JORNAL O DIA DE GUARULHOS

 

O formador de opinião da região.

 

 Notícias e Publicidade Legal

Leia e anuncie

Tel: 55(11)2851-7410

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

JORNAL O DIA DE GUARULHOS

O formador de opinião da região.

 

 Notícias e Publicidades Legais

 

Leia e anuncie

Tel: 55(11)

2851-7410

 

 

 

 

 

 

 

                      

Brasil é um dos cinco emergentes mais vulneráveis

 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera o Brasil uma das cinco economias emergentes mais vulneráveis do mundo atualmente, em situação frágil para enfrentar uma possível deterioração das condições globais. O país seria afetado de forma dura se o processo de normalização das políticas monetárias das nações ricas — retirada de estímulos e aumento dos juros — for acidentado e se os próprios emergentes continuarem crescendo abaixo do esperado, como ocorre há três anos. Combinados, esses fatores podem gerar turbulências, limitar e encarecer o acesso a recursos, derrubar as commodities que alimentam as exportações, aumentar dívidas e travar investimentos, reduzindo ainda mais a projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, de apenas 2% em 2015.

Fazem companhia ao Brasil no grupo preocupante, listado no relatório anual de avaliação de efeitos colaterais (spillover) do FMI, divulgado nesta terça-feira, Índia, Turquia, Indonésia e África do Sul. No caso de novo furacão financeiro, essas nações arcariam com a maior elevação dos juros dos títulos soberanos e privados, a queda mais acentuada dos preços de ativos em seus mercados (como ações na Bolsa) e a desvalorização cambial mais robusta.

O grupo dos “Cinco Frágeis” foi citado pela primeira vez em agosto do ano passado, em relatório do banco americano Morgan Stanley, que teve grande repercussão. O texto afirmava que esses países seriam os mais vulneráveis à instabilidade da economia global, sobretudo à retirada dos estímulos à economia dos EUA.

Os cinco países já tiveram um ensaio do tipo de agruras por que podem passar, após os EUA indicarem que começariam a retirar os estímulos à economia americana, em maio do ano passado. Nos sete meses seguintes, os cinco emergentes sofreram reversão de expectativas, fuga de capitais e perda de valor da moeda frente ao dólar, acentuando problemas domésticos.

A ação do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) começou efetivamente em novembro. Até outubro deste ano, o Fed vai acabar com o programa de compra de títulos. Os mercados, então, começarão a antecipar quando ocorrerá a primeira alta de juros, próximos a zero desde 2008, atraindo de volta os capitais que inundaram os emergentes entre 2009 e 2012.

O FMI, no trabalho coordenado pelo economista Hamid Faruqee, acredita que as maiores chances são que a mudança monetária dos ricos ocorra de forma ordenada. Mas reconhece que os BCs de EUA, Inglaterra, Europa e Japão enfrentam situação inédita e desafiadora e que não é possível descartar dificuldades, como turbulências nos mercados a partir de sinais trocados de comunicação, subidas dos juros antes do previsto e em maior intensidade do que a esperada.

Ao mesmo tempo, o Fundo avalia que os países emergentes — Brasil incluído — passam por desaceleração do crescimento consistente, gradual e prolongada, que sugere deficiências estruturais arraigadas. Até 2018, estas nações terão expansão abaixo do potencial, como resultado de ganhos residuais ou mesmo perdas, como na América Latina, de produtividade nos anos recentes.

Hamid Faruqee explica que este cenário pode alimentar ainda mais o mau humor dos investidores, tornando as turbulências mais graves e reduzindo ainda mais o crescimento. Ou seja, arrisca-se um círculo vicioso. Os emergentes, como o Brasil, teriam muito a perder. Mas também os países ricos, por intermédio de comércio global mais fraco, menos receitas de multinacionais e bancos, que têm no mundo em desenvolvimento um de seus principais filões, e possíveis esqueletos da crise financeira hoje mascarados.

— É difícil atribuir probabilidade, mas o fato é que existe o risco de o pior cenário se materializar. No cenário mais adverso, os emergentes desapontariam, nos próximos três anos, crescendo 0,5 ponto percentual menos anualmente. Nos últimos três anos, as projeções foram cortadas sistematicamente. Além disso, tivemos os problemas de maio do ano passado, que foram amostra do desafio de os ricos saírem da atual política monetária — advertiu Faruqee.

No caso do Brasil, o ritmo anêmico da economia, diz o FMI, está relacionado a baixas taxas de investimento e poupança doméstica. O país, segundo a equipe econômica, está atualmente em recessão. E não crescerá mais do que 1,3% em 2014, pelos números do Fundo. A saída é resolver gargalos de infraestrutura, especialmente nos setores elétrico e de transporte, aumentar a eficiência do investimento público, adotar medidas que elevem competitividade,reanimar a confiança dos investidores e desestimular o consumo como âncora da expansão.

Isso passa por um dever de casa mais amplo. Começa com a redução do rombo nas contas públicas, com um ajuste fiscal, e passa pela reconstrução dos amortecedores regulatórios. E se estende a dois outros pontos-chave: derrubar a inflação alta e diminuir a necessidade de financiamento externo (expressa pelo déficit em conta corrente). Sem melhorar essas condições, afirma o FMI, o espaço de manobra para reação em caso de nova crise estará muito limitado.

Em outro relatório, de avaliação do setor externo, o FMI considera que o déficit em conta corrente do Brasil, em 3,6% do PIB (ou 2,9%, com dados ajustados), está “moderadamente” acima do que seria aconselhável. Para o Fundo, o ideal é um número entre 1% e 2,5% do PIB.

— Não há nenhum senso de alarme na avaliação do Brasil, de forma geral ela é a de que o número está moderadamente acima do que deveria. Não é que não haja questões a se observar, mas eu colocaria a ênfase no moderadamente — afirmou o economista Steven Phillips, que coordenou o estudo, que mostra que o real ainda está muito valorizado.

As escolhas do governo brasileiro terão impacto direto no Cone Sul. Ao lado de China, Rússia e Venezuela, o Brasil é a nação em desenvolvimento que mais pode contaminar negativamente os vizinhos em caso de desaceleração mais acentuada do crescimento, segundo o FMI. Estão no radar de influência brasileira os parceiros de Mercosul _ Argentina, Uruguai e Paraguai _ e a Bolívia. A economia paraguaia arcaria com o maior custo. Expansão 1 ponto percentual menor no Brasil em 2015 poderia diminuir o PIB do Paraguai em 0,9 ponto.

“Os acordos regionais de comércio têm contribuído para o fortalecimento dos laços comerciais entre o Brasil e os países do Cone Sul. Considerando seu tamanho, o Brasil tornou-se um grande consumidor de bens produzidos pelos seus vizinhos. Esses países, portanto, estão vulneráveis a uma desaceleração no Brasil”, diz o relatório de efeitos colaterais do FMI.




 

 Analistas continuam a reduzir previsão do PIB brasileiro

 

A série de medidas anunciadas na semana passada pelo Banco Central para estimular o crédito e aquecer a economia ainda não surtiu efeito no humor dos analistas do mercado. Pela nona vez consecutiva, os economistas ouvidos pela pesquisa Focus, realizada pelo BC, reduziram a projeção do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país), desta vez para apenas 0,9%, segundo dados divulgados nesta segunda-feira. Na edição anterior do relatório, a expectativa era de 0,97%.

Apesar do pessimismo com a atividade econômica, a previsão para a produção industrial, que vinha sendo cortada nas últimas quatro semanas, parou de cair. Os economistas continuam esperando que o setor feche o ano em contração de 1,15%, mesma projeção da semana passada.

A previsão de alta do PIB em 2014 continuou em 1,5%, mesmo número indicado nas últimas quatro semanas. Para o ano que vem, a expectativa do mercado é que a indústria cresça 1,7%, mesma taxa indicada na semana passada.

Os dados foram apurados no mesmo dia em que o BC anunciou uma série de ações para estimular o crédito, inclusive a liberação de parte dos depósitos compulsórios, permitindo que o dinheiro, normalmente destinado a uma conta do BC, possa ser movimentado pelas instituições financeiras, o que deve injetar até R$ 45 bilhões no sistema financeiro.

Apesar da divulgação semanal, os dados para o boletim Focus são coletados diariamente. Pelo sistema do BC, os cerca de 100 analistas que participam da pesquisa podem alterar diariamente suas projeções, de acordo com os sinais do mercado. Na quinta-feira passada, véspera do anúncio, a mediana das projeções para o PIB estava em 0,93%. Na sexta, após o anúncio no início da manhã, os economistas tinham até as 17h para revisar suas projeções para cima. No entanto, foram na direção oposta, levando a mediana aos 0,9% divulgados.

Em relação à inflação, que tem demonstrado tendência de queda, puxada pelo alívio no preço dos alimentos, a mediana das projeções recuou pela segunda vez consecutiva. Agora, a expectativa é de que o IPCA, índice que mede a inflação oficial no país, feche o ano em 6,41%, contra previsão anterior de 6,44%. O número, no entanto, ainda é próximo do teto da meta do governo, de 6,5%.

PIB fraco 28-07PREOCUPAÇÃO COM CRESCIMENTO

Neste mês, o Banco Central divulgou que a atividade econômica encolheu 0,18% em maio. Foi o pior resultado do IBC-Br, conhecido informalmente como o “PIB do BC”, desde dezembro do ano passado. O resultado fortaleceu as expectativas de que o PIB do segundo trimestre venha fraco.

A estimativa é apenas um dos dados que indicam que o Brasil pode crescer menos neste ano, o que tem preocupado o mercado e o governo. Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI), cortou a previsão de crescimento do Brasil (assim como fez em relação à atividade econômica mundial) para apenas 1,3%. Antes,o próprio governo havia admitido que o PIB deve crescer 1,8%, contra projeção anterior de 2,5% para este ano.

Para analistas,o Banco Central emitiu sinais contraditórios ao mercado na semana passada. Primeiramente, na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), descartou um novo corte na taxa básica de juros, a Selic. No dia seguinte, no entanto, anunciou uma série de medidas, inclusive a liberação de parte dos depósitos compulsórios, que normalmente “congelam” o dinheiro dos bancos, em uma manobra para estimular o crédito.

 

Turistas estrangeiros gastaram US$ 797 milhões no Brasil

Com a Copa do Mundo, o Brasil registrou um recorde histórico de ingressos de recursos de turistas estrangeiros que vieram ao país. Dados divulgados pelo Banco mostram que os viajantes estrangeiros deixaram US$ 797 milhões no país no mês de junho, uma alta de 75,9% na comparação com os US$ 453 milhões registrados em junho do ano passado. Essa foi a maior receita na análise mensal desde o início da série histórica do Banco Central, em 1947.

No acumulado de janeiro a junho, o total gasto pelos estrangeiros no Brasil chega a US$ 3,64 bilhões – uma alta de 4,8% ante os US$ 3,48 bilhões registrados no primeiro semestre de 2013.

As despesas de brasileiros no exterior também bateram recorde e chegaram a US$ 2,0 bilhões em junho, uma alta de 4,9% na comparação com o valor de US$ 1,90 bilhão gasto pelos brasileiros em viagens fora do país no mesmo mês de 2013. No primeiro semestre, o montante deixado lá fora também foi recorde e chegou a US$ 12,48 bilhões – 2,3% a mais que os US$ 12,20 bilhões registrados nos seis primeiros meses do ano passado.

O chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Fernando Rocha, destacou que a entrada de mais receitas com viagens contribuiu para uma redução de 17,3% nas despesas líquidas com viagens internacionais – com gasto líquido de US$ 1,2 bilhão em junho.

- Esse aumento de receitas ocorreu por causa do afluxo de turistas estrangeiros ao Brasil, por ocasião da Copa do Mundo - disse o chefe-adjunto.

Ele destacou que o resultado parcial para julho também aponta para um crescimento significativo na entrada de recursos. Até 23 de julho, a entrada de receitas com viagens cresceu cerca de 50% na comparação com o mesmo período do ano passado.

- As receitas de viagens internacionais no semestre, de US$ 3,64 bilhões, também representam o maior valor da série histórica para o período. Essa influência da Copa nas viagens internacionais, embora concentrada no fim do semestre, foi de uma magnitude que permite que o resultado (do semestre) seja o maior para toda a série - afirmou.

Em junho, o Brasil registrou déficit de US$ 3,4 bilhões na conta de serviços, 4,5% acima do valor registrado no mesmo mês de 2013.

TRANSAÇÕES CORRENTES

As transações do Brasil com o exterior registraram déficit de US$ 3,34 bilhões em junho – contra um déficit de US$ 3,88 bilhões apurado no mesmo mês do ano passado. O resultado contribuiu para um déficit de US$ 43,31 bilhões no acumulado dos seis primeiros meses, ante US$ 43,18 bilhões no mesmo período do ano passado. Esses números, que formam a conta de transações correntes, consideram balança comercial, balança de serviços e transferências unilaterais, como doações e remessas de lucro.

- Houve uma menor despesa líquida de viagens em junho, o que ajuda a explicar o resultado das transações correntes. Outro ponto que ajuda a explicar o resultado é uma redução nas despesas com juros e uma redução na conta de lucros e dividendos - afirmou o chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central.

- Essa redução de lucros e dividendos está ligada a uma atividade econômica em moderação e a uma taxa de câmbio mais depreciada - acrescentou.

O Banco Central projeta um déficit em transações correntes para julho de US$ 6,7 bilhões de dólares. Em julho do ano passado, o saldo negativo ficou perto de US$ 9 bilhões. Se a projeção se confirmar, o resultado de julho permitirá, segundo o chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, que haja uma redução, pelo seguindo mês seguido, no déficit em transações correntes acumulado em 12 meses.

- Caso a projeção do Banco Central esteja certa, teremos uma nova redução do déficit em transações correntes em 12 meses, para algo perto de US$ 78,9 bilhões - disse Rocha, que observou que o déficit em 12 meses está em US$ 81,1 bilhões.

Os números do Banco Central mostram ainda que o ingresso líquido de Investimento Estrangeiro Direto (IED) atingiu US$ 3,9 bilhões no mês passado. Nos 12 meses encerrados em junho, os ingressos líquidos de IED somaram US$ 63,3 bilhões, o que equivale a 2,79% do PIB.



 

 

 

BC prevê 14% de alta nos preços da energia elétrica

O Banco Central subiu de 11,5% para 14% sua estimativa de reajuste dos preços da energia elétrica neste ano. A informação está na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) – que manteve os juros estáveis em 11% ao ano na semana passada –, divulgada .

O reajuste da energia previsto pelo BC já é quase o dobro do estimado pela própria instituição no início deste ano. Em janeiro de 2014, o Banco Central previa que o aumento da eletricidade seria de 7,5%, valor que foi mantido em fevereiro. Em abril, já estimava uma alta de 9,5% e, em maio, passou para 11,5%.

Falta de chuvas
O setor energético passa por uma situação mais complicada neste ano por conta da falta de chuvas. Em situações normais, quase toda a energia consumida no Brasil vem de hidrelétricas. No início desde ano, porém, os reservatórios das principais usinas do país baixaram muito devido à falta de chuvas e, para poupar água, todas as termelétricas disponíveis estão sendo usadas.

Porém, como as térmicas funcionam por meio da queima de combustíveis (óleo, gás, biomassa), a energia gerada por elas costuma ser mais cara e isso impacta a conta de luz. A queda no nível dos reservatórios também levou a patamar recorde o preço da energia no mercado à vista, para onde recorrem as distribuidoras que não têm sob contrato, a preços fixos, toda a energia que precisam para atender aos seus consumidores.

Pela regra, tanto o custo extra com as térmicas quanto com a compra de energia no mercado à vista deveriam ser pagos pelas distribuidoras nesse primeiro momento. Depois, elas seriam compensadas por meio de reajustes que acontecem todos os anos. Mas alegaram não ter recursos suficientes, e o governo lançou um plano de socorro.

Ele se comprometeu a colocar R$ 13 bilhões no setor elétrico neste ano com recursos orçamentários, e já admite que o total de empréstimos bancários às empresas pode chegar a R$ 17,7 bilhões. Este valor para socorrer as distribuidoras será repassado às contas de luz de todos os brasileiros a partir de 2015.

Preços administrados
Na ata do Copom divulgada nesta quinta-feira, o Banco Central também subiu de 5% para 6% sua previsão para os chamados "preços administrados" em 2015 e também passou a projetar uma variação de 4,8% para 2016.

Os preços administrados, que geralmente sobem todos os anos, são: ônibus interestaduais, energia elétrica residencial, água, planos de saúde, serviços farmacêuticos, telefone fixo, telefone celular, telefone público e pedágio. Aqueles que não têm reajuste pré-determinado anualmente, mas que sobem de vez em quando, são: gasolina, álcool combustível, gás de bujão, óleo diesel, ônibus urbano, metrô, trem e correios.

Telefonia
O Banco Central também informou na ata do Copom que suas estimativas contemplam redução de 3,8% nas tarifas de telefonia neste ano. Em maio, a instituição previa que a telefonia teria uma queda maior em 2014: 4,2%.

 

Avanço de 13% no fluxo de passageiros nos aeroportos do país


 

Os aeroportos brasileiros tiveram grande movimentação durante a Copa do Mundo, com 17,8 milhões de passageiros circulando pelos principais terminais, mais que os 15,8 milhões observados na mesma época no ano passado. Mas, ao contrário do divulgado antes pela Secretaria de Aviação Civil (SAC), não foi superado o recorde para um único dia.

O pico da Copa ocorreu em 14 de julho, dia seguinte à final entre Alemanha e Argentina, quando 560 mil passageiros estiveram nos 21 principais aeroportos usados no torneio. O número é alto, mas está atrás dos 567 mil passageiros de 28 de fevereiro de 2014, sexta-feira de Carnaval, e dos 561 mil de 20 de dezembro de 2013. A correção veio depois que o GLOBO alertou a SAC sobre inconsistências nos números divulgados na semana passada.

Em 14 de julho, o governo organizou um evento para divulgar os números da Copa do Mundo, com a presença da presidente Dilma Rousseff e de 16 ministros, entre eles Moreira Franco, da SAC. Na ocasião, o governo exaltou os recordes de movimento nos aeroportos, que não foram acompanhados de caos aéreo, mas deu informações desencontradas sobre o volume real de passageiros que circularam pelos terminais do ano passado para cá.

Na época, foi divulgado que os 548 mil passageiros de 3 de julho (ainda não havia dados dos dias 14 e 15 de julho) tinham sido o pico histórico, à frente dos recordes anteriores: 467 mil passageiros em 28 de fevereiro de 2014, e 420 mil em 20 de dezembro de 2013. Esses números, porém, estavam errados, abaixo inclusive da média observada no meio do ano passado. Na terça-feira, a SAC explicou que havia feito um recorte diferente dos dados, o que acabou por subestimar o movimento de passageiros no Carnaval e no fim do ano passado.

Ao todo, segundo a SAC informou, 17,8 milhões de passageiros circularam pelos aeroportos brasileiros entre 10 de junho e 15 de julho de 2014. O novo balanço inclui os dias 14 e 15 de julho, dias subsequentes ao término da Copa, quando muitas pessoas ainda voltavam para casa. O número é 13% superior aos 15,8 milhões de passageiros verificado no mesmo período do ano passado.

Na terça, a SAC explicou que vários aeroportos, quando considerados isoladamente, superaram o movimento observado em 20 de dezembro de 2013 e 28 de fevereiro de 2014. No Galeão, por exemplo, passaram 68,9 mil passageiros em 14 de julho, 23% a mais que os 56,2 mil de 20 de dezembro do ano passado. A maior variação ocorreu em Fortaleza. Em 5 de julho, dia seguinte ao jogo entre Brasil e Colômbia na cidade, 30,4 milhões de passageiros circularam pelo aeroporto, 54% a mais que os 19,7 milhões de 20 de dezembro. Em Curitiba e Porto Alegre, aconteceu o inverso: o pico durante a Copa foi menor que o movimento em 20 de dezembro e 28 de fevereiro.

A SAC também comparou a movimentação dos aeroportos brasileiros durante a Copa com os terminais da África do Sul, sede do Mundial de 2010. Segundo a SAC, os aeroportos sul-africanos movimentaram 4,5 milhões de passageiros entre 1º de junho e 17 de julho de 2010. Só Guarulhos, o aeroporto com maior movimento no Brasil, recebeu 4,1 milhões de passageiros entre 10 de junho e 15 de julho deste ano.

O Galeão recebeu 1,92 milhão de passageiros durante a Copa. Quando considerado apenas o dia 14 de julho, os aeroportos do Galeão, Santos Dumont e Jacarepaguá tiveram uma movimentação de 1.703 aeronaves (769 voos regulares, 96 voos charter, 838 aviação geral) e transportaram 101 mil passageiros. Segundo a SAC, isso é 6% maior que o movimento de 29 de julho de 2013, dia seguinte ao encerramento da Jornada Mundial da Juventude, realizada no Rio.

Na terça, a SAC também passou números atualizados sobre voos atrasados e o tempo para atendimento em diversos serviços nos aeroportos. O índice médio de atrasos (voos que partem mais de 30 minutos depois do previsto) durante a Copa foi de 6,94%. São considerados satisfatórios índices de até 15%.

O tempo médio para inspeção dos passageiros no raio-x foi de dois minutos e 13 segundos. O tempo de restituição de bagagem em voos internos durou, em média, oito minutos e 36 segundos. Já nos voos internacionais, foram 28 minutos e 18 segundos. O check-in doméstico levou, em média, dez minutos e 40 segundos. Na imigração, o tempo gasto foi de 5 minutos e 7 segundos por passageiro.

Embora os índices de atrasos tenham ficado dentro do satisfatório, houve aeroportos mais problemáticos, como os de Cuiabá e Porto Alegre. Boletins divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) ao longo da Copa mostram que, em Cuiabá, os atrasos foram superiores a 15% em oito dias (quatro deles depois que cidade deixou de receber jogos). No caso de Porto Alegre, foram sete dias, mas apenas um depois do fim da Copa na cidade.

Média de atrasos ficou abaixo de 15%

Os atrasos acima do normal em geral foram pontuais, atingindo um ou outro aeroporto. Em três dias, porém, os atrasos foram generalizados, alcançando 20% em todo país e afetando vários terminais. Um desses dias foi 17 de junho, dia do jogo entre Brasil e México, atingindo Curitiba, Santos Dumont, Galeão, Porto Alegre, Congonhas, Recife e Salvador. Em todo o país, o índice ficou em 20%.

Em 28 de junho, dia de Brasil e Chile pelas oitavas de final da Copa no Mineirão, o índice de atrasos ficou em 18,3% no país. Os aeroportos com atrasos acima do satisfatório foram Santos Dumont, Curitiba, Cuiabá, Congonhas, Confins, Brasília e Salvador. Em 4 de julho, quando o Brasil derrotou a Colômbia em Fortaleza e se classificou para as semifinais, também houve muitos atrasos, mas a média nacional ficou abaixo dos 15%.

Os boletins diários que a SAC começou a divulgar em 12 de junho, dia da abertura da Copa, registram alguns fatos curiosos. Um deles envolveu a seleção da Rússia. “Uma carga de embutidos e laticínios da delegação russa foi retida em Guarulhos – já que se trata de produtos com entrada proibida no país”, informou boletim divulgado em 15 de junho.



 

Governo reduz para US$ 150 cota de importação

A cota de isenção para importação de produtos por via terrestre foi reduzida de US$ 300 para US$ 150, segundo portaria do ministro da Fazenda, Guido Mantega, publicada no Diário Oficial da União. Quem exceder o valor terá de pagar Imposto de Importação de 50% do valor dos produtos transportados.

A redução da cota foi incluída na portaria que regulamenta o funcionamento de free shop em cidades brasileiras que tenham fronteira direta com municípios de países vizinhos.

A nova cota entra em vigor imediatamente e vale também para quem chega ao Brasil de navio ou outro transporte fluvial. Não houve alteração para quem vem ao Brasil de avião, que continua tendo isenção até US$ 500.

A autorização para o funcionamento de free shop em fronteira terrestre tem como base uma lei aprovada pelo Congresso e sancionada pela presidente Dilma Rousseff em dezembro de 2012. A regulamentação editada pelo Ministério da Fazenda permite a quem cruzar a fronteira realizar compras de até US$ 300 nessas lojas.

Para que as lojas passem a funcionar, porém, será necessário a adequação de leis municipais. Somente poderão ter free shops municípios que tenham as “cidades gêmeas” do outro lado da fronteira.

Poderão abrigar as lojas as seguintes cidades: Assis Brasil (AC), Brasiléia (AC), Epitaciolândia (AC), Santa Rosa do Purus (AC), Tabatinga (AM), Oiapoque (AP), Bela Vista (MS), Corumbá (MS), Mundo Novo (MS), Paranhos (MS), Ponta Porã (MS), Porto Murtinho (MS), Barracão (PR), Foz do Iguaçu (PR), Guaíra (PR), Guajará-Mirim (RO), Bomfim (RR), Pacaraíma (RR), Aceguá (RS), Barra do Quaraí (RS), Chuí (RS), Itaqui (RS), Jaguarão (RS), Porto Xavier (RS), Quaraí (RS), Santana do Livramento (RS), São Borja (RS), Uruguaiana (RS) e Dionísio Cerqueira (SC).



 

Mercado reduz previsão  de  alta do PIB de 2014

 

A economia brasileira deve crescer menos de 1% este ano, segundo os economistas do mercado financeiro. É a primeira vez que a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano fica abaixo dessa marca. De acordo com o relatório de mercado (Focus), divulgado pelo Banco Central, a previsão para o PIB caiu de 1,05% para 0,97%. Foi a oitava queda seguida.

As previsões do mercado financeiro, coletadas pelo BC por meio de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras na semana passada, confirmam o cenário de desaceleração da economia brasileira. Em 2013, o PIB registrou crescimento de 2,5%. Para 2015, a previsão do mercado de alta do PIB ficou estável em 1,5%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o crescimento da economia.

Para conter a inflação, o BC subiu os juros entre abril do ano passado e maio deste ano, influenciando também o ritmo de atividade. Com taxas maiores, há redução do crédito e do dinheiro em circulação, assim como do número de pessoas e empresas dispostas a consumir, o que tende a fazer com que os preços caiam ou parem de subir.

No fim de maio, o IBGE informou que a economia do país registrouexpansão de 0,2% nos três primeiros meses de 2014, em relação ao quarto trimestre de 2013, com destaque para o bom desempenho da agropecuária.

A expansão do PIB do país previsto para 2014 pelo mercado financeiro, de 0,97%, continua abaixo do estimado no orçamento federal, de 2,5%, e também menor que a previsão divulgada pelo Banco Central na semana passada, de alta de 1,6%.

Menos inflação
O mercado financeiro também previu menos inflação para este ano. Os economistas dos bancos reduziram de 6,48% para 6,44% sua previsão de 2014 para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país e calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com isso, o valor se distanciou um pouco do teto de 6,5% do sistema de metas de inflação para o ano. A previsão chegou a ultrapassar o teto em abril, mas depois recuou. Para 2015, a expectativa dos economistas dos bancos para o IPCA, porém, subiu de 6,10% para 6,12%.

Pelo sistema que vigora atualmente no Brasil, a meta central tanto para 2014 quanto para 2015 é de 4,5%. Entretanto, há um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Desse modo, o IPCA pode oscilar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

Taxa de juros
A previsão do mercado financeiro para a taxa básica de juros (Selic) da economia brasileira, por sua vez, foi mantida em 11% ao ano até o fechamento de 2014. Na semana passada, o BC manteve a taxa estável neste patamar pelo segundo encontro seguido do Comitê de Política Monetária (Copom).

Para o fim de 2015, a previsão dos analistas para o juro básico da economia permaneceu em 12% ao ano.

Câmbio, balança comercial e investimentos estrangeiros
Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2014 recuou de R$ 2,39 para R$ 2,35 por dólar. Para o término de 2015, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio ficou estável em R$ 2,50 por dólar.

A projeção para o superávit da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2014 permaneceu em US$ 2 bilhões na semana passada. Para 2015, a previsão de superávit comercial subiu de US$ 9,4 bilhões para US$ 9,8 bilhões.

Para este ano, a projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil permaneceu em US$ 60 bilhões. Para 2015, a estimativa dos analistas para o aporte de investimentos estrangeiros ficou estável em US$ 55 bilhões.

 

 

Mesmo com queda nas vendas, preços de carros sobem

 
Mesmo com as vendas de veículos tendo caído 7,3% entre janeiro e junho, o preço dos zero quilômetros subiu no mesmo período, apesar da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). De acordo com um levantamento feito pela consultoria Oikonomia, o preço médio dos automóveis aumentou 6% no primeiro semestre deste ano, ou R$ 2,7 mil, para R$ 47,8 mil. Um ano antes, o valor médio estava em R$ 45,1 mil. O movimento de alta tem ajudado as montadoras a compensar parte da forte retração da demanda.

De acordo com o estudo, o faturamento das montadoras caiu, mas não na mesma proporção que as vendas. O recuo foi de 3%, no mesmo período, segundo a Oikonomia.

— Quando as vendas estão em queda, a montadora aumenta o preço. Isso ocorre para que ela cumpra o seu plano de negócios (business plan) financeiro apresentado à matriz — explicou Raphael Galante, consultor da Oikonomia.

O maior descasamento entre as curvas de vendas e faturamento, de acordo com a consultoria, é da Ford. A receita foi de R$ 7 bilhões em seis meses, uma elevação de 5,4%, sentido oposto à redução de 7,5% nas vendas da montadora. Procurada, a Ford disse não reconhecer os números usados na pesquisa e, por isso, não quis comentar. A Oikonomia esclareceu, por sua vez, que os números estão nos balanços divulgados pela Fenabrave.

A Anfavea, associação que representa as montadoras instaladas no Brasil, reconhece que houve aumento de preços no primeiro semestre, mas atribui esse reajuste à volta de parte do IPI, em dezembro (de zero para 3% nos carros de até 1000 cilindradas); à obrigatoriedade, desde janeiro, do airbag e freio ABS nos veículos que saem da fábrica e, ainda, à maior venda de carros acima de 1000 cilindradas, cujos valores são mais altos, elevando a média de preços. Sobre o aumento do faturamento, no entanto, a Anfavea não comentou.

Para a agência Autoinforme, que acompanha a inflação nas concessionárias, o preço dos automóveis subiu 4% apenas no primeiro trimestre como resultado do aumento do IPI e pelo repasse dos custos dos equipamentos de segurança, como o airbag.

Galante, da Oikonomia, também aponta a recomposição de parte do IPI e a entrada do airbag como fatores de elevação de parte do preço ao consumidor. Mas frisa que há uma forte resistência das montadoras em reduzir suas margens de lucro.

— Ocorre que o mercado não está mais aceitando as elevações de preço e para de comprar. Prova disso é a grande quantidade de concessionárias fechando as portas — afirmou.

Em 2013, a Oikonomia já havia registrado o mesmo movimento de alta no faturamento mesmo com queda nos emplacamentos de novos veículos. Nas contas da consultoria, a receita das montadoras no Brasil cresceu R$ 3,3 bilhões em 2013, para R$ 161,3 bilhões, mesmo com o recuo de 1,6% nas vendas durante o ano.



 

Poupança fica menos atrativa em 2014

 

Com a trajetória de alta da taxa de juros da economia do país (a Selic), deixar o dinheiro rendendo na poupança torna-se menos atrativo em 2014 com relação a outros investimentos, apontam levantamentos de entidades.

A elevação da Selic começou em meados de 2013. Ela passou de 7,25% ao ano para 11% desde abril de 2014. Nesta quarta-feira, o Banco Central manteve a taxa em 11% ao ano– patamar mais alto desde 2011.

Cálculos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) apontam que a poupança variou 3,39% no acumulado do primeiro semestre do ano (como os juros estão superiores a 8,5% ao ano, as poupanças nova e antiga estão rendendo a mesma coisa).

No mesmo período, as variações do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e do CDB (Certificado de Depósito Bancário) foram de 4,93% e 4,84%, respectivamente. Os fundos de renda fixa, por exemplo, tiveram variação de 4,32% no mesmo período, e os Fundos DI (atrelados ao CDI), de 3,81%.

A Easynvest Título Corretora fez os cálculos em um período um pouco maior – de janeiro até o dia 11 de julho, e o cenário se mantém: a variação da poupança no acumulado do período, de 4,02%, perde para 8 de 9 outros tipos de investimento comparados na amostra. O único que rendeu menos foi o fundo de índice ETF DIVO11 (um fundo espelhado em índices com cotas negociadas em bolsa da mesma forma que as ações), que inclusive teve variação negativa (- 5,10%). Pelo levantamento da corretora, a maior variação no período foi a da NTN-B Principal (com vencimento em 15 de maio de 2035), um dos títulos do Tesouro Direto: a alta acumulada no ano é de 14,4%. O CDI, por exemplo, acumula alta de 5,36% no ano. O Ibovespa, por sua vez, acumula alta de 6,36% de janeiro a 11 de julho.

Rendimento da poupança
O rendimento da poupança é de 0,5% mais a variação da Taxa Referencial (TR) sempre que a Selic está acima de 8,5% ao ano, o que aconteceu durante os seis primeiros meses de 2014. Pelas novas regras, estabelecidas em 2012, a poupança passa a render 70% da taxa Selic mais a variação da TR quando os juros básicos recuarem para 8,5% ao ano, ou abaixo disso. As aplicações que já existiam antes da mudança, contudo, seguem com a variação antiga em qualquer cenário.

Imposto de Renda
“Com a Selic em alta, ela influencia todas as aplicações atreladas aos juros”, disse o diretor-executivo de estudos e pesquisas econômicas da Anefac, Miguel de Oliveira.

O especialista lembrou, contudo, que quem aplica dinheiro em fundos têm de pagar taxas de administração que variam de 0,5% a 3%. Há ainda a incidência do Imposto de Renda (IR) sobre o rendimento, que varia de 15% a 22,5% (alguns investimentos, no entanto, não têm a incidência do IR, como LCI e LCA).

Com a cobrança acima de 2,5% ao ano de taxa os fundos começam a perder para a poupança (que não tem nem taxa de administração nem a incidência do IR), diz Oliveira.

O rendimento da poupança no primeiro semestre, contudo, superou a variação do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&F Bovespa), que foi de 3,2% no período.

A variação do dólar no acumulado do ano, por sua vez, foi a única que registrou depreciação no primeiro semestre, com queda de 5,95%. O fundo cambial registrou recuo ainda maior, de 6,44%.

Oliveira estimou que o ciclo de alta de juros da economia deve ficar mantido no patamar atual até o final do ano, por conta do desaquecimento da economia – se o governo sobe muito os juros, prejudica o investimento. Dessa forma, a variação até o momento para a poupança e fundos pode ser tomada como uma base até o final do ano, estima.

 

Controle do banco do Brics será de fundadores



O controle do banco de investimentos do Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) será dos fundadores da instituição mesmo com entrada de novos sócios, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O capital inicial do banco é de US$ 50 bilhões, sendo US$ 10 bilhões de cada um dos países-membros, podendo chegar a US$ 100 bilhões.

Ao detalhar a estrutura da instituição, na VI Cúpula do Brics , Mantega apontou que já há interessados em participar do banco:

- Já há vários países que demonstraram interesse e poderão ingressar no banco. Porém, os cinco membros fundadores terão sempre, no mínimo, 55% do capital e manterão o controle do banco.

O interesse dos países em desenvolvimento, explicou Mantega, está ligado à necessidade de capital para financiar projetos de infraestrutura. Hoje, há uma carência de recursos para essas áreas. As linhas de financiamento de instituições como o Banco Mundial não são suficientes para atender aos projetos do mundo, considerando países desenvolvidos e emergentes.

Uma das diferenças do novo banco de investimento do Brics e instituições como Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional, apontou o ministro da Fazenda, é a divisão do poder. Enquanto nesses organismos o comando se divide entre americanos e europeus, no banco de fomento haverá divisão de poder igual entre os cinco países e um rodízio de quem vai comandar.

— Vocês estão olhando quem vai ser o primeiro presidente, o segundo presidente. Não tem a menor importância. A importância é a participação acionária. Nesse caso, o poder é dividido igual entre os cinco países. (...) A estrutura de poder é bastante democrática entre os cinco sócios — afirmou.

Mantega revelou a intenção do banco de ter uma boa classificação pelas agências de rating para auxiliar na captação de recursos e emissão de bônus. Além disso, destacou que a operação do banco e também o julgamento dos projetos a serem financiados será “totalmente profissional”. Para se credenciar a receber os financiamentos, disse Mantega, os países devem ter economia sólida e não serem inadimplentes.

Os países terão um prazo de sete anos a partir da criação do banco para aportar a contribuição inicial de US$ 10 bilhões cada. No Brasil, esses recursos terão como origem o Tesouro Nacional.

A Índia ocupará a primeira presidência do Novo Banco de Desenvolvimento, enquanto a sede ficará em Xangai. O Brasil terá a presidência do Conselho de Administração, responsável por decisões de novos membros e investimentos, enquanto a Rússia ficou com a presidência do Conselho de Ministros, que é a instância política da instituição e cuida de questões estratégicas. A África do Sul, por sua vez, terá a primeira sede regional, Joanesburgo.

Nos bastidores, a informação é que o governo brasileiro tentou até o último momento ficar com a primeira presidência do banco de fomento, com mandato de cinco anos, mas acabou cedendo para se chegar a um consenso e evitar o fracasso.


 

Embraer recebe novos pedidos da

A fabricante de aviões Embraer anunciou que recebeu novos pedidos por jatos de três empresas aéreas, com destaque para a brasileira Azul, que assinou uma carta de intenções para encomendas que podem totalizar US$ 3,1 bilhões.

A fabricante também anunciou contratos com a japonesa Fuji Dream Airlines (FDA) e com a Azerbaijan Airlines (Azal), do Azerbaijão. Enquanto o acordo com a FDA envolve o pedido firme de três jatos E175 com opções para outras três aeronaves do mesmo modelo, em encomenda que pode chegar a US$ 258,6 milhões a valor de lista, o contrato com a Azul conta com pedido firme por dois jatos E190, com valor estimado em US$ 95,4 milhões.

No caso da FDA e da Azerbaijan Airlines, os pedidos já estavam incluídos na carteira de pedidos do segundo trimestre, de US$ 18,1 bilhões, conforme divulgado na véspera. A encomenda da Azul, porém, deverá ser incluída na carteira de pedidos no quarto trimestre deste ano, segundo a Embraer, quando está prevista a conclusão do contrato.

A empresa aérea, que já tem aviões da Embraer na sua frota juntamente com turboélices ATRs e que recentemente anunciou a adição de jatos da Airbus para fazer voos internacionais, fez um pedido firme por 30 aviões do modelo 195 da segunda geração, que está sendo desenvolvida pela fabricante brasileira.

A carta de intenções também considera opções por outros 20 jatos do mesmo modelo, com um valor estimado de US$ 3,1 bilhões a preços de lista se todas as encomendas forem convertidas em pedidos firmes. Com essa encomenda, a Azul passa a ser o operador-lançador do jato, informou a Embraer, acrescentando que a primeira entrega de um avião da segunda geração está prevista para ocorrer no primeiro semestre de 2018.

A Embraer informou que a Royal Air Maroc, companhia aérea do Marrocos, decidiu introduzir o E190 como parte da estratégia de atualização de sua frota, assinando um contrato de arrendamento de quatro jatos com a Aldus Aviation, empresa irlandesa especializada na locação de aviões da fabricante.




 

Aos 60 anos, planos de saúde triplicam de preço



Um dos tipos de ação mais levados à Justiça, para redução do valor das mensalidades, é o de reajuste dos planos de saúde em idades próximas aos 60 anos, que chegam a mais que triplicar. O aumento, considerado elevado por muitos especialistas, está de acordo com a lei dos planos de saúde, mas é visto como abusivo pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC). Ele ocorre em um momento em que boa parte dos segurados já está aposentada ou em vias de se aposentar, com a consequente redução do salário e o natural crescimento das despesas com exames, consultas e remédios. Especialistas afirmam que ações na Justiça têm conseguido limitar os aumentos à faixa dos 30%. Mas a vitória não é sempre garantida.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determina que o valor para a última faixa etária (de 59 anos ou mais) não pode ser superior a seis vezes o da primeira (de zero a 18 anos), o que representa uma diferença de até 500%. As regras estabelecem, ainda, que a variação acumulada entre a sétima (44 anos a 48 anos) e a última faixa (acima dos 59 anos) não pode ser maior que a acumulada entre a primeira e a sétima. O fato é que os planos têm concentrado parte considerável dos reajustes nas duas últimas faixas.

A arquiteta Miriam Bersein Teperman sabe o quanto o aumento do plano pesa no orçamento. Cliente de um plano coletivo da SulAmérica desde 2004, aos 58 anos pagava R$ 467 por mês, valor que passou para R$ 1.515 aos 59 anos e agora, aos 65, já está um pouco acima de R$ 1.800.

— No último reajuste, recebi uma carta com o aviso de aumento de 18,9%. Inconformada, entrei na Justiça. Por força de liminar, estou pagando metade desse valor desde fevereiro. Estou preocupada, porque o juiz deu ganho de causa à empresa, e já me avisaram que, se perder a apelação, terei de pagar a diferença desses meses com juros e correção monetária. É um absurdo. Pagamos por um serviço pelo qual temos de esperar meses para uma simples marcação de consulta. Até solicitação para cirurgia de coluna já me negaram — queixa-se Miriam.

Procurada, a SulAmérica disse que os reajustes de planos coletivos (empresariais ou contratados por adesão de associações ou sindicatos) têm percentuais variáveis. Os contratos são reavaliados uma vez por ano, de acordo com o perfil de risco dos segurados, custos e frequência de utilização do plano (sinistralidade); além de fatores como a inflação médica, explica a operadora.

Em relação ao caso de Miriam, a companhia ressalta que o processo discute, quatro anos após a aplicação e pagamento regular dos prêmios, o reajuste por faixa etária previsto em contrato. A operadora lembra ainda que a decisão foi favorável à SulAmérica em primeira instância, reconhecendo que o reajuste está em conformidade com o contrato.

NEGOCIAÇÃO PODE DAR RESULTADO

Antes de recorrer à Justiça, tentar negociar com a operadora pode trazer bons resultados. Cliente de um plano individual da Unimed Leste Fluminense desde 2005, Edna Amorim Charret pagava, até fevereiro, R$ 417,35. Em março, no aniversário de 59 anos, foi notificada de que o plano teria reajuste de 107,85% em abril, passando a mais de R$ 850.

— Procurei logo a Unimed e mostrei que não conseguiria pagar o novo valor. Após uma rápida negociação, a mensalidade foi reduzida para R$ 586. Antes do último aumento, nunca me preocupei muito com os reajustes, mas teria que abandonar a cobertura se o valor não fosse revisto — conta.

A Unimed informou que a notificação expedida em março encontrava-se amparada por cláusula contratual. Visando, contudo, a uma solução satisfatória para ambas as partes, em caráter excepcional, a operadora explica que assinou um acordo para redução do reajuste para 40%.

A advogada Renata Vilhena, especializada em direito da saúde, diz que tem crescido o número de ações na Justiça que buscam redução dos reajustes aplicados pelas operadoras. Em boa parte das ações, afirma, os juízes têm limitado os aumentos a 30%.

— É importante lembrar que a maioria dos abusos nos reajustes acontece nos planos coletivos, que, assim como os individuais, são fiscalizados pela ANS, mas que têm percentual de reajuste livremente negociado entre a operadora e a instituição contratada — ressalta Renata.

A advogada do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) Joana Cruz destaca que os reajustes a nessa faixa etária frequentemente têm sido excessivos, na ótica do CDC.

— As empresas sempre alegam a necessidade de reajustes acima da inflação, devido ao ao fato de o aumento das despesas médico-hospitalares ser maior que o de outros setores da economia. O problema é a falta de transparência, pois elas nunca mostram as planilhas de custo — diz Joana.

O aumento de custo é justamente o que alega a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), entidade que reúne as maiores operadoras de planos no país, para os reajustes mais altos nessa faixa etária. Segundo a federação, os aumentos dependem do perfil de uso dos serviços de saúde e essencialmente da idade e, por isso, a lei permite que se cobrem mensalidades diferenciadas por faixa etária. Além disso, na passagem da penúltima para a última faixa etária, diz a FenaSaúde, o aumento do custo médio per capita, pela experiência estatística e atuarial, em muitos casos, pode dobrar.

Os reajustes elevados na mudança de faixa etária não são, contudo, a única preocupação dos consumidores que estão perto dos 60 anos, ressalta a advogada do Idec. Fazer um upgrade no plano de saúde nessa faixa etária é outra questão complicada Segundo Joana, é preciso que o consumidor observe se o contrato prevê essa possibilidade.

— Se não houver a cláusula, ao migrar para um plano superior o cliente pode ter que cumprir carências de até dois anos para marcação de cirurgia e procedimentos de alta complexidade, sem poder usar a rede credenciada que já tinha, nem a que vai ter com o novo plano — explica Joana.

POUCAS ALTERNATIVAS PARA IDOSOS

Outro aspecto levantado por Renata é a dificuldade do usuário que se aposenta ou sai do emprego nessa faixa etária, perdendo a cobertura do plano empresarial. Segundo ela, há dois tipos de situação: a de quem descontava coparticipação mensal para o plano e a de quem não tinha. No primeiro caso, se a pessoa ficou empregada por mais de dez anos, tem direito à manutenção vitalícia do plano, desde que pague a parte que antes era arcada pela empresa. Caso o prazo de contribuição tenha sido inferior a uma década, terá direito à permanência no plano por cada ano de coparticipação. Caso o plano não tenha coparticipação, o que é a situação mais comum atualmente, o consumidor poderá manter o plano, dependendo do contrato, pelo período de seis meses a dois anos, e aí terá a árdua tarefa de contratar um novo plano no mercado.

Joana ressalta que, na prática, restam apenas os coletivos por adesão, pois a oferta de individuais vem sendo reduzida, e as mensalidades são altas:

— Como as mensalidades de cobertura são bastante elevadas na faixa acima dos 60 anos, e o aposentado já tem uma perda natural da renda, a alternativa é entrar em um plano por acordo de adesão junto a uma instituição representativa. Seja como for, por lei, as operadoras não podem negar a oferta de cobertura para quem já passou dos 60 anos.

Embraer fecha parceria com Saab para produção de caça

Embraer assinou um memorando de entendimentos com a Saab para uma parceria na administração conjunta do Projeto F-X2 no Brasil, com a fabricante brasileira realizando grande parte do trabalho de produção e entrega das versões de um e dois assentos do caça de última geração Gripen NG para a Força Aérea Brasileira (FAB), segundo comunicado.

Em dezembro, o governo brasileiro anunciou a aquisição de 36 caças suecos, com investimento previsto de US$ 4,5 bilhões. O modelo disputava com o francês Rafale e o americano F-18 Super Hornet, da Boeing.

Pelo acordo, a Embraer coordenará todas as atividades de desenvolvimento e produção no Brasil em nome da Saab, e também participará do desenvolvimento de sistemas, da integração, testes em voo, montagem final e entregas.

“A Embraer e a Saab serão responsáveis pelo desenvolvimento completo da versão biposto do Gripen NG, ao mesmo tempo em que as duas empresas estudam a formação de uma parceria estratégica para promoção e vendas das duas versões, monoposto e biposto, no mercado global”, informou a fabricante brasileira.

O acordo será implementado após a conclusão das negociações entre a Saab e o Brasil sobre a finalização do contrato do Projeto F-X2, sendo que a expectativa é de que as conversas sejam concluídas até o fim deste ano.



 

Governo negocia novo empréstimo a distribuidoras de energia

 

O governo federal está negociando com bancos um aditivo ao empréstimo de R$ 11,2 bilhões para as distribuidoras de eletricidade que seja suficiente para, pelo menos, cobrir as liquidações do mercado de curto prazo de energia de julho e agosto, disse à Reuters uma fonte que acompanha as negociações. Segundo essa mesma fonte, o valor desse aditivo deve superar a casa dos R$ 2 bilhões.

Somente em julho, o montante que precisa ser liquidado pelas distribuidoras, e que não está coberto pelas tarifas de energia elétrica, é de R$ 1,3 bilhão, referentes às operações do mercado de curto prazo de maio. Na quarta-feira, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) adiou para 31 de julho o pagamento desse R$ 1,3 bilhão, que deveria inicialmente ocorrer até a sexta-feira desta semana. O adiamento teve como principal objetivo ganhar tempo para achar uma solução para ajudar as distribuidoras a fazer a liquidação sem comprometer suas finanças.

No fim de abril, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) assinou contrato de empréstimo dos R$ 11,2 bilhões com um sindicato formado por Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú Unibanco, Santander Brasil, Citibank, BTG Pactual, Bank of America Merrill Lynch, JPMorgan e Credit Suisse.

Os recursos contratados na ocasião serviriam para cobrir as necessidades das distribuidoras ao longo deste ano, mas terminaram em junho diante dos altos custos das empresas com a compra de energia mais cara das termelétricas.

 

 

Metade dos transatlânticos virão ao Brasil no próximo verão

A próxima temporada de cruzeiros marítimos no Brasil, que vai de novembro a abril de 2015, contará com dez navios no litoral do país. Isso equivale à metade do número de embarcações registradas no verão 2010/2011. Em passageiros, o movimento encolheu de um pico de 805.189, em 2011/2012, para 596.532, na temporada passada. Segundo a Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Abremar Brasil), isso se deve ao custo de operação no Brasil. Com menor margem de lucro, em comparação a outros importantes mercados de cruzeiros no mundo, as companhias estariam deslocando embarcações para navegar em águas de destinos que oferecem maior rentabilidade, sobretudo na Ásia e no Oriente Médio, explica Roberto Fusaro, presidente da Abremar.

— Operar cruzeiros turísticos no Brasil custa entre 50% e 100% mais que em destinos de Europa e EUA. Taxas portuárias, custo da praticagem, exigências trabalhistas e outros fatores tornam a operação menos rentável.

Procura pelos cruzeiros há, garante Fusaro. A estimativa para a temporada 2014/2015 é elevar o número de viajantes para 640 mil, apesar de contar com um navio a menos que no verão passado. A expansão virá da oferta de minicruzeiros, roteiros de menor duração e com preço mais acessível. Isso vai ampliar o número de vagas disponíveis.

O mercado confirma a demanda aquecida. Em maio, a operadora de turismo CVC teve aumento de 20% nas vendas de cruzeiros turísticos, ante igual mês de 2013. Além disso, segundo a Abremar, quatro companhias — Costa, MSC, Pullmantur e Royal Caribbean — vão oferecer 239 cruzeiros, em dez navios. Precisamente, a oferta vai subir para 640.564 vagas.

— A Copa atrapalhou o turismo brasileiro. O movimento caiu, as pessoas adiaram as férias. Agora, parecem estar comprando antecipadamente viagens para o verão. O dólar também está melhor — diz Valter Patriani, vice-presidente de Produtos, Vendas e Marketing da operadora.

Para ele, ao montar minicruzeiros, as companhias marítimas conseguem praticamente dobrar a oferta de saídas, embora reduzam o tíquete médio. Em dezembro, há saídas de sete dias a bordo do Sovereign por R$ 1.579 por pessoa. Um minicruzeiro de três dias, no Zenith, no mesmo mês, custa R$ 699.

INVASÃO MEXICANA NA COPA

Durante a Copa, dois navios fretados no México estão circulando pelo litoral do país.

— Num cruzeiro ficou muito mais fácil viajar para acompanhar a Copa. A viagem inclui tudo, hospedagem, alimentação, ingressos. E é uma ótima maneira de conhecer lugares — diz a engenheira mexicana Carla Olivares.


Já o empresário Paul Ginsburg lamentou o fato de o navio ter sido fretado exclusivamente para mexicanos. Ele pretende voltar ao Brasil:

— Uma das vantagens de um cruzeiro é conhecer pessoas de vários lugares.

O aumento de passageiros previsto para a próxima temporada vai garantir a manutenção da receita gerada pelos cruzeiros turísticos na temporada 2013/2014, que foi de R$ 1,15 bilhão. Este total representa queda de 18% ante o verão 2010/2011, de acordo com pesquisa de Clia Abremar Brasil e FGV.

— As empresas querem ampliar a atuação no país. Mas a melhoria em infraestrutura e custos prometida pelo governo é lenta. Com isso, o Brasil perde navios para destinos mais lucrativos — diz o presidente da Clia Abremar.

O Porto Veleiro, em Búzios, que é privado, aguarda há quatro anos autorização da Secretaria de Patrimônio da União para concluir a construção de cinco gates, que servem para a chegada de pequenos barcos que trazem passageiros de navios em escala no balneário fluminense.

— Temos todas as licenças. Mas o processo é lento demais. Teremos 97 das 122 escalas previstas para a cidade no próximo verão. As outras vão para o cais municipal — diz Carlos Eduardo Bueno, à frente do Porto Veleiro e da BrasilCruise, que reúne os terminais de cruzeiros marítimos do país.

PACOTE DE INCENTIVOS

A Secretaria de Portos reconhece a morosidade no avanço em estrutura portuária do país. Mas enumera esforços para mudar o quadro. Desde novembro de 2011 até o fim do ano que vem, perto de R$ 660 milhões estão sendo investidos em modernização e ampliação dos portos de Santos, Natal, Recife, Salvador e Fortaleza.

— Essas obras permitem receber navios maiores. Devem ajudar, sobretudo, a fortalecer o circuito de cruzeiros no Nordeste. Nossa meta é voltar ao patamar de 800 mil passageiros por temporada no verão 2015/2016 — diz Tiago Correia, secretário de Infraestrutura Portuária da Secretaria de Portos.

— É preciso lembrar da sazonalidade: temos receita por cinco meses, custo por 12 — diz, por sua vez, Américo da Rocha, diretor de Operações do Pier Mauá, no Rio.

Os portos cobram dos navios taxas como as de embarque, desembarque, trânsito e atracação. Rocha crê que, se a temporada crescer, esses custos podem cair. Ele diz, porém, que, a despeito da queda no movimento de passageiros e navios recentemente, essas taxas não tiveram reajuste.

A incidência de tributos como PIS e Cofins sobre o combustível, questões trabalhistas, como a exigência de contratação de 25% de mão de obra brasileira por navios estrangeiros, e a praticagem oneram a operação no país, diz Rodrigo Paiva, diretor da Mind Estudos e Projetos, consultoria do setor.

— A competitividade nessa área vai depender de uma política que ajude a estimular a operação, atacando os altos custos — opina Paiva.

Isso pode estar perto de acontecer. O Ministério do Turismo promete para este semestre um pacote de medidas para estimular atividades em diversos setores, como o de cruzeiros marítimos, afirma Vinicius Lummertz, secretário nacional de Políticas de Turismo.

— Vamos entrar num momento de grande ampliação de portos. O PAC prevê um total de R$ 7,5 bilhões para o setor, até 2015. Há outros R$ 6 bilhões para terminais portuários. No total, serão mais de 50 portos beneficiados. E vamos lançar um conjunto de medidas, que inclui novas legislações, para garantir eficiência ao setor.

 

Brasil captação da poupança recua 66%


Com o orçamento mais apertado por causa da inflação, o brasileiro economiza menos. A chamada captação líquida da poupança caiu mais da metade no primeiro semestre deste ano. De acordo com dados divulgados pelo Banco Central, os poupadores depositaram R$ 9,6 bilhões a mais do que sacaram da aplicação financeira mais popular do país: 66% a menos do registrado nos seis primeiros meses do ano passado.

Segundo o BC, foi o pior primeiro semestre desde 2011, quando o brasileiro precisou sacar mais recursos do que depositou. A captação ficou negativa em R$ 1,7 bilhão na época.

Os juros maiores também interferem no comportamento da caderneta de poupança; Como o Banco Central manteve a taxa básica (Selic) em 11% ao ano, os fundos de investimentos têm rentabilidade maior e começa a ser mais procurado pelos investidores que tentam ter ganhos reais. Afinal, a poupança tem perdido para a inflação. Enquanto o IPCA está em 6,37% nos últimos 12 meses, a aplicação rende apenas 6% ao ano, mais TR.

Hoje, o brasileiro guarda R$ 626,9 bilhões. Sobre esse valor, os bancos pagaram R$ 19,4 bilhões de rendimentos no primeiro semestre deste ano.



 

Paraná consegue liberação de empréstimo depois de pedir prisão de secretário

Dois dias depois de o governo do Paraná ter pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, o Banco do Brasil liberou um empréstimo de R$ 817 milhões que vinha sendo alvo de uma disputa entre o estado e a União. Na terça-feira, dia 1º de julho, o Procurador do Estado do Paraná, Sergio Botto de Lacerda, apresentou uma petição ao STF alegando que o Tesouro vinha descumprindo liminares do próprio Supremo que determinavam a liberação desse financiamento e, por isso, Augustin e o subsecretário de Relações Intergovernamentais, Eduardo Coutinho, incorriam no crime de desobediência de ordem judicial que prevê a prisão em flagrante.

A queda de braço entre o Paraná e o Tesouro envolve a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O estado quer que o Tesouro desconsidere seus percentuais de gastos com saúde, que estão abaixo do limite da LRF, e com pessoal (que estão acima do exigido pela Lei) na hora de avaliar os pedidos de empréstimo. A briga chegou ao STF e o ministro Marco Aurélio Mello apoiou a tese do governo estadual determinando que os limites deveriam ser desconsiderados. Ele chegou a estabelecer uma multa diária de R$ 100 mil pelo descumprimento da liminar e depois elevou o valor para R$ 500 mil.

Assim, o Paraná entendeu que a demora da liberação do empréstimo de R$ 817 milhões, feito no âmbito do Proinveste, programa voltada para investimentos em infraestrutura, foi um descumprimento da decisão do STF. O Tesouro, por sua vez, alegou que apenas seguiu com o trâmite normal do processo e que o contrato de garantia da operação foi assinado no dia 13 de maio. A secretaria também informou que não impôs restrições para que o Banco do Brasil liberasse o dinheiro.

- Mas o fato é que logo depois do pedido de prisão o dinheiro foi liberado pelo Banco do Brasil e os outros pedidos de financiamento do Paraná também andaram - afirmou um funcionário do governo do Paraná.

O pedido de prisão do secretário e de seu adjunto ainda está sendo avaliado pelo STF.



 

Consumidores da Eletropaulo terão aumento de 18,08%

A partir desta sexta-feira, a conta de luz dos consumidores da AES Eletropaulo (SP) vai ficar mais cara para as residências e comércio (baixa tensão) com reajuste de 18,08%, enquanto para a indústria (alta tensão) o aumento será de 19,93%. O reajuste foi homologado pela diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A Eletropaulo foi obrigada a devolver para os consumidores este ano cerca de R$ 313 milhões, o que elevaria em 3,3 pontos percentuais o reajuste da tarifa para os consumidores. A Aneel deduziu do reajuste em 2013 metade do valor referente a 246,4 quilômetros de cabos inexistentes incluídos pela empresa como itens da base de remuneração da revisão tarifária da empresa em 2012.

O valor total está estimado em R$ 626 milhões e deve ser abatido nos próximos reajustes. A Eletropaulo informou ontem que vai entrar na Justiça contra a decisão da Aneel que obriga a concessionária a devolver os recursos aos consumidores.

A concessionária presta serviço para 6,5 milhões de unidades consumidoras na capital de São Paulo e em outros 23 municípios da região metropolitana.

CELTINS

A agência também aprovou o reajuste anual da concessionária Companhia de Energia Elétrica do Estado de Tocantins (Celtins). A conta de luz dos consumidores residenciais e comerciais (baixa tensão) vai subir 10,98% e industriais (alta tensão) 10,43%. As novas tarifas entrarão em vigor a partir de amanhã, dia 4. A empresa fornece energia para 506 mil unidades consumidoras de 139 municípios do estado de Tocantins

Segundo o relator do processo da companhia, o diretor André Pepitone, a melhoria na qualidade do serviço da Celtins, os índices de interrupções de energia e duração destas quedas, levou a que a redução da tarifa fosse menor.



 

Redução do poder aquisitivo inibem vendas de veículos

 

A venda de automóveis no Brasil apresentou redução de 10,22% no primeiro semestre do ano em relação a igual período de 2013, segundo dados divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabreve). O total comercializado foi de 1,186 milhão de veículos. Segundo a entidade, esse é o pior semestre desde 2010 e o terceiro pior da história. Na comparação de junho ante maio, a queda foi de 9,46%, com a venda de 187.577 automóveis. Os dados negativos fizeram a federação a elevar a previsão de queda nas vendas para 2014.

Os motivos para a queda assinalados pela Fenabreve foram a redução do poder aquisitivo dos consumidores, as restrições na concessão de crédito e as compras antecipadas em dezembro, uma vez que os consumidores optaram por evitar o Imposto sobre Produtos Industriais (IPI) mais elevados a partir de janeiro, quando a alíquota foi elevada.

Sobre a manutenção do IPI nos atuais patamares, o presidente da Fenabrave, Flávio Meneghetti, disse que essa decisão vai contribuir para não piorar ainda mais o quadro do setor. A alíquota para carros 1.0, por exemplo, passaria de 3% para 7% já neste mês.

— Se tivesse uma recomposição total dos impostos, o mercado não teria condições de repassar para o preço e a queda de vendas seria maior. Seria mais uma cacetada forte nas vendas — disse.

Segundo a Fenabrave, a manutenção do IPI também vai contribuir para um aumento de venda no segundo semetre em relação ao primeiro. A previsão é de 5% de alta. Além do IPI, o fim da Copa, os 14 lançamentos de novos modelos e a renovação da frota por parte das locadoras de automóveis. Também está prevista uma nova corrida no final do ano para a troca de veículos antes do restabelicimento das alíquotas do IPI - que foi adiado de 1º de julho de 2014 para 1º de janeiro de 2015.

No entanto, essa melhora não será suficiente para reverter a queda no ano, que está prevista em 10,51% para o segmento de automóveis. Somando os demais segmentos (comerciais leves, caminhões, ônibus) a previsão de queda para o ano é de 8,1%, bem acima dos 3,2% previstos no início do ano, já no cenário pessimista. A entidade também não confia nas previsões de crescimento do PIB por parte do governo




 

Real completa 20 anos com perda de 80% de seu valor

O real entrou em circulação há exatos 20 anos, deixando para trás uma inflação de três dígitos e o consequente troca-troca de moedas. Com a estabilização da economia, alcançada por meio de um conjunto de mudanças que recebeu o nome de Plano Real, o brasileiro experimentou por um tempo a sensação de ver seu dinheiro valendo mais.

“Era muita inflação, e eram muitos zeros. Não haveria caixa registradora que conseguisse registrar tantas casas decimais se o real não tivesse sido criado”, disse Davi Simão Silber, professor de economia da Universidade de São Paulo (USP). Antes do real, os preços disparavam de um dia para o outro e a variação média chegava a 100% em um mês.

Apesar do trabalho que deu para o brasileiro se acostumar com a nova moeda – muitos usavam calculadoras para transformar a moeda anterior (cruzeiro real) em real e ter uma referência de quanto o produto valia –, o plano deixou como herança a possibilidade de se planejar gastos.

“O brasileiro aprendeu o verdadeiro valor do dinheiro. Soube quanto ganhava efetivamente e o real valor dos bens que poderia adquirir. Conseguimos entender os juros no Brasil e a necessidade de se ter metas claras de combate à inflação. A capacidade de compra aumentou, determinada pela estabilidade da economia. E o mais importante é que durante os anos de estabilidade, todo brasileiro começou a planejar o futuro, elaborar um planejamento financeiro de longo prazo”, diz Fabiano Guasti Lima, pesquisador do Instituto Assaf.

O que dá para comprar com R$ 1?
A hiperinflação foi extinta na década de 1990, mas os preços continuaram subindo ao longo dos anos, e o R$ 1, que antes comprava dez pãezinhos ou até mesmo um quilo de frango, hoje não paga muito mais que um punhado de balas e chicletes.

É difícil achar produtos por R$ 1. No hortifruti, é possível comprar pouca coisa: algumas laranjas, cebolas ou uma maçã. Na padaria, consegue-se comprar menos de três pães, com o quilo beirando os R$ 8. Entre os industrializados, nada muito saudável fica dentro desta faixa de preço, a não ser sucos em pó, gelatinas e refrigerantes. Procurando bem, encontra-se um chocolate ou biscoito em promoção, garrafas de água de 300 ml ou uma lata de ervilha.

Considerando a inflação acumulada de julho de 1994 até maio deste ano, de 359,89% pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o poder de compra da moeda brasileira caiu perto de 80%. Assim, R$ 1 de 20 anos atrás vale agora R$ 0,21, bem como R$ 10 daquela época foram reduzidos a R$ 2,13. Quando comparada a quantia de R$ 100 em 1994 e neste ano, a diferença chega a R$ 78,70. Os cálculos são do matemático José Dutra de Oliveira Sobrinho.

Como está a inflação hoje
Segundo Silber, professor da USP, o país hoje convive com uma inflação que não pode ser considerada baixa, mesmo que fique longe da alta de preços do início dos anos 90.

“A literatura considera alta [inflação] quando passa de 10% ao ano. Baixa é de até 3%. O Brasil está no meio do caminho [cerca de 6%]. Hoje, a inflação neste país é de arrocho salarial [quando os reajustes de salário não acompanham a inflação]. Se tirar os preços que o governo controla, como de ônibus, gasolina e energia, a inflação seria desconfortável. E o pessoal de mais baixa renda é o que mais sente, não consegue mais comprar carne todo dia”, afirma.

Preços acima da média
Alguns gastos subiram ainda mais que a inflação desde o início do Plano Real e preocupam quem se acostumou com a estabilidade. “O brasileiro é muito mais sensível a um aumento na taxa de inflação. Sem a adoção do Plano Real, certamente, ela continuaria bastante descontrolada, nos patamares observados anteriormente ao plano ou até pior”, diz Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria.

A cesta básica vendida na cidade de São Paulo, por exemplo, ficou 443,82% mais cara, enquanto a inflação acumulada foi de 359,89%. O preço da cesta era de R$ 67,40 em julho de 1994 e passou para R$ 366,54 em maio deste ano, de acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

“O medo atual da inflação se deve à perda de poder de compra que sentimos no nosso bolso. Compramos menos coisas que comprávamos no início do Plano Real. Sem ele [plano], que lançou as bases de estabilidade da economia, a situação seria bem crítica. Teríamos inflação bastante elevada, alto nível de desemprego e crescimento medíocre do PIB [Produto Interno Bruto]. A Argentina hoje é um reflexo desse cenário”, diz o pesquisador do Instituto Assaf.

O reajuste do salário mínimo ao longo dos anos também fez o brasileiro sentir como a inflação corroeu seu poder de compra, que havia sido retomado nos idos de 1994. De R$ 64,79, o piso passou para R$ 724. Sem tirar a inflação, o aumento no valor é animador, mas, quando a taxa é considerada, o crescimento é bem menor, de 146%, conforme aponta estudo do Instituto Assaf.

 

Confiança do paulistano em junho tem pior nível desde 2003

A confiança dos paulistanos atingiu, em junho, o pior patamar desde outubro de 2003, aponta o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

O indicador caiu 1,9% sobre maio, para os 107,4 pontos, e ficou mais perto da zona de pessimismo - abaixo dos cem pontos. Na comparação com junho do ano passado (145 pontos), o ICC despencou 26%.

Desde fevereiro, quando chegou aos 136,4 pontos, o indicador apresenta tendência de queda, com quatro variações negativas seguidas, diz a Fecomercio-SP.

"Inflação elevada, modestos ganhos de renda e juros mais altos continuam a prejudicar o orçamento doméstico das famílias da cidade de São Paulo. Esse quadro, além de fazer com que a percepção da economia em geral seja ruim, tem contribuído para frear perspectivas favoráveis sobre o futuro próximo", dizem os economistas da Serasa, em nota.

De maio para junho, foi mantido apenas o índice para paulistanos com remuneração inferior a dez salários mínimos, em 110,6 pontos. Para as demais segmentações, a confiança diminuiu no período, diz. No caso dos que ganham a partir de dez salários mínimos, por exemplo, o indicador caiu 6,2%, para 100,5 pontos.

Subindicadores
Os dois subindicadores do ICC apresentaram queda no mês. O Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA), que apura a satisfação dos consumidores com a situação momentânea, caiu 0,8% aos 110,9 pontos. O Índice de Expectativas do Consumidor (IEC), que mede as projeções para os próximos meses, recuou para 105 pontos, com variação de -2,7%.

 

 

Vendas de imóveis de 1 dormitório crescem 400%

 

Com o aumento dos preços dos imóveis e a mudança no perfil das famílias brasileiras, a preferência pelos imóveis novos de um dormitório tem se consolidado, principalmente em grandes metrópoles como São Paulo. Nos últimos dez anos, a venda desse tipo de moradia na capital cresceu 406,39%.

Enquanto em 2004 as vendas desse tipo de imóvel somaram 1.657 unidades, em 2013 saltaram para 8.391. Os números são de um levantamento do sindicato da habitação de São Paulo (Secovi-SP). Neste ano, de janeiro até abril, dos 6.266 imóveis lançados, 1.800, o que corresponde a 28% do total, são de um dormitório.

O valor comercializado dos imóveis (VGV) de um quarto, acompanhando o aumento das vendas, registrou uma variação ainda maior, de 686,5%, ao passar de R$ 471 milhões em 2004, para R$ 3,7 bilhões no final de 2013. Os números foram atualizados pela inflação calculada pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).

“As famílias estão menores. Está chegando ao mercado uma nova geração de compradores, com menos filhos, solteiros. Hoje, o orçamento das famílias é muito mais adequado para esses imóveis menores”, afirma Sousa.

Os imóveis pequenos também têm conseguido atrair o consumidor pelas facilidades que oferece aos moradores. “Não é apenas preço, porque, em muitos casos, imóveis novos menores são até mais caros do que imóveis antigos maiores na mesma região. Praticidade conta muito hoje em dia, e vai contar cada vez mais. Os condomínios desses imóveis oferecem praticidades, serviços que facilitam o dia a dia”, aponta Marcos Caielli, diretor de negócios imobiliários do Portal de Documentos.

Os números do Secovi mostram que os imóveis novos com número maior de dormitórios também registraram aumento nas vendas, assim como nos valores comercializados nos últimos dez anos, mas numa proporção bem abaixo das unidades de apenas um quarto.

“A demanda continua grande por imóveis, independentemente do tamanho, mas o que percebemos é que lançamentos de imóveis maiores, com mais quartos, são mais raros”, diz o professor do Ibmec.

De 2004 a 2013, as vendas de imóveis de dois dormitórios subiram 118,46% (de 6.717 para 14.674) e de três, 8,79% (de 7.049 para 7.669).

"De 2004 a 2012, a média de imóveis ofertados de um quarto era de 8% [do total]. De repente, no final de 2012 e 2013, tivemos a oferta crescendo 150%. Isso acontece por dois fatores: busca pelo ticket mais barato, que cabe no bolso. O segundo quesito igual ou mais importante é o fato de, hoje, o grande comprador, em média, estar na faixa que vai até 35 anos de idade, que se preocupa mais com mobilidade [localização] do que com o tamanho", disse Celso Petrucci, economia-chefe do SecoviSP.

O único tipo de imóvel que tem registrado queda nas vendas é o de quatro quartos. Em 2004, foram comercializados 4.760 e, no ano passado, apenas 2.585, uma queda de 45,69%.

Quanto ao valor geral de vendas dessas residências, o crescimento foi de 168,32% (de R$ 2,141 bilhões para R$ 5,746 bilhões) no caso de imóveis de dois quartos, e de 67,64% (de R$ 3,064 bilhões para R$ 5,137 bilhões), no de três. Já os imóveis de quatro dormitórios mostraram retração de 19,3% no valor de vendas, de R$ 5,992 bilhões para R$ 4,831 bilhões.

Investimento com mais liquidez
Para as construtoras e incorporadoras, bem como para quem investe no mercado imobiliário, os imóveis menores são mais vantajosos, na avaliação dos especialistas. Isso porque quem constrói lucra mais com a venda de dois imóveis pequenos no lugar de um grande, bem como quem compra para oferecer à locação.

“Esses imóveis normalmente são os preferidos de quem precisa alugar, pois são novos, em excelentes localizações na cidade, e com serviços de conveniência. Portanto, é um investimento com maior liquidez [retorno] para investidores, tanto para locação quanto para revenda”, justifica Caielli, do Portal de Documentos.

E se engana quem pensa que essa é uma tendência apenas vista em grandes cidades. Municípios próximos às metrópoles e até municípios no Nordeste têm apostado nesse filão de mercado, segundo Sousa, do Ibmec.

Banco italiano abrirá filial no Brasil


 

O banco italiano Intesa Sanpaolo anunciou a abertura de uma unidade no Brasil para atender clientes corporativos, parte de estratégia para reforçar sua rede internacional. Em comunicado, o banco afirmou que o banco em São Paulo deverá iniciar as operações em poucos meses, após a obtenção de licenças junto às autoridades para atuar como banco comercial e de investimento tanto em moeda local como em moeda estrangeira.

Segundo o Intesa Sanpaolo, a unidade brasileira funcionará como uma “parceira de negócios”, trabalhando ao lado de empresas italianas, além de companhias nacionais e internacionais com presença no país.

— Para o nosso grupo, a abertura da nova filial em São Paulo representa um retorno muito aguardado a um mercado que sempre foi fundamental para nós — afirmou o gerente geral e chefe da divisão corporativa e de investimento do banco, Gaetano Miccichè.

O banco irá oferecer uma plataforma de produtos e serviços, com a oferta, por exemplo, de assessoria para entrada no mercado brasileiro e para atividades como empréstimos para exportações, seguros de crédito e financiamento internacional de projetos.

— Do ponto de vista de setores industriais, um foco especial será dado aos setores particularmente importantes para a economia brasileira, como infraestrutura, óleo e gás, energia e agricultura — disse o Intesa Sanpaolo.

Com capitalização de mercado de € 40,1 bilhões o Intesa Sanpaolo é líder no mercado italiano e um dos maiores bancos da zona do euro. Sua rede internacional de apoio a clientes corporativos cobre 29 países em regiões como o Oriente Médio e Norte da África, além de países em que as companhias italianas têm forte atividade, como Estados Unidos, Rússia, China e Índia.

 

Juros de pessoas física, com recursos livres, foi para 42,5% ao ano

Os juros bancários médios dos empréstimos para pessoas físicas subiram pelo quinto mês seguido em maio deste ano, para 42,5% ao ano. É o maior nível desde julho de 2011 – ou seja, em quase três anos.

Os números, que tratam das operações com recursos livres (quando os juros são livremente acertados), foram divulgados pelo Banco Central (BC), por meio da nota de juros e crédito bancário.

Em abril deste ano, os juros bancários de pessoas físicas estavam em 42% ao ano. Na parcial de 2014, a taxa avançou 4,5 pontos percentuais, pois estava em 38% ao ano no fechamento de 2013.

Alta dos juros básicos
O aumento desses juros acontece após o próprio Banco Central ter iniciado, em abril do ano passado, um ciclo de alta da taxa básica de juros da economia (a Selic), para tentar conter o crescimento da inflação.

Com o aumento da taxa e o encarecimento dos empréstimos, a instituição consegue reduzir o número de pessoas e empresas dispostas a consumir. Assim, o preço dos produtos e serviços tende a cair ou ficar estável.

Desde o ano passado, os juros básicos passaram de 7,25% para 11% ao ano, o que corresponde a uma elevação de 3,75 pontos percentuais. O processo de alta dos juros foi interrompido apenas no mês passado.

Juros bancários sobem mais do que Selic
Com o aumento dos juros básicos do país, também houve alta na taxa de captação das instituições financeiras, ou seja, no quanto os bancos pagam pelos recursos que serão emprestados às pessoas.

Em abril do ano passado, antes do início da alta dos juros básicos fixados pelo BC, a taxa de captação, para operações com pessoas físicas, estava em 9% ao ano, passando para 12% ao ano em maio. Um crescimento de 3 pontos percentuais.

No mesmo período, os juros bancários das instituições financeiras para pessoas físicas cresceram 8,1 pontos percentuais, visto que estavam em 34,4% ao ano em abril de 2013, ou seja, quase o triplo do aumento da taxa Selic.

Deste modo, os dados do BC mostram que as instituições financeiras não só estão repassando a alta do custo de captação que tiveram por conta da elevação dos juros básicos da economia, como também estão elevando os juros cobrados de seus clientes acima da alta da Selic.

'Spread bancário'
O aumento dos juros bancários com intensidade maior que a alta da taxa básica gerou o aumento do chamado spread bancário (diferença entre o que os bancos pagam pelos recursos e o que cobram dos clientes).

O spread é composto pelo lucro dos bancos, pela taxa de inadimplência, por custos administrativos, pelos depósitos compulsórios e pelos tributos cobrados pelo governo federal, entre outros.

Em abril do ano passado, antes do início do processo de alta dos juros básicos da economia, o spread bancário nas operações com pessoas físicas estava em 25,4 pontos percentuais. Em maio deste ano, já estava em 30,5 pontos percentuais.

O alto nível dessa diferença entre taxas no Brasil já foi duramente criticado, no passado, pela presidente da República, Dilma Rousseff, e por integrantes da equipe econômica, como o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Taxa média de empresas e geral
No caso das operações dos bancos com as empresas, ainda com base nos chamados recursos livres, a taxa média somou 23% ao ano em abril – com alta de 0,1 ponto percentual frente ao patamar de abril (22,9% ao ano). Em 2014, porém, a taxa avançou 1,6 ponto percentual.

Já a taxa média geral de todas as operações com recursos livres (pessoas físicas e empresas) ficou estável em 32% ao ano em maio. Com isso, os juros estão no maior patamar desde fevereiro de 2012 (32,5% ao ano). No acumulado de 2014, a taxa média de juros bancários avançou três pontos percentuais.

 

Parcela de cheques sem fundos sobe em maio

A parcela de cheques devolvidos por falta de fundos no país ficou em 2,17% em maio, leve alta sobre a taxa de 2,13% de abril e da de 2,15% de maio de 2013, divulgou a empresa de análise de crédito Serasa Experian.

Em números absolutos, no mês passado foram devolvidos 1.376.096 cheques e compensados 63.506.394.

No acumulado dos primeiros cinco meses de 2014, o percentual de devolução de cheques sem fundos foi de 2,12%, superior à devolução de 2,10% em igual período de 2013, diz a divulgação.

"O crescimento da inadimplência com cheques em maio com relação a abril reflete a sazonalidade típica do período, tendo em vista a data comemorativa do Dia das Mães. Já o patamar mais elevado da inadimplência com cheques neste ano em relação ao ano passado – tanto no mês de maio quanto no acumulado do ano (janeiro a maio) — é reflexo de uma conjuntura dominada pelo encarecimento do custo do crédito (altas sucessivas das taxas de juros) e pela elevação da inflação. Tais fatores afetam negativamente a capacidade dos consumidores em honrar em dia os seus compromissos", afirmam os economistas da Serasa, em nota.

Roraima liderou o ranking estadual dos cheques sem fundos nos primeiros cinco meses de 2014, com 11,95% de devoluções. O Amazonas foi o estado com o menor percentual (1,19%).

Entre as regiões, a Norte foi a que liderou o ranking, com taxa de 4,36%. A região Sudeste foi a que apresentou o menor percentual (1,64%).

 

Analistas esperam retração da indústria em 2014

Os economistas do mercado financeiro já esperam que a produção industrial, um dos indicadores que compõem o PIB, sofra contração em 2014. A mediana das projeções para o setor está em -0,14%, a primeira previsão negativa desde que as estimativas para o desempenho do setor em 2014 começaram a ser feitas, em 2010. Na semana passada, a expectativa ainda era de alta, de 0,51% e, há um mês, de 1,4%.

O pessimismo reflete o desempenho do setor nos últimos meses. Em abril, a produção industrial recuou 0,3%, frente ao mês anterior, segundo os dados mais recentes divulgados pelo IBGE. Na comparação anual, o resultado foi ainda mais amargo: queda de 5,8%, pior número desde setembro de 2009, influenciado pela maior quantidade de feriados em abril deste ano.

A piora da expectativa para a atividade industrial influenciou a mediana das projeções para o PIB, que reucou pela quarta semana consecutiva. Desta vez, os analistas reduziram as projeções para apenas 1,16%. Os analistas também estão mais pessimistas para o ano que vem, apostando em alta de 1,5%, uma queda em relação à projeção da semana passada, que era de 1,73%.

Em relação à inflação, a mediana das projeções foi mantida em 6,46%, refletindo a trégua na alta de preços dos alimentos, que vem ajudando a segurar o IPCA.

A previsão também foi mantida para a taxa básica de juros, a Selic, que, segundo os analistas ouvidos pelo BC, deve encerrar 2014 nos atuais 11% ao ano.

 

Sancionada  ‘flexibilização’ de exploração de linhas rodoviárias

 

Governo sanciona ‘flexibilização’ de exploração de linhas rodoviárias
Foi publicada no "Diário Oficial da União" a lei 12.996, que resultou da Medida Provisória 638 e traz uma mudança profunda do sistema de exploração de linhas rodoviárias interestaduais e internacionais no país.

Uma emenda incluída de última hora na MP permite que empresas de ônibus atuem no setor apenas com autorizações, sem a exigência de licitações que vinham sendo preparadas há mais de cinco anos pelo governo. Originalmente, a MP tratava do programa Inovar-Auto, de benefícios ao setor automotivo.

Para as operadoras do setor e os fabricantes de ônibus, porém, a medida poderá destravar investimentos da ordem de R$ 6 bilhões em renovação da frota ao longo de quatro anos. Esses investimentos vinham sendo represados por conta da incerteza gerada a partir da dificuldade do governo de promover as licitações das linhas.

Contudo, na avaliação de entidades de defesa do consumidor, como a Proteste, a "flexibilização" das regras pra exploração das linhas fere a Constituição Federal, ao restringir a necessidade de licitações para definição dos operadores.

A emenda incluída na MP 638 foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff, que aceitou também a inclusão de outro "jabuti" no texto: áreas públicas no Distrito Federal ocupadas desde 2006 por entidades religiosas "poderão ser regularizadas, no todo ou em parte", dispensadas as exigências da Lei 8.666, de 1993.




 

Petrobras investirá US$ 5 bi na expansão de gás


 

A Petrobras informou que fará investimentos para escoar, até o litoral, o gás natural produzido nos campos do pré-sal em alto-mar, através de gasodutos e unidades de processamento de gás. Segundo a companhia, conforme seu plano de negócios 2014- 2018, estão previstos investimentos de US$ 5 bilhões, que representam 50% dos recursos da área de gás e energia, para escoamento e tratamento do gás.

A estatal informou que não prevê novos investimentos na expansão de sua malha de gasodutos de transporte terrestre. Como mostrou a reportagem, especialistas calculam que, para atender ao aumento na oferta de gás até 2030, serão necessários investimentos de ao menos US$ 22 bilhões em infraestrutura terrestre de transporte. Esses investimentos poderiam ser feitos pela estatal ou por empresas privadas.

A Petrobras confirmou que não prevê investimentos na expansão da malha de gasodutos terrestres, que atualmente é de 9 mil quilômetros, mas apenas investimentos da ordem de US$ 590 milhões até 2030 "para garantia da continuidade, confiabilidade e segurança operacionais da infraestrutura logística existente de atendimento ao mercado neste período sem a necessidade de novos gasodutos de transporte". Segundo a Petrobras, o atendimento à demanda das distribuidoras e usinas térmicas será garantido por novos pontos de entrega e estações de compressão (que aumentam o volume do gás fornecido).

Especialistas acreditam, porém, que a infraestrutura terrestre precisa ser ampliada. A Petrobras prevê uma oferta média de 168 milhões de metros cúbicos de gás por dia entre 2020 e 2030. Hoje, a capacidade de oferta está em cerca de 100 milhões de metros cúbicos. Para Marco Tavares, da consultoria Gas Energy, a oferta de gás natural no mercado já em 2025 poderá chegar a 200 milhões de metros cúbicos por dia, incluindo não apenas os volumes da Petrobras, mas de terceiros. Para Tavares, a atual malha de gasodutos teria que ser triplicada.

— Os números são muito maiores, e é evidente que o Brasil vai precisar de muito mais investimento em infraestrutura. O modelo é que trava os investimentos, porque a Petrobras atua da geração à distribuição, o que inibe os investidores privados — destacou Tavares.

Pela Lei do Gás, de 2009, os investimentos no transporte precisam ser feitos por chamadas públicas, ou seja, através do envio de propostas ao governo. Analistas dizem que a regulamentação é complexa e atrasa projetos.

O próprio governo federal prevê um aumento maior da oferta de gás para os próximos anos. Segundo o Plano Decenal de Expansão da Malha de Transporte Dutoviário (Pemat), a oferta de gás natural em 2022 poderá chegar a 202,5 milhões de metros cúbicos por dia.

 

 

A moda agora é customizar aviões comerciais por até US$ 300 milhões


 

Encomendar jatos particulares Gulfstream de US$ 65 milhões é coisa do passado. Bilionários que querem voar em grande estilo, levando dezenas de amigos e colegas, estão recorrendo aos fabricantes de aviões comerciais para comprar modelos personalizados.

Segundo reportagem publicada pela revista “Wired”, fabricantes de jumbos, como o 747 e o A380, estão oferecendo o serviço a príncipes sauditas, oligarcas russos e outros ricaços do tipo. Já teve até avião sendo entregue com pista de boliche. Os preços são astronômicos: US$ 80 milhões por um Boeing 737, US$ 280 milhões por um Boeing 747-8, e US$ 300 milhões por um A380.

A Airbus está tão focada neste novo nicho que chegou a encomendar um estudo detalhado, denominado “Billionaires Study”, que concluiu que magnatas do petróleo do Oriente Médio e industriais chineses só apreciam viajar em bando: mais de uma dúzia.



Ou seja, os já conhecidos luxuosos modelos Gulfstream ou Bombardier já não bastam. E os jatos comerciais que apertam centenas de pessoas menos endinheiradas na classe econômica se tornam palacetes depois de redecorados com mesas de jantar enormes, cadeiras de couro, banheiros com ducha e banheira, suítes com cama de casal e salas de TV e de jogos.

Os clientes recebem uma espécie de catálogo com um grande número de possibilidades à sua escolha e o céu é o limite para os pedidos.


Eles querem ter, no ar, o mesmo padrão a que eles estão acostumados em suas casas ou escritórios — afirmou David Velupillai, diretor de marketing da Airbus, ao jornal “Sydney Morning Herald”. — Como você pode imaginar, um bilionário vai gastar pouco para ter um bom escritório e uma linda casa, então eles querem duplicar esse estilo de vida no ar.

personalização de jatos comerciais começou no fim da década de 1990. Mas, recentemente, houve um forte aumento no fluxo de bilionários da Rússia, do Oriente Médio e da China — ao passo que, com a crise econômica, as encomendas de companhias aéreas minguaram —, o que jogou luz sobre o filão.

Desde a abertura de sua agência especializada em aviões particulares, em 1997, a Airbus já vendeu mais de 170 aeronaves. A Boeing começou antes, em 1996, e já entregou 195 do total de 217 pedidos recebidos.

— O nosso mercado é o de bilionários, e não o de milionários — diz Velupillai.



 

 

Confiança do empresário é a mais baixa desde 2009

Levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que a confiança do empresário é a mais baixa desde 2009. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) ficou em 47,5 pontos neste mês, numa escala que vai de zero a 100. O resultado é igual ao registrado em janeiro de 2009, quando o Brasil enfrentava os efeitos da crise financeira internacional.

O indicador de junho representa uma queda de 0,5 ponto na comparação com maio e de 7,3 pontos na comparação com junho de 2013. Também se manteve abaixo dos 50 pontos pelo terceiro mês consecutivo, mostrando falta de confiança do empresário durante todo o segundo trimestre de 2014.

Segundo a CNI, o pessimismo é maior entre os empresários da indústria de transformação, segmento em que o ICEI foi de 48,5 pontos, e da indústria da construção, em que indicador caiu para 46,7 pontos, em junho. Na indústria extrativa, a confiança aumentou 1,8 ponto e ficou em 50,6 pontos, próximo da linha divisória dos 50 pontos.

A pesquisa aponta ainda que o ICEI ficou abaixo dos 50 pontos entre os empresários das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. No Norte e no Nordeste, o indicador ficou acima dos 50 pontos. O levantamento foi feito entre 2 e 11 de junho com 2.636 empresas de todo o país, das quais 992 são pequeno porte, 1.001 são médias e 643 são de grande porte.

Economia acelera 0,12% em abril

 

A economia brasileira cresceu 0,12% em abril de 2014 frente ao mês anterior. É o que aponta o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado pela autoridade monetária. O dado mostra um resultado melhor que o registrado em março, quando a atividade cresceu apenas 0,05% segundo o IBC-Br. Esse dado foi revisado pelo Banco Central. Anteriormente, o indicador de março havia apontado uma queda de 0,11%.

Os números do BC mostram, no entanto, que o atual cenário de inflação elevada, queda no consumo das famílias e fraco desempenho da indústria e do comércio ainda prejudica o crescimento. Segundo o IBC-Br, a economia teve alta de 2,19% num período acumulado em 12 meses, segundo os dados dessazonalizados, ou seja, sem a influência de variações de cada época do ano. No acumulado de 2014, a taxa é de 0,8%.

Octavio de Barros, diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, afirmou, em relatório enviado a clientes, que a queda de 2,29% em relação a abril de 2013 do IBC-Br confirmou as expectativas da instituição de desaceleração do PIB no segundo trimestre.

"Levando em conta a queda do indicador na comparação interanual e considerando-se outros indicadores coincidentes referentes a abril e maio, continuamos acreditando que o PIB do segundo trimestre apresentará desaceleração ante o período anterior", afirmou o economista no texto.

Diferença para o cálculo oficial

O IBC-Br é um dos instrumentos usados pelo Banco Central para definir a taxa básica de juros (Selic) do país. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária. No entanto, o cenário agora é o oposto. Para conter o aumento dos preços, o BC aumentou os juros nove vezes seguidas, num total de 3,75 pontos percentuais, a partir de abril do ano passado, quando a taxa estava em 7,25%. Na última reunião, a taxa foi mantida em 11% ao ano.

O IBC-Br não pode ser considerado uma prévia do PIB porque o dado oficial é muito mais complexo. É o que os economistas chamam de proxy, uma aproximação. As divergências com o número do IBGE refletem-se nos números.




 

Decisão que proíbe protestos nos aeroportos foi concedida

 

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) obteve na 8ª Vara Federal liminar proibindo manifestações nas imediações e dentro dos aeroportos. Com isso, o Sindicato Municipal dos Aeroviários do Rio de Janeiro (Simarj), que reúne trabalhadores em terra na cidade do Rio, decidiu interromper a greve que começou à 0h desta quinta-feira. Segundo a entidade, todos os trabalhadores já estão em seus postos.

Cerca de 20 sindicalistas chegaram a ir em passeata com carro de som até o Terminal 2 do Galeão, mas, ao serem informados da decisão da Justiça, interromperam a manifestação. A multa pode chegar a R$ 500 mil por hora de ocupação indevida e prejuízo da aviação civil, informou a Agência Nacional de Aviação Civil em nota .

Com isso, a greve dos aeroviários não causou transtornos no Aeroporto Internacional Tom Jobim e no Santos Dumont. Os terminais ficaram cheios por causa da quantidade de voos na manhã desta quinta-feira e os passageiros enfrentaram filas nos guichês. Sem paralisação dentro dos terminais, o protesto que chegou a ser iniciado no entorno do Galeão fez com que passageiros se atrasassem para seus voos.


Após ficar duas horas presa no engarrafamento entre o Jardim Botânico e o aeroporto do Galeão, a empresária Tatiana Maia acabou perdendo o voo da TAM para Fortaleza, marcado para as 9h. Com ingressos comprados para os jogos EUA x Gana (em Natal, no dia 16) e Brasil x México (em Fortaleza, no dia 17), ela temia perder as partidas, que planejara assistir com o marido, o americano David Lewis.

— Vou perder dois jogos da Copa do Mundo. Vou cobrar de quem? — lamentou Tatiana, que foi informada de que o próximo voo para o Nordeste só partiria no dia 17 de junho.

O pequeno grupo de aeroviários ocupou parte de via de acesso ao Aeroporto do Galeão, causando grande congestionamento na região. A Anac disse que está acompanhando a situação e vai continuar monitorando eventuais impactos nas operações.

Por volta das 7h50m, houve uma paralisação no sistema de check-in da Gol, que deixou os passageiros apreensivos. Até as 8h30m, o sistema ficou fora do ar. Segundo a Gol, o problema aconteceu com a conexão de internet da Oi e o sistema de check-in foi redirecionado para o link secundário, que é da Embratel. A companhia afirma que o serviço no balcão e nos totens já foi restabelecido.

CATEGORIA PEDE 12% DE AUMENTO

A paralisação dos aeroviários seria de 24h, segundo o Simarj, nos aeroportos Tom Jobim, Santos Dumont e Jacarepaguá. A entidade já estava atendendo a uma determinação da Justiça de pelo menos 80% dos trabalhadores permanecerem em atendimento. Também a pedido da Justiça, não foram realizados piquetes, segundo o vice-presidente do sindicato, José Andrade Cruz.

— A intenção não é prejudicar o usuário. Não queremos o usuário contra o nosso movimento, por isso estamos com a greve mais na parte operacional, interna, sem mexer no check-in — disse ele, antes de ser informado da liminar obtida pela Anac.

A categoria reivindica o “Abono Copa”, já que há um aumento na carga de trabalho neste período, além de reajuste salarial real de 12% e a revisão dos valores dos benefícios da cesta básica e vale-refeição, entre outros itens. O sindicato patronal oferece apenas 5,6%, que corresponde à reposição da inflação de 2013. A paralisação se restringe ao Rio e não afeta os aeroportos em outros municípios.

O sindicato, ligado à Força Sindical, é o único que ainda não assinou a convenção coletiva com o Sindicato Nacional das Empresas de Transporte Aéreo (Snea), que representa companhias como TAM e Gol. Segundo o Sindicato Nacional dos Aeroviários, ligado à CUT, são 64 mil trabalhadores da categoria no Brasil e cerca de cinco mil no Rio. O Simarj representaria pouco mais da metade que os aeroviários no município.

— Com a Copa, a única coisa que nós ganhamos foi trabalho. Não abriremos mão do abono Copa, pois nosso trabalho aumentou. tentamos a negociação há 9 meses, mas todas as tentativas foram frustadas.

Os funcionários também reclamam dos vestiários que não possuem vasos sanitários, causando problemas e constrangimento aos trabalhadores. Uma nova reunião está prevista para segunda-feira, entre a categoria e o sindicato patronal no Tribunal Regional do Trabalho.

Após a audiência de conciliação que terminou sem acordo na tarde desta quarta-feira na Seção Especializada em Dissídios Coletivos do TRT/RJ, a desembargadora do TRT/RJ Edith Maria Corrêa Tourinho concedeu a liminar determinando manutenção em atividade de pelo menos 80% do efetivo. Em caso de descumprimento, incidiria multa de R$ 50 mil contra o sindicato laboral, segundo informou o tribunal.




 

Emprego industrial recua 0,3% em abril

Após dois meses seguidos de alta, o emprego na indústria brasileira registrou queda de 0,3% em abril, segundo levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Frente a abril de 2013, o recuo foi ainda maior, de 2,2%. Os dados não levam em conta as alterações na produção conforme a época do ano.

Em abril, a produção da indústria registrou recuo de 0,3%, na comparação com o mês anterior.

No ano, de janeiro a abril, o total do pessoal ocupado na indústria mostrou retração de 2%. Nos últimos 12 meses, a recuou 1,5%.

Na comparação com abril de 2013, caiu na maioria dos locais analisados pelo IBGE. Assim como ocorreu em março, o principal impacto negativo sobre a média global partiu dos parques de São Paulo (-3,3%). No estado, o indicador sofreu pressão das indústrias de produtos de metal (-15,4%), produtos têxteis (-10,6%), máquinas e equipamentos (-3,8%), calçados e couro (-13,8%) e refino de petróleo e produção de álcool (-11,0%), entre outros.

Também tiveram resultados negativos os indicadores de emprego do Rio Grande do Sul (-4,6%), do Paraná (-3,7%) e de Minas Gerais (-2,2%). Na contramão, contribuíram positivamente Pernambuco (4,4%) e Região Nordeste (0,3%).

Na análise setorial, o total do pessoal ocupado assalariado recuou em 13 dos 18 ramos pesquisados, com destaque para produtos de metal (-7,3%), calçados e couro (-8,5%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-7,0%) e meios de transporte (-3,5%), entre outros.

Horas pagas e salário
Em abril de 2014, o número de horas pagas aos trabalhadores da indústria, já descontadas as influências sazonais, mostrou alta de 0,1% frente a março, interrompendo dois meses seguidos de taxas negativas

Frente ao mesmo período de 2013, o número de horas caiu 3,1%, a 11ª taxa negativa consecutiva neste tipo de comparação e a mais intensa desde outubro de 2009 (-5,3%).

O valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria cresceu 0,7% sobre março, com influência positivo tanto da indústria de transformação (0,8%), como do setor extrativo (2,4%).

Na comparação com igual mês do ano anterior, o valor da folha de pagamento avançou 0,9%, quarto resultado positivo consecutivo nesse tipo de confronto.

 

Petrobras tem mais de US$ 30 bilhões em multas fiscais


 

Com dificuldades de caixa, a Petrobras também acumula um risco fiscal bilionário. Em relatório enviado à Securities and Exchange Commission (SEC, a xerife do mercado de capitais dos Estados Unidos) no fim de abril, a estatal informa que o total de processos de natureza fiscal “com probabilidade de perda possível” soma US$ 30,4 bilhões, sendo a maior parte relativa a tributos federais. A lista de processos envolvendo multas aplicadas pela Receita Federal soma US$ 20,4 bilhões.

O economista José Roberto Afonso, do Ibre-FGV, menciona esse passivo potencial em estudo recente onde relaciona a queda acentuada da carga tributária da Petrobras, nos últimos anos, a incentivos e ao tratamento diferenciado que a estatal recebe do governo para compensar prejuízos com o represamento dos preços dos combustíveis.

— A evolução dos processos fiscais que a Petrobras enfrenta é impressionante. Saltaram de US$ 18,2 bilhões para US$ 30,4 bilhões entre 2011 e 2013. Como melhorar a governança corporativa e o financiamento privado de investimentos de longo prazo se na maior empresa nacional riscos fiscais são acumulados em proporções enormes e de forma tão rápida? — pergunta o economista.

Prática é comum entre petroleiras

A principal batalha travada entre Petrobras e Receita Federal hoje envolve o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e da Cide sobre afretamentos de plataformas de petróleo. Os diversos processos que tratam dessa tributação somam nada menos que US$ 5,771 bilhões. Alguns já estão em fase judicial, enquanto outros ainda se encontram na etapa administrativa.

Segundo técnicos do governo, a estatal utiliza uma prática comum entre petroleiras. Essas empresas costumam fazer um contrato de afretamento no exterior e outro de prestação de serviços de perfuração, exploração e prospecção no Brasil.

No entanto, o afretamento, que não tem incidência do IRRF e da Cide, responde pela maior parte — quase 100% — do custo da operação. Os técnicos entendem que isso significa uma forma de tentar burlar a tributação, de maneira que os impostos incidam apenas sobre uma pequena parte dos negócios.

Este ano, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) já julgou um processo no qual entendeu que há incidência da Cide sobre contratos de afretamento de plataformas de petróleo firmados pela Petrobras. De acordo com os conselheiros, parte do que seria prestação de serviço técnico foi incluída no contrato de afretamento apenas para que a empresa pudesse pagar menos impostos.

Segundo os autos do processo, a separação dos serviços de produção e prospecção de petróleo em contratos de aluguel de plataformas e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções.

“O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual os pagamentos efetuados ao amparo dos contratos ditos de afretamento sujeitam-se à incidência da Contribuição”, afirma o processo.

Neste caso, a Petrobras informou que vai recorrer da decisão judicialmente.

De acordo com técnicos do governo, a Petrobras sempre foi uma empresa conservadora quando se trata da prática conhecida no mercado como planejamento tributário. No entanto, nos últimos anos, tornou-se bem mais agressiva. O contencioso com órgãos de fiscalização federal e estaduais tem aumentado nos últimos anos e é atribuído a essa mudança de comportamento.

Além dos afretamentos, a estatal também tem processos que envolvem deduções da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), além de multas sobre uma repactuação envolvendo o Plano Petros (fundo de pensão dos funcionários), no valor de US$ 1,962 bilhão.

Briga sobre tributação de lucro no esterior

Assim como outras multinacionais, a Petrobras também enfrenta uma briga com o Fisco sobre a tributação do lucro de subsidiárias no exterior. Neste caso, os valores envolvidos chegam a US$ 2,02 bilhões, segundo relatado à SEC.

Como essa polêmica abrangia um grupo grande de empresas de diversos setores, o governo modificou a legislação sobre o lucro de multinacionais fora do país e abriu um programa de parcelamento de dívidas tributárias antigas para que as empresas pudessem regularizar sua situação junto ao Leão.

Há pendências da Petrobras ainda sobre o não recolhimento da Cide sobre a importação de nafta e sobre transações com distribuidoras e postos de gasolina que obtiveram liminares para não pagar a contribuição. Com governos estaduais, há disputas que envolvem o não recolhimento do ICMS nas vendas de petróleo e gás apuradas mediante a medição inicial e final dos estoques, entre outros processos.

Procurada para comentar os processos de natureza fiscal relatados à SEC, a Petrobras informou, por meio de sua assessoria, que não iria se manifestar.




 

Mercado baixa previsão de alta do PIB de 2014

O mercado financeiro reduziu, pela segunda semana seguida, a previsão de crescimento da economia brasileira para este ano, que passou de 1,5% para 1,44%, informou o Banco Central , por meio de seu relatório de mercado, também conhecido como Focus.

O documento é fruto de uma pesquisa com mais de 100 instituições financeiras. Para 2015, a estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 1,85% para 1,80%.

PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o crescimento da economia.

No relatório Focus divulgado na semana passada, a previsão de crescimento da economia havia passado de 1,63% para 1,5%.

A revisão para baixo da estimativa de crescimento do PIB do mercado financeiro para 2014 aconteceu após a divulgação do resultado do primeiro trimestre. No fim de maio, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a economia do país registrou expansão de 0,2% nos três primeiros meses do ano em relação ao quarto trimestre de 2013, com destaque para o bom desempenho da agropecuária.

O aumento do PIB do país previsto para 2014 pelo mercado financeiro continua abaixo do estimado no orçamento federal, de 2,5%, e também menor que a previsão divulgada pelo Banco Central em março, de alta de 2%.

Inflação
Os analistas do mercado financeiro mantiveram inalterada, na semana passada, em 6,47% a previsão para 2014 do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país e calculado pelo IBGE.

Com isso, o valor permanece próximo do teto de 6,5% do sistema de metas de inflação para o ano. A previsão chegou a ultrapassar o teto em abril, mas depois recuou. Para 2015, a expectativa do mercado para o IPCA subiu de 6,01% para 6,03% na semana passada.

Pelo sistema que vigora atualmente no Brasil, a meta central tanto para 2014 quanto para 2015 é de 4,5%. Entretanto, há um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Desse modo, o IPCA pode oscilar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta da autoridade monetária seja formalmente descumprida.

Taxa de juros
O mercado financeiro também manteve a estimativa de que a taxa básica de juros (Selic) da economia brasileira ficará estável, no atual patamar de 11% ao ano, até o fechamento de 2014.

No fim de maio, a taxa foi mantida estável pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central – o que interrompeu um ciclo de nove altas consecutivas ao longo de 13 meses. Para o fim de 2015, a previsão dos analistas para o juro básico da economia permaneceu em 12% ao ano.

Câmbio, balança comercial e investimentos estrangeiros
Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2014 permaneceu em R$ 2,40 por dólar. Para o término de 2015, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio ficou estável em R$ 2,50 por dólar.

A projeção para o superávit da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2014 recuou de US$ 3 bilhões para US$ 2,25 bilhões na semana passada. Para 2015, a previsão de superávit comercial ficou estável em US$ 10 bilhões.

Para este ano, a projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil permaneceu em US$ 60 bilhões. Para 2015, a estimativa dos analistas para o aporte de investimentos estrangeiros ficou inalterada em US$ 55 bilhões.

 

Lula manda recado à equipe econômica de Dilma

 

No mesmo dia em que uma pesquisa divulgada revela que aumentou o pessimismo do brasileiro com a economia do país, o ex-presidente Lula cobrou que o governo aumente a oferta de crédito para o mercado interno como forma de retomar o crescimento da economia. Em um evento, em Porto Alegre, Lula se dirigiu diretamente ao secretário do Tesouro, Arno Augustin, e disse que sem crédito “não se vai a lugar nenhum”.

- Arno, um dia você vai ter que me explicar por que, se a gente não tem inflação de demanda, por que a gente está barrando crédito. Porque com o crédito todo mundo vai à luta, o comércio vai à fábrica, a fábrica vai produzir, melhora a vida de todo mundo. Sem crédito ninguém vai a lugar nenhum – disse.

Lula aproveitou a presença do secretário do Tesouro na plateia e cobrou mais ousadia da equipe econômica para reverter a desaceleração. Além disso, advertiu que a combinação entre queda da demanda interna e redução do fluxo de comércio internacional pode colocar o país numa “rota delicada”.

- Nós podemos chegar a 80% do PIB de crédito, a 90%, não tem nenhuma importância. Tem país com 120%. Nós não temos problema de dinheiro para investimento. Mas por que não tem investimento? Não tem porque o país não quer vender nada. Se está diminuindo a demanda, por que eu vou investir? Se tem dinheiro à vontade para investir mas não tem gente para comprar, eu não vou fazer. Não temos que ter medo. Temos que ficar um pouco mais afoitos agora. Apenas seguir a rotina técnica não dá mais certo. Tem que colocar um pouco do charme do compromisso social para a gente melhorar a situação – afirmou.

Segundo Lula, o país está passando “pelo momento mais delicado” da crise. O ex-presidente recomendou ao secretário da Receita a criação de um fundo de incentivo ao comércio de US$ 2 bilhões com a África como forma de vender mais ao continente africado. Também sugeriu que o governo faça um acordo com as montadoras para que direcionem uma parte da produção nacional de automóveis para o mercado africano.

- Temos que comprar uma briga, porque todas as empresas automobilísticas estão vindo produzir carro para o mercado interno. Acho que temos que dizer para as matrizes o seguinte: tchê, quer investir aqui, ótimo. Agora, uma parte das exportações para o mercado africano deve sair da produção brasileira. Quem pode fazer esse jogo, Arno, é o Brasil – recomendou.

Em tom de brincadeira, disse que é preciso superar a mentalidade de “tesoureiro” de Augustin.

- Se depender só do pensamento do Arno, você não faz nada. Não é por maldade dele não, é que um tesoureiro de um sindicato é assim. A nossa tesoureira dentro de casa, que é a nossa mulher, também é assim. Elas não querem gastar, só querem guardar. Mas tem que gastar um pouco também – disse Lula.

Na sua palestra, Lula voltou a fazer críticas à imprensa dizendo que, se depender da mídia brasileira, "o Brasil acaba todo dia".



 

BC diz que expectativa de inflação para este ano recuou

A estimativa do Banco Central para a inflação deste ano teve queda nos últimos 45 dias, mas permanece acima do centro da meta de 4,5%. A perspectiva está na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, feita na semana passada e que interrompeu o processo de alta dos juros básicos da economia brasileira após 13 meses.

Segundo o BC, no chamado "cenário de referência", que pressupõe câmbio estável em R$ 2,20 e juros inalterados em 11% ao ano, a projeção para a inflação de 2014 "diminuiu em relação ao valor considerado na última reunião [realizada no início do mês de abril], mas permanece acima da meta de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN)".

A estimativa é semelhante no cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas com analistas de mercado para câmbio e juros: a projeção de inflação do Banco Central para 2014 também diminuiu em relação ao valor considerado na reunião de abril, mas permanece acima da meta para a inflação.

Impacto da alta dos juros
Na ata do Copom, o BC avaliou que os efeitos do processo de elevação da taxa Selic sobre a inflação, em parte, ainda estão por se materializar. "Além disso, é plausível afirmar que, na presença de níveis de confiança relativamente modestos, os efeitos das ações de política monetária [definição dos juros] sobre a inflação tendem a ser potencializados", disse.

Com taxas de juros maiores, o Banco Central consegue reduzir o crédito disponível e, assim, o dinheiro em circulação. Dessa forma, tenta diminuir a quantidade de pessoas e empresas dispostas a consumir bens e serviços, para que os preços caiam ou fiquem estáveis. No cenário atual, já com menos investimentos e menor disposição para o consumo, o banco entende que os juros vão ter efeito "potencializado" sobre o controle dos preços.

Metas de inflação e perspectiva do mercado
Pelo sistema de metas que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país.

Para 2014 e 2015, a meta central para o aumento dos preços é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente.

A estimativa dos analistas do mercado financeiro é de que o IPCA some 6,47% neste ano, ou seja, muito próximo do teto de 6,5% do sistema de metas de inflação.

Inflação resistente
O Copom manteve a avaliação de que a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos 12 meses "contribui para que a inflação ainda mostre resistência".

"Concorrem para isso dois importantes processos de ajustes de preços relativos ora em curso na economia – realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais e realinhamento dos preços administrados [como contas de luz e gasolina] em relação aos livres [comércio em geral]. O Comitê reconhece que esses ajustes de preços relativos têm impactos diretos sobre a inflação e reafirma sua visão de que a política monetária pode e deve conter os efeitos de segunda ordem deles decorrentes", acrescentou.

Cenário para 2015
"Para 2015, no cenário de referência, a projeção de inflação recuou em relação ao valor considerado na reunião do Copom de abril, mas se encontra acima da meta. Já no cenário de mercado, a projeção de inflação para 2015 se manteve relativamente estável, acima da meta", disse o Banco Central na ata do Copom.

 

Não dá para explicar porque a economia cresce tão lentamente

A presidente Dilma Rousseff disse que não pode explicar completamente porque o Brasil está crescendo tão lentamente, atribuindo em parte os problemas ao "mau humor" dos mercados em lugar de qualquer necessidade urgente de reformas.

Em entrevista de quase três horas a um pequeno grupo de jornalistas estrangeiros, Dilma se mostrou satisfeita em termos gerais com o curso de seu governo em um momento em que busca obter um segundo mandato como presidente nas eleições de outubro, embora o Brasil esteja prestes a passar por um duro teste na Copa do Mundo que se inicia na semana que vem.

A economia brasileira teve um crescimento médio de 2% desde que Dilma assumiu o governo em 2011.

Muitos investidores e líderes empresariais dizem que são necessárias reformas tributária e trabalhista, entre outras, para destravar uma nova era de crescimento.

Mas falando em meio a drinques e um jantar no Palácio do Planalto, Dilma disse que as condições domésticas estão maduras para um crescimento saudável e minimizou a necessidade de grandes mudanças econômicas se for reeleita.

Segundo ela, não dá para explicar porque o Brasil não está crescendo mais rápido. E acrescentou que todas as condições para o Brasil não só crescer, mas crescer bem, estão dadas.

Dilma disse que parece haver um clima de mau humor em relação ao Brasil hoje, mas que não entende o porquê disso.

Perguntada sobre a possibilidade de reformas num eventual segundo mandato, ela observou que cortou muitos tributos como presidente, mas que um consenso mais amplo no Congresso é necessário para se fazer uma reforma tributária abrangente.

Dilma lidera com uma boa vantagem as pesquisas de intenção de voto sobre seus principais adversários Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), principalmente devido ao apoio dos mais pobres.

Ela disse que sua principal "fonte de orgulho" é ter continuado a reduzir a pobreza e a desigualdade, contrastando fortemente com a tendência na Europa ocidental e com os Estados Unidos.

Dilma passou boa parte do encontro citando entusiasticamente detalhes dos novos projetos de infraestrutura, falando, em dado momento, por 10 minutos sobre cisternas, enquanto um assessor nervosamente aguardava para informar que o jantar estava pronto.

Ela reconheceu a frustração do público com os atrasos em alguns projetos associados com a Copa do Mundo, como linhas de trens e metrôs. Essa irritação contribuiu para protestos de rua que chegaram a ser explosivos ao longo do último ano, e que podem se repetir durante o torneio.

"Ninguém faz (um metrô) em dois anos. Bom, talvez a China", disse com um sorriso, classificando os atrasos como "o custo da nossa democracia".

Perguntada sobre inflação, Dilma enfatizou que ela está desacelerando, como costuma ocorrer nesse período de cada ano. Ela descartou qualquer mudança na meta de inflação de 4,5%, com uma tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Aécio já falou em reduzir a margem de tolerância, enquanto Campos defende a redução da meta mais à frente.

Dilma ressaltou que o câmbio teve seis meses de "total estabilidade". Na terça-feira, o dólar teve uma leve alta de 0,12%, fechando a R$ 2,2782, depois de atingir nos últimos dias seu patamar mais altos em dois meses.

No campo da política externa, Dilma disse que está interessada em reprogramar sua visita de Estado a Washington, cancelada no ano passado depois do vazamento de documentos da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) mostrando que os Estados Unidos tinham espionado tanto o governo como outros cidadãos brasileiros.

Dilma afirmou que é "muito importante" retomar a relação Brasil-EUA, que ela classificou como uma "parceria estratégica".

 

Economia no Brasil anda a passos de tartaruga


 

O ritmo morno da economia levou indústrias de diferentes áreas, especialmente dos setores de eletrodomésticos e de motocicletas, a dar férias coletivas aos empregados a partir deste mês. Além disso, os feriados previstos para a Copa também têm efeito na indústria. A Electrolux colocou em férias coletivas cerca de 4.600 dos 8.600 funcionários de suas três fábricas no país — localizadas em Curitiba, São Carlos (SP) e Manaus. As paralisações vão variar de 10 a 30 dias. De acordo com a empresa, a decisão de reduzir a produção se deve à “economia desacelerada e à Copa do Mundo”. A Whirlpool, dona das marcas Consul e Brastemp, também colocou funcionários em férias coletivas.

Levantamento junto a 550 empresas do setor feito pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) constatou que 58% delas preveem perdas na produção por causa dos horários diferenciados dos jogos da Copa. E que um terço delas programou “jornada especial” para os dias das partidas a fim de “amenizar as perdas”.


Na Whirlpool, todo o pessoal do setor administrativo das quatro fábricas da empresa no país — localizadas em Manaus, Joinville, Rio Claro e São Paulo — ficará parado entre os dias 12 e 25 deste mês. Na fábrica da Whirlpool da Zona Franca de Manaus, as férias coletivas, que sazonalmente ocorrem em julho, foram antecipadas para o dia 9, com volta prevista só para 8 julho. Em Rio Claro, a parada vai de de 16 a 25, e em Joinville, de 12 a 25. Ao todo, um terço dos cerca de cinco mil empregados da empresa terá férias neste mês.

NAS MONTADORAS, 20 MIL AFETADOS

As paralisações na produção de eletrodomésticos ocorrem menos de dois meses depois de as principais montadoras do país darem um freio de arrumação para ajustar a produção ao ritmo fraco das vendas. O desempenho do setor foi afetado pelo desaquecimento do mercado interno e pelos problemas econômicos da Argentina, o principal destino das exportações brasileiras de veículos.

Com estoques em alta, as empresas passaram a alternar medidas para adequar a produção: antecipação de férias coletivas, suspensão temporária de contratos de trabalho (o chamado lay off) e antecipação de folgas foram medidas adotadas para evitar demissões. Ao todo, mais de 20 mil trabalhadores foram afetados.

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) no primeiro trimestre mostrou forte acúmulo de estoques, com impacto de 1,1 ponto percentual na taxa de crescimento da economia, que foi de 0,2%. Ou seja, se não fosse o acúmulo de estoques, o PIB teria recuado 0,9%.

Lourival Kiçula, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), informa que, com exceção dos televisores (aparelhos da chamada linha marrom), cujas vendas nos primeiros cinco meses do ano superavam em 45% as do mesmo período de 2013, o setor vive um momento de vendas mais lentas.

— As famílias só têm um dinheiro e optam por comprar uma TV nova. A Copa, naturalmente, tira atração dos outros itens, como fogões, geladeiras e lavadoras de roupas — disse Kiçula.

Na LG, que também produz televisores, não haverá expediente entre os dias 12 e 15 nas áreas administrativas. E nos outros dias de jogos do Brasil o pessoal do turno da manhã sai uma hora e meia mais cedo, enquanto os trabalhadores da tarde entram uma hora e meia mais tarde.

Em Manaus, o Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam) confirmou que boa parte das grandes fabricantes de eletroeletrônicos (Semp Toshiba, Panasonic, Samsung, Sony) e de motocicletas (Honda e Yamaha) está antecipando o início das férias coletivas para junho.

— Certamente, alguns segmentos esperavam vendas melhores nos últimos meses. Não foi uma calamidade, mas muitas empresas não atingiram as metas de vendas esperadas — disse Ronaldo Motta, diretor-executivo do Cieam, lembrando que as empresas também estão aproveitando a alta dos estoques para liberar os funcionários na Copa.




 

Suprimento de energia está garantido até o final de 2015

O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Marcio Zimmerman, descartou a falta do fornecimento de energia durante a Copa do Mundo. De acordo com ele, o suprimento está garantido até o final de 2015. A informação foi divulgada durante o VI Seminário sobre Matriz e Segurança Energética Brasileira, na Fundação Getúlio Vargas, Zona Sul do Rio.

“Isso é uma pergunta tranquila [se faltará luz na Copa] no sentido de que a partir de eventos extremos, nos meses de março, abril e maio, o sistema veio melhorando. Então, estamos com tranquilidade. Nós não falamos nesse meio. Nós falamos em final de 2015. Até lá, o suprimento está garantido para aquilo que o sistema foi planejado”, declarou.

Ele explicou ainda que vêm acompanhando a cada mês as previsões de chuva para o país, desde janeiro deste ano, quando houve dois meses de vazões baixas. E o acompanhamento do ministério, segundo ele, tem mostrado que o sistema reagiu bem pelo fato de estar equilibrado.

“Isso nos permite ter tranquilidade, vamos acompanhar com atenção, mas nos dá tranquilidade de que o sistema brasileiro vai atender a sociedade tanto esse ano quanto no ano que vem, dentro daquilo que ele foi planejado”, completou.

Ainda segundo Zimmerman, as condições hidrológicas, no entanto, podem levar com que os preços da tarifa de energia seja aumentada. “É claro que uma condução de seca implica naturalmente em você ter, para quem trabalha num mercado de curto prazo, preços maiores”, concluiu.

Racionamento
Ele voltou a dizer que o racionamento de energia está descartado. “Eu acho que o que nós temos mostrado, baseado em estudos técnicos, os riscos que se trabalham hoje no Brasil, descartam, pelo atual quadro, de qualquer hipótese de racionamento. Nós continuamos acompanhando o sistema com atenção, mas, de qualquer forma, nós descartamos essas hipóteses”, garantiu Zimmerman.

“Nós não estamos trabalhando com essa hipótese de racionamento porque tecnicamente não há nenhum indicativo que nós estejamos trabalhando com riscos muito acima daquilo que o sistema planejado”, completou.

De acordo com ele, a tranquilidade está no sistema que o setor elétrico trabalha, que é projetado com um determinado nível de risco.

“O quadro que permite é justamente que o setor elétrico trabalha com risco. Quando você está equilibrado e existe quantidade de usina, e existe quantidade de linha (de transmissão), isso nós dá tranquilidade de que você consegue aguentar, como nós estamos aguentando, uma condição hidrológica pior, que seria uma situação conjuntural. Então, com isso, estamos trabalhando com nível de risco que nos permite afirmar isso”, completou.

 

Toyota poderá fazer carro elétrico no ABC Paulista

O presidente da Toyota para a América Latina e Caribe, Steve St. Angelo, pretende transformar a fábrica do grupo em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, numa espécie de centro de propagação de novas tecnologias, especialmente a de veículos híbridos.

A unidade foi escolhida para receber a linha de montagem do Prius híbrido, caso o grupo decida pela produção local do automóvel movido a eletricidade e a combustão. O investimento depende, contudo, de um plano de incentivo à produção nacional de carros movidos a combustíveis alternativos que está parado no governo federal.

"Meu sonho é que essa fábrica seja um laboratório de propagação de novas tecnologias, onde possamos receber alunos de escolas, representantes da sociedade e do governo para discutir e mostrar tecnologias ambientais, como a dos carros híbridos e outras", diz St. Angelo.

A fábrica do ABC foi a primeira do grupo fora do Japão. Inaugurada em 1962, produziu o jipe Bandeirante até 2001 e atualmente fornece componentes para o sedã Corolla, fabricado em Indaiatuba, e para o compacto Etios, feito em Sorocaba, no interior de São Paulo.

O grupo japonês tem esperanças de que o plano de incentivo aos "carros verdes" seja anunciado até o fim de junho.

A última previsão do governo era de que seria anunciado em abril, mas foi postergado. Pelas propostas em estudo, os incentivos seriam basicamente a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e, eventualmente, do Imposto de Importação. O pacote incluiria também caminhões e ônibus movidos a combustível alternativo, como 100% de biodiesel.

A ideia é incentivar, num primeira fase, a importação desse tipo de veículo, e, criado um mercado potencial, iniciar a produção local. A Toyota já se comprometeu em desenvolver no País a tecnologia do carro híbrido movido a etanol.

Sem IPVA. Um incentivo aos híbridos e elétricos foi aprovado na quarta-feira pela Prefeitura de São Paulo, que aprovou lei isentando a parte do IPVA destinada ao município (50%) para esses modelos. Além disso, eles poderão também ficar de fora do rodízio semanal.

No caso do Prius, que é importado do Japão e custa R$ 120,8 mil, a isenção do IPVA representa uma economia anual de R$ 2,4 mil. "Esse é um primeiro passo e esperamos novas medidas", diz Ricardo Bastos, gerente-geral da Toyota do Brasil.

O grupo Renault/Nissan também já manifestou intenção de produzir na nova fábrica do Rio de Janeiro o elétrico Leaf, hoje importado e vendido basicamente a taxistas, e o minicarro Twizzy, para usos específicos. O carrinho é montado atualmente pela Itaipu, no Paraná, só para testes e uso próprio.

Também estão à venda no País os híbridos Ford Fusion, Lexus CT200h, Porsche Cayenne S e Mercedes-Benz S400.

Fracasso. O objetivo do governo brasileiro ao avaliar incentivos para carros elétricos e híbridos é não ficar de fora dessa nova tecnologia. A maioria dos países onde esses modelos são vendidos, especialmente os elétricos, oferece subsídios fiscais para promover o mercado.

Mas há casos em que nem o incentivos são suficientes para estimular a produção. Na semana passado, o presidente do grupo Fiat/Chrysler, Sergio Marchionne, chegou a pedir, durante um evento nos EUA, que os consumidores não comprem o elétrico 500e. Segundo ele, a marca tem prejuízo de US$ 14 mil em cada carro vendido.

 

 

Projetos imobiliários diferenciados adotam conceito de sofisticação

Apresentados aos clientes como diferenciais, os conceitos de sofisticação associados aos empreendimentos são cada vez mais empregados no mercado. Em alguns segmentos, como o de imóveis de alto padrão, eles são tão comuns na caracterização dos produtos que só não parecem commodities do marketing porque ganham vernizes diferentes a cada lançamento.

Dá até para confundir os inúmeros projetos compactos com a mesma proposta de apelo estético e serviços pay per use (outro conceito comum, aliás), tamanha a repetição das palavras “arte”, “design”, “arquitetura” e algumas variantes desses termos nos nomes das edificações.

Na zona oeste, foi lançado em março o Brookfield Home Design Pinheiros, terceiro exemplar de uma linha sofisticada de produtos criada em 2011. O residencial, com unidades de um e de dois dormitórios e metragens partindo dos 44 m², terá entre os diferenciais um gigantesco painel do artista espanhol David Dalmau na fachada dos dois edifícios do complexo.

Perto dali, foi colocado à venda na semana passada o ArteArquitetura Pinheiros 2, parte de uma linha de produtos conceituais da Stan. O nome se justifica, entre outras questões, por um painel de azulejos de autoria do artista plástico Athos Bulcão no edifício, com unidades de um a três dormitórios e metragens de, pelo menos, 62 metros quadrados. “É como se a pessoa vivesse dentro de uma obra de arte”, defende a gerente de marketing da companhia, Sandra Germanos.

As referências à estética não param por aí. A Stan e a Yuny lançaram no ano passado o complexo Habitarte no Brooklin e, neste mês, devem repetir a dose com o Habitarte 2, desta vez com unidades mais amplas. No Alto de Pinheiros, a Alfa MDL deu espaço para o belo no Art Cube, lançado no fim de março, também com imóveis espaçosos. E, no ano passado, esse caminho já havia sido percorrido pela Even, com o lançamento Design Arte nos Jardins.

Para variar, alguns produtos imobiliário inovam na denominação. A Even usa a marca Diseño, que pode significar “design” em espanhol, para se referir a uma linha de empreendimentos com arrojo arquitetônico – há pelo menos dois produtos na capital desse tipo, o mais recente no Alto de Pinheiros.

E a Related Brasil, no breve lançamento V House Boutique Residences, enfatiza agora a ideia de exclusividade, conforto e riqueza própria dos hotéis butique. “O nome tinha de explicar o que era novo: esse é um residencial com serviços de hotel cinco estrelas. A pessoa vai poder ter, por exemplo, serviços de catering de um restaurante”, diz o CEO da empresa, Daniel Citron. Localizado na esquina das Avenidas Brigadeiro Faria Lima e Eusébio Matoso, na zona oeste, o projeto terá plantas com um e dois dormitórios.

Marketing. Foi-se o tempo em que os nomes dos empreendimentos identificavam inocentemente os produtos. Agora, eles são importantes ferramentas para atrair consumidores para os estandes, de acordo com profissionais do mercado. “Mesmo que o nome seja visto como uma commodity, ele transmite uma ideia , e no estande mostramos realmente os diferenciais do produto”, justifica o diretor de incorporação da Brookfield, José de Albuquerque.

Há uma crescente preocupação dos compradores com a qualidade arquitetônica dos empreendimentos, segundo o diretor comercial da imobiliária Coelho da Fonseca, Roberto Coelho da Fonseca, por isso os projetos passaram a valorizar essa ideia. “Os lançamentos mais compactos, com menos espaço interno, têm de transmitir status, uma impressão de que a pessoa vai morar em um lugar bacana realmente, e o nome ajuda a criar essa condição.”

Os batismos hoje são mais diretos e priorizam especialmente pontos fortes dos projetos, segundo Tatiana Balan, responsável pela área de marketing da imobiliária Brasil Brokers. “No passado, campanhas serviam para conceituar os produtos imobiliários. Agora, o produto conceitua a toda a campanha. É de dentro para fora.”

-

 

Saída de dólares no acumulado de maio soma R$ 1,47 bilhão

A retirada de dólares da economia brasileira superou o ingresso de recursos em US$ 1,47 bilhão no mês de maio, no acumulado até a último dia  (23), informou o Banco Central. Se confirmado para todo este mês, será a primeira retirada líquida de recursos desde fevereiro deste ano – quando US$ 1,85 bilhão saíram da economia brasileira.

Já no acumulado de 2014, até 23 de maio, houve ingresso de US$ 3,36 bilhões no país. Em igual período do ano passado, US$ 12,07 bilhões haviam ingressado da economia brasileira. Houve, portanto, uma queda de US$ 8,71 bilhões na entrada de recursos no país neste ano, ainda de acordo com dados oficiais do Banco Central.

Efeito na cotação do dólar
A saída de recursos no país, registrada em maio, favorece, em tese, a alta do dólar. Isso porque, com menos moeda norte-americana no mercado, seu preço tenderia a ficar maior. Neste mês, entretanto, a moeda tem registrado, de fato, pequena valorização. No fechamento de abril, o dólar estava cotado em R$ 2,23.

Outros fatores que influenciam a cotação
A variação do dólar no Brasil também está relacionada, segundo economistas, com a decisão do Federal Reserve (BC dos Estados Unidos) de retirar gradualmente, em ritmo mais lento do que o estimado anteriormente, os estímulos da economia norte-americana e com a perspectiva de uma acomodação do crescimento em um patamar menor do que o registrado nos últimos anos na China.

Os analistas avaliam, porém, que a cotação do dólar registrada neste ano também tem relação com as contas externas e das contas públicas – que tem registrado piora. Uma eventual valorização do dólar pode preocupar o BC, uma vez que tende a contaminar a inflação por meio do encarecimento de importados. Uma queda do dólar, por sua vez, favorece o controle da inflação.

Entretanto, outro fator que também tem impacto na cotação da moeda norte-americana, neste caso para baixo, são os juros altos da economia brasileira, atualmente em 11% ao ano. Em termos reais, ou seja, descontando a inflação prevista para os próximos 12 meses, são os juros mais altos do planeta – o que teoricamente atrai recursos especulativos para o Brasil.

Os leilões de contratos de "swap cambial" pelo Banco Central – instrumentos que funcionam como uma compra de dólares no mercado futuro, também têm impacto no preço do dólar no mercado à vista – segundo analistas. O mercado aguarda uma definição da autoridade monetária sobre as intervenções cambiais nos próximos meses, visto que o programa atual vai até o fim de junho

 

Vendas reais dos supermercados no Brasil sobem 10,29%

s vendas reais dos supermercados brasileiros subiram 10,29% em abril sobre igual período do ano passado, divulgou a associação que representa o setor, Abras. Na comparação com março deste ano, a alta foi de 2,82%.

A alta refletiu o impacto da Páscoa, segundo evento mais importante para o setor, que neste ano caiu em abril ao invés de março.

No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, as vendas reais dos supermercados mostraram avanço de 2,05% sobre um ano antes.

Em valores nominais, as vendas do setor apresentaram crescimento de 3,51% em relação ao mês anterior e, quando comparadas a abril de 2013, alta de 17,22%. No acumulado do ano, as vendas cresceram 8,11%.

Segundo o presidente do Conselho Consultivo da ABRAS, Sussumu Honda, a expectativa é que essa tendência de crescimento continue. “O equilíbrio entre renda e emprego tem mantido as vendas do nosso setor em crescimento, o que motiva investimentos constantes em novas lojas e serviços e em campanhas e promoções. Os resultados do nosso indicador de vendas até abril, com crescimento acumulado de 2,05%, mostram o efeito positivo das vendas do período de Páscoa", destacou.

Maiores altas e quedas de preços
Em abril, a cesta de 35 produtos de largo consumo pesquisada pela Abras apresentou alta de 1,63% em relação a março deste ano. Na comparação com abril de 2013, o aumento foi de 5,62%.

Os produtos com maiores altas em abril foram: batata (22,31%), leite longa vida (5,34%), queijo mussarela (5,16%), ovo (5,09%). As maiores quedas foram: tomate (-5,24%), farinha de mandioca (-3,64%), cebola (-2,94%) e frango congelado (-0,85%).

 

Consul e Brastemp dão férias a 5 mil funcionários

Para adequar a produção ao ritmo menor de vendas e escapar do período de baixa produtividade por causa da Copa do Mundo, 5 mil trabalhadores da Whirpool estarão em férias coletivas no mês que vem. Dona das marcas Consul, Brastemp e KitchenAid, a empresa é a maior fabricante de eletrodomésticos da linha branca do País e produz fogões, geladeiras, forno de micro-ondas, lavadoras, lava-louças e aparelhos de ar condicionado.

A paralisação envolve as fábricas de Manaus (AM), onde são produzidos aparelhos de ar-condicionado, forno de micro-ondas e lava-louças; de Rio Claro (SP), responsável pela fabricação de fogões e lavadoras, e os funcionários que trabalham no setor administrativo da companhia (1,3 mil trabalhadores). Fica de fora dessa parada apenas o efetivo da fábrica de Joinville (SC), onde é produzida a parte de refrigeração.

Em Manaus, as férias coletivas serão de 30 dias; em Rio Claro, entre os dias 16 e 25 de junho e o pessoal administrativo ficará em casa entre os dias 12 e 25 de junho.

De acordo com a companhia, em Manaus as férias coletivas em junho são normais por causa do baixo período de vendas de aparelhos de ar-condicionado. Mas, no caso de Rio Claro e da parte administrativa da empresa, a decisão de dar férias coletivas nesta época do ano é inédita e foi motivada pela queda de produtividade pelos vários feriados seguidos por causa da Copa do Mundo.

Segundo Enrico Zito, presidente para América Latina da unidade de eletrodomésticos da Whirlpool, as vendas do mercado de linha branca tiveram crescimento próximo de zero no primeiro trimestre deste ano em relação a igual período de 2013. E, para este trimestre, a perspectiva é mais negativa: queda entre 10% e 15% na comparação anual em número de unidades vendidas.

"Sempre em anos de Copa as vendas de linha branca enfraquecem, mas neste ano foram potencializadas pela desaceleração da economia brasileira", afirma o executivo.

De toda forma, ele não confirma que os estoques da empresa estejam acima do planejado. Mas um estudo feito pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), com base nos dados do IBGE do comércio, mostra que o segmento de eletrodomésticos encerrou o primeiro trimestre com forte descompasso entre ritmo de venda e de acúmulo de estoques. As vendas cresceram 6,5% entre janeiro e março na comparação anual e os estoques, 12,1%, Resultado: o encalhe no varejo aumentou e as lojas compram menos da indústria no momento seguinte.

Diante do desempenho registrado até agora, Zito projeta crescimento de vendas próximo de zero para o mercado de linha branca em 2014. Alguma reação é esperada para o 2.º semestre. "Vamos crescer menos este ano, mas dá para ser feliz."

Preço. Junto com a paralisação das atividades, a companhia decidiu aumentar em cerca de 10% os preços dos produtos. Esse reajuste decorre da pressão de custos acumulada pela empresa nos últimos tempos, que não é mais possível de ser absorvida. "Temos feito um esforço para aumentar a produtividade, mas a pressão de custos é muito grande e precisamos repassar ao preço de venda."

Zito admite que terá uma difícil equação a resolver pela frente, que combina queda de vendas com aumento de preços. "Seguramente aumento de preço não ajuda a vender

 

Bancos brasileiros dão breque nos financiamentos

O alto nível de endividamento das pessoas no Brasil exige que os bancos peçam mais garantias dos clientes, conforme o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal. "Há oportunidade de aumentar empréstimos a consumidores no Brasil. As vendas de carros estão crescendo e o financiamento ao consumo fez muito por isso. Mas hoje os consumidores não conseguem ter mais dívida. Haverá algo mais em linha com a renda no Brasil. Não tem espaço para alavancagem na renda", avaliou ele, em São Paulo

Segundo ele, a oferta de crédito está em linha com o nível de dívida que o consumidor tem condições de lidar. Setubal citou negócios específicos como crédito consignado (com desconto em folha), no qual o banco está mais bem posicionado após a joint venture com o BMG, especializado nesta área. Falou ainda sobre crédito imobiliário, no qual o Itaú vem crescendo 30% ao ano e ainda há potencial de expansão. "Essa indústria (imobiliária) ainda está se desenvolvendo e há grande potencial", afirmou ele.

Os bancos, conforme o executivo, são uma "maratona". No longo prazo, de acordo com Setubal, precisam ser sustentáveis, ter capital, estratégia, tecnologia e pessoas certas. No entanto, ele lembrou que não é algo que pode ser feito da noite para o dia. Ele disse que quando se inicia um negócio é preciso cuidado para aprender sobre este mercado. "Quando há um banco muito agressivo, usualmente, há obstáculos no caminho. No Brasil, os bancos públicos vêm sendo agressivos", concluiu Setubal.

Inflação vai continuar caindo nos próximos meses

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, observou que a inflação oficial recuou na prévia de maio, segundo dados do Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE), e disse que o índice deverá continuar caindo nos próximos meses.

"O IPCA-15, ele caiu de 0,78% no mês passado para 0,58% neste mês. Significa que a inflação está caindo firmemente e vai continuar caindo nos próximos meses. A alimentação já arrefeceu, vários preços caíram, e estamos no caminho certo", afirmou Mantega.

O preço dos alimentos subiu menos de abril para maio, influenciando o comportamento da prévia da inflação. No acumulado no ano, o IPCA-15 ficou em 3,51% e, em 12 meses, entretanto, somou 6,31% – contra 6,19% em 12 meses até maio. Ficou mais próximo, portanto, do teto da meta de inflação do governo, de 6,5%.

O IPCA-15 é divulgado mensalmente e calcula a variação média de preços de produtos e serviços em 11 regiões metropolitanas. A diferença entre esse índice e o IPCA, que é a taxa oficial de inflação do país, está no período de coleta dos preços. Em vez de analisar os valores no mês de maio, por exemplo, o IPCA-15 verifica os preços do dia 15 de abril ao dia 15 de maio. Por isso, ele é considerado uma prévia da inflação do mês.

De acordo com o ministro da Fazenda, a queda da inflação está relacionada com ações tomadas pelo governo federal, como o aumento da taxa básica de juros que vem sendo implementado pelo Banco Central desde abril do ano passado para tentar conter as pressões inflacionárias. A taxa passou de 7,25% para 11% ao ano no período.

"O que já fizemos está tendo efeito. Estamos com uma taxa de juros elevada. Estamos procurando aumentar oferta de alimentos e tem o fator sazonal [variação conforme a época do ano]. Em maio e junho, inflação vai continuar caindo. O etanol já está entrando no mercado, uma safra boa que também vai baixar o preço do combustível. O cenário é positivo em termos de inflação", acrescentou Mantega.

Desoneração da folha
Questionado sobre a desoneração da folha de pagamentos, que diminui impostos e contribuições e, assim, reduz os gastos dos empresários de mais de 40 setores com os funcionários, Mantega afirmou que a equipe econômica está analisando o pedido do setor produtivo de torná-las permanentes. De acordo com a lei, a medida criada para estimular a geração de empregos e melhorar a competitividade das empresas deve acabar no fim deste ano.

"Estamos analisando. Há pedidos do setores, mas não há uma decisão em relação a desoneração da folha de pagamentos para o futuro. Até 2014 está certo", disse Mantega a jornalistas. Apesar da declaração, há expectativa de que a medida seja mantida no futuro, uma vez que a própria presidente da República, Dilma Rousseff, já afirmou, no fim do ano passado, que a desoneração seria permanente, sem reversão no futuro.

No primeiro trimestre deste ano, segundo números da Secretaria da Receita Federal, o governo deixou de arrecadar R$ 5,62 bilhões por conta da desoneração da folha de pagamentos, valor que é maior do que a registrada no mesmo período do ano passado: R$ 2,4 bilhões. Em todo ano passado, o governo abriu mão de R$ 13,1 bilhões com a desoneração da folha de pagamentos, de acordo com dados do Fisco.

 

Vendas da indústria da construção caem 9,1%

As vendas da indústria da construção no mercado interno recuaram 9,1% em abril de 2014 ante o mesmo mês de 2013 e 4,4% em relação a março deste ano, segundo os dados deflacionados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, houve queda 2% no faturamento do setor em relação a igual intervalo do ano passado.

O resultado de abril levou a Abramat a rever a previsão para o crescimento das vendas em 2014, de 4,5% para 3%. "O ano começou bem, com crescimento em janeiro e fevereiro, mas as vendas da maioria dos materiais, em março e abril, caíram fortemente", diz, em nota, o presidente da Associação, Walter Cover.

Segundo Cover, os segmentos de varejo, imobiliário e infraestrutura apresentaram resultados abaixo do esperado, enquanto os produtos de acabamento sofreram menos. "Ainda há tempo para uma recuperação, mas torna-se mais difícil atingirmos o crescimento previsto para 2014, de 4,5%", disse Cover.

O executivo acrescenta que, embora os índices de emprego e renda continuem positivos, o crédito às famílias e as expectativas sobre o futuro da economia continuam preocupando tanto os consumidores como os empresários e, com isso, as compras e os investimentos são postergados.

Os números da Abramat apontam ainda que os empregos na indústria cresceram 6,7% em relação a abril de 2013. Já em relação ao mês imediatamente anterior, o crescimento foi de 1%.

 

Brasil não soube usar dinheiro barato

O presidente do Federal Reserve de Dallas, Richard Fisher, afirmou que o Brasil desperdiçou uma "enorme oportunidade" criada pelas políticas de relaxamento monetário do Federal Reserve. Segundo ele, o País não soube usar o dinheiro fácil do banco central americano de forma eficiente.

 Esta não é a primeira vez que Fisher critica a condução da economia brasileira. Em janeiro deste ano, o dirigente afirmou que países como México e Polônia, que usaram o dinheiro barato do Fed para reestruturar suas economias, vão se sair bem no processo de redução de estímulos monetários. Já o Brasil, que usou o dinheiro para ampliar o consumo, terá "tempos difíceis", disse Fisher, na ocasião.

Em um painel de discussão com o presidente do Fed de São Francisco, John Williams, Fisher aproveitou ainda para criticar a atuação do Congresso dos EUA na política fiscal. "O Fed tem o pé no acelerador, enquanto o Congresso tem o pé no freio", afirmou o dirigente, que tem poder de voto este ano no Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês). Já Williams só votará no Fomc em 2015.

Sobre o mercado de Treasuries, Fisher comentou que esperava que o juro da T-note de dez anos permanecesse acima de 3% durante o processo de redução de estímulos do Fed.

 

Conheça as quinze famílias mais ricas do Brasil

Os irmãos Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho, José Roberto Marinho aparecem no topo da lista das famílias mais ricas do Brasil, divulgada pela revista Forbes.

Juntos, a fortuna dos Marinho soma US$ 28,9 bilhões, o equivalente pelo câmbio atual a R$ 64,3 bilhões, quase 50 vezes o custo da Arena Itaquera, o estádio de abertura da Copa 2014.

A lista das 15 famílias mais ricas do Brasil tem também outros sobrenomes famosos como Safra, Ermírio de Moraes, Moreira Salles, Camargo Correia, Vilella, Odebrecht e Setubal, entre outros.

Somadas todas as fortunas, as fortunas das 15 famílias mais ricas do Brasil guardam US$ 122 bilhões, o equivalente a R$ 269 bilhões, ou cerca de 5% do PIB do país.

Segundo a revista, o número de bilionários no País cresceu significativamente desde 1987, quando a primeira lista de bilionários Forbes foi publicada.

Na época, apenas três brasileiros estavam no grupo dos bilionários do mundo: Sebastião Camargo, fundador do grupo Camargo Correa e dono da marca sandálias Havaianas; Antônio Ermírio de Moraes, um dos acionistas do Grupo Votorantim; e Roberto Marinho, que herdou o jornal O Globo e deixou para os filhos as Organizações Globo, maior império de mídia do continente.

Na lista deste ano, aparecem 65 brasileiros bilionários, sendo que 25 deles são parentes. Oito famílias têm vários membros no ranking.

A revista constata que nascer rico ainda é o jeito mais fácil de virar bilionário, embora a porcentagem dos herdeiros venha diminuindo nos últimos rankings dos mais ricos do mundo.

A família Odebrecht, por exemplo, é uma das mais ricas do País mas tem 15 pessoas dividindo a fortuna.

Confira a lista das 15 famílias mais ricas do Brasil segundo a 'Forbes':

1. Marinho (Mídia)

Três irmãos controlam as Organizações Globo: Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho, José Roberto Marinho. Fortuna: US$ 28,9 bilhões

2. Safra (Banco)

Joseph Safra, Moise Safra e Lily Safra, donos do Banco Safra.

Fortuna: US$ 20,1 bilhões

3. Ermírio de Moraes (Siderúrgica e banco Votorantim)

Antonio Ermírio de Moraes, Ermírio Pereira de Moraes, Maria Helena Moraes Scripilliti, José Roberto Ermírio de Moraes, José Ermírio de Moraes Neto e Neide Helena de Moraes.

Fortuna: US$ 15,4 bilhões.

4. Moreira Salles (Banco)

Fernando Roberto Moreira Salles, João Moreira Salles, Pedro Moreira Salles e Walter Moreira Salles Junior.

Fortuna: US$ 12,4 bilhões

5. Camargo (Camargo Corrêa - Construção, engenharia, energia e outros)

Rossana Camargo de Arruda Botelho, Renata de Camargo Nascimento e Regina de Camargo Pires Oliveira Dias.

Fortuna: 8 bilhões

6. Villela (Banco Itaú)

Alfredo Egydio de Arruda Villela Filho e Ana Lucia de Mattos Barretto Villela.

Fortuna: US$ 5 bilhões

7. Maggi (Soja)

Lucia Borges Maggi, Blairo Borges Maggi, Marli Maggi Pissollo, Itamar Locks e Hugo de Carvalho Ribeiro.

Fortuna: US$ 4,9 bilhões

8. Aguiar (Banco Bradesco)

Lina Maria Aguiar, Lia Maria Aguiar e Maria Angela Aguiar Bellizia.

Fortuna: US$ 4,5 bilhões

9. Batista (Frigoríficos)

José Batista Sobrinho, fundador da produtora de carne JBS, uma das maiores empresas de alimentos do mundo.

Fortuna US$ 4,3 bilhões

10. Odebrecht (Construção, engenharia, petroquímica e outros)

15 herdeiros da empresa fundada pelo engenheiro pernambucano Norberto Odebrecht.

Fortuna: US$ 3,9 bilhões

11. Civita (Mídia)

Giancarlo Francesco Civita, Anamaria Roberta Civita e Victor Civita Neto, herdeiros da editora Abril.

Fortuna: US$ 3,3 bilhões

12. Setubal (Banco)

25 parentes de uma das famílias fundadoras do banco Itaú.

Fortuna: US$ 3,3 bilhões

13. Igel

(Petróleo e petroquímicos)

Daisy Igel e mais seis herdeiros do grupo Ultra, dono de marcas como Ipiranga e Ultragás.

Fortuna: US$ 3,2 bilhões.

14. Marcondes Penido (Rodovias privatizadas)

Ana Maria Marcondes Penido Sant'Anna e a irmã, herdeiras da CCR, maior operadora brasileira de rodovias.

Fortuna: US$ 2,8 bilhões.

15. Feffer (Celulose e papel)

Cinco irmãos herdeiros da Suzano.

Fortuna: US$ 2,3 bilhões

 

Economia brasileira terá melhora gradual

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou, em audiência na Câmara dos Deputados, "a vida não tem sido fácil" para as economias de modo geral e que não se sai com facilidade de uma crise como a que ocorreu nos últimos anos. Mesmo assim, segundo o ministro, a crise está sendo superada. "Talvez 2013 tenha sido o ano da virada", afirmou. "Eu posso dizer que as perspectivas para a economia brasileira são de uma melhora gradual da nossa economia nos próximos anos.", disse.

Ele lembrou que, nos últimos cinco anos, a economia mundial foi acometida pela maior crise do capitalismo dos últimos 80 anos. "A boa notícia é que podemos dizer que a crise já está sendo superada. Mas da superação da crise até conseguirmos implantar novo ciclo de crescimento é uma transição dolorosa pra todos os países envolvidos nisso", reconheceu.

O ministro apresentou aos parlamentares um mapa com o desempenho da economia mundial em 2013 e disse que, mesmo os Estados Unidos, que estão voltando a crescer, tiveram um avanço de apenas 1,9%. Além disso, Mantega disse que parte dos países europeus ainda estava com crescimento negativo. "Os países emergentes também sofreram o resultado desta atrofia da economia internacional e temos visto países dinâmicos como a China desacelerando seu crescimento", concluiu.

Mantega citou o crescimento de 2,3% da economia brasileira no ano passado, mas lembrou que até o fim deste mês o País terá "novo PIB" para o ano passado, dado que o IBGE revisou o resultado da produção industrial de 2013. "Isso vai alterar o desempenho do PIB, mas não sabemos ainda para quanto vamos", disse. O ministro afirmou que o governo prevê para 2014 um crescimento semelhante ao do ano passado, diferente, portanto, do que prevê o FMI.

O ministro voltou a afirmar que a inflação está sob controle e que, "tão importante quanto manter solidez fiscal é manter controle da inflação". "Temos regime de metas de inflação e ele está sendo cumprido. Não temos ultrapassado o limite superior da meta, embora nos últimos anos tenhamos tido pressões adicionais", disse. Mantega citou pressões no preço de alimentos, causadas por seca nos Estados Unidos, na China e na Índia. "Essas pressões se somaram à desvalorização do nosso câmbio, que é boa para exportadores, mas causa pressão inflacionária pelo menos no primeiro momento", afirmou.

S&P. O ministro da Fazenda afirmou que "discorda" do rebaixamento da nota de classificação de risco do Brasil pela agência Standard & Poor's, anunciada no início deste ano. Mantega disse ainda que a decisão da S&P foi "solenemente ignorada pelo mercado" e ponderou que a decisão de reduzir a nota brasileira não foi seguida por outras agências internacionais. "A consequência desse rebaixamento foi nula em termos de reflexos no mercado. Houve aumento das bolsas e valorização do real, um sinal de que esse rebaixamento foi solenemente ignorado pelo mercado", avaliou o ministro.

O ministro disse ainda que a S&P, para justificar o rebaixamento, avaliou que o Brasil não cumpriria a meta do resultado primário para este ano. "(Isso) embora no ano passado tenhamos cumprido exatamente a mesma meta. E eu garanto que vamos cumprir (a meta de) 1,9% (do PIB) neste ano", rebateu o ministro. Sobre o tema, ele ainda pontuou que o Brasil tem "15 anos de resultado sólido nas contas de primário" e que o governo, na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2015, até se comprometeu até a aumentar o resultado primário nos próximos três anos. "Podemos continuar sendo um dos países que realiza um dos maiores superávits no mundo".

"Turbulência". O ministro lembrou que houve no ano passado uma "turbulência internacional" com o anúncio de que o Federal Reserve (o Banco Central dos EUA) iniciaria a redução dos estímulos monetários que vinha praticando. "Criou-se um movimento de capitais que saiu de países emergentes e que foi para os EUA, atrás de taxas mais atrativas de rendimentos dos treasuries".

De acordo com o ministro, o fluxo de capitais também afetou o Brasil, com desvalorização cambial e das bolsas. Era um momento, ainda segundo Mantega, em que os países emergentes "pareciam fragilizados". O ministro disse que a partir de dezembro do ano passado, quando o FED começou de fato a reduzir os estímulos, os mercados já tinham antecipado suas reações e "praticado as mudanças nos fluxos de capitais". "A volta de fluxo de capitais para o Brasil trouxe valorização do real", disse Mantega. "Ninguém mais fala que emergentes não vão receber investimentos ou não vão crescer", emendou.

 

 

Diniz compra ações do Carrefour e busca comando no  Brasil

O empresário Abilio Diniz, ex-dono do Grupo Pão de Açúcar e atual presidente do conselho de administração da empresa de alimentos BRF, já começa a preparar terreno para voltar ao varejo. Fontes ouvidas afirmaram que o empresário teria desembolsado cerca de US$ 1 bilhão para a compra de cerca de 3% das ações do Carrefour. Diniz também teria contratado assessoria do executivo Caio Mattar, que foi um dos seus braços direitos no GPA, para a venda de suas lojas alugadas ao Pão de Açúcar.

Com a venda dessas lojas, cerca de 60 unidades, o empresário levantaria cerca de R$ 2,5 bilhões, o que daria mais liquidez para obter cerca de 6% das ações na rede de varejo francesa. Fontes afirmaram que Abilio Diniz quer adquirir a mesma fatia da família francesa Moulin, proprietária da loja de luxo Galeries Lafayette, no Carrefour.

Em abril, a família Moulin informou ao mercado a aquisição de 6,1% no Carrefour S/A, por meio da Motier Holding, tornando-se o terceiro maior acionista da varejista, atrás do grupo de private equity Colony Capital LLC e da holding do empresário francês Bernard Arnault.

Para adquirir uma participação parecida, Abilio Diniz teria de levantar cerca de R$ 4 bilhões, segundo fontes de mercado. As vendas das lojas renderiam cerca de R$ 2,5 bilhões, mas essa operação não está vinculada à compra dos papéis do Carrefour. O GPA tem o direito de preferência para a compra desses imóveis, que já teriam sido oferecidos ao Kinea ( fundo de investimento do Itaú), à BR Properties e a fundos de pensão. Procurados, a assessoria de Abilio Diniz, o executivo Caio Mattar, Kinea, BR Properties e o Carrefour não quiseram comentar o assunto.

Na semana passada, o empresário levantou cerca de R$ 820 milhões com a venda de 7,9 milhões de ações preferenciais que detinha no GPA. Outros membros da família Diniz continuarão a ser acionistas do GPA, mas não deram direito de "lock-up" (comprometimento de não venda dos ações). A assessoria de imprensa da Península, empresa responsável pelos investimentos dos Diniz, disse que essa venda fez parte de um processo de "diversificação do portfólio" da família, e que esses recursos seriam destinados a reforçar a estratégia de investimentos em novos negócios, sem fornecer mais detalhes.

Direitos especiais. Há meses Abilio Diniz tem sido cortejado pelo presidente da rede varejista francesa Carrefour, Georges Plassat, para assumir a direção da companhia no Brasil. No fim do ano passado, Plassat jantou com Pércio de Souza, dono da butique de investimento Estáter, que assessorou Diniz na operação com o Casino e em outros negócios. À época, o empresário não se interessou pela proposta, uma vez que já havia negociado sua entrada na BRF, na qual injetou R$ 1 bilhão. Procurada, a Estáter também não comentou o assunto.

Segundo apurou o Estado, Abilio Diniz voltou a falar com Plassat nas últimas semanas e, ao comprar uma participação na rede francesa, estaria negociando em troca direitos especiais de gestão da rede varejista no Brasil. "Ele faria parte do conselho do Carrefour lá fora, seria presidente do conselho no País e teria direito a indicar o presidente (o nome de Antonio Ramatis, ex-presidente da Via Varejo, foi especulado pelo mercado)", diz uma fonte.

Plassat busca um gestor forte para mudar a gestão do Carrefour no País e preparar a empresa para ir à Bolsa em 2015.

 

Graça espera concluir auditoria até junho

A presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster, afirmou que a companhia espera concluir até o dia 6 de junho as investigações internas sobre a refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. A executiva acrescentou ainda que as cinco comissões instaladas para apurar eventuais irregularidades não trouxeram prejuízos à Petrobrás.

"Estamos trabalhando para que possamos virar essa página no mais curto espaço de tempo possível", afirmou Graça Foster, em coletiva de imprensa sobre os resultados do trimestre Segundo a executiva, o trabalho de investigação envolve uma equipe multidisciplinar das áreas jurídicas, de refino e novos negócios. "São dezenas de entrevistas e estamos bem perto do final. A previsão é de que seja concluída até o dia 6 de junho", completou.

"É muito importante que tudo isso seja apurado para que informemos e estejamos sempre preparados para sermos perguntados pelo governo federal, pelas comissões no senado ou na câmara, e para responder aos órgãos de controle. Respondemos sobre Pasadena desde novembro de 2012, é uma demanda permanente", afirmou a executiva. "Não vejo que essas comissões tenham trazido prejuízo ao bom resultado que apresentamos", completou.

Óleo leve. Graça Foster afirmou ainda que os bons resultados da refinaria de Pasadena foram obtidos em função da disponibilidade de óleo leve na região. "Enquanto este óleo estiver disponível, teremos bons resultados", afirmou a presidente. Segundo o balanço, a refinaria apresentou no trimestre o processamento de 103 mil barris de óleo por dia.

"Essa carga fresca processada é um bom resultado e decorre única e exclusivamente da disponibilidade de óleo leve. Esse óleo tem um desconto de US$ 4 a US$ 6 por barril naquela região. É isso que tem trazido bons resultados. E ela tem operado melhor, temos feito um bom trabalho, com boa gestão", afirmou a executiva.

 

 

Produção de veículos no Brasil  sobe 1,6%

A produção de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no mercado brasileiro somou 277.091 unidades em abril, alta de 1,6% na comparação com março e recuo de 21,4% ante abril de 2013, divulgou a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Com o resultado, a produção acumula retração de 12% nos quatro primeiros meses do ano, sobre igual período de 2013, para 1.068.809 unidades.

Considerando apenas automóveis e comerciais leves, a produção em abril chegou a 261.382 unidades, alta de 2,4% na comparação com março e recuo de 21% ante abril de 2013. No mês passado, foram produzidos 205.158 automóveis e 56.224 comerciais leves.

A produção de caminhões atingiu 12.314 unidades em abril, queda de 11% na comparação com março e recuo de 31,6% ante abril de 2013. No caso dos ônibus, foram produzidas 3.395 unidades em abril, baixa de 9,7% na comparação com março e queda de 8,0% ante abril do ano passado.

As vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus atingiram 293.240 unidades em abril, expansão de 21,8% na comparação com março e queda de 12,1% ante abril de 2013.

No acumulado de janeiro a abril deste ano, os emplacamentos chegaram a 1.105.994 unidades, baixa de 5% sobre igual período do ano passado.

Flex. A fatia de automóveis e veículos comerciais leves biocombustíveis (flex) se manteve em 87,8% em abril, mesmo patamar verificado em março e também em fevereiro. Ao todo, os veículos flex somaram 245.955 unidades em abril deste ano. Em abril do ano passado, a participação das vendas dos veículos flex era de 88,7%.

Importados. O número de veículos novos importados vendidos no País em abril avançou 24,7% na comparação com março, para 49.661 unidades. Em relação a abril do ano passado, houve retração de 18,1%. Nos quatro primeiros meses do ano, foi registrada queda de 9% sobre o mesmo período de 2013, para 201.360 veículos, caminhões e ônibus.

A participação dos veículos importados nas vendas avançou de 16,5% para 16,9% na passagem de março para abril. Em abril de 2013, a proporção dos importados nas vendas era de 18,2% e, no mesmo mês de 2012, de 22,6%.

Máquinas agrícolas. As vendas internas de máquinas agrícolas no atacado atingiram 6.057 unidades em abril, alta de 9,6% na comparação com março e recuo de 17,7% ante abril de 2013. As vendas acumulam retração de 20,3% de janeiro a abril deste ano sobre igual período de 2013, para 20.957 unidades. Já a produção de máquinas agrícolas chegou a 7.057 unidades em abril, alta de 1% na comparação com março e recuo de 22,4% ante abril de 2013. A produção de máquinas agrícolas acumula queda de 14,6% de janeiro a abril deste ano sobre igual período de 2013, para 26.930 unidades.

As exportações de máquinas agrícolas em valores totalizaram US$ 298,209 milhões em abril, alta de 17,3% na comparação com março e recuo de 12,2% ante abril de 2013. As exportações de máquinas agrícolas em valores caíram 6,9% no acumulado de janeiro a abril deste ano sobre igual período do ano passado, para US$ 1,025 bilhão.

O total de máquinas agrícolas exportadas chegou a 1.175 unidades em abril, alta de 1,2% na comparação com março e recuo de 24,7% ante abril de 2013. As exportações de máquinas agrícolas caíram 12,8% no acumulado de janeiro a abril deste ano sobre igual período do ano passado, para 3.935 unidades.

Emprego. O setor automotivo encerrou o mês de abril com 154.224 empregados, queda de 0,8% na comparação com março e recuo de 1,1% ante abril de 2013. O segmento de autoveículos registrou retração de 0,9% em abril na comparação com março no total de empregados, somando 133.101 pessoas. Na comparação com abril do ano passado, a queda foi de 1,7%.

O segmento de máquinas agrícolas teve recuo de 0,5% no número de empregados na comparação com março, e alta de 3% na comparação com abril de 2013, para 21.123 funcionários.




 

Brasil perde posições na lista das maiores empresas

A lista Global 2000, que reúne as duas mil empresas mais valiosas do mundo segundo a revista Forbes, traz uma boa notícia para a China e uma péssima para o Brasil.

Enquanto três bancos chineses dominam os primeiros postos do ranking, o Brasil aparece com uma presença significativamente menor do que na lista do ano passado. O número de brasileiras caiu de 31 para 25.

A primeira brasileira da lista é a Petrobrás, que também aparece como a maior da América Latina. Ela surge como a 30º mais valiosa do mundo. Outras grandes brasileiras listadas são o banco Itaú (46º lugar), o Bradesco (63º) e Banco do Brasil (104º).

O banco chinês ICBC é o primeiro da lista, seguido pelo China Construction Bank.

O Agricultural Bank of China subiu cinco posições para ficar em terceiro lugar, seguido pelo JPMorgan Chase (maior banco dos Estados Unidos) e o Berkshire Hathaway, fundo de investimentos do magnata Warren Buffet.

A petroleira Exxon Mobil, a General Electric e o banco Wells Fargo, todos de bandeira americana, ocupam o 6º, 7º e 8º lugar, respectivamente. Depois aparecem mais duas empresas chinesas, o Bank of China e a PetroChina.

 

Faturamento. A soma de valor das empresas da lista Global 2000 é de US$ 38 trilhões em faturamento, US$ 3 trilhões em lucros e US$ 161 trilhões em ativos, com um valor de mercado em 2014 de US$ 44 trilhões, 13% a mais em relação ao ranking do ano passado, segundo a Forbes.

Pela primeira vez, nenhuma empresa europeia aparece entre as dez maiores do mundo.

Os critérios considerados pela Forbes para escolher as mais valiosas companhias listadas nas bolsas de valores são o faturamento, lucros, ativos e valor de mercado.

Por zonas geográficas, a região Ásia Pacífico, que inclui China e Japão, lidera a presença com 674 companhias. Depois aparece a América do Norte, com 629 empresas e a Europa, com 505. Regiões como Oriente Médio e América Latina ganharam importância.

Por países, os Estados Unidos ainda é o líder em número de empresas, com 564. Em seguida aparece o Japão, com 225, e a China, com 207.

Apple. A gigante de tecnologia Apple aparece na 15ª posição em valor de mercado, enquanto a rede Walmart, na 20ª colocação das mais valiosas, tem o maior valor do mundo em volume de vendas.

O banco Fannie Mae, na 355ª posição, é a que tem maior valor em ativos, com US$ 3,2 bilhões. É também a com maior lucro, com US$ 84 bilhões.

A Espanha aparece com 27 empresas no ranking das duas mil maiores do mundo e as latinoamericanas são 59.

Na Espanha, as maiores entre as 27 que entraram no ranking são o banco Santander (43º), a Telefónica (68º), o BBVA (118º), Iberdrola (133º), Gas Natural (230º) e Inditex (313º).

México. O segundo país latinoamericano com mais empresas no seleto grupo, depois do Brasil, é o México. Aparecem na lista a gigante de telecomunicações América Móvil (115º), a Femsa (373), GFNorte (469º), Grupo México (529º) e Modelo (564º).

Também aparecem oito empresas chilenas, lideradas pela Falabella (581º), seis colombianas, sendo a maior delas a Ecopetrol (128º), duas venezuelanas, Mercantil Servicios (774º) e Banco Ociidental (1.423º) e a Credicorp, do Perú (901º). A Popular de Puerto Rico (aparece em 1.301º lugar).

A África repetiu mais um ano como o continente com o menor número de empresas por região geográfica, com apenas 25 na lista. Segundo a Forbes, a presença africana melhorou, com sete empresas a mais que a lista do ano passado: 15 de África do Sul, cinco da Nigéria, três do Marrocos, uma de Togo e uma de Mauricio.

 

 

Brasil registra maior entrada de dólares em 11 meses

A entrada de dólares da economia brasileira superou a retirada de recursos em US$ 2,78 bilhões no mês de abril, informou o Banco Central. É a maior entrada líquida de recursos na economia brasileira desde maio do ano passado – quando foi contabilizada a entrada de US$ 10,75 bilhões no país, segundo números do BC.

Já no acumulado de 2014, até 2 de maio, houve ingresso de US$ 5,61 bilhões no país. Em igual período do ano passado, US$ 2,37 bilhões haviam ingressado da economia brasileira. Houve, portanto, um aumento de US$ 3,23 bilhões em dólares que entraram no país no acumulado deste ano, ainda de acordo com dados oficiais do Banco Central.

'Recursos especulativos'
Segundo avaliação do economista da NGO Corretora, Sidnei Nehme, a entrada de recursos no Brasil, neste ano, tem a ver com "recursos externos especulativos" – que se valem da oportunidade decorrente da perda de ritmo da recuperação da economia americana ao início do ano, forjado como “carry trade” (melhor remuneração no Brasil).

Em sua visão, os investidores estrangeiros tem encontrado "tempo e oportunidade" para usufruir de ganhos na Bolsa de Valores brasileira, que "operava ações com preços debilitados e, em renda fixa atraente pela expressiva taxa de juro que fora retomada pelo país focando conter pressões inflacionárias presentes".

Para ele, porém, "incertezas crescentes internas" decorrentes do "clima político que já influencia os pregões", da "baixa expectativa que o superávit fiscal", de "perspectivas cada vez maiores de crescimento muito baixo do PIB e da inflação persistente", é "natural que ocorra a reversão [nos próximos meses] dos recursos especulativos que ingressaram no país".

Efeito na cotação do dólar
A entrada de recursos no país, registrada em abril, favorece, em tese, a queda do dólar. Isso porque, com mais moeda norte-americana no mercado, seu preço tenderia a ficar menor. No mês passado, de fato, a moeda registrou desvalorização de 1,74% No fechamento de março, o dólar estava cotado em R$ 2,26, terminando abril em R$ 2,23.

Outros fatores que influenciam a cotação
A variação do dólar no Brasil também está relacionada, segundo economistas, com a decisão do Federal Reserve (BC dos Estados Unidos) de retirar gradualmente, em ritmo mais lento do que o estimado anteriormente, os estímulos da economia norte-americana e com a perspectiva de uma acomodação do crescimento em um patamar menor do que o registrado nos últimos anos na China.

Os analistas avaliam, porém, que a cotação do dólar registrada neste ano também tem relação com a piora das contas externas e das contas públicas. Uma eventual valorização do dólar pode preocupar o BC, uma vez que tende a contaminar a inflação por meio do encarecimento de importados. Uma queda do dólar, por sua vez, favorece o controle da inflação.

Além disso, outro fator que também tem impacto na cotação da moeda norte-americana são os juros altos da economia brasileira, atualmente em 11% ao ano. Em termos reais, ou seja, descontando a inflação prevista para os próximos 12 meses, são os juros mais altos do planeta. Os leilões de contratos de "swap cambial" pelo Banco Central – instrumentos que funcionam como uma compra de dólares no mercado futuro, também têm impacto no preço do dólar no mercado à vista – segundo analistas.

 

Preço do etanol subiu em 11 Estados

Os preços do etanol hidratado nos postos brasileiros subiram em 11 Estados, caíram em 11 e no Distrito Federal e ficaram estáveis em outros quatro na semana encerrada no sábado, 03, mostram dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Na semana anterior, o biocombustível havia subido em 12 Estados, caído em 11 e no Distrito Federal e fica estável no Amapá, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. No período de um mês, os preços do etanol subiram em 17 Estados, caíram em outros oito e no Distrito Federal e ficaram estáveis em Santa Catarina.

Em São Paulo, principal Estado consumidor, a cotação caiu 0,15% na última semana, para R$ 2,029 o litro. No período de um mês, acumula queda de 1,93%.

Na semana, o maior recuo das cotações foi registrado no Rio Grande do Norte (0,41%), enquanto que a maior alta ocorreu no Ceará (1,90%). No mês, o Distrito Federal acumula a maior queda, de 3,84%, enquanto que a Bahia, a maior alta, de 4,70%.

No Brasil, o preço mínimo registrado para o etanol foi de R$ 1,57 o litro, no Estado de São Paulo, e o máximo foi de R$ 3,17/litro, no Amazonas. Na média, o menor preço foi de R$ 2,029 o litro, em São Paulo. O maior preço médio foi verificado no Amapá, de R$ 2,84 o litro.

Competitividade

Ainda de acordo com ANP, o etanol nos postos de combustíveis continuou sem competitividade ante a gasolina em todos os Estados do País e também no Distrito Federal na semana encerrada no sábado. É a sétima semana consecutiva sem competitividade.

Segundo o levantamento, a gasolina está mais vantajosa principalmente no Amapá, onde o etanol custa o equivalente a 95,82% do preço da gasolina - a relação é favorável ao biocombustível quando está abaixo de 70%.

 

Em vigor novas regras para levar empréstimo para outro banco

Estão em vigor as novas regras para transferir os empréstimos e financiamentos de um banco para outra instituição financeira que oferecer melhor taxa de juros. Trata-se da chamada "portabilidade" do crédito, que também vale para operações de "leasing" (arrendamento mercantil).

As novas regras foram regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) no final do ano passado mas só entraram em vigor ontem, e valem para todo o tipo de crédito: consignado, crédito pessoal, financiamento de imóveis e de automóveis, entre outros, e até mesmo aqueles com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

O objetivo da medida é incentivar a concorrência entre os bancos e possibilitar uma redução na taxa de juros cobrada nas operações.

As entidades de defesa do consumidor avaliam que as novas regras garantem maior transparência e segurança nas transações, uma vez que padroniza os procedimentos e fixa prazos para troca de informações entre os bancos.

Pelas normas, tudo será feito eletronicamente pelos bancos sem custo adicional. As instituições financeiras terão o prazo de 5 dias para fazer uma contraproposta ao cliente que estiver querendo sair. Os bancos estão proibidos de cobrar os custos da transferência. Mas somente a taxa de juros pode ser alterada: prazo e valor da operação original devem ser mantidos.

"A norma torna mais célere e transparente um processo que até então não tinha ampla divulgação e muitas vezes se tornava num calvário para o consumidor", afirmou a economista do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), Ione Amorim.

'Importantíssima' para o consumidor
Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), acredita que a portabilidade do crédito terá um "impacto bom" em termos de taxas de juros, e outros custos, cobrados pelos bancos.

A representante da Proteste também avaliou que a portabilidade do crédito é "importantíssima" para o consumidor e lembrou que, teoricamente, a medida deveria ter entrado em vigor em 2006.

"A lei existe desde 2006, porém as instituições não estavam atendendo ao consumidor que estava querendo fazer a portabilidade do crédito imobiliário por diversas razões. As instituições estavam resistentes. Diziam que a burocracia era do banco tomador. Havia um entrave entre as instituições e, também, a cobrança do cartório. Com as novas regras [do CMN], certamente os bancos não vão ter mais desculpas para adiar a portabilidade", declarou ela.

Crédito imobiliário
Na visão de Maria Inês Dolci, da Proteste, o maior benefício da medida é para quem pegou crédito para compra da casa própria (imobiliário) – que envolve empréstimos de maior valor.

"Com essa nova regra, vai ter uma procura grande. É claro que vai haver, no início, uma procura maior pelo consumidor. O mercado estava muito aberto para vendas, o setor imobiliário cresceu muito, o consumidor adquiriu imóveis, essa é possibilidade de o consumidor fazer a transferência pagando menos", avaliou ela.

Comparação das taxas
Maria Inês Dolci, da Proteste, assim como o Banco Central, recomendam que as pessoas realizem a comparação entre as taxas oferecidas com base no chamado Custo Efetivo Total (CET) das operações. O CET engloba, além da taxa de juros da operação, tarifas, impostos, seguros e outras despesas cobradas dos clientes. Ela lembrou que, no caso do crédito imobiliário, também há custo com cartórios.

Antes de realizar a portabilidade, o cliente, de acordo com o BC, o valor do CET é a "forma mais fácil de comparar os valores dos encargos e despesas cobrados pelas instituições". Segundo a autoridade monetária, o cliente também deve verificar "todas as condições" do novo contrato para que essa transferência seja realmente vantajosa.

Maria Inês Dolci, da Proteste, observou que a comparação não é simples. "É importante que o consumidor tenha junto aos bancos as opções para fazer a portabilidade. Tem de ser por escrito. Para ter como comparar. Uma proposta formal para que eles possa comparar, analisar. Tem que ver os custos envolvidos de forma que ele possa estar fazendo uma portabilidade adequada, até para ser vantajosa", declarou a representante do Proteste.

O Idec alerta que algumas situações que são apresentadas como portabilidade, na verdade são renegociações de dívidas, muito comuns em contratos de crédito consignado. "As propostas que oferecem um valor adicional e um prazo maior para pagar com taxa reduzida não é caracterizado como portabilidade, pois altera as condições originais do contrato além da taxa de juros e, muitas vezes, reduz o benefício em função do aumento do valor da dívida", esclarece.Desde que apresente condições cadastrais compatíveis para aquisição de crédito, o consumidor tem o direito de escolher livremente para qual instituição realizará a portabilidade.

 

 

Produção da Petrobras cresce em março puxada pelo pré-sal

A produção da Petrobras no Brasil e exterior somou 2,55 milhões de barris/dia de óleo equivalente em março, alta de 0,63% ante o mês anterior, informou a empresa.

A entrada de novos poços na exploração do pré-sal, que teve novo recorde, compensou as paradas para manutenção registradas em unidades no Brasil, indicou a estatal, que reafirmou a previsão de elevar a produção em 7,5% em 2014 ante 2013.

No Brasil, a produção cresceu 0,2% em relação a fevereiro, para 2,331 milhões de barris/dia de óleo equivalente (óleo e gás). A produção exclusiva, que responde pela maior parte do total produzido pela empresa, atingiu 1,926 milhão de barris/dia em março, alta de 0,1% ante fevereiro.

Paradas
Em março de 2014, as paradas temporárias voltaram a ocorrer em outras plataformas, mas o recorde de produção no pré-sal permitiu o aumento da extração no país.

"Ainda no mês de março a produção não foi maior devido às paradas de produção temporárias planejadas", que ocorreram na plataforma Cidade de Angra dos Reis (Bacia de Santos), P-8 (Bacia de Campos), P-35 (Bacia de Campos), e Vitória (Bacia de Campos), segundo a estatal.

A empresa informou ainda que a plataforma P-20 ficou em manutenção durante o mês de março, mas voltou a operar no dia 7 de abril. A P-20 tem potencial de produção de cerca de 20 mil barris de petróleo/dia, no Campo de Marlim, na Bacia de Campos.

A estatal disse também que, no dia 30 de março, após 11 anos de atividade, o FPSO Brasil encerrou suas atividades, no campo de Roncador com o fechamento do poço 7-RO-14-RJS. "Com o fim de sua operação, os poços interligados ao FPSO serão remanejados para a P-52 e a P-54."

Recorde no pré-sal
Em março, a produção média mensal de petróleo dos campos do pré-sal nas bacias de Santos e Campos atingiu recorde de 395 mil barris de óleo equivalente, 2,4% acima da melhor marca anterior, registrada em fevereiro (385 mil bopd).

A estatal destacou o desempenho de um poço em Sapinhoá, que é o primeiro interligado a uma boia de sustentação e começou a produzir em fevereiro. "Esse poço vem apresentando desempenho acima da média e mantém-se como o melhor poço produtor do país, com aproximadamente 36 mil bpd", disse a Petrobras.

A boia de sustentação dos dutos, chamada BSR (Boia de Sustentação de Risers), fica a 240 metros de profundidade é instalada para não ser atingida pelos movimentos da plataforma. Outras duas boias do tipo já foram instaladas e ainda no primeiro semestre será a concluída a instalação da última BSR.

A empresa afirmou ainda que, no curto prazo, começarão a produzir no pós-sal da Bacia de Campos, as plataformas P- 62, no campo de Roncador, com capacidade de 180 mil bopd, e a P-61, no campo de Papa-Terra. "Com a entrada dessas unidades, a produção de petróleo terá crescimento sustentável, durante 2014, de 7,5%, conforme previsto no Plano de Negócios e Gestão 2014-2018, podendo variar 1 por cento para mais ou para menos, ao longo do ano."

Produção no exterior
A extração total de petróleo e gás natural no exterior, em março, foi de 219.586 boed, aumento de 6,2% em relação aos 206.712 boed produzidos no mês anterior. A produção exclusiva de petróleo foi de 126.921 barris/dia, alta de 10,1% na comparação com fevereiro.

 

 

 

Superávit do setor público cai 16,5% no 1º trimestre

As contas do setor público consolidado, formado pelo governo, estados, municípios e empresas estatais, registraram um superávit primário (a economia para o pagamento de juros) de R$ 25,6 bilhões no primeiro trimestre deste ano. O valor representa uma queda de 16,5% frente ao mesmo período do ano passado – quando somou R$ 30,72 bilhões, segundo números divulgados pelo Banco Central . Somente em março, o esforço fiscal somou R$ 3,58 bilhões.

Segundo números divulgados pelo BC, os estados, municípios e empresas estatais registraram um esforço fiscal de R$ 13,2 bilhões no primeiro trimestre de 2014, valor que superou a economia para pagar juros feita pelo governo federal – que foi de R$ 12,32 bilhões no mesmo período (pelo conceito abaixo da linha, que difere um pouco do número usado pelo Tesouro Nacional).

Meta fiscal de 2014
A meta cheia de superávit primário – incluindo estados e municípios – para o ano de 2014 é de R$ 167,4 bilhões, ou 3,1% do PIB, conforme consta no orçamento da União aprovado pelo Congresso Nacional. Somente para o governo central, excluindo assim os estados, prefeituras e estatais, a meta é menor: de R$ 116,1 bilhões, ou 2,2% do PIB.

Ao anunciar em fevereiro o corte de R$ 44 bilhões no orçamento deste ano, o ministro da Fazenda,  Guido Mantega, anunciou, porém, que o objetivo fiscal de todo o setor público, neste ano, é de R$ 99 bilhões – o equivalente a 1,9% do PIB, o mesmo percentual registrado em 2013. Deste modo, o esforço fiscal do primeiro trimestre deste ano equivale a 25,8% da meta para 2014 fechado.

Juros da dívida pública e resultado nominal
Segundo o Banco Central, apenas para pagar os juros da dívida pública, foram gastos R$ 58,64 bilhões (4,84% do PIB) nos três primeiros meses deste ano, contra R$ 62,25 bilhões (5,58% do PIB) no mesmo período de 2013.

Após as despesas com juros, as contas registraram um déficit de R$ 33 bilhões no primeiro trimestre, o equivalente a 2,73% do PIB. Em igual período do ano passado, o déficit nominal somou R$ 31,5 bilhões, ou 2,83% do PIB.

Dívida do setor público
A dívida líquida do setor público, indicador que fornece uma pista sobre o nível de solvência (capacidade de pagamento) de um país, somou R$ 1,68 trilhão (34,2% do PIB) em março deste ano,  contra R$ 1,64 trilhão, ou 33,7% do PIB, em fevereiro. No fechamento de 2013, estava em R$ 1,61 trilhão, ou 33,6% do PIB.

 

Lucro do Itaú Unibanco sobe 27,3% e soma R$ 4,4 bilhões

O Itaú Unibanco anunciou, lucro líquido de R$ 4,419 bilhões no primeiro trimestre, montante 27,3% maior que o registrado em igual intervalo do ano passado, de R$ 3,472 bilhões. Em relação ao quarto trimestre de 2013 foi identificada queda de 4,9%.

"Essa ligeira redução do resultado no primeiro trimestre de 2014, em relação ao trimestre anterior, deve-se, principalmente, à redução das receitas de recuperação de créditos baixados como prejuízo (que costumam ser sazonalmente menores nesse trimestre) e à redução da margem financeira com o mercado, parcialmente compensados por despesas não decorrentes de juros (3,4% menores no período)", explica o Itaú, em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras.

A carteira de crédito total do Itaú Unibanco, que inclui avais e fianças, fechou março com saldo de R$ 480,120 bilhões, recuo de 0,7% ante a cifra de dezembro, de R$ 483,397 bilhões. Na comparação anual, quando a carteira estava em R$ 434,239 bilhões, houve expansão de 10,6%.

Em ativos totais, o Itaú Unibanco somou R$ 1,107 trilhão nos três primeiros meses de 2014, avanço de 7,6% em relação ao mesmo período de 2013, de R$ 1,028 trilhão. Ante o quarto trimestre, foi visto leve aumento, de 0,15%.

O patrimônio líquido do Itaú Unibanco foi a R$ 82,173 bilhões ao final de março, alta de 10,4% em um ano e de 1,4% ante dezembro. O retorno sobre o patrimônio líquido médio atualizado (ROE) ficou em 22,0% no primeiro trimestre, aumento de 3,1 pontos porcentuais na comparação com um ano, de 18,9%. Ante os três meses imediatamente anteriores, o indicador apresentou declínio de 1,7 ponto porcentual.

Resultado recorrente. O Itaú Unibanco apresentou lucro líquido recorrente de R$ 4,529 bilhões de janeiro a março, incremento de 29% em relação ao mesmo período de 2013, de R$ 3,512 bilhões. Na comparação com o quarto trimestre o resultado foi 3,2% inferior. O ROE também no critério recorrente ficou em 22,6% ao final de março ante 23,9% em dezembro e 19,1% em um ano.

O lucro líquido recorrente do banco veio em linha com a estimativa de analistas do mercado. A média de cinco casas consultadas pelo Broadcast, serviço de informações da Agência Estado, (BTG Pactual, Credit Suisse, Goldman Sachs, Safra e UBS) indicava resultado de R$ 4,436 bilhões no período. O Broadcast considera que o resultado está em linha com as projeções quando a variação para cima ou para baixo é de até 5%.

Dentre os eventos não recorrentes no primeiro trimestre de 2014 ante um ano, o Itaú cita o efeito da decisão favorável sobre a discussão da legalidade da incidência de Cofins para sua natureza de operação proporcional à sua participação na Porto Seguro, provisão para contingências, amortização de ágio da Rede (ex-Redecard) e outros.

Inadimplência. A inadimplência do banco, considerando os atrasos acima de 90 dias, teve melhora de 0,2 ponto porcentual, passando de 3,7% em dezembro para 3,5% em março, em linha com a expectativa de analistas do mercado. Trata-se do sétimo recuo seguido trimestral do indicador. Em um ano, os calotes tiveram queda de 1 p.p.

"Esse indicador alcançou o menor valor desde a fusão entre o Itaú e o Unibanco, influenciado principalmente pela mudança do perfil de crédito da nossa carteira", destaca o Itaú Unibanco, em relatório que acompanha as suas demonstrações financeiras.

A melhora nos calotes, conforme o banco, foi possível devido à queda do indicador tanto na pessoa física quanto na jurídica e também devido ao maior volume de baixa de créditos da carteira da instituição no valor de R$ 5,564 bilhões, principalmente, em veículos. Na comparação trimestral, porém, o indicador de PF teve alta de 0,2 p.p., de 4,7% em dezembro para 4,9% em março. Em um ano, foi vista melhora de 1,8 p.p. Já na pessoa jurídica ficou estável na comparação trimestral, em 3%, e queda de 1,0 p.p. em 12 meses.

As despesas com provisões para devedores duvidosos do Itaú, as chamadas PDDs, totalizaram R$ 4,252 bilhões nos três primeiros meses de 2014, alta de 1,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior, mas queda de 13,9% em um ano. Já o resultado de créditos de liquidação duvidosa, que desconta as receitas de recuperação, foi a R$ 3,164 bilhões ao final de março, alta de 13,3% e queda de 17,9%, respectivamente e na mesma base de comparação.

 

 

PIB deve crescer 2,3% em 2014

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse , esperar crescimento de 2,3% para a economia em 2014. Em 2013, a produção de bens e serviços (PIB) avançou exatamente nesse ritmo. A projeção está acima do 1,8% previsto pelo Fundo Monetário Internacional (FMI); e do 1,65% esperado pelo mercado interno.

"Sobre o resto estamos de acordo", disse. O ministro participou do seminário Rumos da Economia - O que fizemos e o que precisamos fazer, realizado em São Paulo.

Mantega voltou a repetir que a economia brasileira está melhorando por causa das providências adotadas no País. Que a economia do Brasil passou por problemas em função da crise econômica mundial e que as turbulências, em meados de 2013 até início de 2014, se deveram ao corte de estímulos adotado pelo Federal Reserve, o banco central norte-americano.

Em fevereiro quando divulgou o Orçamento neste ano, a previsão para o PIB era  de 2,5%.

Ao afirmar que o Brasil passou pela crise como poucos países do mundo, o ministro ressaltou que, nos últimos quatro anos, o ingresso de recursos no Brasil por Investimento Estrangeiro Direto (IED) se manteve ou cresceu. A aversão ao risco diminuiu, disse ele, completando que não houve saída de capitais do Brasil, mas sim de operações nos mercados futuros.

Crédito escasso? Mantega afirmou que "o crédito para o consumo no Brasil nunca esteve tão escasso", embora a inadimplência esteja baixa, pois está ao redor em 4,5%. "Sem restrição do crédito, o PIB estaria crescendo perto de 3%", comentou.

De acordo com ele, a queda da inadimplência deve propiciar uma tendência de melhora da concessão de financiamentos pelas instituições financeiras privadas. "Pedimos aos bancos públicos que na falta de crédito privado, eles entrassem em ação", destacou. "Quero mais é que o crédito privado dos bancos aumente", ponderou.

Ele ressaltou que só o crescimento da massa salarial não é suficiente para o incremento do consumo do País, mas também é fundamental o aumento dos investimentos, política que o governo já está executando por várias frentes. Ele destacou os programas de Aceleração do Crescimento, o Minha Casa, Minha Vida e também as concessões públicas para projetos em infraestrutura.

Superávit primário. O ministro disse que a política econômica do governo tem "fundamentos fiscais sólidos". Ele reiterou que o superávit primário no Brasil neste ano deverá chegar a 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

"Para 2015 não podemos fazer um primário menor do que 2%", atestou o ministro. Ainda segundo Mantega, a projeção da Fazenda para os próximos três anos é de um primário de 2,5% do PIB.

"Há compromisso do governo de manter solidez fiscal neste e nos próximos", afirmou o ministro. No entanto, segundo Mantega, se o crescimento do PIB for maior que 3%, o Brasil poderá fazer um primário maior.

Ainda de acordo com o ministro, "teremos redução das dívidas líquida e bruta neste e nos próximos anos".

 

 

Inadimplência no Bradesco é a menor desde 2008

 

A inadimplência do Bradesco no 1º trimestre de 2014, considerando os atrasos superiores a 90 dias, de 3,4%, é a menor já apresentada pelo banco desde dezembro de 2008, segundo informação do próprio banco. De janeiro a março, os calotes recuaram 0,1 ponto porcentual ante dezembro, de 3,5%, em linha com as perspectivas de analistas do mercado e com a própria indicação da administração do Bradesco que já havia sinalizado estabilidade do indicador com possibilidade de redução. O declínio foi o quinto trimestral consecutivo no indicador de inadimplência do Bradesco.

Em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, o banco explica que a queda dos calores foi influenciada, principalmente, pela mudança do mix da carteira, com destaque para o crescimento de crédito consignado (com desconto em folha) e imobiliário. O Bradesco acrescenta ainda que o recuo no primeiro trimestre também foi beneficiado pelo aprimoramento "contínuo" dos modelos e sistemas de concessão de crédito e pelo aperfeiçoamento dos modelos internos de acompanhamento de risco.

O destaque no primeiro trimestre, segundo o banco, foi a redução apresentada pelo indicador da pessoa física. Os calotes deste público passaram de 5,0% ao final de dezembro para 4,7% no término de março. Em um ano, a queda chegou a 1,3 ponto porcentual. Nas grandes empresas, a inadimplência também melhorou, passando de 0,6% no quarto trimestre do ano passado para 0,4% nos três meses imediatamente posteriores. Em 12 meses, porém, foi visto aumento de 0,1 ponto porcentual.

Em contrapartida, os calotes aumentaram no período de referência, de 4,1% no quarto trimestre de 2013 para 4,2% nos três primeiros meses deste ano no segmento de micro, pequenas e médias empresas. Em um ano, foi registrado recuo de 0,4 ponto porcentual.

 

Petroleira devolve pela 1ª vez uma área do pré-sal

Sofrendo grande pressão sobre sua gestão, entre denúncias de irregularidades e alto endividamento, e com prazo apertado para ampliar a produção, a Petrobrás optou por devolver a área em que realizou a primeira perfuração do pré-sal. O bloco BM-S-10, na Bacia de Santos, foi entregue no último mês à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP), após a estatal não ter cumprido os prazos para declaração de comercialidade da área.

É a primeira vez que a companhia devolve uma área de pré-sal. A decisão foi vista pelo mercado como um sinal de que a estatal está revendo suas prioridades de exploração para cumprir os investimentos previstos. A meta é dobrar sua produção até 2020, atingindo quatro bilhões de barris de óleo por dia. Para tanto, a companhia já revê a política de conteúdo local com objetivo de acelerar a entrega de embarcações para a campanha exploratória.

Em nota, a estatal informou que seus estudos indicaram a "inviabilidade" do desenvolvimento econômico do bloco. A descoberta do óleo no bloco foi anunciada em 2005, na área chamada de Parati, próxima aos campos de Lula e Sapinhoá. Na época, a Petrobrás havia avaliado o óleo como de boa qualidade, leve e de maior valor comercial. A descoberta foi feita por amostragem em poços com profundidade de mais de 5 mil metros.

Pelo cronograma, ela deveria apresentar até 2012 os estudos sobre dimensão e características do reservatório para, em seguida, declarar a comercialidade. Segundo a ANP, isto não foi feito e o bloco retomou ao portfólio da agência reguladora, podendo ser concedido a outro consórcio interessado.

"Nesse momento, a Petrobrás tem muita coisa para fazer, o que demanda muito investimento e também mão de obra e equipamentos. Então ela pode estar traçando prioridades para as áreas onde considera mais interessante", avalia o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie). "A sua situação econômica gera uma pressão para refinar essas prioridades", completa.

O consultor também destaca que as parceiras também enfrentam situações econômicas difíceis no mercado internacional. O consórcio era formado pela Petrobrás (65%) com as empresas portuguesas BG (25% ) e Partex (10%). O contrato para exploração da área foi assinado com a ANP em 2001, na segunda rodada de licitações da agência.

"A perfuração dos poços levou um ano em função das dificuldades da área, que tem uma camada muito espessa de sal", avalia o geólogo Carlos Jorge Abreu, professor da UNB especialista em petróleo. "Houve tempo suficiente para ter uma solução para a área. Tudo indica que não era interessante, para a empresa, desenvolver esse bloco, talvez por razões econômicas", completa.

Em nota, a estatal informou que analisou as informações sobre a área em conjunto com as empresas parceiras. A avaliação era que os reservatórios tinham natureza "heterogênea e desconectada" o que "inviabilizava a implantação de projeto para o desenvolvimento econômico dessa descoberta".


 

Projeção para a inflação ultrapassa o teto da meta

Pela primeira vez no ano, a projeção para a inflação medida pelo IPCA em 2014 estourou o teto da meta, limite definido em 6,5%. Segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a estimativa saltou de 6,47% para 6,51% entre uma semana e outra. Há quatro semanas, a estimativa era de 6,28%. Para 2015, a previsão ficou estável 6%. Há quatro semanas, a expectativa era de 5,80%.

A previsão de inflação para os próximos 12 meses à frente subiu de 6,12% para 6,07%, conforme a projeção suavizada para o IPCA. Há quatro semanas, estava em 6,20%.

Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa Focus, a previsão para o IPCA em 2014 no cenário de médio prazo também estourou o teto da meta ao passar de 6,49% para 6,59%. Para 2015, a previsão dos cinco analistas recuou de 6,27% para 6,00%. Há quatro semanas, o grupo apostava em altas de 6,57% para 2014 e 6,00% para 2015.

Entre todos os analistas ouvidos pelo BC, a mediana das estimativas para o IPCA de abril aumentou de 0,69% para 0,80%. Há quatro semanas, estava em 0,60%. Para maio, a projeção subiu de 0,45% para 0,47%.

PIB. A previsão de crescimento da economia brasileira em 2014 recuou de 1,65% para 1,63%. Há quatro semanas, a expectativa era de 1,70%. Para 2015, a estimativa de expansão se manteve em 2,00%, mesmo valor há oito semanas.

A projeção para o crescimento do setor industrial em 2014, no entanto, apresentou aceleração; passou de 0,70% para 1,40%. Para 2015, economistas mantiveram a previsão em 2,95%. Quatro semanas antes, a Focus apontava estimativa de expansão de 1,41% para 2014 e de 3,00% em 2015 para o setor.

Os analistas mantiveram estável, em 34,80%, a previsão para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2014. Há quatro semanas, estava em 34,75%. Para 2015, segue em 35,00% há 18 semanas.

Juro. Os economistas mantiveram a previsão para a taxa Selic no fim de 2014 em 11,25% ao ano, há quatro semanas a previsão era a mesma. Para 2015, a mediana segue em 12,00% ao ano há dez semanas. A taxa básica de juros está em 11,00% ao ano desde a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorreu em abril.

A previsão para a Selic média em 2014 ficou estável em 11,06%. Para 2015, passou de 12,01% para 12,00%. Há quatro semanas, estavam em 10,94% e 11,83% ao ano, respectivamente.

Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa Focus, a previsão para a Selic no fim de 2014 ficou estável em 11,88% ao ano e, para 2015, permaneceu em 13% pela terceira semana consecutiva. Há quatro semanas a projeção era, respectivamente, 11,75% ao ano e 12,00%.

Déficit. O mercado financeiro elevou a previsão para o déficit em transações correntes em 2014. A pesquisa Focus mostra que a mediana das expectativas de saldo negativo na conta corrente este ano passou de US$ 77,00 bilhões para US$ 77,05 bilhões. Para 2015, a previsão de déficit nas contas externas ficou estável em US$ 75,60 bilhões. Há quatro semanas, o déficit estava em US$ 75,00 bilhões para 2014 e em US$ 73,50 bilhões para 2015.

Na mesma pesquisa, economistas elevaram ligeiramente a estimativa de superávit comercial em 2014 de US$ 3,00 bilhões para US$ 3,02 bilhões. Quatro semanas antes, estava em US$ 4,71 bilhões. Para 2015, a projeção se manteve em US$ 10,00 bilhões, mesmo valor de sete semanas atrás.

A pesquisa mostrou ainda que as estimativas para o ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED), aquele voltado ao setor produtivo, ficou estável em US$ 60,00 bilhões em 2014 pela segunda semana consecutiva. Para 2015 segue em US$ 55 bilhões, mesmo valor registrado há sete semanas.

 

 

 

Desemprego está no menor nível histórico

 

 O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que o Brasil está com a taxa de desemprego em seu mínimo histórico. "A economia brasileira ainda vem gerando postos de trabalho, foi o que vimos nos dados do Caged de fevereiro. Foram mais de 260 mil empregos criados, ainda que tenha a questão sazonal, com Carnaval." Ele disse, ainda, que o Brasil cresce a uma taxa de 2% e que o mercado de trabalho ainda estará aquecido à frente.

Tombini também afirmou que o déficit em conta corrente brasileiro se estabilizou nos últimos anos em 3,6% do PIB e disse que as perspectivas à frente são de estabilidade, com expectativa de recuo nos próximos meses. O presidente do BC explicou que 80% do déficit em conta corrente é financiado pelo Investimento Estrangeiro Ddireto (IED). "É um cenário confortável", afirmou.

Segundo ele, é natural que o Brasil absorva mais poupança externa. Tombini afirmou que a média histórica de absorção da poupança externa é de 2% do PIB e que agora o País caminha para uma taxa ao redor de 3%.

A presidente Dilma Rousseff chegou à reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o chamado "Conselhão", durante o discurso de Alexandre Tombini, enquanto ele falava sobre o déficit em conta corrente. Ela estava acompanhado do vice, Michel Temer. (Laís Alegretti, Rafael Moraes Moura e Victor Martins)

 

 

Confiança dos empresários em abril cai ao menor nível

O empresariado está mais pessimista. Segundo o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) de abril, a confiança está no menor nível em cinco anos, caiu 3,3 pontos comparado a março, para 49,2 pontos, abaixo ainda da média histórica. Os dados são da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e foram divulgados. De acordo com a pesquisa, todos os segmentos industriais registraram recuou no indicador.

O Icei varia de zero a cem pontos. O índice acima de 50 pontos sinaliza que o empresariado está confiante. Se pontuar abaixo de 50, como o ocorrido nesta divulgação, o setor é classificado como pessimista. O levantamento mostra a expectativa dos empresários sobre o momento atual e para os próximos seis meses tanto para a economia quanto para as atividades das empresas.

A pesquisa avalia ainda a confiança em relação as condições atuais e, de acordo com a CNI, houve um aprofundamento do pessimismo, recuou de 44,7 pontos em março para 41,2 em abril. Apesar desse movimento, as expectativas para os próximos seis meses seguem otimistas, em 53,3 pontos.

Este foi o 14º mês consecutivo de confiança abaixo da média histórica, de 58,1 pontos e, segundo a pesquisa, a queda de confiança atingiu todos os ramos da indústria. De 35 ramos, 25 estão classificados como pessimistas, com o Icei abaixo de 50 pontos, e dez, com índices acima desse valor, considerados confiantes.

O pior nível de confiança entre os 35 segmentos é o do segmento de veículos automotores, que está em 42,7 pontos. No mês passado, o ramo registrava 49,3. Atrás dele, figuram os segmentos de madeira e de borracha, ambos com 44,3 pontos. A CNI chamou a atenção para o segmento de construção civil que, na visão da entidade, passou a demonstrar baixa confiança, com 50,9 pontos, muito próximo do nível que o pode colocar como pessimista.

A entidade, na pesquisa, ainda classificou o quadro da indústria de transformação como de "clara falta de confiança", isso em função da queda de 51,8 pontos no mês passado para 48,2 neste. Dos 27 ramos da indústria de transformação, 23 estão abaixo dos 50 pontos e seis deles abaixo dos 45.

Na avaliação da CNI, a falta de confiança desestimula o investimento e sinaliza que a indústria permanecerá com dificuldades para reencontrar o caminho de uma recuperação sustentada. Para Flávio Castelo Branco, gerente executivo de Políticas Econômicas da CNI, o indicador vem em trajetória de queda refletindo dificuldades da economia e em especial do setor industrial.

"O crescimento é baixo, temos questões que preocupam, como a aceleração da inflação, que tem levado o BC a subir juros, o que obviamente contamina a confiança do empresário e as expectativas", avaliou. Castelo Branco ainda listou o problema hídrico e energético como uma pressão a mais a gerar dúvidas no setor. "Há a questão da energia e a eventual possibilidade de escassez de energia. Se não ocorrer um racionamento, há o ajuste no preço das tarifas e isso tem sido financiado por fundos fiscais. Tem uma construção difícil", avaliou.

As pequenas e médias empresas mostraram a maior falta de confiança. As de menor porte registraram recuou de 51,9 pontos em abril para 48,7 em março, as médias, 51,7 pontos para 48,6 pontos. As grandes empresas, mesmo em melhores níveis que as demais, também se situam abaixo dos 50 pontos e entre abril e maio apresentaram queda no indicador de confiança, de 53,3 pontos para 49,8.

Quando se observa as grandes regiões do País, três estão otimistas e duas pessimistas. Norte (com 54 pontos), Nordeste (52,5) e Centro-Oeste (53) estão do lado confiante da pesquisa e Sul (47,8) e Sudeste (45,3), do pessimista.

A pesquisa do Icei foi realizada entre 1º e 10 de abril com 2.346 empresas de todo o País, das quais 889 são de pequeno porte, 901 médias e 556 grandes.

Indústria  automobilística volta a acumular estoques

Os estoques excessivos da indústria vão além das montadoras, cujos pátios cheios de carros desencadearam uma onda de férias coletivas, suspensão de contratos de trabalho e programas de demissão voluntária. Também apontam quadro de estoques acima do normal os setores têxtil, mecânico (máquinas e equipamentos) e vestuário e calçados.

Com esse cenário, a indústria revê para baixo as expectativas de crescimento da produção em relação a 2013. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), que em dezembro projetava alta de 2%, reviu os números para 1,7% na sexta-feira.

O Banco Central, no relatório sobre a inflação, aponta alta de apenas 0,5% para a indústria de transformação, em comparação ao crescimento de 1,9% do ano passado. A Fiesp tem avaliação próxima, com expectativa de 0,8% de crescimento. No fim do ano, a aposta era de 2%.

O início do ano foi positivo para a indústria. Em janeiro, a produção industrial, medida pelo IBGE, cresceu 3,8%. Em fevereiro, a alta foi de 0,4%. O resultado do bimestre reverteu totalmente as perdas nos últimos dois meses de 2013. Mas a indústria voltou a apresentar um desempenho errático.
Falta de confiança do empresariado e do consumidor, alta dos juros, frustração com a esperada retomada das exportações e crise na Argentina estão entre as razões para a expectativa de crescimento abaixo do que se imaginava.

O indicador de estoques da indústria, elaborado mensalmente pela Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que, em março, de um total de 14 setores, nove registraram aumento de empresas com produtos parados em excesso. Em dezembro havia cinco setores nessas condições e, há um ano, sete.

No mês passado, 8,4% das cerca de 1,2 mil indústrias consultadas tinham estoques excessivos, excluída a fatia de 1% das empresas que declararam ter produtos insuficientes em seus depósitos. É o mais alto porcentual desde outubro de 2011, quando atingiu 8,5%, segundo o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo. A média dos últimos cinco anos foi de 3,5%.

O setor é super estocado quando a parcela de empresas com estoques excessivos supera 10%. No caso das montadoras e autopeças, 26,7% das empresas relataram estoques acima do normal. Na indústria têxtil, 15,6% das empresas informaram ter estoques excessivos, na mecânica, 14,4% e na de vestuário e calçados, 13,3%. "A recuperação que estava sendo ensaiada pela indústria no início do ano perdeu fôlego e os altos estoques vão além dos carros", diz Campelo. "Isso sinaliza uma situação preocupante." Uma das razões para a mudança, que ele chama de "fator choque" é a queda de vendas para a Argentina.

 

O ‘rei da soja’, entra na lista de bilionários da ‘Forbes’

Mais quatro brasileiros estão na lista de bilionários da revista Forbes. E são todos das mesma família: os donos do Grupo Andre Maggi, do segmento do agronegócio, energia e exportador de soja. Blairo Maggi, conhecido como o "rei da soja" e atual senador pelo Mato Grosso; Lucia Borges Maggi, mãe de Blairo e presidente do grupo até 2010; Itamar Locks, cunhado de Blairo e atual CEO da divisão de agricultura do grupo; e Marli Maggi Pissollo, irmã do "rei da soja".

Cada um deles tem cerca de 16,6% de participação no Grupo Andre Maggi, que leva o nome do marido de Lúcia. A estimativa recente da revista Forbes é de que empresa tem valor de mercado de R$ 13,8 bilhões, ou US$ 6,2 bilhões. Segundo a Forbes, graças ao câmbio, a família Maggi agora também é bilionária em dólares.

A revista afirma que os Maggi não são mais os "reis da soja", posto que ocuparam nos anos 1990 e início dos 2000. Mas a família ajudou o Brasil a assumir a posição de segundo maior produtor de soja do mundo (atrás dos EUA) e fez fortuna com soja plantada em áreas no sul da floresta Amazônica e, com isso, comprou briga com ambientalistas. Outro grupo, o Bom Futuro, tem hoje mais área plantada de soja, mas os Maggi possuem a produção mais rentável de soja brasileira.

Os bilionários Maggi: quem é quem, segundo a Forbes

A matriarca

Lucia Borges Maggi, 82, foi presidente do Grupo Andre Maggi após a morte do marido, em 2001, até 2010. Sua fortuna é estimada em R$ 2,3 bilhões (US$ 1,07 bilhão).

O senador

Blairo Maggi, 58, conhecido como "rei da soja". Criticado por ambientalistas, que o responsabilizam por desmatamento da Amazônia. Foi governador do Mato Grosso por dois mandatos e hoje é senador. Tem a mesma fortuna da mãe.

O CEO

O cunhado de Blairo, Itamar Locks, tem 16,67% do Grupo Andre Maggi. Hoje é CEO da divisão de agricultura do grupo. É incentivado por Blairo a adotar uma postura ambiental mais "verde". Em sua gestão, a empresa se tornou a primeira no mundo a produzir soja de acordo com critérios de ONG's ambientais, da certificação da Round Table On Responsible Soy (RTRS). Locks tem fortuna avaliada em US$ 1,07 bilhão.

A irmã

Marli Maggi Pissollo controla 16,12% do Grupo Andre Maggi e tem R$ 2,28 bilhões, ou US$ 1,03 bilhão.

 

Helicóptero é usado para pegar  fraudador em MG

 

Com um helicóptero que fará imagens usando uma câmera infravermelha, a Receita Federal começou a sobrevoar o interior de Minas Gerais. O objetivo é identificar imóveis de luxo construídos principalmente próximos a balneários ou em condomínios afastados e que não recolheram a contribuição previdenciária sobre as obras.

A operação também permitirá saber se houve sonegação no imposto de renda. Para isso, a Superintendência da Receita em Minas analisará se o patrimônio do proprietário cresceu acima do que ele declarou no IR. Mais de 2 mil imóveis tiveram as informações cruzadas e podem ter deixado de render milhões de reais em impostos e contribuições.

A operação, denominada Grifo 2, começou pelo centro-oeste do Estado, envolvendo a área abrangida pela Delegacia da Receita Federal de Divinolândia, mas também englobará até o dia 16 deste mês outras regiões, como o sul do Estado e o Triângulo Mineiro. A intenção é regularizar as obras e, para isso, está sendo usado um helicóptero modelo EC-135. Ele sobrevoa os condomínios a uma altura que varia de 200 metros a 400 metros.

Ontem, a programação previa o sobrevoo de 90 construções localizadas nas cidades de Divinópolis, Capitólio e Formiga, entre outras. De acordo com Marcos Paulo Pereira Milagres, delegado da Receita em Divinópolis, em alguns desses locais a fiscalização por terra é complicada e a aeronave vai ajudar muito no trabalho.

Segundo ele, durante os voos, se outras obras suspeitas forem localizadas, elas também serão fiscalizadas. Problemas como a falta de documentos ou informações erradas para reduzir o pagamento de impostos podem gerar multas aos proprietários e processo por sonegação. Somente em Divinópolis a expectativa é que a ação ajude a aumentar em 25% a arrecadação em relação ao ano passado.

Malha fina. Todas as imagens feitas pelo helicóptero serão comparadas com fotos de satélite, sendo os dados dos imóveis cruzados com as informações fornecidas à Receita, além de prefeituras e cartórios imobiliários. No caso de irregularidade, as delegacias notificarão os contribuintes para que regularizem a situação.

Em abril de 2013, durante a Operação Grifo 1, houve um aumento de R$ 158 milhões na arrecadação da contribuição previdenciária no setor da construção civil na região abrangida, 18% a mais na comparação com o mesmo período do ano anterior.

 

Preços estoura teto da meta e IPCA chega a 6,15%

O aumento da inflação em 12 meses até março já estourou o teto da meta do governo em seis das nove atividades que integram o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, (IBGE), em março, a taxa de variação ficou acima de 6,5% nos grupos Alimentação e Bebidas (7,14%), Habitação (7,35%), Artigos de residência (7,29%), Saúde e cuidados pessoais (6,90%), Despesas pessoais (8,98%) e Educação (8,72%).

No mesmo período,o IPCA acumulou uma alta de 6,15% em 12 meses, informou o IBGE. A última vez que o IPCA esteve acima de 6% foi em agosto do ano passado, quando atingiu 6,09%. Acima da meta do governo de 6,5%, o IPCA esteve em junho, quando fechou em 6,7%.

O grupo Alimentos também exerce pressão na inflação. O salto nos preços dos alimentos foi responsável por mais da metade da taxa do IPCA em março. A estiagem prejudicou as lavouras, impulsionando o preço de produtos importantes na cesta básica do consumidor.Itens como batata  e to,ate subiram mais de 30% no mês.

"As inflações setoriais mostram que a maioria delas está acima de 6%, e o que está contendo a inflação (pelo IPCA em 12 meses) é justamente transportes", apontou a coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos.

O grupo Transportes - que tem o segundo maior peso sobre o orçamento das famílias, atrás apenas de alimentação e bebidas - registra uma taxa acumulada em 12 meses de 3,10%. "Esse aumento de 3,10% se deve principalmente ao reajuste da gasolina, que puxou parte dessa alta. Mas é o (grupo) transporte que se destaca com resultado relativamente baixo perto dos outros", disse Eulina.

Os demais grupos que contribuem para frear a taxa do IPCA em 12 meses são Vestuário (com alta de 4,94% nos 12 meses encerrados em março) e Comunicação (0,25%).

 

FMI reduz perspectiva de crescimento do Brasil

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu, sua projeção de crescimento econômico para o Brasil em 2014 a 1,8%, ante 2,3% o previsto no início  do ano.

No relatório "Perspectiva Econômica Global", o FMI ainda revisou para baixo sua perspectiva sobre a atividade econômica brasileira para 2015, a 2,7%, ante 2,9% em janeiro de acordo com números atualizados.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro surpreendeu ao crescer 0,7% no quarto trimestre de 2013 na comparação com os três meses anteriores, e encerrou o ano de 2013 com expansão de 2,3%..

No entanto, a avaliação dos agentes econômicos e dentro do próprio governo, que vê "recuperação gradual", é de que este ano a atividade perca força. Pesquisa Focus do Banco Central aponta que a expectativa de especialistas é de expansão de 1,63% neste ano e de 2% em 2015.

Segundo o FMI, a economia brasileira está sendo afetada pelas restrições de oferta no mercado interno, especialmente em infraestrutura, e pelo contínuo fraco crescimento do investimento privado. Também pesa a "perda de competitividade e a baixa confiança empresarial".

Inflação. O FMI também chamou a atenção para a inflação no país, que tem se mantido elevada e próxima do teto da meta oficial, de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

O organismo internacional calculou que a inflação ao consumidor do país fechará este ano em 5,9% e em 5,5% em 2015. Na quarta-feira, será divulgado o IPCA de março e as expectativas são de aceleração, chegando em 12 meses a 6,08%.

O FMI também projetou que o déficit em conta corrente do Brasil ficará em 3,6 por cento do PIB em 2014 e em 3,7 por cento em 2015.

Países ricos. O FMI projetou que a recuperação global vai se fortalecer este ano conforme a produção em economias avançadas se recupera, mas alertou para riscos crescentes em economias emergentes. O Fundo disse que políticas melhores são necessárias para elevar a capacidade produtiva mundial e evitar um período prolongado de crescimento lento.

A produção global deve se expandir 3,6% em 2014, levemente abaixo do que o previsto em janeiro, e crescer 3,9% no ano que vem.

Custo de vida em SP subiu 0,81%

A inflação na cidade de São Paulo, medida pelo Índice do Custo de Vida (ICV) apurado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), variou 0,81% em março, uma aceleração ante fevereiro (0,61%). Em 12 meses até março, o indicador acumula alta de 6,78%. No acumulado do primeiro trimestre, a inflação para o paulistano é de 3,40%.As maiores pressões em março vieram de Alimentação (1,83%), Transporte (0,93%), Despesas Pessoais (0,51%) e Habitação (0,29%). Juntos, os quatro grupos contribuíram com 0,78 ponto porcentual na taxa de março.

Também registraram variação positiva Vestuário (0,34%), Saúde (1,07%), Despesas Diversas (1,07) e Recreação (0,49%). Foram apurados decréscimos em Equipamentos Domésticos (-0,12%) e Educação e Leitura (-0,84%).

De acordo com o Dieese, as famílias paulistanas que sofreram em março maior impacto do aumento do custo de vida foram aquelas com menor renda e rendimento intermediário. Para os dois estratos da sociedade, de acordo com o Dieese, as variações do custo de vida foram de 1,00% e 0,94%, respectivamente, portanto acima da média do indicador. Já para as famílias de maior renda o custo de vida subiu 0,68% em março.

Pressão de alta. A alta em Alimentação foi puxada por alimentos in natura e semielaborados (3,14%), alimentação fora do domicílio (0,80%) e indústria da alimentação (0,74%). Já no grupo Transporte, houve pressão dos reajustes dos combustíveis pelo quarto mês seguido no item transporte individual, que subiu 1,35%.

Já em Despesas Pessoais o subgrupo higiene e beleza apresentou variação mensal de 1,07%. Em Habitação, a pressão veio de operação do domicílio (0,48%) e conservação do domicílio (0,23%).

 

Produção de veículos cai 3,6% em março

A produção de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no mercado brasileiro somou 271.217 unidades em março, queda de 3,6% na comparação com fevereiro e recuo de 17,6% ante março de 2013, divulgou , 4, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Com o resultado, a produção ainda acumula queda de 8,4% nos três primeiros meses do ano, sobre igual período de 2013, para 789.855 unidades.

Queda nas vendas de carros no primeiro trimestre já provoca corte de produção para os próximos meses. A maioria das montadoras tem adotado medidas de corte de produção, como férias coletivas e suspensão temporária de contrato de trabalho de parte dos funcionários. A Mercedes calcula que haja um excedente de 2 mil funcionários na fábrica em São Bernardo. A montadora vai cortar produção e pessoal.

Considerando apenas automóveis e comerciais leves, a produção em março chegou a 254.019 unidades, queda de 3,3% na comparação com fevereiro e recuo de 17,7% ante março do ano passado. No mês passado, foram produzidos 204.411 automóveis e 49.608 comerciais leves.

A produção de caminhões atingiu 13.688 unidades em março, queda de 9,0% na comparação com fevereiro e recuo de 18,0% ante março de 2013. No caso dos ônibus, foram produzidas 3.510 unidades em março, baixa de 5,3% na comparação com fevereiro e queda de 7,6% ante março do ano passado.

As vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus atingiram 240.808 unidades em março, recuo de 7,1% na comparação com fevereiro e queda de 15,2% ante março de 2013.

No acumulado de janeiro a março deste ano, os emplacamentos chegaram a 812.754 de unidades, baixa de 2,1% sobre igual período do ano passado.

Flex. A fatia de automóveis e veículos comerciais leves biocombustíveis (flex) se manteve em 87,8% em março, participação igual à registrada em fevereiro. Ao todo, os veículos flex somaram 201.145 unidades em março deste ano. Em março do ano passado, a participação das vendas dos veículos flex era de 88,9%.

Exportação. As exportações em valores do setor automotivo brasileiro somaram US$ 988 milhões em março, baixa de 2,9% na comparação com fevereiro e recuo de 26,3% ante março de 2013.

As exportações acumuladas de janeiro a março movimentaram US$ 2,903 bilhões, queda de 15,3% ante igual período de 2013. Os valores consideram as exportações de autoveículos e máquinas agrícolas.

O mês de março encerrou com 23.408 automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus exportados, queda de 18,8% na comparação com fevereiro e recuo de 46,2% ante março de 2013.

No acumulado de janeiro a março deste ano foram exportadas 75.049 unidades de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, queda de 32,7% sobre igual período de 2013.

Máquinas agrícols. As vendas internas de máquinas agrícolas no atacado atingiram 5.533 unidades em março, baixa de 1,2% na comparação com fevereiro e recuo de 24,4% ante março de 2013. As vendas acumulam queda de 21,3% de janeiro a março deste ano sobre igual período de 2013, para 14.906 unidades.

Já a produção de máquinas agrícolas chegou a 6.632 unidades em março, baixa de 13,8% na comparação com fevereiro e recuo de 22,5% ante março de 2013. A produção de máquinas agrícolas acumula queda de 13,0% de janeiro a março deste ano sobre igual período de 2013, para 19.521 unidades.

As exportações de máquinas agrícolas em valores totalizaram US$ 254,316 milhões em março, baixa de 2,2% na comparação com fevereiro e recuo de 12,1% ante março de 2013. As exportações de máquinas agrícolas em valores caíram 4,5% no acumulado de janeiro a março deste ano sobre igual período do ano passado, para US$ 727,669 milhões.

O total de máquinas agrícolas exportadas chegou a 1.062 unidades em março, alta de 1,9% na comparação com fevereiro e recuo de 7,5% ante março de 2013. As exportações de máquinas agrícolas caíram 9,8% no acumulado de janeiro a março deste ano sobre igual período do ano passado, para 2.661 unidades.

Emprego. O setor automotivo encerrou o mês de março com 155.536 empregados, queda de 0,4% na comparação com fevereiro e avanço de 0,3% ante março de 2013. O segmento de autoveículos registrou baixa de 0,4% em março na comparação com fevereiro no total de empregados, totalizando 134.314 pessoas. Na comparação com março de 2013, a queda foi de 0,2%.

O segmento de máquinas agrícolas teve queda de 0,2% no número de empregados na comparação com fevereiro, mas avanço de 3,5% na comparação com março de 2013, para 21.222 funcionários.

 

Inflação dos alimentos salta 2,3% com crise na Ucrânia

Adversidades climáticas no Brasil e nos Estados Unidos e a tensão política na região do Mar Negro, importante área produtora de grãos, fizeram com que o indicador global de preços dos alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) saltasse 4,8 pontos (2,3%) em março, para uma média de 212,8 pontos, o maior nível desde maio do ano passado. Em fevereiro, o índice, calculado a partir dos preços de uma cesta de commodities, já havia registrado alta de 2,6% também por conta das instabilidades na Ucrânia.

De todos os segmentos que compõem o indicador, apenas o de laticínios não registrou alta em março, com queda de 2,5% - a primeira em quatro meses. De acordo com a FAO, o recuo foi influenciado por um enfraquecimento da demanda chinesa e por produções robustas na Nova Zelândia e no Hemisfério Norte.

Já o açúcar registrou a maior alta, de 7,9%, em meio à estiagem no Centro-Sul do Brasil, principal região produtora do mundo. Na sequência aparecem os cereais (5,2%), cujos preços subiram por conta do clima seco no Brasil e nos Estados Unidos e também em razão das tensões na região do Mar Negro.

"O indicador analisa as tendências em março. Desde então, os temores de que a Ucrânia reduza as exportações diminuíram. Também já não há tantas preocupações quanto a possíveis choques de oferta em 2014", afirma o economista da FAO Abdolreza Abbassian.

A entidade também fez novas estimativas para a produção global de commodities. De acordo com a entidade, deverão ser produzidos 2,521 bilhões de toneladas de grãos no ano-safra 2013/14, 6 milhões de toneladas a mais que o anteriormente previsto. Mesmo assim, é "muito cedo para se fazer uma projeção detalhada, porque ainda há muito a ser plantado, e o clima será uma peça-chave neste ano", afirma Abbassian.

A produção mundial de trigo deve ser de 702 milhões de toneladas, 2 milhões de toneladas a menos que o previsto em março e 2% inferior à safra recorde do ano passado. Em relação ao arroz, a produção deve ter um incremento modesto de 0,8% em 2013/14, para 500,7 milhões de toneladas, pois os preços não estão muito atrativos, diz a FAO. Esse crescimento, entretanto, não deve acompanhar a demanda, e os estoques ao final da temporada devem diminuir, prevê a entidade.

 

 

Galeão tem que ser tão bom quanto aeroporto de Cingapura

A presidente Dilma Rousseff participou, da assinatura do contrato de concessão do Aeroporto do Galeão, no Rio. O consórcio formado pelas empresas Odebrecht Transport e Changi Airports venceu o leilão disputado em novembro do ano passado, com uma oferta de R$ 19 bilhões pelo terminal.

A presidente também cobrou a futura concessionária do terminal para que o Galeão "seja tão bom quanto o aeroporto de Cingapura", operado pela Changi e eleito na última semana o melhor do mundo.

De acordo com a presidente, a concessão é um reflexo da necessidade de melhoria nos serviços do aeroporto, em função da maior inclusão de passageiros.

"Hoje, a aviação é um transporte de massa e não de uma camada de privilegiados", destacou.

Cronograma. Nos primeiros três meses, incluindo o período da Copa do Mundo, o aeroporto continuará a ser operado pela Infraero, em fase de transição. O consorcio apresentará seus planos de investimentos em ações imediatas, sujeitos a aprovação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). As primeiras alterações previstas são referentes à sinalização do terminal e manutenção dos equipamentos de escadas rolantes e elevadores. As empresas administrarão o aeroporto por 25 anos.

Em agosto, a operação passará a ser feita pela concessionária, ainda sob a supervisão da Infraero. Somente em dezembro o terminal será totalmente operado pela administração privada. Até 2016, estão previstos investimentos de reforma e ampliação de pistas, estacionamentos, pontes de embarque e terminal de passageiros.

Na próxima segunda-feira, dia 7, será assinado o contrato da concessão do aeroporto de Confins, na região metropolitana de Minas Gerais. O consórcio vencedor pagou cerca de R$ 1,2 bilhão pelo terminal. O grupo é formado pela empresa CCR em associação com as operadoras do terminal de Munique, na Alemanha, e Zurique, na Suíça.

 

Governo sobe tributação de cerveja e refrigerantes

A tributação das chamadas "bebidas frias" – categoria que engloba cervejas, águas, isotônicos, energéticos e refrigerantes, entre outros produtos – foi elevada. Em portaria publicada no "Diário Oficial da União", a Secretaria da Receita Federal atualizou o redutor que define a tributação do IPI, PIS e COFINS sobre estes produtos.

O governo, entretanto, não informou qual será o percentual de elevação média para todos os produtos nem sobre cada um individualmente. A Secretaria da Receita informou apenas que espera arrecadar R$ 200 milhões a mais este ano com a medida.

O aumento da tributação já era esperado: o governo já havia anunciado, na semana passada, que poderia haver reajuste desses itens. O Ministério da Fazenda declarou, porém, que essa medida já estava no último relatório do orçamento federal e que não tem relação com a conta de luz.

Mesmo não admitindo a ligação da atualização do redutor sobre as bebidas frias com a energia elétrica, o governo busca reunir recursos para evitar a alta na conta de luz em 2014. Isso porque está havendo um maior uso da energia das termelétricas – cuja produção é mais cara – o que poderia resultar em aumento das tarifas.

Para bancar esse custo, haverá um novo aporte do Tesouro, no valor de R$ 4 bilhões, na Conta de Desenvolvimento Energético, que vai bancar parte da conta extra, e será permitido que as distribuidoras emprestem R$ 8 bilhões no mercado. São esses R$ 4 bilhões do governo que os aumentos de tributos pretendem compensar.

Repasses
O governo lembra que o mercado de bebidas é livre. Desse modo, eventuais repasses da alta da tributação para o consumidor dependerão de uma decisão das empresas. Em anos anteriores, quando houve reajuste da tributação de bebidas frias, os produtores decidiram repassar a alta para os preços dos produtos finais.

Se houver esse repasse, a nova tributação das bebidas pode acabar tendo influência na inflação. Na última semana, o mercado financeiro projetou um Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 6,30% para 2014 – valor bem próximo ao teto de 6,5% do sistema de metas de inflação. Há quatro anos seguidos, a inflação no país oscila ao redor de 6%.

 

 

 

Copa trará avanço ‘zero’ ao PIB do Brasil

 

A Copa do Mundo, maior evento esportivo do planeta, planejada durante sete anos para deixar “grande legado” ao Brasil, trará efeitos “fugazes” à economia – mostra relastório da agência de classificação de risco Moody’s

Nas contas da instituição, o torneio trará ganho de riqueza da ordem de R$ 25,2 bilhões ao País. Num primeiro olhar, pode parecer bastante. Mas, pela ótica da produção de bens e serviços (PIB, o Produto Interno Bruto), o impacto é ínfimo.

O PIB consolidado do Brasil no último ano nas Contas Nacionaisem valores correntes, foi de R$ 4,838 trilhões. O avanço de riqueza calculado pela Moody’s representa apenas 0,0005% desse montante.

Ainda de acordo com o estudo, os setores de Alimentos e Bebidas, Hospedagem, Locação de carros, Telecomunicações e Publicidade serão os mais beneficiados pela visita de 3,6 milhões de turistas entre junho e julho para o evento. No entanto, os problemas de mobilidade urbana e os dias perdidos de trabalho por causa dos jogos tendem a minimizar o empurrão dado aos segmentos de Serviços.

Entre as empresas beneficiadas pelo evento, estão, naturalmente, os patrocinadores oficiais da Fifa, de acordo com o texto assinado por Barbara Mattos, Gersan Zurita e Marianna Waltz. As empreiteiras envolvidas na construção dos estádios também têm a ganhar, bem como as redes de tevê transmissoras das partidas.

 

PIB deve crescer em média 4% ao ano de 2014 a 2022

A economia brasileira deve crescer, em média, 4% ao ano entre 2014 e 2022, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. No que ele chamou de "novo ciclo da economia", os investimentos devem crescer 7% ao ano, e o PIB per capita, 33,2% no mesmo período.

Segundo Mantega, que apresentou aula magna na Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV), a economia mundial está saindo da crise e os próximos anos serão de recuperação. Mantega atingiu a marca de ministro mais longevo do país desde a retomada da democracia, ao superar oito anos no cargo.

“No novo ciclo, temos desafios para enfrentar. Brasil tem déficit de infraestrutura. A economia cresceu, mas temos deficiência que vem lá de trás. Estamos correndo contra o tempo, procurando fazer investimentos. Precisamos de investimento também em capital humano. Temos que aumentar a produtividade. Temos que reduzir custos e ter mais inovação tecnológica.”

A mudança no mercado externo também terá influência sobre esse novo ciclo. “O mercado externo é importante. Deve haver recomposição do comércio exterior, e finalmente a expansão do mercado de capitais. Tem que ser principal financiador da expansão das empresas. Daqui para a frente, a possibilidade é que venha crescer, mais IPOs (entrada de empresas na bolsa) e mais captação de recursos”, disse Mantega.

“A crise começou nos países avançados. Tiveram crescimento negativo forte. Emergentes só reduziram o ritmo de crescimento, mas tiveram recuperação rápida. Depois, tivemos outra recaída com a crise nos bancos europeus. Agora, em 2014, a economia mundial deverá crescer mais que em 2013, por isso digo que estamos saindo da crise. Nos próximos anos, haverá recuperação, mas não será tão rápida. Existe luz no fim do túnel, e estamos caminhando nessa direção”, afirmou.

O ministro lembrou que o movimento da economia é cíclico. “Sempre há ciclo de expansão que vai desembocar em crise, e depois haverá período de recessão. Economistas não conseguem cancelar essa lei capitalista inexorável. Quando a economia está em sua expansão, e quando o ciclo é de euforia, como em 2007, economistas esquecem da crise. No início de 2008, o FMI disse que a economia crescia solidamente. Isso, de fato, não se verificou.”

Oferta de títulos bem sucedida
Durante sua apresentação, o ministro afirmou que hoje o país está voltando a registrar aumento de ingresso de capital e os investimentos estão retornando para a bolsa de valores.

“Nesta semana, fizemos duas colocações de títulos no mercado. De títulos em reais, com vencimento até 2050. Houve demanda maior que oferta. Portanto, investidor confia no Brasil. Ontem colocamos um bilhão de euros. Foram adquiridos. Isso é demonstração que há confiança no Brasil. Aquelas análises [de que o país era vulnerável] pararam. O país tem potencial grande e atratividade para investidores”, disse Mantega.

 

Ministro  Borges diz que edital da BR-153 sai na próxima semana

O ministro dos Transportes, César Borges, informou, que o governo deve publicar na próxima semana o edital de concessão do trecho da Rodovia BR-153 entre Anápolis (GO) e Gurupi (TO). Segundo o ministro, o leilão deve ser realizado até 21 de maio, e a tarifa-teto deve girar em torno de R$ 8 a cada 100 quilômetros.

"Já consultei o setor e eles têm interesse nessa rodovia, então lançaremos na próxima semana o edital", afirmou Borges. O trecho entre Gurupi e Palmas será feito por meio de obra pública e não fará parte da concessão. Esse trecho foi retirado do processo para aumentar a atratividade do setor privado pela rodovia.

Segundo o ministro, o modelo será o mesmo utilizado nas concessões de rodovias feitas no ano passado, com as mesmas condições de financiamento. "O setor privado havia pedido um tempo para detalhar os estudos. Esse tempo foi dado, de três meses. E agora temos condições de lançar o edital."

O ministro não fez nenhuma previsão sobre o lançamento do edital da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), entre Lucas do Rio Verde (MT) e Campinorte (GO). Embora os estudos de viabilidade econômico-financeira já tenham sido aprovados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), Borges informou que o governo só lançará o edital quando tiver certeza de que haverá interessados na disputa. Segundo ele, o setor pediu tempo para avaliar os estudos relativos ao trecho.

"Eu quero que todos entendam o seguinte: só lançaremos editais com a certeza de sucesso e participação", afirmou. "Estamos exatamente nesse processo de negociação e conversa. Existem interessados, mas só lançaremos o edital quando os grupos interessados em participar estiverem consolidados."

 

Lucro da Caixa Econômica Federal cresce 19,2%

A Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido de R$ R$ 6,7 bilhões em 2013, cifra 19,2% superior ao resultado ajustado de 2012 em decorrência da mudança de prática contábil devido ao saldo das contas de depósitos encerradas por irregularidades cadastrais. Desconsiderando o ajuste, o crescimento teria sido de 10,8%, na mesma base de comparação. No quarto trimestre, o resultado foi de R$ 1,7 bilhão, aumento de 9,9%. A carteira de crédito ampliada da Caixa atingiu saldo de R$ 494,2 bilhões, alta de 36,8% em 2013 ante o ano anterior. A participação do banco ficou em 18,1% no mercado. Já a contratação de crédito acumulada somou R$ 406,9 bilhões no ano passado, 29,8%, na mesma base de comparação.

As contratações no segmento de crédito habitacional, principal carteira da Caixa, alcançou valor de recorde de R$ 134,9 bilhões em 2013, montante 26,4% superior ao visto no ano imediatamente anterior. Com esse resultado, a Caixa permaneceu líder no mercado, com 68,5% de participação e saldo de R$ 270,4 bilhões, que cresceu 31,4% em relação a dezembro de 2012.

No ano passado, o patrimônio líquido da Caixa aumentou em 13,8% e atingiu R$ 27,4 bilhões. O retorno sobre o patrimônio líquido médio foi de 26,2% no período. No quarto trimestre, a rentabilidade ficou em 28,0%.

Os ativos totais administrados da Caixa alcançaram R$ 1,5 trilhão ao final de 2013, sendo que do total R$ 858,3 bilhões representavam ativos próprios da instituição, expansão de 22,1% em 12 meses. O índice de Basileia do banco foi a 15,1%, aumento de 2,1 pontos porcentuais em 12 meses, acima do mínimo exigido pelo Banco Central, de 11%. O Basileia mede quanto o banco pode emprestar sem comprometer o seu capital.

"O indicador demonstra que a Caixa possui estrutura de capital adequada e suficiente para dar continuidade à implantação de sua estratégia de negócios", destaca o banco, em nota à imprensa.

 

Governo pode elevar tributos para compensar conta de luz

Para não ter uma conta de luz mais alta, os brasileiros podem ter que pagar mais em outros tributos. Segundo a Secretaria de Receita Federal, alguns podem ser elevados já no curto prazo. O objetivo é compensar o gasto adicional de R$ 4 bilhões do governo com a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), resultado do acionamento das usinas térmicas por causa da baixa nos reservatórios das hidrelétricas.

"A Receita Federal apresenta uma cesta de possibilidades para o ministro da Fazenda [Guido Mantega] e para a Casa Civil [da Presidência da República, comandada por Aloisio Mercadante]. Os estudos foram feitos e a construção de cenários foi realizada. Não temos como dizer quais impostos vão subir, mas algumas medidas estão em vias de implementação", declarou o secretário-adjunto do órgão, Luiz Fernando Teixeira Nunes, nesta terça-feira (25). Ele acrescentou que "outras medidas podem ser adotadas" no futuro.

Entre os setores que podem ser taxados pelo governo neste ano estão os cosméticos e as chamadas "bebidas frias", como cervejas e refrigerantes, além de ajustes no PIS e Cofins na importação para "recompor" a retirada do ICMS da base de cálculo dos tributos determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Estas possibilidades estão no rol de medidas apresentadas à área econômica e à Casa Civil que podem vir a ser adotadas pelo governo, disse o secretário-adjunto do Fisco.

Gasto com as térmicas
Em meados de março, o governo federal anunciou novas medidas para socorrer as distribuidoras de energia e reduzir o impacto na conta de luz pelo uso das usinas termelétricas, cuja produção é mais cara.

Para bancar esse custo, haverá um novo aporte do Tesouro, no valor de R$ 4 bilhões, e será permitido que as distribuidoras emprestem R$ 8 bilhões no mercado. São esses R$ 4 bilhões que os possíveis aumentos de tributos pretendem compensar.

Meta fiscal
A alta de tributos, segundo a Receita Federal, acontecerá para assegurar o cumprimento da meta de superávit primário – economia feita para pagar juros da dívida pública e tentar manter sua trajetória de queda – de R$ 99 bilhões para todo o setor público neste ano, o equivalente a 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB). O atingimento da meta fiscal de 2014 foi reafirmado pelo governo após o rebaixamento da nota brasileira pela agência de classificação de risco Standard & Poors (S&P).

"Em relação à Receita Federal, o compromisso é buscar fonte de financiamento necessária para cumprir o decreto orçamentário [meta fiscal de 2014] e é nesse sentido que Receita trabalha sempre. A Receita trabalha sob demanda e, dentro dela, construímos alguns cenários, fizemos alguns cálculos para gabinete do ministro [da Fazenda] e para a Casa Civil", declarou o secretário-adjunto do Fisco a jornalistas.

 

 

Crise de credibilidade da Petrobrás aprofunda incertezas

Aos 60 anos, a Petrobrás está com a saúde debilitada. Sente as dores de um endividamento de 36% de seu valor patrimonial, agravadas pela política de governo de importar combustíveis a preço acima do repassado aos consumidores, para segurar a inflação. Padece de produção estagnada de petróleo, 2,5% abaixo da prometida em 2013. E, não bastassem esses sintomas, a empresa lida agora com denúncias de corrupção relacionadas à compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, que dificultam qualquer diagnóstico dos investidores.

Neste ano, o sobe e desce das ações tende a se manter, por esses motivos e sob o impacto eleitoral. Sinais de que o mercado aposta contra o governo já foram dados. Entre terça-feira e quinta-feira, os papéis da Petrobrás subiram mais de 7,0%, com o boato não confirmado de queda da presidente Dilma Rousseff nas intenções de voto. Na sexta-feira, veio o balde d'água fria: fosse hoje a eleição, Dilma seria reeleita. E no primeiro turno. As ações mantiveram o ritmo de alta, mas bem mais lento: as preferenciais avançaram pouco mais de 1,0%.

A crise de credibilidade derrubou o preço das ações da maior empresa nacional ao nível de setembro de 2005. A cotação, aquém do preço-alvo médio apontado para 2014 (veja o gráfico), sugere potencial de valorização. Mas nem assim os papéis têm sido indicados por unanimidade pelo mercado.

Entre os analistas das corretoras Clear, Planner e Ativa e do Banco do Brasil, consultados pela reportagem, o preço-alvo das ações preferenciais da estatal variou entre R$ 14 e R$ 24.

(Preço-alvo é uma projeção usada para mensurar, com base nos fundamentos financeiros da empresa, quanto custará uma ação ao fim do ano corrente. Ou seja, estima o potencial de valorização de um papel no longo prazo.)

Aos que vetam a compra das ações, pesam o cenário político, a instabilidade financeira e as baixas perspectivas de ganhos de produção. Os mais otimistas ponderam, por outro lado, fatores favoráveis a um reajuste de preços ainda neste ano e perspectivas de recuperação de eficiência. Abaixo, a opinião de cada um deles.

Fernando Góes, da Clear Corretora. "Os preços atuais são realmente atrativos para a compra, apesar disso não recomendamos a compra. Esperamos muita volatilidade para o papel. A ação da Petrobrás está muito ligada ao cenário político e há vários problemas relacionados a isso, como o não reajuste dos combustíveis e o alto endividamento.

A eleição vai pesar bastante no desempenho das ações neste ano. Se tivermos chance da Dilma não ganhar ou se tiver segundo turno, ou qualquer tipo de notícia contra a Dilma, o mercado vai querer comprar Petrobrás e a ação sobe. Se a Dilma ganhar, principalmente em primeiro turno, a ação cai. É uma visão do mercado de que seria bom ter uma mudança na gestão da Petrobrás.

O investidor tem que ficar agora ligado o tempo todo sobre política, porque a volatilidade da Petrobrás vai estar muito relacionada às pesquisas. Dilma mostra fraqueza, Petrobrás sobe. Mostra força, Petrobrás cai. Se o governo der uma boa notícia sobre remarcação de preços, uma alta do papel poderia ser relacionada a esse isso e não só ao cenário político.

O alto endividamento tira o upside (potencial de valorização das ações) da Petrobrás, a não ser que tenha uma mudança estrutural forte sobre remarcação de preço da gasolina. A dívida tira o upside e deixa o papel pressionado para baixo.

A produção da Petrobrás não é o grande problema e tem mostrado certa neutralidade. Não tem surpreendido positivamente, o que poderia ter acontecido com o pré-sal, mas também não tem sido muito ruim. Esse não é o problema que faz a ação cair."

Luiz Francisco Caetano, da corretora Planner. "Uma coisa é o clima em que a ação está envolvida no curto prazo. Outra, o fluxo de caixa, descontados os lucros futuros da empresa, que é o método para determinação do preço justo. A não ser que você seja muito pessimista, você vai encontrar um preço-alvo consideravelmente superior a cotação e, portanto, não tem como deixar de recomendar a compra. No entanto, todos reconhecemos que o momento da empresa é complicado e delicado, em função do endividamento, de atrasos na entregas de plataformas e da produção estagnada.

Na avaliação positiva, vemos que a Petrobrás tem reservas que permitem, num futuro próximo, que a empresa tenha grande salto de produção e vendas. Mas essa capacidade de produção adicionada não é de um dia para o outro, temos uma curva de produção.

O pré-sal entra o no bolo de toda reserva. Não faz diferença se é pré-sal ou pós-sal, desde que se produza a custos razoáveis. O fato é que existem reservas muito altas a serem exploradas. As grandes questões são: quando entra em produção e qual o custo. Aí é que as avaliações variam muito e nós estamos um pouco mais pessimistas, pois vemos atrasos e custos crescentes.

O endividamento é uma questão muitíssimo séria. Mas não é preocupante do ponto de vista da solvência, não quer dizer que a Petrobrás vai falir, porque menos de 10% da dívida é de curto prazo. O problema é o custo do endividamento na proporção que ele está atingindo. O tamanho, a proporção e o custo são realmente muito preocupantes.

Vale a pena o investidor pesar que a ação preferencial foi vendida em 2010, na capitalização, a R$ 26 e hoje está no nível de R$ 13. Está na hora de se medir custos, retornos e expectativas. O discurso da empresa é muito positivo, mas ela tem falhado em cumprir as promessas, a ação caiu muito, mas não quer dizer que está barata, ela pode ter só se ajustado às perspectivas mais pessimistas. É um aviso de prudência."

 

Petrobrás cai de 12ª para 120ª em ranking

A página do jornal Financial Times na internet publicou reportagem, sobre a perda de valor de mercado das empresas de países emergentes. O texto destaca o tombo da Petrobrás. Segundo a publicação, o valor de mercado da estatal brasileira despencou e a empresa que já foi a 12ª maior do planeta há cinco anos caiu para o 120º lugar atualmente.

"Uma das maiores quedas foi da Petrobrás, a empresa petrolífera estatal brasileira. Cinco anos atrás, era a 12ª maior empresa do mundo pelo valor de mercado. Um ano atrás, era a 48ª e hoje é a 120ª maior, com um valor de mercado de US$ 76,6 bilhões", diz o texto. O levantamento feito pelo jornal diz que entre as 100 maiores empresas do mundo há apenas 11 emergentes e nenhuma é brasileira.

"Hoje, não há nenhuma empresa emergente no Top 10 (de valor de mercado do mundo) e apenas a Petrochina permanece no Top 20", diz a reportagem. A estatal chinesa do petróleo é a 16ª maior companhia com valor de mercado do mundo. Entre as demais emergentes, praticamente todas são da China: ICBC (22º), China Mobile (31º); China Construction Bank (36º); Tencent (43º); Agricultural Bank of China (51º); Bank of China (62º); China Petroleum (80º) e Sabic (87º).

Além da Petrobrás que deixou de figurar entre as 100 maiores, o banco Itaú Unibanco, a colombiana Ecopetrol e a mexicana América Móvil também caíram e não estão mais entre os 100 primeiros do ranking citado pelo FT.




 

Alta dos alimentos eleva risco de estouro do teto da meta de inflação

A disparada dos preços dos alimentos aumentou o risco de que o teto de meta de inflação, de 6,5%, acumulada em 12 meses, seja rompido já no segundo trimestre. Antes de contabilizar os estragos provocados pela seca nas regiões produtoras de alimentos, economistas consideravam que essa barreira seria ultrapassada, mas só em meados do ano.

O risco de antecipar o estouro da meta para os próximos meses ficou mais nítido ontem, após a divulgação de dois importantes índices de preços. A segunda prévia do IGP-M de março registrou inflação de 1,41%, resultado quase seis vezes maior que o obtido na segunda prévia de fevereiro (0,24%). O índice foi puxado pela disparada dos alimentos no atacado.

Também o alimento foi o vilão da inflação ao consumidor medida pelo IPC da Fipe. Na segunda quadrissemana deste mês, o índice subiu 0,68% e a alta do preço da comida respondeu pela metade da variação.

"O teto da meta de inflação pode ser rompido antes do final da Copa", afirma o diretor de pesquisa da GO Associados, Fabio Silveira. Antes de conhecer os resultados do IGP-M e do IPC da Fipe, ele projetava que a inflação em 12 meses, medida pelo IPCA, atingiria 6,8% em julho.

Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, faz coro com Silveira e aponta alguns fatores que sustentam essa previsão. "O IPCA deste mês apurado pela FGV mostra que, na ponta, a inflação ao consumidor está em 0,8%, em média, e nos últimos três dias bateu 1%." Por isso, ele acredita ser mais provável a antecipação do rompimento da meta.

Ontem, por exemplo, o departamento econômico do Itaú Unibanco reviu para cima a projeção de inflação para este mês, de 0,7% para 0,8%. "Os dados na margem estão vindo mais pressionados", diz o economista do banco, Elson Teles. Entre os focos de pressão apontados para a mudança de previsão estão a alta do preço do etanol e da gasolina e os alimentos.

"A inflação dos alimentos está pegando agora e também vai pegar no segundo semestre. E não só no Brasil", diz o economista-chefe do banco J. Safra, Carlos Kawall. No seu prognóstico, o alimento vai deixar de ajudar a inflação neste ano.

Esse foi um dos motivos pelos quais ele ampliou de 6% para 6,3% a projeção do IPCA para 2014. Assim como Silveira e Rosa, Kawall diz que o limite para o estouro do teto da meta da inflação acumulada em 12 meses ficou mais tênue. Ele projeta para julho um IPCA acumulado em 12 meses de 6,66% e para junho de 6,4%. "Mas isso pode ser antecipado", adverte.

Risco. O economista Heron do Carmo, professor da Universidade de São Paulo e um dos maiores especialistas em inflação, vê riscos maiores desencadeados pelo choque nos preços dos alimentos.

"Agora, é mais provável que a inflação supere o teto da meta este ano com uma diferença maior", afirma. Isso significa que, nas suas contas, a inflação deverá fechar 2014 bem acima de 6,5%. Além dos alimentos, o economista diz que há pressões fortes que afetam de forma quase generalizada vários grupos de preços, como os serviços e os preços administrados e de bens exportáveis, que sofrem a influência da alta do câmbio, dentro do IPCA.

Nos medicamentos, já existe um reajuste autorizado, em média de 3,5%, que começa a valer a partir do dia 31 de março. Segundo o diretor da Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico (ABCFarma), Renato Tamarozzi, o impacto será sentido pelo consumidor em abril.

 

Contas públicas pioram e governo pode apresentar déficit

Em meio ao processo de avaliação da nota de crédito do Brasil pela agência de risco Standard & Poor's, o governo se prepara para anunciar mais um resultado desfavorável das contas públicas. O chamado Governo Central, que contabiliza o desempenho das contas do Tesouro Nacional, INSS e Banco Central, deve registrar déficit no resultado de fevereiro por causa da frustração na arrecadação.

O número de fevereiro será o segundo resultado ruim divulgado depois do anúncio do bloqueio de R$ 44 bilhões nas despesas do Orçamento e do anúncio da meta fiscal de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB), medidas tomadas para reforçar a credibilidade da política fiscal brasileira e evitar o risco de rebaixamento do rating do País.

As ações para garantir o superávit do ano foram inicialmente bem recebidas, mas o anúncio da queda de 50,7% no superávit das contas do Governo Central de janeiro, poucos dias depois de lançado o pacote fiscal, renovou as incertezas e provocou um estrago no mercado financeiro, com queda da bolsa e alta dos juros e do dólar.

O resultado de fevereiro não está fechado, mas os números, até agora, apontam um déficit, afirmam fontes do governo. Os dados consolidados das contas de fevereiro serão divulgados somente nos últimos dias de março.

"Nós vamos cumprir a meta. Está absolutamente claro e é isso que vamos verificar ao longo do ano", afirmou o secretário do Tesouro, Arno Augustin, em entrevista concedida na semana passada. Ele não quis comentar sobre a possibilidade de déficit nas contas de fevereiro, mas também não negou. E reafirmou que esse resultado será melhor do que o déficit de R$ 6,6 bilhões de fevereiro de 2013.

Frustração. Fonte da área econômica informou que no último dia útil do mês, quando se concentra o pagamento de boa parte dos tributos cobrados pela Receita Federal, a arrecadação de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decepcionou, atrapalhando o cronograma de execução fiscal do Tesouro traçado por Augustin.

"Foi um ponto fora da curva", disse a fonte, que espera uma melhora da arrecadação em março, quando termina o prazo de ajuste anual do Imposto de Renda. A expectativa é de que a arrecadação do IRPJ e da CSLL seja maior do que a verificada no primeiro trimestre do ano passado, impulsionando o resultado fiscal.

Apesar da frustração da arrecadação de fevereiro com o ajuste das empresas, a área técnica avalia que a arrecadação em geral continua melhorando e que, depois do resultado de março, ficará mais fácil tirar uma "fotografia" do desempenho das receitas do governo federal. A expectativa é de recuperação. Os técnicos investigam ainda o que aconteceu no último dia do mês de fevereiro.

Incertezas. Para melhorar o humor dos investidores, que enxergam na política fiscal um dos maiores problemas da economia brasileira, o governo tinha prometido uma sequência de resultados favoráveis. Em janeiro, o superávit de R$ 12,95 bilhões do Governo Central, embora elevado, foi o mais baixo para o mês desde 2009 - em janeiro de 2013, havia sido de R$ 26,28 bilhões. As despesas do Tesouro começaram 2014 com forte aceleração e derrubaram o esforço fiscal. Para Augustin, as medidas de apoio ao setor elétrico, anunciadas na semana passada, deram clareza ao cenário fiscal para este ano.

 

Alta dos alimentos eleva risco de estouro do teto da meta de inflação

A disparada dos preços dos alimentos aumentou o risco de que o teto de meta de inflação, de 6,5%, acumulada em 12 meses, seja rompido já no segundo trimestre. Antes de contabilizar os estragos provocados pela seca nas regiões produtoras de alimentos, economistas consideravam que essa barreira seria ultrapassada, mas só em meados do ano.

O risco de antecipar o estouro da meta para os próximos meses ficou mais nítido ontem, após a divulgação de dois importantes índices de preços. A segunda prévia do IGP-M de março registrou inflação de 1,41%, resultado quase seis vezes maior que o obtido na segunda prévia de fevereiro (0,24%). O índice foi puxado pela disparada dos alimentos no atacado.

Também o alimento foi o vilão da inflação ao consumidor medida pelo IPC da Fipe. Na segunda quadrissemana deste mês, o índice subiu 0,68% e a alta do preço da comida respondeu pela metade da variação.

"O teto da meta de inflação pode ser rompido antes do final da Copa", afirma o diretor de pesquisa da GO Associados, Fabio Silveira. Antes de conhecer os resultados do IGP-M e do IPC da Fipe, ele projetava que a inflação em 12 meses, medida pelo IPCA, atingiria 6,8% em julho.

Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, faz coro com Silveira e aponta alguns fatores que sustentam essa previsão. "O IPCA deste mês apurado pela FGV mostra que, na ponta, a inflação ao consumidor está em 0,8%, em média, e nos últimos três dias bateu 1%." Por isso, ele acredita ser mais provável a antecipação do rompimento da meta.

Ontem, por exemplo, o departamento econômico do Itaú Unibanco reviu para cima a projeção de inflação para este mês, de 0,7% para 0,8%. "Os dados na margem estão vindo mais pressionados", diz o economista do banco, Elson Teles. Entre os focos de pressão apontados para a mudança de previsão estão a alta do preço do etanol e da gasolina e os alimentos.

"A inflação dos alimentos está pegando agora e também vai pegar no segundo semestre. E não só no Brasil", diz o economista-chefe do banco J. Safra, Carlos Kawall. No seu prognóstico, o alimento vai deixar de ajudar a inflação neste ano.

Esse foi um dos motivos pelos quais ele ampliou de 6% para 6,3% a projeção do IPCA para 2014. Assim como Silveira e Rosa, Kawall diz que o limite para o estouro do teto da meta da inflação acumulada em 12 meses ficou mais tênue. Ele projeta para julho um IPCA acumulado em 12 meses de 6,66% e para junho de 6,4%. "Mas isso pode ser antecipado", adverte.

Risco. O economista Heron do Carmo, professor da Universidade de São Paulo e um dos maiores especialistas em inflação, vê riscos maiores desencadeados pelo choque nos preços dos alimentos.

"Agora, é mais provável que a inflação supere o teto da meta este ano com uma diferença maior", afirma. Isso significa que, nas suas contas, a inflação deverá fechar 2014 bem acima de 6,5%. Além dos alimentos, o economista diz que há pressões fortes que afetam de forma quase generalizada vários grupos de preços, como os serviços e os preços administrados e de bens exportáveis, que sofrem a influência da alta do câmbio, dentro do IPCA.

Nos medicamentos, já existe um reajuste autorizado, em média de 3,5%, que começa a valer a partir do dia 31 de março. Segundo o diretor da Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico (ABCFarma), Renato Tamarozzi, o impacto será sentido pelo consumidor em abril.

 

Brasil terá crescimento em 2014 semelhante ao de 2013

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, disse,  na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, que o crescimento da economia brasileira em 2014 deve seguir ritmo semelhante aos observado em 2013.No último ano, o PIB(produção de bens e serviços) avançou 2,3%  

De acordo com a autoridade monetária, a atividade econômica foi marcada em 2013 por uma alteração na composição das demandas, com aumento dos investimentos e moderação do consumo das famílias.

"Essa mudança contribui para sustentabilidade do crescimento", disse. "O crescimento em 2014 deve permanecer próximo do patamar verificado no ano passado e seguirá sustentado por emprego e ampliação moderada do credito."

Para Tombini, há indicadores que apontam para a melhora da competitividade da indústria, o que representa uma mudança em relação a anos anteriores. Após dois meses de queda, a produção industrial mostra recuperação neste começo de ano

"Aumentar a produtividade é fundamental para a indústria aproveitar oportunidades no mercado nacional e internacional", completou.

Tombini destacou que há mudanças na composição na demanda e também na oferta agregada, mas ponderou que os ganhos delas decorrentes depende da confiança das empresas e das famílias.

"Os avanços dos investimentos em logística e infraestrutura tendem a se traduzir em ganhos de produtividade para economia brasileira", disse.

Tombini destacou o programa de leilões concessões de infraestrutura para ampliar investimentos e disse que essas iniciativas visam tornar a economia mais competitiva.

"Ao contrário de economia avançadas, o Brasil precisa avançar em infraestrutura e qualificação de mão-de-obra. Por isso, as oportunidades e o retorno aqui são maiores", avaliou.

Crise internacional e inflação. Tombini entende que o Brasil reage a volatilidade global de forma "clássica e técnica". O comentário faz alusão a subida dos juros básicos (taxa Selic) na economia. Entre abril de 2013 e fevereiro de 2014, mês da última reunião do Comitê de Política Monetária do BC, eles avançaram de 7,25% para 10,75%

"Estamos apertando a política monetária para garantir que a inflação convirja para a trajetória de metas", afirmou.

O presidente do BC citou o recuo dos preços livres nos últimos meses e a elevação dos preços administrados no período para destacar que está em curso um realinhamento desses preços. "Isso ocorreu em um contexto de depreciação cambial que superou 15% nos últimos 12 meses. Essa depreciação é fonte de pressão inflacionária no curto prazo, mas efeitos mais longos podem e devem ser contidos pela política monetária", frisou.

Tombini ainda explicou aos senadores, em referência as reservas internacionais, que o país está usando "colchões" para proteger a economia e suavizar o ajuste de preços relativos e seus impactos na economia real.

"Há normalização das condições monetárias e, consequentemente, realinhamento dos preços dos principais ativos financeiros, o que naturalmente gera aumento da volatilidade em todos os mercados", disse. "Mas isso não deve ser confundido com volatilidade de economias emergentes."

 

 

BB patrocina a Williams de Felipe Massa

Mais do que conquistar clientes entre os 77 milhões de brasileiros que acompanham a Fórmula 1, o Banco do Brasil espera que o retorno do patrocínio à escuderia Williams, anunciado neste início da temporada 2014, seja revertido na internacionalização da marca do banco e na consequente capitalização de clientes em outros países.

Para isso, a instituição financeira usará as contrapartidas a que tem direito como patrocinador para agradar aos potenciais clientes do banco. "Vamos aproveitar os GPs (Grandes Prêmios) para aprimorar o relacionamento com potenciais clientes nos lugares onde já existe a rede de distribuição do banco", disse José Avelar Lopes, gerente executivo de programação mercadológica e marketing esportivo do BB.

A marca do maior banco brasileiro foi exibida pela primeira vez na madrugada de sábado para domingo na primeira corrida da temporada, em Melbourne, na Austrália. Além da exposição no FW36, o carro da equipe, a marca aparece no macacão dos pilotos. Ao todo, a Fórmula 1 é transmitida para 185 países diferentes.

O brasileiro Felipe Massa, que não completou a prova, e o finlandês Valtteri Bottas, que terminou em sexto, são os pilotos titulares da Williams. O patrocínio do BB permitiu que o também brasileiro Felipe Nasr virasse piloto reserva da equipe. O BB patrocina Nasr desde 2012, na GP2. "Para entrar na elite do automobilismo, é preciso, além de talento, investimentos para o desenvolvimento do carro", afirma Lopes. O BB não revela o valor do patrocínio.
Com 21 anos, o brasileiro, que disputou a GP2 em 2013 e foi campeão da F3 inglesa em 2011, se orgulha de ser o piloto de teste da equipe inglesa. Ele espera que o patrocínio do banco no automobilismo seja tão "pé quente" como é em outras modalidades. O histórico mostra que o BB começou a patrocinar vôlei, futsal e handebol um ano antes de vitórias importantes para as equipes. O mesmo aconteceu com o tenista Guga.

Mesmo com o patrocínio à escuderia, o automobilismo não se tornou a modalidade que mais recebe recursos do BB - lugar ocupado pelo vôlei, com patrocínio desde 1991. A Williams também será patrocinada pela Petrobrás, que fornecerá combustíveis para a escuderia a partir de 2015.

O BB pretende ultrapassar a marca de R$ 100 milhões em patrocínios esportivos neste ano. Além de vôlei de quadra e de praia, futsal, o velejador Robert Scheidt e o piloto Felipe Nasr, o banco decidiu amparar handebol e skate, além de três jovens atletas do tênis "chancelados" pelo tenista Guga e do velejador Bruno Prada, que competirá nos Jogos do Rio. Os novos investimentos foram feitos via Lei de Incentivo ao Esporte, que garante benefício fiscal, com impacto praticamente nulo no resultado financeiro do banco.

 

Ministro Carvalho critica 'terrorismo' no setor de energia

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, afirmou que o governo está acostumado a viver "uma espécie de terrorismo que se faz em cima da questão de que vai faltar energia". Carvalho deu a declaração ao ser indagado por jornalistas sobre se o ponto fraco do governo era o abastecimento energético.

No Sudeste e Centro-Oeste, onde estão as represas responsáveis por cerca de 70% da capacidade de geração de energia no Brasil, o armazenamento de água é o mais baixo desde 2001, ano em que foi decretado racionamento. Essa situação é provocada pela falta de chuvas – em fevereiro, a quantidade de água que chegou aos reservatórios daquelas regiões foi a menor em 84 anos.

Carvalho admitiu que, neste ano, "as condições climáticas assustaram mais", mas, segundo ele o governo vem tomando as medidas para garantir o abastecimento "sem solavancos".

"A gente está acostumado a viver com uma espécie de terrorismo que se faz em cima da questão de que vai faltar energia, de que vai ter problema [...] A realidade combate o terrorismo. A realidade vai mostrando que o sistema elétrico é muito mais sólido, ainda que se precise fazer mais uso de termas etc. Você consegue suprir o país naquilo que ele precisa em termos de energia, sem os solavancos, sem algumas profecias do terrível que algumas pessoas teimam em realizar todo início de ano”, disse.

“É sempre assim... Problemas nos reservatórios, já se começa a fazer terrorismo”, continuou Carvalho.  “Claro, temos de cuidar da manutenção, da distribuição. Tivemos neste ano de recorrer mais às térmicas, mas o sistema continua funcionando e vai continuar funcionando, porque é um governo responsável”, disse.

O ministro conclui afirmando que aqueles que "previram o caos" no setor energético vão "quebrar a cara".

"Eu tenho certeza de que de novo que aqueles que previram o caos vão quebrar a cara mais uma vez. Parece que não aprendem."

Socorro para distribuidoras de energia
O governo federal anunciou novas medidas para socorrer as distribuidoras de energia e reduzir o impacto na conta de luz pelo uso das usinas termelétricas, cuja produção é mais cara.

Para bancar esse custo, haverá um novo aporte do Tesouro, no valor de R$ 4 bilhões, e será permitido que as distribuidoras emprestem R$ 8 bilhões no mercado. Além disso, será realizado um novo leilão de energia no mês que vem.

O montante de R$ 12 bilhões anunciado nesta quinta será rateado entre o governo, consumidores e agentes do setor. Mas a parte da fatura que deverá ser repassada à conta de luz, estimada atualmente em R$ 8 bilhões, só será cobrada a partir de 2015, informou o Ministério de Minas e Energia.

Isso porque a definição da tarifa é feita uma vez ao ano e só no final de 2014 será realizada uma avaliação do quanto será necessário aumentar na conta para suprir o rombo do setor.

Energia mais cara
As termelétricas foram acionadas para complementar o fornecimento das hidrelétricas, que enfrentam nível baixo pela falta de chuva neste ano. Porém, o custo da produção dessas usinas– que geram energia por meio da queima de combustíveis como óleo, gás, carvão e biomassa - é mais alto.

Apesar de ainda não haver uma definição do quanto será gasto com o uso delas neste ano, a expectativa é de que essa fatura supere a do ano passado, que foi de cerca de R$ 9,5 bilhões. Ela foi bancada integralmente pelo Tesouro, que decidiu repassá-la totalmente aos consumidores, num prazo de cinco anos.

 

Queixas contra serviços bancários aumentaram 76%

As queixas contra serviços bancários aumentaram 76% em 2013. Em 2012, foram 15,6 mil queixas. Média de 42 reclamações por dia. Em 2013, o número subiu para 27,5 mil - 75 queixas por dia. Um crescimento de 76%.

No fim do ano passado, o analista de marketing, Alexandre Gomes, passou por um constrangimento. Mesmo depois de pagar as dívidas, o banco não comunicou o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e ele continuou com o nome sujo. "Foi uma surpresa e muito negativa, fiquei realmente chateado”, diz o analista de marketing, Alexandre Gomes.

As principais reclamações de clientes no ano passado foram débito não autorizado, informações incompletas e cobranças irregulares. O ranking revela uma tendência: 2014 está só no início e a média em janeiro já chegou a 70 reclamações por dia. Os débitos não-autorizados continuam liderando o levantamento do Banco Central. Existe regra para o que banco pode ou não pode cobrar. Informação que vale ouro quando o cliente decide que reclamar.

Todo o cliente que possui conta corrente tem direito aos seguintes serviços de graça por mês:

- Quatro saques;
- Dois extratos mensais;
- Duas transferências entre contas no próprio banco;
- Cartão inicial com função de débito;
- E não há limite para consulta na internet.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Distrito Federal, diz que registrar a reclamação é importante, pois ajuda na fiscalização.

“O primeiro passo então é buscar o serviço de atendimento ao consumidor, que é o SAC, que deve num prazo de cinco dias dar uma resposta satisfatória e efetiva ao consumidor. Não resolvendo, temos três outros caminhos: Banco Central, Procon e a busca ao poder judiciário para ver resolvida a sua situação”, fala o presidente comissão de direito do consumidor da OAB/DF, Fernando Martins de Freitas.

O analista de marketing Alexandre Gomes, cumpriu todas as etapas. No fim, o banco reconheceu o erro e ele foi indenizado. “A gente tem que ir atrás, correr, para conseguir os nossos direitos porque infelizmente hoje em dia atendimento, bom atendimento a gente está precisando muito”, explica.

Para a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), as reclamações aumentaram porque cresceu o número de clientes no país. Foram abertas 48 milhões de novas contas. Para diminuir as queixas, os bancos dizem que estão aperfeiçoando os canais de atendimento aos clientes.

 

Brasil terá 16 mil voos extras na Copa

As companhias aéreas nacionais aumentaram em 9,7% o volume de passagens ofertadas no período da Copa apenas para as cidades-sede do mundial. Com isso, da véspera da abertura da competição, que será realizada em 12 de junho, ao dia seguinte à final do Mundial, em 13 de julho, Azul, Avianca, Gol e TAM poderão transportar juntas 7,2 milhões de passageiros apenas para as cidades que receberão os jogos.

Os dados fazem parte de um levantamento feito pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) e consideram voos domésticos e internacionais, regulares e os voos extras, incluindo os fretados nacionais, operados pelas associadas. Foram considerados os voos realizados no período de 36 horas antes ou após cada partida.

O presidente da Abear, Eduardo Sanovicz, salientou que serão oferecidos 645.680 assentos extras em mais de 16 mil voos extras, o que corresponde a um incremento de 31,2% no total de voos realizados no período. "E considerando que parte importante do público corporativo não vai existir, a oferta é ainda maior", salientou.

Em média, entre 70% e 75% das viagens aéreas no País são realizadas por motivo de negócios. Em 2013, a Abear estima que dos cerca de 6,5 milhões de assentos regulares oferecidos de 11 de junho a 14 de julho, cerca de 20% a 25% foram para passageiros corporativos, que não voarão a negócios no mesmo período este ano. "São pessoas que voaram nessa data no ano passado, o que não vai ocorrer em 2014, porque será feriado ou porque o evento de negócio foi adiantado ou postergado por causa da Copa."

Entre as 12 cidades-sede, o maior incremento no volume de passagens oferecidas foi para Natal, de 28,3%, seguido de Fortaleza, com alta de 21%, e Salvador, com 19,1%. "São destinos onde o tráfego corporativo é menor, portanto há um aumento proporcionalmente maior", explicou Sanoviz. Já Curitiba, considerado um destino mais relacionado a negócios, teve um aumento de apenas 2% na oferta de assentos.

Em São Paulo, o volume de assentos ofertados teve elevação de 9%, considerando os voos operados nos aeroportos de Congonhas, Guarulhos e Viracopos. O crescimento na oferta de passagens na capital paulista é inferior ao visto no Rio de Janeiro (11,3%) e em Brasília (17,9%). Sanovicz explicou que, nesses casos, a oferta de bilhetes e voos adicionais leva em conta tanto a demanda estimada para os jogos e viagens a negócios quanto o fato de essas cidades serem centros de conexão.

As empresas aéreas têm minimizado as preocupações quanto a um potencial caos aéreo durante a Copa e avaliam que o movimento extra durante a competição será semelhante a períodos de pico de demanda, como as festas de final de ano e o carnaval. "O movimento em Salvador ou no Rio de Janeiro deverá ser menor na Copa do que no carnaval", comentou o consultor técnico da Abear, Adalberto Febeliano.

Sanovicz disse que o volume de bilhetes ofertados ainda pode ser alterado, dependendo do avanço da competição e da maior ou menor popularidade dos jogos das etapas seguintes. "As companhias ainda têm aeronaves de reserva para mais alguns voos."

 

Produção de veículos volta a crescer em fevereiro

A produção de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no mercado brasileiro somou 281.452 unidades em fevereiro, alta de 18,7% na comparação com janeiro e avanço de 16,9% ante fevereiro de 2013, divulgou a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Com o resultado, a produção acumula queda de 2,7% nos dois primeiros meses do ano, sobre igual período de 2013, para 518.638 unidades. Em janeiro, a produção havia registrado queda de 18,7% na comparação com 2013 e crescimento de 2,9% ante dezembro.

Considerando apenas automóveis e comerciais leves, a produção em fevereiro chegou a 262.703 unidades, alta de 18,8% na comparação com janeiro e alta de 17,3% ante fevereiro do ano passado. No mês passado, foram produzidos 213.276 automóveis e 49.427 comerciais leves.

A produção de caminhões atingiu 15.041 unidades em fevereiro, alta de 9,8% na comparação com janeiro e alta de 8,5% ante fevereiro de 2013. No caso dos ônibus, foram produzidas 3.708 unidades em fevereiro, alta de 54,4% na comparação com janeiro e alta de 23,1% ante fevereiro do ano passado.

As vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus atingiram 259.328 unidades em fevereiro, recuo de 17,0% na comparação com janeiro e avanço de 10,3% ante fevereiro de 2013. No acumulado de janeiro a fevereiro deste ano, os emplacamentos chegaram a 571.946 unidades, alta de 4,6% sobre igual período do ano passado.

12 meses. Se considerados os últimos 12 meses encerrados em fevereiro deste ano, a produção de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no mercado brasileiro somou 3,70 milhões de unidades. O resultado é 5,5% superior a igual período imediatamente anterior, ou seja, de março de 2012 a fevereiro de 2013, quando foram produzidos 3,51 milhões de veículos.

Pelo lado das vendas, contudo, o resultado dos últimos 12 meses até fevereiro é 1,0% inferior ao registrado no mesmo período anterior. De março de 2013 a fevereiro de 2014, foram emplacados 3,79 milhões de veículos. No período anterior, o total de automóveis vendidos havia sido de 3,83 milhões.

Com relação às vendas internas de máquinas agrícolas, o acumulado dos últimos 12 meses chega a 80,8 milhões de unidades até fevereiro, alta de 11,6% sobre mesmo período encerrado em fevereiro de 2013.

Exportação. As exportações em valores do setor automotivo brasileiro somaram US$ 981,480 milhões em fevereiro, alta de 9,3% na comparação com janeiro e recuo de 8,0% ante fevereiro de 2013.

As exportações acumuladas de janeiro a fevereiro movimentaram US$ 1,879 bilhão, queda de 10% ante igual período de 2013. Os valores consideram as exportações de autoveículos e máquinas agrícolas.

O mês de fevereiro encerrou com 28.843 automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus exportados, alta de 26,5% na comparação com janeiro e queda de 9,1% ante fevereiro de 2013.

No acumulado de janeiro a fevereiro deste ano foram exportadas 51.640 unidades de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, queda de 24% sobre igual período de 2013.

 

 

Termômetro mostra mercado mais satisfeito com BC

Em um período marcado por indicadores e decisões fundamentais de política econômica, o mercado financeiro encerrou fevereiro com uma avaliação mais positiva sobre a gestão do Banco Central do que sobre o desempenho do Ministério da Fazenda.

Questionados sobre a avaliação da gestão do BC em fevereiro, de uma forma geral, os agentes do mercado deram nota média de 6,5, em uma escala de zero a dez. No mesmo quesito, a Fazenda recebeu nota 4,8.

Neste primeiro levantamento, 49 instituições responderam os questionários enviados pelo AE Dados, durante o período de 21 a 28 de fevereiro.

A comunicação do BC com o mercado (6,4) também teve nota mais elevada do que a comunicação da Fazenda (5,3).

A condução da política cambial foi o ponto forte da atuação do Banco Central em fevereiro, conforme o resultado do Termômetro, ao conseguir nota de 6,9. A política monetária praticada pela autoridade registrou nota de 6,6.

No caso da Fazenda, a gestão da política fiscal obteve avaliação média de 4,9.

O mês passado concentrou divulgação de informações e dados decisivos para a formação das expectativas do mercado financeiro. No dia 20 de fevereiro, logo antes do início da coleta da sondagem, o governo anunciou um corte de R$ 44 bilhões no orçamento da União, com compromisso de meta fiscal de R$ 99 bilhões, o equivalente a 1,9% do PIB.

No dia 26, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir o ritmo de alta do ciclo de aperto monetário e elevou a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, para 10,75% ao ano.

Além disso, no dia 27, foi divulgada a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013, de 2,3%.

Confira abaixo os resultados do Termômetro, com as perguntas sobre a atuação do BC e da Fazenda e as notas obtidas pela média simples das respostas, arredondadas na primeira casa decimal:

Qual a avaliação que o sr(a) faz sobre a gestão do Ministério da Fazenda, DE FORMA GERAL, neste mês?

4,8

Qual a avaliação que o sr(a) faz sobre a atuação do Ministério da Fazenda na condução da POLÍTICA FISCAL neste mês?

4,9

Qual a avaliação que o sr(a) faz sobre a COMUNICAÇÃO do Ministério da Fazenda neste mês?

5,3

Qual a avaliação que o sr(a) faz sobre a gestão do Banco Central do Brasil, DE FORMA GERAL, neste mês?

6,5

Qual a avaliação que o sr(a) faz sobre o Banco Central do Brasil na condução da POLÍTICA MONETÁRIA neste mês?

6,6

Qual a avaliação que o sr(a) faz sobre o Banco Central do Brasil na condução da POLÍTICA CAMBIAL neste mês?

6,9

Qual a avaliação que o sr(a) faz sobre a COMUNICAÇÃO do Banco Central do Brasil neste mês?

6,4

 

 

Faturamento do varejo em São Paulo cresce 4,2% em 2013

O varejo paulista faturou R$ 513,2 bilhões em 2013, resultado que representa avanço de 4,2% sobre o conseguido em 2012. Só no mês de dezembro, o faturamento chegou a R$ 52,1 bilhões, aumento de 3,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Os dados fazem parte da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) em parceria com a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz).

O destaque positivo do ano passado ficou com o setor de supermercados, cujo faturamento real aumentou em R$ 5,8 bilhões de 2012 para 2013. Na outra ponta, as lojas de departamentos diminuíram em R$ 5,1 bilhões o faturamento no ano passado.

A FecomercioSP considera que o ano de 2013 começou com um cenário complicado para o varejo com inflação alta, renda e crédito represados e alta no número de endividados. "Nesse quadro, o desempenho do comércio no ano passado teria sido pior não fosse a adoção de vários estímulos ao consumo pelo governo federal", afirma a instituição, em nota, ao citar a redução da alíquota da IPI para veículos e eletrodomésticos, as linhas de financiamento do programa Minha Casa Melhor e redução de juros para pessoa física pelos bancos públicos.

Cidades. A cidade de São Paulo registrou alta de 4,5% no ano passado no faturamento do varejo, ao movimentar R$ 161,2 bilhões. No mês de dezembro, a elevação foi de 5% na comparação com o mesmo período de 2012. O destaque no ano na capital paulista ficou com as concessionárias de veículos, que viram a receita aumentar em R$ 4,6 bilhões no ano.

A região que obteve maior aumento de faturamento do comércio em 2013, entre as 16 analisadas na pesquisa, foi a de Guarulhos, com alta de 20,9% sobre 2012. A cifra acumulada no ano passado em Guarulhos chegou a R$ 29,1 bilhões. Na sequência vem a região de Sorocaba, que chegou a R$ 25,2 bilhões de faturamento, alta de 13,1% sobre 2012.

Já os piores resultados foram observados na região de Campinas (queda de 0,5% no faturamento anual, para R$ 48,2 bilhões) e no Litoral (queda de 4,2%, para R$ 17,8 bilhões).

 

Ciclo de aperto do BC pode ter acabado

A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de fevereiro, divulgada pelo Banco Central, deixa espaço para mais uma elevação de 0,25 ponto porcentual na taxa básica de juros (Selic) na reunião de abril. O aumento, no entanto, vai depender dos dados de inflação e câmbio divulgados até lá, avalia a economista e sócia da Tendências Consultoria Integrada, Alessandra Ribeiro. "Se tivermos cenário favorável de câmbio e inflação, avalio que o BC já encerrou o ciclo", destaca.

"O fato de não ter grandes mudanças na parte sobre implementação da política monetária sugere que o Banco Central quer deixar o espaço aberto para mais um ajuste, se necessário, dependendo dos dados", reforçou Alessandra. "Os sinais, embora sutis, mostram que o ajuste está próximo do fim, só com uma eventual alta derradeira em abril, se algo de câmbio ou inflação sair um pouco do controle", diz a economista.

Alessandra destaca, entre as mudanças da ata, dois pontos principais: a avaliação "ligeiramente melhor com relação à inflação ao destacar alguma moderação" e a adição da palavra "cumulativos" para se referir aos efeitos da política monetária. "Ao colocar o termo ''cumulativos'', querem mostrar que já foi feito um grande esforço e que isso terá efeito ao longo do tempo", avaliou.

 

Interior gera mais empregos com carteiras assinadas

O interior do Brasil ultrapassou as áreas metropolitanas e criou mais empregos com carteira assinada em 2013. As grandes cidades lideravam a abertura de postos formais no País desde 2005, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.

Os números do Caged revelam que o interior de nove Estados (Pará, Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul) foi responsável pela abertura de 340.881 postos formais na série sem ajuste, enquanto as áreas metropolitanas empregaram 211.190 pessoas. Apesar de o levantamento não abranger todo o País, a representatividade desses Estados é expressiva. Juntos, foram responsáveis por 552.071 empregos formais, de um total de 730.687 criados no Brasil em 2013.

A vitória do interior também ocorre na análise da série ajustada de 2013. Nesse recorte, o interior criou 465.542 empregos, e as áreas metropolitanas, 331.229 postos. A série sem ajuste é a preferida pelo governo e engloba as informações enviadas pelas empresas sobre admissões e desligamentos para o governo dentro do prazo estabelecido.

A análise detalhada dos números da série sem ajuste do emprego formais feita pela LCA Consultores mostra que, dos cinco grandes setores empregadores da economia, quatro tiveram melhor desempenho no interior: indústria, construção, comércio e serviços (ver quadro). A exceção foi a agricultura, mas o desempenho ruim pode ser explicado pela baixa participação das grandes cidades nesse setor.

Um forte fator que contribuiu para a superioridade do interior no ano passado é a política de reajuste real do salário mínimo. Cidades menores costumam depender mais do mínimo para manter a economia local aquecida. Em 2013, a alta real foi de 2,7%, acima do 1,8% do ganho real do trabalhador médio do Brasil apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"O salário mínimo também é um indexador de quem é beneficiários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Dois terços dos previdenciários têm o salário ligado ao mínimo, o que beneficia em boa medida o interior", diz Fabio Romão, economista da LCA. "Em várias cidades do Nordeste e Norte faz muita diferença ter um beneficiário do INSS no domicílio. Ele continua contribuindo com a família, inclusive para o sustento até dos netos."

Impacto. É justamente o impacto do mínimo, aumentando o poder de consumo, que pode explicar o bom desempenho da indústria no interior - o setor criou 61.097 empregos formais em 2013 na série sem ajuste, acima dos 27.079 abertos em 2012. Nas áreas metropolitanas, houve retração de 163 nos postos.

O interior concentra boa parte da indústria voltada para a produção de bens não duráveis, setor mais resiliente à variação de renda, mas também mais impactado pelo reajuste do mínimo. No ano passado, por exemplo, a indústria de alimentos e bebidas contratou 21.268 empregados no interior e 13.240 em áreas metropolitanas.

O setor de construção também ajudou a impulsionar o interior dos Estados. O programa habitacional do governo federal Minha Casa, Minha Vida 2 beneficia brasileiros com menor renda, cuja maioria está no interior. Além disso, o boom do setor começou nas áreas metropolitanas e a desaceleração, ao longo dos últimos anos, atinge naturalmente essas regiões primeiro.

A desaceleração das áreas metropolitanas não foi apenas apontada pelo Caged. Embora não apure somente o emprego com carteira de trabalho, a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada mensalmente pelo IBGE e concentrada em seis regiões metropolitanas (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio, São Paulo e Porto Alegre), apontou em 2013 uma desaceleração no ano passado da população ocupada nesses locais. A alta foi de apenas 0,7% em relação a 2012, para 23,116 milhões de pessoas - a menor variação já registrada pela pesquisa em toda a série histórica.

"Desde o ano passado, a região metropolitana mostra um nível de contratação mais baixo", diz Fernando de Holanda Barbosa Filho, economista e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

Na avaliação do pesquisador, um dos fatores que pode estar limitando a criação mais forte de emprego nas áreas metropolitanas é o desempenho mais fraco do consumo. Dessa forma, grandes setores empregadores, como serviços e comércio, estão sendo afetados e abrindo menos postos.

 

Preços de medicamentos poderão ser reajustados em março

Os preços de medicamentos poderão ser reajustados a partir de 31 de março, segundo autorização da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), conselho de governo formado por vários ministérios, sob a liderança do Ministério da Saúde. A decisão está em resolução publicada no Diário Oficial da União (DOU) que estabelece os critérios de composição de fatores para o ajuste de preços dos produtos.

De acordo com o documento, os novos valores devem ter como referência o Preço Fabricante (PF) cobrado a partir de 31 de março de 2013. O texto também fixa em 4,66% o fator de produtividade para 2014, mecanismo que permite repassar ao consumidor, por meio dos preços dos medicamentos, projeções de ganhos de produtividade das empresas fabricantes de remédios.

A resolução explica que "o ajuste de preços de medicamentos será baseado em um modelo de teto de preços calculado com base em um índice, um fator de produtividade, uma parcela de fator de ajuste de preços relativos intrassetor e uma parcela de fator de ajuste de preços relativos entre setores". "O índice a ser utilizado será o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acumulado no período de março de 2013 até fevereiro de 2014", cita o texto.

Depois da publicação oficial da inflação medida pelo IPCA de fevereiro deste ano, a Cmed editará resolução específica para definir o Preço Fabricante e o Preço Máximo ao Consumidor dos medicamentos e também a forma de apresentação de Relatório de Comercialização pelas empresas produtoras e outras providências necessárias à execução do ajuste dos preços.

 

Mantega prevê PIB  de 2014 maior

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou o desempenho da economia no quarto trimestre de 2013, que registrou expansão de 0,7% - acima das expectativas do mercado e da assessoria econômica do ministério. Ele destacou que o resultado anualizado representa um crescimento de 2,8%.

O ministro disse ainda que espera um crescimento sustentável em 2014, "que pode ser um pouco maior do que o de 2013". A projeção oficial do governo é de uma expansão de 2,5% neste ano. Já o mercado projeta alta de 1,7%, segundo a pesquisa Focus.

De acordo com Mantega, com maior confiança do consumidor e também do investidor, pode haver uma liberação maior de crédito no País. Ele observou que a inadimplência caiu recentemente no Brasil e que "isso habilita o consumidor a obter mais crédito".

Ataxa de inadimplênica no crédito livre ficou em 4,8% em janeiro deste ano, nível superior ao porcentual de dezembro de 2013, que foi de 4,7%. Para pessoa física, no entanto, houve recuo de 6,7% para 6,6% na comparação mensal. Para as empresas, passou de 3,1% para 3,2%. Já a inadimplência do crédito direcionado ficou estável em 0,9% em janeiro.

 

Para o ministro, um dado positivo foi que as exportações cresceram mais que as importações no quarto trimestre de 2013 e contribuíram para crescimento do PIB. Ele reconheceu que este fato só ocorreu no final do ano, mas avaliou que pode sinalizar uma mudança para 2014.

Mantega destacou também que a alta do último trimestre do ano foi puxada pelos setores de serviço e de comércio, com estabilidade na agricultura. "De fato neste período do ano a agricultura cresce pouco", disse. 

 

Vendas reais dos supermercados subiram 4,5% em janeiro

As vendas reais dos supermercados no Brasil subiram 4,5% em janeiro ante igual mês de 2013, num resultado considerado positivo pela associação que representa o setor, Abras.

Segundo o presidente do Conselho Consultivo da entidade, Sussumu Honda, o avanço foi impactado pela massa de rendimento médio do trabalhador, que cresceu 3,3% em janeiro sobre o mesmo período do ano passado.

Ele também citou uma base de comparação fraca para justificar o resultado. "No início do ano passado as vendas começaram a crescer de forma mais lenta e só ganharam maior ritmo a partir de julho, beneficiadas pela redução do ritmo da inflação de alimentos e também pelo impacto da desoneração da cesta básica", afirmou.

Na comparação com dezembro, houve queda de 20,85% nas vendas reais do setor supermercadista em janeiro.

No mês passado, a Abras afirmou esperar um avanço de cerca de 3% para as vendas reais em 2014, após um crescimento de 5,36% registrado no ano passado.

Preços
A cesta AbrasMercado, composta por 35 produtos de amplo consumo pesquisados pela GfK, teve alta de 4,47% em janeiro sobre o mesmo mês de 2012, e de 1,15% sobre dezembro, chegando a chegando a R$ 364,51.

Os produtos com maior alta em relação ao último mês de 2013 foram cebola (+16,40%), carne traseiro (+6,63%) e arroz (+4,29%). Na outra ponta, as maiores quedas foram sofridas por farinha de mandioca (-4,68%), leite longa vida (-4,17%) e tomate (-3,79%).

 

 

Arrecadação recorde de impostos soma R$ 123,7 bilhões

A arrecadação de impostos e contribuições federais bateu recorde em janeiro deste ano, informou a Receita Federal. Foi alcançado o montante de R$ 123,667 bilhões no último mês.

A marca histórica mensal anterior era justamente de janeiro do ano passado, de R$ 122,548 bilhões, em valor corrigido pelo IPCA. A alta em relação ao mesmo mês de 2013, ajustada à inflação do período, foi de 0,91%. Já sobre dezembro, o avanço real foi de 3,91%.

O resultado da arrecadação federal no último mês ficou dentro do intervalo das expectativas dos especialistas consultados. As apostavam variavam de R$ 108,000 bilhões a R$ 129,670 bilhões. O resultado, no entanto, ficou abaixo da mediana estimada, de R$ 124,600 bilhões.

A arrecadação das chamadas receitas administradas pela Receita Federal somou R$ 117,136 bilhões no mês passado. As demais receitas (taxas e contribuições recolhidas por outros órgãos) foram de R$ 6,531 bilhões.

Segundo o secretário-adjunto da Receita Federal, Luiz Fernando Teixeira Nunes, o Fisco espera um crescimento real entre 3% e 3,5% das receitas administradas pelo órgão em 2014. Já a expectativa de crescimento nominal da arrecadação dessas receitas no ano, segundo ele, é de 8,4%.

Pessoas jurídicas e físicas. A Receita Federal arrecadou R$ 22,289 bilhões com o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e R$ 11,669 bilhões com a Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL) em janeiro. Os valores são, respectivamente, 6,89% e 2,73% menores do que os vistos em 2013. Segundo o Fisco, esse resultado deve-se à base de comparação, já que no mesmo mês de 2013 houve uma "elevada concentração nos pagamentos desses dois tributos".

Com imposto de importação, a arrecadação somou R$ 3,426 bilhões no mês passado, um crescimento de 9,14% ante janeiro de 2013. O aumento se deu, segundo o Fisco, da elevação no valor em dólar das importações e da alta na taxa média de câmbio. Com IPI Vinculado, a arrecadação foi de R$ 1,343 bilhão, uma alta de 5,94% na mesma base de comparação.

Já a arrecadação referente ao Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) somou R$ 1,336 bilhão, 10,89% acima do resultado de janeiro de 2013. De acordo com a Receita, o resultado é explicado por pagamentos decorrentes de ganho de capital na alienação de bens no mês passado.

A arrecadação com IOF, por sua vez, caiu 7,50% e somou R$ 7,175 bilhões em janeiro de 2014. Esse dado é explicado pela "queda significativa" na arrecadação do IOF em operações de câmbio após a desoneração feita em junho do ano passado. Além disso, houve redução na arrecadação das operações de crédito da pessoa jurídica, segundo a Receita.

Com Cofins, a arrecadação somou R$ 17,573 bilhões, uma queda de 4,82% na mesma base de comparação. Em relação ao PIS/Pasep, a arrecadação foi de R$ 4,827 bilhões, recuo de 1,33%. A arrecadação com Receita Previdenciária chegou a R$ 28,719 bilhões, uma alta de 4,26% ante o primeiro mês de 2013.

Refis. O valor arrecadado com os programas de parcelamento de dívidas do governo federal, o Refis, somou R$ 389 milhões em janeiro de 2014.

No ano passado, de outubro a dezembro, a Receita Federal teve arrecadação extraordinária de R$ 21,786 bilhões com Refis, o que ajudou a fechar as contas do ano. Entram nessa conta as renegociações de PIS e Cofins para bancos e seguradoras, IR e CSLL para empresas com lucros no exterior e o chamado Refis da Crise

Desonerações. A renúncia fiscal em janeiro de 2014 somou R$ 8,256 bilhões, valor R$ 3,137 bilhões maior que o registrado no mesmo mês do ano passado.

Desse total, em janeiro, R$ 1,548 bilhão diz respeito à folha de salários - R$ 913 milhões a mais que o registrado em janeiro de 2013. Com a desoneração de produtos da cesta básica, o valor chegou a R$ 778 milhões, R$ 687 milhões acima do registrado em janeiro de 2013.

Com a mudança do ICMS na base de cálculo de PIS/Cofins sobre importação, ocorrida no ano passado, o valor da renúncia registrado em janeiro deste ano foi de R$ 303 milhões.

As demais desonerações somaram R$ 5,672 bilhões, R$ 1,234 bilhão acima do valor registrado no primeiro mês de 2013.

Royalties do petróleo. O pagamento de royalties em janeiro sobre à extração de petróleo no último trimestre de 2013 foi o que garantiu a alta de 0,89% das receitas não administradas pela Receita Federal.

Segundo os dados divulgados pelo Fisco, o pagamento de royalties somou R$ 5,985 bilhões, 2,42% a mais que em janeiro de 2013. No total, as receitas não administradas somaram R$ 6,531 bilhões.

No ano passado, o recolhimento de royalties teve uma queda de 5,31% em relação a 2012 e contribuiu negativamente para o desempenho da arrecadação total.

 

Com atraso do início da safra preço do etanol segue alto

Os preços do etanol devem se manter firmes por mais tempo neste ano. As cotações do biocombustível geralmente começam a ceder em meados de abril, com o início da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul, principal região produtora do País. Só que a estiagem das últimas semanas tende a atrasar o início da temporada 2014/15, já que os canaviais ainda estão longe do desenvolvimento ideal. Segundo representantes, a moagem tende a se intensificar somente a partir de maio, "prolongando", assim, o período de entressafra.

"As cotações devem continuar firmes, até porque os estoques estão justos", diz o presidente da Datagro, consultoria especializada em açúcar e etanol, Plínio Nastari. "Esses preços tendem a se manter por mais tempo. Têm potencial para subir, sim, mas não muito, porque senão superam a paridade (de 70%) e perdem competitividade ante a gasolina", complementa o superintendente da Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná (Alcopar), Adriano Dias.

Atualmente, o litro do hidratado é comercializado a R$ 1,4148 nas usinas de São Paulo, sem impostos, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). O valor é 14,6% maior na comparação com um ano antes. Só em 2013, acumula alta de 10,2%. O anidro, cotado a R$ 1,5348, tem valorização de 15,2% nos últimos 12 meses e de 6,4% só neste ano.

Em 2013, o preço do litro do hidratado começou a cair na semana encerrada em 26 de abril, indo de R$ 1,3018 para R$ 1,1786. A cotação do litro de anidro iniciou movimento de baixa na mesma semana, passando de R$ 1,3994 para R$ 1,3721. Durante a safra, hidratado e anidro chegaram a atingir os R$ 1,08 e R$ 1,22 por litro, respectivamente.

Importações

Os representantes não afastam a possibilidade de se importar etanol em volumes consistentes para garantir o abastecimento interno. Segundo eles, o fornecimento do biocombustível está garantido até o fim de abril, mas após isso pode ficar apertado caso a produção não se firme. Conforme a Datagro, em 1º de maio os estoques de etanol total (anidro mais hidratado) no Centro-Sul devem totalizar apenas 295 milhões de litros. O consumo mensal de hidratado, contudo, beira 1 bilhão de litros.

A boa notícia é que a safra de cana deve começar ainda mais alcooleira neste ano. As usinas geralmente privilegiam a produção de etanol no início de temporada para calibrar equipamentos e gerar fluxo de caixa mais rápido. Mas tendo em vista que a produtividade das plantas será menor por causa da seca, compensará destinar menor parcela de matéria-prima à produção de açúcar e maior à de etanol.

"A qualidade será pior e, neste momento, os preços relativos ainda indicam uma preferência pelo etanol, e não pelo açúcar de exportação", diz Nastari. Segundo ele, o mix de produção tende a ser até 1 ponto porcentual maior para o biocombustível em 2014/15, em torno de 56% da oferta de cana.

 

Brasileiros gastam US$ 2 bilhões em janeiro

A conta de viagens internacionais registrou um saldo negativo de US$ 1,478 bilhão em janeiro. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, esse saldo negativo é resultado do volume de despesas pagas por brasileiros no exterior (US$ 2,120 bilhões) acima das receitas obtidas com turistas estrangeiros em passeio pelo Brasil (US$ 643 milhões).

O saldo negativo foi menor do que o visto em janeiro de 2013, de US$ 1,603 bilhão.

O resultado do saldo em janeiro foi 7,8% menor do que o registrado em janeiro de 2013. Os gastos de turistas brasileiros no exterior caíram 7,8% e os de estrangeiros no Brasil, 7,7%.

Para este ano, o BC projeta que a conta de viagens vai fechar deficitária em US$ 19 bilhões, acima dos US$ 18,632 bilhões registrados no acumulado do ano passado.

Menor uso do cartão. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, destacou a queda do déficit na conta de serviços em janeiro deste ano na comparação com o mesmo do ano passado. O fato se deve, segundo o economista, à variação cambial.

O aumento do dólar influenciou a retração nos gastos dos brasileiros no exterior na comparação entre janeiro do ano passado e janeiro deste ano. Em 2013, a conta de serviços ficou negativa em US$ 47,523 bilhões, 17% a mais do que o déficit do ano anterior.

Segundo Maciel, essa expansão, que já foi da ordem de 20%, começa a se moderar. Os brasileiros gastaram US$ 2,120 bilhões no exterior no mês passado, ante US$ 2,299 bilhões em janeiro de 2013.

Maciel ressaltou que esse nível de despesas ainda é elevado.O brasileiro que vai hoje para o exterior, em média, faz metade das despesas com cartão de crédito e metade com moeda em espécie, segundo dados do Banco Central. "Isso vem mudando. Em 2011, participação do cartão de crédito era 60%", afirmou.

Enquanto os gastos em viagens internacionais cresceram por volta de 20% em 2013, as despesas com cartão de crédito em 2013 cresceram "só" 0,5% no período, informou Maciel.

 

Governo anuncia corte do Orçamento de R$ 44 bilhões

Depois de meses de expectativas e incertezas dos investidores em relação aos rumos da política fiscal, o governo anunciou , corte de R$ 44 bilhões no Orçamento da União deste ano. O governo vai perseguir uma meta de superávit primário das contas do setor público de R$ 99 bilhões, o equivalente a 1,9 % do Produto Interno Bruto (PIB) - proporcionalmente, o mesmo obtido no último ano.

A meta fiscal dos governo regionais neste ano é de R$ 18,2 bilhões, o equivalente a 0,35% do PIB. Já a meta fiscal do governo central é de R$ 80,8 bilhões, ou 1,55% do PIB.

O compromisso de esforço fiscal deste ano, em números absolutos, é maior do que os R$ 91,306 bilhões alcançados em 2013. A meta de 2014, porém, é menor do que os 2,1% do PIB prometidos quando o governo enviou, em meados do ano passado ao Congresso a proposta de Orçamento da União.

O ministro da pasta, Guido Mantega, entende que a meta fiscal de 1,9% não pode ser maior, em partes, por causa da crise internacional.

"Embora esteja ocorrendo recuperação da economia internacional, ela está sendo lenta. Talvez mais lenta do que aquilo que o mercado estava prevendo", disse em discurso.

Meta 'conservadora'. A posição o ministério da Fazenda é que a proposta de decreto de programação orçamentário foi feito com base em estimativas conservadoras para a receita. Documento oficial aponta para receitas extraordinárias menores neste ano em relação a 2013. Não há previsão de desonerações tributárias adicionais –no ano passado, elas foram da ordem de R$ 77 bilhões.

Haverá contenção de despesas de custeio e da máquina administrativa. O objetivo, segundo o Ministério da Fazenda, é a consolidação fiscal que viabiliza a sustentabilidade do crescimento econômico e contribui para o combate à inflação. Os instrumentos utilizados é a contenção de despesas de custeio e ampliação dos investimentos.

Crescimento do PIB. A primeira previsão do governo federal para a expansão do PIB (produção de bens e serviços de economia) neste ano era de 4,0%, no projeto de lei orçamentária deste ano. O Congresso aprovou o documento com a redução da expectativa para 3,8%. Nesta quinta, o governo anunciou a projeção de 2,5% de avanço econômico neste ano.

O valor é bem mais otimista do que a expectativa de 1,79% de crescimento da economia brasileira projetada pelos analistas econômicos, segundo a Pesquisa Focus do Banco Central.

Cortes no PAC e em emendas. Foi reduzida a previsão de investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em R$ 7 bilhões, somando R$ 54,463 bilhões. Na proposta de Lei Orçamentária, a previsão era de R$ 61,463 bilhões.

O governo também reduziu em R$ 13,3 bilhões a previsão de emendas de parlamentares no Orçamento, que passou para R$ 6,462bilhões. O documento de programação orçamentáriainforma ainda que a liberação de limite para as emendas individuais será de R$ 6,510 bilhões, sendo 50% na área da saúde.

IPCA e câmbio. A previsão de inflação do governo também foi puxada para baixo. O IPCA projetado pela equipe econômica caiu de 5,8% para 5,3% em 12 meses terminados em dezembro.

No caso do câmbio, a estimativa foi levada para cima: de R$ 2,30 para R$ 2,44. Desde janeiro, a moeda americana tem flutuado na casa dos R$ 2,40.

Energia e falta d'água. O documento entregue pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento não menciona a previsão de gastos com a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). A escassez de chuvas e o maior uso das térmicas têm gerado discussões a respeito da necessidade de aumentar aportes do Tesouro Nacional à CDE.

No início deste mês, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiu que não haveria repasse para a tarifa ao consumidor. Ele disse que, "se for necessário", o Tesouro Nacional pode dar auxílio às distribuidoras de energia, além dos R$ 9 bilhões previstos no Orçamento para a CDE. "Daremos cobertura para esses problemas, de modo que isso não passe para a tarifa do consumidor final", afirmou na ocasião.

 

Safra já provoca filas no Porto de Santos

O plano do governo federal para escoamento da safra de grãos no Porto de Santos falhou no primeiro teste. Como no ano passado,  a Rodovia Cônego Domênico Rangoni, antiga Piaçaguera-Guarujá, amanheceu completamente congestionada. Antes das 7 horas da manhã, a Polícia Rodoviária já registrava oito quilômetros de fila de caminhões rumo aos terminais localizados na margem esquerda do porto, no Guarujá.

O caos também foi observado na entrada da Via Anchieta por causa do grande volume de carretas em direção aos terminais da Alemoa, na entrada de Santos. Os motoristas que pretendiam subir a serra ficaram parados por mais de três horas, repetindo-se a mesma cena do primeiro semestre do ano passado.

Com a piora da situação, que começou a se deteriorar na semana passada, a Secretaria Especial de Portos (SEP) fez uma série de reuniões com a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), prefeitura de Cubatão, representantes da indústria, Polícia Rodoviária Estadual, entre outros órgãos, para diagnosticar o problema.

Segundo o presidente da Codesp, Renato Barco, o problema todo foi decorrente do não agendamento dos caminhões que vieram para os pátios reguladores, instalados em Cubatão. "Não vou dizer que fomos surpreendidos, mas foi um fluxo de veículos acima do normal."

O executivo revelou que alguns caminhões adiantaram em dois dias a data de agendamento achando que poderiam encontrar locais para estacionar na Baixada Santista. O Ecopátio, credenciado à Codesp, no entanto, operou com 85% da capacidade e não registrou filas nem na entrada nem na saída.

O diretor da SEP, Luiz Cláudio Santana Montenegro, afirmou que, de agora em diante, além das notificações que já estão sendo feitas, as empresas serão punidas com multas que variam de R$ 1 mil a R$ 2 mil por veículo que descumprir as regras de agendamento estabelecidas no ano passado.

Na terça-feira da semana passada, dois terminais (Caramuru e Libra) foram notificados em decorrência de problemas no agendamento, que deram margem aos primeiros congestionamentos.

A situação piorou, com a constatação de que nada menos que 12 mil caminhões vieram para a região, muitos deles sem nenhum tipo de agendamento, antecipando-se ao período de embarque.

24 horas. Montenegro deixou claro que o Porto de Santos tem capacidade de absorver toda a safra de grãos destinada à exportação, desde que haja um mínimo de organização. Já o presidente da Codesp destacou que o porto não pode se dar ao luxo de funcionar apenas nos cinco dias úteis da semana. "O porto 24 horas é uma realidade e não se justifica que os caminhões não transportem suas cargas nos fins de semana."

Em relação aos problemas observados nas proximidades do distrito da Alemoa, Barco declarou que a solução será dada pela prefeitura de Santos, uma vez que o local, que concentra uma série de terminais, não faz parte do porto organizado.

A prefeita de Cubatão, Márcia Rosa (PT), ameaçou tomar providências se a situação não for resolvida: "Não vou aceitar que os moradores passem mais uma vez pelo que enfrentaram hoje (ontem): médicos não chegaram aos postos de saúde, crianças não conseguiram frequentar as escolas, trabalhadores não tiveram como assumir seus postos no polo industrial. A cidade ficou travada, parada desde a noite de segunda-feira". O protesto da prefeita foi acompanhado pelos representantes das indústrias do município, que lamentaram os transtornos observados nas unidades industriais.

 

Governo autoriza aeroporto em Caçapava

O governo federal concedeu  a terceira autorização para exploração comercial de um aeroporto privado no Estado de São Paulo. Localizado em Caçapava, a 120 km da capital paulista, o empreendimento Aerovale já está em construção e deve iniciar as operações no dia 30 de maio, antes da Copa.

O aeroporto pertence à construtora Penido e faz parte de um projeto de desenvolvimento imobiliário de uma região rural em Caçapava. O Aerovale ocupa uma área de 2,25 milhões de m² e receberá R$ 250 milhões em investimentos.

O empreendimento prevê a venda de 117 lotes aeronáuticos, para construções de hangares, e de 188 áreas para condomínios industriais. A venda desses terrenos fará com que o projeto atinja um VGV (valor geral de venda) de R$ 1 bilhão.

Além dos lotes industriais e aeronáuticos, o empreendimento também terá dois hotéis, um centro de convenções, torres comerciais, outlet e quadras poliesportivas para locação.

"A nossa intenção não é só investir em um aeroporto, mas no entorno", disse Rogério Penido, presidente do Aerovale. Segundo ele, 30% dos lotes já foram vendidos para empresas de diferentes setores - de distribuição editorial a táxi aéreo.

Até o fim de maio, Penido promete entregar a pista principal asfaltada e os hangares com pedra no chão. Hoje cerca de 40% da obra foi concluída e 97% da terraplanagem. "O histórico das Copas é atrair um fluxo grande de empresários do mundo todo, que vão chegar com seus jatos. Serão 2,5 mil, 3 mil jatos que não terão onde pousar. Queremos trazê-los para Caçapava", disse Penido.

A promessa é concluir em dezembro o terminal de passageiros, com capacidade para 600 pessoas, e todos os lotes dos arredores do aeroporto.

Demanda. Além de atender os clientes de aviação executiva no Vale do Paraíba, o empreendimento também deve ser usado pelos passageiros que seguem para a capital paulista.

"São Paulo tem uma pressão de demanda muito forte para aviação executiva. A cidade tem a segunda maior frota de helicóptero do mundo. Isso mostra a necessidade de criar infraestrutura aeroportuária", disse o ministro da Aviação Civil, Moreira Franco, durante a solenidade de assinatura do plano de outorga para o aeroporto.

A exploração comercial de aeroportos privados no Brasil se tornou viável após a publicação de um decreto com mudanças na regulamentação do setor em dezembro de 2012. O decreto comtemplou apenas projetos de aeroportos para aviação executiva, mas o governo avalia estender a regra para aeroportos destinados a voos comerciais.

Além do Aerovale, em Caçapava, também receberam o aval da SAC projetos de aeroportos em Parelheiros, na zona sul de São Paulo, e em São Roque (SP).

 

 

Analistas diminuem projeção do PIB em 2014

Após a prévia do PIB ter decepcionado o mercado, economistas já começam a rever suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. A previsão de crescimento da economia brasileira em 2014 passou de 1,90% para 1,79% na pesquisa Focus do Banco Central. Para 2015, a estimativa recuou de 2,20% para 2,10%. Há quatro semanas, as projeções eram, respectivamente, de 2% e 2,50%.

A projeção para o crescimento do setor industrial em 2014 segue em 1,93%. Para 2015, economistas preveem avanço industrial de 2,89%, ante 2,95% da pesquisa anterior. Um mês antes, a Focus apontava estimativa de expansão de 2,20% para 2014 e de 2,89% em 2015 para o setor.

Os analistas reduziram a previsão para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2014 de 34,95% para 34,80%. Há quatro semanas, estava em 34,80%. Para 2015, segue em 35,00% há nove semanas.

Alta da inflação. Para a inflação, analistas esperam um  avanço de preços maior. A projeção de inflação medida pelo IPCA para 2014 subiu de 5,89% para 5,93%, para 2015 segue em 5,70% e para os próximos 12 meses subiu de 6% para 6,05%. Há quatro semanas, as estimativas estavam em 6,01%, 5,60% e 5,98%, respectivamente.

Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa Focus, a previsão para o IPCA em 2014 no cenário de médio prazo segue em 5,86%. Para 2015, a previsão dos cinco analistas se manteve em 5,80%. Há um mês, o grupo apostava em altas de 6,19% para 2014 e 6,00% para 2015.

Juro. Os economistas consultados mantiveram a previsão para a taxa Selic no fim de 2014 em 11,25% ao ano. Para 2015, a mediana segue em 120% ao ano. A taxa está hoje em 10,50% ao ano. A previsão para a taxa na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de fevereiro segue em 10,75% ao ano.

Dólar. A mediana das projeções para a taxa de câmbio no final de 2014 subiu de R$ 2,47 para R$ 2,48 nas estimativas dos analistas consultados na pesquisa. Há quatro semanas, a projeção era de R$ 2,45. Para o fim de 2015, a mediana subiu de R$ 2,53 para R$ 2,55. Há quatro semanas estava em R$ 2,50.

Na mesma pesquisa, o mercado financeiro elevou a previsão para a taxa média de câmbio em 2014 de R$ 2,44 para R$ 2,45. Para 2015, a projeção subiu de R$ 2,49 para R$ 2,50.

 

 

Economia brasileira aponta crescimento de 2,52% em 2013

A economia brasileira cresceu 2,52% em 2013, segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). O índice, sem ajuste sazonal, passou de uma média mensal de 141,93 pontos para 145,50 pontos. A variação do IBC-Br ficou igual à mediana das projeções dos analistas do mercado financeiro (2,52%). O intervalo das estimativas era de 2,25% a 2,70%.

O IBC-Br serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses e tem grande influência sobre as estimativas do mercado financeiro para o Produto Interno Bruto (PIB), divulgado a cada três meses pelo IBGE.

O resultado do PIB do quarto trimestre de 2013 será conhecido na última semana de fevereiro. O indicador também é conhecido popularmente como "PIB do BC", embora não possa ser considerado como uma prévia do dado do IBGE.

No quarto trimestre, houve queda de 0,17% em relação ao trimestre anterior, no dado com ajuste. O indicador avançou de uma média mensal de 145,66 pontos entre julho e setembro para 145,42 pontos entre outubro e dezembro de 2013. Nesta comparação, o resutlado ficou abaixo das projeções, que variavam de queda de 0,20% a crescimento de 0,40%.

Na comparação com o mesmo período de 2012, o IBC-Br passou de 142,74 pontos para 145,04 pontos, com uma variação de 1,62% (dado sem ajuste) no período.

Em dezembro, o indicador caiu 1,35%, após registrar queda de 0,64% em novembro ante outubro. Na comparação entres os meses de dezembro de 2013 e de 2012, houve elevação de 0,71% na série sem ajustes sazonais. Os dados de dezembro foram influenciados pelos resultados da produção industrial e do comércio, que tiveram retração no fim do ano passado, conforme informou recentemente o IBGE.

Revisão. O Banco Central revisou os dados do índice de atividade econômica calculado pela instituição. Para novembro, foi revisto para -0,64%, ante -0,31% na primeira divulgação. Para outubro de 2013, foi revisado para 0,60%, ante 0,71%. Para setembro, foi revisto para 0,16%, ante -0,03%. Para agosto de 2013, foi alterado para 0,01%, ante taxa de 0,05%. Para julho, foi revisto para -0,29%, ante -0,21% na divulgação anterior.

Os números do IBC-Br no primeiro semestre de 2013 também foram revisados, na comparação mensal. Para junho, foi alterado para 0,70%, ante 0,74% na divulgação anterior. Para maio de 2013, foi alterado para -1,35%, ante taxa de -1,27%. Para abril, foi revisto para 0,89%, ante 0,96% na divulgação anterior.

Também houve revisão dos dados mensais de março (de 0,97% para 0,88%), fevereiro (de -0,29% para -0,26%) e janeiro (de 1,23% para 0,85%).

 

 

Brasileiros os maiores compradores de imóveis em Londres

Os investidores brasileiros buscam cada vez mais imóveis em Londres. Levantamento feito pela consultoria imobiliária britânica Knight Frank mostra que as consultas de potenciais compradores do Brasil cresceram 115% nos últimos 12 meses. Esse foi o maior aumento entre os países emergentes.

O estudo diz que esse interesse é uma resposta à maior aversão ao risco gerada pela política monetária nos Estados Unidos e menor crescimento da China. Investidores estariam em busca do "porto seguro" representado pelo aquecido mercado imobiliário da capital britânica, diz a pesquisa.

A aversão ao risco e a desconfiança com países emergentes não atingem apenas investidores estrangeiros. Os brasileiros também estão migrando para opções mais seguras, avalia a consultoria britânica.

Uma das maiores do segmento imobiliário no Reino Unido, a empresa tem notado forte aumento nas consultas de clientes de mercados emergentes interessados em investir em imóveis na cidade. Para a consultoria, o fenômeno é explicado pela busca de um investimento seguro em resposta à atual fragilidade do mercado financeiro.

"Tem ocorrido um recente aumento do interesse por imóveis residenciais em Londres de compradores em mercados emergentes diante da instabilidade política e econômica crescente em várias partes do mundo em desenvolvimento", explica o consultor da Knight Frank, Tom Bill. "A decisão do Federal Reserve (o banco central dos EUA) de iniciar a retirada dos estímulos econômicos no ano passado e a desaceleração da economia da China geram aumento da volatilidade nessas regiões emergentes", completa.

Tal busca por um investimento mais sólido é liderada pelos brasileiros, cujo volume de consultas de potenciais clientes mais que dobrou nos 12 meses encerrados em janeiro. Em seguida, aparecem Argentina e Ucrânia, ambas com alta de 67%. Entre os demais, também há aumento da demanda entre os "Cinco Frágeis" - emergentes que estariam mais expostos à mudança do cenário econômico global. Segundo a Knight Frank, consultas cresceram 10% entre investidores da Indonésia e Turquia, 9% da África do Sul e 3% da Índia. Contatos da China também tiveram alta expressiva: 31%.

Na média, as consultas com origem em todos os mercados emergentes cresceram 44%. O foco desses investidores está especialmente no segmento de luxo e a procura por imóveis londrinos com valor de mais de 15 milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 60 milhões) saltou 76%, mostra o estudo da imobiliária que atua há mais de cem anos na capital britânica. A empresa não informa o número total de consultas e o volume de negócios efetivamente fechados.

Estrangeiros. Não são apenas os emergentes que prestam atenção ao mercado imobiliário britânico. Segundo dados coletados pelo banco BNP Paribas, investimentos no setor imobiliário na região metropolitana de Londres alavancaram 24 bilhões de libras (cerca de R$ 95 bilhões) no acumulado em 18 meses até meados do ano passado. A maior parte desse dinheiro - 64% do total - foi investida por estrangeiros. Nos últimos anos, clientes de países emergentes especialmente russos, chineses e árabes passaram a ser comuns nas grandes transações imobiliárias em Londres.

Um bom exemplo é o maior empreendimento imobiliário em construção em Londres. O projeto Battersea Power Station é liderado por um consórcio de empresas e investidores da Malásia. Ao total, serão investidos 8 bilhões de libras (mais de R$ 30 bilhões) em um grande complexo que terá mais de 3 mil residências que custam até 6 milhões de libras (R$ 23 milhões), hotel, área comercial, centro de convenções e lazer e que só ficará pronto em 2024. O projeto fica na área ocupada pela antiga usina elétrica, construção com grandes chaminés e que ficou famosa na capa do disco Animals, da banda Pink Floyd.

Preços. A procura dos estrangeiros por imóveis ajuda a explicar o aumento dos preços do mercado. Segundo o escritório de registros imobiliários do governo britânico, o preço médio dos imóveis negociados na capital britânica alcançou 403,7 mil libras (R$ 1,6 milhão) em dezembro do ano passado, o primeiro mês com valor médio acima de 400 mil libras na história. Nos acumulado em 12 meses, a alta dos preços foi de 11,2%. Na comparação com agosto de 2008 - um mês antes do estouro da crise, o valor médio das residências já está 23,5% mais caro.

 

Inadimplência do consumidor subiu 1,1% em janeiro

A inadimplência do consumidor avançou em janeiro, segundo levantamento da Serasa Experian, divulgado. O aumento foi de 1,1% em relação ao mês anterior - a quarta alta mensal seguida.

Frente ao mesmo período de 2013, foi registrada queda de 4%, a oitava baixa nesse tipo de comparação.

As principais responsáveis pela alta do indicador foram as dívidas não bancárias (relativas a cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços), cuja inadimplência cresceu 2,7%. A falta de pagamentos de títulos protestados cresceu 23,8% e de quitação de dívidas de bancos caiu 0,7%. Os cheques sem fundos tiveram contribuição nula no índice de janeiro.

O valor médio da inadimplência bancária registrou queda de 6,1% em janeiro de 2014, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Os títulos protestados também apresentaram baixa de 0,3%. Na contramão, os cheques sem fundos e as dívidas não bancárias registraram alta de 3,2% e 4,2%, respectivamente.

Na avaliação dos economistas da Serasa Experian, as recentes altas mensais da inadimplência do consumidor estão enfraquecendo as quedas nas comparações interanuais nos últimos quatro meses.

"Isso sinaliza que a trajetória de declínio da inadimplência do consumidor, constituída a partir do último trimestre de 2012, pode estar se encaminhando para uma conjuntura de estabilidade. Aumentos sucessivos das taxas de juros, crescimento mais fraco da economia, inflação situando-se próxima ao teto da meta e diminuição do ritmo de geração de vagas no mercado formal de trabalho contribuem para desacelerar a curva descendente da inadimplência do consumidor", disse em nota.

 

Receita arrecada R$ 240 milhões com turistas

A Receita Federal informou, que arrecadou cerca de R$ 240 milhões em impostos de turistas em viagens internacionais no segundo semestre do ano passado. Segundo os dados, R$ 191,2 milhões são referentes a declarações espontâneas e R$ 49,2 milhões são de pessoas que não declararam os bens e foram fiscalizadas pela Receita.

O número divulgado considera os resultados a partir de agosto do ano passado, quando a Receita implantou a e-DBV, a Declaração Eletrônica de Bens de Viajante, que permite que os contribuintes façam a declaração online dos bens e valores em viagens internacionais. Segundo o subsecretário de Aduana e Relações Internacionais da Receita Federal, Ernani Checcucci, a quantidade de declarações no ano foi "muito maior". "Estamos criando facilidades para que o contribuinte possa se regularizar de forma espontânea simplificada", afirmou.

A quantidade de voos internacionais diminuiu de 174,2 mil em 2012 para 162,6 mil no ano passado, mas o número de passageiros internacionais subiu de 18,69 milhões para 19,79 milhões, segundo a Receita.

Copa do Mundo

Checcucci afirmou que a Receita Federal ainda não sabe se o sistema de reconhecimento facial que facilitará a fiscalização nos aeroportos estará concluído até a Copa do Mundo. "Não temos clareza em relação a isso data de conclusão do sistema, que também está associado à questão orçamentária. Queremos o mais rápido possível. É um projeto que será desenvolvido independente da Copa", disse. Ele acrescentou que a licitação para o sistema de recepção das informações de companhias aéreas só saiu no início deste ano. "Estamos correndo para fazer o mais rápido possível."

Em agosto do ano passado, Checcucci informou que a Receita estudava a implantação de novas medidas para agilizar e tornar mais eficaz a fiscalização das aduanas, o que incluía um sistema capaz de fazer reconhecimento facial. As companhia aéreas transmitirão a relação de passageiros à Receita Federal, que cruzará dados e selecionará passageiros para fiscalização. Na ocasião, ele também não deu prazo para a implementação das mudanças e disse que ocorreria o mais rápido possível.

O subsecretário afirmou hoje que, para 2014, a Copa do Mundo é uma grande prioridade. "O plano de reforço está sendo concluído", afirmou. "Além da Copa, continuaremos com projeto de modernização dos sistemas informatizados do comércio exterior e dos passageiros", disse.

Remessas

A Receita Federal processou no ano passado 20,8 milhões de remessas postais (envelopes, cartas e encomendas), 44% a mais que em 2012, quando somou 14,4 milhões. A tributação sobre essas remessas subiu 16%, de R$ 220,8 milhões em 2012 para R$ 256,1 milhões no ano passado. O valor médio, entretanto, teve queda: de R$ 138 para R$ 106, uma redução de 23%.

Checcucci disse que esse tipo de comércio está crescendo e que a Receita tem um projeto para informatizar o controle das remessas postais internacionais em parceria com os Correios.

 

Empresários não confiam  no governo de  Dilma Rousseff

A troca de farpas entre o governo e os empresários não é de hoje. Ambos os lados do jogo dançam conforme a música. Em entrevista o presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) e sócio-fundador da Natura, Pedro Passos, disse que falta direção do governo à economia e que os empresários não confiam no governo Dilma Rousseff.

O ícone  do empresário brasileiro, Antonio Erminio de Moraes, chega a ser conhecido como ‘crítico de todos os governos’. As críticas já se direcionaram não só ao governo do Partido dos Trabalhadores, mas também a Fernando Henrique Cardoso e a Fernando Collor.

Uma das principais críticas do empresariado é à maneira como o governo faz a iniciativa privada perder o interesse por investir, seja aumentando o juro, nos modelos de leilão ou até na regulamentação de alguns setores.O ex-presidente da Vale Roger Agnelli foi um dos que não apoiou o código de mineração. Na época, chegou a declarar que iria "cair no Estado a obrigação de correr atrás de investir na pesquisa dessas áreas".

 

Mais recentemente, quem protagonizou uma briga com uma gestão do PT foi o presidente da federação das Industriais do estado de São Paulo, Paulo Skaf. O empresário foi contra o aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) na capital paulista, criticando a gestão de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo. "Aqui o transporte, a segurança, e vários serviços públicos deixam muito a desejar", disse. Skaf é o provável candidato do PMDB ao Governo de São Paulo nestas eleições.

 

Não há só críticas negativas. Do outro lado, há quem já saiu em favor do governo. Em 2013, o empresário Abílio Diniz fez uma enfática defesa dos avanços econômicos e sociais alcançados pelo governo nos últimos 10 anos.

Outra empresária do setor de varejo, Luiza Helena Trajano, presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo e fundadora do Magazine Luiza , elogiou o governo federal por causa do “Minha Casa Melhor”, uma linha de financiamento de móveis e eletrodomésticos exclusiva para beneficiários do programa de compra da casa própria Minha Casa, Minha Vida. De acordo com ela, o programa dá "dignidade para o nosso povo".

 

Anac define remuneração de áreas

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) divulgou, os critérios e os procedimentos para alocação e remuneração de áreas exploradas nos aeroportos públicos. Segundo o texto, o valor pelo uso de áreas comerciais é de livre negociação entre o operador do aeroporto e a parte interessada, observado o regime próprio dessas contratações. Isso vale para serviços como aluguel de carro, restaurantes, lanchonetes e salas VIP.

Também é de livre negociação entre as partes os preços da áreas destinadas a atividades operacionais como abrigo e manutenção de aeronaves. No caso da utilização de espaços por órgãos públicos, o valor será cobrado, sem fins lucrativos, em razão das despesas com água, energia elétrica, limpeza, manutenção de equipamentos.

O texto diz que, na alocação e remuneração de áreas aeroportuárias, são vedadas "práticas discriminatórias e abusivas" e que o operador do aeródromo poderá negociar o prazo de vigência de contrato de utilização de área, limitado ao prazo de sua outorga para explorar a infraestrutura aeroportuária, quando houver, ou ao prazo máximo de 25 anos.

As regras estão em resolução publicada no Diário Oficial da União e passam a valer em 30 dias, exceto o artigo 12 da resolução, que só entrará em vigor em 180 dias. Esse artigo diz que "eventual cobrança variável para remunerar a utilização das áreas destinadas às atividades de abastecimento de aeronaves deverá ser fixada com base no volume de combustível comercializado pela distribuidora".

 

Produção de veículos em janeiro recuou 18,7%

A produção de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no mercado brasileiro somou 237.491 unidades em janeiro. Apesar de representar uma recuperação de 2,9% em relação aos dados de dezembro, significa recuo de 18,7% ante o mesmo mês de 2013 - apontam os dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

No acumulado dos 12 meses encerrados em janeiro, a produção cresceu 5% ante o ano anterior, para 3,66 milhões de unidades.

Considerando apenas automóveis e comerciais leves, a produção em janeiro ficou em 221.183 unidades, queda de 0,3% sobre o mês anterior e baixa de 20% sobre janeiro de 2013.

A produção de caminhões atingiu 13.709 unidades - avanço de 86,6% sobre dezembro e alta de 9,3% sobre janeiro do ano passado. No caso dos ônibus, foram produzidas 2.599 unidades em janeiro, alta de 58% ante dezembro e queda de 16,8% sobre janeiro de 2013.

Já as vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus recuaram 11,7% em janeiro ante o mês anterior, com 312.618 unidades, e avançaram 0,4% na comparação com janeiro de 2013.

Flex em alta. A fatia de automóveis e veículos comerciais leves bicombustíveis (flex) sobre o total comercializado atingiu 88,5% em janeiro de 2014, acima da participação registrada em dezembro (88,4%). Ao todo, os veículos flex somaram 265,570 mil unidades vendidas no mês passado.

Em janeiro de 2013, a participação das vendas de veículos flex foi de 88,3%.

Máquinas agrícolas. As vendas internas de máquinas agrícolas no atacado em janeiro somaram 3,783 mil unidades, queda de 34,5% sobre dezembro e recuo de 29,9% ante o mesmo mês de 2013.

Já a produção de máquinas agrícolas caiu 18,3% em janeiro na comparação com o mês anterior e chegou a 5,298 mil unidades. O resultado significa ainda uma queda de 13,6% sobre janeiro de 2013, quando foram produzidas 6,133 mil máquinas agrícolas.

As exportações de máquinas agrícolas em valores totalizaram US$ 213,188 milhões em janeiro, um recuo de 17,8% na comparação com dezembro e uma alta 6,4% quando comparadas com o mesmo mês de 2013.

Foram exportadas, ao todo, 556 máquinas agrícolas em janeiro, queda de 52,7% sobre dezembro e queda de 31,9% na comparação com o mesmo mês de 2013.

Exportações. As exportações do setor automotivo brasileiro, em valores, somaram US$ 886,2 milhões em janeiro de 2013, queda de 26% em relação ao mês de dezembro e um recuo de 13,3% na comparação com janeiro de 2013.

O mês de janeiro encerrou com 26.779 automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus exportados, um recuo de 40,5% ante dezembro e queda de 28,9% sobre o mesmo período do ano passado.

Empregos no setor. O setor automotivo encerrou o mês de janeiro com 153.147 empregados, o que representa estabilidade em relação a dezembro.

Na comparação com janeiro de 2013, houve avanço de 1,2% no contingente de funcionários, considerando autoveículos e máquinas agrícolas.

O segmento de autoveículos registrou, em janeiro, alta de 0,1% ante dezembro no contingente de empregados, totalizando 131.698 funcionários. Em relação a igual mês de 2013, o avanço foi o mesmo, de 0,1%.

Já o segmento de máquinas agrícolas finalizou janeiro com diminuição de 0,8% no número de empregados na comparação com dezembro, ao registrar 21.449 funcionários. Na comparação com janeiro de 2013, a alta foi de 8,3%.

 

Empresas aéreas cortam ofertas de passagens

Depois de anos de crescimento expressivo, o mercado aéreo fechou 2013 com a primeira queda na oferta de passagens em voos domésticos e com a menor expansão da demanda nos últimos dez anos.

A oferta de assentos para voos domésticos caiu 2,89% no ano passado, segundo dados divulgados ontem pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Já a demanda por passagens nacionais desacelerou e fechou o ano com crescimento de apenas 1,36%, contra altas de 6,81% em 2012, 15,92% em 2011 e 23,85% em 2010.

A queda na oferta reflete o fechamento da Webjet, que interrompeu os voos em novembro de 2012 e tinha quase 5% do mercado, e a redução de 8% na oferta de voos na TAM em 2013, dona de 40% do mercado.

Desde 2012, as líderes TAM e Gol iniciaram um movimento de ajuste de oferta para recuperar a rentabilidade. As empresas cortaram os voos menos rentáveis e recuaram em seus planos de expansão de frota, em uma tentativa de voar com aviões mais cheios e melhorar sua rentabilidade.

No caso da Gol, o ajuste principal foi feito em 2012, quando a empresa fechou o ano com redução de 5,38% na oferta de voos, segundo dados da Anac. No ano passado, a empresa aumentou sua oferta em 5,2%.

Já a TAM, que registrou queda na oferta de 1,06% em 2012, cortou mais 8,05% do volume de assentos oferecidos nos voos domésticos em 2013, apontam os dados da Anac. Em comunicado, a TAM ressaltou que a estratégia de “ajuste preciso na oferta”, proporcionou à empresa, em 2013, sua melhor taxa de ocupação nos voos domésticos da história: 79,3%.

“Este número reflete o sucesso da estratégia que iniciamos no último ano e é o resultado direto do ajuste preciso na nossa oferta de assentos para o mercado doméstico brasileiro”, afirma Claudia Sender, presidente da TAM, em comunicado. “Estamos satisfeitos porque fomos mais eficientes em 2013”, disse.

Preços. Após sete semestres consecutivos de redução de tarifas, os preços das passagens aéreas voltaram a subir no País no segundo semestre de 2012, de acordo com dados da Anac.

“A alta de preços impacta na demanda da classe C. As empresas aéreas estão focando novamente no passageiro de negócios”, disse o consultor em aviação, Nelson Riet.

Em 2010 e 2011, as companhias aéreas fizeram guerra de tarifas para atrair o passageiro de classe C para os aviões. Mas a estratégia não se sustentou nos anos seguintes, quando o setor sofreu um choque de custo.

Os vilões foram o aumento do preço do combustível, principal custo das empresas aéreas, e a valorização do dólar –mais da metade das despesas das companhias, como leasing e o próprio querosene de aviação, são atrelados à moeda americana. Esse choque de custo fez as empresas aéreas brasileiras amargarem, juntas, R$ 3,5 bilhões de prejuízo apenas em 2012, segundo dados da Anac.

As perdas levaram as companhias a adotar uma política de expansão mais conservadora e a elevar preços, levando a uma desaceleração na demanda por voos em 2013.

 

 

Produção da indústria cai e tem pior resultado desde 2008

A produção da indústria brasileira caiu 3,5% em dezembro na comparação com o mês anterior, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE). Foi a segunda queda mensal seguida do indicador, e o pior resultado desde dezembro de 2008, quando houve queda de 12,2%.

Com a queda no último mês do ano, o total da indústria ficou 6,9% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011, ressalta o IBGE.

"Vale ressaltar que o comportamento de menor intensidade da produção industrial nos dois últimos meses do ano não só eliminou o ganho de 0,9% assinalado no período de agosto-outubro, mas também confirmou um segundo semestre marcado pelo menor dinamismo", diz a pesquisa.

No acumulado de 2013, a atividade da indústria fechou com alta de 1,2%, mostrando melhora em relação a 2012, quando o setor teve queda de 2,5%, e sobre 2011, quando a alta foi de 0,3%.

Setores
Na passagem de novembro para dezembro, houve queda em 22 dos 27 ramos pesquisados. A mais acentuada foi em veículos automotores, de 17,5%, pressionada, segundo o IBGE, pela concessão de férias coletivas em várias empresas do setor. Foi o terceiro resultado negativo consecutivo, acumulando queda de 22,9%.

Houve quedas significativas também na produção de máquinas e equipamentos (-6,2%),  farmacêutica (-11,7%), refino de petróleo e produção de álcool (-4,3%) e metalurgia básica (-7,4%). Outros impactos negativos vieram dos setores de borracha e plástico (-6,7%), máquinas para escritório e equipamentos de informática (-14,2%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-6,2%), calçados e artigos de couro (-13,4%), produtos de metal (-3,2%) e perfumaria, sabões, detergentes e produtos de limpeza (-5,3%).

Já as altas foram verificadas em material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (10,6%) e vestuário e acessórios (10,9%).

No ano
Em todo o ano passado, a alta de 1,2% foi resultado do crescimento de 2,1% no primeiro semestre – uma vez que os últimos seis meses do ano acumularam queda de 0,3%.

Na contramão do resultado de dezembro, a produção de veículos automotores teve a maior influência de alta, com crescimento de 7,2% no ano, puxada principalmente pela fabricação de caminhões, reboques e outros veículos para transporte de mercadorias.

Houve contribuições positivas também no ano dos setores de refino de petróleo e produção de álcool (7,3%), de máquinas e equipamentos (6,1%), de outros equipamentos de transporte (8,0%), de outros produtos químicos (2,3%) e de perfumaria, sabões, detergentes e produtos de limpeza (5,5%).

Por outro lado, entre os ramos que reduziram a produção, os principais impactos foram observados em edição, impressão e reprodução de gravações (-10,2%), farmacêutica (-9,7%), indústrias extrativas (-4,1%), bebidas (-4,1%) e metalurgia básica (-2,0%).

 

Supermercados se destacam no varejo

Os setores que mais cresceram no varejo brasileiro em 2013 ante o ano anterior, conforme o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), foram as companhias aéreas com expansão de 17,6% em receita nominal de vendas no período de comparação. Em seguida, de acordo com o indicador lançado, pela adquirente Cielo, vieram os setores de supermercados e hipermercados e drogarias e farmácias, ambos com 15,5%, na mesma base de comparação.

Se descontada a inflação, segundo o ICVA, os vencimentos foram 9,5%, 7,3% e 10,3%, respectivamente. O indicador da Cielo também mediu o desempenho da quarta edição da black friday, realizada na ultima sexta-feira de novembro. O faturamento, de acordo com o índice, cresceu 42,9% em relação à ultima vez que o evento foi realizado no Brasil seguindo o critério de receita nominal.

A maior evolução, conforme a Cielo, foi notada no e-commerce, que concentra o volume de vendas da data e aponta avanço de 200% antes às vendas registradas nas lojas online no mesmo intervalo de 2012. Na semana do Natal, segundo o ICVA, houve desaceleração do crescimento em relação à black friday, que ficou em 9,4%.

"Os números indicam que houve uma antecipação das compras de Natal nesta edição da black friday", avalia a adquirente.

O ICVA não guarda, conforme o presidente da Cielo, Rômulo de Mello Dias, correlação com o desempenho financeiro da companhia. A adquirente desenvolveu, segundo ele, modelos matemáticos para isolar os efeitos do comportamento competitivo do mercado de credenciamento. Além disso, também foram retirados os efeitos da maior participação de cartões na economia pela substituição de cheque e dinheiro.

O índice da Cielo será divulgado mensalmente todo dia 14 retroativo do mês imediatamente anterior. A base de comparação é anual. A Cielo não descarta ampliar as alternativas de comparação, mas, Segundo Dias, na base anual é possível ter uma melhor análise do desempenho do setor varejista uma vez que há fatores sazonais no segmento.

 

Produção de petróleo da Petrobras no Brasil cai 2,5%

A produção de petróleo da Petrobras no Brasil em 2013 atingiu a média de 1,93 milhão de barris por dia (bpd), 2,5% menor que em 2012, mas a estatal indicou que a interligação de novos poços neste ano vai contribuir para o aumento da produção.

Em dezembro, a de petróleo atingiu a média de 1 milhão 964 mil barris/dia (bpd) e foi 0,4% maior que a de novembro. A produção total de petróleo e gás natural da companhia no território nacional em dezembro foi de 2,36 milhões de barris de óleo equivalente por dia, 0,8% acima do volume extraído em novembro.

"A redução do volume produzido em 2013 decorreu, principalmente, do atraso na entrada em operação do campo de Papa-Terra, na Bacia de Campos, cuja sequência de interligação de poços à plataforma P-63 precisou ser revista em função da presença de corais no leito oceânico", informou a estatal.

Além disso, contribuíram para a retração o atraso na chegada ao Brasil e dificuldades de instalação de equipamentos denominados Boias de Sustentação de Risers (BSRs), que permitiriam a interligação de novos poços nos campos de Sapinhoá e Lula NE, na Bacia de Santos.

Também houve atraso no início da produção das plataformas P-55 e P-58, no campo de Roncador e no Parque das Baleias, respectivamente, na Bacia de Campos.

"Com a interligação de novos poços nessas unidades de produção, assim como nas plataformas P-62, no Módulo 4 do campo de Roncador, e P-61, no de Papa-Terra, ambas previstas para começar a produzir no primeiro semestre, a Petrobras terá estabelecido as condições necessárias para aumentar a produção ao longo de 2014."

Os números foram considerados fracos por analistas do Credit Suisse, destaca a Reuters.

"A aceleração (na produção) está dolorosamente menor que o esperado, sem aumentos de produção nos últimos três meses (...) Precisaremos ver a produção começar a crescer para mostrar algumas melhoras até março, no máximo", disseram os analistas do Credit Suisse em nota a clientes.

Às 11h29, as ações preferenciais da Petrobras exibiam oscilação positiva de 0,14%, enquanto o Ibovespa tinha baixa de 0,65%.

Pré-sal
A produção total de petróleo e gás da Petrobras (Brasil e exterior) em 2013 foi de 2 milhões 540 mil barris de óleo equivalente por dia (boed), 2,2% abaixo do volume de 2012. Desse total, 219.552 boed foram produzidos dos campos da empresa no exterior e 2 milhões 321 mil boed no Brasil.

A companhia informou ainda que pré-sal teve recorde de produção mensal, com 344,9 mil barris de óleo por dia (bopd). Essa marca foi obtida com 21 poços produtores em operação.

A Petrobras informou ainda que o recorde de produção diária foi novamente superado em 14 de janeiro deste ano, quando foram produzidos do pré-sal 390 mil barris de petróleo diários.

 

Cai em janeiro confiança do empresário do comércio

Os empresários do comércio ficaram menos otimistas em janeiro, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgados. O Índice de Confiança dos Empresários do Comércio (Icec) recuou 2,4% em janeiro ante o mesmo mês de 2013, o sexto resultado negativo consecutivo.

Em janeiro, houve deterioração nas expectativas para os próximos meses e na percepção sobre as condições atuais. Segundo a CNC, os juros mais elevados e a desvalorização do real em relação ao dólar explicam o recuo de 2,3% no indicador que mede as expectativas do empresário do comércio, em relação a janeiro do ano passado.

Já o indicador que mede a percepção sobre as condições correntes registrou queda de 5,6%, puxado pelo tombo de 9,3% na avaliação sobre a situação da economia. Por outro lado, a recuperação das vendas do comércio nos últimos meses fez melhorar em 0,6% a expectativa de investimentos em janeiro ante janeiro de 2013.

Na comparação com dezembro, o Índice de Confiança dos Empresários do Comércio (Icec) mostrou redução de 2,3%, mas o movimento é considerado sazonal, uma reação à desaceleração típica das vendas do comércio no início do ano.


 

Hidrelétrica Belo Monte tem cerca de 45% de obras concluídas

A usina hidrelétrica Belo Monte (PA), no rio Xingu, está com cerca de 45 por cento das obras civis concluídas, segundo balanço da empresa responsável pelo empreendimento, e entra na fase de conclusão da primeira etapa da montagem eletromecânica em um dos canteiros.

 A Norte Energia, responsável pelo empreendimento, informou nesta quarta-feira que a primeira etapa da montagem eletromecânica do sítio Pimental entra em fase de conclusão e até 31 de janeiro os engenheiros e operários terminam de revestir os tubos de sucção das turbinas 5 e 6.

"Com o trabalho na base das seis turbinas, mais uma etapa da concretagem da Casa de Força Complementar da Usina Hidrelétrica Belo Monte estará liberada, em conformidade com o cronograma das obras civis", informou a empresa em nota.

O gerente de Montagem Eletromecânica do sítio Pimental, Luiz Horta, acrescentou que com a conclusão da primeira parte da montagem eletromecânica, o trabalho em concreto e aço deve avançar em um ritmo mais acelerado.

A hidrelétrica Belo Monte terá 11,2 mil megawatts (MW) de potência instalada quando estiver concluída. A usina, licitada em 2010, teve as obras iniciadas em 2011 e já sofreu diversas paralisações em canteiros de obras por manifestações de indígenas e ativistas contrários aos empreendimento e por trabalhadores.

A primeira unidade geradora da usina deve entrar em operação comercial em 2015.

Entre os acionistas da Norte Energia estão Eletrobras, fundos Petros e Funcef, Neoenergia, Cemig e Light.

 

O maior avião de carga  do mundo  ganhará nova versão

Os aviões geralmente se parecem com pássaros, mas existem cinco modelos diferentes nos céus com um formato parecido com o de uma baleia. Eles são vistos mais frequentemente na França, especialmente na cidade de Tolouse, na fábrica da Airbus onde é fabricado o Beluga, o avião mais estranho do mundo.

Existem apenas cinco Belugas no mundo, encarregados de conectar as diferentes fábricas de aviões da Airbus. Eles suportam cargas extremamente pesadas, de até 47 toneladas, e transportam volumes maiores que os tamanhos comuns.

Para abrir espaço interno, a cabine do piloto se projeta para baixo. A parte superior da aeronave foi cortada e uma seção adicional, mais larga da fuselagem, semelhante a uma bolha, foi adicionada à estrutura, dando-lhe a sua corcunda característica.

As baleias voadoras transportam desde obras de arte, até helicópteros e satélites. O nome Beluga refere-se à semelhança com a baleia ártica branca, mas o nome oficial é Airbus A300-600ST, onde as letras finais significam Super Transporter.

Centros de produção da Airbus estão espalhados por todo o continente, já que a fábrica tem origem no consórcio de diferentes fabricantes europeus.

Conexão. Cada fábrica é especializada na realização de uma secção específica de uma aeronave. Os cinco Belugas, todos operados por Airbus, fazem a conexão entre as fábricas e transportam diferentes peças para a linha de montagem final, em Toulouse ou Hamburgo, na Alemanha.

Desde voo inaugural do primeiro Beluga, em 1994, a Airbus multiplicou a sua capacidade de transporte mais de cinco vezes.

A empresa tornou-se mais global, diversificando suas fábricas e sua base de fornecedores com unidades na China e no Alabama.

A empresa já estuda uma nova versão do avião baleia, provisoriamente chamado Beluga XL.
A nova versão deverá ter um alcance maior e ser capaz de transportar uma carga ainda mais pesada, mantendo a capacidade de pousar em aeroportos com pistas relativamente curtas, como a de Broughton, no País de Gales, onde a Airbus faz asas para os seus aviões.

A próxima geração do Beluga deve também tornar possível à Airbus dobrar o número de voos de carga para 120 por semana.

O que parece assegurado é que o Beluga XL vai ser semelhante à versão atual, ou seja, a cara e o corpo de baleia.

 

Superávit comercial do Brasil em 2014 vai encolher  

O relatório de mercado Focus, divulgado, pelo Banco Central, mostrou que os analistas estão descrentes em relação ao otimismo da autoridade monetária com as contas externas deste ano. A expectativa para o superávit da balança comercial em 2014 passou de US$ 9,10 bilhões para US$ 8 bilhões de uma semana para outra, voltando ao mesmo nível de um mês atrás. Para o BC, as transações comerciais terão um saldo positivo de US$ 10 bilhões em 2014. Para 2015, houve manutenção da previsão de um superávit de US$ 12 bilhões pela quinta semana consecutiva na Focus.

Crucial para as transações correntes do País, a perspectiva para a balança contaminou as previsões apresentadas na Focus para o déficit em conta corrente. De acordo com o levantamento, o déficit deste ano deve ser de US$ 73 bilhões ante expectativa anterior de um rombo de US$ 72,15 bilhões - quatro semanas atrás a projeção era de déficit de US$ 72 bilhões para essa conta. Para 2015, as previsões também voltaram a piorar, atingindo a expectativa mediana de um déficit de US$ 71,45 bilhões ao final do ano ante previsão de resultado negativo de US$ 70,60 bilhões da semana anterior e de US$ 71,60 bilhões de um mês antes.

O que chamou a atenção na Focus foi a mudança que o mercado promoveu na mediana para o Investimento Estrangeiro Direto (IED) deste ano. Depois de 75 semanas sem alterar a expectativa de ingresso de US$ 60 bilhões, o mercado conta agora com a entrada de US$ 57,50 bilhões, quantia insuficiente para financiar o rombo externo previsto para o período. Para 2015, a mediana das previsões segue em US$ 60 bilhões. No caso da relação dívida/PIB, a Focus manteve a taxa anterior de 34,80% em 2014 - um mês atrás, a expectativa era de uma variação de 35,00%. Para 2015, a mediana das previsões está congelada em 35,00% há seis semanas.

Câmbio

As previsões para o comportamento do câmbio neste e no próximo ano passaram por poucas correções na Focus. A mediana das estimativas para o final de 2014 foi mantida em R$ 2,45 pela quinta semana consecutiva. Para 2015, a mediana das previsões seguiu em R$ 2,50 de uma semana para outra, apesar de estar em R$ 2,45 há um mês.

Já a mediana das previsões para o câmbio médio em 2014 foi ajustada de R$ 2,41 para R$ 2,42 - quatro semanas atrás estava em R$ 2,40. No caso de 2013, o câmbio médio permaneceu em R$ 2,45 de uma semana para outra. Vale lembrar, porém, que um mês antes estava em R$ 2,40.

 

Dilma reforça que Brasil precisa de investimento privado

Em sua primeira participação no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, a presidente Dilma Rousseff destacou que o Brasil vive um cenário de estabilidade econômica e inflação sob controle. "A inflação está dentro do regime de metas e buscamos convergência ao centro com determinação", afirmou.

A presidente reforçou que o Brasil está aberto ao investimento privado dentro do projeto de crescimento e melhoria da infraestrutura. "O Brasil mais que precisa e mais que quer uma parceria com o investimento privado", disse.

A presidente citou o recente programa de concessões privadas de rodovias, assim como os leilões de aeroportos em 2013. Dilma também lembrou que neste ano será realizado o primeiro leilão de ferrovia no País.

"Temos respeito aos contratos e compromisso com o ambiente para atrair investimentos", afirmou. "Sempre recebemos bem o investimento externo e adotamos medida para melhorar mais". O discurso durou cerca de 30 minutos.

Inflação. Dilma lembrou que o descontrole de preços no passado mostrou aos brasileiros o poder destrutivo da inflação para empresas e para a população.

"A estabilidade da moeda é um valor central do nosso País. Não transigimos com a inflação", afirmou. Segundo a presidente, o Brasil, que ainda sofre com algumas condições de desigualdade social, está sendo construído sem abdicar dos fundamentos macroeconômicos. "O controle da inflação e o equilíbrio das contas públicas são essenciais para assegurar a estabilidade", disse.

Crise e emergentes. Dilma começou seu discurso no Fórum Econômico Mundial falando sobre a recuperação da crise financeira global de 2008. Segundo ela, a confiança é indispensável para que o mundo se recupere completamente.

"A saída definitiva da crise requer enfoque que não privilegia apenas o curto prazo. É imprescindível resgatar horizonte de médio e longo prazos em nossas avaliações", afirmou a presidente.

Dilma disse ainda que mesmo que as economias desenvolvidas mostrem sua importância para a recuperação global, "os emergentes continuarão a desempenhar um papel estratégico". Segundo ela, são os emergentes os países com maior capacidade de investimento e consumo. Para a presidente, "é apressada a tese segundo a qual economias emergentes serão menos dinâmicas". "Os emergentes serão dinâmicos porque têm grandes oportunidades", disse.

Contas públicas. Dilma falou sobre o que ela considera o controle das contas públicas no Brasil. Segundo ela, houve uma "melhora qualitativa" das contas públicas nos últimos anos, com a redução da dívida líquida e da dívida bruta. "A meta de superávit do governo será condizente com essa diminuição do endividamento", afirmou a presidente, citando que a dívida bruta federal passou de 60,9% para 58,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013.

"Creio que temos um dos menores endividamentos públicos do mundo", comparou. Ela também disse que a responsabilidade fiscal é um princípio basilar da visão de desenvolvimento econômico e social defendida pelo governo. Ela afirmou que em breve o governo definirá a meta fiscal para o ano de 2014, sem, no entanto, especificar uma data para o anúncio.

 

Consumidor você  tem direito a quatro saques  gratuitos mensais

Muita gente ainda desconhece que os 4 primeiros saques do mês, feitos por clientes de conta corrente pessoa física, são gratuitos. Não importa onde é feita a retirada de valores: no caixa/guichê das agências ou nos terminais de autoatendimento, sejam eles do próprio banco ou da Rede Banco24Horas.

A TecBan, administradora da Rede Banco24Horas, lança a Campanha 4 Saques Grátis para divulgar o benefício, previsto na Resolução 3.919 do Conselho Monetário Nacional.   

 “É importante o conhecimento do benefício da gratuidade pela população e, por isso, a TecBan realiza a Campanha 4 Saques Grátis, divulgada também nos terminais do Banco24Horas”, explica a Superintendente de Marketing e Canais de Distribuição da TecBan, Regina Jancar.   

A TecBan solicita que o consumidor consulte a cesta de produtos contratada com o seu banco. Há instituições financeiras que oferecem um número maior de operações gratuitas em seus pacotes. 

Saiba mais informações sobre a Campanha 4 Saques Grátis e a resolução 3.919 em: www.banco24horas.com.br ou no 0800 56 24 00.

Banco24Horas

Presente em todos os Estados Brasileiros, a Rede Banco24Horas possui mais de 14 mil terminais de autoatendimento localizados em diversos pontos, como supermercados, padarias, shoppings, postos de gasolina, entre outros comércios, que contribuem para a bancarização da população, desenvolvimento das cidades e aumento do fluxo de clientes e de vendas nos estabelecimento onde estão localizados.

Os terminais ficam disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana (ou conforme o horário de funcionamento dos estabelecimentos onde estão instalados).

Sobre a TecBan – A TecBan (Tecnologia Bancária S.A) é uma empresa especializada na gestão de redes de autoatendimento bancário, reconhecida pelos seus elevados índices de disponibilidade, qualidade e segurança. Seu principal foco é atuar como a rede complementar dos bancos no relacionamento com seus clientes.

Há mais de 30 anos no mercado, a TecBan possui quatro unidades de negócios: a Rede Banco24Horas, o ATMManager, Compartilhamento de Redes e Switch Interbancos.

Empresa com foco na produtividade, eficiência e melhoria continua de seus processos, são mais de 30 anos de crescimento e aprendizado, criando e compartilhando valor.

 

Ambiente político é entrave para investir no Brasil

O ambiente político brasileiro é um dos potenciais entraves para realização de investimentos no Brasil, aponta levantamento realizado pela KPMG com cerca de 430 executivos do mundo. As questões políticas são o principal obstáculo para 14% dos consultados e perde apenas para a alta complexidade tributária - o pior entrave para 31% - e burocracia, resposta de 17%.

"Esse levantamento vem sendo realizado há três anos e o que mais nos chamou atenção neste último foi o fato de o ambiente político ser citado por grande parte dos empresários do mundo todo como um dos desafios para quem quer investir no Brasil", avaliou, em nota, Augusto Sales, sócio da KPMG. O levantamento foi feito pelo Grupo de Negócios Globais da KPMG no Brasil durante conferência sobre o País que teve como tema a oportunidade de investimentos.

O sócio da empresa aponta que a preocupação com o ambiente político era um "fator periférico" nas discussões com potenciais investidores no País, mas tem sido recorrente na pauta dos executivos atualmente. "Isso se deve principalmente por causa da aproximação das eleições e da maior exposição da política brasileira para o mundo", avaliou Sales.

Do lado positivo, o acesso aos recursos naturais e o investimento de private equity surgem como respostas para a pergunta sobre o principal atrativo do Brasil. A KPMG aponta ainda que, de olho em uma nova base de clientes, 50% dos entrevistados se mostraram otimistas com o poder de consumo do brasileiro. "Eles veem o Brasil ainda como um mercado interno atrativo por conta do aumento do poder aquisitivo e não como plataforma de exportação de bens em função do chamado custo Brasil, o que diminui a competitividade do País", acrescenta Sales.

A consultoria aponta também que quase 90% dos entrevistados acharam positiva para os seus negócios a convergência das normas de contabilidade brasileira para o padrão internacional de contabilidade (IFRS).

 

 

Crédito imobiliário no Brasil cresceu 32%

Os empréstimos para compra e construção de imóveis totalizaram R$ 109,2 bilhões em 2013, montante recorde no País e 32% superior aos R$ 82,8 bilhões registrados em 2012. Os dados foram divulgados  pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Os dados consideram apenas os financiamentos bancários com recursos provenientes das cadernetas de poupança. Pelas regras do Banco Central, 65% do saldo do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) deve ser direcionado pelos bancos para o crédito imobiliário.

O resultado do ano passado mostra uma aceleração no crescimento do crédito imobiliário. O avanço de 32% em 2013 ante 2012 ficou bastante acima da alta de 3,6% vista na comparação de 2012 ante 2011. O resultado também superou as projeções iniciais da Abecip, que há um ano estimava expansão entre 15% e 20% no volume de financiamentos de 2013.

Entre janeiro e dezembro de 2013 foram financiados 529,8 mil imóveis, 17% acima das 453,2 mil unidades contratadas no mesmo período de 2012.

Em dezembro, o volume de empréstimos somou R$ 10,4 bilhões, 2,3% acima do resultado de novembro, e 17% acima do registrado no mesmo mês de 2012. Em dezembro, foram financiadas aquisições e construções de 50,9 mil imóveis, com alta de 7% em relação a novembro. Comparado a dezembro de 2012, o crescimento foi de 19%.

Poupança. De acordo com dados do Banco Central mencionados na pesquisa da Abecip, em dezembro, os depósitos nas cadernetas de poupança superaram os saques em R$ 8,3 bilhões, o melhor resultado em um único mês desde julho de 1994. No ano, a captação líquida das contas de poupança foi positiva em mais de R$ 54 bilhões, 46% superior ao montante observado em 2012.

Com isso, o saldo dos depósitos de poupança no SBPE superou os R$ 466 bilhões em dezembro, mostrando elevação de 20% em relação ao saldo do final de 2012.

 

 

Preço de material escolar varia de 550% à  5.000%

Nas lojas físicas, a diferença de preços entre materiais escolares chega a até 550%. Uma caneta esferográfica, por exemplo, pode custar desde R$ 1,00 a até R$ 6,50. Na internet, a variação pode ser ainda maior: um apontador custa entre R$ 0,21 e R$ 11,90.

A pesquisa sobre lojas físicas é da Fundação Procon-SP, órgão vinculado à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo. Foi feita em 73 estabelecimentos da capital paulista e do interior do Estado de São Paulo.

O Procon-SP alerta que a escola não pode cobrar uma taxa de material escolar sem a apresentação de lista. Tampouco pode exigir que os pais comprem determinadas marcas ou estipular locais de compra. Ou seja, a opção entre o mais barato ou o mais caro é reservada aos pais.

Mais economia pela internet. De acordo com o comparador de preços Zoom, dependendo das marcas escolhidas pelo consumidor, é possível economizar mais de R$ 1.000 na compra de toda a lista de material escolar.

Veja abaixo a tabela preparada pelo Zoom e as marcas mais caras e mais baratas de cada item, de acordo com o levantamento da empresa.

 

 

Prévia do PIB do Brasil caiu 0,31% em novembro

Após o crescimento surpreendente em outubro, quando atingiu o maior nível desde abril de 2013, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB, caiu 0,31% em novembro de 2013 em relação ao mês anterior, na série sem influências sazonais.

De acordo com dados divulgados pelo BC, o número passou de 146,88 pontos em outubro para 146,42 pontos em novembro.

A queda do IBC-Br foi maior que o piso das projeções dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE-Projeções, que previam queda de 0,28% a alta de 0,60%.

Nos 12 meses encerrados em novembro de 2013, o crescimento foi de 2,61% na série com ajuste sazonal. No acumulado do ano até novembro, houve alta de 2,80% (com ajuste). 

O dado de outubro ante setembro foi revisado de 0,77% para 0,71%, na série com ajuste sazonal.

Sem ajuste. Na comparação entres os meses de novembro de 2013 e de 2012, houve alta de 1,34% na série sem ajustes sazonais. Na série observada, novembro terminou com IBC-Br em 145,15 pontos. O resultado do indicador de novembro de 2013 ante novembro de 2012 também ficou abaixo do piso das estimativas (+1,40% a +2,80%, com mediana positiva de 2,20%).

Nos 12 meses encerrados em novembro de 2013, o crescimento foi de 2,43% na série sem ajuste. No acumulado do ano até novembro, houve alta de 2,68% (sem ajuste).

Trimestre. O IBC-Br registrou expansão de 0,30% na média do período entre setembro e novembro de 2013 na comparação com a média dos três meses anteriores (de junho a agosto de 2013), na série com ajuste sazonal. Já na comparação das médias nos períodos setembro-novembro de 2012 e 2013, o indicador teve alta de 2,91%, no dado sem ajuste, passando de 142,74 pontos para 146,88 pontos.

O IBC-Br serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses. Entre os indicadores está a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostrou alta de 0,7% ante outubro, na série com ajuste sazonal, e cresceram 7,0% ante novembro do ano retrasado. Outro dado importante é a produção industrial, que em novembro de 2013 recuou 0,20% na margem e teve incremento de apenas 0,40% no confronto interanual.

 

Brasil e China pesam nas vendas do Carrefour

O Carrefour, segundo maior grupo varejista do mundo, disse que o crescimento das vendas desacelerou no Brasil e ficou negativo na China nos últimos três meses de 2013, um baque em dois grandes mercados emergentes nos quais a companhia planeja se expandir.

As ações da empresa francesa caíam 3,24 por cento às 11h50 (horário de Brasília), depois do Carrefour também ter divulgado um avanço mais lento em hipermercados domésticos do que no trimestre anterior, embora tenha saudado um retorno ao crescimento na Espanha pela primeira vez em cinco anos.

"Foram resultados muito mistos", disseram analistas do Bernstein.

O Carrefour está lutando para reverter anos de fraco desempenho da Europa, região responsável por 65 por cento de suas vendas. Os problemas devem-se em parte a uma dependência do formato de hipermercado, em cuja introdução foi pioneiro, num momento em que clientes com pouco tempo disponível estão comprando mais localmente e online, e adquirindo bens não-alimentares de lojas especialistas.

O presidente-executivo da empresa, Georges Plassat, teve algum sucesso no mercado doméstico com a estratégia de cortar custos e reformular lojas, melhorando a competitividade de preços, simplificando as ofertas de produtos e dando mais autonomia aos gerentes das lojas.

Ele também destacou o Brasil, segundo maior mercado da empresa atrás da França, e a China como principais mercados para expansão.

Mas o Carrefour divulgou que as vendas em lojas chinesas abertas há mais de um ano caíram 3,1 por cento no quarto trimestre em comparação com um aumento de 1,1 por cento no terceiro trimestre.

O Carrefour também revelou que o crescimento das vendas comparáveis no Brasil desacelerou para 5,8 por cento, contra 8,8 por cento no terceiro trimestre.

No entanto, a empresa se comprometeu a avançar com planos de expansão na maior economia da América do Sul, e, notadamente, acelerar a aberturas de lojas da bandeira Atacadão, de autosserviço.

O vice-presidente financeiro do Carrefour, Pierre-Jean Sivignon, reiterou que uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) era uma opção entre outras consideradas pela empresa para financiar sua expansão no Brasil.

"CAMINHO CERTO"

O Carrefour, segundo maior do mundo atrás apenas do norte-americano Wal-Mart, disse que as vendas gerais do quarto trimestre somaram 22,2 bilhões de euros, um crescimento sobre as mesmas bases de 3,2 por cento, excluindo efeitos de combustível e de calendário.

"Apesar das tendências relativamente fracas hoje, ainda achamos que a recuperação na França está no caminho certo e o grupo parece estar tomando as medidas adequadas em outros países, em particular na Itália, para melhorar as operações, margens e retornos", disseram analistas do Société Générale.

Na França, que representa mais de 40 por cento das receitas do grupo, as vendas nas mesmas lojas em hipermercados do Carrefour subiram 1,4 por cento em comparação com um aumento de 3 por cento no terceiro trimestre.

Na Espanha, o terceiro maior mercado do Carrefour, as vendas subiram 0,2 por cento sobre as mesmas bases. Sivignon disse que queria esperar outro trimestre antes de classificar a melhoria da performance como uma tendência no país.

O clima econômico ainda estava difícil na Itália, onde as vendas caíram 5,9 por cento, com a necessidade de alguns outros trimestres para que campanhas, como promoções, dessem frutos.

 

Petrobras amplia reservas de petróleo e gás natural no Brasil

A Petrobras ampliou em 1,5% suas reservas de petróleo e gás natural no Brasil em 2013. Em nota divulgada, a estatal informou que se apropriou de reservas equivalentes a 1,09 bilhão de barris.

Ao descontar as vendas nas participações de blocos (45 milhões de barris) e a produção nacional de petróleo no ano (800 milhões), a empresa conseguiu agregar às suas reservas 244 milhões de barris. O volume é equivalente a 110 dias de produção, considerando a média de 2,2 milhões de barris diários de 2013.

Com o aumento, a empresa agora tem uma reserva provada de 15,97 bilhões de barris no Brasil. A apropriação de novas reservas foi conseguida devido, principalmente, à declaração de comercialidade de duas áreas da cessão onerosa do pré-sal da Bacia de Santos: os campos de Búzios (antes conhecido como área de Franco) e Sul de Lula (antiga área Sul de Tupi).

No exterior, a Petrobras se apropriou de reservas equivalentes a 52 milhões de barris, volume insuficiente para repor suas vendas de ativos e produção, de 172 milhões de barris. Com isso, as reservas internacionais de petróleo da estatal caíram de 711 milhões de barris em 2012 para 592 milhões em 2013

 

Inflação entre idosos foi de 5,48% em 2013

A inflação percebida pelos idosos encerrou o quarto trimestre de 2013 com alta de 2,10%, bem acima da taxa de 0,19% apurada no terceiro trimestre - aponta o Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), anunciado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Com o resultado, o índice acumulado no ano passado para os idosos foi de 5,48%. As aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) terão reajuste acima desse índice em 2014, de 5,56%.

Já o resultado do IPC-3i no último trimestre ficou acima, no mesmo período, do Índice de Preços ao Consumidor - Brasil (IPC-BR), que mede a inflação em todas as faixas etárias. A inflação medida pelo IPC-BR subiu 1,94% de outubro a dezembro.

A principal contribuição para a aceleração partiu do grupo Alimentação, cuja taxa passou de -1,79% para 3,56%, com destaque para hortaliças e legumes (-33,25% para +12,77%).

Contribuíram também os grupos: Transportes (-0,51% para 1,95%), Habitação (1,04% para 1,75%), Educação, Leitura e Recreação (0,89% para 2,51%), Vestuário (0,40% para 2,31%), Comunicação (0,17% para 0,91%), Despesas Diversas (0,53% para 1,61%) e Saúde e Cuidados Pessoais (1,19% para 1,49%).

A gasolina teve alta de 3,78%, contra queda de 0,08% no trimestre anterior.

O IPC-3i representa o cenário de preços sentido em famílias com pelo menos 50% dos indivíduos de 60 anos ou mais de idade e renda mensal entre 1 e 33 salários mínimos.

 

 

 

Balança comercial do Brasil começa 2014 com déficit

A balança comercial brasileira iniciou o ano no vermelho. Nas duas primeiras semanas de janeiro de 2014, que totalizaram sete dias úteis, a balança registrou déficit de US$ 574 milhões, resultado de exportações no valor de US$ 5,069 bilhões e importações de US$ 5,643 bilhões.

Os dados divulgados , pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostram que a balança teve superávit de US$ 110 milhões na primeira semana do mês, com apenas dois dias úteis, e um déficit de US$ 684 milhões na segunda semana de janeiro.

As exportações registraram média diária de US$ 724,1 milhões em janeiro e acumulam queda de 0,2% em relação a janeiro de 2013 (US$ 725,8 milhões). Houve queda de 7,2% das vendas externas de bens manufaturados, puxada por etanol, tubos flexíveis de ferro ou aço, açúcar refinado, autopeças, medicamentos, máquinas e aparelhos para uso agrícola, pneumáticos e automóveis de passageiros.

Os embarques de bens semimanufaturados subiram 4,9%, em função das vendas de óleo de soja em bruto, celulose, sucos e extratos vegetais, óleo de dendê em bruto, madeira laminada e em estilhas, borracha sintética e artificial e ferro-ligas.

As exportações de produtos básicos cresceram 3,3% por conta, principalmente, de soja em grão, minério de alumínio, petróleo em bruto, farelo de soja, arroz em grãos, minério de manganês e carne bovina.

Nas importações, a média diária até a segunda semana de janeiro de 2014 foi de US$ 806,1 milhões, 11,4% abaixo da média de janeiro de 2013 (US$ 909,4 milhões). Diminuíram as compras brasileiras no exterior, principalmente, com combustíveis e lubrificantes (-71,7%), leite e derivados (-38,0%), aeronaves e peças (-23,9%), bebidas e álcool (-21,4%), farmacêuticos (-9,9%), cereais e produtos de moagem (-6,1%), veículos automóveis e partes (-5,9%) e produtos siderúrgicos (-2,2%).

 

 

Inflação termina 2013 mais resistente

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, admitiu , por meio de nota, que a inflação ao consumidor medida pelo IPCA no ano passado mostrou resistência "ligeiramente acima daquela que se antecipava". O índice divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira, 10, encerrou 2013 em 5,91%.

"Essa resistência da inflação, em grande medida, se deveu à depreciação cambial ocorrida nos últimos semestres, a custos originados no mercado de trabalho, além de recentes pressões no setor de transportes", citou o presidente.

Tombini ressaltou na nota, porém, que apesar da elevação ante os 5,84% observados em 2012, a inflação se posicionou dentro do intervalo de tolerância fixado para o ano. O Conselho Monetário Nacional (CMN) determinou uma meta de 4,5% para 2013, com intervalos de tolerância de 2 pontos porcentuais para cima e para baixo.

O presidente do BC só se pronuncia por meio de comunicado sobre o tema porque está no chamado "quiet period" por conta da proximidade da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para a próxima quarta-feira, 15.

Depois do resultado da inflação de dezembro e do dado fechado do ano, cresceu no mercado de juros a chance de alta de 0,5 ponto porcentual na Selic este mês.

Se for confirmada, a taxa básica Selic passará para 10,50% ao ano.

 

Cesta básica dispara em 18 capitais

O preço dos itens que compõem a cesta básica subiu em 2013 nas 18 capitais onde o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) realiza mensalmente sua pesquisa nacional. Nove capitais registraram altas acima de 10% no ano passado, com as elevações mais altas registradas em Salvador (16,74%), Natal (14,07%) e Campo Grande (12,38%). As menores altas foram apuradas em Goiânia (4,37%) e Brasília (4,99%).

O mercado financeiro, de acordo com a mais recente pesquisa semanal Focus, realizada pelo Banco Central, espera que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da política de meta de inflação, tenha fechado o ano passado em 5,74%. O resultado oficial será anunciado amanhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Considerando apenas o mês de dezembro, o preço da cesta básica subiu em 15 das 18 cidades pesquisadas, com estabilidade em Vitória e quedas apenas em Aracaju (-0,88%) e Rio de Janeiro (-0,43%). Goiânia e Florianópolis registraram as maiores altas no último mês do ano passado, de 7,95% e 7,86%, respectivamente.

O valor mais alto de cesta básica em dezembro foi encontrado em Porto Alegre, onde o preço dos itens somou R$ 329,18. Na sequência, vêm São Paulo (R$ 327,24) e Vitória (R$ 321,39). Já os valores mais baixos foram observados em Aracaju (R$ 216,78), João Pessoa (R$ 258,81) e Salvador (R$ 265,13).

São Paulo

São Paulo foi a capital que registrou o segundo maior valor de cesta básica em dezembro, de R$ 327,24, alta de 7,33% sobre o valor apurado em dezembro de 2012 (R$ 304,90). No último ano, a variação dos preços dos alimentos básicos em São Paulo foi superior ao aumento do salário mínimo, de acordo com o Dieese, o que fez com que o porcentual do salário comprometido com a compra da cesta subisse de 47,08% em 2012 para 48,44%.

O Dieese destaca altas de 30,72% na farinha de trigo, 19,92% no leite, 19,20% na banana, 15,10% na batata, 14,99% no pão francês, 13,44% na manteiga, 8,63% na carne e 3,76% no tomate em 2013 na capital paulista. Foram registradas quedas nos preços do óleo de soja (-22,38%), açúcar (-20,96%), feijão (-20,10%), café em pó (-7,83%) e arroz (-6,51%).

Em dezembro ante novembro, seis produtos registraram aumento de preço na capital paulista: tomate (8,73%), açúcar (3,43%), batata (2,92%), carne bovina (0,83%), óleo de soja (0,37%) e pão francês (0,32%). Manteiga e arroz continuaram com preços estáveis e foram registradas quedas nos valores do feijão (-9,86%), leite in natura integral (-2,49%), banana (-0,92%), farinha de trigo (-0,91%) e café em pó (-0,72%).

Salário mínimo

O salário mínimo deveria ter sido de R$ 2.765,44 em dezembro para suprir as necessidades básicas do trabalhador brasileiro e de sua família, estima o Dieese, com base nos números da Pesquisa Nacional da Cesta Básica em 18 capitais.

A instituição leva em conta o custo apurado para a cesta básica mais cara no período, a de Porto Alegre, de R$ 329,18, e o preceito constitucional que estabelece que o salário mínimo deve suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Pelas contas do Dieese, portanto, o menor salário deveria ser 4,08 vezes o valor do mínimo vigente em dezembro, de R$ 678. Em dezembro de 2012, o valor necessário para atender às despesas de uma família foi de R$ 2.561,47, ou 4,12 vezes o mínimo vigente no período, de R$ 622.

Tempo de trabalho

A jornada de trabalho necessária para comprar os alimentos essenciais por um trabalhador que ganhava o salário mínimo em dezembro, na média das capitais, subiu para 94 horas e 47 minutos. Em novembro, o tempo médio de trabalho era de 93 horas e 25 minutos e, em dezembro de 2012, de 94 horas e 23 minutos.

O Dieese fez a comparação do custo da cesta com o salário mínimo líquido, após o desconto da Previdência Social, e apurou que o trabalhador remunerado pelo piso comprometeu em dezembro 46,83% dos vencimentos para comprar os mesmos produtos que, em novembro, comprometiam 46,16%. Em dezembro de 2012, o comprometimento era de 46,64%.

 

Companhias petrolíferas estão cautelosa quanto a investir no Brasil

Quando campos de petróleo representando bilhões de barris foram descobertos na costa brasileira, autoridades do governo disseram que o achado transformaria o País num importante ator na área energética. Mais de seis anos depois, a perspectiva para o setor petrolífero brasileiro, como a própria economia, é mais moderada. A produção de óleo está estagnada, a Petrobrás está repleta de dívidas e as empresas de petróleo estrangeiras estão cautelosas quanto a investir no Brasil.

"Engraçado, há poucos anos todos adoravam o Brasil", diz Roger Tissot, consultor veterano do setor energético latino-americano. "Agora parece que a paixão acabou."

O Brasil antes se via como uma potência emergente na área petrolífera que iria suprir a demanda mundial, mas agora se depara com uma dura realidade e poderá ter de reduzir suas expectativas, afirmam antigas autoridades brasileiras, executivos e analistas do setor.

A enorme abundância encontrada no fundo do mar repentinamente ficou menos atrativa para as empresas petrolíferas. Outras fontes de energia promissoras emergiram em todo o mundo, incluindo campos na África, areias de betume no Canadá e os depósitos de gás de xisto. "Essas companhias têm vigor financeiro, capacidade de engenharia e tecnologias para se mover por todo o mundo", diz Ramón Espinasa, especialista da área no Banco de Desenvolvimento Interamericano, em Washington. "Elas podem escolher e isso explica por que não estão no Brasil."

Para alguns especialistas do setor, os estrategistas brasileiros da área energética que se referiram a reservas não confirmadas que concorreriam com as das maiores potências petrolíferas podem ter exagerado sobre o "pré-sal". "Autoridades de governo afirmaram que as reservas brasileiras eram equivalentes a 50 bilhões de barris, 100 bilhões e até 240 bilhões, mais do que na Arábia Saudita", disse Wagner Freire, geólogo que trabalhou 35 anos na Petrobrás, onde supervisionou a exploração e produção do bruto. "Muitos poços perfurados na área do pré-sal estavam secos."

Quando das descobertas em 2007, Lula disse que o "Brasil ganhou na loteria". A Petrobrás era uma das dez maiores companhias do mundo, admirada por investidores como George Soros e se tornou a predileta de Wall Street.

Funcionários da Petrobrás conceberam um plano que daria ao Brasil status de elite entre os produtores de energia do mundo, com a produção subindo de 2 milhões de barris por dia para 5,3 milhões em 2020, segundo o presidente da empresa na época, José Sergio Gabrielli.

As projeções hoje são mais limitadas, mas ainda ambiciosas: 4,7 milhões de barris diários dentro de uma década, de acordo com o ministro Edison Lobão. "Considerando que nessa ocasião nosso consumo será de 3,1 milhões de barris por dia, estaremos exportando em torno de 1,6 milhões de barris diários de petróleo". Será o volume total de petróleo exportado pela Venezuela, país membro fundador da Organização dos Países Exportadores de Petróleo.

Encargos pesados. Segundo alguns especialistas, a previsão é irrealisticamente otimista. "Esqueça esses dados", afirmou o executivo de uma instituição financeira internacional que discutiu a questão com autoridades brasileiras da área energética e assessora empresas de petróleo. De acordo com ele, o Brasil não encontra novas bacias desde 2008 e enfrenta o desafio avassalador de desenvolver a área do pré-sal que terá um custo de US$ 237 bilhões. "As pessoas dizem que a Petrobrás não tem capacidade para administrar isso", disse, referindo-se ao que é considerado o projeto de investimento corporativo mais caro do mundo.

Para ressuscitar o setor da construção naval, a Petrobrás e empresas parceiras precisam usar as plataformas de petróleo e outros equipamentos pesados fabricados no Brasil - resultando em gastos extraordinários e escassez de equipamentos.

A exigência é que a Petrobrás seja a operadora líder e tenha uma participação mínima de 30% em qualquer dos novos campos de pré-sal, o que implica enormes responsabilidades financeiras para a empresa e ao mesmo tempo afasta potenciais parceiros estrangeiros. A companhia também é forçada a importar gasolina a preços abaixo do mercado - política que tem por fim combater a inflação e representou um custo para a empresa de US$ 20 bilhões desde 2008.

"A perda de receita que o governo impõe à Petrobrás obriga a companhia a assumir mais dívidas", diz Adriano Pires, ex-assessor da Agência Nacional do Petróleo (ANP). "O governo usa a Petrobrás para seus objetivos eleitorais e econômicos".

A empresa responde a isso vendendo ativos no Peru, Colômbia, África e Golfo do México. E adiou o desenvolvimento de outros campos potencialmente lucrativos, como os depósitos de Sergipe, cuja projeção é render 1 bilhão de barris de petróleo.

De acordo com a presidente da Petrobrás, Maria das Graças Silva Foster, a situação financeira a curto prazo "é tranquila", com US$ 58 bilhões em caixa. Afirmou também que a diretoria da Petrobrás "está vigilante quanto às dívidas e vem trabalhando para tornar a geração de recursos mais previsível e reduzir o endividamento da companhia".

Mas cada vez mais os mercados financeiros consideram a Petrobrás uma empresa muito sobrecarregada. O valor das suas ações despencou, parte de uma tendência que dura dois anos em que a Petrobrás perdeu um terço do seu valor.

 

Laboratório Fleury gera disputa acirrada entre fundos

A decisão de um grupo de 24 médicos de vender o controle do laboratório Fleury foi a fagulha para acender uma disputa acirrada pelo negócio. Segundo fontes de mercado, são muitos os interessados. Fundos fortes no País, como Gávea Investimentos (capitaneado pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga) e Carlyle (que já comprou CVC, Ri Happy e Tok&Stok), avaliam a empresa, que está sendo assessorada pelo banco JP Morgan.

Além desses dois pesos pesados, pelo menos um outro fundo americano - o KKR - e laboratórios estrangeiros, de olho no crescimento do setor de saúde no País, também estão avaliando a compra do Fleury.

Toda essa movimentação do mercado seria uma "pedra no sapato" da Bradesco Seguros, que já é sócia do empreendimento  e tem todo o interesse de ser controladora do negócio, dizem fontes.

A companhia seguradora, que quer aumentar sua fatia no Fleury, estaria insatisfeita com o preço pedido pelos controladores do laboratório. "As negociações estão cozinhando desde novembro. A impressão é que eles (controladores) estão esperando uma proposta melhor da Bradesco Seguros", disse uma fonte. Procurados, Bradesco Seguros e Fleury não comentaram o assunto.

Negociações lentas. Entre os fundos, a impressão é que as negociações não estão muito fáceis - a Core Participações, que reúne os médicos sócios do laboratório, oficializou o processo de venda do Fleury, que era alvo de rumores há tempos, há quase dois meses. "Tudo está andando mais devagar do que a gente imaginava a princípio", disse o diretor de um dos fundos que estão avaliando o ativo. "Mas continuamos interessados", ressalvou.

Segundo fontes de mercado, as conversas com a Gávea Investimentos (controlado pelo JP Morgan), que foram reveladas pela imprensa no mês passado, também não teriam caminhado muito até agora. Isso porque os acionistas do Fleury teriam reservas em abrir seus dados financeiros para o fundo, que de certa forma é seu concorrente - a gestora é sócia do laboratório mineiro Hermes Pardini. Nos bastidores, questionava-se também o uso do Hermes Pardini como plataforma para a compra do Fleury, que tem um porte bem maior.

Por trás da intenção da venda do controle do laboratório Fleury estaria a intenção de sofisticar a entrega da empresa, cuja receita hoje está quase que totalmente baseada em repasses de planos de saúde. A companhia, que já é dona de uma marca premium - a Labs D'Or, por exemplo - teria a intenção de migrar de área, com a incorporação de outros serviços médicos, além dos diagnósticos. No mercado, comenta-se que suas marcas seriam fortes o suficiente para esse movimento.

O setor de saúde está atraindo diversos investidores ao Brasil. "É um mercado em processo de concentração. Além do interesse em laboratórios de análise, investidores estão de olho em hospitais e operadoras de planos de saúde, uma vez que o aumento de renda da classe C tem gerado demanda maior por esse serviço", disse outra fonte de mercado.

 

 

Superávit comercial do País em 2013 foi um fiasco

Depois de 11 anos registrando superávit de dois dígitos, a balança comercial brasileira ficou positiva em US$ 2,561 bilhão em 2013, segundo dados divulgados, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). As exportações alcançaram US$ 242,178 bilhões no ano e as importações totalizaram US$ 239,617 bilhões. O resultado é o menor desde 2000, quando o resultado foi um déficit de US$ 731 milhões.

O resultado do ano ficou dentro do intervalo das expectativas das instituições de mercado ouvidas pelo AE Projeções, que variou de US$ 907 milhões a US$ 2,5 bilhões, com mediana de US$ 1,657 bilhão.

Em dezembro, o superávit comercial foi de US$ 2,654 bilhão. O resultado é o pior para o mês desde 2003, quando o resultado foi positivo em US$ 2,756 bilhão. Em dezembro, as exportações somaram US$ 20,846 bilhões e as importações, US$ 18,192 bilhões. O resultado ficou dentro do intervalo das expectativas das instituições de mercado ouvidas pelo AE Projeções, que variou de US$ 150 milhões a US$ 2,600 bilhões, com mediana de US$ 1,4 bilhão.

O MDIC divulgou também que a balança comercial registrou superávit de US$ 1,416 bilhão na quarta semana de dezembro e superávit de US$ 122 milhões na quinta semana de dezembro, que representa apenas os dias 30 e 31 de dezembro.

 

Braskem fecha a compra da rival Solvay

Após quase um ano de negociações, a Braskem venceu a disputa com grupos estrangeiros e anunciou ontem a aquisição da Solvay Indupa, concorrente no mercado de PVC. A operação, avaliada em US$ 290 milhões, torna a petroquímica brasileira a quarta maior fabricante de PVC das Américas - além de única fabricante nacional da resina -, e marca a entrada do grupo no mercado argentino.

Desde 2010, quando anunciou a incorporação da Quattor, a Braskem também não possui concorrentes brasileiros nos mercados de polipropileno e polietileno.

Ao comprar a rival, cujo faturamento anual está estimado em cerca de US$ 750 milhões, a petroquímica brasileira deve atingir a marca de R$ 40 bilhões em receita anual. A operação, no entanto, ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e de autoridades regulatórias argentinas.

A diretoria da Braskem evitou fazer projeções de quando a transação poderá receber o aval do Cade, mas mostrou otimismo em relação à aprovação. "Está estabelecido no Brasil que o mercado de resina é um mercado global", afirmou o presidente da Braskem, Carlos Fadigas, reproduzindo entendimento do Cade no processo de análise da compra da Quattor. Mesmo após a aquisição da Solvay, a Braskem terá uma participação de mercado de apenas 2% na indústria global de PVC, segundo Fadigas.  

 

Localmente, porém, a operação é relevante. A capacidade instalada de PVC da Braskem será ampliada de 710 mil para 1,250 milhão de toneladas anuais, quase metade do mercado sul-americano. A aquisição da Solvay Indupa também representa o ingresso da Braskem no mercado argentino, assim como a possibilidade de produzir PVC na região Sudeste, principal mercado consumidor do Brasil. A Braskem operava, até então, fábricas de PVC em Alagoas e na Bahia.

A proximidade com o mercado da região Sudeste justifica a intenção da Braskem de promover uma ampliação na fábrica da Solvay Indupa localizada em Santo André. A expansão seria de 50 mil toneladas anuais, ou 15% da atual fábrica, mas ainda não tem uma data para a ampliação ocorrer.

Aquisição. O montante de US$ 290 milhões considera, além da assunção de dívidas da Solvay Indupa, a intenção da Braskem de realizar uma oferta pública de aquisição (OPA) das ações representativas de 29,41% do capital da Solvay Indupa. O acordo envolve apenas 70,59% do capital da Solvay Indupa detido pela Solvay Argentina, uma empresa do Grupo Solvay. A transação está avaliada em cerca de US$ 200 milhões, sendo o restante destinado à futura oferta pública de ações.

A operação não deverá provocar mudanças no nível de endividamento da Braskem, segundo o vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores Mario Augusto da Silva. "(A aquisição) terá uma parcela bem pequena de caixa. Por isso, do ponto de vista da alavancagem, ela é neutra", afirmou.

Em comunicado divulgado na noite de ontem, o Grupo Solvay esclareceu que a venda renderá apenas US$ 25 milhões ao caixa da companhia. "O montante de caixa resultante para a participação da Solvay será de US$ 25 milhões (18 milhões de euros). O desinvestimento deve gerar uma perda líquida (não-caixa) de cerca de 120 milhões de euros nas ações do Grupo Solvay", informou o grupo europeu.

Concluído o acordo, o número de fábricas operadas pela Braskem saltará de 36 para 40 unidades, das quais 31 fábricas no Brasil e nove no exterior (Argentina, Estados Unidos e Alemanha). A capacidade instalada de produção de resinas termoplásticas da Braskem, categoria na qual estão incluídos o PVC, o polietileno e o polipropileno, crescerá 7% após a incorporação da Solvay, de 7,68 milhões para 8,22 milhões de toneladas anuais, reforçando assim a condição de líder na produção de resinas termoplásticas alcançada pela Braskem desde que iniciou seu movimento de internacionalização.

Criada em agosto de 2002, a Braskem deu seu primeiro passo internacional em 2010, quando adquiriu ativos da Sunoco Chemicals nos Estados Unidos, dias após o anúncio de compra da Quattor. No ano seguinte, a petroquímica brasileira anunciou a compra de ativos da Dow Chemical nos Estados Unidos e na Alemanha, e com isso se tornou a maior fabricante de polipropileno do mercado norte-americano.

 

 

Vendas de material de construção crescem  em novembro

As vendas de material de construção cresceram 1 por cento em novembro, na comparação anual, informou a associação que representa o setor, Abramat.

Em relação a outubro, as vendas caíram 8,1 por cento. No acumulado do ano até novembro, o faturamento registra alta de 3,8 por cento, diante da expectativa da associação de crescimento de 4 por cento no fechado de 2013.

No mês passado, as vendas de materiais de acabamento superaram os resultados dos materiais básicos, em todos os indicadores, disse a Abramat.

As vendas internas dos materiais básicos cresceram 2,9 por cento em relação a novembro do ano passado e caíram 9,9 por cento na comparação com outubro deste ano.

Já na indústria de materiais de acabamento, as vendas subiram 7,2 por cento em novembro ante 2012, mas recuaram 5,6 por cento na comparação com outubro.

NÍVEL DE EMPREGO

O nível de emprego na indústria de materiais de construção subiu 0,3 por cento ante novembro de 2012. Na comparação com outubro deste ano, o crescimento foi de 0,2 por cento.

Considerando os materiais básicos houve queda de 1,3 por cento no ano a ano e recuo de 0,1 por cento ante outubro.

Na indústria de materiais de acabamento, o nível cresceu 2,9 por cento na comparação com novembro de 2012 e caiu 0,7 por cento em comparação ao mês imediatamente anterior.

 

Preço do etanol sobe em São Paulo

Os preços do etanol hidratado nos postos brasileiros subiram em 18 Estados, caíram em seis e ficaram estáveis no Amapá, em Rondônia e no Distrito Federal na semana encerrada em 14 de dezembro, de acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). No período de um mês, os preços do etanol subiram em 23 Estados e no Distrito Federal e caíram na Paraíba, em Pernambuco e em Sergipe.

 

Em São Paulo, principal Estado consumidor, a cotação subiu 1,40% na semana, para R$ 1,879 o litro. No período de um mês, acumula alta de 5,86%. Na semana, a maior queda, de 2,13%, ocorreu no Piauí, enquanto a maior alta foi registrada no Mato Grosso (+3,43%). No mês, os preços caíram mais em Sergipe (-1,44%) e subiram mais em Goiás (+8,98%).

No Brasil, o preço mínimo registrado para o etanol foi de R$ 1,579 o litro, no Estado de São Paulo, e o máximo foi de R$ 3,02/litro, no Pará. Na média, o menor preço foi de R$ 1,879 o litro, em São Paulo. O maior preço médio foi verificado em Roraima, de R$ 2,752 o litro.

Competitividade

Os preços do etanol nos postos de combustíveis são competitivos em relação à gasolina em Goiás, no Mato Grosso, no Mato Grosso do Sul, Paraná e em São Paulo pela segunda semana consecutiva. Nos demais 21 Estados brasileiros e no Distrito Federal a gasolina está mais competitiva.

Segundo o levantamento, o preço do etanol em Goiás equivale a 69,79% do valor da gasolina. No Mato Grosso, a relação está em 66,54%; no Mato Grosso do Sul, em 69,83%; no Paraná, em 67,26%; e em São Paulo, em 66,42%. A gasolina está mais vantajosa principalmente em Roraima, onde o etanol custa o equivalente a 89,29% do preço da gasolina. O preço médio da gasolina em São Paulo está em R$ 2,829 o litro. Na média da ANP, o preço do etanol no Estado ficou em R$ 1,879 o litro.

 

Ford vê mercado de veículos com freio puxado

O mercado brasileiro de veículos deve ter expansão modesta de vendas e uma produção mais contida no ano que vem, após um 2013 que por enquanto sinaliza a primeira queda nos emplacamentos em 10 anos, estimou a Ford.

No que pode marcar um novo ciclo para um mercado que desde o início dos anos 2000 cresceu a taxas anuais médias de 10%, 2014 terá vendas mais modestas, disse o vice-presidente para assuntos corporativos para a América do Sul da Ford, Rogelio Golfarb, a jornalistas. "Acho que é cedo para dizer que o mercado vai cair em 2014. Trabalhamos com taxas de crescimento mais modestas, de 1% a 2%", afirmou Golfarb. O executivo acrescentou que não vê mudanças significativas que sinalizem recuperação da oferta de crédito pelos bancos às vendas do setor no próximo ano.

"A indústria hoje trabalha sem horizonte de planejamento. Houve até agora incertezas sobre o PSI, sobre o airbag e a questão do IPI ainda está em aberto", disse o executivo.

Ele referiu-se à demora do governo para definir os termos de prorrogação do Programa de Sustentação do Investimento divulgados na véspera junto com comentários do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o governo não vai mais cobrar obrigatoriedade de inclusão de airbag e freios ABS em 100% da produção a partir de 2014 .

Para 2013, Golfarb evitou cravar que o mercado brasileiro encerrará com queda de vendas, mas afirmou que "existe boa chance do setor não conseguir superar o ano passado".

Ele afirmou que até o dia 10 deste mês, os licenciamentos acumulam queda no ano de 0,5% e que para 2013 empatar com 2012, as vendas deste mês teriam que atingir um recorde para dezembro de 388 mil unidades.

"Mas empatar ou não, não é relevante, o importante é que está claro que há uma tendência de desaceleração. Boa parte do crescimento da classe C da população já aconteceu", disse Golfarb, citando preocupação com nível elevado de estoques exibido pelo setor, de cerca de 420 mil veículos.

A associação de montadoras, Anfavea, costuma divulgar ao final de cada ano projeções para o ano seguinte. Mas no início deste mês o presidente da entidade, Luiz Moan, afirmou que as estimativas serão anunciadas em janeiro. No ocasião, Moan evitou confirmar projeção de 5% de crescimento na produção em 2014, informada por ele em outubro.

Pelos últimos números da Anfavea, a produção brasileira de veículos até fim de novembro tinha alta de 11,8%, enquanto as vendas tinham queda de 0,8%.

Mea culpa. Golfarb afirmou que o descasamento entre vendas e produção ocorreu em parte por forte exportações para Argentina e México, substituição de importações e "culpa das próprias montadoras, pois erramos a mão no mercado interno e o excedente foi parar nos estoques".

A Anfavea estimava até final de agosto crescimento de 3,5% a 4,5% nas vendas de veículos novos no Brasil neste ano.

Segundo Golfarb, o mercado brasileiro pode enfrentar um quadro de excesso de capacidade em 2017, diante do descompasso atual entre vendas e produção. A expectativa da Ford é que o setor tenha uma capacidade de produção de 6,32 milhões de veículos por ano em 2017, enquanto as vendas no mercado interno serão de 4,53 milhões de unidades.

"Daqui para frente, provavelmente o próximo ciclo não será de taxas de crescimento tão alto", disse Golfarb, afirmando, porém, que o Brasil é um grande mercado automotivo diante da relativa baixa penetração de veículos por habitante, em torno de 81 a cada 1000 pessoas.

Diante do consequente aumento da competição causada por um mercado que não cresce como antes e que espera abertura de novas fábricas nos próximos anos, a Ford mantém plano de renovar toda a sua linha de modelos com veículos globais até 2015. Os investimentos até lá serão de R$ 4,5 bilhões e incluem capacidade produtiva.

Golfarb evitou comentar sobre lançamentos no próximo ano, afirmando apenas que a montadora deve contar como novidade a versão renovada do compacto Ka.

Ele afirmou que a montadora deve conceder férias coletivas na fábrica de São Bernardo do Campo (SP) nas duas últimas semanas deste mês. Na fábrica em Camaçari (BA), as férias vão do dia 30 até 11 de janeiro.

 

Consumidores podem serem esquecidos em beneficio das montadoras

Ainda não há posição firmada no governo sobre o adiamento da obrigatoriedade de que os carros fabricados no País tenham itens de segurança como air bag e freio ABS. "Estamos avaliando a situação", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, O governo poderá, diz ele, adotar escalonamento para a entrada em vigor da medida. Em 2014, a obrigatoriedade pode servir para 80% da frota. Em 2015, a exigência subiria para 100%. Atualmente, 60% dos carros já são produzidos com esses equipamentos.

Segundo o ministro, a preocupação do governo é com a interrupção das linhas antigas de produção e com o emprego dos trabalhadores dessas linhas. Ele ressaltou que alguns carros não têm condições de serem produzidos com esses itens e citou especificamente a Kombi, produzida pela Volkswagen.

Na avaliação de Mantega, essa prorrogação daria tempo para que as empresas pudessem absorver esses trabalhadores em outras linhas de produção. Mantega destacou que o consumidor tem a opção plena de comprar o carro com os equipamentos de segurança porque todas as linhas novas têm esses itens. "Mas vai pagar o preço disso", afirmou.

Ele ponderou, no entanto, que o consumidor de menor renda não tem condições de comprar carro com esses equipamentos. Segundo o ministro, o carro vai custar mais com a inclusão desses itens, com uma alta entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil.

"Haverá aumento de preços", enfatizou. O ministro disse que o governo tem de conciliar a questão do emprego, que é fundamental, e a segurança dos veículos. "Não é uma equação fácil".

Mantega ponderou que está conversando com o Ministério das Cidades, responsável pela norma, com as montadoras e os sindicatos. Ele disse que até a semana que vem haverá uma definição sobre a prorrogação ou não. Uma reunião para uma decisão sobre o tema está marcada para a próxima terça-feira. Ele acrescentou ainda que o aumento do preço dos carros com esses itens vai ocorrer independentemente da legislação e disse acreditar que "um pequeno adiamento" não traria prejuízo. Questionado sobre a questão das empresas de autopeças que se prepararam para a mudança na legislação, Mantega disse que não conversou com elas, mas argumentou que o fim das linhas antigas também provocará uma diminuição na produção de autopeças. "Precisa ver o que ganha e perde. Não é uma equação fácil", repetiu o ministro.

 

 

Brasil será 3º mercado de aviação do mundo

O Brasil será o terceiro maior mercado aéreo do mundo até 2017, superado apenas por EUA e China, graças a uma expansão de 35,5% no número de passageiros domésticos. Os dados foram apresentados pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), entidade que reúne as 280 maiores empresas do setor no mundo.

 A previsão é de que o número de passageiros sofrerá uma expansão de 31%, passando de 2,9 bilhões, em 2012, para mais de 3,9 bilhões. O aumento de quase 1 bilhão de passageiros virá principalmente dos mercados emergentes.

As previsões sobre o Brasil revelam que a expansão dos últimos anos não perderá força. "O Brasil se estabelecerá de forma sólida como o terceiro maior mercado doméstico, depois de EUA e China, com 122,4 milhões de passageiros em 2017", indicou a Iata. Isso representa um aumento de 32 milhões de passageiros em comparação aos números de 2012, quando o País somou 90 milhões.

O crescimento anual será de 6,3%, acima da média mundial. A expansão ainda será a sexta maior do mundo. Na lista dos dez mercados domésticos mais dinâmicos, cinco estão na América Latina: Peru, Colômbia, México, Equador e Brasil.  

Força chinesa. Mas no centro da expansão estará a China, que somará 487 milhões de passageiros. Rotas internacionais ligando cidades chinesas e linhas internas no país serão responsáveis por 30% do crescimento. Do total de 1 bilhão de novos passageiros ao redor do mundo, 227 milhões serão chineses. De uma forma geral, a Ásia verá 300 milhões de novos passageiros até 2017.

Apesar da explosão no uso do avião na China, o mercado americano ainda continuará a ser o maior do mundo em 2017. Mas terá uma das menores expansões e adicionará 70 milhões de novos passageiros em quatro anos. Os EUA somarão 677 milhões de passageiros domésticos em quatro anos.

"Não é surpresa que as regiões como Ásia ou Oriente Médio estão gerando as maiores taxas de crescimento", declarou Tony Tyler, diretor da Iata. "Governos nessas regiões estão reconhecendo o que a aviação pode garantir em termos de comércio global e desenvolvimento. Oportunidades similares existem para a Africa e América Latina", declarou.

Mas ele deixa claro que, para obter esses benefícios, os países latino-americanos "precisam deixar de ver a aviação como uma vaca leiteira, mas sim como um cavalo que ajude a levar a economia adiante", disse. O recado é claro: não sobretaxar o setor.

 

 

Empresas fazem confraternizações em alto mar

Quando o terminal de embarque de cruzeiros de Santos mais se parecia com um galpão, em 1995, a primeira edição do Congresso de Medicina Reprodutiva e Climatério foi realizada a bordo do navio Eugenio Costa, construído na década de 1960. "Fretamos o navio inteiro daquela vez e desde então o congresso passou a ter essa característica, de ser sempre realizado em navios. As pessoas esperam por isso", conta Newton Eduardo Busso, médico e coordenador-geral do evento. Desde então, foram sete congressos e a oitava edição, a bordo do Preziosa maior navio da temporada brasileira.

Para Busso, que está a frente do congresso desde a primeira edição, um navio é o espaço ideal para esse tipo de evento. Une em um só espaço: hospedagem, alimentação, trabalho, confraternização e lazer. Desta vez, foram reunidos 300 congressistas especialistas em reprodução humana e suas famílias - totalizando 800 pessoas.

A partir dos anos 90, a oferta de cruzeiros cresceu no Brasil até chegar ao auge nesta década. Este ano, 11 navios fazem a temporada. Aos poucos, os eventos a bordo passaram a ser filão importante para operadoras de viagens marítimas.

"É um bom negócio para nós e para as empresas. Conseguimos antecipar a demanda por leitos e garantir uma ocupação mínima da temporada. Para a empresa, a questão da infraestrutura é o grande atrativo", diz a gerente de marketing da Royal Caribbean, Fernanda Dominicis. Com exceção do Ano Novo, todas as outras datas da temporada têm grupos corporativos a bordo.

A Royal Caribbean, com o navio Splendour of the Seas, oferece pacotes especiais para grupos a partir de oito cabines e neste ano observou crescimento de 27% na procura por pacotes corporativos. Nesta temporada, a empresa também fechou dois fretamentos - quando o navio todo é reservado para uma única empresa.

A bordo dos navios há espaço para viagens de incentivo (como premiações a funcionários, clientes e fornecedores), congressos, convenções de vendas, reuniões e eventos lançamentos de produtos. A infraestrutura é o principal ponto positivo para Wanderley Saldanha, diretor da Associação de Marketing Promocional (Ampro). "São eventos sem o stress logístico, não tem que ficar entrando e saindo de ônibus, o que é mais confortável para o participante". No navio, basta pegar o elevador ou usar as escadas. 

Por outro lado, a menor possibilidade de personalizar as rotas e as atividades são pontos limitadores para ele. O mesmo serve para a restrição de datas, já que a temporada começa em novembro e vai até abril. Além disso, para grupos menores, que buscam exclusividade e privacidade, no navio existe a convivência com outras pessoas.

Festa da firma. Para a comemoração de 25 anos do Habib's, a rede fretou Preziosa dos dias 3 a 6 de dezembro. Com 22 mil colaboradores em toda a cadeia - da produção às lanchonetes - a empresa premiou os melhores funcionários com a viagem (incluindo familiares) e lotou as cabines com 4,3 mil passageiros.

"É um evento motivacional, de reconhecimento dos melhores", diz Paula César, diretora-geral do Habib's. "Para muitos funcionários, é a viagem dos sonhos, tem gente de todo o País e sabemos que para muitos pagar esse tipo de viagem para a família ainda é inacessível". Na programação: a convenção de premiação dos melhores funcionários e até shows com Latino e Michel Teló.

Segundo Paula, o Habib's chegou a cotar preços de resorts para 3 mil pessoas. O custo do navio ficou 20% maior, mas a decisão pela embarcação levou em consideração o custo-benefício. "É um tipo de viagem inesquecível", diz.

O especialista em eventos e diretor da Eventos Expo Editora, Sergio Junqueira, diz que pesquisa realizada ano passado com 84 das maiores entidades realizadoras de eventos mostrou que 80% delas nunca realizou atividades a bordo. A minoria (13%) pretende fazer. Segundo Junqueira, no caso da viagem de incentivo, o principal objetivo é entregar ao participante algo que ele não poderia comprar. Assim, dependendo do perfil de público do evento, a viagem de navio não é interessante pois já se tornou uma compra acessível (ainda que em 10 vezes sem juros). Ele afirma que o custo médio é de R$ 2 mil por pessoa.

Cresce a procura. Na MSC Cruzeiros, maior operadora da temporada, com quatro navios, o crescimento da procura de empresas por pacotes de grupos ou fretamento foi de 30% na comparação com 2012/2013. São sete fretamentos nesta temporada. Segundo Adrian Ursilli, diretor comercial e de marketing da empresa, o crescimento do mercado para empresas está relacionado ao aumento da oferta de mini cruzeiros (três noites a bordo), uma opção mais econômica e prática para viagens de empresas ou eventos.

Na Costa Cruzeiros, operadora conhecida pela oferta de pacotes de navios temáticos, os grupos de empresas têm em média 50 pessoas. Nesta temporada, o maior grupo reúne 800 pessoas. Segundo Marcia Galvão, gerente de vendas e marketing da Costa Cruzeiros, 70% dos pacotes corporativos é de mini cruzeiros de três noites.

Com três navios, a Pullmantur também oferece pacotes para grupos de 20 até 2 mil pessoas (fretamento). Segundo a empresa, uma vantagem é o sistema "tudo incluído" - ou seja, bebida e comida liberada. Recentemente, a empresa criou uma gerência corporativa no Brasil, com a missão de personalizar e aumentar o atendimento ao segmento empresarial.

No clima, sem perder a linha. Se uma noite de festa da firma já pode render exageros para serem lembrados o ano todo, três ou mais noites em um navio têm um potencial maior para os micos. Por outro lado, também é maior a possibilidade de cultivar contatos profissionais e estreitar laços.

"No navio o intercâmbio entre os visitantes é muito grande. A possibilidade de relacionamento é de 24 horas por dia", diz Newton Eduardo Busso, coordenador-geral do Congresso de Medicina Reprodutiva e Climatério.

A dica é aproveitar o momento de descontração, mas sem esquecer o bom senso. Na hora de comer e beber, por exemplo, mesmo que o esquema seja tudo incluído, o exagero não é bem vindo, ainda mais porque o balanço da embarcação pode causar enjoos. Por mais informal que o clima seja, a viagem ainda é uma extensão do trabalho.

Economia do Brasil deve piorar em 2014 no ano da Copa

Ao contrário das inúmeras promessas de que os grandes eventos esportivos dariam impulso à economia brasileira, cresce a sensação de que vai dar zebra na economia em 2014. Mesmo com a Copa do Mundo, a já fraca atividade econômica deve desacelerar ainda mais no próximo ano.

Nas últimas três décadas, apenas três países que sediaram o mundial de futebol tiveram desaceleração da economia no ano da Copa: México, em 1986, Itália, em 1990 e Japão, em 2002. Pelas previsões cada vez mais pessimistas, tudo indica até o momento que o Brasil corre sério risco de completar o time de países com economia na retranca no ano do mundial.

Diante de sinais de fraqueza financeira, alta dos juros e ameaças que vão das contas públicas às a balança internacional, economistas estão apreensivos. Previsões para 2014 ignoram as promessas sobre o impacto positivo da Copa do Mundo na economia brasileira e, a menos de 200 dias do evento, prevalece a aposta de que o ano que vem será pior que 2013 em termos de crescimento da atividade econômica. A mais recente pesquisa Focus, do Banco Central, mostra que o mercado aposta que o produto interno bruto (PIB) deve crescer 2,50% este ano e reduzir o ritmo para 2,11% no próximo ano.

PIB baixo. Após o decepcionante dado do PIB do terceiro trimestre, conhecido na semana passada - queda de 0,5% -, as apostas devem piorar e caminhar para perto de 2% em 2013 e menos de 2% no próximo ano.

Com tal cenário, o Brasil deve se junta ao pequeno grupo de países cuja economia piorou no ano da Copa. Em 1986, o PIB do México teve retração de 3,8%, pior que o crescimento de 2,6% um ano antes do mundial. Em 1990, a Itália cresceu 2%, menos que os 3,4% do ano anterior. Outro caso foi o Japão, que avançou 0,3% em 2002, menos que o 0,4% do ano anterior.

Em todos os demais países que sediaram a Copa do Mundo nas últimas três décadas, a economia ganhou velocidade no ano do evento: Espanha em 1982, Estados Unidos em 1994, França em 1998, Coreia do Sul em 2002 (quando dividiu a organização do torneio com o Japão), Alemanha em 2006 e África do Sul em 2010.

Média mundial. Um levantamento do Credit Suisse confirma essa fraqueza brasileira. O banco suíço comparou o crescimento do PIB dos países-sede no ano da Copa não apenas entre eles mesmo, mas em relação à média mundial.

Nas últimas três décadas, os mesmos Espanha, México, Itália e Japão foram os únicos países que tiveram crescimento do PIB abaixo da média mundial no ano em que receberam a Copa do Mundo. O Brasil, também nesse caso, deve acompanhar os lanterninhas em crescimento econômico.

Para 2014, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia global deve crescer 3,6%. O Brasil, pelas contas do mercado, crescerá algo em torno de 2% ou até menos. Portanto, abaixo da média global. O levantamento do Credit Suisse ainda mostra que Estados Unidos, França, Coreia do Sul, Alemanha e África do Sul seguiram na direção oposta: cresceram mais rápido que a média mundial nos anos em que foram palco da Copa.

 

 

Gasolina e etanol pesam no IPCA de novembro

 Os combustíveis ficaram mais caros no mês de novembro, de acordo com os resultados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O preço do litro da gasolina subiu 0,63%, enquanto o do etanol aumentou 0,94%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No entanto, o resultado ainda não absorveu o reajuste dos combustíveis anunciado pela Petrobras em 29 de novembro. "Ainda não pegou nada (da alta da gasolina)", disse Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

A alta dos combustíveis pressionou a variação do grupo Transportes em novembro, também impactado pelo aumento de 6,52% nas passagens aéreas. O grupo saiu de uma variação de 0,17% em outubro para 0,36% em novembro, o equivalente a um impacto de 0,07 ponto porcentual na alta de 0,54% do IPCA do mês.

 

Mantega prevê receita de R$ 20 bi com Refis

 

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou, que a receita arrecadada com o Refis em novembro deve ser próxima de R$ 20 bilhões. "O número está sendo apurado, mas deve ser próximo disso", afirmou ao retornar ao ministério, após reunião com a presidente Dilma Rousseff.

A Receita Federal previa inicialmente uma arrecadação com o programa de parcelamento de dívidas entre R$ 7 bilhões e R$ 12 bilhões. No fim de novembro, entretanto, o governo incluiu no relatório de receitas e despesas uma previsão de arrecadação de R$ 16,4 bilhões com o programa de parcelamento de débitos tributários, número bem acima do divulgado anteriormente.

Mantega não respondeu aos questionamentos dos jornalistas sobre a notícia de que o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, enfrenta resistências internas cada vez maiores entre seus auxiliares.

Segundo fontes, técnicos estão preocupados com a dificuldade em rolar títulos públicos. Diante da crescente desconfiança do mercado financeiro, o Tesouro tem sido obrigado a oferecer juros maiores, o que encarece a dívida.

 

Reajuste do combustível não será automático

A Petrobrás enviou comunicado ao mercado em resposta a um ofício da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) solicitando esclarecimentos sobre os parâmetros da política de preços. A petroleira inicialmente havia informado que faria reajustes automáticos de preço, e num segundo momento, no dia 29 de novembro, após reunião do conselho anunciou que os parâmetros da metodologia de preços seriam "estritamente internos à companhia".

Depois do anúncio do aumento do preço dos combustíveis na sexta-feira, as ações da Petrobrás despencaram cerca de 10% na segunda-feira. Investidores consideraram o reajuste insuficiente para compensar a defasagem dos preços em relação ao mercado internacional e pesou também a falta de detalhamento da metodologia. Já no fechamento do mercado de ontem, as ações da Petrobras subiram, mas não o suficiente para recuperar as perdas do dia anterior.

Com o comunidade de hoje, o que a Petrobrás esclarece agora é que a aplicação dos reajustes não será automática como consequência direta da fórmula de precificação. "A metodologia estabelece bandas de reajuste, conferindo à diretoria executiva poder discricionário à luz da dinâmica dos mercados doméstico e internacional", diz o comunicado.

No dia 29/11 foi anunciado o aumento de preços da gasolina e do diesel em 4% e 8%, respectivamente. A metodologia para tal, segundo a Petrobrás, contém parâmetros baseados em variáveis como preço de referência dos derivados no mercado internacional, taxa de câmbio e ponderação associada à origem do derivado vendido, se refinado no Brasil ou importado.

Ainda a nota de esclarecimento rebate especulações sobre a saída da presidente Maria das Graças Silva Foster. "Petrobrás refuta qualquer afirmação desta natureza."

 

A economia brasileira encolhe 0,5% no 3º trimestre

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil encolheu 0,5% no 3º trimestre deste ano ante os três meses imediatamente anteriores. Pelo lado da oferta, o pior desempenho foi o da agropecuária, que despencou 3,5% devido, principalmente, ao fim da safra de soja, produto que tem peso elevado no cálculo do indicador. Já indústria e serviços ficaram praticamente estáveis, com leve alta de 0,1%.

Já pela ótica da demanda, os investimentos (denominados formação bruta de capital fixo) tiveram forte queda: 2,2%, a maior desde o primeiro trimestre de 2012, quando houve recuo de 2,7%. Enquanto o consumo das famílias teve alta de 1% e o do governo cresceu 1,2%.

A queda de 0,5% é o pior resultado, nessa base de comparação, desde o primeiro trimestre de 2009, auge da crise financeira internacional. Naquela ocasião, houve recuo de 1,6% no PIB, na margem. O resultado também representa a primeira retração desde o primeiro trimestre de 2009, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado mostra ainda uma forte desaceleração ante o resultado do segundo trimestre deste ano, que teve a alta revisada para cima: de 1,5% para 1,8%.

A queda no terceiro trimestre ficou no piso das estimativas dos analistas. Levantamento do serviço AE Projeções, da Agência Estado, com 47 instituições, previa um recuo de 0,50% a uma expansão de 0,20% - com mediana de -0,20%.

Já na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, a economia teve alta de 2,2%, sendo puxada pelo setor de serviços, que também teve expansão de 2,2%. Já a indústria teve alta de 1,9% e a agropecuária recuou 1%. Nesta base de comparação, os investimentos tiveram forte alta: 7,3%. Trata-se da terceira expansão seguida, sinalizando uma recuperação em relação ao ano anterior. O IBGE destaca, contudo, que houve uma desaceleração ante o resultado do segundo trimestre, quando a alta foi de 9,1%.

Na mesma base de comparação, os consumos das famílias e do governo cresceram, ambos, 2,3%. Em valores correntes, o PIB do terceiro trimestre somou R$ 1,2 trilhão.

O PIB de 2012 ante 2011 foi revisado pelo IBGE de 0,9% para 1%. O resultado ficou abaixo do anunciado pela presidente Dilma Rousseff na semana passada, durante entrevista. A presidente disse que o crescimento do ano passado tinha sido revisado de 0,9% para 1,5%.

Este ano, foram incorporadas no PIB as revisões de pesquisas usadas no cálculo do indicador, mas também a nova Pesquisa Mensal de Serviços, que começou a ser divulgada pelo instituto recentemente e motivou especulações sobre uma revisão do crescimento do País para cima. No entanto, as revisões definitivas, feitas a partir da incorporação das Contas Nacionais Anuais, só serão realizadas quando o trabalho de mudança na metodologia de cálculo do PIB estiver concluído, o que está previsto para o fim de 2014 ou início de 2015.

Agropecuária. Apesar de ser a atividade que mais cresce no ano, a agropecuária foi prejudicada no terceiro trimestre por projeções de queda em safras importantes para o período. Segundo o IBGE, o desempenho das produções de laranja (-14,2%), mandioca (-11,3%) e café (-6,9%) serão piores do que no ano passado.

Para o analista técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Robson Mafioletti, o recuo do PIB da agropecuária também está relacionado aos preços mais baixos de soja, milho e café. "Os preços da soja ainda estão bons, mas no ano passado estavam melhores. Já os do milho estão ruins e o café vive uma de suas piores crises", disse ele ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

Apesar da queda, a agropecuária fechará o ano com um PIB positivo, projetou Mafioletti. "Não vai piorar. Vai ser um dos melhores dos últimos anos. Temos problemas pontuais mas, no geral, estamos bem." De acordo com o IBGE, no acumulado de 2013 o PIB da agropecuária registra avanço de 8,1%, o mais forte entre todos os setores. A indústria acumula alta de apenas 1,2% e serviços sobem 2,1%.

Comércio exterior. As exportações, segundo o IBGE, caíram 1,4% no terceiro trimestre em relação aos três meses imediatamente anteriores. Ante o mesmo período do ano anterior, as vendas externas subiram 3,1%. Já as importações diminuíram 0,1% na comparação com o segundo trimestre do ano. Em relação ao mesmo período de 2012, houve alta de 13,7%, a maior desde o segundo trimestre de 2011, quando houve crescimento de 14,8%.

A contabilidade das exportações e importações no PIB é diferente da realizada para a elaboração da balança comercial. No PIB, entram bens e serviços, e as variações porcentuais divulgadas dizem respeito ao volume. Já na balança comercial, entram somente bens, e o registro é feito em valores, com grande influência dos preços.

Na comparação internacional, o Brasil teve o menor PIB entre as maiores economias do mundo.

Como o PIB é calculado? O PIB é o indicador mais usado para medir o tamanho da economia de um país. É o total de riquezas produzidas ao longo de um dado período. Ou, na definição do IBGE, que cuida do cálculo: são os 'bens e serviços produzidos no país descontadas as despesas com os insumos utilizados no processo de produção durante o ano. É a medida do total do valor adicionado bruto gerado por todas as atividades econômicas'.

Para chegar ao valor do PIB, o IBGE, computa o desempenho dos três setores da economia - agropecuária, indústria e serviços. Ao mesmo tempo, acompanha os componentes da demanda: o consumo das famílias e o do governo; exportações; importações (cujo impacto tem sinal negativo); e, finalmente, a formação bruta de capital fixo, que é justamente a conta de investimentos do PIB.

A conta do IBGE, órgão vinculado ao Ministério do Planejamento, é feita a partir das pesquisas setoriais que ele próprio realiza ao longo do ano e também de dados complementares fornecidos pelo Banco Central, Ministério da Fazenda e Agência Nacional de Telecomunicações, entre outras fontes.

 

 

 

Analistas da Focus reduzem previsão de inflação de 5,82% para 5,81%

Na reta final de 2013, analistas do mercado financeiro apresentaram poucos ajustes em suas projeções para a taxa de inflação oficial do País. A principal mudança do boletim Focus, divulgada pelo Banco Central, foi nas estimativas para o IPCA acumulado em 12 meses, que passou de 6,14% para 6,09%. Há quatro semanas, estava em 6,21%.  

Vale lembrar que na semana passada, O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou numa nova alta do juro básico Selic, para 10% ao ano, o que deve ajudar a controlar a inflação.

Entre os profissionais que mais acertam as previsões para a inflação no médio prazo, o grupo denominado pelo BC de Top 5, o IPCA de 2013 deverá ficar em 5,80%, e não mais em 5,86% como estava uma semana antes - quatro semanas atrás, estava em 5,88%. No caso de 2014, esse mesmo grupo não revisou a expectativa para a inflação oficial do ano que vem, que deve fechar em 5,68%. Um mês atrás, a projeção era de 5,60%.

Para o final deste ano, a mediana para o IPCA passou de 5,82% para 5,81%. Há quatro semanas estava em 5,85%. Já para 2014, a mediana das previsões para a inflação foi mantida em 5,92% não só de uma semana para outra, como também estava um mês. A estimativa para o IPCA de novembro foi recalculada de 0,65% para 0,64%. A taxa é levemente menor do que a esperada um mês atrás, de 0,67%. No caso da mediana das estimativas para o índice em dezembro, houve manutenção da taxa de em 0,72% ante o porcentual de 0,70% registrado quatro semanas antes.

Juros. Logo após a decisão do Copom de elevar a Selic, profissionais do mercado financeiro decidiram manter suas estimativas para o indicador em 2014. A mediana das previsões para os juros básicos da economia na pesquisa divulgada hoje congelou em 10,50% ao ano. Com o aumento da quarta-feira passada, 25 de novembro, a taxa oficial está em 10% ao ano.

A Selic média para o ano que vem, no entanto, aumentou de 10,28% para 10,31%, ainda fruto do ajuste feito na última pesquisa Focus do BC. Há um mês, a taxa estava em 10,25%. Sem mais reuniões pela frente este ano, a previsão para o final de 2013 ficou obviamente estacionada em 10,00% ao ano - a Focus nem traz mais o número em sua tabela.

Câmbio. As expectativas para o câmbio estão pausadas para 2013 e 2014. A mediana das estimativas para o dólar para o final de 2013 estacionou em R$ 2,30, como já constava na pesquisa Focus da semana passada. A cotação era de R$ 2,25 um mês antes. Para o final de 2014, as previsões para o dólar ficaram estancadas em R$ 2,40 pela 14ª semana consecutiva.

Produção industrial. Continua consistente a trajetória de queda das expectativas do mercado financeiro para a produção industrial deste ano. A mediana das projeções para este indicador em 2013 foi revisada mais uma vez para baixo, saindo de 1,70% na semana passada para 1,69% agora - um mês atrás estava em 1,77%. Para 2014, no entanto, houve estabilidade da estimativa em 2,50%, mesmo nível visto uma semana e também um mês antes.

Apesar dos ajustes do mercado para o comportamento do setor manufatureiro, as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2013 não se mexeram. A mediana para o indicador deste ano seguiu em 2,50% pela sexta semana consecutiva. Para 2014, a previsão mediana foi ajustada de 2,10% para 2,11% de uma semana para outra - há quatro semanas estava em 2,13%.  

Superávit comercial. A mediana das previsões do mercado financeiro definhou mais um pouco para a balança comercial, que deverá ter saldo positivo de apenas US$ 1,30 bilhão este ano, e não mais de US$ 1,40 bilhão, conforme apontava a mediana do levantamento anterior. Um mês atrás, a perspectiva era de um superávit de US$ 1,90 bilhão para o comércio internacional brasileiro.

Também para 2014, o mercado demonstrou mau humor ao reduzir a mediana esperada para o saldo de US$ 8,10 bilhões para US$ 7,85 bilhões. O resultado esperado pelos analistas agora é menor também do que o projetado um mês antes, de US$ 9,25 bilhões.

A previsão mediana para o rombo da conta corrente passou de US$ 79,60 bilhões para este ano para US$ 79,85 bilhões. Para 2014, a mediana para a previsão de déficit saiu de US$ 71,50 bilhões para US$ 71,80 bilhões. Quatro semanas atrás, a mediana revelava um resultado negativo de US$ 79 bilhões para 2013 e de US$ 72,70 bilhões para 2014.

Apesar da piora do quadro externo, foi mantida a projeção de que o ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) será de US$ 60 bilhões neste e no próximo ano, o que significa que o financiamento do déficit não será integral nos dois casos. Há 51 semanas, o mercado não muda esta projeção de IED para 2013 e há 68 semanas para o de 2014.

Já relação dívida/PIB sofreu leves ajustes. Para 2013, passou de 34,55% para 34,60%, segundo os analistas consultados pela Focus. Um mês antes, o mercado aguardava a proporção de 34,50% para o resultado deste ano. Para 2014, a pesquisa revelou que o porcentual passou de 34,60% para 34,50%, a mesma vista um mês antes.

 

 

Etanol de 2ª geração vai começar em 2014

O etanol de segunda geração chegará aos postos de combustíveis brasileiros no ano que vem. A tecnologia, que até o momento é realidade no Brasil apenas em projetos experimentais, é a grande aposta de gigantes como a Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, e a Granbio, empresa da família Gradin, para ampliar a produção de etanol. As fábricas das duas empresas já estão em construção e a previsão é que comecem a produzir o combustível em escala comercial em 2014.

A nova tecnologia viabiliza no Brasil a produção de etanol de bagaço e palha de cana-de-açúcar, aproveitando resíduos das usinas que hoje fazem o etanol de primeira geração. "A tecnologia de segunda geração é a aposta da Raízen para a expansão em etanol. Com a tecnologia, poderemos produzir 50% mais litros a partir da mesma área plantada de cana e otimizar nossos ativos", disse o diretor de bioenergia e tecnologia da Raízen, João Alberto Abreu.

A Raízen tem 24 usinas no Brasil e é líder no mercado de etanol. A empresa pretende integrar unidades de produção do etanol de segunda geração em oito dessas usinas e extrair até 1 bilhão de litros do combustível. A primeira fábrica será em Piracicaba (SP) e terá investimento de R$ 230 milhões, com produção de 40 milhões de litros/ano. A inauguração está prevista para o segundo semestre de 2014.

Cenário. O etanol de segunda geração deve trazer uma nova onda de expansão no segmento, que perdeu competitividade nos últimos anos. Com a política do governo de controle de preços da gasolina, o etanol deixou de ser vantajoso para o proprietário de um carro flex na maioria das cidades. O setor pisou no freio e hoje cerca de 10% das 400 usinas de álcool estão fechadas no Brasil, segundo estimativas da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). "A política de subsídio da gasolina não se sustenta. Esse cenário vai mudar e o etanol voltará a ser competitivo na bomba", disse o vice-presidente executivo da Granbio, Alan Hiltner.

A Granbio está construindo uma fábrica de etanol de segunda geração no Alagoas, integrada a uma usina do Grupo Carlos Lyra. A unidade terá capacidade para produzir 82 milhões de litros por ano e deve ser inaugurada no primeiro trimestre de 2014. "A primeira unidade já será lucrativa e vamos produzir abaixo do custo do etanol comum", disse Hiltner.

A empresa pretende investir R$ 4 bilhões até 2020, construir dez usinas de etanol de segunda geração e atingir uma capacidade de produção de 1 bilhão de litros de etanol por ano.

A Granbio pretende exportar 50% da sua produção para aproveitar os incentivos financeiros oferecidos por países desenvolvidos para o consumo de combustível renovável. Nos Estados Unidos, hoje o prêmio para a venda de etanol de segunda geração é de US$ 0,65 o galão.

Tecnologia. O etanol de segunda geração pode ser feito a partir de um processo que transforma a celulose em glicose, usando enzimas especiais, seguidas por um processo de fermentação. Raízen e Granbio usarão enzimas da dinamarquesa Novozymes, que investirá US$ 300 milhões na construção de uma fábrica no Brasil em 2014.

O processo produtivo de Raízen e Granbio foi desenvolvido por parceiros estrangeiros e adaptado para a utilização de cana como matéria-prima. A Granbio é parceira da italiana Beta Renewables, que inaugurou sua fábrica em outubro e foi a primeira no mundo a produzir etanol de segunda geração em escala comercial. Já a Raízen traz a tecnologia da canadense Iogen, uma empresa que tem a Shell entre os acionistas e investiu US$ 500 milhões na tecnologia nos últimos 20 anos.

 

 

Juro bancário de pessoa física é o mais alto em 18 meses

Os juros bancários médios dos empréstimos para pessoas físicas (recursos livres) avançaram 1,1 ponto percentual em outubro deste ano, para 38,3% ao ano, o maior patamar em 18 meses, informou o Banco Central.

O aumento dos juros bancários de pessoas físicas acontece após o próprio Banco Central ter iniciado, em abril deste ano, um ciclo de alta dos juros básicos da economia, para tentar conter o crescimento da inflação. Desde então, os juros básicos subiram seis vezes, passando de 7,25% para 10% ao ano – uma elevação de 2,75 pontos percentuais. Inclusive, a última elevação , para 10%

Juros sobem mais do que Selic
Com o aumento dos juros básicos do país, também houve alta na taxa de captação das instituições financeiras, ou seja, quanto os bancos pagam pelos recursos.

No fim do ano passado, a taxa de captação, para operações com pessoas físicas, estava em 8,3% ao ano, passando para 11,3% ao ano em outubro. Um crescimento de 3 pontos percentuais.

No mesmo período, os juros bancários das instituições financeiras para pessoas físicas cresceu 4,4 pontos percentuais, visto que estavam em 33,9% ao ano em dezembro de 2012.

Deste modo, os dados do BC mostram que as instituições financeiras não só estão repassando a alta do custo de captação que tiveram por conta da elevação dos juros básicos da economia, como também estão subindo os juros cobrados de seus clientes acima da alta da Selic - fixada pelo Banco Central.

Taxa média de empresas e geral
No caso das operações dos bancos com as empresas, ainda com base nos chamados "recursos livres", a taxa média somou 20,8% ao ano em outubro – com alta de 0,1 ponto percentual frente ao patamar de setembro (20,7% ao ano). É o maior valor desde abril do ano passado (22,2% ao ano). No ano, essa taxa avançou 2,8 pontos percentuais.

Tamém subiu em setembro deste ano a taxa média geral de todas as operações com recursos livres, que somou 29% ao ano no mês passado, contra 28,4% ao ano em setembro. Neste caso, os juros atingiram o maior valor desde abril do ano passado (30,4% ao ano). No acumulado de 2013, a taxa média de juros bancários avançou 3,7 pontos percentuais.

Metodologia
O Banco Central mudou, no início deste ano, o formato de registro dos dados relativos aos juros bancários e, ao mesmo tempo, também desativou a série histórica que vigorava anteriormente. Pela nova metodologia, as operações com recursos livres (que não têm relação com o crédito direcionado, que é rural, BNDES e habitação) passaram a englobar algumas modalidades de empréstimos, como arrendamento mercantil (leasing), descontos de cheques (operações que se assemelham com "factoring"), além de cheque especial pessoa jurídica e antecipação de faturas de cartão.

 

Embraer vai decolar com seu cargueiro em 2014

O gigante está trancado em uma sala grande como ele mesmo, um prédio inteiro para acomodar com folga o corpo de 35 metros. O modelo em escala real do novo jato da Embraer, o cargueiro militar KC-390, criado para cumprir várias missões, fica isolado na reservada unidade de Eugênio de Melo, a 20 quilômetros da sede da empresa em São José dos Campos. O jato em modelagem ainda está sem as asas - seriam necessários outros 35 metros.

Do mesmo local, há pouco menos de 40 anos, o Brasil influenciou guerras travadas no Oriente Médio e no norte da África, armou Exércitos latinos e equipou ex-colônias portuguesas. Em certa época, o complexo de Eugênio de Melo abrigou a extinta Engesa - de onde saíram os blindados batizados com nomes de serpentes brasileiras, Urutu e Cascavel.

O tempo é outro e a influência está regida pelo mercado. O KC-390 é uma iniciativa focada na ampla demanda internacional detectada pela Embraer - cerca de 700 aeronaves desse tipo serão negociadas em dez anos por US$ 50 bilhões. "Acreditamos que poderemos entrar na disputa por alguma coisa como 15% desse total, na faixa de 105 unidades", diz o presidente da Embraer Defesa e Segurança, Luiz Carlos Aguiar.

Supercargueiro. Incluído no Programa de Aceleração do Crescimento - o PAC da presidente Dilma Rousseff -, o cargueiro e reabastecedor vai custar R$ 4,9 bilhões até a fase de construção dos 2 protótipos de desenvolvimento. A propriedade intelectual é da FAB. A etapa de encomendas pode chegar a mais R$ 3 bilhões - ao longo de 12 anos, estima o Ministério da Defesa.

O programa já acumula 60 cartas de intenção de compra emitidas por seis diferentes governos: Brasil (28 jatos), Colômbia (12), Chile (6), Argentina (6), Portugal (6) e República Checa (2). "Penso que, mais uma vez, chegamos na hora certa em um segmento restrito, não atendido pelas ações tradicionais", diz Aguiar.

De fato, o nicho está virtualmente vago. O principal concorrente é nobre: o poderoso Hércules C-130J, o mais recente arranjo da Lockheed-Martin, para o seu quadrimotor turboélice. A primeira versão voou faz 60 anos. Até 2010, haviam sido entregues 2.500 deles para 70 clientes.

Última geração. O KC-390 leva vantagem em quase tudo, a começar pelo fato de estar saindo agora das telas dos engenheiros de projeto. Mais que isso, transporta 23 toneladas contra os 20 mil quilos do C-130. Voa a 860 km/hora, mais alto, a 10,5 mil metros, e a um custo significativamente menor.


A concorrência de outras fontes é rarefeita e não se encaixa exatamente no mesmo viés, como é o caso do japonês Kawasaki C-2, em teste desde 2010, ou do europeu A-400M. Os dois são maiores e têm valor de aquisição elevado, de US$ 120 milhões a US$ 180 milhões. O modelo da Embraer fica na faixa pouco superior a US$ 80 milhões. E carrega tecnologia embarcada de última geração.

Os motores, por exemplo, permitem a operação nas pistas não pavimentadas e sem acabamento. As turbinas V-2500 da americana International Aero Engines não estão sujeitas à sucção de detritos. Todo o projeto (veja o infográfico) utiliza conceitos avançados.

O pessoal. Na Embraer, o grupo de profissionais que trabalha no desenvolvimento do cargueiro e avião-tanque para reabastecimento em voo, é conhecido como "o pessoal do KC".

Jovens quase todos, como o engenheiro Rodrigo Salgado, de 34 anos. Formado na escola de Itajubá, sul de Minas, trabalha na empresa há 11 anos. No programa, cuida dos aviônicos e da integração dos sistemas. Considera a possibilidade de conviver com o produto ainda por muito tempo, decorrência "do desenvolvimento contínuo e da atualização das funções".

De olho na impressionante cabine, repleta de telas digitais, terminais móveis e painéis de instrumentos que dão ao módulo ares de ônibus espacial, um piloto de ensaios da Força Aérea torcia para estar na equipe dos testes, previstos para o primeiro semestre de 2015. Combatente, "com mais de 2 mil horas de voo" em supersônicos, e contemplado com um curso de especialização de custo estimado em US$ 1,2 milhão, o oficial avalia o advento do KC-390 na Aeronáutica "pelo valor estratégico: a aviação militar do País será capaz de se manter no ar, em quaisquer condições, com aeronaves de abastecimento, de ataque, transporte e inteligência, todas de projeto e fabricação próprios".

O gigante da Embraer é parte de um acordo de cooperação entre a EDS e a Boeing. A composição abrange o compartilhamento de conhecimento tecnológico e avaliação conjunta de mercados. É um bom modelo. A Boeing produz transportadores de carga e reabastecedores em voo há não menos de 45 anos. A Embraer é inovadora e imbatível em redução de custos. Conforme Luiz Aguiar, a análise dos mercados potenciais incluirá clientes que não haviam sido considerados nas projeções iniciais para o KC-390. É uma forma cuidadosa de dizer que os alvos passam a incluir países como a Itália e, talvez, mesmo os Estados Unidos.

 

Montadoras negociam com governo pacote de medidas

A Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) negocia com o governo um pacote de medidas de estímulo ao setor. A proposta das montadoras abarca várias frentes.

O pedido inclui a manutenção das alíquotas reduzidas para o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a renovação das linhas de financiamento do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) em 2014 e a criação de um programa de modernização do setor de máquinas agrícolas e rodoviárias (Inovar-Máquinas).

Apesar das declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o IPI voltará a subir em 2014, o presidente da entidade, Luiz Moan, acredita que não haverá recomposição integral das alíquotas. "Estou trabalhando fortemente para que não haja aumento", disse.

Segundo o cronograma do governo, o IPI subirá em janeiro de 2% para 7%, nos veículos de até 1.000 cilindradas. A alíquota aumenta de 7% para 11% para automóveis flex entre 1000 e 2000 cilindradas e de 8% para 13% para os demais carros nesta categoria. Uma fonte do governo admite a possibilidade de o governo voltar atrás e fazer a recomposição da alíquota de forma mais suave, mas avalia ser difícil não haver nenhuma elevação do imposto em 2014.

"O ministro Guido está cuidando disso. Vamos aguardar o prazo do IPI até o final do ano. E alguma mudança, se houver, será feita no ano que vem, mas não tem nenhuma decisão ainda nessa direção, ou melhor, em nenhuma direção", afirmou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel.

Caminhões. A Anfavea e mais nove entidades envolvidas com o transporte rodoviário de carga apresentaram ontem ao MDIC e à Casa Civil uma proposta de renovação da frota de caminhões, com o objetivo de substituir os veículos com mais de 30 anos de uso. Segundo Moan, 212 mil caminhões antigos circulam no País. A meta é trocar 30 mil unidades por ano.

O argumento é que estes veículos antigos aumentam a poluição, a insegurança no trânsito e o consumo de combustível. Moan disse que um levantamento da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostra que os caminhões representam 7% da frota, mas causam 25% dos acidentes.

"Pode ser extremamente útil para a indústria brasileira e para o Brasil, porque a renovação da frota teria um ganho ambiental muito grande. De qualquer maneira, este ano está praticamente encerrado. Se formos lançar, vai ser no ano que vem", afirmou Pimentel.

Menos imposto. Sem apresentar detalhes sobre os pleitos do setor, Moan disse que o governo teria que oferecer uma política de financiamento para caminhoneiros. A proposta também sugere uma negociação com os Estados para reduzir o IPVA, como ocorre em Minas Gerais.

O presidente da Anfavea disse que também negocia novas condições para o PSI, programa que financia a compra de bens de capital, projetos de inovação e exportações. O programa vence em dezembro e será renovado com juros mais altos.

"Vamos tentar manter o juro o mais baixo possível", afirmou Moan. Ele se reuniu ontem com o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland. "O que vão alterar são as condições. É natural que altere (o juro), porque a taxa básica de juros subiu", disse Pimentel

 

 

 

'Eu não tenho tempo para morrer agora'

"Eu não tenho tempo para morrer." Essa frase dita, assim, solta, fora de contexto, pode até não fazer muito sentido, soar estranha. Mas é tratada como um bordão dentro da Copagaz, companhia distribuidora de gás de cozinha. Aos 89 anos, Ueze Zahran, presidente do grupo, dono da frase, é um homem sem tempo. Workaholic assumido, ignora a idade e o processo de sucessão de sua empresa.

À frente da Copagaz, Zahran comanda o grupo com mãos de ferro. Dá expediente diário e fica até tarde - só volta para casa à noite, a tempo de ver as novelas. "Choro dois lenços por capítulo", diz. Centralizador, quer detalhes de todas as áreas do grupo, estratégicas ou não, dizem pessoas próximas a ele.  

O empresário é considerado uma lenda no setor de GLP (gás liquefeito de petróleo). Sem papas na língua, também costuma dar expediente em Brasília quando precisa discutir diretamente assuntos do interesse da Copagaz e do setor.

A Copagaz é uma empresa muita cobiçada. E Zahran sabe disso. Quinta maior companhia do setor, com participação de 7,9% no mercado de botijão de 13 quilos e outros segmentos, a Copagaz é objeto de desejo das outras quatro concorrentes.

Para a líder Ultragaz (grupo Ultra), com 23,2% de fatia de mercado, a aquisição a distanciaria da vice Liquigás (controlada pela Petrobrás), com 22,7%. A Supergasbras (da holandesa SHV Gas), com 21% de participação, e Nacional Gás (do grupo Edson Queiroz), com 18,9%, tornariam-se líderes com a compra do negócio.

"Todo mundo quer me comprar, mas nunca vou vender a minha empresa", afirma Zahran. Nunca pode parecer um pouco forte, mas ninguém da família ousa contrariá-lo.

O empresário, que tem quatro filhos - três mulheres e um homem - está cercado de parentes na companhia e quer que o controle do grupo não saia do seu clã. Em 2011, a Copagaz deixou de ser uma companhia limitada, tornando-se uma S/A (Sociedade Anônima), de capital fechado. Profissionalizar a gestão com executivos de mercado, nem pensar. Abrir o capital, então... "Nunca quis saber quanto me pagariam pela Copagaz."

Há dois anos, a Copagaz chegou a olhar os ativos de GLP da espanhola Repsol no País, vendidos em outubro do mesmo ano para o grupo Ultra. "Desisti do negócio porque os ativos deles eram arrendados", conta.

Pesado. Zahran comanda a Copagaz como se ainda fosse um simples comerciante. Filho de libaneses - seus pais vieram casados para o Brasil nos anos 20 e se instalaram em Bela Vista, cidade de Mato Grosso do Sul -, ele começou a trabalhar na adolescência no bar de seu pai.

Segundo filho de uma família grande, cinco homens e uma mulher, Zahran teve de pegar no pesado. Além do bar, tiveram uma padaria. Os negócios, contudo, não foram adiante.

A Copagaz nasceu em São Paulo, em 1955, quando Zahran já tinha deixado Bela Vista para tentar a sorte na capital paulista. "Achei que o negócio de distribuição de gás dava dinheiro e tinha potencial para crescer no Centro-Oeste. Decidi presentear minha mãe, que morava no Mato Grosso Sul, com um fogão a gás. Ela se encantou com a luz azul que se formava debaixo da panela. No Centro-Oeste, todo mundo era dependente da lenha e da querosene, que deixava sabor estranho na comida."

Quando criou a Copagaz, recebeu a concessão para trabalhar em São Paulo e Mato Grosso. "Quando entrei nesse setor, percebi algumas aberrações. A Agência Nacional do Petróleo autorizava (à época) apenas as multinacionais a atuarem no Brasil inteiro. As empresas nacionais tinham posição regionalizada e sofriam a concorrência dos estrangeiros."

Levando às últimas consequências um dos bordões de um dos personagens do humorista Jô Soares - "Tirante o Aureliano, que fala, vice não fala" -, em alusão ao ex-vice-presidente Aureliano Chaves, o empresário diz que foi atrás do próprio para intervir pelo setor. "E deu certo. As nacionais conquistaram o resto do País."

Seu trânsito no governo federal é conhecido e é motivo de controvérsias. Fontes atribuem suas boas relações ao fato de ser dono de afiliadas da TV Globo no Centro-Oeste, o que lhe daria um poder de pressão extra.

Zahran passa ao largo desses comentários. "Quando precisam tratar de assunto espinhoso em Brasília, me chamam", rebate. Foi assim quando discutiu com a então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, em 2003, no início do governo Luiz Inácio Lula da Silva, a proposta de redução em R$ 10 dos preços do botijão de gás. "Fui lá para dizer que a conta não fechava, que as indústrias ficariam com margem negativa", diz. Desde então, conta, tornou-se amigo de Dilma.

Criador de cavalo árabe, Zahran conta que a presidente gosta desse assunto. "Eu a convidei para conhecer meus cavalos." Segundo ele, Dilma teria recusado o convite por estar no meio de uma visita oficial da qual o presidente Lula fazia parte em Mato Grosso do Sul.

Sua bandeira atual é discutir a instalação de separadoras de gás ao Estado - hoje o GLP é levado para o Centro-Oeste por caminhões-tanque. O projeto está em pauta há alguns anos, mas a Petrobrás alega inviabilidade econômica. "Discuto isso desde 1995."

Seus planos futuros nunca excluem a Copagaz. O empresário até já chegou a diversificar os negócios com esmagadoras de soja, posteriormente vendidas, exportou café, mas sempre está ao lado dos botijões. "Eu imagino a minha mãe em cada dona de casa que recebe o botijão", conta, logo acrescentando que tem muita coisa para fazer. "Põe tempo aí, que eu não tenho tempo para morrer agora."

Governo arrecada R$ 20,8 bilhões com leilão de aeroportos

Oito propostas e cinco consórcios disputaram o leilão dos aeroportos de Galeão (RJ) e de Confins (MG), realizado, na sede da BM&FBovespa, São Paulo.

Com o valor global do leilão, o governo arrecada R$ 20,839 bilhões, o que representa um ágio de 251,7%. O ágio é a diferença entre o lance mínimo exigido e o total arrecadado efetivamente. 

O total arrecadado pelo governo com a concessão dos aeroportos de Galeão e Confins é maior que o bônbus de assinatura do leilão de Libra realizado em outubro, o maior do pré-sal. O leilão de Libra teve bônus de assinatura de R$ 15 bilhões, sem ágio.

Vencedores. O consórcio liderado por Odebrecht e Transport venceu a concessão do Aeroporto de Galeão, ao ofertar R$ 19,018 bilhões, o que representa um ágio de 293,9%. O Aeroporto de Confins foi arrematado pelo grupo liderado por CCR com uma proposta de R$ 1,82 bilhão, ou ágio de 66%.

Na fase de lances viva voz, nenhuma nova oferta foi feita pelo terminal fluminense. As únicas ofertas por Confins foram dos consórcios da CCR e Queiroz Galvão, cuja maior oferta foi de R$ 1,8 bilhão, ou seja, R$ 20 milhões abaixo da proposta vencedora.

Os vencedores foram os consórcios que ofereceram os maiores lances para cada aeroporto. Na etapa viva voz, o lance mínimo, acima da maior oferta inicial, era de R$ 500 milhões para Galeão e de R$ 100 milhões para Confins. De acordo com as regras, um mesmo consórcio não poderia vencer o leilão nos dois aeroportos.

Ofertas iniciais por Galeão:

-Consórcio Aeroportos do Futuro, formado por Odebrecht e TransPort, com 60%, e a operadora do aeroporto de Cingapura Changi, com 40%, ofereceu R$ 19,018 bilhões, ágio de 293%.

-Consórcio Sócrates, formado pela Carioca Engenharia, GP Investimentos e as operadoras dos aeroportos de Paris (Aéroports de Paris - ADP) e de Amsterdã (Schiphol), ofereceu R$ 14,5 bilhões, ágio de 200,3%.

-Consórcio Novo Aeroporto Galeão, formado pelas empresas EcoRodovias e Fraport, cada uma com 42,5%, e por Invepar, com 14,99%, ofereceu R$ 13,113 bilhões, ágio 171,6%.

-Consórcio AeroBrasil, formado por CCR, com 75%, e a operadora Flughafen Zurich AG, que administra o aeroporto de Zurique, com 24%, e a Munich Airport, com 1%, ofereceu R$ 10,350 bilhões, ágio de 114,4%.

-Consórcio Aliança Atlântica Aeroportos, formado por Queiroz Galvão e Ferrovial, ofereceu R$ 6,567 bilhões, ágio de 36%.

Ofertas iniciais por Confins:

-Consórcio AeroBrasil, formado por CCR e a operadora suíça Flughafen Zurich AG, que administra o aeroporto de Zurique, ofereceu R$ 1,4 bilhões, ágio de 27,7%.

-Consórcio Aeroportos do Futuro, formado por Odebrecht e TransPort com 60% e a operadora do aeroporto de Cingapura Changi com 40%, ofereceu R$ 1,335 bilhões, ágio de 21,8%.

-Consórcio Aliança Atlântica Aeroportos, formado por Queiroz Galvão e Ferrovial, ofereceu R$ 1,096 bilhões, sem ágio.

Entenda o leilão. De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), os aeroportos de Galeão e Confins respondem, juntos, pela movimentação de 14% dos passageiros, 10% da carga e 12% das aeronaves do tráfego aéreo brasileiro. O lance mínimo para o terminal fluminense foi de R$ 4,828 bilhões, com concessão válida por 25 anos, prorrogável por mais cinco. Já para o aeroporto mineiro, o lance mínimo foi de R$ 1,096 bilhão, com concessão válida por 30 anos, prorrogável também por mais cinco.

O modelo da concessão mantém a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) como sócia de 49% do empreendimento. O edital exigia a presença nos consórcios de um operador aeroportuário com experiência em terminais com movimento superior a 22 milhões de passageiros por ano para o Galeão e de 12 milhões de passageiros anuais para Confins.

Os futuros concessionários dos aeroportos do Galeão e Confins vão receber os terminais, em 17 de março de 2014, com obras inacabadas, insatisfação dos usuários e um curto prazo para atender às exigências previstas no edital, a tempo da realização da Copa do Mundo, em junho. Nos dois terminais do Galeão, os investimentos da Infraero serão de R$ 443,5 milhões, mas os resultados ainda não foram sentidos. Já as obras que estão sendo realizadas pela Infraero em Confins têm previsão de término em abril abril de 2014. A mudança faz parte do PAC Copa e até o evento serão investidos em Confins R$ 430 milhões.

 

Lucro da Caixa cresce 19,3% no terceiro trimestre

A Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido acumulado de R$ 5 bilhões de janeiro a setembro de 2013, aumento de 19,3% se comparado ao mesmo período do ano passado. O retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado é de 27%.

O resultado bruto da intermediação financeira alcançou R$ 14,5 bilhões, crescimento de 19,3% em relação aos nove primeiros meses de 2012, com destaque para as receitas de operações de crédito, que totalizaram R$ 33,3 bilhões, evolução de 32,2%. O resultado operacional foi de R$ 4,8 bilhões, aumento de 16,9%.

Em setembro, os ativos totais administrados alcançaram R$ 1,5 trilhão. Desses, R$ 858,4 bilhões representavam os ativos próprios da instituição, expansão de 27,5% em 12 meses, de acordo com nota à imprensa. O número é reflexo do aumento de 40% da carteira de crédito, que alcançou saldo de R$ 463,4 bilhões e representava 17,7% do crédito do SFN.

Captação. A Caixa informa que encerrou o terceiro trimestre com saldo de captações de R$ 573,8 bilhões. De acordo com informe da instituição, os depósitos e letras totalizaram R$ 421,4 bilhões, 22,9% acima de setembro de 2012, com captação líquida total de R$ 38,2 bilhões.

A poupança da Caixa teve saldo de R$ 199,8 bilhões, alta de 17,7% em 12 meses e 35,2% do mercado, segundo informe da Caixa. No mês de setembro eram 50,6 milhões de cadernetas de poupança. A captação líquida da poupança foi de R$ 16,5 bilhões em nove meses, evolução de 35,8% em relação ao mesmo período de 2012.

Os depósitos à vista somaram R$ 24,6 bilhões (a variação não foi informada) e a prazo chegaram a R$ 114,9 bilhões, alta de 25,0% ante setembro de 2012. Os recursos em CDB representavam 62,9% desse total, ou R$ 72,4 bilhões, o que representa aumento de 32,3% em 12 meses.

As Letras Imobiliárias e Financeiras apresentaram captação líquida de R$ 20,1 bilhões de janeiro a setembro de 2013 e saldo de R$ 67,8 bilhões, aumento de 70,9 % em 12 meses. As Letras de Crédito Agrícola, lançadas em novembro de 2012, tiveram saldo de R$ 1,6 bilhão.

O índice de Basileia encerrou o período em 17,0%, 4,4 pontos porcentuais acima de setembro de 2012, "o que demonstra que a Caixa está capitalizada e conta com níveis de liquidez e cobertura confortáveis para dar continuidade a expansão de sua carteira", diz a instituição em nota à imprensa.

No acumulado de janeiro a setembro o banco registrou 4,9 milhões de novos correntistas e poupadores, para uma base total de 70,1 milhões de clientes.

 

 

Burocracia 'emperra' vida de empreendedor

A presidente Dilma Rousseff disse, durante a abertura do XIV Congresso da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), em Campinas, no interior paulista, que a burocracia complica a vida dos empreendedores, do cidadão e do governo, "porque processos decisórios emperram", disse. Segundo ela, é preciso "pensar simples", o que justificaria a criação da Secretaria da Micro e Pequena Empresa no governo.

A presidente considerou que a burocracia é a junção de volume de papéis e falta de prazo e cobrou a informatização após a desburocratização dos processos. "Temos de aproveitar a revolução da informática e internet para transformar os processos, mas primeiro é preciso desburocratizar e informatizar", disse. "Não podemos informatizar a burocracia, temos de facilitar, porque a burocracia provoca custos e desperdícios", completou.

A presidente cobrou a melhoria da produtividade das indústrias e do governo. "Combater essa burocracia é combater esse processo de prazos longos e melhorar a produtividade". Dilma admitiu ainda que a abertura de uma empresa é um processo mais longo e dispendioso no Brasil do que em outros países e disse que a simplificação para a abertura de pequenas empresas, anunciada no evento, será expandida para todas as partes.

Dilma fez a promessa de persuasão às esferas públicas de que a primeira visita dos fiscais às empresas será sempre orientadora. "Relação entre empresa e Estado não pode ser de confronto, mas de colaboração", e concluiu: "Não há uma oposição entre governo e empresários. Sobretudo, há vontade do meu governo de colaborar com os empresários".



 

Dilma reforça pacto fiscal

A presidente Dilma Rousseff reforçou, seu compromisso com o pacto da estabilidade fiscal, um dos cinco lançados após as manifestações em junho.

Segundo Dilma, em postagem no Twitter, "é impossível executar grandes projetos de saúde, de mobilidade urbana e de educação sem cuidar atentamente da robustez fiscal do País". A presidente também afirmou que o Brasil sente os efeitos da crise internacional, mas ressaltou o fato de o País ter inflação abaixo de 6,5% ao ano pelo décimo ano consecutivo.

Ela disse ainda que o Brasil será uma das poucas entre as grandes economias globais a apresentar superávit primário em 2013. "Segundo projeções, apenas 6 economias do G-20 (Arábia, Itália, Brasil, Turquia, Alemanha e Coreia do Sul) terão superávit primário em 2013", escreveu a presidente, lembrando ainda das reservas internacionais do País, de US$ 376 bilhões.

Dilma afirmou que o mais importante é que o Brasil construiu estabilidade com inflação controlada, superávit fiscal e altas reservas, aumentando a renda e o emprego da população. "O Brasil tem uma economia sólida e, por isso, tem recebido investimentos externos vultuosos (sic), como comprova o leilão de Libra", afirmou a presidente antes de finalizar dizendo: "Quem aposta contra o Brasil sempre perde. #5Pactos #estabilidadefiscal".

Entenda. Dilma reforça seu compromisso com a estabilidade fiscal no momento em que o mercado volta sua atenção para a situação fiscal do País. Na semana passada, o economista e ex-ministro da fazenda, Delfim Netto, afirmou, que elevar o superávit primário para 2% do PIB em 2014 - e cumprir a meta, sem truques - seria uma condição básica para evitar o rebaixamento da nota de risco do Brasil pelas agências internacionais. O superávit primário é a economia feita pelo governo para pagamento dos juros da dívida.

 

No início deste mês, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu, pela primeira vez, que a meta cheia de superávit primário do setor público não será cumprida este ano e que o governo vai abater do resultado parte dos investimentos realizados no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Minha Casa, Minha Vida. O tamanho do desconto ainda não está definido. "De fato, está ficando mais difícil fazer a meta cheia de superávit primário em 2012", disse em entrevista ao Estado.

Mantega também cobrou que Estados e municípios se esforcem para cumprir meta fiscal. Segundo ele, o governo continua perseguindo a meta de superávit primário de R$ 73 bilhões, algo em torno de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB). No ano passado, o governo Dilma havia estabelecido a meta de superávit primário equivalente a 3,1% do PIB, porcentual que caiu para 2,3%.

 

Governo fica com 35% da receita bruta e nada faz para mobilidade

A economia da Região Sudeste ainda é a locomotiva do País, mesmo com um avanço mais lento em relação às demais regiões brasileiras nos últimos anos. Juntos, seus quatro Estados detêm 55,4% do PIB. Mas, para manter e ampliar a infraestrutura regional, o Sudeste terá de investir R$ 589,6 bilhões nos próximos cinco anos. 

O Sudeste receberá nos próximos anos uma Copa do Mundo e uma Olimpíada e a preocupação com a mobilidade ficou mais latente. O porcentual de pessoas que passam mais de uma hora no trânsito nas regiões metropolitanas da região é praticamente o dobro de outras capitais do País. 

A região é ainda o maior polo automotivo do Brasil, responsável por 70% da produção nacional de veículos, e receberá, num período de seis anos, até 2016, mais de R$ 30 bilhões em investimentos só das montadoras de veículos. 

Perguntado no evento sobre o crescimento da venda de carros em paralelo aos gargalos de infraestrutura, o presidente da Fiat do Brasil, Cledorvino Belini, disse: “Nós (montadoras) temos um grande sócio que fica com 35% da receita bruta. Esses recursos deveriam ser para a mobilidade e isso não acontece.”

 

 

Petrobrás vende subsidiária no Peru

A Petrobraá informa que assinou os documentos para a venda de 100% das ações de sua subsidiária integral Petrobras Energia Peru para a China National Petroleum Corporation (CNPC) pelo valor total de US$ 2,6 bilhões. Segundo a estatal brasileira, a operação é mais um importante passo no seu Programa de Desinvestimentos (Prodesin), previsto no Plano de Negócios e Gestão 2013-2017. A petroleira possui meta de desinvestimento de US$ 9,9 bilhões para o período 2013-2017, segundo dados do plano de negócios anunciado em março.

De acordo com a empresa, os ativos que fazem parte da transação são 100% do Lote X, campo maduro em produção desde 1912 que produziu 16 mil barris de óleo equivalente por dia em 2012; 46,16% de participação no Lote 57, campo pré-operacional de gás natural e condensado; e 100% do Lote 58, bloco exploratório próximo ao Lote 57 com recentes descobertas relevantes de gás natural e condensado.

A conclusão da transação está sujeita à aprovação dos governos chinês e peruano, entre outras condições.

Entre os anúncios já feitos pela empresa dentro do plano de desinvestimento, estão a venda de participação em blocos no Golfo do México, além do acordo com o banco de investimento BTG Pactual pela fatia de ativos de exploração e produção da Petrobras na África por 1,52 bilhão de dólares.

Na véspera, o conselho da Petrobras realizou uma reunião extraordinária, na qual também aprovou propostas de incorporação de suas subsidiárias PIFCo e CRSec, com o objetivo de simplificar sua estrutura societária.

 

 

Banco do Brasil lucra R$ 2,7 bi no 3º trimestre

Banco do Brasil anunciou, lucro líquido de R$ 2,704 bilhões no terceiro trimestre do ano, resultado 0,9% menor do que o registrado em igual intervalo de 2012, de R$ 2,728 bilhões. No conceito ajustado, o lucro ficou em R$ 2,610 bilhões, queda de 1,8% em um ano e de 0,9% ante o segundo trimestre. A cifra apresentada pelo BB no terceiro trimestre é 1,8% menor do que a registrada em um ano, de R$ 2,657 bilhões. As receitas com tarifas somaram R$ 5,8 bi no trimestre, uma queda de 1,7% em relação ao mesmo trimestre em 2012.  O lucro líquido ajustado está em linha com a projeção de analistas do mercado.  (Bank of America Merrill Lynch, Bradesco, BTG Pactual, Citibank, Credit Suisse, Deutsche Bank, Grupo Bursátil Mexicano (GBM), Goldman Sachs, HSBC, JPMorgan, Safra e UBS) apontava para lucro líquido recorrente de R$ 2,534 bilhões no período. 

A carteira de crédito ampliada do banco encerrou setembro em R$ 652,294 bilhões, crescimento de 22,5% ante junho e de 2,1% em 12 meses. Os destaques do período, conforme relatório do banco que acompanha suas demonstrações financeiras, foram as carteiras de crédito às empresas e ao agronegócio, que registraram avanço em 12 meses de 24,7% e 32,2%, respectivamente. O BB reduziu sua participação em crédito no sistema financeiro nacional no terceiro trimestre deste ano, com a sua fatia recuando de 20,8% em junho para 20,7% em setembro.

Os empréstimos destinados à pessoa física somaram R$ 163,983 bilhões no terceiro trimestre, avanço de 14,1% em doze meses e de 1,5% sobre junho, respondendo por 25,1% da carteira de crédito do banco. Já os recursos destinados às pessoas jurídicas atingiram R$ 307,3 bilhões, com expansão de 24,7% e 2,4%, respectivamente. Esse segmento responde por 47,1% da carteira de crédito total do BB.

Ativos

Os ativos do Banco do Brasil alcançaram R$ 1,259 trilhão ao final de setembro, cifra 14,0% maior do que a registrada em um ano, de R$ 1,104 trilhão, favorecido, principalmente, pela expansão da carteira de crédito.

O retorno sobre o patrimônio líquido anualizado (RSPL) no conceito ajustado do BB ficou em 15,7% ao final de setembro ante 18,1% registrado em 12 meses. O banco também divulgou retorno de 16,3% contra 18,6% em um ano. O BB encerrou o terceiro trimestre com patrimônio líquido médio de R$ 65,924 bilhões. O montante é 5,3% maior do que o registrado no mesmo período de 2012, de R$ 62,614 bilhões.

Revisão

O Banco do Brasil revisou parte de suas projeções de desempenho (guidance) para 2013. Foram alteradas, conforme relatório que acompanha as demonstrações financeiras, suas expectativas para margem financeira bruta, carteira de crédito ampliada para pessoa física, empréstimos para o agronegócio e despesas com provisões para devedores duvidosos (PLCD).

As projeções para retorno, carteira de crédito, captações comerciais, empréstimos para pessoa jurídica, rendas de tarifas e despesas administrativas foram mantidas.

A carteira ampliada de crédito para pessoa física deve avançar de 14% a 18% e não mais de 16% a 20% como previsto anteriormente. É a segunda vez que o BB revisa esta projeção. No segundo trimestre o banco havia baixado a estimativa inicial, que era de 18% a 22%. A justificativa do BB para uma nova revisão para baixo é uma "menor demanda por parte dos clientes, principalmente, nas linhas de empréstimo pessoal. O crescimento visto no acumulado deste ano até setembro foi de 14,1%.

Em contrapartida o Banco do Brasil revisou para cima o crescimento esperado para os empréstimos ao agronegócio. Devem crescer de 24% a 28% este ano e não mais de 22% a 26%. Esta projeção também já havia sido alterada no segundo trimestre, mas, neste caso, para cima. A expectativa inicial era de avanço da carteira do agronegócio de 13% a 17% este ano. De janeiro a setembro ante um ano o aumento visto foi de 32,2%. O segundo aumento consecutivo é explicado, segundo o BB, pela elevada demanda, notadamente nas linhas de investimento, agroindústria e antecipação dos recursos para safra agrícola.

A projeção para a margem financeira bruta do BB em 2013 sofreu um novo corte. Depois de revisá-la de um intervalo de crescimento 7% a 10% para 4% e 7% no segundo trimestre, o banco agora espera que a expansão fique entre 2% e 5%. No acumulado do ano até setembro, o indicador avançou 2,3%.

"O desempenho foi impactado, principalmente, pelo crescimento da carteira de crédito em linhas de menor risco e pelo aumento do custo de captação em virtude da elevação do CDI/TMS", explica o BB, em relatório.

O BB promoveu leve redução na projeção para o indicador de PCLD (gastos acumulados em 12 meses divididos pela carteira de crédito). A instituição espera que fique entre 2,7% e 3,0% neste ano ante índice de 2,7% e 3,1%. Esta expectativa já havia sido revisada para baixo no trimestre anterior. A expectativa inicial do BB, divulgada no início deste ano era que de que o indicador de PCLD ficasse entre 3,0% a 3,4%. Até setembro, ficou em 2,8%.

 

Brasil terá inflação maior e menos crescimento em 2014

Mais inflação e menos crescimento econômico em 2014. Essa foi a previsão dos economistas do mercado financeiro feita na semana passada e divulgada pelo Banco Central, por meio do relatório de mercado, também conhecido como boletim Focus. O documento é fruto de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

Para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2013, a previsão do mercado financeiro permaneceu estável em 5,85% na última semana. Já para 2014, a previsão do mercado avançou de 5,92% para 5,93%.

Caso a expectativa do mercado se confirme, a inflação deste ano ficará acima do valor registrado em 2012 (5,84%). O presidente do BC, Alexandre Tombini, tem prometido queda da inflação neste ano frente ao patamar registrado em 2012 (5,84%) e com um novo novo recuo no ano de 2014.

Produto Interno Bruto
Para o comportamento do PIB neste ano, o mercado financeiro manteve sua previsão de uma alta de 2,50%, em linha com as estimativas tanto o Banco Central quanto o Ministério da Fazenda. Para 2014, a estimativa dos analistas para o crescimento da economia caiu de 2,13% para 2,11%.

Taxa de juros
A maior parte dos analistas do mercado financeiro segue acreditando que os juros básicos da economia, atualmente em 9,5% ao ano após cinco elevações consecutivas por parte do Banco Central, avançarão para 10% ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central deste ano - marcada para o fim de novembro. Para o fim de 2014, a estimativa do mercado para a taxa de juros também ficou estável na semana passada, em 10,25% ao ano.

Câmbio, balança comercial e investimentos estrangeiros
Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2013 permaneceu em R$ 2,25 por dólar. Para o fechamento de 2014, a estimativa dos analistas dos bancos para o dólar ficou estável em R$ 2,40.

A projeção dos economistas do mercado financeiro para o superávit da balança comercial (exportações menos importações) em 2013 caiu de US$ 1,90 bilhão para US$ 1,55 bilhão na semana passada. Para 2014, a previsão de superávit comercial avançou de US$ 9,25 bilhões para US$ 10 bilhões na última semana.

Para 2013, a projeção de entrada de investimentos no Brasil ficou inalterada em US$ 60 bilhões. Para 2014, a estimativa dos analistas para o aporte de investimentos estrangeiros continuou em US$ 60 bilhões na última semana.

 

Tarifas públicas levaria preços ao consumidor a 7,4%

A inflação estouraria o teto da meta este ano se o governo não tivesse segurado os preços em setores como energia e transporte público, promovido a desoneração da cesta básica e reduzido o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Um cálculo da consultoria Tendências indica que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) terminaria 2013 em 7,4% - acima do limite de 6,5%.

"A previsão de 7,4% também considera o reajuste do combustível para zerar a defasagem", diz Alessandra Ribeiro, economista da Tendências. Para este ano, a consultoria prevê uma alta do IPCA de 5,9% e de apenas 1,5% para os preços administrados.

Apesar do controle, a soma dos reajustes de alguns preços administrados já deve trazer um efeito para a inflação na reta final deste ano. Entre os aumentos considerados pela maioria dos profissionais consultados estão o aumento médio de 4,68% para os consumidores residenciais da Light, distribuidora de energia do Rio de Janeiro; a alta de 6,72% na conta de luz de moradores de 28 municípios de São Paulo atendidos pela Bandeirante; e o aumento de 13,30% aplicado pela Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica (CEEE-D), do Rio Grande do Sul. Além disso, alguns economistas também levam em consideração o aumento nos preços dos cigarros da Souza Cruz, aplicados no último dia 2.

De acordo com o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal, o efeito total seria algo próximo de 0,11 ponto porcentual no IPCA de 2013 que, dessa forma, encerraria o período com alta de 5,73%. "Impacto de 0,06 ponto dos cigarros; 0,02 da Sabesp e 0,03 ponto das elétricas (juntas)", calculou Souza Leal.

Em 2014, a expectativa da Tendências é que os preços administrados subam 4,5%. Nesse cálculo, está excluído um aumento de combustível, e os reajustes dos principais contratos de energia elétrica, água e esgoto seguem as regras atuais. "O único item que está nesta conta e que pode não se concretizar é o reajuste de transporte público. A Prefeitura de São Paulo está sinalizando que pode usar o aumento do IPTU para bancar o reajuste do transporte. Outras cidades podem fazer o mesmo, o que reduziria a alta dos administrados para algo em torno 4%", diz Alessandra.

Na avaliação da economista, apesar da previsão de aumento dos preços administrados superior a de 2013, um pequeno choque pode ser suficiente para o estouro do teto da meta de 2014. "Não há margem para acomodar possíveis choques. Além disso, o governo está com o lado fiscal apertado", afirma Alessandra. A consultoria espera uma inflação de 6% no próximo ano.

 

Prejuízo de aéreas brasileiras mais que dobra

A crise na aviação civil fez as companhias aéreas brasileiras amargarem R$ 5 bilhões de prejuízos nos últimos dois anos. As perdas se intensificaram em 2012 e somaram R$ 3,5 bilhões, mais do que o dobro do ano anterior. Os dados são auditados e foram informados pelas empresas à Agência Nacional de Aviação Civil e divulgados no Anuário do Transporte Aéreo.

As líderes de mercado TAM e Gol responderam por mais de 80% das perdas em 2012 -R$ 2,93 bilhões, já considerando o resultado da Webjet, que foi incorporada à Gol no ano passado. Do total de dez empresas listadas, apenas a Absa, cargueira controlada pela LAN e hoje incorporada à TAM Cargo, teve lucro no ano passado.

O anuário da aviação civil, no entanto, mostra um cenário adverso também para as empresas menores. As perdas somadas de Azul e Trip, que estão em processo de fusão, atingiram R$ 380 milhões em 2012, mais do que o dobro do registrado no ano anterior.

"As empresas correram para comprar aviões e aumentar seu market share (participação de mercado) nos últimos anos. Fizeram guerra de tarifas e o preço da passagem caiu além do limite", explica Jorge Leal, professor da USP e especialista em aviação. "A conta chegou."

Os números comprovam a tese. A frota das companhias aéreas saltou de 416 aeronaves, em 2009, para 518, em 2012 - a maioria jatos de Boeing e Airbus. Para encher aviões novos e maiores, as empresas reduziram o preço das passagens no período, mesmo em cenário de alta do custo do combustível.

O valor médio de um bilhete aéreo caiu de R$ 383 para R$ 294 entre 2009 e 2012, segundo a Anac. No mesmo período, o preço do barril de petróleo, um dos principais fatores de precificação do querosene de aviação, subiu de US$ 75 para US$ 100. Essa conta ficou ainda mais cara com a valorização do dólar frente ao real, que saltou da faixa de R$ 1,75, em 2009, para R$ 2, no ano passado.

"A deterioração do resultado das empresas é reflexo do aumento do combustível", disse o consultor técnico da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Adalberto Febeliano. Os dados da Anac apontam que o peso do combustível nos custos das empresas aéreas brasileiras saltou de 29,8% para 38,5% entre 2009 e 2012.

Ajustes. Depois de amargar prejuízos bilionários, a indústria de aviação civil brasileira iniciou um ajuste de oferta e preço, em uma tentativa de recuperar a rentabilidade. Os preços das passagens aéreas voltaram a subir no segundo semestre do ano passado, após sete semestres consecutivos de queda, segundo dados da Anac. Entre janeiro e junho deste ano, o preço médio das passagens aéreas nos voos nacionais foi de R$ 302,98, uma alta de 4,15% em relação aos valores praticados no mesmo período de 2012.

Sem conseguir encher os aviões com o preços maiores, as empresas cortaram voos menos rentáveis. O volume de passagens à venda em dezembro de 2012 era 7,4% abaixo do registrado um ano antes. E, em setembro deste ano, o último dado disponível, a oferta se retraiu mais 2,94% em relação ao mesmo mês de 2012.

O corte de voos refletiu também nos empregos. Depois de um ciclo de contratações expressivas, que elevaram em 25% o número de trabalhadores do setor entre 2009 e 2011, o setor aéreo cortou vagas em 2012. O ano passado encerrou com 61.120 pessoas empregadas em companhias aéreas brasileiras, cerca de 600 a menos do que em 2011. Esse número reflete o fim da Webjet e as demissões em massa na Gol, mas ainda não mostra o corte de vagas feito neste ano pela TAM.

Para o consultor da Abear, o emprego na aviação passa por uma estabilidade. "O corte foi irrisório perto do tamanho do prejuízo das empresas. É um setor altamente empregador", disse Febeliano.

A expectativa dele é de que o ajuste de oferta e preço traga resultados melhores para o setor em 2013. "Espero prejuízos menores do que em 2012, mas não um retorno à lucratividade", disse. Segundo ele, a desaceleração da demanda e o aumento do dólar mantêm um cenário adverso para a aviação neste ano.

 

 

 

Para cumprir meta de superávit, governo cobra Estados e municípios

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse, que o governo tem total controle fiscal das contas públicas. Segundo ele, o governo continua perseguindo a meta de superávit primário de R$ 73 bilhões, algo em torno de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB). No entanto, o ministro disse que, para alcançar esse resultado, os Estados e municípios precisam cumprir a meta cheia.

No ano passado, o governo Dilma havia estabelecido a meta de superávit primário equivalente a 3,1% do PIB, porcentual que caiu para 2,3%.

Mantega disse que o governo espera abater R$ 45 bilhões da sua meta, conforme já anunciado. "Colocamos uma previsão de abatimento de R$ 45 bilhões, mas temos autorização para fazer um abatimento maior. Vai depender do resultado que tivermos. Em princípio, R$ 45 bilhões. Se for necessário, abateremos mais. Depende do resultado de Estados e Municípios".

Ele acrescentou que o Brasil teve um ano um pouco mais difícil por causa da atividade econômica que está se recuperando apenas em 2013. "Reflete a atividade do ano passado. Tivemos algumas despesas excepcionais em setembro, que não se repetem, como por exemplo a despesa de energia", justificou.

O ministro lembrou que o governo está subsidiando a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Lembrou que as desonerações feitas pelo governo diminuíram a arrecadação temporariamente. "Elas vão se traduzir em empresas mais competitivas, que vão faturar mais. A retomada da atividade econômica que está ocorrendo neste ano vai se traduzir em aumento de lucro, do Imposto de Renda e de arrecadação", afirmou.

Melhora

O ministro da Fazenda também disse que o País vive uma fase transitória. "Isso vai ser percebido nos próximos meses. Em outubro, o resultado fiscal será melhor e, até o final do ano, cada mês será melhor do que o seguinte. Novembro será melhor do que outubro e dezembro será melhor ainda", afirmou.

Mantega reafirmou que o governo deve fechar o ano com a previsão para o governo central próximo daquilo que estava trabalhando. "Estamos perseguindo R$ 73 bilhões (de superávit primário) e é isso que deveremos fazer. Seriam R$ 63 bilhões mais os R$ 10 bilhões adicionais (para cobrir Estados e municípios)", afirmou.

Segundo o ministro, mesmo com o resultado de setembro, o governo continuará com esta trajetória. "Mas os governos estaduais também têm de fazer sua parte, de modo que possamos cumprir as metas e obter um resultado razoável para este ano. Estamos diminuindo os repasses para Estados e municípios. Significa que eles gastarão menos e farão um resultado fiscal melhor. Estamos diminuindo subsídios e melhorando a situação fiscal de modo geral", completou.

 

 

Preço de imóveis no Brasil tem alta valorização

O mercado imobiliário para compra e venda de apartamentos, tanto usados como novos, está surpreendendo este ano. Entre janeiro e outubro, o preço médio do metro quadrado de imóveis prontos, a maioria usados, subiu 11,3% em 16 cidades brasileiras, aponta pesquisa FipeZap. A base de dados é formada pelos apartamentos anunciados na internet.

A alta de preço dos imóveis neste ano ganhou dos principais índices de inflação no período, de 4,4% projetada para o IPCA de janeiro a outubro, e de 4,58% pelo IGP-M. Além disso, o aumento do preço do metro quadrado superou de longe o rendimento das aplicações financeiras mais comuns.

De janeiro a outubro, o rendimento bruto do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) foi de 6,46%, sem descontar o imposto. O dólar, por sua vez, valorizou-se 9,1% em relação ao real e a poupança teve rendimento líquido de 4,69%. Já os papéis negociados na Bolsa caíram, em média, 11,35% no período.  

Fábio Colombo, administrador de investimentos, diz que essa valorização no preço do metro quadrado, comparada à de outros investimentos, deve ser ponderada. "Os imóveis vêm tendo grande recuperação há algum tempo, mas no último ano e meio tem ocorrido uma desaceleração." Ele diz que em regiões do País com menor liquidez, isto é, onde os negócios demoram mais para serem fechados, os preços efetivos são menores. Isso significa que a pesquisa reflete os preços pedidos do metro quadrado pelo vendedor.

De toda forma, os dados da pesquisa FipeZap mostram uma valorização expressiva no ano e no mês. Em outubro, os preços do metro quadrado para a média de 16 cidades subiu 1,3% e foi ligeiramente maior do que em setembro (1,2%).

Dos 16 locais pesquisados, só um, o Distrito Federal, acumulou alta inferior à inflação de janeiro a outubro. O destaque positivo foi Curitiba (33,2%), seguido por Florianópolis (13,1%),Vitória (12,7%), Rio de Janeiro (12,5%), Porto Alegre (12,3%) e São Paulo (11,2%).

Eduardo Zylberstajn, coordenador do índice FipeZap, diz que a alta de preços reflete ainda o bom momento do emprego e da renda no mercado de trabalho, associado à maior oferta de crédito imobiliário. "Um milhão de novas famílias são formadas no País a cada ano. Esse é mais um fator de pressão de preços do lado da demanda."

Apesar do avanço dos preços, o economista explica que a aceleração já foi bem maior. Em 2011, o preço do metro quadrado em sete capitais subiu 26,3%; no ano passado, 12,4% e neste ano até outubro, 10,3%.

Novos. "O mercado imobiliário tem nos surpreendido positivamente este ano", afirma Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, o Sindicato da Habitação. No início do ano, ele diz que as projeções para a cidade de São Paulo eram de um crescimento entre 5% e 10% no número de lançamentos e vendas de imóveis novos.

As projeções foram refeitas e a expectativa é de alta entre 15% e 20% nos lançamentos e entre 25% e 30%, nas vendas. "Estamos muito bem. Isso é diferente da percepção do resto da economia."

 

 

 

Mercado financeiro prevê mais inflação para 2013

Os economistas do mercado financeiro elevaram, na semana passada, sua estimativa para a inflação deste ano, informou o Banco Central , por meio do relatório de mercado, também conhecido como boletim Focus. O documento é fruto de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

Para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2013, a previsão do mercado financeiro subiu de 5,83% para 5,85% na última semana. Já para 2014, a previsão do mercado permaneceu inalterada em 5,92%.

Caso a expectativa do mercado se confirme, a inflação deste ano ficará acima do valor registrado em 2012 (5,84%). O presidente do BC, Alexandre Tombini, tem prometido queda da inflação neste ano frente ao patamar registrado em 2012 (5,84%) e com um novo recuo no ano de 2014.

Produto Interno Bruto
Para o comportamento do PIB neste ano, o mercado financeiro manteve sua previsão de uma alta de 2,50%, em linha com as estimativas tanto o Banco Central quanto o Ministério da Fazenda. Para 2014, a estimativa dos analistas para o crescimento da economia ficou estável em 2,13%.

Sistema de metas
Pelo sistema de metas que vigora no Brasil, o BC tem, teoricamente, de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o IPCA. Para 2013 e 2014, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

Taxa de juros
A maior parte dos analistas do mercado financeiro segue acreditando que os juros básicos da economia, atualmente em 9,5% ao ano após cinco elevações consecutivas por parte do Banco Central, avançarão para 10% ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central deste ano - marcada para o fim de novembro. Para o fim de 2014, a estimativa do mercado para a taxa de juros também ficou estável na semana passada, em 10,25% ao ano.

Câmbio, balança comercial e investimentos estrangeiros
Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2013 permaneceu em R$ 2,25 por dólar. Para o fechamento de 2014, a estimativa dos analistas dos bancos para o dólar ficou estável em R$ 2,40.

A projeção dos economistas do mercado financeiro para o superávit da balança comercial (exportações menos importações) em 2013 caiu de US$ 1,97 bilhões para US$ 1,90 bilhão na semana passada. Para 2014, a previsão de superávit comercial avançou de US$ 8,50 bilhões para US$ 9,25 bilhões na última semana.

Para 2013, a projeção de entrada de investimentos no Brasil ficou inalterada em US$ 60 bilhões. Para 2014, a estimativa dos analistas para o aporte de investimentos estrangeiros continuou em US$ 60 bilhões na última semana.

 

Segundo maior banco da China compra o BicBanco

O BicBanco confirmou , a venda do seu controle, equivalente a 73,96% do capital total, para o China Construction Bank Corporation (CCB) por R$ 1,62 bilhão. O Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, antecipou em setembro o interesse do banco chinês pela instituição brasileira.

A aquisição do controle do BicBanco representará o início das operações diretas do China Construction Bank no Brasil. Conforme fato relevante enviado ao mercado, o banco vai continuar a operar como um banco comercial, com foco no segmento de empresas de médio porte.

O CCB é o segundo maior banco comercial na China com 14.859 trilhões de yuan (cerca de R$ 5,5 trilhões) em ativos totais e empréstimos de 8,095 trilhões de yuan (de cerca de R$ 3 trilhões). O banco tem ações negociadas na Bolsa de Valores de Hong Kong e Xangai e seu valor de mercado supera os US$ 180 bilhões (cerca de R$ 396 bilhões). Com quase 60 anos, o chinês é considerado o 5º maior dentre os bancos de capital aberto no mundo.

Seus principais negócios incluem serviços bancários corporativos e pessoais e operações de tesouraria. O CCB conta com uma rede de mais de 14 mil filiais na China e em torno de 345 mil empregados. "A operação marca a entrada dos asiáticos na lista dos 15 maiores bancos do Brasil. Isso é novidade no mercado brasileiro", disse o analista da Austin Rating, Luis Miguel Santacreu.

O China Construction Bank Corporation não pretende fazer grandes alterações na atual estrutura do BicBanco após obter as autorizações dos órgãos reguladores responsáveis para a aquisição, segundo fontes ouvidas pelo Broadcast. O objetivo é manter a gestão atual e trazer alguns executivos chineses para o quadro do banco.

O CCB considera o Brasil um país fundamental dentro da sua estratégia global devido à forte relação comercial com a China. "Pela primeira vez, o CCB adquire uma participação majoritária em um banco comercial brasileiro. A aquisição permitirá ao CCB entrar no Brasil, um mercado de grande importância estratégica", afirmou o presidente do CCB, Hongzhang Wang, em nota à imprensa.

O investimento no Brasil está em linha com a estratégia da instituição de se expandir internacionalmente. Sua rede no exterior contempla 68 instituições estrangeiras que cobrem 14 países e regiões.

No ano passado, o CCB chegou perto de adquirir a unidade brasileira do alemão West LB, que acabou vendida ao japonês Mizuho.

Carteira. Com o BicBanco, o CCB passa a ter acesso a uma carteira de empresas de todos os segmentos e de diferentes portes. "Eles compraram o maior dos bancos médios brasileiros. É uma operação interessante estrategicamente", disse Santacreu.

Segundo ele, o interesse do banco chinês pelo Brasil é compatível com a relevância da relação comercial entre os países. Hoje a China é o maior parceiro comercial do Brasil.

Um dos fortes do CCB é sua carteira de investimentos em infraestrutura, um negócio que tem potencial para desenvolver no Brasil, diz Santacreu. "Esse banco deve trazer mais capital para investimento em infraestrutura e, com ele, mais empresas chinesas interessadas em participar de projetos de infraestrutura no Brasil."

A troca de controle no BicBanco deve dissipar temores sobre a solidez financeira do banco. A instituição teve sua nota de crédito rebaixa pela agência Moody’s e viu o valor dos seus bônus externos derreter. A desvalorização foi tanta que o próprio banco recomprou parte dos títulos.

O BicBanco é o 11º em operações de crédito entre os bancos privados no Brasil. Voltado para empresas médias, o banco tem cerca de R$ 17 bilhões em ativos e carteira de crédito de R$ 11,61 bilhões, segundo dados de junho. O índice de Basileia, que mede quanto o banco pode emprestar sem comprometer seu capital, encerrou junho em 18,5%, acima dos 11% mínimos exigidos pelo Banco Central.

Abrir loja nos EUA é mais fácil do que no Brasil

O processo de abertura da loja da marca Schutz em Nova York no ano passado comprovou que é mais fácil abrir uma unidade nos Estados Unidos do que no Brasil, avalia o presidente do Conselho de Administração da Arezzo, Anderson Birman. "O nível de burocracia, de exigência de papelada para o início da operação é muito menor", disse durante o Fórum Estadão sobre a região Sul do País.

No entanto, segundo Birman, o desenvolvimento da marca no mercado norte-americano é mais difícil e a empresa ainda está em fase de estudo sobre o país. Segundo o fundador da companhia, o foco de crescimento no exterior permanece nos EUA. "Alguns investidores nos perguntam sobre investimentos em países do Cone Sul, mas estes apresentam fragilidades que impedem o crescimento. Preferimos focar esforços no mercado norte-americano, onde crescer fica a cargo apenas da sua própria competência".

A Argentina, por exemplo, está totalmente fora dos planos da empresa. As operações no exterior representam 5% dos negócios da companhia.

Birman afirmou que a maior competitividade da indústria brasileira depende de uma política fiscal e tributária mais planejada por parte do governo. "Acredito que uma política fiscal e tributária mais definitiva e não retalhada é muito importante para que nos tornemos mais competitivos, tanto internamente quanto no mercado externo".

Birman criticou medidas pontuais de desoneração. Segundo ele, a série de medidas municipais, estudais e federais ajudam, mas são muito retalhadas. "Isso não representa uma política fiscal e tributária continuada, o que traz consequências, em ultima instância, para o consumidor".

 

 

Indústria recua pela 1ª vez desde maio

Pela primeira vez desde maio, o indicador de estoques da indústria recuou este mês. O resultado atenuou a queda do indicador geral da confiança dos empresários da indústria em outubro, que se retraiu 0,2% em relação a setembro, segundo a Sondagem da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Mas o enxugamento dos estoques de setembro para outubro não foi suficiente para impulsionar a produção prevista para o quarto trimestre. Há poucas semanas o estoque de carros era o mais alto em 16 meses


"Não dá para dizer que o tom é de otimismo, mas os resultados deste mês são menos pessimistas do que os de setembro", afirma o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo.

Em setembro, a confiança dos empresários tinha caído 1% em relação a agosto, descontadas as influências sazonais. O resultado tinha sido afetado principalmente pelo acúmulo de estoques.

Neste mês, 6,5% das 1.238 indústrias consultadas pela pesquisa tinham estoques excessivos, excluída a fatia daquelas empresas com produtos insuficientes em seus depósitos. Este resultado é menor do que o obtido em setembro (7,7%), porém está acima da média histórica dos últimos cinco anos (4,2%).

De setembro para outubro, também diminuiu o número de segmentos superestocados. A pesquisa considera o segmento superestocado quando a parcela de empresas com estoques excessivos supera 10%. Neste mês, três segmentos estão nesta condição: mecânica, material de transporte e têxtil. Em setembro eram cinco setores, incluindo a indústria mecânica, a de material de transporte e os fabricantes de papel e celulose, produtos de matérias plásticas, vestuário calçados e artefatos de tecido.

A sondagem mostra que a proporção de empresas superestocadas na indústria mecânica e de material de transporte diminuiu em relação a setembro, mas o nível ainda é elevado. No caso da indústria mecânica, 15,5% das empresas estão com estoques além da conta. Em setembro eram 20%. No caso do material de transporte, a parcela de empresas com estoques excessivos era 25,9% em setembro e recuou para 20% este mês.

Além dos três segmentos superestocados, outros três estão com volume excessivo de produtos acabados este mês: matérias plásticas, produtos alimentares e minerais não metálicos. Os oito segmentos restantes avaliados têm estoques considerados normais.

Freio. Por causa da demanda fraca no mercado interno e no exterior, e do peso dos estoques em setores importantes, as indústrias reduziram o ritmo de produção. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) das fábricas, descontadas as influências sazonais, recuou para 84,1% em outubro, ante 84,2% em setembro e 83,4%, que é a média histórica dos últimos cinco anos. Desde junho, o Nuci está em queda. "Esse movimento reflete o desequilíbrio dos estoques e a desaceleração da demanda", diz Campelo.

Apesar de a indústria iniciar o último trimestre com ritmo de atividade ainda fraco e com a demanda prevista para três meses com retração ante setembro, há na sondagem um dado que destoa dos demais: o emprego previsto para três meses.

Esse indicador aumentou 2,2% de setembro para outubro, descontada as influências sazonais, depois. "O emprego tem a ver com o médio prazo e os empresários estão levando em conta o movimento dos estoques e do câmbio", explica Campelo. Ele pondera que o patamar do indicador era baixo.

 

Juro médio chega a 28,4% em setembro

O ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic, iniciado em abril desde ano, já reflete no aumento do juro médio cobrado do consumidor e de empresas, segundo os dados do Banco Central (BC).

A taxa média de juros no crédito livre subiu para 28,4% ao ano em setembro, antes 28% em agosto. Essa é a maior taxa desde maio de 2012, quando estava em 28,5% ao ano. 

Para a pessoa física, a taxa média de juros no crédito livre passou de 36,5% ao ano para 37,2% ao ano. Para a pessoa jurídica, avançou de 20,6% ao ano para 20,7% ao ano na mesma comparação.

O cheque especial foi uma linhas de crédito livre para a pessoa física que mais subiram no mês - de 138,9% ao ano para 143,3% ao ano. Para o crédito pessoal, o avanço foi de 39,7% ao ano para 40,4% ao ano. Para veículos, os juros subiram de 20,9% ao ano para 21,2% ao ano.

Em sua última reunião, no início de outubro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa básica de juros da economia, a Selic, pela quinta vez seguida. Com a alta de 0,5 ponto porcentual, para 9,5% ao ano, o Brasil voltou a ter o maior juro real do  mundo (descontada a inflação), de 3,5%. A expectativa do BC é de que o atual ciclo de elevação da taxa básica de juros contribua para colocar a inflação em declínio

Crédito total. A taxa média de juros no crédito total, que inclui também as operações direcionadas, subiu de 19,3% ao ano em agosto para 19,5% ao ano em setembro. O juro médio do crédito direcionado passou de 7,2% ao ano para 7,3% ao ano na mesma comparação.

Inadimplência. A taxa de inadimplência no crédito livre ficou estável em setembro ante agosto. Os atrasos acima de 90 dias no crédito livre ficaram em 5,1% pelo segundo mês seguido. Para pessoa física, se manteve em 7,0%. Para as empresas, o porcentual continuou em 3,4%. 

Já a inadimplência do crédito direcionado subiu de 1,0% em agosto para 1,1% em setembro. O dado que considera crédito livre mais direcionado mostra inadimplência de 3,3% em setembro, ante 3,2% em agosto. No crédito livre para pessoa física, a inadimplência no crédito pessoal se manteve em 4,2%. No cheque especial, subiu de 8,4% para 8,5%. Na aquisição de veículos, caiu de 5,8% para 5,7%. No cartão de crédito, recuou de 25,1% para 24,6%, puxa da pela redução de 0,7 ponto porcentual no rotativo, cujos atrasos representam 33,9%.

Spread bancário. A diferença entre o custo de captação de dinheiro pelo banco e o juro cobrado nos empréstimos a pessoa física e jurídica, o chamado spread bancário, continuou em trajetória de alta em setembro.

O spread médio no crédito livre passou de 17,6 pontos porcentuais em agosto para 17,8 pontos porcentuais em setembro. Com isso, o spread se aproxima novamente do patamar verificado em abril deste ano, quando estava em 17,9.

O spread médio da pessoa física no crédito livre foi o que mais puxou o indicador ao subir de 25,3 pontos porcentuais em agosto para 25,8 no mês passado. Para pessoa jurídica, no entanto, o spread médio caiu no período: de 10,9 pontos porcentuais para 10,8.

 

Ministro espera fazer ao menos uma concessão de ferrovia

O ministro dos Transportes, César Borges, disse, que espera que 2013 termine com a realização de, ao menos, um trecho de ferrovia. De acordo com ele, seria a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), que liga Lucas do Rio Verde (MT) a Campinorte (GO), necessária para melhorar o escoamento da produção agrícola até os portos do País. "Esperamos fazer ao menos uma concessão em 2013", disse.

Borges afirmou que as empresas gastam, em média, 13% do faturamento com logística e que, para reduzir esse montante, é preciso diminuir a dependência do modal rodoviário para desenvolver, por exemplo, ferrovias. "Atualmente temos um sistema monopolista de ferrovias, com pressão de demanda e oferta extremamente limitada, por isso estamos tentando erguer um sistema que possa desenvolver o modal ferroviário no País", disse o ministro durante evento do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), na capital paulista.

Ele destacou os projetos de infraestrutura que estão sendo oferecidos à iniciativa privada por meio das concessões federais. De acordo com Borges, há uma variedade de projetos para a escolha dos investidores do setor de infraestrutura, talvez até mesmo em um número acima da capacidade dos empresários em abraçar todos os empreendimentos. "Temos um cardápio variado de concessões para investidores de infraestrutura", disse. "Talvez até em excesso", completou.

 

Governo aumenta limite de participação estrangeira no BB

O governo elevou o limite de participação de estrangeiros no capital do Banco do Brasil de 20% para 30%. Um decreto presidencial não numerado foi assinado, o Banco do Brasil divulgou um fato relevante ao mercado sobre a mudança.

A participação estrangeira no capital do Banco do Brasil alcançou 19,97% em maio deste ano, muito próximo dos 20% autorizados, o que motivou a instituição a elevar o limite, segundo o vice-presidente de Gestão Financeira e de Relações com Investidores do Banco do Brasil, Ivan de Souza Monteiro. Além disso, de acordo com o executivo, tem sido constante a busca de estrangeiros por informações e o interesse de participar das oportunidades de investimento no Brasil.

Novo Ibovespa. De acordo com Monteiro, o objetivo "primordial" da mudança é elevar a liquidez e a valorização das ações do banco. "Ao elevar a liquidez das ações do BB em bolsa, o banco poderá capturar um benefício de maior valorização dos papéis, o que nos permitirá ter uma maior presença no Ibovespa, que terá a sua metodologia alterada no ano que vem", explicou ele, em entrevista ao Broadcast. Ao ter maior participação no índice, os fundos que replicam o Ibovespa, lembra Monteiro, terão de comprar mais ações do BB, o que contribui para o aumento da liquidez e a valorização dos papéis. O executivo ressalta ainda que um dos indicadores que será levado em consideração na nova metodologia é exatamente o valor de mercado.

Monteiro negou, entretanto, que a alteração tenha qualquer relação com a necessidade de o Banco do Brasil elevar seu capital. "Não tem nada a ver. O objetivo do aumento do limite é, uma vez que ocorrerá uma alteração no índice Ibovespa, nos anteciparmos e gerar mais liquidez para a ação do banco na bolsa", afirmou o vice-presidente da instituição.

Como funciona. Toda vez que o banco se aproxima do limite de participação de estrangeiros no seu capital, conforme Monteiro, é feito um estudo e uma solicitação para aumento que é levada ao Conselho de Administração do banco. Após ser direcionado ao presidente do BB, Aldemir Bendine, o tema é discutido com o Ministério da Fazenda e culmina no decreto presidencial, assinado ontem pela presidente Dilma Rousseff.

No mercado. Por volta de 12h22, as ações do Banco do Brasil negociadas na Bovespa estavam em alta de 1,76%, cotadas a R$ 28,84. No mesmo horário, o Ibovespa apresentava queda de 0,41%, a 54.647,37.

Capital social. Conforme dados disponíveis na BM&FBovespa, atualmente, a composição do capital social do banco é a seguinte: Secretaria Do Tesouro Nacional, com 50,73% das ações; Caixa FI Garantia Construção Naval com 3,69%; Fundo Fiscal de Inv. e Estabilização, 3,86%; Fundo Garantidor Para Investimentos,0,26%; Caixa de Previdência Dos Funcionários Do Banco Do Brasil, 10,38%; BB Fgeduc - Fundo de Investimento Multimercado, 0,22% e BB FGO - Fundo de Investimento em Ações, 0,33%; além de 29,82% das ações como outros (livre circulação no mercado) e em Tesouraria, 0,70%.

Histórico. Em setembro de 2009, o banco havia informado a elevação do limite de capital estrangeiro de 12,5% para 20%, na mesma ocasião em que foi autorizada pelo governo a emissão de American Depositary Receipts (ADRs) da instituição financeira. A emissão dos recibos de ações negociados no mercado norte-americano ocorreu em dezembro de 2009, quando o banco informou que a iniciativa permitiria a diversificação da base acionária e o aumento da liquidez da ações.

 

Programas de milhagem ampliam o foco

Depois de convencer os bancos de que dar milhas é a melhor forma de estimular o cliente a usar o cartão de crédito, as empresas de milhagem elegeram um novo alvo: o varejo. A disputa de Multiplus e Smiles pelos varejistas já começou e deve ficar ainda mais acirrada nos próximos meses. A Multiplus, da TAM, saiu na frente e tem o maior número de parceiros. Mas a Smiles, da Gol, reagiu e comprou neste mês uma fatia da Netpoints, empresa de fidelização focada no varejo.

A fatia da população brasileira que participa de programas de fidelização ainda é bem menor do que no exterior (veja gráfico). A adesão do varejo aos programas é um dos caminhos para aumentar o mercado de fidelização. É também peça-chave para equilibrar o sistema. Multiplus e Smiles têm grande dependência dos bancos (no acúmulo de pontos) e das companhias aéreas (no resgate).

O discurso das empresas para os varejistas é de que a concessão de pontos poderá fazer os clientes escolherem uma loja em detrimento de outra. Na prática, a adesão do varejo aos programas de fidelização é uma oportunidade para Multiplus e Smiles ganharem duas vezes com a mesma compra. O cliente que já paga o supermercado com cartão de crédito para acumular milhas pode ganhar mais pontos se fizer suas compras em uma rede parceira. Neste caso, a empresa venderia pontos ao banco e à varejista.

Para avançar no varejo, Multiplus e Smiles vão competir com empresas de fidelização que já nasceram com este foco, como a Dotz, que tem 10 milhões de usuários cadastrados, e a Netpoints, com 3,5 milhões.

Para seduzir o varejo, as empresas investem em ferramentas de CRM (gestão de relacionamento com o cliente, na sigla em inglês) para fomentar as vendas. Dotz e Netpoints estão na frente de Multiplus e Smiles na oferta dessas tecnologias. Elas têm sistemas que conseguem identificar no caixa cada item comprado pelo cliente e computar pontos para compra de produtos promocionais.

Com esse sistema, elas inseriram um novo participante no mercado de pontos: as empresas de bens e consumo. Unilever, Reckitt Benckiser, Pepsi e Vigor já pagaram para dar pontos extras aos clientes que comprarem seus produtos - uma receita que vai para empresas de fidelização e para o varejista.

É possível, portanto, fazer ofertas direcionadas a pessoas que compraram uma marca de xampu oferecendo pontos extras para que comprem outra. "O nosso desafio é mudar o comportamento do consumidor", disse Roberto Chade, presidente da Dotz.

Multiplus e Smiles correm atrás dessas tecnologias para crescer no varejo. A Multiplus investirá R$ 80 milhões em três anos em ferramentas de CRM e de integração do varejo à sua rede. "Queremos criar um market place (site que vende produtos de várias varejistas) com oferta de produtos e serviços em pontos, integrado com o estoque das varejistas", disse o diretor de marketing e venda da Multiplus, Alexandre Moshe.

O Smiles preferiu suprir a necessidade de investir em tecnologias para atender o varejo com a compra da Netpoints, disse o presidente da empresa, Leonel Andrade. "O Smiles é focado no passageiro e a Netpoints no consumidor do varejo. São negócios diferentes e complementares", disse. A empresa vai criar uma fórmula de conversão do pontos Smiles para Netpoints e vice-versa. A operação depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Para a Netpoints, a união com o Smiles dá ao programa o acesso a um dos produtos mais cobiçados pelo cliente: a passagem aérea. "Já oferecemos passagens como prêmio por meio de agências de viagens. Mas o Smiles tem uma negociação diferenciada com a Gol e a oferta ficará mais competitiva", disse o presidente da Netpoints, Carlos Formigari.

Hoje mais de 90% dos prêmios resgatados com pontos de Multiplus e Smiles são passagens aéreas. O produto é o preferido da classe A e B e é considerado aspiracional para a classe C.

Mas, segundo o analista do BB Investimentos, Carlos Daltozo, é mais vantajoso para Multiplus e Smiles trocar pontos por outros produtos. "A margem é maior na troca de pontos por eletrodomésticos do que passagem", diz o analista.

A diversificação de prêmios ganha relevância também no atual cenário de redução de oferta de voos das companhias aéreas. Como os clientes continuam a converter pontos do cartão de crédito, o risco é criar uma frustração pela dificuldade de conversão do ponto em prêmio. Essa seria mais uma razão para as empresas assediarem as varejistas.

Adesão. Algumas redes, como Magazine Luiza, Walmart, Ponto Frio, Americanas.com, já oferecem pontos aos clientes. Na maioria delas, a oferta é restrita ao e-commerce.

Convencer os varejistas não é fácil. Em um cenário em que o varejo opera com margens cada vez menores, comprar pontos para dar aos clientes soa como um custo adicional. "É uma decisão financeira. O varejista vai avaliar se isso é custo ou receita", disse o assessor econômico da Fecomercio, Fabio Pina. Segundo ele, a decisão de compra no Brasil ainda é atrelada, principalmente, ao preço. "Poucas pessoas pensam em bonificação na hora da compra."

 

Infraero vai continuar a participar de concessão de aeroportos

A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, disse que o governo não pensa, no momento, em mudar o modelo adotado para a concessão de aeroportos públicos, em que a Infraero é sócia no consórcio com 49% de participação.

Durante evento no Rio de Janeiro, o ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Moreira Franco, afirmou que a participação da Infraero nas concessões representa “um sacrifício” para o governo, que precisa fazer, via Tesouro, aportes para que a estatal cumpra os investimentos de acordo com a participação de 49%.

Pelo modelo de concessão dos aeroportos, adotado desde a licitação de São Gonçalo do Amarante (RN), em 2011, a Infraero tem 49% dos aeroportos licitados. Com isso, fica responsável pela mesma fatia dos investimentos necessários. Ao mesmo tempo, no entanto, as receitas da estatal nesses aeroportos são reduzidas – uma vez que, antes das concessões, a empresa era a única administradora, recebendo portanto a totalidade das receitas.

Gleisi, como já dito pelo governo, defendeu que a participação da Infraero nos consórcios é importante para que a estatal absorva, das operadoras internacionais que chegam para administrar os aeroportos leiloados, novas tecnologias e práticas que serão aplicadas nos terminais que continuam sob controle do governo federal.

“A opção por esse modelo é de sustentabilidade da Infraero. Temos aeroportos que precisam ter boa gestão e são aeroportos que não podem ser concedidos. Precisamos, então, ter uma empresa capaz e com força. O objetivo da Infraero de participar das concessões é exatamente estar ao lado de grandes operadoras e melhorar a sua capacidade de gestão”, disse a ministra da Casa Civil, que participa nesta quarta de audiência na Comissão de Infraestrutura, no Senado.

Aeroportos concedidos
O primeiro aeroporto a ser concedido à iniciativa privada foi o de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, em 2011. A administração ficou com o consórcio Inframérica, formado pelo grupo Engevix e pelo argentino Corporación América, com proposta de R$ 170 milhões.

Em fevereiro de 2012,foram leiloados os aeroportos de |Guarulhos, Viracopos e Brasilia. O primeiro, o maior do país, foi arrematado pelo consórcio Invepar R$ 16,213 bilhões. Viracopos ficou com o consórcio Aeroportos Brasil (45% pela Triunfo Participações e Investimentos, por R$ 3,821 bilhões, e o terminal de Brasília ficou com o consórcio Inframérica Aeroportos, por R$ 4,501 bilhões – o mesmo responsável pela administração do aeroporto de São Gonçalo do Amarante.

Os dois próximos aeroportos a serem concedidos deverão ser o Galeão, no Rio de Janeiro, e Confins, em Minas Gerais. A previsão é que o leilão aconteça em 22 de novembro

Ajuda às aéreas
Gleisi admitiu ainda que o governo tem “dificuldades” para atender demandas feitas pelas empresas aéreas para reduzir o custo de suas operações no país e evitar aumento das passagens aéreas.

O pedido de ajuda foi apresentado ao governo no final de agosto e  motivado, principalmente, pela alta no preço do querosene de aviação (QAV), usado nos aviões, e pela subida do dólar na época, que elevou muito o custo das empresas – entre 55% e 57% das despesas das aéreas são dolarizadas.

Entre os pedidos feitos pelas empresas estão a adoção de uma nova fórmula para estabelecer o preço do QAV no Brasil, e que o governo isente, por um período de até 240 dias, as empresas aéreas do pagamento de duas tarifas – de navegação aérea e de aproximação.

A ministra disse que o governo entende que “já deu uma colaboração importante ao setor” ao desonerar a folha de pagamentos e suspender aumento de taxas aeroviárias. E apontou que uma ajuda além disso não será possível.

“Temos dificuldades, digamos, de avançar para além desse esforço que o governo já apresentou”, disse Gleisi.

 

Arrecadação de impostos  é recorde em setembro

A arrecadação de impostos e contribuições federais cobrados pela Receita Federal atingiu R$ 84,21 bilhões em setembro, resultado recorde para o mês. O resultado, contudo, já reflete os indicadores mais fracos da economia brasileira, na avaliação do secretário substituto da Receita Federal, Luiz Fernando Teixeira Nunes. Por isso, segundo ele, o órgão já trabalha com redução na previsão de crescimento da arrecadação das receitas administradas pela Receita no ano. Antes, o Fisco previa aumento de 3%. Agora já trabalha com um valor que varia de 2,5% a 3%.

"Trabalhamos com essa faixa devido aos indicadores", explicou. A arrecadação de impostos teve alta real (com correção da inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA) de 1,71% em relação a setembro de 2012. No acumulado do ano até setembro, a arrecadação soma R$ 806,44 bilhões, alta real de 0,89% sobre o mesmo período de 2012, um ritmo de crescimento praticamente estagnado.

Segundo dados divulgados nesta terça-feira, 22, a arrecadação das chamadas receitas administradas somou R$ 82,26 bilhões. As demais receitas (taxas e contribuições recolhidas por outros órgãos) foram de R$ 1,94 bilhão.

O governo conta com a entrada de recursos até o final do ano de entre R$ 7 bilhões e R$ 12 bilhões com os parcelamentos de débitos tributários, chamados Refis.

De janeiro a setembro, a arrecadação de IRPJ e CSLL, dois tributos que incidem sobre o lucro das empresas, apresentou crescimento de apenas 2,27%. Em termos nominais, o tributo que mais apresentou expansão de janeiro a setembro em relação ao mesmo período do ano passado foi a contribuição previdenciária, com alta de R$ 6,594 bilhões, o que equivale a 2,87%. Em seguida na lista, estão Cofins e PIS/Pasep, com alta de R$ 5,842 bilhões, uma expansão de 3,36% no período.

Por outro lado, as arrecadações em valores nominais que mais apresentaram queda foram a do IOF (R$ 3 bilhões) e a da Cide-Combustíveis (R$ 2,94 bilhões).

Desonerações. As desonerações tributárias impactaram negativamente em R$ 7,059 bilhões a arrecadação da Receita Federal em setembro. Em setembro do ano passado, a perda de arrecadação com as desonerações foi de R$ 2,3 bilhões menor.

No mês passado, o que mais impactou foi a desoneração com a folha de salários, que teve um custo de R$ 1,418 bilhão, seguido pela cesta básica, que influenciou negativamente em R$ 721 milhões.

No acumulado de 2013 até setembro, as desonerações somaram R$ 58,109 bilhões, apresentando alta de 68,55% ante igual período de 2012, quando as desonerações somaram R$ 34,477 bilhões. A perda com a desoneração da folha de salários acumula, no mesmo período, R$ 11,173 bilhões.

 

Bancos internacionais tiraram US$ 41 bi do Brasil

Bancos internacionais retiraram do Brasil US$ 41 bilhões em linhas de crédito, capital e exposição em geral no segundo trimestre do ano, na maior queda já registrada pelo país desde a eclosão da crise em 2008. Os dados estão sendo divulgados pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), que destaca os fluxos financeiros pelo mundo.

Depois de ver uma alta de US$ 39 bilhões na atividades de bancos estrangeiros na economia nacional, o Brasil foi afetado em parte pelas mudanças nas políticas de juros nos EUA. A saída acabou levando a uma alta do real.

No mundo, a contração na exposição de bancos foi de US$ 229 bilhões, a maior desde o final de 2011. Segundo o BIS, os bancos europeus foram os principais responsáveis pela retração.

O crédito internacional chegou a crescer para a China, Taiwan e Turquia. Só para a China o volume de capital aumentou em US$ 54 bilhões. Se em 2007 o País respondia a 8% dos empréstimos, hoje ele bate a marca de 21% entre os emergentes.

Mas sofreu uma queda no caso do Brasil, México, Rússia e Índia. A queda no Brasil acabou pesando na América Latina que, no segundo trimestre de 2013, viu uma contração de US$ 47 bilhões.

Entre os mercados ricos, a queda foi de US$ 179 bilhões. No caso dos EUA, a exposição de bancos ao setor público americano caiu em US$ 100 bilhões, o que revelaria um esforço para reduzir dívidas por parte do estado.

 

Incêndio atinge armazéns de açúcar no Porto de Santos

Um incêndio no Porto de Santos, em São Paulo, atingiu todos os armazéns arrendados pela Copersucar, a maior exportadora de açúcar e etanol do Brasil. O fogo se iniciou por volta das 6 horas em três armazéns (20, 21 e 6), atingiu outros galpões às 8h40, mas foi controlado próximo das 11 horas.

Segundo a assessoria de imprensa da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), o incêndio começou em uma das esteiras de embarque que levam os produtos do armazém para os navios, mas ainda não se sabe a causa. Todos os seis armazéns da Copersucar foram atingidos pelo incêndio e estão inoperantes, afirmou a Codesp. Segundo os bombeiros, foram três armazéns completamente destruídos e um quarto atingido. Cada prédio tinha 9 mil metros quadrados, de acordo com os bombeiros.

O Brasil é o maior produtor de açúcar do mundo, responsável por mais da metade da produção global. Neste ano, até setembro, o País exportou 13 milhões de toneladas de açúcar, faturando US$ 5,9 bilhões.

O Corpo de Bombeiros informou que 25 viaturas e 60 bombeiros atuam no local, agora nas operações de rescaldo. A assessoria de imprensa confirmou que foi preciso bombear água do mar para ajudar no combate às chamas.

Oficialmente, duas pessoas foram socorridas no incêndio. Por meio de comunicado, a Copersucar disse que quatro brigadistas ficaram feridos, sem gravidade, e já estão sendo atendidos. "As causas do incêndio estão sendo apuradas", disse a assessoria da Copersucar por meio de nota.

O fogo teve início logo após uma explosão no interior de um dos armazéns, localizado nas proximidades da Alfândega. A fumaça escura procedente dos armazéns era vista em boa parte da cidade na manhã desta sexta-feira, principalmente dos andares mais elevados dos edifícios da orla.

De acordo com informações dos bombeiros, as chamas atingiram armazés onde estavam armazenadas cerca de 90 mil toneladas de açúcar para exportação.

Segundo a Codesp, além do Corpo de Bombeiros, atuam no incêndio a Guarda Portuária. Os armazéns ficam na Avenida Eduardo Guinle. Um navio que estava atracado na área próxima às chamas foi deslocado.

 

 

Dilma repete modelo de Geisel

Arminio Fraga, sócio fundador da Gávea Investimentos e ex-presidente do Banco Central, vê uma "certa tensão no ar" causada pelo modelo de flexibilização da política econômica que vem sendo seguido desde o segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Arminio, o governo deu recentemente sinais tímidos de reversão parcial desse modelo, especialmente na política do Banco Central, mas que ainda estão longe de apontar para um caminho mais seguro para a economia brasileira.

Arminio lembra que ajustes geralmente não ocorrem em anos de eleição, mas o próprio temor do custo eleitoral da inflação, por parte do governo, "alinha os incentivos políticos e econômicos".

Em contato constante com o presidenciável tucano Aécio Neves, Arminio não descarta participar do governo, embora ressalve que esse é um assunto a ser tratado com o candidato, e não com ele. O ex-presidente do BC também manifestou simpatia pelas ideias da dupla Eduardo Campos e Marina Silva.

Arminio acha que o adiamento do "tapering" (a redução gradual do programa de compra de títulos de longo prazo pelo Federal Reserve, o BC americano) foi uma "postergação do encontro com a realidade", e alerta que a expectativa sobre a normalização da política monetária é de que "não ocorra de forma totalmente suave". Ele lembra que o Brasil, com déficit em conta corrente, alta inflação e questionamentos sobre a condução fiscal, está particularmente vulnerável.

A situação brasileira ficou mais tranquila com a decisão do Fed de não começar o "tapering" em setembro?

Isso só vai adiar o momento em que a política monetária americana e em vários outros países vai voltar à normalidade. São anos de juro zero, com os bancos centrais comprando títulos e, de certa maneira, avançando num território muito desconhecido, de políticas não convencionais. Esse ambiente de alta liquidez, os bancos centrais com essa posição muito assimétrica, sempre com viés de injetar liquidez, o quanto for necessário - tudo isso vai ficar para trás. A expectativa é de que isso não ocorra de forma totalmente suave, e essa expectativa continua. Houve uma postergação desse encontro com a realidade.

Por que o Fed adiou o "tapering"?

Foi motivado pelos próprios dados, a inflação americana continua muito baixa. Nos últimos três anos, o Fed projetou um crescimento do PIB mais alto do que acabou acontecendo. Eles estão de fato querendo sair dessa política de juro zero com muito cuidado. Mas não significa que não vão, em algum momento, mudar.

Mas a conjuntura brasileira parece melhor do que em meados do ano?

Aqui no Brasil, a sensação de frustração com crescimento baixo e inflação alta é grande, e também não desapareceu. Há alguns sinais aqui e ali, mas nada que represente uma mudança mais radical na direção de um crescimento mais alto e de uma inflação mais baixa.

Como o sr. avalia a atuação recente do Banco Central?

O Banco Central vem cumprindo o seu papel de apertar a política monetária, após um período longo de inflação acima da meta. Não só acima da meta, como também uma inflação que vem se "beneficiando" de controles de preços, como os combustíveis e as tarifas de transporte urbano - e também de subsídios. A inflação subjacente deve ter andado por um tempo acima de 7%. É bom que o Banco Central tenha voltado para as suas raízes, depois de um período difícil para a instituição.

O sr. acha que esse retorno do BC a uma posição mais ortodoxa indica uma mudança mais geral da orientação da política econômica?

Ao longo desses meses, até antes das manifestações, o governo anunciou que voltaria a leiloar aeroportos e áreas de petróleo. E reconheceu também que precisava revisar os termos das concessões rodoviárias e ferroviárias, contribuiu para a aprovação de uma nova Lei dos Portos, e assim por diante. Então o governo sinalizou mudança de posição nessas áreas. Mas são sinais ainda preliminares, e há muitos desafios, tanto de formulação quanto de execução. Eu não diria que foram sinais fortes. E vem misturado com muito do modelo que já vem desde o segundo mandato do presidente Lula. Já são vários anos desse modelo.

Quais os problemas desse modelo?

O governo continua, até prova do contrário, com uma postura geral muito fechada, antiquada. Repetindo muita coisa que a gente já viveu, principalmente nos anos 70, no governo Geisel. Um modelo com foco nas estatais, e com a economia bastante fechada. Não levo fé nesse governo como fórmula para o nosso sucesso a longo prazo. Ao contrário, acho que, se não for modificado, vai nos dar dor de cabeça.

O sr. poderia dar exemplos concretos de como esse modelo se aplica hoje no Brasil?

Há uma ênfase muito grande no papel dos bancos públicos. E também muita ênfase na Petrobrás - curiosamente, no mesmo momento em que a Petrobrás tem de assumir uma responsabilidade muito grande no setor, asfixiou o seu caixa. O crescimento do crédito, tanto público quanto privado, traz problemas, aqui, na China, nos Estados Unidos. Pode dar alguma ressaca mais na frente. Eu não discrimino entre público e privado, o setor privado também fez as maiores loucuras e bobagens em termos de crédito nos últimos anos. Qualquer movimento de crescimento de crédito muito acelerado tem de ser encarado com bastante receio. É o caso aqui.

Como o sr. vê a posição externa do Brasil?

Caminhamos para um déficit em conta corrente de quase 4% do PIB num momento em que o financiamento pode ficar mais escasso. É um quadro ainda bastante delicado. O Bernanke (Ben Bernanke, presidente do Fed) tirou o time do campo em setembro, mas os fatos mais adiante vão exigir a normalização da política monetária americana. Nesse momento, os países que dependem mais de financiamento, que têm déficit em conta corrente e inflação alta, vão sentir. A gente está exatamente nessa situação, e, inclusive, com nossa situação fiscal sendo questionada.

Qual a sua opinião sobre a política fiscal hoje?

Acredito que a meta de superávit primário deveria ser superior a 2% do PIB. O Brasil tem uma dívida bruta de 60% do PIB, até mais, dependendo do critério que se usa. Nossa dívida é alta, nosso juro real é alto, nossa dívida de longo prazo paga um juro real de 5,8%, as NTN-B de prazo mais longo. É muito alto. Temos de ter um modelo macro que crie condições para que essa taxa de juros possa cair, de forma sustentável. Não é um ato de voluntarismo que vai gerar isso. É uma sequência de resultados, reforçados por defesas institucionais, que vai nos levar a um juro real normal, de 2%, 3% ao ano de longo prazo.

Recentemente, Nelson Barbosa, ex-secretário executivo da Fazenda, sugeriu um intervalo de meta de superávit primário. O que o sr. acha da proposta?

Há muitos anos defendo que se mantenha um superávit primário relativamente elevado para padrões globais, talvez algo em torno de 3% do PIB, mas que haja algum espaço para acomodar o ciclo, não tanto do lado da despesa - embora isso também possa. e até deva, ser usado em momentos mais extremos -, mas sim pelo lado da receita, os chamados estabilizadores automáticos. Então, você fez uma projeção bem feita para ter um primário de 3% do PIB com a economia crescendo 3%. Se ela crescer 5%, seu primário vai ser maior, e você não gasta de maneira pró-cíclica. E o mesmo, claro, ocorre na outra direção. Mas acho que o governo deveria ter uma meta, um número fixo, com flexibilidade para ficar acima ou abaixo de acordo com a realidade do ciclo econômico.

E a proposta de reduzir o custo da dívida dos Estados?

É bastante controversa num momento como este. Na minha leitura, pode ser uma chance perdida de se reformar para valer o ICMS. Isso seria uma ficha de barganha muito boa, que dá uma certa margem para acomodar perdas e pressões e viabilizar a reforma. Temos de deixar de ter uma enciclopédia de ICMS por Estado para ter um livrinho para o País todo.

O sr. acha que o Brasil pode enfrentar turbulências à frente? 2014 é um ano eleitoral...

Há uma certa tensão no ar. O spread da dívida aumentou. Há um receio de que esse processo continue se não houver uma reversão nessa trajetória de flexibilização da política macro. Isso, historicamente, não só no Brasil, mas em toda a parte, não tende a ocorrer em ano de eleição. A reversão dessa flexibilização pode ficar prejudicada por um ano de eleição. Por outro lado, é claro que o governo entende que, se for chegando perto da data das eleições, e a inflação estiver incomodando, ele vai pagar um preço. Nesse sentido, os incentivos políticos estão alinhados com os econômicos. Quer dizer, não é um terreno muito fácil para populismo. Outro aspecto é que, curiosamente, e ao contrário de 2002, há uma expectativa de que, se a oposição ganhar, a política econômica melhore.

Por falar nisso, o sr. tem estreitos contatos com o candidato tucano, Aécio Neves.

Tenho conversado bastante com o Aécio. Não vejo o meu papel como de campanha, mas se puder ajudar, eu pretendo fazê-lo.

As ideias dele convergem com as que o sr. expôs nesta entrevista?

Acho que sim, mas não tenho procuração para falar pelo Aécio. Mais do que essas ideias, ele tem experiência de governo extraordinária em Minas, de acreditar em boa gestão, em meritocracia, na eficiência do Estado. Isso é fundamental, porque mostra que não só faz parte da maneira como ele pensa, mas é a maneira como agiu.

O sr. cogitaria uma participação no governo caso Aécio ganhasse?

Não está na hora de se ter esse tipo de discussão. Eu já participei duas vezes de governo, não posso descartar, de jeito nenhum. Mas é um tema que tem de ser discutido com o Aécio, não comigo.

O que o sr. acha da união da candidatura de Eduardo Campos e Marina Silva?

Estou começando a acompanhar mais de perto as declarações do governador Eduardo Campos. Ele tem o crédito de ter feito um bom governo em Pernambuco, embora eu não conheça os detalhes. O caso da Marina é interessante. Está se assessorando com economistas como Eduardo Gianetti e André Lara Resende, o que, a meu ver, dá um sinal muito positivo.

 

Brasil montadoras estão com os pátios lotados

A desaceleração das vendas de automóveis no País começa a elevar os estoques nos pátios das montadoras. Preocupadas, as empresas negociam com o governo uma prorrogação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido pelo menos até o fim de março do ano que vem. Pelo calendário atual, o imposto volta aos patamares anteriores em janeiro.

O governo aceita negociar, mas avalia que "alguma recomposição" do imposto deve haver em janeiro. Ou seja, para veículos de motor 1.0, chamado de "populares", por exemplo, o IPI passaria dos atuais 2% para 7% no início do ano, pelo que está previsto hoje. Mas o governo pode reduzir o ritmo dessa volta ao patamar "normal" do imposto.

O que preocupa as empresas é a queda no ritmo de venda dos automóveis. Nos dez primeiros dias úteis de outubro, foram licenciados 138,5 mil veículos, 3,6% menos que em igual período de setembro.

Os estoques somados são suficientes para cerca de 40 dias de vendas, o mais alto nível desde maio de 2012, quando chegava a 43 dias. No final daquele mês, o governo reduziu o IPI, benefício mantido até agora, ainda que parcial, mas com previsão de término em dezembro.

Um indicador da Confederação Nacional da Industrial (CNI) também mostra o acúmulo de produtos. Em agosto, o estoque efetivo em relação ao planejado no setor de veículos automotores chegou a 55 pontos, superior aos 53,3 pontos de julho - acima de 50 indica aumento de estoque.

"O consumo está mais moderado e houve aumento da taxa de juros, o que impactou a indústria como um todo, e especificamente o setor automotivo", diz Flávio Castelo Branco, gerente executivo de Políticas Econômicas da CNI. Na indústria geral, o indicador está em 51,3 pontos.

Reação. Na avaliação do economista Rodrigo Baggi, da Tendências Consultoria, os efeitos da política de redução do IPI tendem a se acomodar ao longo do tempo. Ele acredita, porém, que as vendas podem até reagir no último trimestre porque o fim do benefício "pode causar uma antecipação de compra."

Desde a semana passada, executivos da indústria automobilística têm dito que a volta da cobrança da alíquota integral do IPI pode esfriar ainda mais o mercado em 2014. As visitas de executivos a representantes do governo em Brasília têm sido frequentes. Os fabricantes iniciaram 2013 com projeções de crescimento de 3,5% a 4,5% em relação aos 3,8 milhões de veículos vendidos em 2012, mas recentemente a aposta caiu para 1% a 2%, e há quem tema um resultado ainda pior - estagnação ou queda de vendas. As vendas do setor registram crescimento anual consecutivo desde 2005.

Apesar dos estoques, a situação da indústria não é preocupante pois as exportações seguem em ritmo de recuperação, o que tem garantido bom desempenho da produção. Várias fabricantes, como Volkswagen e General Motors, suspenderam ou reduziram jornadas extras que vinham mantendo aos sábados desde o início do ano.

 

 

Infraero coloca passageiros em perigo

A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) determinou cortes substanciais nos contratos de manutenção preventiva dos aeroportos que administra. As medidas, adotadas apesar de alertas de que podem comprometer a segurança, têm o objetivo de reduzir gastos de custeio diante da previsão de prejuízo operacional de R$ 391,1 milhões.

A diretoria financeira da estatal projeta insuficiência de caixa a partir de janeiro de 2014. As informações constam de memorando interno. A previsão de uma "situação financeira crítica" revela rápida deterioração do balanço da Infraero no primeiro ano após o início das concessões. Em 2012, houve lucro operacional de R$ 594,2 milhões e lucro líquido de R$ 396,7 milhões.

O desequilíbrio financeiro tem ligação direta com a concessão dos aeroportos de Brasília (DF), Viracopos (SP) e Guarulhos (SP) à iniciativa privada, em 2012. Juntos, eles respondiam por 38% da receita. Agora, a empresa recebe apenas o proporcional à sua participação de 49%, o que representou queda de 31,5% na receita de janeiro a agosto. O prejuízo chega a R$ 201,2 milhões no período e "não existe expectativa de reversão até o final do ano".

A situação tende a se agravar com os leilões de Confins (MG) e Galeão (RJ) no mês que vem. Em julho, o governo autorizou aporte de R$ 1,35 bilhão na empresa. Para 2014, estão previstos outros R$ 2 bilhões.

As medidas excepcionais de contenção foram aprovadas pela Infraero no fim de agosto e atingirão todos os aeroportos sob sua gestão, à exceção dos três já privatizados. Executivos da área operacional avaliam que elas reduzem a possibilidade de reversão do déficit. "Sobretudo, criam situação de alto risco para os gestores dos processos operacionais que envolvem vidas humanas", diz o documento interno. No aeroporto do Galeão, por exemplo, foram cortados 57% de pelo menos nove contratos de serviços de manutenção (ver página B3).

Enviada no início de outubro ao diretor de Operações, a carta foi assinada por cinco superintendentes executivos: Álvaro Luiz Miranda Costa (Segurança Aeroportuária); Marçal Goulart (Gestão Operacional); Will Furtado (Navegação Aérea); Anderson Goddard (Manutenção); e Eliane Cristina Pessoa (Segurança Operacional).

A Infraero informa que as mudanças são definitivas, já que 29% do movimento de passageiros, 19% de aeronaves e 58% da carga aérea foram transferidos à iniciativa privada. As despesas com contratos contínuos até agosto foram 5,9% superiores às do mesmo período de 2012.

Por e-mail, a estatal diz que "em decorrência dos novos níveis de faturamento foi implantado o programa de Gestão Matricial da Despesa".

A estatal afirma que o objetivo da reestruturação é "garantir os recursos necessários para a prestação dos serviços dentro dos melhores padrões de qualidade e segurança".

Os superintendentes criticam os métodos de elaboração de orçamento e custeio, que define como teto despesas do exercício anterior corrigidas pela inflação, critério considerado obsoleto por não projetar custos do crescimento da empresa. A avaliação é que os cortes vão impedir o cumprimento das exigências da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

A falta de manutenção também pode se refletir em perda de equipamentos e custos mais altos de reposição, além de trazer "consequências operacionais imensuráveis". Os cortes anunciados pelas superintendências regionais da Infraero nos contratos de limpeza levam os superintendentes "a projetar o caos, especialmente na alta temporada de fim de ano e na Copa de 2014". Para o especialista em aviação Respício Espírito Santo, a redução do valor não significa necessariamente interromper a manutenção.

 

Prêmio Nobel de Economia vai para três norte-americanos

O Prêmio Nobel de Economia deste ano foi concedido a um trio norte-americano: Eugene Francis Fama, da Universidade de Chicago, Lars Peter Hansen, do mesmo centro acadêmico, e Robert James Shiller, da Universidade de Yale.

O prêmio da Academia Real das Ciências da Sueca se deu pela "análise empírica do preço dos ativos", como ações, bônus soberanos e bens imobiliários.

Embora não exista uma forma de prever os preços de ações e bônus no curto prazo de dias e semanas, diz o comunicado, é certamente possível prever o curso amplo dos preços no longo prazo - entre três e cinco anos.

"Essas descobertas, ao mesmo tempo surpreendentes e contraditórias, foram feitas e analisadas pelos ganhadores do Nobel neste ano, Eugene Fama, Lars Peter Hansen and Robert Shiller", informa a academia. Pelo prêmio, o trio norte-americano receberá oito milhões de coroas suecas, o equivalente a US$ 1,3 milhão.

O comportamento do preço de ativos são chave para decisões sobre poupança, compras de imóveis e políticas econômicas nacionais, disse a academia. "A má precificação de ativos pode contribuir para crises financeiras e, como a recente recessão global demonstra, tais crises podem prejudicar a economia como um todo", acrescentou. 

Histórico. Nos últimos anos, pesquisadores norte-americanos dominaram os prêmios de economia. A última vez em que um cidadão de outro país estava entre os vencedores foi 1999. Com o prêmio de economia, os comitês do Nobel já anunciaram os ganhadores de todas as seis categorias de 2013.

Diferentemente de medicina, química, física, literatura e o Nobel da paz, o prêmio de economia não foi criado por Alfred Nobel em 1895. O banco central da Suécia adicionou economia aos prêmios em 1968, em memória a Alfred Nobel. 

As pesquisas. Na década de 1960, Eugene Fama e seus colaboradores demonstraram que é extremamente difícil prever o preço das ações em um curto período de tempo. Além disso, também observaram que as informações de mercado circulam rápido e são velozmente incorporadas à precificação dos ativos. Essas primeiras descobertas tiveram um profundo impacto nas pesquisas seguintes sobre o assunto, assim como também mudaram práticas de mercado. Um exemplo foi surgimento de índices de fundos.

"Se os preços são praticamente impossíveis de prever ao longo de dias ou semanas, não deveria ser ainda mais difícil prevê-los ao longo de muitos anos? A resposta é não", diz o comunicado da academia. 

Assim, Robert Shiller descobriu no início da década de 1980 que o preço das ações flutua muito mais que os dividendos. Uma abordagem interpreta esses estudos como uma reposta à racionalidade dos investidores à incerteza dos preços. Alto rendimento futuro é visto como um compensação ao risco tomado durante um período longo. Lars Peter Hansen, por sua vez, desenvolveu um método estatístico que é particularmente bem-sucedido para testar as teorias sobre a racionalidade dos preços dos ativos. 

Bolha imobiliária. Robert Shiller ficou conhecido por prever a bolha imobiliária norte-americana em 2008, que desencadeou a crise financeira. Ele foi cocriador do índice de preço de imóveis S&P/Case-Shiller.

Neste ano, em visita ao Brasil, Shiller afirmou que existe uma boa probabilidade de que exista uma bolha imobiliária no País, pelo fato de os preços no Rio e em São Paulo terem dobrado nos últimos cinco anos.

De acordo com o economista, este comportamento de preços nunca ocorreu nos EUA, mesmo depois da Segunda Guerra Mundial, quando os soldados voltaram ao pais e geraram uma grande demanda por moradias.

"O caso do Brasil me lembra o Japão nos anos 80, quando os preços dos imóveis subiram até atingir um pico em 1990, e vem caindo desde então", disse Shiller, autor de livros sobre finanças comportamentais.

 

Com mais feriados aos sábados, indústria economiza R$ 8 bilhões

Na definição do escritor Nelson Rodrigues, "o brasileiro é um feriado". Por isso mesmo, quando a data cai em um sábado ou domingo, como o feriado de Nossa Senhora de Aparecida neste 12 de outubro, surgem diversas reclamações de quem desejava ter uma folga extra, mas para a indústria o calendário é positivo do ponto de vista econômico. Neste ano, o setor deixará de perder R$ 8 bilhões devido a paralisações em feriados que caem em dia de semana, segundo um levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

As perdas neste ano devem ser de R$ 42,2 bilhões segundo a pesquisa, contra R$ 50,5 bilhões do ano passado. No ano passado, foram dois feriados nacionais a mais em dia de semana. No âmbito estadual, 24 dos 39 feriados cairão em dia útil em 2013, três a menos que em 2012.

Oficialmente, o Brasil possui nove feriados nacionais e sete pontos facultativos, mas alguns destes, como a Terça-feira de Carnaval, já foram incorporados ao calendário de feriados oficiais. Com isso, o total de feriados sobe para 12. Há ainda 39 feriados estaduais.

Feriado nacional

Data

Dia da semana

Confraternização universal

01/Jan

Terça

Carnaval

11/Fev

Segunda*

Carnaval

12/Fev

Terça*

Paixão de Cristo

29/Mar

Sexta

Tiradentes

21/Abr

Domingo

Dia do Trabalho

01/Mai

Quarta

Corpus Christi

30/Mai

Quinta*

Independência do Brasil

07/Set

Sábado

Nossa Sra. Aparecida

12/Out

Sábado

Finados

02/Nov

Sábado

Proclamação da República

15/Nov

Sexta

Natal

 

 

 

* Para efeito de cálculo Corpus Christi, Segunda-feira e Terça-feira de Carnaval são considerados feriados.

Mesmo os estados que possuem apenas um feriado em dia de semana têm prejuízo: 16 estados brasileiros com este calendário perderão 3,6% de seus PIBs industriais.

Em seis estados não há nenhum feriado estadual em dia de semana: Minas Gerais, Santa Catarina, Pernambuco, Maranhão, Tocantins e Roraima.

Menos feriados

Na Câmara dos Deputados, circula um Projeto de Lei (nº 2.257 de 2011) apoiado pela Firjan que pretende reduzir ainda mais as folgas. Segundo o projeto, a proposta é deslocar para segunda-feira ou sexta-feira os feriados nacionais que caírem nos demais dias de semana. Assim, diminuiriam as emendas de feriado.

Em busca de maior produtividade, a China já desenvolveu algo neste sentido em 2008. O país reformou seu calendário estabelecendo nove feriados nacionais, três a menos que no Brasil. Em 2012, Portugal também promoveu mudanças que passaram a valer neste ano. Por conta da crise, o país eliminou quatro feriados de seu calendário (dois religiosos e dois civis).

Por conta da mudança, a China aparece em um ranking do Hotels.com como sendo um dos países com menos dias de folga no calendário. São 16 dias livres, menos da metade do Brasil, que aparece em terceiro lugar, empatado com França, Finlândia e Noruega. No topo do ranking, está a Rússia.

Rebanho brasileiro é o segundo maior do mundo

Maior rebanho do País e um dos principais itens na pauta de exportações, o número de cabeças de gado teve queda de 0,7% em 2012, na comparação com 2011. A informação consta na pesquisa de Produção Pecuária Municipal (PPM), do IBGE,. Estimado em mais de 211 milhões de cabeças de gado, o rebanho é o segundo maior do mundo segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Em primeiro, aparece a Índia.

No total, foram abatidos 31,118 milhões de cabeças de gado, o equivalente a uma produção de 7,351 milhões de toneladas de carne. O número representa uma taxa de abate inspecionado de apenas 14,7% do volume total do rebanho.

Entre as regiões, apenas a Norte não registrou queda na produção, com alta de 1,3%. A prolongada seca afetou fortemente as produções de leite e carne bovina no Nordeste, que teve a pior produção em cinco anos. Em toda a região, o rebanho na região caiu 4,5% em relação a 2011 e a produção de leite 14,8%. Pernambuco (-24,2%) e Paraíba (-28,6%) tiveram as quedas mais expressivas.

Nas demais regiões, o avanço de outras lavouras, como a cana-de-açúcar, em São Paulo, e a soja, Rio Grande do Sul, provocou a redução. Mato Grosso lidera a produção nacional com 13,6% de participação, seguido de Minas, com 11,3% e Goiás, com 10,4%.

 

Consumidor poderá fazer cancelamento automático de telefonia

Os consumidores poderão fazer o cancelamento automático de serviços de telecomunicações a partir de fevereiro. A previsão é do presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Rezende. Segundo ele, o novo regulamento de atendimento e cobrança, que vai instituir essa obrigatoriedade, deve ser aprovado até o dia 15 de novembro. A partir daí, as empresas teriam entre 90 e 120 dias para adequar seus sistemas.

Com o novo regulamento, o cliente que quiser cancelar um contrato de telefonia celular ou fixa, banda larga ou TV por assinatura poderá fazê-lo pelo call center da empresa sem passar por atendentes, apenas digitando as teclas do telefone. O cancelamento também poderá ser feito pela internet. Rezende afirmou que uma das propostas em discussão é a de abrir um prazo de 48 horas para a empresa tentar recuperar o cliente. "Mas aí é problema da companhia", afirmou.

No novo regulamento, a Anatel pretende iniciar os procedimentos para repassar parte do custo que o órgão possui com o seu call center para as empresas do setor. Segundo Rezende, o gasto anual da Anatel com o call center é de R$ 20 milhões. Do total de ligações recebidas - cerca de 25 mil por dia - 60% são reclamações de usuários sobre os serviços prestados pelas empresas de telecomunicações. A ideia da Anatel é que uma parcela do gasto seja paga pelas empresas - algo entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões.

"Estamos discutindo no conselho diretor a possibilidade de que o gerenciamento e administração do call center continue com a Anatel, mas parte dos custos seja repassado às empresas", afirmou. Como o contrato com o call center só vence no fim de 2014, essa é uma discussão que deve levar mais tempo. "O regulamento de atendimento e cobrança vai instituir um grupo de trabalho para ver como se dará esse processo", disse.

 

Alimentos ficam mais caros, e IPC-S acelera

O Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) acelerou para alta de 0,38% na primeira prévia de outubro, depois de variar 0,30% na última semana de setembro, de acordo com levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV).

O indicador é apurado a partir dos preços coletados em sete capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Recife e Brasília.

Na atual apuração, quatro das oito classes de despesa componentes do índice registraram variações mais altas. A maior contribuição partiu do grupo alimentação, cuja taxa subiu de 0,14% no fim de setembro para 0,41% no início de outubro. Nesta classe de despesa, a FGV destacou o comportamento do item hortaliças e legumes, cuja taxa passou de queda de 12,54% para baixa de 11,54%.

Também registraram taxas mais altas os grupos vestuário (de 0,86% para 1,05%), habitação (de 0,51% para 0,54%) e saúde e cuidados pessoais (de 0,43% para 0,44%), em que se destacaram os itens roupas (de