção conforme a época do ano.

Em abril, a produção da indústria registrou recuo de 0,3%, na comparação com o mês anterior.

No ano, de janeiro a abril, o total do pessoal ocupado na indústria mostrou retração de 2%. Nos últimos 12 meses, a recuou 1,5%.

Na comparação com abril de 2013, caiu na maioria dos locais analisados pelo IBGE. Assim como ocorreu em março, o principal impacto negativo sobre a média global partiu dos parques de São Paulo (-3,3%). No estado, o indicador sofreu pressão das indústrias de produtos de metal (-15,4%), produtos têxteis (-10,6%), máquinas e equipamentos (-3,8%), calçados e couro (-13,8%) e refino de petróleo e produção de álcool (-11,0%), entre outros.

Também tiveram resultados negativos os indicadores de emprego do Rio Grande do Sul (-4,6%), do Paraná (-3,7%) e de Minas Gerais (-2,2%). Na contramão, contribuíram positivamente Pernambuco (4,4%) e Região Nordeste (0,3%).

Na análise setorial, o total do pessoal ocupado assalariado recuou em 13 dos 18 ramos pesquisados, com destaque para produtos de metal (-7,3%), calçados e couro (-8,5%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-7,0%) e meios de transporte (-3,5%), entre outros.

Horas pagas e salário
Em abril de 2014, o número de horas pagas aos trabalhadores da indústria, já descontadas as influências sazonais, mostrou alta de 0,1% frente a março, interrompendo dois meses seguidos de taxas negativas

Frente ao mesmo período de 2013, o número de horas caiu 3,1%, a 11ª taxa negativa consecutiva neste tipo de comparação e a mais intensa desde outubro de 2009 (-5,3%).

O valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria cresceu 0,7% sobre março, com influência positivo tanto da indústria de transformação (0,8%), como do setor extrativo (2,4%).

Na comparação com igual mês do ano anterior, o valor da folha de pagamento avançou 0,9%, quarto resultado positivo consecutivo nesse tipo de confronto.

 

Petrobras tem mais de US$ 30 bilhões em multas fiscais


 

Com dificuldades de caixa, a Petrobras também acumula um risco fiscal bilionário. Em relatório enviado à Securities and Exchange Commission (SEC, a xerife do mercado de capitais dos Estados Unidos) no fim de abril, a estatal informa que o total de processos de natureza fiscal “com probabilidade de perda possível” soma US$ 30,4 bilhões, sendo a maior parte relativa a tributos federais. A lista de processos envolvendo multas aplicadas pela Receita Federal soma US$ 20,4 bilhões.

O economista José Roberto Afonso, do Ibre-FGV, menciona esse passivo potencial em estudo recente onde relaciona a queda acentuada da carga tributária da Petrobras, nos últimos anos, a incentivos e ao tratamento diferenciado que a estatal recebe do governo para compensar prejuízos com o represamento dos preços dos combustíveis.

— A evolução dos processos fiscais que a Petrobras enfrenta é impressionante. Saltaram de US$ 18,2 bilhões para US$ 30,4 bilhões entre 2011 e 2013. Como melhorar a governança corporativa e o financiamento privado de investimentos de longo prazo se na maior empresa nacional riscos fiscais são acumulados em proporções enormes e de forma tão rápida? — pergunta o economista.

Prática é comum entre petroleiras

A principal batalha travada entre Petrobras e Receita Federal hoje envolve o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e da Cide sobre afretamentos de plataformas de petróleo. Os diversos processos que tratam dessa tributação somam nada menos que US$ 5,771 bilhões. Alguns já estão em fase judicial, enquanto outros ainda se encontram na etapa administrativa.

Segundo técnicos do governo, a estatal utiliza uma prática comum entre petroleiras. Essas empresas costumam fazer um contrato de afretamento no exterior e outro de prestação de serviços de perfuração, exploração e prospecção no Brasil.

No entanto, o afretamento, que não tem incidência do IRRF e da Cide, responde pela maior parte — quase 100% — do custo da operação. Os técnicos entendem que isso significa uma forma de tentar burlar a tributação, de maneira que os impostos incidam apenas sobre uma pequena parte dos negócios.

Este ano, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) já julgou um processo no qual entendeu que há incidência da Cide sobre contratos de afretamento de plataformas de petróleo firmados pela Petrobras. De acordo com os conselheiros, parte do que seria prestação de serviço técnico foi incluída no contrato de afretamento apenas para que a empresa pudesse pagar menos impostos.

Segundo os autos do processo, a separação dos serviços de produção e prospecção de petróleo em contratos de aluguel de plataformas e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções.

“O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual os pagamentos efetuados ao amparo dos contratos ditos de afretamento sujeitam-se à incidência da Contribuição”, afirma o processo.

Neste caso, a Petrobras informou que vai recorrer da decisão judicialmente.

De acordo com técnicos do governo, a Petrobras sempre foi uma empresa conservadora quando se trata da prática conhecida no mercado como planejamento tributário. No entanto, nos últimos anos, tornou-se bem mais agressiva. O contencioso com órgãos de fiscalização federal e estaduais tem aumentado nos últimos anos e é atribuído a essa mudança de comportamento.

Além dos afretamentos, a estatal também tem processos que envolvem deduções da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), além de multas sobre uma repactuação envolvendo o Plano Petros (fundo de pensão dos funcionários), no valor de US$ 1,962 bilhão.

Briga sobre tributação de lucro no esterior

Assim como outras multinacionais, a Petrobras também enfrenta uma briga com o Fisco sobre a tributação do lucro de subsidiárias no exterior. Neste caso, os valores envolvidos chegam a US$ 2,02 bilhões, segundo relatado à SEC.

Como essa polêmica abrangia um grupo grande de empresas de diversos setores, o governo modificou a legislação sobre o lucro de multinacionais fora do país e abriu um programa de parcelamento de dívidas tributárias antigas para que as empresas pudessem regularizar sua situação junto ao Leão.

Há pendências da Petrobras ainda sobre o não recolhimento da Cide sobre a importação de nafta e sobre transações com distribuidoras e postos de gasolina que obtiveram liminares para não pagar a contribuição. Com governos estaduais, há disputas que envolvem o não recolhimento do ICMS nas vendas de petróleo e gás apuradas mediante a medição inicial e final dos estoques, entre outros processos.

Procurada para comentar os processos de natureza fiscal relatados à SEC, a Petrobras informou, por meio de sua assessoria, que não iria se manifestar.




 

Mercado baixa previsão de alta do PIB de 2014

O mercado financeiro reduziu, pela segunda semana seguida, a previsão de crescimento da economia brasileira para este ano, que passou de 1,5% para 1,44%, informou o Banco Central , por meio de seu relatório de mercado, também conhecido como Focus.

O documento é fruto de uma pesquisa com mais de 100 instituições financeiras. Para 2015, a estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 1,85% para 1,80%.

PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o crescimento da economia.

No relatório Focus divulgado na semana passada, a previsão de crescimento da economia havia passado de 1,63% para 1,5%.

A revisão para baixo da estimativa de crescimento do PIB do mercado financeiro para 2014 aconteceu após a divulgação do resultado do primeiro trimestre. No fim de maio, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a economia do país registrou expansão de 0,2% nos três primeiros meses do ano em relação ao quarto trimestre de 2013, com destaque para o bom desempenho da agropecuária.

O aumento do PIB do país previsto para 2014 pelo mercado financeiro continua abaixo do estimado no orçamento federal, de 2,5%, e também menor que a previsão divulgada pelo Banco Central em março, de alta de 2%.

Inflação
Os analistas do mercado financeiro mantiveram inalterada, na semana passada, em 6,47% a previsão para 2014 do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país e calculado pelo IBGE.

Com isso, o valor permanece próximo do teto de 6,5% do sistema de metas de inflação para o ano. A previsão chegou a ultrapassar o teto em abril, mas depois recuou. Para 2015, a expectativa do mercado para o IPCA subiu de 6,01% para 6,03% na semana passada.

Pelo sistema que vigora atualmente no Brasil, a meta central tanto para 2014 quanto para 2015 é de 4,5%. Entretanto, há um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Desse modo, o IPCA pode oscilar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta da autoridade monetária seja formalmente descumprida.

Taxa de juros
O mercado financeiro também manteve a estimativa de que a taxa básica de juros (Selic) da economia brasileira ficará estável, no atual patamar de 11% ao ano, até o fechamento de 2014.

No fim de maio, a taxa foi mantida estável pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central – o que interrompeu um ciclo de nove altas consecutivas ao longo de 13 meses. Para o fim de 2015, a previsão dos analistas para o juro básico da economia permaneceu em 12% ao ano.

Câmbio, balança comercial e investimentos estrangeiros
Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2014 permaneceu em R$ 2,40 por dólar. Para o término de 2015, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio ficou estável em R$ 2,50 por dólar.

A projeção para o superávit da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2014 recuou de US$ 3 bilhões para US$ 2,25 bilhões na semana passada. Para 2015, a previsão de superávit comercial ficou estável em US$ 10 bilhões.

Para este ano, a projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil permaneceu em US$ 60 bilhões. Para 2015, a estimativa dos analistas para o aporte de investimentos estrangeiros ficou inalterada em US$ 55 bilhões.

 

Lula manda recado à equipe econômica de Dilma

 

No mesmo dia em que uma pesquisa divulgada revela que aumentou o pessimismo do brasileiro com a economia do país, o ex-presidente Lula cobrou que o governo aumente a oferta de crédito para o mercado interno como forma de retomar o crescimento da economia. Em um evento, em Porto Alegre, Lula se dirigiu diretamente ao secretário do Tesouro, Arno Augustin, e disse que sem crédito “não se vai a lugar nenhum”.

- Arno, um dia você vai ter que me explicar por que, se a gente não tem inflação de demanda, por que a gente está barrando crédito. Porque com o crédito todo mundo vai à luta, o comércio vai à fábrica, a fábrica vai produzir, melhora a vida de todo mundo. Sem crédito ninguém vai a lugar nenhum – disse.

Lula aproveitou a presença do secretário do Tesouro na plateia e cobrou mais ousadia da equipe econômica para reverter a desaceleração. Além disso, advertiu que a combinação entre queda da demanda interna e redução do fluxo de comércio internacional pode colocar o país numa “rota delicada”.

- Nós podemos chegar a 80% do PIB de crédito, a 90%, não tem nenhuma importância. Tem país com 120%. Nós não temos problema de dinheiro para investimento. Mas por que não tem investimento? Não tem porque o país não quer vender nada. Se está diminuindo a demanda, por que eu vou investir? Se tem dinheiro à vontade para investir mas não tem gente para comprar, eu não vou fazer. Não temos que ter medo. Temos que ficar um pouco mais afoitos agora. Apenas seguir a rotina técnica não dá mais certo. Tem que colocar um pouco do charme do compromisso social para a gente melhorar a situação – afirmou.

Segundo Lula, o país está passando “pelo momento mais delicado” da crise. O ex-presidente recomendou ao secretário da Receita a criação de um fundo de incentivo ao comércio de US$ 2 bilhões com a África como forma de vender mais ao continente africado. Também sugeriu que o governo faça um acordo com as montadoras para que direcionem uma parte da produção nacional de automóveis para o mercado africano.

- Temos que comprar uma briga, porque todas as empresas automobilísticas estão vindo produzir carro para o mercado interno. Acho que temos que dizer para as matrizes o seguinte: tchê, quer investir aqui, ótimo. Agora, uma parte das exportações para o mercado africano deve sair da produção brasileira. Quem pode fazer esse jogo, Arno, é o Brasil – recomendou.

Em tom de brincadeira, disse que é preciso superar a mentalidade de “tesoureiro” de Augustin.

- Se depender só do pensamento do Arno, você não faz nada. Não é por maldade dele não, é que um tesoureiro de um sindicato é assim. A nossa tesoureira dentro de casa, que é a nossa mulher, também é assim. Elas não querem gastar, só querem guardar. Mas tem que gastar um pouco também – disse Lula.

Na sua palestra, Lula voltou a fazer críticas à imprensa dizendo que, se depender da mídia brasileira, "o Brasil acaba todo dia".



 

BC diz que expectativa de inflação para este ano recuou

A estimativa do Banco Central para a inflação deste ano teve queda nos últimos 45 dias, mas permanece acima do centro da meta de 4,5%. A perspectiva está na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, feita na semana passada e que interrompeu o processo de alta dos juros básicos da economia brasileira após 13 meses.

Segundo o BC, no chamado "cenário de referência", que pressupõe câmbio estável em R$ 2,20 e juros inalterados em 11% ao ano, a projeção para a inflação de 2014 "diminuiu em relação ao valor considerado na última reunião [realizada no início do mês de abril], mas permanece acima da meta de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN)".

A estimativa é semelhante no cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas com analistas de mercado para câmbio e juros: a projeção de inflação do Banco Central para 2014 também diminuiu em relação ao valor considerado na reunião de abril, mas permanece acima da meta para a inflação.

Impacto da alta dos juros
Na ata do Copom, o BC avaliou que os efeitos do processo de elevação da taxa Selic sobre a inflação, em parte, ainda estão por se materializar. "Além disso, é plausível afirmar que, na presença de níveis de confiança relativamente modestos, os efeitos das ações de política monetária [definição dos juros] sobre a inflação tendem a ser potencializados", disse.

Com taxas de juros maiores, o Banco Central consegue reduzir o crédito disponível e, assim, o dinheiro em circulação. Dessa forma, tenta diminuir a quantidade de pessoas e empresas dispostas a consumir bens e serviços, para que os preços caiam ou fiquem estáveis. No cenário atual, já com menos investimentos e menor disposição para o consumo, o banco entende que os juros vão ter efeito "potencializado" sobre o controle dos preços.

Metas de inflação e perspectiva do mercado
Pelo sistema de metas que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país.

Para 2014 e 2015, a meta central para o aumento dos preços é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente.

A estimativa dos analistas do mercado financeiro é de que o IPCA some 6,47% neste ano, ou seja, muito próximo do teto de 6,5% do sistema de metas de inflação.

Inflação resistente
O Copom manteve a avaliação de que a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos 12 meses "contribui para que a inflação ainda mostre resistência".

"Concorrem para isso dois importantes processos de ajustes de preços relativos ora em curso na economia – realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais e realinhamento dos preços administrados [como contas de luz e gasolina] em relação aos livres [comércio em geral]. O Comitê reconhece que esses ajustes de preços relativos têm impactos diretos sobre a inflação e reafirma sua visão de que a política monetária pode e deve conter os efeitos de segunda ordem deles decorrentes", acrescentou.

Cenário para 2015
"Para 2015, no cenário de referência, a projeção de inflação recuou em relação ao valor considerado na reunião do Copom de abril, mas se encontra acima da meta. Já no cenário de mercado, a projeção de inflação para 2015 se manteve relativamente estável, acima da meta", disse o Banco Central na ata do Copom.

 

Não dá para explicar porque a economia cresce tão lentamente

A presidente Dilma Rousseff disse que não pode explicar completamente porque o Brasil está crescendo tão lentamente, atribuindo em parte os problemas ao "mau humor" dos mercados em lugar de qualquer necessidade urgente de reformas.

Em entrevista de quase três horas a um pequeno grupo de jornalistas estrangeiros, Dilma se mostrou satisfeita em termos gerais com o curso de seu governo em um momento em que busca obter um segundo mandato como presidente nas eleições de outubro, embora o Brasil esteja prestes a passar por um duro teste na Copa do Mundo que se inicia na semana que vem.

A economia brasileira teve um crescimento médio de 2% desde que Dilma assumiu o governo em 2011.

Muitos investidores e líderes empresariais dizem que são necessárias reformas tributária e trabalhista, entre outras, para destravar uma nova era de crescimento.

Mas falando em meio a drinques e um jantar no Palácio do Planalto, Dilma disse que as condições domésticas estão maduras para um crescimento saudável e minimizou a necessidade de grandes mudanças econômicas se for reeleita.

Segundo ela, não dá para explicar porque o Brasil não está crescendo mais rápido. E acrescentou que todas as condições para o Brasil não só crescer, mas crescer bem, estão dadas.

Dilma disse que parece haver um clima de mau humor em relação ao Brasil hoje, mas que não entende o porquê disso.

Perguntada sobre a possibilidade de reformas num eventual segundo mandato, ela observou que cortou muitos tributos como presidente, mas que um consenso mais amplo no Congresso é necessário para se fazer uma reforma tributária abrangente.

Dilma lidera com uma boa vantagem as pesquisas de intenção de voto sobre seus principais adversários Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), principalmente devido ao apoio dos mais pobres.

Ela disse que sua principal "fonte de orgulho" é ter continuado a reduzir a pobreza e a desigualdade, contrastando fortemente com a tendência na Europa ocidental e com os Estados Unidos.

Dilma passou boa parte do encontro citando entusiasticamente detalhes dos novos projetos de infraestrutura, falando, em dado momento, por 10 minutos sobre cisternas, enquanto um assessor nervosamente aguardava para informar que o jantar estava pronto.

Ela reconheceu a frustração do público com os atrasos em alguns projetos associados com a Copa do Mundo, como linhas de trens e metrôs. Essa irritação contribuiu para protestos de rua que chegaram a ser explosivos ao longo do último ano, e que podem se repetir durante o torneio.

"Ninguém faz (um metrô) em dois anos. Bom, talvez a China", disse com um sorriso, classificando os atrasos como "o custo da nossa democracia".

Perguntada sobre inflação, Dilma enfatizou que ela está desacelerando, como costuma ocorrer nesse período de cada ano. Ela descartou qualquer mudança na meta de inflação de 4,5%, com uma tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Aécio já falou em reduzir a margem de tolerância, enquanto Campos defende a redução da meta mais à frente.

Dilma ressaltou que o câmbio teve seis meses de "total estabilidade". Na terça-feira, o dólar teve uma leve alta de 0,12%, fechando a R$ 2,2782, depois de atingir nos últimos dias seu patamar mais altos em dois meses.

No campo da política externa, Dilma disse que está interessada em reprogramar sua visita de Estado a Washington, cancelada no ano passado depois do vazamento de documentos da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) mostrando que os Estados Unidos tinham espionado tanto o governo como outros cidadãos brasileiros.

Dilma afirmou que é "muito importante" retomar a relação Brasil-EUA, que ela classificou como uma "parceria estratégica".

 

Economia no Brasil anda a passos de tartaruga


 

O ritmo morno da economia levou indústrias de diferentes áreas, especialmente dos setores de eletrodomésticos e de motocicletas, a dar férias coletivas aos empregados a partir deste mês. Além disso, os feriados previstos para a Copa também têm efeito na indústria. A Electrolux colocou em férias coletivas cerca de 4.600 dos 8.600 funcionários de suas três fábricas no país — localizadas em Curitiba, São Carlos (SP) e Manaus. As paralisações vão variar de 10 a 30 dias. De acordo com a empresa, a decisão de reduzir a produção se deve à “economia desacelerada e à Copa do Mundo”. A Whirlpool, dona das marcas Consul e Brastemp, também colocou funcionários em férias coletivas.

Levantamento junto a 550 empresas do setor feito pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) constatou que 58% delas preveem perdas na produção por causa dos horários diferenciados dos jogos da Copa. E que um terço delas programou “jornada especial” para os dias das partidas a fim de “amenizar as perdas”.


Na Whirlpool, todo o pessoal do setor administrativo das quatro fábricas da empresa no país — localizadas em Manaus, Joinville, Rio Claro e São Paulo — ficará parado entre os dias 12 e 25 deste mês. Na fábrica da Whirlpool da Zona Franca de Manaus, as férias coletivas, que sazonalmente ocorrem em julho, foram antecipadas para o dia 9, com volta prevista só para 8 julho. Em Rio Claro, a parada vai de de 16 a 25, e em Joinville, de 12 a 25. Ao todo, um terço dos cerca de cinco mil empregados da empresa terá férias neste mês.

NAS MONTADORAS, 20 MIL AFETADOS

As paralisações na produção de eletrodomésticos ocorrem menos de dois meses depois de as principais montadoras do país darem um freio de arrumação para ajustar a produção ao ritmo fraco das vendas. O desempenho do setor foi afetado pelo desaquecimento do mercado interno e pelos problemas econômicos da Argentina, o principal destino das exportações brasileiras de veículos.

Com estoques em alta, as empresas passaram a alternar medidas para adequar a produção: antecipação de férias coletivas, suspensão temporária de contratos de trabalho (o chamado lay off) e antecipação de folgas foram medidas adotadas para evitar demissões. Ao todo, mais de 20 mil trabalhadores foram afetados.

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) no primeiro trimestre mostrou forte acúmulo de estoques, com impacto de 1,1 ponto percentual na taxa de crescimento da economia, que foi de 0,2%. Ou seja, se não fosse o acúmulo de estoques, o PIB teria recuado 0,9%.

Lourival Kiçula, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), informa que, com exceção dos televisores (aparelhos da chamada linha marrom), cujas vendas nos primeiros cinco meses do ano superavam em 45% as do mesmo período de 2013, o setor vive um momento de vendas mais lentas.

— As famílias só têm um dinheiro e optam por comprar uma TV nova. A Copa, naturalmente, tira atração dos outros itens, como fogões, geladeiras e lavadoras de roupas — disse Kiçula.

Na LG, que também produz televisores, não haverá expediente entre os dias 12 e 15 nas áreas administrativas. E nos outros dias de jogos do Brasil o pessoal do turno da manhã sai uma hora e meia mais cedo, enquanto os trabalhadores da tarde entram uma hora e meia mais tarde.

Em Manaus, o Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam) confirmou que boa parte das grandes fabricantes de eletroeletrônicos (Semp Toshiba, Panasonic, Samsung, Sony) e de motocicletas (Honda e Yamaha) está antecipando o início das férias coletivas para junho.

— Certamente, alguns segmentos esperavam vendas melhores nos últimos meses. Não foi uma calamidade, mas muitas empresas não atingiram as metas de vendas esperadas — disse Ronaldo Motta, diretor-executivo do Cieam, lembrando que as empresas também estão aproveitando a alta dos estoques para liberar os funcionários na Copa.




 

Suprimento de energia está garantido até o final de 2015

O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Marcio Zimmerman, descartou a falta do fornecimento de energia durante a Copa do Mundo. De acordo com ele, o suprimento está garantido até o final de 2015. A informação foi divulgada durante o VI Seminário sobre Matriz e Segurança Energética Brasileira, na Fundação Getúlio Vargas, Zona Sul do Rio.

“Isso é uma pergunta tranquila [se faltará luz na Copa] no sentido de que a partir de eventos extremos, nos meses de março, abril e maio, o sistema veio melhorando. Então, estamos com tranquilidade. Nós não falamos nesse meio. Nós falamos em final de 2015. Até lá, o suprimento está garantido para aquilo que o sistema foi planejado”, declarou.

Ele explicou ainda que vêm acompanhando a cada mês as previsões de chuva para o país, desde janeiro deste ano, quando houve dois meses de vazões baixas. E o acompanhamento do ministério, segundo ele, tem mostrado que o sistema reagiu bem pelo fato de estar equilibrado.

“Isso nos permite ter tranquilidade, vamos acompanhar com atenção, mas nos dá tranquilidade de que o sistema brasileiro vai atender a sociedade tanto esse ano quanto no ano que vem, dentro daquilo que ele foi planejado”, completou.

Ainda segundo Zimmerman, as condições hidrológicas, no entanto, podem levar com que os preços da tarifa de energia seja aumentada. “É claro que uma condução de seca implica naturalmente em você ter, para quem trabalha num mercado de curto prazo, preços maiores”, concluiu.

Racionamento
Ele voltou a dizer que o racionamento de energia está descartado. “Eu acho que o que nós temos mostrado, baseado em estudos técnicos, os riscos que se trabalham hoje no Brasil, descartam, pelo atual quadro, de qualquer hipótese de racionamento. Nós continuamos acompanhando o sistema com atenção, mas, de qualquer forma, nós descartamos essas hipóteses”, garantiu Zimmerman.

“Nós não estamos trabalhando com essa hipótese de racionamento porque tecnicamente não há nenhum indicativo que nós estejamos trabalhando com riscos muito acima daquilo que o sistema planejado”, completou.

De acordo com ele, a tranquilidade está no sistema que o setor elétrico trabalha, que é projetado com um determinado nível de risco.

“O quadro que permite é justamente que o setor elétrico trabalha com risco. Quando você está equilibrado e existe quantidade de usina, e existe quantidade de linha (de transmissão), isso nós dá tranquilidade de que você consegue aguentar, como nós estamos aguentando, uma condição hidrológica pior, que seria uma situação conjuntural. Então, com isso, estamos trabalhando com nível de risco que nos permite afirmar isso”, completou.

 

Toyota poderá fazer carro elétrico no ABC Paulista

O presidente da Toyota para a América Latina e Caribe, Steve St. Angelo, pretende transformar a fábrica do grupo em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, numa espécie de centro de propagação de novas tecnologias, especialmente a de veículos híbridos.

A unidade foi escolhida para receber a linha de montagem do Prius híbrido, caso o grupo decida pela produção local do automóvel movido a eletricidade e a combustão. O investimento depende, contudo, de um plano de incentivo à produção nacional de carros movidos a combustíveis alternativos que está parado no governo federal.

"Meu sonho é que essa fábrica seja um laboratório de propagação de novas tecnologias, onde possamos receber alunos de escolas, representantes da sociedade e do governo para discutir e mostrar tecnologias ambientais, como a dos carros híbridos e outras", diz St. Angelo.

A fábrica do ABC foi a primeira do grupo fora do Japão. Inaugurada em 1962, produziu o jipe Bandeirante até 2001 e atualmente fornece componentes para o sedã Corolla, fabricado em Indaiatuba, e para o compacto Etios, feito em Sorocaba, no interior de São Paulo.

O grupo japonês tem esperanças de que o plano de incentivo aos "carros verdes" seja anunciado até o fim de junho.

A última previsão do governo era de que seria anunciado em abril, mas foi postergado. Pelas propostas em estudo, os incentivos seriam basicamente a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e, eventualmente, do Imposto de Importação. O pacote incluiria também caminhões e ônibus movidos a combustível alternativo, como 100% de biodiesel.

A ideia é incentivar, num primeira fase, a importação desse tipo de veículo, e, criado um mercado potencial, iniciar a produção local. A Toyota já se comprometeu em desenvolver no País a tecnologia do carro híbrido movido a etanol.

Sem IPVA. Um incentivo aos híbridos e elétricos foi aprovado na quarta-feira pela Prefeitura de São Paulo, que aprovou lei isentando a parte do IPVA destinada ao município (50%) para esses modelos. Além disso, eles poderão também ficar de fora do rodízio semanal.

No caso do Prius, que é importado do Japão e custa R$ 120,8 mil, a isenção do IPVA representa uma economia anual de R$ 2,4 mil. "Esse é um primeiro passo e esperamos novas medidas", diz Ricardo Bastos, gerente-geral da Toyota do Brasil.

O grupo Renault/Nissan também já manifestou intenção de produzir na nova fábrica do Rio de Janeiro o elétrico Leaf, hoje importado e vendido basicamente a taxistas, e o minicarro Twizzy, para usos específicos. O carrinho é montado atualmente pela Itaipu, no Paraná, só para testes e uso próprio.

Também estão à venda no País os híbridos Ford Fusion, Lexus CT200h, Porsche Cayenne S e Mercedes-Benz S400.

Fracasso. O objetivo do governo brasileiro ao avaliar incentivos para carros elétricos e híbridos é não ficar de fora dessa nova tecnologia. A maioria dos países onde esses modelos são vendidos, especialmente os elétricos, oferece subsídios fiscais para promover o mercado.

Mas há casos em que nem o incentivos são suficientes para estimular a produção. Na semana passado, o presidente do grupo Fiat/Chrysler, Sergio Marchionne, chegou a pedir, durante um evento nos EUA, que os consumidores não comprem o elétrico 500e. Segundo ele, a marca tem prejuízo de US$ 14 mil em cada carro vendido.

 

 

Projetos imobiliários diferenciados adotam conceito de sofisticação

Apresentados aos clientes como diferenciais, os conceitos de sofisticação associados aos empreendimentos são cada vez mais empregados no mercado. Em alguns segmentos, como o de imóveis de alto padrão, eles são tão comuns na caracterização dos produtos que só não parecem commodities do marketing porque ganham vernizes diferentes a cada lançamento.

Dá até para confundir os inúmeros projetos compactos com a mesma proposta de apelo estético e serviços pay per use (outro conceito comum, aliás), tamanha a repetição das palavras “arte”, “design”, “arquitetura” e algumas variantes desses termos nos nomes das edificações.

Na zona oeste, foi lançado em março o Brookfield Home Design Pinheiros, terceiro exemplar de uma linha sofisticada de produtos criada em 2011. O residencial, com unidades de um e de dois dormitórios e metragens partindo dos 44 m², terá entre os diferenciais um gigantesco painel do artista espanhol David Dalmau na fachada dos dois edifícios do complexo.

Perto dali, foi colocado à venda na semana passada o ArteArquitetura Pinheiros 2, parte de uma linha de produtos conceituais da Stan. O nome se justifica, entre outras questões, por um painel de azulejos de autoria do artista plástico Athos Bulcão no edifício, com unidades de um a três dormitórios e metragens de, pelo menos, 62 metros quadrados. “É como se a pessoa vivesse dentro de uma obra de arte”, defende a gerente de marketing da companhia, Sandra Germanos.

As referências à estética não param por aí. A Stan e a Yuny lançaram no ano passado o complexo Habitarte no Brooklin e, neste mês, devem repetir a dose com o Habitarte 2, desta vez com unidades mais amplas. No Alto de Pinheiros, a Alfa MDL deu espaço para o belo no Art Cube, lançado no fim de março, também com imóveis espaçosos. E, no ano passado, esse caminho já havia sido percorrido pela Even, com o lançamento Design Arte nos Jardins.

Para variar, alguns produtos imobiliário inovam na denominação. A Even usa a marca Diseño, que pode significar “design” em espanhol, para se referir a uma linha de empreendimentos com arrojo arquitetônico – há pelo menos dois produtos na capital desse tipo, o mais recente no Alto de Pinheiros.

E a Related Brasil, no breve lançamento V House Boutique Residences, enfatiza agora a ideia de exclusividade, conforto e riqueza própria dos hotéis butique. “O nome tinha de explicar o que era novo: esse é um residencial com serviços de hotel cinco estrelas. A pessoa vai poder ter, por exemplo, serviços de catering de um restaurante”, diz o CEO da empresa, Daniel Citron. Localizado na esquina das Avenidas Brigadeiro Faria Lima e Eusébio Matoso, na zona oeste, o projeto terá plantas com um e dois dormitórios.

Marketing. Foi-se o tempo em que os nomes dos empreendimentos identificavam inocentemente os produtos. Agora, eles são importantes ferramentas para atrair consumidores para os estandes, de acordo com profissionais do mercado. “Mesmo que o nome seja visto como uma commodity, ele transmite uma ideia , e no estande mostramos realmente os diferenciais do produto”, justifica o diretor de incorporação da Brookfield, José de Albuquerque.

Há uma crescente preocupação dos compradores com a qualidade arquitetônica dos empreendimentos, segundo o diretor comercial da imobiliária Coelho da Fonseca, Roberto Coelho da Fonseca, por isso os projetos passaram a valorizar essa ideia. “Os lançamentos mais compactos, com menos espaço interno, têm de transmitir status, uma impressão de que a pessoa vai morar em um lugar bacana realmente, e o nome ajuda a criar essa condição.”

Os batismos hoje são mais diretos e priorizam especialmente pontos fortes dos projetos, segundo Tatiana Balan, responsável pela área de marketing da imobiliária Brasil Brokers. “No passado, campanhas serviam para conceituar os produtos imobiliários. Agora, o produto conceitua a toda a campanha. É de dentro para fora.”

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Saída de dólares no acumulado de maio soma R$ 1,47 bilhão

A retirada de dólares da economia brasileira superou o ingresso de recursos em US$ 1,47 bilhão no mês de maio, no acumulado até a último dia  (23), informou o Banco Central. Se confirmado para todo este mês, será a primeira retirada líquida de recursos desde fevereiro deste ano – quando US$ 1,85 bilhão saíram da economia brasileira.

Já no acumulado de 2014, até 23 de maio, houve ingresso de US$ 3,36 bilhões no país. Em igual período do ano passado, US$ 12,07 bilhões haviam ingressado da economia brasileira. Houve, portanto, uma queda de US$ 8,71 bilhões na entrada de recursos no país neste ano, ainda de acordo com dados oficiais do Banco Central.

Efeito na cotação do dólar
A saída de recursos no país, registrada em maio, favorece, em tese, a alta do dólar. Isso porque, com menos moeda norte-americana no mercado, seu preço tenderia a ficar maior. Neste mês, entretanto, a moeda tem registrado, de fato, pequena valorização. No fechamento de abril, o dólar estava cotado em R$ 2,23.

Outros fatores que influenciam a cotação
A variação do dólar no Brasil também está relacionada, segundo economistas, com a decisão do Federal Reserve (BC dos Estados Unidos) de retirar gradualmente, em ritmo mais lento do que o estimado anteriormente, os estímulos da economia norte-americana e com a perspectiva de uma acomodação do crescimento em um patamar menor do que o registrado nos últimos anos na China.

Os analistas avaliam, porém, que a cotação do dólar registrada neste ano também tem relação com as contas externas e das contas públicas – que tem registrado piora. Uma eventual valorização do dólar pode preocupar o BC, uma vez que tende a contaminar a inflação por meio do encarecimento de importados. Uma queda do dólar, por sua vez, favorece o controle da inflação.

Entretanto, outro fator que também tem impacto na cotação da moeda norte-americana, neste caso para baixo, são os juros altos da economia brasileira, atualmente em 11% ao ano. Em termos reais, ou seja, descontando a inflação prevista para os próximos 12 meses, são os juros mais altos do planeta – o que teoricamente atrai recursos especulativos para o Brasil.

Os leilões de contratos de "swap cambial" pelo Banco Central – instrumentos que funcionam como uma compra de dólares no mercado futuro, também têm impacto no preço do dólar no mercado à vista – segundo analistas. O mercado aguarda uma definição da autoridade monetária sobre as intervenções cambiais nos próximos meses, visto que o programa atual vai até o fim de junho

 

Vendas reais dos supermercados no Brasil sobem 10,29%

s vendas reais dos supermercados brasileiros subiram 10,29% em abril sobre igual período do ano passado, divulgou a associação que representa o setor, Abras. Na comparação com março deste ano, a alta foi de 2,82%.

A alta refletiu o impacto da Páscoa, segundo evento mais importante para o setor, que neste ano caiu em abril ao invés de março.

No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, as vendas reais dos supermercados mostraram avanço de 2,05% sobre um ano antes.

Em valores nominais, as vendas do setor apresentaram crescimento de 3,51% em relação ao mês anterior e, quando comparadas a abril de 2013, alta de 17,22%. No acumulado do ano, as vendas cresceram 8,11%.

Segundo o presidente do Conselho Consultivo da ABRAS, Sussumu Honda, a expectativa é que essa tendência de crescimento continue. “O equilíbrio entre renda e emprego tem mantido as vendas do nosso setor em crescimento, o que motiva investimentos constantes em novas lojas e serviços e em campanhas e promoções. Os resultados do nosso indicador de vendas até abril, com crescimento acumulado de 2,05%, mostram o efeito positivo das vendas do período de Páscoa", destacou.

Maiores altas e quedas de preços
Em abril, a cesta de 35 produtos de largo consumo pesquisada pela Abras apresentou alta de 1,63% em relação a março deste ano. Na comparação com abril de 2013, o aumento foi de 5,62%.

Os produtos com maiores altas em abril foram: batata (22,31%), leite longa vida (5,34%), queijo mussarela (5,16%), ovo (5,09%). As maiores quedas foram: tomate (-5,24%), farinha de mandioca (-3,64%), cebola (-2,94%) e frango congelado (-0,85%).

 

Consul e Brastemp dão férias a 5 mil funcionários

Para adequar a produção ao ritmo menor de vendas e escapar do período de baixa produtividade por causa da Copa do Mundo, 5 mil trabalhadores da Whirpool estarão em férias coletivas no mês que vem. Dona das marcas Consul, Brastemp e KitchenAid, a empresa é a maior fabricante de eletrodomésticos da linha branca do País e produz fogões, geladeiras, forno de micro-ondas, lavadoras, lava-louças e aparelhos de ar condicionado.

A paralisação envolve as fábricas de Manaus (AM), onde são produzidos aparelhos de ar-condicionado, forno de micro-ondas e lava-louças; de Rio Claro (SP), responsável pela fabricação de fogões e lavadoras, e os funcionários que trabalham no setor administrativo da companhia (1,3 mil trabalhadores). Fica de fora dessa parada apenas o efetivo da fábrica de Joinville (SC), onde é produzida a parte de refrigeração.

Em Manaus, as férias coletivas serão de 30 dias; em Rio Claro, entre os dias 16 e 25 de junho e o pessoal administrativo ficará em casa entre os dias 12 e 25 de junho.

De acordo com a companhia, em Manaus as férias coletivas em junho são normais por causa do baixo período de vendas de aparelhos de ar-condicionado. Mas, no caso de Rio Claro e da parte administrativa da empresa, a decisão de dar férias coletivas nesta época do ano é inédita e foi motivada pela queda de produtividade pelos vários feriados seguidos por causa da Copa do Mundo.

Segundo Enrico Zito, presidente para América Latina da unidade de eletrodomésticos da Whirlpool, as vendas do mercado de linha branca tiveram crescimento próximo de zero no primeiro trimestre deste ano em relação a igual período de 2013. E, para este trimestre, a perspectiva é mais negativa: queda entre 10% e 15% na comparação anual em número de unidades vendidas.

"Sempre em anos de Copa as vendas de linha branca enfraquecem, mas neste ano foram potencializadas pela desaceleração da economia brasileira", afirma o executivo.

De toda forma, ele não confirma que os estoques da empresa estejam acima do planejado. Mas um estudo feito pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), com base nos dados do IBGE do comércio, mostra que o segmento de eletrodomésticos encerrou o primeiro trimestre com forte descompasso entre ritmo de venda e de acúmulo de estoques. As vendas cresceram 6,5% entre janeiro e março na comparação anual e os estoques, 12,1%, Resultado: o encalhe no varejo aumentou e as lojas compram menos da indústria no momento seguinte.

Diante do desempenho registrado até agora, Zito projeta crescimento de vendas próximo de zero para o mercado de linha branca em 2014. Alguma reação é esperada para o 2.º semestre. "Vamos crescer menos este ano, mas dá para ser feliz."

Preço. Junto com a paralisação das atividades, a companhia decidiu aumentar em cerca de 10% os preços dos produtos. Esse reajuste decorre da pressão de custos acumulada pela empresa nos últimos tempos, que não é mais possível de ser absorvida. "Temos feito um esforço para aumentar a produtividade, mas a pressão de custos é muito grande e precisamos repassar ao preço de venda."

Zito admite que terá uma difícil equação a resolver pela frente, que combina queda de vendas com aumento de preços. "Seguramente aumento de preço não ajuda a vender

 

Bancos brasileiros dão breque nos financiamentos

O alto nível de endividamento das pessoas no Brasil exige que os bancos peçam mais garantias dos clientes, conforme o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal. "Há oportunidade de aumentar empréstimos a consumidores no Brasil. As vendas de carros estão crescendo e o financiamento ao consumo fez muito por isso. Mas hoje os consumidores não conseguem ter mais dívida. Haverá algo mais em linha com a renda no Brasil. Não tem espaço para alavancagem na renda", avaliou ele, em São Paulo

Segundo ele, a oferta de crédito está em linha com o nível de dívida que o consumidor tem condições de lidar. Setubal citou negócios específicos como crédito consignado (com desconto em folha), no qual o banco está mais bem posicionado após a joint venture com o BMG, especializado nesta área. Falou ainda sobre crédito imobiliário, no qual o Itaú vem crescendo 30% ao ano e ainda há potencial de expansão. "Essa indústria (imobiliária) ainda está se desenvolvendo e há grande potencial", afirmou ele.

Os bancos, conforme o executivo, são uma "maratona". No longo prazo, de acordo com Setubal, precisam ser sustentáveis, ter capital, estratégia, tecnologia e pessoas certas. No entanto, ele lembrou que não é algo que pode ser feito da noite para o dia. Ele disse que quando se inicia um negócio é preciso cuidado para aprender sobre este mercado. "Quando há um banco muito agressivo, usualmente, há obstáculos no caminho. No Brasil, os bancos públicos vêm sendo agressivos", concluiu Setubal.

Inflação vai continuar caindo nos próximos meses

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, observou que a inflação oficial recuou na prévia de maio, segundo dados do Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE), e disse que o índice deverá continuar caindo nos próximos meses.

"O IPCA-15, ele caiu de 0,78% no mês passado para 0,58% neste mês. Significa que a inflação está caindo firmemente e vai continuar caindo nos próximos meses. A alimentação já arrefeceu, vários preços caíram, e estamos no caminho certo", afirmou Mantega.

O preço dos alimentos subiu menos de abril para maio, influenciando o comportamento da prévia da inflação. No acumulado no ano, o IPCA-15 ficou em 3,51% e, em 12 meses, entretanto, somou 6,31% – contra 6,19% em 12 meses até maio. Ficou mais próximo, portanto, do teto da meta de inflação do governo, de 6,5%.

O IPCA-15 é divulgado mensalmente e calcula a variação média de preços de produtos e serviços em 11 regiões metropolitanas. A diferença entre esse índice e o IPCA, que é a taxa oficial de inflação do país, está no período de coleta dos preços. Em vez de analisar os valores no mês de maio, por exemplo, o IPCA-15 verifica os preços do dia 15 de abril ao dia 15 de maio. Por isso, ele é considerado uma prévia da inflação do mês.

De acordo com o ministro da Fazenda, a queda da inflação está relacionada com ações tomadas pelo governo federal, como o aumento da taxa básica de juros que vem sendo implementado pelo Banco Central desde abril do ano passado para tentar conter as pressões inflacionárias. A taxa passou de 7,25% para 11% ao ano no período.

"O que já fizemos está tendo efeito. Estamos com uma taxa de juros elevada. Estamos procurando aumentar oferta de alimentos e tem o fator sazonal [variação conforme a época do ano]. Em maio e junho, inflação vai continuar caindo. O etanol já está entrando no mercado, uma safra boa que também vai baixar o preço do combustível. O cenário é positivo em termos de inflação", acrescentou Mantega.

Desoneração da folha
Questionado sobre a desoneração da folha de pagamentos, que diminui impostos e contribuições e, assim, reduz os gastos dos empresários de mais de 40 setores com os funcionários, Mantega afirmou que a equipe econômica está analisando o pedido do setor produtivo de torná-las permanentes. De acordo com a lei, a medida criada para estimular a geração de empregos e melhorar a competitividade das empresas deve acabar no fim deste ano.

"Estamos analisando. Há pedidos do setores, mas não há uma decisão em relação a desoneração da folha de pagamentos para o futuro. Até 2014 está certo", disse Mantega a jornalistas. Apesar da declaração, há expectativa de que a medida seja mantida no futuro, uma vez que a própria presidente da República, Dilma Rousseff, já afirmou, no fim do ano passado, que a desoneração seria permanente, sem reversão no futuro.

No primeiro trimestre deste ano, segundo números da Secretaria da Receita Federal, o governo deixou de arrecadar R$ 5,62 bilhões por conta da desoneração da folha de pagamentos, valor que é maior do que a registrada no mesmo período do ano passado: R$ 2,4 bilhões. Em todo ano passado, o governo abriu mão de R$ 13,1 bilhões com a desoneração da folha de pagamentos, de acordo com dados do Fisco.

 

Vendas da indústria da construção caem 9,1%

As vendas da indústria da construção no mercado interno recuaram 9,1% em abril de 2014 ante o mesmo mês de 2013 e 4,4% em relação a março deste ano, segundo os dados deflacionados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, houve queda 2% no faturamento do setor em relação a igual intervalo do ano passado.

O resultado de abril levou a Abramat a rever a previsão para o crescimento das vendas em 2014, de 4,5% para 3%. "O ano começou bem, com crescimento em janeiro e fevereiro, mas as vendas da maioria dos materiais, em março e abril, caíram fortemente", diz, em nota, o presidente da Associação, Walter Cover.

Segundo Cover, os segmentos de varejo, imobiliário e infraestrutura apresentaram resultados abaixo do esperado, enquanto os produtos de acabamento sofreram menos. "Ainda há tempo para uma recuperação, mas torna-se mais difícil atingirmos o crescimento previsto para 2014, de 4,5%", disse Cover.

O executivo acrescenta que, embora os índices de emprego e renda continuem positivos, o crédito às famílias e as expectativas sobre o futuro da economia continuam preocupando tanto os consumidores como os empresários e, com isso, as compras e os investimentos são postergados.

Os números da Abramat apontam ainda que os empregos na indústria cresceram 6,7% em relação a abril de 2013. Já em relação ao mês imediatamente anterior, o crescimento foi de 1%.

 

Brasil não soube usar dinheiro barato

O presidente do Federal Reserve de Dallas, Richard Fisher, afirmou que o Brasil desperdiçou uma "enorme oportunidade" criada pelas políticas de relaxamento monetário do Federal Reserve. Segundo ele, o País não soube usar o dinheiro fácil do banco central americano de forma eficiente.

 Esta não é a primeira vez que Fisher critica a condução da economia brasileira. Em janeiro deste ano, o dirigente afirmou que países como México e Polônia, que usaram o dinheiro barato do Fed para reestruturar suas economias, vão se sair bem no processo de redução de estímulos monetários. Já o Brasil, que usou o dinheiro para ampliar o consumo, terá "tempos difíceis", disse Fisher, na ocasião.

Em um painel de discussão com o presidente do Fed de São Francisco, John Williams, Fisher aproveitou ainda para criticar a atuação do Congresso dos EUA na política fiscal. "O Fed tem o pé no acelerador, enquanto o Congresso tem o pé no freio", afirmou o dirigente, que tem poder de voto este ano no Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês). Já Williams só votará no Fomc em 2015.

Sobre o mercado de Treasuries, Fisher comentou que esperava que o juro da T-note de dez anos permanecesse acima de 3% durante o processo de redução de estímulos do Fed.

 

Conheça as quinze famílias mais ricas do Brasil

Os irmãos Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho, José Roberto Marinho aparecem no topo da lista das famílias mais ricas do Brasil, divulgada pela revista Forbes.

Juntos, a fortuna dos Marinho soma US$ 28,9 bilhões, o equivalente pelo câmbio atual a R$ 64,3 bilhões, quase 50 vezes o custo da Arena Itaquera, o estádio de abertura da Copa 2014.

A lista das 15 famílias mais ricas do Brasil tem também outros sobrenomes famosos como Safra, Ermírio de Moraes, Moreira Salles, Camargo Correia, Vilella, Odebrecht e Setubal, entre outros.

Somadas todas as fortunas, as fortunas das 15 famílias mais ricas do Brasil guardam US$ 122 bilhões, o equivalente a R$ 269 bilhões, ou cerca de 5% do PIB do país.

Segundo a revista, o número de bilionários no País cresceu significativamente desde 1987, quando a primeira lista de bilionários Forbes foi publicada.

Na época, apenas três brasileiros estavam no grupo dos bilionários do mundo: Sebastião Camargo, fundador do grupo Camargo Correa e dono da marca sandálias Havaianas; Antônio Ermírio de Moraes, um dos acionistas do Grupo Votorantim; e Roberto Marinho, que herdou o jornal O Globo e deixou para os filhos as Organizações Globo, maior império de mídia do continente.

Na lista deste ano, aparecem 65 brasileiros bilionários, sendo que 25 deles são parentes. Oito famílias têm vários membros no ranking.

A revista constata que nascer rico ainda é o jeito mais fácil de virar bilionário, embora a porcentagem dos herdeiros venha diminuindo nos últimos rankings dos mais ricos do mundo.

A família Odebrecht, por exemplo, é uma das mais ricas do País mas tem 15 pessoas dividindo a fortuna.

Confira a lista das 15 famílias mais ricas do Brasil segundo a 'Forbes':

1. Marinho (Mídia)

Três irmãos controlam as Organizações Globo: Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho, José Roberto Marinho. Fortuna: US$ 28,9 bilhões

2. Safra (Banco)

Joseph Safra, Moise Safra e Lily Safra, donos do Banco Safra.

Fortuna: US$ 20,1 bilhões

3. Ermírio de Moraes (Siderúrgica e banco Votorantim)

Antonio Ermírio de Moraes, Ermírio Pereira de Moraes, Maria Helena Moraes Scripilliti, José Roberto Ermírio de Moraes, José Ermírio de Moraes Neto e Neide Helena de Moraes.

Fortuna: US$ 15,4 bilhões.

4. Moreira Salles (Banco)

Fernando Roberto Moreira Salles, João Moreira Salles, Pedro Moreira Salles e Walter Moreira Salles Junior.

Fortuna: US$ 12,4 bilhões

5. Camargo (Camargo Corrêa - Construção, engenharia, energia e outros)

Rossana Camargo de Arruda Botelho, Renata de Camargo Nascimento e Regina de Camargo Pires Oliveira Dias.

Fortuna: 8 bilhões

6. Villela (Banco Itaú)

Alfredo Egydio de Arruda Villela Filho e Ana Lucia de Mattos Barretto Villela.

Fortuna: US$ 5 bilhões

7. Maggi (Soja)

Lucia Borges Maggi, Blairo Borges Maggi, Marli Maggi Pissollo, Itamar Locks e Hugo de Carvalho Ribeiro.

Fortuna: US$ 4,9 bilhões

8. Aguiar (Banco Bradesco)

Lina Maria Aguiar, Lia Maria Aguiar e Maria Angela Aguiar Bellizia.

Fortuna: US$ 4,5 bilhões

9. Batista (Frigoríficos)

José Batista Sobrinho, fundador da produtora de carne JBS, uma das maiores empresas de alimentos do mundo.

Fortuna US$ 4,3 bilhões

10. Odebrecht (Construção, engenharia, petroquímica e outros)

15 herdeiros da empresa fundada pelo engenheiro pernambucano Norberto Odebrecht.

Fortuna: US$ 3,9 bilhões

11. Civita (Mídia)

Giancarlo Francesco Civita, Anamaria Roberta Civita e Victor Civita Neto, herdeiros da editora Abril.

Fortuna: US$ 3,3 bilhões

12. Setubal (Banco)

25 parentes de uma das famílias fundadoras do banco Itaú.

Fortuna: US$ 3,3 bilhões

13. Igel

(Petróleo e petroquímicos)

Daisy Igel e mais seis herdeiros do grupo Ultra, dono de marcas como Ipiranga e Ultragás.

Fortuna: US$ 3,2 bilhões.

14. Marcondes Penido (Rodovias privatizadas)

Ana Maria Marcondes Penido Sant'Anna e a irmã, herdeiras da CCR, maior operadora brasileira de rodovias.

Fortuna: US$ 2,8 bilhões.

15. Feffer (Celulose e papel)

Cinco irmãos herdeiros da Suzano.

Fortuna: US$ 2,3 bilhões

 

Economia brasileira terá melhora gradual

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou, em audiência na Câmara dos Deputados, "a vida não tem sido fácil" para as economias de modo geral e que não se sai com facilidade de uma crise como a que ocorreu nos últimos anos. Mesmo assim, segundo o ministro, a crise está sendo superada. "Talvez 2013 tenha sido o ano da virada", afirmou. "Eu posso dizer que as perspectivas para a economia brasileira são de uma melhora gradual da nossa economia nos próximos anos.", disse.

Ele lembrou que, nos últimos cinco anos, a economia mundial foi acometida pela maior crise do capitalismo dos últimos 80 anos. "A boa notícia é que podemos dizer que a crise já está sendo superada. Mas da superação da crise até conseguirmos implantar novo ciclo de crescimento é uma transição dolorosa pra todos os países envolvidos nisso", reconheceu.

O ministro apresentou aos parlamentares um mapa com o desempenho da economia mundial em 2013 e disse que, mesmo os Estados Unidos, que estão voltando a crescer, tiveram um avanço de apenas 1,9%. Além disso, Mantega disse que parte dos países europeus ainda estava com crescimento negativo. "Os países emergentes também sofreram o resultado desta atrofia da economia internacional e temos visto países dinâmicos como a China desacelerando seu crescimento", concluiu.

Mantega citou o crescimento de 2,3% da economia brasileira no ano passado, mas lembrou que até o fim deste mês o País terá "novo PIB" para o ano passado, dado que o IBGE revisou o resultado da produção industrial de 2013. "Isso vai alterar o desempenho do PIB, mas não sabemos ainda para quanto vamos", disse. O ministro afirmou que o governo prevê para 2014 um crescimento semelhante ao do ano passado, diferente, portanto, do que prevê o FMI.

O ministro voltou a afirmar que a inflação está sob controle e que, "tão importante quanto manter solidez fiscal é manter controle da inflação". "Temos regime de metas de inflação e ele está sendo cumprido. Não temos ultrapassado o limite superior da meta, embora nos últimos anos tenhamos tido pressões adicionais", disse. Mantega citou pressões no preço de alimentos, causadas por seca nos Estados Unidos, na China e na Índia. "Essas pressões se somaram à desvalorização do nosso câmbio, que é boa para exportadores, mas causa pressão inflacionária pelo menos no primeiro momento", afirmou.

S&P. O ministro da Fazenda afirmou que "discorda" do rebaixamento da nota de classificação de risco do Brasil pela agência Standard & Poor's, anunciada no início deste ano. Mantega disse ainda que a decisão da S&P foi "solenemente ignorada pelo mercado" e ponderou que a decisão de reduzir a nota brasileira não foi seguida por outras agências internacionais. "A consequência desse rebaixamento foi nula em termos de reflexos no mercado. Houve aumento das bolsas e valorização do real, um sinal de que esse rebaixamento foi solenemente ignorado pelo mercado", avaliou o ministro.

O ministro disse ainda que a S&P, para justificar o rebaixamento, avaliou que o Brasil não cumpriria a meta do resultado primário para este ano. "(Isso) embora no ano passado tenhamos cumprido exatamente a mesma meta. E eu garanto que vamos cumprir (a meta de) 1,9% (do PIB) neste ano", rebateu o ministro. Sobre o tema, ele ainda pontuou que o Brasil tem "15 anos de resultado sólido nas contas de primário" e que o governo, na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2015, até se comprometeu até a aumentar o resultado primário nos próximos três anos. "Podemos continuar sendo um dos países que realiza um dos maiores superávits no mundo".

"Turbulência". O ministro lembrou que houve no ano passado uma "turbulência internacional" com o anúncio de que o Federal Reserve (o Banco Central dos EUA) iniciaria a redução dos estímulos monetários que vinha praticando. "Criou-se um movimento de capitais que saiu de países emergentes e que foi para os EUA, atrás de taxas mais atrativas de rendimentos dos treasuries".

De acordo com o ministro, o fluxo de capitais também afetou o Brasil, com desvalorização cambial e das bolsas. Era um momento, ainda segundo Mantega, em que os países emergentes "pareciam fragilizados". O ministro disse que a partir de dezembro do ano passado, quando o FED começou de fato a reduzir os estímulos, os mercados já tinham antecipado suas reações e "praticado as mudanças nos fluxos de capitais". "A volta de fluxo de capitais para o Brasil trouxe valorização do real", disse Mantega. "Ninguém mais fala que emergentes não vão receber investimentos ou não vão crescer", emendou.

 

 

Diniz compra ações do Carrefour e busca comando no  Brasil

O empresário Abilio Diniz, ex-dono do Grupo Pão de Açúcar e atual presidente do conselho de administração da empresa de alimentos BRF, já começa a preparar terreno para voltar ao varejo. Fontes ouvidas afirmaram que o empresário teria desembolsado cerca de US$ 1 bilhão para a compra de cerca de 3% das ações do Carrefour. Diniz também teria contratado assessoria do executivo Caio Mattar, que foi um dos seus braços direitos no GPA, para a venda de suas lojas alugadas ao Pão de Açúcar.

Com a venda dessas lojas, cerca de 60 unidades, o empresário levantaria cerca de R$ 2,5 bilhões, o que daria mais liquidez para obter cerca de 6% das ações na rede de varejo francesa. Fontes afirmaram que Abilio Diniz quer adquirir a mesma fatia da família francesa Moulin, proprietária da loja de luxo Galeries Lafayette, no Carrefour.

Em abril, a família Moulin informou ao mercado a aquisição de 6,1% no Carrefour S/A, por meio da Motier Holding, tornando-se o terceiro maior acionista da varejista, atrás do grupo de private equity Colony Capital LLC e da holding do empresário francês Bernard Arnault.

Para adquirir uma participação parecida, Abilio Diniz teria de levantar cerca de R$ 4 bilhões, segundo fontes de mercado. As vendas das lojas renderiam cerca de R$ 2,5 bilhões, mas essa operação não está vinculada à compra dos papéis do Carrefour. O GPA tem o direito de preferência para a compra desses imóveis, que já teriam sido oferecidos ao Kinea ( fundo de investimento do Itaú), à BR Properties e a fundos de pensão. Procurados, a assessoria de Abilio Diniz, o executivo Caio Mattar, Kinea, BR Properties e o Carrefour não quiseram comentar o assunto.

Na semana passada, o empresário levantou cerca de R$ 820 milhões com a venda de 7,9 milhões de ações preferenciais que detinha no GPA. Outros membros da família Diniz continuarão a ser acionistas do GPA, mas não deram direito de "lock-up" (comprometimento de não venda dos ações). A assessoria de imprensa da Península, empresa responsável pelos investimentos dos Diniz, disse que essa venda fez parte de um processo de "diversificação do portfólio" da família, e que esses recursos seriam destinados a reforçar a estratégia de investimentos em novos negócios, sem fornecer mais detalhes.

Direitos especiais. Há meses Abilio Diniz tem sido cortejado pelo presidente da rede varejista francesa Carrefour, Georges Plassat, para assumir a direção da companhia no Brasil. No fim do ano passado, Plassat jantou com Pércio de Souza, dono da butique de investimento Estáter, que assessorou Diniz na operação com o Casino e em outros negócios. À época, o empresário não se interessou pela proposta, uma vez que já havia negociado sua entrada na BRF, na qual injetou R$ 1 bilhão. Procurada, a Estáter também não comentou o assunto.

Segundo apurou o Estado, Abilio Diniz voltou a falar com Plassat nas últimas semanas e, ao comprar uma participação na rede francesa, estaria negociando em troca direitos especiais de gestão da rede varejista no Brasil. "Ele faria parte do conselho do Carrefour lá fora, seria presidente do conselho no País e teria direito a indicar o presidente (o nome de Antonio Ramatis, ex-presidente da Via Varejo, foi especulado pelo mercado)", diz uma fonte.

Plassat busca um gestor forte para mudar a gestão do Carrefour no País e preparar a empresa para ir à Bolsa em 2015.

 

Graça espera concluir auditoria até junho

A presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster, afirmou que a companhia espera concluir até o dia 6 de junho as investigações internas sobre a refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. A executiva acrescentou ainda que as cinco comissões instaladas para apurar eventuais irregularidades não trouxeram prejuízos à Petrobrás.

"Estamos trabalhando para que possamos virar essa página no mais curto espaço de tempo possível", afirmou Graça Foster, em coletiva de imprensa sobre os resultados do trimestre Segundo a executiva, o trabalho de investigação envolve uma equipe multidisciplinar das áreas jurídicas, de refino e novos negócios. "São dezenas de entrevistas e estamos bem perto do final. A previsão é de que seja concluída até o dia 6 de junho", completou.

"É muito importante que tudo isso seja apurado para que informemos e estejamos sempre preparados para sermos perguntados pelo governo federal, pelas comissões no senado ou na câmara, e para responder aos órgãos de controle. Respondemos sobre Pasadena desde novembro de 2012, é uma demanda permanente", afirmou a executiva. "Não vejo que essas comissões tenham trazido prejuízo ao bom resultado que apresentamos", completou.

Óleo leve. Graça Foster afirmou ainda que os bons resultados da refinaria de Pasadena foram obtidos em função da disponibilidade de óleo leve na região. "Enquanto este óleo estiver disponível, teremos bons resultados", afirmou a presidente. Segundo o balanço, a refinaria apresentou no trimestre o processamento de 103 mil barris de óleo por dia.

"Essa carga fresca processada é um bom resultado e decorre única e exclusivamente da disponibilidade de óleo leve. Esse óleo tem um desconto de US$ 4 a US$ 6 por barril naquela região. É isso que tem trazido bons resultados. E ela tem operado melhor, temos feito um bom trabalho, com boa gestão", afirmou a executiva.

 

 

Produção de veículos no Brasil  sobe 1,6%

A produção de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no mercado brasileiro somou 277.091 unidades em abril, alta de 1,6% na comparação com março e recuo de 21,4% ante abril de 2013, divulgou a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Com o resultado, a produção acumula retração de 12% nos quatro primeiros meses do ano, sobre igual período de 2013, para 1.068.809 unidades.

Considerando apenas automóveis e comerciais leves, a produção em abril chegou a 261.382 unidades, alta de 2,4% na comparação com março e recuo de 21% ante abril de 2013. No mês passado, foram produzidos 205.158 automóveis e 56.224 comerciais leves.

A produção de caminhões atingiu 12.314 unidades em abril, queda de 11% na comparação com março e recuo de 31,6% ante abril de 2013. No caso dos ônibus, foram produzidas 3.395 unidades em abril, baixa de 9,7% na comparação com março e queda de 8,0% ante abril do ano passado.

As vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus atingiram 293.240 unidades em abril, expansão de 21,8% na comparação com março e queda de 12,1% ante abril de 2013.

No acumulado de janeiro a abril deste ano, os emplacamentos chegaram a 1.105.994 unidades, baixa de 5% sobre igual período do ano passado.

Flex. A fatia de automóveis e veículos comerciais leves biocombustíveis (flex) se manteve em 87,8% em abril, mesmo patamar verificado em março e também em fevereiro. Ao todo, os veículos flex somaram 245.955 unidades em abril deste ano. Em abril do ano passado, a participação das vendas dos veículos flex era de 88,7%.

Importados. O número de veículos novos importados vendidos no País em abril avançou 24,7% na comparação com março, para 49.661 unidades. Em relação a abril do ano passado, houve retração de 18,1%. Nos quatro primeiros meses do ano, foi registrada queda de 9% sobre o mesmo período de 2013, para 201.360 veículos, caminhões e ônibus.

A participação dos veículos importados nas vendas avançou de 16,5% para 16,9% na passagem de março para abril. Em abril de 2013, a proporção dos importados nas vendas era de 18,2% e, no mesmo mês de 2012, de 22,6%.

Máquinas agrícolas. As vendas internas de máquinas agrícolas no atacado atingiram 6.057 unidades em abril, alta de 9,6% na comparação com março e recuo de 17,7% ante abril de 2013. As vendas acumulam retração de 20,3% de janeiro a abril deste ano sobre igual período de 2013, para 20.957 unidades. Já a produção de máquinas agrícolas chegou a 7.057 unidades em abril, alta de 1% na comparação com março e recuo de 22,4% ante abril de 2013. A produção de máquinas agrícolas acumula queda de 14,6% de janeiro a abril deste ano sobre igual período de 2013, para 26.930 unidades.

As exportações de máquinas agrícolas em valores totalizaram US$ 298,209 milhões em abril, alta de 17,3% na comparação com março e recuo de 12,2% ante abril de 2013. As exportações de máquinas agrícolas em valores caíram 6,9% no acumulado de janeiro a abril deste ano sobre igual período do ano passado, para US$ 1,025 bilhão.

O total de máquinas agrícolas exportadas chegou a 1.175 unidades em abril, alta de 1,2% na comparação com março e recuo de 24,7% ante abril de 2013. As exportações de máquinas agrícolas caíram 12,8% no acumulado de janeiro a abril deste ano sobre igual período do ano passado, para 3.935 unidades.

Emprego. O setor automotivo encerrou o mês de abril com 154.224 empregados, queda de 0,8% na comparação com março e recuo de 1,1% ante abril de 2013. O segmento de autoveículos registrou retração de 0,9% em abril na comparação com março no total de empregados, somando 133.101 pessoas. Na comparação com abril do ano passado, a queda foi de 1,7%.

O segmento de máquinas agrícolas teve recuo de 0,5% no número de empregados na comparação com março, e alta de 3% na comparação com abril de 2013, para 21.123 funcionários.




 

Brasil perde posições na lista das maiores empresas

A lista Global 2000, que reúne as duas mil empresas mais valiosas do mundo segundo a revista Forbes, traz uma boa notícia para a China e uma péssima para o Brasil.

Enquanto três bancos chineses dominam os primeiros postos do ranking, o Brasil aparece com uma presença significativamente menor do que na lista do ano passado. O número de brasileiras caiu de 31 para 25.

A primeira brasileira da lista é a Petrobrás, que também aparece como a maior da América Latina. Ela surge como a 30º mais valiosa do mundo. Outras grandes brasileiras listadas são o banco Itaú (46º lugar), o Bradesco (63º) e Banco do Brasil (104º).

O banco chinês ICBC é o primeiro da lista, seguido pelo China Construction Bank.

O Agricultural Bank of China subiu cinco posições para ficar em terceiro lugar, seguido pelo JPMorgan Chase (maior banco dos Estados Unidos) e o Berkshire Hathaway, fundo de investimentos do magnata Warren Buffet.

A petroleira Exxon Mobil, a General Electric e o banco Wells Fargo, todos de bandeira americana, ocupam o 6º, 7º e 8º lugar, respectivamente. Depois aparecem mais duas empresas chinesas, o Bank of China e a PetroChina.

 

Faturamento. A soma de valor das empresas da lista Global 2000 é de US$ 38 trilhões em faturamento, US$ 3 trilhões em lucros e US$ 161 trilhões em ativos, com um valor de mercado em 2014 de US$ 44 trilhões, 13% a mais em relação ao ranking do ano passado, segundo a Forbes.

Pela primeira vez, nenhuma empresa europeia aparece entre as dez maiores do mundo.

Os critérios considerados pela Forbes para escolher as mais valiosas companhias listadas nas bolsas de valores são o faturamento, lucros, ativos e valor de mercado.

Por zonas geográficas, a região Ásia Pacífico, que inclui China e Japão, lidera a presença com 674 companhias. Depois aparece a América do Norte, com 629 empresas e a Europa, com 505. Regiões como Oriente Médio e América Latina ganharam importância.

Por países, os Estados Unidos ainda é o líder em número de empresas, com 564. Em seguida aparece o Japão, com 225, e a China, com 207.

Apple. A gigante de tecnologia Apple aparece na 15ª posição em valor de mercado, enquanto a rede Walmart, na 20ª colocação das mais valiosas, tem o maior valor do mundo em volume de vendas.

O banco Fannie Mae, na 355ª posição, é a que tem maior valor em ativos, com US$ 3,2 bilhões. É também a com maior lucro, com US$ 84 bilhões.

A Espanha aparece com 27 empresas no ranking das duas mil maiores do mundo e as latinoamericanas são 59.

Na Espanha, as maiores entre as 27 que entraram no ranking são o banco Santander (43º), a Telefónica (68º), o BBVA (118º), Iberdrola (133º), Gas Natural (230º) e Inditex (313º).

México. O segundo país latinoamericano com mais empresas no seleto grupo, depois do Brasil, é o México. Aparecem na lista a gigante de telecomunicações América Móvil (115º), a Femsa (373), GFNorte (469º), Grupo México (529º) e Modelo (564º).

Também aparecem oito empresas chilenas, lideradas pela Falabella (581º), seis colombianas, sendo a maior delas a Ecopetrol (128º), duas venezuelanas, Mercantil Servicios (774º) e Banco Ociidental (1.423º) e a Credicorp, do Perú (901º). A Popular de Puerto Rico (aparece em 1.301º lugar).

A África repetiu mais um ano como o continente com o menor número de empresas por região geográfica, com apenas 25 na lista. Segundo a Forbes, a presença africana melhorou, com sete empresas a mais que a lista do ano passado: 15 de África do Sul, cinco da Nigéria, três do Marrocos, uma de Togo e uma de Mauricio.

 

 

Brasil registra maior entrada de dólares em 11 meses

A entrada de dólares da economia brasileira superou a retirada de recursos em US$ 2,78 bilhões no mês de abril, informou o Banco Central. É a maior entrada líquida de recursos na economia brasileira desde maio do ano passado – quando foi contabilizada a entrada de US$ 10,75 bilhões no país, segundo números do BC.

Já no acumulado de 2014, até 2 de maio, houve ingresso de US$ 5,61 bilhões no país. Em igual período do ano passado, US$ 2,37 bilhões haviam ingressado da economia brasileira. Houve, portanto, um aumento de US$ 3,23 bilhões em dólares que entraram no país no acumulado deste ano, ainda de acordo com dados oficiais do Banco Central.

'Recursos especulativos'
Segundo avaliação do economista da NGO Corretora, Sidnei Nehme, a entrada de recursos no Brasil, neste ano, tem a ver com "recursos externos especulativos" – que se valem da oportunidade decorrente da perda de ritmo da recuperação da economia americana ao início do ano, forjado como “carry trade” (melhor remuneração no Brasil).

Em sua visão, os investidores estrangeiros tem encontrado "tempo e oportunidade" para usufruir de ganhos na Bolsa de Valores brasileira, que "operava ações com preços debilitados e, em renda fixa atraente pela expressiva taxa de juro que fora retomada pelo país focando conter pressões inflacionárias presentes".

Para ele, porém, "incertezas crescentes internas" decorrentes do "clima político que já influencia os pregões", da "baixa expectativa que o superávit fiscal", de "perspectivas cada vez maiores de crescimento muito baixo do PIB e da inflação persistente", é "natural que ocorra a reversão [nos próximos meses] dos recursos especulativos que ingressaram no país".

Efeito na cotação do dólar
A entrada de recursos no país, registrada em abril, favorece, em tese, a queda do dólar. Isso porque, com mais moeda norte-americana no mercado, seu preço tenderia a ficar menor. No mês passado, de fato, a moeda registrou desvalorização de 1,74% No fechamento de março, o dólar estava cotado em R$ 2,26, terminando abril em R$ 2,23.

Outros fatores que influenciam a cotação
A variação do dólar no Brasil também está relacionada, segundo economistas, com a decisão do Federal Reserve (BC dos Estados Unidos) de retirar gradualmente, em ritmo mais lento do que o estimado anteriormente, os estímulos da economia norte-americana e com a perspectiva de uma acomodação do crescimento em um patamar menor do que o registrado nos últimos anos na China.

Os analistas avaliam, porém, que a cotação do dólar registrada neste ano também tem relação com a piora das contas externas e das contas públicas. Uma eventual valorização do dólar pode preocupar o BC, uma vez que tende a contaminar a inflação por meio do encarecimento de importados. Uma queda do dólar, por sua vez, favorece o controle da inflação.

Além disso, outro fator que também tem impacto na cotação da moeda norte-americana são os juros altos da economia brasileira, atualmente em 11% ao ano. Em termos reais, ou seja, descontando a inflação prevista para os próximos 12 meses, são os juros mais altos do planeta. Os leilões de contratos de "swap cambial" pelo Banco Central – instrumentos que funcionam como uma compra de dólares no mercado futuro, também têm impacto no preço do dólar no mercado à vista – segundo analistas.

 

Preço do etanol subiu em 11 Estados

Os preços do etanol hidratado nos postos brasileiros subiram em 11 Estados, caíram em 11 e no Distrito Federal e ficaram estáveis em outros quatro na semana encerrada no sábado, 03, mostram dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Na semana anterior, o biocombustível havia subido em 12 Estados, caído em 11 e no Distrito Federal e fica estável no Amapá, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. No período de um mês, os preços do etanol subiram em 17 Estados, caíram em outros oito e no Distrito Federal e ficaram estáveis em Santa Catarina.

Em São Paulo, principal Estado consumidor, a cotação caiu 0,15% na última semana, para R$ 2,029 o litro. No período de um mês, acumula queda de 1,93%.

Na semana, o maior recuo das cotações foi registrado no Rio Grande do Norte (0,41%), enquanto que a maior alta ocorreu no Ceará (1,90%). No mês, o Distrito Federal acumula a maior queda, de 3,84%, enquanto que a Bahia, a maior alta, de 4,70%.

No Brasil, o preço mínimo registrado para o etanol foi de R$ 1,57 o litro, no Estado de São Paulo, e o máximo foi de R$ 3,17/litro, no Amazonas. Na média, o menor preço foi de R$ 2,029 o litro, em São Paulo. O maior preço médio foi verificado no Amapá, de R$ 2,84 o litro.

Competitividade

Ainda de acordo com ANP, o etanol nos postos de combustíveis continuou sem competitividade ante a gasolina em todos os Estados do País e também no Distrito Federal na semana encerrada no sábado. É a sétima semana consecutiva sem competitividade.

Segundo o levantamento, a gasolina está mais vantajosa principalmente no Amapá, onde o etanol custa o equivalente a 95,82% do preço da gasolina - a relação é favorável ao biocombustível quando está abaixo de 70%.

 

Em vigor novas regras para levar empréstimo para outro banco

Estão em vigor as novas regras para transferir os empréstimos e financiamentos de um banco para outra instituição financeira que oferecer melhor taxa de juros. Trata-se da chamada "portabilidade" do crédito, que também vale para operações de "leasing" (arrendamento mercantil).

As novas regras foram regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) no final do ano passado mas só entraram em vigor ontem, e valem para todo o tipo de crédito: consignado, crédito pessoal, financiamento de imóveis e de automóveis, entre outros, e até mesmo aqueles com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

O objetivo da medida é incentivar a concorrência entre os bancos e possibilitar uma redução na taxa de juros cobrada nas operações.

As entidades de defesa do consumidor avaliam que as novas regras garantem maior transparência e segurança nas transações, uma vez que padroniza os procedimentos e fixa prazos para troca de informações entre os bancos.

Pelas normas, tudo será feito eletronicamente pelos bancos sem custo adicional. As instituições financeiras terão o prazo de 5 dias para fazer uma contraproposta ao cliente que estiver querendo sair. Os bancos estão proibidos de cobrar os custos da transferência. Mas somente a taxa de juros pode ser alterada: prazo e valor da operação original devem ser mantidos.

"A norma torna mais célere e transparente um processo que até então não tinha ampla divulgação e muitas vezes se tornava num calvário para o consumidor", afirmou a economista do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), Ione Amorim.

'Importantíssima' para o consumidor
Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), acredita que a portabilidade do crédito terá um "impacto bom" em termos de taxas de juros, e outros custos, cobrados pelos bancos.

A representante da Proteste também avaliou que a portabilidade do crédito é "importantíssima" para o consumidor e lembrou que, teoricamente, a medida deveria ter entrado em vigor em 2006.

"A lei existe desde 2006, porém as instituições não estavam atendendo ao consumidor que estava querendo fazer a portabilidade do crédito imobiliário por diversas razões. As instituições estavam resistentes. Diziam que a burocracia era do banco tomador. Havia um entrave entre as instituições e, também, a cobrança do cartório. Com as novas regras [do CMN], certamente os bancos não vão ter mais desculpas para adiar a portabilidade", declarou ela.

Crédito imobiliário
Na visão de Maria Inês Dolci, da Proteste, o maior benefício da medida é para quem pegou crédito para compra da casa própria (imobiliário) – que envolve empréstimos de maior valor.

"Com essa nova regra, vai ter uma procura grande. É claro que vai haver, no início, uma procura maior pelo consumidor. O mercado estava muito aberto para vendas, o setor imobiliário cresceu muito, o consumidor adquiriu imóveis, essa é possibilidade de o consumidor fazer a transferência pagando menos", avaliou ela.

Comparação das taxas
Maria Inês Dolci, da Proteste, assim como o Banco Central, recomendam que as pessoas realizem a comparação entre as taxas oferecidas com base no chamado Custo Efetivo Total (CET) das operações. O CET engloba, além da taxa de juros da operação, tarifas, impostos, seguros e outras despesas cobradas dos clientes. Ela lembrou que, no caso do crédito imobiliário, também há custo com cartórios.

Antes de realizar a portabilidade, o cliente, de acordo com o BC, o valor do CET é a "forma mais fácil de comparar os valores dos encargos e despesas cobrados pelas instituições". Segundo a autoridade monetária, o cliente também deve verificar "todas as condições" do novo contrato para que essa transferência seja realmente vantajosa.

Maria Inês Dolci, da Proteste, observou que a comparação não é simples. "É importante que o consumidor tenha junto aos bancos as opções para fazer a portabilidade. Tem de ser por escrito. Para ter como comparar. Uma proposta formal para que eles possa comparar, analisar. Tem que ver os custos envolvidos de forma que ele possa estar fazendo uma portabilidade adequada, até para ser vantajosa", declarou a representante do Proteste.

O Idec alerta que algumas situações que são apresentadas como portabilidade, na verdade são renegociações de dívidas, muito comuns em contratos de crédito consignado. "As propostas que oferecem um valor adicional e um prazo maior para pagar com taxa reduzida não é caracterizado como portabilidade, pois altera as condições originais do contrato além da taxa de juros e, muitas vezes, reduz o benefício em função do aumento do valor da dívida", esclarece.Desde que apresente condições cadastrais compatíveis para aquisição de crédito, o consumidor tem o direito de escolher livremente para qual instituição realizará a portabilidade.

 

 

Produção da Petrobras cresce em março puxada pelo pré-sal

A produção da Petrobras no Brasil e exterior somou 2,55 milhões de barris/dia de óleo equivalente em março, alta de 0,63% ante o mês anterior, informou a empresa.

A entrada de novos poços na exploração do pré-sal, que teve novo recorde, compensou as paradas para manutenção registradas em unidades no Brasil, indicou a estatal, que reafirmou a previsão de elevar a produção em 7,5% em 2014 ante 2013.

No Brasil, a produção cresceu 0,2% em relação a fevereiro, para 2,331 milhões de barris/dia de óleo equivalente (óleo e gás). A produção exclusiva, que responde pela maior parte do total produzido pela empresa, atingiu 1,926 milhão de barris/dia em março, alta de 0,1% ante fevereiro.

Paradas
Em março de 2014, as paradas temporárias voltaram a ocorrer em outras plataformas, mas o recorde de produção no pré-sal permitiu o aumento da extração no país.

"Ainda no mês de março a produção não foi maior devido às paradas de produção temporárias planejadas", que ocorreram na plataforma Cidade de Angra dos Reis (Bacia de Santos), P-8 (Bacia de Campos), P-35 (Bacia de Campos), e Vitória (Bacia de Campos), segundo a estatal.

A empresa informou ainda que a plataforma P-20 ficou em manutenção durante o mês de março, mas voltou a operar no dia 7 de abril. A P-20 tem potencial de produção de cerca de 20 mil barris de petróleo/dia, no Campo de Marlim, na Bacia de Campos.

A estatal disse também que, no dia 30 de março, após 11 anos de atividade, o FPSO Brasil encerrou suas atividades, no campo de Roncador com o fechamento do poço 7-RO-14-RJS. "Com o fim de sua operação, os poços interligados ao FPSO serão remanejados para a P-52 e a P-54."

Recorde no pré-sal
Em março, a produção média mensal de petróleo dos campos do pré-sal nas bacias de Santos e Campos atingiu recorde de 395 mil barris de óleo equivalente, 2,4% acima da melhor marca anterior, registrada em fevereiro (385 mil bopd).

A estatal destacou o desempenho de um poço em Sapinhoá, que é o primeiro interligado a uma boia de sustentação e começou a produzir em fevereiro. "Esse poço vem apresentando desempenho acima da média e mantém-se como o melhor poço produtor do país, com aproximadamente 36 mil bpd", disse a Petrobras.

A boia de sustentação dos dutos, chamada BSR (Boia de Sustentação de Risers), fica a 240 metros de profundidade é instalada para não ser atingida pelos movimentos da plataforma. Outras duas boias do tipo já foram instaladas e ainda no primeiro semestre será a concluída a instalação da última BSR.

A empresa afirmou ainda que, no curto prazo, começarão a produzir no pós-sal da Bacia de Campos, as plataformas P- 62, no campo de Roncador, com capacidade de 180 mil bopd, e a P-61, no campo de Papa-Terra. "Com a entrada dessas unidades, a produção de petróleo terá crescimento sustentável, durante 2014, de 7,5%, conforme previsto no Plano de Negócios e Gestão 2014-2018, podendo variar 1 por cento para mais ou para menos, ao longo do ano."

Produção no exterior
A extração total de petróleo e gás natural no exterior, em março, foi de 219.586 boed, aumento de 6,2% em relação aos 206.712 boed produzidos no mês anterior. A produção exclusiva de petróleo foi de 126.921 barris/dia, alta de 10,1% na comparação com fevereiro.

 

 

 

Superávit do setor público cai 16,5% no 1º trimestre

As contas do setor público consolidado, formado pelo governo, estados, municípios e empresas estatais, registraram um superávit primário (a economia para o pagamento de juros) de R$ 25,6 bilhões no primeiro trimestre deste ano. O valor representa uma queda de 16,5% frente ao mesmo período do ano passado – quando somou R$ 30,72 bilhões, segundo números divulgados pelo Banco Central . Somente em março, o esforço fiscal somou R$ 3,58 bilhões.

Segundo números divulgados pelo BC, os estados, municípios e empresas estatais registraram um esforço fiscal de R$ 13,2 bilhões no primeiro trimestre de 2014, valor que superou a economia para pagar juros feita pelo governo federal – que foi de R$ 12,32 bilhões no mesmo período (pelo conceito abaixo da linha, que difere um pouco do número usado pelo Tesouro Nacional).

Meta fiscal de 2014
A meta cheia de superávit primário – incluindo estados e municípios – para o ano de 2014 é de R$ 167,4 bilhões, ou 3,1% do PIB, conforme consta no orçamento da União aprovado pelo Congresso Nacional. Somente para o governo central, excluindo assim os estados, prefeituras e estatais, a meta é menor: de R$ 116,1 bilhões, ou 2,2% do PIB.

Ao anunciar em fevereiro o corte de R$ 44 bilhões no orçamento deste ano, o ministro da Fazenda,  Guido Mantega, anunciou, porém, que o objetivo fiscal de todo o setor público, neste ano, é de R$ 99 bilhões – o equivalente a 1,9% do PIB, o mesmo percentual registrado em 2013. Deste modo, o esforço fiscal do primeiro trimestre deste ano equivale a 25,8% da meta para 2014 fechado.

Juros da dívida pública e resultado nominal
Segundo o Banco Central, apenas para pagar os juros da dívida pública, foram gastos R$ 58,64 bilhões (4,84% do PIB) nos três primeiros meses deste ano, contra R$ 62,25 bilhões (5,58% do PIB) no mesmo período de 2013.

Após as despesas com juros, as contas registraram um déficit de R$ 33 bilhões no primeiro trimestre, o equivalente a 2,73% do PIB. Em igual período do ano passado, o déficit nominal somou R$ 31,5 bilhões, ou 2,83% do PIB.

Dívida do setor público
A dívida líquida do setor público, indicador que fornece uma pista sobre o nível de solvência (capacidade de pagamento) de um país, somou R$ 1,68 trilhão (34,2% do PIB) em março deste ano,  contra R$ 1,64 trilhão, ou 33,7% do PIB, em fevereiro. No fechamento de 2013, estava em R$ 1,61 trilhão, ou 33,6% do PIB.

 

Lucro do Itaú Unibanco sobe 27,3% e soma R$ 4,4 bilhões

O Itaú Unibanco anunciou, lucro líquido de R$ 4,419 bilhões no primeiro trimestre, montante 27,3% maior que o registrado em igual intervalo do ano passado, de R$ 3,472 bilhões. Em relação ao quarto trimestre de 2013 foi identificada queda de 4,9%.

"Essa ligeira redução do resultado no primeiro trimestre de 2014, em relação ao trimestre anterior, deve-se, principalmente, à redução das receitas de recuperação de créditos baixados como prejuízo (que costumam ser sazonalmente menores nesse trimestre) e à redução da margem financeira com o mercado, parcialmente compensados por despesas não decorrentes de juros (3,4% menores no período)", explica o Itaú, em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras.

A carteira de crédito total do Itaú Unibanco, que inclui avais e fianças, fechou março com saldo de R$ 480,120 bilhões, recuo de 0,7% ante a cifra de dezembro, de R$ 483,397 bilhões. Na comparação anual, quando a carteira estava em R$ 434,239 bilhões, houve expansão de 10,6%.

Em ativos totais, o Itaú Unibanco somou R$ 1,107 trilhão nos três primeiros meses de 2014, avanço de 7,6% em relação ao mesmo período de 2013, de R$ 1,028 trilhão. Ante o quarto trimestre, foi visto leve aumento, de 0,15%.

O patrimônio líquido do Itaú Unibanco foi a R$ 82,173 bilhões ao final de março, alta de 10,4% em um ano e de 1,4% ante dezembro. O retorno sobre o patrimônio líquido médio atualizado (ROE) ficou em 22,0% no primeiro trimestre, aumento de 3,1 pontos porcentuais na comparação com um ano, de 18,9%. Ante os três meses imediatamente anteriores, o indicador apresentou declínio de 1,7 ponto porcentual.

Resultado recorrente. O Itaú Unibanco apresentou lucro líquido recorrente de R$ 4,529 bilhões de janeiro a março, incremento de 29% em relação ao mesmo período de 2013, de R$ 3,512 bilhões. Na comparação com o quarto trimestre o resultado foi 3,2% inferior. O ROE também no critério recorrente ficou em 22,6% ao final de março ante 23,9% em dezembro e 19,1% em um ano.

O lucro líquido recorrente do banco veio em linha com a estimativa de analistas do mercado. A média de cinco casas consultadas pelo Broadcast, serviço de informações da Agência Estado, (BTG Pactual, Credit Suisse, Goldman Sachs, Safra e UBS) indicava resultado de R$ 4,436 bilhões no período. O Broadcast considera que o resultado está em linha com as projeções quando a variação para cima ou para baixo é de até 5%.

Dentre os eventos não recorrentes no primeiro trimestre de 2014 ante um ano, o Itaú cita o efeito da decisão favorável sobre a discussão da legalidade da incidência de Cofins para sua natureza de operação proporcional à sua participação na Porto Seguro, provisão para contingências, amortização de ágio da Rede (ex-Redecard) e outros.

Inadimplência. A inadimplência do banco, considerando os atrasos acima de 90 dias, teve melhora de 0,2 ponto porcentual, passando de 3,7% em dezembro para 3,5% em março, em linha com a expectativa de analistas do mercado. Trata-se do sétimo recuo seguido trimestral do indicador. Em um ano, os calotes tiveram queda de 1 p.p.

"Esse indicador alcançou o menor valor desde a fusão entre o Itaú e o Unibanco, influenciado principalmente pela mudança do perfil de crédito da nossa carteira", destaca o Itaú Unibanco, em relatório que acompanha as suas demonstrações financeiras.

A melhora nos calotes, conforme o banco, foi possível devido à queda do indicador tanto na pessoa física quanto na jurídica e também devido ao maior volume de baixa de créditos da carteira da instituição no valor de R$ 5,564 bilhões, principalmente, em veículos. Na comparação trimestral, porém, o indicador de PF teve alta de 0,2 p.p., de 4,7% em dezembro para 4,9% em março. Em um ano, foi vista melhora de 1,8 p.p. Já na pessoa jurídica ficou estável na comparação trimestral, em 3%, e queda de 1,0 p.p. em 12 meses.

As despesas com provisões para devedores duvidosos do Itaú, as chamadas PDDs, totalizaram R$ 4,252 bilhões nos três primeiros meses de 2014, alta de 1,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior, mas queda de 13,9% em um ano. Já o resultado de créditos de liquidação duvidosa, que desconta as receitas de recuperação, foi a R$ 3,164 bilhões ao final de março, alta de 13,3% e queda de 17,9%, respectivamente e na mesma base de comparação.

 

 

PIB deve crescer 2,3% em 2014

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse , esperar crescimento de 2,3% para a economia em 2014. Em 2013, a produção de bens e serviços (PIB) avançou exatamente nesse ritmo. A projeção está acima do 1,8% previsto pelo Fundo Monetário Internacional (FMI); e do 1,65% esperado pelo mercado interno.

"Sobre o resto estamos de acordo", disse. O ministro participou do seminário Rumos da Economia - O que fizemos e o que precisamos fazer, realizado em São Paulo.

Mantega voltou a repetir que a economia brasileira está melhorando por causa das providências adotadas no País. Que a economia do Brasil passou por problemas em função da crise econômica mundial e que as turbulências, em meados de 2013 até início de 2014, se deveram ao corte de estímulos adotado pelo Federal Reserve, o banco central norte-americano.

Em fevereiro quando divulgou o Orçamento neste ano, a previsão para o PIB era  de 2,5%.

Ao afirmar que o Brasil passou pela crise como poucos países do mundo, o ministro ressaltou que, nos últimos quatro anos, o ingresso de recursos no Brasil por Investimento Estrangeiro Direto (IED) se manteve ou cresceu. A aversão ao risco diminuiu, disse ele, completando que não houve saída de capitais do Brasil, mas sim de operações nos mercados futuros.

Crédito escasso? Mantega afirmou que "o crédito para o consumo no Brasil nunca esteve tão escasso", embora a inadimplência esteja baixa, pois está ao redor em 4,5%. "Sem restrição do crédito, o PIB estaria crescendo perto de 3%", comentou.

De acordo com ele, a queda da inadimplência deve propiciar uma tendência de melhora da concessão de financiamentos pelas instituições financeiras privadas. "Pedimos aos bancos públicos que na falta de crédito privado, eles entrassem em ação", destacou. "Quero mais é que o crédito privado dos bancos aumente", ponderou.

Ele ressaltou que só o crescimento da massa salarial não é suficiente para o incremento do consumo do País, mas também é fundamental o aumento dos investimentos, política que o governo já está executando por várias frentes. Ele destacou os programas de Aceleração do Crescimento, o Minha Casa, Minha Vida e também as concessões públicas para projetos em infraestrutura.

Superávit primário. O ministro disse que a política econômica do governo tem "fundamentos fiscais sólidos". Ele reiterou que o superávit primário no Brasil neste ano deverá chegar a 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

"Para 2015 não podemos fazer um primário menor do que 2%", atestou o ministro. Ainda segundo Mantega, a projeção da Fazenda para os próximos três anos é de um primário de 2,5% do PIB.

"Há compromisso do governo de manter solidez fiscal neste e nos próximos", afirmou o ministro. No entanto, segundo Mantega, se o crescimento do PIB for maior que 3%, o Brasil poderá fazer um primário maior.

Ainda de acordo com o ministro, "teremos redução das dívidas líquida e bruta neste e nos próximos anos".

 

 

Inadimplência no Bradesco é a menor desde 2008

 

A inadimplência do Bradesco no 1º trimestre de 2014, considerando os atrasos superiores a 90 dias, de 3,4%, é a menor já apresentada pelo banco desde dezembro de 2008, segundo informação do próprio banco. De janeiro a março, os calotes recuaram 0,1 ponto porcentual ante dezembro, de 3,5%, em linha com as perspectivas de analistas do mercado e com a própria indicação da administração do Bradesco que já havia sinalizado estabilidade do indicador com possibilidade de redução. O declínio foi o quinto trimestral consecutivo no indicador de inadimplência do Bradesco.

Em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, o banco explica que a queda dos calores foi influenciada, principalmente, pela mudança do mix da carteira, com destaque para o crescimento de crédito consignado (com desconto em folha) e imobiliário. O Bradesco acrescenta ainda que o recuo no primeiro trimestre também foi beneficiado pelo aprimoramento "contínuo" dos modelos e sistemas de concessão de crédito e pelo aperfeiçoamento dos modelos internos de acompanhamento de risco.

O destaque no primeiro trimestre, segundo o banco, foi a redução apresentada pelo indicador da pessoa física. Os calotes deste público passaram de 5,0% ao final de dezembro para 4,7% no término de março. Em um ano, a queda chegou a 1,3 ponto porcentual. Nas grandes empresas, a inadimplência também melhorou, passando de 0,6% no quarto trimestre do ano passado para 0,4% nos três meses imediatamente posteriores. Em 12 meses, porém, foi visto aumento de 0,1 ponto porcentual.

Em contrapartida, os calotes aumentaram no período de referência, de 4,1% no quarto trimestre de 2013 para 4,2% nos três primeiros meses deste ano no segmento de micro, pequenas e médias empresas. Em um ano, foi registrado recuo de 0,4 ponto porcentual.

 

Petroleira devolve pela 1ª vez uma área do pré-sal

Sofrendo grande pressão sobre sua gestão, entre denúncias de irregularidades e alto endividamento, e com prazo apertado para ampliar a produção, a Petrobrás optou por devolver a área em que realizou a primeira perfuração do pré-sal. O bloco BM-S-10, na Bacia de Santos, foi entregue no último mês à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP), após a estatal não ter cumprido os prazos para declaração de comercialidade da área.

É a primeira vez que a companhia devolve uma área de pré-sal. A decisão foi vista pelo mercado como um sinal de que a estatal está revendo suas prioridades de exploração para cumprir os investimentos previstos. A meta é dobrar sua produção até 2020, atingindo quatro bilhões de barris de óleo por dia. Para tanto, a companhia já revê a política de conteúdo local com objetivo de acelerar a entrega de embarcações para a campanha exploratória.

Em nota, a estatal informou que seus estudos indicaram a "inviabilidade" do desenvolvimento econômico do bloco. A descoberta do óleo no bloco foi anunciada em 2005, na área chamada de Parati, próxima aos campos de Lula e Sapinhoá. Na época, a Petrobrás havia avaliado o óleo como de boa qualidade, leve e de maior valor comercial. A descoberta foi feita por amostragem em poços com profundidade de mais de 5 mil metros.

Pelo cronograma, ela deveria apresentar até 2012 os estudos sobre dimensão e características do reservatório para, em seguida, declarar a comercialidade. Segundo a ANP, isto não foi feito e o bloco retomou ao portfólio da agência reguladora, podendo ser concedido a outro consórcio interessado.

"Nesse momento, a Petrobrás tem muita coisa para fazer, o que demanda muito investimento e também mão de obra e equipamentos. Então ela pode estar traçando prioridades para as áreas onde considera mais interessante", avalia o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie). "A sua situação econômica gera uma pressão para refinar essas prioridades", completa.

O consultor também destaca que as parceiras também enfrentam situações econômicas difíceis no mercado internacional. O consórcio era formado pela Petrobrás (65%) com as empresas portuguesas BG (25% ) e Partex (10%). O contrato para exploração da área foi assinado com a ANP em 2001, na segunda rodada de licitações da agência.

"A perfuração dos poços levou um ano em função das dificuldades da área, que tem uma camada muito espessa de sal", avalia o geólogo Carlos Jorge Abreu, professor da UNB especialista em petróleo. "Houve tempo suficiente para ter uma solução para a área. Tudo indica que não era interessante, para a empresa, desenvolver esse bloco, talvez por razões econômicas", completa.

Em nota, a estatal informou que analisou as informações sobre a área em conjunto com as empresas parceiras. A avaliação era que os reservatórios tinham natureza "heterogênea e desconectada" o que "inviabilizava a implantação de projeto para o desenvolvimento econômico dessa descoberta".


 

Projeção para a inflação ultrapassa o teto da meta

Pela primeira vez no ano, a projeção para a inflação medida pelo IPCA em 2014 estourou o teto da meta, limite definido em 6,5%. Segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a estimativa saltou de 6,47% para 6,51% entre uma semana e outra. Há quatro semanas, a estimativa era de 6,28%. Para 2015, a previsão ficou estável 6%. Há quatro semanas, a expectativa era de 5,80%.

A previsão de inflação para os próximos 12 meses à frente subiu de 6,12% para 6,07%, conforme a projeção suavizada para o IPCA. Há quatro semanas, estava em 6,20%.

Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa Focus, a previsão para o IPCA em 2014 no cenário de médio prazo também estourou o teto da meta ao passar de 6,49% para 6,59%. Para 2015, a previsão dos cinco analistas recuou de 6,27% para 6,00%. Há quatro semanas, o grupo apostava em altas de 6,57% para 2014 e 6,00% para 2015.

Entre todos os analistas ouvidos pelo BC, a mediana das estimativas para o IPCA de abril aumentou de 0,69% para 0,80%. Há quatro semanas, estava em 0,60%. Para maio, a projeção subiu de 0,45% para 0,47%.

PIB. A previsão de crescimento da economia brasileira em 2014 recuou de 1,65% para 1,63%. Há quatro semanas, a expectativa era de 1,70%. Para 2015, a estimativa de expansão se manteve em 2,00%, mesmo valor há oito semanas.

A projeção para o crescimento do setor industrial em 2014, no entanto, apresentou aceleração; passou de 0,70% para 1,40%. Para 2015, economistas mantiveram a previsão em 2,95%. Quatro semanas antes, a Focus apontava estimativa de expansão de 1,41% para 2014 e de 3,00% em 2015 para o setor.

Os analistas mantiveram estável, em 34,80%, a previsão para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2014. Há quatro semanas, estava em 34,75%. Para 2015, segue em 35,00% há 18 semanas.

Juro. Os economistas mantiveram a previsão para a taxa Selic no fim de 2014 em 11,25% ao ano, há quatro semanas a previsão era a mesma. Para 2015, a mediana segue em 12,00% ao ano há dez semanas. A taxa básica de juros está em 11,00% ao ano desde a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorreu em abril.

A previsão para a Selic média em 2014 ficou estável em 11,06%. Para 2015, passou de 12,01% para 12,00%. Há quatro semanas, estavam em 10,94% e 11,83% ao ano, respectivamente.

Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa Focus, a previsão para a Selic no fim de 2014 ficou estável em 11,88% ao ano e, para 2015, permaneceu em 13% pela terceira semana consecutiva. Há quatro semanas a projeção era, respectivamente, 11,75% ao ano e 12,00%.

Déficit. O mercado financeiro elevou a previsão para o déficit em transações correntes em 2014. A pesquisa Focus mostra que a mediana das expectativas de saldo negativo na conta corrente este ano passou de US$ 77,00 bilhões para US$ 77,05 bilhões. Para 2015, a previsão de déficit nas contas externas ficou estável em US$ 75,60 bilhões. Há quatro semanas, o déficit estava em US$ 75,00 bilhões para 2014 e em US$ 73,50 bilhões para 2015.

Na mesma pesquisa, economistas elevaram ligeiramente a estimativa de superávit comercial em 2014 de US$ 3,00 bilhões para US$ 3,02 bilhões. Quatro semanas antes, estava em US$ 4,71 bilhões. Para 2015, a projeção se manteve em US$ 10,00 bilhões, mesmo valor de sete semanas atrás.

A pesquisa mostrou ainda que as estimativas para o ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED), aquele voltado ao setor produtivo, ficou estável em US$ 60,00 bilhões em 2014 pela segunda semana consecutiva. Para 2015 segue em US$ 55 bilhões, mesmo valor registrado há sete semanas.

 

 

 

Desemprego está no menor nível histórico

 

 O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que o Brasil está com a taxa de desemprego em seu mínimo histórico. "A economia brasileira ainda vem gerando postos de trabalho, foi o que vimos nos dados do Caged de fevereiro. Foram mais de 260 mil empregos criados, ainda que tenha a questão sazonal, com Carnaval." Ele disse, ainda, que o Brasil cresce a uma taxa de 2% e que o mercado de trabalho ainda estará aquecido à frente.

Tombini também afirmou que o déficit em conta corrente brasileiro se estabilizou nos últimos anos em 3,6% do PIB e disse que as perspectivas à frente são de estabilidade, com expectativa de recuo nos próximos meses. O presidente do BC explicou que 80% do déficit em conta corrente é financiado pelo Investimento Estrangeiro Ddireto (IED). "É um cenário confortável", afirmou.

Segundo ele, é natural que o Brasil absorva mais poupança externa. Tombini afirmou que a média histórica de absorção da poupança externa é de 2% do PIB e que agora o País caminha para uma taxa ao redor de 3%.

A presidente Dilma Rousseff chegou à reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o chamado "Conselhão", durante o discurso de Alexandre Tombini, enquanto ele falava sobre o déficit em conta corrente. Ela estava acompanhado do vice, Michel Temer. (Laís Alegretti, Rafael Moraes Moura e Victor Martins)

 

 

Confiança dos empresários em abril cai ao menor nível

O empresariado está mais pessimista. Segundo o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) de abril, a confiança está no menor nível em cinco anos, caiu 3,3 pontos comparado a março, para 49,2 pontos, abaixo ainda da média histórica. Os dados são da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e foram divulgados. De acordo com a pesquisa, todos os segmentos industriais registraram recuou no indicador.

O Icei varia de zero a cem pontos. O índice acima de 50 pontos sinaliza que o empresariado está confiante. Se pontuar abaixo de 50, como o ocorrido nesta divulgação, o setor é classificado como pessimista. O levantamento mostra a expectativa dos empresários sobre o momento atual e para os próximos seis meses tanto para a economia quanto para as atividades das empresas.

A pesquisa avalia ainda a confiança em relação as condições atuais e, de acordo com a CNI, houve um aprofundamento do pessimismo, recuou de 44,7 pontos em março para 41,2 em abril. Apesar desse movimento, as expectativas para os próximos seis meses seguem otimistas, em 53,3 pontos.

Este foi o 14º mês consecutivo de confiança abaixo da média histórica, de 58,1 pontos e, segundo a pesquisa, a queda de confiança atingiu todos os ramos da indústria. De 35 ramos, 25 estão classificados como pessimistas, com o Icei abaixo de 50 pontos, e dez, com índices acima desse valor, considerados confiantes.

O pior nível de confiança entre os 35 segmentos é o do segmento de veículos automotores, que está em 42,7 pontos. No mês passado, o ramo registrava 49,3. Atrás dele, figuram os segmentos de madeira e de borracha, ambos com 44,3 pontos. A CNI chamou a atenção para o segmento de construção civil que, na visão da entidade, passou a demonstrar baixa confiança, com 50,9 pontos, muito próximo do nível que o pode colocar como pessimista.

A entidade, na pesquisa, ainda classificou o quadro da indústria de transformação como de "clara falta de confiança", isso em função da queda de 51,8 pontos no mês passado para 48,2 neste. Dos 27 ramos da indústria de transformação, 23 estão abaixo dos 50 pontos e seis deles abaixo dos 45.

Na avaliação da CNI, a falta de confiança desestimula o investimento e sinaliza que a indústria permanecerá com dificuldades para reencontrar o caminho de uma recuperação sustentada. Para Flávio Castelo Branco, gerente executivo de Políticas Econômicas da CNI, o indicador vem em trajetória de queda refletindo dificuldades da economia e em especial do setor industrial.

"O crescimento é baixo, temos questões que preocupam, como a aceleração da inflação, que tem levado o BC a subir juros, o que obviamente contamina a confiança do empresário e as expectativas", avaliou. Castelo Branco ainda listou o problema hídrico e energético como uma pressão a mais a gerar dúvidas no setor. "Há a questão da energia e a eventual possibilidade de escassez de energia. Se não ocorrer um racionamento, há o ajuste no preço das tarifas e isso tem sido financiado por fundos fiscais. Tem uma construção difícil", avaliou.

As pequenas e médias empresas mostraram a maior falta de confiança. As de menor porte registraram recuou de 51,9 pontos em abril para 48,7 em março, as médias, 51,7 pontos para 48,6 pontos. As grandes empresas, mesmo em melhores níveis que as demais, também se situam abaixo dos 50 pontos e entre abril e maio apresentaram queda no indicador de confiança, de 53,3 pontos para 49,8.

Quando se observa as grandes regiões do País, três estão otimistas e duas pessimistas. Norte (com 54 pontos), Nordeste (52,5) e Centro-Oeste (53) estão do lado confiante da pesquisa e Sul (47,8) e Sudeste (45,3), do pessimista.

A pesquisa do Icei foi realizada entre 1º e 10 de abril com 2.346 empresas de todo o País, das quais 889 são de pequeno porte, 901 médias e 556 grandes.

Indústria  automobilística volta a acumular estoques

Os estoques excessivos da indústria vão além das montadoras, cujos pátios cheios de carros desencadearam uma onda de férias coletivas, suspensão de contratos de trabalho e programas de demissão voluntária. Também apontam quadro de estoques acima do normal os setores têxtil, mecânico (máquinas e equipamentos) e vestuário e calçados.

Com esse cenário, a indústria revê para baixo as expectativas de crescimento da produção em relação a 2013. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), que em dezembro projetava alta de 2%, reviu os números para 1,7% na sexta-feira.

O Banco Central, no relatório sobre a inflação, aponta alta de apenas 0,5% para a indústria de transformação, em comparação ao crescimento de 1,9% do ano passado. A Fiesp tem avaliação próxima, com expectativa de 0,8% de crescimento. No fim do ano, a aposta era de 2%.

O início do ano foi positivo para a indústria. Em janeiro, a produção industrial, medida pelo IBGE, cresceu 3,8%. Em fevereiro, a alta foi de 0,4%. O resultado do bimestre reverteu totalmente as perdas nos últimos dois meses de 2013. Mas a indústria voltou a apresentar um desempenho errático.
Falta de confiança do empresariado e do consumidor, alta dos juros, frustração com a esperada retomada das exportações e crise na Argentina estão entre as razões para a expectativa de crescimento abaixo do que se imaginava.

O indicador de estoques da indústria, elaborado mensalmente pela Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que, em março, de um total de 14 setores, nove registraram aumento de empresas com produtos parados em excesso. Em dezembro havia cinco setores nessas condições e, há um ano, sete.

No mês passado, 8,4% das cerca de 1,2 mil indústrias consultadas tinham estoques excessivos, excluída a fatia de 1% das empresas que declararam ter produtos insuficientes em seus depósitos. É o mais alto porcentual desde outubro de 2011, quando atingiu 8,5%, segundo o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo. A média dos últimos cinco anos foi de 3,5%.

O setor é super estocado quando a parcela de empresas com estoques excessivos supera 10%. No caso das montadoras e autopeças, 26,7% das empresas relataram estoques acima do normal. Na indústria têxtil, 15,6% das empresas informaram ter estoques excessivos, na mecânica, 14,4% e na de vestuário e calçados, 13,3%. "A recuperação que estava sendo ensaiada pela indústria no início do ano perdeu fôlego e os altos estoques vão além dos carros", diz Campelo. "Isso sinaliza uma situação preocupante." Uma das razões para a mudança, que ele chama de "fator choque" é a queda de vendas para a Argentina.

 

O ‘rei da soja’, entra na lista de bilionários da ‘Forbes’

Mais quatro brasileiros estão na lista de bilionários da revista Forbes. E são todos das mesma família: os donos do Grupo Andre Maggi, do segmento do agronegócio, energia e exportador de soja. Blairo Maggi, conhecido como o "rei da soja" e atual senador pelo Mato Grosso; Lucia Borges Maggi, mãe de Blairo e presidente do grupo até 2010; Itamar Locks, cunhado de Blairo e atual CEO da divisão de agricultura do grupo; e Marli Maggi Pissollo, irmã do "rei da soja".

Cada um deles tem cerca de 16,6% de participação no Grupo Andre Maggi, que leva o nome do marido de Lúcia. A estimativa recente da revista Forbes é de que empresa tem valor de mercado de R$ 13,8 bilhões, ou US$ 6,2 bilhões. Segundo a Forbes, graças ao câmbio, a família Maggi agora também é bilionária em dólares.

A revista afirma que os Maggi não são mais os "reis da soja", posto que ocuparam nos anos 1990 e início dos 2000. Mas a família ajudou o Brasil a assumir a posição de segundo maior produtor de soja do mundo (atrás dos EUA) e fez fortuna com soja plantada em áreas no sul da floresta Amazônica e, com isso, comprou briga com ambientalistas. Outro grupo, o Bom Futuro, tem hoje mais área plantada de soja, mas os Maggi possuem a produção mais rentável de soja brasileira.

Os bilionários Maggi: quem é quem, segundo a Forbes

A matriarca

Lucia Borges Maggi, 82, foi presidente do Grupo Andre Maggi após a morte do marido, em 2001, até 2010. Sua fortuna é estimada em R$ 2,3 bilhões (US$ 1,07 bilhão).

O senador

Blairo Maggi, 58, conhecido como "rei da soja". Criticado por ambientalistas, que o responsabilizam por desmatamento da Amazônia. Foi governador do Mato Grosso por dois mandatos e hoje é senador. Tem a mesma fortuna da mãe.

O CEO

O cunhado de Blairo, Itamar Locks, tem 16,67% do Grupo Andre Maggi. Hoje é CEO da divisão de agricultura do grupo. É incentivado por Blairo a adotar uma postura ambiental mais "verde". Em sua gestão, a empresa se tornou a primeira no mundo a produzir soja de acordo com critérios de ONG's ambientais, da certificação da Round Table On Responsible Soy (RTRS). Locks tem fortuna avaliada em US$ 1,07 bilhão.

A irmã

Marli Maggi Pissollo controla 16,12% do Grupo Andre Maggi e tem R$ 2,28 bilhões, ou US$ 1,03 bilhão.

 

Helicóptero é usado para pegar  fraudador em MG

 

Com um helicóptero que fará imagens usando uma câmera infravermelha, a Receita Federal começou a sobrevoar o interior de Minas Gerais. O objetivo é identificar imóveis de luxo construídos principalmente próximos a balneários ou em condomínios afastados e que não recolheram a contribuição previdenciária sobre as obras.

A operação também permitirá saber se houve sonegação no imposto de renda. Para isso, a Superintendência da Receita em Minas analisará se o patrimônio do proprietário cresceu acima do que ele declarou no IR. Mais de 2 mil imóveis tiveram as informações cruzadas e podem ter deixado de render milhões de reais em impostos e contribuições.

A operação, denominada Grifo 2, começou pelo centro-oeste do Estado, envolvendo a área abrangida pela Delegacia da Receita Federal de Divinolândia, mas também englobará até o dia 16 deste mês outras regiões, como o sul do Estado e o Triângulo Mineiro. A intenção é regularizar as obras e, para isso, está sendo usado um helicóptero modelo EC-135. Ele sobrevoa os condomínios a uma altura que varia de 200 metros a 400 metros.

Ontem, a programação previa o sobrevoo de 90 construções localizadas nas cidades de Divinópolis, Capitólio e Formiga, entre outras. De acordo com Marcos Paulo Pereira Milagres, delegado da Receita em Divinópolis, em alguns desses locais a fiscalização por terra é complicada e a aeronave vai ajudar muito no trabalho.

Segundo ele, durante os voos, se outras obras suspeitas forem localizadas, elas também serão fiscalizadas. Problemas como a falta de documentos ou informações erradas para reduzir o pagamento de impostos podem gerar multas aos proprietários e processo por sonegação. Somente em Divinópolis a expectativa é que a ação ajude a aumentar em 25% a arrecadação em relação ao ano passado.

Malha fina. Todas as imagens feitas pelo helicóptero serão comparadas com fotos de satélite, sendo os dados dos imóveis cruzados com as informações fornecidas à Receita, além de prefeituras e cartórios imobiliários. No caso de irregularidade, as delegacias notificarão os contribuintes para que regularizem a situação.

Em abril de 2013, durante a Operação Grifo 1, houve um aumento de R$ 158 milhões na arrecadação da contribuição previdenciária no setor da construção civil na região abrangida, 18% a mais na comparação com o mesmo período do ano anterior.

 

Preços estoura teto da meta e IPCA chega a 6,15%

O aumento da inflação em 12 meses até março já estourou o teto da meta do governo em seis das nove atividades que integram o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, (IBGE), em março, a taxa de variação ficou acima de 6,5% nos grupos Alimentação e Bebidas (7,14%), Habitação (7,35%), Artigos de residência (7,29%), Saúde e cuidados pessoais (6,90%), Despesas pessoais (8,98%) e Educação (8,72%).

No mesmo período,o IPCA acumulou uma alta de 6,15% em 12 meses, informou o IBGE. A última vez que o IPCA esteve acima de 6% foi em agosto do ano passado, quando atingiu 6,09%. Acima da meta do governo de 6,5%, o IPCA esteve em junho, quando fechou em 6,7%.

O grupo Alimentos também exerce pressão na inflação. O salto nos preços dos alimentos foi responsável por mais da metade da taxa do IPCA em março. A estiagem prejudicou as lavouras, impulsionando o preço de produtos importantes na cesta básica do consumidor.Itens como batata  e to,ate subiram mais de 30% no mês.

"As inflações setoriais mostram que a maioria delas está acima de 6%, e o que está contendo a inflação (pelo IPCA em 12 meses) é justamente transportes", apontou a coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos.

O grupo Transportes - que tem o segundo maior peso sobre o orçamento das famílias, atrás apenas de alimentação e bebidas - registra uma taxa acumulada em 12 meses de 3,10%. "Esse aumento de 3,10% se deve principalmente ao reajuste da gasolina, que puxou parte dessa alta. Mas é o (grupo) transporte que se destaca com resultado relativamente baixo perto dos outros", disse Eulina.

Os demais grupos que contribuem para frear a taxa do IPCA em 12 meses são Vestuário (com alta de 4,94% nos 12 meses encerrados em março) e Comunicação (0,25%).

 

FMI reduz perspectiva de crescimento do Brasil

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu, sua projeção de crescimento econômico para o Brasil em 2014 a 1,8%, ante 2,3% o previsto no início  do ano.

No relatório "Perspectiva Econômica Global", o FMI ainda revisou para baixo sua perspectiva sobre a atividade econômica brasileira para 2015, a 2,7%, ante 2,9% em janeiro de acordo com números atualizados.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro surpreendeu ao crescer 0,7% no quarto trimestre de 2013 na comparação com os três meses anteriores, e encerrou o ano de 2013 com expansão de 2,3%..

No entanto, a avaliação dos agentes econômicos e dentro do próprio governo, que vê "recuperação gradual", é de que este ano a atividade perca força. Pesquisa Focus do Banco Central aponta que a expectativa de especialistas é de expansão de 1,63% neste ano e de 2% em 2015.

Segundo o FMI, a economia brasileira está sendo afetada pelas restrições de oferta no mercado interno, especialmente em infraestrutura, e pelo contínuo fraco crescimento do investimento privado. Também pesa a "perda de competitividade e a baixa confiança empresarial".

Inflação. O FMI também chamou a atenção para a inflação no país, que tem se mantido elevada e próxima do teto da meta oficial, de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

O organismo internacional calculou que a inflação ao consumidor do país fechará este ano em 5,9% e em 5,5% em 2015. Na quarta-feira, será divulgado o IPCA de março e as expectativas são de aceleração, chegando em 12 meses a 6,08%.

O FMI também projetou que o déficit em conta corrente do Brasil ficará em 3,6 por cento do PIB em 2014 e em 3,7 por cento em 2015.

Países ricos. O FMI projetou que a recuperação global vai se fortalecer este ano conforme a produção em economias avançadas se recupera, mas alertou para riscos crescentes em economias emergentes. O Fundo disse que políticas melhores são necessárias para elevar a capacidade produtiva mundial e evitar um período prolongado de crescimento lento.

A produção global deve se expandir 3,6% em 2014, levemente abaixo do que o previsto em janeiro, e crescer 3,9% no ano que vem.

Custo de vida em SP subiu 0,81%

A inflação na cidade de São Paulo, medida pelo Índice do Custo de Vida (ICV) apurado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), variou 0,81% em março, uma aceleração ante fevereiro (0,61%). Em 12 meses até março, o indicador acumula alta de 6,78%. No acumulado do primeiro trimestre, a inflação para o paulistano é de 3,40%.As maiores pressões em março vieram de Alimentação (1,83%), Transporte (0,93%), Despesas Pessoais (0,51%) e Habitação (0,29%). Juntos, os quatro grupos contribuíram com 0,78 ponto porcentual na taxa de março.

Também registraram variação positiva Vestuário (0,34%), Saúde (1,07%), Despesas Diversas (1,07) e Recreação (0,49%). Foram apurados decréscimos em Equipamentos Domésticos (-0,12%) e Educação e Leitura (-0,84%).

De acordo com o Dieese, as famílias paulistanas que sofreram em março maior impacto do aumento do custo de vida foram aquelas com menor renda e rendimento intermediário. Para os dois estratos da sociedade, de acordo com o Dieese, as variações do custo de vida foram de 1,00% e 0,94%, respectivamente, portanto acima da média do indicador. Já para as famílias de maior renda o custo de vida subiu 0,68% em março.

Pressão de alta. A alta em Alimentação foi puxada por alimentos in natura e semielaborados (3,14%), alimentação fora do domicílio (0,80%) e indústria da alimentação (0,74%). Já no grupo Transporte, houve pressão dos reajustes dos combustíveis pelo quarto mês seguido no item transporte individual, que subiu 1,35%.

Já em Despesas Pessoais o subgrupo higiene e beleza apresentou variação mensal de 1,07%. Em Habitação, a pressão veio de operação do domicílio (0,48%) e conservação do domicílio (0,23%).

 

Produção de veículos cai 3,6% em março

A produção de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no mercado brasileiro somou 271.217 unidades em março, queda de 3,6% na comparação com fevereiro e recuo de 17,6% ante março de 2013, divulgou , 4, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Com o resultado, a produção ainda acumula queda de 8,4% nos três primeiros meses do ano, sobre igual período de 2013, para 789.855 unidades.

Queda nas vendas de carros no primeiro trimestre já provoca corte de produção para os próximos meses. A maioria das montadoras tem adotado medidas de corte de produção, como férias coletivas e suspensão temporária de contrato de trabalho de parte dos funcionários. A Mercedes calcula que haja um excedente de 2 mil funcionários na fábrica em São Bernardo. A montadora vai cortar produção e pessoal.

Considerando apenas automóveis e comerciais leves, a produção em março chegou a 254.019 unidades, queda de 3,3% na comparação com fevereiro e recuo de 17,7% ante março do ano passado. No mês passado, foram produzidos 204.411 automóveis e 49.608 comerciais leves.

A produção de caminhões atingiu 13.688 unidades em março, queda de 9,0% na comparação com fevereiro e recuo de 18,0% ante março de 2013. No caso dos ônibus, foram produzidas 3.510 unidades em março, baixa de 5,3% na comparação com fevereiro e queda de 7,6% ante março do ano passado.

As vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus atingiram 240.808 unidades em março, recuo de 7,1% na comparação com fevereiro e queda de 15,2% ante março de 2013.

No acumulado de janeiro a março deste ano, os emplacamentos chegaram a 812.754 de unidades, baixa de 2,1% sobre igual período do ano passado.

Flex. A fatia de automóveis e veículos comerciais leves biocombustíveis (flex) se manteve em 87,8% em março, participação igual à registrada em fevereiro. Ao todo, os veículos flex somaram 201.145 unidades em março deste ano. Em março do ano passado, a participação das vendas dos veículos flex era de 88,9%.

Exportação. As exportações em valores do setor automotivo brasileiro somaram US$ 988 milhões em março, baixa de 2,9% na comparação com fevereiro e recuo de 26,3% ante março de 2013.

As exportações acumuladas de janeiro a março movimentaram US$ 2,903 bilhões, queda de 15,3% ante igual período de 2013. Os valores consideram as exportações de autoveículos e máquinas agrícolas.

O mês de março encerrou com 23.408 automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus exportados, queda de 18,8% na comparação com fevereiro e recuo de 46,2% ante março de 2013.

No acumulado de janeiro a março deste ano foram exportadas 75.049 unidades de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, queda de 32,7% sobre igual período de 2013.

Máquinas agrícols. As vendas internas de máquinas agrícolas no atacado atingiram 5.533 unidades em março, baixa de 1,2% na comparação com fevereiro e recuo de 24,4% ante março de 2013. As vendas acumulam queda de 21,3% de janeiro a março deste ano sobre igual período de 2013, para 14.906 unidades.

Já a produção de máquinas agrícolas chegou a 6.632 unidades em março, baixa de 13,8% na comparação com fevereiro e recuo de 22,5% ante março de 2013. A produção de máquinas agrícolas acumula queda de 13,0% de janeiro a março deste ano sobre igual período de 2013, para 19.521 unidades.

As exportações de máquinas agrícolas em valores totalizaram US$ 254,316 milhões em março, baixa de 2,2% na comparação com fevereiro e recuo de 12,1% ante março de 2013. As exportações de máquinas agrícolas em valores caíram 4,5% no acumulado de janeiro a março deste ano sobre igual período do ano passado, para US$ 727,669 milhões.

O total de máquinas agrícolas exportadas chegou a 1.062 unidades em março, alta de 1,9% na comparação com fevereiro e recuo de 7,5% ante março de 2013. As exportações de máquinas agrícolas caíram 9,8% no acumulado de janeiro a março deste ano sobre igual período do ano passado, para 2.661 unidades.

Emprego. O setor automotivo encerrou o mês de março com 155.536 empregados, queda de 0,4% na comparação com fevereiro e avanço de 0,3% ante março de 2013. O segmento de autoveículos registrou baixa de 0,4% em março na comparação com fevereiro no total de empregados, totalizando 134.314 pessoas. Na comparação com março de 2013, a queda foi de 0,2%.

O segmento de máquinas agrícolas teve queda de 0,2% no número de empregados na comparação com fevereiro, mas avanço de 3,5% na comparação com março de 2013, para 21.222 funcionários.

 

Inflação dos alimentos salta 2,3% com crise na Ucrânia

Adversidades climáticas no Brasil e nos Estados Unidos e a tensão política na região do Mar Negro, importante área produtora de grãos, fizeram com que o indicador global de preços dos alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) saltasse 4,8 pontos (2,3%) em março, para uma média de 212,8 pontos, o maior nível desde maio do ano passado. Em fevereiro, o índice, calculado a partir dos preços de uma cesta de commodities, já havia registrado alta de 2,6% também por conta das instabilidades na Ucrânia.

De todos os segmentos que compõem o indicador, apenas o de laticínios não registrou alta em março, com queda de 2,5% - a primeira em quatro meses. De acordo com a FAO, o recuo foi influenciado por um enfraquecimento da demanda chinesa e por produções robustas na Nova Zelândia e no Hemisfério Norte.

Já o açúcar registrou a maior alta, de 7,9%, em meio à estiagem no Centro-Sul do Brasil, principal região produtora do mundo. Na sequência aparecem os cereais (5,2%), cujos preços subiram por conta do clima seco no Brasil e nos Estados Unidos e também em razão das tensões na região do Mar Negro.

"O indicador analisa as tendências em março. Desde então, os temores de que a Ucrânia reduza as exportações diminuíram. Também já não há tantas preocupações quanto a possíveis choques de oferta em 2014", afirma o economista da FAO Abdolreza Abbassian.

A entidade também fez novas estimativas para a produção global de commodities. De acordo com a entidade, deverão ser produzidos 2,521 bilhões de toneladas de grãos no ano-safra 2013/14, 6 milhões de toneladas a mais que o anteriormente previsto. Mesmo assim, é "muito cedo para se fazer uma projeção detalhada, porque ainda há muito a ser plantado, e o clima será uma peça-chave neste ano", afirma Abbassian.

A produção mundial de trigo deve ser de 702 milhões de toneladas, 2 milhões de toneladas a menos que o previsto em março e 2% inferior à safra recorde do ano passado. Em relação ao arroz, a produção deve ter um incremento modesto de 0,8% em 2013/14, para 500,7 milhões de toneladas, pois os preços não estão muito atrativos, diz a FAO. Esse crescimento, entretanto, não deve acompanhar a demanda, e os estoques ao final da temporada devem diminuir, prevê a entidade.

 

 

Galeão tem que ser tão bom quanto aeroporto de Cingapura

A presidente Dilma Rousseff participou, da assinatura do contrato de concessão do Aeroporto do Galeão, no Rio. O consórcio formado pelas empresas Odebrecht Transport e Changi Airports venceu o leilão disputado em novembro do ano passado, com uma oferta de R$ 19 bilhões pelo terminal.

A presidente também cobrou a futura concessionária do terminal para que o Galeão "seja tão bom quanto o aeroporto de Cingapura", operado pela Changi e eleito na última semana o melhor do mundo.

De acordo com a presidente, a concessão é um reflexo da necessidade de melhoria nos serviços do aeroporto, em função da maior inclusão de passageiros.

"Hoje, a aviação é um transporte de massa e não de uma camada de privilegiados", destacou.

Cronograma. Nos primeiros três meses, incluindo o período da Copa do Mundo, o aeroporto continuará a ser operado pela Infraero, em fase de transição. O consorcio apresentará seus planos de investimentos em ações imediatas, sujeitos a aprovação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). As primeiras alterações previstas são referentes à sinalização do terminal e manutenção dos equipamentos de escadas rolantes e elevadores. As empresas administrarão o aeroporto por 25 anos.

Em agosto, a operação passará a ser feita pela concessionária, ainda sob a supervisão da Infraero. Somente em dezembro o terminal será totalmente operado pela administração privada. Até 2016, estão previstos investimentos de reforma e ampliação de pistas, estacionamentos, pontes de embarque e terminal de passageiros.

Na próxima segunda-feira, dia 7, será assinado o contrato da concessão do aeroporto de Confins, na região metropolitana de Minas Gerais. O consórcio vencedor pagou cerca de R$ 1,2 bilhão pelo terminal. O grupo é formado pela empresa CCR em associação com as operadoras do terminal de Munique, na Alemanha, e Zurique, na Suíça.

 

Governo sobe tributação de cerveja e refrigerantes

A tributação das chamadas "bebidas frias" – categoria que engloba cervejas, águas, isotônicos, energéticos e refrigerantes, entre outros produtos – foi elevada. Em portaria publicada no "Diário Oficial da União", a Secretaria da Receita Federal atualizou o redutor que define a tributação do IPI, PIS e COFINS sobre estes produtos.

O governo, entretanto, não informou qual será o percentual de elevação média para todos os produtos nem sobre cada um individualmente. A Secretaria da Receita informou apenas que espera arrecadar R$ 200 milhões a mais este ano com a medida.

O aumento da tributação já era esperado: o governo já havia anunciado, na semana passada, que poderia haver reajuste desses itens. O Ministério da Fazenda declarou, porém, que essa medida já estava no último relatório do orçamento federal e que não tem relação com a conta de luz.

Mesmo não admitindo a ligação da atualização do redutor sobre as bebidas frias com a energia elétrica, o governo busca reunir recursos para evitar a alta na conta de luz em 2014. Isso porque está havendo um maior uso da energia das termelétricas – cuja produção é mais cara – o que poderia resultar em aumento das tarifas.

Para bancar esse custo, haverá um novo aporte do Tesouro, no valor de R$ 4 bilhões, na Conta de Desenvolvimento Energético, que vai bancar parte da conta extra, e será permitido que as distribuidoras emprestem R$ 8 bilhões no mercado. São esses R$ 4 bilhões do governo que os aumentos de tributos pretendem compensar.

Repasses
O governo lembra que o mercado de bebidas é livre. Desse modo, eventuais repasses da alta da tributação para o consumidor dependerão de uma decisão das empresas. Em anos anteriores, quando houve reajuste da tributação de bebidas frias, os produtores decidiram repassar a alta para os preços dos produtos finais.

Se houver esse repasse, a nova tributação das bebidas pode acabar tendo influência na inflação. Na última semana, o mercado financeiro projetou um Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 6,30% para 2014 – valor bem próximo ao teto de 6,5% do sistema de metas de inflação. Há quatro anos seguidos, a inflação no país oscila ao redor de 6%.

 

 

 

Copa trará avanço ‘zero’ ao PIB do Brasil

 

A Copa do Mundo, maior evento esportivo do planeta, planejada durante sete anos para deixar “grande legado” ao Brasil, trará efeitos “fugazes” à economia – mostra relastório da agência de classificação de risco Moody’s

Nas contas da instituição, o torneio trará ganho de riqueza da ordem de R$ 25,2 bilhões ao País. Num primeiro olhar, pode parecer bastante. Mas, pela ótica da produção de bens e serviços (PIB, o Produto Interno Bruto), o impacto é ínfimo.

O PIB consolidado do Brasil no último ano nas Contas Nacionaisem valores correntes, foi de R$ 4,838 trilhões. O avanço de riqueza calculado pela Moody’s representa apenas 0,0005% desse montante.

Ainda de acordo com o estudo, os setores de Alimentos e Bebidas, Hospedagem, Locação de carros, Telecomunicações e Publicidade serão os mais beneficiados pela visita de 3,6 milhões de turistas entre junho e julho para o evento. No entanto, os problemas de mobilidade urbana e os dias perdidos de trabalho por causa dos jogos tendem a minimizar o empurrão dado aos segmentos de Serviços.

Entre as empresas beneficiadas pelo evento, estão, naturalmente, os patrocinadores oficiais da Fifa, de acordo com o texto assinado por Barbara Mattos, Gersan Zurita e Marianna Waltz. As empreiteiras envolvidas na construção dos estádios também têm a ganhar, bem como as redes de tevê transmissoras das partidas.

 

PIB deve crescer em média 4% ao ano de 2014 a 2022

A economia brasileira deve crescer, em média, 4% ao ano entre 2014 e 2022, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. No que ele chamou de "novo ciclo da economia", os investimentos devem crescer 7% ao ano, e o PIB per capita, 33,2% no mesmo período.

Segundo Mantega, que apresentou aula magna na Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV), a economia mundial está saindo da crise e os próximos anos serão de recuperação. Mantega atingiu a marca de ministro mais longevo do país desde a retomada da democracia, ao superar oito anos no cargo.

“No novo ciclo, temos desafios para enfrentar. Brasil tem déficit de infraestrutura. A economia cresceu, mas temos deficiência que vem lá de trás. Estamos correndo contra o tempo, procurando fazer investimentos. Precisamos de investimento também em capital humano. Temos que aumentar a produtividade. Temos que reduzir custos e ter mais inovação tecnológica.”

A mudança no mercado externo também terá influência sobre esse novo ciclo. “O mercado externo é importante. Deve haver recomposição do comércio exterior, e finalmente a expansão do mercado de capitais. Tem que ser principal financiador da expansão das empresas. Daqui para a frente, a possibilidade é que venha crescer, mais IPOs (entrada de empresas na bolsa) e mais captação de recursos”, disse Mantega.

“A crise começou nos países avançados. Tiveram crescimento negativo forte. Emergentes só reduziram o ritmo de crescimento, mas tiveram recuperação rápida. Depois, tivemos outra recaída com a crise nos bancos europeus. Agora, em 2014, a economia mundial deverá crescer mais que em 2013, por isso digo que estamos saindo da crise. Nos próximos anos, haverá recuperação, mas não será tão rápida. Existe luz no fim do túnel, e estamos caminhando nessa direção”, afirmou.

O ministro lembrou que o movimento da economia é cíclico. “Sempre há ciclo de expansão que vai desembocar em crise, e depois haverá período de recessão. Economistas não conseguem cancelar essa lei capitalista inexorável. Quando a economia está em sua expansão, e quando o ciclo é de euforia, como em 2007, economistas esquecem da crise. No início de 2008, o FMI disse que a economia crescia solidamente. Isso, de fato, não se verificou.”

Oferta de títulos bem sucedida
Durante sua apresentação, o ministro afirmou que hoje o país está voltando a registrar aumento de ingresso de capital e os investimentos estão retornando para a bolsa de valores.

“Nesta semana, fizemos duas colocações de títulos no mercado. De títulos em reais, com vencimento até 2050. Houve demanda maior que oferta. Portanto, investidor confia no Brasil. Ontem colocamos um bilhão de euros. Foram adquiridos. Isso é demonstração que há confiança no Brasil. Aquelas análises [de que o país era vulnerável] pararam. O país tem potencial grande e atratividade para investidores”, disse Mantega.

 

Ministro  Borges diz que edital da BR-153 sai na próxima semana

O ministro dos Transportes, César Borges, informou, que o governo deve publicar na próxima semana o edital de concessão do trecho da Rodovia BR-153 entre Anápolis (GO) e Gurupi (TO). Segundo o ministro, o leilão deve ser realizado até 21 de maio, e a tarifa-teto deve girar em torno de R$ 8 a cada 100 quilômetros.

"Já consultei o setor e eles têm interesse nessa rodovia, então lançaremos na próxima semana o edital", afirmou Borges. O trecho entre Gurupi e Palmas será feito por meio de obra pública e não fará parte da concessão. Esse trecho foi retirado do processo para aumentar a atratividade do setor privado pela rodovia.

Segundo o ministro, o modelo será o mesmo utilizado nas concessões de rodovias feitas no ano passado, com as mesmas condições de financiamento. "O setor privado havia pedido um tempo para detalhar os estudos. Esse tempo foi dado, de três meses. E agora temos condições de lançar o edital."

O ministro não fez nenhuma previsão sobre o lançamento do edital da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), entre Lucas do Rio Verde (MT) e Campinorte (GO). Embora os estudos de viabilidade econômico-financeira já tenham sido aprovados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), Borges informou que o governo só lançará o edital quando tiver certeza de que haverá interessados na disputa. Segundo ele, o setor pediu tempo para avaliar os estudos relativos ao trecho.

"Eu quero que todos entendam o seguinte: só lançaremos editais com a certeza de sucesso e participação", afirmou. "Estamos exatamente nesse processo de negociação e conversa. Existem interessados, mas só lançaremos o edital quando os grupos interessados em participar estiverem consolidados."

 

Lucro da Caixa Econômica Federal cresce 19,2%

A Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido de R$ R$ 6,7 bilhões em 2013, cifra 19,2% superior ao resultado ajustado de 2012 em decorrência da mudança de prática contábil devido ao saldo das contas de depósitos encerradas por irregularidades cadastrais. Desconsiderando o ajuste, o crescimento teria sido de 10,8%, na mesma base de comparação. No quarto trimestre, o resultado foi de R$ 1,7 bilhão, aumento de 9,9%. A carteira de crédito ampliada da Caixa atingiu saldo de R$ 494,2 bilhões, alta de 36,8% em 2013 ante o ano anterior. A participação do banco ficou em 18,1% no mercado. Já a contratação de crédito acumulada somou R$ 406,9 bilhões no ano passado, 29,8%, na mesma base de comparação.

As contratações no segmento de crédito habitacional, principal carteira da Caixa, alcançou valor de recorde de R$ 134,9 bilhões em 2013, montante 26,4% superior ao visto no ano imediatamente anterior. Com esse resultado, a Caixa permaneceu líder no mercado, com 68,5% de participação e saldo de R$ 270,4 bilhões, que cresceu 31,4% em relação a dezembro de 2012.

No ano passado, o patrimônio líquido da Caixa aumentou em 13,8% e atingiu R$ 27,4 bilhões. O retorno sobre o patrimônio líquido médio foi de 26,2% no período. No quarto trimestre, a rentabilidade ficou em 28,0%.

Os ativos totais administrados da Caixa alcançaram R$ 1,5 trilhão ao final de 2013, sendo que do total R$ 858,3 bilhões representavam ativos próprios da instituição, expansão de 22,1% em 12 meses. O índice de Basileia do banco foi a 15,1%, aumento de 2,1 pontos porcentuais em 12 meses, acima do mínimo exigido pelo Banco Central, de 11%. O Basileia mede quanto o banco pode emprestar sem comprometer o seu capital.

"O indicador demonstra que a Caixa possui estrutura de capital adequada e suficiente para dar continuidade à implantação de sua estratégia de negócios", destaca o banco, em nota à imprensa.

 

Governo pode elevar tributos para compensar conta de luz

Para não ter uma conta de luz mais alta, os brasileiros podem ter que pagar mais em outros tributos. Segundo a Secretaria de Receita Federal, alguns podem ser elevados já no curto prazo. O objetivo é compensar o gasto adicional de R$ 4 bilhões do governo com a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), resultado do acionamento das usinas térmicas por causa da baixa nos reservatórios das hidrelétricas.

"A Receita Federal apresenta uma cesta de possibilidades para o ministro da Fazenda [Guido Mantega] e para a Casa Civil [da Presidência da República, comandada por Aloisio Mercadante]. Os estudos foram feitos e a construção de cenários foi realizada. Não temos como dizer quais impostos vão subir, mas algumas medidas estão em vias de implementação", declarou o secretário-adjunto do órgão, Luiz Fernando Teixeira Nunes, nesta terça-feira (25). Ele acrescentou que "outras medidas podem ser adotadas" no futuro.

Entre os setores que podem ser taxados pelo governo neste ano estão os cosméticos e as chamadas "bebidas frias", como cervejas e refrigerantes, além de ajustes no PIS e Cofins na importação para "recompor" a retirada do ICMS da base de cálculo dos tributos determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Estas possibilidades estão no rol de medidas apresentadas à área econômica e à Casa Civil que podem vir a ser adotadas pelo governo, disse o secretário-adjunto do Fisco.

Gasto com as térmicas
Em meados de março, o governo federal anunciou novas medidas para socorrer as distribuidoras de energia e reduzir o impacto na conta de luz pelo uso das usinas termelétricas, cuja produção é mais cara.

Para bancar esse custo, haverá um novo aporte do Tesouro, no valor de R$ 4 bilhões, e será permitido que as distribuidoras emprestem R$ 8 bilhões no mercado. São esses R$ 4 bilhões que os possíveis aumentos de tributos pretendem compensar.

Meta fiscal
A alta de tributos, segundo a Receita Federal, acontecerá para assegurar o cumprimento da meta de superávit primário – economia feita para pagar juros da dívida pública e tentar manter sua trajetória de queda – de R$ 99 bilhões para todo o setor público neste ano, o equivalente a 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB). O atingimento da meta fiscal de 2014 foi reafirmado pelo governo após o rebaixamento da nota brasileira pela agência de classificação de risco Standard & Poors (S&P).

"Em relação à Receita Federal, o compromisso é buscar fonte de financiamento necessária para cumprir o decreto orçamentário [meta fiscal de 2014] e é nesse sentido que Receita trabalha sempre. A Receita trabalha sob demanda e, dentro dela, construímos alguns cenários, fizemos alguns cálculos para gabinete do ministro [da Fazenda] e para a Casa Civil", declarou o secretário-adjunto do Fisco a jornalistas.

 

 

Crise de credibilidade da Petrobrás aprofunda incertezas

Aos 60 anos, a Petrobrás está com a saúde debilitada. Sente as dores de um endividamento de 36% de seu valor patrimonial, agravadas pela política de governo de importar combustíveis a preço acima do repassado aos consumidores, para segurar a inflação. Padece de produção estagnada de petróleo, 2,5% abaixo da prometida em 2013. E, não bastassem esses sintomas, a empresa lida agora com denúncias de corrupção relacionadas à compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, que dificultam qualquer diagnóstico dos investidores.

Neste ano, o sobe e desce das ações tende a se manter, por esses motivos e sob o impacto eleitoral. Sinais de que o mercado aposta contra o governo já foram dados. Entre terça-feira e quinta-feira, os papéis da Petrobrás subiram mais de 7,0%, com o boato não confirmado de queda da presidente Dilma Rousseff nas intenções de voto. Na sexta-feira, veio o balde d'água fria: fosse hoje a eleição, Dilma seria reeleita. E no primeiro turno. As ações mantiveram o ritmo de alta, mas bem mais lento: as preferenciais avançaram pouco mais de 1,0%.

A crise de credibilidade derrubou o preço das ações da maior empresa nacional ao nível de setembro de 2005. A cotação, aquém do preço-alvo médio apontado para 2014 (veja o gráfico), sugere potencial de valorização. Mas nem assim os papéis têm sido indicados por unanimidade pelo mercado.

Entre os analistas das corretoras Clear, Planner e Ativa e do Banco do Brasil, consultados pela reportagem, o preço-alvo das ações preferenciais da estatal variou entre R$ 14 e R$ 24.

(Preço-alvo é uma projeção usada para mensurar, com base nos fundamentos financeiros da empresa, quanto custará uma ação ao fim do ano corrente. Ou seja, estima o potencial de valorização de um papel no longo prazo.)

Aos que vetam a compra das ações, pesam o cenário político, a instabilidade financeira e as baixas perspectivas de ganhos de produção. Os mais otimistas ponderam, por outro lado, fatores favoráveis a um reajuste de preços ainda neste ano e perspectivas de recuperação de eficiência. Abaixo, a opinião de cada um deles.

Fernando Góes, da Clear Corretora. "Os preços atuais são realmente atrativos para a compra, apesar disso não recomendamos a compra. Esperamos muita volatilidade para o papel. A ação da Petrobrás está muito ligada ao cenário político e há vários problemas relacionados a isso, como o não reajuste dos combustíveis e o alto endividamento.

A eleição vai pesar bastante no desempenho das ações neste ano. Se tivermos chance da Dilma não ganhar ou se tiver segundo turno, ou qualquer tipo de notícia contra a Dilma, o mercado vai querer comprar Petrobrás e a ação sobe. Se a Dilma ganhar, principalmente em primeiro turno, a ação cai. É uma visão do mercado de que seria bom ter uma mudança na gestão da Petrobrás.

O investidor tem que ficar agora ligado o tempo todo sobre política, porque a volatilidade da Petrobrás vai estar muito relacionada às pesquisas. Dilma mostra fraqueza, Petrobrás sobe. Mostra força, Petrobrás cai. Se o governo der uma boa notícia sobre remarcação de preços, uma alta do papel poderia ser relacionada a esse isso e não só ao cenário político.

O alto endividamento tira o upside (potencial de valorização das ações) da Petrobrás, a não ser que tenha uma mudança estrutural forte sobre remarcação de preço da gasolina. A dívida tira o upside e deixa o papel pressionado para baixo.

A produção da Petrobrás não é o grande problema e tem mostrado certa neutralidade. Não tem surpreendido positivamente, o que poderia ter acontecido com o pré-sal, mas também não tem sido muito ruim. Esse não é o problema que faz a ação cair."

Luiz Francisco Caetano, da corretora Planner. "Uma coisa é o clima em que a ação está envolvida no curto prazo. Outra, o fluxo de caixa, descontados os lucros futuros da empresa, que é o método para determinação do preço justo. A não ser que você seja muito pessimista, você vai encontrar um preço-alvo consideravelmente superior a cotação e, portanto, não tem como deixar de recomendar a compra. No entanto, todos reconhecemos que o momento da empresa é complicado e delicado, em função do endividamento, de atrasos na entregas de plataformas e da produção estagnada.

Na avaliação positiva, vemos que a Petrobrás tem reservas que permitem, num futuro próximo, que a empresa tenha grande salto de produção e vendas. Mas essa capacidade de produção adicionada não é de um dia para o outro, temos uma curva de produção.

O pré-sal entra o no bolo de toda reserva. Não faz diferença se é pré-sal ou pós-sal, desde que se produza a custos razoáveis. O fato é que existem reservas muito altas a serem exploradas. As grandes questões são: quando entra em produção e qual o custo. Aí é que as avaliações variam muito e nós estamos um pouco mais pessimistas, pois vemos atrasos e custos crescentes.

O endividamento é uma questão muitíssimo séria. Mas não é preocupante do ponto de vista da solvência, não quer dizer que a Petrobrás vai falir, porque menos de 10% da dívida é de curto prazo. O problema é o custo do endividamento na proporção que ele está atingindo. O tamanho, a proporção e o custo são realmente muito preocupantes.

Vale a pena o investidor pesar que a ação preferencial foi vendida em 2010, na capitalização, a R$ 26 e hoje está no nível de R$ 13. Está na hora de se medir custos, retornos e expectativas. O discurso da empresa é muito positivo, mas ela tem falhado em cumprir as promessas, a ação caiu muito, mas não quer dizer que está barata, ela pode ter só se ajustado às perspectivas mais pessimistas. É um aviso de prudência."

 

Petrobrás cai de 12ª para 120ª em ranking

A página do jornal Financial Times na internet publicou reportagem, sobre a perda de valor de mercado das empresas de países emergentes. O texto destaca o tombo da Petrobrás. Segundo a publicação, o valor de mercado da estatal brasileira despencou e a empresa que já foi a 12ª maior do planeta há cinco anos caiu para o 120º lugar atualmente.

"Uma das maiores quedas foi da Petrobrás, a empresa petrolífera estatal brasileira. Cinco anos atrás, era a 12ª maior empresa do mundo pelo valor de mercado. Um ano atrás, era a 48ª e hoje é a 120ª maior, com um valor de mercado de US$ 76,6 bilhões", diz o texto. O levantamento feito pelo jornal diz que entre as 100 maiores empresas do mundo há apenas 11 emergentes e nenhuma é brasileira.

"Hoje, não há nenhuma empresa emergente no Top 10 (de valor de mercado do mundo) e apenas a Petrochina permanece no Top 20", diz a reportagem. A estatal chinesa do petróleo é a 16ª maior companhia com valor de mercado do mundo. Entre as demais emergentes, praticamente todas são da China: ICBC (22º), China Mobile (31º); China Construction Bank (36º); Tencent (43º); Agricultural Bank of China (51º); Bank of China (62º); China Petroleum (80º) e Sabic (87º).

Além da Petrobrás que deixou de figurar entre as 100 maiores, o banco Itaú Unibanco, a colombiana Ecopetrol e a mexicana América Móvil também caíram e não estão mais entre os 100 primeiros do ranking citado pelo FT.




 

Alta dos alimentos eleva risco de estouro do teto da meta de inflação

A disparada dos preços dos alimentos aumentou o risco de que o teto de meta de inflação, de 6,5%, acumulada em 12 meses, seja rompido já no segundo trimestre. Antes de contabilizar os estragos provocados pela seca nas regiões produtoras de alimentos, economistas consideravam que essa barreira seria ultrapassada, mas só em meados do ano.

O risco de antecipar o estouro da meta para os próximos meses ficou mais nítido ontem, após a divulgação de dois importantes índices de preços. A segunda prévia do IGP-M de março registrou inflação de 1,41%, resultado quase seis vezes maior que o obtido na segunda prévia de fevereiro (0,24%). O índice foi puxado pela disparada dos alimentos no atacado.

Também o alimento foi o vilão da inflação ao consumidor medida pelo IPC da Fipe. Na segunda quadrissemana deste mês, o índice subiu 0,68% e a alta do preço da comida respondeu pela metade da variação.

"O teto da meta de inflação pode ser rompido antes do final da Copa", afirma o diretor de pesquisa da GO Associados, Fabio Silveira. Antes de conhecer os resultados do IGP-M e do IPC da Fipe, ele projetava que a inflação em 12 meses, medida pelo IPCA, atingiria 6,8% em julho.

Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, faz coro com Silveira e aponta alguns fatores que sustentam essa previsão. "O IPCA deste mês apurado pela FGV mostra que, na ponta, a inflação ao consumidor está em 0,8%, em média, e nos últimos três dias bateu 1%." Por isso, ele acredita ser mais provável a antecipação do rompimento da meta.

Ontem, por exemplo, o departamento econômico do Itaú Unibanco reviu para cima a projeção de inflação para este mês, de 0,7% para 0,8%. "Os dados na margem estão vindo mais pressionados", diz o economista do banco, Elson Teles. Entre os focos de pressão apontados para a mudança de previsão estão a alta do preço do etanol e da gasolina e os alimentos.

"A inflação dos alimentos está pegando agora e também vai pegar no segundo semestre. E não só no Brasil", diz o economista-chefe do banco J. Safra, Carlos Kawall. No seu prognóstico, o alimento vai deixar de ajudar a inflação neste ano.

Esse foi um dos motivos pelos quais ele ampliou de 6% para 6,3% a projeção do IPCA para 2014. Assim como Silveira e Rosa, Kawall diz que o limite para o estouro do teto da meta da inflação acumulada em 12 meses ficou mais tênue. Ele projeta para julho um IPCA acumulado em 12 meses de 6,66% e para junho de 6,4%. "Mas isso pode ser antecipado", adverte.

Risco. O economista Heron do Carmo, professor da Universidade de São Paulo e um dos maiores especialistas em inflação, vê riscos maiores desencadeados pelo choque nos preços dos alimentos.

"Agora, é mais provável que a inflação supere o teto da meta este ano com uma diferença maior", afirma. Isso significa que, nas suas contas, a inflação deverá fechar 2014 bem acima de 6,5%. Além dos alimentos, o economista diz que há pressões fortes que afetam de forma quase generalizada vários grupos de preços, como os serviços e os preços administrados e de bens exportáveis, que sofrem a influência da alta do câmbio, dentro do IPCA.

Nos medicamentos, já existe um reajuste autorizado, em média de 3,5%, que começa a valer a partir do dia 31 de março. Segundo o diretor da Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico (ABCFarma), Renato Tamarozzi, o impacto será sentido pelo consumidor em abril.

 

Contas públicas pioram e governo pode apresentar déficit

Em meio ao processo de avaliação da nota de crédito do Brasil pela agência de risco Standard & Poor's, o governo se prepara para anunciar mais um resultado desfavorável das contas públicas. O chamado Governo Central, que contabiliza o desempenho das contas do Tesouro Nacional, INSS e Banco Central, deve registrar déficit no resultado de fevereiro por causa da frustração na arrecadação.

O número de fevereiro será o segundo resultado ruim divulgado depois do anúncio do bloqueio de R$ 44 bilhões nas despesas do Orçamento e do anúncio da meta fiscal de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB), medidas tomadas para reforçar a credibilidade da política fiscal brasileira e evitar o risco de rebaixamento do rating do País.

As ações para garantir o superávit do ano foram inicialmente bem recebidas, mas o anúncio da queda de 50,7% no superávit das contas do Governo Central de janeiro, poucos dias depois de lançado o pacote fiscal, renovou as incertezas e provocou um estrago no mercado financeiro, com queda da bolsa e alta dos juros e do dólar.

O resultado de fevereiro não está fechado, mas os números, até agora, apontam um déficit, afirmam fontes do governo. Os dados consolidados das contas de fevereiro serão divulgados somente nos últimos dias de março.

"Nós vamos cumprir a meta. Está absolutamente claro e é isso que vamos verificar ao longo do ano", afirmou o secretário do Tesouro, Arno Augustin, em entrevista concedida na semana passada. Ele não quis comentar sobre a possibilidade de déficit nas contas de fevereiro, mas também não negou. E reafirmou que esse resultado será melhor do que o déficit de R$ 6,6 bilhões de fevereiro de 2013.

Frustração. Fonte da área econômica informou que no último dia útil do mês, quando se concentra o pagamento de boa parte dos tributos cobrados pela Receita Federal, a arrecadação de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decepcionou, atrapalhando o cronograma de execução fiscal do Tesouro traçado por Augustin.

"Foi um ponto fora da curva", disse a fonte, que espera uma melhora da arrecadação em março, quando termina o prazo de ajuste anual do Imposto de Renda. A expectativa é de que a arrecadação do IRPJ e da CSLL seja maior do que a verificada no primeiro trimestre do ano passado, impulsionando o resultado fiscal.

Apesar da frustração da arrecadação de fevereiro com o ajuste das empresas, a área técnica avalia que a arrecadação em geral continua melhorando e que, depois do resultado de março, ficará mais fácil tirar uma "fotografia" do desempenho das receitas do governo federal. A expectativa é de recuperação. Os técnicos investigam ainda o que aconteceu no último dia do mês de fevereiro.

Incertezas. Para melhorar o humor dos investidores, que enxergam na política fiscal um dos maiores problemas da economia brasileira, o governo tinha prometido uma sequência de resultados favoráveis. Em janeiro, o superávit de R$ 12,95 bilhões do Governo Central, embora elevado, foi o mais baixo para o mês desde 2009 - em janeiro de 2013, havia sido de R$ 26,28 bilhões. As despesas do Tesouro começaram 2014 com forte aceleração e derrubaram o esforço fiscal. Para Augustin, as medidas de apoio ao setor elétrico, anunciadas na semana passada, deram clareza ao cenário fiscal para este ano.

 

Alta dos alimentos eleva risco de estouro do teto da meta de inflação

A disparada dos preços dos alimentos aumentou o risco de que o teto de meta de inflação, de 6,5%, acumulada em 12 meses, seja rompido já no segundo trimestre. Antes de contabilizar os estragos provocados pela seca nas regiões produtoras de alimentos, economistas consideravam que essa barreira seria ultrapassada, mas só em meados do ano.

O risco de antecipar o estouro da meta para os próximos meses ficou mais nítido ontem, após a divulgação de dois importantes índices de preços. A segunda prévia do IGP-M de março registrou inflação de 1,41%, resultado quase seis vezes maior que o obtido na segunda prévia de fevereiro (0,24%). O índice foi puxado pela disparada dos alimentos no atacado.

Também o alimento foi o vilão da inflação ao consumidor medida pelo IPC da Fipe. Na segunda quadrissemana deste mês, o índice subiu 0,68% e a alta do preço da comida respondeu pela metade da variação.

"O teto da meta de inflação pode ser rompido antes do final da Copa", afirma o diretor de pesquisa da GO Associados, Fabio Silveira. Antes de conhecer os resultados do IGP-M e do IPC da Fipe, ele projetava que a inflação em 12 meses, medida pelo IPCA, atingiria 6,8% em julho.

Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, faz coro com Silveira e aponta alguns fatores que sustentam essa previsão. "O IPCA deste mês apurado pela FGV mostra que, na ponta, a inflação ao consumidor está em 0,8%, em média, e nos últimos três dias bateu 1%." Por isso, ele acredita ser mais provável a antecipação do rompimento da meta.

Ontem, por exemplo, o departamento econômico do Itaú Unibanco reviu para cima a projeção de inflação para este mês, de 0,7% para 0,8%. "Os dados na margem estão vindo mais pressionados", diz o economista do banco, Elson Teles. Entre os focos de pressão apontados para a mudança de previsão estão a alta do preço do etanol e da gasolina e os alimentos.

"A inflação dos alimentos está pegando agora e também vai pegar no segundo semestre. E não só no Brasil", diz o economista-chefe do banco J. Safra, Carlos Kawall. No seu prognóstico, o alimento vai deixar de ajudar a inflação neste ano.

Esse foi um dos motivos pelos quais ele ampliou de 6% para 6,3% a projeção do IPCA para 2014. Assim como Silveira e Rosa, Kawall diz que o limite para o estouro do teto da meta da inflação acumulada em 12 meses ficou mais tênue. Ele projeta para julho um IPCA acumulado em 12 meses de 6,66% e para junho de 6,4%. "Mas isso pode ser antecipado", adverte.

Risco. O economista Heron do Carmo, professor da Universidade de São Paulo e um dos maiores especialistas em inflação, vê riscos maiores desencadeados pelo choque nos preços dos alimentos.

"Agora, é mais provável que a inflação supere o teto da meta este ano com uma diferença maior", afirma. Isso significa que, nas suas contas, a inflação deverá fechar 2014 bem acima de 6,5%. Além dos alimentos, o economista diz que há pressões fortes que afetam de forma quase generalizada vários grupos de preços, como os serviços e os preços administrados e de bens exportáveis, que sofrem a influência da alta do câmbio, dentro do IPCA.

Nos medicamentos, já existe um reajuste autorizado, em média de 3,5%, que começa a valer a partir do dia 31 de março. Segundo o diretor da Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico (ABCFarma), Renato Tamarozzi, o impacto será sentido pelo consumidor em abril.

 

Brasil terá crescimento em 2014 semelhante ao de 2013

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, disse,  na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, que o crescimento da economia brasileira em 2014 deve seguir ritmo semelhante aos observado em 2013.No último ano, o PIB(produção de bens e serviços) avançou 2,3%  

De acordo com a autoridade monetária, a atividade econômica foi marcada em 2013 por uma alteração na composição das demandas, com aumento dos investimentos e moderação do consumo das famílias.

"Essa mudança contribui para sustentabilidade do crescimento", disse. "O crescimento em 2014 deve permanecer próximo do patamar verificado no ano passado e seguirá sustentado por emprego e ampliação moderada do credito."

Para Tombini, há indicadores que apontam para a melhora da competitividade da indústria, o que representa uma mudança em relação a anos anteriores. Após dois meses de queda, a produção industrial mostra recuperação neste começo de ano

"Aumentar a produtividade é fundamental para a indústria aproveitar oportunidades no mercado nacional e internacional", completou.

Tombini destacou que há mudanças na composição na demanda e também na oferta agregada, mas ponderou que os ganhos delas decorrentes depende da confiança das empresas e das famílias.

"Os avanços dos investimentos em logística e infraestrutura tendem a se traduzir em ganhos de produtividade para economia brasileira", disse.

Tombini destacou o programa de leilões concessões de infraestrutura para ampliar investimentos e disse que essas iniciativas visam tornar a economia mais competitiva.

"Ao contrário de economia avançadas, o Brasil precisa avançar em infraestrutura e qualificação de mão-de-obra. Por isso, as oportunidades e o retorno aqui são maiores", avaliou.

Crise internacional e inflação. Tombini entende que o Brasil reage a volatilidade global de forma "clássica e técnica". O comentário faz alusão a subida dos juros básicos (taxa Selic) na economia. Entre abril de 2013 e fevereiro de 2014, mês da última reunião do Comitê de Política Monetária do BC, eles avançaram de 7,25% para 10,75%

"Estamos apertando a política monetária para garantir que a inflação convirja para a trajetória de metas", afirmou.

O presidente do BC citou o recuo dos preços livres nos últimos meses e a elevação dos preços administrados no período para destacar que está em curso um realinhamento desses preços. "Isso ocorreu em um contexto de depreciação cambial que superou 15% nos últimos 12 meses. Essa depreciação é fonte de pressão inflacionária no curto prazo, mas efeitos mais longos podem e devem ser contidos pela política monetária", frisou.

Tombini ainda explicou aos senadores, em referência as reservas internacionais, que o país está usando "colchões" para proteger a economia e suavizar o ajuste de preços relativos e seus impactos na economia real.

"Há normalização das condições monetárias e, consequentemente, realinhamento dos preços dos principais ativos financeiros, o que naturalmente gera aumento da volatilidade em todos os mercados", disse. "Mas isso não deve ser confundido com volatilidade de economias emergentes."

 

 

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