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Vale tem lucro líquido de R$ 6,3 bi no 1º trimestre de 2016

 

A Vale teve lucro de R$ 6,31 bilhões no primeiro trimestre de 2016, contra um prejuízo de R$ 9,69 bilhões registrado em igual período do ano anterior. É uma guinada sobre o resultado do quarto trimestre de 2015, de perda de R$ 33,2 bilhões, num ano em que a mineradora amargou o pior resultado desde a privatização da companhia, com prejuízo de R$ 44,2 bilhões.

O bom desempenho nos primeiros meses de 2016 foi impulsionado pela recuperação do preço do minério de ferro no mercado internacional, a valorização do real frente ao dólar e também por recordes de produção, além da redução de custos e despesas de R$ 3,71 bilhões frente a outubro a dezembro.

Murilo Ferreira, presidente da Vale, em teleconferência com analistas na manhã desta quinta-feira, destacou que a estratégia da empresa é clara: “fortalecer o balanço e reduzir a dívida líquida”, demonstrando satisfação com o resultado do primeiro trimestre.

— Reforço nosso comprometimento com a redução da dívida líquida da companhia. Estamos focados no crescimento operacional, mantendo o projeto de desinvestimento e otimização de ativos — disse Ferreira, em teleconferência com analistas na manhã desta quinta-feira. — As contas a receber subiram e o capital de giro tende a ser maior no segundo trimestre.

A receita líquida da Vale encolheu para R$ 22 bilhões de janeiro a março, puxada por menores vendas em finos de minério de ferro, metais básicos e fertilizantes. É desempenho 3% menor que o de outubro a dezembro, mas 22% abaixo do registrado no primeiro trimestre de 2015. A dívida líquida totalizou R$ 98,43 bilhões, quase estável em comparação aos R$ 98,53 bilhões no fim de 2015.


O Ebitda, contudo, indicador de caixa da companhia, chegou a R$ 7,68 bilhões, avanço de 43% sobre o quatro trimestre e de 66% em 12 meses.

RECORDES DE PRODUÇÃO E MENOR PREÇO

No primeiro trimestre, a Vale bateu recordes de produção para o período em minério de ferro, pelotas, níquel e cobre. Os preços do minério de ferro subiram aproximadamente 25% nos três primeiros meses do ano, o que, junto com o menor preço do frete, ajudaram a mineradora a ampliar as margens e também a geração de caixa.

Os custos de produção caíram. O do minério de ferro entregue na China encolheu de US$ 31, no quarto trimestre de 2015, para US$ 28.

Murilo Ferreira se disse otimista com a recuperação do mercado chinês:

— Minha percepção é que o mercado físico está numa posição bem melhor na China do que poderíamos esperar em agosto de 2015. Houve grande progresso em relação à posição de crédito, alongamento de dívidas dos municípios e províncias, o que permitiu uma folga, trazendo movimentos visíveis do lado da infraestrutura.

“Vamos continuar trabalhando para aumentar a nossa competitividade, concluir o nosso principal projeto — S11D (expansão da extração de minério de ferro de Carajás — e, portanto, reduzir a nossa dívida e voltar a pagar dividendos generosos para os nossos acionistas. Esse é o nosso objetivo”, declarou o diretor financeiro Luciano Siani em vídeo divulgado pela companhia nesta manhã.

Sobre a situação da Samarco, a companhia informou que, em conjunto com a empresa e com a BHP Billiton, concluíram acordo com as autoridades brasileiras que "provê uma estrutura para a remediação e compensação capaz de responder aos impactos causados pela ruptura da barragem da Samarco e acelerar as medidas de remediação ambiental e reparação das pessoas afetadas"



O acordo não trará de volta as vidas perdidas. O caminho será longo. Mas estou seguro de que estamos tomando o caminho certo — disse Ferreira na teleconferência com analistas brasileiros nesta manhã.

A companhia anunciou ainda o encerramento do programa de listagem de suas HDRs, recibos de ações, na Bolsa de Valores de Hong Kong, sujeito à aprovação da bolsa asiática, que pode ocorrer ainda nesta quinta-feira.

Declarou ainda que não planeja retomar o projeto de potássio Rio Colorado, na Argentina, sem contar com investimentos de parceiros.




 

Lucro do Santander cresce 1,7% no primeiro trimestre


 

O Banco Santander registrou um lucro líquido de R$ 1,66 bilhão nos três primeiros meses do ano, um leve crescimento de 1,7% na comparação com igual período de 2015. O aumento dos ganhos com as receitas de tarifas e uma redução dos gastos com provisões de crédito contribuíram para esse resultado.

O resultado do Santander abre a temporada de balanços do setor bancário no Brasil. Esse lucro obtido pelo banco espanhol é o chamado gerencial. Após a contabilização das despesas com o ágio, ainda referente a aquisição do Real, o lucro líquido societário chega a R$ 1,213 bilhão, um aumento de 77,4% na comparação anual.

A margem financeira do banco, que reflete o spread bancário e a captação de recursos, subiu 6,4%, para R$ 7,599 bilhões. Já as receitas de prestação de serviços totalizaram R$ 3,09 bilhões de janeiro a março, um incremento de 9,3% na comparação com igual período do ano passado. O maior incremento ocorreu nas receitas de serviços de conta corrente, que subiram 24,3%, para R$ 579 milhões. Já as despesas totais do banco chegaram a R$ 4,41 bilhão, uma alta de 7,5% na comparação anual.

Em um cenário de menor demanda por crédito e uma postura mais cautelosa dos bancos para evitar aumento de inadimplência, a carteira total de empréstimos do Santander (incluindo avais, fianças e títulos) chegou ao final de março a R$ 312,018 bilhões, um recuo de 3,8% em 12 meses. As maiores quedas ocorreram nos segmentos de grandes empresas e financiamento ao consumo, ambos com variações negativas de 9,6%.

Já o crédito a pessoa física subiu 7,2%, para R$ 85,593 bilhões, devido ao desempenho das modalidades de crédito consignado e financiamento imobiliário, que são categorias de menor risco de inadimplência.

A inadimplência que considera os atrasos acima de 90 dias chegou a 3,3% em março, um incremento de 0,3 ponto percentual sobre março de 2015 e de apenas 0,1% em relação a dezembro. Entre os clientes pessoa física, a inadimplência em um ano passou de 4,34% para 4,67%. Entre as empresas, a taxa passou de 2,01% para 2,12%.



Com a inadimplência praticamente estável, o banco registrou despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa de R$ 3,028 bilhões. Esse montante representa um crescimento de 17,9% na comparação com o primeiro trimestre de 2015, mas um recuo de 13,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

Apesar das receitas mais altas e lucro maior, o Santander Brasil não conseguiu melhorar a sua rentabilidade. O retorno sobre o patrimônio líquido atingiu 12,6% no primeiro trimestre, recuo de 0,2 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Esse resultado é bem abaixo do desempenho dos grandes bancos privados no Brasil, que possuem uma rentabilidade em torno de 20%.

O grupo espanhol apresentou um lucro de € 1,663 bilhão, um recuo de 5% na comparação com o primeiro trimestre de 2015. A maior contribuição foi dada pelo Reino Unido, que respondeu por 23% desse resultado. Em seguida, aparece a operação brasileira, com 18% e, em terceiro lugar, a Espanha, com 15%.

 

Gastos de brasileiros no exterior caem 14,1%


 

Os gastos dos brasileiros no exterior atingiram US$ 1,291 bilhão em março, o que representou queda de 14,16% em relação ao mesmo período de 2015, segundo relatório sobre as contas externas divulgado pelo Banco Central (BC). No primeiro trimestre deste ano, as despesas com viagens internacionais caíram 43,19%, para US$ 2,972 bilhões - reflexo do dólar em patamar mais elevado e diminuição na renda das famílias com a retração da economia.

O dado faz das transações correntes (resultado de todas as operações do Brasil com o exterior), que viraram o mês passado com déficit de US$ 855 milhões. No acumulado do ano, o rombo ficou em US$ 7,591 - o menor para o primeiro trimestre, desde 2009, influenciado também pelo desempenho da balança comercial.


O resultado das contas externas ficou abaixo da estimativa do BC para março, que era de US$ 1,7 bilhão. A diferença, explicou o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, se deve, principalmente ao comportamento da balança comercial, que registrou superávit de US$ 4,3 bilhões e à queda nos gastos com viagens internacionais. Para abril, a projeção do BC para transações correntes é de um déficit de US$ 1 bilhão.

— O dólar mais caro torna difícil e mais custoso viajar para o exterior. Outro fator é a evolução na renda das pessoas com a retração da atividade econômica — destacou Maciel, acrescentando que essas despesas devem cair 40% neste ano, na comparação com 2015.

De acordo com o relatório do BC, nos últimos 12 meses, no entanto, as contas externas alcançaram saldo negativo de US$ 41,4 bilhões - o equivalente a 2,39% do Produto Interno Bruto (PIB). Porém, segundo Maciel, o resultado não é preocupante porque parte do rombo será coberto pelos investimentos estrangeiros diretos (IED), que somaram US$ 78,9 bilhões nesse período. Em março ingressaram no pais US$ 5,557 bilhões, acumulando US$ 16,933 bilhões no primeiro trimestre deste ano.

— A gente observa que há uma a margem ampla de cobertura dos investimentos diretos, o que deixa o financiamento das transações correntes em situação favorável — destacou Maciel.

Ele observou que há uma certa resiliência desses investimentos, que estão disseminados em vários setores da economia e disse não acreditar que a incertezas políticas, decorrentes do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff afugentem os investidores estrangeiros. Segundo Maciel, a projeção para o fechamento do ano é de um investimento de US$ 60 bilhões - conta conservadora, disse. Em 2015, os investimentos diretos somaram US$ 75 bilhões.

— O pais continua sendo um grande mercado consumidor com 200 milhões de habitantes. Isso é um ponto relevante. E além disso, é claro que a oscilação do câmbio e a própria atividade econômica têm tornado os ativos brasileiros mais atrativos — destacou Maciel.

Dados do BC mostram que o fluxo cambial (diferença entre a entrada e a saída de moeda estrangeira) até o dia 18 deste mês está positivo em US$ 4,070 bilhões. No acumulado do mês, o saldo da conta comercial atingiu superávit de US$ 3,234 bilhões e a conta financeira também ficou no azul,

 

Brasília  aposentados são mais da metade do quadro do funcionalismo 


 

O peso dos trabalhadores inativos nos cofres públicos vai além das despesas com a Previdência Social. Dentro do governo, que possui um regime próprio de Previdência para os servidores, os aposentados e pensionistas já ocupam mais da metade do quadro de pessoal em 12 dos 25 ministérios (incluindo Banco Central), segundo dados do Boletim Estatístico de Pessoal do Ministério do Planejamento. As despesas com inativos só no Executivo somaram, em 2015, R$ 91,5 bilhões, 45% de tudo que o governo gasta com a folha de pessoal para esse Poder.

Os casos mais graves são dos ministérios das Comunicações e dos Transportes. Em ambos, 91% do quadro são compostos por aposentados e pensionistas. No Ministério da Integração Nacional, os inativos ocupam 78,6% do total de servidores no órgão. A mesma situação é percebida em outros ministérios: Agricultura (66%), Defesa (74,6%), Desenvolvimento Agrário (53%), Fazenda (56,7%), Planejamento (56%), Previdência Social (56,8%), Saúde (68%) e Trabalho e Emprego (58%). Na maioria desses casos, o grande peso é de quem recebe pensão.

BC: mais gastos com inativos

O Banco Central é um caso emblemático. Lá, mesmo sem contar pensionistas, os aposentados são maioria. No fim de 2015, eram 5.166 servidores aposentados, ante 4.187 funcionários da ativa. Somados os pensionistas, 486 pessoas, 57% da folha não exercem funções no banco. A tendência é que a situação piore. Segundo a assessoria de imprensa do BC, 513 pessoas já reúnem condições para se aposentar ou passarão a tê-las em 2016.


A composição do gasto com o quadro de pessoal do Banco Central sofreu uma reviravolta nos últimos dez anos. Em 2005, a despesa com ativos era aproximadamente 60% maior do que a com aposentados e pensionistas. Em 2010, essa proporção passou para 50%. No ano passado, a conta se inverteu: o total gasto com ativos (R$ 1,233 bilhão) foi 5% menor do que os gastos com inativos (R$ 1,306 bilhão).

Na tentativa de evitar o esvaziamento do quadro, o BC estimula a permanência de aposentados na ativa por meio do chamado abono de permanência (um bônus pago a qualquer servidor público federal que, apesar de já possuir condições de se aposentar, permanece no cargo). Segundo o BC, 484 servidores da autoridade monetária recebiam o abono de permanência em abril deste ano.

Após 30 anos como concursado do banco, Marcelo Mazzaro, hoje com 59 anos, se aposentou em 2012. Dois anos depois, voltou para o BC recebendo o abono:

— Quando você se aposenta, o banco dá até cinco anos para o trabalhador voltar, desde que haja interesse também do BC. Eu me ofereci, porque a gente sabe que sempre tem vaga, porque o quadro é antigo.

Ele conta que há uma perda grande do ponto de vista da qualidade da administração pública uma vez que, como não há renovação de pessoal na mesma proporção que ocorrem as aposentadorias, servidores com muita experiência e qualificação não conseguem repassar os conhecimentos para a geração mais nova.

— Há uma perda de qualidade porque os funcionários super qualificados, que viveram vários governos e vários planos econômicos, saem sem poder repassar sua experiência porque não há reposição do quadro. Há muitas mesas vazias no Banco Central.

O último concurso realizado para recompor o quadro do Banco Central foi em 2013. A validade para convocar aprovados nesse certame acabou no ano passado e não há previsão de nova seleção.

MODELO É INDUSTENTÁVEL, DIZ ESPECIALISTA

Segundo o BC, “a situação da folha de pagamentos do Banco Central reflete a evolução do quadro de servidores da Autarquia. A aproximação das despesas com ativos e inativos, portanto, deve-se ao fato de a recomposição do quadro, via concurso público, não haver acompanhado, no mesmo ritmo, as aposentadorias”. Os ministérios do Transporte, das Comunicações e do Planejamento foram procurados mas não responderam até o fechamento dessa edição.

A professora Carmem Migueles, especialista em administração pública da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pondera que a dinâmica de aposentadoria utilizada para servidores precisa ser rediscutida. Para ela, com o envelhecimento populacional, o Estado não terá condições de arcar integralmente com essa despesa:

— A expectativa média de vida vai aumentando, a pessoa tem direito de se aposentar e, segundo a lei, o concursado tem o direito de se aposentar pelo Estado. Essa conta não fecha. Além disso, com o Estado inchado, os recursos dos órgãos para pagar abono de permanência ficam escassos. O ideal seria se aproximar aos poucos do modelo da iniciativa privada, mas quem vai propor uma discussão dessas nesse momento?



 

Governo não abrirá mão de juros compostos das dívidas estaduais


 

O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, enfatizou que o governo não está disposto a abrir mão da correção da dívida dos estados com a União por juros compostos. Na última semana, o estado de Santa Catarina foi beneficiado com uma liminar no Supremo Tribunal Federal (STF) que permite ao governo regional corrigir a dívida por juros simples sem sofrer as sanções legais. Depois disso, vários estados, incluindo o Rio de Janeiro, seguiram o mesmo caminho. Diante do embate, o STF afirmou que vai reunir Fazenda e governadores na próxima semana, mas o ministro já adiantou que o governo não vai fazer acordo quanto a esse ponto.

Neste caso, não há possibilidade de acordo porque está se julgando o mérito de uma liminar sobre qual é o regime de juros aplicados a esse contrato. Com os governadores, nós temos um fórum de discussão que resultou no projeto que está no Congresso e nós estamos apressando, na medida do possível, a análise desse projeto de lei no Congresso para um alívio mais rápido — afirmou o titular da Fazenda.

Mobilizado em derrubar as liminares que permitem a correção das dívidas dos estados por juros simples, Barbosa voltou ao STF pela quarta vez na manhã desta sexta-feira. Após visitar o presidente da corte, Ricardo Lewandowski, e os ministros Edson Fachin e Luiz Fux, ele voltou ao Supremo para argumentar em favor da tese da União com a ministra Carmem Lúcia.

— Reforçamos a importância dessa questão não só para a dívida dos estados, mas também para a interpretação dos contratos financeiros que têm cláusulas semelhantes entre partes privadas. Já apresentamos algumas notas da Fazenda, um memorial, e vamos apresentar ainda alguns outros argumentos na próxima semana — disse Barbosa.

Na semana passada, o estado de Santa Catarina conseguiu no STF uma liminar que permitiu ao estado corrigir a dívida por juros simples, e não compostos, como quer o Tesouro, sem sofrer as sanções legais. Entre as punições para quem paga parcelas menores do que as acordadas com a União está, por exemplo, a suspensão dos repasses federais.

A Fazenda rebate o posicionamento de Santa Catarina e argumenta que as dívidas devem ser corrigidas por juros compostos, a exemplo de todos os demais contratos financeiros do mercado e do governo. Caso o STF tenha entendimento favorável ao governo catarinense, o ministro estima em R$ 313 bilhões o impacto negativo para a União em função da redução do estoque das dívidas de todos os estados.

Questionado se acreditava que o STF seria favorável à União, o ministro tangenciou:

— Neste momento, estamos fazendo o nosso trabalho, que é apresentar os argumentos necessários.

Dívida do Brasil pode chegar a 90% do PIB em 2021


 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a situação fiscal do Brasil está se degradando muito rápido. Na divulgação do seu relatório “Monitor Fiscal”, o organismo informou que em um ano todo o mundo viu uma piora do quadro, principalmente por causa de um crescimento econômico menor que o esperado, aumento de dívidas e, no caso dos países emergentes, aumento de juros.

O déficit nominal do Brasil passou de 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) em 2014 para 10,3% em 2015, fazendo a dívida bruta nacional dar um salto e passar de 63,3% do PIB para 73,7% em um ano. Mais que isso, a trajetória é crescente e a dívida pública deverá chegar a 91,7% do PIB em 2021.

O Fundo informa ainda que o programa de concessões do Brasil poderia ser acelerado, para permitir mais iniciativas e obras em infraestrutura, o que melhoraria a produtividade do país e incentivaria o crescimento da economia, em um momento em que há restrições orçamentárias para as obras públicas.

A situação do Brasil reflete um problema que é comum há vários países em desenvolvimento, por causa da queda nos preços das commodities (produtos básicos com cotação global, como soja, minério de ferro e petróleo) com impactos na receita orçamentária dos países, redução do crescimento, aumento da inflação em parte por causa dos ajustes cambiais e consequente elevação dos juros para frear a alta dos preços ao consumidor.

 “Nos mercados emergentes e em desenvolvimento, a situação mais apertada das condições financeiras, mais voláteis, pode elevar significativamente o custo de juros justamente em um momento em que as necessidades de financiamento bruto estão aumentando. Dada a perspectiva econômica fraca, há a maior probabilidade de que surjam passivos contingentes decorrentes deste cenário”, informa a nota do FMI.

O documento também lista desafios para países ricos, que tem endividamento de mais de 100% do PIB e sofrem com a falta da reação econômica e do baixo investimento, além de temas que a China terá de enfrentar, como a situação de seu mercado habitacional, que pode gerar riscos semelhantes aos vividos nos Estados Unidos em 2008, quando houve uma forte crise global após uma bolha imobiliária.



 

Após pagar folha salarial e juros à União, cofres dos Estados zeram


 

Com as finanças em frangalhos, a maioria dos estados brasileiros fica com os cofres vazios após pagar a folha de pessoal e os juros da dívida com a União. Hoje, apenas cinco estados gastam menos do que 65% da Receita Corrente Líquida (RCL) com essas duas despesas. Este é o limite considerado saudável pelo economista Raul Velloso que, em levantamento exclusivo para o GLOBO mostrou que, em média, os governos regionais gastam 75% da receita com pessoal e pagamentos da dívida. Em oito estados, a proporção é ainda maior.

Segundo Velloso, para um estado ter as finanças equilibradas, ele precisa gastar, pelo menos, 10% de sua receita com investimentos e outros 25% com outras despesas de custeio em educação, saúde e segurança. Nessa conta, sobrariam 65% para comprometer com pessoal e serviço da dívida. situação existente hoje apenas no Amazonas (58%), Amapá (58%), Espírito Santo (65%), Rondônia (61%) e Roraima (60%).

— Quem compromete mais que 70% de sua receita corrente líquida com despesas de pessoal e dívida está com graves problemas. A margem para investir fica completamente comprometida e falta dinheiro para áreas essenciais — afirma Velloso.



Folha consumiu  R$ 412 bi

Os cálculos foram feitos com base nos relatórios resumidos de execução orçamentária (RREO) apresentados em 2015 pelos 26 estados. Mato Grosso do Sul não entrou no levantamento, porque não apresentou relatório do ano passado. Feito em parceria com os economistas Pedro Jucá e Graziela Meincheim, o trabalho também mostra que, em 2015, o total desembolsado com folha de pagamento por 26 dos 27 estados somou R$ 412 bilhões. Já a conta com o pagamento de juros da dívida nesse mesmo período foi de R$ 52,6 bilhões.

 

Os piores cenários aparecem no Distrito Federal (101%), Rio Grande do Sul (91%) e Minas Gerais (89%). No Rio de Janeiro, essa proporção é de 71%. No entanto, Velloso faz uma ressalva: a fotografia mostrada no trabalho é de 2015, ano em que o Rio usou muitos depósitos judiciais (que são receitas extraordinárias) para fechar suas contas, inflando a receita, e jogou o pagamento de pelo menos uma folha de pessoal para 2016, o que melhorou artificialmente o cenário de despesas. Assim, diz, o quadro hoje é bem pior do que aparece.

Ele ressalta que, de 2015 até hoje, o quadro se agravou mais devido à queda nas receitas dos estados por causa da recessão:

— Tenho conversado com secretários de Fazenda que dizem que se não conseguirem melhorar a relação entre gastos com folha e dívida e a receita, não poderão investir nada este ano — diz Velloso.

Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) tomada na última quinta-feira poderá dar um alívio no pagamento das dívidas dos estados com a União. O governo de Santa Catarina conseguiu uma liminar que permite que o estoque de sua dívida seja calculado por juros simples e não juros compostos (quando os juros são somados ao principal da dívida e há incidência de juros novamente).

Os outros estados também devem recorrer à Justiça e, se a mudança for estendida às dívidas de todos os estados, a redução total chegará a R$ 300 bilhões. Essa decisão será alvo de uma disputa jurídica com a União que promete recorrer à Corte.

O governo federal também já estendeu a mão aos governadores e apresentou ao Congresso proposta de alongar o pagamento das dívidas dos estados com a União por 20 anos, além de dar um desconto de 40% por dois anos no valor pago. Para evitar que o benefício se transforme numa margem para que se façam apenas mais gastos correntes, a equipe econômica exigiu como contrapartida que os governadores adotem uma série de medidas de ajuste fiscal que reduzam gastos, especialmente com pessoal e Previdência.

O texto que foi encaminhado ao Congresso já recebeu mais de 200 emendas, grande parte delas para tornar as exigências mais flexíveis. Governadores e o próprio PT têm pressionado o Ministério da Fazenda a abrandar algumas das contrapartidas exigidas em troca do alongamento das dívidas.

AJUDA DESVINCULADA DE AJUSTE

Além disso, o relator do projeto de renegociação das dívidas, deputado Esperidião Amin (PP-SC), quer desmembrar o texto de forma que mudanças importantes nas regras para gastos sejam postas num substitutivo. Assim, a aprovação da ajuda aos estados não estaria diretamente ligada ao ajuste fiscal que a União propõe.

 

Entre as propostas de mudança na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) apresentadas pelo governo federal está a alteração do conceito de despesas com pessoal. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Otávio Ladeira, muitos estados retiram as despesas com funcionários terceirizados e aposentados do cálculo do gasto com pessoal .

Outros fazem a conta considerando a remuneração líquida dos servidores, excluindo os valores com o Imposto de Renda (IR). Isso acaba ocultando a real situação das despesas com pessoal. O projeto cria uma trava para nessas exclusões.

No Rio Grande do Sul, um dos estados com as contas mais deterioradas, o secretário Giovani Batista Feltes explica que, usando todas as alternativas dadas pela União, o governo gaúcho teria um alívio de R$ 150 milhões na parcela mensal. Ele lembra que, ao contrário da maioria dos estados, o Rio Grande do Sul continua produzindo resíduos da dívida. Mesmo com o alongamento, o estado não conseguiria pagar todo o débito. Tanto que no contrato com a União já está previsto que o estado teria mais 120 meses para quitar a dívida.



 

Se PIB recuar 4%, recessão será a mais profunda deste século



O presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setúbal, disse que se o Produto Interno Bruto (PIB) recuar 4%, atual estimativa do mercado, o Brasil estará na mais profunda recessão deste século. Setúbal fez a abertura de evento promovido pelo banco, Macro Vision 2016, que discute as perspectivas para a economia brasileira.

O Brasil passa por um dos momentos mais desafiadores de sua história. Quanto durará e o que precisa ser feito é o que estamos discutindo neste evento — afirmou Setúbal.

O banqueiro disse que já existem alguns “sinais encorajadores” na economia, como a inflação que parece ceder e o ajuste das contas externas “que parece caminhar para um bom nível”.

Mas Setúbal observou que os problemas brasileiros não se limitam ao campo da economia, já que o Brasil vive um momento de incerteza política.

— Isso afeta a vida das empresas e traz desafios à gestão — afirmou.

 

INTERVENCIONISMO ESTIMULA CORRUPÇÃO

O empresário Rubens Ometto, controlador do Grupo Cosan, do setor de açúcar e álcool, disse durante o evento que o intervencionismo do governo no mercado estimula a corrupção.

— Para acabar com a corrupção é preciso que o governo deixe de ser empresário. Enquanto o governo intervir no mercado, sempre haverá corrupção. Pode criar a regra que quiser — disse o empresário.

O empresário afirmou que se a Petrobras baixasse os preços da gasolina, como se noticiou recentemente, seria mais uma medida intervencionista do governo.

— Não pode isso numa empresa com o atual nível de endividamento — afirmou Ometto.

O empresário afirmou que os problemas fiscais do governo atrapalham as empresas.

— Há um ciclo vicioso em que os juros aumentam, as dívidas das empresas aumentam. Temos que ir ao mercado financeiro para nos manter capitalizados — disse o empresário.

Ele disse que a crise cria muitas oportunidades de investimento em empresas, mas não existem compradores.

 

— A própria Petrobras está fazendo desinvestimentos, o que gera oportunidades boas. Mas a situação é ruim para todo mundo. Temos que fazer investimentos com parcerias para não aumentar nosso endividamento. Nós temos apetite para investir — disse.

Para o empresário, antes de se pensar na volta da CPMF, é preciso saber o que vem depois.

— A festa foi dada e agora a conta precisa ser paga. O problema é a disciplina de gastos que vem depois. Não podemos criar as condições para pagar a conta e tudo segue igual. Se isso acontecer, vamos ter a CPMF 2, a CPMF 3 .

 

 

Vale reduz projeção de investimentos em 2016

A Vale reduziu a projeção de investimentos em 2016 para US$ 5,5 bilhões, ante estimativa de US$ 6,2 bilhões anunciada em dezembro, segundo apresentação do diretor financeiro da mineradora, Luciano Siani.
 

Segundo o material, a Vale conta com “desinvestimentos potenciais” para equilibrar o caixa e fortalecer o balanço, sendo que no período 2016-2016 serão avaliadas transações envolvendo ativos essenciais, “com o objetivo de reduzir a dívida líquida em US$ 10 bilhões”.

Este semana, quase seis anos após a inauguração, a Vale acertou a venda de 26,87% que detinha da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) para a sócia alemã Thyssenkrupp. A venda fez parte da estratégia da mineradora de se desfazer de ativos não-estratégicos e reforçar o caixa, num momento em que o preço do minério de ferro está em queda. O valor da operação não foi divulgado, mas fontes de mercado disseram que a transação teria sido fechada por US$ 1.

“A participação da Vale está sendo vendida por um preço simbólico”, informou a empresa em nota, acrescentando que o acordo de venda inclui uma cláusula que dá à Vale direito a “uma potencial receita caso o controle acionário da CSA seja vendido para um terceiro”. Em 2015, a Vale já havia vendido uma mina de carvão na Austrália por um dólar australiano, seguindo a mesma estratégia de sair de projetos pouco rentáveis ou que dão prejuízo à companhia.




 

Conselho da Petrobras reage à redução de preços



A informação de que a gestão da Petrobras iria anunciar hoje a redução no preço da gasolina e do diesel, , caiu como uma bomba entre os membros do Conselho de Administração (CA) da estatal. De acordo com uma fonte que não quis ser identificada, houve forte reação entre os conselheiros, que não haviam sido informados previamente sobre a decisão. Por isso, passaram todo o domingo trocando mensagens sobre o assunto. O momento de maior tensão ocorreu quando o presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Nelson Carvalho, enviou uma mensagem para Aldemir Bendine, presidente da estatal.

Na mensagem, disse essa fonte, Carvalho diz a Bendine que espera que a redução de fato não aconteça e que a queda no preço da gasolina e do diesel pode “macular o capital de credibilidade e de foco no interesse da companhia”. Em outro trecho, Carvalho é ainda mais duro e afirma que não tem “propensão a ser equiparado a presidentes do CA do passado que compactuaram com essa barbaridade”.

— A informação (da queda nos preços) era verdadeira. E o CA reagiu contra. A redução dos preços dos combustíveis está sub judice. A reação dos membros do Conselho de Administração foi violenta e rápida contra a redução. Foi unânime. Os membros não vão admitir isso. Se houver redução, haverá reação. O Conselho de Administração não foi consultado sobre essa decisão. Estão todos revoltados. A questão é que o CA não precisa aprovar, já que os reajustes são considerados atos de gestão — disse a fonte.

FUNDOS COBRAM EXPLICAÇÕES

De acordo com outra fonte, houve reação também de fundos de investimento e investidores institucionais da Petrobras, que cobraram explicações sobre o assunto. A razão é simples: a companhia vem sofrendo com a queda no preço do barril do petróleo no mercado internacional, que reduz a sua geração de caixa, e com o aumento do dólar, que onera seus investimentos e sua dívida. E, de acordo com especialistas, ainda não conseguiu repor todas as perdas dos últimos anos, quando, por decisão de governo, vendia gasolina e diesel no Brasil por um preço inferior ao que pagava pelos combustíveis no exterior. Tudo isso, dizem analistas, para conter a inflação no país — a gasolina, segundo o IBGE, tem peso de 4,1% no IPCA, e o diesel, de 0,15%. Um prejuízo, calcula Adriano Pires, do CBIE, que atingiu R$ 100 bilhões somente no primeiro mandato de Dilma Rousseff.

De acordo com outra fonte a par das negociações, o assunto da redução foi muito discutido na semana passada entre os diretores da estatal. Dentro da Petrobras, quem está liderando as conversas para a redução dos preços dos combustíveis é Jorge Celestino Ramos, diretor de Abastecimento da estatal, que ontem também teria sido procurado por alguns conselheiros.

— A redução deve ser anunciada devido à forte variação cambial, com a alta do dólar frente ao real, e à significativa queda nas vendas dos combustíveis. Enquanto no ano passado a venda dos combustíveis caiu 9%, nos primeiros meses deste ano o recuo já está entre 10% e 11% — ressaltou uma outra fonte.

Se a estatal reduzir os preços dos combustíveis, será a sexta vez que isso ocorre desde que os valores foram liberados, no início dos anos 2000.

 

Um executivo a par das negociações informou que, nos últimos meses, a gestão da Petrobras chegou a propor aos conselheiros a redução nos preços dos combustíveis, mas eles sempre se mostraram contra. A estatal não quis comentar a notícia sobre a queda nos preços. O GLOBO não conseguiu contato com Nelson Carvalho. Já o Ministério de Minas e Energia afirmou não ter sido informado do assunto e ressaltou que decisões sobre reajustes são da Petrobras.

Segundo Pires, do CBIE, se a redução nos preços dos combustíveis ocorrer, vai demonstrar que o governo continua usando a Petrobras como instrumento político, mesmo após todos os desdobramentos da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal. Para ele, a notícia de uma redução da gasolina parece fazer parte de um pacote de bondades do governo, que não se preocupa com a empresa e não respeita seus acionistas:

— Primeiro veio a bandeira verde nas contas de luz; e agora isso, para reduzir o impacto na inflação e tentar evitar o impeachment, com ações para agradar a população. Até a semana passada, a Petrobras estava vendendo gasolina no Brasil com preços 18% maiores em relação ao mercado internacional, e o diesel com preços 60% maiores. Por ano, essa diferença gera caixa de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões, insuficiente para recompor as perdas dos últimos anos.



 

Vendas de carros e comerciais leves caem 23% em março


 

Os licenciamentos de automóveis e comerciais leves novos em março no Brasil recuaram cerca de 23% em março sobre o mesmo mês do ano passado, informou uma fonte do setor com acesso aos dados de emplacamentos.

As vendas somaram 173.472 unidades no período, o que corresponde a uma média por dia útil de 7.885 unidades, quase em linha com fevereiro e contrariando expectativas do setor no início do mês de que a média cresceria.

Com o resultado de março, as vendas de carros e comerciais leves novos no Brasil, segmento que inclui utilitários esportivos, picapes e vans, no primeiro trimestre somaram 465.563 unidades, queda de cerca de 28% sobre o mesmo período de 2015.

Nesta semana, o presidente da Anfavea, Luiz Moan, afirmou que o desempenho das vendas de março foi afetado pela série de manifestações contra e a favor do governo federal, além das próprias crises econômica e política que pesam sobre a confiança dos consumidores. A queda nas vendas deve manter o setor fazendo ajustes de produção para se adequar à demanda.

A entidade por ora trabalha com perspectiva de queda de 7,3% nas vendas de veículos leves em 2016, a 2,3 milhões de unidades, número que, se confirmado, marcará o quarto ano seguido de retração nos licenciamentos de carros novos no país.

O setor terminou fevereiro com estoque de 241,4 mil veículos novos à espera de compradores, queda de 8¨% sobre janeiro e volume suficiente para 46 dias de vendas, segundo os dados mais recentes da Anfavea, que deverá fazer uma atualização para incluir março na próxima quarta-feira.



 

Gol tem prejuízo de R$ 1,13 bi no 4º trimestre

 

A aérea Gol apurou prejuízo líquido de R$ 1,13 bilhão no quarto trimestre, aumento de 79% ante o resultado negativo de um ano antes, influenciado por menores receitas e maiores custos, o que a fez revisar projeção de corte na oferta em 2016.

Em 2015, a Gol teve prejuízo de R$ 4,29 bilhões, aumento de 284% sobre o resultado negativo de 2014, afetado pelo impacto da desvalorização do real e do bolívar venezuelano frente ao dólar nas despesas operacionais e sobre o saldo dos passivos financeiros.

De outubro a dezembro, a empresa teve geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação, amortização e aluguel de aeronaves (Ebitdar) de R$ 398,9 milhões, queda de 17,3% contra o mesmo trimestre um ano antes.

A receita operacional líquida totalizou R$ 2,65 bilhões no trimestre, baixa de 2,8% sobre os últimos três meses de 2014, resultado do menor volume de passageiros.

O resultado vem após uma queda de 8,8% na demanda total e recuo de 4,8% na oferta total de assentos da companhia no quarto trimestre, com baixa de 3,3 pontos percentuais na taxa de ocupação das aeronaves.

O yield, indicador que mede preços de passagens, subiu 4,5%.

Os custos e despesas operacionais avançaram 7,3% no quarto trimestre na comparação anual, a R$ 2,75 bilhões.

Projeções
Com isso, a Gol informou projeção de reduzir entre 15 e 18% o volume total de decolagens em 2016. A projeção anterior da empresa era reduzir de 4 a 6% o volume de decolagens nacional no primeiro semestre. A oferta total deve cair entre 5 e 8% no ano.

"Esta iniciativa tem como objetivo a adequação da companhia ao patamar atual de demanda do mercado, além de mitigar o impacto inflacionário de 10,7% e cambial de 47% em 2015 em nossos resultados", disse o presidente da Gol, Paulo Kakinoff, no balanço da empresa.

 

Caixa eleva juros para financiar casa própria

A Caixa Econômica Federal informou que aumentou os juros para financiar a casa própria com recursos da poupança.

A taxa balcão – para não clientes da Caixa – passa de 9,9% para 11,22% ao ano, para compra de imóveis pelo Sistema Financeiro Habitacional (SFH). Já para o Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), que costuma financiar imóveis acima de R$ 750 mil, a taxa para não clientes subiu de 11,5% para 12,5% ao ano. As novas taxas entraram em vigor na quinta-feira (24).

É a primeira vez no ano que a Caixa sobe os juros para crédito imobiliário. O último reajuste aconteceu em outubro do ano passado.

Segundo a Caixa, o novo aumento é “decorrente de alinhamento ao atual cenário econômico”.

 

Segundo o banco, foram reajustadas as taxas de juros para financiamento de imóveis residenciais, comerciais e mistos. As taxas dos financiamentos com recursos do Programa Minha Casa Minha Vida e do FGTS não sofreram alteração.

A alta dos juros acontece duas semanas após a Caixa ter decidido aumentar de 50% para 70% o limite de financiamento de imóveis usados e a reabertura do financiamento do segundo imóvel como medidas de estímulo para reanimar o setor em meio à recessão econômica.

Nos últimos reajustes, a Caixa justificou a alta ao aumento das taxas básicas de juros (Selic), que está sendo mantida em 14,25% desde setembro do ano passado.

A Caixa fechou o ano de 2015 com participação de 67,2% nos financiamentos imobiliários concedidos no país. A carteira de crédito habitacional do banco avançou 13% em 12 meses e alcançou saldo de R$ 384,2 bilhões. A Caixa registrou no ano passado lucro líquido de R$ 7,2 bilhões em 2015, valor 0,9% superior ao obtido no ano anterior.

O volume de empréstimos para aquisição e construção de imóveis caiu 33% no ano passado, na comparação com 2014, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Para 2016, a projeção é de mais uma queda, da ordem de 20%.

Na tentativa de atenuar o forte desaquecimento do seto, o governo anunciou em fevereiro que o Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) decidiu ampliar o orçamento destinado a investimentos em R$ 21,7 bilhões neste ano.

 

 

Crise política afeta Petrobras de arrecadar US$ 14 bi

 

O agravamento da crise política atinge em cheio os planos de reestruturação da Petrobras. A estatal corre contra o tempo para arrecadar US$ 14,4 bilhões neste ano com a venda de ativos e para levar adiante outros projetos, como a revitalização do Campo de Marlim, na Bacia de Campos. De acordo com um executivo próximo à estatal, as incertezas quanto a possíveis mudanças no governo — com a possibilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff — levantam dúvidas junto a investidores e dentro da companhia, no processo de tomada de decisões.

— O investidor teme comprar um ativo ou se tornar sócio de um projeto num país que não se sabe se o governante vai mudar em breve. E, se isso acontecer, todo o comando da Petrobras mudará — destacou o executivo.

A instabilidade política já dificulta os planos da estatal de encontrar um parceiro para a Petrobras Distribuidora (BR), uma das joias da coroa da petroleira. A Petrobras pretende vender de 25% a 40% das ações a um sócio estratégico. Mas, até agora, os interessados, que incluem algumas empresas e quatro fundos de investimento (um brasileiro e três estrangeiros), só querem levar adiante o negócio se puderem comprar o controle da companhia.

— Eles não querem colocar recursos na BR sem o controle, até para não correr o risco de sofrer ingerências do governo federal. Como negociar agora com o presidente da Petrobras, que é alinhado ao governo atual? E se mudar o governo, como fica? — destacou o executivo.

DIVERGÊNCIAS INTERNAS SOBRE DESINVESTIMENTO

Para Flávio Conde, da consultoria WhatsCall, as incertezas políticas podem brecar as negociações da BR, o principal ativo à venda:

— Quem vai ficar sócio de uma empresa na qual o comando do acionista controlador pode mudar? Além disso, o setor de petróleo vive um momento de baixas nos preços do barril. O quadro político do Brasil complica ainda mais os planos da Petrobras. Uma das etapas na hora de vender um ativo é o cálculo da projeção do risco Brasil. E ninguém sabe como vai ficar porque há muita incerteza em relação ao futuro de Dilma.

O economista da RC Consultoria, Tiago Biscola, diz que o Brasil passa por um momento único:

— Quem vai comprar ativo da Petrobras no momento como o atual, que é incerto?

O economista Alfredo Renaut, da PUC-Rio, pontua que, dependendo do desfecho da crise política, a estatal pode ser beneficiada:

— Se o atual governo sair derrotado, a perspectiva de recuperação da Petrobras é maior. É a mudança que pode levar a melhoras na companhia.

Outra decisão que pode ser adiada é a escolha de um executivo para comandar a BR. Segundo fonte próxima à estatal, a Petrobras mantinha tratativas com quatro executivos e, nos últimos dias, estava em conversas mais adiantadas com um. Com a indefinição quanto ao futuro do país e da companhia, já se teme que a definição demore mais a sair.

 

Neste cenário, não é só a busca por investidores que fica em compasso de espera. A paralisia exacerba as divergências dentro da própria empresa sobre os rumos da reestruturação.

— As incertezas do país afetam a Petrobras interna e externamente. Elas reforçam internamente os que são contra a venda de ativos. Não se sabe qual o direcionamento que vai ser tomado. Fica mais difícil aprovar qualquer venda — disse uma fonte.

Outro efeito é contribuir para a desvalorização dos ativos à venda, que já estão baixos em decorrência da queda do preço do petróleo. O recuo da cotação causou uma onda de desinvestimento entre grandes petroleiras.

— Os projetos de venda de ativos não caminham de forma ágil. A Petrobras ainda não conseguiu implementar a reestruturação interna — disse a fonte, lembrando que a reunião extraordinária do Conselho de Administração para tratar da reestruturação interna e do corte nos cargos gerenciais, prevista para o último dia 14, foi suspensa.

Outro executivo que participa das discussões na estatal diz que ainda não ocorreu uma mudança de rota, mas admite que será mais difícil concluir negociações para se desfazer de empresas e projetos:

— Todas as empresas de petróleo estão vendendo ativos, mas o problema da Petrobras é o alto endividamento. Agora, não vai ser por causa disso que vai se vender a preço de banana.



Com endividamento de R$ 506 bilhões até setembro de 2015, a Petrobras busca parceiros para arcar com investimentos não só em projetos no pré-sal, mas em empreendimentos antigos no chamado pós-sal da Bacia de Campos. A empresa procura sócios dispostos a investir US$ 5 bilhões no projeto de revitalização da produção no Campo de Marlim, que está em operação há 25 anos. As conversas mais adiantadas envolvem estatais chinesas de petróleo, mas o receio é de estagnação diante da crise política.

O Campo de Marlim é um dos maiores em produção no pós-sal, mas está em declínio nos últimos anos. Em janeiro deste ano, produziu 157 mil barris por dia, contra 200 mil em janeiro de 2015. Em meados de 2014, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) aprovou um Plano de Desenvolvimento do campo, revisto no ano passado, que prevê a perfuração de novos poços e a instalação de duas novas plataformas com capacidade de produção de cem mil barris diários cada, para inverter o declínio atual. Atualmente, Marlim tem sete plataformas em operação.

No início do mês, a estatal teve uma notícia favorável, com a resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que prorroga os prazos dos contratos da chamada Rodada Zero, assinados entre ANP e Petrobras em 1998. Eles venceriam em 2025. Na ocasião, com a abertura do mercado de petróleo, a estatal pôde escolher os blocos e campos que queria explorar. Foram 397 contratos em 1998, com campos e blocos exploratórios. Atualmente, segundo a ANP, existem 278 campos oriundos da Rodada Zero, operados pela Petrobras. A prorrogação permite que a estatal coloque alguns destes blocos à venda, como parte do seu plano de desinvestimento ou que busque parceiros para os projetos. O problema é que a crise política dificulta o andamento destas negociações.

Procurada, a Petrobras informou apenas que que “o projeto de Marlim está em andamento e sua execução segue de acordo com o planejado”. A ANP disse que “a gestão dos contratos está sendo realizada”.

 

Para Hélder Queiroz, ex-diretor da ANP, a prorrogação dos contratos teria potencial para viabilizar o desenvolvimento de vários projetos que estavam parados:

— Sempre fui favorável à renovação automática desses contratos. Existem projetos de recuperação da produção de petróleo. E a Petrobras poderá negociar a venda de parte de vários campos ou de blocos.

Resta a dúvida, agora, se toda convulsão política vai postergar, mais uma vez, a retomada dos investimentos no setor petrolífero.

 

Já passou da hora de dar um basta para que país retome rumo


 

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, divulgou nota pedindo o restabelecimento da governabilidade. Em nome das federações da indústria, o presidente da CNI disse que as entidades estão extremamente preocupadas com o agravamento da crise política e econômica que o Brasil atravessa e pede “grandeza, serenidade e espírito público” dos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo.

“A indústria nacional não pode aceitar que disputas e desavenças políticas se sobreponham aos interesses maiores da nação”, diz um trecho do “Comunicado à Nação”, da CNI.

“O setor empresarial espera que as instituições brasileiras, principalmente o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF), com o apoio e a participação da sociedade, consigam encontrar, com urgência, soluções para tirar o país da crise política e econômica. Neste momento turbulento da vida nacional, a indústria brasileira exige grandeza, serenidade e espírito público dos homens e das mulheres que ocupam os Três Poderes da República, para que o Brasil possa superar o cenário adverso, voltar a crescer e ter confiança no futuro”, afirmo o texto.

De acordo com Andrade, os empresários, assim como todos os brasileiros, estão perplexos diante da grave deterioração do cenário político, que submete o país a uma situação sem precedentes em sua história recente. O caos em que mergulhou a política nacional, enfatizou, gera um quadro de profundas incertezas, que piora as perspectivas da economia, já abalada pela mais séria recessão dos últimos 25 anos.

“O país vem sendo duramente prejudicado pela paralisia decisória que o afastou do caminho do crescimento, provocando o aumento do desemprego, a elevação da inflação e o fechamento de empresas. Os efeitos da atual crise ética, política e econômica têm sido catastróficos para empresas e trabalhadores. Ninguém aguenta mais assistir ao espetáculo deprimente em que se transformou a política brasileira. Já passou a hora de, com respeito aos ditames da lei e da Constituição, darmos um basta a esse impasse para que o país possa retomar o rumo”, acrescenta o comunicado.

Para Andrade, é imprescindível restabelecer a governabilidade. Acrescentou que também considera fundamental restaurar a moralidade no trato dos assuntos públicos, adotar melhores práticas administrativas e implantar medidas favoráveis à estabilidade social, ao emprego e ao desenvolvimento.



 

Dilma anuncia medida que aumenta rombo nas contas públicas



O governo anunciou, mais uma medida que aumenta o rombo das contas públicas em 2016. Foram reduzidas , até 31 de dezembro, as taxas de juros dos empréstimos concedidos com recursos dos fundos constitucionais. Esse movimento vai diminuir o Patrimônio Líquido desses fundos e, com isso, a contribuição que eles dão para o superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública) da União. Pelos cálculos do Ministério da Fazenda, somente este ano, o impacto será de R$ 267,6 milhões.

A medida terá reflexos sobre o esforço fiscal até 2019. Em 2017, o impacto será de R$ 312,2 milhões. Em 2018, de R$ 219,8 milhões, e em 2019, de 136,9 milhões. Ainda de acordo com a Fazenda, a redução no Patrimônio Líquido dos três fundos será de R$ 1,8 bilhão. A redução das taxas foi aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) na última sexta-feira.

O secretário-executivo adjunto da Fazenda, Esteves Colnago, defendeu a medida como uma forma de estimular a economia. Segundo ele, embora ela tenha impacto negativo sobre as contas públicas, ela faz parte de um esforço para estabilizar o PIB (Produto Interno Bruto), que caiu 3,8% em 2015. Colnago destacou que, sem crescimento econômico, o governo perde arrecadação e não consegue fazer superávit primário.

— O que a gente precisa é estabilizar a economia para ela parar de cair e voltar a crescer. Não consigo fazer um primário se a economia cai. Ela está caindo numa velocidade considerável. Eu preciso estabilizar para ter como arrecadar — disse o secretário, acrescentando: — Essa medida gera mais benefícios do que malefícios.

Segundo nota divulgada pelo Ministério da Fazenda, foram reduzidas as taxas dos fundos constitucionais do Nordeste (FNE), do Norte (FNO) e do Centro-Oeste (FCO). Para empréstimos destinados a investimentos concedidos a empreendedores com receita bruta anual de até R$ 90 milhões, por exemplo, a taxa de juros caiu 11,18% para 9,5% ao ano.

 

Colnago negou que a atual equipe da Fazenda esteja realizando uma guinada na política econômica. Ao ser perguntado sobre a diferença entre o que foi feito pelo ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o que vem sendo feito pelo atual ministro Nelson Barbosa, ele afirmou:

— Não acho que há uma guinada nas medidas de austeridade. O governo tem a agenda da reforma da Previdência e da reforma fiscal. O que está se buscando (agora) são formas de estabilizar a economia para que ela volte a crescer. Não tem como atingirmos os resultados prometidos sem isso. O que houve (desde a saída de Joaquim Levy) foi um aprofundamento da dificuldade da economia se estabilizar.

A meta de superávit primário da União fixada para 2016 é de R$ 24 bilhões. No entanto, o governo já anunciou que vai pedir ao Congresso autorização para abater desse resultado o equivalente a R$ 84,2 bilhões com frustração de receitas e aumentos de gastos. Assim, na prática, isso fará com que o resultado final do ano seja um déficit primário de R$ 60,2 bilhões.

Lucro das Lojas Americanas cai 31,3% no Brasil


 

 

A varejista Lojas Americanas encerrou o quarto trimestre com lucro líquido de R$ 204,2 milhões, queda de 31,1% frente o mesmo período do ano anterior, impactada pelo aumento de sua despesa financeira.

O resultado financeiro líquido da companhia ficou negativo em R$ 505,3 milhões, aumento de 54,8% ante as perdas de R$ 326,4 milhões registradas no período de outubro a dezembro do ano anterior.

A piora do resultado financeiro está relacionada principalmente ao aumento da taxa de Certificado de Depósito Interbancário (CDI), segundo a varejista.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da empresa somou R$ 1,016 bilhão, avanço de 14,4% na mesma base de comparação.

A receita líquida de vendas e serviços ficou em R$ 5,816 bilhões de outubro a dezembro, avanço de 6,3%.

No conceito "mesmas lojas", a receita líquida cresceu 8,6% no quarto trimestre.

A companhia investiu R$ 677,3 milhões em 2015, com ênfase em expansão, reforma da rede de lojas e atualização tecnológica. Foram inauguradas 92 novas lojas, alcançando 1.041 lojas em 399 municípios.

"O novo plano de expansão prevê a abertura de dois novos centros de distribuição e 800 novas lojas no Brasil entre 2015 e 2019", afirmou a empresa no balanço.

O conselho de administração da companhia aprovou o pagamento antecipado de dividendos no montante de R$ 21,5 milhões, ou R$ 0,018292395 por ação ordinária ou preferencial, a partir de 28 de março.

                                                

 

Baixo preço das commodities deve gerar inadimplência

 

Os baixos preços das commodities deverão levar a uma alta na inadimplência de empresas no início deste ano, e o setor de petróleo poderá ver mais campos serem fechados devido à falta de lucratividade, disseram analistas.

A inadimplência em dívidas no setor de commodities subiu nos primeiros dois meses de 2016 ante o mesmo período do ano passado, disse a agência de avaliação de crédito Moody’s.

“Dos 18 defaults desde o início do ano, metade foi no setor de commodities”, disse Sharon Ou, vice-presidente e executiva sênior de crédito da Moody’s.

Cinco dos defaults foram no setor de petróleo e gás, enquanto quatro foram em metais e mineração, disse ela.

 

Além disso, mais campos de petróleo poderão fechar após o preço do petróleo tocar o patamar de entre 30 e 40 dólares, disseram analistas da Bernstein em nota.

“Com apenas dois meses de 2016, vimos que o acumulado em campos fechados já atingiu 60 mil barris por dia (bpd) e mais de 260 milhões de barris em reservas.”

Os campos fechados incluem tanto reservas em terra como em águas rasas em Noruega, Colômbia, Brasil, China e Timor Leste, segundo os analistas.



 

Focus preve queda do PIB  2016 em 3,5% este ano


 

A primeira pesquisa Focus após a divulgação do recuo de 3,8% na atividade econômica do ano passado mostra uma piora de 0,05 ponto percentual na expectativa para o PIB deste ano, que deve encolher 3,5%. Foi a sétima semana seguida em que a perspectiva para o desempenho da economia neste ano piorou. Os especialistas consultados, porém, podem ainda não ter incorporado esses resultados em suas projeções, já que os dados são reunidos na sexta-feira. Para 2017, o relatório feito pelo Banco Central (BC) com analistas do mercado financeiro manteve a taxa pela segunda semana consecutiva em 0,50%.

Já a inflação, que deu uma trégua na semana passada e foi revista para baixo pela primeira vez após oito semanas de elevações, voltou a subir e deve chegar ao fim deste ano em 7,59%. Na pesquisa anterior, a expectativa era de que o índice de preços ficasse em 7,57%. Em 2017, de acordo com o Focus, o IPCA deve ficar em 6% — a previsão está neste patamar há um mês.

Se as previsões se confirmarem, a inflação vai fechar o segundo ano seguido bem longe do centro da meta do Banco Central, que é de 4,5%, com limite de dois pontos para cima ou para baixo. Para o ano que vem, a projeção está exatamente no teto da meta, que é de 6%, já que variação aceita será de 1,5 ponto para cima ou para baixo. Na quarta-feira, o IBGE divulga o resultado do IPCA de fevereiro. Analistas esperam que a taxa fique em 1% frente ao mês anterior.

Na semana passada, os analistas consultados pelo BC esperavam que o PIB de 2016 registrasse um recuo de 3,45%. Mas após a divulgação do resultado de 2015 pelo IBGE na última quinta-feira, a previsão piorou para 3,5%. Já para o ano que vem, o mercado mantém a crença de um leve respiro, com expansão de 0,50% após dois anos seguidos de forte retração econômica.

O levantamento do BC, concluído na sexta-feira, mesmo dia em que ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alvo da Operação Lava-Jato, reduziu a previsão para a cotação do dólar no fim deste ano, passando de R$ 4,35 para R$ 4,30. Para o ano que vem, os analistas ainda esperam que a moeda americana fique em R$ 4,40, mesmo valor há seis semanas.

Já a taxa básica de juros deve ser mantida no atual patamar de 14,25%. Há cinco semanas os analistas não alteram a perspectiva para o Selic. Para o ano que vem, a aposta nas últimas duas semanas é que os juros cheguem a dezembro em 12,50%.


 

No Brasil crise política pode adiar recuperação da economia


 

O agravamento da crise política – provocado pelo vazamento da delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS) – pode adiar ainda mais a recuperação da economia, avaliam integrantes do governo. Segundo eles, a recessão pode se estender até o último trimestre de 2016 e, assim, a atividade só teria condições de mostrar alguma recuperação em 2017.

Em nota divulgada para comentar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2015, o Ministério da Fazenda afirmou que a economia brasileira tem condições de se estabilizar no terceiro trimestre de 2016 e registrar crescimento já nos três meses seguintes. No entanto, nos bastidores, a avaliação é mais pessimista. Isso porque a delação de Delcídio deixou a presidente Dilma Rousseff mais frágil e trouxe nova força a um processo de impeachment.

— Tudo isso contamina a economia e pode atrapalhar o crescimento, atrasar a recuperação para 2017 — afirmou um integrante da equipe econômica.

Por isso, a ordem é tentar acelerar a agenda econômica e encaminhar para o Congresso o mais rápido possível as propostas de reformas fiscal e da Previdência. A avaliação é que não se pode mostrar uma paralisia por causa dos problemas políticos. Nesta sexta-feira, a presidente se reúne com governadores para fechar formalmente um acordo de alongamento das dívidas dos estados com a União por mais 20 anos. Essa proposta, assim como o projeto de lei que fixa um teto para os gastos públicos, serão enviados ao Congresso ainda este mês.

— Se as reformas andarem e se o governo mostrar que não está paralisado, a economia também vai acompanhar esse movimento — disse o técnico.




 

Crise  no Brasil faz acordos trabalhistas aumentarem

A recessão fez aumentar os acordos trabalhistas no país. Segundo dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST), dos 737 dissídios coletivos apresentados aos tribunais regionais do trabalho no ano passado, 228 — ou 30,9% — foram decididos com acordos entre as partes. O percentual é o maior desde 1995, quando a taxa havia chegado a 33,7%. O número se refere às negociações feitas entre sindicatos e patrões quando já há uma discussão em andamento na Justiça, mas sem que o juiz precise dar a palavra final.

Esse crescimento dos acordos mostra, na prática,proposta defendida pelo novo presidente do TST, Ives Gandra Filho, no último domingo, na qual defendeu que os juízes priorizem o acordo. “A primeira coisa que um juiz deveria fazer é tentar conciliar, depois ele vai julgar. O TST pode começar a estimular as conciliações”, afirmou Gandra Filho.

Para analistas, o crescimento dos acordos mostra que os trabalhadores perderam poder de barganha, diminuindo as demandas dos sindicatos. Tanto que também houve redução do número de dissídios. Em 2014, haviam sido apresentadas 1.089 demandas, ou 47% a mais que o número registrado no ano passado.

— Com o aumento do desemprego, os sindicatos acabam aceitando ofertas mais facilmente. Quando o desemprego é baixo, o sindicato se acha em condições de demandar dissídio, porque acredita em um reajuste maior — avalia o economista José Márcio Camargo, da Opus Gestão de Recursos e professor da PUC-Rio.

Segundo a presidente do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-2), Silvia Devenoid, a recessão de 2015, estimada em mais de 3%, explica a mudança nas negociações. No ano passado, 205.638 acordos foram realizados nas varas paulistas, alta de 3,75% frente a 2014. Também aumentaram os casos de conciliações, realizadas antes da apresentação das ações judiciais. Em 2015, 35,42% das audiências foram solucionadas com conciliação — contra 32,97% no ano anterior.

— Quando se está em pleno emprego, as demandas dos trabalhadores crescem por aumento real, participação nos lucros. Na recessão, se quer manter o emprego e algum aumento real — afirma a desembargadora.

Já o economista João Saboia, professor do Instituto de Economia da UFRJ, considera o aumento do número de acordos um bom indicador:

— Conseguir acordo em momento de crise é muito positivo.

A piora do mercado de trabalho também provocou uma disparada no número de ações trabalhistas individuais. De acordo com o balanço do TST, os processos recebidos em todas as varas do trabalho (ou seja, processos de 1ª instância) somaram cerca de 2,6 milhões no ano passado, uma alta de 11,7% frente a 2014. Foi o maior aumento desde 1995.

A ligação entre o aumento do desemprego e do número de ações está relacionada ao excesso de recursos à Justiça do Trabalho, na avaliação José Márcio Camargo, da Opus Gestão de Recursos.

— Quase todo trabalhador demitido entra na Justiça do Trabalho. Se tem muita demissão, acaba tendo mais ações. A relação entre trabalhador e empresário se transformou em um problema de Justiça, enquanto em qualquer lugar do mundo é uma questão de negociação — analisa Camargo.

Para a desembargadora Silvia Devenoid, as demissões em tempos de crise tendem a gerar mais conflitos. São Paulo respondeu por quase 20% das ações trabalistas do país, com 460,3 mil casos, contra 427 mil em 2014, alta de 7,8%. No TRT do Rio, houve alta de 3,7%, para 253.063 ações em primeira instância.

— Os trabalhadores têm mais acesso às informações. São mais conscientes de seus direitos, por isso entram com mais processos. De 2014 para 2015, o crescimento acima do normal foi causado pelo desemprego. Houve muita demissão, empresas entraram em processo falimentar, e outras simplesmente sumiram do mapa — afirma a desembargadora de São Paulo, que prevê nova alta em 2016: — Pelo que tenho conversado com representantes dos sindicatos patronais e de trabalhadores está havendo muita demissão. Isso tem impacto direto nas ações trabalhistas.

 

Supermercados registram queda de quase 20% nas vendas

 

Impactadas pelo aumento de preços, as vendas nos supermercados caíram 19,64% em janeiro na comparação com dezembro do ano passado. No acumulado do ano, o recuo é de 3,38%, mesmo percentual observado na comparação de janeiro de 2016 com janeiro de 2015. Os dados foram divulgados pela a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

— O setor supermercadista iniciou o ano sentindo o péssimo ambiente econômico que afeta o país. Desemprego e inflação em alta, reduzindo a renda disponível do consumidor, combinado a um quadro de incertezas econômicas que impactou as vendas do autosserviço — explicou Sussumu Honda, presidente da Abras.

Para justificar os números negativos, a Associação chama atenção para a variação do IPCA (inflação oficial) em janeiro, que foi de 1,27% registrando a variação mais alta para o mês desde 2003 (2,25%).

A projeção da Abras para fevereiro não é otimista. Segundo a entidade, a elevação de preços tende a continuar, sobretudo nos alimentos in natura. “Devido a muitos fatores, como o clima desfavorável, chuvas em excesso ou falta de chuva e safras menores”, detalhou a Abras em comunicado.

INFLAÇÃO MAIS ALTA

Dados apurados pela Abras mostram elevação de preços acima da inflação em janeiro. Uma cesta de produtos de largo consumo, com 35 itens, incluindo cerveja e refrigerantes, higiene pessoal e limpeza doméstica, além de alimentação, apresentou aumento de 2,99% nos preços em janeiro na comparação com dezembro — de R$ 439,08 para R$ 452,22. Já em relação a janeiro de 2015 o aumento foi de 17,44%, saindo de R$ 385,06 para os atuais R$ 452,22.




 

Embraer apresenta novo modelo de jato

 

Líder mundial na fabricação de jatos comerciais com até 130 assentos, a Embraer apresentou o E190-E2, primeiro modelo da segunda geração da família de E-Jets de aviões comerciais. O voo inaugural do E190-E2 está programado para o segundo semestre de 2016, com entrada em serviço prevista para 2018. A cerimônia foi realizada em fábrica da empresa em São José dos Campos.

“O E190-E2 é o primeiro dos quatro protótipos que serão usados na campanha de certificação, enquanto outros dois aviões estarão envolvidos na campanha do E195-E2 e três na do modelo E175-E2, cujas entradas em serviço estão programadas, respectivamente, para 2019 e 2020”, informou a empresa.

— Hoje demos mais um passo para o futuro da aviação comercial da Embraer com a apresentação mundial da nossa segunda geração de E-Jets — disse Paulo Cesar Silva, Presidente & CEO, Embraer Aviação Comercial, completando: — Tenho certeza que a partir deste evento, o interesse do mercado pelos E2 crescerá ainda mais, aumentando o sucesso comercial deste programa em todo o mundo.

Com investimento de USD 1,7 bilhão, o programa E2 da nova geração de jatos da Embraer foi lançado em junho de 2013, reforçando o compromisso da fabricante em investir continuamente e manter a liderança de mercado no segmento de 70 a 130 assentos.

“Os novos jatos terão motores de última geração de alto desempenho que, em conjunto com novas asas aerodinamicamente avançadas, controles de voo totalmente fly-by-wire e avanços em outros sistemas, resultarão em melhoras significativas no consumo de combustível, custos de manutenção, emissões e ruído externo”, informou em comunicado a Embraer.

Atualmente, a família de E-Jets opera com cerca de 70 clientes em 50 países, sendo líder global no segmento até 130 assentos, com mais de 50% de participação de mercado.



 

Graças a Dilma Brasil perde , último 'selo de bom pagador'


 

A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota de crédito do Brasil e retirou o grau de investimento do país, que perdeu o último "selo de bom pagador". De uma só vez, a nota do país foi reduzida em dois degraus, passando de “Baa3” — último nível de grau de investimento — para “Ba2”. Com a decisão, o Brasil não conta mais com o aval de "bom pagador" de nenhuma das três principais agências de rating do mundo, já que Fitch e Standard $ Poor’s já haviam tomado tal decisão no ano passado. A perspectiva da nota brasileira passou para negativa, indicando que pode haver novos cortes devido ao ambiente econômico e político desfavorável do país.

A decisão da Moody's foi baseada na deterioração adicional dos indicadores de dívida do Brasil em um ambiente de baixo crescimento, com a dívida provavelmente excedendo 80% do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos três anos, e na “desafiadora dinâmica política, que continua dificultando os esforços de consolidação fiscal das autoridades e adiando reformas estruturais”.

A Moody's haviacolocado anota do Brasil em revisão para rebaixamento no início de dezembro, alegando piora da trajetória fiscal e econômica e risco de paralisia política.

"Os acontecimentos macroeconômico e fiscal nos próximos anos devem produzir um perfil de crédito significativamente mais fraco. A dinâmica do crescimento vai permanecer fraca nos próximos anos aumentando a pressão sobre a política fiscal", disse a Moody's em comunicado.


O Ministério da fazenda reagiu ao rebaixamento do Brasil pela agência de classificação de risco Moody’s por meio de uma nota em que afirma que está adotando medidas estruturais para reverter as incertezas do mercado em relação à trajetória da dívida pública e retomar a confiança dos agentes econômicos. Entre as ações, a Fazenda cita as propostas de reforma da Previdência, que será encaminhada ao Congresso até abril, e de fixação de um teto para os gastos públicos.

S&P e Fitch retiraram o grau de investimento do Brasil em 2015, sendo que a S&P voltou a cortar o rating brasileiro na quarta-feira passada, afastando o país ainda mais de seu "selo de bom pagador". Com o corte do último dia 17, a nota de crédito da dívida do país passou de “BB+” para “BB”, com perspectiva negativa. O novo patamar, dois abaixo do grau de investimento, enquadrou o Brasil na mesma situação de países como Bolívia, Paraguai e Guatemala.

Segundo a Moody’s, a perspectiva negativa reflete a visão de que estão crescendo os riscos de uma recuperação ainda mais lenta, ou de que ocorram choques adicionais. Com isso, há incertezas sobre a magnitude da deterioração do perfil de dívida do Brasil.



 

Analistas chapa branca  prevêem recuo do PIB em 3,40% em 2016


 

Levantamento feito semanalmente pelo Banco Central (BC) com analistas do mercado financeiro piorou pela quinta semana seguida a projeção para o desempenho da economia neste ano e no próximo. Segundo o relatório Focus divulgado, o PIB de 2016 deve recuar 3,40% e, no ano que vem, deve haver uma leve expansão de 0,50%. Já a previsão para a inflação deste ano foi elevada pela oitava vez consecutiva e já chega a 7,62%, enquanto IPCA para 2017 foi mantido pela segunda semana seguida em 6%.

No último boletim, os analistas previam que a economia encolheria 3,33% este ano e que cresceria 0,59% em 2017. Assim, as novas previsões pioram o cenário para a atividade economia por mais dois anos. Os cálculos do BC divulgados na semana passada mostraram que a recessão brasileira é mais grave do que o imaginado. A economia encolheu nada menos que 4,11% no ano passado, segundo o Índice de Atividade Econômica da autoridade monetária (IBC-Br). Em dezembro, o recuo foi de 0,52% e o desempenho mensal ficou no negativo pelo décimo mês seguido — o maior período de retração desde que o BC passou a registrar os dados. O resultado anual — o mais baixo desde o início da série do BC, há 13 anos — foi pior que as expectativa dos analistas do mercado financeiro, que preveem uma retração de 3,8% em 2015. Essa é a aposta para o dado oficial do Produto Interno Bruto (PIB), que será divulgado pelo IBGE apenas no mês que vem.

A perspectiva para a inflação deste ano registrou leve alta, passando de 7,61% para 7,62%. Mas a elevação marcou a oitava piora seguida, deixando cada vez mais longe a possibilidade de cumprimento da meta estabelecida pelo governo, que é de 4,5%, com variação de dois pontos para cima ou para baixo. Para 2017, a projeção está exatamente no teto da meta, que é de 6%, já que variação aceita será de 1,5 ponto para cima ou para baixo.

O Top-5, entretanto, com as instituições que mais acertam as projeções, já vê a inflação superando a meta em 2017, com a mediana das projeções de médio prazo calculando a alta do IPCA em 6,50%.

Os analistas mantiveram a previsão para taxa básica de juros no fim deste ano nos atuais 14,25% pela terceira semana seguida. Para o ano que vem, eles reduziram a projeção da Selic de 12,75% para 12,63%.

A perspectiva para a cotação do dólar ao fim deste ano sofreu leve queda, passando de R$ 4,38 para R$ 4,36. Para o dezembro de 2017, os analistas ainda esperam que a moeda americana fique em R$ 4,40, mesmo valor das últimas quatro semanas.




 

Lucro da Braskem cresceu 263% em 2015

A melhoria do cenário externo, sobretudo nos Estados Unidos, a alta do dólar e a forte elevação dos volumes exportados impulsionaram os resultados da petroquímica Braskem no último trimestre de 2015. O lucro líquido atribuível aos acionistas no quarto trimestre foi de R$ 220 milhões, revertendo resultado negativo de R$ 24 milhões de um ano antes, número afetado pelo incêndio em uma unidade da empresa no ABC Paulista  em São Paulo e também pela recessão brasileira. O lucro líquido anual chegou a R$ 3,14 bilhões, uma alta de 263% frente ao ano anterior.

A Braskem é um dos alvos da Operação Lava-Jato e acusada pelo Ministério Público de firmar contratos com a Petrobras para vender nafta a preços mais baixos dos praticados pelo mercado.

— Voltamos a figurar entre os principais exportadores brasileiros — disse Carlos Fadigas, presidente da empresa, que, em conferência telefônica com jornalistas, disse que o cenário externo compensou a situação difícil da conjuntura nacional.

A companhia teve receita líquida de R$ 12,3 bilhões entre outubro e dezembro, alta de 6% na comparação anual. A empresa teve geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 2,234 bilhões em termos ajustados, elevação de 65% na comparação anual.

A Braskem registrou R$ 707 milhões na linha de “outras despesas operacionais líquidas”, que incluiu gastos gerados pelo incêndio em central petroquímica em Mauá  no ABC Paulista em meados de outubro passado. A unidade só teve atividade retomada no final de novembro.

O investimento previsto pela empresa este ano é de R$ 3,66 bilhões, dos quais 50% estão atrelados ao dólar e são referentes a operações nos Estados Unidos e Europa. Sem incluir os gastos com a nova planta da empresa no México, o investimento programado é de R$ 2,33 bilhões.

— Vamos elevar em 54% o volume de investimentos do ano passado para este ano. Serão investimentos estratégicos — disse Fadigas.

SAÍDA DA PETROBRAS

Perguntado sobre a possível saída da Petrobras do capital da Braskem, Fadigas disse que tomou conhecimento da informação pela imprensa. E garantiu que, independentemente do que ocorra, a emrpesa continuará trabalhando dentro “ da mesma estratégia que a gente sempre teve”. Hoje, a estatal tem 36% do capital total da petroquímica. A Odebrecht possui 38%, o BNDES, 5%; e o restante está na Bolsa de Valores.

— Essa é uma decisão do acionista e não compete à Braskem comentar. Posso comentar que o nosso desejo é que, qualquer que seja o caminho, que a Petrobras se recupere e possa voltar a crescer seu investimento em hidrocarbonetos para que o setor químico e industrial cresça — afirmou Fadigas, para completar: — O que estamos tentando fazer é agregar valor a todos os acionistas da Braskem e, pelos números que apresentamos hoje, temos conseguido isso.

A petroquímica anunciou hoje proposta de distribuição de R$ 1 bilhão sob a forma de dividendos aos acionistas, o número é mais que o dobro da média registrada nos últimos anos.


 gestão do governo Dilma rebaixa nota do Brasil


A agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou a nota do Brasil novamente, afastando o país mais ainda do “selo de bom pagador”. A entidade passou a nota de crédito da dívida do país de “BB+” para “BB” com perspectiva negativa. Assim o país continua em grau especulativo. O novo patamar, dois abaixo do grau de investimento, enquadra o Brasil na mesma situação de países como Bolívia, Paraguai e Guatemala.

A S&P justificou a ação citando desafios fiscais e políticos para o governo brasileiro. Segundo nota da entidade, os riscos de execução para corrigir a política fiscal permanecem altos no curto prazo "seguindo a incapacidade do governo de passar medidas orçamentárias no fim de 2015, que agora se complicam com o procedimento de impeachment da presidente Dilma Rousseff em andamento no Congresso".

"O rebaixamento reflete nossa visão de que o perfil de crédito do Brasil enfraqueceu desde 9 de setembro, quando rebaixamos os ratings pela última vez. Os desafios econômicos e políticos que o Brasil enfrenta permanecem consideráveis", disse a S&P. "Agora nós esperamos um processo de ajuste mais prolongado com correção mais lenta da política fiscal, assim como outro ano de aprofundamento da contração econômica".


A S&P diz ainda que há uma possibilidade de uma em três de um novo rebaixamento.

"A perspectiva negativa reflete que nós acreditamos que há uma chance maior que uma em três de um rebaixamento adicional devido ao risco de uma reversão em políticas fundamentais dada a dinâmica política e iniciativas políticas inconsistentes, ou como resultado de uma maior turbulência econômica que nós esperamos atualmente", indicou a agência de classificação de risco.

O rating para moeda estrangeira no longo prazo foi reduzido em um nível para "BB", com perspectiva negativa", disse a agência em comunicado . Já a classificação da moeda local em longo prazo foi rebaixada de "BB" para "BBB-", enquanto no curto prazo caiu de "B" para "A-3".

O país perdeu o grau de investimento da agência após o último rebaixamento de setembro. A Fitch fez o mesmo semanas depois. A Moody's é a única a manter o selo de bom pagador do Brasil.




 

Analistas pioram previsão para inflação no Brasil

Os economistas ouvidos semanalmente pelo Banco Central (BC) pioraram as perspectivas para a inflação e o PIB deste ano e do próximo. O IPCA, de acordo como relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira, deve ficar em 7,61%. Já a economia deve ter uma retração de 3,33% em 2016 e uma leve expansão de 0,59% em 2017. Com esse cenário, os analistas voltaram a elevar, em 0,25 ponto percentual, a previsão para os juros no ano que vem, que devem ficar em 12,75% ao ano.

 

A projeção para o IPCA deste ano voltou a piorar, pela sétima vez seguida, passando de 7,56% para 7,61%, reforçando a perspectiva de novo estouro da meta, de 4,5% com tolerância de dois pontos para cima ou para baixo, como já aconteceu em 2015.

Para o ano que vem permanece, como na semana anterior, a previsão de inflação de 6%, exatamente no teto da meta, cujo centro seguirá em 4,5%, mas com uma margem de tolerância menor, de 1,5 ponto percentual a mais ou a menos.

Em relação ao PIB de 2016, a mediana das projeções no Focus agora é de contração de 3,33%, ante queda de 3,21% na pesquisa anterior. Para 2017, a estimativa de crescimento é de apenas 0,59%, 0,01 ponto percentual a menos do que na semana passada. Pela quarta semana seguida, os analistas reduziram a previsão para o desempenho da economia no ano que que vem.

A perspectiva para a taxa básica de juros em 2017 voltou a 12,75%, depois de cair para 12,50% na semana anterior, segundo a pesquisa do BC, com a projeção para a inflação no ano que vem permanecendo no teto da meta do governo, de 6%.

O levantamento semanal do BC com uma centena de economistas divulgado nesta segunda-feira mostrou que as projeções para a Selic no final de 2016 foram mantidas em 14,25% ao ano pela segunda semana consecutiva. O BC já sinalizou que não deve mexer tão cedo na taxa básica de juros diante da fragilidade econômica do país, mas o cenário para a inflação continua em deterioração.

Já a cotação do dólar no fim deste ano foi elevada de R$ 4,35 para R$ 4,38. Para o ano que vem, o câmbio foi mantido em R$ 4,40 pela terceira semana seguida.

Vendas da Volkswagen no Brasil caíram 39%



A Volkswagen informou que suas vendas globais cresceram 3,7% em janeiro em relação a igual mês de 2015, apesar do escândalo de fraude em testes de emissões de poluentes que afetou seus números nos Estados Unidos (-7%). O resultado foi afetado também pela desaceleração da economia no Brasil, onde houve um recuo de 39%. As vendas na Rússia também encolheram com força (-30%).

Compensando os recuos, a montadora com sede em Wolfsburg registrou um forte aumento das ventas na China (14%) e avanços moderados na Europa. A empresa alemã vendeu no mês passado 847 mil veículos no mundo frente a 817 mil no mesmo mês do ano anterior.

A marca principal da Volkswagen registrou uma alta de 2,8% em um ano, enquanto as vendas da Audi cresceram 4%. As duas estiveram envolvidas no caso dos motores adulterados.

A Volkswagen terminou 2015 com recuo nas vendas, o primeiro desde 2002.

 

 

Governo comunista dá golpe nos consumidores de energia elétrica

 

Os reajustes nas tarifas de energia elétrica para 2016 deverão resultar em redução média de 0,2% para os consumidores residenciais brasileiros em 2016, com os estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste registrando quedas na conta de luz, beneficiados por chuvas nas áreas de hidrelétricas.

A tendência de baixa após dois anos de altas nas tarifas, segundo estudo da consultoria TR Soluções, deve aliviar a pressão sobre a inflação e é resultado de chuvas favoráveis em janeiro e no início de fevereiro, que ajudaram a recompor os reservatórios de hidrelétricas e permitiram o desligamentos de térmicas, cujo custo é mais elevado.

O efeito médio para os consumidores do Sudeste e do Centro-Oeste será uma redução de 3,8%, enquanto no Sul a queda será de em média 3,4%, informou à Reuters a consultoria, especializada em cálculos de tarifas.

No Nordeste, por outro lado, a TR Soluções estima que deve haver elevação das tarifas, com efeito médio para o consumidor de 12,3%. A região, que havia sido menos afetada por altas nos anos anteriores, sofre os efeitos de uma severa seca nas hidrelétricas.

Segundo o sócio da consultoria Paulo Steele, os cálculos já levam em consideração o desligamento de termelétricas a partir de março, em um movimento que o governo vê como início do viés de baixa nas tarifas de energia.

Steele explicou, no entanto, que “apenas uma parte muito pequena” dos custos com o acionamento das térmicas, que são mais caras que as hidrelétricas, é suportado pelas tarifas.

A maior parte da conta das termelétricas é custeada pelo consumidor por meio das bandeiras tarifárias, que elevam a tarifa de acordo com o uso dessas usinas.

Com o desligamento de mais térmicas em março, a bandeira nas contas deverá passar para amarela, ante a atual vermelha, o que representará cobrança extra de R$ 1,5 a cada 100 kilowatts-hora consumidos, ante R$ 3 na faixa vermelha.

Em 2015, quando a bandeira vermelha vigorou por todo o ano, as bandeiras tarifárias arrecadaram R$ 14,7 bilhões, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O consumidor chegou a pagar um custo extra de R$ 5,50 a cada 100 kilowatts-hora devido à bandeira vermelha, posteriormente reduzida.

Com a evolução da hidrologia, o governo agora acha possível ter ainda neste ano a bandeira verde, quando não há cobrança adicional.

O Banco Central estimou que os custos da energia elétrica subiram 52,3% em 2015 e projetou anteriormente uma alta de 3,7% em 2016, ainda considerando a vigência da bandeira vermelha.



Inflação de janeiro fica em 1,27%, a maior desde 2003


 

A inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), abriu o ano em 1,27%, 0,31 ponto percentual acima da taxa de 0,96% registrada no mês de dezembro. O índice é maior do que o registrado em janeiro do ano passado (1,24%) e o mais alto para o mês desde 2003, quando atingiu 2,25%. Em 12 meses, o IPCA ficou em 10,71%, acima dos 10,67% dos 12 meses imediatamente anteriores, tornando-se o resultado mais elevado desde novembro de 2003 (11,02%).

A taxa ficou acima da média estimada pelos analistas consultados pelo Valor Data, de 1,1% de avanço. O intervalo das estimativas era de alta de 1,02% a 1,20%. Em 12 meses, a previsão era de inflação de 10,52%. O teto da meta do governo para 2016 é de 6,5%.

Os grupos de alimentação e bebidas, com alta de 2,28%, e transportes, com 1,77%, que têm maior peso na despesa das famílias, foram responsáveis por grande parte do resultado do IPCA do mês. Juntos, os alimentos, contribuindo com 0,57 ponto percentual, e os transportes, com 0,33 ponto, tiveram contribuição de 0,90 ponto percentual, detendo 71% do índice.

— O grupo dos alimentos, principal despesa das famílias, consome em média um quarto dela. Não são caros, mas você compra diariamente e, somados ao grupo de transportes, que é o segundo de maior peso, foram responsáveis pela maior parte da taxa de janeiro. Ainda é muito prematuro dizer o que isso representa, pois é o primeiro mês do ano. As tarifas de transportes aumentaram nas seis regiões, é um aumento concentrado no mês, e os alimentos sofrem influência dos eventos climáticos, que também são comuns em janeiro — analisa Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

Desde dezembro de 2002, quando o grupo alimentação e bebidas atingiu 3,91%, não havia registro de taxa mais elevada do que os 2,28% de janeiro. Essa comparação considera todos os meses do ano.

No resultado acumulado nos últimos 12 meses, os preços dos alimentos registraram aumento de 12,9%. No mês, na região metropolitana de Vitória e de Salvador e em Goiânia, o aumento dos alimentos chegou a 3,66%, 3,60% e 3,22%, respectivamente. A região de Porto Alegre ficou com a alta mais moderada, 1,2%.

Para o mês de janeiro, é a maior alta no grupo de alimentos desde o Plano Real, implantado em julho de 1994.

— Nesse país enorme, o El Niño tem afetado algumas regiões com seca e outras com muita chuva, prejudicando a produção. Além disso, tem o diesel, que aumenta frete e custo; os pedágios, que aumentaram; e o dólar, que encarece a produção, pois eleva o preço dos fertilizantes e do maquinário. Além disso, o exportador está satisfeito com a valorização do dólar e está mandando mais para fora, mantendo os preços — explica Eulina.



Enquanto os produtos comprados para consumo em casa aumentaram 2,89%, a alimentação fora de casa subiu 1,12%. Vários alimentos mostraram crescimento de preços de dezembro para janeiro, sendo que alguns foram expressivos, como a cenoura (32,64%), o tomate (27,27%), a cebola (22,05%) e a batata-inglesa (14,78%).

RIO: MAIOR VARIAÇÃO

Por região, a maior variação foi verificada no Rio (1,82%), pressionado pela alta nas tarifas dos ônibus urbanos (10,59%), ônibus intermunicipais (8,62%) e táxi (8,76%). em 1,24%. As tarifas dos ônibus urbanos foram reajustadas em 11,76%, a partir de 2 de janeiro; dos intermunicipais, em 10,48%, a partir de 10 de janeiro; e dos táxis, em 10,5%, a partir de 4 de janeiro. O índice de janeiro no Rio é o maior para o mês desde 2003, quando ficou em 2,48%. O menor índice foi o da região metropolitana de Curitiba (0,73%).

AUMENTO DAS PASSAGENS

No grupo transportes, a alta de 1,77% foi puxada pelo transporte público, que subiu 3,84%, e pelos combustíveis, com 2,11%. A liderança na relação das principais contribuições individuais no IPCA do mês ficou com o item ônibus urbanos, com 0,14 ponto percentual, seguido pelos combustíveis, com 0,11 ponto.


As tarifas dos ônibus urbanos aumentaram 5,61%, tendo em vista a concentração de reajustes em seis das 13 regiões pesquisadas. A maior variação foi registrada no Rio (10,59%), onde o aumento da tarifa foi de 11,76%. As tarifas dos ônibus intermunicipais também subiram, em 6,14%, refletindo reajustes em cinco regiões: Belo Horizonte, Fortaleza, Rio, São Paulo e Salvador, de respectivamente 11,94%, 8,77%, 8,62%, 7,43% e 6,51%.

Taxi teve variação de 4%. Além disso, trem e metrô ficaram com 4,19% e 4,27%, respectivamente, em vista do reajuste de 8,57% ocorrido em 9 de janeiro na região

metropolitana de São Paulo. Nos ônibus interestaduais, as tarifas subiram 1,22%.


Por outro lado, em contraposição às altas do transporte público, as passagens aéreas apresentaram queda de 6,13% e, com -0,03 ponto percentual, constituíram-se na principal contribuição individual para baixo na formação do IPCA do mês.


Quanto aos combustíveis (2,11%), foi registrado aumento médio de 1,88% no litro da gasolina, que chegou a ficar 8,01% mais caro na região metropolitana de Porto Alegre. No etanol, o aumento médio foi de 3,47%, também apresentando a maior elevação em Porto Alegre, com 9,60%. Isso ocorreu porque o ajuste do ICMS no mês de dezembro pulou de 25% para 30% sobre o preço da gasolina e do etanol, levando a variação dos produtos no estado a serem as mais altas.



No grupo, além do transporte público e dos combustíveis, sobressai o item conserto de automóvel, que aumentou 1,77%.

ENERGIA, ÁGUA E ESGOTO

Na energia elétrica, a alta foi de 1,61% por influência de aumentos ocorridos nos impostos, especialmente nas contas da região metropolitana de Porto Alegre, que ficaram mais caras em 8,70%, com pressão do PIS/COFINS e ICMS. Além disso, nas regiões metropolitanas de São Paulo, onde as contas aumentaram 1,36%, Brasília, com 1,25%, e Curitiba, com 0,40%, os resultados incorporam reajustes ocorridos na

parcela destinada à Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP): 73%, 11% e 18%, respectivamente.


A respeito da taxa de água e esgoto, cujas contas ficaram mais caras em 0,94%, na média, o resultado foi pressionado pela região metropolitana de Fortaleza, onde a alta de 5,41% se deve ao reajuste de 8,47%, em vigor desde o dia 19 de dezembro; por Brasília, onde a taxa de 2,47% reflete o reajuste de 2,65%, em vigor desde o 1º de

janeiro; por Campo Grande, cuja taxa foi de 8,89%, refletindo o reajuste de 10,36%, em vigor a partir de 3 de janeiro; e por São Paulo, onde a alta de 1,92% mostra a menor intensidade do efeito do Programa de Incentivo à Redução de Consumo de Água.

O cigarro, que passou a custar 3,81% a mais, refletiu o reajuste médio de 12%, praticado por uma das empresas, a partir de 31 de dezembro, sobre os preços do produto, na maioria das regiões pesquisadas.

INPC

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que considera o custo de vida das famílais com renda até cinco salários mínimos, fechou o mês de janeiro em 1,51%, contra os 0,9% de dezembro. Com isto, o acumulado nos últimos 12 meses ficou em 11,31%, acima dos 11,28% dos 12 meses imediatamente anteriores. Em janeiro de 2015, a taxa foi de 1,48%.


Os produtos alimentícios também foram os que mais sofreram com a alta — tiveram variação de 2,41% em janeiro, enquanto em dezembro a variação foi de 1,6%. O grupo dos não alimentícios apresentou taxa de 1,11%, em janeiro, também acima do patamar de dezembro (0,59%).

Fisco vai monitorar transações bancárias acima de R$ 2 mil


 

As garras do Leão estão mais afiadas. A partir deste ano, os bancos terão de informar à Receita Federal qualquer movimentação financeira mensal acima de R$ 2 mil feita por pessoas físicas. No caso das empresas, o valor será de R$ 6 mil. Com esses dados, o Fisco vai cruzar informações, para verificar se há compatibilidade com os dados apresentados na declaração do Imposto de Renda ou com a movimentação do cartão de crédito. A determinação consta da instrução normativa (IN) 1.571 e já é alvo de polêmica. A IN tem amparo na lei complementar (LC) 105/2001, que está sendo questionada no Supremo Tribunal Federal (STF). Ações diretas de inconstitucionalidade (Adins) argumentam que a lei infringe o direito ao sigilo de dados, garantido pela Constituição. Para tributaristas ouvidos pelo GLOBO, seria coerente que o STF decidisse a favor dos contribuintes.

— O sigilo bancário só pode ser quebrado mediante uma decisão judicial, em casos específicos em que há algum tipo de investigação — afirmou a advogada Claudia Petit, especialista em direito tributário do Braga Nascimento e Zilio Advogados Associados.

Fernando Zilveti, tributarista e professor da Fundação Getulio Vargas de São Paulo, concorda que o envio à Receita de informações sobre movimentação financeira configura quebra de sigilo bancário sem decisão da Justiça.

— Somente um juiz pode determinar a quebra do sigilo bancário e em casos em que o contribuinte está sendo investigado, por exemplo. A instrução da Receita não pode mudar a Constituição — disse Zilveti, acrescentando que a Receita receberá uma quantidade absurda de informações, já que o valor para pessoa física é baixo (R$ 2 mil).

De acordo com informações constantes do site do STF, há três Adins referentes à LC 105. Elas são de autoria da Confederação Nacional do Comércio (CNC), do Partido Social Liberal (PSL) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O gerente-executivo jurídico da CNI, Cassio Borges, explica que a ação junto ao STF questiona a autorização que a LC 105 dá à administração pública de ter acesso irrestrito a dados financeiros das indústrias, independentemente de qualquer suspeita de práticas ilícitas:

— A Constituição garante em seu artigo 5º, entre outros direitos, o sigilo de dados — disse Borges, lembrando que a Adin está nas mãos do STF há mais de 15 anos. — Caso o STF decida pela inconstitucionalidade da lei, a instrução normativa também cai por terra.

Ele disse que a CNI vai enviar uma petição ao atual relator, ministro Dias Toffoli, informando sobre a IN 1.571, para que o STF dê andamento ao processo.

TÉCNICOS: NÃO É NOVIDADE

Os técnicos da Receita, no entanto, negam que a nova regra represente uma invasão de privacidade. Isso porque o Fisco não pode ter acesso nem à origem e nem ao destino dos recursos. De acordo com o artigo 5º, parágrafo 11, da IN, “é vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a origem ou o destino dos recursos utilizados nas operações financeiras”.

— Se o contribuinte fez a movimentação no supermercado ou no teatro, não vamos saber — explicou um técnico.

A IN 1.571 foi publicada em julho de 2015, mas só entra em vigor agora. A primeira prestação de contas, relativa a dezembro de 2015, será enviada ao Fisco em maio. Depois disso, a entrega será semestral. Em agosto, serão encaminhados os dados dos primeiros seis meses de 2016. Em fevereiro de 2017, será a vez do segundo semestre deste ano.

Os técnicos do Fisco ressaltam que o repasse desses dados não é novidade. A CPMF, enquanto esteve em vigor, permitia esse acompanhamento. Ao ser extinta, em dezembro de 2007, foi criada a Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof), que obrigava os bancos a informarem operações de R$ 5 mil por semestre para pessoas físicas e de R$ 10 mil para as jurídicas.

A IN 1.571 institui a e-Financeira, que substituirá a Dimof. E a entrega de dados não ficará restrita aos bancos: seguradoras, corretoras de valores, distribuidores de títulos e valores mobiliários, administradores de consórcios e entidades de previdência complementar terão de fazê-lo.




 

 

Desgoverno de Dilma faz varejo fechar 80 mil lojas no Brasil

A recessão obrigou gigantes e pequenas empresas do varejo a diminuir de tamanho. Para se adequar ao consumo em queda, as grandes redes fecham lojas e cortam vagas. Recentemente, seis empresas anunciaram o fim de 153 unidades, incluindo Walmart, Ponto Frio, Casas Bahia, Extra, Marisa e C&A. Os números das líderes do mercado se somam aos milhares de pontos de venda que foram fechados no ano passado, num segmento em que predominam as microempresas. Dados preliminares da Confederação Nacional do Comércio (CNC), compilados a pedido do GLOBO, mostram que, em 2015, no total, 80,1 mil lojas fecharam as portas. O resultado representa um aumento de 52% em relação a 2014, quando 52,7 mil estabelecimentos encerraram as atividades. Para analistas, a redução de custos é uma tendência que deve se manter ao longo de 2016, e os segmentos dependentes de crédito tendem a ser mais afetados.

De acordo com a confederação, o número de lojas de grande porte caiu 9,5% em 12 meses considerando dados até outubro, um percentual superior ao dos pequenos varejistas, que tiveram queda de 8,3%.

— O fechamento de lojas é generalizado. A renda do consumidor caiu, e o custo do crédito aumentou. As taxas de juros reais em torno de 8% inviabilizam o consumo de bens duráveis (como eletrodomésticos), mais sensíveis ao crédito. Há uma relação clara entre o desempenho de vendas e o fechamento de lojas — explica Izis Ferreira, economista da CNC.

Um dos casos mais emblemáticos é o do Grupo Pão de Açúcar, que controla redes como Ponto Frio, que fechou 73 lojas, e Casas Bahia (três unidades encerraram atividades). No ano passado, 18 mil trabalhadores foram demitidos, uma redução de 11,2% no quadro, segundo dados do balanço até setembro. O número inclui todas as dez bandeiras da empresa. Segundo o Pão de Açúcar, as condições macroeconômicas justificam os cortes de vagas e a companhia diz que houve redução de custos. “É dever da administração adequar a companhia à demanda do mercado, sempre preservando a qualidade e nível de serviço nas lojas e entrega aos clientes. A adequação do quadro de pessoal faz parte deste processo”, afirmou, em nota, a empresa.

Há duas semanas, o Walmart anunciou o fechamento de 60 lojas. O corte representa mais de 10% da rede de 544 lojas no país. O motivo: baixa performance de vendas.

— O varejo tem rotatividade elevada, de mais de 40%, então as grandes redes não precisam necessariamente demitir para reduzir o custo de uma loja. É só parar de contratar. A expectativa é que mais lojas sem um patamar de venda adequado à estrutura de custos sejam fechadas. Isso deve ocorrer mais no primeiro trimestre, quando já passou o período mais forte de vendas — disse Luiz Carlos Cesta, analista de varejo do Banco Votorantim.

COMÉRCIO CORTOU 180,9 MIL VAGAS

Em 2015, o comércio varejista cortou 180,9 mil vagas formais. Nas grandes redes, segundo a União Geral dos Trabalhadores (UGT) houve 62 mil dispensas. O levantamento de demissões foi feito com informações da própria UGT, do Dieese e dos balanços das empresas, mas em muitos casos não inclui dados sobre as admissões no período. Para Ricardo Patah, presidente da UGT e do sindicato dos comerciários de São Paulo, esses são os primeiros sinais do mau momento do varejo.

— A crise chegou ao comércio. Em 2014, quando ela ainda estava se iniciando, não tivemos desemprego. Em 2015, começamos a sentir, porque será neste ano o grande volume de demissões no setor — afirma Patah.

Segundo a UGT, foram 3.500 homologações do Carrefour. A empresa, porém, afirma que se trata de um movimento normal no varejo e que as vagas foram repostas: “O Carrefour informa que não houve redução em seu quadro de colaboradores em 2015. Os desligamentos no período fazem parte do turnover, movimento natural em um setor dinâmico como o varejo. As posições em aberto foram repostas”, informou.

Nelson Barrizzelli, especialista em varejo, avalia que as demissões e o fechamento de lojas refletem também a consolidação das vendas on-line. Cálculos da UGT mostram que cada emprego no comércio digital equivale a cinco nas lojas convencionais.

 

— Os vendedores de linha branca são os que mais sofrerão — disse Barrizzelli.

Para Haroldo Monteiro, coordenador da pós-graduação em Gestão Estratégica no Varejo do Ibmec/RJ, mais empresas terão de negociar valores que pesam na operação, como aluguel e condomínio:

— O conceito de lojas enormes com muitos vendedores está mudando. O e-commerce está fazendo com que as lojas físicas fechem ou diminuam de tamanho. Por isso, vão ocorrendo demissões para adequar a quantidade de vendedores na loja.

ANALISTA DIZ QUE AJUSTE CONTINUA ESTE ANO

O momento de ajuste ocorre após um período de crescimento exagerado, estimulado por políticas de incentivo ao consumo, avalia Claudio Felisoni, presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar). Ele vê com ceticismo a tentativa de reativar a economia com base no estímulo ao crédito:

— Depois da festa, vem a ressaca. Infelizmente, essa é uma situação previsível. Era sabido que o que sustenta consumo é investimento.

Mas nem só de corte de custos sobreviverá o varejo na crise. Para Enéas Pestana, dono de uma consultoria e ex-presidente do Pão de Açúcar, o setor precisa focar na melhoria da gestão.

— Não acredito só em corte de despesas, porque depois a conta vem. Não adianta cortar metade dos funcionários, porque há risco de a empresa não se sustentar — disse Pestana, que trabalha na integração das bandeiras da Máquina de Vendas, a holding formada por Ricardo Eletro, Insinuante, Eletroshopping, City Lar e Salfer.

Uma redução do número de lojas da Máquina de Vendas não está descartada. Procurada, a empresa não se manifestou oficialmente. Segundo Pestana, avaliar unidades com desempenho ruim faz parte do cardápio de opções:

— Claro que a gente olha lojas deficitárias. Nesse segmento de bens duráveis é mais fácil. O custo de implantação de uma loja de eletroeletrônicos é muito menor do que de um supermercado.

Ana Paula Tozzi, presidente da GS & AGR Consultores, do grupo Gouvea & Souza, afirma que o ajuste não terminou e não vai terminar antes do fim do ano:

— Diversas redes vão ter que se reposicionar.




 

O Brasil deve amargar uma recessão de 4%  em 2016 segundo UBS

Depois do Goldman Sachs, foi a vez de o UBS revisar sua projeção da recessão brasileira para perto de 4% em 2016. Em relatório enviado por e-mail a clientes, o banco passou sua estimativa para a queda da economia este ano de 2,8% para 3,8%.

Segundo o banco suíço, o Brasil combina cenário de “alta ociosidade, juros elevados e queda no lucro das empresas”. Esse quadro, aponta a instituição, continuará a afetar investimentos ao mesmo tempo em que inflação alta e desemprego crescente devem resultar em consumo fraco. Para o ano de 2017, a previsão do UBS é de modesta recuperação.

Também pioraram as estimativas para o resultado primário, que é a economia feita pelo governo para o pagamento dos juros da dívida pública. O déficit esperado para 2016 subiu de 0,14% para 1,3%, enquanto o cenário para 2017 passou de zero para 1,2%.

Na última quarta-feira, o banco Goldman Sachs informou que que a estimativa de contração da economia brasileira em 2016 é de 4%. Segundo Alberto Ramos, chefe de pesquisa econômica para América Latina da instituição, o Brasil está “uma bagunça”, e vai piorar antes de melhorar.






 


Lucro do Santander avança 13,2% em 2015

Terceiro maior banco privado do país, o Santander fechou 2015 com lucro líquido de R$ 6,624 bilhões, o que representa alta de 13,2% frente aos R$ 5,850 bilhões obtidos em 2014. Este é o chamado resultado gerencial, que não inclui resultado extraordinário nem despesas com amortização de ágio. No quarto trimestre, no entanto, houve redução do lucro. O resultado foi de R$ 1,607 bilhão, 5,9% a menos que o R$ 1,708 bilhão do terceiro trimestre. O banco manteve a inadimplência sob controle, mas aumentou as chamadas provisões para devedores duvidosos, que é o dinheiro que a instituição deixa separado no caso de calote.

Este é o primeiro balanço financeiro de um banco brasileiro para o ano de 2015. O Itaú Unibanco divulga seu resultado na próxima semana, no dia 3 de fevereiro. Já o lucro líquido societário, que inclui fatores extraordinários, foi de R$ 6,698 bilhões, ou 223,8% a mais que em 2014. Segundo comunicado da instituição, houve um benefício de R$ 800 milhões no resultado por causa do aproveitamento de créditos tributários não ativados. Tal montante, no entanto, foi compensado integralmente nas linhas de margem financeira bruta e provisões de crédito de liquidação duvidosa, e não teve impacto no lucro líquido.

CRÉDITO AVANÇA EM 2015

Já a carteira de crédito do Santander aumentou 6,3% no ano passado, para R$ 260,988 bilhões. O financiamento ao consumo, no entanto, recuou 7,7%, para R$ 33,931 bilhões. No quarto trimestre, a carteira de crédito recuou 0,4% frente ao terceiro trimestre.

Considerando a chamada carteira de crédito ampliada, em que são consideradas outras operações com risco de crédito (debêntures e avais e fianças) o total de empréstimos chega a R$ 330,946 bilhões, um avanço de 6,6% na comparação anual.

O banco conseguiu ainda manter o seu índice de inadimplência sob controle. Os atrasos acima de 90 dias representavam 3,2% do total do crédito em dezembro, um leve recuo de 0,1% em relação ao mesmo mês de 2014 e estável na comparação com o terceiro trimestre.

MAIOR PROTEÇÃO CONTRA O CALOTE

Mesmo com os dados de clientes em atraso comportados, a instituição financeira elevou as despesas com provisões para devedores duvidosos, que na prática é uma reserva para cobrir eventuais prejuízos com o calote. No ano, essa despesa somou R$ 12,007 bilhões, crescimento de 0,8%. No entanto, só no quarto trimestre ela foi de R$ 3,497 bilhões, um avanço de 17,6% em relação ao trimestre anterior.

Essas provisões representam 199,4% do total de créditos em atraso há mais de 90 dias. Em setembro, representava 185,1%. “Esse aumento ocorreu, principalmente, pelo impacto do reforço do provisionamento para grupos econômicos do segmento de grandes empresas ocorrido em 2015 e, também, por caráter antecipatório, em função do nível de incerteza do ambiente econômico”, avaliou, em relatório, a instituição financeira.

No mundo, o lucro líquido do Santander subiu 3%, para 5,966 bilhões de euros, contidos por provisões excepcionais. Uma das provisões foi de 600 milhões de euros, destinados ao Reino Unido para cobrir eventuais denúncias sobre seguros para créditos. Sem considerar esses efeitos extrordinários, o lucro líquido de 2015 teve alta 12,9%, a 6,570 bilhões de euros.




 


Dívida pública federal atinge R$ 2,793 trilhões em 2015


 

A dívida pública federal, que reúne tudo que o país deve em território nacional e no exterior, terminou o ano de 2015 no maior patamar desde o início da série histórica, em 2004: R$ 2,793 trilhões. O resultado é 24,8% superior ao registrado no fim de 2014, quando o estoque da dívida era de R$ 2,295 trilhões.

O número está próximo do teto da banda permitida pelo Tesouro Nacional no Plano Anual de Financiamento (PAF), de R$ 2,8 bilhões. Em agosto de 2015, o órgão teve que revisitar os valores do PAF, que antes tinha como teto R$ 2,6 bilhões, para comportar o avanço da dívida pública federal.

                    
A maior parte da dívida é composta de títulos prefixados, 39,4%, seguida por títulos vinculados a índices de preços, 32,5%. Papéis vinculados à taxa flutuante e ao câmbio respondem por 22,8% e 5,3% da composição da dívida pública, respectivamente.

O número de títulos previstos para vencerem nos próximos 12 meses diminuiu na comparação com o fim de 2014: 21,6% ante 24% no ano anterior. O prazo médio – um dos indicadores de qualidade da dívida – teve um leve aumento: foi de 4,4 anos para 4,6 anos.

Segundo o Tesouro, a maior parte dos títulos da dívida pública interna está nas mãos de instituições financeiras, 25%. Esse percentual, no entanto, caiu em relação a 2014, quando era de 29,8%, e deu lugar a um crescimento maior dos fundos de previdência, que foi de 17,1% para 21,4%. Nesse nicho, o Tesouro aponta que as entidades de previdência aberta foram as principais responsáveis pelo aumento, mais do que as seguradoras. O volume de títulos nas mãos desse tipo de investidor quase dobrou no ano passado, subiu de R$ 154 bilhões em janeiro para R$ 297 bilhões em dezembro.

A participação de investidores estrangeiros como detentores de papéis da dívida interna brasileira ficou praticamente estável, foi de 18,6% para 18,8%. Os fundos de investimento detêm 19,6% da DPF.

NOVOS PARÂMETROS

O órgão divulgou ainda o novo PAF, com os parâmetros para o comportamento da dívida em 2016. O estoque da dívida previsto para este ano é bem superior ao de 2015. O Tesouro espera que o indicador termine 2016 entre R$ 3,1 trilhões e R$ 3,3 trilhões. O perfil da dívida também deve mudar, o que pode impactar a qualidade da dívida. A previsão para os títulos prefixados a uma taxa específica deve cair. Enquanto em 2015 a previsão era de que eles ficassem num intervalo entre 40% e 44% do total da DPF, em 2016 esse intervalo cai para 31% e 35%.

A queda dá lugar a títulos mais arriscados, vinculados à taxa flutuante e ao câmbio. No primeiro caso, o previsão é de que esse tipo de papel represente entre 30% e 34% do total. No ano passado, o intervalo era de 17% a 22%. Os títulos atrelados ao câmbio ficam entre 3% e 7%. No ano passado, esse intervalo havia ficado entre 4% e 6%.

 

Brasil afunda  América Latina diz FMI

 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou em Washington o documento “América Latina e Caribe em 2016: ajustando-se a uma realidade mais difícil”, elaborado por Alejandro Werner, principal economista da instituição para o Hemisfério Ocidental. O documento, de cinco páginas, começa lembrando que a instituição espera recessão pelo segundo ano para a América Latina, “a primeira vez que isso ocorre desde a crise da dívida de 1982-83, que desencadeou a ‘década perdida’ para a região”, diz o texto.

O documento afirma, contudo, que a recessão geral da região — que deve repetir neste ano a queda de 0,3% vivenciada em 2015, segundo estimativas do Fundo — esconde o êxito de alguns. No ano passado, dois países afundaram a América Latina: Brasil (com queda do PIB estimada pelo Fundo em 3,8%) e Venezuela (-10%). Para este ano, espera-se novamente um resultado ruim para o Brasil (-3,5%), para a Venezuela (-8%) e para a Argentina (-1%), que está vivendo o fim de um ciclo político com a saída da família Kirchner do poder depois de 12 anos.

Werner afirma que o ano já começou, nesses primeiros dias de janeiro, com fortes desafios: “O início de 2016 tem sido difícil, como demonstram os recentes sobressaltos da volatilidade financeira, consequência da incerteza sobre a desaceleração econômica da China, a queda dos preços das matérias-primas e divergentes políticas monetárias aplicadas pelas economias avançadas”.

O documento informa que apenas a queda nos preços das commodities (produtos básicos com cotação global, como petróleo, minério de ferro e soja, importantes para a região), que recuaram de 30% a 50%, significa “perdas de cerca de US$ 200 bilhões em exportações das sete economias combinadas (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e Venezuela)”. Mas isso, por si só, não explicaria toda a desaceleração da economia, explica Werner.

“De fato, nossa projeção de crescimento negativo está determinada principalmente por quatro países (Argentina, Brasil, Equador e Venezuela), já que a queda dos preços das matérias-primas, combinada com desequilíbrios macroeconômicos e distorções microeconômicas, deram lugar à redução dos investimento”, diz o economista em seu texto.

PIOR RESULTADO EM 3 DÉCADAS

O Fundo faz duras críticas ao Brasil, que, segundo o texto, passa por uma combinação de fragilidades macroeconômicas, resultado do escândalo de grande proporção “que envolve funcionários do governo e empresários” e problemas políticos que afetam os investimentos. A redução de 3,8% estimada para 2015, juntamente com a queda de 3,5% para 2016, será “a maior contração da economia brasileira desde 1981-83”, destaca o documento.

“O desemprego cresceu consideravelmente e a inflação se encontra em níveis de dois dígitos. A disfuncionalidade do sistema político segue atrasando a adoção de uma estratégia fiscal crível para colocar a dívida pública em um caminho sustentável, situação que levou ao rebaixamento da classificação de crédito do país e um aumento de seus custos de financiamento”, afirma Werner, que, apesar de ver uma resposta positiva das exportações por causa da depreciação do real, não vê uma retomada do crescimento por causa dos desafios políticos.

O documento critica fortemente a Venezuela e o Equador, elogia uma transição suave na Colômbia, no Chile e no Peru e afirma que a Bolívia continuará com forte crescimento, apesar de alertar para a expansão de sua dívida e de seu déficit em conta corrente. Sobre o México, a segunda maior economia da região depois do Brasil, o FMI afirma que a queda dos preços do petróleo não deve ter muito impacto, apesar do país ser um grande exportador do produto, pois está se beneficiando da desvalorização do peso ao mesmo tempo em que o crescimento americano se acelera, elevando a demanda por produtos mexicanos.

Sobre a Argentina, Werner afirma que o novo governo de Mauricio Macri “iniciou uma importante transição para corrigir desequilíbrios macroeconômicos e distorções microeconômicas”, como o fim do controle cambial e dos subsídios de energia, e que isso vai melhorar as perspectivas de crescimento do país no médio prazo “mesmo sendo provável que isso gere uma leve recessão em 2016”.

Entre os riscos para a região, Werner cita o aumento dos juros nos EUA, que atrai recursos que poderiam estar aplicados na América Latina; uma desaceleração chinesa mais forte que a esperada; e uma piora da situação brasileira, que poderia afetar o comércio regional, sobretudo dos países do Mercosul. A forte depreciação da moedas, diz, tem criado tensões nos bancos centrais que atuam com metas de inflação. Como o Fundo espera um cenário internacional mais adverso, estima que a América latina crescerá em ritmo mais lento “por um longo prazo”, conclui.

BRASIL: CONTAS PÚBLICAS PRECISAM DE AJUSTES

Werner afirmou que não vê, contudo, riscos de a América Latina viver uma nova década perdida. Ele disse que a situação é muito diferente da que existia nos anos 80, pois não há hiperinflação, e o sistema cambial facilita o ajuste de choques externos. Ele afirmou, contudo, que o Brasil é o grande responsável pelos dois anos de recessão na região:

— Se não fossem os resultados negativos do Brasil em 2015 e 2016, a América Latina teria resultados positivos de crescimento neste ano, embora pequenos.

Questionado se o Brasil vive uma depressão em vez de anos seguidos de recessão, Werner disse que não ia entrar na polêmica da definição do ciclo econômico que vive o Brasil. Mas lembrou que a situação continua muito grave, que a queda dos investimentos no setor de petróleo, por exemplo, é maior do que a queda mundial do preço do óleo, ou seja, que houve impactos das investigações sobre corrupção na Petrobras. Ele afirmou que está acompanhando as declarações do ministro Nelson Barbosa, que confirma que o Brasil vai buscar um ajuste fiscal, embora alerte que ainda há muitas incertezas sobre o país:

— Ainda não vemos o Brasil estabilizando as contas públicas, que precisam de um ajuste após anos de aumento de gastos. O país precisa passar por um processo político para adotar esta estabilização e dar mais credibilidade às contas públicas.

Ele afirmou que é importante uma coordenação entre as políticas fiscais e monetárias, embora não veja um cenário que indique o retorno da hiperinflação no Brasil. Werner disse ainda que os resultados ruins para o Brasil podem impactar os resultados da Argentina — onde o Fundo espera recessão de 1% neste ano — e explicou que parte desta conta se deve ao impacto da desvalorização do real, contrasrando com expectativas de crescimento da economia em entidades financeiras do país. Mas, para Werner, dependendo da velocidade do ajuste macroeconômico do país vizinho, a Argentina pode ter algum pequeno crescimento em 2016.

 

Brasil tem que voltar a ser objeto de desejo

 

O trabalho do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, no Fórum Econômico Mundial de Davos será “vender o Brasil” e fazer o país “voltar a ser um objeto do desejo” dos agentes econômicos. A avaliação é do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco. Em entrevista ao GLOBO, o executivo, que marca presença no evento todos os anos, disse que Davos tem como mérito congregar num único local estadistas, empresários e investidores e se torna uma vitrine fundamental para atrair o capital que circula hoje no mundo em busca de boas oportunidades. Apesar das perspectivas pessimistas apresentadas hoje pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em relação à economia brasileira, Trabuco acredita que, ao final de 2016, “o pior terá passado”.

Qual será a principal tarefa do ministro Nelson Barbosa em Davos?

Davos tem o mérito de congregar num único ponto, estadistas, empresários, investidores e gestores de ativos. Então, o fórum acaba sendo uma vitrine fundamental para você vender a sua mercadoria. Temos de vender o Brasil.

O que o Brasil pode mostrar em Davos depois de um ano tão ruim quanto 2015?

No ano passado, eu disse que não teríamos o PIB e nem a inflação para comemorar. Mas havia um entusiamo de que poderíamos terminar o ano com o ajuste fiscal completo. Isso não foi possível. Evoluiu-se, mas ainda estamos no meio do caminho. Mas eu pensei que deveria voltar a Davos para dizer que o Brasil tem futuro. É um país que tem o maior portfólio de obras de infraestrutura no mundo a ser executado. Precisamos vender os bônus que o Brasil tem. Ele tem que voltar a ser um objeto do desejo.

O que se pode esperar para 2016?

Quando chegar dezembro desse ano, eu digo que vamos ver uma inflação abaixo da registrada em 2015. Vamos comemorar uma retomada do PIB? Não. Mas vamos comemorar um patamar de desaceleração da economia menor do que no ano passado. Seria bom que também comemorássemos que as reformas andaram no Brasil.

O FMI vê para o Brasil um quadro econômico ruim até 2017, com retomada somente a partir de 2018. O que o senhor achou?

Para 2016, o número (do FMI) está em linha com o do Bradesco. Em 2017, vemos já alguma recuperação. O valor dos ativos no Brasil, como açúcar e álcool, óleo e gás, produtos siderúrgico, ficou tão baixo e tão deteriorado que a perspectiva agora é melhorar. Sempre se pergunta o seguinte: qual o fundo do poço? Está lá. Acho que situação vai continuar muito difícil, mas talvez o pior tenha passado.

O senhor acha que a tarefa de Barbosa em 2016 é maior que a do ex-ministro Joaquim Levy, que também veio ao fórum tentar conquistar o mercado? No último ano, os indicadores econômicos brasileiros pioraram muito.

O mundo está extremamente líquido, a taxa de juros é extremamente baixa e o dinheiro precisa ser colocado para trabalhar. E o dinheiro trabalha em busca de taxa de retorno. O Brasil tem condições excepcionais nesse cenário. A gente precisa acreditar, a gente precisa trabalhar, trabalhar duro para transformar isso em realidade. Esse é um pouco do desafio do ministro Nelson Barbosa. Seu trabalho é desafiador como era o do ex-ministro Levy.

O presidente da Argentina, Maurício Macri, chega a Davos com vários ministros também com a missão de conquistar investidores. O país vizinho pode ofuscar o Brasil no fórum?

A gente ainda vai ouvir aí as inserções durante o fórum, mas minha intuição sinaliza que sim. A Argentina teve uma mudança de política econômica, mudou os métodos de governança política. O país está chegando a um realismo. Mesmo assim, o Brasil tem muito a mostrar aos investidores.

 

O que o senhor acha da estratégia do ministro Nelson Barbosa de usar o pagamento das pedaladas para dar mais liquidez aos bancos públicos e reforçar o crédito direcionado?

Ele tem um raciocínio inteligente. Ele aumenta a disponibilidade dos bancos públicos, mas defende que não pode ter distância entre o custo do Tesouro e o custo do financiamento. E isso eu acho que é o caminho. O agronegócio, por exemplo, é um setor de excelência no Brasil. Não precisa ter o juro praticado na última safra. Pode ser um juro mais próximo do custo do capital no Brasil.

O senhor acha que o ministro vai conseguir conduzir a agenda de reformas que o Brasil precisa, especialmente com um quadro político tão sensível?

É inequívoco que o governo e a presidente Dilma têm mostrado resiliência. A expansão da consciência naquilo que deve ser feito está sendo perseguido.

Mas hoje, o governo sofre pressões do próprio PT para adotar medidas mais heterodoxas e não mexer, por exemplo, na Previdência Social?

Hoje, as soluções para os grandes problemas que os países enfrentam demandam decisões em que não cabem nem artificialismo, voluntarismo e nem posições ideológicas. Não adianta acreditar que eu posso fazer uma expansão espetacular de crédito subsidiado se isso vai contra o senso comum. As pessoas investem quando tem confiança e confiança vem quando a perspectiva para o futuro é melhor que o presente.


Analistas do mercado financeiro preveem inflação a 7%

 

A pesquisa semanal feita pelo Banco Central (BC) com analistas do mercado financeiro elevou mais uma vez a previsão para a inflação deste ano, que deve fechar em 7% — 0,5 ponto percentual acima do teto da meta do governo. Para o ano que vem, a taxa esperada para o IPCA também subiu, passando de 5,20% para 5,40%.

Na semana passada, o relatório Focus previa que inflação ficaria em 6,93% este ano. A alta, que já prevê a taxa em 7%, foi a terceira seguida. Em 2015, a taxa oficial foi de 10,67%, a maior em 13 anos e o primeiro estouro da meta desde 2003. O centro da meta do BC é 4,5%. A piora da previsão para 2017, que já chega a 5,40%, afasta o resultado do alvo e o aproxima do teto de 6%, uma vez que a margem de tolerância estipulada para o ano que vem é de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

As expectativas de inflação acabam pressionando as previsões para os juros. Em relação a este ano, os analistas ouvidos pelo BC mantiveram a taxa Selic em 15,25% — um ponto percentual acima do atual nível, que pode ser mudado nesta semana, uma vez que o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne pela primeira vez em 2016 nesta terça e quarta-feira. Para 2017, o Focus elevou a Selic pela terceira vez consecutiva, passando de 12,75% para 12,88%.

Economistas mantiveram a perspectiva de que a taxa básica de juros será elevada em 0,5 ponto percentual na quarta-feira. No mercado futuro de juros, os DIs apontam chance de 61% de alta de 0,5 ponto. Apesar de críticas de que um aumento da Selic pioraria a crise fiscal e a recessão, pesquisa da Reuters apontou que 48 dos 59 economistas consultados esperam que o BC eleve a taxa em 0,50 ponto percentual, para o maior nível desde meados de 2006.

Depois de 14 semanas seguidas de piora nas previsões para o PIB deste ano, a taxa foi mantida igual à do relatório passado. Os analistas esperam que a economia recue 2,99%. Já para 2017, a pesquisa elevou a expectativa de alta de 0,86% para 1%.

A cotação do dólar no fim deste ano foi mantida em US$ 4,25. Já a previsão para o ano que vem foi elevada em R$ 0,07, passando de R$ 4,23 para R$ 4,30. Foi a segunda elevação seguida.



 

Itaú lidera ranking de reclamações do Banco Central

 

O Itaú foi o banco que mais recebeu reclamações no mês de dezembro. Com isso, tirou o primeiro lugar do ranking de queixas do Banco Central da Caixa Econômica Federal. O banco público estava há cinco meses na liderança na lista de reclamações do BC.

De acordo com a autoridade monetária, o Itaú teve 612 críticas acatadas pela autoridade monetária. O índice do banco chegou a 10,22 pontos. Em segundo lugar, ficou o Bradesco de 8,39 pontos. O banco de Osasco teve 647 reclamações. No entanto, o índice é calculado e ponderado pelo número de clientes.

A Caixa caiu para terceiro lugar. Em quarto, ficou o HSBC, seguido pelo Santander.

O levantamento feito pelo BC ainda mostrou que a principal queixa feita pelos correntistas de todos os bancos brasileiros em março foi a falta de segurança, confiabilidade ou sigilo das operações.

Em segundo lugar, ficou a cobrança de tarifa por serviços não contratados. Em seguida, os correntistas reclamaram de débito não autorizado.



 

Vendas do comércio têm o maior recuo desde março de 2003

As vendas do varejo brasileiro registraram em novembro o pior resultado em 12 anos. Na comparação com o mesmo mês de 2014, o recuo foi de 7,8%, o maior desde março de 2003, quando a retração passou de 11%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Já em relação a outubro, o comércio brasileiro mostrou sua segunda alta seguida, de 1,5%, depois de registrar resultados seguidamente negativos durante o ano de 2015, que acumula baixa de 4% no volume de vendas.

"Se compararmos a conjuntura de novembro de 2014 com a de 2015, a gente tinha um mercado de trabalho que crescia. Atualmente, temos uma situação de juros bem mais elevada e uma mudança de situação em termos de inflação. Novembro de 2014 foi um pico histórico que tivemos, mas a conjuntura era diferente", disse Isabella Nunes, gerente de Serviços e Comércio do IBGE.

Entre todos os segmentos do comércio, os hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, cujas vendas caíram 5,7%, exerceram a principal pressão negativa sobre o índice geral na comparação anual.

Na sequência, aparecem as quedas dos móveis e eletrodomésticos (-14,7%) e de tecidos, vestuário e calçados, que, ao recuarem 15,6%, registraram a maior baixa na sua série histórica. As vendas de combustíveis e lubrificantes também caíram (12%), pressionando o resultado geral do comércio.

O único setor do varejo que mostrou crescimento foi o de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (2%).

Apenas o comércio de Roraima mostrou aumento nas vendas, de 4%. Os outros estados venderam menos. No Amapá, a retração foi de 27,4% em São Paulo, de 6%; no Rio Grande do Sul, de 10,9%, no Paraná, de 10%, e, em Santa Catarina, de 11,3%.

Comparação mensal
De outubro para novembro, o que mais contribuiu para essa "recuperação" do comércio em novembro foram as vendas de móveis e eletrodomésticos, que cresceram 6,9%, além das de outros artigos de uso pessoal e doméstico, que avançaram 4,1%. Segundo o IBGE, esses números indicam "um movimento de antecipações de compra para o Natal".

"Essas promoções de venda online concentradas em novembro vêm estimulando a venda de bens duráveis. Cinco das oito atividades do comércio varejista apresentaram aumento. Como houve essas promoções de novembro, a gente percebeu um aumento em relação a outubro. Em novembro, o comércio já tem uma sazonalidade muito forte por causa das vendas do fim do ano. Novembro concentra as promoções em relação às vendas onlines", afirmou a gerente de Serviços e Comércio do IBGE.

Nesse período, também aumentaram as vendas de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,2%), de tecidos, vestuário e calçados (0,6%) e de equipamentos de escritório, informática e comunicação (17,4%).

As vendas no varejo aumentaram em 19 das 27 Unidades da Federação. Os melhores resultados foram registrados no Pará (3,0%) e em Roraima (2,9%). Amapá (-2,9%) e Paraná (-1,6%) aparecem na outra ponta, com as maiores quedas.

 

Tráfego de passageiros da Tam  em dezembro  caiu 10,6%

 

A Latam Airlines, maior grupo de transporte aéreo da América Latina, divulgou alta anual de 2,7% no tráfego de passageiros em 2015, apoiado nas operações em países de língua hispânica e de longa distância, que contrastaram com baixa no mercado brasileiro. No Brasil, o transporte de passageiros teve contração de 10,6% em dezembro, acumulando baixa de 2,6% no ano passado.

A empresa, com sede em Santiago, informou também que o tráfego de carga diminuiu 12% em 2015, devido, especialmente, à debilidade no mercado doméstico e internacional no Brasil.

O avanço anual do tráfego do grupo, formado pela chilena LAN e a brasileira TAM, foi favorecido pelo resultado de dezembro, quando a Latam Airlines registrou aumento de 2,1% no transporte de passageiros. O tráfego internacional, que inclui as operações em rotas regionais e de longa distância, teve alta interanual de 10,1% em dezembro e se expandiu 5,4% em 2015. O transporte local de passageiros nas operações de Argentina, Chile, Colômbia, Equador e Peru aumentou 4,3% no mês passado e somou alta de 5,3% entre janeiro e dezembro.



 

Poupança tem perda de depósitos de R$ 55 bi no Brasil



A caderneta de poupança apresentará em 2015 a maior perda de depósitos em 20 anos — os números de dezembro com o balanço do ano serão divulgados nos próximos dias — mas, entre janeiro e novembro, os saques líquidos já somavam R$ 54,94 bilhões. Desde 1995, quando o Banco Central (BC) passou a medir os fluxos das cadernetas, o recorde de saques ocorrera, até então, em 2003, cerca de R$ 8,2 bilhões. Além da queda da renda e do aumento das despesas das famílias, por causa da inflação mais alta, a menor rentabilidade em relação a outras aplicações de renda fixa explica as retiradas da caderneta. Embora os ritmo dos saques tenha diminuído um pouco nos últimos meses do ano, a expectativa dos agentes financeiros é que os saques líquidos se repitam este ano, o que também é inédito.

PREJUÍZO AO SETOR IMOBILIÁRIO

A intensa saída de recursos da poupança, que continua sendo a principal fonte de recursos dos financiamentos habitacionais, só não se tornou um risco à oferta crédito à compra da casa própria porque a recessão, combinada com as restrições impostas pelos bancos — inclusive a Caixa Econômica — na concessão de crédito derrubaram a demanda por imóveis. Depois de alcançarem em 2014 o valor recorde, de R$ 112,9 bilhões, os financiamentos à aquisição e construção de imóveis caíam 30% até novembro, somando R$ 70,8 bilhões.

Mesmo assim, o forte ritmo de retiradas das cadernetas desde o início de 2015 fez com que, no fim de maio, o BC liberasse R$ 22,5 bilhões do compulsório que os bancos são obrigados a recolher sobre os depósitos da poupança. E ainda endurecesse as regras para que as instituições cumprissem a exigência de aplicar 65% dos depósitos da poupança em crédito habitacional.

As projeções da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) para 2016 são de financiamentos habitacionais com recursos da poupança recuem a R$ 60 bilhões, o mesmo patamar de mercado de 2011. Quanto à poupança, a expectativa é que as perdas continuem este ano, mas a um ritmo moderado, desde que o BC não retome o ciclo de alta da Selic.

— Se houver novos aumentos dos juros, pode haver saída maior de recursos das cadernetas — diz Gilberto Duarte de Abreu Filho, presidente da Abecip.

Rafael Fagundes Cagnin, economista da Unicamp que estuda crédito habitacional, nota que o mercado imobiliário já começava a viver uma "crise de reversão de ciclo”, que se seguiu ao período de forte expansão e alta de preços dos imóveis (de 2004 a 2014), que se juntou às crises econômica e política que se aprofundaram em 2015.

O risco de um esgotamento (da poupança) é reduzido, porque a demanda está se reduzindo, e os bancos vão ficando mais restritivos. Só que esse processo limita a importância social do Sistema Financeiro Imobiliário, pois cada vez mais pessoas terão dificuldade para acessar o crédito à compra da casa própria — avalia Cagnin.

FINANCIAMENTO MAIS CARO

Responsável por 80% dos financiamentos habitacionais no país, o fato é que as cadernetas têm um horizonte bem negativo à frente. A diferença que separa a rentabilidade das cadernetas dos ganhos de outras aplicações é enorme e não há perspectiva de diminuir no curto prazo: enquanto a poupança paga cerca de 7,5% ao ano, aplicações em fundos de renda fixa (referenciados no CDI, por exemplo) rendem 12,16% ao ano. Somam-se a queda da renda e o aumento do desemprego, que levam os poupadores a tirar o dinheiro a para as despesas ou dívidas.

— Não tem milagre. Enquanto os juros estiverem altos, teremos esse problema de funding com custos adequados ao crédito habitacional. Com juros de 15% ao ano, não há como retornar à normalidade — diz José Romeu Ferraz Neto, presidente do SindusCon-SP.

O esfriamento do mercado imobiliário afetou outros instrumentos de captação do crédito imobiliário — as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). Mesmo beneficiado pela isenção do imposto de renda, o estoque de LCI, que cresceu 55,7% de 2013 para 2014, avançou 24% no ano passado. O ritmo de captações dos CRIs, que era de 22,6%, caiu a 5% no mesmo período. Com remuneração até 70% maior que a poupança, as LCI são usadas por bancos para complementar os recursos ao crédito imobiliário, e explicam o encarecimento desses financiamentos ao longo de 2015.

— No contexto atual, há uma pressão de custos muito forte, e o crédito imobiliário vai continuar mais caro



 


Petrobras corta 128 mil terceirizados em um ano e meio

Ao entrar no elevador de um dos prédios da Petrobras no Centro do Rio, é possível ter uma ideia de como está o clima entre os empregados da estatal. É no sobe e desce dos andares que os funcionários aproveitam para conversar sobre as demissões que vêm atingindo a companhia. Em meio ao clima de incertezas e várias investigações internas, foram demitidos, em apenas um ano e meio, de dezembro de 2013 até junho de 2015, 128.744 empregados terceirizados que prestavam serviços em todo o Sistema Petrobras, que inclui subsidiárias, como BR Distribuidora e Transpetro. Para se ter uma ideia do tamanho do corte feito no período, o total de demissões supera o efetivo de servidores da Prefeitura do Rio, de 123 mil trabalhadores.

O corte é “avassalador”, como definiu um funcionário da estatal. Nos primeiros seis meses deste ano, foram dispensados 59.638 funcionários terceirizados no Sistema Petrobras. Desse total, o número de demissões somente na holding Petrobras chega a 56.121 terceirizados. E, segundo especialistas, o Rio é um dos mais afetados pelas demissões, com impacto no mercado de trabalho e no crescimento da economia, já que o estado concentra cerca de 70% da produção de petróleo do país.

Os números foram obtidos com base na Lei de Acesso à Informação após pedido feito pelo GLOBO. Os dados foram complementados, posteriormente, pela assessoria de imprensa da companhia. Segundo fontes, a cada semana são demitidos de 60 a 80 empregados, muitos deles com mais de dez anos na empresa. Via Lei de Acesso, a Ouvidoria-Geral da estatal explicou que vêm ocorrendo “desmobilizações de contratos” junto a empresas. Por isso, segundo a estatal, “as possíveis demissões não são realizadas pela companhia”.

O corte faz parte do plano de redução de custos da estatal, que sente os efeitos da queda do preço do petróleo e da Operação Lava-Jato da Polícia Federal. Para 2015 e 2016, a Petrobras reduziu em US$ 7 bilhões os gastos operacionais. Ao mesmo tempo, reduziu investimentos. Até 2016, já foram cortados US$ 11 bilhões em novos projetos.

— É só entrar no elevador que você fica sabendo qual setor está cortando. A situação está tão ruim que até as recepcionistas, que ficavam em cada um dos andares dos prédios, e os estagiários foram cortados — disse um funcionário.



ÁREA DE GOVERNANÇA TEM 49 PESSOAS

Assim, o número de funcionários terceirizados no Sistema Petrobras passou de 360.180, em dezembro de 2013, para 231.436 em junho deste ano. Na holding Petrobras, o total caiu de 320.152 para 207.645 no mesmo período. Do fim do ano passado até junho, o maior volume de cortes entre os contratados na holding ocorreu no setor de Engenharia, Tecnologia e Materiais, cujo total de empregados passou de 83.724 para 31.999, um corte de 51.700 pessoas. Em seguida, aparece a área de Exploração e Produção, que passou de 126.748 para 122.198, uma queda de 4.500 funcionários.

O coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, disse que a redução ocorre com o menor nível de investimento:

— A partir do momento em que reduz investimentos, a empresa tem de cortar em algum lugar. A Petrobras está hibernando (desativando) várias sondas de perfuração e muitos são trabalhadores terceirizados. Enquanto não retomar os investimentos, a tendência é a situação se agravar.

A redução também atingiu a área de “Gás e Energia”: o número de terceirizados passou de 5.419 para 3.631, um recuo de 1.788 pessoas. Na área Internacional, a diretoria foi extinta, e o número de funcionários foi reduzido a zero. Mas houve aumento em algumas áreas. É o caso de Abastecimento, Financeiro e Corporativo e Serviços, que juntos tiveram acréscimo de 2.066 funcionários. Ao mesmo tempo, a área de Governança, Risco e Conformidade, criada este ano, conta com 49 terceirizados.

Pela Lei de Acesso, a estatal explicou que “a Petrobras pode desmobilizar postos de serviços de determinadas atividades, mas o empregado da prestadora de serviços (pode) não ser demitido porque existe a possibilidade de ser alocado”. A Petrobras disse, por meio da assessoria de imprensa, que “houve redução nas atividades contratadas para prestação de serviços de obras e montagem, tendo em vista a conclusão de uma série de projetos nos últimos dois anos, bem como o menor ritmo de investimentos, frente ao cenário atual de queda dos preços do petróleo e de elevação da taxa de câmbio”.

Funcionários ouvidos pelo GLOBO avaliam que os cortes estão sendo feitos sem critério claro. Segundo o relato de um empregado, a meta da companhia é cortar 40% do pessoal em cada área:

— Estão sendo demitidas pessoas muito competentes e também incompetentes.

ENGENHARIA TEM MAIS DEMISSÕES

Os funcionários próprios da Petrobras já sentem os efeitos das demissões dos terceirizados: tiveram de aprender funções que eram desempenhadas por colegas terceirizados.

Um empregado que teve seu contrato encerrado no início do mês e que trabalhava na Petrobras como terceirizado nos últimos dez anos afirmou que o quadro de pessoal da companhia havia aumentado demais nos anos anteriores. Ele também fez críticas à forma como a empresa conduziu esse processo:

— A empresa tem de reduzir custos, e é óbvio que a prioridade é cortar os terceirizados. A Petrobras estava inchada — desabafou o profissional, que pediu para não ser identificado.

A Petrobras explicou que as reduções de pessoal contratado estão acontecendo em todas as unidades da companhia, sendo mais acentuadas nas obras da Engenharia. A estatal afirmou que não tem meta de redução de prestadores de serviços, mas que, conforme seu Plano de negócios 2015/2019, “está reduzindo seu nível de investimentos e de gastos operacionais, o que acaba refletindo na contratação de serviços”.

A Petrobras não informou quanto economizou com a dispensa de terceirizados até o momento. A estatal destacou que a folha de pagamento dos funcionários próprios na holding Petrobras foi de R$ 21,4 bilhões em 2014, incluindo salários, encargos, benefícios e gastos com plano de saúde e previdência.



 

 

Ceia de Natal do brasileiro está mais cara

Levantamento realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomércioSP) a partir dos dados do IPCA, inflação oficial medida pelo IBGE, mostra que as celebrações de fim de ano pesarão mais no bolso do brasileiro pois muitos produtos consumidos nesta época do ano estão bem mais caros em relação a 2014.

O preço do frango subiu 13,18%, e a maçã, 19% no período. Outras frutas como a uva, o morango e a manga sofreram elevação de 11,47%, 18,68% e 21,4%, respectivamente.

Entre os 20 tipos de peixes pesquisados pelo IBGE, oito apresentaram aumento de preço acima da inflação média, com destaque para a merluza, que registrou a maior alta nos últimos 12 meses, de 39,58%, seguido pela castanha (28,94%). O salmão teve alta de 20,85% nos últimos 12 meses. Por outro lado, apresentaram menor elevação ou queda no período os preços do pintado (1,25%), do dourado (-0,21%) e da tilápia (-1,63%).

A carne de porco e a carne de carneiro aparecem como boas opções, já que apresentaram alta dos preços de 2,37% e 5,04%, respectivamente.

Os preços dos acompanhamentos ou temperos das receitas de Natal também apresentam alta de dois dígitos: cebola (48,01%), batata-inglesa (47,55%), alho (48,61%), azeite de oliva (20,34%), azeitona (12,74%) e pimentão (11,07%).

Em relação às bebidas, refrigerantes e água mineral registram alta de 10,4%; cerveja, de 8,95%; e outras bebidas alcóolicas, de 11,62% - nesse caso, além da alta do dólar, deve pesar o aumento do IPI sobre bebidas quentes, como vinhos e destilados.

O preço do feijão-carioca subiu 37,2%; o da couve, 11,1%; e o do arroz, 9,84%. Quem quiser gastar menos, pode trocar o feijão-carioca pelo feijão-preto, cujo preço subiu apenas 0,64% no período. A farinha de mandioca pode ser uma opção melhor do que a farinha de milho, já que teve alta de 1,95% ante avanço de 14,16% no caso da última.

Já os preços do pão, do leite e dos ovos subiram 11,47%, 3,85% e 10,21%, respectivamente. O sorvete está 14,1% mais caro, enquanto o preço das frutas subiu 10,14%, em média.

Presentes
Já em relação aos presentes, com a queda das vendas ao longo do ano e os estoques ainda elevados - segundo último dado divulgado pela FecomercioSP, 37,8% das empresas do varejo paulistano estavam com estoques acima do adequado em novembro -, o comércio varejista tem investido em promoções e liquidações para tentar atrair os clientes. Os preços dos aparelhos eletrônicos, por exemplo (afetados também pelo lançamento de novos produtos), subiram, em média, apenas 1,41%, mesmo com a alta do dólar. Os televisores tiveram alta de apenas 1,45%, e os microcomputadores, de somente 0,24%.

O preço das roupas, por sua vez, subiu em média 4,3%, bem menos do que a inflação, de 10,48% em novembro, enquanto calçados e acessórios registraram alta de apenas 2,67%. O preço das bolsas subiu 3,16%; o das bijuterias, apenas 4,75%; e o dos tênis, 2,8%.

O preço dos perfumes subiu 6,39%, também menos do que a inflação do período. Assim como os brinquedos, que registraram alta de 8,94% dos preços (levando em consideração os dados de outubro, mês de aumento das vendas no setor). Já as bicicletas estão 10,41% mais caras do que no mesmo período do ano passado.

 

Novo rebaixamento pode levar à venda de US$ 20 bi em títulos


 


Evitar o rebaixamento do Brasil por mais uma agência de classificação de risco é tarefa quase impossível, e isso pode ocorrer, na conta de analistas e economistas, até o primeiro trimestre do ano que vem. A passagem de grau de investimento, que equivale a um selo de bom pagador, para junk (grau especulativo, com maior risco de calote) deve levar investidores a venderem parte dos ativos financeiros atrelados ao país — as projeções chegam a US$ 20 bilhões. Além disso, o custo de captação de recursos ficará mais elevado para as empresas, em um momento de crise econômica interna e perspectiva de juro maior nos Estados Unidos.

A Standard & Poor’s (S&P) retirou o grau de investimento do Brasil no dia 9 de setembro, e na quarta-feira a Moody’s alertou que pode fazer o mesmo em até três meses. O país também é considerado bom pagador pela Fitch, outra agência que prepara a revisão da nota do Brasil. O problema é que alguns fundos de investimento globais têm como regra aplicar apenas em papéis que tenham o selo de bom pagador em duas agências. Sem esse aval, a expectativa é que ocorra uma venda forçada (o chamado sell off) de títulos brasileiros negociados no exterior.

DECISÃO PODE OCORRER NO 1º TRIMESTRE DE 2016

Em meados deste ano, relatório do banco de investimento JP Morgan estimou que a perda do grau de investimento por duas agências levaria a uma venda forçada de US$ 6,2 bilhões em títulos soberanos brasileiros em moeda estrangeira. Além disso, haveria uma retirada provável de US$ 14 bilhões em títulos da dívida de empresas brasileiras. O Deutsche Bank, por sua vez, afirmou ontem em relatório que um novo rebaixamento levaria à revisão das classificações de risco das empresas brasileiras. O setor bancário seria um dos mais pressionados, com US$ 12 bilhões em títulos sob o risco de sell off.

Já o Barclays estima venda líquida de ativos de US$ 1,6 bilhão, já que o movimento de venda seria parcialmente compensado pela compra por investidores especializados em títulos especulativos. Além disso, segundo relatório do banco em outubro, a maior parte dos ativos brasileiros está em fundos exclusivamente dedicados a mercados emergentes, que não exigem grau de investimento.

Para o português Alberto Ramos, economista-chefe do Goldman Sachs para América Latina, a maior parte dos investidores já se antecipou a um eventual downgrade.

— Esses gestores não esperam um rebaixamento para agir. Na verdade, esse movimento já está acontecendo. A perda do grau de investimento, então, não representará surpresa, já está no preço dos ativos. Os investidores já vêm protegendo sua exposição ao risco do Brasil — afirmou Ramos, que prevê que o Brasil perca mais um investment grade “certamente no primeiro semestre de 2016, possivelmente no primeiro trimestre”.

Em relatório a clientes, o banco Santander avaliou que o rebaixamento pela Moody’s “pode acontecer em uma questão de meses, no primeiro trimestre de 2016”. E ressalta que parte desse risco já está no preço dos ativos financeiros. Pablo Spyer, diretor da corretora coreana Mirae Asset Securities, também espera um corte no primeiro trimestre de 2016. Mas, em sua opinião, um downgrade “não está completamente no preço dos ativos”:

— Quando vier o segundo rebaixamento, o país vai sofrer.

Devido a uma sucessão de notícias ruins, Spyer não espera mudança nesse quadro. Segundo analistas, embora o governo possa tomar medidas fiscais, como aumento de tributos, o maior problema é o cenário político. A crise política, que envolve o início do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, não deve ser resolvida a curto prazo, o que aumenta as incertezas sobre a economia brasileira.

Além da possibilidade de downgrade pela Moody’s, em relatório publicado ontem sobre o cenário para os mercados emergentes em 2016, a S&P reafirmou a perspectiva negativa para a nota do Brasil, o que significa a possibilidade de um novo rebaixamento no ano que vem. Como fatores de instabilidade, a agência citou o processo de impeachment e “investigações de empresas e pessoas de destaque”.

Ontem, o dólar comercial avançou 1,55%, a R$ 3,799. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuou 1,04%, aos 45.630 pontos. Na quarta-feira, o anúncio da Moody’s ocorreu próximo ao fechamento dos mercados.

— A ameaça de rebaixamento ajudou a pressionar o dólar — disse Paulo Gomes, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management.

FITCH: MAIOR ‘DOWNGRADE’ DE EMPRESAS

Segundo relatório da Fitch, em 2016 o número de rebaixamentos de firmas brasileiras deve ser dez vezes maior que o de elevação de notas. Atualmente, 31 das 61 companhias brasileiras analisadas têm perspectiva negativa ou já estão em revisão para rebaixamento.

“Entre elas, 12 serão provavelmente rebaixadas se o rating soberano do Brasil for rebaixado em 2016. Apenas três brasileiras têm perspectiva positiva. Inflação alta e juros elevados vão prejudicar a atividade econômica”, afirmou a Fitch.

A agência estima que um terço das empresas brasileiras por ela analisadas gasta hoje mais de metade de sua geração de caixa com o serviço da dívida, frente a 24% no fim de 2013. “As companhias com os maiores percentuais são as que têm grau de investimento e incluem ALL, Gol e CSN”.

Ontem, no fim do dia, a Moody’s rebaixou a nota da Vale, de “Baa2” para “Baa3” — ainda grau de investimento —, com perspectiva negativa. A agência citou a queda nos preços do minério de ferro.

Já a S&P tirou, este ano, o grau de investimento de 11 empresas brasileiras, acompanhando o rebaixamento do país promovido em setembro. Apenas a Rússia, com 15, teve mais empresas perdendo o selo de boas pagadoras.

Após a retirada do grau de investimento pela S&P em setembro, o custo de captação das empresas brasileiras já aumentou. Um dos indicadores dessa tendência é o aumento do rendimento (yield) dos títulos de dívida emitidos pelas empresas de 1º de setembro até ontem. Quanto maior o rendimento, maior o risco identificado pelos investidores e mais a empresa tem de pagar para emitir novos títulos.

— É difícil dizer quanto, mas não há dúvida de que ocorreria aumento do custo de captação das empresas. Isso porque a economia como um todo sai da faixa de confiança e entra na faixa duvidosa. No caso de estatais, o impacto é direto. No restante das empresas, esse impacto se dá de forma indireta — explicou Alex Agostini, economista-chefe na Austin Rating. — Para o mercado, se o país é rebaixado, é porque a politica econômica tem problemas, o que afetará de forma negativa as empresas.

Inflação oficial é a maior para novembro desde 2002

 

A inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 1,01% em novembro, depois de chegar a 0,82% no mês anterior, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a maior taxa para novembro desde 2002, quando atingiu 3,02%. Entre os grupos analisados pelo IBGE, o maior impacto partiu do de gastos com alimentos e bebidas, que ficaram 1,83% mais caros de outubro para novembro.

No ano, de janeiro a novembro, a inflação acumula alta de 9,62% – a maior para esse período desde 2002. Naquele ano, o IPCA havia ficado em 10,22%.

Em 12 meses, o indicador está em 10,48%, bem acima do teto da meta de inflação do Banco Central, de 6,5% ao ano. Essa variação também é a mais intensa desde novembro de 2003, quando atingiu 11,02%.

Entre os itens pesquisados para o cálculo da inflação, o que mais pesou no bolso do consumidor foi o aumento de preços dos combustíveis. O valor do litro da gasolina subiu 3,21% em novembro, ainda reflexo do reajuste de 6% autorizado pela Petrobras desde setembro.

“A taxa desse ano carrega vários reajustes de itens importantes no orçamento, que são as contas que pesam muito no bolso das famílias, energia, água e esgoto, que até ficaram represadas muitos anos, com preços abaixo da inflação”, disse Eulina Nunes, coordenadora de Índice de Preços do IBGE.

Na sequência, entre os maiores impactos estão a telefonia celular (2,13%) e fixa (1,00%), artigos de higiene pessoal (1,22%), roupas infantis (1,19%) e femininas (1,17%), plano de saúde (1,06%), cabeleireiro (0,70%) e empregado doméstico (0,45%).

Com o aumento do preço da gasolina, os outros combustíveis acabaram tendo seus valores reajustados também. Enquanto o custo do litro do etanol aumentou 9,31%, o do óleo diesel subiu 1,76%.

Mesmo com a pressão do aumento desses gastos, o grupo de despesas relativos a transportes, do qual fazem parte, viu sua taxa desacelerar, de 1,72% em outubro para 1,08% em novembro.

“Tem pressão forte do câmbio, tivemos recentemente aumento do óleo diesel, da gasolina, e nós tivemos impacto direto na formação do IPCA. O reajuste do diesel, apesar de o peso ser pequeno [no IPCA], afeta todos os setores, porque o transporte, o frete, é movido a diesel”, afirmou Eulina.

Nos alimentos, os itens comprados para consumo dentro de casa subiram 2,46% e as refeições fora de casa ficaram quase 10% mais caras. Entre os destaques de alta estão a batata-inglesa (27,46%), o tomate (24,65%), o açúcar cristal (15,11%) e o refinado (13,15%).

Além da comida e do combustível, a conta de luz também subiu 0,98%, contribuindo para o ligeiro aumento do grupo de gastos com habitação, cuja alta passou de 0,75% para 0,76%. Também ficaram maiores os preços de artigos de limpeza (1,5%), condomínio (1,35%) e botijão de gás (0,81%).

Por regiões
Entre todas as capitais analisadas pelo IBGE, a inflação foi mais pesada em Goiânia (1,44%), reflexo da alta dos alimentos consumidos em casa.

O menor índice foi registrado em Brasília (0,66%) devido, principalmente, à queda de 0,55% nos alimentos consumidos fora de casa.

INPC
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) registrou alta de 1,11% em novembro, depois de atingir 0,77% em outubro. No ano, o índice acumula alta de 10,28% e, em 12 meses, de 10,97%.

Previsões
A previsão dos economistas do mercado financeiro é que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche 2015 em 10,44% e o Produto Interno Bruto (PIB) registre queda de 3,5%. Se confirmado, será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando houve retração de 4,35%.

“Tem sido mais afetada pela inflação porque uma parcela maior dos alimentos vem subindo, energia, ônibus. Desde o mês passado, as famílias de mais baixa renda já estavam com 10%, com 10,33 [%] e agora já está lá no 11 [%], com 10,97%.”

 

Vendas de imóveis novos em SP caem 20% em outubro

Em outubro, as vendas de imóveis novos residenciais na capital paulista somaram 1.112 unidades, registrando uma queda de 20% em relação ao valor de setembro, segundo pesquisa do sindicato da habitação (Secovi) .

"A queda nas vendas no ano reflete o ambiente desafiador que o país atravessa, em razão das crises política, econômica e institucional", diz o sindicato, em nota.

Frente ao mesmo mês de 2014, o resultado mostrou alta de 15,5%. "Cabe ressaltar que 2014 já apresentava uma base de comparação abaixo do normal, já que as eleições de outubro acabaram afetando o desempenho do mercado."

No acumulado do ano, de janeiro a outubro, foram comercializadas 14.810 unidades residenciais novas, um recuo de 3,4% frente ao mesmo período de 2014, quando foram vendidas 15.337 unidades.

Frente ao mesmo mês de 2014, o resultado mostrou alta de 15,5%. "Cabe ressaltar que 2014 já apresentava uma base de comparação abaixo do normal, já que as eleições de outubro acabaram afetando o desempenho do mercado."

No acumulado do ano, de janeiro a outubro, foram comercializadas 14.810 unidades residenciais novas, um recuo de 3,4% frente ao mesmo período de 2014, quando foram vendidas 15.337 unidades.

Lançamentos
Em outubro, foram lançadas 1.769 unidades residenciais na cidade de São Paulo, 67,4% superior ao mês de setembro. Já em relação ao mesmo mês de 2014, houve queda de 29,6%. No acumulado do ano, a redução de lançamentos alcança 31,3%, "confirmando que o mercado vem se ajustando".

Com 1.054 unidades, imóveis de dois dormitórios participaram com 59,6% do total de lançamentos, seguidos pelos segmentos de um dormitório, com 23,9%, e de três dormitórios, com 16,6%. No período, não houve lançamento de quatro ou mais dormitórios.

Previsões
Diante do resultado de outubro, o Secovi refez seus cálculos de projeções para o final de 2015. Neste ano, deverá haver redução de 20% nas vendas em relação a 2014, com um total de 17,3 mil unidades.

O número de lançamentos também deverá sofrer queda de 38% em relação a 2014, com um total de 21 mil unidades.

 

Enxurrada inédita de rebaixamentos no Brasil ainda pode piorar


Em meio ao tumulto econômico e político do Brasil, as empresas do país viram um número recorde de rebaixamentos neste ano — e o total está prestes piorar. A Fitch Ratings estima que poderá cortar as classificações de até dez empresas para cada uma que elevar em 2016. A Fitch disse que esse cenário sombrio é mais provável se a agência reduzir a nota do Brasil, uma possibilidade que cresce cada vez mais com a piora dos problemas do país.

O presidente da Câmara dos Deputados autorizou o início de um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff na semana passada, uma decisão que poderá minar ainda mais as finanças do país e ampliar a pior recessão em 25 anos. Isso significa problemas para as empresas que já estão encontrando dificuldades para obter financiamento após um escândalo de corrupção sem precedentes na Petrobras.

“É uma tempestade perfeita”, disse Ricardo Carvalho, diretor sênior de análise corporativa da Fitch no Brasil.

A Fitch tem uma perspectiva negativa para o Brasil e para as notas de mais da metade das empresas brasileiras que classifica. Sua nota “BBB-” para os títulos soberanos é o grau de investimento mais baixo possível. A Standard & Poor’s cortou o país para grau especulativo em setembro.

As empresas brasileiras responderam por 11 dos 15 calotes em bonds na América Latina neste ano em um momento em que uma crescente investigação de corrupção na Petrobras mina os setores de construção e bancário do país. Os outros quatro foram na Argentina e no México.

Na sexta-feira, a Fitch rebaixou o banco de investimento BTG Pactual do grau de investimento para especulativo depois que o então presidente do banco André Esteves foi preso por supostamente obstruir a investigação da Operação Lava-Jato.

O escândalo de corrupção na Petrobras e em suas empreiteiras ajudou a impulsionar os custos médios em dólares dos empréstimos para empresas brasileiras em 3,16 pontos percentuais neste ano, para 9,54%, segundo o índice USD Emerging Market Corporate da Bloomberg.

REFINANCIAMENTO

Os yields crescentes ameaçam tornar mais difícil para as empresas endividadas do Brasil o refinanciamento de dívidas. Um total de US$ 30 bilhões em títulos no exterior vencerá nos próximos dois anos.

— A alta alavancagem e a queda do crescimento produzem um fluxo de caixa negativo, o que resulta em rebaixamentos — disse Michael Roche, estrategista de renda fixa para mercados emergentes da Seaport Global Holdings em Nova York.

As crescentes taxas de juros no Brasil também tornarão a captação local de recursos mais cara. O Banco Central elevou sua taxa básica, a Selic, para 14,25%, o nível mais alto em oito anos, com o objetivo de conter a crescente inflação na segunda maior economia da América Latina.

— Você verá empresas queimando caixa — disse Carvalho, da Fitch. — O mercado transfronteiriço está fechado para as empresas brasileiras e o mercado local é seletivo.



 


Produção de veículos no Brasil cai 33%




A produção de veículos do Brasil caiu 14,2% em novembro na comparação com outubro e recuou 33,5% sobre o mesmo mês de 2014, para 176 mil unidades, informou a associação de montadoras Anfavea.

Enquanto isso, as vendas de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus novos subiram 1,6% na comparação mensal e diminuíram 33,8% na relação anual, para 195,2 mil unidades.

No acumulado do ano até novembro, a indústria amarga queda de 22,3% no volume produzido, perto da projeção da Anfavea de recuo em 2015 de 23,2%, para 2,418 milhões de veículos.

Diante da fraqueza na produção, o setor terminou novembro com 131.190 postos de trabalho ocupados, uma queda de 10,2% sobre novembro de 2014.

A exportações, porém, acumulam crescimento de 18,9% no número de veículos montados, para 369.459 unidades, segundo os dados da Anfavea. Mas em valores, o setor tem queda de 1,2% de janeiro a novembro nas exportações, para US$ 8 bilhões.



 

BC dá novos sinais de que pode subir juros

 

Apesar de o país atravessar a recessão mais grave em pelo menos duas décadas, o Banco Central reafirmou a indicação de que pode vir a apertar ainda mais os juros para controlar a inflação. Na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada, a mensagem é que a crise deve ser mais profunda por causa do descontrole das contas do governo. Por outro lado, os impactos da alta do dólar e do tarifaço teriam chegado ao fim. Assim, a inflação deve ficar na meta 2017, mas o risco é ela estourar novamente no ano que vem. Por isso, dois diretores queriam que a alta dos juros já tivesse começado na semana passada. Eles foram votos vencidos.

“Parte de seus membros argumentou que seria oportuno ajustar, de imediato, as condições monetárias, de modo a reduzir os riscos de não cumprimento dos objetivos do regime de metas para a inflação. No entanto, a maioria dos membros do Copom considerou monitorar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião para, então, definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária”, concluiu o Copom.

Com a resistência dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Sidnei Corrêa Marques, e de Assuntos Internacionais, Tony Volpon, a taxa básica de juros ficou estável em 14,25% ao ano.

Para indicar que está disposto a apertar a política de juros, o Copom trocou a promessa de se manter vigilante pela que adotará as medidas necessárias para trazer a inflação para a meta em 2017. Os diretores retiraram do texto a expressão "horizonte relevante" e se comprometeram publicamente com uma data certeira, já que muitos analistas entendiam que o horizonte relevante poderia ser no terceiro trimestre do ano que vem.

“O Comitê adotará as medidas necessárias, de forma a assegurar o cumprimento dos objetivos do regime de metas, ou seja, trazer a inflação o mais próximo possível de 4,5% em 2016, circunscrevendo-a aos limites estabelecidos pelo CMN, e fazer convergir a inflação para a meta de 4,5% em 2017”.

No entanto, deixou claro que faria isso apenas para ancorar as expectativas para que a inflação deste ano e do ano que vem não contaminem 2017. Isso porque o próprio BC frisou que, nas suas projeções, a inflação já está perto da meta em 2017.

Para isso, colabora o fato de o dólar ter dado uma trégua e que 2016 não terá tanto aumento de gasolina ou conta de luz. O Copom indicou que os impactos do câmbio e do tarifaço nos preços ao consumidor podem ter terminado quando mudou o tempo verbal e disse que esses ajustes “fizeram” com que a inflação se “elevasse” neste ano. Na ata do Copom anterior, os dois verbos estavam no presente.

Antes de dizer que o impacto chegou ao fim, o Banco Central reajustou suas apostas e aumentou a inflação dos preços das tarifas públicas neste ano de 16,9% para 17,7%. Isso porque espera uma alta da gasolina de 17,6% e não mais de 15%; e de 21,7% no bujão de gás e não mais de 19,9%. O pior impacto será o da conta de luz, que também será maior que o esperado: a projeção subiu de 51,7% para 52,3% neste ano.

 

Para o futuro, o principal medo do BC continua a ser as contas públicas. O Copom intensificou o discurso de que precisa que o governo faça um ajuste nas contas públicas o mais rápido possível. Colocou na ata que essa incerteza tem tido um impacto negativo nas expectativas de inflação.

Depois de o governo ter anunciado a previsão de déficit deste ano, o BC admitiu que o país terá rombo nas contas públicas. Até então, o Copom trabalhava com superávit para este ano, coisa descartadas por todos os analistas. Agora, o Banco Central admitiu que o país terá um déficit de 0,85% do PIB.

O Bradesco divulgou hoje que sua previsão é de um quadro muito pior. O banco lembrou que o Congresso Nacional aprovou ontem o projeto de lei que autoriza a redução da meta fiscal deste ano de um superávit de 1,1% do PIB para um déficit de 0,9% do PIB, mas isso poderia chegar a 2,1% do PIB, caso as pedaladas sejam pagas e também abatidas as frustrações com as receitas das concessões esperadas para este ano.

“Para o próximo ano, prevemos novo déficit, equivalente a 0,5% do PIB”, conclui o diretor de Pesquisas, Octavio de Barros.

SP tem mais de 1,7 milhão de famílias endividadas

A proporção de famílias endividadas na cidade de São Paulo subiu 5,5 pontos percentuais em um ano e atingiu 49,3% em novembro, segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). No mesmo mês de 2014, eram 43,8%. Em números absolutos, o total de famílias com dívidas passou de 1,571 milhão para 1,767 milhão - aumento de 196 mil famílias.

Na comparação com outubro, o indicador caiu 3,1 pontos porcentuais, queda que reflete o movimento sazonal, uma vez que os consumidores costumam evitar novas dívidas no período, já se planejando para os gastos de fim de ano, e também aproveitar a antecipação do 13º para quitar empréstimos antigos.

O aumento do número de endividados em um ano foi puxado principalmente pelas famílias de baixa renda, segundo a FecomercioSP. Para as que ganham até 10 salários mínimos, houve alta de 6,2 pontos porcentuais, de 47% para 53,2%. Já entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, a proporção de endividadas atingiu 37,9% em novembro, ante 34,5% no mesmo mês de 2014.

Inadimplência
No comparativo mensal, a proporção de famílias com contas em atraso caiu em relação a outubro e passou de 18% para 17,1%. No entanto, a parcela de inadimplentes subiu 6,6 pontos porcentuais em relação a novembro de 2014, quando a proporção estava em 10,5%. O índice foi puxado pelas famílias de baixa renda. Entre os que ganham até 10 salários mínimos, a inadimplência atingiu 20,8%, ante 23,2% em outubro e 13,3% em novembro de 2014. Por outro lado, entre as famílias com renda acima de 10 salários mínimos, a proporção ficou em 8,5%, contra 6,4% em outubro e 4% em novembro de 2014.

A proporção de famílias de baixa renda que não terão condições de pagar as contas nos próximos meses, por sua vez, ficou em 9,5% (ante 9,9% em outubro e 4,8% em novembro de 2014). Entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, a proporção passou de 1% em novembro do ano passado para 2% em outubro, e ficou nos mesmos 2% em novembro de 2015.

Tipo de dívida
Com relação ao tipo de dívida, o campeão ainda é o cartão de crédito. Em novembro do ano passado, a proporção estava 67%, ante 73,7% em outubro e os 73,9% atuais. Entre os endividados de baixa renda, esse número foi ainda maior (77%).
Na comparação mensal, também houve alta no item crédito pessoal, que passou de 10,9% em outubro para 12,1% em novembro. Já financiamento de carro atingiu 18,4%, ante 18% em outubro; seguido por financiamento de casa, que foi de 12,8% para 12,7%; e cheque especial, que passou de 8,2% para 7,7%.

Comprometimento de renda
Entre os consumidores endividados, 39,7% têm dívidas com prazo médio de mais de um ano; outros 21,9% têm dívidas de até três meses; 19,5% têm a renda comprometida por um prazo entre três e seis meses; e 15,9% têm a renda comprometida por um período de seis meses a um ano.

 

                           Brasil chegou à pior recessão desde os anos 90?        

No início do ano já se sabia que 2015 seria um ano difícil, mas poucos poderiam prever uma deterioração tão rápida e, ao mesmo tempo, persistente da economia brasileira.

Segundo dados divulgados  pelo IBGE, de julho a setembro o PIB dopais se retraiu 1,7% frente ao segundo trimestre do ano e 4,5% frente ao mesmo período de 2014. Na comparação interanual trata-se da pior queda desde o início da séria histórica do instituto, em 1996.

"Inicialmente a previsão do governo era que a atividade econômica cairia nos dois primeiros trimestres de 2015 e começaria a se recuperar justamente de julho a setembro", lembra o economista da Unicamp André Biancarelli.

"O que aconteceu, porém, foi que o último trimestre foi o pior de todos. Ou seja, a crise ainda está se aprofundando e, infelizmente, não temos horizonte para uma melhora."

Até o governo, que em abril falava em uma contração da economia de 0,9% em 2015, agora já admite uma queda de 3,1% no PIB, o que seria a maior recessão desde 1990.

Nos últimos 12 meses, pelo menos 825 mil pessoas perderam seus postos de trabalho segundo o IBGE. Os investimentos se paralisaram e a renda dos trabalhadores caiu.

Para completar, ainda não parece haver luz no fim do túnel. Segundo previsões do Banco Central a recessão deve durar pelo menos mais três trimestres.

"Esperamos uma queda do PIB de - 3,2% em 2015 e - 2% em 2016, ou seja, dois anos consecutivos de recessão, algo que não se via desde 1930", diz a economista da Consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro.

"Nessa toada, o risco é que o segundo mandato de Dilma Rousseff termine com uma média de crescimento negativa", acrescenta Biancarelli.

Mas, afinal, como a situação se deteriorou a esse ponto?

Economistas consultados pela BBC Brasil listaram cinco fatores que agravaram a recessão nos últimos meses. Confira:

1 – Lava Jato e preços do petróleo

Segundo cálculos da Tendências, a operação Lava Jato deve ter um impacto de -2,5% no PIB deste ano em função das paralisações nas atividades da Petrobras e de algumas das maiores construtoras do país.

Isso significa que, não fossem os efeitos das investigações nas empresas, a queda do PIB poderia ser de 0,7% na estimativa da consultoria – que hoje projeta uma retração de 3,2% para a economia em 2015.

Empresas como a Odebrecht e a Camargo Correa, além da própria estatal petrolífera, revisaram seus investimentos e os contratos com parceiros e fornecedores, além de ter feito demissões.

"O setor de óleo e gás e a construção civil têm uma participação importante no total dos investimentos da economia – então era esperado que o efeito fosse significativo", explica Ribeiro.

André Perfeito, da Gradual Investimentos, ressalta que a Petrobras também foi afetada pela queda dos preços do petróleo.

Em agosto de 2014, o barril (tipo brent) estava na casa dos US$ 100. Hoje, não passa dos US$ 50.

"Isso altera as perspectivas para os projetos do pré-sal e obriga a empresa a revisar alguns de seus planos", diz Perfeito.

 

Gasto com presente de Natal deve ser o menor em 10 anos

O gasto médio com presentes de Natal em 2015 deve ser o menor em dez anos. Segundo pesquisa realizada pela Fecomércio RJ/Ipsos, a despesa deverá ser de R$ 138,47, em média. Em 2014, esse valor chegou a R$ 223,83, informou a entidade.

O levantamento mostrou, no entanto, que 53% dos brasileiros pretendem presentear alguém neste Natal. Isso representa uma injeção de R$ 10,6 bilhões na receita do comércio, e equivale a 77,1 milhões de clientes.

As lembrancinhas foram apontadas por 42% dos entrevistados como preferência de presente, seguidas por roupas e acessórios, escolha de 40% dos ouvidos.

13º salário
Quase a metade dos ouvidos na pesquisa, 46%, afirmaram que irão utilizar o décimo terceiro salário no pagamento de dívidas, enquanto 24% revelaram que vão adquirir algum produto ou serviço e poupar.

Entre as prioridades no gasto do 13º salário, 12% informaram despesa com lazer, 8% com a reforma da casa, e 1% com tratamentos médicos e estéticos. Aqueles que não sabem o que fazer com o “dinheiro extra” ou não responderam chegaram 10%.

O percentual de homens que recebem o benefício totalizou 40% e manteve-se superior ao sexo feminino, 30%. No entanto, a parcela de brasileiros que recebem o décimo terceiro caiu 8 pontos percentuais em relação ao ano passado. Foi apontado por 34%, o equivale a cerca de 49,7 milhões de beneficiários em todo o país.

A pesquisa também mostrou que 32% dos brasileiros que recebem o 13º salário terá a segunda parcela paga - ou o benefício integral - no mes de novembro, 60% em dezembro. Em 2014, estes dois meses foram os mais citados para o recebimento, com percentuais de 40% e 61%, respectivamente.

Modalidade de pagamento
O pagamento à vista foi a apontada pela maioria das pessoas que mostraram intenção de presentear, 83%. Enquanto 8% mostraram preferência pelo parcelamento das compras, e o pagamento em parte à vista e outra parte parcelada foi a opção de 7%.

Entre os brasileiros ouvidos, 80% revelaram que realizarão suas compras preferencialmente em lojas nas ruas. Shoppings Centers deverão ser a opção de 25%.

A pesquisa foi realizada pela Fecomércio RJ/Ipsos, entre os dias 15 e 29 de outubro, e contou com a opinião de 1.200 consumidores em 72 municípios brasileiros.

 

MP vai recomendar pagamento de todas as pedaladas em 2015


 

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) vai defender que o governo pague ainda em 2015 todo o estoque das pedaladas fiscais - atrasos nos repasses de recursos do Tesouro Nacional para bancos públicos ocorridos nos últimos anos. A equipe econômica vem tentando negociar com a Corte um cronograma para a quitação dessas dívidas, que somam R$ 57 bilhões. No entanto, para o procurador Júlio Marcelo de Oliveira, esse passivo precisa ser resolvido de uma vez.

Em abril, o TCU considerou que as pedaladas foram um descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Ao atrasar os repasses para bancos como Caixa, BNDES e Banco do Brasil, o Tesouro obrigou essas instituições a usarem recursos próprios para honrar despesas da União. Assim, os ministros entenderam que, na prática, o governo federal acabou realizando operações de crédito com os bancos públicos, o que é vedado pela LRF. Os atrasos foram feitos para tentar melhorar artificialmente o resultado das contas públicas.



Depois da condenação, o governo apresentou um recurso ao TCU, que tem como relator o ministro Vital do Rego. Para ser julgado pelo plenário do Tribunal, o caso precisa receber um parecer do Ministério Público, que está sendo elaborado por Oliveira. Segundo o procurador, o parecer deve ser divulgado ainda esta semana.

Quando as pedaladas foram julgadas, o ministro relator do caso, José Múcio Monteiro, recomendou que os atrasos fossem regularizados e sugeriu que o governo indicasse um cronograma para o acerto. No entanto, para Oliveira, passados sete meses da decisão, não faz mais sentido parcelar o pagamento.

— Em abril, falou-se num cronograma. Mas agora já estamos no fim do ano. O acerto tem que ser feito agora. Não podemos criar exceção ou atrasar o cumprimento da LRF. Essa dívida (das pedaladas) é ilegal — disse o procurador.



 

13º salário será para pagamento de dívidas

Nem poupança, nem compras de Natal. Para 46% dos entrevistados na pesquisa encomendada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) com pessoas que recebem 13º salário, o destino para o dinheiro extra é o pagamento de dívidas. Outros 18% pretendem fazer compras de Natal, e 14% afirmam que o valor vai para poupança ou investimentos. Já a pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que quase um terço dos consumidores que recebem o dinheiro extra no final do ano irão economizar ou investir. Entre os que não pretendem gastar tudo no Natal, 30% têm como objetivo quitar as dívidas.

A primeira parcela do 13º salário deve ser paga até o próximo dia 30.

De acordo com o estudo da Fiesp, 48% responderam não haver possibilidade nenhuma de contrair dívidas, o maior número registrado desde 2009. Em 2014 a mesma afirmação foi feita por 29% dos entrevistados. Sobre o presente de Natal, 23% dos entrevistados pretendem gastar menos do que no ano passado. Em 2014 a mesma resposta foi dada por 11%.

O estudo do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra ainda que quatro em cada dez brasileiros (43%) irão utilizar ao menos parte do 13º para a compra de presentes de Natal.

Entre os que recebem o benefício e não irão gastar tudo com as compras de Natal, 31% dos entrevistados pelo SPC pretendem destinar os recursos do 13º salário a uma poupança ou investimentos, e 24% pretendem quitar dívidas para organizar a vida financeira.

No entanto, se comparado com 2014, opção de economizar e/ou investir caiu de forma significativa (31% em 2015 ante 46% em 2014) e aumentou o percentual de pessoas que não sabem o que irão fazer com o 13º salário (16% em 2015; 5% no ano passado).

Cerca de 5% utilizarão o salário extra para quitar as dívidas também, mas apenas para que possam fazer novas compras, considerado um motivo errado pela economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

"O dinheiro do 13º deveria ser primeiramente pensado para pagar dívidas pendentes, empréstimos ou para investir. Se o consumidor tem apenas uma dívida em aberto, é mais fácil resolver o problema. Caso exista mais de uma, o ideal é escolher aquela que está atrasada ou optar pelo valor com juros mais altos como, por exemplo, cheque especial e cartão de crédito”.

Mesmo que um salário a mais no final do ano ajude bastante, 38% dos entrevistados pretendem fazer bicos ou outras atividades que possam gerar uma renda extra, para comprar mais presentes ou presentes melhores para o Natal, principalmente as mulheres e pessoas das classes C/D/E.

Grupo chinês compra 23,7% da Azul por R$ 1,7 bi


 

A Azul linhas aéreas anunciou um acordo com o conglomerado chinês HNA Group para a venda de uma fatia de 23,7% da companhia por R$ 1,7 bilhão. A transação dá direito aos chineses a um assento no conselho de administração.

- O investimento de R$ 1,7 bilhão de uma empresa estrangeira num momento tão sensível da nossa economia, avaliando nossa empresa em R$ 7 bilhões, mais que a Alpargatas - Camargo Côrrea vendeu a empresa nesta segunda para a J&F por R$ 2,66 bilhões - mostra a confiança em nosso modelo de negócio e na equipe da Azul - disse ao GLOBO o presidente da Azul, Antonoaldo Neves.


Neves explicou que o grupo chinês comprou ações preferenciais da empresa e que o controle da Azul continua sendo do empresário David Neeleman, fundador e CEO da companhia aérea, que detém 67% das ações ordinárias da empresa. A legislação brasileira estabelece o teto de 20% para o capital estrangeiro no controle de empresas de aviação brasileiras.

A parceria une empresas dos dois mercados de aviação que mais crescem no mundo. A Azul oferece mais de 900 voos diários a 100 destinos. Já o HNA é o quarto maior grupo de aviação da China em termos de frota e opera 561 aeronaves em 630 rotas domésticas e internacionais.

O investimento dos chineses na Azul começou a ser negociado em setembro, quando Antonoaldo e Neeleman viajaram para a China. Eles haviam conhecido o CEO do grupo HNA, Chen Feng, numa feira de negócios Brasil/China, em maio, em Brasília. Duas semanas depois, foram procurados por uma consultoria que trabalha para as duas companhias.

- Eles nos contaram os planos de expansão do HNA Group no exterior e decidimos viajar para a China, quando as conversas começaram. Havia muitas afinidades entre as duas empresas: eles tinham interesse em expansão na aviação regional, como faz a Azul, e na tecnologia do modelo de low cost. Nós tínhamos interesse num acionista e no mercado asiático – disse Neves.

A Azul é a terceira maior companhia aérea do país e o negócio tem o objetivo de aproveitar o aumento substancial do tráfego de passageiros entre China e Brasil. De acordo com comunicado divulgado pela Azul, o investimento trará importantes benefícios para a companhia, entre eles fortalecimento do caixa, com amortização de dívidas, e continuidade do plano de renovação de frota. Para os passageiros, também haverá benefícios, já que a Azul poderá atuar no mercado asiático através do compartilhamento de voos, desenvolvimento de novas rotas e expansão dos programas de fidelidade.

“O acordo permitirá otimizar as parcerias entre a Azul e o HNA Group, podendo resultar na entrada da companhia no mercado asiático por meio de acordo de interline e codeshare” afirmou no comunicado David Neeleman, fundador e CEO da Azul.

Os planos para que um passageiro tome um avião da Azul no Rio de Janeiro ou São Paulo e desembarque na China serão definidos nos próximos seis meses, disse o presidente da Azul.

A Azul já tinha vendido 5% de suas ações para a americana United Airlines, do grupo United Continental, em junho deste ano, por US$ 100 milhões. Também um consórcio liderado por Neeleman venceu a disputa pela compra de 61% da ex-estatal portuguesa TAP.

A compra das ações da Azul é o primeiro investimento do HNA Group na América Latina. Nas duas últimas décadas, o grupo cresceu e passou de uma companhia aérea para um conglomerado global com atuação nos setores de aviação, indústria, financeiro, turismo e logística, com mais de 110 mil funcionários. O HNA Group integra a lista Fortune Global 500 de maiores empresas do mundo.

“O HNA Group está comprometido com a expansão da indústria da aviação por meio de investimentos estratégicos em companhias com forte posição de mercado e excelentes equipes de gerenciamento. Estamos felizes com a parceria com a Azul para dar mais opções e conveniência a nossos clientes voando para e do Brasil. Estamos ansiosos para trabalhar com o fundador da Azul David Neeleman e sua equipe para o benefício mútuo das duas companhias”, afirmou em nota Adam Tan, presidente do HNA Group.

A estratégia de internacionalização do grupo chinês conta com várias aquisições e fusões com companhias estrangeiras. Recentemente o grupo fez um investimento na Swisspor. É o quarto maior grupo de aviação da China em termos de frota e opera 561 aeronaves em 630 rotas domésticas e internacionais. A receita anual do HNA é de US$ 25,6 bilhões.

Passagens aéreas têm alta de até 80%

As viagens de avião para aproveitar as festas de fim de ano estão pesando no bolso dos brasileiros, principalmente se o destino for cidades do Nordeste e capitais turísticas. Levantamento do site Decolar.com — especializado em venda de passagens, hospedagem e pacotes turísticos —o aumento médio do bilhete para embarques entre os dias 20 e 31 de dezembro chega a 80% sobre o valor cobrado no mesmo período do ano passado. Este é o caso de Natal, por exemplo. Para Porto Seguro, a alta é de 60%; nos voos para Salvador e Recife, o preço do bilhete subiu 54%. Viajar para Fortaleza está custando 45% mais caro; para Florianópolis, 41%; e para o Rio, 35%.

Os preços também estão mais salgados nas viagens para fora do país nessa época do ano. As altas mais expressivas foram nos voos para Buenos Aires, de 41%; para Santiago, com elevação de 24%; e Lisboa, com alta de 22%. Miami e Nova York são exceções, com quedas de 14% e 11%, respectivamente, nos preços das passagens. O levantamento foi feito com base nas vendas de passagens e pacotes para embarque entre os feriados de Natal e Ano Novo. Os destinos citados estão entre os mais procurados nos mercados doméstico e internacional, segundo o site Decolar.com.

“De uma maneira geral, podemos observar que, mesmo com as diversas promoções durante o ano, para alta temporada a maioria dos destinos apresentou um aumento no ticket médio”, informa o site.

Segundo especialistas, as empresas estão aproveitando a procura tradicionalmente elevada nessa época do ano para recompor margens. O professor de Engenharia do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) Alessandro Oliveira lembrou que, entre agosto e dezembro do ano passado, a inflação das passagens aéreas subiu 45%, de acordo com o IPCA, medido pelo IBGE. No entanto, com o agravamento da crise econômica ao longo de 2015, os passageiros sumiram, principalmente os corporativos, que costumam viajar em cima da hora a negócios e pagar preços mais altos.

Para evitar aviões vazios e prejuízos na certa, as empresas intensificaram as promoções fora da temporada e, com isso, os preços dos bilhetes caíram, em média, 30% entre janeiro e outubro, no cômputo geral. No IPCA-15, divulgado na última quinta-feira, os preços recuaram, em média, 5,36% em relação a outubro. Para novembro, ainda é uma incógnita, disse Oliveira, mas, em dezembro, a inflação das passagens deve voltar a subir 7% em média.

— Acredito que o preço dos bilhetes vá subir em dezembro porque muita gente viaja independentemente da crise, tem o 13º salário. Mas a alta deverá ficar um pouco abaixo da registrada no ano passado, considerando todos os destinos ofertados pelas empresas — avaliou Oliveira.

Empresas terão prejuízo

Ele lembrou que, para minimizar os prejuízos, agravados com a alta do dólar, as empresas intensificaram os cortes de voos, principalmente nos últimos meses, e a tendência é que ação resulte em aumento de preços, com o início da alta temporada. Segundo informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), neste mês TAM, Gol e Azul fizeram, ao todo, 16 solicitações de redução de voos no mercado doméstico e internacional. Alguns cortes já começaram a vigorar em novembro; outros, em dezembro e janeiro.

O professor de Transporte Aéreo da UFRJ Elton Fernandes destacou que as empresas vão fechar o ano com prejuízo histórico, apesar de a taxa de ocupação dos aviões ter se mantido elevada durante o ano devido às promoções. Há uma tendência natural de aumento dos bilhetes no fim de ano, disse. No entanto, apesar dos cortes na oferta de voos, as companhias mantiveram o quadro de pilotos e comissários e estão com aviões ociosos. Significa que essa infraestrutura pode ser acionada a qualquer hora dependendo da demanda, ressalta.

— Olhar os preços só do ponto de vista do passageiro pode levar a uma visão enviesada. Preços muito baixos são incompatíveis no cenário de custos elevados — destacou Fernandes.

 

PIB do Rio foi o que menos cresceu no país entre 2010 e 2013



O Rio de Janeiro foi o estado com menor avanço do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2010 e 2013, com 5,7%, segundo os dados das contas regionais do IBGE divulgados. A média nacional foi de 9,1%. O melhor desempenho foi do Mato Grosso, com alta de 21,9%.

Considerando apenas o ano de 2013, o PIB fluminense cresceu 1,2%, também abaixo da média nacional, de 3%. Naquele ano, o estado com pior desempenho foi o Espírito Santo, com 0,1%.

Em 2013, 13 estados tiveram desempenho acima da média nacional. A maior alta foi do Rio Grande do Sul, com expansão de 8,2%. O resultado foi puxado pela agricultura, especialmente devido às culturas de soja, arroz e milho. No mesmo ano, o Rio respondeu por 11,8% do PIB nacional. São Paulo representou 32,1% da atividade econômica do país. Os dados fazem parte da nova série de contas nacionais do IBGE.

O Rio de Janeiro foi o segundo estado com maior crescimento em participação no PIB nacional em 2013, frente a 2010. Em 2010, era de 11,6%.

Em 2013, o Distrito Federal manteve o primeiro lugar no PIB per capita, com R$ 62.859,43, ante R$ 26.445,72 do Brasil.

O crescimento menor do Rio de Janeiro pode ser explicado pelo desempenho da indústria extrativa, de petróleo, que teve quedas em 2012 (2,1%) e 2013 (3%). São números que apontam o volume da evolução da economia. Por outro lado, a maior participação do estado tem a ver com preço do petróleo, que subiu no período.

— A indústria extrativa do Brasil veio pior e os principais estados são Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pará e Espírito Santo. Foi a indústria extrativa que ajudou a puxar para baixo o crescimento do Rio. Já o preço do petróleo subiu e o preço afeta a participação dos estados — afirmou o gerente de contas nacionais do IBGE, Frederico Cunha.

Crise ‘tira’ R$ 42 bilhões do bolso dos brasileiros


 

A saída encontrada pelo especialista em rede de dados Valdnei Dias Batista para chegar ao fim do mês sem entrar no vermelho foi controlar com mão de ferro seus gastos. As idas ao cinema e teatro foram reduzidas, o carro foi deixado em casa e ele passou a ir trabalhar de moto. No supermercado, está atento às promoções, além de optar por marcas mais baratas. Tudo isso para lidar com o aumento dos preços e com a perspectiva de que o reajuste de salário não será suficiente para compensar essa inflação.

Ainda consigo me virar porque não perdi o emprego, mas tive que diminuir o meu padrão de gastos. Estou fazendo isso há quatro meses, sendo mais seletivo — disse, acrescentando que a prioridade é manter as duas filhas, que moram com a ex-mulher, em escola particular.

O comportamento de Batista é reflexo do cenário atual. Com desemprego, inflação e menores reajustes salariais, a massa real de rendimentos, ou seja, a soma dos ganhos de todos os trabalhadores, deve atingir este ano o seu menor nível desde 2011. Cálculos do Santander mostram que esse total de salários terá dois anos seguidos de queda e atingirá no ano que vem R$ 600 bilhões, levando em conta os ganhos nas seis principais regiões metropolitanas brasileiras, acompanhadas pelo IBGE na Pesquisa Mensal de Emprego.

Desemprego maior

Segundo Rodolfo Margato, economista do Santander, o resultado nas maiores metrópoles do país reflete o ganho dos trabalhadores em todo o país. A redução de R$ 42 bilhões na massa salarial metropolitana — sendo de R$ 26 bilhões em 2015 e de R$ 16 bilhões no próximo ano — terá efeitos diretos no consumo das famílias.

A perda no rendimento das famílias é consequência direta do aumento do desemprego, que tende a se intensificar no próximo ano, ficando em torno de 10% — em setembro estava em 7,6% nas metrópoles. Com o mercado de trabalho mais fraco, quem está empregado tende a receber reajustes anuais abaixo da inflação, que está em 9,9% no acumulado de 12 meses encerrados em outubro. E, com mais trabalhadores desempregados, a soma dos rendimentos de quem está ocupado fica menor.

— Tudo isso faz com que haja um impacto no consumo das famílias e isso já aparece em alguns setores do varejo. Outro impacto será a inadimplência, que deve começar a subir no ano que vem por conta do desemprego e do orçamento mais apertado das famílias — diz Margato.

Se no início o trabalhador mais atingido por esse cenário era o da construção civil e da indústria de transformação, setores em que o corte de vagas é maior, agora os profissionais de outras áreas também começam a conviver com o fantasma do desemprego. No comércio e no varejo, esse processo já teve início. E mesmo quem mantém o emprego está vendo o seu salário ser corroído pela inflação ou pela perda de renda de alguém do mesmo núcleo familiar.

— O enfraquecimento da economia reduz o poder de barganha dos trabalhadores. Há uma substituição de mão de obra mais cara pela mais barata. Os dissídios salariais também tendem a ficar abaixo da inflação. Esperamos recuperação da massa de rendimentos só em 2017, quando deve crescer 2,3% — prevê o economista.

CONSUMO MENOR

Essa alta, no entanto, não seria suficiente para compensar os recuos esperados para 2015 (-4%) e 2016 (-2,6%).

Com menos recursos no bolso, o trabalhador acaba comprando menos. A primeira categoria de produtos atingida foi a de bens duráveis, como automóveis e eletrodomésticos, que dependem muito de compras com financiamento. A segunda etapa foi reduzir gastos com calçados e vestuário. Por último, o carrinho de supermercado começou a mudar, passando a ter menos itens e marcas mais baratas.

O economista-chefe do Haitong Banco de Investimento, Jankiel Santos, lembra que não há uma expectativa de recuperação no padrão de compra das famílias.

— No ano passado, não havia retração de consumo em itens não atrelados ao crédito, como combustíveis e alimentos. Este ano começa a acontecer. É um processo que não tem uma reversão tão rápida — avaliou.

A Pesquisa Mensal de Comércio, do IBGE, mostra que as vendas de veículos, motos e peças estão em forte queda desde março de 2014. Já o comércio de móveis vem encolhendo mensalmente desde julho do ano passado. No ramo de roupas e calçados, as perdas começaram em dezembro de 2014 e, nos supermercados e hipermercados, em janeiro deste ano. Já as farmácias registraram no último mês de setembro a primeira queda nas vendas de toda a série histórica, inciada em 2004.

— O consumo varia de acordo com a renda e o crédito disponível. Nenhum dos dois está crescendo. Com certeza, o carrinho do consumidor vai encolher — afirmou Ana Paula Tozzi, presidente da GS&AGR Consultores.

MUDANÇA DE HÁBITOS

Já pensando nessa piora, a microempreendedora Maria de Lourdes Teixeira Aires das Neves, moradora da Parada de Lucas, no Rio, precisou mudar os seus hábitos. Além de cortar alguns itens das compras de supermercado e optar por marcas mais baratas, ela também levou a economia para a sua lanchonete. Com queda no movimento, decidiu abrir apenas de quinta a domingo. Com isso, cortou pela metade o gasto com energia.

— O movimento está fraco porque as pessoas estão perdendo o emprego e não vão gastar com o que não é essencial. Estou economizando tanto em casa como na loja — conta.

Marcelo Anache, coordenador do curso de Ciências Econômicas da Universidade Mackenzie no Rio, acredita que uma mudança no cenário virá apenas em 2017. Além da recuperação da economia, é preciso elevar a confiança do consumidor, que está no pior patamar da história, destaca Anache.

— Quando há muita incerteza e falta de confiança, o consumidor não vai querer consumir. Não vai contrair uma dívida de longo prazo. Porém, se a perda de confiança acontece de forma rápida, a sua retomada é lenta. Só devemos ver alguma melhora em 2017 — avalia.


Comerciantes terão  Natal magro em 2015



O brasileiro pretende gastar menos nas compras de Natal. Uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que o gasto médio por presente deverá ser de R$ 106,94, quantia inferior aos R$ 125,22 verificados no ano passado. Os consumidores das classes C, D e E devem gastar R$ 97,85 em média.

O levantamento foi feito em todas as capitais com 601 entrevistas e mostrou ainda que 137 milhões de pessoas devem comprar presentes de Natal este ano. Isso representou 93% das pessoas que disseram que têm intenção de presentear alguém nesse Natal. Além disso, na média o consumidor deve comprar de quatro a cinco presentes neste ano, patamar semelhante ao do ano passado.


Os presentes que serão mais procurados devem ser roupas com 67,2% das intenções de compra. Já os calçados tiveram 37% e em terceiro os brinquedos, com 31,7%.

— Esse Natal vai ser pior do que o ano passado, apesar de ter aumentado a intenção de compra os presentes serão mais baratos. Lembrando que em 2014 já tínhamos visto data comemorativa um pouco mais fraca, cerca de 1% no comparativo com 2013. Esse ano, com certeza será um Natal mais fraco — disse Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil.

Em relação à forma de pagamento que os entrevistados disseram que deverão usar, o dinheiro ainda é o mais cotado, 42,3%. O cartão de crédito parcelado ficou em segundo lugar com 27,7%. Marcela ponderou, no entanto, que, em relação ao ano anterior houve um aumento na intenção do uso do cartão de crédito nas compras de Natal.

- É um crescimento pequeno, cerca de 1 ponto percentual. Mas não vale se endividar. O brasileiro tem de ser criativo na hora de presentear. Lembrando que, se ele parcelar a compra, ficará com essa dívida até abril, maio, depois daquele monte de gastos que se tem no início do ano — frisa Marcela, acrescentando que a pesquisa apontou que as compras devem ser parceladas em cinco vezes.



 

Procon-SP multa Volkswagen em R$ 8,33 milhões por fraude



Na sequência do escândalo mundial que atingiu o grupo alemão Volkswagen, o Procon-SP anunciou  que multou a montadora no Brasil em R$ 8,33 milhões pela instalação de um software que altera as emissões de poluentes durante testes em 17.057 unidades da picape Amarok fabricadas entre 2011 e 2012. Além disso, o órgão, que se baseou no Código de Defesa do Consumidor, determinou a realização de um recall dos utilitários para a retirada do dispositivo.

O software é o mesmo encontrado em mais de 11 milhões de veículos a diesel que a Volkswagen comercializou no mundo. Ele permite que o motor do carro identifique quando o veículo está sendo submetido a testes de emissão de gases e, apenas nesses casos, altere seu funcionamento de modo a emitir menos poluentes do que o normal.



O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) anunciou que a filial brasileira da Volkswagen foi multada em R$ 50 milhões por fraude em testes de emissões de poluentes de motores a diesel. O valor da sanção é o maior previsto por violação da Lei de Crimes Ambientais.

Em 18 de setembro, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) emitiu aviso de violação da sua legislação de poluição atmosférica a Volkswagen, Audi e o Grupo Volkswagen da América em veículos a diesel de quatro cilindros comercializados pelas montadoras, no período de 2009 a 2015, que utilizavam um software que fraudava os testes de emissão de determinados poluentes pelos escapamentos.

O Ibama notificou a Volkswagen do Brasil em 25 de setembro para prestar esclarecimentos sobre a produção ou comercialização no país de veículos com algum item de ação indesejável, nos mesmos moldes dos dispositivos encontrados nos veículos comercializados nos EUA.

Por meio de carta, a montadora de origem alemã reconheceu em 22 de outubro que, no Brasil, veículos a diesel Amarok, ano/modelo 2011 (todo o lote) e 2012 (parte do lote), apresentam o mesmo software encontrado nos EUA. No total, 17.057 veículos Amarok contêm um software capaz de otimizar os resultados de óxidos de nitrogênio (NOx) durante os testes laboratoriais de homologação, e, portanto, devem passar por recall.




 

O Brasil tem 13 milhões de analfabetos

Mais 42 mil crianças entraram mais cedo na escola, enquanto 13,2 milhões de brasileiros ainda continuam sem saber ler nem escrever. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2014, divulgada pelo IBGE, aponta uma expansão da educação infantil no Brasil: a faixa etária em que mais cresceu o número de pessoas frequentando a escola no país, entre 2013 e o ano passado, foi a de 4 a 5 anos de idade, na qual as crianças estão na pré-escola. Apesar desse avanço, a Pnad também mostra deficiências que se perpetuaram no setor no mesmo período: com menos cem mil analfabetos, o Brasil ainda tem 8,3% de cidadãos que não leem nem escrevem — o que faz com que não tenha atingido meta da ONU que estabelecia que o país chegasse a 2015 com 93,5% da população alfabetizada, ou 6,5% de pessoas iletradas, segundo pesquisadores da área.

Mesmo o avanço na educação infantil está ameaçado pela crise econômica atual, já que, dentro do corte no orçamento do Ministério da Educação em 2015, a maior redução, afirmam pesquisadores, foi no ProInfância (Programa Nacional de Reestruturação e Aquisição de Equipamentos para a Rede Escolar Pública de Educação Infantil), programa federal que enfoca justamente a construção de creches e pré-escolas.

Ao analisar a Educação no país, um dos destaques da Pnad de 2014 foi a taxa de escolarização, que é o percentual de pessoas dentro de uma faixa etária que está frequentando a escola. O maior aumento de taxa de escolarização foi na faixa de 4 a 5 anos: 82,7% das crianças nessa faixa (4,556 milhões de crianças) estavam frequentando a pré-escola em 2014, contra 81,4% (4,514 milhões) em 2013.

Essa melhora na educação infantil foi, em grande parte, causada pela Emenda Constitucional 59, aprovada em 2009 e que determinou a obrigatoriedade, a partir de 2016, da educação básica para todos que tenham de 4 a 17 anos de idade. Até aqui, a obrigatoriedade não incluía a educação infantil. Os governos, as prefeituras passaram a se organizar para começar a atender a Emenda 59 a partir do ano que vem, abrindo mais vagas e contratando mais professores para esse nível de ensino — analisa Priscila Cruz, diretora-executiva do Movimento Todos Pela Educação. — Apesar disso, ainda é grande o déficit de vagas na rede pública na educação infantil, que abrange as creches (para crianças até 3 anos) e pré-escolas (de 4 a 6 anos).

A partir do ano que vem, prefeituras de cidades nas quais a educação não esteja universalizada a partir dos 4 anos de idade podem passar a sofrer ações do Ministério Público, segundo Priscila Cruz.

Coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara alerta, entretanto, que esse avanço na educação infantil pode ser prejudicado pelo corte de cerca de R$ 3,4 bilhões no ProInfância em 2015. Pesquisador da área de educação infantil e assessor legislativo da Rede Nacional Primeira Infância, Vital Didonet também afirma que esse corte de verba para construção de creches e pré-escolas nos municípios preocupa:

— Há o risco de descobrirem os pés para cobrirem a cabeça. Como a pré-escola vai passar a ser obrigatória, prefeituras com pouca verba, principalmente no momento de crise que vivemos, podem passar a transformar vagas de creche em vagas de pré-escola. Só que os dois serviços são direitos da criança, e os dois têm função social importante de ajudar a mãe que trabalha — observa Vital Didonet. — Ou, então, prefeituras podem passar a transformar vagas de tempo integral em tempo parcial, porque aí uma vaga passa a contar como duas. Mas, da mesma forma, isso prejudica a mãe que trabalha, porque ela precisa da creche e da pré-escola em tempo integral.

ENSINO MÉDIO E SUPERIOR

Segundo a Pnad, a faixa etária com o maior percentual de pessoas frequentando a escola em 2014 foi a de 6 a 14 anos (taxa de escolarização de 98,5%), que corresponde ao ensino fundamental. O que chama a atenção, porém, é o fato de que, entre 2013 e o ano passado, não se alterou o percentual de jovens que frequentavam a escola nem na faixa de 15 a 17 anos (84,3% dos jovens nessa faixa), nem na de 18 a 24 anos (30%), as faixas que equivalem ao ensino médio e ao nível superior, respectivamente.

— Como o ensino médio brasileiro sofre com problemas graves como evasão e defasagem idade-série alta, era para ter crescido esse percentual de frequência à escola na faixa dos 15 aos 17 anos se tivesse havido melhora significativa do fluxo educacional no país. O mesmo vale para a taxa de escolarização na faixa dos 18 aos 24 anos: apesar de ter crescido o número de pessoas ingressando nas universidades, não foi suficiente para aumentar o percentual de frequência à escola nessa faixa etária — afirma o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara.

Esse quadro de problemas para universalização do ensino médio e para ampliação significativa do nível superior se reflete em outro ponto da Pnad: os níveis de instrução predominantes na população brasileira de 25 anos ou mais continuam sendo o ensino fundamental incompleto (32% da população) e o ensino médio completo (25,5%). O IBGE destaca, porém, que caiu o percentual de pessoas sem instrução ou com menos de 1 ano de estudo, de 12,3% para 11,7%, ao mesmo tempo em que aumentou a proporção daqueles com nível superior completo, de 12,6% para 13,1%.

Também a média de anos de estudo da população brasileira pouco mudou de 2013 para 2014: subiu de 7,6 anos para 7,7 — o que significa que o país desrespeita a Constituição, já que ela fala em ensino fundamental universalizado no país.

— Se o ensino fundamental estivesse universalizado, a média de anos de estudo teria de ser de 9 anos -- sublinha o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

O país também vai começar 2016 com uma média de anos de estudo que é praticamente a metade dos 14 anos de estudo que a Emenda 59 vai passar a exigir a partir do ano que vem, lembra Daniel Cara — já que passará a ser obrigatória a educação para todos entre 4 e 17 anos de idade, o que dá 14 anos de estudo. Segundo a Pnad, o Nordeste é a região em pior situação, com média de 6,6 anos de estudo, a mesma que tinha em 2013. Mesmo o Sudeste, na melhor posição, tem média de apenas 8,4 anos de estudo; em 2013, tinha 8,3.

NORDESTE EM PIOR SITUAÇÃO

Ao analisar o analfabetismo, a Pnad ressalta que, enquanto em 2013 o país tinha 13,3 milhões de analfabetos de 15 anos ou mais de idade, em 2014 esse número passou para 13,2 milhões. Apesar de também ter visto uma queda no número de pessoas iletradas, o Nordeste continuou a ser a região em pior situação: em 2013 tinha 16,9%, percentual que foi para 16,6% ano passado. Na melhor posição está o Sul, que tinha 4,6% de analfabetos e passou a ter 4,4%.

O IBGE também analisou o analfabetismo funcional, considerando como analfabeto funcional a pessoa com 15 anos ou mais de idade que tem menos de 4 anos de estudo. Segundo essa medida, 17,6% das pessoas com 15 anos ou mais eram analfabetos funcionais em 2014; em 2013, eram 18,1%. Segundo educadores e pesquisadores da área, porém, os percentuais de analfabetismo funcional no Brasil apontados pelo IBGE estariam subestimados, pois a parcela de analfabetos funcionais — ou seja, pessoas que, mesmo alfabetizadas, não têm habilidades de interpretação de texto, leitura/escrita e cálculo básico — não estaria restrita àqueles com menos de 4 anos de estudo. O Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), por exemplo, desenvolvido pelo Instituto Paulo Montenegro com a ONG Ação Educativa e que mede o nível de alfabetismo funcional da população entre 15 e 64 anos, mostrou em 2012 que 27% dessa população eram analfabetos funcionais.

 

Banco do Brasil tem lucro de R$ 3,06 bilhões

 


O Banco do Brasil registrou no terceiro trimestre lucro líquido de R$ 3,06 bilhões, uma alta de 10,1% sobre o mesmo período de 2014. O lucro ajustado, que desconsidera ganhos não recorrentes, ficou em R$ 2,88 bilhões, 0,14% menor na comparação anual. A rentabilidade, medida pelo retorno sobre o patrimônio líquido no trimestre, foi de 14,8% no trimestre, inferior às rentabilidades de Bradesco e Itaú-Unibanco, superiores a 20% no mesmo período.

Nos nove primeiros meses do ano, o maior banco do país acumula lucro líquido de R$ 11,8 bilhões, valor 43,5% maior que o verificado em igual período do ano passado.

A carteira de crédito ampliada, que inclui títulos e valores mobiliários privados e garantias prestadas, alcançou R$ 804,6 bilhões no fim de setembro, com crescimento de 9,8% em 12 meses, e de 3,6% ante o trimestre anterior. Destacaram-se os segmentos de financiamento imobiliário, que registrou aumento de 34,0% em 12 meses e 6,4% no trimestre. O BB manteve a sua liderança volume de crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN), com 20,8% de participação de mercado.

A carteira de crédito de operações com clientes pessoa física terminou setembro com saldo de R$ 189,6 bilhões, crescimento de 8,1% sobre igual mês de 2014, com destaque para as linhas de menor risco (crédito consignado, CDC Salário, financiamento de veículos e crédito imobiliário) alcançando 79,5% do total da carteira. No segmento de crédito para empresas, a o saldo da carteira do banco somou R$ 362,2 bilhões, 5,9% maior nos 12 meses.

As operações de crédito realizadas com o governo atingiram R$ 39,7 bilhões, crescendo 48,8% em 12 meses,”predominantemente, em função da variação cambial no período”, destacou o banco.



”Os ativos do Banco do Brasil atingiram R$ 1,6 trilhão em setembro, crescimento de 10% em um ano, e de 2,7% em relação ao trimestre anterior, favorecido principalmente pela expansão da carteira de crédito”, destacou o banco em comunicado.

O índice de inadimplência do BB, medido por operações vencidas há mais de 90 dias, ficou em 2,20% da carteira de crédito, inferior ao patamar médio do SFN, de 3,1%.

“A qualidade da carteira de crédito do Banco do Brasil é evidenciada pela concentração de 94,1% das operações na faixa de risco AA-C. O nível de cobertura da carteira de crédito, que demonstra a relação entre a provisão existente e as operações vencidas há mais de 90 dias, encerrou o trimestre em 212,9%, enquanto o índice de cobertura do mercado caiu para 167,7%, no período”, destacou o banco em relatório.

Os ativos do Banco do Brasil atingiram R$ 1,6 trilhão em setembro, com crescimento de 10% em 12 meses e 2,7% em relação ao trimestre anterior.

No fim de outubro o Bradesco informou que fechou o terceiro trimestre com lucro líquido contábil de R$ 4,1 bilhões, valor 6,1% maior que o do mesmo período de 2014, de R$ 3,87 bilhões. Desconsiderando eventos não recorrentes, o lucro ajustado do segundo maior banco privado do país chegou a R$ 4,5 bilhões no período, alta de 14,8% na mesma comparação.

Já o Itaú, o maior banco privado do país, registrou lucro líquido de R$ 5,9 bilhões no terceiro trimestre, resultado 10% superior ao do mesmo período de 2014. Assim, apesar da piora do ambiente doméstico e do aprofundamento da recessão econômica, no acumulado dos nove primeiros meses do ano o banco acumula ganhos de R$ 17,6 bilhões, um salto de 19,97% na comparação em 12 meses. A empresa, porém, prevê novas altas de seus índices de inadimplência nos próximos trimestres, como reflexo do enfraquecimento da economia.

 

13º salário deve injetar R$ 173 bilhões na economia do país



O pagamento do décimo terceiro salário deve injetar aproximadamente R$ 173 bilhões na economia brasileira até o próximo mês de dezembro, segundo pesquisa divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O montante representa cerca de 2,9% do PIB do país e supera em 9,9% o valor estimado para 2014, que ficou em R$158 bilhões. Em 2015, cerca de 84,4 milhões de brasileiros serão beneficiados com o rendimento adicional que gira na média de R$ 1.924 — incluindo, sobretudo, os trabalhadores do mercado formal, além dos beneficiários da Previdência Social e dos aposentados e pensionistas.

O número de pessoas que esperam o décimo terceiro salário neste ano é 0,3% inferior ao calculado em 2014, em grande parte por conta da redução do estoque de empregos no setor formal do país. Por outro lado, cerca de 900 mil novos pensionistas ou aposentados pelo INSS passarão a receber o benefício neste ano.

No entanto, os empregados formais representam ainda 60,2% do total de beneficiários do décimo terceiro salário, o equivalente a 50,8 milhões de pessoas. No total, o setor formal receberá R$ 121,7 bilhões neste ano, ou 70,3% do montante total a ser injetado na economia.

Dentre estes trabalhadores, 1,9 milhão são funcionários domésticos com carteira de trabalho assinada. O valor médio a ser pago à categoria, no entanto, permanece expressivamente abaixo do benefício médio dos outros empregados formalizados — R$ 997 contra R$ 2.451.

A maior parte do montante do décimo terceiro salário para os empregados formalizados será distribuída ao setor de serviços, que ficará com 62,1% do total. Na sequência, vêm os setores da indústria (18,4%), do comércio (13,1%) e da construção civil (4,5%).

Em seguida, vêm os aposentados e pensionistas da Previdência Social, que correspondem a 38,6% do total — aproximadamente 33,6 milhões de pessoas — e outros 979 mil aposentados e pensionistas da União. Para estes beneficiários, o valor médio do pagamento do 13º salário fica em R$ 1.531.

No geral, a parcela mais expressiva do décimo terceiro salário será destinada à região Sudeste (51,3%), que concentra a maioria dos trabalhadores, aposentados e pensionistas do país. O destaque é a economia paulista, que deverá receber R$ 50,9 bilhões até o fim do ano — o que representa 2,7% do PIB do estado e 29,5% do total pago no Brasil a título de décimo terceiro salário.

Já o maior valor médio do benefício fica para os R$ 3.590 pagos no Distrito Federal. Enquanto isso, os estados do Maranhão e do Piauí ficam com média próxima a apenas R$ 1.300.



 

Crise faz vendas de imóveis cair em  50% no estado de  São Paulo

As vendas de moradias novas na cidade de São Paulo caíram 50,1% em setembro na comparação anual, enquanto os lançamentos recuaram 74,3%, segundo informou o sindicato de habitação (Secovi-SP).

Segundo a entidade, a queda é explicada em parte pelo fato de setembro de 2014 ter sido o terceiro melhor mês em termos de vendas e lançamentos no ano passado.

Em setembro, foram vendidas 1.392 unidades, chegando a 13.698 vendidas no acumulado dos nove meses do ano, um recuo de 4,7% sobre o mesmo período de 2014. Em 12 meses, as vendas caíram 5,4%.

O valor geral de vendas (VGV) de setembro foi de R$ 843,5 milhões, queda de 45,2% ano a ano.

O estoque de imóveis na cidade de São Paulo em setembro era de 26.195 unidades (na planta, em construção e prontos), o menor volume no ano, segundo o Secovi. O maior nível de oferta em 2015 ocorreu em maio, com 28.118 unidades.

"Desde então, a pesquisa vem apontando queda nas unidades ofertadas não vendidas", disse o sindicato.

Os lançamentos foram de 1.057 unidades, com base nos dados da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp).

Frente a agosto, as vendas e lançamentos também caíram, mas em ritmo intensidade. A comercialização recuou 13,3%, enquanto os lançamentos caíram 39,9%.

Excluindo a capital, nos 38 municípios da região metropolitana, as vendas somaram 1.343 moradias novas, queda de 33,2% sobre igual mês do ano passado e alta de 55,4% diante de agosto.

Os lançamentos na região metropolitana saltaram 224,1% sobre agosto caíram e 9,6% na comparação com um ano antes, a 1.708 unidades.

 

Caminhoneiros vão parar o Brasil

 

No segundo dia de greve dos caminhoneiros liderados pelo Comando Nacional do Transporte (CNT), grupo sem relações sindicais surgido na internet, diferentes rodovias do país registram interdições causadas pelas manifestações. Há relatos de bloqueios em diversos estados, incluindo Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Tocantins e Rio Grande do Norte. Não há avaliação sobre os problemas causados ao transporte de carga e ao fluxo de produtos exportados.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, os bloqueios atingem pelo menos quatro pontos de rodovias federais em Minas Gerais. No Paraná, há interrupção total em dois pontos da BR-376 e também na BR-277.

Na BR-280, em Santa Catarina, manifestantes bloqueiam a passagem de todos os caminhões, que são desviados para o acostamento. Ainda segundo a PRF, no Rio Grande do Sul há manifestações em seis pontos diferentes de estradas, mas sem interrupção do tráfego.

Em São Paulo, um grupo de caminhoneiros bloqueia neste momento três faixas da Marginal Tietê, uma das principais vias da capital paulista, na altura da Ponte Jânio Quadros, na pista expressa. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), os motoristas bloqueiam a marginal no sentido da Rodovia Ayrton Senna e o congestionamento se estende por 15 quilômetros, da Ponte dos Remédios até o arco da Sabesp.

A CET não soube informar quantos manifestantes participam do protesto em São Paulo. As pistas locais da via estão liberadas. De acordo com a CET, o bloqueio começou por volta de 11hs.

Segundo o G1, o grupo protesta também no quilômetro 375 da BR-101, no Espírito Santo, e no trecho entre as cidades de Assu e Mossoró da BR-304, no Rio Grande do Norte. O portal diz ainda que há bloqueios na Bahia (BR-407), no Rio de Janeiro (Via Dutra, na altura de Barra Mansa) e no Tocantins (BR153), em Goiás (BR-040) e ainda em São Paulo (SP-270), onde também foram fechadas as pistas expressa e central da Marginal Tietê no sentido Rodovia Ayrton Senna.

Dentre os pedidos dos motoristas, estão a redução do preço do óleo diesel, a fixação do preço de frete mínimo e a liberação de crédito com juros subsidiados no valor de R$ 50 mil para transportadores autônomos. A principal reivindicação, no entanto, é a renúncia da presidente Dilma Rousseff.

— A paralisação será por tempo indeterminado, até que haja a renúncia da presidente Dilma. Temos adesões em vários lugares do país, e será uma paralisação grande. A população e o governo vão se surpreender — afirmou o líder do movimento, Ivar Schmidt, por telefone.

Em fevereiro deste ano, o mesmo grupo organizou uma greve da categoria, causando interdições em dezenas de rodovias. A pauta dos manifestantes permanece muito semelhante à da primeira greve do ano, mas agora conta com alguns acréscimos — como a regulamentação da profissão, para que o motorista se aposente com 25 anos de trabalho, e a anulação das multas decorrentes dos protestos anteriores.

O Palácio do Planalto está preocupado com a politização da greve e, por isso, busca estabelecer uma pauta com a liderança do movimento. O governo teme também uma crise de abastecimento e estuda até mesmo apelar para medidas judiciais contra bloqueios nas estradas.

Nos últimos três dias, a presidente Dilma já fez três reuniões para tratar do tema. Os ministros da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, da Previdência e Trabalho, Miguel Rosseto, e da Justiça, José Eduardo Cardozo, estão na frente de negociação, mas não houve avanços até agora.




 

Inflação de janeiro a outubro é a maior desde 1996

Em outubro, os brasileiros tiveram de gastar ainda mais para morar, comer e se locomover. O aumento desses custos acabou impactando a inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que passou de 0,54% em setembro para 0,82% no mês seguinte, atingindo a maior alta para o período desde 2002.

Os recordes negativos também são vistos em outras bases de comparação. No ano, o IPCA acumula alta de 8,52%, a maior para o período de janeiro a outubro desde 1996, quando ficou em 8,70%. Em 12 meses, o indicador foi para 9,93% e é o mais elevado, considerando o período, desde 2003, quando chegou a 11,02%.

De setembro para outubro, o que mais influenciou a alta de preços no país foram os combustíveis. O aumento foi de 6,09% e representou quase 40% na composição do IPCA. resultado do índice.

No caso da gasolina, que teve  reajuste de preços autorizado pela Petrobras no final de setembro, ficou, em média, 5,05% mais cara, puxada por São Paulo, onde os postos aplicaram um aumento acima de 6%. Quem costuma abastecer o carro com o etanol teve de desembolsar mais ainda. O preço do combustível subiu 12,29%. Apesar do avanço ter sido maior que o da gasolina, o etanol tem peso menor no cálculo da inflação.

“Com o aumento da gasolina, as pessoas tendem a procurar mais o etanol, então, tem uma pressão de demanda sobre o etanol. Além disso, há notícias de que a exportação do etanol tem aumentado, então tem uma demanda externa também sobre o combustível”, analisou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índice de Preços do IBGE.

Com o aumento dos preços dos combustíveis, o grupo de gastos com transporte, um dos pesquisados pelo IBGE, registrou a maior variação, de 1,72% em outubro, contra 0,71% em setembro. Ficaram mais caros ainda passagem aérea (4,01%), pneu (0,94%), ônibus intermunicipal (0,84%), conserto de automóvel (0,69%) e acessórios e peças (0,46%).

"O IPCA de outubro foi dominado pelos transportes, que é o segundo grupo de maior peso, logo depois dos alimentos. Eles [juntos] exerceram pressão muito forte [no mês], apesar da maioria dos grupos subir de um mês para o outro. Que a maioria está subindo é um fato, mas dentro dos transportes [o impacto] são os combustíveis, e nos alimentos, é o dólar impactando...e também tem a questão das chuvas”, analisou.

Alimentos e habitação
Depois dos transportes, o maior aumento partiu de alimentação e bebidas (de 0,24% para 0,77%). Isso porque os alimentos consumidos fora de casa subiram 0,93%, e os consumidos dentro de casa, 0,68%.

“Nesse mês, os alimentos consumidos no domicilio ficaram com preço menor do que os consumidos fora. Os preços das refeições fora continuam subindo...Os agricultores têm se queixado bastante dos custos agrícolas que vêm crescendo. Além disso, as chuvas que vêm ocorrendo no sul do país, que são os principais produtores de agricultura, vêm atrapalhando bastante as lavouras. Os produtores de arroz têm apontado prejuízo por excesso de chuva. No geral, a gente tem pressão do câmbio, das chuvas e exportações também."

Os gastos com habitação registraram a terceira maior alta, ainda que a variação tenha sido menor de setembro para outubro (de 1,30% para 0,75%). O avanço do preço do botijão de gás perdeu força, ao passar de 12,98% em setembro, para 3,27%, em outubro - ainda um reflexo do reajuste de 15% permitido pela Petrobras a partir de setembro. Subiram também os preços de energia elétrica, mão de obra para pequenos reparos, aluguel e artigos de limpeza.

Na sequência, estão os grupos de preços relativos a vestuário (de 0,50% para 0,67%), despesas pessoais (de 0,33% para 0,57%), saúde e cuidados pessoais (estável em 0,55%), comunicação (de 0,01% para 0,39%), artigos de residência (de 0,19% para 0,39%) e educação, de 0,25% para 0,10%).

Inflação por regiões
Na análise por região, o maior IPCA ficou com Brasília (1,24%) e o menor, no Rio de Janeiro (0,59%).

Previsões alinhadas
Para 2015, a expectativa dos economistas segundo o boletim Focus, do Banco Central, é que IPCA feche o ano em 9,91%, se aproximando assim da marca dos 10%. Se confirmada a estimativa, representará o maior índice em 13 anos, ou seja, desde 2002 – quando ficou em 12,53%.

O BC informou recentemente que estima um IPCA de 9,5% para este ano. Segundo economistas, a alta do dólar e, principalmente, dos preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros) pressionam os preços em 2015.

INPC
O IBGE também divulgou o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de outubro, que ficou em 0,77%, depois de avançar 0,51% em setembro. No ano, o índice acumula alta de 9,07% e, em 12 meses, de 10,33%.

“O INPC nos 12 meses já passou dos dois dígitos. O que isso significa? Como se refere a uma população de renda mais baixa, em que os alimentos tem maior participação, (...) quando os preços aumentam, todo mundo é penalizado. Mas a população com renda mais baixa está sendo mais penalizada do que a da mais alta”, analisou Eulina Nunes, que acrescentou ainda que a alta do botijão de gás, ônibus e energia também impactam o INPC.

 

Analistas estimam que indústria vai amargar três anos de retração


 

A recessão na indústria, que se iniciou em 2014 com retração de 3,3% em relação ao ano anterior, só deve chegar ao fim em 2017. O recuo por três anos seguidos, fato inédito na série histórica do IBGE iniciada em 2003, já é certeza entre analistas. Para este ano, o boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central com as projeções dos principais agentes do mercado, projeta queda de 7% na produção industrial. Para 2016, o recuo esperado é de 2%. E quatro de cinco consultorias estimam quedas superiores a esse patamar, para os dois anos.

A Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo IBGE, mostrou que a atividade da indústria em setembro caiu 10,9% ante o mesmo mês de 2014, com queda de 1,3% em relação a agosto. O resultado da comparação anual foi o pior para o mês desde o início da série histórica. Foi a 19ª taxa negativa consecutiva e a mais acentuada desde abril de 2009 (-14,1%). De janeiro a setembro, a queda acumulada é de 7,4%.

Setembro é conhecido como o Natal da indústria, por ser o mês em que há alta nas encomendas, estimulada pela demanda do consumo no fim de ano. O fenômeno, porém, não ocorreu este ano, ressaltou o gerente do IBGE responsável pela pesquisa, André Luiz Macedo:

— Não conseguimos identificar isso (a alta em setembro) neste ano. Esse movimento de setembro é um padrão, mas depende da conjuntura. Esse padrão não aparece em 2015, até porque temos um recuo generalizado.

PIOR RESULTADO DA SÉRIE



O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, prevê que 2015 será o pior resultado da série histórica. Atualmente, a maior queda é a de 2009: recuo de 7,1%, devido aos efeitos da crise internacional.

— No fim de 2009, estávamos em saída de recessão, iniciada no fim de 2008. Havia uma melhora robusta. Agora é diferente, chegamos em setembro não no final, mas no meio de uma recessão profunda que se prolongará por 2016. A porta de saída é só no fim do ano que vem - diz Vale.

Para o economista da GO Associados Alexandre Andrade, só é possível prever um resultado positivo para o setor em 2017. Até lá, diz, o câmbio desvalorizado deve começar a fazer efeito sobre a indústria.

— Não conseguimos vislumbrar elementos que possam fazer a produção industrial melhorar a curto prazo. Apesar do câmbio desvalorizado, acho que temos muita volatilidade, o que dificulta no planejamento das empresas — explica. — No segundo semestre de 2016, talvez alguns segmentos que dependem do mercado externo sintam os efeitos do câmbio.

Andrade chama atenção para o fato de que, mesmo com ajuste na produção, os estoques do setor automotivo, principal responsável pela queda na atividade industrial, continuam acima do desejado. A produção de veículos no mês encolheu 6,7% na comparação com agosto e 39,3% ante setembro de 2014.

Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, irá rever as estimativas em função dos resultados piores que o esperado:

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— Estimamos um recuo um pouco superior a 8% para este ano. Para o ano que vem, atualmente temos 2% de queda, mas devemos aumentar.

Além de forte, a retração está sendo generalizada na comparação com setembro do ano passado. Ela alcança todas as quatro categorias econômicas analisadas, atingindo 24 dos 26 ramos, 68 dos 79 grupos e 76,8% dos 805 produtos pesquisados pelo IBGE.

Das quatro categorias pesquisadas, três apresentaram queda em setembro relação ao mês anterior. O dado positivo foi na categoria de bens de capital: alta de 1% no período. Bens intermediários caiu 1,3%; de consumo, 1,2%; e duráveis, 5,3%. Macedo, do IBGE, ressalta, porém, que o crescimento de 1% não compensa a queda acumulada no ano, que é de 25,2%.

 

Indústria encolhe 10,9% frente a setembro de 2014


A produção industrial encolheu 1,3% em setembro frente a agosto, segundo dados divulgados pelo IBGE. É a maior baixa da série histórica para meses de setembro nessa comparação da série histórica, iniciada em 2002. Já no confronto com igual mês do ano anterior, a indústria apontou queda de 10,9% em setembro — pior resultado para a comparação interanual para meses de setembro desde 2003. Essa também foi a 19ª taxa negativa consecutiva nesse tipo de análise e a mais acentuada desde abril de 2009 (-14,1%).

O resultado ficou melhor que o previsto por analistas, que projetavam queda de 1,5% na mesma comparação. Em todo 2015, apenas os meses de janeiro e maio não apresentaram retração. Já no acumulado do ano, a atividade no setor recuou 7,4%.

Em 12 meses, a baixa é de 6,5% — a perda mais intensa desde dezembro de 2009 (-7,1%), mantendo a trajetória de queda iniciada em março de 2014 (2,1%). Essa foi a quarta queda consecutiva na comparação com o mês anterior, acumulando nesse período perda de 4,8%.

O IBGE também fez uma revisão em relação aos dados de agosto. A produção industrial encolheu 0,9%, em vez de 1,2%, frente a julho. Já no confronto com igual mês de 2014, a queda passou de 9% para 8,8%.

Segundo André Luiz Macedo, gerente de indústria do IBGE, o mês de setembro, conhecido como o Natal da indústria, por causa das encomendas de fim de ano, não pôde ser identificado neste ano.

— Normalmente, há sempre um ponto alto de produção em setembro por causa das encomendas para o final do ano. Não conseguimos identificar isso neste ano. Esse movimento de setembro é um padrão, mas depende da conjuntura. Esse padrão não aparece neste ano de 2015, até porque temos um recuo generalizado. Somente o setor extrativo apresenta melhora no janeiro a setembro de 2015.


Nível de 2009

Macedo aponta ainda que, na série histórica, é como se a indústria estivesse no mesmo nível de abril de 2009.

— Também nos distanciamos do ponto mais alto da série histórica, que foi junho de 2013. Estamos 16,3% abaixo deste momento de pico.

Das quatro categorias pesquisadas, três apresentaram queda em setembro relação ao mês anterior. O dado positivo foi na categoria de bens de capital, com melhora de 1% em relação ao mês de agosto. A de bens intermediários caiu 1,3%, a de bens de consumo encolheu 1,2%. A produção de bens duráveis recuou 5,3% e a de bens semiduráveis apresentou melhora de 0,5%.

Ao recuar 5,3%, a produção de bens duráveis mostrou a redução mais acentuada em setembro de 2015 e intensificou o ritmo de queda frente ao mês anterior (-4%). Houve influência da menor produção de automóveis, ainda afetada pela concessão de férias coletivas em várias unidades produtivas.


Na comparação com igual mês do ano anterior, as quatro principais categorias apresentaram queda. O recuo mais forte se deu entre bens de capital (-31,7%) e bens de consumo duráveis (-27,8%). Os setores produtores de bens de consumo semi e não duráveis (-7,4%) e de bens intermediários (-7,2%) também mostraram resultados negativos nesse mês, mas ambos com recuos abaixo da média nacional (-10,9%).

A queda se deu de forma disseminada. Além de alcançar as quatro categorias econômicas, atingiu 24 dos 26 ramos, 68 dos 79 grupos e 76,8% dos 805 produtos pesquisados. O IBGE aponta, porém, que setembro de 2015 teve 21 dias úteis um dia útil a menos do que igual mês do ano anterior.

 

Pobreza pode atingir até metade da população da América Latina


 

Metade da população latino-americana é considerada pobre ou, pelo menos, corre risco de cair na pobreza, divulgou a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). O dado é preocupante para uma região que, no começo deste século, cresceu como poucas vezes em sua história, reduzindo seus elevados índices de desigualdade.

O organismo das Nações Unidas advertiu ainda que a redução da pobreza estagnou desde 2012, e o índice de indigência começa a mostrar uma leve tendência de alta. Até 2014, cerca de 167 milhões de latino-americanos se encontravam em situação de pobreza, o que representa 28% do total da população. Deste universo, cerca de 71 milhões de pessoas (12% do total) não têm recursos suficientes para garantir os alimentos básicos.

— Nos preocupa muito que haja uma piora forte nos índices de pobreza. Isso está atrelado ao mercado de trabalho informal e do setor de serviços — explicou o economista chefe para a América Latina do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), George Gray Molina.

“As crianças, as mulheres, os jovens, os idosos, as pessoas com deficiências, os povos indígenas e as populações afrodescendentes são aqueles que mais sofrem situações de discriminação, carência, privação de direitos ou de vulnerabilidade na região”, ressaltou a Cepal.

Enquanto 7% da população não indígena e não afrodescendente é considerada indigente ou altamente vulnerável à indigência, o mesmo índice sobre para 11% no caso da população negra e para 18% nos povos de origem nativa. Já as mulheres só têm acesso a 38% da massa dos proveitos monetários na América Latina.

“Entre os fatores sociais que produzem, exacerbam ou atenuam as desigualdades, o mais decisivo é o mundo do trabalho”, explicou o organismo. Os salários representam, em média, 80% da renda total das famílias latino-americanas. Já para o total das casas em situação de pobreza, o percentual cai a 74% e, para os lares em indigência, a 64%.

Além disso, é importante priorizar o acesso ao emprego produtivo e de qualidade, ressaltou a Cepal. Do total de pessoas empregadas na região, 18,9% recebe salários abaixo da linha da pobreza atualmente.

 

Confiança do comércio cai pela 6ª vez seguida

 

O Índice de Confiança de Comércio (Icom) recuou pela sexta vez consecutiva em outubro, perdendo 2,3% e renovando a mínima histórica.

O Icom caiu a 80,6 pontos, após marcar 82,5 pontos no mês anterior, informou a Fundação Getulio Vargas).

"O comércio entra no quarto trimestre do ano ainda bastante insatisfeito com os níveis de demanda e prevendo vendas fracas ao final do ano", afirmou o superintendente adjunto para ciclos econômicos da FGV/Ibre, Aloisio Campelo Jr., em comunicado.

O que pesou principalmente sobre o resultado foi o Índice de Expectativas (IE), com recuo de 3,7%, para 110,3 pontos, o menor valor da série histórica.

A queda do IE foi mais do que suficiente para ofuscar o avanço de 0,8% do Índice da Situação Atual (ISA), a 50,8 pontos, após duas fortes quedas consecutivas. Mesmo com o avanço, o ISA ainda se encontra no segundo menor nível nos registros da FGV.


Déficit pode chegar a R$ 110 bi em 2015

 

O secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Barbosa Saintive, afirmou que as pedaladas fiscais a serem contabilizadas este ano são superiores aos R$ 40 bilhões previstos pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e somam R$ 50 bilhões. Com isso, o déficit primário em 2015 pode totalizar R$ 110 bilhões.

Saintive explicou que, do estoque de R$ 50 bilhões, o governo já pagou R$ 17 bilhões, mas o valor cresce novamente por conta de apropriação de juros e novas despesas.

– Eu tenho um potencial de R$ 50 bilhões. Ainda há a pagar e é passível de abatimento da meta.

O secretário explicou que os restos a pagar são referentes ao Programa de Sustentação do Investimento (PSI), crédito agrícola, FGTS e remuneração bancária à Caixa Econômica Federal. Essas rubricas já haviam sido detalhadas na proposta enviada ao Congresso Nacional na terça-feira, mas sem valores. O governo espera um parecer do TCU para saber se terá que quitar o montante à vista ou em parcelas.

Questionado, Saintive negou que existam pedaladas em 2015, conforme apontou o Ministério Público.

– Claro que não (existem pedaladas neste ano). Com relação a transferência de repasses de Bolsa Família, seguro-desemprego, tudo isso está em dia e está sendo realizado tempestivamente. Com relação a transferências, isso está em dia, não tem atraso nenhum.

Especificamente em relação aos subsídios, como PSI e crédito agrícola, técnicos do Tesouro explicam que o governo tem disponibilizado os recursos para quitá-los ao vencimento da parcela. Como há um passivo de restos a pagar, no entanto, o Tesouro Nacional é legalmente obrigado (pela Lei 8.666) a quitar as parcelas antigas.



 

 

 

Fitch diz estar preocupada com peso da dívida do Brasil

A agência de classificação de risco Fitch expressou preocupação com a deterioração das contas públicas do Brasil, após o governo informar que o país terá déficit primário recorde neste ano.

"A derrapada fiscal e o crescente peso da dívida do governo têm sido fonte de preocupação para nós", disse a diretora da Fitch Shelly Shetty, em comunicado.

No dia 15, a Fitch rebaixou a nota do Brasil de ‘BBB’ para ‘BBB-’, mas manteve o país dentro da classificação de grau de investimento, espécie de selo de país bom pagador da sua dívida. A perspectiva, no entanto, foi mantida em negativa, o que significa que o país pode voltar a ser rebaixado em um futuro próximo.

Na ocasião, a Fitch justificou o rebaixamento, citando o crescente peso da dívida do governo do Brasil, o aumento dos desafios para a consolidação fiscal e a piora do cenário para o crescimento econômico.

Rombo de ao menos R$ 51,8 bi
Na véspera, o governo revisou para baixo a meta fiscal de 2015 para um déficit primário (despesas maiores do que receitas, sem contar os juros da dívida pública) de R$ 51,8 bilhões, o equivalente a cerca de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB), - o maior rombo fiscal da história para as contas do governo.

O governo admitiu também que o valor do déficit pode ser ainda maior.

No ofício encaminhado ao Congresso pelos Ministérios do Planejamento, Orçamento e Gestão e da Fazenda encaminhado ao Congresso Nacional, o governo informou que a previsão de rombo para as contas públicas neste ano também não incorpora as chamadas “pedaladas fiscais” - que são os atrasos de pagamentos do governo a bancos públicos, de modo que o déficit tende a ser maior ainda neste ano.

A equipe econômica disse ainda que a nova meta considera receitas de R$ 11,05 bilhões para os leilões de hidrelétricas. Caso essa receita seja frustrada, diz o documento, o déficit primário poderá ser maior ainda - de R$ 62,87 bilhões para as contas do governo federal.

Nota do Brasil em outras agências
No dia 9 de setembro, o Brasil perdeu o grau de investimento na classificação de crédito da Standard and Poor’s (S&P), 10 dias após o governo prever inédito déficit primário na proposta orçamentária de 2016.

Com o rebaixamento da Fitch desta quinta, o Brasil fica mais próximo de ter a nota de crédito da sua dívida rebaixada para o grau especulativo por mais de uma agência. Na classificação da Moody´s, o país tem nota “Baa3”, nível mais baixo dentro do grau de investimento, tambem com perspectiva negativa (como agora na Fitch).

Na terça-feira, a Moody´s afirmou em relatório que a revisão da meta fiscal de 2015 “corrói a credibilidade da fraca política fiscal do governo e ameaça enfraquecer a já debilitada confiança doméstica”.

S&P, Fitch e Moody’s controlam uma parcela de mais de três quartos do mercado global de avaliações de risco, o que desperta críticas sobre conflitos de interesse em seus serviços, já que acabam sendo pagas pelos mesmos clientes que deveriam estar examinando, destaca a BBC.

 

Embraer tem prejuízo líquido de R$ 388 milhões

 

A fabricante de aviões Embraer teve prejuízo líquido atribuível a acionistas de R$ 387,7 milhões no terceiro trimestre ante resultado negativo um ano antes de R$ 24,3 milhões. Ou seja, o prejuízo é quase 16 vezes maior do que o registrado em igual período do ano passado.

De acordo com a Embraer, o resultado se deve, em grande parte, à combinação de R$ 88,7 milhões em perdas relativas às variações monetárias e cambiais líquidas comparadas a um ganho de R$ 14,1 milhões no terceiro trimestre de 2014, juntamente com o aumento da despesa de imposto de renda e contribuição social de R$ 178,6 milhões, de junho a setembro do ano passado, para R$ 589,8 milhões, nos mesmos meses deste ano.

“O efeito da desvalorização de 28% do real frente ao dólar no trimestre aumentou a despesa de imposto de renda e contribuição social sobre itens não monetários”, diz a Embraer.

Apesar do resultado, a companhia teve alta de 62% na receita líquida do período, para R$ 4,577 bilhões. As receitas cresceram também por causa da variação cambial. Enquanto a geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) cresceu para R$ 570,3 milhões, ante R$ 311,3 milhões um ano antes. No ano, a receita líquida total é de R$ 12,307 bilhões — 27% maior que os R$ 9,684 bilhões de igual período de 2014.

O resultado da empresa foi impactado por variação cambial, com a dívida líquida da companhia subindo de R$ 685,2 milhões no final do terceiro trimestre de 2014 para R$ 2,558 bilhões ao fim de setembro deste ano.

A Embraer entregou 21 aviões comerciais e 30 executivos no terceiro trimestre ante 19 jatos comerciais e 15 executivos no mesmo período de 2014. A carteira de pedidos firmes atingiu US$ 22,8 bilhões ante US$ 22,1 bilhões ao final de setembro de 2014. A companhia informou no balanço que mantém as estimativas de desempenho financeiro para 2015.




 

 

 Dívida pública federal sobe e fecha setembro em R$ 2,7 tri

 

A dívida pública federal voltou a subir em setembro e fechou o mês em R$ 2,734 trilhões. A alta em relação a agosto foi de 1,8% ou R$ 48,34 bilhões. Segundo relatório divulgado pelo Tesouro Nacional, o crescimento do estoque se deveu a uma emissão líquida de títulos públicos no valor de R$ 13,45 bilhões e também aos juros que corrigem o endividamento e que somaram R$ 34,89 bilhões no período.

As emissões de papéis do governo totalizaram R$ 75,45 bilhões em setembro, enquanto os resgates foram de R$ 62,01 bilhões. Isso resultou numa emissão líquida de R$ 13,45 bilhões.

De acordo com o Tesouro, os títulos prefixados e corrigidos por índices de preços reduziram sua participação no estoque. No caso dos prefixados, ela caiu 41,59% em agosto para 41,37% em setembro. Já no caso dos papéis indexados à inflação, a redução foi de 31,99% para 31,69% no mesmo período. Já os títulos corrigidos pela Selic aumentaram sua fatia na dívida. Ela subiu de 21,28% para 21,42%.



Os investidores estrangeiros reduziram sua participação no estoque da dívida pública em setembro. Em agosto, esses aplicadores detinham R$ 488,51 bilhões, ou 19,14% do total. Já no mês passado, o montante passou para R$ 487,97 bilhões, ou 18,85%.

LEILÕES EXTRAORDINÁRIOS

O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, José Franco, afirmou que setembro foi um mês de volatilidade no mercado. Isso obrigou o Tesouro a fazer leilões extraordinários de compra e venda de títulos para evitar uma alta excessiva nas taxas de juros cobradas pelos investidores para apostar nos papéis do governo.

— O Tesouro tomou a decisão de reduzir a volatilidade. Isso incluiu calibrar os lotes dos leilões e também fazer atuações extraordinárias no mercado — disse Franco.

Segundo ele, os investidores têm demonstrado interesse por títulos de longo prazo corrigidos por índices de preços. Isso, no entanto, tem custos mais elevados para o Tesouro. Assim, a estratégia tem sido aumentar a oferta desses papéis com prazos mais curtos (NTN-B com vencimento em 2023) e reduzir a de prazos mais longos (NTN-B com vencimento em 2035 e 2055).

— O objetivo é não travar custo elevado em títulos com prazos muito longos — afirmou o coordenador.

Isso, no entanto, pode acabar fazendo com que a equipe econômica não consiga cumprir todos os indicadores fixados no Plano Anual de Financiamento (PAF) da dívida pública. Ele prevê, por exemplo, que a parcela do estoque indexada a índices de preços termine o ano num intervalo entre 33% e 37% do total. Até setembro, ela está em 31,69%.

— O indicador do PAF para índices de preços já está fora dos limites. Até o final do ano, ele pode voltar ou não. Isso vai depender de os investidores estarem dispostos a comprar títulos mais curtos ou não — afirmou o coordenador.

Ele assegurou, no entanto, que a previsão do Plano para o estoque, que varia de R$ 2,650 trilhões a R$ 2,8 trilhões, será cumprida:

— O resultado do ano ficará dento do intervalo do PAF.

Em setembro, o custo médio da dívida acumulado em 12 meses aumentou 0,14 ponto percentual, passando de 15,93% ao ano em agosto para 16,07% no mês passado. Segundo Franco, esse custo - que está relacionado ao comportamento dos juros, da inflação e também das turbulências no mercado brasileiro – tende a se reduzir quando houver um quadro mais claro que relação à política fiscal.

— O aumento do custo é, em parte, decorrência do cenário econômico atual. Um cenário mais claro em relação ao quadro fiscal vai melhorar o custo da dívida pública — explicou o coordenador.

 

 

EMISSÕES DE TÍTULOS

Perguntado sobre a possibilidade de o Tesouro voltar a fazer emissões de títulos no mercado internacional, ele afirmou apenas que o governo brasileiro não tem necessidade de fazer essas operações em 2015 pois já tem em caixa os dólares necessários para honrar os compromissos da dívida externa. Essas emissões servem principalmente para dar uma referência a empresas privadas que queiram captar recursos no exterior.

— O Tesouro não tem necessidade de financiamento externo. Os vencimentos em 2015 já estão em caixa. Não há necessidade de fazer emissão externa no curto prazo.

O relatório da Dívida Pública de setembro mostra que a parcela da dívida atrelada ao câmbio está em R$ 150,98 bilhões, ou 5,52% do total. No entanto, quando se soma a esse valor as operações feitas pelo Banco Central para segurar a alta do dólar (swaps cambiais), o número sobe para R$ 425,23 bilhões, ou 16,43%.

 

 

Inflação pelo IPC-S é pressionada pelo aumento da gasolina

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) registrou leve aceleração da segunda para a terceira prévia de outubro, chegando a 0,67%. A maior pressão de alta partiu, novamente, do aumento do preço da gasolina.

Três das oito classes de despesa componentes do índice registraram em suas taxas de variação, com destaque para o grupo transportes (de 1,17% para 1,57%).

Também registraram acréscimo em suas taxas de variação os grupos: comunicação (de 0,15% para 0,18%) e despesas diversas (de 0,06% para 0,07%).

Na contramão, desaceleraram as variações dos grupos relativos a alimentação (de 0,52% para 0,46%), educação, leitura e recreação (de 0,54% para 0,23%), vestuário (de 0,68% para 0,59%) e habitação (de 0,71% para 0,68%).

O grupo saúde e cuidados pessoais repetiu a taxa de variação registrada na última apuração, 0,54%.

Veja a variação de preços de alguns itens:
Medicamentos em geral (de 0,12% para 0,18%)
Artigos de higiene e cuidado pessoal (de 0,42% para 0,17%)
Hortaliças e legumes (de -8,60% para -10,91%)
Salas de espetáculo (de 1,98% para 0,33%)
Calçados (de 0,58% para 0,23%)
Eletrodomésticos e equipamentos (de 0,37% para 0,19%)
Mensalidade para internet (de 0,14% para 0,36%)
Alimentos para animais domésticos (de -0,32% para 0,37%)

 

Pesquisa aponta Rio como rota de avião mais procurada


 

Quase metade dos brasileiros que viajaram de avião no ano passado, tinham renda entre dois e dez salários mínimos, segundo pesquisa divulgada pela Secretaria de Aviação Civil (SAC). De acordo com o levantamento, que ouviu 150 mil usuários em 65 aeroportos mais movimentados do país, 6,1%, disseram que tinham renda de dois salários; 17,2%, entre dois e cinco salários mínimos e 21,7%, entre cinco e dez salários. Dos 3590 municípios pesquisados (origem ou destino), o Rio aparece como a rota mais desejada, principalmente em voos diretos.

Também aparecem entre as ligações diretas, Vila Velha (ES), Blumenau (SC) e Campo Grande (MT), além de São Paulo. O levantamento identificou que 252 cidades têm mercado potencial para novos voos e confirmou que os aeroportos mais movimentados são Guarulhos, Congonhas e Confins (Belo Horizonte).

Os principais motivos da viagem apontados pelos entrevistado foram trabalho e estudo. Mas, na região Norte, questões de saúde são a motivação maior. Já no Norte, lazer e compromissos familiares.

A pesquisa mostrou ainda que a maioria do usuários tinham entre 31 e 45 anos, compraram o bilhete com pelo menos um mês de antecedência e utilizaram táxi até o aeroporto. Fizeram check-in no balcão da companhia e gastaram até R$ 50, enquanto esperavam pela última chamada.

— Avião não é mais coisa de rico — destacou o ministro da SAC, Eliseu Padilha.

Segundo o ministro, a pesquisa será usada para direcionar políticas para o setor, inclusive para às companhias, na oferta de novos voos. Nos últimos dez anos (entre 2004 e 2014), o setor cresceu 170% e o preço do bilhete caiu 48%, no período. No ano passado, foram realizadas quase 200 milhões de viagens de avião e a estimativa é que em 2034, o volume atinja 600 milhões. Nos últimos cinco anos, foram investidos R$ 15,6 bilhões nos aeroportos - resultado das concessões

Ao divulgar os dados, o ministro destacou a importância de desenvolver o programa da aviação regional,, lançado pela presidente Dilma Rousseff em 2012 e que ainda não saiu do papel. Dos 270 aeroportos selecionados para receber investimentos, o governo não conseguiu licitar nenhum.

Padilha reclamou que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, está usando R$ 4 bilhões arrecadados com as concessões para ajudar na meta de superávit primário. Ele minimizou, no entanto, que 100 pequenos terminais já estão com projetos prontos e que a expectativa é que esses recursos sejam liberados.




 

Taxa de cheques sem fundos é a maior em 24 anos



O percentual de devoluções de cheques pela segunda vez por falta de fundos foi de 2,21% em setembro, o maior patamar para o mês da série histórica, iniciada em 1991, segundo o Indicador Serasa Experian de Cheques Sem Fundos. Em agosto deste ano, a taxa de devolução foi de 2,11%. Já em setembro do ano passado, foi de 1,84%

Segundo a Serasa, em relação a janeiro e setembro, o percentual de devoluções de cheques pela segunda vez por insuficiência de fundos foi de 2,19%, o segundo maior percentual para o período de toda a série histórica. O recorde dos nove primeiros meses do ano foi em 2009, com 2,22%. Se comparado ao mesmo período de 2014, esse percentual foi de 2,07%.

A inadimplência cresce como resultado do agravamento da situação econômica do país, com o aprofundamento da recessão, a elevação das taxas de desemprego, da inflação e dos juros.

O Indicador Serasa Experian de Cheques Sem Fundos é feito com base no levantamento mensal sobre a quantidade de cheques devolvidos por insuficiência de fundos em relação ao total de cheques compensados. Somente é considerada a segunda devolução.




 

Megagestora Pimco processa Petrobras nos EUA

A Pacific Investiment Management Company (Pimco), uma das maiores gestoras de investimento do mundo, entrou nos Estados Unidos, na sexta-feira, com processo contra a Petrobras e seus ex-executivos, alegando prejuízos com o escândalo de corrupção investigado na Lava Jato. A ação da Pimco se junta a diversos outros processos sendo movidos contra a Petrobras na Justiça americana, além da ação coletiva iniciada no ano passado na Corte de Nova York.

Segundo a firma americana, em 2013 e 2014, a estatal embasou duas emissões de papéis no mercado financeiro em documentos que continham informações distorcidas sobre o valor dos seus ativos, sua receita líquida, suas despesas e suas políticas internas de combate à corrupção.

“Em seu pico em 2008, a Petrobras era a quinta maior empresa do mundo, com uma capitalização de mercado de US$ 310 bilhões. Agora, com a revelação do esquema desenfreado de lavagem de dinheiro e propina, a Petrobras tem uma capitalização de apenas US$ 33,13 bilhões. Executivos da companhia foram presos e políticos poderosos — incluindo os presidentes das duas casas do Congresso — foram questionados sobre o esquema de lavagem de dinheiro e corrupção”, escreveram os advogados da Pimco na queixa. “O esquema da Petrobras coloca em questão a integridade da companhia como um todo. As distorções promovidas pelos acusados dizem respeito à infraestrutura de produção de petróleo da Petrobras, seu principal negócio. Como era de esperar, quando a verdade sobre a corrupção começou a emergir, o valor dos papéis emitidos pela Petrobras caiu sensivelmente”

A Pimco alega ter adquirido papéis da estatal entre 16 de outubro de 2010 e 15 de maio de 2015. No fim de setembro, a Pimco possuía ao todo US$ 1,47 trilhão em ativos sob sua gestão, o equivalente a 63% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2014 e 50 vezes o valor de mercado atual Petrobras.

Além da Petrobras e de suas subsidiárias internacionais (PGF e PifCo), aparecem como acusados no processo os ex-presidentes da Petrobras Maria das Graças Foster e José Sergio Gabrielli, o ex-diretor financeiro Almir Barbassa, os ex-membros do Conselho de Administração da Petrobras Josué Christiano Gomes da Silva (filho do ex-vice presidente José Alencar) e Sílvio Sinedino, além de executivos das subsidiárias internacionais da empresa.

Junto com a Pimco, participam do processo o fundo de previdência da fabricante de aeronaves Boeing e outra gigante dos investimentos, a Allianz Global Investors.




 

Previsão de analistas para PIB deste ano chega a -3%



Economistas de instituições financeiras continuam vendo maior pressão inflacionária neste e no próximo ano, e diante disso elevaram a perspectiva para a taxa básica de juros em 2016. Já a previsão para a economia mudou de contração de 2,97% para 3% em 2015.

A pesquisa Focus, feita semanalmente pelo Banco Central,  apontou que a expectativa agora para a alta do IPCA em 2016 é de 6,12%, contra 6,05% anteriormente, na 11ª vez seguida de piora.

A projeção com isso está cada vez mais longe do centro da meta do governo para o ano que vem de 4,5%, com tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, dificultando a determinação do BC de guiar as expectativas para o centro da meta no fim de 2016.

Os preços administrados são uma importante fonte de pressão, com expectativa de avanço de 6,35% no fim de 2016, alta de 0,08 ponto percentual em relação à pesquisa anterior.



Para 2015, o levantamento semanal com uma centena de especialistas mostrou piora de 0,05 ponto percentual na projeção para a alta do IPCA, a 9,75%, com a alta dos preços administrados mantendo-se em 16%.

DÓLAR A R$ 4

A valorização do dólar também pesa sobre a alta dos preços, devendo se prolongar para o ano que vem. Entretanto a projeção para a moeda americana permaneceu em R$ 4 para este ano e caiu a R$ 4,13 em 2016, contra R$ 4,15 anteriormente.

O cenário inflacionário tem repercutido nas projeções dos analistas para a política monetária, sendo que para 2016 a projeção subiu a 12,75%, contra 12,63% na mediana das expectativas da pesquisa anterior.

Mas para este ano eles não mudaram a estimativa de que a Selic será mantida em 14,25% na reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom), terminando 2015 neste patamar.

Já sobre a economia, o cenário de forte crise política e econômica afetando a confiança de agentes econômicos e consumidores continua a prejudicar as expectativas. A projeção agora é de retração do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,22% em 2016, contra queda de 1,20% antes.

Em agosto, a atividade econômica ampliou com força a fraqueza, com o Índice de Atividade Econômica do BC recuando 0,76% sobre o mês anterior.

Os contínuos dados econômicos fracos com incertezas no front fiscal culminaram na quinta-feira com a decisão da agência de classificação de risco Fitch de cortar a nota de crédito do Brasil. A agência ainda manteve o selo de bom pagador, mas alertou que o país pode em breve perder essa chancela.

 

Emprego na indústria cai 6,9%, o maior da histórica

O emprego na indústria caiu pelo 8º mês seguido. Em agosto, o recuo foi de 0,8% na comparação com julho, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada . Em relação a agosto de 2014, a queda é de 6,9%, a maior da série história, que teve início em janeiro de 2001. No ano, o setor acumula perdas de 5,6%.

Ainda na comparação com agosto de 2014, o emprego caiu nos 18 ramos pesquisados pelo IBGE, com destaque para meios de transporte (-12,4%), que inclui, carros, máquinas e equipamentos (-10,2%) e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-14,4%).

No ano, de janeiro a agosto, o comportamento foi parecido. Todos os segmentos registraram queda e a maior contribuição negativa veio de meios de transporte (-10,4%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-13,1%) e produtos de metal (-10,5%).

Horas pagas
Seguindo os outros indicadores, o de número de horas pagas aos trabalhadores da indústria também recuou. A baixa foi de 0,9% na comparação com julho, a 6ª queda seguida. Já na comparação com agosto de 2014, o número de horas pagas diminuiu 7,5%, a 27ª taxa negativa consecutiva neste tipo de comparação e a mais intensa desde o início da série histórica.

No ano, as horas pagas registram queda de 6,2% e, em 12 meses, de 5,8%.

No início do mês, o IBGE disse que a produção da indústria nacional havia caído pelo 3º mês seguido. Em agosto, na comparação com julho, o recuo foi de 1,2%, o maior para o mês desde 2011.

Folha de pagamento
O valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria recuou 1,3% na comparação com julho, acumulando nesse período redução de 3,1%. "No índice desse mês, verifica-se a influência negativa da indústria de transformação (-0,9%), que permaneceu apontando taxas negativas pelo oitavo mês seguido, já que o setor extrativo mostrou expansão de 2,1%, após recuar 22,5% no mês anterior."

 

 

Pará será o único estado sem recessão

A recessão próxima de 3% prevista para este ano vai se espalhar pelas regiões do país. Com a disseminação da crise econômica, nenhum estado brasileiro conseguirá crescer em 2015, segundo projeções do banco Santander. A instituição prevê que, entre as 27 unidades da federação, só o Pará escapará por pouco da recessão: deve fechar o ano com PIB estagnado, melhor número do levantamento. No Rio, a contração prevista é de 2,5%. Se a estimativa se confirmar, será a primeira vez desde 1996 — início da série histórica do IBGE — que a economia de todos os estados terá desempenho negativo ou nulo.

No estudo, o banco projeta que o PIB do país encolherá 2,8% em 2015. A previsão é semelhante à dos economistas do mercado financeiro, que esperam contração de 2,97%, de acordo com o mais recente boletim Focus, pesquisa do Banco Central com mais de cem instituições financeiras. A economia brasileira não enfrenta uma recessão desde 2009, quando, na esteira da crise global, recuou 0,2%. Nem naquele ano o tombo foi tão disseminado: em 2009, o PIB de 17 das 27 unidades da federação avançou.

Ajuste fiscal mais difícil

Esse ano será diferente, dizem analistas. Parte disso é atribuído à magnitude da crise. Os economistas responsáveis pelo estudo do Santander alertam que o desempenho da atividade econômica entre 2014 e 2016 deve ser o pior desde 1900, inclusive dos triênios da crise de 1929 e da dívida, nos anos 1980, a chamada década perdida.

Para Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, o ritmo lento da economia faz a disseminação ser inevitável. Nem as regiões que se beneficiaram da fase áurea de commodities na última década, como o Centro-Oeste, devem escapar. De acordo com os dados mais recentes do IBGE, a região registrou o segundo maior crescimento médio entre 1995 e 2010, de 4,3%, perdendo só para o Norte (4,7%). No mesmo período, o Brasil cresceu, em média, 3,1%. O instituto excluiu do levantamento os números mais recentes, pois prepara para o mês que vem a divulgação de dados recalculados, considerando a nova metodologia do PIB, introduzida nos números nacionais no início do ano.

A ideia é de que praticamente todos os estados terão queda do PIB este ano. Recessão de 3% acaba afetando toda a economia. Mesmo regiões antes ganhadoras, como o Centro-Oeste, não conseguirão escapar — afirma Vale.

O analista lembra ainda que o pé no freio deve dificultar o reequilíbrio das contas públicas estaduais, o que pode levar a mais aumento de imposto.

— O grande problema é que, com a queda de receita e as restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, é provável que os estados tenham que continuar subindo impostos como o ICMS. Mais ainda, 2016 será outro ano de recessão nos estados — avalia o economista.




 

Brasil poderá aderir ao Tratado Trans-Pacífico



O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, que o Brasil poderá, em algum momento, aderir ao Tratado Trans-Pacífico (TPP, na sigla em inglês) - acordo selado no início deste mês por doze países, incluindo Estados Unidos, Austrália, México, Peru, Chile e Japão. Porém, o ministro esclareceu que essa atitude do governo brasileiro vai depender de um consenso dentro do Mercosul e da concordância do empresariado brasileiro.

— Precisamos harmonizar a posição dentro do bloco e também com o setor privado brasileiro. O processo dos acordos não é algo que se faz a partir dos governos. É algo que se faz junto com o setor privado. Temos diferentes segmentos da atividade econômica. É sabido, por exemplo, que o Brasil sempre teve interesses mais ofensivos na área agrícola e mais defensivos na área industrial — enfatizou Monteiro, após participar da abertura do seminário sobre os 50 anos da área de promoção comercial do Itamaraty.

Ele enfatizou que o Brasil está avaliando seus interesses do ponto de vista estratégico. Lembrou que um dos integrantes do TPP, os EUA, são um mercado fundamental para as exportações brasileiras de manufaturados.

Este ano, em que pese a retração do comércio internacional, temos registrado o aumento das exportações de manufaturados para o mercado americano, que alcança 6%. É algo significativo nesse contexto. Por outro lado, estamos ampliando as margens de preferência tarifária com um parceiro importante da América Latina, que é o México — disse o ministro.

Monteiro afirmou que o TPP e a aproximação com os EUA oferecem oportunidades ao Brasil. Para ele, o interesse da União Europeia em, finalmente, concluir as negociações para a criação de uma zona de livre comércio com o Mercosul, vai aumentar. Além disso, um tratado com os europeus deixaria o Brasil mais bem preparado para aderir a outros acordos regionais.

— Vamos trocar ofertas com a UE ainda este ano. O Brasil vai criando as condições para também se integrar ao TPP — acrescentou.

O ministro também falou sobre a desvalorização do real frente ao dólar. Disse que esse "realinhamento cambial" poderá compensar algumas desvantagens relacionadas aos custos sistêmicos do setor produtivo nacional, como infraestrutura e custo de capital.

— A exportação nada mais é do que uma forma de contratar demanda externa. E o Brasil tem uma chance de aumentar muito a oportunidade de sua inserção internacional. O comércio internacional representa pouco mais do que 20% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil — concluiu o ministro.



 

SAB Miller aceita oferta de US$ 106 bi da AB InBev



Após semanas de negociação, a cervejaria belga-brasileira Anheuser-Busch InBev e a anglo-sul-africana SABMiller informaram que fecharam termos para uma aquisição, que preveem que a maior cervejaria do mundo pague £ 44 (US$ 68) por ação da sua rival, a segunda no ranking mundial. Com isso, o total pago pela empresa chegará a £ 69 bilhões (US$ 106 bilhões), 14% acima da primeira oferta de £ 38.

O acordo para criar uma empresa que fabricaria cerca de um terço da cerveja mundial seria a quarta maior maiores fusão na história corporativa, além de ser a maior aquisição de uma companhia britânica. Dados da consultoria Euromonitor citados pela agência Bloomberg News mostram que Anheuser-Busch InBev e SABMiller produzem, juntas, 60 bilhões de litros de cerveja por ano, o que corresponde a um terço do volume mundial.

O preço representa um prêmio de cerca de 50% sobre o preço de fechamento dos papéis da SABMiller em 14 de setembro, quando começaram as especulações de que as duas empresas estariam negociando a compra.


A  AB InBev fez ainda uma quarta oferta, de £ 43,50 em dinheiro, também não aceita. As três ofertas anteriores foram £ 42,15, £ 40 e £ 38 por ação.

A cervejaria belga produz a Budweiser e a Stella Artois. Já a SABMiller possui marcas como Peroni, Grolsh e Pilsner Urquell. A AB Inbev adicionaria algumas cervejas na América Latina e Ásia à sua presença mundial, que já é grande e, além disso, entraria na África pela primeira vez.

O crescimento da AB InBev tem sido baseado em aquisições desde que foi formada por meio de uma série de compras lideradas pela 3G, que pertence ao homem mais rico do Brasil, Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira. A 3G controla indiretamente a brasileira Ambev.

O Altria Group é o maior acionista da SABMiller, com uma fatia de 27%. A família de Alejandro Santo Domingo, um dos clãs mais ricos da Colômbia, detém 14% da SABMiller. Em comunicado nesta terça-feira, o grupo Altria — fabricante do cigarro Malboro — afirmou estar satisfeito com a notícia de que a cervejaria está inclinada a aceitar a nova oferta da Anheuser-Busch InBev.

A SABMiller disse que indicou à AB InBev que seu Conselho estaria preparado para aceitar a oferta e que pediu uma extensão de duas semanas do prazo estabelecido para que sua rival anuncie uma intenção firme de fazer a oferta. O prazo era 14 de outubro e agora será 28 de outubro.

As partes concordaram que a AB InBev pagará uma taxa de rompimento de US$ 3 bilhões à SABMiller caso a transação fracasse devido a significativas questões regulatórias ou por falta de apoio dos acionistas da AB InBev.

Credibilidade fiscal do Brasil está em xeque

 

Alejandro Werner, diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmou que a credibilidade fiscal de médio prazo do Brasil está sendo colocada em dúvida pelos mercados financeiros e que o país precisará comprovar de maneira mais clara a sustentabilidade de suas finanças públicas. Ele disse que o ajuste fiscal precisa ser feito de forma mais rápida e sua execução tem de ser em tempo mais curto.

Werner disse que o Brasil está em “tempos apertados ”, mas que o país poderá gerenciar a situação de maneira a implementar as macroreformas e fazer os políticas microeconômicas para atrair mais investimentos para o páis . Apesar dos problemas, ele estima que em um ano a situação estará melhor.

— N o caso do Brasil, nosso cenário central é que , no fim das contas, o sistema político chegará a certos acordos para restabelecer objetivos fiscais que devem mand ar um sinal de consolidação fiscal para adiante e que , com isso , se inicie uma recuperação na segunda metade de 2016 — afirmou.



 

Infraero repassará obras ao setor privado no Santos Dumont

 

A Infraero vai repassar integralmente ao setor privado as obras de ampliação dos terminais de embarque de passageiros dos aeroportos de Santos Dumont e Congonhas. No Rio, a proposta é aumentar a capacidade do terminal de embarque em 50%, e em São Paulo está prevista a instalação de pontes para acabar com os embarques remotos, dobrando a capacidade do terminal. O edital de licitação deverá ser lançado em fevereiro de 2016. Os vencedores da concorrência poderão explorar as áreas comerciais por 25 anos e, nesse período, vão dividir parte das receitas com a estatal.

Segundo o diretor comercial da Infraero, André Marques de Barros, a modelagem de concessão dessas áreas será concluída até o fim de novembro. No momento, os técnicos trabalham no modelo do edital que definirá valor do investimento na ampliação, lance mínimo e parcela de receitas a ser repassada à Infraero.

‘LIVRE DA LEI DE LICITAÇÕES’

No modelo atual, a Infraero é responsável pela elaboração do projeto, licitação, construção e fiscalização, o que tem gerado atrasos na entrega das obras. Além de uma maior eficiência, a medida vai garantir à empresa um reforço de caixa.

— Não faremos mais os projetos, não construiremos. Estaremos livres das amarras da lei de licitações e, com isso, vamos proporcionar mais conforto aos passageiros em menor espaço de tempo — destacou Barros.

A medida faz parte de uma mudança na estratégia de negócios da Infraero, após a perda de receitas com a concessão dos principais aeroportos do país. O foco continuará nas áreas operacionais. As demais atribuições serão terceirizadas com vistas a elevar a eficiência e obter novas fontes de receitas. O processo começou no início de 2014, com a subconcessão de pátios de estacionamento de veículos nos aeroportos, e será reforçado pela entrega de outras áreas ao setor privado.

Até o fim deste ano, a Infraero pretende lançar o edital para repassar à iniciativa privada todo o processo de exploração das áreas comerciais no novo terminal de passageiros do aeroporto de Goiânia (GO), previsto para entrar em funcionamento no primeiro semestre de 2016. Caberá ao vencedor da licitação escolher livremente fornecedores (lojas e restaurantes), bem como substituir esses prestadores de serviço a qualquer tempo. Atualmente, a Infraero precisa fazer licitação caso a caso.

Pela concessão de 120 meses a estatal fixará lance mínimo de R$ 740 mil mensais, mais uma entrada de R$ 1 milhão (luvas). Além disso, a Infraero quer 5% de participação no lucro da concessionária. Diferentemente de Congonhas e Santos Dumont, a infraestrutura do novo terminal de passageiros de Goiânia estará pronta. O terminal antigo será desativado.

Também até o fim do ano, a estatal fará licitação para escolher a empresa que vai construir e explorar o novo centro de armazenamento de carga no aeroporto de Uberlândia (MG). O vencedor da concorrência terá de investir R$ 41 milhões na área de 50 mil metros quadrados e se encarregará da operação do centro por 25 anos, podendo fazer sublocações. Neste caso, o lance mínimo será de R$ 40 mil por mês e entrada de R$ 5 milhões (luvas), com 5% de participação nos lucros.

Segundo Barros, essa mesma iniciativa poderá ser adotada em outros aeroportos, como o de Manaus (AM), Recife (PE) e Uruguaiana (RS). Ele mencionou que a Infraero mudou a forma de atuação no despacho das cargas nacionais (que as empresas transportam na barriga das aeronaves), repassando a tarefa para as próprias companhias (com receita de um centavo por quilo processado). Com isso, a função, que era deficitária em R$ 300 mil, fechará 2015 com lucro de R$ 5 milhões.

ALUGUEL DE ÁREAS COMERCIAIS

Barros também destacou que a empresa passou a adotar o sistema de cobrança de luvas nas dependências internas e externas dos aeroportos. A meta da Infraero é alcançar uma receita de R$ 100 milhões em dezembro deste ano.

Estudo encomendado pelo governo ao BNDES e a uma consultoria especializada, em 2010, identificou ineficiência por parte da Infraero na exploração das receitas com aluguel de áreas comerciais, um negócio considerado rentável no transporte aéreo.

A Infraero administra 60 aeroportos e depende de repasses do Tesouro Nacional. Com o ajuste fiscal, o governo quer se desfazer das participações da estatal nos aeroportos concedidos — de 49%, em Brasília (DF), Guarulhos (SP), Viracopos (SP), Galeão (RJ) e Confins (MG)— e tirar a estatal do negócio na nova rodada de concessão do setor — Fortaleza (CE), Salvador (BA), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS).



 

Preço da cesta básica cai em 13 cidades em setembro

 

O preço da cesta básica em setembro caiu em 13 das 18 cidades pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Os maiores recuos partiram de Belém (-4,56%), Fortaleza (-3,88%), Recife (-3,50%) e Goiânia (-2,96%).

Por outro lado, as altas foram registradas em Belo Horizonte (0,23%), Curitiba (0,44%), Rio de Janeiro (0,74%), Vitória (0,99%) e Florianópolis (2,77%).

Em setembro, Porto Alegre foi, novamente, a capital com a cesta com maior custo (R$ 385,70), seguido de São Paulo (R$ 383,21), Florianópolis (R$ 383,10) e Rio de Janeiro (R$ 362,90). Os menores valores médios foram observados em Aracaju (R$ 280,26), Natal (R$ 282,72) e Salvador (R$ 297,07).

Os produtos que ficaram mais caros foram: pão francês, café em pó, manteiga, carne bovina e batata, produto pesquisado nas regiões Centro-Sul.

”Apesar da expectativa de recorde na safra mundial e nacional de trigo, principal insumo do pão, existe a necessidade de importação do grão. Com a desvalorização do real frente ao dólar, o trigo ficou mais caro, o que tornou mais elevado o custo do pão francês”, explicou o Dieese.

Em 12 meses, as 18 cidades acumularam alta no preço da cesta básica. As variações ficaram entre 4,70%, em Recife, e 20,19%, em Aracaju. Nos nove primeiros meses de 2015, todas as cidades apresentaram aumentos, com destaque para as altas de Aracaju (14,07%), Curitiba (12,88%), Salvador (10,92%), Porto Alegre (10,66%) e João Pessoa (10,16%). As menores variações foram vistas em Brasília (2,61%) e Goiânia (3,32%).

 


Reunião é paralisada e executivos são atacados por manifestantes


Em um encontro que chegou a ser paralisado por manifestantes, a Air France anunciou em uma reunião com funcionários que planeja cortar 2.900 postos de trabalho até 2017 e retirar 14 aeronaves de sua frota de longa distância como parte de seus esforços para reduzir custos. A companhia aérea francesa também pretende cancelar seu pedido de compra de aviões.

A reunião realizada na manhã desta segunda-feira foi interrompida por centenas de manifestantes. Executivos se retiraram às pressas após funcionários revoltados com bandeiras e cartazes entrarem na sala.

O chefe de recursos humanos e relações trabalhistas, Xavier Broseta, teve sua camisa rasgada, ficando com a gravata pendurada no pescoço, e teve que abrir caminho entre a multidão de trabalhadores para escapar. O presidente da Air France já tinha saído da sala antes da interrupção.

A controladora Air France-KLM disse que planeja tomar ações legais contra a violência adotada contra seus executivos.

De acordo com a agência France Presse, três sindicatos de trabalhadores da Air France haviam convocado greves para esta segunda-feira e os trabalhadores acabaram participando da manifestação organizada na sede da companhia durante a realização da reunião.

CONCORRÊNCIA DE BAIXO CUSTO

A Air France planeja cortar 1.700 funcionários da equipe em terra, 900 funcionários de cabine e 300 pilotos. Será a primeira onda de demissões forçadas na aérea desde os anos 1990, segundo a Bloomberg. Com a segunda maior malha aérea da Europa, a companhia busca se adequar à competição de concorrentes de baixo custo na Europa e de longa distância no Oriente Médio.

A frota da Air France vai ser reduzida em 14 aeronaves, de acordo com o sindicato de tripulantes Unac. Haverá o cancelamento da aquisição de aeronaves 787 Dreamliners da Boeing e a eliminação progressiva dos A340 da Airbus. A controladora Air France-KLM tem 19 jatos 787-9 e seis 787-10 encomendados. A empresa também eliminará rotas mais fracas.

A unidade francesa do Grupo Air France-KLM apresentou as propostas aos sindicatos que indicam sério comprometimento com medidas de economia. Na semana passada, a Air France dissera planejar o corte de postos de trabalho, reduzir o número de aeronaves e rotas depois de chegar a um acordo com os pilotos, que foram solicitados a trabalhar mais horas pelo mesmo salário para ajudar a companhia a reduzir as perdas anuais que começaram em 2011. Ministros do governo francês pediram às duas partes que continuem negociando para que empregos possam ser preservados.

Produção industrial encolheu 1,2% em agosto

A produção industrial encolheu 1,2% em agosto frente a julho, segundo dados divulgados pelo IBGE. Foi a terceira queda mensal seguida. Mesmo negativo, o resultado veio melhor do que o previsto por analistas, que projetavam queda de 1,6%.

Já no confronto com igual mês de 2014, a indústria registrou queda de 9%. Este é o pior resultado para o mês de agosto nessa comparação desde 2003. Além disso, é a 18ª taxa negativa seguida frente a igual mês do ano anterior, o que representa desempenho negativo há um ano e meio. No acumulado do ano, a atividade no setor recuou 6,9%. Em 12 meses, a baixa é de 5,7%, intensificando a queda registrada até julho, de 5,4% e mantendo a trajetória de queda iniciada em março de 2014.

Das quatro categorias econômicas pesquisadas, só a de bens intermediários (0,2%) não registrou retração na produção industrial na passagem de julho para agosto. A categoria de bens de capital teve a maior queda, de 7,6%, e a sétima seguida. A de bens de consumo caiu 0,9%, a de bens duráveis encolheu 4%, enquanto a de semiduráveis e não duráveis recuou 0,3%.

De acordo com André Luiz Macedo, gerente de Indústria do IBGE, a sétima queda seguida na produção de bens de capital reflete a falta de confiança dos empresários:

— Essa categoria econômica tem relação direta com investimentos. Pensando nas pesquisas que nos remetem aos níveis de confiança mais baixos da História, e nesse ambiente de incerteza, os empresários estão investindo menos, porque entendem que com a capacidade instalada atual dão conta da demanda.

Os resultados negativos se disseminaram na indústria. Segundo Macedo, a indústria está produzindo 15% a menos do que em junho de 2003, o ponto mais alto da produção, e o mesmo que em maio de 2009, quando o país estava em recessão causada pela crise financeira global.


Dos 24 ramos pesquisados, 14 tiveram queda de julho para agosto. A principal influência negativa foi registrada em veículos automotores, reboques e carrocerias (-9,4%), eliminando a expansão de 1,9% do mês anterior, quando interrompeu nove meses consecutivos de queda. Outras contribuições que pesaram no resultado geral da indústria vieram de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,6%); produtos de metal (-3%); metalurgia (-1,3%); artefatos de couro e artigos para viagem e calçados (-3,6%); máquinas aparelhos e materiais elétricos (-2,5%); outros equipamentos de transportes (-3,4%); e outros produtos minerais não metálicos (-1,5%).

— Há algum tempo há um predomínio de recuo na produção industrial. Em agosto, o principal impacto de queda tanto no resultado mensal, quanto na comparação com o mesmo mês do ano passado e no ano, a indústria automotiva é a que mais influenciou esses resultados negativos. A redução de turnos de trabalho, o corte de postos de trabalho e os estoques em patamar elevado justificam a redução do ritmo observado nessa atividade — explicou Macedo, do IBGE.

 

Inflação do Brasil só não é maior do que a da Rússia  


 

A inflação ao consumidor no Brasil é a segunda maior entre os países incluídos em relatório mensal da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). O organismo acompanha a alta do custo de vida entre seus 34 países-membros, todos os da zona do euro e do G-20. A primeira da lista é a Rússia, com 15,8% anuais, enquanto o Brasil aparece com 9,5%.

A posição do Brasil desconsidera a taxa da Argentina (14,7%), que aparece no estudo por ser do G-20. A própria OCDE, porém, informa que o índice usado é o oficial, que já foi considerado pelo FMI como “não precisos”.

Na média do G-20, a inflação anual ficou estável em 2,5%. Segundo o relatório, entre os países não membros da OCDE a inflação diminuiu ligeiramente na China para 1,4%, na África do Sul (a 4,5%), na Indonésia (para 7,2%) e na Arábia Saudita (para 2,1%).

A alta do custo de vida nos 34 países da OCDE ficou estável em 0,6% anual em agosto deste ano, pelo quarto mês seguido. Excluindo alimentação e energia, a taxa também ficou estável em 1,7%. Os preços de energia, informa o organismo, continuaram a cair: em agosto, o recuo foi de 10,3%, frente à queda de 9,6% em julho, enquanto os de comida subiram de 1,3% para 1,4%.

Em Alemanha, Itália, Japão e Estados Unidos, a inflação ficou estável em 0,2% ao ano, e no Canadá, em 1,3%. No Reino Unido houve uma queda marginal, de 0,1% para zero, assim como na França, de 0,2% para zero. A inflação na zona do euro foi de 0,1% em agosto, frente a 0,2% em julho.

Os membros da OCDE são Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Chile, República Checa, Dinamarca, Eslováquia, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hugria, Islândia, Irlanda, Israel, Itália, Japão, Coreia do Sul, Luxemburgo, México, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Polônia, Portugal, Eslovênia, Espanha, Suécia, Suíça, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.


 


Petrobras reajusta preços e gasolina deve subir 3,6%



Com dificuldades de caixa e um nível elevado de endividamento, a Petrobras reajustou  o preço da gasolina na refinaria em 6%. O preço do diesel subirá 4%. A alta na refinaria deve ser repassada ao consumidor, com impactos na inflação deste e do próximo ano. De acordo com estimativa do Itaú Unibanco, o impacto dessa alta para o consumidor será de um reajuste de 3,6% no preço da gasolina na bomba.

Quem pagava R$ 3,60 pela gasolina comum, por exemplo, deve começar a desembolsar R$ 3,72 pelo litro do combustível. No caso do diesel, o litro deve subir 3,1% no posto. Dessa forma, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, sofreria um impacto de 0,14 ponto percentual.

Cálculos do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE) também indicam que o impacto no preço da gasolina nas bombas ficará em torno de 3,6%. Nesses cálculos, o diesel deve ter um repasse menor do que o esperado pelo Itaú Unibanco, de 2,76%. De acordo com o CBIE, o impacto do reajuste da gasolina na inflação medida pelo IPCA será de 0,155 ponto percentual. O diesel vai contribuir para o índice de preços com uma alta de 0,004 ponto percentual.

Já uma fonte técnica da área de distribuição estimou que a gasolina deve ter um reajuste médio para o consumidor de 2,5% e de 3% para o óleo diesel.

De acordo com o IBGE, para cada 1% de reajuste da gasolina na bomba existe um impacto de 0,04 ponto percentual no Índice de Preços ao

Consumidor Amplo (IPCA) do mês. No caso do diesel, essa relação é bem menor - o impacto fica em 0,001%. O efeito do reajuste da gasolina será sentido no índice de outubro e uma parte residual em novembro. O diesel não tem impacto direto no bolso do consumidor, mas afeta preços de fretes, por exemplo.

Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sindcomb), as reposições de estoques são feitas diariamente ou, no máximo, a cada dois ou três dias, dependendo da demanda. Como os preços são livres, a decisão de repassar ou não ao consumidor é do dono do posto.

No ano até agosto, segundo o IPCA, o preço da gasolina já sobe 9,6% ao consumidor. O diesel avança 7,43% no período. O etanol, que não foi incluído nos reajuste anunciados ontem, sobe 2,09% no período. A inflação é de 7,06%.

A Fecombustíveis não quis comentar sobre o reajuste nem sobre a inflação dos combustíveis, pois “não costuma fazer levantamentos estatísticos dessa ordem”.

O aumento de preços da gasolina e do diesel para os consumidores será inferior ao anunciado pela Petrobras em suas refinarias que entrou em vigor a partir desta quarta-feira. Segundo cálculos de especialistas do setor, a gasolina poderá ter um reajuste médio nas bombas entre 2,5% e 3,6%, enquanto o diesel terá um reajuste entre 2,76% a 3%.

Com a disparada do dólar, os preços de gasolina e diesel no Brasil passaram a ficar mais baixos do que no mercado externo, mesmo num cenário de queda no preço do petróleo no mercado internacional. Segundo fontes, o reajuste era considerado essencial para a companhia no momento.

“Os preços da gasolina e do diesel, sobre os quais incide o reajuste anunciado, não incluem os tributos federais Cide e PIS/Cofins e o tributo estadual ICMS”, informou o comunicado da estatal.

IMPACTO NA INFLAÇÃO

O último reajuste feito pela Petrobras foi anunciado em novembro de 2014, quando a gasolina subiu 3% e o diesel teve aumento de 5%. Naquela época, o impacto na bomba para o consumidor do Rio ficou em torno de 2% para a gasolina e de 3,5% para o diesel.

O consumidor já havia arcado com um aumento de preços de combustíveis no início do ano, em razão do repasse do aumento de impostos decretado pelo governo federal no dia 19 de janeiro. Foram restabelecidos PIS/Cofins e a Cide para equilibrar as contas do governo. Esta última é uma contribuição criada para financiar investimentos no setor de transporte e tinha sido zerada em 2012 para evitar que o aumento no preço da gasolina chegasse ao consumidor.

Na ocasião, os reajustes nos postos do Rio variaram de 0,32% na Tijuca a 8,11% na Gávea, de acordo com pesquisa de preços feita.

Em abril deste ano, o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, declarou em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado que não previa aumento de combustível, ao menos a curto prazo. Acrescentou ainda que, do ponto de vista do preço na bomba, o preço da gasolina no país era justo, “preço de mercado”.

O aumento nos preços da gasolina e do diesel deve pressionar ainda mais a inflação, que, de acordo com analistas ouvidos pela pesquisa Focus, do Banco Central, deve encerrar este ano com alta de 9,46%, bem acima do teto da meta fixada pelo governo, que é de 4,5% com margem de tolerância de dois pontos percentuais. A previsão do mercado para a inflação no próximo ano é de 5,87%.

Neste ano, a gasolina já subiu 9,65% para o consumidor, segundo dados do IBGE.

No início do mês, a Petrobras já havia reajustado o valor do botijão de 13 quilos de uso residencial em 15%. Na semana passada, a companhia aumentou os preços do gás para uso comercial e industrial em 11%.

 

 

Incertezas levam ações a recuar até 77% no ano


As incertezas na economia e na política que vêm derrubando a Bolsa têm levado à perda acelerada de valor das ações de todos os setores desde o início do ano. Levantamento da Economatica mostra que até a última sexta-feira, dia 25, pelo menos 30 ações acumulavam perdas no ano que variavam de 77,11%, caso das units da Viavarejo, a 31,75%, como os papéis ON da Cosan. Embora existam ações realmente muito depreciadas em relação ao potencial de ganho efetivo da empresa emissora, o que caracterizariam pechinchas na praça, os analistas alertam que se deve tomar cuidado ao analisar os cenários de cada setor.

— Não dá um único indicador, como quanto o papel caiu no ano, por exemplo. A avaliação tem que ser mais ampla — diz Einar Rivero, da Economatica, responsável pela elaboração da lista das maiores quedas neste ano.

Os papeis PN do Pão de Açúcar, por exemplo, recuaram 49,14% de janeiro até a última sexta-feira, e o valor da empresa correspondia a 4,3 vezes sua capacidade de geração de caixa anual. Uma serie de fatores pesaram para isso, como a ida de seu ex-controlador (Abilio Diniz) para o Carreforur e a queda nas vendas no varejo.

— No entanto, considerando o tamanho, o histórico, maturidade e presença nacional, além do fato de que a maior parte de suas vendas ser de produtos de alimentação, resilientes à crise, considero baratos e interessantes para a compra esses papeis — diz Lenon Borges, analista da Ativa Corretora.

Ricardo Kim, analista-chefe da XP Investimentos nota que as empresas têm pouco a fazer para escapar de "quedas estruturais", como a que atinge o mercado de capitais brasileiro. Com o aumento da aversão a risco, os investidores deixam posições e até ações de setores como o bancário, que vem mostrando resultados robustos, sofrem.Os papeis PN do Bradesco, por exemplo, caiam 24% na sexta-feira, enquanto que os do Itaú perdiam 14%.

— Os bancos chamam a atenção, estão baratos em relação ao valuation, mas isso reflete a conjuntura de mercado. Eles ainda têm um patamar interessante de resultados, mas perdem valor pela conjuntura, e estão baratos.

Borges, da Ativa, lembra que o rebaixamento dos ratings do setor pela Standard&Poors, juntamente com o rebaixamento do país, deve pesar nos custos das instituições. E as perspectivas para o crédito são ruins, com a alta da inadimplência.

— Por isso, não acho que estejam baratos — diz.

Também os papeis de siderúrgicas tradicionais, como a Gerdau e a Usiminas, acumulam quedas de 34,71% e 32,10% no ano, e poderiam parecer interessantes a quem estivesse procurando boas oportunidades de compra nesse momento. Mas, diferente dos bancos, o analista-chefe da XP discorda, e adverte:

— Essas empresas tiveram os papeis depreciados porque há uma sobre oferta de aço no mundo e também por problemas de governança (a briga entre os sócios controladores na Usiminas, e decisões na Gerdau de comprar controladas que são questionadas). As ações caíram muito, mas as condições de seus principais mercados (a indústria automobilística , no caso da Usiminas, e construção civil, o mercado dos aços longos da Gerdau) estão muito ruins e comprometem a capacidade delas se recuperarem e gerar mais riqueza. Por isso, não estão tão baratas — diz Kim.

Apesar do cenário desfavorável à recuperação da demanda por aço, tanto no mercado doméstico como no internacional, o analista-chefe nota que papeis como os da Usiminas estão muito valorizados, quando se compara seu valor de mercado (entreprise value) com a os resultados operacionais (Ebtida).

— Mesmo com a forte queda das ações, siderúrgicas como a Usiminas não estão baratas em termos de valuation: seu valor de mercado é 42,4 vezes maior que a geração de caixa em 12 meses — diz.

O mesmo raciocínio ele usa para a Vale, cujos papeis têm queda de 24% no ano, mas como não há perspectiva de recuperação do minério de ferro, terá de continuar vendendo ativos.



 

Economistas já preveem queda de 1% no PIB de 2016


Os economistas do mercado financeiro consultados pela pesquisa Focus, do Banco Central (BC), preveem que a atividade econômica vai registrar uma contração de 2,80% este ano – é a 11ª piora seguida nas expectativas. Para o ano que vem, a previsão foi reduzida pela oitava vez consecutiva e já se espera que a economia encolha 1%. A previsão de inflação para 2015 e 2016 também foi elevada, assim como a cotação do dólar no fim deste ano e taxa Selic que estará em vigor em dezembro do ano que vem.

A inflação, de acordo com o relatório Focus, deve fechar 2015 em 9,46%. Na semana passada, a expectativa era que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficasse em 9,34%. Em 2016, a taxa deve ficar em 5,87% —— acima da meta de inflação do BC, que é de 4,5%, podendo variar dois pontos para cima ou para baixo. A previsão para o ano que vem foi elevada pela oitava semana seguida e cada vez mais se aproxima do teto do alvo do governo.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, ficou em 0,39% em setembro, informou o IBGE na terça-feira passada. O resultado mostrou uma desaceleração frente a agosto, quando a taxa foi de 0,43%. Em 12 meses, a inflação acumulada é de 9,57% — mantendo-se como a mais elevada desde dezembro de 2003 (9,86%), já que a taxa de setembro foi exatamente igual a do mesmo mês do ano passado. No ano, a alta de preços é de 7,78%, maior taxa para o período de janeiro a setembro desde 2003 (8,46%).


A inflação deste ano reflete, em grande medida, a forte alta nos preços administrados pelo governo, como o da energia elétrica. O Focus desta semana elevou a previsão para a inflação dos preços controlados de 15,20% para 15,50% este ano. Para 2016, também houve leve elevação, de 5,91% para 5,92%, pressionando o resultado esperado para o IPCA.

E após o dólar bater a maior cotação da história do Plano Real, ao superar os R$ 4,24, a taxa de câmbio para este ano foi elevada pela quarta vez consecutiva. A previsão agora é de que o dólar seja vendido a R$ 3,95. Na semana passada, a expectativa era de R$ 3,86.

A moeda americana acabou fechando a semana passada a R$ 3,975, com queda de 0,42% em relação ao dia anterior — mas acumulou uma alta de 0,36% de segunda a sexta-feira. A pressão de alta só arrefeceu depois que o presidente do BC, Alexandre Tombini, afirmou que as reservas internacionais são um instrumento que “pode e deve” ser usado para atuação no câmbio, juntamente com uma série de leilões de dólares no mercado.



No ano que vem, de acordo com os economistas ouvidos pelo BC, a divisa deve chegar a dezembro em R$ 4, mesmo patamar previsto na última pesquisa.

Já a Selic para este ano foi mantida no mesmo nível pela nona semana seguida, nos atuais 14,25%. Para 2016, houve mais uma alteração e os economistas subiram a taxa de 12,25% para 12,50%.

Justiça bloqueia R$ 188,8 milhões de Neymar

A Justiça brasileira bloqueou R$ 188,8 milhões do jogador Neymar, da família e das empresas ligadas a ele. O atacante é acusado de sonegar impostos entre 2011 e 2013, sobretudo nas transações que selaram a transferência do jogador do Santos para o Barcelona.

O bloqueio foi proposto por uma medida cautelar da auditoria-fiscal da Receita Federal e encaminhada à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), que entrou com o pedido na Justiça. Inicialmente, Neymar é acusado de sonegar o equivalente a R$ 63,6 milhões. O valor alcança os R$ 188,8 milhões por conta de uma multa de 150%.


O valor ficou bastante elevado porque a multa aplicada foi de 150%. Isso acontece nos casos em que a fiscalização identifica simulação e fraude – afirmou um técnico da Receita Federal.

Segundo a medida cautelar, o jogador declarou apenas 8,05% do patrimônio do grupo Neymar, o equivalente a R$ 19,6 milhões. Além disso, na declaração referente a bens e direitos do jogador em 31 de dezembro de 2013, “não há um único bem móvel ou imóvel declarado”. “A maioria dos bens e direitos declarados refere-se a aplicações financeiras e saldos em contas bancárias”, diz a medida.

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região negou o pedido em primeira instância, mas o desembargador Carlos Muta optou por acatar os argumentos do Fisco e bloquear o montante para que haja garantia do pagamento dos impostos sonegados. A Receita Federal determina que pode haver bloqueio de bens quando a dívida ultrapassa 30% do patrimônio conhecido do contribuinte. Os bens ficam bloqueados até que todo o processo, que atualmente corre no âmbito administrativo, seja finalizado.

Apesar de garantir que processos de grande monta como esse não são costumeiros na rotina da Receita Federal, o presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita (Unafisco), Kleber Cabral, afirmou que os auditores – em greve há uma mês por reajuste salarial – vão intensificar esse tipo de investigação. A despeito da operação padrão nesse grandes auditorias, os servidores paralisaram diversas atividades e têm gerado problemas para a arrecadação federal.




 

BMW é acusada de também manipular testes de emissões de poluentes

 

A BMW disse que não tem manipulado testes de emissões de poluentes, negando reportagem de uma revista que afirma que alguns de seus carros a diesel excederiam os limites de poluição do ar. A revista alemã Auto Bild publicou que o modelo da BMW X3 xDrive 20d excedeu os limites de emissões do regime “Euro 6” em mais de 11 vezes em testes de estrada realizados pelo Conselho Internacional De Transporte Limpo (ICCT, na sigla em inglês).

“Não há diferença no tratamento de emissões do escapamento se elas estão em um teste ou na estrada”, disse a montadora alemã nesta quinta-feira. “Nenhum detalhe específico do teste nos foi providenciado e, assim, não temos como explicar estes resultados”, disse a BMW. “Nós entraremos em contato com a ICCT para pedir esclarecimentos do teste que realizaram.”


A Volkswagen admitiu nesta terça-feira ter equipado 11 milhões de carros em todo o mundo com um software de manipulação de dados de emissões de poluentes. O sistema reconhecia quando um carro estava sendo verificado em um centro de testes, mudando o motor para o modo de economia e injetando produtos químicos para reduzir as emissões, a fim de registrar nos testes resultados inferiores aos observados em condições normais de condução. O caso foi descoberto nos Estados Unidos, que na terça também anunciou a abertura de uma investigação penal.

Os softwares fraudulentos detectados em modelos das marcas VW e Audi nos Estados Unidos podem estar presentes em outras filiais, que conta com marcas como Seat, Skoda e Porsche. A Volks afirma que o Brasil não tem modelos com o sistema.



 

Pão, remédio e maquiagem ficam  mais caros

Dependentes de muita mercadoria importada e com estoque de giro rápido, produtos farmacêuticos e o pãozinho de cada dia não têm como adiar o repasse da alta do dólar e já estão pesando mais no bolso do consumidor. Os alimentos à base de trigo, grupo que inclui também biscoitos e macarrão, já vêm subindo desde março, quando a moeda americana ultrapassou a barreira dos R$ 3, porque grande parte da farinha usada no Brasil é importada da Argentina e dos EUA. Com isso, o pãozinho francês ficou 8,1% mais caro de janeiro a agosto, quando a inflação medida pelo IPCA foi de 7,06%.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães e Bolos Industrializados (Abimapi) houve um aumento médio de custos da ordem de 5% decorrente do câmbio.

— Mas a tendência é que os fabricantes segurem ao máximo essa alta, porque não querem perder vendas. Por enquanto, dá para segurar, mas, se o dólar continuar subindo além dos R$ 4, não haverá como — diz Cláudio Zanão, presidente da Abimap, que não descarta que alguns repasses ocorram.

Nesta terça-feira, o dólar fechou a R$ 4,054, a maior cotação desde a criação do Plano Real, em 1994, ultrapassando a barreira dos R$ 4. Desde o fim de dezembro, a divisa americana acumula alta de 52,3%. Em 12 meses, avança 69,3%.


Na indústria farmacêutica, que tem 95% das matérias-primas importadas, o efeito imediato será na redução dos descontos oferecidos pela indústria ao varejo. Os preços da maioria dos medicamentos são controlados pelo governo, que autoriza um aumento por ano. Preços de perfumes e maquiagem também devem subir.

— A escalada do dólar reduz drasticamente a rentabilidade das empresas e o que deve acontecer é uma mudança nas condições comerciais com atacadistas e farmácias, que, para os consumidores, significa menos descontos nos preços — diz Nelson Mussolini, diretor-presidente da Sindusfarma.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) considerado a prévia da inflação oficial, fechou setembro em 0,39%, contra 0,43% em agosto. Em 12 meses, o IPCA-15 chega a 9,57%, o maior desde dezembro de 2003 (9,86%).

ESTOQUES ALTOS ADIAM REPASSE EM ALGUNS SETORES

Já em outros segmentos, como o de eletroeletrônicos, os custos estão pressionados por causa do dólar, mas a recessão, os juros altos e o crédito escasso impedem o impacto imediato no bolso do consumidor.

— A recessão posterga o impacto porque as indústrias estão com estoques elevados, e esses produtos chegarão ao mercado sem necessidade de repasse. Quando o consumo é alto, e as empresas precisam repor estoques rapidamente, o efeito é imediato. Mas hoje, as pessoas já não estão comprando, se o fabricante repassar esse custo, aí é que não vende mesmo — explica Luís Otávio Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil.

A produção de televisores, por exemplo, usa 80% de componentes importados e de motos, 70%. Mas, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de produtos eletroeletrônicos (Eletros), no primeiro semestre, as vendas de fogões, refrigeradores e máquinas de lavar caíram 10%, as de micro-ondas, 16%, e de televisores, 37%.

— Assim que os custos com os insumos aumentarem, será repassado. Se já estava difícil, vai ficar mais complicado. A alta do dólar vai refletir, com toda certeza, nas vendas do fim do ano — lamenta Lourival Kiçula, presidente da Associação Nacional de Fabricantes de produtos eletroeletrônicos (Eletros).



 

Com disparada da moeda, déficit externo caiu 64%

 

Com a disparada da cotação do dólar, ficou mais fácil exportar e muito mais difícil manter os gastos em moeda americana. Por isso, o déficit das contas externas caiu 64% em agosto na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado de todas as trocas de serviços e do comércio do Brasil com o resto do mundo ficou negativo em US$ 2,5 bilhões. É o melhor resultado dos últimos três anos. O ajuste das contas externas está mais rápido do que previa o Banco Central, já que a projeção da autoridade monetária era de um déficit de US$ 4 bilhões no mês. Além da alta do dólar, a recessão também contribui para que as despesas com o exterior diminuam.

Por isso, o BC diminuiu a estimativa para o déficit em conta corrente neste ano de US$ 81 bilhões para US$ 65 bilhões. Se confirmado, será o melhor resultado desde 2012. Ele representa 3,71% do Produto Interno Bruto (PIB, todos os serviços e produtos produzidos no Brasil em um ano). Em 2014, o rombo das contas externas era de 4,42% do PIB. A melhora do indicador vem por um motivo ruim: a debilidade da economia brasileira. Com a queda na atividade econômica, por exemplo, menos produtos e insumos são exportados. E A alta da moeda americana - também fruto das incertezas em relação ao Brasil - impedem gastos como a remessa de lucro e dividendos (que foi de apenas US$ 1,5 bilhão com queda de nada menos que 49% em relação a agosto do ano passado) e também de viagens ao exterior.

Assustados com a desvalorização do Real, as viagens para o exterior foram suspensas por ora. O turista daqui deixou US$ 1,3 bilhão em turismo fora do país: queda foi de 46% em relação a agosto do ano passado.

Com projeções cada vez piores para o cenário político e, principalmente, econômico no Brasil, a entrada de investimentos estrangeiros, considerados de melhor qualidade - porque aumentam a capacidade de produção _ caiu quase pela metade: 48% a menos em agosto na comparação com o mesmo período do ano passado.

Segundo o Banco Central, o país recebeu US$ 5,2 bilhões no mês passado. A queda ocorre no momento em que o dólar está mais caro. Na teoria, deveria ocorrer o contrário já que um dólar compra mais reais, mas só se o nível de atividade compensasse o investimento.

Agosto mostrou um aprofundamento do quadro de ajuste das contas externas pela crise. Nos oito primeiros meses, as transações correntes têm déficit de US$ 46,1 bilhões: 30% a menos que nos oito primeiros meses do ano passado. Já os investimentos diretos no país caíram 35% e estão em US$ 42,2 bilhões

 

Continuação de Dilma poderá levar  o dólar a R$ 5 em 2016

A pesquisa Focus com economistas do mercado financeiro e divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) apontou pela primeira vez que o dólar deve fechar 2016 cotado a R$ 4. Para 2015, a expectativa é que a moeda americana fique em R$ 3,86. As previsões para o PIB e a inflação também pioraram, assim como já se vê uma alta na taxa Selic no ano que vem. As novas projeções para o desempenho da economia vêm após a divulgação do novo pacote de medidas de austeridade do Ministério da Fazenda, com a retomada de impostos como a CPMF, anunciado na semana passada.

Segundo o relatório do BC, a taxa de câmbio esperada para 2015 e 2016 aumentou pela terceira semana seguida. A expectativa para este ano passou de R$ 3,70 para R$ 3,86, enquanto para o ano que vem o salto foi de R$ 0,20 – de R$ 3,80 para R$ 4.

Hoje, moeda americana abriu em queda, mas logo inverteu a tendência e chegou a bater R$ 3,986, renovando a máxima desde outubro de 2012. No câmbio turismo, já era vendida a R$ 4,45 no cartão pré-pago em casas de câmbio do Rio. Em espécie, o valor variava entre R$ 4 e R$ 4,24 na manhã desta segunda-feira.

Já a expectativa em relação ao PIB registrou pela décima semana seguida uma piora na expectativa para este ano e de 2016. A economia brasileira deve registrar uma contração de 2,70%. Na semana passada, a previsão era de um encolhimento de 2,55% este ano.


De acordo com o IBC-Br, divulgado pelo BC, a economia ficou praticamente estável em julho, com leve recuo de 0,02%. No ano, no entanto, a a atividade econômica já retroagiu nada menos que 2,71% em relação ao mesmo período do ano passado. Nos últimos 12 meses, a queda é de 1,89% – houve uma aceleração da retração da economia, já que até o mês passado, o recuo em 12 meses era de 1,64%.

O PIB do segundo trimestre de 2015, divulgado no fim do mês passado pelo IBGE, mostrou que a economia recuou 1,9% frente aos três meses anteriores, registrando o pior desempenho da série histórica iniciada em 1996.

A piora na projeção do PIB deste ano tem influência na expectativa para 2016. O cenário para o ano que vem piorou pela sétima semana seguida. Na pesquisa anterior, a previsão era de um recuo na atividade econômica de 0,60%, que foi ampliado para 0,80%.

Já a perspectiva de inflação deste ano também teve alta, de 9,28% na semana passada, para 9,34%. Para 2016, a expectativa de 5,64% para o IPCA aumentou para 5,70%. Foi a sétima elevação semanal seguida. A projeção está acima da meta de inflação do BC, que é de 4,5%, podendo variar dois pontos para cima ou para baixo.

Já a taxa Selic para 2015 foi mantida no mesmo patamar pela oitava semana seguida,nos atuais 14,25%. Após a previsão para 2016 ficar em 12% por três semanas, a nova previsão agora é de uma taxa básica de juros de 12,25% no próximo ano.

 

 

Confiança do empresário industrial é a menor desde 1999

A confiança dos empresários da indústria voltou a cair em setembro, após a estabilidade registrada em agosto. Com a queda, o indicador atingiu o menor patamar da série histórica, iniciada em 1999, segundo dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Neste mês, índice de confiança dos empresários industrais (ICEI) somou 35,7 pontos, com queda de 1,4 ponto frente a agosto. O indicador é 10,9 pontos menor que o registrado em setembro de 2014 e 19,8 pontos inferior à média histórica do índice.

"Com esse resultado, o indicador completa um ano e meio abaixo dos 50 pontos, o que sinaliza pessimismo dos industriais", informou a CNI.

A pesquisa da CNI foi realizada com 2.972 empresas, sendo 1.182 de pequeno porte, 1.099 de médio porte e 691 de grande porte, entre 1 a 14 de setembro de 2015. O ICEI varia de zero a cem pontos, sendo que valores abaixo de 50 pontos indicam falta de confiança do empresário. "Quanto mais abaixo de 50 pontos, maior e mais disseminada é a falta de confiança", acrescentou a entidade.

O índice das pequenas empresas manteve-se estável em setembro, em patamar abaixo dos 50 pontos. "Os industriais das empresas deste porte não mostram aprofundamento da falta de confiança em setembro na comparação com o mês anterior. A queda no ICEI da indústria em setembro deve-se a piora da confiança dos industriais das empresas de médio e grande portes", informou a CNI.

A avaliação das empresas, segundo o levantamento, é de manutenção de piora das condições de negócios. O índice de condições atuais variou dentro da margem de erro, mantendo-se em patamar abaixo dos 50 pontos. "A piora das expectativas para os próximos seis meses provocou a queda na confiança. O índice de expectativas recuou 1,6 ponto em setembro", acrescentou a entidade.

 

Reajuste de luz já eleva em 35% arrecadação de ICMS


 

Os consumidores de energia elétrica já sentem no bolso o aumento das tarifas. Esse ano, o aumento médio nas contas de luz deve ser em torno de 50% em relação a 2014. Essa elevação, porém, está sendo celebrado pelos governos estaduais e federal. De acordo com levantamento do Instituto Acende Brasil, de janeiro a maio deste ano, a arrecadação dos estados com o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nas tarifas de energia subiu 35% em relação ao mesmo período de 2014. Já a receita apurada com o pagamento do PIS/Cofins em maio se elevou 46% no comparativo com a mesma base de 2014.

— O consumidor tem que entender que quem paga essa conta é ele. Todo esse aumento na arrecadação é repassado para as contas de luz —, disse o presidente do Acende Brasil, Cláudio Sales.


Prova de que a arrecadação do setor elétrico é alta, segundo Sales, é a participação das empresas no volume acumulado na receita tributária do ICMS que é em torno de 8%. E na arrecadação do PIS/Cofins a parcela do setor é de cerca de 5%.

— Todo setor de energia elétrica representa somente 2% do PIB (Produto Interno Bruto) e arrecada muito mais que isso. A redução da tributação sobre energia elétrica é fundamental. Mas, é uma coisa sempre prometida mas inversamente praticada —, disse Sales.

Segundo Sales, para travar o aumento das contas de luz e a arrecadação de tributos que são repassados para os consumidores no ano que vem, é preciso que o Tesouro volte a aportar recursos na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), uma espécie de fundo para subsidiar os programas sociais, como Luz para Todos. Em 2012, para baixar a conta de luz em 20% o governo editou uma Medida Provisória que previa que o governo bancaria a maior parte dessas políticas públicas e o consumidor ficaria com uma parcela pequena dessa contribuição. Com isso, em 2014, R$ 1,7 bilhão foi cobrado nas tarifas e destinado à CDE. Esse ano, esse valor vai ser de R$ 18,9 bilhões.

— O Tesouro não bancará nada. A conta dos programas sociais voltou para os consumidores. Esse é um dos fatores para o aumento médio de 50% nas tarifas de energia. No ano que vem, não acredito que se reduza muito a conta de luz, ela pode parar de subir —, explicou Sales.




 

 

Consumo das famílias em baixa afetará desempenho do comércio

 


O resultado de queda de 1% nas vendas do comércio varejista em julho mostra que o terceiro trimestre começou com desempenho fraco para o setor, de acordo com dados da Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE. Com isso, especialistas acreditam que o consumo das famílias continuará a puxar para baixo os dados do próximo PIB trimestral. Os analistas do Banco Bradesco reforçaram a projeção de queda do gasto familiar para o período, que deve ficar entre 1,0% e 1,5%.

No resultado do PIB do segundo trimestre, divulgado pelo IBGE em agosto, O consumo das famílias teve queda de 2,1% em relação ao primeiro trimestre, o pior desempenho desde o terceiro trimestre de 2001, quando recuara 3,2%. Na comparação com o mesmo período de 2014, o recuo foi de 2,7%, o segundo trimestre seguido de queda. Antes disso, o consumo das famílias tinha subido por quase 11 anos: 45 trimestres seguidos, ou desde o último trimestre de 2003.

Segundo Carlos Thadeu de Freitas, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o cenário econômico leva a crer que as quedas nas vendas comércio não vão parar. Ele afirma que mesmo com o dia das crianças, em outubro, e a proximidade do Natal, o resultado será desfavóravel para o setor. Após o resultado, a CNC revisou a projeção para o balanço do varejo em 2015, com queda de 4% ante estimativa prévia de 3%.

— Uma série de variáveis estão coincidindo: a alta do dólar afeta bens de consumo duráveis, alimentos, importados em geral; a renda real tem caído substancialmente com aumento dos preços. E outra, o desemprego começou a aumentar muito rápido e vai continuar. Então, a indústria foi muito fraca e agora o comércio sente na ponta. A indústria está estocada e, com o comércio fraco, a indústria vai continuar assim — avalia Freitas.

Até mesmo o resultado positivo no varejo ampliado, com alta de 0,6% no mês, não representa pode ser considerado uma recuperação do comército. Freitas afirma que foi um "ponto fora curva".

— Os preços devem ter sido oferecidos em condições favoráveis, com juros zero praticamente, então há maior facilidade comprar um carro. A dúvida é saber que o consumidor vai conseguir honrar os pagamentos, se foi financiado — questiona o economista.



O economista da CNC explica que alguns setores sofrem menos do que outros de acordo com a demanda. Os setores de hipermercados, alimentos e produtos farmacêuticos, por exemplo, são alguns dos que sempre vão manter o consumo, mesmo com as vendas caindo, pois Freitas afirma que têm “demanda inelástica”, ou seja, são bens essenciais. No entanto, ele explica que se o desemprego continuar aumentando, tais segmentos vão sentir bastante, ainda que menos do que outras áreas.

No entanto, ele destaca que, em razão da produção industrial em queda, os estoques acumulados e os juros altos, este ano será um ano de descontos para bens de consumo duráveis. Para escoar a produção, Freitas afirma que será necessário reduzir os preços e, por isso, vê um segundo semestre menos pior do que o primeiro para o setor.

— Com essa fraqueza toda (nas vendas), é possível que você tenha liquidações contínuas e constantes para ver uma melhora marginal do comércio — afirma o economista da CNC.

 

Mais tributos e cortes: a austeridade que o brasileiro vai pagar

 

O Governo Dilma Rousseff anunciou que pretende recriar a CPMF (o imposto sobre movimentações financeiras) pelo período de quatro anos, além de congelar os reajustes dos servidores públicos federais por sete meses, e cortar em quase 30% os investimentos no programa Minha Casa Minha Vida. As medidas fazem parte de mais uma etapa do pacote de ajuste fiscal, que tem como objetivo transformar o déficit nas contas públicas de 30,5 bilhões de reais do Orçamento de 2016, em um superávit de 60,4 bilhões de reais. O anúncio, feito pelos ministros Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento) ocorreu após longas reuniões emergenciais convocadas nos últimos três dias.

A pressa para apresentar medidas que ajudem a fechar as contas do Governo vem na sequência do rebaixamento da nota de risco do Brasil por parte da agência Standard & Poor’s na semana passada. A iminência de um déficit para o ano que vem teria sido o fator decisivo para que a S&P tirasse o grau de investimento do Brasil.

A nova CPMF precisará ser aprovada pelo Congresso Nacional, que já se mostrou avesso à ideia. Mas, caso passe pelo crivo dos deputados e senadores, será destinada apenas para a Previdência Social, e não terá o foco principal na saúde, como era a CPMF que vigorou entre 1998 e 2007. Se a ressurreição do imposto for aprovada, o valor da contribuição será de 0,2% sobre todas as movimentações financeiras realizadas no Brasil. A estimativa da equipe econômica é arrecadar com ela 32 bilhões de reais.

Nos próximos dias, representantes da gestão Rousseff irão iniciar uma série de negociações com parlamentares para pedir ajuda na aprovação da medida que ainda será enviada ao Legislativo. Quando foi extinta, em 2007, a CPMF, que complementava principalmente o orçamento da saúde e uma parte da Previdência, era de 0,38% sobre as movimentações bancárias. A escolha pelo retorno desse tributo, conforme o ministro Levy, é que ele é mais “democrático” porque abrange toda a sociedade, sem sobrecarregar um ou outro setor. Em outras palavras, todos os brasileiros passam a pagar a conta do plano de austeridade da equipe econômica.

Com relação ao congelamento do funcionalismo público, o objetivo é economizar cerca de 7 bilhões de reais. O Governo agora terá de renegociar com os servidores as propostas de reajustes que já havia apresentado para um período de quatro anos. Para o ano que vem, a estimativa era que o aumento chegasse aos 10,5% a partir de janeiro. De acordo com o ministro Barbosa, para se chegar a essa economia, será necessário estender esse prazo para agosto.

Sobre o Minha Casa Minha Vida, um dos programas-vitrine de Rousseff, o corte será de 4,8 bilhões de reais, quase 30% do que estava previsto para 2016. Por enquanto foi o único programa social em que o Governo admitiu realizar reduções no investimento.

Ferreira pede licença da presidência do Conselho da Petrobras

 

O presidente da Vale, Murilo Ferreira, pediu licença da presidência do Conselho de Administração da Petrobras até o dia 30 de novembro. Ferreira alegou razões pessoais para seu afastamento. A Vale informou que Ferreira continua exercendo suas funções na empresa normalmente.

Segundo fontes, o pedido pegou de surpresa a direção da estatal. Um executivo próximo ao conselho afirmou que Ferreira teria se afastado para se dedicar mais à mineradora, que “estaria com um cenário mais difícil do que da própria Petrobras”. A Vale, maior produtora global de minério de ferro, enfrenta dificuldades com o mercado, diante sobretudo da desaceleração da economia chinesa. As cotações do minério atingiram em julho o menor valor em 10 anos.

De acordo com outra fonte do setor, porém, não se descarta que um dos motivos seria o descontentamento de Ferreira em relação ao andamento do processo de venda de ativos da companhia, principalmente em relação à oferta pública de 25% das ações da BR Distribuidora, unidade de distribuição combustíveis da estatal, aprovada em agosto.


Ferreira divergiu do conselho, sustentando que a venda só deveria ser realizada após sua reorganização. O executivo acha que seria preciso contratar profissionais com experiência em vendas no varejo e aprovar um plano de negócios para a BR Distribuidora.

Em função disso, a Petrobras cancelou a operação, que pretendia realizar até outubro, e contratou uma empresa especializada em busca de um profissional no mercado para presidir a companhia. Desde 2009, José Lima Neto está à frente da distribuidora. Fontes do mercado dizem que ele conta com o apoio do PMDB do Maranhão.

A Petrobras quer vender US$ 15,1 bilhões em ativos até o fim de 2016 para ajudar a reduzir o montante de US$ 132 bilhões de dívida, a maior de qualquer petroleira.

O suplente de Murilo Ferreira, Clóvis Torres, que é consultor da Vale, também vai pedir licença. Segundo a assessoria da mineradora, o objetivo de Torres é “que os demais membros do Conselho de Administração fiquem à vontade para nomear, dentre os titulares, um presidente interino”.

 

O Conselho de Administração da Petrobras é formado por dez membros, dos quais sete são representantes do controlador (a União), e três outros independentes. Um deles representa os acionistas minoritários detentores de ações ordinárias, outro os acionistas detentores de ações preferenciais e o último, os funcionários da Petrobras.

Ferreira entrou no lugar do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que, por sua vez, ficou interinamente à frente do Conselho, após a renúncia do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.

Em comunicado oficial, a Petrobras informou apenas que recebeu o comunicado de que Ferreira ficará de licença até 30 de novembro de 2015.



 

 ‘Se o país não fizer uma reforma ambiciosa, o Brasil será uma Grécia’



Ex-ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, diz que é preciso atacar gastos obrigatórios para evitar “sofrimento prolongado”. Para ele, imagem do país no exterior está desacreditada com rebaixamento.

O que a perda do grau de investimento significa para o Brasil?

Significa que todos os papéis brasileiros passam a ser considerados investimento especulativo, com risco grande. Os fundos de investimento mais avessos (a riscos), sobretudo os de pensão e aposentadoria, numerosíssimos nos Estados Unidos e em países nórdicos, em geral têm estatuto que proíbe investir em países que não possuem grau de investimento. Então, vai sair mais dinheiro do Brasil. Por enquanto não é tão ruim porque a liquidez mundial continua abundante. Quando os americanos aumentarem a taxa de juros (o que deve acontecer este ano), aí vai ter ainda mais dinheiro fugindo daqui.

E o efeito para nossas empresas?

O crédito fica mais caro, mais difícil. Nos últimos anos, as empresas brasileiras aproveitaram a liquidez mundial para pegar empréstimo no exterior. Numa próxima vez, quando quiserem rolar suas dívidas lá fora, vão ter que pagar prêmios mais altos. Além disso, a desvalorização da nossa moeda vai exigir muito mais reais para pagar a dívida em dólar. Isso afeta muito fortemente a Petrobras, por exemplo, que tem dívidas gigantescas no exterior. Qualquer empresa com sede no Brasil paga o prêmio de risco do país. Isso (a perda do grau de investimento) afeta, portanto, a competitividade do Brasil e das empresas em geral.

A S&P previu em seu relatório um rombo nas contas públicas por três anos. Como lidar com isso?

Teria que haver uma política que atacasse os gastos obrigatórios criados no passado pelo Congresso, como a fórmula do reajuste do salário mínimo, para acabar com a tendência de os gastos crescerem a cada ano. Se o país não fizer uma reforma muito ambiciosa, que politicamente me parece um pouco impossível, o caminho que o país estará seguindo é um pouco o da Grécia. Ou escolhemos mudar realmente ou vamos ter um sofrimento muito prolongado. A Grécia perdeu 25% do PIB, ela ficou 25% mais pobre. É o que vai acabar acontecendo aqui. Chega um momento em que não há mais dinheiro para pagar pensão. Mas nossos políticos acham que dinheiro dá em árvore. Então, para chegar a isso (à reforma), talvez seja necessário um sofrimento adicional.

Que peso a crise política tem na crise econômica?

A economia depende da política. Quando a política é ruim, a economia é sempre ruim. A presidente Dilma enviou sinais muito contraditórios. O que me impressiona é que nossa presidente, mesmo quando tem boa intenção, tem um sentido de timing que é um desastre. Hoje (ontem) está publicado no jornal que ela finalmente vai realizar o superávit de 0,7% do PIB no ano que vem. A primeira reflexão a fazer é perguntar por que ela esperou tanto para fazer essa declaração. Se tivesse dito isso semana passada, é possível que a S&P tivesse esperado um pouco mais.



O rebaixamento abre caminho para o ajuste fiscal, que tem encontrado resistência em alguns setores do governo?

Se ela (Dilma) de fato for firme e resolver seguir com o ajuste agora, o Levy tem uma chance de recuperar o grau de investimento. No horizonte do ano que vem, ele pode ganhar credibilidade. Mas isso depende muito da firmeza dela. O que o ministro precisa é de apoio.

O aumento da taxa básica de juros é inevitável?

Não tem efeito direto. O problema dos juros é mais a expectativa da inflação. Se a presidente seguir o conselho daqueles que querem abandonar o ajuste e dar incentivo para crescimento, aí há perigo de a inflação disparar. Pode se repetir o que houve na Venezuela, na Argentina, onde a taxa chegou a 20%, 25%, 30% ao ano. Aí a casa cai.

Como a perda do grau de investimento afeta nossa imagem no exterior?

A imagem é de um país em crise e com grau de confusão grande. O que as pessoas admiravam no Brasil, na época daquela capa da "Economist" (revista britânica que publicou em novembro de 2009 uma reportagem de capa com o título "Brasil decola"), era que o país tinha política econômica prudente, a economia crescia e a pobreza e a desigualdade diminuíam. Agora, ninguém mais acredita que o país tenha uma política econômica prudente. A economia não cresce e os ganhos sociais estão ameaçados. O que compunha a imagem do Brasil acabou.



 

Indicador de risco associado ao Brasil dispara e supera o da Rússia

 

A percepção de risco dos investidores com relação ao Brasil disparou, depois de a agência de classificação Standard & Poor’s (S&P) ter cortado a nota de crédito do Brasil, fazendo-o perder seu grau de investimento — espécie de selo de bom pagador. A busca por contratos de seguro contra um calote do país deu um salto, assim como ocorreu com os juros dos títulos públicos brasileiros negociados no mercado secundário.

O CDS (Credit Default Swap, na sigla em inglês, espécie de seguro contra calote), chegou a disparar 14,5%. O contrato com prazo de cinco anos, em dólar, fechara  em 374 pontos centesimais e, hoje, atingiu os 428 pontos nos primeiros minutos de negociação. Agora, sobe 7,5%, a 402 pontos.

O CDS de cinco anos da da Rússia — que tem a mesma nota de crédito do Brasil na escala da S&P (BB+) e ainda é alvo de um embargo econômico — está em de 375 pontos. Outros países considerados BB+ também apresentam CDS inferior ao do Brasil. O da Indonésia está em 242 pontos; o da Hungria é de 170; para a Bulgária, o contrato opera aos 173 pontos.

Entre os títulos de dívidas soberanos, os do Brasil são os que registram maior acréscimo de prêmio nesta quinta. Quanto maior for o risco associado a um país, maior são os juros que seus títulos precisam oferecer para atrair investidores. Os títulos brasileiros com vencimento em dez anos, denominados em dólar, registram aumento de 14,1 pontos-base no “spread” (diferença) sobre os títulos do Tesouro americano, ou 347 pontos, com rendimento de 5,62% ao ano. O valor está 52% acima da média de 228 pontos-base registrada nos últimos 12 meses.

O “spread” dos títulos de dez anos, em dólar, do Chile operam em 88,8 pontos, enquanto os do México registram patamar de 154, e os do Peru, de 180. Já o papel da Colômbia oferece “spread” de 216 pontos.


 

 

Perda do BC com swaps beira R$ 90 bilhões

 

O Banco Central (BC) registrou prejuízo de R$ 89,51 bilhões com os contratos de "swap cambial" – instrumentos que equivalem à venda futura de dólares – de janeiro até a última sexta-feira (4), segundo números divulgados pelo próprio .

Até o final o dia 28 de agosto, o prejuízo acumulado com os swaps estava em R$ 71,93 bilhões. Somente em agosto, as perdas somaram R$ 17,22 bilhões. Nos quatro primeiros dias úteis de setembro, totalizaram R$ 15,24 bilhões.

Apesar dos prejuízos gerados pelas intervenções no câmbio, o BC não impediu uma alta do dólar, que, no fim do ano passado, estava em R$ 2,65. Na última sexta-feira, a moeda norte-americana fechou cotada a R$ 3,86. Com isso, registrou um aumento de 45% neste período. De forma geral, o BC lucra com estas operações quando o dólar cai e perde quando a cotação da moeda norte-americana sobe.

Valorização das reservas
O BC tem destacado que, se por um lado há perdas com os contratos de swap cambial, por outro também há valorização das reservas internacionais brasileiras (atualmente em cerca de US$ 370 bilhões) superior a R$ 150 bilhões (valor líquido de custo) neste ano. Esse valor, de acordo com o BC, supera as perdas com os swaps cambiais.

Mesmo sendo um diferencial para a economia brasileira, em um momento de crise internacional e também interna, as reservas também têm o chamado "custo de captação" e carregamento - valor pago pelo governo para retirar recursos do mercado por meio da emissão de títulos públicos do mercado (operações compromissadas).

Estes valores foram injetados pelo próprio BC na economia ao comprar dólares para as reservas, e, por terem juros próximos à Selic (atualmente em 14,25% ao ano), têm um custo muito maior do que os juros externos. O custo de captação superou R$ 80 bilhões no primeiro semestre.

Ainda de acordo com o BC, a valorização das reservas, entretanto, não tem impacto no chamado superávit primário (economia para pagar juros da dívida pública), assim como não tem efeito no déficit nominal do setor público, mas incorporam o balanço do Banco Central. Os valores são exclusivamente utilizados para abater a dívida pública.

Para que servem os contratos de swap?
Os swaps cambiais, cujo estoque está próximo de R$ 370 bilhões (patamar do fim de julho), são contratos para troca de riscos. O Banco Central oferece um contrato de venda de dólares, com data de encerramento definida, mas não entrega a moeda norte-americana.

No vencimento deles, o investidor se compromete a pagar uma taxa de juros sobre o valor dos contratos e recebe do BC a variação do dólar no mesmo período.

Segundo o BC, os contratos de "swap cambial", que voltaram a ser emitidos em junho de 2013, quando a moeda norte-americana se aproximava de R$ 2,40, visam dar proteção para os agentes ("hedge") que têm dívida em moeda estrangeira e fornecer liquidez para o mercado – evitando também uma volatilidade maior (forte sobe e desce) das cotações no mercado à vista.

Entretanto, analistas observam que, com estas operações, o BC também busca conter uma disparada da moeda norte-americana, o que dificultaria mais o controle da inflação, pois os produtos e insumos importados ficariam mais caros no Brasil.

BC aumenta intervenção em agosto
Desde o fim de março, o BC estava apenas rolando os vencimentos. Com isso, deixou de fazer emissões líquidas deste instrumento.

Em agosto, o BC anunciou, porém, um aumento na oferta de contratos de swap cambial tradicional em leilão para rolagem do lote que vence em 1º de setembro, sinalizando aumento da intervenção no mercado de câmbio, em meio à acentuada alta da moeda norte-americana ante o real.

Impacto nos indicadores fiscais
Os prejuízos da autoridade monetária com os contratos de "swaps cambiais" são incorporados às despesas com juros da dívida pública e ajudam a impulsionar o déficit nominal – que atingiu quase 9% do PIB em doze meses até julho, o maior patamar da série histórica, que começa em novembro de 2002. Também ajudam a impulsionar a dívida do setor público.

No caso da dívida bruta do setor público, uma das principais formas de comparação internacional (que não considera os ativos dos países, como as reservas cambiais) – conceito também acompanhado pelas agências de classificação de risco – o endividamento brasileiro subiu em julho.

No fim do mês passado, estava em 64,6% do PIB (R$ 3,68 trilhões) - também o pior resultado da história. Alguns bancos já projetam a dívida bruta em 70% do PIB nos próximos anos.

 

Recessão afasta varejo estrangeiro, do Brasil


 

A retração econômica do Brasil, que deve se arrastar até o ano que vem, está fazendo o país perder atratividade para as grandes redes de varejo estrangeiras. Em busca de expansão no mercado latino-americano, elas estão trocando o Brasil por seus vizinhos no continente, que registram crescimento e ainda têm juros menores. É o caso da sueca H&M, que chegou a estudar o mercado brasileiro, mas não tem definição de quando — nem se — vai se instalar no país. O Brasil não está na lista de novos mercados que a varejista de moda cita em seu plano de expansão. A H&M entrou na América do Sul pelo Chile, em 2013, e, em maio, abriu sua primeira loja no Peru.

— Nesses outros países, as condições macroeconômicas estão mais favoráveis e, em alguns setores, como o de vestuário, a concorrência é menor. Isso faz algumas redes testarem outros mercados enquanto olham o desenvolvimento do Brasil — explica Esteban Bowles, diretor da consultoria A.T. Kearney.


Outro fator que contribui para que as redes de varejo, assim como empresas de outros setores, olhem para esses países é o fato de eles terem uma inflação mais controlada. Enquanto no Brasil a projeção é que o índice oficial, o IPCA, encerre o ano a 9,3%, em Colômbia, Peru e Chile os preços devem subir em torno de 4%, já considerando o efeito da apreciação do dólar. Quanto maior a inflação, menor o poder de consumo da população, o que faz o Brasil perder pontos.

A alta taxa de juros — a Selic está em 14,25% ao ano — é outro agravante, já que os investimentos feitos no país precisam ter, no mínimo, essa rentabilidade para serem viáveis. Os juros no Chile estão em 3% ao ano, enquanto Peru e Colômbia têm taxas de 3,25%.

MINERAÇÃO IMPULSIONA CHILE E PERU

Esse movimento não significa que essas redes não olhem mais para o Brasil; elas apenas acabam pensando duas vezes antes de tomar uma decisão. Como a também sueca Ikea, de móveis e decoração, que abriu um escritório no país para estudar o mercado mas adiou os planos de iniciar a operação, apesar de ter aqui fornecedores que exportam para outras unidades da empresa.

Segundo Andréa Aun, sócia da consultoria Integration, o Brasil fica na geladeira porque, em um ambiente econômico melhor, é mais fácil controlar os custos e, principalmente, avaliar os eventuais problemas na região.

— O custo de um país pode muitas vezes inviabilizar uma operação, então se testa em um local menor — argumenta, acrescentando que às vezes a logística no Brasil atrapalha um pouco, dada a dimensão continental do país.

As projeções da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) para o Brasil não são alentadoras. O organismo estima que este ano o país tenha retração de 1,5%. A expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) do Chile é de crescimento de 2,5%. Para a Colômbia, espera-se alta de 3,4%, e para o Peru, de 3,6%.

Em comum com o Brasil, esses países são exportadores de matéria-prima, cujos preços tiveram forte queda devido à desaceleração da economia chinesa. Ainda assim, investimentos e reformas feitas nos anos do boom das commodities garantem o crescimento e a atratividade desses países.


O economista Miguel Ricaurte Bermudez, do Itaú Unibanco no Chile, lembra que no caso de Chile e Peru, os elevados investimentos na área de mineração permitem que a economia cresça. Na Colômbia, os fatores positivos são a expansão do setor de refinaria e a reforma do mercado de trabalho.

— São países que estão mais atraentes por questões estruturais. Os investidores veem potencial de crescimento — diz Bermudez.

Isso não significa, porém, que não haja problema nesses países. O Peru é visto como pouco amigável a investidores, pois tem controle de capitais, e a Colômbia até hoje enfrenta grupos paramilitares.



 

Dilma não sabe o que fazer para recuperar produção de veículos

A produção de veículos no país caiu 18,2% em agosto desde ano em comparação com o mesmo período do ano passado, informou a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Frente a julho a queda foi de 3,5%.

O setor produziu 216,5 mil carros, comerciais leves, caminhões e ônibus em agosto, menor volume para o mês desde pelo menos 2007. A produção acumulada do ano ficou em 1,73 milhão de unidades, 16,9% abaixo dos oito primeiros meses de 2014.

A venda de veículos novos no mês passado recuou 8,9% contra julho e registrou queda de 23,9% sobre agosto de 2014, também atingindo o nível mais baixo para o mês desde pelo menos 2007.


Em relação aos emplacamentos nos oito meses do ano, o declínio foi de 21,4%, passando de 2,23 milhões para 1,75 milhão.

— Continuamos em um momento bastante difícil de mercado, especialmente em caminhões, com queda de 40% (nas vendas) — disse o presidente da Anfavea, Luiz Moan, ao comentar que a média diária de vendas de veículos em agosto foi semelhante à de julho.

Ele acrescentou que a associação também espera queda na produção de veículos do Brasil em setembro e em outubro.

Moan disse que, com o desempenho negativo do mercado, o nível de estoque aumentou para 380 mil veiculos, o que representou 52 dias de vendas. No mês passado, eram 345 mil unidades em estoque.



Temos duas maneiras para regular o estoque: estimulando o mercado ou reduzindo a produção. Como o mercado depende da economia e estamos em recessão, isso será difícil de acontecer. Por isso, as empresas devem reduzir a produção em setembro e em outubro — disse Moan.

Segundo ele, somente no mês de setembro serão 27,4 mil funcionários em casa por meio de lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho) e férias coletivas. Hoje, a indústria automobilística emprega 134,3 mil pessoas, queda de 9,8% sobre um ano antes. Em julho eram 135,7 mil empregados.

Já a exportação de veículos e máquinas agrícolas subiu 12,3% em agosto contra julho.

 

Produção da indústria cai 8,9% e tem maior recuo para julho

 

Pela segunda vez seguida, a produção industrial nacional mostrou sinais de fraqueza. Em julho, na comparação com o mês anterior, a atividade fabril recuou 1,5%, segundo divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) . A baixa é a maior desde dezembro de 2014.

"Essa queda de 1,5% é uma queda importante. Bate em dezembro do ano passado, que tinha sido 1,8%. E por categorias economicas, há importância nas quedas de bens semiduráveis não duráveis (-3,4%). O resultado de julho para essa categoria elimina o avanço que essa categoria tinha tido nos dois meses anteriores", analisou André Luiz Macedo, gerente de Indústria do IBGE.

Já em relação a julho do ano passado, a queda foi ainda maior, de 8,9% - a mais intensa para julho desde 2009, nessa base de comparação. Naquele mês, a retração havia sido de 10%. No ano, de janeiro a julho, a indústria acumula perdas de 6,6% e, em 12 meses, de 5,3%.

O resultado desse mês [-1,5%] faz com que o total da indústria não só se distancie do ponto mais elevado da série histórica [14,1%, alcançado em junho de 2013], mas faz com que o setor industrial opere em níveis de 2009. Em termos de patamar, está próximo de maio de 2009, de um período onde a indústria vinha buscando se recuperar, após 2008."

De acordo com o gerente do IBGE, essa queda é explicada por um baixo nível de confiança dos empresários e dos consumidores, afetando os investimentos por um lado, e o consumo por parte das famílias, por outro.

"Seja porque tem mercado de trabalho funcionando em ritmo menor, aumento da taxa de desemprego, massa de salário funcionado de forma mais lenta, aumento do nível de preços. Isso tudo afeta claramente o consumo das famílias, além da própria questão do crédito."

Alimentos e bebidas
De junho para julho, a maioria dos setores apresentou resultados negativos. O recuo foi puxado, principalmente, por produtos alimentícios (-6,2%), atividades de bebidas (-6,2%), de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,7%) e de indústrias extrativas (-1,5%), entre outros.

Além do açúcar, que tem impacto importante [no setor de alimentos, a gente observa pontualmente reflexos negativos vindos do complexo de carnes, seja bovinos ou aves, e parte do suco de laranja também tendo queda. A parte de carnes tem comportamento positivo ao longo do ano. Uma das razões vem das exportações. Quando olho 2015, há um comportamento positivo no setor de alimentos, mas olhando na margem, tem comportamento negativo na passagem de junho para julho."

Entre as categorias, a de bens de consumo semi e não-duráveis teve a maior retração ao recuar 3,4%. Também tiveram taxas negativas os setores produtores de bens intermediários (-2,1%) e de bens de capital (-1,9%).

Na análise das categorias, bens de capital recuaram 27,8% e bens de consumo duráveis, 13,7%. Os setores produtores de bens de consumo semi e não-duráveis (-9,2%) e de bens intermediários (-5,6%) também registraram queda.

"Você observa todas as categorias econômicas e claro, o total da indústria, numa redução do ritmo de produção", afirmou o gerente.

 

Venda de carro cai 8,9% em agosto

As vendas de automóveis e comerciais leves no país continuam ladeira a baixo. Segundo dados do Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavan), em agosto foram licenciados 200.174 unidades, queda de 8,9% em relação a julho, quando foram comercializados 219.410. No comparativo com agosto do ano passado a queda foi mais expressiva 26,9%, quando foram licenciados 259.110 unidades. Até agosto, o declínio foi um pouco menor, 20,2% - passando de 2.121.472 para 1.692.027.

Em julho, a Fiat manteve a liderança com 18% de participação e vendas de 36.047 unidades. A queda nas vendas em relação à julho foi de 5,4%. Já a Volkswagen vendeu 28.354 veículos e apresentou retração de 9%. A fatia da VW foi de 14,2% o que lhe rendeu a segunda colocação no ranking. A GM ficou em terceiro lugar com vendas de 26.912 carros, o que representou um recuo de 12,7% e uma participação de mercado de 13,4%. A Ford se manteve em quarto no volume de vendas com 20.753 licenciamentos e uma participação de 10,4%. A queda nos licenciamentos dos automóveis da marca foi de 20,9%.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, disse ontem que o mês de agosto teve estabilidade nas vendas diárias em relação à julho. Pelos dados do mês, foram 21 dias de negócios, com 9.532 carros vendidos ante 9.554 em julho.

— O volume de vendas total ainda reflete queda, mas a média diária está estável. Isso é bom para o mercado. Acredito numa recuperação somente no final do terceiro trimestre do ano que vem —, disse Moan.

No acumulado do ano, a Fiat também lidera o ranking de vendas de automóveis e comerciais leves, com 18,4%. A montadora italiana comercializou 310.830 unidades. A GM é a segunda marca no mercado, com 261.891 licenciamentos e 15,5% de participação. Já a Volkswagen vendeu 256.418 carros e obteve uma fatia de mercado de 15,2%. A Ford está em quarto com 10,7% de participação e 181.371 automóveis comercializados.

 

Analistas pioram projeção econômicas do Brasil


 

Os economistas ouvidos pelo Banco Central (BC) na pesquisa Focus mais uma vez reduziram as perspectivas para o PIB. A projeção para o resultado da atividade econômica neste ano caiu pela sétima semana seguida, passando de -2,06% para -2,26%. Para 2016, a previsão piorou pela quarta semana consecutiva: em vez de um recuo de 0,24%, como previsto no último boletim, agora, espera-se uma baixa de 0,40%.

Já a projeção para a inflação de 2015 foi aliviada pela segunda semana seguida, após uma maratona de 17 altas consecutivas. O número, no entanto, ainda é muito alto: 9,28%. A expectativa para o ano que vem, por outro lado, foi elevada pela quarta semana, a 5,51%.

A queda de 1,9% no PIB do segundo trimestre deste ano, divulgada na última sexta-feira pelo IBGE, foi maior do que a prevista por analistas. Economistas consultados pela agência de notícias Bloomberg estimavam, na média, uma retração de 1,7%. Isso levou a revisões imediatas do resultado para o ano Logo após a divulgação do instituto, bancos e consultorias anunciaram novos números: o pior deles prevê que a atividade econômica encolherá 2,7% este ano. A piora nas projeções da pesquisa Focus, no entanto, ainda não devem ter capturado o impacto do resultado do PIB. Por isso, tendem a ser ainda piores no relatório que será divulgado na segunda-feira que vem.

A deterioração das projeções para o PIB de 2015 também puxa para baixo a expectativa para o ano que vem. Há apenas quatro semanas, a pesquisa do BC mostrava que a economia encolheria menos de 2% em 2015, com um recuo de 1,80%. O dado referente a 2016 ainda aparecia no azul, com uma projeção de leve expansão da atividade econômica de 0,20%. Quando o número de deste ano ultrapassou a barreira dos 2%, com perspectiva de encolhimento de 2,01%, a projeção do ano seguinte também entrou no vermelho, em -0,15%.

Já a inflação de 2015 deu trégua pela segunda semana seguida. Em vez de 9,29%, a expectativa para este ano é que o IPCA fique em 9,28%. O relatório divulgado na semana passada mostrara, pela primeira vez desde abril, uma redução na expectativa para o índice oficial de preços este ano.


Por outro lado, houve piora pela quarta semana seguida na perspectiva para a inflação no ano que vem. Em vez de um IPCA de 5,50%, os economistas apostam que a taxa fique em 5,51% — acima da meta de inflação do Banco Central, que é de 4,5%, podendo variar dois pontos para cima ou para baixo.

Em relação ao dólar, o relatório Focus mostrou a manutenção da taxa de câmbio prevista tanto para o fim de 2015 quanto para 2016. Depois de cinco altas seguidas, os economistas mantiveram em R$ 3,50 o valor esperado para a moeda americana em dezembro deste ano. Já para o ano que vem, a previsão foi mantida pela segunda semana consecutiva em R$ 3,60.

A taxa básica de juros, a Selic, deve ser mantida no atual patamar, de 14,25%, segundo os economistas, que não alteraram essa projeção pela quinta semana seguida. Para o ano que vem a pesquisa mostrou manutenção da expectativa em 12%. O Comitê de Política Monetária (Copom) vai se reunir nesta semana.

 

Aumenta e recessão no Brasil , graças ao governo

A economia brasileira encolheu 1,9% no segundo trimestre, na comparação com o primeiro trimestre do ano, informou o IBGE . É o pior resultado para qualquer trimestre desde o período entre janeiro e março de 2009, quando o recuo foi de 2,2%. E é o pior desempenho para um segundo trimestre de toda a série histórica, iniciada em 1996. Foi também pior que o esperado, já que analistas previam queda de 1,7%, de acordo com a mediana das projeções compiladas pela Bloomberg. Na comparação com o segundo trimestre do ano anterior, a queda foi de 2,6%. No acumulado do semestre, o recuo foi de 2,1% e, em 12 meses, de 1,2%.

O PIB no primeiro trimestre deste ano teve a queda revisada de 0,2% para 0,7% frente aos últimos três meses de 2014. Com o resultado negativo entre abril e junho, o país voltou a entrar em recessão técnica — termo usado por economistas quando há duas quedas seguidas do PIB. A última vez que isso ocorreu foi no auge da crise global de 2008. O tombo daquela época, no entanto, foi bem mais intenso: contrações de 3,9% no quatro trimestre de 2008 e de 1,9% no primeiro trimestre de 2009 (também revisadas pelo IBGE, já que as divulgadas anteriormente eram de 4,1% e 2,2% respectivamente).

No ano passado, o país chegou a cair em recessão técnica entre o primeiro e o segundo trimestre, mas a sequência de variações negativas foi anulada por revisões de cálculos nos meses seguintes.

Para Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, a quantidade de dados similares aos de 2009 mostra que há semelhança entre o momento atual e aquele do pós-crise.

— Tem coisas parecidas e coisas diferentes. Uma coisa que é um fato, lá na época de 2008 e 2009, é que o consumo das famílias não tinha sido tão afetado, até porque existiam medidas para conter isso. Agora, a situação é um pouco diferente. São momentos diferentes, ambos com turbulências internacionais. Isso é um fato similar.



O consumo das famílias teve queda de 2,1% em relação ao primeiro trimestre, o pior desempenho desde o terceiro trimestre de 2001, quando recuara 3,2%. Na comparação com o mesmo período de 2014, o recuo foi de 2,7%, o segundo trimestre seguido de queda. Antes disso, o consumo das famílias tinha subido por quase 11 anos: 45 trimestres seguidos, ou desde o último trimestre de 2003.

Com a queda no segundo trimestre e as revisões, este é o quinto trimestre sem crescimento da economia brasileira na comparação com o trimestre anterior. Pela nova série, o PIB se manteve estável (com taxa zero) no quarto trimestre. Antes da revisão, a taxa tinha sido de 0,3%. Já na comparação anual — que considera o desempenho frente a igual trimestre do ano anterior — a economia registra cinco trimestres seguidos de queda.

Quase todos os componentes do PIB recuaram no segundo trimestre, frente ao trimestre anterior. A exceção foi o consumo do governo, que subiu 0,7%. De acordo com Rebeca, essa alta é explicada pelo principalmente aumento da remuneração de servidores. Esses gastos continuam crescendo, enquanto demais despesas, como material e serviços, por exemplo, que já recuam em termos reais.

A atividade da administração pública subiu 1,9% no segundo trimestre, frente ao trimestre anterior, e foi a maior alta. Apenas três (atividades imobiliárias e aluguel, com 0,3%, extrativa mineral, com 0,3%, além da administração pública) das 12 atividades tiveram ganho nesta base de comparação.

— O gasto com material do governo está caindo em termos reais, o que já não é o caso da remuneração. A remuneração (salários e benefícios) foi o que puxou (a taxa de consumo do governo) para cima, e os outros gastos puxaram para baixo — afirmou Rebeca.

O investimento medido pela Formação Bruta de Capital Fixo (compra de máquinas, equipamentos e investimentos em construção civil) — caiu 8,1% frente ao primeiro trimestre. É a maior queda desde o primeiro trimestre de 2009, quando o indicador despencou 10,1%, refletindo a crise global. Frente ao mesmo período de 2014, a formação bruta de capital fixo caiu 11,9% no segundo trimestre de 2015, a maior desde o primeiro trimestre de 1996, quando foi registrada uma queda de 12,7%.

A indústria, por sua vez, teve perda de 4,3%, enquanto na agropecuária o recuo foi de 2,7%. A gerente do IBGE explicou que o resultado fraco da agropecuária foi influenciado pela diminuição do peso da safra da soja no segundo trimestre.

— No trimestre passado, o destaque foi a soja, que tem uma expectativa de crescimento muito alta e tinha 60% da safra concentrada no primeiro trimestre. Esse peso caiu para 36% no segundo trimestre e houve a entrada do café, que está com perspectiva de baixa neste ano. No primeiro trimestre, a safra do produto tinha peso de 1%, que subiu para 61% no segundo trimestre — explicou.



Em valores correntes, o PIB chegou a R$ 1,428 trilhão no trimestre. A taxa de investimento no segundo trimestre foi de 17,8% do PIB, abaixo dos 19,5% do segundo trimestre de 2014. Já a taxa de poupança ficou em 14,4%, ante 16% em igual período de 2014.


 

 

Após comprar a GVT, Vivo inicia plano de demissão


Após comprar a GVT, a Telefônica Vivo, maior empresa do setor de telecomunicações do país, corre com os ajustes para enfrentar o atual momento econômico do Brasil, com queda no número de linhas em uso e receitas crescendo abaixo do esperado. A empresa anunciou aos funcionários um Plano de Demissão Voluntária (PDV). Segundo fontes a par da negociação, mais de mil vagas devem ser cortadas. A meta negociada, diz o Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de São Paulo (Sintetel-SP), é que 800 colaboradores sejam desligados da empresa somente em São Paulo, maior praça da companhia no país. Porém, os números finais ainda não estão fechados.

O anúncio pegou de surpresa os próprios funcionários da companhia, que não esperavam um corte nesse momento, já que a integração entre GVT e Telefônica mal começou. A aquisição foi concluída em maio, quando foi anunciado que Amos Genish, então presidente da GVT, iria comandar a empresa.

Corte de cargos duplicados

Segundo fontes, serão cortados funcionários com cargos duplicados entre as operadoras. A meta da companhia é gerar sinergias totais de R$ 16,2 bilhões. Para reduzir o impacto, o sindicato negociou o pagamento de salários adicionais de acordo com o tempo de casa e a extensão do plano de saúde por 120 dias, no caso dos funcionários da Vivo. Para a GVT, haverá extensão do plano médico até setembro.

Procurada, a Telefônica Vivo disse que os termos da reorganização foram discutidos com os sindicatos dos funcionários envolvidos e incluem condições especiais de saída da empresa. Disse ainda que, na primeira semana de setembro, fará uma reorganização em suas áreas administrativas para obter maior sinergia de processos e atividades. Por outro lado, lembrou que “haverá um reforço das equipes de atendimento ao cliente e de operações com usuários (rede externa)”, para melhorar o serviço.



 

 

Taxa de inadimplência no Brasil atinge nível mais alto em dois anos


Por causa da crise econômica e alta do desemprego, a inadimplência de famílias e empresas aumentou em julho. Até as prestações da casa própria, o brasileiro tem deixado de pagar. De acordo com o Banco Central, a taxa de calote das famílias aumentou 0,2 ponto percentual e chegou a 3,8% em todos os tipos de crédito, ou seja, com recursos livres ou direcionados para alguns usos específicos. A inadimplência dos financiamentos imobiliários subiu de 1,8% para 1,9%. Se considerado apenas o segmento de recursos livres, o calote subiu a 4,8% em julho, o patamar mais alto em dois anos.

A taxa é a maior desde o mesmo mês de 2013, quando atingiu 4,84%. Em junho, a inadimplência neste segmento, em que as instituições financeiras definem as taxas de juros livremente, havia sido de 4,6%, segundo dado revisado pelo BC.


Outras modalidades também registraram uma alta do calote. Empréstimos para aquisição de bens, rotativo do cartão de crédito, crédito pessoal e cheque especial têm mais parcelas em aberto.

As empresas também tem dificuldade de pagar as dívidas. O calote aumento 0,1 ponto percentual e ficou em 2,4%. No segmento de recursos livres, o crescimento da inadimplência em julho foi maior entre empresas, com o índice passando a 4,1%, contra 3,9% em junho. Entre pessoas físicas, também houve avanço no período, a 5,4%, contra 5,3%.

SALDO DE CRÉDITO DESACELEROU

A maior inadimplência, que são atrasos acima de 90 dias nos pagamentos de dívidas, tem como pano de fundo o cenário de deterioração do mercado de trabalho, baixo crescimento econômico e inflação acima de 9% no acumulado em 12 meses, muito superior ao centro da meta do governo — de 4,5% pelo IPCA, com margem de dois pontos para mais ou para menos.

Reagindo ao avanço persistente dos preços, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC aumentou a Selic em 0,5 ponto percentual no fim de julho, a 14,25% ao ano, patamar mais elevado em nove anos.

No cenário atual, os bancos estão mais reticentes em emprestar e o crédito no Brasil desacelerou. O saldo atingiu R$ 3,1 trilhões em julho, com expansões de 0,3% no mês e 9,9% em doze meses (comparativamente a 0,6% e 9,8% em junho). Já a relação crédito/PIB caiu de 54,6%, ante 54,5% no mês. O setor varejista é o que mais tem se retraído, segundo o BC.

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS

A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro aumentou 0,8 ponto percentual no mês passado e chegou a 28,4% ao ano. Somente para pessoas físicas, o custo médio subiu 0,9 ponto percentual e está em 36,3% ao ano. Se for contar apenas recursos livres, os juros pagos em média pelas famílias chegaram a nada menos que 59,5% ao ano: alta de 1,1 ponto percentual mês e recorde da série histórica, iniciada em 2011.


O spread bancário — diferença entre o custo de captação e a taxa efetivamente cobrada pelos bancos ao consumidor final — seguiu igual toada, indo a 31,4 pontos percentuais no mesmo segmento, ante 30,6 pontos percentuais em junho.

O BC também divulgou que o endividamento das famílias em junho, dado mais recente disponível, caiu a 45,8%, contra 46,1% em maio. O percentual considera o impacto de financiamentos imobiliários.

Excluído esse efeito, o endividamento das famílias recuou para 27,1% em junho, contra 27,4% em maio. Já o comprometimento de renda considerando financiamentos imobiliários manteve-se em junho, a 21,9%.

 

Gasto de brasileiros no exterior é o mais baixo em cinco anos

Os gastos de brasileiros no exterior continuaram em queda em julho, tradicional mês de férias, quando somaram US$ 1,67 bilhão, segundo informações divulgadas pelo Banco Central. Trata-se do menor valor para meses de julho desde 2010, quando totalizaram US$ 1,53 bilhão. Na comparação com julho do ano passado, quando as despesas no exterior somaram US$ 2,41 bilhões, a queda foi de 30,5%.

A queda de despesas no exterior acontece em um ano no qual o dólar tem registrado alta. No mês passado, a moeda norte-americana subiu 10,1%, para R$ 3,42. Na parcial dos sete primeiros meses de 2015, o dólar teve alta de quase 29%.

O dólar mais alto encarece as passagens e os hotéis cotados em moeda estrangeira, além dos produtos comprados lá fora. A valorização da moeda norte-americana também encarece os gastos com cartões de crédito e débito no exterior – que sofrem a incidência, ainda, do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) de 6,38%.

Ao mesmo tempo, outros fatores também têm  diminuído a renda das famílias, como a alta da inflação e de tributos, como aqueles sobre gasolina, empréstimos, cosméticos e bebidas, por exemplo. O nível de endividamento das famílias está elevado neste ano. Além disso, os juros bancários também estão em níveis historicamente elevados.

Acumulado do ano
Nos dos sete primeiros meses deste ano, ainda segundo informações da autoridade monetária, as despesas de brasileiros no exterior somaram US$ 11,61 bilhões. Com isso, registraram queda de 21,8% frente ao mesmo período do ano passado (US$ 14,85 bilhões). De acordo com o Banco Central, os gastos de brasileiros no exterior são os menores, para o período de janeiro a julho de um ano, desde 2010 - quando somaram US$ 8,58 bilhões.

Histórico de gastos
Em 2014, os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 25,6 bilhões – recorde para um ano fechado. No ano anterior, haviam somado US$ 24,98 bilhões, contra US$ 22,2 bilhões em 2013. Em 2011, as despesas dos nossos turistas lá fora haviam totalizado US$ 21,2 bilhões.

Até 1994, quando foi criado o Plano Real para conter a hiperinflação no país, os gastos de brasileiros no exterior não tinham atingido a barreira dos US$ 2 bilhões. Mas, naquele ano, quando o real foi ao equiparado ao dólar, as despesas somaram US$ 2,23 bilhões. Entre 1996 e 1998, elas oscilaram entre US$ 4 bilhões e US$ 5,7 bilhões.

Com a maxidesvalorização cambial de 1999 e o dólar ultrapassando R$ 3 em um primeiro momento, as despesas lá fora também ficaram mais caras. Os gastos voltaram a recuar e ficaram, naquele ano, próximo de US$ 3 bilhões.

 

 

22% menor, maioria dos estados descumpre limite da lei fiscal

 

 

O recuo na economia afetou fortemente as finanças dos estados brasileiros. A crise aguda no Rio Grande do Sul, estampada nas manchetes nos últimos dias, não é isolada. Em maior ou menor grau, todos enfrentam dificuldades que decorrem de uma combinação perversa: queda acentuada na arrecadação e aumento dos gastos obrigatórios. Levantamento feito pelo GLOBO, com base nos relatórios de gestão fiscal dos estados, mostra que as receitas despencaram 22,4% no primeiro quadrimestre de 2015, em relação aos últimos quatro meses de 2014. Ao mesmo tempo, os gastos com pessoal, principal dor de cabeça dos governadores, subiram 5,4% no mesmo período.

A análise mostrou ainda que, em abril (último dado disponível), 22 estados tinham ultrapassado algum limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Deste total, seis superaram os tetos fixados para gastos com pessoal ou dívida consolidada líquida (DCL). Os demais ficaram acima dos limites prudenciais. Pela lei, esse cenário já imporia punições aos governos regionais. No entanto, a LRF prevê mecanismos de exceção para momentos como o atual, em que o Produto Interno Bruto (PIB) está em queda. Pelas regras, quando a economia cresce abaixo de 1%, dobram os prazos para reenquadramento.

CRISE PIOR DO QUE OS NÚMEROS INDICAM

Para especialistas e secretários de Fazenda ouvidos pelo GLOBO, a crise nos estados é mais grave do que mostram os indicadores da LRF. Isso porque os índices ainda não captaram a dimensão do problema, que resulta da desaceleração da economia em 2015. A crise também decorre de anos de guerra fiscal e políticas de incentivo a gastos comandadas pelo governo federal.

— Os estados já sofriam perda de espaço histórica, inclusive por uma opção algo suicida de promoverem a guerra fiscal. Se somaram a isso os efeitos de um endividamento patrocinado pelo próprio Tesouro Nacional e uma recessão que afeta suas receitas mais do que a federal. É o pior cenário em termos estruturais e conjunturais — avalia José Roberto Afonso, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV) e professor do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP).

O que se observa hoje nos estados é um quadro de penúria que afeta a vida da população. Há atrasos nos salários de servidores, greves e falta material para escolas e hospitais. Ao mesmo tempo, os secretários de Fazenda implementam programas de ajuste fiscal que envolvem cortes de gastos e aumentos de impostos.

O secretário de Fazenda do Rio Grande do Sul, Giovani Feltes, admite que a situação do estado, a mais grave do país, é uma combinação entre o atual quadro econômico, que derrubou a arrecadação, e problemas estruturais que foram se agravando ao longo de décadas. Segundo ele, em 37 dos últimos 44 anos, o Rio Grande do Sul gastou mais do que arrecadou. Esse quadro foi mascarado por meio de empréstimos usados para pagar despesas correntes e pelo uso de depósitos judiciais.

Agora, o quadro se agravou, e a dívida do estado chega a R$ 85 bilhões, sendo R$ 50 bilhões com a União. Há passivos com precatórios (R$ 8,3 bilhões), com pagamento de juros decorrentes do uso de depósitos judiciais não tributários (R$ 1,1 bilhão) e pelo não pagamento do piso do magistério (R$ 10 bilhões):

— Como já disse o governador Sartori, já ultrapassamos o fundo do poço.




 

 

 

BB anuncia apoio ao setor automotivo com desembolso de R$ 3,1 bi

 

O Banco do Brasil anunciou acordos com entidades representativas do setor automotivo para apoio a fornecedores, com desembolso de R$ 3,1 bilhões até o fim de 2015. O programa do banco poderá se estender a "uma ampla gama de setores produtivos", o que poderá levar a “desembolsos da ordem de R$ 9 bilhões”, informou a instituição em comunicado à imprensa.

Somado aos R$ 5 bilhões em linhas de crédito e de capital de giro com condições especiais ao setor automotivo anunciados pela Caixa Econômica Federal nesta terça-feira, o valor de recursos a serem liberados para estimular a indústria pelos dois bancos públicos pode ficar entre R$ 8,1 bilhões e R$ 14 bilhões até dezembro.

Segundo o presidente da instituição, Alexandre Abreu, o BB mapeou 354 grupos com operações no país que podem ser contemplados:

— Não vamos antecipar com quais empresas estamos negociando porque certamente outros bancos devem ter iniciativa parecida. Mas, posso garantir que são os principais setores da economia.

O BB, maior banco do país por ativos, afirmou que a ideia é ajudar montadoras e fabricantes de peças automotivas a pagar dívidas com credores: os empréstimos serão concedidos por meio de antecipação de recebíveis, tendo como garantia o próprio contrato de fornecimento de peças às montadoras, explicou o vice-presidente de controle de riscos do banco, Walter Malieni. O setor vive forte queda das vendas, com anúncio de demissões e suspensão na produção.

— Elegemos 26 empresas âncoras que devem fornecer a programação de encomendas para cada parceiro. Assim, poderemos conceder o crédito e diluir o risco desse financiamento. Essas âncoras serão fiadoras das empresas menores — explicou o executivo, acrescentando que, com o risco menor, as taxas de juros serão bem competitivas.




 

 

Economia do Brasil esta quebrada e o povo também

O percentual de cheques devolvidos por falta de fundos foi recorde em julho, informou a Serasa Experian. O índice de 2,29% é o mais alto para o mês desde que a série foi criada, em 1991. No mesmo mês do ano passado, a taxa havia sido de 2,24%.

Considerando os sete primeiros meses do ano, o percentual de devolução de cheques sem fundos no país pela segunda vez foi de 2,20%, o segundo maior para o período desde o início do levantamento. No mesmo período do ano passado, o percentual ficou em 2,11%.


Desemprego, inflação e juros em alta estão causando dificuldades para os consumidores honrarem seus pagamentos, de acordo com os economistas da Serasa Experian. Assim, aumenta-se a incidência dos cheques que acabam sendo devolvidos pela segunda vez por falta de fundos.

No geral, a inadimplência iniciou o segundo semestre em alta impulsionada pela dificuldade cada vez maior dos brasileiros em honrar as contas do dia a dia. Com o orçamento que não fecha, despesas como a mensalidade escolar, a taxa de condomínio e a conta do telefone acabam indo para o fim da fila na hora que o consumidor escolhe o que vai ser pago primeiro.

Números da Serasa Experian mostram que a chamada inadimplência “não bancária” — que também inclui cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e concessionárias de serviços— avançou 3,5% na passagem de junho para julho. E provocou a alta mensal de 0,6% na inadimplência geral do consumidor, já que o calote aos bancos caiu 2,2%.

Já na comparação com julho do ano passado, o aumento da inadimplência geral chegou 19,4%, o maior alta para o mês desde 2011. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, o salto foi de 16,8%.


Caixa Econômica Federal encabeça ranking de reclamações do BC



A Caixa Econômica Federal aparece no topo do ranking de reclamações sobre instituições financeiras divulgado  pelo Banco Central. O índice, divulgado mensalmente, mostra o banco, que tem 76.447.040 clientes cadastrados, com 983 queixas consideradas procedentes. Em junho, a Caixa aparecia na segunda colocação, atrás do HSBC. A lista é elaborada pelo BC a partir de reclamações enviadas pelos correntistas à instituição, por telefone, pela internet ou presencialmente.

O segundo lugar é ocupado este mês pelo Bradesco, que teve 975 reclamações julgadas procedentes, seguido pelo HSBC, com 95, pelo Santander, com 232, e o Itaú, com 410.

No total de reclamações (resultado do somatório das reguladas consideradas procedentes ou não) foram 4518 contra a Caixa, 3845 contra o Bradesco, 428 contra o HSBC, 2008 contra o Santander e 4701 contra o Itaú.

Em sua defesa, o Bradesco informou sua posição no ranking do Banco Central "reflete a inclusão de registros específicos decorrentes de processos que já foram ajustados e que visam a constante melhoria no atendimento aos clientes".

Já o Santander ressalta que "tem trabalhado continuamente na melhoria dos seus processos, ofertas e atendimento, com o intuito de torná-los mais simples e ágeis e, dessa forma, melhorar a satisfação e a experiência dos consumidores com o banco".

O HSBC, por sua vez, se manifestou afirmando que "avalia todas as demandas recebidas pelos canais oficiais de atendimento e atua com o foco do cliente para estabelecer melhorias contínuas em seus serviços". Acrescenta que "o banco tem realizado alterações significativas, principalmente, no modelo de gestão e atendimento".

A Caixa Econômica Federal e o Itaú ainda não se posicionaram sobre o ranking.

Presidente do BB diz que inflação atinge pico neste trimestre

 

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, disse que a inflação deve atingir o pico neste trimestre, permanecendo elevada até o fim do ano, o que deverá acelerar o processo de desemprego no país. A taxa deve começar a cair em 2016.

— A inflação acumulada em 12 meses deve atingir o pico neste trimestre e permanecer em níveis elevados até o final do ano, para depois iniciar trajetória de queda — acrescentou, ao abrir o 10º Seminário Anual sobre Riscos, Estabilidade Financeira e Economia Bancária na capital paulista.

A previsão do mercado é de uma taxa de 9,3% no ano. Segundo ele, o ajuste nos preços controlados, especialmente da energia, que subiu 50%, ainda tem efeitos na inflação.

— Esses ajustes de preços fazem com que a inflação se eleve no curto prazo e tenda a permanecer elevada em 2015, demandando determinação e perseverança para impedir sua transmissão para prazos mais longos — disse Tombini durante abertura de seminário sobre riscos, estabilidade e economia bancária, promovido pelo BC.

Por conta disso, sinalizou que a manutenção da política juros altos por um período prolongado é necessária para a convergência da inflação para a meta, que só deve acontecer no fim de 2016. Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano.

— Os riscos remanescentes para que as projeções de inflação atinjam com segurança o objetivo de 4,5% no final de 2016 são condizentes com o efeito defasado e cumulativo da política monetária, mas exigem vigilância em casos de desvios significativos nas projeções de inflação em relação à meta — salientou o presidente do BC.


Na estimativa do BC, a inflação, medida pelo IPCA, deve ficar em 9%, este ano. Para 2016, a previsão é que a inflação recue e encerre o ano em 4,8%.

— No início do ano, as medianas das expectativas para inflação de 2017 a 2019 se encontravam muito acima do nível de 4,5% ao ano. Atualmente, verifica-se convergência das expectativas para o centro da meta em um intervalo de médio e longo prazo.

Segundo ele, o processo de recuperação fiscal no Brasil ocorre em velocidade inferior àquela incialmente prevista. No entanto, destacou que a direção permanece a mesma. Segundo ele, a agenda fiscal "tem enfrentado desafios". Ele reiterou que a geração de superávits primários que fortaleçam o balanço do setor público é fundamental para o crescimento sustentado.

Segundo Tombini, o conjunto de medidas que passa por redução de subsídios, ajuste de tarifas e aumento de impostos regulatórios é necessária para fortalecer os fundamentos da economia. Mas, para a construção de um futuro mais próspero, o país tem de enfrentar gargalos de produtividade e aumento da oferta.

DESAFIOS PARA EMERGENTES

Tombini lembrou também que as economias emergentes sofrem com a piora nos termos de troca e a possibilidade de alta de juros nos Estados Unidos. Segundo ele, a melhor resposta para esse contexto desafiador é usar a "receita padrão", com o tripé formado por câmbio flutuante, política fiscal responsável e política monetária no regime de metas de inflação.

Ainda sobre o mercado externo, Tombini afirmou que a discussão sobre a alta de juros nos EUA "ganha intensidade", com aumento nas avaliações de que o processo pode começar em "horizonte relativamente curto". Ainda assim, a normalização prossegue de forma ordenada e bem comunicada.

Esse processo é complexo e é natural que venha acompanhado de certa dose de volatilidade — disse.

Sobre a China, Tombini disse que o processo de reorientação da atividade continua, mas "com desafios" como o processo de ajuste da política cambial realizado nesta semana e maior volatilidade nos ativos.

Na Europa, Tombini apontou que a atuação do Banco Central Europeu (BCE) via compra de ativos, aliado à queda do petróleo e do euro, continua contribuindo para um aumento da atividade e para afastar o risco de deflação.

 

Com crédito fraco e alta na inadimplência, BB lucra R$ 3 bi

 


O Banco do Brasil reportou lucro do segundo trimestre quase em linha com as previsões, com maiores receitas de tarifas e o controle das despesas administrativas ofuscados pela fraca expansão do crédito e maiores despesas de provisão para calotes.

De abril a junho, o lucro líquido do maior banco do país por ativos somou R$ 3 bilhões, alta de 6,3% ante mesmo período de 2014. Em bases recorrentes, o lucro foi de R$ 3,04 bilhões, alta anual de 1,3% e previsão média de analistas ouvidos pela Reuters de R$ 2,978 bilhões.


O resultado publicado  mostrou que o BB praticamente parou de oferecer crédito. No fim de junho, a carteira ampliada do BB somava R$ 776,8 bilhões, estável sobre março, alta de 8% sobre um ano antes. Embora tenha ficado abaixo da faixa definida para 2015 no país, o BB manteve a previsão do ano.

Ano a ano, os destaques de alta foram o crédito imobiliário (+39,5%) e para o governo (+51,7%), enquanto as linhas de cheque especial (-9,4%), de automóveis (-3,9%) e para pequenas e médias empresas (-3,3%) encolheram.

Mesmo com o foco do banco nas linhas de menor risco, o BB registrou leve piora na qualidade da carteira. O índice de inadimplência acima de 90 dias fechou o trimestre a 2,04%, pouco acima do 1,99% de igual etapa de 2014, a despeito do declínio de 0,1 ponto na base sequencial.

Com o risco médio da carteira também subindo, o BB elevou a despesa com provisão para perdas com calotes a R$ 5,53 bilhões, avanço de 21% no comparativo anual. Na base sequencial, houve recuo de 7,8%. A previsão para despesas com calotes em 2015 passou da faixa de 2,7% a 3,1% da carteira para a de 3,1% a 3,5%.

O volume de operações em renegociação por atraso disparou 89,5% em apenas um trimestre, para R$ 3,7 bilhões. Sobre um ano antes a alta foi de 281%.

Sobre o trimestre anterior, o banco também viu uma queda de 20 pontos base no spread geral da carteira, a 4,2%, mostrando maior agressividade nas taxas de juros oferecidas.



A despeito do crescimento de crédito ter sido de 6,4% no primeiro semestre, o BB manteve inalteradas as metas de expansão dos empréstimos para 2015, entre 7 pontos centesimais e 11 pontos centesimais.

— Sazonalmente o segundo semestre é mais forte nas contratações. E há também a expansão do crédito às exportações, puxada pela mudança cambial (alta do dólar ante o real) — explicou Alexandre Abreu, presidente do BB, em entrevista nesta quinta-feira.

Segundo Abreu, cerca de 500 empresas que não vinham exportando procuraram o banco nos últimos meses em busca de crédito para retomar as vendas ao exterior.

O executivo afirmou também que o banco manterá a estratégia de buscar os clientes para renegociar débitos tão logo ele se torne inadimplente (atrasos superiores a 90 dias).

Vendas do comércio têm maior queda desde 2003

 

O comércio viu suas vendas caírem durante cinco meses seguidos pela primeira vez desde o ano 2000, quando o comportamento do varejo começou a ser analisado. Em junho, o recuo sentido pelo setor foi de 0,4%, influenciado pela redução do crédito e dos salários.

Os números foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mês anterior, o varejo havia recuado 0,8% e na comparação com junho do ano passado, 2,7%.

Nos primeiros seis meses de 2015, o comércio acumula queda de 2,2%, a maior baixa para o período desde 2003, quando a baixa foi de 5,7%, interrompendo uma sequência de 11 anos de taxas positivas consecutivas. Em 12 meses, o índice tem recuo de 0,8%.

“Em 2003, tinha a situação de desemprego pior do que agora, crédito mais restrito do que agora e crise política que estava se ajustando. Agora, você tem uma crise mais interna. Tanto pelo lado da produção quanto do consumo. Consumidores estão com baixa confiança, o que desestimula as vendas, principalmente de bens duráveis e alimentos, que têm reflexo direto com a renda”, analisou Isabela Nunes Pereira, gerente de Serviços e Comércio do IBGE.

Em ambas as comparações, entre os ramos que mais sofreram com queda das vendas estão os de automóveis e de móveis e eletrodomésticos.

"No momento em que há crescimento da taxa de juros, elevação do credito... aquele grupo de vendas de bens de consumo duráveis, que envolvem valor mais alto e parcelas maiores, ressentem", disse.

As vendas do setor de móveis e eletrodomésticos, por exemplo, diminuíram 13,6% em relação ao ano passado, e exerceram a principal influência para o recuo do comércio em geral. De acordo com o IBGE, esse resultado é justificado "pelo menor ritmo de crescimento do crédito com recursos livres, além do comportamento da massa de rendimento médio real habitual dos ocupados".

“Todas as atividades mostram melhora [queda menor] em comparação a maio, exceto hipermercado. Esse setor está ligado intimamente à renda, à massa salarial que vem caindo. A PME [Pesquisa Mensal de Emprego] mostra aumento desemprego, consequentemente, a massa salarial cai. Esse grupamento resiste a ter alguma variação, mas vem sucumbindo às quedas da renda consecutiva. Tem relação com a renda muito forte”, analisou a gerente. Na comparação com maio, as vendas desse segmento ficaram estáveis, mas frente a junho do ano passado, recuaram 2,6%.

De maio para junho
Nessa base de comparação, a maioria das atividades mostrou queda, com destaque para veículos e motos, partes e peças (-2,8%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-1,5%); móveis e eletrodomésticos (-1,2%); tecidos, vestuário e calçados (-0,8%), além de combustíveis e lubrificantes (-0,6%).

Entre os poucos segmentos que viram suas vendas aumentarem estão artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,3%) e material de construção (5,5%). "Esse crescimento de 5,5% [do material de construção] não muda a tendência negativa que o setor vem mostrando em termos de venda, já que interrompe sequência de cinco taxas negativas, acumulando perda de 9,4% nesse período [cinco meses anteriores]”, disse Isabela.

Espelho de 2014
Quando o IBGE compara os números de junho de 2015 com os do mesmo mês do ano passado, os resultados negativos também prevalecem. Bebidas e fumo, por exemplo, recuaram 2,7%, tecidos, vestuário e calçados, 4,6% e combustíveis e lubrificantes (-1,0%).

Na contramão, assim como registrado na análise mensal, cresceram as vendas de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (6,2%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,6%); equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (7,9%).

Depois das vendas de móveis e eletrodomésticos, o que mais caiu foi o resultado de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que mostrou recuo de 2,7%. "Esta atividade mantém alta correlação com a evolução da massa de salários, com desempenho negativo, além da influência da elevação dos preços da alimentação no domicílio", afirma o IBGE, em nota.

 

Montadoras de caminhões abandonam ou adiam projetos no Brasil

 

Diante da queda nas vendas e do cenário de retração da economia este ano, montadoras chinesas começam a abandonar projetos de investimento no país no mercado de caminhões. Os projetos cancelados ou adiados no país somam ao menos R$ 1,74 bilhão. A Dongfeng, que pretendia se instalar em Pouso Alegre, Minas Gerais, com recursos de cerca de R$ 1 bilhão, anunciou que não virá mais. A Yunlihong, que previa uma fábrica no município de Camaquão, no Rio Grande do Sul, com aporte de US$ 100 milhões, também desistiu.

Outras montadoras que já estão presentes no Brasil por meio da importação de veículos ou de caminhões adiaram projetos no país. É o caso da chinesa JAC, que planejava fabricar caminhões urbanos em complemento à produção de automóveis, e adiou planos de investir R$ 100 milhões na Bahia. Não há previsão de retorno. Outra chinesa com projeto engavetado é a Sinotruk. A fabricante anunciou investimentos de R$ 300 milhões na cidade de Lages, em Santa Catarina. Sem início, o cronograma das obras acumula um ano de atraso. O projeto previa a montagem de caminhões para o fim de 2014. Somente com os projetos abandonados ou atrasados, o país deixou de criar cerca de 4 mil postos de trabalho.


O efeito do cancelamento ou postergação desses projetos não se resume ao mercado de trabalho. Caminhões representam uma parcela importante dos bens de capital (máquinas e equipamentos, que são um indicador de investimento das empresas no país). No primeiro semestre, a produção de bens de capital acumula queda de 20%, segundo dados do IBGE. O principal impacto negativo no resultado da indústria de janeiro a junho foi a queda de 20,7% na produção de veículos automotores, reboques e carrocerias.

Para o professor de Macroeconomia da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), Silvio Paixão, a deterioração econômica foi uma das razões para o adiamento ou desistência dos investimentos, principalmente no mercado automobilístico. Segundo ele, se antes da crise qualquer investimento tinha retorno num prazo médio de cinco anos, agora são necessários mais de dez anos.

— Quando a maior parte destes recursos foi anunciada, trabalhava-se com uma estimativa de PIB médio acima de 2% ao ano. Vamos ter recessão este ano. Acredito que a recuperação aconteça a partir de 2018. A situação atual mudou muito as bases decisórias para qualquer investimento, por isso, várias empresas decidiram congelar projetos ou simplesmente diminuíram o ritmo — disse Paixão.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas de caminhões despencaram 43,1% no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado e passaram de 77,02 mil para 43,79 mil neste ano. A produção recuou 45,4% e ficou em 48,22 mil unidades. A montagem de veículos pesados desacelera mês a mês. Em janeiro, eram 8.291 caminhões. Em julho, o total era de 6.599 unidades.

Diante da marcha a ré no mercado, a Anfavea estima que as vendas devem ficar abaixo de 80 mil unidades este ano. Para se ter uma ideia da desaceleração, em 2014 foram comercializados 137 mil caminhões. Em 2011, ano da maioria dos anúncios de investimento, o mercado chegou a mais de 170 mil unidades vendidas.

— Não vamos ver grandes investimentos no setor nos próximos anos. E podemos até perder montadoras já instaladas aqui — disse o consultor e dono da consultoria MA8, Orlando Merluzzi.

Outro dado que comprova a desaceleração é o índice ABCR de Atividade, que recuou 1% em julho na comparação com o mês anterior. Ele é calculado com base no fluxo de veículos leves e pesados nas estradas concedidas à iniciativa privada. Em relação a junho, o movimento de caminhões cresceu 0,4%, mas na comparação com julho do ano passado, o tráfego registrou queda de 5,3%. O índice é produzido pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias em conjunto com a Tendências Consultoria.



 

 

Cade aprova sem restrições compra da TAP

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a operação de compra pela Atlantic Gateway, de 61% do capital social da TAP SGPS, empresa controladora do Grupo TAP. A decisão da Superintendência-geral do Cade foi publicada no Diário Oficial da União.

O consórcio é formado pela DGN Corporation, empresa de David Neeleman, fundador da brasileira Azul, e pela HPGB, do empresário Humberto Pedrosa, e venceu o processo de privatização da TAP em junho.

A operação, segundo o Cade, representa para a Atlantic Gateway, a possibilidade de ampliar a oferta de voos entre Portugal e Estados Unidos e Portugal e Brasil, e, ao mesmo tempo, aumentando as opções para os clientes da TAP e da Azul.


O órgão de defesa da concorrência considerou que a operação não traz sobreposição horizontal apesar de tanto a Azul quanto a TAP atuarem no transporte de passageiros e cargas, levando em conta a diferença no local de origem dos voos das companhias.

O Cade também julgou que a operação não traz risco de fechamento do mercado de manutenção, reparo e revisão de aeronaves e componentes, já que as principais empresas aéreas do Brasil, TAM, Gol e Avianca Brasil, possuem seus próprios centros de manutenção. Desta forma, informa o Cade, não se vislumbra “a possibilidade de fechamento de mercado de MRO (Maintenance, Repair & Overhaul) em decorrência desta operação. Por essa razões, entende-se que não há preocupações concorrenciais oriundas dessa integração”.



O consórcio Atlantic Gateway disse que vai investir até € 800 milhões na TAP e expandir as rotas para EUA e Brasil, com o objetivo de que a endividada companhia aérea comece a dar lucros já em 2016. Em entrevista ao GLOBO, Neeleman afirmou que pode buscar apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Brasil para ampliar sua fatia na TAP através da Azul dos atuais 61% para até 95%.

Já o contrato de compartilhamento de voos entre a Azul e a United Airlines de transporte de passageiros e cargas não fere nenhuma lei brasileira da concorrência e pode ser implementado. Apesar de o processo ter sido enviado ao Cade, a operação foi considerada viável, porque “o contrato associativo não atende ao critério de 20% de participação no mercado relevante afetado, sendo, portanto, de notificação não obrigatória”, conforme decisão da Superintendência-geral do Cade publicada nesta segunda-feira no Diário Oficial da União.

O contrato entre as duas empresas prevê a possibilidade de compartilhamento de voos para rotas nacionais e internacionais operadas pela Azul, domésticas e com destino a EUA e América do Sul, e pela United, rotas internacionais com origem no Brasil e destino aos EUA, e com origem nos EUA para destinos domésticos e para países da América do Norte e Caribe.

 

Inflação da baixa renda passa de 10% em 12 meses

 

A inflação dos consumidores de baixa renda, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1), perdeu força de junho para julho, ficando em 0,68%. No entanto, em 12 meses, o indicador acumula alta de 10,31%, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV).nda passa de 10% em 12 meses.

O Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1) está bem superior ao teto da meta de inflação do Banco Central, que é de 6,5%. O resultado também ficou acima da previsão dos economistas do mercado financeiro para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a chamada inflação oficial.

A taxa para a baixa renda ficou acima da registrada para o conjunto da população, calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-BR), que atingiu 9,61% nos últimos 12 meses. Em junho, na comparação com maio, esse indicador variou 0,53%.

De junho para julho, a maioria dos preços analisados pela pesquisa mostrou desaceleração: despesas diversas (de 2,36% para 0,16%), vestuário (de 0,32% para -0,21%), educação, leitura e recreação (de 0,77% para 0,03%), alimentação (de 1,02% para 0,94%), transportes (de 0,29% para 0,13%), saúde e cuidados pessoais (de 0,64% para 0,42%) e comunicação (de 0,37% para 0,08%).

Apenas os preços relativos à habitação mostraram alta, de 0,97% para 1,18%.

Veja a variação de peços de alguns itens:
Jogo lotérico (de 29,26% para 0,00%)
Roupas (de 0,38% para -0,18%)
Passagem aérea (de 14,09% para -15,92%)
Alimentos prontos congelados (de 3,56% para 0,32%)
Tarifa de ônibus urbano (de 0,35% para 0,05%)
Medicamentos em geral (de 0,41% para 0,22%)
Tarifa de telefone residencial (de 0,25% para -0,26%)
Tarifa de eletricidade residencial (de 0,19% para 3,80%)

 

Analistas veem cotação do dólar em até R$ 3,70



Uma política fiscal mais fraca e o ambiente político conturbado estão fazendo com que bancos e consultorias revisem para cima (e bem para cima) as projeções para o dólar. Essas estimativas, em grande parte, já incluem o maior risco de o Brasil perder o grau de investimento, devido à deterioração das contas públicas.

— Esperávamos um esforço fiscal mais forte, mas, com a revisão da meta de superávit, aumentou o risco de um rebaixamento de nota (rating). E temos a questão política, que aumenta a incerteza e traz mais volatilidade — disse Marcelo Kfoury, superintendente do Departamento Econômico do Citi Brasil.

A instituição elevou a sua projeção para o dólar no fim do ano de R$ 3,20 para R$ 3,30, e, em 2016, para R$ 3,60. Mas a depreciação do real pode ser ainda mais forte. O UBS revisou suas estimativas para o dólar em dezembro deste ano de R$ 3 para R$ 3,70. Para Guilherme Loureiro, economista do UBS, a meta fiscal menor, que foi reduzida de 1,1% do PIB para 0,15% no último dia 22, não será suficiente para estabilizar a relação entre dívida pública e PIB.

— A deterioração das contas fiscais e a maior aversão ao risco vão manter o real sob pressão — disse.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou na terça-feira em Brasília que o câmbio é e continuará flutuante. Ele respondia a uma pergunta sobre como via a possibilidade de o dólar se manter em torno de R$ 3,50 pelo menos nos próximos dois anos, como defendem integrantes do próprio governo.

— Nossos principais parceiros se encontram em momento de ajuste. Muito em breve, haverá o ajuste dos juros nos Estados Unidos. As indicações são bem claras. O dólar é flutuante e permanece flutuante — afirmou Levy.

Mas, na visão dos economistas, é o risco interno que está fazendo com que o real tenha o pior desempenho entre as moedas de países emergentes. No ano, o dólar já acumula valorização de 30,2% frente ao real — muito mais do que a apreciação da moeda americana frente ao peso mexicano, em torno de 20%, e em relação à lira turca, um pouco abaixo desse patamar. Para Mauricio Molan, economista-chefe do Santander, a pressão sobre a moeda indica que o mercado, de forma geral, já embutiu nas projeções o rebaixamento do país.

— O mercado já precifica a piora no ambiente político e a perda do grau de investimento, mesmo que possa haver um certo exagero nessas projeções — disse Molan, que vê o dólar a R$ 3,60 em 2016.

E a possibilidade de perda do grau de investimento não está presente apenas na pressão sobre o dólar. Os credit default swaps (CDS), uma espécie de seguro para quem investe em papéis da dívida brasileira, também mostram o aumento desse risco. Esse instrumento com prazo de cinco anos era negociado ontem a 304 pontos, acima dos 200 pontos no fim do ano passado. O valor já se aproxima do que é praticado no CDS da Rússia (350 pontos), país que enfrenta sanções econômicas, e bem acima dos indicadores de Colômbia e México, respectivamente, em torno de 190 e 140 pontos.

Esse cenário fez o banco Fator elevar projeções, sobretudo após a agência Standard & Poor’s ter colocado a nota do Brasil em perspectiva negativa. Para este ano, a estimativa do dólar passou de R$ 3,35 para R$ 3,50 e, para 2016, de R$ 3,45 para R$ 3,60:



A crise política impede o governo de negociar com o Congresso para aprovar as medidas necessárias ao ajuste, então esse ambiente conturbado acaba ajudando nessa deterioração — disse o economista-chefe do Fator, José Francisco de Lima Gonçalves.

A Tendências Consultoria também revisou suas projeções, de R$ 3,15 para R$ 3,50 este ano, e de R$ 3,60 para R$ 3,70 em 2016.

Mas se a alta do dólar pressiona a inflação e atrapalha quem precisa fazer gastos em dólar, por outro lado, ajuda a equilibrar a conta corrente — que é o balanço das operações que o Brasil faz com o exterior. Essa conta está deficitária, mas espera-se uma reversão nesse quadro, com melhora da balança comercial e um volume menor de remessa de lucros e dividendos e gastos com viagens no exterior.

 

Itaú  tem lucro líquido 25% maior no primeiro semestre

 

O Itaú Unibanco informou  que registrou nos primeiros seis meses do ano lucro líquido de R$ 11,7 bilhões, valor 25,7% maior que o do mesmo período de 2014. Somente no segundo trimestre, o ganho líquido atingiu R$ 5,98 bilhões, avanço de 22,1% sobre o ano anterior. O maior banco privado do país também conseguiu elevar sua rentabilidade (medida pelo retorno sobre o patrimônio líquido) para 24,2%, ante 23,3% no segundo trimestre do ano anterior.

No entanto, após 11 trimestres seguidos em queda, o índice de inadimplência, medido pelo saldo de operações vencidas há mais de 90 dias, cresceu de 3% no primeiro trimestre para 3,3% no segundo. Mas ainda abaixo dos 3,4% do segundo trimestre de 2014. A provisão feita no trimestre para perdas com calotes somou R$ 4,387 bilhões, recuo de 1,5% na base sequencial, mas um salto de 35,8% sobre um ano antes.

O ambiente macro depreciado e o aumento do desemprego também fez crescerem o índices de inadimplência do banco. Os atrasos com mais de 90 dias nos financiamento a pessoas físicas saltaram de 4,5% em março, para 4,6% no fim de junho. Nesse mesmo período, o calote entre empresas passou de 1,8% para 2,2%, fazendo com que o índice geral de inadimplência do banco subisse de 3% para 3,3% do total de empréstimos. Esse índice chegaria a 3,5% se o banco não tivesse vendido uma fatia de R$ 1,08 bilhão de sua carteira.

— Em razão do ambiente macroeconômico e do desemprego, vemos uma tendência de alta ainda para a inadimplência nos próximos trimestres, nada muito brusco, mas de alta — disse Kopel.

A carteira de crédito total ajustada (que inclui avais, fianças e títulos privados) cresceu 9,3% em termos anualizados ao fim de junho, alcançando saldo de R$ 566,6 bilhões, com destaque apara as carteiras de crédito imobiliário e consignado, que tiveram aumentos de 20,8% e 52,3%, respectivamente.

 

HSBC anuncia venda de subsidiária brasileira ao Bradesco


O HSBC anunciou a venda de sua subsidiária brasileira ao Bradesco, segundo maior banco privado do país, que reportou lucro de R$ 8,7 bilhões no primeiro semestre do ano. O banco britânico divulgou os resultados do segundo trimestre do ano e, com o anúncio, quis mostrar aos acionistas que está cumprindo seu plano estratégico para se tornar mais eficiente e lucrativo.

Para ficar com as 853 agências espalhadas em 531 municípios brasileiros, o Bradesco desembolsou R$ 17,6 bilhões (US$ 5,2 bilhões). Analistas avaliaram a operação do HSBC no Brasil entre R$ 10 bilhões e R$ 14 bilhões. O Bradesco tinha especial interesse na carteira de clientes de alta renda do banco britânico, e, com a aquisição, queria reduzir a distância que o separa de seu principal concorrente, o Itaú Unibanco.

 “Os clientes do HSBC continuarão a ser atendidos da forma habitual e, após a conclusão da operação, passarão a contar com todos os produtos, serviços e comodidades oferecidos pelo Bradesco”, diz o comunicado do Bradesco.

Com os R$ 168 bilhões em ativos do HSBC, o Bradesco encosta no Itaú, maior banco privado do país com R$ 1,20 trilhão em ativos. O Bradesco informou, durante a divulgação de seu balanço, na semana passada, que seus ativos, em junho, atingiram R$ 1,030 trilhão, um crescimento de 10,6% em relação ao saldo de junho de 2014. Com a compra, chegam a R$ 1,19 trilhão.

O banco de negócios Goldman Sachs intermediou a venda, e foi chamado pelo HSBC exatamente para conseguir uma oferta mais generosa pela operação ao propor uma espécie de leilão. O Bradesco acabou fazendo a melhor oferta financeira e ganhou exclusividade nas negociações. Na primeira fase do processo, antes de ter acesso aos dados do HSBC, o Bradesco também tinha feito o maior lance para se qualificar à segunda fase, oferecendo R$ 10,4 bilhões. O prazo estabelecido pelo Goldman para fechar a operação era o início de mês de agosto.

OPERAÇÃO NO PAÍS TEVE PREJUÍZO EM 2014

A venda da subsidiária brasileira do HSBC foi divulgada em comunicado assinado pelo CEO do grupo HSBC, Stuart Gulliver, que afirmou que a operação trará valor aos acionistas e vai na direção das metas estabelecidas pelo banco em junho passado para ganhar eficiência e se tornar mais lucrativo globalmente.

A operação brasileira do banco deu prejuízo de R$ 549 milhões no ano passado. No comunicado, divulgado junto com o resultado global do banco no segundo trimestre do ano, o HSBC reportou um lucro antes de impostos de US$ 13,6 bilhões frente aos US$ 12,3 bilhões no mesmo período do ano passado. Em relação ao primeiro trimestre, o lucro cresceu 10%.

“Como nós dissemos anteriormente, pretendemos manter no Brasil uma pequena operação para atender os clientes coorporativos no país”, diz o comunicado.

Também em fato relevante divulgado ao mercado, o Bradesco informou que aquisição fortalece a presença do banco na região Sul e Sudeste do país e nos segmentos de alta renda. Também incrementa a base de negócios nos segmentos de seguros, private banking e gestão de recursos. No Brasil, o HSBC tem 5 milhões de correntistas e R$ 61 bilhões em depósitos.

O Bradesco diz que tem disponibilidade de capital para fechar o negócio sem precisar emitir novas ações. O pagamento será feito à vista depois da aprovação dos órgãos reguladores. O valor de R$ 17,6 bilhões será reajustado de acordo com a variação patrimonial do HSBC e pago no dia em que a operação for concluída.

O patrimônio líquido do Bradesco, que era de R$ 9,5 bilhões, sobe a R$ 11,2 bilhões, após a compra, já que o patrimônio líquido do HSBC era de R$ 1,7 bilhão, informa o comunicado do Bradesco. Os ativos totais do Bradesco saltam para R$ 1,19 trilhão com o negócio e o total de correntistas chega a 31,5 milhões.

No negócio, o Bradesco comprou o banco de varejo, o segmento de alta renda, e a operação comercial e de atacado. Também ficou com a operação da financeira Losango, que o banco havia tentado comprar anteriormente, sem sucesso, com mais de 6 mil pontos de atendimento no país. A Losango tem 4 milhão de clientes. Entraram ainda na operação, as áreas de previdência, seguros e capitalização do HSBC.

“A aquisição proporcionará vários benefícios para os clientes de ambas as instituições, tais como o aumento da cobertura e da rede de atendimento em todo território nacional e acesso aos produtos distribuídos pelas duas instituições. Para o Bradesco, a aquisição possibilitará ganho de escala e otimização de plataformas, com aumento da cobertura nacional, consolidando a liderança em número de agências em vários estados, além de reforçar sua presença no segmento de alta renda. A aquisição permitirá, também, a expansão de suas operações, com a otimização de oportunidades e aumento da gama e do diferencial dos produtos que são oferecidos no Brasil, especialmente nos mercados de seguros, cartão de crédito e administração de fundos (asset management)”, diz o fato relevante.



 

Juro do cheque é o maior desde 1995 e chega a 241,3%

 

Os juros do cheque especial tiveram nova alta em junho, e alcançaram 241,3% ao ano. É o maior patamar desde dezembro de 1995, em quase 20 anos, segundo dados divulgados pelo Banco Central . Em maio, a taxa estava em 232% ao ano.

Isso significa que o consumidor que fizer uma dívida de R$ 1.000 no cheque agora vai dever ao banco, daqui a 12 meses, incríveis R$ 3.413.

Os juros cobrados pelos bancos nesta linha de crédito tiveram forte aumento nos últimos meses. No fim de 2013, estavam em 148,1% ao ano. O crescimento, portanto, foi de 93,2 pontos percentuais nos últimos 18 meses.

Cartão de crédito
Segundo o BC, os juros do cartão de crédito rotativo, que incidem quando os clientes não pagam a totalidade de sua fatura, atingiram expressivos 372% ao ano em junho – a mais alta de todas as modalidades de crédito. Em maio, estavam em 360,5% ao ano.

O patamar de maio é maior desde o início da série histórica, em março de 2011. O BC tem recomendado que os clientes bancários evitem essa linha de crédito.

Juntamente com o cheque especial, os juros do cartão de crédito rotativo são os mais caros do mercado e, segundo especialistas, devem ser evitados pelos consumidores, ou utilizados somente por um período curto de tempo.

Alta dos juros básicos da economia
O aumento dos juros bancários acompanha a alta da taxa básica da economia, fixada pelo Banco Central a cada 45 dias para tentar conter as pressões inflacionárias.

Desde outubro do ano passado o BC vem subindo os juros ininterruptamente. Naquele momento, a taxa estava em 11% ao ano. No fim de maio, já havia avançado para 13,75% ao ano, um aumento de 2,75 pontos percentuais. Os números mostram que os bancos elevaram suas taxas de juros ao consumidor de maneira mais intensa.

"New York Times" e rentabilidade dos bancos brasileiros Reportagem publicada recentemente pelo jornal norte-americano “The New York Times” diz que os juros praticados em algumas linhas de crédito no Brasil “fariam um agiota americano sentir vergonha”, citando os dos cartões de crédito em mais de 240% ao ano e de 100% cobrados pelos empréstimos bancários.

Economistas avaliam que o consumidor deve tentar evitar ao máximo o uso do cheque especial e do cartão de crédito rotativo por conta das altas taxas cobradas pelas instituições financeiras.

Para eles, estas são linhas de crédito para momentos de extrema necessidade e devem ser usadas por um período curto de tempo.

Segundo um levantamento feito pela consultoria Economatica para a BBC Brasil, apesar da desaceleração econômica, a rentabilidade sobre patrimônio dos grandes bancos de capital aberto no Brasil foi de 18,23% em 2014 – mais do que o dobro da rentabilidade dos bancos americanos (7,68%).

 

 

Inadimplência das empresas cresce 12,9%, maior alta desde 2012




As empresas estão tendo maior dificuldade de pagar as contas este ano, é o que revela o Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas de junho. O índice encerrou o primeiro semestre de 2015 com alta de 12,9% em comparação com o mesmo período do ano passado. Foi a maior alta desde 2012. Na comparação entre junho com igual mês do ano passado, a inadimplência entre empresas cresceu 19,2%.

Os economistas da Serasa apontam que a deterioração da atividade econômica, que tem impacto negativo na inadimplência das empresas, seja pela redução de caixa ou pelo aumento do custos capital e financeiro do setor.

Na relação junho contra maio de 2015, o índice apontou leve alta de 0,1%. Nessa relação, as dívidas não bancárias foram as que mais pesaram no indicador, com alta de 4,8%, que representou uma contribuição de 1,8 ponto percentual na taxa. As dívidas com os bancos aumentaram 1,3% na relação intermensal, que equivale a 0,3 ponto percentual.

Os números de cheques sem fundo e títulos protestados frearam o indicador, com quedas de 8,8% e 2,4%, respectivamente, com peso negativo de 1,4 e 0,6 pontos percentuais no resultado.

Valor médio de dívida com bancos cai

O relatório da Serasa Experian indica que o valor médio dos cheques sem fundos caiu no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. De R$ 2.227,89 passou para R$ 2.458,67, ou seja, aumento de 10,4%. O valor dos títulos protestados também subiram 11,7%, valendo, em média, R$ 2.452,20.

O valor médio das dívidas não bancárias subiu 0,7% neste primeiro semestre e foi medido a R$ 863,68. Em contrapartida, o valor da dívida com os bancos caiu no primeiro semestre e passou de R$ 4.993,42 para R$ 4.140,88: uma redução de 17,1%.



 

Cai a  confiança da construção  civil no Brasil

 

A confiança do setor da construção civil recuou na passagem de junho para julho, com queda de 4,7%. É o menor nível da série iniciada em julho de 2010. No ano, o índice acumula queda de 26,5%, segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV). Frente a julho de 2014, o indicador recuou 32,5%.

“A queda do indicador de confiança não surpreende, na medida em que não ocorreram fatos capazes de alterar o quadro de declínio da atividade no setor observado desde o ano passado. Vale notar que para a grande maioria das empresas (60,0%), a carteira de contratos está abaixo do normal. A pequena melhora das expectativas observada no mês anterior não teve respaldo da situação dos negócios. Enfim, a percepção dominante no setor é de que retração na atividade ainda deve prosseguir”, disse Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção da FGV/IBRE.

O resultado sucede a relativa estabilidade de junho (0,1%) e uma queda em maio (4,7%).

De junho para julho, houve queda de 7% no índice de expectativas, influenciada pelo recuo de 9,1% no subindicador que mede as perspectivas para a situação dos negócios nos seis meses seguintes.

A visão sobre a situação atual apresentou a 8ª queda consecutiva, de 1,2%, influenciada pelo recuo de 3,7% no indicador que mede o grau de satisfação das empresas com a situação atual dos negócios.

Custo da construção
O Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) registrou, em julho, taxa de variação de 0,66%, abaixo do mês anterior, de 1,87%. O índice relativo a materiais, equipamentos e serviços registrou variação de 0,17%. No mês anterior, a taxa havia sido de 0,47%. Já o índice referente à mão de obra registrou variação de 1,10%. No mês anterior, a variação registrada havia sido de 3,16%.

Cinco capitais apresentaram desaceleração em suas taxas de variação: Salvador, Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Em contrapartida, Brasília e Porto Alegre registraram aceleração.

 

 

Previsão para inflação sobe pela 15ª semana, para 9,23%

Pela 15ª semana seguinte, os economistas ouvidos pela pesquisa Focus, do Banco Central, elevaram a previsão de inflação para este ano. Já as expectativas em relação ao PIB pioram tanto para 2015 quanto para 2016, indicando uma contração da economia maior do que o esperado na semana anterior.

A projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 9,15% para 9,23%. Há um mês, a sondagem indicava que 2015 terminaria com uma inflação de 9%. Para 2016, os economistas mantiveram a mesma taxa de semana passada: 5,40%.

A economia, em 2015 e 2016, terá um desempenho pior do que o esperado na semana anterior. Os economistas reduziram as projeções para este ano pela segunda vez seguida: em vez de 1,70%, o recuo deve ser de 1,76%. No ano que vem, de acordo com a pesquisa do BC, a atividade econômica ficará em terreno positivo, mas se aproxima cada vez mais da estagnação. Na semana passada, a projeção era de alta de 0,33%. Agora, a expectativa é mais modesta, de apenas 0,20%. Há um mês, a pesquisa indicava crescimento de 0,50%.

Em meio à disparada do dólar em relação ao real na semana passada, os economistas ouvidos pela pesquisa Focus elevaram a cotação da moeda para o fim deste ano de R$ 3,23 para R$ 3,25. Para 2016, no entanto, não houve alteração e espera-se que o dólar chegue em dezembro do próximo ano cotado a R$ 3,40.

Já a Selic deve fechar 2015 em um patamar menor do que o previsto na semana passada. Os economistas reduziram em 0,25 ponto percentual a expectativa para a taxa básica de juros este ano, de 14,50% para 14,25%. A previsão para 2016 foi mantida em 12%.




 

Confiança do consumidor atinge nível histórico de 23,1% em um ano

 


A confiança do consumidor brasileiro continuou a mostrar deterioração em julho, com o índice da Fundação Getulio Vargas (FGV) recuando 2,3% na comparação com o mês anterior e atingindo o menor nível da série histórica. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu a 82 pontos em julho, contra 83,9 pontos em junho, registrando queda pela quarta vez neste ano. Em um ano, o recuo é de 23,1%.

O ano de 2015 tem sido marcado pela baixa confiança de consumidores e empresários diante da fragilidade econômica e dificuldade de recuperação da atividade.

— A queda em 2015 vem sendo influenciada pela insatisfação e pessimismo em relação à economia e piora da situação financeira das famílias — destacou a coordenadora da pesquisa, Viviane Seda Bittencourt. —Diante deste cenário, o consumidor retrai seu ímpeto para compras diminuindo ainda mais as possibilidades de melhora do cenário atual.

Segundo a FGV, o Índice da Situação Atual (ISA) caiu 5,2% em julho, para 71,2 pontos. Em um ano, o recuo é de 36,8%. A percepção sobre a situação atual da economia manteve-se em queda, atingindo o menor nível da série iniciada em setembro de 2005.


O indicador que mede o grau de satisfação com a situação econômica local recuou 10,8%. A proporção de consumidores que avaliam a situação do momento como boa foi de 5,1% enquanto a dos que a consideram ruim chegou a 82,7%, o maior nível da série. Apenas 12,2% dos consumidores consideram a situação como “normal”, o nível mais baixo dos últimos 10 anos.

A maior queda neste mês foi do indicador de intenção de compras de bens duráveis nos próximos seis meses, de 3,5% para 69,7 pontos — o terceiro nível mais baixo da série, superando apenas setembro (66,5) e outubro de 2005 (68,4).

Já a proporção de consumidores que projetam maiores gastos passou de 13,3% para 13,2% entre junho e julho. E a parcela dos que preveem diminuir os gastos subiu de 41,1% para 43,5% do total.



 

 

Desemprego tem maior taxa desde 2010

Em junho, a taxa de desemprego seguiu em alta e chegou a 6,9%, o maior índice para o mês desde 2010, quando a desocupação atingiu 7%. Considerando todos os meses, a taxa é a mesma registrada em julho de 2010, e também a mais alta desde junho daquele ano.

Em maio, o desemprego havia atingido 6,7% e em junho de 2014, 4,8%. Os números foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A população desocupada somou 1,7 milhão de pessoas, não mostrando variação em relação ao mês anterior. Já na comparação com o ano passado, esse grupo cresceu 44,9%. De acordo com oIBGE, esse é o maior aumento anual já registrado em toda a série da pesquisa, que teve início em março de 2002.

Por outro lado, a população ocupada, que chegou a 22,8 milhões, ficou estável frente a maio, mas caiu 1,3% quando comparada a junho de 2014, o maior recuo desde janeiro de 2013.

"Esse aumento [da taxa de desocupação na comparação anual] ocorreu pelo fato de ter havido um crescimento muito elevado da população desocupada, compartilhado com a queda na ocupação. Você tem uma ocupação que cai e uma pressão pelo mercado de trabalho que aumenta. As demissões se manifestam mais na queda da população ocupada", diz Adriana Araújo Beringuy, técnica de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Outra explicação que o instituto levanta sobre o aumento da taxa de desocupação é o crescimento do número de "pessoas que antes não estavam trabalhando e passam a entrar no mercado de trabalho na posição de desocupados".

No setor privado, o número de trabalhadores com carteira assinada também ficou estável no mês (11,5 milhões), no entanto, sofreu redução de 2% diante do mesmo período do ano anterior. A população não economicamente ativa ficou estável em 19,3 milhões de pessoas.

O desemprego ficou praticamente igual em todas as regiões analisadas em relação ao mês anterior, conforme informou o IBGE. Porém, na comparação anual, o desemprego aumentou em todos os locais.

No Recife, passou de 6,2% para 8,8%; em Salvador, de 9,0% para 11,4%; em São Paulo, de 5,1% para 7,2%; em Porto Alegre, de 3,7% para 5,8%; no Rio de Janeiro, de 3,2% para 5,2%, e em Belo Horizonte, de 3,9% para 5,6%.

Ganhos
O rendimento médio real dos trabalhadores ocupados subiu 0,8%, para R$ 2.149,10 em relação a maio. Mas na comparação anual, ficou 2,9% menor (o valor era então R$ 2.212,87). "Houve uma interrupção de queda mensal consecutiva observada desde fevereiro de 2015. Contudo, permanece a retração na comparação anual", analisou Adriana.

Passaram a ganhar mais os trabalhadores do Recife (2,2%); Belo Horizonte e Porto Alegre (1,1%, ambos); Rio de Janeiro (0,8%) e de São Paulo (0,7%). Já em Salvador, o rendimento diminuiu 0,7%.

Os trabalhadores dos ramos de comércio e serviços prestados às empresas tiveram aumento salarial, mas os de construção e outros serviços sofreram perdas.

O rendimento médio real também recuou para os empregados sem carteira assinada no setor privado e subiu para os militares e funcionários públicos e os trabalhadores por conta própria.

 

 

Contas externas têm rombo de US$ 36,7 bilhões

 

Por conta da combinação entre o dólar alto e a crise econômica, o rombo das contas externas brasileira caiu 20,6% no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado. O déficit de todas as trocas de serviços e do comércio do país com o resto do mundo ficou em US$ 36,7 bilhões nos seis primeiros meses do ano, de acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central. É o melhor desempenho desde 2012.

No entanto, o investimento recebido pelo país também desacelerou. No primeiro semestre, o Brasil foi destino de US$ 30,9 bilhões de recursos do exterior que chegam para aumentar a capacidade de produção das fábricas daqui. No mesmo período do ano passado, ingressaram no país US$ 45,9 bilhões. A queda foi de nada menos que 32,7%.

Para o governo, quando o investimento é maior que o rombo das contas externas, isso mostra que o déficit tem o melhor tipo de financiamento, ou seja, que o país não depende de dólares que entram por aplicações mais voláteis. Não é o caso atual.

O dólar caro favorece as exportações, que melhoraram o resultado da balança comercial, também inibe gastos. De acordo com o BC, a remessa de lucros e dividendos no semestre caiu nada menos que 36,7% no primeiro semestre. Na avaliação dos empresários é mais vantajoso mandar lucros para a matriz quando o Real compra mais dólares e não quando a moeda americana está mais elevada. Além disso, há um outro motivo para essa queda:

— Numa atividade que vai mais devagar, você tem menores lucros tanto para reinvestir quanto para remeter. E quando há um aumento do dólar, há interferência no fluxo — explicou o chefe adjunto do departamento econômico do Banco Central, Fernando Rocha.

GASTOS DE TURISTAS NO EXTERIOR CAEM 20% NO ANO

Outro gasto que é afetado pela alta da moeda americana é o feito pelos turistas brasileiros. Com o dólar caro, cai a procura por viagens para fora. As despesas dos viajantes daqui caíram 20% nos seis primeiros meses do ano. De janeiro até o mês passado, os brasileiros gastaram US$ 9,9 bilhões com turismo. No mesmo período de 2014, os gastos foram recordes em US$ 12,4 bilhões.

— A tendência para viagens internacionais de redução do déficit permanece. A atividade econômica está fraca e a taxa de câmbio se valorizando — frisou Rocha.



Apesar da alta do dólar, um gasto continua a crescer: o de aluguel de equipamentos. Isso, na avaliação do governo, é um bom sinal: o setor de extração mineral continua ativo, já que é o maior demandante desse tipo de serviço. Essa despesa cresceu 8% e foi de 8,3% e chegou a US$ 11,2 bilhões.

Segundo o BC, em junho, o superávit comercial veio acima das expectativas. E o déficit nas contas externas veio bem mais baixo do que previa a autoridade monetária. A projeção para o mês era de um déficit de US$ 3,5 bilhões. Os dados mostram que o resultado foi negativo em apenas US$ 2,5 bilhões: a metade do rombo no mesmo mês do ano passado.

— A grande surpresa aí foi o desempenho da balança comercial — revelou Fernando Rocha.

 

Bradesco entra em negociações para compra do HSBC



O banco Bradesco iniciou conversas exclusivas para adquirir a unidade brasileira do HSBC, de acordo com uma fonte com conhecimento direto da transação.

Caso o HSBC aceite a oferta do Bradesco, um acordo pode ser anunciado até o fim deste mês, disse a fonte. A oferta avalia a unidade brasileira do HSBC em cerca de R$ 12 bilhões, ou 1,2 vez seu valor contábil, disse a fonte.

A fonte não informou se o Bradesco vai pagar em dinheiro pela instituição financeira, que tinha ativos de cerca de R$ 170 bilhões no fim de março. Fontes próximas às negociações disseram à Reuters no mês passado que o HSBC esperava que a venda fosse finalizada em agosto.

A disputa pelo HSBC no Brasil avançou rapidamente desde que os planos de venda da instituição foram anunciados em maio. Analistas afirmam que a saída da instituição do Brasil ocorre no momento em que grandes bancos locais superam rivais menores e ganham mais força em um cenário de economia deteriorada.

O fraco crescimento em ativos impediu que o HSBC Brasil ganhasse escala para aumentar sua fatia de mercado, o que fez com que o retorno sobre o patrimônio líquido ficasse negativo em 4,2% no ano passado, comparado a 15,5% no fim de 2011.

Representantes do Bradesco não foram encontrados para comentar. Um porta-voz do HSBC em São Paulo recusou-se a comentar.

 

Perspectivas do mercado para PIB e inflação de 2015 pioram

 

As estimativas dos economistas das instituições financeiras sofreram uma nova piora, segundo pesquisa do Banco Central. A estimativa para a inflação teve a 14ª semana seguida de alta: passou de 9,12% para 9,15%.

Já a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB), depois de uma semana de "trégua", voltou a recuar. Os analistas agora estimam que a economia sofra uma contração de 1,7% neste ano, ante 1,5% na semana anterior.

Os dados são do boletim Focus, que reúne estimativas de mais de cem instituições financeiras, divulgado pelo Banco Central.

Inflação
Para o final de 2016, a pesquisa apontou ligeiro ajuste para baixo na alta do IPCA (o índice oficial de inflação), a 5,4%, contra 5,44% antes.

Se confirmada a estimativa para o IPCA, a inflação de 2015 atingirá o maior patamar desde 2003, quando ficou em 9,3%. A expectativa do governo para a inflação deste ano, divulgada no decreto de programação financeira em maio, está em 8,26%.

Segundo economistas, a alta do dólar e dos preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros) pressiona os preços em 2015. Além disso, a inflação de serviços, impulsionada pelos ganhos reais de salários, segue elevada.

Pelo sistema que vigora no Brasil, a meta central para 2015 e 2016 é de 4,5%, mas, com o intervalo de tolerância existente, o IPCA pode oscilar entre 2,5% e 6,5%, sem que a meta seja formalmente descumprida. Com isso, a inflação deverá superar o teto do sistema de metas em 2015, algo que não acontece desde 2003.

PIB
Se confirmado o resultado de queda de 1,7% no PIB, será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando foi registrada uma queda de 4,35%. Para 2016, a estimativa para o PIB também ficou menor: caiu de 0,5% para 0,33%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira.

No fim de maio, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a economia brasileira registrou queda de  0,2% no primerio trimestre de 2015

 

, puxada pelo desempenho negativo do setor de serviços e da indústria, bem como pelo recuo do consumo das famílias e dos investimentos.

Na semana passada, o IBC-Br, calculado pelo Banco Central e considerado uma "prévia" do PIB, mostrou quea econmia ficou praticamente estagnada em maio, depois de uma queda de 0,88% no mês anterior, sugerindo que a economia pode ter entrado em recessão técnica – quando o PIB acumula dois trimestres seguidos de resultado negativo.

Taxa de juros
A estimativa para os juros no fim deste ano ficou estável pela terceira semana, em 14,5%. Isso quer dizer que os analistas estão prevendo uma nova alta da taxa Selic no decorrer de 2015, que hoje está em 13,75%. Para o fim de 2016, a estimativa recuou de 12,25% para 12% ao ano.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para tentar conter pressões inflacionárias. Pelo sistema de metas de inflação brasileiro, a instituição tem de calibrar os juros para atingir objetivos pré-determinados. As taxas mais altas tendem a reduzir o consumo e o crédito, o que pode contribuir para o controle dos preços.

 

Emprego na indústria recua 1% em maio

 

Pela quinta vez seguida, o emprego na indústria recuou. De abril para maio, a queda foi de 1%, a mais intensa desde fevereiro de 2009 segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). o recuo nesse mês foi o mais intenso desde fevereiro de 2009 (-1,3%) Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a queda foi ainda maior, de 5,8%.

No ano, o emprego industrial acumula baixa de 5% e nos últimos 12 meses, de 4,4%.

O contingente de trabalhadores recuou na maioria dos ramos pesquisados, com destaque para meios de transporte (-11%), alimentos e bebidas (-3,2%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-12,9%), produtos de metal (-10,6%) e máquinas e equipamentos (-7,2%), entre outros.

O número de horas pagas na indústria também diminuiu. Em relação ao mês anterior, a retração foi de 1,3% e frente a maio de 2014, de 6,6%, acumulando assim reduções de 5,6% no ano e de 5,1% em 12 meses.

De acordo com o IBGE, essa queda mensal do número de horas pagas foi a mais intensa desde janeiro de 2009.

"Esses resultados refletem, especialmente, a diminuição de ritmo que marca a produção industrial desde o último trimestre de 2013, com redução de 9,7% desde outubro de 2013", afirma o IBGE, em nota.

Em maio, depois de três meses seguidos de queda, a produção industrial nacional cresceu 0,6%

Valor da folha de pagamento
Em maio, o valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria recuou 3,7% frente a abril, a segunda taxa negativa seguida, acumulando redução de 4,6%. O recuo nesse mês foi o mais intenso desde janeiro de 2013 (-5,3%).

Resultado do mês foi incluenciado pelo setor extrativo (-6%), acentuando a queda de 3,5% registrada no mês anterior, como da indústria de transformação (-2,6%), que permaneceu apontando recuo pelo quinto mês seguido

 

Setor de lavanderia  cresce 1,1% em maio

 

A receita nominal do setor de serviços registrou um crescimento de 1,1% em maio frente a igual mês do ano anterior, anunciou  o IBGE. O resultado de maio passa a ser o segundo menor da série histórica iniciada em 2012 — que era ocupado até então por abril (1,7%) —, atrás apenas do 0,9% de fevereiro. Pelos dados do IBGE (que não levam em conta a inflação), no ano, a taxa acumulada atingiu 2,3%. Em 12 meses, a alta é de 3,8%.

Na comparação com maio do ano passado, três dos cinco segmentos pesquisados registraram variações positivas: serviços profissionais, administrativos e complementares (5,5%); transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio (0,8%); e outros serviços (0,3%). Já serviços prestados às famílias (-1,4%) e serviços de informação e comunicação (-0,8%) registraram variação negativa.

Descontada a inflação de serviços, a receita real do setor recuou 6,6% frente a maio de 2014, segundo cálculos da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), baseados nos dados divulgados hoje pelo IBGE. A taxa negativa levou a receita das atividades pesquisadas pela Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE, a completar 15 meses de queda.

Segundo a CNC, o fraco resultado de maio demonstra o processo de desaceleração da receita nominal frente à deterioração das condições econômicas em 2015.

— A perda do poder de compra, proveniente da persistência inflacionária e do enfraquecimento do mercado de trabalho, vem impedindo o crescimento real do setor — explica Bruno Fernandes, economista da CNC.

As principais contribuições positivas à taxa global da pesquisa foram serviços profissionais, administrativos e complementares (1,2 ponto percentual); transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio (0,3 ponto percentual); outros serviços não contribui para a taxa, enquanto serviços prestados às famílias (-0,1 ponto percentual) e serviços de informação e comunicação (-0,3 ponto percentual) tiveram contribuição negativamente.

 

Pela primeira vez em 7 anos, alugar imóvel fica mais barato no país

Alugar um imóvel ficou mais barato em nove cidades brasileiras em junho, em comparação com o mesmo mês de 2014. É primeira vez que isso acontece desde 2008, quando o FipeZap foi criado. De acordo com o índice, o preço de aluguel dos imóveis residenciais caiu 0,57% no período. No mesmo período, a inflação medida pelo IPCA foi de 8,89%. Com isso, já são 13 meses seguidos em que o índice de locação ficou abaixo da inflação em 12 meses.

Na mesma base de comparação, o Rio de Janeiro teve a maior queda: 4,65%. Também foi registrada variação negativa nominal (sem considerar a inflação) em Porto Alegre, com -3,95%, e Curitiba, com -1,32%.

Nas outras cidades os preços subiram, ou seja, não houve queda nominal, mas sim queda real, ou seja, os valores tiveram reajuste abaixo da inflação. Sem considerar a alta do custo de vida, Brasília teve alta no preço dos aluguéis de 4,64% em um ano, seguida por Salvador, com 3,74%; Campinas, com 3,73%; São Bernardo do Campo, com 1,82%; Santos, com 1,26%; e São Paulo, com a menor variação positiva, de 0,59%.

Na variação mensal, de maio para junho, também houve queda no preço dos aluguéis: o recuo foi de 0,66%, ante uma variação positiva de 0,79% no IPCA. Mais uma vez o Rio de Janeiro foi a cidade que apresentou a maior queda, de 1,63%, seguido por São Paulo, com queda de 0,64%.

Também apresentaram variação negativa Santos, com 0,37%; Salvador, com 0,30%; e Curitiba, com 0,18% de queda. Nenhuma cidade registrou crescimento no valor de aluguéis acima da inflação, mas Brasília apresentou alta de 0,61% de maio para junho; São Bernardo do Campo, 0,1%; e Porto Alegre e Campinas, 0,06%.

Apesar das quedas, o preço médio anunciado para locação por metro quadrado no Rio de Janeiro continua o mais caro, estimado em R$ 40,21. São Paulo fica em segundo lugar, com R$ 37,29. A média nas nove cidades pesquisadas em junho foi de R$ 33,54. O aluguel mais barato foi em Curitiba, onde o aluguel custa em média por R$ 16,08 ao mês, por metro quadrado.

Os preços anunciados para locação considerados para o cálculo do índice FipeZap são para novos aluguéis. Ou seja, não mede a variação dos contratos vigentes (normalmente reajustados automaticamente pelo IGP-M, da FGV, ou por outros índices de correção). Essa medida é importante para avaliar se o mercado imobiliário está mais ou menos atraente em relação a outras opções de investimento. Em junho de 2015, o retorno médio com aluguel foi de 4,7% ao ano.

 

Comprometimento da renda  atinge 34% dos consumidores

Pesquisa Perfil do Consumidor Inadimplente, realizada no 2º trimestre de 2015 com cerca de 1.000 consumidores inadimplentes, que buscaram informações nos postos de atendimento da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). Na comparação com a pesquisa anterior, do 1º trimestre de 2015, houve aumento de 12 pontos percentuais no comprometimento da renda.

Apesar de a maioria dos entrevistados (75%) estar otimista em relação aos próximos 12 meses, na comparação com o trimestre anterior, houve uma queda de 5 pontos percentuais e, quando comparado ao mesmo trimestre de 2014, a queda é ainda mais intensa (15 pontos percentuais).

Causas
O desemprego ainda é a principal causa da inadimplência para 31% dos consumidores. Em seguida, aparece o descontrole financeiro com 28% das menções, e o empréstimo do nome a terceiros (13%).

A aquisição de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos gerou a inadimplência para 22% dos entrevistados, seguido por aquisição de vestuário e calçados (18%) e alimentação (16%).

A forma de pagamento utilizada na compra que gerou a inadimplência foi o carnê ou boleto para 29% dos entrevistados, seguida de cartão de crédito (28%), cheque (14%), empréstimo pessoal (13%), cartão da loja (9%) e cheque especial (7%). Quanto ao valor, 30% dos consumidores disseram que a soma das dívidas em atraso é de até R$ 500, enquanto 38% têm entre R$ 500,01 e R$ 2.000 e 32% devem acima de R$ 2.000.

Intenção de compra
A pesquisa da Boa Vista SCPC revela queda na intenção dos consumidores em realizarem novas compras, após quitarem as dívidas: 21% pretendem realizar novas compras – redução de 7 pontos percentuais em comparação com o trimestre anterior - e 79% não pretendem realizar novas compras.

Após reabilitar o nome, os consumidores pretendem comprar, em primeiro lugar, um veículo (40%), seguido por um imóvel (16%) e móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos (9%).

A pesquisa também revelou que 59% dos consumidores têm como sonho a compra da casa própria. O carro aparece em 2º lugar com 22% das menções. Atualmente, apenas 14% dos consumidores estão preparados para realizar esse sonho, e 96% dizem que estarão preparados para realizá-lo no futuro.

Endividamento
A maioria dos entrevistados (75%) declarou possuir condições de pagar as dívidas vencidas e que geraram a restrição, 17% têm condições de pagar parte da dívida e 8% não têm condições de pagar. Dos que vão pagar totalmente, 63% irão regularizar a dívida de forma parcelada, dos quais 68% irão regularizar nos próximos 30 dias.

Quando perguntados sobre o nível de endividamento, 33% dos entrevistados se declararam pouco endividados, 25% muito endividados e 42% mais ou menos endividados.

A renda familiar dos consumidores está comprometida em até 25% com o pagamento de dívidas para 41% dos entrevistados, de 25% a 50% de comprometimento para 34% dos consumidores, e acima de 50% de comprometimento para 25% dos pesquisados.

A pesquisa apontou ainda queda de 26% para 20% na fatia dos consumidores que consideram pior a situação financeira neste 2º trimestre de 2015, enquanto 24% afirmaram que a situação está melhor. Em comparação ao ano anterior, 27% afirmam que as dívidas diminuíram, enquanto que para 40% continuam iguais e para 33% elas aumentaram. Analisando um espaço menor de tempo, na comparação com o mês anterior, as dívidas diminuíram para 24% dos entrevistados, continuam iguais para 50% e aumentaram para 26%.

 

Depois do calote socialistas gregos dão mais um golpe



Após 17 horas de reunião de cúpula, os líderes da zona do euro chegaram por unanimidade a um acordo que permite negociar um terceiro programa de resgate à Grécia, indicou o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk. O pacote inclui um fundo de € 50 bilhões, gerido pelos gregos, que servirá para recapitalizar bancos e fazer investimentos de estímulo ao crescimento. O socorro como um todo pode chegar a um montante de € 86 bilhões ao longo de três anos. Os mercados europeus reagiram bem ao acordo e as Bolsas operavam em alta.

Os credores, no entanto, exigem que Atenas aprove novas leis nas próximas 48 horas, obrigando o país a aplicar as medidas prioritárias exigidas em troca do resgate. Segundo os jornais britânicos "The Telegraph" e "The Guardian", o documento de sete páginas com os termos do acordo inclui:

- Fundo de € 50 bilhões, sendo € 25 bilhões para recapitalizar os bancos e outros ativos e 50% de cada euro restante (ou seja, 50% dos € 25 bilhões) serão usados para diminuir a dívida em relação ao PIB. Os outros 50% serão utilizados para investimentos. Durante as discussões, alguns credores queriam que esse fundo fosse gerido em Luxemburgo, mas a proposta foi vista como uma "humilhação" para Grécia;

- Estabelece um novo fundo para vender ativos valiosos para ajudar a pagar o novo resgate;

- Aumento do imposto sobre valor agregado;

- Corte de aposentadorias (reforma da previdência);

- Liberalização da economia;

- Privatização;

- Reforma de mercado de trabalho, incluindo novas regras na área industrial e permissão para demissões coletivas;

- Medidas para garantir a independência do escritório de estatísticas grego;

- Medidas que permitiriam o corte automático de gastos, se a Grécia não cumprir suas metas de superávits primários (despesas menos receitas excluindo os gastos com juros);

- Dá ao governo até 22 de julho (uma semana extra em comparação com o projeto anterior) para rever seu sistema de justiça civil, implementar novas regras que alinhem as leis que regem os bancos com o resto da União Europeia.

Agora, a Grécia tem até esta quarta-feira para aprovar no parlamento leis que garantam o pontos do acordo.



O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, afirmou que seu governo travou uma batalha dura durante seis meses e lutou até o fim para um acordo que permitirá ao país recuperar-se.

— Enfrentamos dilemas difíceis e tivemos que fazer concessões para evitar a aplicação dos planos de alguns círculos ultraconservadores europeus. Conseguimos evitar as medidas mais extremas.


Tusk disse que a ajuda financeira será dada mediante o compromisso do governo grego de levar adiante reformas econômicas.

“A Europa decidiu um roteiro. Agora tudo depende da implementação das reformas e adaptações necessárias para a Grécia”, disse o primeiro-ministro da Estônia, Taavi Roivas, no Twitter.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que recomendaria com plena convicção ao parlamento autorizar a abertura de negociações com a Grécia sobre um terceiro resgate uma vez que o parlamento grego aprove todo o programa.

Merkel advertiu que o acordo sobre o resgate da Grécia será um caminho longo e difícil. O Parlamento alemão deve votar o acordo na sexta-feira.

— A Grécia e seus parceiros ainda têm um caminho longo e difícil pela frente para levar a cabo um terceiro programa de resgate a Atenas.

Mas as condições impostas pelos credores são duras e podem pôr mais pressão sobre Tsipras, rachando seu governo e gerando protestos na Grécia.

— Claramente, a Europa da austeridade ganhou — disse o ministro de Reformas da Grécia, George Katrougalos, à rádio BBC. — Ou aceitamos essas medidas draconianas ou haverá uma morte repentina da nossa economia porque os bancos continuam fechados. De modo que é um acordo ao qual estamos praticamente obrigados.


 

Inflação fica em 0,79% em junho, maior desde 1996

 

A inflação oficial brasileira — medida pelo IPCA — ficou em 0,79% em junho, informou o IBGE . O resultado é o maior para o mês desde 1996, quando o índice chegou a 1,19%. Segundo sondagem do Banco Central (BC), analistas do mercado financeiro esperavam que a taxa de junho ficasse em 0,74%. Já as taxas acumuladas no semestre, de 6,17%, e em 12 meses, de 8,89%, são as maiores desde 2003.

Em 12 meses, o índice acumula alta de 8,89%, bem acima do teto da meta estabelecida pelo governo, que é de 6,5%, é mais do que em igual período do ano passado (8,47%). O acumulado em 12 meses é o maior desde dezembro de 2003, quando ficou em 9,30%.

No ano, o índice já está bem perto do teto, fechando o primeiro semestre em 6,17%, bem acima dos 3,75% dos primeiros seis meses do ano passado.

Em junho de 2014, o IPCA ficou em 0,4%. A inflação encerrou o ano passado com alta acumulada de 6,41%, puxada por energia e alimentos. Em maio deste ano, o indicador ficou em 0,71%, maior taxa para aquele mês desde 2008.

O grupo Despesas Pessoais foi o que teve maior alta, de 1,63%. O item jogos de azar registrou a maior variação neste grupo, de 30,80%, exercendo o principal impacto individual no índice do mês, de 0,12 ponto percentual. Considerando maio e de junho, a alta foi de 47,50%, devido aos reajustes nos valores das apostas a partir de 18 de maio. Empregado doméstico também foi um item de destaque nesse grupo, com alta de 0,66%.

O segundo maior impacto no IPCA de junho, de 0,10 ponto percentual, veio das passagens aéreas, que subiram 29,19% no mês. O IBGE ressalta, porém, que este item tem resultados instáveis e, no semestre, acumula queda de 32,71%. O item foi um dos responsáveis por elevar a taxa do grupo transportes, que subiu 0,7%. Mas também contribuíram as altas nos serviços de conserto de automóvel (1,7%) e tarifa de ônibus urbano (0,4%). O IBGE destacou que parte desse aumento é reflexo do reajuste de 12,5% nas passagens de ônibus em Belém, em vigor desde 16 de maio.

Entre os preços monitorados, aqueles controlados pelo governo, o destaque foi a inflação da taxa de água e esgoto, que subiu 4,95% e foi o terceiro item de maior impacto sobre o IPCA. O índice reflete reajustes autorizados entre 13 de maio e 20 de junho em cidades como São Paulo, Rio, Salvador e Curitiba.

PREÇO DA ENERGIA E DOS ALIMENTOS DESACELERA

Vilã da inflação no primeiro semestre, a energia elétrica deu uma trégua em junho. O item subiu 0,06% no mês passado, após ter tido inflação de 2,77% em maio. Já a gasolina, que avançara 0,23% em maio, registrou leve deflação de 0,07% em junho.



A inflação de alimentos também desacelerou em junho. Passou a subir 0,63%, após ter chegado a 1,37% no mês anterior. Com isso, reduziu seu impacto sobre o índice pela metade, de 0,34 ponto para 0,16 ponto. Influenciaram essa taxa a trégua de alguns itens que costumam ser os vilões do IPCA. O tomate passou de alta de 21,38%, em maio, para deflação de 12,27%, em junho. Já a cenoura, passou de avanço de 15,9% para queda de 10,78%, na passagem entre esses meses. No acumulado do semestre, no entanto, esses dois itens ainda registram alta de 58,28% e 32,33%, respectivamente.

— Na alimentação, o resultado foi firme. Alta de 0,63% não é irrisório, é um grupo que tem um peso muito grande no orçamento das famílias. Não significa que os alimentos ficaram mais baratos — destacou Eulina Nunes, gerente da coordenação de índice de preços do IBGE.

 

Empresas poderão reduzir jornada de trabalho e salários

 

Na tentativa de estancar o desemprego — sobretudo no setor automotivo — e em busca de apoio para enfrentar a mais grave crise política do seu governo, a presidente Dilma Rousseff editou medida provisória criando o Programa de Proteção ao Emprego (PPE). A medida permite a redução da jornada de trabalho, com corte dos salários em até 30%, em momentos de crise. Mas, para o trabalhador, esse corte será, efetivamente, de 15% do salário, já que o governo se compromete a usar recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para bancar metade da parcela do salário que for cortada. O gasto estimado em um ano de vigência, prazo máximo do programa, é de cerca de R$ 112,5 milhões.

A proposta — defendida pelos sindicatos dos trabalhadores das montadoras — não contou com o apoio do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, voto vencido nas discussões dos últimos dias. Isso porque o programa vai elevar as despesas do FAT no momento em que a equipe econômica tenta reduzi-las, restringindo o acesso ao seguro-desemprego e estendendo o pagamento do abono salarial. Segundo interlocutores, a maior preocupação do ministro é que a medida sinalize um relaxamento do ajuste fiscal, especialmente depois que o Congresso aprovou medidas de forte impacto sobre os gastos, como o aumento salarial do Judiciário e a extensão da regra de reajuste do salário mínimo para todos os aposentados do INSS.

— Não pode haver uma redução do pessimismo. Se houver uma avaliação de que o ajuste pode ser menor, o esforço feito até agora pode se perder — afirmou um interlocutor de Levy.


A condução e finalização do novo programa ficaram a cargo do Ministério do Planejamento, com auxílio da Secretaria-Geral da Presidência da República. Antes do anúncio, a MP foi detalhada às lideranças sindicais.

— É um projeto ganha-ganha. Ganham os trabalhadores, que mantêm seu emprego, as empresas, que conseguem preservar uma mão de obra qualificada e retomar rapidamente seu nível de produção, e o governo, na medida em que assegura o nível de emprego e preserva receitas importantes do ponto de vista fiscal — disse o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto.

Os setores que poderão aderir ao programa serão definidos nos próximos 15 dias por um comitê gestor, formado por vários ministérios. Em princípio, qualquer empresa em crise financeira poderá participar, desde que se comprometa em manter os empregos na vigência do programa. A adesão poderá ser feita até 31 de dezembro de 2015, por seis meses, prorrogáveis por mais seis. E dependerá de negociação com o sindicato da categoria, mediante acordo coletivo



O FAT vai complementar até 50% do corte salarial, limitados a 65% da parcela do seguro-desemprego (R$ 900,84). Segundo estimativas do governo, quem ganha R$ 2.500 passará a receber R$ 2.125, sendo que a empresa responderá por R$ 1.750, e o governo, por R$ 375. Para uma remuneração de R$ 5 mil, o novo contracheque ficará em R$ 4.250, sendo que a firma pagará R$ 3.500, e o governo, mais R$ 750. Os cálculos consideram corte de 30%.


 

Geração entre 20 e 30 anos vive a primeira crise
 




A primeira crise a gente nunca esquece. Uma geração de jovens adultos, entre 20 e 30 anos, enfrenta, pela primeira vez, algo que só viu em livros ou nas histórias de seus pais: crise econômica com inflação alta, instabilidade política, descontrole fiscal e, principalmente, desemprego e recessão. A bonança do mercado de trabalho dos últimos dez anos — que beneficiou esses jovens — deu lugar a uma taxa de desemprego de 16,4% em maio para quem tem entre 18 e 24 anos. Há um ano, o percentual estava em 12,3% nas grandes metrópoles. A inflação, que parecia vencida há 20 anos, assusta novamente, em torno de 9% ao ano, corroendo os ganhos das famílias. A desesperança diante das expectativas cada vez piores do desempenho econômico completa o quadro com o qual essa geração terá que lidar.

O avanço educacional e o colchão de proteção social criados a partir da Constituição de 1988 e engordados nos últimos anos dão mais armas para essa geração em contraponto a seus pais. Em 2004, somente 32,9% dos jovens entre 18 e 24 anos estavam na universidade. Em 2013, essa parcela tinha subido para 55%.

— As expectativas também estão mais altas. As famílias que têm ainda alguma gordura para queimar vão deixar os filhos se especializando mais até o mercado melhorar — afirma a antropóloga social e demógrafa Joice Vieira, que estudou a transição para a vida adulta.

‘MINHA MOEDA SEMPRE FOI O REAL’

É isso que o estudante de Jornalismo Rafael Loreto Fernandes pretende fazer. Está na segunda faculdade — é formado em Relações Internacionais, domina inglês, francês, espanhol e “arranha” alemão — e teme o momento em que terá de deixar os bancos escolares:

— Nasci em 1990. Só ouvi histórias de crise dos meus pais. Minha moeda sempre foi o real. Estou muito assustado. O mercado de trabalho está expulsando profissionais que já são bem remunerados, especializados. Quando começar a absorver pessoal novamente, vão dar preferência a pessoas que já têm experiência, coisa que o recém-formado não tem.

Marcelo Medeiros, sociólogo da UnB e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), diz que, neste momento de crise, a competição se dará com gente muito mais qualificada.

— Ensino médio não é mais vacina contra pobreza. E há a competição geracional. Esses jovens já competem com os adultos mais velhos.

As ruas podem ser o outro caminho a ser tomado por essa geração, diante da tendência de mobilização da juventude. Em épocas de bonança, lembra Joice, o individualismo avança mais. Na crise, o comportamento é o inverso:

— É uma geração que foi criada na democracia, tem direito à voz. Estamos vendo isso na Europa. São jovens bem formados que podem ser uma voz importante nesse momento, gerando soluções, pressionando e questionando.

PELA PRIMEIRA VEZ, MEDO DE SER DEMITIDO

Dentro das empresas, o medo do desemprego se instalou, na opinião da especialista em marketing Carla Galo, que viaja o Brasil todo fazendo palestras sobre gestão de negócios:

— É uma geração que não tinha medo de romper. Se estava insatisfeito na empresa que não se alinhava aos seus propósitos, começava já a namorar outra. Agora vê o amigo sendo demitido. Pela primeira vez, está sentindo que seu emprego está ameaçado.

Ter que demitir também é outra missão que não estava no radar dessa juventude. Paulo Sardinha, coordenador da pós-graduação de Gestão de Recursos Humanos do Ibmec/RJ e presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RJ), afirma que o choque chegou por meio da necessidade de demissão e do aperto do orçamento:

— Pela primeira vez, eles estão lidando com a reestruturação da equipe, inclusive tendo que demitir pessoas mais velhas que eles. Não estão preparados para demitir, fizeram carreira olhando para cima, ampliando a equipe. São mais técnicos, distantes de questões do orçamento. Agora são obrigados a ver as contas, fornecedores, não dá para se preocupar somente com lado técnico.

Carla concorda que, na hora de cortar custos, há uma paralisia, principalmente no comércio:

— Todo o treinamento no comércio foi feito para vender, nunca para lidar com eficiência, com corte de despesas. É uma situação para a qual eles não foram preparados. Numa palestra, perguntei o que é eficiência. Somente os grisalhos responderam de pronto.

Acostumados a consumir, essa juventude terá que deixar de lado os chamados bens de luxo. O economista Eduardo Velho, que viveu situação semelhante nos anos 1990, quando o então presidente Fernando Collor confiscou o dinheiro da população para combater a inflação, que custou ao país dois anos de recessão e a volta da inflação de maneira mais explosiva ainda, lembra que o exame para mestrado em Economia nunca teve tantos candidatos:

— Esses jovens consomem muito, principalmente bens de luxo. Deve diminuir a venda de tablet e a procura por cursos extraclasse, como balé, academia. Mas essa geração é mais empreendedora, ao contrário da minha. Muitos estão montando seus próprios negócios quando têm alguma poupança.

 

Carla também está notando mais jovens tentando empreender:

— É uma cultura mais recente, mas que vem desde a escola para essa geração. Diante da crise, estão dispostos a tentar o próprio negócio.

Maycom Brum, de 27 anos, morador do Complexo do Alemão e estudante de Publicidade, diz que ser contratado ao fim da faculdade não é uma preocupação. Ele pretende abrir uma agência onde mora para ajudar os pequenos empreendedores locais a crescer. Diz que o aumento da violência atrapalha, pois afasta as empresas, mas vê oportunidades no local:

— As chances no Complexo começaram a se multiplicar com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), com o teleférico. Nunca desejei trabalhar fora daqui. Tenho vontade de abrir uma agência de publicidade, para ajudar os microempreendedores, dar meios para eles crescerem, com um marketing bacana. Quero entender o mercado local e trabalhar com isso. Trazer o conhecimento para dentro e multiplicar aqui.

O mercado de estágio e de trainees ainda não foi afetado pela crise, segundo Débora Nascimento, da Capacitare. Responsável por esses programas em empresas de petróleo que também estão sendo afetadas pela crise da Petrobras, como Shell, Ipiranga, Chevron e Technip, diz que não houve queda na demanda pelos programas. Pelo contrário, nesses momentos de crise, eles acabam contratando mais estagiários e trainees.

Preços dos imóveis têm queda real de 4,45% no 1º semestre

 

O preço anunciado dos imóveis em 20 cidades brasileiras teve queda real pelo oitavo mês seguido, de acordo com o Índice FipeZap de junho, divulgado. O aumento médio de 0,13% ficou abaixo da inflação esperada de 0,72% para o mês (segundo o Boletim Focus, do Banco Central).

Ao fim do primeiro semestre, o Índice FipeZap Ampliado registra um crescimento acumulado em 2015, de 1,38%. No mesmo período, a inflação esperada para o IPCA (IBGE) é de 6,10%. Dessa maneira, o preço médio anunciado do metro quadrado nas 20 cidades pesquisadas ampliou sua queda real para 4,45% em 2015.

No período de 12 meses terminado em junho, os imóveis tiveram aumento nominal de 4,52% nos preços. Foi a sexta vez seguida em que a variação foi menor do que a inflação nessa base de comparação, configurando novamente queda real de preços.

19 cidades têm queda real
Com exceção de Florianópolis, todas as outras cidades que compõem o índice registraram variações menores do que a inflação, sendo que Niterói, Brasília e Curitiba tiveram queda nominal nesse período. O valor anunciado do metro quadrado médio das 20 cidades em junho foi de R$ 7.608.

EmSão Paulo, os preços ficaram praticamente estáveis em junho (0,09%) em relação ao mês anterior, e acumulam valorização de 2,20% no primeiro semestre. No Rio de Janeiro, os preços também não variaram em junho (0,01%), e subiram 0,58% nos seis primeiros meses do ano.

A cidade com o metro quadrado mais caro continua sendo o Rio de Janeiro (R$ 10.643), seguida por São Paulo (R$ 8.593) e Brasília (R$ 7.969). Os dois municípios que apresentaram os menores preços foram Contagem (R$ 3.550) e Goiânia (R$ 4.162).

 

Operação Lava-Jato estima prejuízo R$ 19 bilhões na Petrobras



A Petrobras teve um prejuízo de pelo menos R$ 19 bilhões nos últimos anos devido a fraudes em licitações para beneficiar empreiteiras e pagamento de propinas a políticos e funcionários públicos. O número, que faz parte de um balanço parcial da Polícia Federal (PF), é três vezes maior do que o cálculo feito pela própria companhia no balanço financeiro de 2014. No documento, divulgado em abril, a empresa reconheceu ter perdido R$ 6,2 bilhões entre 2004 e 2012 devido à corrupção.

O cálculo do prejuízo está sendo feito por peritos da PF, com base em um lote de contratos investigado pela Operação Lava-Jato. O relatório final deve ser apresentado semana que vem e anexado ao processo, mas, até agora, já foram apurados desvios que ultrapassam R$ 19 bilhões. Entre as obras que estão sendo auditadas estão a construção das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco (Rnest), e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Para chegar ao montante final, os técnicos estão cruzando dados de planilhas de preços de cada contrato da Petrobras com dados levantados pela investigação, contas bancárias e depoimentos de colaboradores. Além do dinheiro que foi desviado para pagar propinas, a apuração levantou, por exemplo, casos de alteração de valores em itens dos contratos, como o preço unitário de uma peça, superfaturamento, jogos de planilha.

— Achávamos que a margem de prejuízo da Petrobras era em torno de 3% por contrato. É isso o que os colaboradores dizem. Mas estamos descobrindo é que essa margem ficava, na verdade, entre 15% e 20% dos valores de contrato — disse nesta quinta-feira o delegado da PF Igor Romário de Paula, que faz parte da força-tarefa da Lava-Jato.

Procurador admite ser dificil chegar a número exato

Segundo o delegado, as empreiteiras acusadas de formar um cartel e fraudar licitações da Petrobras teriam o costume de aumentar os valores dos contratos até o máximo permitido pela estatal. A Petrobras teria, como praxe, aceitar contratos até 20% mais caros do que o orçamento inicial, que era calculado pela própria estatal.

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, também integrante da força-tarefa da Lava-Jato, concorda que a corrupção causou prejuízos maiores a Petrobras do que os R$ 6 bilhões estimados pela estatal. Por outro lado, ele diz acreditar que seja difícil chegar a um número exato:

 Aquele número do balanço da Petrobras é válido, mas conservador. Não temos dúvida de que os prejuízos são maiores que os R$ 6 bilhões lançados no balanço. Mas é quase impossível fazer essa mensuração porque há uma série de efeitos em toda a cadeia de licitação.

Segundo o Ministério Público Federal, a força-tarefa da Lava-Jato trabalha com a meta de conseguir a devolução de R$ 1 bilhão do dinheiro que foi desviado da Petrobras por meio de esquemas ilícitos até o fim do ano. Até o momento, investigados pela operação Lava-Jato que se comprometeram a cooperar com a Justiça já devolveram cerca de R$ 700 milhões de forma espontânea, de acordo com o procurador Carlos Fernando.

 

Vendas de carros no Brasil caem mês a mês em 2015

As vendas de automóveis e veículos comerciais leves continuam em queda. Segundo dados do Renavan, foram licenciadas 191.910 unidades, declínio de 6,5% no comparativo com igual período do ano passado, quando foram vendidos 205.264 veículos. Ao todo foram 20 dias de vendas, o que dá uma média diária de 9.595,5 unidades. Nos bons tempos da indústria, por dia eram comercializados cerca de 12 mil carros.

A Fiat continua na liderança com 34.693 unidades, o que lhe rendeu uma participação de 18,1%. Já a Volkswagen, mesmo caindo 6% no volume comercializado em relação ao mesmo período do ano passado, vendeu 28.474 automóveis e comerciais leves. Até 29 de junho, com 14,8% de market share, a VW superou a General Motors e é a segunda no ranking de vendas.

A GM vendeu 25.990 unidades, queda de 15,2% no comparativo com a mesma base de 2014. A sua participação ficou em 13,5%. A Ford vendeu 18.789 veículos e está em quarto no ranking, com 9,8%. O destaque negativo vai para a Renault que vendeu 14.006 e agora detém 7,3% de market share e está em sétimo lugar, atrás da Hyundai, em quinto, com 17.120 e 8,9% de participação e a Toyota, em sexto lugar, com 14.305 unidades vendidas e 7,5%.



 

Setor público registra rombo de R$ 6,9 bi em maio

 


O Brasil não consegue poupar como deveria para cumprir a meta de economia para pagar juros da dívida pública num momento em que esse custo bate recorde justamente pela ação de subir os juros básicos para conter a inflação. Com isso, o país se distancia cada vez mais do cumprimento da meta de poupança de 66,3 bilhões, ou seja, cerca de 1,1% de tudo o que o país produzirá neste ano, o Produto Interno Bruto (PIB). Em maio, por exemplo, o país gastou mais do que arrecadou e teve um rombo nas contas públicas de R$ 6,9 bilhões: o pior resultado para o mês desde 2013. Nos cinco primeiros meses do ano, União, estados, municípios e empresas estatais economizaram apenas R$ 25,5 bilhões para pagar juros da dívida pública.

O governo já admite internamente que não há  como cumprir esse objetivo. O esforço fiscal não chegará nem mesmo a 0,9% do PIB. E mesmo menor que o esperado, essa meta anda cada vez mais distante. De acordo com os dados divulgados pelo Banco Central, nos últimos 12 meses, por exemplo, o Brasil carrega um déficit primário de 0,68% do PIB. Isso quer dizer que os entes públicos gastaram R$ 38,5 bilhões a mais que os impostos que arrecadaram.

Para piorar os dados das contas públicas, além dos gastos do governo maiores que as receitas, a conta de juros no fim do mês está cada vez maior porque o Banco Central está num ciclo de alta da taxa Selic para tentar conter a inflação.

Nos cinco primeiros meses do ano, o Brasil gastou nada menos que 198,9 bilhões em juros: um recorde. Isso representa nada menos que 8,4% do PIB. Como não tinha dinheiro no caixa (porque poupou só R$ 25,5 bilhões no período), faltaram R$ 173,4 bilhões para fechar a conta, ou seja, 7,32% do PIB. Sem ter como pagar, esse déficit nominal realimenta a dívida do país.

Nos últimos 12 meses, o setor público arcou com nada menos que R$ 408,8 bilhões em juros: outro recorde. Isso quer dizer que os juros da dívida pública representam 7,22% de toda a produção brasileira.



 

Petrobras anuncia corte nos investimentos, de US$ 130,3 bi



A Petrobras enviou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) fato relevante contendo o plano de negócios para o período de 2015 a 2019. No documento a empresa informa que vai investir no período US$ 130,3 bilhões, uma redução de 37% em comparação ao plano anterior. É o menor nível atingido pela empresa desde 2008. São US$ 90,3 bilhões a menos que no plano anterior, de 2014-2018, que previa investimentos de US$ 220,6 bilhões.    Com isso, as ações da empresa estão em alta na Bolsa de Valores de São Paulo

A companhia informou que espera alcançar uma produção total de óleo e gás (Brasil e internacional) de 3,7 milhões de barris de óleo equivalente em 2020. O número é 30,2% menor que os 5,3 milhões previstos antes.

Só no Brasil, a produção de petróleo e gás natural sofrerá uma forte redução nos próximos anos em relação ao plano anterior. Para 2020 a produção prevista agora é de 2,8 milhões de barris diários, contra 4,2 milhões previstos anteriormente — uma queda de 33,3%. Já para este ano a produção ficará em 2,1 milhões de barris por dia contra os 2,4 milhões de barris previstos anteriormente.

REDUÇÃO DO ENDIVIDAMENTO ESTÁ ENTRE METAS

A Petrobras destaca que seu plano de negócios para os próximos cinco anos tem o objetivo principal de reduzir o elevado nível de endividamento da companhia. O plano prevê o retorno da alavancagem às seguintes metas: alavancagem líquida inferior a 40% até 2018 e a 35% até 2020, e endividamento líquido/Ebitda inferior a 3,0x até 2018 e a 2,5x até 2020.



Dos US$ 130,3 bilhões que serão investidos de 2015 a 2019, 83%, ou seja, US$ 108,6 bilhões serão aplicados nas áreas de Exploração e Produção, incluindo nesse valor US$ 4,9 bilhões em negócios no exterior.

A área de Abastecimento, que foi um dos maiores focos do caso de corrupção revelados pela Operação Lava-Jato da Polícia Federal, receberá apenas US$ 12,8 bilhões, 10% do total. Está incluída nesses investimentos a alocação de recursos para a área de distribuição. O setor de Gás e Energia terá um total de US$ 6,3 bilhões, 5% do total. Outras áreas ficarão com US$ 2,6 bilhões, 2% dos investimentos totais.

As premissas usadas pela Petrobras para a elaboração do Plano de Negócios foram: preços dos derivados no Brasil com paridade de importação; preço do Brent (médio) a US$ 60 o barril em 2015 e US$ 70 no período 2016-2019; taxa de câmbio (média a US$ 3,10 neste ano, US$ 3,20 em 2016, US$ 3,29 entre os anos 2017 e 2019, e US$ 3,56 em 2020.


LUCRO NO PRIMEIRO TRIMESTRE

Em maio, a Petrobras informou que fechou o primeiro trimestre do ano com um lucro líquido de R$ 5,330 bilhões, uma leve queda de 1% em comparação aos R$ 5,393 bilhões obtidos nos três primeiros meses do ano passado. O resultado veio acima das expectativas do mercado, que projetava números "fracos", entre R$ 2,4 bilhões e R$ 4 bilhões para o período.

A divulgação ocorreu menos de um mês depois de a Petrobras ter divulgado o balanço do terceiro trimestre do ano passado e de todo o ano de 2014, auditado, com cinco meses de atraso, por conta das investigações da Lava-Jato. A companhia registrou no ano passado um prejuízo de R$ 21,587 bilhões, o primeiro resultado negativo desde 1991.

O quarto trimestre de 2014, quando houve prejuízo de R$ 26 bilhões, foi especialmente afetado pelas baixas contábeis relacionadas à má gestão e as práticas de corrupção apontadas pela PF. No primeiro trimestre de 2015, não houve esse efeito Lava-Jato.

 

BNDES não pode mais conceder empréstimos à Petrobras

A equipe econômica aprovou, uma medida que, na prática, impede que a Petrobras obtenha novos empréstimos no BNDES. Novas operações só serão liberadas depois que o banco estiver enquadrado nas normas que todas as outras instituições financeiras no Brasil devem seguir. A regra diz que um banco não pode ter operações com um cliente cuja soma seja maior que 25% do seu patrimônio. No caso do BNDES, há uma exceção que permite que esse limite de exposição seja extrapolado com a compra de ações, o que acontece com a cliente Petrobras. Com a decisão, entretanto, o BNDES recebeu um prazo até 2024 para fazer os ajustes.

Para fazer com que o BNDES cumpra a regra que vale para os demais bancos, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou a entrada em vigor de um cronograma para que a instituição diminua a exposição gradativamente. Essa programação existe desde o início do governo Lula, mas a sua adoção foi adiada repetidamente. Com isso, a exposição da instituição financeira à Petrobras só cresceu.

Nos próximos nove anos, o BNDES terá metas para cumprir a cada três anos. Depois de 2024, o banco receberá a punição que qualquer outra instituição recebe quando não obedece essa regra: qualquer valor desenquadrado tem de ser debitado do capital do banco, ou seja, reduz a capacidade de empréstimo.

Numa mudança de postura em relação ao papel do BNDES, a nova equipe econômica não apenas validou o cronograma, que começa em 1º de julho, como criou o impedimento para novos empréstimos. Nos anos anteriores, a política era financiar a petroleira com os recursos subsidiados.

— Estamos colocando uma trava nova — frisou Rodrigo Lara Pinto Coelho, chefe do departamento de Regulação Prudencial e Cambial do Banco Central.



ALÍVIO PARA BANCOS PEQUENOS E MÉDIOS

Devido ao cenário de desaceleração do crédito, o CMN mudou as regras para facilitar que bancos com queda no volume de empréstimos possam oferecer títulos públicos como garantias ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Antes, as instituições financeiras tinham de ofertar carteira de empréstimos como garantia.

A medida deve dar um alívio aos bancos pequenos e médios porque, na prática, cria um "cheque especial" para os bancos com o FGC. Esse foi um pedido de instituições que afirmaram precisar da medida porque perderam empréstimos por causa da portabilidade de financiamento e da recessão econômica.

— A gente viu que algumas garantias estavam diminuindo. A ideia é oferecer a garantia de qualidade em operações — afirmou José Reinaldo de Almeida Furlani, chefe de gabinete da diretoria de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central.

 

Renda média do trabalhador já cai, no ano, 5% além da inflação



O delicado momento da economia brasileira — com desemprego e inflação em alta e crédito mais caro — está esmagando a renda do trabalhador. A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) de maio, divulgada pelo IBGE, mostrou que o rendimento médio já acumula queda no ano de 5%, já descontando a inflação: em maio do ano passado o valor era de R$ 2.229,28. No mês passado, R$ 2.117,10.

O Rio foi a região metropolitana com maior queda na renda, de 6,3% frente a maio de 2015. De acordo com Adriana Beringuy, técnica do IBGE, essa taxa mais intensa é explicada pelo rendimento nas áreas de comércio e em serviços prestados à empresa, que tiveram perdas de 14,4% e 11,6%, respectivamente. Juntos, esses dois setores respondem por 33% da força de trabalho no Rio.

— O único grupamento com aumento de renda no Rio foi a construção, que só representa 7% da população ocupada — apontou Adriana.

Em maio frente a abril, a queda real nas seis regiões metropolitanas analisadas pela PME (Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre) foi de 1,9%, a quarta seguida nessa comparação. Em abril de 2015, a renda média real era de R$ 2.158,74. A massa de rendimento médio habitual (montante recebido por todos os trabalhadores) recuou 1,8% frente a abril e 5,8% em relação a maio de 2014, para R$ 48,9 bilhões.

Por grupamento de atividade, a maior queda no rendimento em relação a maio de 2015 ocorreu em serviços às empresas, de 9,2%, para R$ 2.548,20. Na indústria, o recuo foi de 2,8%, para R$ 2.209,30. A única atividade a registrar aumento no rendimento em maio — frente ao ano passado — foi em serviços domésticos, de 1%, para R$ 946,20.

Para o professor de economia da Unicamp Claudio Dedecca, mais do que o aumento do desemprego, a perda de renda do trabalhador será a grande ferramenta de ajuste da economia.
A renda será o grande elemento de ajuste da economia. Como a inflação acelerou muito, começou a comer os aumentos mais cedo. Antes, o salário mínimo era reajustado e o ganho real só desaparecia seis meses depois. Agora, isso ocorreu em dois meses. As convenções trabalhistas também estão, na melhor das hipóteses, cobrindo a inflação — avalia. — Minha desconfiança é de que isso (a perda de renda do trabalhador) entrará em 2016.

A taxa de desemprego ficou em 6,7% em maio, nas seis regiões metropolitanas. É maior taxa para o mês desde 2010, quando foi de 7,5%. Em abril, a taxa já havia subido de 6,2% em março para 6,4%, a maior desde maio de 2011. Em maio de 2014, a taxa foi de 4,9%.

Considerando toda a série histórica, que teve início em março de 2002 — e não apenas os meses de maio —, a taxa de desemprego de maio foi a maior desde agosto de 2010, quando também foi de 6,7%.

Governo quer evitar reajuste para aposentados do INSS

 


O governo se prepara para enfrentar mais uma batalha no Congresso, na votação da Medida Provisória 672, que estabelece a política de reajuste do salário mínimo. Parlamentares apresentaram emendas estendendo a fórmula - inflação mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes - para as aposentadorias do INSS superiores ao mínimo. A presidente Dilma Rousseff fez uma reunião,  com quatro ministros, e acertou que o governo vai trabalhar para evitar a aprovação da mudança. Segundo o ministro da Previdência, Carlos Gabas, a aplicação da regra para todos os benefícios representa um gasto extra de R$ 9,2 bilhões ao ano.

— Isso traz um impacto enorme na Previdência Social e é inviável. Se essa regra fosse aplicada, nós teríamos um gasto extra com Previdência Social de R$ 9,2 bilhões. Isso é metade do ajuste que foi feito com tanto esforço pelo governo. Isso inviabiliza a nossa estratégia de estabilidade da Previdência e de proteção previdenciária para a sociedade — disse Gabas. Pela regra atual, os benefícios acima do mínimo são reajustados pelo INPC.

Segundo o ministro, se a emenda for aprovada, neste ano, o gasto extra será de R$ 4,6 bilhões, porque valeria por seis meses.

Ao voltar do Rio, a presidente reuniu no Palácio do Planalto, além de Gabas, os ministros Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento) e Aloizio Mercadante (Casa Civil). Para derrubar a proposta, Dilma orientou os ministros a procurarem os deputados para mostrar o impacto nas contas da Previdência e os problemas de vincular o reajuste dos benefícios.

— Uma proposta como essa coloca em alto risco a sustentabilidade da Previdência Social — afirmou Gabas, acrescentando em seguida:

— Isso inviabiliza a Previdência ou inviabiliza a política de crescimento do salário mínimo. Por isso, vamos para o Congresso debater a necessidade de manter a sustentabilidade da Previdência. Ou seja, esta emenda não pode passar.

Atualmente, a Previdência paga 27,8 milhões de benefícios, sendo 17,9 milhões (64%) equivalentes a um salário mínimo, com um gasto total de R$ 26,7 bilhões.



 

Produção industrial e emprego seguem em queda em maio

 

A atividade da indústria brasileira continua em queda, segundo sondagem divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O índice de evolução da produção ficou em 41,7 pontos. Já o índice de evolução do emprego caiu para 41,4 pontos em maio, atingindo novo piso histórico. Pontuação abaixo de 50 indicam queda. Quanto mais abaixo da linha divisória, maior o recuo na comparação com o mês anterior.

"Esse resultado demonstra uma redução disseminada da produção industrial, ainda que menos intensa do que a de abril, quando o índice foi de 39,7 pontos", destaca o relatório. "A sondagem industrial de maio expõe a persistência da baixa atividade industrial e o pessimismo sobre a
melhora da situação da indústria brasileira no curto prazo".

O nível médio de utilização da capacidade instalada das indústrias recuou 1 ponto percentual, para 66%. Em maio de 2014, o índice estava em 71%. Ainda de acordo com a sondagem, o nível de uso do parque fabril efetivo em relação ao usual para o mês atingiu seu piso histórico de 34,9 pontos, o que indica elevada ociosidade da capacidade produtiva da indústria brasileira.

Já os estoques aumentaram em maio. O índice de sua evolução subiu para 51,2 pontos (acima da linha divisória, o que indica aumento dos estoques).

As expectativas continuam pessimistas em maio e o índice de Intenção de Investimento continuou em queda, atingindo o menor valor da série (43 pontos).

 

Déficit nas contas externas do Brasil cai em maio



Com o dólar alto que incentiva as exportações e prejudica os gastos dos brasileiros no exterior, o rombo das contas externas brasileira caiu mais da metade em maio. O déficit de todas as trocas de serviços e do comércio do país com o resto do mundo ficou em US$ 3,4 bilhões: 57% a menos que no mesmo mês do ano passado. Os dados foram divulgados  pelo Banco Central.

— As contas externas são impactadas, principalmente, pela alta do dólar e menor dinamismo da economia — frisou o chefe do departamento econômico, Túlio Maciel, completando:

— Essa redução do déficit da conta corrente se reflete em várias contas como balança comercial, balança de serviços e rendas.

Segundo a autoridade monetária, os dados dos cinco primeiros meses do ano também mostram uma mudança do perfil das contas externas do país. O rombo em transações correntes caiu de US$ 44,9 bilhões para 35,8 bilhões.

No entanto, os investimentos estrangeiros no país também caíram. Em maio do ano passado, entraram US$ 9,6 bilhões. Agora, o ingresso foi de US$ 6,6 bilhões. Apesar da queda, ele cobre com folga o déficit das contas externas.

Para os especialistas, isso é considerado o melhor tipo de financiamento, já que o investimento chega para aumentar a capacidade de produção das fábricas. No ano, o Brasil já recebeu US$ 25,5 bilhões: 35% a menos que nos cinco primeiros meses de 2014.

O investimento deve ficar praticamente estável em relação ao que entrou no ano passado: 4,12% do Produto Interno Bruto (PIB). Isso porque o BC espera o ingresso de US$ 80 bilhões. No ano passado, a entrada foi de US$ 96,9 bilhões, mas a estimativa do Banco Central leva em consideração que a economia brasileira vive uma recessão.


Nesse quadro de queda da atividade e dólar mais alto, a importação deve cair, a exportação subir, as viagens para o exterior devem ser adiadas e as empresas devem remeter menos lucro para o exterior. Isso tudo faz um ajuste nas contas externas — que passaram anos quebrando recordes seguidos de déficit.

GASTOS DOS TURISTAS

Os números já demonstram isso. Em maio, os gastos dos turistas brasileiros caíram nada menos que 37% em relação ao mesmo mês do ano passado. As despesas foram de US$ 1,4 bilhão. Enfim, chegou a desaceleração que o Banco Central espera há um ano.

Remessas de lucros e dividendos são outro exemplo. A queda foi ainda maior: 41%, já que as multinacionais mandaram apenas US$ 1,9 bilhão em maio.

 

País fechou 115 mil vagas em maio, pior resultado desde 1992

O país voltou a perder vagas de empregos formais em maio. No mês passado, foram fechados 115.599 postos de trabalho, segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

É o pior resultado para meses de maio desde o início da série histórica do indicador, em 1992. Também é a primeira vez que há corte de vagas em um quinto mês do ano. Considerando todos os meses, o resultado é o pior desde dezembro, quando foram cortados 555 mil postos de trabalho.

"Ainda não é um mês bom, mas toda essa redução do discurso de que parece que o emprego acabou representa 0,9% do estoque que nós temos, não é um desastre", afirmou o ministro do Trabalho, Manoel Dias.

"Historicamente, o primeiro semestre nunca é o melhor período para a geração de empregos. A economia se avoluma geralmente no segundo semestre".

Os dados foram apresentados em Mato Grosso por Dias, que justificou a escolha informando que o estado foi o que mais gerou emprego no mês.

"Tem setores da economia que estão bem e outros com maior dificuldade. Mas até o final do ano nós vamos retomar os investimentos todos que são necessários para a geração de emprego", afirmou Dias. "Só o fundo de garantia que é dos trabalhadores vai ter o maior investimento da sua história."

Brasil e exterior
O ministro minimizou a perda de empregos comparando a situação do Brasil com a do exterior. "Um país que dobra seu mercado de trabalho, que dobra mercado de emprego e que aumenta em 73% o salário mínimo e aumenta em 34% a renda de todas as pessoas enquanto que o mundo está em crise."

"Você vai na Europa, estive lá agora na OIT, a Espanha tem 42% de desempregados, jovens são 58%, França, Portugal e nós passamos ao largo da crise e conseguimos chegar até aqui. Precisamos agora ajustar, de vez em quando tem que dar uma parada para ajustar."

De acordo com o ministro, a atual crise é mais política que econômica, mas acaba afetando os dois aspectos: "Toda crise é política que afeta a economia. Porque se deixar impressionar pelo discurso de certos setores, se você vai comprar um automóvel vai postergar, vai deixar para comprar depois. Ia comprar um apartamento você deixa para depois e sucessivamente".

Acumulado do ano
No acumulado dos cinco primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, foram fechados 243.948 postos com carteira assinada. Este foi o pior resultado para este período da série histórica disponibilizada pelo Ministério do Trabalho, que começa, para o período acumulado do ano, em 2002.

Também foi a primeira vez, para os cinco primeiros meses de um ano, desde 2002, que o saldo ficou negativo. Os saldos de janeiro a abril foram contabilizados após o ajuste para empregos declarados fora do prazo, e o mês de maio ainda está sem ajuste.

Em 12 meses, o país já acumula a perda de 452.835 postos de trabalho.

Setores
A indústria foi responsável pelo maior corte de vagas no mês: foram 60.989 postos perdidos no período. "Os ramos que apresentara as maiores quedas foram: Indústria de Produtos Alimentícios (-8.604 postos), Indústria Mecânica (-8.373 postos), Indústria Metalúrgica (-7.861 postos) e Indústria de Material de Transporte (- 7.715 postos)", informou o governo.

A construção civil cortou 29.795 vagas, enquanto os serviços perderam 32.602. No comércio, foram 19.351 vagas a menos. A agricultura foi o único setor a contratar no mês, ganhando 28.362 vagas.

"A elevação do emprego na agricultura (+28.362 postos de trabalho), decorrente, em parte, da presença de fatores sazonais, foi proveniente principalmente do desempenho positivo das atividades ligadas ao cultivo de café (+16.820 postos), às Atividades de apoio à Agricultura (+4.478 postos), às de cultivo de laranja (+4.026 postos) e às de cultivo da cana-de-açúcar (+4.000 postos)", acrescentou o Ministério do Trabalho.

No acumulado dos cinco primeiros meses deste ano, a indústria registrou a demissão de 98.053 trabalhadores formais, enquanto que a construção civil teve 108.573 desligamentos e o comércio registrou a perda de 159.315 empregos. Os serviços, por sua vez, contrataram 78.061, a administração pública teve 14.483 admissões e a agricultura registrou 35.589 abertura de vagas.

Regiões
No recorte por regiões, houve fechamento de vagas em todas elas em maio. No mês passado, o Sudeste registrou o pior resultado, com 46.267 vagas a menos.

No Nordeste, foram cortados 34.803 postos, enquanto Sul e Norte perderam, respectivamente, 23.893 e 7.948 vagas, respectivamente.

Já na região Centro-Oeste, foi registrada a demissão de 2.688 trabalhadores com carteira assinada, segundo os dados do Ministério do Trabalho.

 

Governo discute com TCU mudança em concessão de portos

 


O governo já começou a discutir com o Tribunal de Contas da União (TCU) mudanças nas regras de concessão de portos, para incluir a cobrança de outorga no primeiro lote, com previsão de lançamento ainda neste ano. Segundo o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, o impacto financeiro sobre os projetos ainda depende da realização de novos estudos.

Inicialmente, o governo pretendia cobrar outorga a partir do segundo lote, pois o primeiro já havia sido aprovado pelo tribunal. Os investimentos previstos em portos no programa de concessões são estimados em R$ 37,4 bilhões. Agora, o tribunal deve analisar as mudanças depois que o governo apresentar um estudo com o impacto aos projetos já aprovados. Até então, os critérios para o primeiro lote priorizavam a menor tarifa e o volume de movimentação de carga.

— Foi feito um cálculo financeiro com valor de arrendamento, como se tivesse que ser pago por mês. Agora, tem que fazer o cálculo com o valor de outorga, que é paga no início (da concessão). Isso a gente vai fazer — disse Barbosa, no Fórum de Infraestrutura promovido pela Câmara Espanhola de Comércio no Brasil e pelo jornal "El País".

Segundo Barbosa, na visita que fez terça-feira com o secretário dos Portos, Edinho Araújo, ao TCU, os ministros se mostraram "receptivos" e dispostos a analisar o pleito com rapidez:

— Isso será feito nas próximas semanas e submetido ao TCU. A partir daí, a ministra Ana Arraes, relatora do processo no TCU, vai deliberar se é possível ou não incluir a outorga nas licitações listadas pelo governo e que já haviam sido aprovadas pelo tribunal. A princípio, a recepção foi bem positiva.

O ministro voltou a defender o projeto da Ferrovia Bioceânica, que pretende ligar o Brasil ao Peru, estimado em R$ 40 bilhões e classificado por especialistas como de difícil execução. Segundo ele, o trecho em território brasileiro da ferrovia deve melhorar o escoamento da safra de grãos. Barbosa disse que os estudos devem ser concluídos em maio de 2016, e os leilões ocorreriam em etapas a partir do segundo semestre de 2016.

Segundo especialistas, o novo Programa de Investimento em Logística (PIL) pode atrair novos players para o setor de ferrovias, hoje dominado por quatro empresas. Um dos trechos que serão leiloados conecta Lucas do Rio Verde (MT) a Miritituba (PA), criando uma alternativa para o escoamento da soja para a Região Norte. Analistas avaliam que as empresas que comercializam grãos no país e que hoje dependem de ferrovias de terceiros para alcançar portos do Sul e do Sudeste teriam interesse em participar da disputa. Duas delas, a americana ADM e a francesa Dreyfus, dizem que "estão atentas a oportunidades" do PIL. O trecho tem 1.140 quilômetros e estimativa de demanda de investimentos de R$ 9,9 bilhões.

— É o projeto capaz de atrair o agronegócio. Grandes traders (comercializadoras) podem se interessar e reduzir a dependência em relação aos corredores de exportação de Sul e Sudeste — diz Rodrigo Villaça, ex-presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários.

A maior parte da produção de grãos é exportada pelos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), que estão saturados. As quatro traders com forte atuação no agronegócio — ADM, Bunge, Cargill e Dreyfus — concentram operações nesses terminais, mas buscam rotas pelo Norte.

A ADM opera, desde setembro de 2014, um terminal portuário em Barcarena (PA), o que ampliou a logística de transportes de grãos ao exterior. A empresa disse que "se mantém atenta a novas oportunidades de melhorias em relação à logística de escoamento de grãos". A Dreyfus disse que "está atenta às oportunidades de negócios do PIL, incluindo, mas não se limitando, aos projetos de infraestrutura da Região Norte". A empresa faz o escoamento de grãos por portos como o de Itaqui (Maranhão), Santos (SP), Paranaguá (PR), Tubarão (ES), Rio Grande (RS) e Aratu (BA), e estuda investimentos em novos corredores logísticos.



Bunge e Cargill buscam rotas alternativas que passam por Miritituba. As duas evitaram comentar a possibilidade de participar dos leilões de ferrovias, mas confirmaram seu interesse no corredor Norte.

A Bunge investiu R$ 700 milhões na infraestrutura portuária e na logística, esta última em parceria com a Amaggi, para viabilizar nova rota de escoamento. Os grãos seguem do Centro-Oeste por caminhão pela BR-163 até a estação de transbordo em Miritituba, de onde a carga é transportada em barcaças pelo Rio Tapajós até o Porto de Vila do Conde (PA). A Cargill vai construir estação de transbordo em Miritituba, mas usará o Porto de Santarém, onde já possui um terminal.

Para Renato Pavan, da consultoria Macrologística, o interesse das traders na ferrovia é real. Ele pondera, porém, que o governo deveria ter estendido o trecho a ser concedido nos dois extremos: no Pará, até Santarém, e no Mato Grosso, até Rondonópolis. Isso permitiria que a ferrovia fosse usada pelas indústrias da Zona Franca de Manaus para alcançar o mercado paulista, maior consumidor dos produtos industrializados amazonenses. Os itens iriam de Manaus a Santarém em barcaças e seguiriam por ferrovia até Rondonópolis, onde há conexão com outra ferrovia até São Paulo. Hoje, o trajeto é feito por rodovias ou cabotagem.

Governo estuda participação privada na geração nuclear



A participação da iniciativa privada na geração de energia nuclear será possível sem que seja necessário alterar a Constituição. A informação foi dada  pelo Diretor de Planejamento da Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, durante o VI Seminário Internacional de Energia Nuclear, no Rio de Janeiro. O executivo lembrou que o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, vem falando sobre o assunto, e confirmou que o governo já está trabalhando no modelo que poderá adotar.

Existe a vontade política e o ministro (Eduardo Braga) já deixou isso bem claro. Agora como vai se modelar isso, depende da legislação atual. Tem duas maneiras: uma sem alterar a Constituição ou alterando — destacou Leonam.

Sem alterar a Constituição, seria possível desde que se preserve a operação da usina pelo ator estatal. Seria permitida uma parceria na qual a empresa privada poderia até entrar de forma majoritária.

— A parceria pode ser até majoritária desde que a responsabilidade da operação fique sob controle estatal. Assim estaria atendendo a Constituição e se poderia fazer composições de parceria de forma a ser atrativo para o investidor investir nessa instalação — explicou Leonam.

A outra forma, que exigiria mudança na Constituição, seria mudar o atual regime para o de concessão, como foi feito no setor de petróleo. Já existe uma proposta de emenda constitucional tramitando no Congresso nesse sentido. Leonam disse não ser favorável à alterações na Constituição porque além da maior demora, seria uma mudança muito abrupta no modelo do setor nuclear brasileiro e poderia não atrair investidores.

— Não estamos discutindo o monopólio sobre materiais nucleares. Essa é uma razão que leva a operação a continuar com a Eletronuclear, porque precisa comprar e usar esse material — explicou Leonam.

Durante o seminário os participantes estão destacando a necessidade de se dar continuidade ao programa nuclear brasileiro, independente do seu ritmo, não só para evitar a perda do conhecimento tecnológico desenvolvido ao longo das últimas décadas, mas também por ser a energia nuclear uma das melhores opções para complementação da energia hidrelétrica na base do sistema elétrico.



Segundo Leonam as opções existentes para a geração na base são as térmicas a gás natural, a carvão e a energia nuclear. As térmicas a gás tem o desafio de se conhecer o real potencial de reservas e a possibilidade do desenvolvimento da produção e a que custos. Já as térmicas a carvão vão contra a tendência mundial de redução das emissões de CO2 na natureza e exigirão pesados investimentos para mitigar essas emissões. Assim, segundo Leonam, a opção nuclear surge como uma das mais limpas, seguras e de menor custo.

— Acredito que o momento hoje é de dar atenção , dar um peso importante à segurança do abastecimento. Energia é um insumo caro, o problema é que esse caro traga junto com ele a segurança no abastecimento. A energia nuclear tem o enorme desafio que é a aceitação pública — destacou Leonam, ao lembrar que o preço da energia gerada em Angra 1 e Angra 2 é de R$ 160 o megawatt/hora.

A Eletronuclear continua desenvolvendo os trabalhos e estudos para definição dos futuros locais onde poderão ser construídas novas centrais nucleares no Brasil. O executivo disse que os trabalhos estão em ritmo lento, devido à escassez de recursos, mas continuam enquanto o governo federal não anunciar uma posição em relação ao futuro do programa nuclear brasileiro. Atualmente, o país tem Angra 1 e Angra 2 em operação e está construindo Angra 3, que atrasou 23 anos em suas obras, e agora está prevista para ser concluída em 2018 com 1.400 MW de capacidade.

 

Embraer anuncia pedidos no valor de US$ 2,6 bilhões

A fabricante brasileira de aviões Embraer anunciou, na feira de Paris, a confirmação de 50 pedidos firmes para seus jatos regionais de corredor único, avaliados em um total de US$ 2,6 bilhões. As encomendas, que também incluem dezenas de opções para mais jatos, vêm de companhias aéreas como United Airlines, United Continental Holdings, SkyWest e Colorful Guizhou, e da empresa de leasing Aircastle.

A Embraer é a terceira maior fabricante mundial de aviões comerciais. E o pedido mais importante foi da americana Aircastle e inclui 50 unidades do futuro E-Jets E2. A United Airlines encomendou 28 aviões; a Colorful Guizhou Airlines, 17; e a SkyWest Airlines, oito.

O anúncio foi feito no primeiro dia do Salão Aeronáutico de Le Bourget, nos arredores de Paris. O evento, que acontece a cada dois anos em alternância com o Salão de Farnborough, em Londres, espera receber 315 mil visitantes, incluindo 140 mil profissionais do setor.

Já a Embraer Defesa & Segurança e a República de Mali firmaram contrato para a aquisição de seis aviões turboélice de ataque leve e treinamento avançado A-29 Super Tucano. O acordo inclui suporte logístico para a operação do aviões e um sistema de treinamento para pilotos e mecânicos da Força Aérea de Mali.

Antes do pronunciamento da Embraer sobre os contratos, surgiram rumores de que a companhia também estaria em negociação para a venda de cerca de 20 jatos de passageiros E-195 para a Gol Linhas Aéreas e outros 20 para a Latam Airlines, disseram fontes próximas ao tema. A Embraer, no entanto, não confirmou nem comentou a informação.



 

Caderneta registra em 12 meses maior perda real desde 2003



A caderneta de poupança acumula, até maio de 2015, o pior resultado em 12 meses desde outubro de 2003, segundo estudo divulgado pela consultoria Economática. A aplicação tem perda real (rendimento abaixo da variação da inflação) de 1,06% no período, o quarto mês seguido de rendimento real negativo nos 12 meses anteriores. Em maio de 2015, a perda real foi de 0,12%, a sexta perda mensal seguida. No ano, a queda real é de 2,15%. Nos primeiros cinco meses de 2015, o rendimento real está negativo em 2,15%.

Em 12 meses a poupança só ganha da Bolsa, que acumula perda real de 5,07%, informa a Economática, que usou como referência o IPCA, índice oficial de inflação. Quem aplicar R$ 100 mil na poupança recebe, ao fim de 12 meses, um retorno líquido de R$ 7.700. A caderneta é isenta de Imposto de Renda. Um CDB de banco médio, por exemplo, renderia no período R$ 13.088 líquidos.

O desempenho ruim da tradicional aplicação se reflete na captação do investimento, também pressionado pelo baixo crescimento econômico e pela perda de renda com o avanço da inflação. Em maio, os saques superaram os depósitos em R$ 3,199 bilhões, a quinta queda consecutiva registrada em 2015, segundo o Banco Central.



No acumulado do ano, a captação líquida da poupança está negativa em R$ 32,278 bilhões. Houve mais retiradas do que depósitos em todos os meses, sendo que o pior resultado foi registrado em março, quando a captação líquida foi negativa em nada menos que R$ 11,438 bilhões. O valor foi um recorde na série histórica da autoridade monetária, iniciada em 1995.

Em maio do ano passado, a caderneta teve captação líquida positiva de R$ 2,270 bilhões. Já no acumulado dos cinco primeiros meses de 2014, o total era positivo em R$ 6,388 bilhões.



Essa mudança de cenário se deve principalmente ao aumento da taxa básica de juros, a Selic, que vem sendo feita pelo BC para conter a inflação. Esse movimento torna outros tipos de investimento mais atraentes, como fundos e depósitos a prazo. Já no caso da poupança, quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a remuneração dos investidores fica limitada a 6,175% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR).

O BC elevou a Selic de 13,25% para 13,75% ao ano este mês. Essa foi a sexta alta consecutiva dos juros, que atingiram o maior patamar desde agosto de 2006, quando a taxa estava em 14,25% ao ano.

De acordo com os dados divulgados hoje, mesmo com os saques, o patrimônio total da poupança subiu entre abril e maio, passando de R$ 648,3 bilhões para R$ 648,7 bilhões. Isso porque foram creditados rendimentos de R$ 3,662 bilhões no período.

 

Produção de petróleo da Petrobras no Brasil em maio cai 1%

 

A produção de petróleo da Petrobras no Brasil atingiu 2,111 milhões de barris/dia (bpd) em média em maio, queda de 1% ante abril, com impacto de paradas programadas para manutenção de plataformas, informou a empresa.

A estatal informou ainda que a produção de petróleo e gás natural no Brasil em maio somou 2,574 milhões de barris/dia (óleo equivalente), queda de 0,8% ante abril.


Segundo a Petrobras, o efeito negativo na produção de um maior número de paradas programadas de plataformas para manutenção em maio em relação ao mês anterior “foi parcialmente compensado pela entrada em operação do sistema de produção antecipada do campo de Atapu (na área da cessão onerosa), com o FPSO Cidade de São Vicente, no pré-sal da Bacia de Santos”.

Além disso, disse a Petrobras, foi recuperada a produção da plataforma P-58, na área conhecida como Parque das Baleias, na Bacia de Campos, após parada para manutenção concluída em abril.

Considerando a produção de petróleo e gás natural no Brasil e no exterior, a extração somou 2,766 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), queda de 0,7% ante abril, mas um aumento de 6,2% ante maio de 2014.



A produção da Petrobras tem subido em relação ao mesmo mês do ano passado pelo avanço da produção no pré-sal, que, segundo a empresa, atingiu recordes.

“No mês de maio, a Petrobras bateu dois novos recordes mensais de produção no pré-sal”, ressaltou a companhia.

A produção operada atingiu 726 mil bpd, com aumento de 1,6% em relação a abril. Desse total, a parcela própria atingiu nova marca histórica de 519 mil bpd, superando em 3,2% o patamar de abril.

 

Estimativa do BC, gasolina deve subir 9,1% e energia 41%

 

A gasolina e a energia elétrica, principalmente, devem ter altas expressivas este ano, segundo estimativa do Banco Central. Em ata da reunião que elevou a taxa Selic para 13,75%, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC estimou em 41% o aumento da energia elétrica este ano – acima da estimativa de alta 38,3% em abril.

Para a gasolina, a previsão de alta neste ano ficou um pouco menor: passou de 9,8% em abril para 9,1% na última reunião.

No começo deste ano, o governo anunciou aumento da tributação sobre a gasolina, por meio da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), do PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Essa alta foi repassada para os preços.

Já a estimativa de alta de 41% no preço da energia elétrica em 2015 reflete do repasse às tarifas do custo de operações de financiamento, contratadas em 2014, da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

O governo anunciou, no início deste ano, que não pretende mais fazer repasses à CDE – um fundo do setor por meio do qual são realizadas ações públicas – em 2015, antes estimados em R$ 9 bilhões. Com a decisão do governo, as contas de luz dos brasileiros podem sofrer em 2015, ao todo, aumentos ainda superiores aos registrados no ano passado.

Custo de produção maior
O custo de produção de eletricidade no país vem aumentando principalmente desde do final de 2012, com a queda acentuada no armazenamento de água nos reservatórios das principais hidrelétricas do país.

Para poupar água dessas represas, o país vem desde aquela época usando mais termelétricas, que funcionam por meio da queima de combustíveis e, por isso, geram energia mais cara. Isso encarece as contas de luz.

Entretanto, também contribui para o aumento de custos no setor elétrico o plano anunciado pelo governo ao final de 2012 e que levou à redução das contas de luz em 20%.

Para chegar a esse resultado, o governo antecipou a renovação das concessões de geradoras (usinas hidrelétricas) e transmissoras de energia que, por conta disso, precisaram receber indenização por investimentos feitos e que não haviam sido totalmente pagos até então. Essas indenizações ainda estão sendo pagas, justamente via CDE.

Gás de cozinha e telefonia fixa
O Banco Central estimou ainda, na ata do Copom divulgada na manhã desta quinta-feira, que o preço do gás de cozinha deve ter um aumento de 3% neste ano, enquanto que a telefonia fixa deve ter queda de 4,4% em 2015.

Preços administrados
Com a alta da tributação sobre gasolina e fim de repasses para a conta de luz, o Banco Central informou que prevê, para o conjunto de preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros), um aumento de 12,7% neste ano.

 

Juros do crédito sobem e chegam ao maior patamar desde 2010
 


O consumidor voltou a pagar juros mais altos nas operações de crédito no mês de maio. A taxa de juros média para pessoa física apresentou uma elevação de 0,10 ponto percentual no mês passado, passando de 6,77% ao mês em abril (o equivalente a 119,48% ao ano) para 6,87% (121,96% ao ano). É a maior taxa de juros desde junho de 2010 e a oitava elevação consecutiva, acompanhando o movimento de alta da taxa básica de juros (Selic) que o Banco Central vem promovendo para tentar conter a alta da inflação.

O levantamento foi feito pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac). Segundo a pesquisa, entre seis linhas de crédito analisadas, todas tiveram suas taxas de juros elevadas no mês, entre elas juros do comércio, cartão de crédito rotativo, cheque especial, CDC-bancos-financiamento de veículos, empréstimo pessoal nos bancos e empréstimo pessoal nas financeiras.

Os juros do comércio subiram de 5,16% para 5,21% ao mês, enquanto os do cartão de crédito, os mais altos da praça, passaram de 12,14% para 12,34%. A taxa do cheque especial saltou de 9,74% para 9,90% e o CDC nos bancos para a compra de veículos foi de 2,03% para 2,08%. Os juros do empréstimo pessoal nos bancos foi de 4% para 4,06% e nas financeiras saltou de 7,54% para 7,60%.

Para o diretor da Anefac responsável pela pesquisa, Miguel Ribeiro de Oliveira, vários fatores explicam a escalada dos juros no comércio nos últimos meses. Ele lembra que o crédito apertado, o endividamento das famílias e os juros altos aumentam o risco de crescimento da inadimplência.


A inflação mais elevada, o aumento de impostos e juros maiores reduzem a renda das famílias. E o cenário de baixo crescimento econômico se reflete no aumento dos índices de desemprego. Assim, as instituições financeiras aumentam suas taxas de juros para compensar prováveis perdas com a alta da inadimplência — diz Ribeiro de Oliveira.

Ele cita também que a elevação da carga tributária para o sistema financeiro que aumentou a CSLL (Contribuição Social sobre o lucro líquido) de 15% para 20% inevitavelmente será repasse para as taxas de juros das operações de crédito.

Para o diretor da Anefac, como a expectativa é que o Banco Central continue elevando a Selic, novos aumentos dos juros ao comércio devem ser registrados nos próximos meses.




 

HSBC anuncia venda e fim de atividades no Brasil

O banco britânico HSBC anunciou  que vai vender unidades e encerrar quase todas as suas atividades no Brasil e na Turquia até 31 de dezembro de 2016. Uma "participação modesta" será mantida no Brasil para atender grandes clientes corporativos.

As mudanças são parte de um plano de reestruturação para economizar entre US$ 4,5 bilhões e US$ 5 bilhões até 2017. O objetivo do banco é concentrar a atuação na Ásia, principalmente na China e na Índia.

A instituição financeira ainda deve reduzir seu quadro de funcionários no mundo em cerca de 50 mil. Desses, entre 22 e 25 mil serão cortados em todo o mundo.

A redução dos outros 25 mil deverá vir da venda das operações no Brasil e na Turquia. Esses funcionários deixarão os quadros do HSBC, mas não serão necessariamente demitidos, já que passarão a fazer parte dos quadros das instituições compradoras. Só no Brasil, o banco britânico tem mais de 21 mil funcionários.

Objetivos da empresa
O HSBC Holdings confirmou, em nota enviada por e-mail, que pretende vender a sua operação no Brasil, mas planeja manter presença no país para atender aos clientes corporativos de grande porte em suas necessidades internacionais.

“O HSBC Brasil está em um processo de venda e não de encerramento de suas operações no País. O banco segue operando normalmente e, mesmo após a venda, seguirá prestando serviços aos seus clientes. O HSBC está empenhado em garantir a continuidade do negócio e uma transição suave e coordenada para um potencial comprador”, informou na nota.

“Reconhecemos que o mundo mudou e precisamos mudar com ele”, disse o CEO Stuart Gulliver.

O banco informou que o objetivo das mudanças é acelerar seus investimentos na Ásia, "capturando as esperadas oportunidades da riqueza emergente na região".

"O mundo está cada vez mais conectado, e a Ásia deverá mostrar alto crescimento e se tornar o centro do comércio global ao longo da próxima década. Estou confiante que nossas ações nos permitirão capturar as oportunidades futuras de crescimento e entregar mais valor aos acionistas", afirmou Gulliver.

O HSBC estuda ainda a possibilidade de transferir sua sede de Londres para a Ásia – o que deve acontecer até o final deste ano – e busca melhorar suas operações no México e nos Estados Unidos.

Entre 2011 e 2014, o banco já havia cortado 40 mil postos de trabalho, para reduzir os custos e para concentrar o grupo nas atividades consideradas estratégicas.

Unidades no Brasil
Em maio, o principal executivo do banco espanhol Santander no Brasil, Jesús Zabala, declarou que estudaria a possibilidade de adquirir a atividade brasileira do HSBC.

No Brasil, o HSBC tem 853 agências em 531 municípios, 452 postos de atendimento bancários, 669 postos de atendimento eletrônico e 1.809 ambientes de autoatendimento, com 4.728 caixas automáticos.

 

Em maio as montadoras brasileiras tiveram queda de produção de 25,3%

O setor automotivo continua em queda no Brasil. A produção de veículos de janeiro a maio foi de 1,092 milhão, um recuo de 19,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Em maio, as montadoras instaladas no país produziram 210,1 mil unidades, queda de 25,3% em relação ao mesmo mês em 2014. Os dados foram pela Anfavea, a associação dos fabricantes de veículos do país.

Já as vendas caíram 20,9% do acumulado do ano, passando de 1,399 milhão de unidades para 1,106 milhão de unidades. No mês passado, foram licenciados 212,7 mil veículos, um declínio de 27,5%, em relação a maio do ano passado.

A Anfavea previu queda de 17,8% na produção de veículos no Brasil em 2015, piorando expectativa anterior divulgada em abril de queda de 10%.

Para as vendas de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus, a indústria prevê agora baixa de 20,6% em 2015, frente a uma projeção anterior de queda de 13,2%.

— As vendas de maio foram bastante piores do que esperávamos — disse o presidente da entidade, Luiz Moan. - O ajuste fiscal que ainda não foi aprovado impacta bastante o movimento das vendas e por isso tivemos que rever, pela segunda vez, as nossas projeções para o ano - falou Moan.

Frente a abril, a produção de veículos no Brasil caiu 3,4%. As vendas recuaram 3% na mesma base de comparação, para 212,7 mil veículos.

Já em relação a caminhões, o presidente da Anfavea afirmou que os números de vendas de caminhões em maio é o mesmo obtido em maio de 2003. - Em caminhões, retornamos 12 anos - disse. Moan disse ainda que a produção de veículos pesados retorna ao patamar de maio de 1999.

EMPREGOS

A Anfavea fez um estudo que aponta que 25 mil empregados nas montadoras estão em regime de layoff, férias coletivas e licenças neste mês. As medidas foram adotadas pelos fabricantes de veículos para conter a produção e regular o estoque, que está há 51 dias em 361,1 mil carros.

- Temos claramente um excedente de pessoal. Nossa produção atual gira em torno da mesma dos anos 2006 e 2007. E as montadoras empregam 138 mil pessoas, o mesmo que em 2010 - revelou o presidente da entidade.

 

Em 3 meses,  mais de 400 mil trabalhadores perderam o emprego

 


Mais de 400 mil trabalhadores com carteira assinada perderam o emprego entre fevereiro e abril deste ano. Foram 415 mil demitidos. Entre os trabalhadores sem carteira, a queda no emprego foi de 3,5%, com a dispensa de 372 mil trabalhadores. Por atividade econômica, o setor que mais demitiu foi o da construção civil: 288 mil frente ao período de novembro a janeiro. Em relação ao mesmo período do ano passado, a queda do emprego no setor atingiu 609 mil pessoas.

No ano, houve redução no pessoal ocupado da construção de 609 mil, único grupamento que apresentou queda significativa em relação ao ano passado e em relação ao trimestre terminado em janeiro. Houve uma mudança de patamar importante, queda expressiva no setor — explicou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

A crise na construção aparece também no rendimento dos trabalhadores do setor. Houve queda 6,5% frente ao mesmo período do ano anterior e de 1,2% contra o trimestre de novembro a janeiro. O rendimento médio do setor é de R$ 1.479, um dos cinco mais baixos entre as atividades econômicas.

Ataxa de desemprego no país foi 8% no trimestre encerrado em abril, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que apresenta dados para todos os estados brasileiros, e foi divulgada nesta quarta-feira pelo IBGE.


Segundo o instituto, houve alta na população que trabalha por conta própria — ocupações que costumam ser mais precárias — de 141 mil pessoas, frente a novembro e dezembro, e de 1,024 milhão, em relação ao período de fevereiro a abril do ano passado.

A economia no país criou a menor quantidade de ocupações na comparação anual. De 2013 e 2014, a geração de vagas cresceu 1,9%. De 2014 para 2015, essa geração caiu para menos da metade: 0,7%. Em números absolutos, foi criado um total de 1,665 milhão de vagas de 2013 para 2014. Já entre 2014 e 2015, foram somente 629 mil, queda de 62,2%.

– Temos um cenário de perda do emprego e do emprego de qualidade e início de geração de formas de trabalho, como os conta própria, que está remetendo a uma geração de trabalho muito focado na informalidade .

 

Produção industrial caiu 1,2% em abril

 

A produção industrial caiu 1,2% em abril, frente a março, segundo dados divulgados pelo IBGE. Na comparação com abril de 2014, a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) mostrou queda de 7,6%. Já no acumulado do ano, a atividade no setor recuou 6,3%. Em 12 meses, a baixa é de 4,8%, o pior resultado desde dezembro de 2009, quando a taxa foi de 7,1%.

O resultado em relação a abril de 2014 representa a 14ª taxa negativa seguida nesse tipo de comparação — ou seja, há um ano e dois meses a PIM registra queda frente a igual mês do ano anterior. Já a baixa frente a março marca a terceira queda no confronto com o mês imediatamente anterior, acumulando neste período uma redução de 3,2%, de acordo com o IBGE.


Economistas ouvidos pela Bloomberg previam, em média, recuo de -1,4% da produção industrial em abril, em relação a março. Na comparação com abril de 2014, a estimativa média era de queda de 8,1%.

Já o recuo na produção industrial em março, que havia sido divulgado como de 0,8% frente ao mês anterior, foi na verdade inferior, de 0,7%, segundo a revisão divulgada pelo órgão.

Queda de 24% em besn de capital

Todas as cinco grandes categorias econômicas registraram recuo tanto na comparação com março quanto frente a abril de 2014: bens de capital caiu 5,1% e 24%, respectivamente; bens intermediários, 0,2% e 3,2%; bens de consumo, 1,9% e 11,2%; bens de consumo duráveis, 1,8% e 17,1%; enquanto os semiduráveis e não duráveis tiveram queda de 2,2% e 9,3%. No acumulado do ano, os bens de capital acumulam queda de 19,7%, enquanto os de consumo duráveis têm recuo de 16%.



Dezenove das 24 atividades pesquisadas apontaram redução na produção frente a março. O resultado no mês de abril mostra que o total da indústria está 12,3% abaixo do nível recorde alcançado em junho de 2013.

Na comparação com março, as principais influências negativas para o resultado de abril foram de veículos automotores, reboques e carrocerias (-2,5%) — o sétimo mês seguido de recuo na produção, acumulando perda de 21,9% no período; e perfumaria, sabões, detergentes e produtos de limpeza (-3,3%), que acentuou a baixa do mês anterior (-0,9%).

Também puxaram para baixo o resultado total de abril frente a março máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-5,4%), outros equipamentos de transporte (-8,5%), metalurgia (-2,4%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-5,3%), produtos de metal (-2,5%), produtos de borracha e de material plástico (-2,3%), bebidas (-2,2%), celulose, papel e produtos de papel (-2,2%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-3,2%), produtos alimentícios (-0,4%) e máquinas e equipamentos (-1,2%).

Entre os cinco ramos que ampliaram a produção em abril na comparação com o mês anterior, os destaques foram indústrias extrativas e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com avanço de 1,5%.



Comparação com abril 2014

Frente a abril de 2014, a indústria teve queda de 7,6%, afetando 23 dos 26 ramos, 66 dos 79 grupos e 69,7% dos 805 produtos pesquisados. Veículos automotores, reboques e carrocerias, que recuou 23,2%, teve a maior influência negativa sobre indústria, devido à redução na produção de automóveis, caminhão-trator para reboques e semirreboques, caminhões, autopeças, reboques e semirreboques e carrocerias para caminhões e ônibus.

Coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-8,4%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-32,6%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-23,5%), máquinas e equipamentos (-11,8%), de metalurgia (-9,8%), bebidas (-13,1%), produtos de borracha e de material plástico (-8,7%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-13,0%), produtos de metal (-8,8%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-10,1%) e outros equipamentos de transporte (-13,9%) também tiveram contribuições negativas relevantes.

Das três atividades que aumentaram a produção frente a abril de 2014, o principal impacto foi das indústrias extrativas (11,1%).

 

Esforço fiscal no Brasil vai levar pelo menos dois anos


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O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse em São Paulo que o ajuste fiscal deve ser mais acelerado que processos semelhantes que ocorrem em outras economias, em razão das elevadas taxas de juros vigentes no país. Ele afirmou que o esforço perseguido pelo Brasil vai durar pelo menos dois anos, ressaltando que o governo está procurando adotar uma postura gradual no reequilíbrio das contas públicas.

As principais economias estão promovendo consolidação fiscal depois dos esforços dos governos para superar os efeitos da crise de 2008/2009. Nossa estratégia é gradual, mas mais rápida porque no caso do Brasil a taxa de juros que incide sobre a dívida líquida do governo é muito alta. Por isso o ajuste tem que ser mais rápido — disse.

Falando no seminário "O desafio do ajuste fiscal brasileiro", na Fundação Getulio Vargas (FGV), Barbosa reafirmou que o governo buscará um superávit primário de 1,1% este ano, e de 2% a partir de 2016.

Questionado sobre as projeções mais pessimistas dos economistas para a recuperação da atividade, que só começaria a partir de 2017, e não já a partir do próximo ano, como prevê o governo, Barbosa afirmou que essas projeções são revistas a cada dois meses. Na reavaliação feita semana passada, lembrou, as projeções de crescimento foram reduzidas, tanto para este como para o próximo ano.

— Trabalhamos com um modelo mais próximo aos do mercado, e no nosso cenário vemos o início da recuperação da economia a partir do último trimestre de 2016 — disse.

Quanto aos efeitos dessa demora maior da retomada do crescimento e nas projeções de arrecadação do governo, Barbosa afirmou que, além das receitas correntes com impostos, o governo conta com recursos também com operações no mercado de capitais, como a abertura de capital da Cielo, que tem o Banco do Brasil entre os acionistas, e que por isso propiciou uma receita adicional de R$ 4 bilhões ao Tesouro.

— E há os reajustes e revisões de contribuições, como já fizemos com a Cide, e as desonerações, como a proposta para a folha de pagamento, que tramita no Congresso. São esse ajustes e a revisão das de desonerações que sustentam as expectativas de arrecadação do governo — disse.

DEMANDA POR PROJETOS DE INFRAESTRUTURA

Barbosa disse ainda que há interesse de investidores nacionais e estrangeiros pela infraestrutura no Brasil, afirmando que o setor de construção do país tem condições de executar os projetos.

— O setor de construção tem toda capacidade de atender esses investimentos. Firmas novas, firmas médias e mesmo as firmas que enfrentam alguns problemas — comentou.

O governo brasileiro está prestes a lançar um amplo programa de concessão de infraestrutura, abrangendo ferrovias, rodovias, portos e aeroportos. O lançamento do pacote coincide com um momento em que grandes empreiteiras estão envolvidas no escândalo de corrupção bilionário na Petrobras.

Barbosa disse que a taxa de retorno dos projetos irá refletir a realidade brasileira e que o real mais depreciado em relação ao dólar torna os ativos brasileiros mais atraentes em termos de taxa de retorno.


O ministro também avaliou que as taxas de juros na maior parte do mundo deverão continuar em níveis baixos.

— Mesmo que o Fed (banco central americano) aumente a taxa de juros, mesmo assim as taxas de juros no mundo permanecerão baixas e isso garante que, do lado da oferta, haverá interesse (no programa de concessões brasileiro).




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Tesouro, Previdência e BC tem superávit primário de R$ 10,1 bilhões

 



O governo central (composto por Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registrou superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública) de R$ 10,1 bilhões em abril. O resultado representa uma queda de 39,2 % em relação ao mesmo período em 2014, quando o saldo foi de R$ 16,612 bilhões.

No acumulado do ano, o resultado somou R$ 14,59 bilhões. Ele representa uma queda de 50,9 % em relação ao primeiro quadrimestre do ano passado, quando o superávit primário acumulado era de R$ 29,732 bilhões. Esse é o pior desempenho para os quatro primeiros meses do ano desde 2001, quando o saldo foi de R$ 13,2 bilhões.

O resultado ainda está longe da meta fiscal que foi fixada pela equipe econômica para o governo central este ano. O compromisso do governo é fazer um superávit primário de R$ 55,3 bilhões este ano. Considerando o setor público consolidado - que inclui governo central e estados e municípios - a meta é de R$ 66,3 bilhões, ou 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país).

 

Vendas de supermercados caíram  1,64% em abril

 

As vendas reais do setor supermercadista tiveram queda de 1,64% em abril na comparação com o mesmo mês de 2014, informou a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Na comparação com março deste ano, as vendas tiveram alta de 0,57%, segundo o Índice Nacional de Vendas da associação.

Com isso, as vendas do setor acumulam alta de 0,65%, de janeiro a abril, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Em valores nominais, as vendas subiram 1,29% em relação ao mês anterior e, quando comparadas a abril do ano anterior, alta de 6,40%. No ano, as vendas cresceram 8,48%.

O presidente da Abras, Fernando Yamada, disse em comunicado que o resultado até abril mostra o que deve ser a tônica do ano para o setor: crescimento tímido em relação ao ano passado. "O setor já se ressente da elevação do nível de desemprego e da consequente queda da massa salarial", disse Yamada em comunicado à imprensa.

"Mas apesar do primeiro quadrimestre ter sido bastante difícil, ainda esperamos encerrar o ano com um resultado positivo, com expectativas de melhora da economia para o segundo semestre", completou Yamada.

Preços dos produtos
Em abril, o Abrasmercado, cesta de 35 produtos de largo consumo, pesquisada pela GfK e analisada pelo Departamento de Economia e Pesquisa da Abras, registrou alta de 1,40%, passando de R$ 390,96 em março para R$ 396,44 em abril.

As maiores altas foram impulsionadas por tomate (17,76%), cebola (8,34%), carne dianteiro (5,24%), farinha de mandioca (4,19%). Já as maiores quedas foram registradas por feijão (-3,88%), batata (-3,29%), margarina cremosa (-1,58%) e leite em póintegral (-1,56%).

Em abril, as cestas de todas as regiões brasileiras apresentaram alta. A da Região Centro-Oeste foi a que apresentou maior crescimento (2,38%), atingindo o valor de R$ 380,32, seguida pela da Região Norte (1,78%) com o valor de R$ 437,35.

 

Empresas criam Comitê de Fomento Industrial do Polo do  ABC Paulista

 

Garantir o desenvolvimento sustentável da região do  ABC  Paulista integrando indústria, poder público e comunidade. Esse é o objetivo do Comitê de Fomento Industrial do Polo do  ABC Paulista  – COFIP, lançado em Mauá.

Resultado da mobilização de nove empresas do polo, cujo faturamento foi de R$ 8,6 bilhões no último ano*, a entidade tem a função de promover a competitividade da cadeia produtiva local, priorizando saúde, segurança e meio ambiente. O evento de lançamento ocorreu no Diamond Plaza Hotel, em Mauá, e contou com a presença de autoridades políticas, representantes das empresas e organizações, representando a Braskem S.A ,o senhor Flavio Chantre , Gerente de Relações Institucionais São Paulo e Rio de Janeiro.

“O COFIP tem um apelo que vai além do âmbito industrial. A entidade será uma importante instituição de estímulo ao desenvolvimento socioambiental, pois representará as associadas perante o governo nas questões relacionadas à segurança pública, transporte, vias de acesso e infraestrutura. Além disso, atuará como um canal de aproximação entre empresas e comunidade local, valorizando a transparência e trabalhando para o desenvolvimento sustentável do polo do  ABC Paulista, afirma Antonio Emilio Meireles, presidente do COFIP ABC.

Uma importante atuação do COFIP será no apoio aos programas para situações de emergência como o Plano de Auxílio Mútuo (PAM), Plano de Emergência para a Comunidade (PEC) e Plano de Contingência do Polo (PCP). As ações envolvem a segurança da região, por meio do cumprimento de normas e procedimentos para a evasão de pessoas do interior das fábricas, além de simulados com a comunidade do entorno do Polo Petroquímico do ABC Paulista, com participação também de Defesa Civil, Núcleo de Defesa Comunitária (NUDEC), Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e Militar, dentre outros parceiros.

Com a formação do grupo será possível aprimorar ainda a gestão administrativa, integração de serviços, ganhos de eficiência e redução de custos operacionais de todas as empresas participantes. Estados como Rio Grande do Sul e Bahia já contam com comitês industriais locais e servirão como exemplos na troca de boas práticas, visando o progresso na nova associação.

“Toda e qualquer companhia localizada no polo poderá associar-se à entidade, por isso nossa expectativa é que cada vez mais companhias participem da iniciativa. A prioridade é iniciar um trabalho de consolidação entre as empresas, unindo forças e criando condições para que a região volte a impulsionar o setor industrial, a fim de retomar o crescimento vigoroso que sempre a caracterizou e contribuiu para que o ABC  Paulista represente o 4º PIB do Brasil”, reforça Francisco Sérgio Ruiz, gerente executivo do Comitê.

As primeiras associadas do COFIP são Air Liquide, Aquapolo, Bandeirante Brazmo, Braskem, Cabot, Chevron Oronite Brasil, quantiQ, Oxiteno e Vitopel.

Polo Industrial

O Polo do ABC  Paulista é formado por diversas empresas que atuam na extensa cadeia produtiva do setor, incluindo desde refinaria de petróleo até engarrafadoras de gás. Por ser uma indústria de base, a petroquímica é considerada a primeira geração da indústria química e elo inicial de diversos segmentos de mercado, como plástico, borracha, tintas e vernizes, higiene e limpeza, entre outros.

Dentro desta cadeia, o Polo Petroquímico tem grande influência no desenvolvimento econômico e social da região, com geração de aproximadamente 10 mil empregos diretos e indiretos, além de proporcionar um VAF (Valor Adicionado Fiscal) superior a R$ 2 bilhões por ano aos municípios da região, segundo estudo realizado, em 2014, pela consultoria especializada MaxiQuim.

COFIP ABC

O COFIP ABC - Comitê de Fomento Industrial do Polo do  ABC Paulista - é uma entidade criada em 2015, com o propósito de gerar sinergia entre as indústrias, o poder público e a comunidade, em prol do desenvolvimento sustentável da região do ABC Paulista . A instituição representa suas associadas em áreas específicas, promovendo ações positivas e obtendo sinergias por meio de Grupos Técnicos. O COFIP busca ainda fomentar a competitividade, se articulando com os públicos estratégicos e promovendo melhorias para a região.

 

Economia vai recuar 1,24% em 2015

 

Na semana em que o resultado do desempenho da economia brasileira no primeiro trimestre será divulgado pelo IBGE, os economistas ouvidos pelo relatório Focus, divulgado pelo Banco Central (BC), pioraram as expectativas para 2015. A previsão agora é que o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) recue 1,24%. Na semana passada, a expectativa era de uma queda de 1,20%.

Pela sexta semana seguida, os economistas do mercado financeiro voltaram a apostar em elevação dos preços este ano. A expectativa para o resultado da inflação oficial, o IPCA, passou de 8,31% para 8,37%, segundo o relatório de mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central (BC).

A previsão para a Taxa Selic no fim de 2015 também voltou a ser elevada, passando de 13,50% ao ano para 13,75%. Para 2016, também há expectativa de alta: em vez dos 12% da semana passada, agora os economistas apostam em 12,25%.

Por outra parte, a expectativa para a cotação do dólar no fim do ano foi mantida em R$ 3,20 pela quarta semana consecutiva.

Para 2016, os economistas mantiveram boa parte das previsões anunciadas na semana passada. A inflação foi mantida em 5,50%; o câmbio permaneceu estável em R$ 3,30 pela sétima vez seguida e o PIB ficou em 1% pela sexta semana.

PF deflagra operação contra ex-dono da Vasp



Em parceria com a Procuradoria da Fazenda Nacional, a Polícia Federal deflagrou, a Operação Patriota, cujo objetivo é apurar um esquema de fraude à execução fiscal, lavagem de capitais formação de quadrilha e falsidade ideológica pelos gestores de um grupo empresarial especializado em transportes e turismo. Ao todo, estão sendo cumpridos 18 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de condução coercitiva.

Segundo fontes envolvidas, o alvo central da operação é o empresário Wagner Canhedo, ex-dono da Vasp e proprietário de, entre outros empreendimentos, o Hotel Nacional, o mais antigo de Brasília.

As investigações foram iniciadas em meados do ano passado e revelam que, para driblar as execuções fiscais existentes contra o grupo, os gestores constituíram outras empresas de fachada, em nome de "testas de ferro".

Isso permitia que eles movimentassem livremente os recursos que deveriam saldar suas dívidas — inclusive tributárias, que somam cerca de R$ 875 milhões.

Em nota divulgada nesta sexta-feira, a Polícia Federal informa que, conforme decisão proferida na 10ª Vara Federal do Distrito Federal, a administração das empresas caberá a um auditor fiscal a ser indicado pela Receita Federal.

"A medida está prevista no artigo 319 do Código de Processo Penal entre as medidas alternativas à prisão. Com o afastamento dos gestores e a posterior indicação de um auditor fiscal a intenção é garantir que as empresas continuem funcionando e que, portanto, os empregos dos funcionários do grupo sejam mantidos e os valores devidos ao Fisco voltem a ser recolhidos", diz o comunicado.

 

Economia brasileira encolheu 0,81% no trimestre

Famílias com renda mais apertada e indústria retraída pela queda do consumo fizeram com que a economia encolhesse 0,81% no primeiro trimestre deste ano. Somente em março, a retração foi ainda mais forte: 1,07%, de acordo com os cálculos do Banco Central. As contas já consideraram as mudanças metodológicas do cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) feitas pelo IBGE. Como os economistas do mercado financeiro não sabiam como o BC atualizaria o método de calcular o IBC-Br, o índice de crescimento criado pela autarquia, fizeram projeções com os dados antigos.

A aposta média geral dos analistas era de uma retração econômica de 0,7% nos três primeiros meses do ano. As previsões variavam entre uma queda de 0,4% a 1% da atividade econômica. Essas expectativas foram feitas depois de o IBGE divulgar, na semana passada, que o comércio registrou uma queda de 0,8% nas vendas no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado: o pior resultado dos últimos 12 anos. Com menos dinheiro no bolso — por causa do aumento do desemprego, desaceleração do crescimento da renda, inflação que corrói cada vez mais o salário do trabalhador e juros mais altos — as famílias consomem menos.

Na hora de calcular o IBC-Br, a autoridade monetária também usa o desempenho da indústria. Com o consumo em queda, os empresários ficam mais cautelosos e produzem menos. A produção do setor caiu nada menos que 5,9%.

O Banco Central revisou para cima o desempenho do IBC-Br em fevereiro: de crescimento de 0,36% divulgado anteriormente, para alta de 0,59%. Já o índice de janeiro foi recalculado para baixo: de contração de 0,11% para recuo de 0,30%.

Nos últimos 12 meses, o índice do BC revela que a economia brasileira encolheu 1,18%. É praticamente o resultado que os analistas esperam para o ano.

Segundo o diretor de Pesquisas Econômicas do Bradesco, Octavio de Barros, os dados do IBC-Br de março reforça a expectativa de retração do PIB — nos dados oficiais — no primeiro trimestre. Ele reforçou, num comunicado enviados aos clientes nesta manhã, que a queda de 0,8% nos três meses está em linha com a estimativa do banco.



Para o economista do Banco Espírito Santo Flávio Serrano, as mudanças metodológicas feitas pelo BC só alteraram levemente os dados, mas não mudam a história vivida pelo país: a maior contração da atividade econômica vista desde os anos 90. Ele lembra que na crise de 2009, o país teve recessão, mas a recuperação veio logo.

— É importante destacar que tem uma revisão de dados do BC. Mudou um pouco os dados, mas não muda a história. Temos um quadro de desaceleração que está se agravando — frisou o analista que espera uma retração ainda maior no segundo trimestre deste ano e uma recuperação mais lenta depois:

— A gente sabe que o negócio está feio. É um ajuste profundo na economia. O segundo semestre deve ser melhor que o primeiro, mas não quer dizer que vai ser bom. Vai ser muito ruim. Pode ser zero de crescimento ou uma queda mais leve.

Preço do tomate sobe 33% em quatro dias



O tomate voltou a vestir a máscara de vilão dos preços altos, e os comerciantes fazem malabarismos para substituir o produto que — de tão caro — já é tratado como iguaria de luxo nos pratos dos cariocas. No atacado, os gerentes de restaurantes que, até a última sexta-feira (dia 15), compravam uma caixa de 22 quilos do tipo Carmem por R$ 75, encontraram o mesmo alimento ontem, na Central de Abastecimento do Estado (Ceasa), em Irajá, por cem reais — alta de 33%.

Para não comprometer a qualidade dos pratos, cozinheiros estão usando artifícios como a troca de ingredientes.

— Estamos cozinhando com mais extrato de tomate, porque é mais barato e não faz tanta diferença nos pratos quentes. Também reduzimos o tomate no molho à campanha e disfarçamos a falta com mais cebola e pimentão — afirmou o subgerente Cleyson Martins, de 35 anos.

A secretária Rosane do Nascimento, de 60 anos, almoça todos os dias fora de casa e já percebeu que o produto tem se tornado um item cada vez mais raro nos restaurantes do Centro do Rio.

— Adoro tomate, mas à uma hora da tarde não tem mais a opção no bufê de saladas. Tenho notado que está faltando (no cardápio). Está difícil até comprar o alimento até para comer em casa — disse.

Nos balcões dos restaurantes a quilo, a alternativa é oferecer uma menor quantidade. O comerciante Adilson Ferreira, de 43 anos, decidiu expor os pratos com tomate no início do horário de almoço, mas, depois que acabam, não há substituição.

— O preço do tomate está quase o mesmo da carne. Se comprar via atravessador, sai a R$ 9 o quilo — afirmou ele.

O alimento está no período de entressafra, o que reduz a oferta no mercado e contribui para a escala de preço, segundo a Ceasa. De acordo com a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o custo do tomate subiu 17,9% apenas em abril e acumula uma alta de 48,65% desde janeiro deste ano.

— Para 2015, esperamos uma queda de 17% na safra. Eu recomendo que o consumidor substitua o fruto pelo molho de tomate, que teve uma alta menor, de 0,49% em abril — explicou Irene Machado, técnica do IBGE.

Custo continuará alto até junho

A expectativa da Ceasa é que o tomate comece a apresentar uma queda de custo a partir da segunda quinzena de junho, quando terão início as colheitas nas plantações do Noroeste do estado. De julho a setembro, normalmente, a retração no preço já costuma ser mais acentuada, pois a oferta de municípios do interior é somada às das cidades da região do Médio Paraíba. Para especialistas, pesquisar e comparar as ofertas nos supermercados, nas feiras e nos hortifrutis são as melhores estratégias para economizar.

 

— A busca ajudará o consumidor a encontrar um produto com melhor qualidade e menor preço. Vale usar a internet, os encartes promocionais dos jornais e até a indicação de amigos — sugeriu André Braz, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Não é apenas o tomate que está mais raro nos pratos dos cariocas. Alguns tipos de feijão também registraram aumento de preços e estão sendo substituídos pelos estabelecimentos. O mototaxista Alan da Silva, de 33 anos, já reparou que o feijão branco da receita original de dobradinha some em tempos de inflação em alta.

— Os restaurantes estão priorizando o feijão fradinho, mais barato do que o branco. Eles (os donos) acham que não percebemos, mas eu notei. Mas não tem problema. Fica gostoso também — disse.

 

 

Confiança do empresário segue baixa em maio

A confiança do empresário segue em queda no mês de maio, segundo indicador da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Com alta de 0,1 ponto, o índice ficou em 38,6 pontos, abaixo da linha dos 50 pontos, que sinaliza falta de confiança.

A pesquisa mostra também que o índice está 17,6 pontos abaixo da média histórica (56,2 pontos) e 9,4 pontos inferior em relação a maio de 2014.

Usados no cálculo do indicador, os subíndices relacionados às condições atuais e às expectativas sobre a economia tiveram aumento em maio na comparação com abril, porém, seguem abaixo dos 50 pontos.

O indicador sobre as condições da economia brasileira subiu de 19,3 pontos para 21,2 pontos no período e o índice de expectativas sobre a economia, de 33,1 para 34,1 pontos. Os índices que compõem o ICEI também variam no intervalo de zero a cem pontos.

Os índices relacionados às condições atuais e às expectativas sobre a empresa ficaram praticamente estáveis. O indicador sobre as condições atuais da empresa registrou 34,1 pontos e o de expectativas sobre os negócios atingiu 47,7 pontos em maio.

A pesquisa foi feita entre 4 e 13 de maio com 2.922 empresas de todo o país. Dessas, 1.153 são pequenas, 1.086 são médias e 683 são de grande porte.

 

‘Está na moda odiar o Brasil’, diz inventor do termo Bric

 


Após  participar de almoço para investidores em Londres com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o economista britânico Jim O’Neill, contou ter ouvido dele uma perspectiva razoável, de que a tendência de crescimento para o país é de 3%, talvez 4%, se muitas medidas acertadas forem tomadas.

O que houve com o Bric? Brasil e Rússia não vão bem. Índia tem problemas. E a China reduz o passo...


A percepção sobre a desaceleração da China está errada. A China desacelerou menos do que eu imaginava. Para quem achava que ia crescer 10% para sempre, é um grande problema, sobretudo para países que dependem de commodities, inclusive o Brasil. A China é um dos Bric que não me decepcionam. A Índia mostra sinais de aceleração. Já a Rússia e o Brasil me preocupam. Têm um problema comum que é a dependência de commmodities. Isso faz com que sejam um pouco preguiçosos. Não implementam reformas em tempos de bonança e isso torna tudo mais difícil nos momentos ruins.

Quais as perspectivas para o grupo?

Mesmo com problemas de desaceleração, 14 anos depois, os quatro estão muito maiores do que imaginei. Ultrapassaram as expectativas na primeira década. A China continua no páreo para ultrapassar os EUA em 2027. Temos de olhar no longo prazo. Está na moda dizer que o Bric acabou. É ridículo. Mas o Brasil claramente tem problemas.

Como o senhor percebe o Brasil hoje?

Participei do almoço com o seu ministro da Fazenda. Foi muito bom conversar com ele e ouvir o que tinha a dizer. É a pessoa de que o Brasil precisa para restabelecer a credibilidade do país. É bastante conservador do ponto de vista fiscal, respeita a importância da meta de inflação e espero que a presidente esteja dando a ele autonomia de verdade.

Quais são os desafios da economia?

O Brasil, desde os últimos dias do presidente anterior (Lula), se perdeu no caminho. Seus assessores se deixaram levar. Não posso esquecer, em 2009 e 2010, havia uma visão de que o Brasil poderia ter um crescimento chinês, de 10%. Isso era loucura. E alguns assessores de Lula diziam 7%. Se você perguntar ao novo ministro da Fazenda, como fiz na quarta-feira (passada), qual é a tendência para a taxa de crescimento, a resposta é outra. Ele me disse 3%, talvez 4%, “se fizermos muitas coisas boas”. Parte do trabalho de recuperar a credibilidade é justamente ser mais razoável.


Levy disse que o resultado do ajuste só virá em 2016. Os investidores esperarão?

A realidade é que os investidores são sempre movidos por ganância e medo. Estamos sempre entre os dois extremos. No que diz respeito ao Brasil, os sentimentos têm tido altos e baixos. Atualmente, está na moda odiar o Brasil. Mas aqueles com instinto mais aguçado, pensam: “Peraí!”. Eu mesmo estou pensando nisso. Você olha para o Brasil e para Índia. O retorno do mercado de capitais em dólar é grande. Mas o Brasil está barato frente à Índia.

Qual é o calcanhar de Aquiles?

O ministro falou muito de investimentos em infraestrutura, foi ótimo. Mas é só o começo. Uma das razões para ter incluído o Brasil no Bric era o fato de o país ter metas de inflação. Não se pode fingir, se tem uma meta de inflação, tem que segui-la. Isso é o que digo que, durante Dilma (Rousseff), foi um retrocesso. Eles precisam dar ao Banco Central (BC) independência de fato, caso contrário, não tenha meta de inflação. Nos últimos anos, é quase como se o BC estivesse fingindo que está perseguindo a meta. É clara a pressão do governo para parar de prestar atenção nisso. Em contexto: 8% para o Brasil é ruim comparado com anos recentes, mas, meu Deus, muito melhor do que 20 anos atrás. Mas uma das razões para pensar no potencial do Brasil estava ligado à inflação baixa e estável. Não me incomoda que esteja um pouco acima. Mas é preciso explicar o que está acontecendo. Se a meta é de 3% a 6%, tem que assegurar que quando estourar, você vai trazê-la de volta. Se quer que a meta passe a ser de 7% a 10%, explique o motivo. Não mexa nisso apenas por mexer. Tem que explicar.

Os investidores que estiveram com Levy reclamaram de uma crise de comunicação do governo, de falta de explicações ou satisfações. O senhor concorda?

Os brasileiros não sabem se promover no palco internacional com confiança ou autoridade. E isso é um problema. Costumo trabalhar com um conceito que é Q (qualidade da ideia) X A (aceitação) = E (eficiência). Mas se A é zero, E também é zero. E, com frequência, o Brasil tem problemas com o A. Os americanos são sempre bons no A. O Brasil tem que trabalhar no A. O governo está meio que se escondendo. Numa era de tecnologias de mídia que funcionam 24 horas, sete dias por semana, você tem que ter uma mensagem simples, clara e crível. E isso está acontecendo em um momento em que o Brasil tem vulnerabilidades. Se os EUA começarem a mexer com juros, como nos velhos tempos, o real pode estar sob pressão de novo.

 

BB diz que vai apostar em crédito de menor risco

 

O Banco do Brasil disse que seus esforços para reclassificar alguns créditos de sua carteira não estiveram somente relacionados ao aumento dos calotes, mas a uma abordagem mais conservadora enquanto a economia desacelera.

Parte das ações inclui uma migração rumo a segmentos de empréstimo de menores retornos e menos arriscados como crédito imobiliário, disse Bernardo Rothe, diretor de relações com investidores da instituição financeira, durante teleconferência sobre os resultados do primeiro trimestre.

Balanço do 1º trimestre
O Banco do Brasil, anunciou nesta quinta-feira (14) que teve lucro líquido de R$ 5,818 bilhões no primeiro trimestre, alta de 117,3% ante igual período de 2014.

Em bases recorrentes, o lucro do banco estatal somou R$ 3,025 bilhões no período, alta de 24,2% sobre um ano antes e praticamente em linha com a previsão média de analistas ouvidos pela agência Reuters de R$ 3,033 bilhões.

O lucro no primeiro trimestre deste ano é recorde para o período levando em conta o resultado dos bancos brasileiros, segundo pesquisa da consultoria Economatica.

 

 

Vendas no varejo caem 0,9% em março e setor tem o pior trimestre


As vendas no varejo brasileiro recuaram 0,9% em março frente a fevereiro, segundo mês seguido de perdas e com resultado pior do que o esperado, encerrando o primeiro trimestre com o resultado mais fraco em 12 anos, num sinal do peso que a fraqueza econômica vem tendo sobre o setor.

O varejo fechou o período de janeiro a março com recuo acumulado no volume de vendas de 0,8% na comparação anual, leitura mais fraca desde o terceiro trimestre de 2003 (queda de 4,4%) e o pior resultado para um primeiro trimestre também desde o mesmo ano (queda de 6,1%).

Na comparação com março de 2014, as vendas varejistas avançaram 0,4%, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística (IBGE).

Os resultados foram piores que as expectativas em pesquisa da Reuters, de queda de 0,35% na comparação mensal e alta de 1,50% sobre um ano antes.

E para destacar ainda mais a debilidade do varejo neste ano, o IBGE revisou para uma queda de 0,4% as vendas de fevereiro sobre janeiro, contra recuo de 0,1% divulgado antes.

O IBGE informou que cinco das oito atividades pesquisadas no varejo restrito registraram queda mensal no volume de vendas em março (frente a fevereiro), com destaque para móveis e eletrodomésticos (-3%), livros, jornais, revistas e papelaria (-2,3%) e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-2,2%).

As atividades com resultados positivos foram combustíveis e lubrificantes (2,8%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,2%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,2%).

No varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, o volume de vendas caiu 1,6% em março sobre fevereiro, pressionado principalmente pelo recuo de 4,6% em veículos e motos, partes e peças.



 

Levy diz esperar que desaceleração seja 'temporária'

 

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou esperar que a desaceleração econômica no Brasil seja “temporária” e que a disciplina fiscal continua sendo um pilar central da política econômica do país, conforme a alta dos preços das commodities enfraquece.

Falando a investidores em Londres, Levy afirmou que a disciplina fiscal é necessária para proteger a economia contra os efeitos inflacionários da depreciação do real, algo sobre o qual o Banco Central deve continuar “bastante vigilante”.

“O Brasil está passando por um período de ajuste econômico. Nossa prioridade tem sido garantir a sustentabilidade das finanças públicas como a base de um novo ciclo de crescimento”, disse Levy em apresentação na bolsa de valores de Londres.

“Esperamos que a atual desaceleração de nossa economia seja temporária. Estou confiante de que até o próximo ano começaremos a ver resultados”, completou.

Analistas consultados na pesquisa Focus do BC projetam contração do Produto Interno Bruto neste ano de 1,20%, o que seria o pior resultado em 25 anos e a primeira contração desde 2009. A expectativa para a inflação é de 8,29%, bem acima do teto da meta do governo, de 4,5% com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos.

Em abril, o Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou que a economia brasileira vai encolher 1% em 2015, e avaliou na terça-feira que o objetivo do Banco Central de levar a inflação para o centro da meta em 2016 exigirá um aperto adicional na política monetária neste ano.

Levy reiterou que o governo vai em busca de sua meta de superávit primário, algo que o FMI disse ser crucial para reconquistar a confiança dos investidores.

Ele acrescentou que a economia brasileira é flexível o suficiente para garantir que o atual ajuste, como outros na história recente, seja relativamente curto. A confiança empresarial deve começar a melhorar nos próximos meses, disse.

Levy afirmou ainda que o governo busca levar os gastos discricionários de volta aos níveis de 2013. Ele ainda destacou que o Brasil precisa reduzir os encargos com a dívida devido ao peso sobre o crescimento, pedindo que o Banco Central permaneça vigilante em relação à inflação.

É a “clara responsabilidade do Banco Central permanecer bastante vigilante... para que qualquer mudança nos preços que aconteça não se traduza em um processo inflacionário”, disse o ministro.

Ajuste fiscal
No ano passado, o governo gastou bem mais do que arrecadou. Fechou no vermelho, criando o maior rombo (déficit) nas contas públicas da história. Não sobrou dinheiro nem para pagar os juros da sua dívida – o chamado “superávit primário” – uma segurança de que o país não dará calote.

Para tentar salvar as finanças do governo em 2015, a presidente Dilma Rousseff convocou uma nova equipe econômica. O novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, prometeu arrumar as contas públicas até o fim do ano. Criou então a ambiciosa meta de um superávit primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 66,3 bilhões para todo o setor público (estados, municípios e estatais).

Mas para isso, ele avisou que seriam feitos vários sacrifícios. O ajuste fiscal chegou a ser chamado de “saco de maldades”, mas Levy deixou claro que esse seria o único caminho possível para retomar o crescimento e evitar uma situação pior.

Na prática, o “aperto” consiste em duas ações: cortar despesas do governo e elevar a arrecadação.

 

 

Juro do cartão de crédito sobe se aproxima dos 300% ao ano



O cenário de maior inflação, aumento de juros e expectativa de maior inadimplência levaram a um novo aumento dos juros do cartão de crédito. A alta de abril, a terceira seguida neste segmento, fez a taxa chegar a 12,14% ao mês ou 295,48% ao ano, o que significa dizer que uma dívida de R$ 1.000 no cartão se transforma, 12 meses depois, em R$ 3.954,89. Essa é a modalidade de crédito mais cara para a pessoa física, segundo levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac).

Essa taxa média de juros cobrada no cartão é a maior desde março de 1999, quando chegou a 13,45% ao mês, o equivalente a 354,63% ao ano.

Das seis linhas de crédito pesquisadas, todas tiveram suas taxas de juros elevadas no mês: crediário; cartão de crédito rotativo; cheque especial, CDC financiamento de veículos; empréstimo pessoal em bancos; e empréstimo pessoal em financeiras. Com todas essas altas, a taxa de juros média da pessoa física passou de 6,71% ao mês (118,00% ao ano) em março deste ano para 6,77% ao mês (119,48% ao ano) em abril, o maior valor desde julho de 2011.

Na avaliação do diretor executivo da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, o atual ciclo econômico faz com que os bancos fiquem mais criteriosos e, por isso, elevam a taxa. Esse cenário tem como pano de fundo a redução da renda das famílias, que estão com menos verba disponível para o pagamento de dívida devido à inflação e aumento de tarifas. Além disso, há a expectativa de aumento das taxas de desemprego.

"Tudo isto somado e o fato de que as expectativas para 2015 são igualmente negativas quanto a todos estes fatores, há a tendência de levar as instituições financeiras a aumentarem suas taxas de juros para compensar prováveis perdas com a elevação da inadimplência", avaliou.

Para Oliveira, como o Banco Central (BC) deve continuar elevando a Selic, que atualmente está em 13,25% ao ano, os juros para o consumidor continuarão em trajetória de alta.

A alta também é sentida pelas empresas. A taxa de juros média da pessoa jurídica passou de 3,89% ao mês (58,08% ao ano) em março para 3,97% ao mês (59,55% ao ano) em abril, a maior desde novembro de 2011.




 

País não está pronto para nova revolução industrial

 

Começou no Rio e vai até quinta-feira o XXVII Fórum Nacional, organizado pelo ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso. Este ano, a ideia é discutir uma estratégia de desenvolvimento do Brasil considerando a nova revolução industrial, segundo Velloso, com o tema “A hora e vez do Brasil: (povo brasileiro) diante da nova revolução industrial, estratégia para o desenvolvimento do Brasil através do aproveitamento de grandes oportunidades (econômicas, sociais e culturais)”.

Vivemos uma nova revolução industrial, a maior desde 1790, com três forças básicas: avanço tecnológico mais rápido que permitirá que tenhamos máquinas inteligentes, como robôs que tomem decisões, a digitalização sem fronteiras e as novas frentes de inovação, como por exemplo a nanoeletrônica. O Brasil não fala disso e está completamente despreparado — afirma o ex-ministro, que promove o Fórum Nacional desde 1988.

Indústria cultural na pauta

As discussões nos quatro dias de encontro vão além da nova revolução industrial: incluem como impulsionar o crescimento econômico e as tecnologias do século, passando pela melhoria da governança nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e pela estratégia de desenvolvimento das indústrias culturais.

Entre os participantes do fórum estão ainda o novo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Jessé de Souza, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o economista Raul Velloso.

Presidente da Inter.B Consultoria, o economista Claudio Frischtak apresentará o trabalho “O ajuste microeconômico: por uma nova política industrial e de inovação no Brasil”, em parceria com Katharina Davies. O objetivo é propor uma nova agenda no país, diante da avaliação de que vivemos “um progressivo isolamento”, com uma postura protecionista, com poucos acordos comerciais.

Frischtak defende políticas para expandir investimentos e reduzir o custo do trabalho. Ele diz que, para garantir crescimento depois de anos de estagnação, é preciso promover o ajuste fiscal e o realinhamento de preços, mas também definir uma agenda de reformas.

A melhoria da governança nos três poderes da República será o tema de um painel na quarta-feira, com a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, do ex-ministro da Fazenda Marcílio Marques Moreira, e do presidente da SR Rating, Paulo Rabello de Castro. Um segundo painel discutirá o tema: “Favela é Cidade: Fazer Acontecer” e apresentará os resultados do projeto “Favela é Cidade”, formado em 2009 no âmbito do Fórum Nacional.

 

Conta de luz já subiu quase 40% só este ano

 

O aumento de preço da energia elétrica responde por um quarto (24,56%) da alta de 4,56% da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2015, segundo dados divulgados . Quando se considera o IPCA acumulado em 12 meses, de 8,17%, a energia representou um quinto (19,33%) da alta. Entre janeiro e abril, os preços de energia subiram 38,12%. Em 12 meses, a alta acumulada é de 59,93%.

A energia elétrica foi a principal influência para a inflação no ano — explicou a coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos.

Considerada a taxa oficial no país, a inflação medida pelo IPCA ficou em 0,71% em abril. O resultado desacelerou frente a março, quando o índice subiu 1,32%. Nos 12 meses encerrados em abril, a inflação chegou a 8,17%, a mais alta desde o período de 12 meses encerrados em dezembro de 2003, quando somou 9,30%.

Os preços de energia vêm subindo como reflexo da seca no país. Sem chuvas, o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas caiu, o que levou ao aumento do uso da energia das usinas termelétricas, com preço mais alto.

Além disso, a medida provisória 579, de 2012, reduziu as tarifas de energia criou custos para as empresas geradoras e transmissoras de energia, que acabaram pesando mais à frente. Em 2013, o preço de energia elétrica caiu 15,66%, seguida por uma alta de 17% em 2014.

E mais aumento de energia vem por aí na inflação em maio, por causa de reajustes já anunciados em algumas capitais. Em Recife, um reajuste anual de 11,13% passou a valer em 29 de abril. A partir de 22 de abril, subiu o preço da energia em 8,58% em Fortaleza. Em Belo Horizonte, houve aumento de 6,56% em 8 de abril.



 

Desemprego no país subiu para 7,9% no 1º trimestre

 


A taxa de desemprego no país no primeiro trimestre do ano subiu para 7,9%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgada pelo IBGE. É a maior taxa desde o primeiro trimestre de 2013, quando foi de 8%. No primeiro trimestre do ano passado, ela tinha sido de 7,2%. No último trimestre de 2014, chegou a 6,5%. Em 2014, a taxa média de desemprego no país foi de 6,8% ante 7,1% de 2013.

Pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrange as regiões metropolitanas do Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife, o desemprego no primeiro trimestre ficou em 5,8%. Os dados de março mostraram uma deterioração da renda do trabalho, com queda tanto nominal quanto real na renda frente ao mês anterior.

O objetivo do IBGE é substituir a PME pelo levantamento nacional, criado em 2012. A Pnad Contínua Trimestral pesquisa as informações sobre o mercado de trabalho em cerca de 3.500 municípios.

A renda ficou estável em relação ao primeiro trimestre de 2014 e somou R$ 1.840. Frente ao quarto trimestre de 2014, subiu 0,8% acima da inflação.

Por estados, o Rio Grande do Norte teve a maior taxa de desocupação no primeiro trimestre, com 11,5%. Santa Catarina, a menor: 3,9%. No Rio, foi de 6,5%, abaixo da média nacional. Em São Paulo, o desemprego atingiu 8,5%, a maior taxa do Sudeste.

Um terço dos estados apresentaram no primeiro trimestre do ano a maior taxa de desocupação, considerando todas os trimestres da pesquisa. Ao todo, 19 estados tiveram aumento da desocupação frente ao mesmo trimestre do ano passado, enquanto oito registraram queda nessa base de comparação.

— Há uma pressão maior sobre o mercado de trabalho, um aumento dos desocupados, uma geração menor de postos de trabalho e isso vai se refletir na taxa de desocupação — afirma Cimar Azeredo, gerente da pesquisa.


DESEMPREGO CRESCEU EM TODAS AS REGIÕES

O contingente de desempregados no país chegou a 7,9 milhões de pessoas. Já o de pessoas com carteira assinada avançou 0,5 ponto percentual frente ao mesmo período de 2014, para 78,2% do trabalhadores do setor privado. A população ocupada ficou em 92,023 milhões. Houve uma queda de 0,9% na comparação com o trimestre anterior e uma alta de 0,8% frente ao mesmo o período de 2014.

A taxa de desocupação subiu em todas as regiões, em relação ao primeiro trimestre de 2014. No primeiro trimestre de 2015, a região Nordeste foi a que apresentou a maior taxa de desocupação (9,6%) e a região Sul, a menor (5,1%). No Centro-Oeste, do primeiro trimestre de 2014 para o primeiro trimestre de 2015, foi observada elevação de 1,5 ponto percentual na taxa de desocupação e nas regiões Norte e Sudeste, de 1 ponto percentual.




 

Produção da indústria cai pelo segundo mês seguido

Após uma leve recuperação em janeiro, a indústria brasileira teve em março seu segundo mês seguido de queda, afetada pelo baixo nível de confiança de empresários e consumidores e pela desaceleração da demanda doméstica.

A produção caiu 0,8% em março na comparação com o mês anterior, depois de ter sofrido redução de 1,3% (dado revisado) em fevereiro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A queda registrada na comparação mensal é a mais intensa para o mês de março desde 2006, quando o recuo foi de 1,3%.

"Mais do que a queda em dois meses seguidos, de setembro para cá, há uma frequência maior de uma trajetória descendente muito marcada. Há uma perda acumulada muito grande. É um movimento que não está restrito a início de 2015, a gente já observa há algum tempo”, disse André Luiz Macedo, gerente de indústria do IBGE.

Na comparação com março do ano passado, a baixa foi de 3,5%, a 13ª queda consecutiva da produção industrial. No ano, o setor acumula queda de 5,9% e, em 12 meses, de 4,7%. De acordo com o IBGE, essa é a queda mais intensa desde o terceiro trimestre de 2009, quando o índice havia recuado 8,1%.

De acordo com André Macedo, a sequência de 13 meses de queda do índice mensal é a maior da série histórica, iniciada em 2002.

“A sequência de taxas anteriormente a essa, a gente tinha visto de novembro de 2008 a outubro de 2009, a maior sequência era de 12 meses de resultados de negativos”. O especialista ressaltou, no entanto, que “os resultados negativos observados nesse período [2008 a 2009] eram de uma magnitude superior àqueles que estamos observando nesse momento”.

Antes desse período de queda, entre 2009 e 2015, a indústria teve 11 meses de resultados negativos de setembro 2011 a julho de 2012.

“A indústria, de setembro para cá, tem uma perda acumulada de 5,1%. Ela está distante 11,2% do patamar mais alto, que foi registrado em junho de 2013”, afirmou Macedo.

Setores
O setor que mais contribuiu para o resultado negativo da indústria foi o de veículos automotores, com queda de 4,2% até março e de quase 20% nos últimos seis meses. Também influenciaram os desempenhos de máquinas e equipamentos (-3,8%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-8,1%) e de bebidas (-4,9%), entre outros.

“O que a gente observa para esse ano é que a indústria recua calcada nesse setor de veículos automotores, justificada não só pela queda de um produto específico, os automóveis, mas tem conjunto de atividades que mostram comportamento predominantemente negativo. E quando se olha o setor de metalurgia, borracha e plástico, vamos que também acompanham esse ritmo menor da produção industrial. Traz uma série [o resultado da indústria] de outras atividades também com peso importante”, afirma.

Entre os ramos que aumentaram a produção está o de produtos alimentícios, que voltou a crescer, atingindo alta de 2,1%.

Entre as categorias econômicas, recuaram a de bens de capital (-4,4%), como máquinas, a de bens de consumo duráveis (-3,1%), como carros, de bens de consumo semi e não-duráveis (-0,3%), como alimentos, e de bens intermediários (-0,2%), como matérias-primas.

 

Energia  poderá subir em julho mais 16,73% para as residências em SP


 

A conta de energia elétrica para consumidores residenciais em São Paulo poderá subir 16,73% a partir de julho, segundo proposta de revisão tarifária da Eletropaulo colocada em audiência pública pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A Eletropaulo atende 6,7 milhões de consumidores. Entre os clientes industriais, a alta média proposta é de 12,21%.

No início do ano, durante o processo de revisão tarifária extraordinária aplicada pelo governo nas tarifas, para fazer frente ao aumento do custo de geração da energia elétrica e a retirada de subsídios do governo, a tarifa da Eletropaulo já subira, em média, 31,9% para todos os clientes da companhia. Agora, o aumento médio proposto é de 15,16%.

O diretor José Jurhosa Junior, da Aneel, determinou em seu voto, que foi aprovado pela diretoria, que seja realizada uma audiência pública em São Paulo no dia 21 para debate sobre o reajuste, em local a ser definido ainda.

A Aneel aprovou também quatro reajuste de distribuidoras que atuam no interior paulista e em cidades de Minas Gerais. As mudanças foram de redução de 0,5% para a Empresa de Distribuição de Energia Vale Paranapanema S.A. (EDEVP); redução de 4,01% para a Companhia Nacional de Energia Elétrica (CNEE); alta de 1,42% para a Caiuá; e queda de 1,7% para a Empresa Elétrica Bragantina (EEB). Essas novas tarifas começam a valer no dia 10.



 

Redução do limite para financiar imóvel usado já vale

A redução do limite de financiamento para imóveis usados pela Caixa Econômica Federal começou a valer .

A mudança vale apenas para imóveis usados financiados com recursos da poupança – ficam de fora da mudança o crédito para a habitação popular, como o programa Minha Casa Minha Vida, e os financiamentos com recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). Nestas modalidades, não houve alterações, segundo a Caixa.

Pelas novas regras, os financiamentos com recursos da poupança (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) terão uma redução do limite do valor total financiado de 80% para 50% do valor do imóvel no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), e de 70% para 40% para imóveis no Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), pelo Sistema de Amortização Constante (SAC).

Com as mudanças, quem comprar um imóvel usado pelo SFH terá que dar uma entrada de no mínimo 50% e financiar a outra metade. Antes, a entrada mínima era de 20%. No caso do SFI, o valor mínimo da entrada passará a ser de 60%, para o consumidor financiar os outros 40%.

Segundo o banco, o objetivo é focar a oferta de crédito habitacional em moradias novas. O banco detém 70% de todos os financiamentos de imóveis no país.

Restrição nas vendas
Para o vice-Presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi-DF), Eduardo Aroeira Almeida, essa restrição vai afetar principalmente consumidores com menos recursos para comprar imóveis.

“A faixa de compradores entre entre R$ 190 mil e R$ 250 mil costuma ter valores menores disponíveis para dar como entrada”, disse na segunda-feira passada, quando foram comunicadas as novas regras.

“Com esse limite, menos pessoas vão conseguir vender seus imóveis usados para comprar outros maiores, e isso afeta as vendas mercado de imóveis como um todo, inclusive os novos”, acredita o economista, que vê a possibilidade de um aumento no déficit habitacional por conta da restrição.

Como a proporção de vendas de imóveis usados é bem maior que a de novos, Almeida também acredita que essa restrição pode afetar, inclusive, o nível de emprego no setor de construção civil, uma vez que o desaquecimento nas vendas no mercado imobiliário desestimula o lançamento de novas unidades pelas construtoras.

Preços dos imóveis
Por outro lado, Almeida não acredita que essa restrição nas vendas de usados possa provocar uma redução nos preços dos imóveis. “A margem na queda dos preços já está muito apertada”, avalia.

Em março, os preços dos apartamentos à venda acumularam no ano queda real (considerando a inflação do período) de mais de 3% em 20 cidades brasileiras, segundo o índice FipeZap. No mês passado, a alta nos preços foi de 0,14% na comparação com fevereiro. No acumulado em 2015, o aumento é de 0,69%.

No mesmo período, a inflação esperada para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) é de 3,91%. Dessa forma, o preço médio do metro quadrado registra nos três primeiros meses do ano queda real de 3,1%. Foi a 5ª vez seguida que o índice teve queda real de preços na comparação mensal.

Fuga da poupança
A restrição ocorre após a caderneta da poupança ter registrado uma saída líquida (retiradas menos depósitos) de R$ 11,43 bilhões em março, a maior fuga de recursos da aplicação para todos os meses. Quando a captação da poupança é reduzida, os recursos para empréstimos ficam mais escassos.

Março foi o terceiro mês seguido em que a poupança registrou recorde de saídas de valores. Em janeiro, R$ 5,52 bilhões haviam deixado a caderneta, valor que subiu para R$ 6,26 bilhões em fevereiro deste ano e para mais de R$ 11 bilhões em março.

Alta dos juros
Este mês, a Caixa voltou a aumentar as taxas de juros do financiamento imobiliário com recursos da poupança pelo SFH. O primeiro aumento de 2015 foi aplicado em janeiro. As novas condições passaram a valer para financiamentos a partir de 13 de abril.

Os financiamentos habitacionais contratados com recursos do Programa Minha Casa Minha Vida e do FGTS não foram afetados pela mudança.

 

Vale tem prejuízo de R$ 9,5 bi no primeiro trimestre


 

A mineradora Vale registrou prejuízo líquido de R$ 9,538 bilhões no primeiro trimestre de 2015, terceiro trimestre consecutivo de perdas para a companhia, em meio a uma queda nos preços do minério de ferro, ante lucro de R$ 5,909 bilhões no mesmo período de 2014, informou a empresa .

O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) ajustado da companhia, importante indicador da geração de caixa, somou R$ 4,635 bilhões no primeiro trimestre, ante R$ 9,572 bilhões no mesmo período de 2014.

A empresa foi impactada por menores preços de commodities e ajustes de preço, alguns custos de operação foram significativamente reduzidos, disse a companhia, em seu relatório de desempenho.

A empresa disse que realizou 45% das vendas de minério de ferro do primeiro trimestre a preço provisório de US$ 51,40 por tonelada comparado à média de US$ 62,40 por tonelada no período.

Em dólares, o prejuízo da Vale foi de US$ 3,118 bilhões, ante lucro de US$ 2,515 bilhões no primeiro trimestre do ano passado. A média de estimativas feitas por dois bancos e uma corretora foi de prejuízo de líquido de US$ 2,346 bilhões.

O preço médio realizado na venda de finos de minério de ferro despencou 51,5% em um ano, atingindo US$ 46,01 por tonelada no primeiro trimestre de 2015.

Com isso, a receita bruta da mineradora com finos de minério de ferro, sua principal fonte, caiu 47% no primeiro trimestre, na comparação anual, para US$ 2,734 bilhões.

INVESTIMENTOS E DESINVESTIMENTOS

Os investimentos da Vale chegaram a US$ 2,210 bilhões entre janeiro e março, queda de diminuição de US$ 377 milhões ante o mesmo período de 2014.