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Prévia da inflação oficial tem pior taxa em 12 anos

A inflação medida pelo IPCA-15 — considerado uma espécie de prévia do IPCA, que é o índice oficial de variação de preços no país — ficou em 1,07% em abril, informou o IBGE. O resultado ficou acima da expectativa do mercado, que variava entre 0,92% e 1,02%, e foi o pior para o mês desde 2003, quando ficou em 1,14%. Apesar disso, houve uma desaceleração na taxa, já que em março foi registrada uma elevação de 1,24%, enquanto o IPCA fechou o mês passado em 1,32%. Em abril de 2014, o IPCA-15 ficou em 0,78%.

No ano, o IPCA-15 já acumula alta de 4,61%. Em 12 meses, o índice chega a 8,22%, o maior desde 2004, quando a variação em igual período somava 8,46%. No mês passado, o resultado em 12 meses foi de 7,90% e em fevereiro, de 7,70%.


Segundo o boletim Focus divulgado pelo Banco Central na última segunda-feira, após 14 semanas de elevação das projeções para inflação neste ano, economistas do mercado financeiro reduziram a expectativa e agora preveem que o IPCA feche 2015 em 8,13%. A redução é pequena, de apenas 0,07 ponto percentual e mantém o índice bem acima do teto da meta do governo, de 6,5%. Há quatro semanas, a previsão era de que os preços subissem 7,93% no fim deste ano.

ENERGIA ELÉTRICA, A PRINCIPAL VILÃ

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, habitação teve a maior alta de 3,66%. Já a menor variação ficou com Comunicação, que teve queda de 0,30%. Os grupos habitação (3,66%) e alimentação e bebidas (1,04%) responderam juntos por 75,70% do índice, somando um impacto de 0,81 ponto percentual, com 0,55 ponto para o primeiro e 0,26 para o segundo.

Com impacto de 0,45 ponto percentual, a energia elétrica foi a que mais influenciou individualmente o IPCA-15. A elevação de 13,02% nas contas de luz deveu-se ao reajuste de 83,33% no valor da bandeira tarifária, que na cor vermelha passou de R$ 3,00 para R$ 5,50 a cada 100 kWh, e aos reajustes extraordinários. O Rio de Janeiro foi a segunda região com maior reajuste na energia, de 16,81%, atrás apenas de Curitiba, cuja variação foi de 20,17%.

Além da energia, o grupo habitação também registrou altas em taxa de água e esgoto (1,05%); artigos de limpeza (0,93%); condomínio (0,87%); gás de botijão (0,82%); aluguel residencial (0,74%); e mão de obra pequenos reparos ( 0,74%).


Já os alimentos, que registraram variação para cima de 1,04%, tiveram como principais altas cebola (6,72%), alho (6,61%), ovos (5,49%), leite (4,96%), tomate (4,28%) e óleo de soja (3,68%). A taxa de alimentos, porém, desacelerou frente a março, quando ficou em 1,22%.

NO RIO, PREÇOS SUBIRAM 9,47% EM 12 MESES

Passagem aérea (10,30%); serviços bancários (1,32%); telefone com internet (1,18%); empregado doméstico (1,12%); cabeleireiro (1,07%); vestuário (0,94%); conserto de automóvel (0,89%) e remédios (0,81%) também registraram altas significativas.

Curitiba foi a região metropolitana com índice de preços mais alto, de 1,79%, devido principalmente à energia elétrica (20,17%) e aos alimentos (1,64%), seguida de Brasília (1,48%) e Rio de Janeiro (1,28). Em março, a taxa fluminense ficou em 1,10%. No ano, acumula alta de 5,43%. Em 12 meses, a região metropolitana do Rio tem a maior inflação do país, com 9,47%, bem acima da média nacional, de 8,22% e que é a maior desde 2004.

A Rosenberg Associados destaca os significativos reajustes no primeiro semestre do ano deverão ser carregados ao longo de todo o ano, fazendo com que a inflação acumulada em 12 meses se descole bastante do teto da meta do governo, que é de 6,5%. Apesar disso, acredita que, depois de “flertar com variações ao redor de 8,5% no meio do ano, espera-se que o IPCA descomprima-se, terminando o ano com taxa acumulada de 7,9%”.

“Apenas os administrados deverão subir 13,6% neste ano, enquanto os preços livres deverão terminar com variação de 6,3%, contando com menores variações nos alimentos no domicílio (haja vista à descompressão dos in natura que já se verifica nos IGPs) e nos serviços (a cargo da deterioração no mercado de trabalho)”, explica a Rosenberg em nota.

O Banco Fator também ressalta a pressão dos preços administrados, por um lado, e a desaceleração de outros componentes devido à alta dos juros e o enfraquecimento da atividade econômica. “Separando o IPCA-15 em preços administrados, serviços e todos os demais componentes, vemos que estes ‘outros’ desaceleraram de 5,76% para 5,18% na base interanual (abril de 2015 frente a abril de 2014). Neste ponto, cabe salientar os efeitos da já observada contração da atividade econômica, junto com o ciclo de alta na Selic iniciado em outubro do ano passo, sobre os preços. Administrados e serviços, como já foi dito, aceleraram nesta base de comparação.”

Em relatório, o Goldman Sachs afirma que as ações feitas pelo governo até o momento para combater a inflação são positivas, mas ainda não são suficientes e farão com que o Comitê de Política Monetária (Copom) volte a elevar a taxa básica de juros, a Selic, mas em 0,50 ponto percentual em vez de um moderado 0,25 ponto percentual na reunião do próximo dia 29.

Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 14 de março a 13 de abril de 2015 e comparados com os que estavam vigentes de 12 de fevereiro a 13 de março deste ano.

 

Proposta do governo para salário mínimo em  2016 é de R$ 854

 

O governo federal propôs que o salário mínimo, que serve de referência para mais 46 milhões de pessoas no Brasil, suba dos atuais R$ 788 para R$ 854 a partir de janeiro de 2016, com pagamento em fevereiro do próximo ano.

O percentual de correção do salário mínimo, pela proposta, será de 8,37% no próximo ano.

A informação consta na proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), divulgada pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. O documento está sendo enviado ao Congresso Nacional.

Para 2017 e 2018, respectivamente, a estimativa do governo para o salário mínimo é de R$ 900,1 e de R$ 961.

O governo também admitiu oficialmente, por meio do projeto da LDO, que a inflação deve somar 8,2% neste ano e, com isso, estourar o teto do sistema de metas de inflação brasileiro.

Formato de correção
A correção do salário mínimo é definida pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), índice de inflação calculado pelo IBGE, do ano anterior ao reajuste, somada ao aumento do PIB de dois anos antes, o que proporciona ganhos reais – acima da inflação – para os assalariados, mas somente se o PIB tiver crescimento.

Essa fórmula valia até este ano, mas, recentemente o governo enviou uma Medida Provisória ao Congresso estendendo o formato até 2019.

Valor ainda pode mudar
Esse valor proposto para o salário mínimo em 2016 pelo governo federal, entretanto, ainda pode ser alterado no futuro, com base nos parâmetros estabelecidos para sua correção (crescimento do PIB do ano de 2014 e da inflação, medida pelo INPC, deste ano). No ano passado, o PIB cresceu 0,1% e, para a inflação medida pelo INPC, a última previsão do mercado financeiro, feita na semana passada, é de uma alta de 8,34%.

O que estava previsto antes
Em 2012, quando enviou a proposta da LDO de 2013, o governo previa que o salário mínimo superasse a barreira dos R$ 800 já em 2015. Mas o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ficou abaixo do que o governo esperava naquela época, o que resultou em uma alta menor do mínimo - para R$ 788 neste ano.

Em abril de 2013, na proposta da LDO do ano seguinte, o governo previa que o salário mínimo somaria R$ 849,78 em 2016. Em março do ano passado, na proposta da LDO de 2015, a estimativa do Executivo para o valor do salário mínimo de 2016 já havia recuado para R$ 839,24.

 

HSBC lidera ranking de reclamações do Banco Central

 

O HSBC liderou o ranking de reclamações do Banco Central em março deste ano, segundo levantamento divulgado Neste caso, foram considerados bancos e financeiras com mais de dois milhões de clientes.

No mês passado, o HSBC, que conta com 10,27 milhões de clientes, recebeu 98 queixas consideradas procedentes. Com isso, registrou um índice de reclamações de 9,53. Segundo o BC, a maior parte das reclamações do HSBC (20) ocorreu por "irregularidades relativas à integridade, confiabilidade, segurança, sigilo ou legitimidade das operações e serviços".

O índice de reclamações, que é o principal critério utilizado pela autoridade monetária para formar o ranking, é calculado com base no número de reclamações dos correntistas consideradas "procedentes", multiplicado por um milhão e dividido pelo número de clientes da instituição financeira.

Em segundo lugar no ranking de reclamações de março deste ano, aparece o Bradesco, com 683 reclamações. O banco possui 75,26 milhões de clientes. Com isso, seu índice de reclamações ficou em 9,07 no mês passado. Em terceiro lugar, ficou o Santander, banco que possui 31,77 milhões de clientes. Foram registradas em março 282 reclamações procedentes. Seu índice de reclamações, com isso, somou 8,87 no mês passado.

Em quarto lugar, está a Caixa Econômica Federal. Com 75,2 milhões de correntistas, houve 657 queixas procedentes em março, o que resultou em um índice (que serve de base para o ranking do BC) de 8,73. Em quinto lugar no mês de março, ficou o Banco do Brasil, que tem 55,4 milhões de clientes. As reclamações somaram 334 em março, o que resultou em um índice de reclamações de 6,02.

 

Vendas no comércio têm a maior queda desde de 2003

Depois de crescerem no primeiro mês de 2015, as vendas do comércio varejista brasileiro voltaram a cair. Em fevereiro, em relação a janeiro, o indicador recuou 0,1%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Frente ao mesmo mês do ano passado, as vendas do comércio tiveram queda de 3,1%. Nessa base de comparação, é o pior resultado desde agosto de 2003, quando o varejo registrou baixa de 5,7%.

Considerando apenas os meses de fevereiro, foi a pior baixa desde 2001, quando houve queda de 5%.

“Depois de dois meses positivos, [o indicador] volta a cair. Aí você tem o efeito calendário em algumas atividades como material de construção, veículos e combustíveis. Os preços dos combustíveis em 12 meses cresceram 10,2%", disse Juliana Vasconcellos, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

No primeiro bimestre do ano, o indicador acumula queda de 1,2% e, em 12 meses, alta de 0,9%.

“O comércio reflete o consumo das famílias. O que influencia a gente é renda, preço e crédito, de um modo geral. A massa de rendimento real dos trabalhadores cresceu 4,1% no ano anterior [comparação de fevereiro de 2013 a 2014] e nesses últimos 12 meses caiu 1,5%, comparado com 2014. Então, você tem crédito crescendo menos, renda caindo... E fora que você tem carnaval”.

De acordo com Juliana, o crédito cresceu 5,2% de 2014 para 2015, em contrapartida, ele havia crescido 7,4% de 2013 para 2014.

Por categorias
De janeiro para fevereiro, venderam menos os ramos de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,2%); tecidos, vestuário e calçados e material de construção (-0,7%); móveis e eletrodomésticos, equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-1,3%); veículos e motos, partes e peças (-3,5%); e combustíveis e lubrificantes (-5,3%).

Porém, cresceram as vendas de outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,8%); livros, jornais, revistas e papelaria (1,0%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,8%).

Na comparação com fevereiro do ano passado, caíram as vendas de móveis e eletrodomésticos (-10,4%); combustíveis e lubrificantes (-10,4%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,8%); tecidos, vestuário e calçados (-7,3%); e livros, jornais, revistas e papelaria (-5,3%).

O resultado negativo nas vendas de móveis e eletrodomésticos exerceu o maior impacto do varejo. Segundo o IBGE, "tal comportamento pode ser atribuído à retirada gradual dos incentivos (redução do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI) direcionados à linha branca somado ao menor ritmo de crescimento do crédito".

Regiões
A maioria dos estados analisados pelo IBGE mostrou vendas menores, com destaque para Goiás (-10,6%); Mato Grosso (-8,9%) e Distrito Federal e Maranhão (ambos com -8,7%).

Na comparação com janeiro, os resultados no varejo foram negativos para 19 estados. As maiores quedas foram vistas em Roraima (-8,0%); no Amapá (-6,7%); em Goiás (-2,5%); e no Ceará (-2,4%).

Varejo ampliado
Incluindo as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, o varejo ampliado caiu 1,1%, o terceiro resultado negativo.

"Esse comportamento ocorre em função do desempenho negativo de veículos, motos, partes e peças, cujo resultado interanual foi de -23,7%, acumulando no ano de -19,8% e em 12 meses taxa de -12,8%", afirma o IBGE, em nota.

 

 

China exigirá compensação pelo empréstimo de US$ 3,5 bi à Petrobras

O empréstimo de US$ 3,5 bilhões do Banco de Desenvolvimento da China para a Petrobras, liberado recentemente, mostra que os chineses não estão brincando e querem ocupar um espaço maior do que já tem na América do Sul. Antes do Brasil, a Venezuela e a Argentina, países que passam por grave crise econômica, foram socorridos por Pequim.

Fontes do governo e especialistas em geral concordam que essa ajuda financeira não é de graça e especulam que a contrapartida exigida pela nação asiática são a realização de obras de infraestrutura com máquinas e equipamentos e trabalhadores do país asiático. No caso da Petrobras, a estatal pagaria o empréstimo comprando alguns equipamentos e fornecendo petróleo.

- As condições do empréstimo para a Petrobras não foram divulgadas, mas devem estar vinculadas ao fornecimento de petróleo e talvez de equipamentos - afirma Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos e atual presidente do Conselho de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Para ele, quem mais perde com a crescente presença da China na América do Sul é o Brasil, por duas razões: a concorrência, cada vez mais forte, dos equipamentos chineses; e, do ponto de vista político-diplomático, a instalação de base militar na Argentina.

- O Brasil sempre se manifestou contra a instalação de bases militares em nossa região - completa Barbosa.

Estima-se que a China já emprestou mais de US$ 120 bilhões para a América do Sul e, por ordem decrescente, venezuelanos, argentinos e brasileiros são os maiores beneficiados. Somente em 2014, foram repassados US$ 12 bilhões para a região e a maior parte dos recursos, US$ 8,6 bilhões, veio para o Brasil.

Sobre a Argentina especificamente, os mais de US$ 10 bilhões emprestados recentemente serão compensados pela compra de máquinas e equipamentos chineses e a autorização de uma base militar de rastreamento de satélites e mísseis no país. Recentemente, a presidente argentina Cristina Kirchner esteve na China para assinar 22 acordos de uma aliança estratégica nas áreas de infraestrutura e energia. E, em janeiro último, os chineses anunciaram que iriam investir US$ 20 bilhões na Venezuela, conforme informou o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

- A China é um país discreto, que procura trabalhar silenciosamente. A grande diferença em relação a outros países é que os chineses têm muito dinheiro. São os maiores credores do mundo e possuem reservas internacionais de US$ 4 trilhões - diz o pesquisador do Instituto de Relações Internacionais da PUC/Rio, Paulo Wrobel.

Segundo o professor de Relações Internacionais Cui Shoujun, da Universidade Renmin, em Pequim, a China vê a América Latina como parte de uma estratégia combinada de longo prazo que visa não só ao lucro, também à influência política na região. Esta estratégia ganhou força depois que o governo Lula fez da cooperação Sul-Sul prioridade. O fato de os latinos terem um histórico de notas de risco ruins não assusta. Muito menos as atuais denúncias de corrupção aqui no Brasil.

- Os países latinos podem estar em apuros agora, mas não necessariamente para sempre. E a corrupção é inevitável. O próprio governo chinês está no meio de uma campanha para erradicar a corrupção. Enquanto o governo brasileiro estiver adotando medidas positivas para combatê-la, as empresas chinesas vão ver no país novas oportunidades de ganhar mercado - disse.

O consultor internacional Nelson Franco Jobim reforça que a China tem as maiores reservas cambiais do mundo e um vasto fundo soberano usado para aquisições estratégicas e, principalmente, assegurar o fornecimento de matérias-primas essenciais a seu desenvolvimento. Isso orienta as relações com a África, a América Latina e o Oriente Médio.


A China se aproveita da fragilidade de países como Brasil, Venezuela e até a Rússia. O acordo da China com a Argentina foi uma clara violação das regras do Mercosul, que cada vez mais se torna irrelevante - diz Jobim.

Leonardo Valente, professor de relações internacionais da UFRJ, lembra que nenhum empréstimo é de graça, nem os concedidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) ou pelas potências ocidentais, nem os concedidos pela China.

- Mas é extremamente positivo que o cenário internacional tenha uma maior diversidade de opções de credores, o que dá mais autonomia decisória aos países que precisam desses empréstimos. A China tem interesses estratégicos na América do Sul e estes dependem da estabilidade política e econômica da região - disse Valente.



 

 

Câmara aprova fim do sigilo de crédito do BNDES



A Câmara dos Deputados aprovou na última quinta-feira emenda do deputado Alfredo Kaefer (PSDB-PR) que quebra o sigilo de operações de apoio financeiro do BNDES — ou de suas subsidiárias — a entes públicos ou empresas, incluindo os financiamentos externos. A emenda foi incluída na MP 661, que autoriza a União a conceder empréstimo de R$ 30 bilhões ao BNDES, aprovada por 298 votos a favor, 95 contra e quatro abstenções. O governo e o PT eram contra a aprovação, mas foram vencidos. O plenário concluiu a votação da MP, com outras alterações, e o texto segue agora ao Senado.

Segundo a emenda aprovada, não poderá ser alegado “sigilo ou definidas como secretas” as operações do BNDES “qualquer que seja o beneficiário ou interessado, direta ou indiretamente, incluindo nações estrangeiras”. Na justificativa, o deputado tucano cita o empréstimo do banco para a construção do Porto Mariel, em Cuba, muito criticado pela oposição. Kaefer afirma que, quando questionou o empréstimo e quis mais informações, elas foram negadas pelo BNDES e pelo Ministério do Desenvolvimento e Comércio Exterior (Mdic).
“O BNDES, banco de fomento 100% estatal, tem como principal fonte de recursos os créditos concedidos pelas União, a taxas subsidiadas", disse Kaefer na justificativa, classificando de absurda a atitude do banco de se negar a prestar informações.

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), foi contra a votação da emenda. A liderança do PMDB estava sendo exercida pelo vice-líder, Newton Cardozo Junior (MG), que liberou sua bancada.

LIMITE MAIOR PARA CRÉDITO CONSIGNADO

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que a emenda é inconstitucional e deverá ser vetada pelo Palácio do Planalto. Ele disse que a matéria não pode ser discutida em lei ordinária, mas somente por lei complementar. O peemedebista destacou que a aprovação da emenda foi uma derrota política para o governo:

— Essa emenda é flagrantemente inconstitucional. O sigilo é regulado por lei complementar. O governo certamente vai ter que vetar. Foi uma vitória política de quem defendia o tema, que pode ser até bastante interessante, mas não pode ser nunca debaixo de uma lei ordinária.

Também foram incluídas na MP, com o voto favorável do governo, emendas que ampliam de 30% para 40%, e até 50%, o percentual que o trabalhador da iniciativa privada pode comprometer de seus salários com empréstimos, na modalidade de crédito consignado. As mesmas regras valerão para aposentados e pensionistas do INSS, ampliando o teto de desconto na folha de benefícios.

De acordo com as emendas, o trabalhador poderá autorizar desconto de até 40% na folha de pagamento de “empréstimos, financiamentos, cartão de crédito e operações de arrendamento mercantil”. No caso das dívidas com cartão de crédito, o desconto em folha pode chegar a 10%. No caso de pagamentos a farmácias, supermercados, plano de saúde, previdência privada e seguro, o percentual chega a 50%.




 

Agência  reduz de estável para negativa nota do Brasil

A agência de classificação de risco Fitch anunciou a revisão da perspectiva do rating do Brasil de estável para negativa. Os motivos citados pela empresa americana são a contínua fraqueza econômica no país, maior desequilíbrio macroeconômico, deterioração fiscal e um aumento significativo do endividamento do governo. Esses fatores estariam, em sua avaliação, “aumentando a pressão sobre o perfil de crédito soberano”.

A Fitch manteve o rating brasileiro em “BBB”, ou seja, ainda grau de investimento — chancela dada a países considerados seguros para investir. Mas a perspectiva negativa signfica que, entre 12 e 24 meses, a chance de rebaixamento é superior a 50%.


Segundo a Fitch, o governo iniciou o processo de ajuste macroeconômico “para aumentar a credibilidade e confiança política”, mas os riscos de desaceleração relacionados à aplicação das medidas persistem, “especialmente no contexto de um ambiente político e econômico desafiador”.

“Choques internos e externos adicionais poderiam minar o ritmo e o alcance do processo de ajustes”, diz a agência.

A nota foi mantida, afirma a Fitch, devido à diversidade econômica brasileira, às instituições civis relativamente desenvolvidas e a uma forte capacidade de absorção de choques sustentada por uma robusta posição de reservas internacionais, entre outros fatores.

A agência ressalta ainda que a composição da dívida do governo tem melhorado nos últimos anos, reduzindo riscos de câmbio e de juros, com o país mantendo o acesso ao mercado.

O processo de ajuste econômico também é destacado pela Fitch como um instrumento que pode melhorar a consistência e credibilidade das políticas governamentais caso seja efetivamente implementado, o que demonstraria “a capacidade dos formuladores de política econômica de responder a choques”.



Além disso, a agência aponta os ajustes já realizados pelo governo, como a maior desvalorização do real frente ao dólar e o aperto nas políticas monetárias e fiscal.

O relatório, no entanto, aponta como panorama negativo o crescimento de apenas 0,1% da economia em 2014 e a perspectiva dos analistas de contração de 1%, em média, em 2015.

 

Conta de luz já acumula alta de 60,42% em 12 meses

 

Com os reajustes extras para compensar o custo do uso de usinas térmicas, a energia elétrica já acumula alta de 60,42% em 12 meses até março. É um forte avanço na comparação com a taxa registrada no fim de 2014, quando o item encerrou o ano em 17,06%, já influenciado pela crise energética vivida pelo país.

— Isso significa que, há 12 meses, se a gente pagava R$ 100, hoje paga R$ 160 pela conta de luz — explica Eulina Nunes, coordenadora de índice de preços do IBGE.


Em março, com aumento médio de 22,08%, a conta de luz mais cara foi responsável por mais da metade do IPCA do mês. O item energia elétrica representou 53,79% do IPCA, com impacto de 0,71 ponto percentual.

No Rio, esse peso da alta da conta de luz foi maior, chegando a 61,3%. Segundo os dados divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE, o serviço registrou alta de 23,34% no mês passado, contribuindo com 0,87 ponto da inflação carioca de 1,35%, acima da média nacional.

O resultado foi principalmente influenciado pelo reajuste de 34,91% da Ampla, recentemente revisado para baixo pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A alta foi autorizada em 15 de março, mas já apareceu no resultado do mês.

Esse resultado fez com que o grupo habitação, no qual se enquadram as tarifas de energia, subisse 5,98% em março (contra 1,02%), e respondendo por nada menos que 74% do resultado do Rio de Janeiro.

Em abril, no entanto, esse avanço deve perder um pouco de fôlego, avalia a especialista do IBGE. A pesquisa deste mês, que será divulgada no início de maio, deve ser impactada principalmente pelos reajustes da conta de luz em Belo Horizonte, de 6,56%, e em Belo Horizonte, de 3,22%, ambos a partir desta quarta-feira.

Os reajustes são menores que, por exemplo, a alta de 34,91% na tarifa da Ampla, autorizada em 15 de março, que já influenciou o IPCA do mês passado. Na terça-feira, porém, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), reduziu o reajuste da Ampla para 30,25%.

Após fechar o ano passado com avanço de 17,06%, a inflação da energia no acumulado em 12 meses saltou para 27,09% em janeiro, 30,27% em fevereiro e a 60,42% no mês passado. A intensidade da elevação mostra que os reajustes estão concentrados no início do ano.

O IBGE informou nesta quarta-feira que a inflação brasileira acelerou para 1,32% em março. O resultado é o maior para o mês desde 1995 — menos de um ano após a implantação do real, em julho de 1994 e quando atingiu 1,55%. Considerando todos os meses, é o maior índice desde fevereiro de 2003, quando chegou a 1,57%. No trimestre, a taxa está em 3,83%, a maior para o período desde 2003, quando foi de 5,13%.

No acumulado em 12 meses, o IPCA, índice oficial, já avança 8,13%, bem acima do teto da meta do governo, de 6,5%, e é o maior desde dezembro de 2003 (9,3%). No acumulado em 12 meses até fevereiro, o IPCA registrava alta de 7,7%. Em fevereiro, havia ficado em 1,22%.

Alimentos e bebidas

Seguindo a tendência nacional, o grupo de alimentação e bebidas respondeu pelo segundo maior impacto do mês no Rio de Janeiro, com alta de 0,95% e peso de 17%.

O vilão entre os produtos alimentícios foi o alho que, segundo o IBGE, é fortemente impactado pelo dólar alto, já que é importado. Também pesou no bolso do consumidor a alta da cebola (12,14%) e, em mês pré-Páscoa, os pescados, que subiram 6,75%.


Para aliviar o consumidor carioca, a carne que foi uma das pressões do ano passado, registrou queda de 1,61% em março. Mas o impacto sobre o resultado foi quase irrelevante, só de 0,03 ponto percentual. Entre as principais quedas, o que mais pesou no balanço da região foi a redução da passagem aérea, que chegou a 12,38%, ainda assim com tímido peso negativo de 0,09 ponto percentual.

Remédios vão pressionar em abril

Enquanto a energia pode dar uma trégua, o índice de abril deve ser pressionado por outras altas. No Rio, pesará sobre o resultado o reajuste de 5,71% do metrô, em vigor desde o último dia 2. E, em todo o país, os aumentos nos preços de medicamentos, de 1,02% a 5,68%, válidos desde o dia 1º.

— Remédio é que tem mais impacto, porque pega o Brasil inteiro. O impacto dos (preços) monitorados no mês de abril tende a ser menos expressivo do que o que ocorreu em março

 

 

Investigados por fraude no Carf planejavam comprar imóveis em Miami

Gravações da Polícia Federal mostram que o grupo acusado de vender decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) chegou a promover a troca de conselheiros para supostamente facilitar a redução da dívida tributária da Açominas, uma empresa do Grupo Gerdau. As escutas mostram que integrantes da organização negociaram uma propina de R$ 50 milhões. Nos diálogos obtidos pelo GLOBO, os conselheiros fazem planos com a fortuna: comprar apartamentos em Miami e ter aposentadoria tranquila.

O envolvimento das empresas do grupo Gerdau no esquema de compra de pareceres do Carf foi revelado em 27 de março, um dia após o início da fase pública da Operação Zelotes. Segundo relatório da PF, o conselheiro José Ricardo Silva, um dos supostos chefes do esquema, foi substituído por Valmir Sandri. A troca faria parte de uma manobra para facilitar o julgamento do processo da empresa sobre uma dívida tributária de R$ 4 bilhões. José Ricardo teria de sair de cena, segundo a PF, porque sua atuação já levantava suspeitas dentro e fora do Carf. Ele ainda tinha mais dois anos de mandato.

“Houve um 'convite' para que o José Ricardo Silva deixasse (o Carf) porque 'todo mundo' estava sabendo que o processo estava comprado por R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais), mas (sic) que ele participaria da partilha”, afirma a PF com base na interceptação de uma conversa telefônica entre o conselheiro Paulo Roberto Cortez e um de seus sócios o auditor fiscal aposentado Nelson Mallmam.

Relatos da propina estão em trechos do diálogo gravado pela PF em 8 de agosto:


Num caso desse é muita grana em jogo — diz Mallmam.

— Deus me livre — brinca Cortez.

— É uma aposentadoria tranquila. Agora eles já estão com R$ 50 milhões para receber nesses processos aí da Gerdau.

— E o contrato perdura o valor. O esquema está do mesmo jeito. Só foi convidado o doutor José Ricardo para se retirar, para renunciar ao mandato no Carf. Única coisa que aconteceu até hoje. Aí ele ficou mais livre para fazer negociata. A irmã dele continua, a Adriana, sócia dele, continua no Carf.

No mesmo dia em que a PF iniciou a Operação Zelotes, o conselheiro Sandri colocou o processo da Gerdau na pauta de julgamento. Seria analisado na quarta-feira seguinte, se o Ministério da Fazenda não tivesse mandado suspender todas as votações dos processos de empresas citadas na investigação.

Em conversa no dia 25 de agosto, Cortez comenta com um sócio o caso da Gerdau e lembra que Sandri estava para se aposentar e vinha comprando imóveis em Miami.

“Nessa ligação o Paulo Roberto Cortez (...) continua falando que o Valmir (Sandri) irá de aposentar após esse processo e que já esta investindo em imóveis em Miami, sendo que isso foi confirmado em ligações captadas do Valmir Sandri (que serão comentadas mais adiante) de que ele realmente este investindo dinheiro e imóveis em Miami e adquirindo novo apartamento no Rio de Janeiro”, diz o relatório da PF.


GERDAU: NENHUMA IMPORTÂNCIA FOI PAGA

Em nota, a Gerdau informou que, até o momento, não foi contatada por qualquer autoridade. Afirmou ainda que os contratos com esses escritórios externos foram firmados com cláusula que determina absoluto respeito à legalidade, cujo descumprimento acarreta na imediata rescisão dos mesmos. E garantiu que nenhuma importância foi paga ou repassada aos referidos escritórios externos.

“A Gerdau reitera, portanto, que possui rigorosos padrões éticos na condução de seus pleitos junto aos órgãos públicos e que está tomando as medidas necessárias para proteger seus direitos e sua reputação.”

O GLOBO tentou contato com Cortez tanto no telefone residencial quanto no celular, mas não houve retorno até o fechamento desta edição. Mallmam e Sandri também foram procurados, mas não foram localizado nos telefones indicados nas investigações. O advogado da família Silva, Getúlio Humberto Barbosa de Sá, também não retornou as ligações, mas afirmara anteriormente que provará a inocência dos seus clientes.




 

 

Vendas da Páscoa têm pior resultado desde 2007


Nem a tentativa do comércio de alavancar as vendas da Páscoa com promoções de última hora, ajudou a salvar o desempenho das vendas deste ano, que registraram o pior resultado desde 2007, quando foi iniciada a série histórica do Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio.

No final de semana da Páscoa, entre os dias 03 e 05 de abril, as vendas aumentaram 3,2% no país na comparação com o mesmo período de 2014. Já na semana passada, de 30 de março a 05 de abril, o crescimento foi nulo, ficando nos mesmos níveis de vendas ante ao mesmo período do ano anterior.

Com menos dinheiro no bolso por conta da alta da inflação, os consumidores deixaram a compra de seus presentes de páscoa para a última hora, esperando que houvessem promoções, observou a pesquisa.

Na semana passada, a maioria dos especialistas já previa uma Semana Santa magra para o comércio, o que levou a diversos varejistas a oferecerem descontos mais cedo do que o previsto que chegavam até 50%, para tentar garantir um resultado positivo para o feriado que responde por quase metade das vendas anuais de chocolates.

 

 

 Brasil cai 10 posições em ranking de negócios seguros

 


O Brasil sofreu uma piora e caiu dez posições em ranking que avalia o risco de cada país para as empresas fazerem negócios e o escolherem como sede de suas cadeias de fornecimento. A economia brasileira aparece em 59° lugar no relatório feito pela avaliadora de riscos FM Global, que classificou 130 países, enquanto no ano passado ele figurava em 49°. Quanto mais acima na tabela, menos arriscado o país é para se fazer negócios.

Nos dois extremos estão Noruega, como o mais bem classificado, e Venezuela, o pior. A companhia ressaltou no relatório — destacado em reportagem no site do “Wall Street Journal” — como os principais pontos negativos os “desafios significativos” que o Brasil enfrenta politica e economicamente, sem citar o esquema de corrupção Operação Lava-Jato e a queda de popularidade da presidente Dilma Rouseff.



Após uma alta no relatório de 2012, quando esteve em 46° e subiu duas posições ante o ano anterior, está é a terceira queda consecutiva do Brasil no ranking — em 2013 voltou a 48° posição, foi para a 49ª em 2014 e sofre novamente um tombo na análise divulgada neste ano.

Na avaliação da FM Global, a piora do Brasil no índice também é dificultada pela relativamente baixa qualidade de sua infraestrutura, embora seja o quinto maior país do mundo tanto por área geográfica e população e seja a maior economia na América Latina. Outro ponto destacado foi a seca prolongada vivida pelo país, apesar de ser ressaltado que o Brasil é “abençoado” com menor risco de desastres naturais.

Para chegar ao ranking, a companhia analisou fatores como crescimento econômico, risco político, exposição a riscos naturais, infraestrutura, gestão de risco e controle da corrupção, para dar a seus clientes uma ideia dos riscos que podem afetar seus negócios distantes.

O melhor colocado da América do Sul foi o Uruguai, em 41° lugar. É também deste continente que emerge a economia com o maior risco para as empresas, a Venezuela. A lista dos porquês justifica o motivo de sua economia vir com um aviso de luz vermelha para os investidores: em grave instabilidade macroeconômica, o país atualmente lida com uma moeda desvalorizada, inflação galopante e escassez de produtos.



O segundo melhor país classificado foi a Suíça, seguido pela Holanda, Irlanda e Luxemburgo. Já o melhor país não europeu foi o Qatar, em 7°, seguido pelo Canadá, classificado em 8º. Os Estados Unidos, que são divididos na análise em três partes, ficaram em 10°, 16° e 21°.

VIETNÃ DESPONTA

Embora o Vietnã tenha aparecido quase na lanterna, em 95° lugar no ranking, a companhia ressaltou a trajetória ascendente do país, sendo esta sua posição mais alta em cinco anos. O relatório destaca sua tendência positiva no índice, e a atribui aos maciços investimentos que os vietnamitas têm feito em infraestrutura, que vão desde os sistemas financeiros às estradas nos últimos 15 anos.

Na visão da FM Global, o país desponta com uma economia que pode se sobrepor a nações emergentes do Brics — Rússia ficou em 68°, Índia em 119°, e a China, também divida em três partes, figurando por volta da 60° posição — como um investimento corporativo offshore. Com todo o cenário positivo, a exposição a riscos naturais e má gestão do risco na região, especialmente no que diz respeito a incêndios, puxa o Vietnã para baixo no ranking.

 

Taxas de  bancos públicos não serão mais tão baixas

Largamente usados no período pós-crise 2008, para estimular a economia, os bancos públicos deixarão de ser usados como instrumentos financiadores de empréstimos em condições mais vantajosas. A informação foi dada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Ele enfatizou que com a expansão do crédito, com apoio do Tesouro, chegou-se ao montante de R$ 460 bilhões. Isso se traduziu em empréstimos para uma grande variedade de setores.

Essa política também já completou seu curso e tem que ser modificada. O mais importante é que essa expansão de crédito não foi inflacionária, porque tinha como lastro o aumento, a injeção de recursos por investidores estrangeiros. A nossa dívida externa, principalmente a pública, não se expandiu, mas a interna cresceu no mesmo passo dos recursos transferidos para o BNDES — afirmou Levy, acrescentando que esse rompimento faz parte da tentativa de se evitar o aumento da dívida pública.

É por isso, segundo Levy, que o governo vem elevando a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e as dos programa como o PSI e o Moderfrota (voltado para a aquisição de equipamentos agrícolas).

O ministro afirmou que o governo está cortando “na carne” para fazer o ajuste, e não só aumentando impostos. Ele argumentou que houve uma queda de 30% nas despesas discricionárias que, segundo ele, chegaram aos níveis de 2013. Como segundo passo nesse esforço, Levy mencionou a criação de grupos de trabalho para melhorar a qualidade dos gastos. São equipes que, enfatizou, “estão passando o pente fino em tudo”.

— É uma sinalização de disciplina e esforço do governo. O governo se pôs na dianteira do ajuste cortando despesas — disse.

Perda de grau de investimento teria ‘custo altíssimo’

Ele começou sua fala na comissão afirmando que o programa de ajuste fiscal do governo tem como objetivo reverter a deterioração das contas públicas e externas para reconquistar a confiança do mercado e permitir que a economia volte a crescer. Ele alertou para o risco de o país perder o grau de investimento, o que seria um cenário muito negativo:

— O custo de perdermos o grau de investimento será altíssimo para o governo, as empresas e para os trabalhadores, que vão ter que viver num país com turbulência.

O ministro ressaltou que o ajuste prevê a reversão das medidas anticíclicas que foram adotadas nos últimos anos, mas que perderam a razão de existir. Ele citou particularmente o programa de desoneração da folha de pagamento das empresas, que representa uma renúncia de R$ 21 bilhões este ano. Caso o programa não seja modificado, ele terá impacto de R$ 25 bilhões no ano que vem. Segundo Levy, essa política anticíclica foi uma das responsáveis para deterioração do quadro fiscal:

— Um dos fatores que levaram essa deterioração do (superávit) primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública) foi a ampliação de renúncias tributárias que se deram no âmbito das medidas anticíclicas.

O ministro afirmou que a proposta do governo — que prevê um aumento das alíquotas de contribuição previdenciária que incidem sobre o faturamento — ainda é vantajosa para grande parte dos empresários. Além disso, ele destacou que a equipe econômica também como vantagem a liberdade de as empresas poderem escolher se que querem pagar o tributo pelo faturamento ou pela antiga sistemática da folha:

— Essa medida fortalece a Previdência Social (pois reduz a renúncia fiscal com o programa), que é um fator de estabilidade para a nossa economia — disse Levy.

O ministro também defendeu as medidas que restringem o acesso benefícios trabalhistas e previdenciários, como o seguro-desemprego. Segundo ele, o que o governo está fazendo não retira direitos dos trabalhadores, mas faz correções no formato do que está em vigor:

— As medidas não tiram direito de ninguém. Elas corrigem falhas do desenho. São coisas que estão em vigor hoje e podem ser ineficientes, que podem ser ruins no longo prazo.

 

Air France-KLM faz pedido de 17 jatos da Embraer



A fabricante de aeronaves Embraer anunciou que recebeu um pedido firme de 17 E-Jets do Grupo Air France-KLM, com valor estimado de US$ 764 milhões com base em preços de lista, segundo comunicado da empresa.

O pedido firme é composto de 15 jatos E175 e dois E190 para a KLM Cityhopper, subsidiária regional da KLM. Sua inclusão na carteira de pedidos da Embraer ocorrerá no primeiro trimestre deste ano.

O contrato, que inclui opções para 17 E-Jets adicionais, pode chegar a US$ 1,5 bilhão se todas as opções forem exercidas. As aeronaves adicionais podem ser entregues para a KLM Cityhopper ou para a HOP!, subsidiária regional da Air France.

A entrega do primeiro E190 está programada para ocorrer até o fim do ano, ao passo que o primeiro E175 vai se juntar à frota da KLM Cityhopper no primeiro semestre de 2016, disse a Embraer em comunicado.

"Eles vão se juntar aos 28 E190 que atualmente operam com a KLM Cityhopper, substituindo os 19 jatos Fokker F70 restantes, que a companhia aérea está retirando de operação", disse a empresa em comunicado.

 

Economia brasileira ficou estagnada em 2014

 


A economia brasileira ficou estagnada em 2014, com alta de apenas 0,1%, informou o IBGE . No quarto trimestre do ano passado, a atividade avançou 0,3%, na comparação com os três meses anteriores. Com esse resultado, o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos) do país ficou em R$ 5,521 trilhões. No quarto trimestre, a economia recuou 0,2% frente ao quarto trimestre de 2013.

No terceiro trimestre, o dado foi revisado de avanço de 0,1% para 0,2%. Com isso, o país não corre mais risco de recessão técnica, que seriam dois trimestres seguidos de queda no PIB. No segundo trimestre, a queda passou a ser mais acentuada após a revisão pelo IBGE: de 0,6% para 1,4%. O primeiro trimestre foi revisado de contração de 0,2% para alta de 0,6%.

O PIB per capita caiu pela primeira vez desde 2009: recuo de 0,7%, para R$ 27.229. Em 2013, o PIB per capita havia obtido crescimento de 1,8% em relação a 2012. O recuo em 2014 ocorreu porque o crescimento populacional foi de 0,9%, ou seja, um avanço superior ao da economia.

Os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo, FBCF, investimento em máquinas, equipamentos e construção civil) subiram 6,1% em 2013 e caíram 4,4% em 2014, no pior desempenho desde 1999, quando o indicador recuou 8,9%. Foi a principal contribuição negativa para o desempenho da economia.

A taxa de investimento (relação entre a Formação Bruta de Capital Fixo e o PIB) da economia caiu de 20,5% em 2013 para 19,7% em 2014, após ter ficado em 20,5% no ano anterior. Essa é a menor taxa desde 2009, ano pós-crise global, quando o indicador havia ficado em 19,2%. A taxa de poupança, por sua vez, teve uma queda mais acentuada, de 2013 para 15,8%.

No ano passado, houve queda na produção interna na importação e produção interna de bens de capital e na construção civil. A construção caiu 3,3%, as máquinas e equipamentos recuaram 9,5%. Já o componente Outros, que incorporou P&D e exploração de petróleo e de minérios e softwares da nova metodologia, reduziu essa queda ao avançar 5,5%. Esse componente, que antes da revisão pesava 5%, agora pesa quase o triplo.

Eles foram responsáveis pelos investimentos não caírem tanto — afirmou. O único segmento da indústria que cresceu em 2014 foi extrativa mineral, com alta de 8,7%. A construção civil recuou 2,6%, mesma taxa da produção e distribuição de eletricidade, gás e água. A indústria de transformação teve tombo de 3,8%, puxada para baixo por indústria automotiva, máquinas e equipamentos, aparelhos elétricos e produtos de metal.

 

Pela ótica da oferta, a indústria teve o pior desempenho, com queda de 1,2%, enquanto serviços avançaram 0,7%. A agropecuária cresceu 0,4%. Pela ótica da demanda, o consumo das famílias avançou 0,9%, o menor crescimento desde a queda de 0,7% registrada em 2003, e o do governo, 1,3%.

O desempenho do consumo das famílias pode ser explicado por um crescimento menor da massa salarial e do crédito para pessoas físicas, enquanto a inflação e a taxa básica de juros da economia avançaram. Em 2014, a massa salarial subiu 4,1%, ao lado de alta nominal de 5,8% do crédito para pessoa física. Se considerado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 6,41% em 2014, houve queda real desse crédito. E a Taxa Selic média passou de 8,2% em 2013 para 10,9% em 2014.

— A massa salarial continua crescendo, mas o crédito para pessoa física não tem mais crescimento real, ou seja, sem considerar a inflação. Ao mesmo tempo, a Selic subiu e a inflação também — explicou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.



 

Importação de energia de Argentina e Uruguai será feita

 

O Ministério de Minas e Energia (MME) reconheceu a necessidade de importação de energia elétrica da Argentina e do Uruguai, "de forma excepcional e temporária", e definiu que ela se dará por meio de ofertas semanais de energia na fronteira com o Brasil ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tendo como destino o mercado de curto prazo do Sistema Interligado Nacional (SIN).

A determinação, publicada em portarias no Diário Oficial da União, dispõe que a Petrobras será responsável por importar energia da Argentina perante a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), enquanto a Eletrobras será responsável pela importação de energia do Uruguai.

No texto, o MME destaca que não caberá às estatais arcar com repercussões financeiras decorrentes de eventual inadimplência no mercado de curto prazo resultante do processo de contabilização da energia elétrica importada.

As portarias entram em vigor nesta quinta-feira, com vigência até 31 de dezembro de 2015.

Esses intercâmbios são feitos, pelo lado brasileiro, a pedido do ONS. Não se tratam de operações comerciais, ou seja, os países não compram energia um do outro. Mas sim de uma espécie de empréstimo, que gera crédito de eletricidade para o país que forneceu.

Em janeiro, por exemplo, o Brasil recebeu energia da Argentina um dia após o apagão do dia 19, que atingiu 11 estados e o Distrito Federal. A importação foi para atender ao aumento da demanda por energia no horário de pico de consumo.

Na época, aquele era a primeira vez que o Brasil pedia energia à Argentina pelo menos desde o final de 2013.

 

Confiança do consumidor cai pela terceira vez

 

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas recuou 2,9% em março, ao passar de 85,4 para 82,9 pontos. Com o resultado, o índice atinge o mínimo histórico pelo terceiro mês consecutivo.

A queda do ICC foi motivada principalmente pela piora da situação atual. Entre fevereiro e março, o Índice de Situação Atual (ISA) caiu 5,6%, de 82,3 para 77,7 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE) recuou 1,4%, ao passar de 87,0 para 85,8 pontos.

Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), os dois índices encontram-se nos níveis mínimos históricos. Considerando-se comparações com séries padronizadas, as expectativas estão em pior estado que as percepções sobre a situação atual: o IE está 3,4 desvios padrão abaixo da média histórica e o ISA, 2,9 desvios abaixo da média.

“O ICC aprofunda a queda, se afastando ainda mais dos níveis mínimos anteriores, registrados durante a crise financeira internacional de 2008-2009. Aos fatores econômicos, como inflação e mercado de trabalho, soma-se a preocupação do consumidor brasileiro com a turbulência do ambiente político e com os riscos de abastecimento de água e energia”, afirma Aloisio Campelo superintendente para ciclos econômicos da FGV/IBRE, por meio de nota.

 

Com dólar mais alto, gastos no exterior caíram

 

Os gastos dos brasileiros no exterior caíram 22,9% em fevereiro deste ano, para US$ 1,48 bilhão, segundo informações divulgadas pelo Banco Central. Trata-se do valor mensal mais baixo desde fevereiro de 2011, quando as despesas lá fora somaram US$ 1,33 bilhão.

Em janeiro, os gastos dos brasileiros fora do país tinham registrado alta de 4,1% ante 1 ano antes, alcançando US$ 2,2 bilhões.

No acumulado do ano, os gastos dos turistas no exterior somam US$ 3,68 bilhões, ante US$ 4,04 bilhões nos dois primeiros meses de 2014.

O dólar mais alto encarece as passagens e os hotéis cotados em moeda estrangeira, além dos produtos comprados lá fora. O dólar mais alto também encarece os gastos com cartões de crédito e débito no exterior.

Em fevereiro deste ano, a moeda norte-americana registrou uma alta de 6,19%, terminando o mês passado em R$ 2,8560. Em março, porém, o dólar rompeu a barreira dos R$ 3. Nesta terça-feira, a moeda norte-americana era negociada em queda. Às 10h40, a divisacaía 0,102%, a R$ 3,1421 para venda.

Histórico de gastos
Em 2014, os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 25,6 bilhões - recorde para um ano fechado. No ano anterior, haviam somado US$ 24,98 bilhões, contra US$ 22,2 bilhões em 2013. Em 2011, as despesas dos nossos turistas lá fora haviam totalizado US$ 21,2 bilhões.

Até 1994, quando foi criado o Plano Real para conter a hiperinflação no país, os gastos de brasileiros no exterior não tinham atingido a barreira dos US$ 2 bilhões. Mas, naquele ano, quando o real foi ao equiparado ao dólar, as despesas somaram US$ 2,23 bilhões. Entre 1996 e 1998, elas oscilaram entre US$ 4 bilhões e US$ 5,7 bilhões.

Com a maxidesvalorização cambial de 1999 e o dólar ultrapassando R$ 3 em um primeiro momento, as despesas lá fora também ficaram mais caras. Os gastos voltaram a recuar e ficaram, naquele ano, próximo de US$ 3 bilhões.

 

Economistas esperam inflação superior a  8% em 2015

 

Pela primeira vez, os analistas de instituições financeiras estão esperando que a inflação supere 8% este ano. Segundo pesquisa feita semanalmente com economistas e divulgada pelo Banco Central (BC), a mediana das expectativas para o IPCA de 2015 foi revisada para cima, na 12ª piora seguida da estimativa, de 7,93% para 8,12%, enquanto para 2016 passou de 5,60% para 5,61%. A meta oficial para a inflação é de 4,5%, podendo chegar a 6,5%.

A alta dos preços administrados é o grande peso, com a expectativa dos especialistas subindo agora para 12,6%, contra 12% antes. O dólar também tende a pressionar os preços, com os especialistas vendo a moeda a R$ 3,15 neste ano contra R$ 3,06 na pesquisa anterior. Para 2016, a projeção é de R$ 3,20, frente a R$ 3,11 antes.

Na última sexta-feira, o IBGE informou que, em 12 meses, o IPCA-15, considerado a prévia da inflação, acelerou para 7,90% — a maior taxa desde maio de 2005, quando ficou em 8,19%. Para o câmbio a previsões também foram revisadas, para cima, de US$ 3,06 para US$ 3,15 no fim de 2015 e de US$ 3,11 para US$ 3,20 no fim de 2016.



Ao mesmo tempo, os analistas passaram a mostrar incerteza sobre a dimensão da alta da Selic na reunião de abril. O Top-5 de médio prazo, com as instituições que mais acertam as projeções, elevaram ainda mais a perspectiva de aperto monetário para o fim deste ano.

CONTRAÇÃO DE 0,83% NA ECONOMIA

Sob o peso da inflação, o Copom elevou a Selic em 0,50 ponto percentual no início de março, para 12,75% ao ano. No Focus, os especialistas consultados veem nova elevação na reunião de abril do Copom, mas a mediana das projeções, de 13,13%, mostra incerteza quanto à dimensão dessa alta — na semana passada, ele viam a Selic a 13%.

Para o fim de 2015, o Focus ainda aponta a taxa básica de juros a 13% na mediana das estimativas, mas o Top-5 elevou a projeção a 13,75%, ante 13,50% antes. Para 2016, a mediana das projeções no Focus permaneceu em 11,5%, enquanto o Top-5 elevou a projeção em 0,50 ponto percentual, a 12%.

Já para o desempenho da economia houve piora nas projeções coletadas até o dia 20 de março: para 2015 foram de -0,78% para -0,83% e para 2016 de uma alta de 1,30% para 1,20%. A pesquisa Focus, do BC, reúne as estimativas de cerca de cem instituições financeiras.

 

Inflação pelo IPCA-15 fica em 1,24% em março

 

A inflação medida pelo IPCA-15, índice considerado uma espécie de prévia do IPCA, que é o índice oficial de variação de preços no país, ficou em 1,24% em março, informou o IBGE. Houve desaceleração na taxa, já que em fevereiro, foi registrada uma alta de 1,33%, enquanto o IPCA fechou o mês passado com elevação de 1,22%. Em março de 2014, o IPCA-15 ficou em 0,73%.

No acumulado em 12 meses, o IPCA-15 acelerou para 7,90% — o maior desde maio de 2005, quando ficou em 8,19%. Habitação (13,72%), alimentação (8,90%), educação (8,43%) e despesas pessoais (8,26%) acumulam resultado ainda maior no período de um ano. A taxa acumulada também é maior que o teto da meta do Banco Central (6,5%) para o IPCA fechado. Com isso, é possível que o indicador de março, a ser divulgado no início de abril pelo IBGE, se distancie ainda mais do objetivo do governo. No acumulado nos três primeiros meses do ano, o IPCA-15 já registra alta de 3,50%, acima dos 2,11% de igual período do ano passado.

O 1,24% de março deve-se principalmente ao aumento na conta de luz, nos preços dos combustíveis e dos alimentos que foram responsáveis por 77,42% do índice do mês, com impacto de 0,96 ponto percentual. A alta da energia elétrica (10,91% ), fez o grupo Habitação registrar o maior resultado no mês de março, com 2,78%.

A energia elétrica também foi a responsável pelo maior impacto individual no IPCA-15, de 0,35 ponto percentual, devido aos reajustes que passaram a vigorar a partir do dia 2 deste mês. Só a bandeira tarifária vermelha, válida no momento, teve alta de 83,33%, passando de R$ 3 para R$ 5,50. A alta no preço da conta de luz teve maior impacto em Curitiba (14,89%) devido ao reajuste extraordinário de 31,86%. No Rio de Janeiro, o custo da energia subiu 9,71%, devido ao reajuste de 21,05%.

Gasolina subiu 6,25%

Os combustíveis subiram 6,25%, gerando um impacto de 0,31 ponto percentual no IPCA-15. A maior parte, 0,26 ponto percentual, veio da gasolina, cujos preços subiram 6,68%. O preço nas bombas reflete o reajuste das alíquotas do PIS/Cofins a partir de 1º de fevereiro. O etanol ficou 5,32% mais caro e o diesel, 4,05%. Assim, o grupo Transportes fechou o mês de março em 1,91%.

O grupo alimentos registrou alta de 1,22%, pressionado por cebola (19,07%), cenoura (18,32%), tomate (13,04%), ovos (12,01%), hortaliças (7,62%) e feijão-carioca (4,17%).

Seguro de veículo (3,01%), higiene pessoal (2,17%), ônibus intermunicipal (1,82%), ônibus urbano (1,39%), automóvel novo (1,37%), mão de obra para pequenos reparos (1,23%) e eletrodomésticos (0,94%) também pressionaram o IPCA-15 em março.

Na outra ponta, comunicação registrou recuo nos preços de 0,78%, enquanto vestuário teve a segundo maior queda, de 0,11%. Despesas pessoais e artigos de residência subiram 0,41% e 0,44%, respectivamente. Educação teve elevação de 0,74%. Já saúde e cuidados pessoais aumentaram 0,96%.


Das 11 regiões pesquisadas, Curitiba registrou a maior alta, com 1,72%, seguida por Fortaleza e Porto Alegre, ambas com 1,38%. A menor ficou com Belém (0,72%).

O Rio de Janeiro, ficou com a terceira menor variação em março, de 1,10%, com desaceleração frente ao 1,59% de fevereiro. No acumulado em 12 meses, porém, a região tem a terceira maior taxa, de 8,69%, atrás apenas de Goiânia (9,33%) e Porto Alegre (8,82%).

O IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação. Tem a mesma metodologia do IPCA, mas é calculado pelo IBGE em períodos diferentes, a partir do meio do mês. Os preços foram coletados entre 12 de fevereiro e 13 de março e comparados com os que estavam vigentes de 14 de janeiro a 11 de fevereiro.



 

 

Smiles prevê ano mais difícil para resgate de milhas

A empresa de programa de fidelidade de clientes Smiles espera ano mais difícil para os resgates de milhas aéreas por conta da alta do dólar e o consequente encarecimento das viagens ao exterior, disse à Reuters o presidente da companhia, Leonel Andrade.

O executivo prevê, no entanto, continuidade da alta do acúmulo de milhas pelos mais de 10 milhões de participantes do programa de fidelidade da Gol, uma vez que o consumo via cartões de crédito deve continuar subindo, sob ritmo menor.

— Vai ser ano difícil no resgate. Com o dólar do jeito que está, as pessoas vão viajar menos, e usar menos milhas — disse Andrade. — Isso não é nenhum problema, na medida em que (as milhas) continuam entrando, as pessoas vão resgatar em algum momento — completou.

É somente no resgate que as milhas são contabilizadas como receita para a Smiles. Em 2014, o resgate de milhas da empresa subiu 9,4% na comparação com 2013, para R$ 33,6 bilhões, enquanto o acúmulo teve alta de 7,4%, para R$ 41,7 bilhões. Já a receita líquida foi de R$ 808,1 milhões, crescimento de 40,9% ano contra ano.

Andrade não traçou projeções para 2015, mas declarou que a Smiles deve ter margens de lucro acima do mercado, ganhando espaço de concorrentes como a Multiplus, programa de fidelidade da companhia aérea TAM e líder do segmento.

— Nosso foco é rentabilidade. Quando fizemos o IPO, o projeto era ter “fair market share” em cinco anos — declarou, referindo-se a uma participação de mercado equivalente à dos concorrentes. A empresa realizou a oferta pública inicial de ações no fim de abril de 2013.

A estratégia da Smiles para crescer vai no sentido oposto à de concorrentes, privilegiando os resgates de passagens aéreas em detrimento do resgate de produtos e serviços.

— Ninguém manda milha para a Smiles para trocar por telefone, manda porque quer voar — declarou Andrade.

Atualmente, produtos e serviços representam menos de 3% do total de resgates da Smiles. Em concorrentes, essa porcentagem é superior a 10%, disse Andrade.

— O melhor valor percebido ainda é assento de avião — salientou.

Dessa forma, a empresa privilegia as parcerias com companhias aéreas, prevendo até o fim do ano fechar de dois a três novos contratos. Atualmente, a Smiles tem 12, entre os quais estão Delta, Air France, KLM, Qatar Airways, Aerolíneas Argentinas, Etihad, Alitalia e TAP. Em breve haverá parceria com Aeroméxico, Korean Air e Copa Airlines, enquanto também está finalizando tratativas com a Air Canada.

Outra frente estratégica é lançar novos produtos, na tentativa de repetir ações do passado que acabaram sendo copiadas por concorrentes, como o Smiles & Money, que permite ao cliente completar com dinheiro as milhas que faltam para resgatar as passagens. Lançado em 2013, esse produto responde hoje por 40% da emissão de tíquetes da Smiles.

Sobre os acordos com varejistas, o executivo declarou que o objetivo não é ter alto volume de parceiros, mas apenas um líder de cada segmento. No ano passado, a Smiles fechou parceria com Cielo, FastShop, Magazine Luiza, Localiza, B2W, entre outros. Em 2015, assinou ainda acordo com Accor Hotels.

O relacionamento com os varejistas está agora fortalecido com a Netpoints, empresa de fidelidade voltada para o setor que recebeu aporte de R$ 25 milhões da Smiles no ano passado. O negócio foi aprovado em janeiro de 2014 pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

— As companhias aéreas são mais importantes para nós, mas o varejo é importante para criar engajamento. Quanto mais milha acumular, mais vai se engajar no programa — disse. — O foco são empresas que tenham algum alinhamento com o nosso core business, como é o caso da Localiza e Accor Hotel — completou.

Há ainda aposta em serviços “inusitados” ligados a viagens. No carnaval, a Smiles permitiu a compra de abadás em Salvador, cidade natal de Andrade, com o uso de milhas.

— Vamos fazer isso de novo no ano que vem.

Localizada em Alphavile, zona oeste da Grande São Paulo, a Smiles tem apenas 93 funcionários, enquanto seu faturamento bruto anual chega a mais de R$ 1 bilhão. Por ter pequena estrutura física, a empresa tem baixa necessidade de investimentos, distribuindo 100% do lucro em dividendos, declarou o executivo.

 

Pedágio da Ponte Rio-Niterói cai para R$ 3,70 em junho



A Ecorodovias ganhou o leilão de concessão da Ponte Rio-Niterói realizado em São Paulo. A empresa propôs uma tarifa de pedágio de R$ 3,2844, um deságio de 36,67% ao relação ao teto de R$ 5,1862 estabelecido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres. Mas, com as atualizações, o valor do pedágio será de R$ 3,70 a partir de 1º de junho, valor 28,85% menor.

A atual administradora da Ponte, a CCR, ofereceu proposta de de pedágio de R$ 4,24, um deságio 18,2%, o pior lance entre os concorrentes. Seis grupos disputaram o leilão, que começou às 10h.

O ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues, comemorou o resultado.

— O leilão foi um sucesso e a partir de 1º de junho teremos um pedágio de R$ 3,70.

O pedágio atual é de R$ 5,20. O lance de R$ 3,2844 da Ecorodovias foi calculado com valores de janeiro de 2014.

— A Ecodorovias se orgulha de estar adquirindo um ativo importante para o Rio de Janeiro e os usuários vão reconhecer. Nossa proposta foi justa — disse Marcelino Rafart de Seras, presidente da Ecorodovias.

A Ecorodovias foi criada em 1997 pela Primav Construções e Comércio, do Grupo CR Almeida, empresa do setor de construção pesada. A partir de 1998, a empresa fez parceria com a europeia Impregilo International, do Grupo Impregilo, construtora de capital aberto da Itália, que depois adquiriu participação acionária na brasileira.


Foi o primeiro leilão do setor de infraestrutura do ano. É também a primeira rodovia federal a ser concedida novamente. A nova concessão terá validade de 30 anos e exigirá investimentos de R$ 1,3 bilhão ao longo desse período.

O secretário dos Transportes do Rio de Janeiro, Carlos Osório, disse que já há um pleito junto ao Ministério dos Transportes para a concessão de mais três rodovias no Rio de Janeiro, entre elas o techo Sul da BR-101, o Arco Metropolitano e a antiga estrada Rio São Paulo.

– Há viabilidade para isso e com o sucesso do leilao da Ponte Rio-Niterói estamos animados – disse o secretário.


O contrato de concessão da Ponte Rio-Niterói vence em maio, após 20 anos. Foi a primeira grande estrutura rodoviária concedida à iniciativa privada, em 1º de junho de 1995. Como trata-se de um projeto já consolidado, os riscos são mais reduzidos, segundo especialistas.

LIGAÇÃO COM LINHA VERMELHA É OBRA OBRIGATÓRIA

O lance que mais se aproximou do valor ofertado pela Ecorodovias foi o do Consórcio Guanabara, formado pela A. Madeira Indústria e Comécio, uma empreiteira de obras rodoviárias que presta serviços ao DER; Coimex Empreendimentos e Participações, sócia da Ecorodovias no trecho da BR-101, na Bahia; Urbesa Administração e Participações e Rio do Frade Empreendimentos, do ramo de construção, com sede na cidade de Serra, no Espírito Santo. O grupo ofereceu um lance de R$ 3,3590, um deságio de 35,23%.

A Triunfo Participações deu lance de R$ 3,8699, deságio de 25,37%; a CS Brasil ofereceu o valor de R$ 4,7895, deságio de 21,34% e Bertin Infraestrutura fez um lance de R$ 4,1417, deságio de 20,13%.


A vencedora Ecorodovias Infraestrutura e Logística já atua na concessão de rodovias desde 1997, administrando entre outras o sistema Anchieta-Imigrantes, através da Ecovias, que liga São Paulo ao litoral e o corredor Ayrton Senna/Carvalho Pinto, que liga a região metropolitana de São Paulo ao Vale do Paraíba.

Por dia, 151 mil veículos passam pela ponte e, no ano, são 56 milhões. O vencedor ficará responsável por operar, fazer a manutenção, monitorar e conservar a estrutura atual e implantar melhorias no trecho de acesso à ponte até o entroncamento com a Linha Vermelha.

A nova concessão engloba também a Avenida Portuária (com extensão de 3,1 km), permitindo o acesso de veículos pesados vindos da Avenida Brasil à área portuária.

Entre as obras obrigatórias, está a ligação da ponte com a Linha Vermelha por meio de uma via elevada. Isso evitará que os motoristas que se dirigem à Baixada Fluminense e à Rodovia Presidente Dutra utilizem a Avenida Brasil.

A concessão prevê ainda a construção de uma passagem inferior do tipo "mergulhão" na Avenida Feliciano Sodré (direção leste-oeste) passando sob a Praça Renascença, em Niterói, o que vai proporcionar maior fluidez ao tráfego.



 


Volkswagen de São Bernardo está com produção parada



A fábrica de São Bernardo do Campo da Volkswagen está totalmente parada desde sexta-feira por falta de bancos para a produção dos carros. O problema de abastecimento começou na quarta-feira da semana passada e os cerca de 10 mil funcionários da linha produtiva foram dispensados na sexta. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, os empregados estão convocados para voltar à atividade nesta quarta-feira. A fabricante de bancos que está com as entregas suspensas é a Keiper, também segundo o Sindicato.

Procurada, a montadora não confirma nem desmente a informação. Até a publicação deste texto não foram encontrados representantes da Keiper. São fabricados na unidade de São Bernardo os modelos Gol, Saveiro e Polo.

O problema de abastecimento também atingiu a fábrica da Volks em Taubaté, onde são montados o up!, Voyage e o Gol. A unidade, porém, está funcionando porque mantinha estoque de bancos, esclareceu o sindicato daquela região. A partir desta quarta-feira 250 funcionários de Taubaté entram em lay off (suspensão de contrato) por até cinco meses. Outros 4,2 mil — de um total de 5 mil empregados — entrarão em férias coletivas no fim deste mês.

CRISE NO SETOR

Só entre janeiro e fevereiro deste ano, a produção de veículos caiu 22%, para 404.900 unidades. As vendas recuaram 23,1%, a 439.700 unidades. No primeiro bimestre, as montadoras fecharam 2,2 mil vagas no setor. Agora, o segmento emprega 142.300 pessoas, menor contingente desde maio de 2011. Os dados são da Anfavea, associação que reúne as montadoras.

Os estoques também estão altos, o que dificulta ainda mais a retomada da produção. Montadoras e concessionárias encerraram fevereiro com 329 mil veículos em estoque, volume suficiente para 50 dias de vendas. São considerados saudáveis estoques de 25 a 30 dias. Mercedes-Benz, General Motors (GM) e Ford também mantêm trabalhadores em layoff.

Governo estuda estrangeiras em aéreas nacionais

 


A aterrissagem de companhias aéreas internacionais no mercado brasileiro se anuncia como inevitável. E já estaria em curso. As quatro empresas brasileiras que dominam o setor — Gol, TAM, Azul e Avianca — já têm alianças com estrangeiras. A tendência, avaliam especialistas, é de integração crescente. Com isso, está cada vez mais próxima a derrubada do teto de 20% de participação de capital internacional nas empresas do Brasil. Até então refratário à revisão da legislação, o governo está sendo forçado a rever sua posição. De um lado, precisa abrir canais para a atração de investimentos e aliviar os custos que reduzem a competitividade das empresas brasileiras. De outro, quer garantir às rotas internacionais a expansão registrada nas domésticas, que decolaram de 36 milhões de passageiros por ano em 2002 para 111 milhões em 2013.

O Congresso trabalha para aprovar um projeto que pode ampliar o teto de investimento estrangeiro para 49%. Executivos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Secretaria de Aviação Civil (SAC) reconhecem que nesse patamar a participação internacional não compromete o controle regulatório do setor e esperam uma mudança assim que o ambiente político desanuviar. Eles defendem que o aumento do teto é tendência mundial.

— A maior sinalização que isso vai ocorrer é a recente notícia de que o governo vai abrir mão da participação de 49% da Infraero na nova leva de concessão de aeroportos, o que sempre foi negado pelo Planalto. A mudança das aéreas se aproxima de vez — disse uma fonte do governo.

DISCUSSÃO GANHA FORÇA APÓS MUDANÇA NA FAZENDA

Procurado, o ministro da SAC, Eliseu Padilha, declarou que trabalha com o limite atual de 20% e disse que nunca discutiu o tema com a presidente Dilma Rousseff. Mas no governo o assunto já é debatido internamente e ganhou força com a mudança de comando no Ministério da Fazenda, pois Joaquim Levy é mais favorável à abertura ao capital externo, segundo fontes próximas ao ministério.

— Estou procurando os líderes de todos os partidos para aprovar a urgência para a apreciação do projeto, que está pronto para ser votado. Acredito que o governo agora será favorável à elevação do teto das estrangeiras — afirmou o deputado Carlos Eduardo Cadoca (PCdoB-PE), um dos maiores articuladores do assunto no Congresso.

O ex-ministro da SAC Moreira Franco avalia que a limitação não faz sentido no atual cenário empresarial, no qual a fatia de capital não é o único fator que define o controle da companhia. Segundo Moreira, o debate sobre a soberania e a segurança nacional, que era comum num setor que foi controlado pelos militares até meados da década passada, não se sustenta mais, já que existem regras fortes para limitar e controlar as empresas.

— O mercado se impõe. Todas as quatro empresas aéreas nacionais já têm acordos com estrangeiras — argumentou Franco.


A união da TAM com a chilena Lan, em 2010, sinalizou a mudança que hoje tem reflexos em todo o mercado. A Gol conta com a gigante americana Delta e a europeia Air France/KLM como sócias, além de fechar cada vez mais acordos de voos compartilhados com estrangeiras. A Avianca Brasil costura um modelo de sinergia com a Avianca Colômbia. A Azul, constituída regularmente no país, foi criada pelo fundador da americana Jet Blue. Uma mudança na legislação favoreceria uma espécie de negócio dos sonhos para os governos brasileiros e português: a compra da TAP pela Azul, dizem fontes próximas às companhias. Sem a restrição legal dos 20%, seria mais fácil viabilizar a operação, que poderia envolver uma troca de ações entre Azul e TAP ou mesmo a injeção de recursos por um sócio estrangeiro.

Enquanto a aproximação entre empresas brasileiras e estrangeiras se fortaleceu nos últimos anos, o governo empurrou as discussões sobre a mudança da lei sobre participação de capital estrangeiro. Para analistas, essa demora pode ter feito o Brasil perder a batalha por um lugar ao sol na indústria global. Ou seja, o país arrisca se tornar um grande mercado, mas sem uma aérea relevante 100% verde-amarela. A Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) estima que o Brasil passará de nono para quinto maior mercado no mundo em passageiros em duas décadas.

Elton Fernandes, professor da Coppe/UFRJ e especialista em transporte aéreo, afirma que a aviação brasileira não pode ficar de fora do que acontece no resto do mundo, onde se vê consolidações entre grandes grupos.

— Não tem mais opção. Tem que abrir para o investimento estrangeiro. A vinda de capital internacional é inevitável. Perdemos o bonde. A consolidação com as empresas estrangeiras vai acontecer de qualquer maneira — diz.

As quatro grandes empresas brasileiras apoiam a alteração do teto em vigor na atual legislação. A TAM, que já tem moldes de multinacional e passou a ter ações negociadas apenas na Bolsa de Valores de Santiago do Chile, defende a abertura de 100% de capital estrangeiro para as companhias aéreas, “pois o setor é de capital intensivo e esta medida estimula o crescimento e gera riqueza para o país”.

CRESCIMENTO MENOR DO TOTAL DE PASSAGEIROS

O estímulo ao crescimento do setor é peça-chave nesse debate. O peso de custos ligados a tributos, combustível e infraestrutura estaria segurando o ganho de eficiência e de receita que a indústria necessita para brigar na esfera internacional.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) vai rever para baixo a estimativa de crescimento do número de passageiros transportados no país, diz o presidente Eduardo Sanovicz. A previsão, elaborada em 2012, apontava um salto de 101 milhões naquele ano para 211 milhões em 2020.

— A aviação tem uma agenda de demandas que precisa ser enfrentada. Ela inclui a discussão sobre a participação de capital estrangeiro, entraves ligados à infraestrutura dos aeroportos, tributação e preço do combustível. Aviação é um negócio de escala. E o Brasil ganhou isso muito recentemente. Esse mercado tem altos custos e margem baixa.


Sanovicz diz que as empresas brasileiras seguem na briga por espaço no mercado internacional:

— De uns dois anos para cá é que passamos a ter um mercado efetivamente competitivo, com quatro empresas operando voos internacionais. É um novo patamar — comenta o presidente da Abear.

Eliseu Padilha, ministro da SAC, informou em nota que o crescimento do setor nos últimos anos foi decorrente “de uma acertada política de flexibilização dos acordos sobre serviços aéreos existentes, permitindo maior concorrência e abertura de novos mercados”. Ele diz trabalhar para promover a popularização do transporte aéreo internacional, negando perda de mercado pelas domésticas: “as empresas brasileiras não apenas sobreviveram, mas cresceram consideravelmente”. Ele lembra que as aéreas nacionais transportam 65% do tráfego entre Brasil e demais países latino-americanos.



 

 

Governo quer nova rodada de privatizações de  aeroportos



O governo estuda tirar da Infraero e repassar à iniciativa privada mais seis aeroportos, além de Porto Alegre, Salvador e Florianópolis, que serão leiloados este ano. Estão nessa lista Curitiba, Recife, Fortaleza, Manaus, Goiânia e Vitória. O ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Eliseu Padilha, confirmou que a Infraero ficará com uma participação inferior a 49% na próxima rodada de privatizações para reduzir os gastos da União com obras e o aporte de capital nas sociedades que vão assumir os terminais.

A empresa perdeu 53% das receitas com os primeiros leilões de aeroportos (Brasília, Guarulhos, Viracopos, Galeão e Confins) e passou a depender de aportes da União. Para recuperar a Infraero, o governo estuda criar duas novas subsidiárias: a Infraero Participações, responsável pela participação nas concessões, e a Infraero Navegação Aérea (torres de controle, serviço de informação de voo e centros meteorológicos). Além disso, criou a Infraero Serviços, empresa de consultoria, em parceria com um operador estrangeiro.

— Estamos com um estudo bastante avançado para a conversão da Infraero em três subsidiárias — disse o ministro da SAC, após participar de audiência na Comissão Geral da Câmara dos Deputados.

OBRAS EM 30 TERMINAIS REGIONAIS

O objetivo, segundo a SAC, é permitir que a empresa tenha foco exclusivo na atividade-fim, a administração de aeroportos, com melhores condições gerenciais e financeiras. Nos bastidores, a Infraero tem se queixado da remuneração pelos serviços prestados na área de controle de voo, considerada baixa. Neste ano, a previsão é de R$ 198 milhões. A estatal é responsável pela operação de 21 torres de controle e 12 controles de aproximação e dispõe de 1.851 funcionários nessa função. A coordenação dos serviços ligados ao controle do espaço aéreo é de responsabilidade do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), órgão subordinado ao Comando da Aeronáutica.

A concessão dos seis aeroportos depende de conclusão de estudos de viabilidade econômica e financeira. No caso de Goiânia e Vitória, por exemplo, o leilão é visto como alternativa à lentidão das obras de responsabilidade da Infraero, que se arrastam desde 2007. As obras foram suspensas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), diante de suspeitas de irregularidades.

A participação da Infraero nas novas concessões está sendo desenhada. Segundo Padilha, uma das alternativas em estudo é uma Golden Share, mecanismo adotado nas privatizações em que o Estado, mesmo com participação minoritária, tem poder sobre algumas decisões.

Em evento no Rio, a presidente Dilma Rousseff disse que fará nova rodada de leilões de infraestrutura, incluindo aeroportos, rodovias, ferrovias e hidrovias:

— Vamos dar início a concessões na área de aeroportos, além das seis que já fizemos, que foi Rio, São Paulo, Brasília, Viracopos, São Gonçalo do Amarante e Minas Gerais. Estamos estudando várias alternativas.

Durante audiência na Comissão Geral da Câmara dos Deputados, Padilha reiterou que o governo pretende licitar este ano obras em 30 aeroportos regionais. Entre eles, Volta Redonda e Angra dos Reis, que já têm licença ambiental.

Padilha disse que o governo está prestes a regulamentar o subsídio às empresas nas rotas regionais. A permissão para a concessão de ajuda ao setor foi aprovada pelo Congresso em dezembro. Nessas rotas, a União vai arcar com até metade dos assentos, no limite de 60. A medida vai beneficiar principalmente a Azul.




 

 

Previsão do BC para alta de preços administrados este ano vai a 10,7%


 

O Banco Central voltou a aumentar a previsão de aumento dos preços administrados (tarifas de serviços públicos) para este ano. Desta vez, foi de 9,3% para 10,7% em 2015, segundo a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária . Na última ata do ano, em dezembro, a previsão era de 6%.

Também subiu muito a previsão para os preços da energia: de 27,6% na ata de janeiro, para 38,3%. Na reunião, os diretores do BC decidiram, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros, a Selic, de 12,25% para 12,75% ao ano, a mais alta em seis anos.

“Entre outros fatores, essa projeção considera hipótese de variação de 8% no preço da gasolina, em grande parte, reflexo de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e do PIS/Cofins; de 3,2% no preço do gás de bujão; de -4,1% nas tarifas de telefonia fixa; e de 38,3% nos preços da energia elétrica, devido, em grande parte, ao repasse às tarifas do custo de operações de financiamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), contratadas em 2014”.

O BC espera aceleração da inflação em 2015, mas vê uma maior possibilidade de os preços convergirem para a meta de inflação do governo em 2016. Pelo sistema oficial, o objetivo é que o IPCA fique em 4,5% ao ano, podendo chegar a 6,5%.

O BC retirou do texto a avaliação de que os preços entrariam em "longo período de declínio" ainda este ano. E projeta, para o conjunto dos preços administrados por contrato e monitorados, variação de 5,2% em 2016, ante 5,1% considerados na reunião de janeiro.

"O Copom ressalta que a evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira, indica que taxas de inflação elevadas geram distorções que levam a aumentos dos riscos e deprimem os investimentos. Essas distorções se manifestam, por exemplo, no encurtamento dos horizontes de planejamento das famílias, empresas e governos, bem como na deterioração da confiança de empresários. O Comitê enfatiza, também, que taxas de inflação elevadas subtraem o poder de compra de salários e de transferências, com repercussões negativas sobre a confiança e o consumo das famílias. Por conseguinte, taxas de inflação elevadas reduzem o potencial de crescimento da economia, bem como de geração de empregos e de renda", afirma a ata.



 

Moradores de Niterói ganham nova barca de dois mil lugares


O governador Luiz Fernando Pezão inaugurou, , a superbarca Pão de Açúcar, primeiro dos sete novos catamarãs que vão operar na travessia Rio-Niterói. A nova barca comporta até duas mil pessoas e está programada para fazer seis viagens nos horários de rush, somando 12 viagens por dia. A embarcação dispõe de ar-condicionado, janelas panorâmicas, bicicletários e 100% de acessibilidade para deficientes e idosos.

Durante inauguração, Pezão ressaltou que a nova embarcação vai encurtar o tempo de viagem e oferecer travessias mais cômodas:

— Essa é a primeira barca que o estado compra depois de muito tempo. Ela tem mais conforto para o passageiro. Esperamos que até o fim deste ano possamos ter mais quatro novas barcas operando no sistema Rio-Niterói. Isso vai encurtar o tempo de viagem dos passageiros — disse o governador.

Com a chegada do catamarã, os frequentes problemas de falta de embarcações, atrasos e longas filas nas estações das barcas operadas pela CCR devem diminuir. Hoje, as barcas tradicionais demoram em média 20 minutos na viagem, contemplando embarque, travessia da Baía de Guanabara e desembarque. A previsão da CCR Barcas é que o tempo médio da nova embarcação seja de 15 a 17 minutos.

A embarcação também possui dupla proa, o que permite a partida e a saída do atracadouro sem necessidade de manobra. A Pão de Açúcar faz parte de um lote de sete embarcações adquiridos de um estaleiro chinês, além de dois catamarãs nacionais, com 500 lugares. O custo total será de R$ 273 milhões para os cofres do governo estadual.

Outras seis embarcações do mesmo porte devem ser integradas à frota até de agosto. A barca Corcovado, que será a próxima a entrar em operação, saiu da China ontem e chegará ao Rio em junho. Juntas, as sete barcas vão possibilitar uma oferta de 24 mil lugares por hora no período de rush da linha entre Rio e Niterói. Já o tempo de travessia entre os dois municípios será reduzido de 18 para 10 minutos.

Montadas pelo estaleiro cearense Inace, os catamarãs menores vão atender aos trajetos entre a Ilha Grande e as estações de Mangaratiba e Angra dos Reis. Outras quatro barcas, também de 500 lugares, foram compradas para operarem nas linhas Paquetá e Cocotá. O vencedor da licitação, concluída em outubro, foi o estaleiro African Gulf.

OBRAS PARA ATRACAÇÃO DE NOVA BARCA

Para que a nova barca Pão de Açúcar possa operar no trecho Rio-Niterói, foram realizadas obras de adaptação nos píeres flutuantes das estações Araribóia e Praça Quinze. A altura e a extensão do novo catamarã são diferentes das medidas das embarcações que fazem parte da frota. Operários trabalharam na solda de vedação de novas estacas para a atracação. Uma rampa de estrutura metálica também foi montada para dar acesso a uma das portas laterais do barco.

Outra incompatibilidade foi a extensão do píer, que não alcançava a porta localizada na parte de trás da barca. Esta será destinada apenas à equipe de manutenção.

Atualmente, duas pontes são adaptadas às embarcações tradicionais e outras duas projetadas para dar acesso aos catamarãs. Uma das obras em curso visa à padronização das quatro pontes para poderem receber todos os tipos de embarcação. As obras são financiadas pela Secretaria estadual de Transportes.

Além das obras das estações, a concessionária CCR Barcas adaptou equipamentos da embarcação às normas brasileiras, como coletes e extintores. Funcionários também foram treinados para operar a nova embarcação.


Os novos veículos já seguem os moldes do catamarã social, com duas proas — o que descarta a necessidade de manobras na hora da atracagem. A previsão da CCR Barcas é que mais uma embarcação chegue da China em abril.

NOMES ESCOLHIDOS POR USUÁRIOS

A escolha dos nomes de pontos turísticos do estado para as embarcações foi feita por meio de uma campanha pela internet da CCR Barcas. Segundo a empresa, 80% dos 2.847 mil usuários votaram por meio do seu site e nos totens instalados nas estações Arariboia, em Niterói, e Praça Quinze.

Até junho, deverão atracar nas estações operadas pela CCR, as barcas“Corcovado”, “Copacabana”, “Parque da Cidade", “Forte de Santa Cruz", “Ilha Grande", “Angra dos Reis", “Itacoatiara” e “Arariboia”, com capacidade para dois mil passageiros, cada uma.

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Impacto negativo de escândalos da Petrobras  afeta  a economia


Um relatório da Moody’s divulgado, indica que os escândalos de corrupção na Petrobras “vão afetar negativamente partes dos setores público e privados”, mas ressalvou que uma ajuda do governo à estatal pode ajudar a conter o impacto. De acordo com o texto, serão afetados os setores de produção de petróleo e gás, de construção e infraestrutura, e ainda o mercado imobiliário do estado do Rio de Janeiro e as empresas que dão suporte a estas áreas da economia.

Na avaliação da agência de risco, os problemas de liquidez da companhia vão se refletir em empresas de engenharia e construção — sejam elas investigadas no caso ou não.

“Os preços baixos do petróleo vão exacerbar a deterioração da posição de liquidez da Petrobras no médio prazo”, avalia Marianna Waltz, uma das diretoras da Moody’s, completando que “isso vai espalhar efeitos negativos pela cadeia de suprimentos, enfraquecendo a performance financeira e operacional dos navios que são parte do esforço vital de produção offshore da Petrobras”.

Já a redução dos gastos da estatal como medida para diminuir suas dívidas vai ter consequências em diversos setores, segundo a agência de classificação de risco. O relatório diz que as contas públicas do estado do Rio sentirão os efeitos do aperto, já que há grande dependência do capital gerado pela indústria do petróleo.

Impacto nos lucros dos bancos

Outra consequência das investigações, na avaliação da Moody’s será a redução nos ganhos das instituições financeiras, principalmente se os bancos públicos tiverem que socorrer a Petrobras.


“A Petrobras tem um papel-chave em projetos de longo prazo no Brasil”, observou Waltz.“Uma séria deterioração em sua qualidade de crédito, coloca o setor bancário do Brasil, os mercados domésticos de capital e a economia em geral em risco”, concluiu a analista.

A agência acredita que o governo federal possa ajudar a estatal, dada sua importância na economia do país. Porém, a Moody’s não tem certeza se o governo conseguiria fazer frente à quantidade de dinheiro necessária em um curto período de tempo para evitar que a Petrobras entre em default.

No texto, a Moody’s afirmou ainda que “as implicações imediatas para o perfil de crédito soberano são limitados” e que “não espera que a ajuda do governo à Petrobras levaria a dívida soberana a exceder 70% do PIB em qualquer cenário”. As implicações, diz o relatório, “dependeriam principalmente da credibilidade da resposta das políticas fiscal e econômica do governo.



 

 

Associação das montadoras  esta preocupada com elevação do dólar

 

O presidente da associação das montadoras, a Anfavea, Luiz Moan, afirmou que o setor está preocupado com os impactos no curto prazo da forte variação cambial e dos aumentos no custo da energia.

— A forte desvalorização do real acaba ajudando no médio e longo prazos mas é preocupante no curto prazo por causa dos insumos importados. Precisamos trabalhar na política nacional de exportação para o desenvolvimento da nossa indústria. Para os nossos empregados a melhor coisa que pode haver é aumento da produção — afirmou Moan.

Ele disse ainda que o acordo automotivo entre Brasil e México atende às “dificuldades econômicas momentâneas” pelas quais o Brasil passa. Ele afirmou que a Anfavea é favorável ao livre comércio entre os dois países para importação e exportação de veículos.

O governo informou neste domingo que negociou a renovação de tratado de cota de automóveis com o México. O tratado original de 2012 impôs tarifas de até 35% das exportações acima de um limite anual de cerca de US$ 1,5 bilhão, com o livre comércio de veículos autorizado após seu término, em 19 de março deste ano. Os dois países acordaram agora em renovar o tratado por quatro anos, disse um porta-voz do Itamaraty.

— No passado, já houve o inverso, ou seja, o Brasil alterando o acordo para beneficiar os mexicanos. Então é um bom acordo, que prevê o aumento linear do comércio entre os dois países até chegar a US$ 1,75 bilhões em 2019.

Segundo Moan, o Brasil e o México estão em tratativas para um novo acordo de veículos pesados e que está marcada uma nova reunião entre representantes dos dois países em maio, novamente no Rio.



 

Desafio do Brasil é mais político do que econômico



O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, afirmou que o maior desafio do Brasil hoje é mais politico do que econômico, uma vez que sem o apoio político para a aprovação das medidas de ajuste fiscal não haverá avanços na economia.

Para Barbosa, é preciso haver “uma união do país”.

— É hora de se buscar um consenso nacional. Ao executivo cabe propor as medidas (de ajuste) e ao legislativo viabilizá-las — disse Barbosa, em palestra a uma plateia de executivos e empresários da Câmara de Comércio França-Brasil. — O desafio é mais político de construir as condições de sustentação para fazer as mudanças o mais rápido possível.

Sem mencionar as adversidades que o governo enfrenta ni Congresso, Barbosa fez questão de manifestar otimismo com o encaminhamento das medidas de ajuste.

— Estamos atravessando alguns desafios, mas nosso potencial é maior do que os nossos desafios.

Barbosa disse que historicamente a “nossa classe política tem capacidade de administrar os conflitos e produzir consenso” para enfrentar as dificuldades.

— Pode haver ânimos exaltados aqui e ali, mas se olharmos a história, o Brasil é um país que se move, que avança.

Questionado se o governo teria um “plano B” caso as medidas propostas não avancem no Congresso, Barbosa reafirmou que as propostas apresentadas são as que a equipe econômica considera necessárias para alcançar a metas de superavit de 1%, 2 % do PIB. Mas que a estratégia inclui uma “reavaliação periódica”.

— Adotamos todas as medidas que achamos necessárias. Mas o Congresso é soberano .....e nós vamos avaliando para buscar essas metas.




 

Produção de veículos no Brasil cai 28,9% em fevereiro

A produção de veículos apresentou uma queda de 28,9% em fevereiro em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pela Anfavea, a associação que representa as montadoras. Foram montadas 200,1 mil unidades, a menor marca para um mês de fevereiro desde 2009. Com relação a janeiro deste ano, a produção apresentou recuo de 2,3%. No resultado do primeiro bimestre do ano, a produção de veículos acumula uma queda de 22% em relação ao primeiro bimestre do ano passado. No período, foram produzidas 404,9 mil unidades frente as 518,9 mil do mesmo período do ano passado.

Desde o ano passado, a produção automobilística vem perdendo força. Com o consumidor ressabiado com os rumos da economia, as vendas têm caído e as montadoras começam ajustar suas linhas de montagem à menor demanda. Há demissões, lay-offs (suspensão temporária de contrato de trabalho) e programas de demissão voluntária em curso. O fim do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido, em dezembro, também é um fator negativo para o setor, já que os preços tendem a aumentar.

O imposto mais baixo era um estímulo do governo e estava vinculado a não demissão de trabalhadores do setor. Nos dois primeiros meses do ano, a indústria automotiva enxugou quase mil postos de trabalho, empregando atualmente 142,3 mil pessoas. Em 12 meses, o número de trabalhadores nas plantas de montagem foi reduzido em 8,8%. Em fevereiro do ano passado, eram 156,1 mil pessoas empregadas.

Na semana passada, a associação que representa as concessionárias de veículos, a Fenabrave, reduziu drasticamente sua estimativa de vendas para este ano: a expectativa de uma queda de 0,5% foi elevada para 10%, o equivalente a 2,9 milhões de unidades. Essa perspectiva mais pessimista foi divulgada após os números de vendas de fevereiro, quando houve uma queda de 27,32%, na comparação com janeiro. E em relação ao mesmo mês do ano passado, o resultado também foi decepcionante, com retração de 26,6%.

A Anfavea deve rever para baixo a projeção de estabilidade nas vendas este ano em relação a 2014 - quando foram vendidos 3,5 milhões de veículos, queda de 7,1% na comparação com 2013. Na última projeção da entidade, a estimativa era que a produção crescesse 4,1% este ano.



 

US$ 3,3 bilhões deixam o Brasil  e fevereiro fica no vermelho

 

A retirada de recursos do Brasil superou o ingresso de divisas em US$ 3,33 bilhões na semana passada, informou o Banco Central.

Com isso, o movimento de fevereiro, que estava positivo até a semana anterior, "virou" e passou a registrar saída de divisas, ficando no vermelho. Em todo mês passado, US$ 1,14 bilhão deixaram o país.

Trata-se da primeira retirada de recursos para um mês fechado desde dezembro do ano passado - quando US$ 14,05 bilhões saíram do Brasil. Em janeiro deste ano, US$ 3,9 bilhões ingressaram na economia brasileira.

No acumulado do primeiro bimestre deste ano, segundo a autoridade monetária, ainda houve mais ingresso do que saída de recursos do país. Neste período, US$ 2,76 bilhões entraram no Brasil. Nos dois primeiros meses do ano passado, US$ 246 milhões deixaram o país.

Impacto no dólar
A retirada de recursos registrado em fevereiro favoreceria, em tese, a alta do dólar. Com menos moeda norte-americana no mercado, seu preço tenderia, teoricamente, a ficar um maior. No mês passado, de fato, o dólar se valorizou. No fim de janeiro, a moeda norte-americana estava cotada a R$ 2,68, avançando para R$ 2,85 no fechamento de fevereiro – uma alta de 6,19% no mês passado

Além do fluxo de recursos, outros fatores também influenciam a cotação do dólar no Brasil. Entre elas, estão o comportamento da economia norte-americana, as sinalizações sobre a política monetária nos Estados Unidos, os indicadores da economia brasileira - que registraram desempenho ruim em 2014 – além de declarações de integrantes da equipe econômica e da oferta de contratos de "swap cambial" (que funcionam como venda de dólares no mercado futuro) pelo BC brasileiro, entre outros.

Nesta quarta-feira (4), a moeda norte-americana opera ao redor de R$ 3 depois que o governo foi derrotado, na véspera, quando o presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros, surpreendeu o Executivo ao rejeitar a medida provisória 669, que trata de aumento de tributos sobre a folha de pagamentos. A decisão agrava as dificuldades em torno do ajuste fiscal.

Retirada de estímulos nos EUA
Nos Estados Unidos, a expectativa dos analistas é de continuidade da retirada de estímulos à economia, que começa a dar sinais de recuperação. Em 2015, há previsão de que pode haver até mesmo aumento de juros nos Estados Unidos, o que tenderia a gerar retirada de dólares do Brasil, em direção aos EUA.

Indicadores da economia brasileira
Os indicadores da economia brasileira, que pioraram nos últimos anos e os fracos resultados dos últimos meses, também impactam a cotação do dólar no Brasil. As contas externas registraram em 2014 um déficit de 4,17% do PIB, o que configura o pior resultado em 13 anos (e um dos mais altos do mundo).

Ao mesmo tempo, as contas públicas brasileiras tiveram o primeiro déficit da história no último ano, segundo informou o Banco Central. Após o pagamento de juros da dívida pública, foi registrado um déficit de R$ 343 bilhões - o equivalente a expressivos 6,7% do PIB no ano passado.

Swaps cambiais
O BC brasileiro também tem prosseguido com suas intervenções diárias no mercado com os "swaps cambiais" – que funcionam como venda de dólares no mercado futuro, atenuando as pressões no mercado à vista. Em dezembro, o presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, informou que o programa diário da oferta de swaps terá prosseguimento em 2015, com um valor entre US$ 50 milhões e US$ 200 milhões por dia.

Os swaps cambiais são contratos para troca de riscos. O Banco Central oferece um contrato de venda de dólares, com data de encerramento definida, mas não entrega a moeda norte-americana. No vencimento deles, o BC se compromete a pagar uma taxa de juros sobre valor dos contratos e recebe do investidor a variação do dólar no mesmo período.

É uma forma de a instituição garantir a oferta da moeda norte-americana no mercado, mesmo que para o futuro, e controlar a alta da cotação. Assim, o BC acalma a procura por dólares sem mexer nas reservas internacionais.

O investidor, preocupado com a tendência de alta, tem interesse em comprar dólares. Quando aceita a operação, fica estimulado a querer a queda ou a manutenção do dólar, para que não tenha que pagar ao banco mais do que receberá em juros. Essa taxa, normalmente, acompanha a Selic, que é a taxa básica da economia brasileira e hoje está em 12,25% ao ano. Se o dólar tiver variação acima disso, por exemplo, quem perde é o investidor.

 

Déficit comercial em fevereiro foi o pior para o mês desde 1980

 

A balança comercial brasileira registrou um déficit de US$ 2,842 bilhões em fevereiro, o pior resultado para o mês desde 1980. As exportações somaram US$ 12,092 bilhões e as importações US$ 14,934 bilhões.

No acumulado do ano, houve um saldo negativo de US$ 6,016 bilhões, ante US$ 6,196 bilhões no primeiro bimestre de 2014. As vendas externas foram de US$ 25,796 bilhões e os gastos no exterior atingiram US$ 31,812 bilhões.

Em fevereiro, houve redução dos embarques dos três principais tipos de produtos: 22,7% para básicos; 11,1% em manufaturados; e 2,3% no caso de semimanufaturados. Entre as maiores quedas, destacam-se as que ocorreram em soja em grão (72,2%), minério de ferro (35,7%), açúcar refinado (19,9%) e açúcar em bruto (44,6%).

Como reflexo da baixa atividade econômica, as importações também caíram: combustíveis e lubrificantes, 20,3%; bens de capital, 8,0%; bens de consumo, 6,8%; e matérias-primas e intermediários, 3,0%. No segmento de bens de consumo, as maiores baixas se deram com eletrodomésticos, automóveis, bebidas e tabaco.

Os Estados Unidos foram os principais compradores de produtos brasileiros no mês passado, com uma parcela de US$ 1,791 bilhão no total de divisas. A China ficou em segundo lugar, seguida por Argentina, Países Baixos e Alemanha.

Entre os principais mercados fornecedores de produtos para o Brasil, os chineses ficaram na primeira posição, com US$ 2,769 bilhões. Os EUA assumiram o segundo lugar, seguidos por Argentina, Alemanha e Nigéria.




 

Trabalhador brasileiro produz menos que o da Venezuela


 

Com a economia estagnada em 2014 e previsões de um 2015 recessivo, a preocupação com a produtividade do trabalho ganha espaço. No quesito, não temos muito o que comemorar. O Brasil está atrás não apenas dos países desenvolvidos, como da grande maioria de seus pares na América Latina. Só está melhor que a Bolívia. Em 2013, a produtividade do trabalho no Brasil correspondia a 17,2% daquela dos Estados Unidos, país considerado referência para o indicador. Na comparação com o México, a relação era de 52,6%, com a Argentina ficava em 58,91% e com a Venezuela, 68%.

O indicador — da organização americana The Conference Board e reunido pelo professor do Instituto de Economia da UFRJ João Saboia — reparte o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto dos bens e serviços) por pessoa ocupada. Ou seja, o tamanho da economia dividido por seus trabalhadores. Aumenta-se a produtividade quando se produz mais com a mesma quantidade de recursos — seja de máquinas e equipamentos ou pessoas.

Isso é especialmente importante no momento em que a população brasileira está envelhecendo, com menos gente entrando para a força de trabalho nos próximos anos. Assim, é preciso que os trabalhadores se tornem mais produtivos para manter o mesmo nível de produção.

— Vamos muito mal em produtividade. Quando se compara com EUA e outros desenvolvidos, é um choque. O cenário também é muito ruim quando se compara com nossos vizinhos — diz Saboia.

Mais serviços, menos produtividade

Em 2013, o PIB por pessoa ocupada era US$ 19.833 no Brasil, alta de 11,9% frente a 2000, enquanto nos EUA a expansão foi de 19,33%. Na Argentina, o crescimento foi menor que o brasileiro, 5,6%, mas no Peru foi bem maior, de 56,5%. A Bolívia, na lanterna da América Latina, cresceu 16,4%.

O baixo nível de investimentos da economia é apontado de forma unânime por especialistas como uma das causas para a baixa produtividade. A falta de recursos — seja em infraestrutura, em inovação, e pesquisa e desenvolvimento — compromete a eficiência da nossa economia.

A taxa de investimento — relação entre o montante aplicado e o PIB — foi de 17,4% no terceiro trimestre de 2014, a pior para um terceiro trimestre desde 2002. Em 2013, era de 18,2%. No México, a taxa era de 24,02% em 2013, enquanto no Peru é de 26,5%. No Uruguai, é de 20%, segundo o site Economywatch.com.

— Estamos em uma situação de estagnação da produtividade. Patinamos enquanto outros países avançam. Uma economia que não consegue consolidar uma taxa de investimento expressiva não tem ganhos de produtividade — destaca o professor do Instituto de Economia da Unicamp Claudio Dedecca.

 

A situação é vivida pela fabricante de adesivos industriais Coladesi. Com a economia parada, o proprietário Ricardo Lopes diz que tem investido pouco:

— Não tenho investido em novas máquinas porque não espero retorno do capital. A troca seria por um equipamento que permitisse melhor acompanhamento dos processos.

A mudança no perfil da economia também influencia. A participação do setor de serviços tem avançado: passou de 66,7% em 2000 para 69,3% em 2013, segundo o IBGE. Já a fatia da indústria caiu de 27,7% para 25%.

— Em média, a produtividade do setor de serviços é mais baixa. A rotatividade dos trabalhadores também é alta, a legislação acaba estimulando isso, o que também não incentiva essa produtividade do setor — afirma Regis Bonelli, pesquisador de Economia Aplicada do Ibre/FGV.

Rotatividade dos trabalhadores também é problema para Beatriz Furtado de Mendonça, consultora de varejo e atacado. Ela destaca que o conhecimento da clientela é importante para as boas vendas e se torna mais difícil quando há troca-troca de funcionários:

— É comum encontrarmos candidatos despreparados nos processos de recrutamento, mas também há empresas que, após a contratação, não fazem um treinamento intensivo e, portanto, demitem e contratam com frequência.

A qualidade da educação é vista como outro entrave para a produtividade, apesar do avanço da escolarização. Dados da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE mostram que a parcela da população ocupada com 11 anos ou mais de estudo saltou de 53,5% em 2003 para 68,7% em 2014.

— As pessoas estão estudando mais, mas aparentemente a qualidade (da educação) é baixa — diz Saboia.

Investimento em infraestrutura

O fato de a produtividade crescer pouco enquanto a renda aumenta trouxe um choque de custo para a indústria, diz o gerente de Economia e Estatística da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Guilherme Mercês:

— A produtividade não acompanhou o aumento de renda do trabalhador e isso afeta nossa competitividade. Prova disso é o saldo zero na balança comercial.

Diante de uma economia que não cresce, o fato de o desemprego estar baixo é uma mostra que a produtividade cai, segundo Saboia. Ainda há gente sendo absorvida no mercado de trabalho, porque os trabalhadores são “pouco produtivos”:

— A produtividade pequena explica porque mesmo com a economia crescendo tão pouco é possível absorver trabalhadores e termos taxa de desemprego baixa. Estamos numa encruzilhada complexa.

Para Regis Bonelli, não há “milagre a curto prazo”: assim como a deterioração da produtividade já ocorre há um tempo, não se espera que comece a melhorar mais rápido de uma hora para a outra.



 

 

Mesmo com grande dificuldades  Abílio  Diniz acredita no Brasil

 

RF, uma das principais empresas de alimentos do mundo e maior exportadora de carne de aves do país, está tendo dificuldades para cumprir alguns embarques programados para o exterior, devido a protestos de caminhoneiros que bloqueiam as estradas, disse o presidente do Conselho de Administração da companhia, Abilio Diniz.

Em teleconferência para comentar os resultados do quarto trimestre de 2014, Abilio disse ainda que os bloqueios nas estradas trazem dificuldades para a companhia operar, por conta da escassez de matérias-primas para as criações, entre outros problemas.

— É um momento triste para o país — disse ele, ressaltando que a empresa está tomando medidas para minimizar os impactos.

Abilio afirmou ter confiança que a BRF vai “crescer na dificuldade”. Segundo ele, a empresa vai ganhar fatia de mercado em 2015.

Duas fábricas da empresa interromperam o processamento de carnes nesta semana por falta de matéria-prima, informou a empresa na segunda-feira. A companhia informou ainda que outras unidades produtivas, especialmente na região Sul, foram afetadas pelos bloqueios das rodovias brasileiras. Por causa disso, em muitas delas a operação passou a ser parcial.

Apesar dos problemas, o presidente do conselho da BRF disse que continua acreditando no Brasil:

— O país é maior que suas dificuldades conjunturais.

A BRF divulgou na véspera um lucro líquido de R$ 991 milhões para o quarto trimestre, em um resultado mais que quatro vezes maior que o obtido um ano antes e que ficou acima da média de expectativas do mercado.



 

 

Governo lança programa que reduz burocracia

O governo lançou o programa Bem Mais Simples Brasil, uma nova etapa do programa Simples, que reduz a burocracia para pequenas e médias empresas. Nesta nova versão o governo promete que a papelada para abrir empresas será reduzida e o tempo necessário para começar o negócio diminuído para apenas cinco dias. Segundo a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, atualmente são necessários 83 dias para abrir uma firma.

A presidente Dilma disse em seu discurso que o programa dá benefícios ao cidadão sem reduzir a arrecadação, que para o governo é importante.

— Temos que considerar que o cidadão é em princípio honesto. Para nós o cidadão brasileiro é honesto, trabalhador e não desiste nunca. Temos que tornar o Estado brasileiro um peso muito menor que é hoje para o cidadão e empresas – disse a presidente.

A desburocratização dos serviços públicos foi uma das promessas de campanha eleitoral de Dilma Rousseff. O Bem Mais Simples vai unificar o cadastro de identificação do cidadão e centralizar em um só posto os serviços públicos que empreendedores preciso acessar para tocar seus negócios.

As novas regras preveem a dispensa de certidões e débitos tributários, previdenciários e trabalhistas para as operações de baixa dos CNPJs das empresas. Com isso o governo espera facilitar o processo de fechamento das empresas.

Fechamento de empresas também será facilitado,afirma ministro

Ao apresentar o Bem Mais Simples, o ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos, pediu que o programa seja comandado pela presidente Dilma Rousseff porque, segundo ele, será preciso ter vontade política para implementar a medida, o que exigirá participação conjunta de vários órgãos públicos. Ao se dirigir à presidente, o ministro disse que ainda falta uma etapa do programa, o Crescer Sem Medo, que vai criar condições para que as pequenas empresas cresçam sem serem sacrificadas pela carga tributária. De acordo com o ministro, as empresas que saem do Simples para o lucro presumido tem um aumento de tributos da ordem de 54%.

— Precisa ter priorização e vontade política. Esse programa tem que ser comandado pela senhora. É uma questão de voz de comando — destacou o ministro.

Ele explicou que o programa tem eixos: empresa, governo e cidadão. Contará com um portal de unificação dos serviços públicos, com simplificação e uniformização da linguagem. O objetivo é que todas as informações do cidadão sejam concentradas um único órgão para facilitar a abertura e o fechamento de empresas, sem a exigência de apresentação repetida de documentos.

Guilherme Afif assegurou que o programa Bem Mais Simples vai permitir o fechamento automático das empresas, em qualquer localidade do país. Não será mais exigida a certidão negativa, bastando apenas o pagamento de uma taxa, que custa em torno de R$ 50,00. A medida será possível com a construção de um sistema entre Receita Federal e Juntas Comerciais. A principal vantagem, segundo o ministro, é o fim do aumento de custo. Ele explicou que empresas inativas precisam publicar balanços anuais, o que envolve despesas com contadores e advogados.

— Quando uma empresa permanece aberta, os custos começam a acumular. Esse é o desespero dos débitos que vão se acumulando — disse o ministro.


No processo de baixa da empresa, os interessados precisam preencher um cadastro com os nomes dos sócios e a localização dos livros de contabilidade para uma eventual fiscalização. O ministro destacou que o fechamento automático não elimina dívidas deixadas pelos sócios e que o Código Nacional de Tributação não sofreu qualquer alteração.

A próxima meta do programa será facilitar a abertura de empresas, cronograma previsto para junho. Nesse prazo, as diversos órgãos públicos vão trabalhar na unificação de portais e construção de um cadastro único, podendo utilizar, por exemplo, a biometria, processo de identificação já adotado pela justiça eleitoral.

Apesar da necessidade de ajuste fiscal das contas públicas, o ministro disse que o governo não está preocupado com o impacto da ampliação das faixas do simples e que a medida será anunciada em breve. Com a proposta, o limite de faturamento das empresas beneficiadas vai subir de R$ 3,6 milhões para R$ 7,2 milhões e as 20 faixas existentes serão agrupadas em seis.



 

Rebaixamento da nota de crédito da Petrobras é grave para o Brasil


O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) disse que o rebaixamento, pela agência de classificação de risco Moody's, da nota de crédito da Petrobras é grave, trará ônus para a estatal e também para sociedade brasileira. Para Cunha, o momento é de repensar o papel da Petrobras e o que fazer para que ela saia desta situação porque o rebaixamento, mesmo sendo algo já esperado, não é bom para a empresa que depende de investimentos elevados.

— Não só os problemas das denúncias de corrupção levaram a Petrobras a ter o rebaixamento. Isso vai ter ônus para a Petrobras, passa a ter um prêmio de custo de financiamento que a Petrobras vai ter que pagar a partir de agora. Numa empresa que já passa por muitos problemas, que não consegue nem se quer ter balanço, além da corrupção, não consegue quantificar o que aconteceu e ao mesmo tempo tem necessidade de investimento elevada, é hora de repensar o papel dela e o que ela tem que fazer — disse Eduardo Cunha, acrescentando:


É um alerta, é grave e a sociedade vai acabar pagando um custo maior pela necessidade que a Petrobras terá de captar para investir.

O rating da dívida da Petrobras foi rebaixado em dois degraus para Ba2, ante Baa3. A Moody's manteve a classificação da estatal em revisão para novo rebaixamento. A medida reflete preocupação com escândalos de corrupção, atraso no balanço auditado e aumento do endividamento da estatal.

Para o presidente da Câmara, a situação da Petrobras já provocou impactos na economia brasileira, mas o rebaixamento não deverá provocar novos impactos nem afetar o risco Brasil, agravando apenas a situação da própria estatal.

O grau de investimento do país tem outros fatores de avaliação que não os fatores da Petrobras. O país tem os fatores de manutenção de sua estabilidade como fator motivador, como garantidor de investimento. São coisas distintas e o mercado sabe disso — disse Cunha.

O ministro de Relações Institucionais, Pepe Vargas, disse que o governo não teme que haja rebaixamento do rating do Brasil por conta da nota de crédito da Petrobras. Ele reafirmou que é viável cumprir o compromisso de superávit primário de 1,2% do PIB, feito pela equipe econômica ainda no fim do ano passado.

— Não temos receio de que haja uma queda na avaliação de risco do Brasil, porque nós entendemos que é perfeitamente viável cumprir a meta do primário, que já foi anunciada, de 1,2% do PIB — disse Pepe, após reunião com aliados para tratar das MPs que endurecem o acesso a benefícios trabalhistas.



 

 

Procon  do Rio entra na Justiça contra operadoras de telefonia

O Procon estadual ingressou na última segunda-feira com uma ação civil pública contra as operadoras Oi, TIM, Vivo e Claro para derrubar o bloqueio de internet móvel após o fim da franquia, que passou a vigorar nos planos pré-pagos, em todo o país, desde novembro do ano passado. Além disso, a TIM já anunciou que vai estender a medida aos planos pós a partir de 20 de março.

A ação corre na 5ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) e, segundo o Procon, “foi motivada pela modificação unilateral que as operadoras fizeram em seus contratos existentes de telefonia com internet ilimitada”, que previam que o serviço de acesso à rede seria apenas reduzido após a utilização da franquia de dados contratada pelo consumidor. No processo, o Procon pede a concessão de uma liminar para que o consumidor continue utilizando o serviço de acesso à internet nos termos em que foi contratado. Caso alguma das empresas citadas na ação não cumpra a liminar, ela pagará uma multa diária de R$ 50 mil.

De acordo com o Procon, as operadoras agiram de má-fé, baseando-se no artigo 52 da Resolução 632/2014 da Agência Nacional de Telecomunicação (Anatel), que determinou que as operadoras comunicassem, com antecedência mínima de 30 dias, aos seus consumidores sobre alterações e extinções de planos de serviço, ofertas e promoções. Para a autarquia, porém, mudanças unilaterais de contrato são práticas abusivas que ferem o direito adquirido previsto pela Constituição Federal e no Código de Defesa do Consumidor (CDC).

O Procon ainda requer que a interrupção do serviço de acesso à internet ou dos planos de dados contratados por adesão das empresas citadas só possa constar de contratos firmados após a data em que a ação civil pública foi instaurada. Além disso, as empresas rés deverão indenizar, da forma mais ampla e completa possível, os danos materiais e morais causados pela modificação unilateral que elas realizaram nos contratos de seus clientes.

 

Governo  deu ‘escorregadinha’ no controle das contas públicas

 

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, voltou a defender as medidas de ajuste para que o país retome o equilíbrio fiscal para voltar a crescer. Em evento da Câmara de Comércio Brasil-França, Levy afirmou que houve “uma escorregadinha” no controle das contas públicas, mas que o senso de responsabilidade fiscal veio para ficar.

— Um país mostra sua maturidade quando certos princípios são adotados por um grupo maior de pessoas, como houve com a responsabilidade fiscal nos últimos anos. A gente pode ter tido uma escorregadinha, mas a realidade agora é esse comprometimento que vai permitir que os juros tenham redução. O sentimento hoje é de uma curva longa declinante — disse.

Segundo Levy, o país experimentou um desequilíbrio fiscal significativo em 2014, alcançando um déficit nominal de quase 7% do PIB.

— Um déficit fiscal de 7% não é muito sustentável.

Levy reafirmou a disposição do governo de acabar com desonerações e incentivos fiscais que acabaram afetando a economia, sem a contrapartida de aumento de empregos e competitividade. Por isso, o desafio hoje inclui “reformas estruturais significativas”.

Ele destacou o ataque a “distorções” em instrumentos como o seguro desemprego as as pensões por morte.

— O conceito de seguro se distingue do conceito de complementação (de renda). Seguro desemprego e pensão por morte têm objetivo de proteger contra o inesperado, não estabelecer um sistema de suporte — disse.

Ainda sobre o seguro desemprego e as pensões, Levy afirmou que as mudanças propostas são “para tornar esses instrumentos mais fortes para as funções para as quais foram desenhados”.

Levy voltou a dizer a uma plateia de empresários que o BNDES não mais terá o fôlego financeiro dos últimos anos.

— Parte do aumento da dívida pública, quase R $ 500 bilhões, se deve ao BNDES, cuja atuação foi importante, mas teremos que ter alternativa para isso — disse.

O ministro ressaltou que o ajuste em curso nas contas públicas tem justamente o objetivo de trouxer estabilidade e diminuir riscos para que haja um aumento dos financiamentos privados na economia.

— Temos que ter uma situação fiscal mais sólida para que as empresas tomem mais riscos — disse.

Levy falou em fortalecer instrumentos como as debentures e de fundos de longo prazo para financiar a infraestrutura, tornado-os ativos de classe mundial para atrair mais investidores internacionais.

— Deve-se olhar para esses instrumentos a fim de torná-los ativos internacionais.

Questionado sobre os problemas que a crise hídrica e de energia trazem ao setor produtivo, Levy elogiou a atual política de realismo tarifário do governo Dilma Rousseff.

— O governo tomou medidas corajosas. O realismo tarifário dos preços de energia é importante, traz segurança ao setor elétrico.

O ministro esquivou-se de responder a uma série de perguntas que lhe foram feitas por presidentes de grandes multinacionais francesas — que iam da prosaica burocracia excessiva existente no país à elevada volatilidade da taxa de câmbio, passando pela carga tributaria —, e disse:

— Não é exatamente minha inclinação prometer soluções rápidas e fáceis, mas temos uma estratégia com medidas que consideramos cruciais e vamos atacá-las. É a agenda de respostas ao novo ambiente que estamos vivendo. Que tem os EUA mudando sua política monetária e a China revendo diretrizes de crescimento. O mundo está mudando e o Brasil tem que mudar também. Temos que ser competitivos globalmente e nos inserirmos nas cadeias de valor, aumentando a competitividade e a produtividade dos nossos trabalhadores — disse.

 

 

Classe C passa a comprar menos



O cenário de inflação alta, crédito escasso e renda comprometida está fazendo a parcela da população brasileira que ascendeu para a classe C comprar menos nos supermercados neste começo de ano do que nos últimos seis meses. E a percepção para o primeiro semestre de 2015 não é nada animadora: o carrinho de compras deve continuar encolhendo. Estes são os primeiros resultados de uma pesquisa inédita, chamada O Bolso do Brasileiro, que o Instituto Data Popular, especializado na classe C, acaba de concluir.

Já segundo a Nielsen, empresa especializada em pesquisar hábitos dos consumidores, diante deste cenário de comprometimento de renda, endividamento e inflação, a classe C é a mais afetada em sua vida financeira, já que apresenta em média um gasto 15% superior à sua renda mensal. Levantamento recente da Kantar Worldpanel, outra companhia especializada em pesquisar as tendências de consumo, mostrou que as classes C e D/E já diminuíram em cerca de oito vezes o número de idas aos pontos de venda, enquanto a classe A diminuiu apenas quatro vezes.

Pela metodologia do Data Popular, as famílias da classe C têm renda média de R$ 2,9 mil e, nos últimos anos, passaram a consumir produtos e serviços antes inacessíveis. O levantamento foi feito entre os dias 18 e 29 de janeiro em 150 cidades do país e foram entrevistadas 3.050 pessoas.

DESCENDO UM DEGRAU

De acordo com a pesquisa, 47% dos entrevistados disseram estar comprando menos produtos no supermercado na comparação com os últimos seis meses. Outros 36% afirmaram que compram a mesma quantidade, e 12% responderam que estão comprando mais produtos. Os pesquisadores perguntaram aos entrevistados se nos próximos seis meses, pensando na condição financeira atual, eles esperavam comprar mais ou menos. Entre as respostas, 45% afirmaram que vão comprar menos; 36% disseram que vão comprar a mesma quantidade e 19% responderam que vão comprar mais.

— O brasileiro da classe C já percebeu que a inflação está comendo sua renda e que está sobrando menos dinheiro para o consumo. Em relação ao futuro, ele mostra desesperança, porque não vê perspectiva de melhora da renda e da situação da economia em geral. Para ele, a inflação deve continuar subindo, assim como os juros do cheque especial utilizado por eles. Ou seja, o brasileiro que já passou aperto em 2014 começa 2015 preocupado em não conseguir encher o carrinho — avalia Renato Meirelles, presidente do instituto de pesquisa Data Popular.

Para o economista Miguel Ribeiro de Oliveira, da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), o aumento dos impostos e o crédito mais caro e restrito afetam todas as classes, mas especialmente a classe C, que pode até encolher neste ano.

— Quando a situação econômica se torna mais difícil, e a renda disponível fica menor, essas categorias podem até cair um degrau (na ascensão social que tinham experimentado) —afirma Oliveira.

Meirelles, do Data Popular, ainda não vê um retrocesso na ascensão social dessa parcela da população, mesmo com a perda de poder aquisitivo. Ele explica que como o critério para definir classe social é o salário, enquanto o desemprego estiver em níveis baixos, não haverá mudanças.

— Enquanto o desemprego não aumentar, esse brasileiro que ascendeu não vai sair da classe C. Mas seu poder de compra diminui, com o aumento da luz, do aluguel e dos produtos em geral — diz o presidente do Data Popular.

Mas o emprego é exatamente o ponto crucial, destaca o economista Luiz Otávio Leal, do banco ABC Brasil. Na análise de Leal, tão importante quanto a inflação, sobretudo de alimentos e tarifas, o que pesa mais para a classe C, é o impacto do mercado de trabalho, que este ano deve ser marcado por uma queda real na renda:

— Neste ano, as discussões salariais vão se concentrar em repor as perdas, e o trabalhador ficará contente se conseguir manter o emprego.

Outra mudança sutil, esta constatada pela Kantar, é que mais pessoas estão priorizando as compras no início da semana, em detrimento dos finais de semana, para aproveitar as promoções, que se concentram entre segunda e quarta-feira.

Foi o que fez o casal Silvia Santana, de 51 anos, e Alexandre Domingos, de 43, donos de uma empresa de artesanato e costura de São Paulo. Os dois passaram a fazer a despesa do mês durante a semana para aproveitar os descontos. Aos sábados e domingos, só quando falta algum item essencial.

— Na medida do possível, trocamos as marcas mais caras por outras mais baratas. E nossa compra mais pesada é feita durante a semana quando os supermercados fazem as promoções — diz Domingos.

ADEUS, SUPÉRFLUOS

Já a aposentada Iara Palmiro, de 65 anos, moradora do Itaim Bibi, também na Zona Sul de São Paulo, foi mais radical e cortou alguns itens considerados supérfluos de sua cesta de compra.

— Em relação aos alimentos, o consumidor acaba trocando por uma marca mais barata. Setores como cosméticos, itens de higiene pessoal e moda, por exemplo, devem ter crescimento menor já que estes itens eram aspiracão da classe C — afirma Reinaldo Saad, sócio da área de bens e consumo da consultoria Deloitte.

Mas especialistas avaliam que, diante do orçamento mais apertado, não só o brasileiro da classe C, mas toda a população, deverá continuar mudando seus hábitos de consumo em 2015.

— A expectativa é de mais um ano ruim para a economia, com juros ainda elevados. Sem perspectiva de aumento de salário, e até de desemprego, a confiança do consumidor caiu 14,5% em janeiro. Ele evita tomar novas dívidas, posterga as compras mais caras e acaba mudando seus hábitos de consumo — diz o assessor econômico da Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio), Vitor França.

O economista da Fecomércio destaca que o brasileiro está com a renda mais comprometida com itens essenciais como conta de luz e água, transporte e aluguel, que ficaram mais caros nos últimos meses. Uma pesquisa do Datafolha também constatou que quase metade dos brasileiros (46%) vai consumir menos nos próximos seis meses, e 56% já vêm cortando despesas desde o segundo semestre de 2014. Significa que o consumo, que vinha puxando o crescimento da economia desde 2008, dará freada prejudicando ainda mais o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto dos bens e serviços produzidos no país). Não sem motivos, na média, os analistas de mercado preveem que a economia encolha 0,5% este ano.



 

Caixa  Econômica Federal no topo de queixas do Banco Central

 

A Caixa Econômica Federal ocupou em janeiro deste ano o primeiro lugar no ranking das instituições financeiras que mais receberam reclamações por seus serviços. O levantamento foi publicado  pelo Banco Central. De acordo com a autarquia, o índice da Caixa foi de 12,78, chegando a um total de 953 reclamações consideradas procedentes, sendo as duas principais por falta de confiabilidade e segurança nos seus sistemas (466) e por débitos não autorizados (84). A instituição tem 74,5 milhões de clientes.

Questionada sobre as queixas, a Caixa afirmou, por meio de nota, que tem como prioridades “a redução das reclamações e o aumento da solução em todos os canais internos e externos”. O banco informou ainda que “as informações e reclamações dos clientes são utilizadas “como subsidio para a melhoria e a modernização de todos os seus processos de atendimento”.

Em segundo lugar, a insatisfação foi com o grupo HSBC, que tem 10,1 milhões de clientes. O índice da instituição foi de 10,99 e ele recebeu 112 reclamações. E o Santander, com 31,4 milhões de correntistas, ficou em terceiro, com um índice de 7,44, recebendo 234 reclamações. Logo atrás, estão o Bradesco, Banrisul e Itaú, que ocupam, respectivamente, a quarta, a quinta e a sexta posições.

O ranking é formado a partir das queixas registradas pelos clientes das instituições financeiras no Banco Central via telefone, internet, correspondência ou de forma presencial.

Do total de 3.656 queixas acatadas pelo Banco Central em janeiro, as três principais foram a falta de confiabilidade, segurança e sigilo nas operações bancárias (691); a impossibilidade de fazer portabilidade de crédito consignado sem nenhum tipo de justificativa (542); e débito em conta sem autorização (317).


O QUE DIZEM OS BANCOS

A Caixa Econômica Federal, primeira colocada no ranking, diz valorizar as informações e reclamações dos clientes, e utilizá-las como subsídio para melhorar e modernizar os processos de atendimento. A redução das reclamações e o aumento da solução em todos os canais internos e externos, diz a instituição, são uma prioridade. O banco afirma ainda revisar permanentemente seus serviços e produtos para garantir a satisfação dos seus clientes .



O Santander, por sua vez, ressalta que tem trabalhado na melhoria dos processos, ofertas e atendimento, com o intuito de torná-los mais simples e ágeis e, dessa forma, aumentar a satisfação dos consumidores com o banco.

Já o HSBC diz avaliar todas as demandas recebidas pelos canais oficiais de atendimento e atuar com o foco do cliente para estabelecer melhorias contínuas em serviços. O banco afirma que tem realizado alterações significativas, principalmente, no modelo de gestão e atendimento e ressalta que segue os mais altos padrões de qualidade para atender os pontos levantados nas avaliações dos seus clientes.

O Bradesco informa que desenvolve um programa intensivo de revisão de processos e sistemas, aliado aos de formação e aperfeiçoamento do quadro de funcionários da sua extensa rede de agências, sempre procurando aumentar o nível de satisfação de seus clientes.




 

Economistas vêem contração da economia no Brasil



Economistas de instituições financeiras passaram a ver pela primeira vez contração da economia neste ano, em meio a um aperto maior da política monetária diante da inflação mais elevada e do dólar mais alto.

De acordo com a pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta quarta-feira, a projeção para a o Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 passou a uma contração de 0,42%, contra variação zero no levantamento anterior, na sétima semana seguida de piora da estimativa.

As projeções para a indústria tiveram forte deterioração, passado para uma retração de 0,43% em 2015, contra expansão de 0,44% na pesquisa anterior.

Para 2016, a projeção para o PIB permaneceu em expansão de 1,50%. Sobre 2014 os economistas consultados revisaram mais uma vez a estimativa de crescimento, a 0,02%, ante 0,07%.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) mostrou na semana passada que a economia brasileira encerrou o quarto trimestre de 2014 com queda de 0,15% em relação aos três meses anteriores e o ano passado com retração de 0,12%, segundo dados dessazonalizados.

E para este ano pairam ainda os riscos de racionamento de energia elétrica e de água, com potencial de pressionar ainda mais a atividade.

Apesar de a economia patinar, os economistas elevaram pela primeira vez após nove semanas a projeção para a Selic ao fim deste ano, a 12,75%, contra 12,50% antes.

A pesquisa do BC mostrou que a expectativa agora é de alta de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros, atualmente em 12,25%, na reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom).

Os economistas ainda veem nova alta de 0,25 ponto na reunião de abril, mas redução da Selic a 12,75% em outubro.

Antes, os economistas consultados viam duas altas de 0,25 ponto, em março e em abril, mas com redução também de 0,25 ponto na última reunião do ano, em novembro.

Para 2016, permanece a perspectiva de que a Selic encerrará a 11,50%.

Por sua vez, o Top-5 de médio prazo, com os economistas que mais acertam as projeções, ainda vê a Selic a 13% ao fim deste ano, e a 11,50% no fim de 2016.

A perspectiva de aumento dos juros vem em um cenário em que as expectativas de inflação não arrefecem, diante da pressão dos preços administrados. No Focus, a projeção para a alta do IPCA em 2015 agora é de 7,27%, contra 7,15% anteriormente.

Para os preços administrados, os especialistas consultados projetam agora alta de 10% neste ano, ante 9,48% na semana anterior.

Além disso, a projeção para o dólar também subiu no fim de 2015, a R$ 2,90 contra R$ 2,80 anteriormente.

A projeção para o IPCA no final de 2016 continuou em 5,60 por cento, com avanço de 5,5 por cento dos administrados.

 

Viajantes tentaram entrar com R$ 251 milhões sem pagar imposto



O subsecretário de Aduana e Relações Internacionais da Receita Federal, Ernani Checcucci, informou  que brasileiros que voltaram do exterior em 2014 tentaram entrar no Brasil com R$ 251,1 milhões em produtos sem pagar imposto de importação.

Nessas ações de fiscalização nos aeroportos internacionais, o Fisco lançou R$ 43 milhões em impostos e R$ 17,2 milhões em multas. Pelas regras da Receita, quando a pessoa que ingressa no Brasil não declara os bens que superam o montante de US$ 500 por viajante, nos voos internacionais, o governo cobra uma multa de 50% sobre o valor que excede essa cota de isenção.

A Receita informou que, no ano passado, os viajantes declararam a entrada de R$ 2,46 bilhões em produtos no Brasil. A arrecadação foi de R$ 21,7 bilhões em imposto de importação. Além disso, foram lançados R$ 620 mil em multas – referente a itens não declarados, mas detectados pelo Fisco.

— Na nossa avaliação, ao longo do ano, o viajante procurou mais por uma regularização espontânea. Mas ainda assim percebemos que existem abusos que precisam ser coibidos e estamos trabalhando para isso .



 

Lucro da Caixa Econômica Federal cresceu 5,5% em 2014



A Caixa Econômica Federal (CEF) registrou lucro líquido de R$ 7,1 bilhões em 2014, valor 5,5% maior que o registrado no ano anterior. A instituição apresentou ainda uma crescimento da carteira de crédito muito acima dos concorrentes.

A carteira de crédito avançou 22, 4 % em 12 meses, encerrando o ano com saldo de R$ 605 bilhões. Muito acima da expansão de concorrentes como Banco do Brasil, Itau Unibanco e Bradesco, cujas carteiras cresceram menos de 10%. “O resultado do ano decorreu, principalmente, do aumento de 42,7 % nas receitas financeiras e de 52,9 % no resultado de títulos e valores e derivativos, além do incremento nas receitas de prestação de serviços e tarifas em 12 %”, observou a Caixa em comunicado.

RECEIO DE ABRIR O CAPITAL

O presidente da instituição, Jorge Hereda, que está deixando o cargo no final do mês, disse que conversou com a presidente Dilma Rousseff sobre a possibilidade de abrir o capital do banco, mas que não há ainda uma decisão sobre o assunto. Hereda, que será substituído pela ex-ministra do Planejamento Mirian Belchior , disse contudo ser pessoalmente contra a privatização do banco e que colocou tal posição à presidente.

— Acho que a questão é: cabe ou não o pais ter um banco 100% público? Em minha opinião é importante para o país ter instrumentos para enfrentar crises com ações anticíclicas, como a Caixa fez em 2009. O que aconteceria se fizéssemos o que os bancos privados fizeram? Qual seria o resultado do PIB? — questionou Hereda.

Segundo o executivo, um banco totalmente público também faz sentido em um mercado bancário cada vez mais concentrado.

— É muito interessante para o país e para o povo que exista possibilidade de se ter concorrência, sobre a ótica do lucro do lucro exacerbado levado à última consequência — disse Hereda, que na apresentação dos resultados da Caixa em 2014 fez uma espécie de balanço dos quatro anos que esteve à frente da instituição.

Para Hereda, uma decisão a esse respeito tomada rapidamente é complicada e "podemos nos arrepender". Para a presidente, disse ele, essa questão não está fechada e há grande possibilidade de que isso não aconteça.

Segundo ele, faria mais sentido o debate da oportunidade de se abrir capital de segmentos de negócios com bom potencial de crescimento, como a área de seguros.

 

 

Lucro do Banco do Brasil cai  28,6% em relação a  2013

Maior banco do país, o Banco do Brasil apresentou lucro líquido de R$ 11,24 bilhões em 2014, resultado 28,6% menor que os ganhos do ano anterior. O lucro ajustado (ou recorrente, que exclui fatores e eventos extraordinários, como os ganhos com o IPO da BB Seguridade, ocorrido em 2013) atingiu R$ 11,34 bilhões, alta de 9,6%. O ganho nas mesmas bases um ano antes foi de R$ 10,3 bilhões.

A rentabilidade do banco (ROE, medida pelo retorno sobre o Patrimônio Líquido) declinou de 22,9%, em 2013, para 15% no ano passado. No quarto trimestre, o BB teve lucro líquido de R$ 2,959 milhões, uma queda de 2,2% ante o mesmo período de 2013. A previsão média de analistas ouvidos pela Reuters era de lucro recorrente de R$ 2,908 bilhões.

"O resultado obtido no ano refletiu a estratégia de atuação do banco com foco em linhas de crédito de menor risco, controle das despesas e mudança no mix de captações para reduzir custos", explicou o banco em comunicado ao mercado.


Em termos de resultados, a performance do BB ficou bem abaixo das registradas pelos seus dois principais concorrentes privados, o Itaú Unibanco e o Bradesco. O Itaú teve no ano passado com lucro líquido de R$ 20,2 bilhões no ano, uma alta de mais de 28% ante 2013, enquanto o Bradesco lucrou R$ 15,36 bilhões, 26% a mais que um ano antes.

O novo presidente do BB, Alexandre Abreu, colocou a busca de eficiência e a geração de resultados sustentáveis como suas prioridades à frente da instituição.

— Sempre observando os compromissos do banco com a sociedade brasileira — disse antes de participar da apresentação dos resultasos do banco a jornalistas, na manhã desta quarta-feira em São Paulo.

Questionado sobre se essa busca de eficiência visaria também a elevar os ganhos do banco, aproximando-os dos lucros de seus pares privados, Abreu afirmou que não gosta de comparações e acrescentou:


O resultado de 2014 está acima das expectativas do mercado e vai na linha da melhoria da eficiência do banco. Nossa margem financeira subiu, houve um baixo crescimento das despesas e a inadimplência, que havia subido no terceiro trimestre, recuou (de 2,09% para 2, 03% em dezembro). Vemos o cenário adiante como desafiador, mas temos bastante expectativa para o desempenho do banco e do seu papel no desenvolvimento do país.

"O resultado do ultimo trimestre foi bem acima do esperado. Mas em relação a seus pares privados, é bem fraco", observou em comentário a gestora Yeld Capital.

A carteira de crédito ampliada do BB atingiu R$ 760,9 bilhões em dezembro, saldo 9,8% superior ao do encerramento de 2013, e ligeiramente abaixo do avanço do crédito no país, que foi de 10% na mesma comparação. O aumento da carteira de crédito também ficou abaixo da previsão feita pelo próprio BB, que era de alta de 12% a 16% para o ano de 2014.

O grupo previu expansão de 7% a 11% da carteira ampliada em 2015. Seus principais rivais, Bradesco e Itaú Unibanco, estimaram crescimento de até 9% na carteira de crédito, em meio à estagnação da economia do país.

De outubro a dezembro, as despesas do BB com provisões para perdas com inadimplência somaram R$ 5,2 bilhões, um avanço de 24,4% em 12 meses e de 13,8% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

EXPOSIÇÃO A PETROBRAS

Isso aconteceu mesmo após o índice de inadimplência da carteira, medido pelo saldo de operações vencidas com mais de 90 dias, ter tido leve recuo na base sequencial, de 2,09% para 2,03%. No último trimestre de 2013, esse indicador fora de 1,98%.

O banco teve o comando trocado na semana passada, após Aldemir Bendine ser nomeado presidente da Petrobras, sendo substituído no BB por Alexandre Abreu.



Além de novo presidente executivo, o BB anunciou na véspera dois novos vice-presidentes. José Maurício Pereira Coelho é o vice-presidente de Finanças e de Relações com Investidores, no lugar de Ivan Monteiro, que também deixou o BB para ocupar a mesma função na Petrobras. Raul Francisco Moreira é agora o vice-presidente de Negócios de Varejo, na posição deixada por Abreu.

Perguntado ainda sobre se a exposição do BB à Petrobras teria exigido provisões adicionais, Abreu respondeu que não, uma vez que os empréstimos do banco ao setor de óleo e gás, como um todo, soma cerca de R$ 41 bilhões, ou 5% da carteira rotal.

— Por isso, consideramos que a exposição no setor é compatível com a sua importância na economia e com a carteira de crédito de que temos — disse.



 

Emprego na indústria recua pelo terceiro ano

O total de empregados assalariados na indústria cresceu 0,4% em dezembro na comparação com o mês imediatamente anterior, interrompendo oito meses de taxas negativas consecutivas, período em que acumulou perda de 4,3%. Os dados, livres de influências sazonais, são da Pesquisa do Emprego Industrial, divulgada , pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A queda no emprego é mais uma componente do cenário negativo da indústria brasileira. De acordo com dados anunciados pelo IBGE em 3 de fevereiro, em 2014, a produção industrial recuou 3,2%, com quedas em 20 de 26 setores pesquisados pelo IBGE. Destaque negativo para a indústria de veículos automotores (-16,8%) e produtos de metais (-9,8%).

Com esses resultados, o último trimestre de 2014, registra variação negativa de 0,2% na comparação com o terceiro trimestre, mantendo a trajetória descendente iniciada em abril de 2013.

Na comparação com dezembro de 2013, o emprego industrial mostrou queda de 4%, 39º resultado negativo consecutivo nesse tipo de confronto. Com isso, o índice acumulado no ano de 2014 ficou em -3,2% e a taxa anualizada, índice acumulado nos últimos doze meses, ao recuar 3,2%, manteve a trajetória descendente iniciada em setembro de 2013 (-1%).

Estado de São Paulo registra maior queda entre locais pesquisados

Em dezembro, o emprego industrial apontou redução nos 14 locais pesquisados. O principal impacto negativo sobre a média global foi observado em São Paulo (-4,7%). Também vale destacar os resultados negativos assinalados por região Nordeste (-4,4%), Minas Gerais (-4,5%), regiões Norte e Centro-Oeste (-4,4%), Rio Grande do Sul (-3,3%), Paraná (-2,8%) e Rio de Janeiro (-4%).

Setorialmente, ainda no índice mensal de dezembro de 2014, o total do pessoal ocupado assalariado recuou em 17 dos 18 ramos pesquisados, com destaque para as pressões negativas vindas de meios de transporte (-7,4%), produtos de metal (-9%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-8,4%), máquinas e equipamentos (-5,5%), calçados e couro (-7,5%), outros produtos da indústria de transformação (-6,8%), alimentos e bebidas (-1,3%), vestuário (-3,1%), metalurgia básica (-5,7%) e produtos têxteis (-3,5%). Por outro lado, o único impacto positivo sobre a média da indústria foi observado no setor de produtos químicos (0,7%).

No índice acumulado nos doze meses de 2014, o emprego industrial mostrou queda de 3,2%, com taxas negativas em 13 dos 14 locais e em 16 dos 18 setores investigados. Entre os locais, São Paulo (-4,3%) apontou o principal impacto negativo no total da indústria, vindo a seguir Rio Grande do Sul (-4,2%), Paraná (-4,2%), Minas Gerais (-2,8%), Região Nordeste (-2,1%), Rio de Janeiro (-2,8%) e regiões Norte e Centro-Oeste (-1,7%). Por outro lado, Pernambuco, com ligeiro avanço de 0,1%, exerceu a única pressão positiva.

Setorialmente, ainda no índice acumulado no ano, as contribuições negativas mais relevantes vieram de produtos de metal (-7,3%), meios de transporte (-5,4%), máquinas e equipamentos (-5,5%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-7,2%), calçados e couro (-8,0%), vestuário (-3,4%), outros produtos da indústria de transformação (-4,5%), produtos têxteis (-4,4%), refino de petróleo e produção de álcool (-7,5%) e metalurgia básica (-4,1%). Em sentido contrário, os impactos positivos foram registrados por produtos químicos (1,4%) e minerais não-metálicos (0,7%).

Número de horas pagas recua em dezembro

O número de horas pagas aos trabalhadores da indústria, já descontadas as influências sazonais, apontou variação negativa de 0,1% em dezembro frente ao mês imediatamente anterior – oitava taxa negativa consecutiva, acumulando nesse período perda de 4,9%.

Com esses resultados, o índice de média móvel trimestral apontou recuo de 0,6% no trimestre encerrado em dezembro de 2014 frente ao patamar do mês anterior e manteve a trajetória descendente iniciada em maio de 2013.

Na comparação com dezembro de 2013, o número de horas pagas aos trabalhadores da indústria recuou 5,3%, 19ª taxa negativa consecutiva neste tipo de confronto. Com isso, o total do número de horas pagas apontou perda de 3,9% no índice acumulado de janeiro a dezembro e a taxa anualizada, índice acumulado nos últimos doze meses, manteve a trajetória descendente iniciada em setembro de 2013 (-1%).

No índice acumulado de janeiro a dezembro de 2014, houve recuo de 3,9% no número de horas pagas, com 16 dos 18 setores pesquisados apontando redução.

Valor da folha de pagamento real avança 1,9% em dezembro, mas recua no ano

Em dezembro de 2014, o valor da folha de pagamento real (descontada a inflação) dos trabalhadores da indústria ajustado sazonalmente avançou 1,9% frente ao mês imediatamente anterior, eliminando parte do recuo de 2,4% registrado em novembro último. No período, o destaque foi a influência positiva tanto da indústria de transformação (1,6%), como do setor extrativo (3,7%). O índice de média móvel trimestral para o total da indústria apontou variação positiva de 0,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2014 frente ao patamar do mês anterior, após registrar queda de 0,9% em novembro último.

Na comparação com dezembro de 2013, o valor da folha de pagamento real recuou 3,9% em dezembro de 2014, sétima taxa negativa consecutiva neste tipo de confronto. Com isso, o valor da folha de pagamento real apontou perda de 1,1% no índice acumulado no ano de 2014. A taxa anualizada (-1,1%) apontou o resultado negativo mais intenso desde março de 2010 (-1,7%) e permaneceu com a trajetória descendente iniciada em janeiro último (1,6%).

 

 

Inflação no Brasil acelera para 1,24% em janeiro

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 1,24% em janeiro, ante 0,78% em dezembro, informou o IBGE. A taxa é a maior desde fevereiro de 2003, quando o índice chegou a 1,57%. Em janeiro de 2014, a taxa tinha sido de 0,55%. A estimativa média de economistas consultados pela agência de notícias Bloomberg era de 1,22%, com projeções entre 0,70% e 1,30%.

No resultado acumulado em 12 meses, a alta é de 7,14%, frente aos 6,41% janeiro a dezembro de 2014. A taxa é a mais elevada desde setembro de 2011, quando foi de 7,31%.

— A taxa de dezembro, de 0,78%, subiu para 1,24%, o que significa uma alta de aproximadamente 60%. Foi uma aceleração da inflação bastante expressiva. Os meses de janeiro geralmente registram alta do preço dos alimentos, mas este ano a seca aumentou o custo de alimentos, mas também de outros produtos importantes para o consumidor, como água e energia — afirmou Eulina Nunes, Coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

Eulina também destacou os recordes registrados pela inflação em janeiro deste ano:

— Não se via uma taxa acumulada em 12 meses na casa dos 7% desde 2011, apesar de desde abril do ano passado estar na casa dos 6%. E também não se via inflação na casa de 1 dígito desde 2003.

ENERGIA SOBE MAIS DE 8%

Apenas três grupos - Alimentos e bebidas, Habitação e Transportes - responderam por 85% do IPCA em janeiro. O preço de energia elétrica subiu 8,27% e foi o maior impacto individual na inflação de janeiro, com 0,24 ponto percentual. Entre os grupos, a maior influência veio de alimentos e bebidas, com alta de 1,48% e impacto de 0,37 ponto percentual.


Em dezembro, a energia elétrica tinha sido de 0,51%. Em 12 meses, o preço subiu 27,09% e também é o maior impacto individual na inflação, de 0,72 ponto percentual. Os preços do grupo habitação, onde está incluída energia, avançou 2,42% em janeiro, depois de aumento de 0,51% em dezembro.

Já os preços do grupo transportes subiram 1,83% em janeiro, após taxa de 1,38% em dezembro. O ônibus urbano subiu 8,02% no primeiro mês do ano, puxado pelas altas nas tarifas de Rio e São Paulo. No Rio, o reajuste foi de 11,67% e em São Paulo, de 12,67%. Também houve alta de 6,59% das tarifas de ônibus intermunicipais, de 6,59%, ao lado de aumento de 9,23% no metrô e de 8,95% no trem. O preço de passagens aéreas, por sua vez, teve deflação de 4,25%, devolvendo parte da alta de 42,53% de dezembro, por causa das festas de fim de ano.

Os grupos artigos de residência e vestuário registraram deflação em janeiro, contribuindo para amenizar a alta do IPCA no mês. O recuo dos preços foi de 0,28% e 0,69%, respectivamente. O grupo de despesas pessoais teve alta de 1,68% puxada pelo aumento de 6,89% de cigarro, de 1,50% de empregado doméstico e de 5,62% em excursão.

ANALISTAS ESPERAM ESTOURO DA META NO FIM DO ANO

A menor demanda das famílias brasileiras se refletiu na deflação de artigos para casa, que inclui eletrodomésticos, e de vestuário. Embora o mês de janeiro seja de promoções do varejo, Eulina apontou que essa não foi a única razão para o resultado de janeiro:

Essa deflação de vestuário e artigos de residência em janeiro tem a ver com as promoções da época, mas também com recuo de demanda. Já em dezembro, com as vendas de Natal, as lojas mostravam promoções.

Dos alimentos, a maior alta do mês de janeiro foi da batata-inglesa, de 38, 09%, seguida por feijão carioca, de 17,95%. O preço da carne subiu 1,55%, mostrando desaceleração frente aos 3,73% de dezembro. Em 12 meses, no entanto, o aumento do preço da carne é de 20,42%, o segundo maior impacto individual no IPCA.

Para 2015, a expectativa dos economistas é de que a inflação fique em 7,01%, acima do teto da meta do governo, que é de 6,5%. A inflação acumulada em 2014 foi de 6,41%, abaixo do teto da meta do governo, resultado maior que os 5,91% registrados em 2013. Na última década, entre 2005 e 2014 a inflação avançou 69,34%.

 

Vendas de veículos não reagem e caem 18,8% em janeiro

 


O mercado brasileiro de veículos começou o ano como havia encerrado 2014, em marcha a ré. As vendas no mês de janeiro totalizaram 253,8 mil unidades (entre automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões), segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O resultado representa uma queda de 18,8% em relação às vendas do primeiro mês do ano passado, de 312,6 mil veículos.

Para Luiz Moan, presidente da Anfavea os números de janeiro não foram uma surpresa. A associação de concessionárias de veículos, Fenabrave, também já tinha alertado no começo da semana para o fraco resultado de vendas do mês, que foi o mais baixo para o período desde 2011.

— Como já tínhamos antecipado, esperamos um primeiro trimestre extremamente difícil para o setor, em razão dos ajuste em curso nas contas fiscais do governo — disse Moan, nesta quinta-feira, em São Paulo.

A produção de carros alcançou 204,8 mil unidades em janeiro deste ano, 13,7% abaixo da marca registrada um ano antes. Em janeiro de 2014, foram produzidas 237,3 mil unidades, de acordo com a Anfavea. Mas, frente a dezembro, a produção de veículos no Brasil em janeiro subiu 0,49%. A baixa ocorreu em um mês marcado por greve de dez dias na principal fábrica da Volkswagen no país, realizada em protesto pela demissão de 800 funcionários da unidade instalada em São Bernardo do Campo.

Com o menor volume comercializado e a produção mais lenta, o setor registrou leve redução em seus estoques: eram 351 mil unidades no final de dezembro, o equivalente a 41 dias de vendas, e passaram a 318, 5 mil no final do mês passado.

Perguntado sobre as fracas perspectivas para o setor este ano e o impacto que isso pode ter sobre os empregos, Moan disse que programas como o lay off e o planos de demissões voluntárias (PDV), que vêm sendo adotados por praticamente todas as montadoras, são instrumentos de “defesa dos empregos”.

— Essa é uma decisão individual e cada empresa, mas o que vemos é que há uma busca intensa da manutenção dos empregos — disse.

Em janeiro, houve redução de 400 postos de trabalho na indústria, que em 2014 o setor já havia eliminado 12 mil postos.

As indefinições do governo sobre as novas condições de financiamento do Programa de Sustentação dos Investimentos (PSI) afetaram duramente as vendas de caminhões, que caíram 28,4% neste início de ano ante janeiro de 2014.

— Trata-se de um segmento muito dependente dos financiamentos públicos, e o BNDES só definiu as novas taxas em 19 de janeiro, o que não permitiu aos agentes financeiros adaptar suas linhas antes do fim do mês. Mas as novas taxas são bastante atraentes em relação às oferecidas no mercado e esperamos com isso reverter a queda de janeiro — disse o presidente da Anfavea.

Ajudando a deprimir a produção, a indústria sofreu queda de 27,9% nas exportações de veículos de janeiro em relação ao mesmo período do ano passado, para 16,3 mil unidades. Em valores, as vendas externas do mês passado foram de US$ 484,18 milhões, 29,3% menores que o resultado obtido um ano antes.

O balanço dos fabricantes de automóvel mostra um mal começo de ano para a indústria automotiva, que já havia encerrado 2014 com recuo de 15,3% na produção. Entre janeiro e dezembro do ano passado foram produzidas 3,15 milhões de unidades, contra 3,71 milhões no mesmo período de 2013. As vendas caíram 7,1% entre 2013 e 2014: de 3,77 milhões para 3,50 milhões. Em dezembro, havia 351 mil unidades em estoque na indústria e nas revendedoras.




 

Indústria encerra 2014 com menores indicadores desde 2009

A indústria brasileira encerrou 2014 com a maior parte dos indicadores em queda, segundo a pesquisa Indicadores Industriais, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em 12 meses, o faturamento real, horas trabalhadas e emprego recuaram em relação a 2013.

As quedas foram, respectivamente, de 1,8%, 3,7% e 0,7%. De acordo com o levantamento da CNI, apenas a massa salarial e o rendimento médio reais cresceram 1,5% e 2,3% no ano passado.

A CNI informou que os dados são os mais fracos desde 2009 para todos os indicadores, com exceção do rendimento médio real.

 “O quadro da indústria para 2014 é bastante negativo e preocupante. Reflete todas as dificuldades que as empresas brasileiras estão tendo, de competição, de produtos importados. O consumo já não mostra o vigor de antes. O ano de 2014 foi de queda do investimento”, destacou o gerente de Políticas Econômicas da CNI, Flávio Castelo Branco.

Avaliando apenas o mês de dezembro, a totalidade dos indicadores caiu em relação a igual período de 2013. O recuo mais expressivo ocorreu nas horas trabalhadas. O dado, que mede o ritmo da produção industrial, caiu 7% no período.

Comparando-se dezembro com novembro de 2014, as horas trabalhadas na produção industrial caíram 3,3%, enquanto o faturamento real recuou 3,1%. O emprego foi o único indicador que teve variação positiva no período, 0,4%.

“O que observamos em dezembro é a continuidade da contração na indústria, o que verificamos ao longo de 2014. A retração das horas trabalhadas e do faturamento é bastante aguda. São números nada triviais”, comentou o economista. Quanto ao emprego, ele destacou que o crescimento mensal é pequeno e que, a longo prazo, o cenário é de queda.

A pesquisa também mostrou a utilização da capacidade instalada no fim de 2014, que atingiu 81% em dezembro, contra 80,9% em novembro do ano passado e 81,7% no mesmo mês de 2013. A CNI avaliou que, “embora não tenha se contraído no mês, a utilização da capacidade instalada sugere desaquecimento do parque fabril”.

Segundo Flávio Castelo Branco, a expectativa para os primeiros meses deste ano é a continuidade do cenário desfavorável. “As expectativas de que a economia reaja são relativamente distantes do mundo de hoje. O aumento da tributação e a elevação das taxas de juros agravam as dificuldades do setor industrial. Esperamos que [as medidas de ajuste fiscal] venham acompanhadas paulatinamente de medidas de mais estímulo”, disse.

Castelo Branco acrescentou que uma possível reação da indústria só deve ocorrer a partir do segundo semestre.

 

 

Lucro do Itaú Unibanco sobe 28,9% em 2014



Maior banco privado do país, o Itaú Unibanco registrou lucro líquido contábil de R$ 20,24 bilhões, resultado 28,9% maior que o ganho de 2013, que foi de R$ 15,696 bilhões. Descontando-se efeitos não recorrentes (baixas ou ganhos contábeis que não ocorrerão nos próximos trimestres, o lucro do banco chegou a R$ 20,62 bilhões.

Mesmo tendo registrado um crescimento abaixo do esperado na evolução de sua carteira de crédito, o Itaú Unibanco aumentou sua rentabilidade em 2014. A instituição encerrou o ano com um total de R$ 525,5 bilhões em operações de crédito contratadas, valor 8,7% maior que os R$ 483,4 bilhões do fim de dezembro de 2013.

Mesmo incluindo a carteira de títulos privados de renda fixa, o avanço foi de 9,8%, abaixo da própria estimativa do banco, de 10% a 13%. A rentabilidade (ROE, retorno sobre o patrimônio líquido) anualizada das operações, contudo, avançou de 20,7% para 23,5%.

Na semana passada, o Bradesco anunciou lucro líquido 25,8% maior em 2014: R$ 15,089 bilhões. Levando em conta apenas os últimos três meses de 2014, a instituição lucrou R$ 3,993 bilhões, avanço de 29,7% sobre o mesmo período de 2013 e de 3% na comparação com o terceiro trimestre.

O presidente da instituição, Roberto Setubal, classificou com "bastante bom" e "sólido" o resultado do banco em 2014, o que deixa o banco bem posicionado para 2015.

— Estamos bastante confortáveis diante do cenário difícil que temos pela frente — disse Setubal, em entrevista a jornalistas.

O Itaú Unibanco projeta uma retração de 0,5% no PIB deste ano, que pode chegar a 1% se houver racionamento de energia. Apesar disso, o banco espera uma expansão em suas operações de crédito similar à de 2014 — que foi de 9,8% ano passado.

— Vemos uma conjuntura de 2015 difícil, de crescimento bastante baixo e nos posicionamos para isso.

Questionado sobre os riscos ao setor financeiro dos desdobramentos da Operação Lava-Jato, Setubal afirmou que os números da exposição dos bancos às empresas envolvidas é muito menor do que o que vem sendo divulgado — cerca de R$ 130 bilhões.

— Esse número não corresponde ao que as pessoas entendem deles. Faz referência exposição dos grupos econômicos ligados à construção. E esse endividamento inclui tudo. Não corresponde portanto ao que está envolvido na Lava-Jato — disse, completando. — Não vejo risco sistêmico de jeito nenhum.

Setubal elogiou a postura pragmática da equipe econômica comanda pelp ministro Joaquim Levy (Fazenda).

— A equipe tem atuado com muito realismo. Acho que as medidas tomadas até agora estão no caminho correto. Estive em Davos e as explicações do Levy foram muito bem recebidas. Este será um ano duro, difícil, mas não vejo alternativa. Esse é o momento de fazer a lição de casa para em dois anos o país voltar a crescer — disse.

LUCRO SUPERA ESTIMATIVAS NO QUARTO TRIMESTRE

No quarto trimestre, o banco superou previsões de lucro, reflexo de nova queda da inadimplência, maiores margens com crédito e aumento das receitas com serviços. O Itaú Unibanco anunciou nesta terça-feira que seu lucro líquido somou R$ 5,52 bilhões no período, alta de 18,8% ante mesma etapa de 2013.

Em bases recorrentes, o lucro foi de R$ 5,66 bilhões, alta de 20,9% no comparativo anual. A previsão média de analistas ouvidos pela Reuters era de lucro recorrente de R$ 5,367 bilhões.

Parte desse resultado deveu-se a maiores ganhos com crédito. A margem líquida com clientes, ajustada ao risco e após despesas com provisões atingiu 7,3%, 0,3 ponto percentual acima do trimestre anterior. Ou seja, o banco conseguiu elevar taxas dos empréstimos e teve menos gastos com riscos.

No crédito, os destaques de alta anual foram o consignado (79,5%) e o imobiliário (19,4%). Em contrapartida, a carteira de veículos caiu 28,3%, também no ano a ano.

Outro ponto positivo do balanço foi a décima queda seguida da inadimplência, atingindo o menor nível histórico desde a fusão entre Itaú e Unibanco em novembro de 2008. O índice, medido pelo saldo de operações vencidas com mais de 90 dias, foi de 3,1% no quarto trimestre, ante 3,2% no trimestre anterior e 3,7% um ano antes.

Com isso, as despesas da instituição com provisões para perdas esperadas com calotes somaram R$ 4,614 bilhões no trimestre, queda de 2,7% na base sequencial. Na comparação anual, por outro lado, a cifra avançou 10,1%.

Além disso, o Itaú viu suas receitas com serviços e tarifas darem um salto de 13,1% no ano a ano, para R$ 6,825 bilhões no trimestre, impulsionadas pela aquisição da Credicard.

PERSPECTIVAS PARA 2015

Por fim, o banco conseguiu fechar 2014 com avanço de 10,1% das despesas administrativas, chamadas de não decorrentes de juros, abaixo da faixa prevista para o ano, de 10,5% a 12,5%. No quarto trimestre, somente, a linha mostrou avanço de 8,1% sobre um ano antes.

Entre outubro e dezembro, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido do Itaú foi de 24,7%, no mesmo nível do trimestre anterior e acima dos 23,9% de um ano antes.

 

O Itaú Unibanco previu alta de 6% a 9% de sua carteira de financiamentos em 2015. Na semana passada, ao abrir a temporada de balanços do setor, o Bradesco projetou alta de 5% a 9% de sua carteira neste ano.

O Itaú também previu que suas despesas neste ano com provisões para calotes esperados devem ficar entre R$ 13 bilhões e R$ 15 bilhões, a mesma faixa prevista para 2014.

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Balança comercial registra déficit de US$ 3,174 bilhões em janeiro

 

A balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 3,174 bilhões em janeiro. O saldo negativo é resultado de exportações no valor de US$ 13,704 bilhões e importações de US$ 16,878 bilhões. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Em janeiro de 2014, a balança comercial havia registrado déficit de US$ 4,06 bilhões.


Segundo o ministério, o resultado das importações em janeiro deste ano representa uma queda de 12% na comparação com janeiro de 2013. As exportações caíram 10,4% na mesma comparação.

Na comparação com janeiro do ano passado, recuaram as exportações de produtos manufaturados (-14,6%) e básicos (-11,1%). Houve alta nas vendas de semimanufaturados (3,1%).

No caso das importações, o Brasil comprou menos combustíveis e lubrificantes (-28,4%), bens de consumo (-14,2), bens de capital (-8,0%) e matérias-primas e intermediários (-7,0%). No grupo dos combustíveis e lubrificantes, a retração ocorreu principalmente pela diminuição dos preços e das quantidades embarcadas de petróleo e óleos combustíveis.

Em 2014, a balança registrou déficit de US$ 3,93 bilhões, o pior desempenho desde 1998. Naquele ano, o saldo ficou negativo em US$ 6,62 bilhões. O resultado do ano passado também foi o primeiro déficit comercial desde o ano de 2000, quando as importações superaram as exportações em US$ 731 milhões. O mercado financeiro projeta para 2015 um superávit comercial de US$ 5 bilhões.



 


 

Joaquim  Levy faz dólar comercial subir 2,45%, a R$ 2,676



As declarações do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sobre a atuação do governo em relação ao dólar estressaram o mercado de câmbio. O  dólar comercial avança 2,45% diante o real, cotado a R$ 2,674 na compra e a R$ 2,676 na venda. Já na Bolsa brasileira, a Petrobras causa mais estragos após ter a sua nota de risco (ranting) rebaixada pela Moody’s. Os papéis da estatal caem mais de 3% e contribuem para o recuo de 1,57% do índice Ibovespa, o principal do mercado acionário local.

Levy participou de um evento com investidores e executivos de empresas que atuam no Brasil. Após o ministro afirmar que “não há intençpão de se manter um câmbio artificialmente valorizado”, a moeda americana, que já operava em alta superior a 1%, acelerou o movimento de valorização. A fala como foi interpretada como um sinal de que o governo irá parar de intervir no mercado de câmbio.

IBOVESPA ABAIXO DOS 47 MIL PONTOS

Já no mercado acionário, o Ibovespa chegou aos 46.537 pontos. O índice não ficava nesse patamar desde março do ano passado. A notícia que mais contribui para o mau humor na Bolsa é o rebaixamento da nota de crédito da Petrobras pela agência de classificação de risco Moody’s, na quinta-feira à noite. A agência sinalizou ainda que um novo rebaixamento pode ocorrer. As ações preferenciais (sem direito a voto) da estatal caem 4,91%, cotadas a R$ 8,32, enquanto as ordinárias (com direito a voto) recuam 3,89%, a R$ 8,14.

— O que ocorre é que a Petrobras está contagiando o mercado. É a maior empresa do país e foi rebaixada, isso aumenta a percepção de risco por parte dos investidores — afirmou Marco Aurélio Barbosa, analista da CM Capital Markets.

Outro papel vem pressionando o Ibovespa nessa sexta-feira é a Vale, mas que ensaia uma leve recuperação, mesmo com a queda do preço do minério de ferro, as ações da mineradora operam em leve alta de 0,12% (preferenciais) e 0,83% (ordinárias). “O motivo principal é a queda nos preços do minério de ferro, somado a fase atual da empresa, que está fazendo fortes investimentos para aumento da capacidade de produção”, avaliaram os analistas da Yield Capital.

Já o setor bancário, que tem o maior peso na composição do Ibovespa, também opera em baixa. As ações preferenciais do Itaú Unibanco recuam 1,37% e as do Bradesco caem 2,15%. Já os papéis do Banco do Brasil têm desvalorização de 3,29%.

No exterior, os principais índices europeus também operam em queda, mas em uma intensidade menor que a Bolsa brasileira. O DAX, de Frankfurt, cai 0,25%, enquanto o CA

 

Em 2015 energia  deve subir  27,6% e gasolina 8%

 

A energia elétrica e a gasolina  devem ter fortes altas este ano, segundo estimativa do Banco Central. Em ata da  reunião que elevou a taxa da Selic para 12,25%, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC estimou em 8% o aumento no preço da gasolina e em 27,6% o da energia elétrica este ano.

De acordo com o BC, a hipótese de elevação de 8% no preço da gasolina, estimada pelo BC, reflete, em grande parte, o aumento da tributação anunciada pelo governo na semana passada, por meio da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), do PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

Já a estimativa de alta de 27,6% no preço da energia elétrica em 2015, ainda de acordo com o Banco Central, é reflexo do repasse às tarifas do custo de operações de financiamento, contratadas em 2014, da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

O governo anunciou, recentemente, que não pretende mais fazer repasses à CDE – um fundo do setor por meio do qual são realizadas ações públicas – em 2015, antes estimados em R$ 9 bilhões. Com a decisão do governo, as contas de luz dos brasileiros podem sofrer em 2015, ao todo, aumentos ainda superiores aos registrados no ano passado. Especialistas avaliam que a alta de energia, neste ano, pode chegar a até 40%.

Custo de produção maior
O custo de produção de eletricidade no país vem aumentando principalmente desde do final de 2012, com a queda acentuada no armazenamento de água nos reservatórios das principais hidrelétricas do país.

Para poupar água dessas represas, o país vem desde aquela época usando mais termelétricas, que funcionam por meio da queima de combustíveis e, por isso, geram energia mais cara. Isso encarece as contas de luz.

Entretanto, também contribui para o aumento de custos no setor elétrico o plano anunciado pelo governo ao final de 2012 e que levou à redução das contas de luz em 20%.

Para chegar a esse resultado, o governo antecipou a renovação das concessões de geradoras (usinas hidrelétricas) e transmissoras de energia que, por conta disso, precisaram receber indenização por investimentos feitos e que não haviam sido totalmente pagos até então. Essas indenizações ainda estão sendo pagas, justamente via CDE.

Gás de cozinha e telefonia fixa
O Banco Central estimou ainda, na ata do Copom divulgada na manhã desta quinta-feira, que o preço do gás de cozinha deve ter um aumento de 3% neste ano, enquanto que a telefonia fixa deve ter alta de 0,6% em 2015.

Preços administrados
Com a alta da tributação sobre gasolina e fim de repasses para a conta de luz, o Banco Central informou que prevê, para o conjunto de preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros), um aumento de 9,3% neste ano. Se confirmada, será a maior alta desde 2004 – quando houve aumento de 9,77%.

 

 

Brasil somou 95,9 milhões de passageiros aéreos domésticos



A Agência Nacional de Transportes Aéreos (Anac) informou que o país registrou 95,9 milhões de passageiros domésticos em 2014, número 6,5% acima do registrado em 2013, quando 90 milhões de pessoas voaram dentro do país. Os dados mostram que a alta no número de passageiros se acelerou em dezembro, quando voaram em rotas domésticas 8,9 milhões de pessoas, 11,2% a mais que em dezembro de 2013, quando 8 milhões de pessoas voaram dentro do país.

Por empresa, a Gol ampliou sua liderança em número de passageiros domésticos: passou de 32,51 milhões em 2013 (36,2% do total) para 35,67 milhões em 2014 (37,2% do total). A TAM reduziu sua participação apesar de elevar o número de passageiros de 31,87milhões em 2013 (35,4% do total) para 32,18 milhões em 2014 (33,6%do total). A Azul, já incluindo os dados da Trip, passou de 18,67 milhões de passageiros em 2013 (20,8% do total) para 20,01 milhões de passageiros no ano passado (21% de participação). Já a Avianca subiu de 5,90 milhões de passageiros em 2013 (participação de 6,6% do mercado) para 6,88 milhões de passageiros (7,2% do mercado). As demais empresas, que transportaram um milhão de pessoas em 2013 (1,11% do total) levaram 1,16 milhões de passageiros no ano passado (1,2% do total).

Nas rotas internacionais, as empresas brasileiras transportaram 6,4 milhões de passageiros no ano passado, 6,7% a mais que os 6 milhões de passageiros de 2013. Somente em dezembro foram 583 mil passageiros, 12,9% a mais que em dezembro de 2013. Por empresa, a líder no segmento internacional entre as empresas brasileiras é a TAM, com 4,439 milhões de passageiros transportados, praticamente o mesmo número do ano passado (4,447 milhões de passageiros). A Gol cresceu fortemente, passando de 1,589 milhão de passageiros em 2013 para 1,920 milhão de passageiros e a Azul, que no fim do ano inaugurou rotas para os Estados Unidos, transportou 21 mil pessoas. A Anac não compila dados das empresas aéreas estrangeiras.



 

Juro bancário de pessoa física sobe o triplo da alta da Selic

A taxa média de juros cobrada pelos bancos nas suas operações com pessoas físicas com recursos livres (excluindo BNDES, rural e habitacional) registrou queda de 0,7 ponto percentual em dezembro do ano passado, para 43,4% ao ano, contra 44,1% ao ano em novembro, informou o Banco Central. Foi a primeira queda em três meses.

No acumulado de 2014, porém, os juros bancários nas operações com pessoas físicas avançaram 5,4 pontos percentuais, mais do que o triplo do aumento dos juros básicos da economia (Selic), fixados pelo Banco Central.

Em todo ano passado, a taxa Selic avançou 1,75 ponto percentual, passando de 10% ao ano, no início de 2014, para 11,75% ao ano em dezembro do ano passado.

Já a taxa de captação dos bancos – que é quanto as instituições financeiras pagam pelos recursos – ficou praticamente estável em 2014 nas operações relativas a pessoas físicas. No fim de 2013, a taxa de captação dos bancos nestas operações estava em 12,2% ao ano, passando para 12,4% ao ano no fechamento do ano passado.

Taxa de todas operações e de empresas
Já a taxa de juros média de crédito de todas operações (pessoas físicas e empresas) caiu de 32,9% ao ano em novembro para 32,4% ao ano em dezembro de 2014. Entretanto, em todo o ano de 2014, a taxa subiu 3,4 pontos percentuais, uma vez que estava em 29% ao ano no fim de 2013.

A taxa das operações de pessoas jurídicas, ainda com recursos livres, recuou 0,5 ponto percentual em dezembro, para 23,3% ao ano. No acumulado de 2014, porém, teve alta de 1,9 ponto percentual, pois estava em 21,4% ao ano no fechamento de 2013.

Inadimplência em queda
Segundo o Banco Central, a taxa de inadimplência das pessoas físicas, nos empréstimos bancários com recursos livres (sem contar crédito rural e habitacional), que mede atrasos nos pagamentos acima de 90 dias, caiu de 6,6% em novembro para 6,5% em dezembro. Em todo ano passado, recuou 0,2 ponto percentual. No final de 2013, estava em 6,7%.

Já a taxa de inadimplência das operações dos bancos com as empresas, ainda no segmento com recursos livres, recuou de 3,5% em novembro para 3,4% em dezembro. Trata-se do menor patamar desde abril do ano passado, quando somou 3,3%. Em 2014, entretanto, a inadimplência das empresas subiu 0,3 ponto (estava em 3,1% no fechamento de 2013).

Considerando a taxa total de inadimplência, que engloba operações com as pessoas físicas e empresas, ainda nas operações com recursos livres, houve queda: de 4,9% em novembro para 4,8% em dezembro. É o menor patamar desde dezembro de 2013 (4,7%). Em 2014, a inadimplência de todas operações com recursos livres subiu 0,1 ponto percentual.

'Spread' bancário sobe no ano
O aumento das taxas de juros bancárias de pessoa física em 2014 contribuiu para elevar o chamado "spread bancário" – que é a diferença entre o que os bancos pagam pelos recursos e quanto cobram de seus clientes.

Embora tenha recuado um pouco de novembro para dezembro, o "spread" nas operações com pessoas físicas avançou fortemente em todo ano passado. Em dezembro de 2013, estava em 25,8 pontos percentuais, avançando para 31 pontos percentuais no mesmo mês de 2014. A alta foi de 5,2 pontos percentuais.

O "spread" é composto pelo lucro dos bancos, pela taxa de inadimplência, por custos administrativos, pelos depósitos compulsórios (que são mantidos no Banco Central) e pelos tributos cobrados pelo governo federal, entre outros.

Em um cenário de inadimplência e tributação praticamente estáveis, o aumento do "spread", em 2014, indica que os bancos estão lucrando mais com as operações de crédito.

 

Inflação no Brasil já  encosta nos 7% em 2015



Economistas do mercado financeiro elevaram, pela quarta vez consecutiva, as projeções para a inflação neste ano. Dessa vez, a expectativa é que o IPCA, índice que mede a alta de preços oficial no país, encerre 2015 em 6,99%, bem acima do limite máximo da meta do governo, de 6,5%. As informações foram divulgadas no boletim Focus, do Banco Central. A inflação brasileira não fecha no patamar de 7% desde 2004, quando o indicador ficou em 7,6%.

Boa parte da pressão inflacionária deste ano será puxada pelos preços administrados, como conta de luz, água e preços de combustíveis, que devem subir 8,7%, de acordo com o relatório. Na semana passada, a mediana das previsões indicava alta de 8,2%. A revisão ocorre em meio à expectativa de que as tarifas de energia subam mais neste ano, com a persistência da crise no setor elétrico.


O grupo de economistas que mais acertam as previsões também elevou as estimativas para inflação neste ano, mas ainda está menos pessimista. A mediana das projeções no chamado “top 5” subiu de 6,6% para 6,86%. Para o ano que vem, eles continuam esperando alta de 5,6%, mesma estimativa da semana anterior.

Apesar de esperarem mais inflação, os analistas não acham que o governo continuará por muito mais tempo sua política de aperto nos juros. A projeção para a taxa Selic no fim do ano foi mantida em 12,5% ao ano, o que significa que o mercado espera apenas mais uma alta de 0,25 ponto percentual na taxa, hoje em 12,25% ao ano.

PIB DE 0,13%

O cenário para o crescimento econômico também é ruim, na visão dos economistas que participam da pesquisa. Eles cortaram, pela quarta semana seguida, a previsão para o PIB deste ano. Agora, a expectativa é de apenas 0,13%, contra estimativa anterior de 0,38%. A projeção para 2016, que vinha sendo mantida em 1,8% há três semanas, foi cortada para 1,54%.

A fraca atividade será influenciada, segundo a pesquisa, por um ano ainda fraco para a indústria. De acordo com o relatório, o setor deve crescer 0,69%, previsão menor na comparação com a alta de 0,71% da semana passada.



 

Sobe preço de carne e energia, e prévia da inflação ganha força

 

Impactado pelo aumento de preços da carne e da energia elétrica, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, ganhou força de dezembro de 2014 para janeiro de 2015, passando de 0,79% para 0,89%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa é a maior taxa mensal desde fevereiro de 2011, quando ficou em 0,97%.

Com isso, o IPCA-15 acumulado em 12 meses está em 6,69% – acima do teto da meta de inflação do governo, de 6,5%. O resultado superou a variação registrada em 2014, de 6,46%. Em janeiro de 2014, o indicador havia avançado 0,67%.

VARIAÇÃO MENSAL DO IPCA-15

A maioria dos grupos de despesas pesquisados pelo IBGE mostrou preços maiores em relação a dezembro. O que mais pesou sobre o avanço do índice em janeiro foram os alimentos e bebidas, cuja variação chegou a 1,45%. Ficaram mais caros as carnes (3,24%), a batata-inglesa (32,86%) e o feijão carioca (24,25%).

Também exerceu impacto no IPCA-15 o custo da energia elétrica, que subiu 2,6%. "À exceção da região metropolitana de Fortaleza (-4,82%) e de Salvador (-1,91%), cujas contas tiveram queda na parcela referente ao PIS/COFINS, as demais apresentaram alta, com destaque para Porto Alegre, que chegou a 11,8% tendo em vista o reajuste de 22,41% em uma das concessionárias desde 8 de dezembro", diz o IBGE em nota.

Dentro dos gastos com habitação, que subiram 1,23% e do qual a energia elétrica faz parte, ainda mostraram avanços as variações de aluguel residencial (1,26%); mão de obra para pequenos reparos (0,95%); condomínio (0,81%); e taxa de água e esgoto (0,77%).

Também impactaram o índice os preços de ônibus urbanos, com alta de 2,85%, e as tarifas dos intermunicipais, 3,89%. Eles fazem parte do grupo de gastos com transportes, cujo avanço diminuiu de 1,59% para 0,75%, graças à queda no preço das passagens aéreas (de 42,42%, para -4,21%).

No grupo das despesas pessoais, que subiu 1,39%, o destaque ficou com o item empregado doméstico, que subiu 1,49%. Serviços como cabeleireiro subiram 1,54% e manicure, 1,82%.

Rio de Janeiro lidera alta
Na análise por região, a maior variação foi vista no Rio de Janeiro (1,35%), "sob pressão dos alimentos (1,96%) e das tarifas de ônibus urbano (4,67%)". Na outra ponta, está Salvador com o menor índice, de 0,49%, onde os combustíveis tiveram queda 1,56%, além da energia elétrica, que também ficou mais barata (-1,91%).

 

Aéreas dizem que vão tomar ‘medidas judiciais cabíveis’ contra sindicatos

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) e o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA) afirmaram , em nota, que as companhias aéreas vão adotar “as medidas judiciais cabíveis” contra os sindicatos dos trabalhadores que encabeçaram a paralisação ocorrida nos principais aeroportos do país. Em nota, as duas entidades afirmaram que não foi garantido “um efetivo de 80% dos colaboradores, estabelecido pelo judiciário” o que teria impactado “20% das operações” dos aeroportos. Na quarta-feira, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou a manutenção de 80% do pessoal trabalhando durante a greve de hoje. Caso não cumprissem, receberiam multa de R$ 100 mil ao dia.

Segundo Marcelo Ceriotti, diretor jurídico do Sindicato Nacional dos Aeronautas, a alegação de que não haviam os 80% exigidos trabalhando “é fantasiosa e não afeta o sindicato”. A greve ocorre depois de sete rodadas de negociação entre trabalhadores e empresas, sem sucesso. O Sindicato pleiteia reajuste salarial de 8,5%, equivalente a um aumento real (acima da inflação) de 2%. As companhias oferecem 6,5%. Mas, segundo Ceriotti, o principal ponto de reivindicação é a melhoria nas escalas de trabalho, com a ampliação dos dias de folga em relação aos dias trabalhados.

Os Sindicato Nacional de Aeronautas fará assembleia com os trabalhadores nesta quinta-feira, às 15 horas, em seis cidades (São Paulo, Rio, Campinas, Belo Horizonte, Porto Alegre e Belém) para definir os próximos passos a serem adotados. Ceriotti acredita que haverá a suspensão temporária de paralisações, uma vez que a categoria terá amanhã, às 14 horas, uma audiência de conciliação no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

— Entendemos que essa audiência de conciliação deve ajudar a categoria a avançar nos pleitos. Então, por isso, provavelmente deve haver a suspensão do movimento — afirmou Ceriotti.

“IMPACTO MÍNIMO”

A Abear também afirmou que a manifestação teve “um impacto mínimo junto aos passageiros”.

Em nota à imprensa, a Azul informou que todos os seus “voos programados para hoje estão mantidos”. E que, mesmo com a manifestação no início da manhã, as “operações estão ocorrendo normalmente” e acrescentou que “registrou apenas alguns pequenos atrasos” e nenhum cancelamento.

Num comunicado interno enviado aos tripulantes e obtido pelo GLOBO, o presidente da Azul, Antonoaldo Neves, reconhece a “impecável atitude no dia de hoje em relação à greve”. No e-mail, o executivo diz que esteve pela manhã em Viracopos, aeroporto de Campinas, e viu “de perto o quanto foram profissionais colocando os clientes em primeiro lugar” o que possibilitou a manutenção das operações em estado “praticamente normal, com alguns pequenos atrasos”. Ele acrescenta ainda que “toda a liderança da Azul” está comprometida em “resolver a questão imediata do dissídio”.



Já a TAM detalhou que dos 43 voos programados para ocorrer entre às 6h e 7h, 25 sofreram atrasos acima de 30 minutos. Depois disso, a operação foi “normalizada”. A companhia disse também que os clientes “que foram impactados têm a possibilidade de remarcação dos bilhetes, caso assim o desejem, mediante disponibilidade e sem custo adicional”.

A Gol, por sua vez, disse que dos 45 voos da companhia previstos para decolar entre 6h e 7h, 27 tiveram atrasos superior a 30 minutos em todo o país. E disse que, para minimizar os danos aos clientes, "readequou sua malha e os reacomodou em outros voos".




 

Aumento de imposto sobre crédito entra em vigor

 

O governo federal publicou o decreto que eleva a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente sobre operações de crédito de pessoas físicas. A alíquota passou de 1,5% ao ano para 3% ao ano. Segundo o decreto, publicado no Diário Oficial da União, a alteração entra em vigor hoje.

A elevação do imposto foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na última segunda-feira e deve gerar uma arrecadação extra de R$ 7,38 bilhões este ano. O governo manteve o adicional de 0,38% que incide na abertura das operações de crédito.

Além de encarecer o crédito ao consumidor, o ministro anunciou outras três medidas de ajuste fiscal. As alterações incluem a alta da alíquota do PIS-Cofins e o retorno da cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que estava zerada desde 2012, sobre os combustíveis. A partir de 1º de fevereiro, haverá aumento, na refinaria, de R$ 0,22 para o litro da gasolina e de R$ 0,15 para o do diesel, somando PIS-Cofins e Cide.

Segundo simulações feitas pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac) e publicados , a elevação do IOF terá um peso extra de 1,05% a 1,48% no valor da dívida dos consumidores, dependendo do tipo de empréstimo.

A elevação vale para financiamentos de um ano e acima disso. Para prazos inferiores a 12 meses, a taxa é de 0,082% ao dia.


O Ministério da Fazenda elevou ainda a alíquota do PIS/Cofins sobre a importação, de 9,25% para 11,75%. Segundo o governo, a medida proporciona isonomia na tributação sobre a produção doméstica e a estrangeira, uma vez que o ICMS está na base de cálculo do PIS-Cofins apenas sobre a produção nacional. O governo também equiparou a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do setor de cosméticos para o atacadista e o empresario industrial.

A elevação na taxação do combustível começa em fevereiro. Como a alta da Cide precisa esperar um período regimental de 90 dias para começar a valer, o PIS/Cofins será maior durante esse período.

No total, o pacote vai gerar uma receita adicional de R$ 20,63 bilhões no fechamento de 2015. As medidas integram a estratégia da equipe econômica de elevar a arrecadação para atingir a meta de superávit primário – a economia para o pagamento de juros da dívida pública – de R$ 66,32 bilhões ou 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos pelo país) no fechamento deste ano.




 

Brasileiros mais tristes  com alta dos  imposto

Num ano em que os especialistas já previam crédito mais caro e escasso, a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)de 1,50% para 3%, em operações de crédito de pessoa física de 365 dias vai tornar mais difícil a vida do consumidor que buscar o crediário para trocar a geladeira, o carro ou mesmo usar o rotativo do cartão de credito ou o cheque especial.

— Haverá impacto em operações de crédito. O consumidor já está pagando juros altos e com a elevação do IOF as prestações devem ter um acréscimo extra — diz Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac).

Além do aumento da alíquota, foi mantido o adicional de 0,38% em cada operação, independente do prazo, que foi adotada em substituição à CPMF quando ela foi extinta. A expectativa é de uma arrecadação extra de R$ 7,4 bilhões com a cobrança do IOF.

Segundo levantamento da Anefac, os juros em seis linhas de financiamento vêm subindo desde que o Banco Central começou a elevar a taxa básica de juros (Selic) em abril de 2013. Em dezembro passado, as taxas chegaram ao maior patamar desde março de 2012. A taxa média subiu de 6,14% ao mês em novembro para 6,30% no último mês de 2014. Anualizado, o juro pago pelo consumidor chega a 108,16%.

No cartão de crédito, a mordida dos juros é ainda mais feroz. A taxa cobrada para quem usa o rotativo está no maior nível desde 1999. O juro subiu de 10,90% para 11,22% ao mês (258,26% ao ano). Quinze anos atrás, a taxa mensal era de 11,74% (278,88% ao ano).

A pedido do GLOBO, Miguel Ribeiro de Oliveira fez simulações para medir o impacto do aumento do IOF nas prestações:

1) Financiamento de uma geladeira em 12 meses no valor de R$ 1.500,00 com taxa de juros de 4,85% ao mês (média do mercado)

- Antes (com IOF de 1,50% ao ano) o consumidor pagava 12 parcelas mensais de R$ 170,96 totalizando R$ 2.051,52

- Agora (com IOF de 3% ao ano) o consumidor pagará 12 parcelas mensais de R$ 173,48 totalizando R$ 2.081,76

- A elevação do IOF representará um aumento de R$ 2,52 na prestação e de R$ 30,24 no total do financiamento

2) Utilização do limite de cheque especial por 20 dias no valor de R$ 5.000,00 com taxa de juros de 8,92% ao mês (média do mercado)

- Antes do aumento, o cliente do banco pagava R$ 350,58 de juros mais IOF

- Agora, pagará R$ 355,09 de juros mais IOF



- A elevação do IOF aumentou em R$ 4,51 no valor pago pelo cliente

3) Utilização do rotativo do cartão de crédito por 20 dias no valor de R$ 3.000,00 com taxa de juros de 11,22% ao mês (média do mercado)

- Antes, o consumidor pagava R$ 351,69 de juros mais IOF.

- Agora, pagará R$ 355,38 de juros mais IOF

- A elevação do IOF elevou em R$ 3,69 o valor pago pelo cliente

4) Empréstimo pessoal em banco com prazo de 12 meses no valor de R$ 4.000,00 com taxa de juros de 3,61% ao mês (média do mercado)

- Antes, o cliente pagava 12 parcelas mensais de R$ 424,45 totalizando R$ 5.093,40

- Agora, pagará 12 parcelas mensais de R$ 430,70 totalizando R$ 5.168,40

- A elevação do IOF representa um aumento de R$ 6,25 na prestação e de R$ 75,00 no total do financiamento

5) Empréstimo pessoal em financeira em 12 meses no valor de R$ 2.000,00 com taxa de juros de 7,34% ao mês (média do mercado)

- Antes, o cliente pagava 12 parcelas mensais de R$ 261,21 totalizando R$ 3.134,52

- Agora, pagará 12 parcelas mensais de R$ 265,05 totalizando R$ 3.180,60

- A elevação do IOF representará uma alta de R$ 3,84 na prestação e de R$ 46,08 no total do financiamento

6) Financiamento de automóvel em 12 meses no valor de R$ 25.000,00 com taxa de juros de 1,84% ao mês (média do mercado)

- Antes, o consumidor pagava 12 parcelas mensais de R$ 2.384,83 totalizando um valor de R$ 28.617,96



Agora, pagará 12 parcelas mensais de R$ 2.419,94 totalizando R$ 29.039,28

- A elevação do IOF representará uma alta de R$ 35,11 na prestação e de R$ 421,32 no total do financiamento

Miguel Ribeiro de Oliveira lembra que nos financiamentos de veículos acima de 12 meses, não houve impacto do aumento do IOF. Um consumidor que financiou o carro de R$ 25 mil em 36 meses pagava parcelas de R$ 973,77, com dívida total somando R$ 35.055,72. Após o aumento, a prestação terá o mesmo valor, assim como a dívida total




 

Segundo boletim Focus, Selic subirá a 12,25% ao ano nesta semana



Na semana em que o Banco Central reavaliará sua política de combate à inflação, a expectativa do mercado financeiro para o aumento de preços neste ano subiu pela terceira semana seguida. Segundo o boletim Focus, levantamento que o BC faz com analistas das principais instituições financeiras do país, a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano passou de 6,6% para 6,67%. Por outro lado, as projeções para o crescimento estão cada vez mais próximas de zero. Por isso, a aposta para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) foi mantida: os diretores devem aumentar a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual na próxima quarta-feira.

Com isso, os juros básicos subiriam dos atuais 11,75% ao ano para 12,25% ao ano. O mercado ainda espera mais uma alta de 0,25 ponto percentual na reunião seguinte do Copom. Depois disso, a Selic ficaria estável até o fim do ano.

Para os economistas, essa é a estratégia do BC para tentar colocar a inflação na meta de 4,5% no fim do ano que vem. A promessa de acertar no alvo em 2016 tem sido repetida várias vezes pelos porta-vozes da autarquia.

Atualmente, o IPCA está em 6,41% no acumulado nos últimos 12 meses. Mesmo alto, o número está dentro do intervalo de tolerância do sistema de metas de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

De acordo com a pesquisa semanal do BC, o reajuste das tarifas de serviços públicos deve ser maior do que o imaginado antes e pesar mais nas contas da inflação. A previsão para o aumento dos preços administrados aumentou de 8% para 8,2%. É a sexta semana seguida que esse número aumenta. O maior peso dele é o reajuste da conta de luz.


QUEDA NA PREVISÃO DO PIB

Não é apenas a projeção para a inflação que piorou. A estimativa de crescimento neste ano também caiu. Os analistas do mercado diminuíram a perspectiva para a expansão da economia brasileira de 0,4% para 0,38% em 2015.

Essa queda foi reflexo de um forte ajuste nas apostas para a indústria neste ano. O crescimento do setor deve ser de apenas 0,71%. Na semana passada, esse número era de 1,02%.

Para o ano que vem, os analistas mantiveram as expectativas para inflação oficial em 5,7% e a do crescimento do país em 1,8%. Por outro lado, reduziu a projeção para preços administrados de 6% 5,9%.



 

BC eleva previsão de saldo negativo no ano a US$ 86,2 bilhões



As contas externas registraram o maior déficit da história para meses de novembro, US$ 9,3 bilhões, informou o Banco Central (BC). Esse foi o pior desempenho desde que o BC passou a registrar os dados em 1947.

Nos 11 primeiros meses deste ano, as transações correntes (resultado de todas as trocas de serviços e comércio do Brasil com o resto do mundo) acumulam um rombo de nada menos que US$ 80 bilhões: também o mais alto já visto no período.

No mesmo período do ano passado, o déficit estava em US$ 72,4 bilhões. No acumulado em 12 meses encerrados em novembro, o rombo nas contas externas já chega a R$ 88,7 bilhões, o que equivale a 4,05% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país).

Os investimentos estrangeiros diretos (IED) no Brasil recuaram em novembro quando comparados com o mesmo mês do ano passado. Segundo os dados do BC, o total registrado em 2014 ficou em US$ 4,644 bilhões, contra US$ 8,334 bilhões em 2013. Já no acumulado em 11 meses, o IED chega a US$ 55,845 bilhões, contra US$ 57,520 bilhões no ano passado.

De acordo com o relatório do Banco Central, as despesas dos brasileiros com viagens internacionais voltaram a cair em novembro. Os gastos foram de US$ 1,2 bilhão: 4,1% menores que os desembolsos das famílias nas férias do mesmo mês do ano passado.

DETERIORAÇÃO DO COMÉRCIO EXTERIOR AFETOU DESEMPENHO

O chefe do departamento econômico do Banco Central, Túlio Maciel, afirmou nesta sexta-feira que a deterioração do comércio exterior foi o principal responsável pela piora nas contas externas até novembro de 2014.

No mês passado, o saldo da balança comercial registrou um déficit de U$ 2,351 bilhões. Já no mesmo período de 2013, o resultado era um superávit de US$ 1,739 bilhão. No ano até novembro, a balança registra um déficit comercial de US$ 4,223 bilhões.

— As perdas na balança explicam essa piora no déficit em transações correntes. Temos observado nos últimos meses uma queda expressiva nos preços dos produtos de nossa pauta de exportações — disse Maciel.

Ele também explicou que a alta do dólar ajudou a reduzir os gastos dos brasileiros no exterior:

— Aquele crescimento que nós observávamos em viagens internacionais desacelerou. Isso reflete sobretudo o encarecimento do dólar.

BC ELEVA ESTIMATIVA DE DÉFICIT PARA O ANO

O Banco Central também divulgou nesta sexta-feira suas novas projeções para o comportamento das contas externas em 2014 e em 2015. De acordo com o documento, o déficit em transações correntes deve terminar este ano em US$ 86,2 bilhões, ou 3,94% do PIB. A projeção anterior era de US$ 80 bilhões, ou 3,52% do PIB. Para o próximo ano, a expectativa da autoridade monetária é que o déficit diminua um pouco, fechando 2015 em US$ 83,5 bilhões, ou 3,80% do PIB.

A visão mais otimista para o desempenho das contas externas, segundo Maciel, se deve, em parte, ao aumento da cotação da moeda americana, que favorece as exportações de produtos brasileiros. Ele lembrou que também há uma expectativa de maior crescimento da economia mundial, o que também é favorável para o comércio brasileiro.



A estimativa para o ingresso dos Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) no Brasil em 2014 permaneceu em US$ 63 bilhões. Para 2015, o número deve subir levemente, para US$ 65 bilhões.

O BC reviu para baixo as estimativas para os gastos dos brasileiros no exterior em 2014. A projeção foi reduzida de US$ 18,5 bilhões para US$ 18,3 bilhões. O número, no entanto, deve subir para US$ 18,5 bilhões em 2015.

A projeção da autoridade monetária para o desempenho da balança comercial em 2014 passou de um superávit de US$ 3 bilhões para um déficit de US$ 2,5 bilhões. Se confirmado, esse será o primeiro resultado negativo em 14 anos e o pior desde 1998, quando a balança registrou déficit de US$ 6,6 bilhões. Para 2015, a estimativa do BC é de um superávit comercial de US$ 6 bilhões.



 

 

 

Distribuidoras de energia vão pedir  revisão extraordinária de tarifas

As distribuidoras de energia vão apresentar na primeira semana de janeiro de 2015 à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) os pedidos de revisão extraordinária de tarifas. O presidente da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Fonseca, disse que se reuniu com os diretores da Aneel e que houve a sinalização de que estão dispostos a analisar os pedidos das empresas individualmente. Ele explicou que existe uma cláusula no contrato que permite o uso deste expediente quando o problema do descasamento entre receita e despesa for muito grande.

— A orientação da Abradee é que as distribuidoras que tiverem necessidade peçam a revisão extraordinária. Durante reunião com a Aneel apresentamos nossa preocupação. Uma das formas é a revisão extraordinária de tarifas, mas ela não pode ser única para todas as distribuidoras, tem que ser calculada de forma individualizada, estamos discutindo com regulador estes números - explicou.

Nelson Fonseca disse que nos cálculos para a revisão extraordinária deverá ser feita uma projeção de gastos futuros, mês a mês, concatenados com o que elas vão receber dos consumidores. Para ele, precisa ter realismo tarifário, que é repassar os custos adicionais para as tarifas.

Os custos extras acumulados para ser feita a revisão extraordinária são a liquidação dos gastos das distribuidoras com a compra de energia térmica nos meses de novembro e dezembro, que segundo fontes do mercado chegam a R$ 3 bilhões. Também o atrasado do Tesouro da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para subvenções tarifárias, pagas para irrigantes e consumidores rurais, R$ 2,1 bilhões. Além do aumento da energia da usina hidrelétrica de Itaipu, que é paga por todos as distribuidoras do Sul, Sudeste e Centro-oeste, que começa a valer a partir de janeiro, que foi de 46,14%, representando R$ 4 bilhões no ano.

O sistema de bandeiras tarifárias, que começa a vigorar a partir de janeiro, disse o presidente da Abradee, é realismo tarifário, permite o uso racional da energia, dá um sinal de preço, para que o consumidor tenha um consumo consciente. Ele explicou que não é definida uma bandeira única para o Brasil inteiro, tem quatro subsistemas no país. Em 2014, disse, somente teve bandeira amarela, no mês de janeiro, o restante do ano foi vermelha, e no subsistema Sul, em julho foi amarela. A perspectiva para janeiro de 2015, segundo ele, que somente deve ser divulgada no próximo dia 23, deve ser também de bandeira vermelha.

Quanto a mudança na bandeira tarifária, Nelson Fonseca disse que não foi uma proposta da Abradee, e para ele tem prós e contras e que precisa ainda de um decreto para fazer a mudança.

— Não temos nenhuma empresa que gere excedentes de recursos com a bandeira tarifária — afirmou, sem querer entrar em detalhes sobre a proposta da Aneel.



 

BC diz que queda do petróleo vai ajudar balança comercial brasileira



O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmou que a queda dos preços do petróleo no mercado internacional deve ajudar a balança comercial brasileira. Segundo ele, se o barril continuar a ser cotado na faixa de US$ 55 a US$ 60, o Brasil, que é importador líquido dessa commodity, pode conseguir uma economia de US$ 5 bilhões a US$ 10 bilhões.

— Nós ainda somos importadores líquidos de petróleo. Sustentados esses níveis, na faixa de US$ 55 a US$ 60 o barril, nós teríamos um benefício na balança comercial de US$ 5 bilhões a US$ 10 bilhões de economia. Isso é para não dizer que serão apenas desafios neste processo. Você tem esse aspecto favorável — disse Tombini ao participar de café da manhã com jornalistas.

O presidente do BC reafirmou que a autoridade monetária trabalha para fazer a inflação convergir para o centro da meta, de 4,5% ao ano, até dezembro de 2016. E garantiu que o governo vai cumprir a meta em 2014:

— O nosso objetivo é trazer a inflação para o centro da meta em dezembro de 2016. Vamos passar por debaixo do limite superior este ano. Ela vai ficar abaixo de 6,5%. E passar por debaixo do limite superior em 2015 para depois trazer para o centro da meta.

Tombini disse que o BC vai definir nos próximos dias os parâmetros para a realização dos leilões de swap cambial a partir de 2015. Essas operações, conhecidas como a ração diária do mercado, funcionam como uma venda de dólares no mercado futuro e ajudam a baixar a cotação da moeda americana no mercado à vista. Segundo ele, a oferta diária será de, no mínimo, US$ 50 milhões, e, no máximo, US$ 200 milhões.

— A proteção cambial que nós fornecemos para a economia por meio dos leilões de swap cambial são cumulativas e dão uma proteção que você não tinha antes. Ontem, eu mencionei que vamos, nos próximos dias, definir os parâmetros para a oferta de swap para janeiro de 2015. Isso tudo faz parte de um processo de atingir o nosso objetivo interno de trazer a inflação para a meta.




 

Tombini: inflação atingirá pico no 1º trimestre de 2015


 

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmou que a inflação deve começar 2015 elevada e atingirá seu pico no primeiro trimestre. Ao participar de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, Tombini explicou que isso se deve a um ajuste de preços que vai ocorrer na economia brasileira. Mas destacou que já no segundo trimestre os índices de preços devem começar um processo de convergência para o centro da meta de inflação, de 4,5%, que deve ser concluído até 2016.

— O BC trabalha para fazer a inflação convergir para o centro da meta o mais rápido possível. O horizonte relevante para isso é 2016. Mas, antes de retomar a trajetória para a meta, a inflação tende a permanecer elevada. O cenário mais provável é que o pico disso ocorra no primeiro trimestre de 2015 em função de ajustes de preços relativos. Tanto dos preços domésticos em relação aos preços internacionais e dos preços administrados em relação aos preços livres — disse ele aos senadores, acrescentando: — O Banco Central não será complacente com inflação e fará o que for necessário para viabilizar um cenário de inflação mais benigno nos período de 2015 e 2016.

Tombini também sinalizou que o BC deve manter em 2015 o programa de leilões de swap que vem sendo implementado desde 2013 para oferecer aos investidores proteção contra variações cambiais. Esses leilões hoje são diários e estão mantidos até o fim do ano. O presidente do BC, no entanto, ainda não tinha falado como seria a estratégia para o ano que vem:

— O programa de swap tem atingido plenamente seus objetivos. Desde agosto de 2013, ele permitiu amortecer a volatilidade da taxa de câmbio (...) Não ensejo no curto e médio prazo uma reversão (dessa estratégia) — explicou Tombini, acrescentando: — O Banco Central definirá (até o fim do ano) os parâmetros do programa de leilões de swaps cambiais que passará a vigorar a partir de 1 de janeiro de 2015.




 

Como se valer da chuva para o abastecimento doméstico



Em Itu, uma das cidades do interior paulista que mais sofrem com a falta d’água, muitos moradores vêm improvisando formas para captar água da chuva e usar em toda a casa. Na capital, aliás, já existe até um movimento chamado “Cisterna já", que prega justamente a construção e instalação de modelos simples, no melhor estilo “faça você mesmo". Mas será que essas medidas, um tanto improvisadas, são realmente boas soluções?

Depende. Embora caia do céu, a água captada da chuva não é assim tão limpa e, muito menos, potável. Por isso, seu uso só é indicado para fins bem simples: lavagem de pisos, carros e roupas, irrigação de jardins e nas descargas de bacias sanitárias. Para qualquer outra finalidade, a questão é polêmica até mesmo entre quem atua no setor.

RETORNO FINANCEIRO EM 4 A 5 ANOS

Há quem defenda que o uso de cloro, como num tratamento parecido com o das piscinas, seria suficiente para matar os micro-organismos que possam estar presentes nessa água, tornando assim seu uso possível para tomar banho, cozinhar, beber. Mas, para a maioria, a prática está longe de ser recomendável. E só seria aceitável em situações realmente emergenciais, num momento de muita crise, como as secas do Nordeste, e a que vive Itu atualmente.

— Existe um nível de potabilidade exigido pelo Ministério da Saúde. E isso, um leigo não consegue controlar em casa. Até porque o tratamento deve ser permanente e esses níveis variam muito — diz o engenheiro sanitarista Eduardo Pacheco, do Portal Tratamento da Água.

Pacheco alerta ainda para os riscos de acidente durante a manipulação dos produtos químicos. Segundo ele, esse é um tipo de serviço que só deveria ser feito por profissionais treinados:

— Imagina se o porteiro de um prédio vai jogar cloro na água e esse cloro pinga em seu olho. Há risco de cegueira.

Por isso, antes de investir num sistema de captação da chuva, que custa, em média, R$ 9 mil para cisternas de até cinco mil litros, é preciso checar até que ponto o uso dessa água justificaria os gastos com a instalação.

Em geral, o retorno financeiro demora de quatro a cinco anos, de acordo com os gastos da família. Em média, o gasto diário de água de uma família de quatro pessoas é de 800 litros. E para que o sistema valha a pena, ele deve proporcionar uma economia de pelo menos um terço dessa quantidade.

— Armazenar água da chuva só para regar jardim pode não fazer sentido. Até porque, se está chovendo, ele não precisa ser regado. Mas há situações em que o sistema se torna interessante. Então, tem de verificar os índices pluviométricos, as capacidades de captação (tamanho do telhado) e armazenamento — ensina Luiz Henrique Ferreira, diretor da Inovatech Engenharia, uma consultoria de sustentabilidade.



O funcionamento do sistema em si é simples e pode ser dividido em duas partes. A captação é feita por uma calha no telhado, que pode ou não ter uma grade para barrar folhas e galhos. A água passa por um filtro que vai retirar a maior parte dos resíduos. Um “freio” — nada mais que uma curva na tubulação — diminui o ritmo de entrada da água na cisterna decantando detritos menores que se depositam no fundo.

A medida mantém a água limpa o suficiente para os usos não potáveis. Na segunda parte, que nem sempre é instalada, uma tubulação leva a água para um reservatório exclusivo. Daí ela pode seguir para bacias sanitárias, máquinas de lavar roupa e tanques.

Em alguns casos, geralmente em construções novas, conjugam-se dois sistemas: o que faz a captação da chuva com o que faz o reuso de águas cinzas, aquelas que saem de chuveiros, pias e lavagem de roupas. Indicadas para os mesmos usos não potáveis, essas águas podem ser levadas ao mesmo reservatório, mas esse sistema exige uma segunda tubulação. Há ainda um realimentador que aciona o hidrômetro geral quando a quantidade da água de reuso ou a da chuva não é suficiente.

Vale lembrar: não há qualquer ligação da tubulação que carrega essas águas com a da caixa potável.

PROCURA POR SISTEMAS CRESCEU 300%

Com a crise dos últimos meses, a procura por sistemas de captação da água da chuva e de reuso cresceu enormemente, especialmente em São Paulo. Só na Ecocasa, uma das empresas que fornece o sistema para residências, a procura aumentou 300%.

Boa parte dessa demanda é para construções já existentes. Mas, nesses casos, a instalação de sistemas completos, além de cara, é bastante trabalhosa já que exige uma obra extensa e complexa, justamente para separar as tubulações — afinal, as águas cinzas e da chuva não podem ser misturadas à potável, fornecida pela concessionária. O que vem acontecendo é que muita gente tem optado por instalar apenas a primeira parte, justamente para fugir da obra.

— Não faço projetos que não contem com sistemas assim. A gente tem que ter responsabilidade com os recursos naturais. Em casas ou prédios prontos, a obra é complexa, mas, ainda assim, válida — diz o arquiteto Antônio Goulart.

Segundo Goulart, com cerca de R$ 5 mil seria possível instalar um sistema mais simples com cisterna de até 3 mil litros, o suficiente para cerca de 15 dias. A defesa principal, nesse caso, é que não se pode mais usar água potável para lavar as áreas comuns de prédios ou irrigar jardins. E é também dessa ideia que nascem movimentos como o paulista “Cisterna já”, que vem realizando encontros para ensinar a construir uma cisterna artesanal, feita com bombonas.

— A gente precisa aliviar a demanda sobre os nossos reservatórios. Até ontem, a sociedade brasileira achava que estava nadando em água. A hora de começar uma transição é agora — defende Claudia Visoni, jornalista e ambientalista que participa do movimento “Cisterna já”.

Luiz Henrique Ferreira, da Inovatech, concorda. Para ele, o problema é o desperdício:


Se a gente usasse água potável somente para beber, tomar banho e cozinhar, essa discussão estaria fora do contexto.

Para o engenheiro sanitarista Eduardo Pacheco, a questão é de planejamento governamental. Ainda que seja válida a instalação de sistemas caseiros, a solução para a atual crise hídrica é que esses sistemas sejam em larga escala:

— Tem que aproveitar água da chuva, tratar esgoto, fazer o reuso de efluentes domésticos em vez de jogá-los no mar. Isso já é feito em outros países e é a solução para qualquer metrópole. Desde que feito em larga escala, pelos governos.

 

Fazenda adota medidas polêmicas que terão impacto nas contas públicas


 

O Palácio do Planalto deixou para a atual equipe econômica as medidas que terão impacto negativo nas contas públicas, antes de mudar os rumos da política fiscal. O governo autorizou aportes do Tesouro em bancos públicos, sendo R$ 30 bilhões para o BNDES e R$ 1 bilhão para o Banco da Amazônia. E permitiu que o Tesouro dê garantias a uma operação com a Eletrobras para reforçar o caixa da Petrobras. A futura equipe econômica, anunciada mas não empossada, foi preservada dessas operações, consideradas pouco transparentes pelo mercado.

Nos bastidores, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, está incomodado com a situação e já disse à presidente Dilma Rousseff que gostaria de deixar o cargo imediatamente. Segundo interlocutores do Planalto, Dilma pretende fazer a troca no início de 2015. Os futuros ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, não querem assumir agora.

— Levy não quer assinar uma série de decisões que não tomou e com as quais não concorda — disse uma fonte do Planalto.

Os futuros ministros trabalham na montagem de equipes. Barbosa deve levar o secretário-executivo-adjunto da Fazenda, Dyogo Oliveira, para ser o número dois no Planejamento. Entre os cotados para secretário do Tesouro estão Tarcísio Godoy, ex-secretário-adjunto do Tesouro, e Eduarda de la Roque, presidente do Instituto Pereira Passos.



 

Banco Central  vê inflação elevada em 2015

A inflação tende a permanecer elevada em 2015, segundo o Banco Central, mas deve entrar "em longo período de declínio". A avaliação está na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, divulgada. Na reunião, realizada na semana passada, o BC elevou para 11,75% a taxa básica de juros, a Selic.

O Banco Central também avalia que a inflação só deve ir para 4,5% (o valor central da meta do governo) em 2016.

"O Copom destaca que, em momentos como o atual, a política monetária [definição de juros para conter a inflação] deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos doze meses, persistam no horizonte relevante para a política monetária [até o fim de 2016]", informou o Banco Central, na ata do Copom.

Com taxas maiores, a instituição busca reduzir o crédito disponível e, assim, o dinheiro em circulação. Dessa forma, é possível diminuir a quantidade de pessoas e empresas dispostas a consumir bens e serviços, e, teoricamente, os preços tendem a cair ou parar de subir.

No documento, o BC indicou ainda que novas altas de juros devem ser feitas como moderação: considerando os "efeitos cumulativos e defasados da política monetária" [altas de juros já implementadas até o momento], o "esforço adicional de política monetária [próximos aumentos de juros] tende a ser implementado com parcimônia".

PIB patina, mas inflação segue alta
A aceleração do aumento de juros, conduzida na semana passada pelo Banco Central, aconteceu em um cenário de estagnação da economia brasileira, mas com inflação ainda resistente. O Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas, avançou somente 0,2% de janeiro a setembro deste ano. No terceiro trimestre, a economia brasileira saiu da recessão técnica registrada na primeira metade do ano, mas com uma alta de somente 0,1% no PIB.

Ao mesmo tempo, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, somou 6,56% em doze meses até novembro, completando quatro meses acima do teto de 6,5% do sistema de metas de inflação brasileiro. A meta, porém, vale somente para anos fechados. O mercado e o Ministério da Fazenda acreditam que a inflação ficará abaixo do teto de 6,5% neste ano.

"Para o Copom, o fato de a inflação atualmente se encontrar em patamares elevados reflete, em parte, a ocorrência de dois importantes processos de ajustes de preços relativos na economia – realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais [alta do dólar] e realinhamento dos preços administrados em relação aos livres [aumento de tarifas, como energia, e gasolina, por exemplo]. O Comitê considera ainda que, desde sua última reunião, entre outros fatores, a intensificação desses ajustes de preços relativos na economia tornou o balanço de riscos para a inflação menos favorável", informou o Copom.

Próximos passos do BC nos juros
Ao subir os juros na semana passada, o Banco Central já havia informado que as próximas elevações da taxa Selic seriam feitas com "parcimônia", conforme foi reafirmado na ata da reunião divulgada nesta quinta. O mercado financeiro já prevê, com isso, uma desaceleração no ritmo de alta da taxa básica da economia, para 0,25 ponto percentual, em janeiro – para 12% ao ano.

Permanece, entretanto, a dúvida sobre qual será o tamanho do ciclo de alta dos juros, ou seja, quantas elevações serão feitas. Até a semana passada, a expectativa dos economistas dos bancos era de que o BC promoveria mais três aumentos seguidos de 0,25 ponto percentual – até 12,5% ao ano – em abril de 2015.

O Copom avaliou ainda que a demanda agregada tende a se apresentar relativamente robusta no horizonte relevante para a política monetária, ou seja, até o fim de 2016.

"De um lado, o consumo das famílias tende a registrar ritmo moderado de expansão, devido a efeitos de fatores de estímulo como o crescimento da renda e a expansão moderada do crédito; de outro, condições financeiras relativamente favoráveis, concessão de serviços públicos, ampliação das áreas de exploração de petróleo, entre outros, tendem a favorecer a ampliação dos investimentos. Por sua vez, as exportações tendem a ser beneficiadas pelo cenário de maior crescimento de importantes parceiros comerciais e pela depreciação do real", informou.

Segundo o Banco Central, esses elementos citados, assim como "os desenvolvimentos no âmbito parafiscal" (superávit primário feito pelo setor público) e no mercado de ativos (preço do dólar, por exemplo), são "partes importantes do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas, que, na visão do Comitê, tende a ocorrer em 2016".

 

Petrobras  faz Bolsa operar abaixo dos 50 mil pontos

 

O inferno astral pelo qual a Petrobras atravessa nesse ano leva a Bolsa brasileira para o terreno negativo. O movimento de queda se acentuou após a abertura dos negócios nos Estados Unidos, onde escritórios de advocacia já entraram com processos contra a estatal brasileira, alegando que a corrupção na empresa contribuiu para a desvalorização das ações. O  Ibovespa, principal indicador do mercado acionário local, opera em queda de 1,17%, aos 49.608 pontos. Já o dólar comercial opera com leve queda.

Entre as ações do índice com maior liquidez, os papéis da Petrobras são os que apresentam queda mais significativa. As ações preferenciais (sem direito a voto) registram recuo de 3,60%, cotados a R$ 10,94, e os ordinários (com direito a voto) caem 3,50%, a R$ 10,18. Essa queda ficou maior após as 12h30 (horário de Brasília), quando teve início as negociações nas Bolsas americanas.

Além das investigações no Brasil, a Petrobras terá que lidar agora com processos judiciais nos Estados Unidos. Ao menos três escritórios americanos já entraram com ações contra a estatal, alegando que os investidores perderam dinheiro devido ao esquema de corrupção. Outro fator negativo para a estatal é a queda do preço do barril de petróleo no exterior. O do tipo Brent, um dos mais negociados, está sendo negociado a US$ 66,03 o barril, ante mais de US$ 100 em meados de junho.

Segundo o operador de uma corretora brasileira, a queda da Bolsa é justificada pela falta de notícias positivas em relação à economia brasileira e ao agravamento da situação da Petrobras. O temor é que esses processos de investidores resultem em multas elevadas, piorando ainda mais a delicada situação de caixa da estatal. Além disso, com juros em patamares elevados - a Selic está em 11,75% ao ano -, o atrativo para aplicar em ações é menor. Na sexta-feira, a estatal irá divulgar o balanço do terceiro trimestre, mas sem o aval de uma auditoria independente.

Vale e bancos também em queda

Além da Petrobras, outras ações que possuem peso relevante na composição do Ibovespa também operam em queda. No caso da Vale, o recuo é de 1,75% nos papéis preferenciais e de 1,73% nos ordinários. A mineradora é afetada pela queda do preço do minério de ferro no mercado externo.


Há motivo para a Bolsa cair. Não tem notícia positiva internamente. Pode ocorre uma pequena correção técnica, mas não há motivo para subir. As commodities em queda também não ajudam. E os investidores não veem atrativo para ir para a Bolsa com um juro tão alto — afirmou.

O setor bancário, o mais representativo no Ibovespa, também opera em queda. As ações do Itaú Unibanco caem 1,76% e as do Bradesco caem 2,14%. Já no caso dos papéis do Banco do Brasil, a desvalorização é de 2,38%.

No mercado externo, o índice DAX, de Frankfurt, tem elve alta de 0,18%, enquanto o CAC 40, da Bolsa de Paris, opera em queda de 0,45%. O FTSE 100, de Londres, registra desvalorização de 0,11%. Nos Estados Unidos, as quedas são um pouco mais expressiva. O Dow Jones cai 0,69% e o S&P 500 tem recuo de 0,55%. Já o Nasdaq cai 0,31%.



 

Não há 'improvisação' nos juros, sobre aumento após eleições

 

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, declarou que o cronograma das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), que definem o nível do juro básicos da economia brasileira, é feito com antecedência e acrescentou que não há “improvisação” em relação ao tempo em que as decisões sobre a taxa Selic são tomadas.

As declarações de Tombini são uma resposta a parlamentares de oposição que questionaram o momento em que o processo de aumento dos juros foi retomado – somente em outubro, ou seja, após o segundo turno das eleições presidenciais. Ele participa de audiência pública na Comissão Mista de Orçamento (CMO). “Não mudou a atitude do BC. Mudaram as circunstâncias”, afirmou ele.

De acordo com Tombini, o cronograma [das reuniões do Copom] é definido com um ano de antecedência. “Não há improvisação em relação ao tempo em que as decisões são tomadas”, declarou o presidente do BC, acrescentando que, entre as reuniões do Copom de setembro e outubro deste ano, o dólar registrou uma alta de cerca de 10% – o que melhora o cenário para as exportações, mas que também torna as compras do exterior mais caras, gerando assim mais pressões inflacionárias.

“Em setembro, quando decidimos não subir [a taxa de juros], a narrativa do BC era de que, no ‘horizonte relevante’ [próximos anos], nós não contemplávamos qualquer redução na taxa [de juros]. Em setembro, o dólar, no mercado doméstico, estava em R$ 2,25, na última reunião antes da eleições. Até a reunião seguinte, em 28 e 29 de outubro, o dólar foi para faixa de R$ 2,50 a R$ 2,55. Tivemos uma desvalorização nominal da ordem de 10% do real [e consequente alta do dólar]”, declarou Tombini.

Segundo ele, não foi somente o real que se desvalorizou entre setembro e outubro. “Foi uma valorização generalizada do dólar no globo. Nossa estratégia [em setembro], que era totalmente válida, não contemplava redução dos juros [nos próximos meses]. Começamos a mudar já ao longo de outubro. No relatório de inflação [divulgado no fim de outubro], o diretor [do BC, Carlos Hamilton] apresentou visão coletiva que estratégia não era apenas não reduzir os juros, dizendo também que não haveria complacência do BC [com a inflação]”, acrescentou o presidente da autoridade monetária.

Tombini avaliou que existe, neste momento, um movimento global de “fortalecimento do dólar” por conta das perspectivas em relação à política monetária (possível aumento de juros) dos Estados Unidos. “Em função da perspectiva de continuar a economia americana crescendo mais do que as outras áreas economcias, há um movimento global do dólar [de valorização]. O real também se desvalorizou. O regime de câmbio flutuante é deixar se ajustar em função do movimento global”, afirmou. Mais cedo, ele disse que há perspectiva de alta do dólar em 2015.

O presidente do BC disse também que o processo de aumento dos juros no Brasil, que foi retomado em outubro desse ano, visa combater os efeitos secundários da alta do dólar e dos preços administrados (tarifas públicas, como energia, combustíveis e de ônibus urbanos, por exemplo), de modo que eles “não se espalhem para a economia”.

 

Zona Franca de Manaus fecha 10 mil vagas



A estagnação da economia atinge em cheio dois dos principais polos industriais da Zona Franca de Manaus: duas rodas e eletroeletrônicos. E a tendência é a situação piorar em 2015, com o anunciado corte nos gastos públicos. A Zona Franca emprega 120 mil trabalhadores e tem contribuído para a geração de cerca de dois milhões de empregos indiretos em todo o país. Neste ano, entretanto, o polo industrial deve fechar 10 mil vagas, segundo estimativas do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam). E as contratações temporárias para o Natal caíram mais da metade, de 9,5 mil trabalhadores para 3,2 mil.

O diagnóstico de empresários e sindicalistas da região é que as razões da crise são a restrição ao crédito para aquisição de motocicletas, principalmente de baixa cilindrada (até 150 e usadas para trabalho de motoboys e mototaxistas) e a queda nas vendas de eletroeletrônicos, decorrente do esfriamento da economia. O quadro se agrava diante da falta de uma política industrial que estimule o desenvolvimento da região e de investimentos em pesquisa e em novas tecnologias. Os gargalos na infraestrutura local são um ingrediente a mais na piora da competitividade da Zona Franca.

As fábricas da Honda e da Yamaha demitiram este ano cerca de seis mil trabalhadores. O setor de eletroeletrônicos também vem eliminando vagas. Mas, além da queda nas vendas, boa parte dos cortes está concentrada em fábricas em processo de estruturação e que perderam mercado para as gigantes LG e Samsung, com tecnologia mais avançada.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, Valdemir Santana, cita alguns exemplos de empresas que perderam espaço no mercado e estão enxugando o quadro de funcionários. A Philco, que foi vendida e teve a marca alugada para a Britânia, e a Lenovo (antiga CCE) vivem esse processo. Juntas, estas fábricas já demitiram 2,5 mil trabalhadores. Sony, Panasonic e Semp Toshiba, que empregavam em torno de nove mil funcionários e atualmente têm três mil, engrossam a lista.

Entre quinta e sexta-feira da semana passada, o sindicato homologou cerca de cem rescisões de trabalhadores da Semp Toshiba. Ligadas ao setor de eletroeletrônicos, as fábricas de plástico acumulam quatro mil demissões, pelas contas da entidade, motivadas principalmente pela proliferação das tevês com tecnologia LED, que utilizam menos esses materiais.


FALTA DE QUALIFICAÇÃO DE PESSOAL

Mãe de três filhos, a assistente administrativa Ana Carolina Gomes, de 27 anos, foi demitida em outubro pela Philco, onde trabalhava desde 2012. Alegaram corte de custos. Outros 500 colegas também foram desligados na mesma época. Conseguir um novo emprego na região não está fácil.



Quando surge uma vaga, eles exigem muita experiência, qualificação e cursos de especialização. Acontece que a gente não tem dinheiro para pagar esses cursos — queixa-se Ana Carolina.

O gerente de Relações Institucionais da Honda, Mário Okubo, informa que a fábrica deixará de produzir neste ano entre 120 mil e 130 mil motocicletas, queda de 10% em relação ao ano anterior. A fábrica suspendeu o expediente nas sextas-feiras em setembro e outubro e demitiu. Segundo o executivo, as vendas caíram devido às restrições ao crédito: de cada dez pedidos, oito são recusados pelas financeiras. Antes, era o inverso. Para ele, a situação tende a piorar em 2015, com a promessa de ajuste nas contas públicas, aumento nos juros e menos incentivo ao consumo.

O presidente do Sindicato da Indústria de Aparelhos Eletroeletrônicos de Manaus, Celso Piacentini, disse que a situação não chega a ser “catastrófica” porque as empresas de tecnologia de ponta acabam absorvendo trabalhadores. Ele considera as demissões entre novembro e dezembro sazonais, pois nesse período do ano a indústria já produziu as encomendas. Destaca ainda que houve uma antecipação das vendas de televisores com a Copa do Mundo. Reforça, entretanto, a avaliação de que 2015 será um ano difícil:

— Prevemos um futuro mais apertado.

 

Proposta do governo reduz a 0,8% previsão de PIB para 2015

 


O governo deu o primeiro passo concreto para tentar resgatar a credibilidade da política fiscal. O Ministério do Planejamento enviou ao Congresso uma proposta para alterar o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2015, ajustando os parâmetros econômicos ao discurso dos futuros ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa. Eles prometeram trabalhar com números mais realistas e próximos às projeções do mercado financeiro. Assim, a estimativa para o crescimento da economia no ano que vem foi reduzida de 2% para 0,8%. Os analistas do mercado, por sua vez, esperam uma alta de 0,77%.

O novo texto mostra que o governo adotará o conceito de meta efetiva de superávit primário, deixando claro qual será o esforço para pagar os juros da dívida pública. Antes, o governo adotava uma meta cheia, da qual fazia descontos como, por exemplo, com investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A proposta informa que a meta de superávit fiscal do setor público consolidado será de R$ 66,3 bilhões, ou 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país). Esse número já considera os abatimentos legais previstos com o PAC. Na proposta original para 2015, a meta cheia era de R$ 143,3 bilhões, caindo para R$ 114,7 bilhões, ou 2% do PIB, com os descontos do PAC. Ainda no texto encaminhado na quarta-feira, a meta do superávit primário baixou de 2,5% para 2% do PIB para os anos de 2016 e 2017.



Ao longo de 2014, a equipe econômica mudou seu compromisso fiscal diversas vezes. A LDO deste ano previa uma meta cheia de primário para o setor público de R$ 167,4 bilhões, ou 3,1% do PIB (sendo que R$ 116,07 bilhões, ou 2,15% do PIB, cabiam ao governo central) com a possibilidade de um abatimento de R$ 67 bilhões com PAC e desonerações. No entanto, diante das dificuldades para fechar as contas, a equipe passou a se comprometer com um resultado de R$ 99 bilhões, ou 1,9% do PIB para o setor público. Esse número também se tornou inalcançável.

Os técnicos, então, começaram a falar apenas no esforço do governo federal e prometeram chegar a um primário mínimo de R$ 49,1 bilhões (saldo que considera o desconto total de R$ 67 bilhões da meta original do governo central, de R$ 116,1 bilhões). Nada disso foi cumprido e foi preciso pedir ao Congresso uma alteração da LDO de 2014 que, na prática, libera o governo do cumprimento da meta.

O discurso agora é outro. O que se quer mostrar é um número que será efetivamente realizado. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, a ideia do novo projeto foi justamente mostrar projeções que não deixem dúvidas sobre a intenção da futura equipe econômica de conduzir uma política fiscal realista e mais austera:

— Não há aqui tentativa de se produzir um número mágico — disse uma fonte da área econômica.

Pelo novo texto, o governo federal fará um primário de R$ 55,3 bilhões, ou 1% do PIB no ano que vem. Já estados e municípios terão que poupar o equivale a R$ 11 bilhões, ou 0,2% do PIB. No entanto, caso os governos regionais não atinjam a meta estimada, o governo federal compensará a eventual diferença. O desconto previsto com o PAC foi mantido em R$ 28,7 bilhões, ou 0,5% do PIB.

PREVISÕES MAIS REALISTAS PARA DÍVIDA

A proposta também traz previsões mais realistas para o comportamento da dívida pública, que ficará estável nos próximos dois anos e só cairá a partir de 2017. O endividamento líquido do setor público é projetado em 37,4% do PIB para 2015; em 37,4% para 2016; e em 37,1% em 2017. Os valores são bem maiores que os incluídos originalmente na proposta da LDO do ano que vem. Eles eram de 33% do PIB para 2015; 32,1% para 2016; e 31,1% para 2017. Os técnicos da equipe econômica explicaram que a forte elevação nas projeções de dívida, como proporção do PIB, se deve não apenas à nova meta de superávit, mas também à revisão para baixo da taxa de crescimento da economia.

Há ainda estimativas para o comportamento da dívida bruta. Ela é projetada em 64,1% do PIB para 2015; 63,3% para 2016; e em 62,5% para 2017. Em seu discurso no dia em que foi confirmado para comandar a Fazenda, Levy afirmou que a futura equipe econômica realizaria um primário suficiente para estabilizar e reduzir o endividamento bruto do país.



 

Petrobras e cenário externo fazem Bolsa brasileira cair 1,23%



As notícias negativas em relação à Petrobras e o mau humor externo, com a piora da perspectiva da economia europeia, fazem a Bolsa brasileira acelerar perdas no Ibovespa.

A estatal teve a sua nota (rating) de crédito individual rebaixado na noite de quarta-feira pela agência de classificação de risco Moody's. Essa nota de gestão, sem suporte do governo, foi rebaixada de baa3 para ba1. Segundo a agência, o motivo foi "a fragilidade da governança corporativa da petroleira e sua capacidade de evitar prejuízo aos investidores causados por fraudes”. A nota global foi mantida em baa2, com perspectiva negativa, ou seja, sem alterações e ainda acima do limite do grau de investimento.

Outra razão que serviu para acelerar a queda da Bolsa foi a declaração do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, que anunciou a redução das projeções de crescimento para a região. Ele afirmou que a expansão da região continuará modesta, com inflçaão em baixa.

— Essa notícia piorou o humor dos agentes dos mercados financeiros. Já não tinha uma razão para a Bolsa brasileira subir e o lado externo acabou pesando de forma negativa — afirmou o operador de uma corretora local.

Segundo Ari Santos, gerente de renda variável da corretora H.Commcor, não há dados econômicos que ajudem na alta do Ibovespa e, para ajudar, o noticiário é negativo em relação às duas das principais empresas do índice. Além da Petrobras, a Vale sofre com a queda do preço do minério de ferro no exterior.

Os bancos são beneficiados pela alta dos juros pelo Banco Central, anunciada na quarta-feira à noite, mas isso já era esperado e já estava no preço das ações — explicou.

As ações preferenciais da estatal (sem direito a voto) operavam em queda de 3,37% e as ordinárias (com direito a voto) recuavam 3,58%. No caso da Vale, a queda é um pouco menor. Os papéis preferenciais recuam 1,54% e os ordinário têm queda de 1,23%. O setor bancário, que possui a maior participação no Ibovespa, também está em terreno negativo. As ações do Itaú Unibanco têm desvalorização de 0,92% e as do Bradesco registram leve variação negativa de 0,34%. O Banco do Brasil está praticamente estável, com leve variação negativa de 0,03%.

No exterior, os índices europeus passaram a operar em queda após as declarações do presidente do BCE. O DAX, de Frankfurt, recua 0,61% e o CAC 40, da Bolsa de Paris, tem queda de 1,03%. Já em Londres, o FTSE 100 cai 0,37%.

 

Governo autoriza repasse de mais R$ 30 bilhões do Tesouro ao BNDES

 

O governo federal editou medida provisória que autoriza a União a conceder crédito de até R$ 30 bilhões ao BNDES. Segundo a MP 661, publicada no Diário Oficial da União, para realizar a operação, o Tesouro Nacional poderá emitir títulos da dívida pública.

A MP também determina que o BNDES poderá utilizar créditos da BNDESPar como contrapartida ao empréstimo. Os recursos do Tesouro serão remunerados pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).

A medida provisória também dá uma ajuda ao governo para a realização do superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública) de 2014. Segundo o texto, o Tesouro poderá utilizar superávit financeiro para a cobertura de despesas primárias obrigatórias.


Ao ser anunciado pelo Palácio do Planalto como novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy sinalizou, na semana passada, que não haverá ampliação do estoque de transferências do Tesouro para bancos públicos no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff .

— É bem entendido que, para se realizar essa trajetória para a relação dívida-PIB, o superávit primário do setor público consolidado deve alcançar valor de no mínimo 2% do PIB, na forma apurada pelo Banco Central pela metodologia “abaixo da linha”, desde que não haja ampliação do estoque de transferências do Tesouro Nacional para as instituições financeiras públicas — afirmou Levy, na ocasião.


MANOBRA TIRA REFLEXO SOBRE DÍVIDA LÍQUIDA

Segundo o discurso de Levy, essa redução nas transferências para os bancos públicos ajudará o governo a cumprir a meta de estabilizar e reduzir a relação entre a dívida bruta e o PIB. Até agora, o governo buscava manter a trajetória de queda da chamada dívida líquida do setor público em proporção ao PIB — este indicador desconta os créditos que o governo tem a receber e ficou em 36,1% do PIB em outubro.

Já a dívida bruta alcançou 62% do PIB em outubro. Na prática, esses aportes permitem ao governo pegar de volta dividendos desses bancos, com impacto positivo sobre as receitas primárias e sem reflexo sobre a dívida líquida, mas apenas sobre a bruta, o que minou a credibilidade das contas do governo nos últimos anos.

O Tesouro já havia emitido, em junho, títulos públicos para injetar outros R$ 30 bilhões no BNDES, impactando a dívida. Com isso, no ano, o aporte ao banco de fomento chegará a R$ 60 bilhões, interrompendo a trajetória de queda das injeções feitas ano a ano.

Em 2009, elas foram de R$ 100 bilhões e, em 2010, R$ 80 bilhões. Em 2011 e em 2012, os volumes baixaram para R$ 55 bilhões e R$ 45 bilhões, respectivamente, e, em 2013, somaram R$ 39 bilhões.

Segundo dados do BC, o estoque de repasses de recursos do Tesouro para o BNDES estava em R$ 456,520 bilhões em outubro.

'ESTE ANO SERÁ MENOS QUE O ANO PASSADO', DIZ MANTEGA

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a autorização busca suprir a demanda para a compra de máquinas, equipamentos, caminhões, ônibus e tratores.


(A autorização é) para fechar o ano, (para) a demanda para a compra de máquinas, equipamentos, caminhões, ônibus e tratores. Isto é para este ano. No próximo ano certamente será menor — disse.

Questionado sobre a utilização de superávit financeiro para a cobertura de despesas primárias obrigatórias, o ministro voltou a responder sobre o crédito ao BNDES.

— Que superávit financeiro? Nós estamos liberando financiamento para a aquisição de bens de capital. Existe uma demanda e nós vamos liberar. E mesmo assim este ano será menos que o ano passado e que o ano retrasado e assim por diante — afirmou.



 

Governo diz que balança comercial fechará 2014 no vermelho



Em mais um capítulo de deterioração dos números, a balança comercial brasileira registrou um déficit de US$ 2,350 bilhões em novembro, o pior resultado para o mês desde o início da série histórica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em 1994. As exportações somaram US$ 15,646 bilhões e as importações, US$ 17,996 bilhões.

No acumulado do ano, o comércio exterior apresentou um saldo negativo de US$ 4,221 bilhões, o maior desde 1998, período em que a conta ficou no vermelho em US$ 6,112 bilhões. As vendas externas totalizaram US$ 207,611 bilhões e as importações, US$ 211,832 bilhões.

O diretor do departamento de Estatística e Apoio à Exportação do Ministério do Desenvolvimento, Roberto Dantas, disse que o déficit acumulado de janeiro a novembro deste ano, de 4,2 bilhões, leva o governo a projetar, pela primeira vez, a possibilidade de um saldo negativo na balança comercial de 2014. Até então, a expectativa oficial era de um pequeno superávit.

- Embora, tradicionalmente, o número de dezembro seja superavitário, ainda assim não esperamos mais um resultado positivo. Houve mudança de expectativa de superávit, ainda que pequeno, para déficit - disse Dantas, sem revelar qual seria a nova projeção.

A principal razão apontada pelo técnico é a queda dos preços das commodities. Não houve recuperação do preço do minério de ferro e a cotação do petróleo não para de cair.

Queda de 25% das exportações em novembro

Sem os embarques da safra de grãos e fortemente afetada pela queda dos preços das commodities no mercado internacional, as exportações realizadas em novembro caíram 25% ante o mesmo mês do ano passado. As vendas externas de soja diminuíram 76,6%; minério de ferro, 47,5%; fumo em folhas, 43,2%; e milho em grão, 32,4%.

O cenário externo é outro fator determinante para o desempenho ruim das exportações, principalmente de produtos industrializados, que ainda enfrentam perda de competitividade em terceiros mercados por causa do real valorizado frente ao dólar. As vendas de manufaturados caíram 31,7% e de semimanufaturados, 6,2%. As maiores baixas ocorreram com óleos combustíveis (55,3%), veículos de carga 46,8%), açúcar refinado (40,4%) e automóveis (39,8%).

Importações caem a taxa menos


Como reflexo do baixo aquecimento da atividade econômica, as importações tiveram uma queda de 5,9% em novembro, com reduções em todas as categorias de itens, à exceção de combustíveis e lubrificantes que tiveram alta de 9,8% ante o mesmo mês de 2013. As compras de bens de consumo diminuíram 9,3%; de matérias-primas e intermediários, 8,3%;e de bens de capital, 8,1%.

Em termos de países, os principais mercados compradores de produtos brasileiros foram, em ordem decrescente, Estados Unidos, China, Argentina, Países Baixos e Alemanha. Do lado dos maiores fornecedores ao Brasil, lideraram o ranking China, EUA, Argentina, Alemanha e Nigéria.

Nos últimos doze meses, a balança registrou um déficit acumulado de 1,572 bilhões, o que indica que o resultado do comércio exterior este ano poderá ser negativo. Mas uma avaliação mais detalhada será feita ainda nesta segunda-feira, pelos técnicos do MDIC, após a entrevista coletiva do ministro indicado da pasta, Armando Monteiro, que substituirá Mauro Borges no cargo.



 

Banco Central  está de olho em 2015

 

Para a politica monetária o ano de 2014 já terminou. As ações e atenções do Banco Central já estão voltadas para 2015. Na reunião do Copom desta semana, qualquer movimento da taxa de juros terá o objetivo de baixar a inflação do ano que vem. E a empreitada não será fácil porque serão tempos de ajustes na economia com a chegada da nova e ortodoxa equipe econômica escolhida pela presidente Dilma Rousseff.

Mesmo depois de saber que Joaquim Levy vai assumir o ministério da Fazenda com uma baita tesoura na mão para cortar gastos públicos, as expectativas para inflação em 2015 cresceram na última semana, para 6,49%, raspando no limite do sistema de metas para inflação (6,5%). Será má vontade dos economistas? Afinal, o governo já elegeu um ministro “do mercado” para comandar a política econômica e nem assim eles esperam coisa melhor para o país?

A má vontade é das contas, dos números. Se os acertos esperados forem mesmo adotados pelo governo, dificilmente teremos uma inflação muito mais baixa no ano que vem. Para lembrar, o Brasil segue com preços represados nas tarifas de energia, combustível e transporte; e manipulação na taxa de câmbio para evitar alta do dólar. O futuro ministro Joaquim Levy ainda não explicou como vai lidar com esse encarceramento – vai liberar tudo de uma vez? Aos poucos? Quem vem primeiro?

Olhando para este cenário, o mercado financeiro espera que o BC continue subindo os juros nesta última reunião de 2014. A maioria dos analistas acredita numa alta de 0,5 ponto percentual, o que elevaria a taxa básica para 11,75% ao ano. Há quem acredite numa estratégia mais gradual dos diretores do Copom, elevando os juros para 11,50%, para aguardar alguma reação da confiança e das expectativas com a chegada do novo ministro da Fazenda.

O IPCA de novembro também está na agenda da semana. Será divulgado na próxima sexta-feira pelo IBGE. Entre os que esperam uma inflação mais alta e uma mais baixa, algo em torno de 0,5%, o índice em 12 meses vai continuar rodando acima dos 6,5%, deixando para a sorte de Alexandre Tombini – presidente do BC – a incumbência de baixar os preços em dezembro, o suficiente para levar o IPCA para dentro dos limites de tolerância da meta de inflação.

Enquanto isso, na Esplanada dos Ministérios em Brasília, nós teremos um governo duplicado com dois titulares da Fazenda e dois do Planejamento. Os ministros Joaquim Levy e Nelson Barbosa foram anunciados mas não empossados. Guido Mantega e Miriam Belchior foram demitidos mas não exonerados. Seria bom o governo explicar de quem serão as decisões a partir de agora, se baseadas na “antiga” matriz econômica de Mantega ou na restauração da política econômica representada pela nova equipe.

 

PIB sobe 0,1% no terceiro trimestre e Brasil

A economia brasileira saiu da recessão técnica no terceiro trimestre de 2014. De julho a setembro, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,1% na comparação com o trimestre anterior, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A chamada recessão técnica acontece quando o PIB tem dois trimestres seguidos de queda. No primeiro e no segundo trimestres deste ano, houve quedas de 0,2% e 0,6%, respectivamente.

Na comparação com o mesmo trimestre de 2013, no entanto, houve queda de 0,2% no PIB.

Para Rebeca de La Rocque Palis, gerente da coordenação de Contas Nacionais do IBGE, o resultado de 0,1 não pode ser considerado um crescimento. “Em geral, a gente considera as taxas menos 0,5 e mais 0,5 como variações. Você não pode dizer que foi um crescimento nem que foi uma queda. Então, é perto da estabilidade para qualquer variável”.

Acumulados e expectativas
De janeiro a setembro, a economia teve expansão de 0,2% frente ao mesmo período do ano passado. Já no acumulado em quatro trimestres, a alta é de 0,7%. Em valores correntes, o PIB no terceiro trimestre de 2014 alcançou R$ 1,289 trilhão.

O mercado financeiro já espera um crescimento fraco da economia para este ano. Segundo pesquisa feita pelo Banco Central com mais de cem instituições financeiras – o Boletim Focus – a previsão dos economistas é que o PIB tenha uma alta de 0,2% no ano.

Consumo das famílias
As famílias brasileiras consumiram menos no terceiro trimestre, registrando uma queda de 0,3% frente aos três meses anteriores. Este é o pior resultado desde o quarto trimestre de 2008 (quando houve queda de -2%), segundo Rebeca, do IBGE.

Na comparação com o período de julho a setembro de 2013, houve alta marginal, de 0,1%. O IBGE aponta que um dos fatores que contribuíram para esse resultado foi o aumento de 2,9% da massa salarial. O resultado, no entanto, é o pior desde o terceiro trimestre de 2003, quando houve queda de 1,5%, segundo Rebeca.

“O crédito parou de crescer em termos reais. (...) Obviamente nós temos manutenção da inflação e juros mais altos do que tinha no ano anterior. Esse aumento também ajuda a reduzir a queda dos investimentos e do consumo”, disse.

Gastos do govermo
Em ano de eleição, os gastos do governo cresceram 1,3%, a maior alta desde o segundo trimestre do ano passado. Frente ao mesmo período de 2013, também houve expansão, de 1,9%.

Investimento
Os investimentos – chamados de formação bruta de capital fixo – também cresceram 1,3% frente ao segundo trimestre.

Na comparação com o mesmo período de 2013, no entanto, houve queda de 8,5% – justificado principalmente, segundo o IBGE, pela queda da produção interna e da importação de bens de capital. Houve influência, também, do desempenho negativo da construção civil no período. Foi o terceiro trimestre seguido de queda dos investimentos nessa comparação.

Indústria
Pela ótica da oferta, a indústria puxou a alta do PIB na passagem do segundo para o terceiro trimestre de 2014. O setor teve alta de 1,7%, com destaque para o crescimento de 2,2% da indústria extrativa mineral.

Na comparação com o mesmo período de 2013, no entanto, a indústria encolheu 1,5%. A queda foi puxada pela indústria de transformação, que recuou 3,6%, reflexo principalmente da piora na produção da indústria automotiva. Houve queda também, de 5,3%, na construção civil. Ainda nessa comparação, a indústria extrativa mineral teve expansão de 8,2%, com o aumento das extrações de petróleo e gás natural e de minerais ferrosos.

“A indústria está ainda com queda com relação ao ano anterior, mas os dados melhoraram em relação ao trimestre anterior. Até porque, no segundo trimestre tivemos menos dias úteis, tivemos paralisação por causa da Copa. O destaque foi para extrativa mineral. Foi o grande destaque da indústria. Do aumento tanto da extração de petróleo e gás quanto de minério de ferro”, explicou Rebeca .

Serviços
O setor de serviços também cresceu no terceiro trimestre, com alta de 0,5% frente aos três meses anteriores. O crescimento foi puxado por transportes, com alta de 1,4%, e intermediação financeira e seguros, que cresceu 0,6%.

Houve crescimento de 0,5% também na comparação com o 3º trimestre de 2013, com destaque para intermediação financeira e seguros (3,2%), serviços imobiliários e aluguel (2,0%) e os serviços de informação (2,0%). Já no comércio (atacadista e varejista) houve queda de 1,8%.

Agropecuária
A produção no campo teve queda de 1,9% frente ao trimestre anterior. Já na comparação com o mesmo trimestre de 2013, houve alta de 0,3%. Segundo o IBGE, esse resultado se explica pelo desempenho de alguns produtos que têm safra relevante no período e pela produtividade.

“A gente vê aqui que o café e a cana estão com perspectivas de queda, -6,6% e -5,9%, mas a laranja (3,2%), mandioca (10,1%), feijão (10,9%) e trigo (30,6%) estão com perspectiva de alta. E o café a cana pesam muito mais, são mais relevantes na economia brasileira. Então, essa queda acabou puxando um pouco a agropecuária”.

Comércio exterior
O IBGE apontou que as exportações cresceram 1% no terceiro trimestre, enquanto as importações (que contam negativamente no PIB) cresceram 2,4%.

Já frente ao terceiro trimestre de 2013, as exportações cresceram mais: 3,8%, ante alta de 0,7% nas importações. Petróleo e carvão foram destaque de crescimento.

 

Alto de preços agrícolas, IGP-M tem forte aceleração e vai a 0,98%

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) acelerou em novembro, para alta de 0,98%, informou a Fundação Getulio Vargas. Foi a maior alta desde março deste ano. Em outubro, o índice havia ficado em 0,28%. Já em novembro de 2013, a variação foi de 0,29%. No acumulado do ano, o indicador registra avanço de 3,05%. Em 12 meses, o IGP-M variou 3,66%.

Com peso de 60% sobre o resultado do IGP-M, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a inflação no atacado, foi o que mais avançou no mês: 1,26%, também maior taxa desde março. Segundo a FGV, esse resultado foi influenciado pela forte alta de itens do grupo matérias-primas brutas, como grãos e carnes. A soja em grão, por exemplo, passou de deflação de 3,21% para inflação de 6,05%. Já o milho em grãodisparou de alta de 0,15% para 10,92%.

Os alimentos in natura, que se enquadram na categoria de bens finais, também tiveram forte aceleração, de 2,04% em novembro, bem mais que em outubro, quando a variação havia sido de 0,12%. A batata-inglesa, por exemplo, passou de deflação de 11,58% para inflação de 78,88% (no atacado). Com isso, o grupo Bens Finais registrou alta de 0,69%, uma aceleração em relação ao 0,52% de outubro.

Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do IGP-M, registrou alta de 0,53% em novembro, mais intensa que em outubro, quando a taxa havia ficado em 0,46%. Nessa categoria, quatro das oito classes de despesa registraram taxas mais aceleradas. A alta mais importante ocorreu no grupo Transportes, cuja inflação passou de 0,18% para 0,52%. O resultado foi puxado pela alta da tarifa de ônibus, que passou de deflação de 0,36% para inflação de 0,36%. Os itens educação, leitura e recreação (0,06% para 0,75%) e habitação (0,47% para 0,62%) também aumentaram.

Em compensação, colaboraram para evitar um avanço maior do indicador itens como o leite in natura, que registrou deflação de 4,22% frente a alta de 0,12% no mês anterior, e o tomate, que havia subido 25,41% em outubro e, em novembro, recuou 16,86%. A banana, cuja inflação havia sido de 0,15% no mês passado, também registrou deflação, de 9,53%.

ÍNDICE É USADO PARA REAJUSTAR ALUGUEL

O IGP-M é usado como referência para a correção de valores de contratos, como os de energia elétrica e de aluguel de imóveis. O indicador é composto pelo Índice de Preços por Atacado (IPA), com peso de 60%, pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com 30%, pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), com 10%. A pesquisa é feita entre o dia 21 do mês anterior até o dia 20 do mês de referência.

 

Confiança da indústria tem maior avanço

 

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) avançou 3,6% entre outubro e novembro, ao passar de 82,6 para 85,6 pontos, o maior patamar desde junho, quando foi de 87,2 pontos, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV).

A alta foi determinada pela melhora da percepção sobre o estado dos negócios em novembro. Após seis quedas consecutivas, o Índice da Situação Atual (ISA) avançou 8,3%, para 85,9 pontos, o maior nível desde junho passado. Já o Índice de Expectativas (IE) registrou queda de 0,6%, para 85,4 pontos, depois de avançar 4,9% no mês anterior.

“Os resultados de novembro confirmam alguma melhora do ambiente de negócios no quarto trimestre de 2014, depois de três trimestres de deterioração. A acomodação do índice de expectativas, no entanto, lança dúvidas quanto à continuidade desta recuperação.”, diz Aloisio Campelo Jr., Superintendente Adjunto para Ciclos Econômicos da FGV/IBRE.

A satisfação com o ambiente geral de negócios registrou a maior influência para o aumento do Índice da Situação Atual neste mês. O indicador de situação atual dos negócios avançou 12,4% entre outubro e novembro, de 74,4 para 83,6 pontos, o maior nível desde julho passado (84,8). A proporção de empresas que consideram a situação atual boa aumentou de 7,8% para 12,8%, enquanto a parcela de empresas que a avaliam como fraca caiu de 33,4% para 29,2%.

O indicador de emprego previsto exerceu a maior contribuição para a queda do Índice de Expectativas em novembro, ao recuar 2,7% sobre o mês anterior. Houve diminuição na proporção de empresas prevendo aumento no total de pessoal ocupado nos três meses seguintes, de 14,5% para 12,2%, e aumento da parcela das que preveem diminuição, de 19,7% para 20,0%.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) ficou em 82,7% em novembro, sucedendo os 82% de outubro e 83% em setembro.

 

Demanda por voos domésticos teve alta de 6,4% em outubro


 

A demanda por transporte aéreo doméstico cresceu 6, 4% em outubro na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo balanço apresentado pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Em relação a setembro, a alta foi de 9%. No total, foram transportados pelas companhias aéreas filiadas à Abear — TAM, Gol, Avianca e Azul — 7, 3 milhões de passageiros, 6,7% a mais do que em outubro do ano passado. No acumulado do ano (janeiro a outubro), foram realizadas 66,4 milhões viagens dentro do país, ou 4% superior ao mesmo período de 2013.

Para o presidente da Abear, Eduardo Sanovicz, o cenário do mercado doméstico se manteve com demanda em alta e com oferta controlada, o que elevou o fator de aproveitamento de assentos para 80,8%, atingindo o padrão de eficiência de empresas internacionais. As empresas TAM, com 39,14% de participação, e Gol, com 36,6%, mantiveram a liderança do mercado doméstico em outubro.

— O quadro se manteve com aumento da demanda e oferta controlada e deverá continuar assim nos próximos meses — disse Sanovicz, lembrando que as empresas aéreas estão preparadas para a operação durante o período de férias que se estende de dezembro a fevereiro.

Entre as medidas para melhorar o fluxo das operações durante os meses de dezembro, janeiro e fevereiro, as companhias anteciparam a manutenção programada das aeronaves, aumentaram o número de aviões reservas e reforçaram as equipes de agentes de aeroportos com maior demanda. Além das medidas preventivas, as empresas também reforçaram os procedimentos para situações emergenciais, como acordos operacionais com hotéis e restaurantes para os casos de impossibilidade de embarque. Só a Gol e a TAM informaram que colocarão mais de 5 mil voos domésticos extras para atender principalmente a maior demanda de passageiros para a região Nordeste.

— Ganhamos bastante experiência com a Copa do Mundo, mas não achamos que será um verão explosivo. Teremos um crescimento moderado de 5% a 5,5% no volume de passageiros — estima Sanovicz.




 

Credibilidade da Petrobras já esta em xeque

O atraso na publicação do balanço de uma empresa de capital aberto do porte da Petrobras, motivado por perdas de valor causadas por corrupção, é inédito na história do mercado de capitais brasileiro, dizem especialistas.

De acordo com esses analistas, sem a rubrica da consultoria independente PricewaterhouseCoopers (PwC), o balanço se torna uma "peça de ficção", prejudicando a imagem da empresa. Nesta situação, dificilmente a empresa terá acesso a captações no exterior, dizem os especialistas. A petrolífera prometeu apresentar um balanço não auditado no próximo dia 12 de dezembro.

- Estamos diante de uma situação inédita, pois sem balanço auditado a empresa perde a credibilidade diante dos investidores nos mercados doméstico e internacional - diz Fernando Zilveti, advogado e professor da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo (FGV).


Ele lembra que a exigência de balanços auditados por firmas independentes foi introduzida no Brasil em 1986, na reforma da Lei das SA. Antes disso, o mercado de capitais era pouco regulado. Desde então, o advogado observa não ter conhecimento de que uma companhia tenha deixado de apresentar números auditados por causa de corrupção.

Outro advogado de um grande escritório de São Paulo, que prefere manter o anonimato, diz que o melhor agora seria que a estatal reconhecesse as perdas no balanço, fizesse a reavaliação de seus ativos e admitisse rever os números apresentados no passado. Com isso, poderia convencer a PwC a chancelar seu balanço, mesmo que a consultoria mantenha ressalvas no documento, informando que as investigações sobre os desvios de recursos da estatal ainda estão em curso.


O profissional afirma que o reconhecimento de perdas, mesmo que parciais, e a admissão de que os prejuízos podem ser maiores do que o esperado, poderia reverter parcialmente o baque na imagem da Petrobras no mercado.

- Reconhecer que o prejuízo pode ser maior do que esperado sinaliza que a empresa tem boa-fé no caso. E um balanço auditado, mesmo com alguma ressalva, é melhor do que números sem aval de uma consultoria independente, permitindo que a companhia realize captações no exterior - diz o advogado, que prevê entretanto que a empresa terá que pagar juros mais altos.

Para o consultor Luiz Marcati, sócio da Mesa Corporate Governance, consultoria especializada em governança corporativa, mesmo que a Petrobras consiga apresentar um balanço auditado, com o valor dos ativos corrigido, a credibilidade de demonstrações passadas já está em xeque. Uma alternativa seria registrar as perdas parciais no valor dos ativos este ano e diluir eventuais prejuízos do passado em balanços futuros.




 

Dilma Rousseff deve adiar contratações


 

Na tentativa de recuperar a confiança dos investidores, a presidente Dilma Rousseff quer anunciar o mais rapidamente possível um pacote de medidas na área fiscal, mirando 2015. Segundo técnicos, para fazer uma economia de gastos equivalente a 2% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país), várias ações estão no radar da equipe econômica. Entre elas, mais contingenciamento e a não renovação das desonerações que vão vencer no próximo ano.

 

Para segurar gastos, o governo deverá adiar a contratação de novos servidores públicos, bem como congelar salários e autorizar somente os aumentos programados. Benefícios como Bolsa Família não deverão ser reajustados e seguro-desemprego superior ao salário mínimo só deverá ter a reposição da inflação. A volta da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide, que incide sobre combustíveis) não está descartada, diante da queda no preço do petróleo e derivados no mercado internacional.

Na avaliação de uma fonte, diante das dificuldades do governo em ajustar as contas públicas pelo lado do corte de gastos, a arrecadação se apresenta como a via mais fácil. O fim das desonerações e a volta da Cide, um imposto já existente, são as alternativas. Não há muita margem para diminuir despesas no Orçamento e o contingenciamento tem atingido mais o custeio com a máquina, já que o Executivo tem evitado reduzir investimentos e mexer nos programas sociais.

À ESPERA DO NOVO TITULAR DA FAZENDA

Cortar despesas com seguro-desemprego, abono salarial (PIS) e benefícios previdenciários (auxílio-doença e pensão), conforme pretende o governo, não é uma ação trivial, admite um técnico. É preciso tempo para aprovar mudanças nas regras e negociar com os trabalhadores.



O Ministério da Fazenda, que está trabalhando na elaboração do pacote fiscal, quer manter o silêncio por enquanto. Segundo um parlamentar da base aliada, o governo está se precipitando, pois ainda não foi divulgado o nome do novo ministro da Fazenda. O entendimento é que ações desta natureza terão que ser discutidas obrigatoriamente pelo novo chefe da pasta e a presidente Dilma. Além disso, falta resolver a questão fiscal de 2014, que ainda não foi votada pelo Congresso.

Nesta sexta-feira, o Ministério do Planejamento divulga o relatório de avaliação de receitas e despesas primárias do quinto bimestre. O documento explicitará a atual estimativa de superávit primário, a economia para o pagamento dos juros da dívida pública, com o qual o governo trabalha para este ano.

No último relatório, divulgado em setembro, o governo reduziu de 1,8% para 0,9% a projeção para o crescimento do PIB este ano e admitiu a possibilidade de sacar R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano para realizar o superávit fiscal primário. Mas, na ocasião, o governo manteve a meta de superávit em R$ 99 bilhões (ou 1,9% do PIB) e preferiu reduzir as estimativas de despesas.

Na quarta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que, apesar da deterioração fiscal de 2014, o governo tem condições de realizar um superávit primário de 2% do PIB em 2015, conforme determina a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do ano que vem.

OFENSIVA PARA APROVAR MUDANÇA

No Congresso, o governo montou uma ofensiva para a convocação de deputados e senadores da base aliada e tentará votar, ainda na noite da próxima segunda-feira ou, no máximo na terça-feira, na Comissão Mista de Orçamento (CMO), o projeto de lei que altera a meta fiscal na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2014. A ação aconteceu depois da derrota de anteontem, quando a oposição conseguiu adiar a votação do projeto, porque faltaram parlamentares da base aliada para garantir a votação.

O ministro Ricardo Berzoini (Relações institucionais) e o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), estão correndo atrás do prejuízo e mobilizando integrantes da CMO para estarem em Brasília na segunda-feira.


Estamos ligando para todos os membros da CMO para repetirmos a sessão. Já pedimos a presença de todos aqui para votarmos na comissão na segunda, às 20h. O presidente Renan (Calheiros, presidente do Congresso) convocou reunião do Congresso para terça-feira. O assunto é urgente e de alto interesse do país. A ideia é dedicação plena e geral a esse tema até vencer a obstrução da oposição — disse Fontana.

O próprio Renan declarou que a ideia é aprovar a proposta na próxima terça-feira, tanto na CMO como na sessão do plenário do Congresso. O problema é que a pauta do plenário está trancada por 38 vetos presidenciais, o que torna bastante remota essa possibilidade.

Sobre o cochilo da base na sessão da CMO, Renan admitiu que há “indefinição” entre os aliados e “gente desmotivada", mas acrescentou que a derrota não ocorreu por isso e sim por problema de quórum. A indefinição na base ocorre por conta das negociações da reforma ministerial.



 

 

Emissões de gases do efeito estufa subiram 7,8% no Brasil
 

O Brasil aumentou suas emissões de gases que provocam o efeito estufa em 7,8% no ano passado em relação a 2012, segundo uma estimativa feita pelo Observatório do Clima e divulgada hoje. O montante equivale a cerca de 1,6 milhão de toneladas de gás carbônico. É o maior valor desde 2008. O país ocupa a sétima posição entre as nações mais poluentes do mundo.

A situação é preocupante se considerarmos que crescemos apenas 1% em 2013. Em 2014, dados preliminares já apontam nova piora. Isso aponta uma tendência. Se não revertermos esse cenário, as metas de redução do país estabelecidas com as Nações Unidas para 2020 estarão em risco — afirmou Tasso Azevedo, coordenador técnico do Seminário de Emissões Brasileiras de Gases do Efeito Estufa - 2014, responsável pelo gasto. O Brasil se comprometeu a não contribuir com um aumento de temperatura global que ultrapasse a média de dois graus Celsius.

Embora todos os setores medidos tenham tido aumento de emissões, os principais responsáveis pela piora nos índices foram a aceleração do desmatamento da Amazônia e do Cerrado e mudanças no setor energético.

— Em 2009, prevíamos que o consumo de álcool subiria 10% ao ano, e o de gasolina cairia 5%. Aconteceu exatamente o contrário — disse Azevedo. O etanol é considerado um combustível limpo, enquanto derivados do petróleo são vilões do meio ambiente.

Além disso, o aumento no uso de termoelétricas para a produção de energia elétrica também pressionou para cima as emissões nacionais. As termoelétricas passaram a ser cada vez mais demandadas diante da seca que atinge o reservatório de hidrelétricas no sudeste do país. O aumento do uso de hidrelétricas é percentualmente equivalente a toda frota de ônibus do país.

Dentre as atividades econômicas, a agropecuária continua sendo a maior poluidora - com a abertura de pastagens em região de florestas e a produção de metano pelo rebanho bovino -, mas transportes e energia aumentaram sua parcela na conta.


As notícias são ruins para o meio ambiente. Em 2013, o país gerou R$3,1 mil do PIB para cada tonelada de carbono produzido, desempenho pior do que em 2012. Uma economia de baixo carbono, que o país precisa perseguir a partir de 2020, estima que, para cada tonelada de CO2 liberados na atmosfera, o país deveria gerar R$40 mil de PIB.

Representantes do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério de Ciência e Tecnologia reconheceram a qualidade e a veracidade dos dados apresentados pelo Observatório do Clima, mas buscaram relativizar a gravidade da piora nas emissões:

— Uma mudança verificada em um ano é pouco para apontar uma tendência e continuamos dentro das metas estabelecidas. É preciso reconhecer que o aumento das emissões também decorre do desenvolvimento socioeconômico e do aumento de conforto para a população — afirmou Adriano Santhiago, diretor de mudanças climáticas do Ministério do Meio Ambiente.




 

Receita do setor de serviços cresce 6,4% em setembro


 

A receita do setor de serviços registrou alta de 6,4% em setembro, na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados pelo IBGE. No acumulado em 12 meses, o avanço é de 7,1% e, no ano, chega a 6,6%. Os números são referentes ao aumento nominal, ou seja, sem descontar a inflação.

O resultado mostra uma recuperação frente ao mês anterior. Em agosto, o setor havia tido alta de 4,5%. A principal contribuição para a alta veio do desempenho do setor de serviços de informação, cuja receita cresceu 2,7% — avanço maior que os registrados em julho e agosto. O IBGE também destacou a contribuição do segmento de transportes e correio, que registrou alta de 6,5%, bem superior às taxas de 3,2% de agosto e de 4,6% de julho.

De acordo com o instituto, os dois segmentos têm peso de 66,4%. Só os serviços de informação têm impacto de 35,7% sobre o levantamento. Com o resultado de setembro, o peso na taxa relativa passou de 13,3% para 14,1%, entre agosto e setembro.

Ainda em relação aos resultados para o mês, o IBGE disse que os serviços prestados às famílias desaceleraram a alta para 5,4%, após terem avançado 9% em agosto. Já a receita dos serviços profissionais e administrativos (como consultorias, que costumam ser mais caros) teve alta de 11,1%, maior que as registradas nos meses anteriores. O segmento tem peso de 35,9% sobre a pesquisa.

O instituto também divulgou os dados para o trimestre. Entre julho e setembro, a receita do setor de serviços cresceu 5,1%, na comparação com o mesmo período do ano passado. Foi a menor taxa nesse tipo de comparação desde o início da série histórica, em 2012.

A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) começou a ser divulgada em janeiro de 2012. Naquele ano, o setor fechou com crescimento acumulado de 10%. O desempenho, no entanto, desacelerou ao longo dos meses e, no ano seguinte, o avanço foi de 8,5%.




 

Investigações contratadas pela Petrobras vão custar R$ 19 milhões

 

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, disse que as investigações contratadas pela estatal para investigar as denúncias da operação Lava-Jato, da Polícia Federal, vão custar cerca de R$ 19 milhões à petrolífera.

Segundo ela, a empresa está pagando ao escritório brasileiro de investigação Trench, Rossi e Watanabe Advogados R$ 6 milhões e ao americano, o Gibson, Dunn & Crutcher LLP, outros US$ 5 milhões (em torno de R$ 13 milhões). O contrato tem um período de um ano.

Graça e Almir Barbassa, diretor financeiro da Petrobras, informaram nesta segunda-feira como serão calculadas as perdas no balanço com base nas conclusões das investigações de corrupção na estatal. Os ajustes, diz o diretor, serão feitos retirando do valor do ativo qualquer quantia que seja relativa à propina. Ou seja, explica Barbassa, a ideia é fazer com que o ativo imobilizado (ativo da companhia) tenha um valor justo.

— Se houve pagamento acima do que é justo, esse valor deve ser retirado do que foi investido e levado para o resultado. É retirar dele (ativo) qualquer valor relativo a propina — comentou ele, em teleconferência com analistas, destacando que o ajuste não inclui os questionamentos feitos pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

— Você é obrigado a baixar do valor do ativo o custo relativo à corrupção. É lei. Tem que baixar. Tem que retirar — disse Graça.

Segundo a presidente da estatal, a referência oficial para esses ajustes são os depoimentos feitos à Justiça.

— É o que o juiz tem chamado de provas emprestadas, que são encaminhadas à Petrobras pela Policia Federal para que as baixas sejam feitas ano a ano.

Graça destacou que vai buscar a reparação das perdas:

— Onde houver identificação de prejuízo, vamos buscar esse prejuízo. O jurídico ja vem trabalhando e nós vamos buscar os prejuízos para que haja retorno para o caixa da companhia. Temos sido bastante cobrados pelo Conselho para ter de volta o que pagamos além do normal e além do razoável.



Graça ressaltou que o mais importante foi a proposta apresentada ao Conselho de Administração para criar uma nova diretoria, de Governança.

— Propusemos ao Conselho criar uma diretoria de Governança. Recebemos apoio unânime do Conselho. Em face das atuais denúncias da Operação Lava Jato, a companhia não está pronta para divulgar seus resultados. Essas denúncias podem impactar potencialmente suas demonstrações. No dia 8 de outubro, os depoimentos dados por Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef poderão levar a possíveis ajustes. E por isso é necessário mais tempo. Tempo também para se obter aprofundamento nas investigações dos escritórios em curso e aprimorar os controles internos — disse Graça, na abertura da conferência.

— Queremos mais que o reconhecimento técnico. Queremos o reconhecimento pela governança da companhia — acrescentou Graça.

Graça lembrou ainda sobre as medidas tomadas para o aumento dos controles internos, como as comissões internas. Ela listou que já foram feitas 60 ações para o aprimoramento da governança e dos processos de gestão e voltou a frisar que vai buscar medidas jurídicas para “ressarcimento dos supostos recursos desviados”, disse a executiva:

— No último ano, foram sete comissões internas de apuração foram concluídas no nível da diretoria e presidência.

 

Petrobras e indefinição política fazem Ibovespa cair

 

A indefinição sobre a formação da equipe econômica e o adiamento da publicação do balanço da Petrobras são os fatores que determinam o mau humor dos mercados, o Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa brasileira, registrava recuo de 1,75%, aos 50.937 pontos. Já o dólar comercial opera em alta de 1,27%, a R$ 2,623 na compra e a R$ 2,625 na venda.

As ações da Petrobras só começaram a ser negociadas às 11h30, e não às 10h na abertura da Bolsa. O motivo dessa mudança foi o adiamento do balanço, que estava previsto para essa sexta-feira - prazo limite para que as companhias com ações no mercado divulguem as informações referentes ao terceiro trimestre- e deverá ocorrer só em dezembro. A multa por atraso é de R$ 500 ao dia. Os papéis preferenciais (sem direito a voto) da petrolífera recuam 4,92% e os ordinários (com direito a voto) caem 4,72%.

— A suspensão das negociações ocorre quando há um fato relevante importante. É uma forma dos investidores entenderem o que está acontecendo. Isso evita decisões precipitadas — explicou Ari Santos, gerente de renda variável da corretora H.Commcor, lembrando que nessa sexta-feira é o último dia para a negociação com opções da estatal, uma vez que a liquidação dos contratos ocorre na segunda-feira.

No exterior, no entanto, não houve suspensão das negociações com os recibos de ações negociados na Bolsa de Nova York, as ADRs. A queda chegou a superar os 7% nessa manhã, mas agora já recuou para 3,41% de perdas.

REFLEXO EM OUTRAS ESTATAIS


O adiamento do balanço da Petrobras está atrelado às investigações da Operação Lava Jato, da Política Federal. A auditoria PwC (PricewaterhouseCoopers) só irá assinar o balanço após analisar os relatórios das comissões internas que apuram as denúncias de corrupção na companhia. "Todos esses problemas que acarretaram com a decisão da PwC de não assinar as demonstrações financeiras se constituem numa oportunidade de a empresa melhorar definitivamente sua governança", avaliaram os analistas da CM Capital Market.

Mesmo sem a Petrobras nas negociações, as estatais têm um grande peso para a queda dessa sexta-feira. Os papéis que registram a maior variação negativa são os da Eletrobras. Os preferenciais (sem direito a voto) caem 6,81% e as ordinárias (sem direito a voto) recuam 4,88%. Já os papéis do Banco do Brasil acumulam perdas de 3,29% nesse pregão.

 

Petrobras deve ter lucro 40% menor no 3º trimestre

Apesar da queda dos preços do petróleo e derivados no mercado internacional, que se acentuou a partir de setembro, a defasagem dos preços da gasolina e do diesel e a alta do dólar deverão fazer com que a Petrobras apresente um resultado fraco em seu balanço do terceiro trimestre deste ano. Analistas e especialistas do mercado preveem que a estatal deverá registrar um lucro líquido de julho a setembro deste ano de cerca de R$ 3 bilhões, abaixo dos R$ 5 milhões no segundo trimestre e menor também em comparação aos R$ 3,4 bilhões registrados no terceiro trimestre do ano passado.

Na opinião de Pedro Galdi, analista da SLW, a companhia deve apresentar queda em seu faturamento, já que vai registrar menos receitas com a exportação de petróleo. Galdi lembra ainda que a estatal deverá ter redução em seus custos por conta da queda do preço do petróleo, já que isso permitiu reduzir as despesas com a importação de gasolina e diesel.

— De um lado, o petróleo caiu 20%. Do outro, o dólar avançou 11% no terceiro trimestre. Como resultado, as receitas da companhia devem apresentar recuo. O dólar também influenciar o aumento de sua dívida, que é em dólar (US$ 109,5 bilhões) — disse Galdi.

Segundo um analista de um banco estrangeiro que prefere não se identificar, o benefício da queda dos preços do petróleo no mercado internacional pode ter um reflexo pequeno no resultado da Petrobras no terceiro trimestre, porque se acentuou apenas em setembro, quando ficou abaixo dos US$ 100 o barril. Ontem, o barril do brent, usado como referência no mercado internacional, fechou cotado a US$ 80,76.

Mas, por outro lado, a boa notícia é que houve aumento na produção nacional de petróleo. No terceiro trimestre, a produção diária média ficou entre 2,049 milhões e 2,117 milhões, acima do 1,887 milhão e 1,979 milhão do mesmo período do ano passado.

Os analistas destacaram que o reajuste dos preços da gasolina e do diesel concedido a partir do último dia 7 de novembro chegou em um momento em que praticamente a Petrobras conseguiu equilibrar os preços internos com os do mercado internacional. Mas o aumento dos preços é importante para a companhia recuperar parte das perdas acumuladas com a defasagem dos últimos anos.

Somente entre janeiro e setembro deste ano, a companhia acumula uma perda por conta da defasagem de R$ 2,7 bilhões, segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE). No terceiro trimestre do ano a gasolina estava com uma defasagem média de 13,5% e o diesel de 7,6%.

 

Gol tem prejuízo de R$ 245,1 milhões no terceiro trimestre

Pressionada pela variação cambial, a companhia aérea Gol ampliou o prejuízo líquido no terceiro trimestre na comparação anual. O resultado negativo chegou a R$ 245,1 milhões, contra prejuízo de R$ 197 milhões um ano antes. Excluído o efeito do câmbio, o resultado da companhia aérea chegaria a R$ 25,4 milhões, afirmou Paulo Kakinoff, presidente da empresa.

O executivo salientou que a evolução dos “resultados está perfeitamente em linha com a estratégia da companhia e com os guidances (projeções) para os próximos anos”.

— Neste trimestre teve uma variação cambial que levou a um prejuízo, que não tem efeito caixa — disse à Reuters na véspera da divulgação do resultado o vice-presidente-financeiro e de relações com investidores da Gol, Edmar Lopes. — O nosso cenário é de perspectiva de um real mais fraco e a gente está se preparando para isso — acrescentou.

O aumento no número de passageiros transportados também ganhou destaque durante teleconferência com jornalistas para a divulgação dos resultados. Kakinoff afirmou que nos primeiros nove meses do ano a Gol foi a companhia que transportou o maior número de pessoas.

— Transportamos 2,6 milhões de passageiros de janeiro a setembro ou quase um mês adicional de passageiros da própria Gol (em relação ao ano passado) — disse o prsidente da empresa, durante conferência com jornalistas na manhã desta quarta-feira.

A companhia divulgou em outubro que a receita por passageiro (Prask) subiu 9,1% entre julho e setembro, mas o yield, indicador de preços de passagens aéreas, caiu 2% no período.

A taxa de ocupação avançou 7,9 pontos percentuais no terceiro trimestre, para 77,5%, e Kakinoff estima ainda mais crescimento, sobretudo com a retomada da demanda executiva, que caiu durante o período da Copa do Mundo e, segundo ele, ainda não foi totalmente retomada.Lopes vê espaço para crescimento.

No terceiro trimestre, a receita operacional líquida da Gol foi de R$ 2,5 bilhões, alta anual de 10,4%. A receita de transporte de passageiros aumentou 7,2%, a chegando a R$ 2,2 bilhões, enquanto a de transporte de cargas e outros avançou 44,6%, subindo para R$ 272,3 milhões.

A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação, amortização e leasing de aeronaves (Ebitdar, na sigla em inglês) atingiu R$ 462,8 milhões, elevação de 24,2% na mesma base de comparação.

PLANO REGIONAL DE AVIAÇÃO É ‘GRANDE OPORTUNIDADE’



Sobre o Plano de Desenvolvimento da Aviação Regional, que irá para votação com novas emendas propostas pelo Congresso, Kakinoff disse se tratar de uma “grande oportunidade a ser aproveitada”. Durante essa semana, as alterações no Plano irritaram a companhia Azul, que ameaça cancelar um pedido de R$ 1,9 bilhão com a Embraer caso a proposta de fim do limite do número de assentos a serem subsidiados seja aprovada.

Para Kakinoff, a única surpresa das novas emendas é o fim do limite da participação do capital estrangeiros nas companhias aéreas. E é aí que está a oportunidade para a Gol, frisou, sinalizando que um aporte internacional pode ocorrer.

— Isso (essa mudança) elimina uma trava. É uma novidade que vai demandar muita discussão interna para aproveitarmos as oportunidades. Ainda não há nada efetivo — comentou.

Queda ou estagnação nas vendas de Natal, comércio prepara promoções

 

Os primeiros enfeites nas vitrines mostram que o Natal já chegou ao comércio. Apesar do clima festivo, a expectativa do setor para as vendas nas festas é tímida. A Confederação Nacional de Comércio (CNC) prevê alta de apenas 2,6% este ano, quase metade dos 5,1% em 2013. Mas há perspectivas ainda mais pessimistas: a gigante Via Varejo, que controla Ponto Frio e Casas Bahia, por exemplo, informou que reduziu em 9,7% o estoque de produtos para o fim desse ano, para R$ 2,8 bilhões. A perspectiva de ritmo fraco pode impulsionar promoções mais agressivas, afirmam especialistas.

No Rio, segundo pesquisa da Fecomércio-RJ, mais da metade dos lojistas (54,3%) espera que as vendas fiquem estagnadas ou que sejam piores do que em 2013. Ainda de acordo com o estudo, 61,4% afirmaram que fizeram ou ainda farão encomendas aos fornecedores iguais ou menores que as do ano passado.


Para Fábio Bentes, economista da CNC, o cenário econômico, de inflação alta e aperto nos juros, deve fazer com que as empresas adotem mais promoções neste ano. Estender o prazo para pagamento deve ser uma das práticas adotadas pelo setor nos próximos meses, afirma o especialista.

— Uma coisa que a gente certamente vai ver até o fim do ano são as estratégias de adiar a primeira parcela. Isso porque o crédito está muito caro. Vale mais a pena apostar nisso do que contar com o fôlego do consumidor — diz o especialista.

Christian Travassos, economista da Fecomércio-RJ, diz que as promoções serão ferramenta para fortalecer as vendas no ano com crescimento menos intenso:

— Essas estratégias de marketing são mais importantes que nunca. As datas comemorativas, principalmente para quem vende duráveis, são importantes. Os empresários vão fazer de tudo.

FINANCIAMENTO MAIS CARO

Financiar as compras deste ano deve sair mais caro do que no ano passado. Segundo levantamento da entidade, a taxa de juros ao consumidor estava em 43,1% em agosto, bem superior aos 36,6% do mesmo período do ano passado. Adiar o pagamento pode ser a oportunidade de evitar a pressão sobre o orçamento no fim do ano, quando os gastos costumam aumentar. Mas é preciso ter cuidado, já que o início do ano também é marcado por contas altas, como IPVA, IPTU e material escolar.

Na Saara, maior centro de comércio popular do Rio, a aposta é que o crédito mais caro atraia mais clientes às cerca de 600 lojas do local, conhecido por vender produtos mais em conta. O Polo Centro Rio, associação que representa os lojistas da Saara, espera aumentar aumentar em 20% o número de temporários contratados para o Natal.

— A gente acredita que, como é um mercado popular, cada vez mais se torna atraente para as pessoas. Não quer dizer que a gente só receba pessoas na época da crise, mas pode ser um estímulo a mais com preços mais competitivos — afirma Leonardo Zonenschein, diretor de comunicação do Polo e dono da loja de camisetas Dimona, que ainda não iniciou a campanha de promoções natalinas.


Roberto Santos, gerente de marketing da rede de papelarias Caçula, em São Cristóvão, que está vendendo enfeites natalinos desde setembro, diz que no fim da segunda quinzena de novembro já será possível sentir a tendência das vendas. Ainda à espera da Black Friday, outras grandes varejistas, como Casa & Vídeo e Lojas Americanas, preferiram não revelar planos para o Natal.


 

Juros do crédito voltam a subir em outubro



Depois de uma queda em setembro, interrompendo uma sequência de 15 meses de altas, as taxas em seis linhas de crédito ao consumidor voltaram a subir em outubro. Na média, a taxa de juros para pessoa física passou de 6,06% ao mês para 6,08%, o maior patamar desde agosto de 2014. Anualizada, a taxa equivale a um juro de 103,05% ao ano.

A pesquisa foi feita pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), que observa que a elevação de 11% para 11,25% da taxa básica de juros pelo Banco Central, em sua última reunião, ainda não se refletiu nas atuais taxas praticadas no crédito, mas isso deve acontecer no levantamento do próximo mês.

Das seis linhas de crédito pesquisadas, os juros cartão de crédito rotativo se mantiveram estáveis em 10,78% ao mês (241,61% ao ano. Outras cinco modalidades de empréstimos apresentaram alta. Os juros do comércio subiram de 4,63% para 4,65% (72,53% ao ano); o cheque especial teve alta de 8,48% para 8,50% (166,17% ao ano); o crédito direto para financiamento de automóveis (CDC) subiu de 1,79% para 1,80% (23,87% ao ano); o empréstimo pessoal no bancos teve elevação de 3,44% para 3,47% (50,58% ao ano) e o empréstimo pessoal em financeiras foi de 7,26% ao mês para 7,28% (132,39% ao ano).

O coordenador da pesquisa e diretor executivo da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira, avalia que com a tendência de novas elevações da taxa Selic pelo Banco Central, nas próximas reuniões, é provável que as taxas de juros das operações de crédito voltem a ser elevadas nos próximos meses. O mercado, segundo pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira, esperam uma alta da Selic ainda este ano para 11,5%. Para 2015, a expectativa é que ela suba até 12% para evitar mais pressões inflacionárias.

Desde março de 2013, a Selic já subiu 4 pontos percentuais - de 7,25% para 11,25% ao ano. No mesmo período, a taxa de juros média para pessoa física apresentou uma elevação de 15,08 pontos percentuais, saindo de 87,97% ao ano em março/2013 para 103,05% ao ano em outubro/2014.

Veja o comportamento dos juros

Juros do comércio - de 4,63% para 4,65% (72,53% ao ano)

Cartão de crédito - estável em 10,78% (241,61% ao ano)

Cheque especial - de 8,48% para 8,50% (166,17% ao ano)

CDC para automóveis - de 1,79% para 1,80% ( 23,87% ao ano)


Empréstimo pessoal nos bancos - 3,44% para 3,47% (50,58% ao ano)

Empréstimo pessoal em financeiras - de 7,26% para 7,28% (132,39% ao ano)



 

Mantega diz que governo estuda cortar subsídios a bancos públicos

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou  que o governo federal está finalizando os estudos que resultarão em uma “redução importante” das despesas. Estão no foco desses ajustes um corte nas despesas de benefícios como o seguro-desemprego, auxílio-doença e abono salarial, que tiveram crescimento acelerado nos últimos anos. Os cortes também envolverão a redução de subsídios financeiros.

Falando a jornalistas depois de fazer uma apresentação em evento em São Paulo, Mantega citou o BNDES como um exemplo de onde poderia ocorrer essa redução. O banco estatal tem uma série de programas de financiamento com juros abaixo da taxa básica Selic, incluindo a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), e vem recebendo injeções de recursos do Tesouro Nacional.

O ministro disse que o papel dos bancos públicos no crédito é "fundamentalmente" anticíclico e lembrou que na fase mais aguda da crise financeira internacional, o crédito privado secou e foi preciso que os bancos públicos assumissem um protagonismo.

Mantega ressaltou, no entanto, que espera que a partir de um novo ciclo de crescimento os bancos privados liberem mais crédito e os públicos não precisem ser tão ativos nessa área. Ele insistiu que não é uma estratégia do governo uma maior participação dos bancos públicos no crédito e sim uma questão de política anticíclica.

— A estratégia macroeconômica para iniciarmos esse novo ciclo de expansão é um ajuste tanto da política fiscal quanto da política monetária —disse. — Do ponto de vista da política fiscal temos que caminhar para um aumento gradual do primário, em relação ao resultado de 2014 — Para isso nós temos agora que fazer uma redução das despesas, uma redução importante das despesas.

Os comentários do ministro ocorrem em um quadro de profunda deterioração das contas públicas, com déficit primário recorde em setembro. O governo precisa revisar sua meta de superávit primário para este ano e deve fazer o mesmo para 2015. Mesmo assim, serão necessários cortes de despesas para equilibrar as contas.

Em sua apresentação, o ministro disse que o desafio agora é "fazer a transição para a economia pós-políticas anticíclicas", em preparação para um novo ciclo de expansão da economia mundial e brasileira.

Mantega disse que também é preciso recuperar a receita e lembrou que com uma melhora da atividade econômica, cujas condições "estão dadas" segundo ele, isso ocorrerá naturalmente.

Do lado da política monetária, o ministro disse que o objetivo é "uma convergência ao centro da meta", de 4,5%, apontando a seca deste ano como uma fator de pressão sobre os preços dos alimentos e as tarifas de energia.

— É uma economia pós-crise, com menos estímulos — resumiu, classificando como um “novo ciclo de expansão da economia”, mas deixando claro que os estudos não estão concluídos.

Sobre o reajuste do preço da gasolina, em 3%, e do diesel, em 5%, a avaliação é que o impacto na inflação seja de 0,1 ponto percentual. No acumulado dos 12 meses encerrados em outubro,  o IPCA está em 6,9% acima do teto da meta, que é 6,5%

NOVO MINISTRO


Ao falar do cenário econômico, Mantega afirmou que, apesar das dificuldades, o governo deve conseguir fazer um saldo fiscal positivo (superávit) em 2014.

Sobre sua saída, reforçou que não sabe quando acontecerá e evitou fazer comentários sobre possíveis substitutos.

— Não sou a melhor pessoa para comentar o nome desses possíveis ministros — concluiu.




 

Depois de ajudar amiga Bendine entrega o cargo

Desgastado por denúncias de favorecimento a uma amiga em empréstimos concedidos pelo Banco do Brasil (BB) e BNDES, o presidente do BB, Aldemir Bendine, entregou o cargo ao ministro da Fazenda, Guido Mantega. Mas a saída dele só será anunciada oficialmente depois da nomeação do novo ministro da Fazenda. O secretário executivo da pasta, Paulo Rogério Caffarelli, deve ser convidado a assumir o comando do BB, de onde é funcionário de carreira. Entre assessores palacianos, Cafarelli é visto como o substituto natural de Bendini.

Segundo interlocutores do Planalto, Caffarelli só não ocupará o posto se não quiser ou se estiver interessado em outra colocação. A avaliação do governo é que ele conquistou espaço e pode escolher para onde quer ir, porque desenvolveu um bom trabalho na pasta.

— O cargo será oferecido a ele e só não será dele se ele não quiser - garante um interlocutor do Planalto.

Bendine foi alvo de denúncias recentes, como o financiamento concedido pelo BB à socialite Val Marchiori em condições favorecidas e o relato de seu ex-motorista, ao Ministério Público Federal, confessando que fez diversos pagamentos em dinheiro vivo a mando do chefe. Com as denúncias, Bendine ficou desgastado demais para fazer o seu sucessor.

Até o nome de Caffarelli surgir como cotado à presidência do Banco do Brasil, as apostas eram de que o vice-presidente de Varejo do BB, Alexandre Abreu, herdaria a cadeira. Entre os funcionários, era dada como certa a ascensão de Abreu porque, desde as denúncias, Bendini afastou-se das atividades do dia a dia do banco. Com isso, o vice-presidente — responsável pelo programa Bom Pra Todos — ganhou mais espaço e, na prática, é quem toca a instituição.

A indefinição deixou o BB em compasso de espera. Projetos foram interrompidos neste ano, e, por enquanto, a ordem é cortar despesas para aumentar o resultado. Até viagens dos executivos foram limitadas para melhorar o balanço.

Outra decisão é esperar 30 dias para repor funcionários que saíram do cargo. A contenção de pequenas despesas é cada vez mais importante, já que o banco diminuiu os juros há dois anos, a pedido da presidente Dilma. E não deve elevar tarifas para recompor a margem.




 

 

Metro quadrado em SP e no Rio tem menor alta desde 2008

A alta dos preços dos imóveis anunciados ficou abaixo da inflação em outubro, segundo dados divulgados pela Fipezap Na média das 20 cidades pesquisadas, o metro quadrado ficou 0,45% maior no mês – abaixo do 0,5% esperado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Em São Paulo e no Rio de Janeiro, os preços do metro quadrado dos imóveis anunciados tiveram as menores altas desde o início da série histórica do indicador, em 2008: as altas foram de 0,3% e 0,35%, respectivamente.

As duas cidades, no entanto, ainda têm o metro quadrado mais caro entre os locais pesquisados. No Rio, o custo é de R$ 10.830, e em São Paulo, de R$ 8.301. Já os menores preços por metro quadrado foram registrados em Contagem (R$ 3.340) e Goiânia (R$ 4.003).

Em duas cidades, houve queda nominal nos preços do metro quadrado: em Florianopolis, a queda foi de 0,55% em outubro ante setembro; e em Brasilia, de 0,02% na mesma comparação.

Acumulados
Desde o início do ano, os preços dos imóveis tiveram uma alta média de 5,88%. O índice é 0,75 ponto percentual superior ao IPCA do período (considerando a expectativa de inflação para outubro).

"Ou seja, em média o preço dos imóveis apresenta pequeno aumento real neste ano", diz a Fipezap em nota.

Em 12 meses, o indicador de preços dos imóveis acumulou alta de 8,23%. Foi o 11º mês consecutivo de desaceleração do indicador, desde os 1,8% registrados em novembro de 2013. O resultado, segundo a pesquisa, ressalta a tendência de desaceleração dos preços dos imóveis no país.

 

Itaú Unibanco fecha terceiro trimestre com lucro  de R$ 5,404 bi


 

Com queda na inadimplência e aumento da margem financeira, o Itaú Unibanco, maior banco privado do país, divulgou um lucro líquido de R$ 5,404 bilhões no terceiro trimestre do ano. O valor representa um crescimento de 35,3% em relação ao mesmo período do ano passado e um aumento de 10,3% em relação ao trimestre anterior. Na semana passada, o Bradesco, segunda maior instituição privada, divulgou lucro líquido de R$ 3,875 bilhões no terceiro trimestre, uma alta de 26,5%.

— O resultado veio com ativos de menor risco na carteira de credito, oferta de mais serviços e controle de despesas forte. Além disso, cresceu a margem financeira com clientes e com o mercado — explicou Marcelo Kopel, diretor corporativo e de controladoria do Itaú Unibanco.

O crescimento da margem financeira contribuiu para o crescimento do lucro do Itaú Unibanco no período. Segundo os dados divulgados pelo banco, a margem financeira com clientes atingiu R$ 13,2 bilhões, uma alta de 4,5% em relação ao trimestre anterior, quando a cifra atingiu R$ 12,7 bilhões. Em relação ao mesmo período do ano passado, o crescimento foi de 15,6%.

Já a margem financeira com o mercado (operações de tesouraria) atingiu R$ 1,08 bilhão frente aos R$ 881 milhões do trimestre anterior, representando um crescimento de 22,9% no período. Em relação ao terceiro trimestre de 2013, o crescimento foi de impressionantes 218,6%.

— Mantivemos a maior parte do nosso caixa aplicado no Brasil do que no exterior, por conta aumento de captações. Com isso, tivemos uma taxa média melhor em operações vinculadas à taxa Selic. Com clientes, a margem subiu por aumento de volume de captação, com maior quantidade de dias úteis — disse Kopel.

A carteira de crédito do banco (considerando avais, fianças e títulos privados) cresceu 3,4% no trimestre e 11,5% em 12 meses, totalizando R$ 536,2 bilhões. O banco manteve a estratégia de mudar sua carteira de crédito com oferta mais expressiva de empréstimos de menor risco.

O empréstimo consignado, por exemplo, se expandiu 21,9% no trimestre, atingindo R$ 36,4 bilhões. Em relação ao mesmo período do ano passado, o crédito consignado cresceu 77,1%. Já o crédito imobiliário teve expansão de 4,9% no trimestre e 22,4% nos últimos 12 meses, atingindo F$ 27,5 bilhões.


O crédito consignado, imobiliário e também para grandes empresas vem crescendo fortemente, com risco menor. A joint venture com o banco BMG para crédito consignado acelerou nosso crescimento. Mas nossa operação própria de consignado cresce 14% ao ano, o que mostra a capilaridade do banco — disse Kopel.

O cartão de crédito fechou o trimestre em R$ 54,3 bilhões, com expansão de 26% no ano e de 1,4% no trimestre.

INADIMPLÊNCIA TEM QUEDA

O crédito para grandes empresas cresceu 13,9% em 12 meses. Para 2015, o banco deve continuar focando na concessão de linhas de crédito com menor risco. Com esse mix, o banco conseguiu reduzir seu índice de inadimplência de 3,4% para 3,2% no trimestre, considerando atrasos de mais de 90 dias.

— É o nosso menor patamar de inadimplência desde a associação com o Itaú Unibanco, em 2008 — lembrou Kopel.

Nos números divulgados pelo Itaú houve redução dos empréstimos para pequenas e médias empresas (3,5% em 12 meses) e para a compra de veículos (13,9% em 12 meses), considerados empréstimos mais arriscados.

Mesmo com a melhora da inadimplência, o banco elevou a provisão para calotes, totalizando R$ 4,8 bilhões, um aumento de 7,7% em relação ao trimestre anterior.



O diretor do Itaú destacou a receita com serviços como outro pilar da estratégia do banco, Em 12 meses, a receita com serviços cresceu 17,6% e no trimestre teve expansão de 3,5%.

Para este ano, o Itaú prevê um crescimento de apenas 0,1% na economia brasileira. Já para 2015, a expansão prevista para o PIB é de 1,3%. Para a inflação, o banco espera que o IPCA fique em 6,5% este ano, fechando em 6,4 % em 2015.

O Itaú prevê ainda mais um aumento da Selic (taxa básica de juros) este ano, com a taxa encerrando 2014 em 10,5% e subindo a 12% no final de 2015. Para o câmbio, a expectativa do Itaú é que o dólar encerre o ano a R$ 2,50 e chegue ao fim de 2015 em R$ 2,60.

Analistas elevam projeção para Selic a 12% em 2015


 

Economistas de instituições financeiras elevaram a estimativa para a Selic no fim de 2015 a 12%, sobre 11,5% previstos antes. Entre os analistas Top 5 — os que mais acertam a previsões — a mediana de médio prazo subiu de 12% para 12,25%, mostrou a primeira pesquisa Focus do Banco Central com projeções coletadas após a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Na quarta-feira passada, O BC surpreendeu ao elevar a Selic em 0,25 ponto percentual, para 11,25%, numa decisão dividida e sob a justificativa de que os riscos para a inflação aumentaram. A alta foi bem recebida por agentes econômicos, que viram como sinal de mudança na política econômica no segundo mandato de Dilma. A pesquisa Focus levantou projeções até a última sexta-feira e, por isso, ainda deve mostrar mudanças nas contas.

O mercado em geral não mudou a estimativa mediana para a Selic em 2014, de 11%. Mas tomando-se a média das previsões, houve elevação, de 10,91% para 10,94%, o que mostra que ao menos parte dos analistas mudou sua expectativa para cima. No sistema do Focus, os agentes de mercado inserem suas estimativas a cada semana e há a possibilidade de parte deles não ter atualizado as projeções após a decisão do Copom. Entre os Top 5, a mediana de médio prazo saiu de 11% para 11,50%. Assim, esses analistas esperam mais um aumento de 0,25 ponto percentual na Selic este ano.

MAIS INFLAÇÃO EM 2015

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC tem ainda mais uma reunião neste ano, em 2 e 3 de dezembro, para definir o futuro da Selic. Apesar da elevação do juro, não se espera um alívio na inflação. Enquanto as estimativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2014 permaneceram em 6,45% na estimativa do mercado em geral e em 6,49% entre os Top 5, a mediana para 12 meses à frente subiu de 6,37% para 6,38% e a de 2015 avançou de 6,30% para 6,32%. Os Top 5 também esperam inflação de 6,38% em 2015.

Alguns analistas consideraram que ao elevar o juro, o Copom respondeu a uma desvalorização cambial e seu possível impacto sobre uma inflação que beira o teto da meta de 6,5% no fim do ano. No Focus, a mediana das estimativas para o dólar subiu de R$ 2,40 para R$ 2,45 no fim de 2014 e de R$ 2,50 para R$ 2,55 no fim de 2015.

Enquanto esperam um juro maior, os analistas também veem uma atividade mais fraca. A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano caiu de 0,27% para 0,24%. Para 2015, a previsão seguiu em 1%. Se confirmada a taxa, será a pior desde 2009, quando a economia do país encolheu 0,3%.

Já a estimativa para a produção industrial deste ano melhorou um pouco, embora ainda siga bastante negativa: saiu de queda de 2,24% para recuo de 2,17%. A previsão para 2015 seguiu em crescimento de 1,42%.

 

 

IPI para veículos  mil pode ser zerado até o fim do ano



Para estimular o setor automotivo e evitar demissões, a equipe econômica estuda, como medida emergencial, zerar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos até 31 de dezembro. O imposto — que já foi zerado em 2012 e parcialmente recomposto — tem alíquota de 3% para automóveis de até mil cilindradas e utilitários, 9% para veículos de até duas mil cilindradas (flex), e 10% para carros de duas mil cilindradas (gasolina). De acordo com a proposta em análise, o imposto seria recomposto a partir de janeiro de 2015. O objetivo da medida é impulsionar as vendas neste fim de ano e ajudar o setor a desovar um estoque de 404,5 mil unidades, nas concessionárias e fábricas. O efeito psicológico da alíquota zero pode ajudar nessa estratégia, avaliam os técnicos.

Segundo uma fonte da área econômica, o impacto na arrecadação não é relevante, porque o IPI cobrado atualmente já representa a metade das alíquotas nos segmentos beneficiados. Diante da demora na recuperação nas vendas de veículos novos, as montadoras pressionam para manter o imposto reduzido por mais tempo. A previsão inicial do governo era recompor o imposto integralmente, a partir de janeiro. Dessa forma, o IPI sobre carros de até mil cilindradas, por exemplo, seria elevado para 7%, mas a fragilidade do setor deve resultar em uma recomposição escalonada.

No discurso após a vitória na urnas no domingo, a presidente reeleita Dima Rousseff prometeu medidas pontuais para estimular a economia. O setor automotivo é considerado estratégico pelo tamanho da cadeia produtiva e participação no Produto Interno Bruto (PIB) industrial. Os bancos públicos foram orientados a concentrar esforços a fim de aumentar a concessão no crédito para veículos, com taxas reduzidas até o fim do ano.

VENDAS ACUMULAM QUEDA DE 4,4% ATÉ SETEMBRO

Na avaliação do governo, os efeitos das medidas de estímulo ao setor, anunciadas em agosto, com maior liberação de recursos para os bancos ainda são tímidos, sobretudo no financiamento de carros novos. De acordo com cálculos da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), a meta do setor de vender 310 mil unidades em outubro, ou 13,5 mil por dia, dificilmente será alcançada. Entre os dias 1º e 29 deste mês, foram licenciados 266,5 mil veículos, o equivalente à venda diária de 12,7 mil. Caso o volume de vendas atinja 292 mil unidades no fechamento do mês, o crescimento em relação a setembro, quando foram comercializados 282,8 mil, será de apenas 3%.

Os dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que o estoque de unidades subiu de 385,7 mil em agosto para 404,5 mil em setembro. As vendas no mês passado subiram 8,7% em relação ao mês anterior, mas no acumulado de janeiro e setembro, a queda é de 4,4%. O presidente da Anfavea, Luiz Moan, esteve nesta semana no Ministério da Fazenda e, na saída, disse ter discutido questões conjunturais do setor.




 

Com alta da Selic, poupança ganha de fundos

 

Com a alta da taxa básica de juros, anunciada pelo Banco Centrral, a poupança passou a render mais que fundos de renda fixa com taxas de administração superiores a 2,5% ao ano, segundo simulação da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Com isso, a recomendação é que investimentos menores sejam direcionados à caderneta, já que o custo dos fundos tende a subir quando o volume aplicado é pequeno.

O aumento da Selic beneficia os dois tipos de investimento. No caso da poupança, influencia a taxa referencial (TR), que é acrescida ao rendimento fixo de 0,5% mensais. Segundo a Anefac, a caderneta passará a ter retorno de 0,58% mensais com a taxa básica a 11,25% ao ano — desempenho superior aos 0,56% que vinha sendo obtido com a Selic a 11% ao ano. Mas leva vantagem em relação à renda fixa, pois é isenta de Imposto de Renda e não paga taxa de administração.

Pela simulação da associação, um investimento de R$ 10 mil renderia, na poupança, 7,19% ao ano, indo, em um ano, para R$ 10.719. Caso o mesmo montante fosse aplicado pelo mesmo período em um fundo com taxa de administração de 1,5%, o valor final seria maior, de R$ 10.744. Já o mais caro dos investimentos, com taxa de administração de 3%, iria para apenas R$ 10.604.

— Dependendo da taxa de administração cobrada, para pequenos valores, a poupança vai ganhar — explica Miguel Ribeiro, coordenador de pesquisa e diretor-executivo da Anefac.

EFEITO SOBRE JUROS AO CONSUMIDOR É PEQUENO

O estudo da associação mostrou ainda que, apesar de a alta de juros ter como objetivo frear o consumo, o efeito do aumento de 0,25 ponto percentual sobre os juros ao consumidor é pequeno. Com a nova Selic, os juros do cartão de crédito, até então em 10,78% ao mês, sobem para 10,8%, em média. Com isso, usar R$ 3 mil do crédito rotativo por 30 dias, que custaria R$ 323,40 com a Selic antiga, passaria a custar R$ 324, uma diferença de apenas R$ 0,60.



Para empresas, o efeito também é pequeno. Na simulação de um empréstimo de capital de giro de R$ 50 mil, com prazo de 90 dias, os juros pagos, com a Selic em 11%, seriam de R$ 2.873,35 e, com a nova taxa, passam a R$ 2.904,49, diferença de R$ 31,14.

Segundo a Anefac, isso ocorre porque existe uma diferença grande entre a taxa básica e as taxas cobradas no mercado, que registram variação de mais de 800% entre as duas pontas.




 

CEF vai financiar veículos com taxas reduzidas até dezembro


O governo federal, através do Banco Pan, braço da Caixa Econômica Federal, decidiu dar mais uma ajuda ao setor automobilístico, neste fim de ano, que amarga vendas fracas e estoques elevados. Por um acordo assinado com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), a CEF tentará estimular as vendas oferecendo financiamento de veículos nos últimos dois meses do ano com taxas de juros especiais. Além disso, a primeira parcela somente será paga após o carnaval de 2015.

— As taxas começam a partir de 0,93% ao mês. E o pagamento da primeira parcela será feito quatro meses após a compra, ou seja no dia 1º de março, após o carnaval — disse Fábio Lenza, vice-presidente de Negócios Emergentes da Caixa.

O presidente da Fenabrave, Flavio Meneghetti, disse que o setor financeiro ainda está retraído, temoroso de assumir riscos de crédito.

— Esperávamos o segundo semestre mais forte, mas o acesso restrito ao crédito segurou o setor. Por isso, essa parceria com a Caixa é importante — disse o presidente da Fenabrave, Flavio Meneghetti.

As concessionárias também terão linhas especiais de financiamento, como capital de giro para décimo terceiro salário e outras despesas de fim de ano com taxas a partir de 1,35% ao mês para pagamento em 36 meses.

Mesmo com o Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido, as vendas de veículos estão mais fracas este ano em relação ao ano passado. Dados da Anfavea, que representa os fabricantes, mostram que até setembro a queda acumulada é de 9,1%. Muitas montadoras estão freando a produção e colocando seus trabalhadores no regime de lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho) para evitar demissões.

SETOR TENTA MANTER IPI REDUZIDO

Com a reeleição da presidente Dilma Rousseff, as montadoras já se movimentam para que o IPI reduzido seja mantido. O presidente da General Motors (GM) para a América Latina, Jaime Ardila, defendeu, a retomada das negociações com o governo para a continuidade da redução do IPI também em 2015. O IPI reduzido, que foi prorrogado de julho para o final de dezembro, é considerado pelos empresários como fundamental para amenizar o quadro de queda nas vendas de veículos no país.


O IPI como está hoje faz parte da indústria. O consumidor já se acostumou com ele e, se mudar, não pode aumentar — afirmou Ardila, que espera que a Anfavea, associação que reúne as montadoras, lidere a reivindicação junto ao governo.

O presidente da Anfavea, Luiz Moan, já havia afirmado que a reeleição da presidente Dilma Rousseff poderia facilitar as negociações para renovar o benefício, já que foi no governo dela que as reduções do IPI foram mantidas para compensar a redução nas vendas de veículos.

O setor automotivo no Brasil responde por cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) da indústria nacional. Mesmo com a continuidade do benefício, as montadoras ainda esperam um início de 2015 com estoques ainda altos nos pátios das montadoras, que hoje estão com cerca de 40 dias de vendas.



 

Desafio do governo é recuperar a confiança de investidores

Encerradas as eleições, o governo brasileiro enfrenta o "desafio imediato" de recuperar a confiança dos investidores e de apresentar um "novo começo" crível para a economia, segundo relatório da agência de classificação de risco Moody's. De acordo com a agência, as perspectivas para esse "novo começo" são cruciais para a nota do país, que está hoje em Baa2, com perspectiva negativa.

"Restabelecer a confiança é importante para manter a dívida do governo em níveis suportáveis, promover o investimento do setor privado e assegurar que a resposta negativa do mercado à eleição não conduza a uma tendência de baixa nos preços dos ativos", afirma a Moody’s.

A agência aponta que um dos desafios mais imediatos da presidente Dilma Rousseff é apontar como as políticas econômicas e os objetivos de seu segundo mandato serão diferentes do primeiro.

“É possível que, na ausência de uma diretriz clara sobre a trajetória política que o governo pretende seguir, os investidores mantenham a abordagem ‘esperar para ver’, a atividade econômica permaneça restringida e os mercados financeiros sejam submetidos a correções periódicas”, afirma, em nota, o vice-presidente sênior da Moody's, Mauro Leos.

Nota
Em setembro, a Moody's alterou, de estável para negativa, a perspectiva de nota do Brasil – o que significa que ela pode ser rebaixada. Segundo a agência, a decisão "refletiu o risco crescente de que o contínuo baixo crescimento e a piora dos indicadores de dívida sinalizem uma redução na qualidade de crédito do Brasil e irão deflagrar uma migração em sentido declinante em seu rating de crédito".

Na nota, a agência afirmou que "as próximas semanas irão oferecer um panorama útil sobre se tal reversão parece possível".

Fitch
Na segunda-feira, a agência de classificação de risco Fitch também falou sobre as perspectivas após as eleições brasileiras. Segundo a agência, o cenário de dificuldades para empresas brasileira em 2015 não foi alterado com a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Segundo a agência, problemas sistêmicos como inflação e sistema tributário excessivamente complexo e ineficiente continuarão a prejudicar os fluxos de caixa das companhias.

A Fitch afirmou ainda que a demanda doméstica deve continuar fraca, uma vez que a confiança dos empresários e consumidores não vai se recuperar de maneira significativa.

 

 

 

Governo brasileiro paga quase US$ 1 bi a mais pelos 36 caças

 

A empresa sueca Saab anunciou que assinou contrato com o Brasil para o fornecimento de 36 caças Gripen NG (de nova geração), incluindo 28 aviões de apenas um motor e oito aeronaves bimotores. O valor total da encomenda é de cerca de 39,3 bilhões de coroas suecas (US$ 5,4 bilhões). Um gasto que supera em quase US$ 1 bilhão o custo anunciado pelo governo em dezembro de 2013, que era de US$ 4,5 bilhões.

Naquela ocasião, o governo brasileiro selecionou o Gripen NG para ser seu próximo caça de nova geração, através do programa F-X2, do governo federal, criado em 2001 mas que ganhou força durante a gestão do presidente Lula. Desde então, as partes vinham negociando para finalizar um contrato, sendo que o anúncio desta segunda-feira marca a conclusão desse processo.

A Saab também assinou um contrato de cooperação industrial, que incluirá transferências de tecnologia à indústria brasileira nos próximos dez anos. Uma das condições imposta pelo governo brasileiro para disputar o contrato era a garantia de que a fabricação das aeronaves fosse realizada em território nacional.

Segundo nota da Saab, a Embraer será parceira estratégica no programa. “Como parte da transferência de tecnologia, a indústria brasileira terá importante papel no desenvolvimento e será responsável pela produção do modelo Gripen NG de dois lugares para a Força Aérea brasileira”.

Três países disputaram contrato

Os municípios de São Bernardo do Campo e São José dos Campos, ambos em São Paulo, já se preparam para receber os futuros investimentos. As entregas às Forças Armadas brasileiras acontecerão entre 2019 e 2024, informou a empresa. O contrato deve entrar em vigor no primeiro semestre de 2015.


Caças de três países disputaram o contrato com o governo brasileiro, que escolheu o modelo sueco em dezembro. Além do vencedor, o sueco Gripen, estavam na disputa o americano Boeing F/A-18 Super Hornet e o francês Dassault Rafale F3. O modelo da Saab substituirá os Mirage 2000, aposentados no começo deste ano.

“Estamos orgulhosos de estar ao lado do Brasil dentro deste programa tão importante”, afirmou o presidente da Saab, Marcus Wallenberg. “O contrato com o Brasil confirma que o Gripen é o sistema de avião de combate mais capaz e mais moderno”, afirmou, em comunicado oficial, o diretor-geral da Saab, Håkan Buskhe.

Brasil e Suécia serão os primeiros países a usar a nova geração dos caças. O Gripen é usado pela Aeronáutica da Suécia, República Tcheca, Hungria, África do Sul e Tailândia.

 

Contas externas brasileiras é a maior em mais de 12 anos

As contas externas brasileiras registraram, nos doze meses até setembro, o maior déficit em mais de 12 anos, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O déficit em transações correntes, que engloba a balança comercial, os serviços e as rendas – e é um dos principais indicadores do setor externo brasileiro – ficou em US$ 83,55 bilhões no período. O resultado é equivalente a 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo a série histórica disponibilizada pela autoridade monetária, trata-se do pior resultado, em doze meses e na proporção com o PIB, desde fevereiro de 2002, quando o déficit somou 3,94% do PIB. Economistas avaliam, assim como o próprio BC, que esta é a forma mais correta de comparação histórica.

Somente em setembro, ainda de acordo com dados oficiais, o déficit das transações correntes somou US$ 7,9 bilhões – o pior resultado para meses de setembro. No acumulado dos nove primeiros meses deste ano, o resultado negativo somou US$ 62,73 bilhões, o que representa uma alta de 4% frente ao mesmo período do ano passado (US$ 60,28 bilhões).

Para todo este ano, a expectativa do Banco Central para o déficit em conta corrente permaneceu em US$ 80 bilhões.

"O crescimento [do déficit em transações correntes] ocorreu de uma forma mais clara em 2012 e 2013. E chegou a este patamar de 3,5% [do PIB], agora passando para 3,7% [do PIB]. Mas já há algum tempo. Acho que o fundamental aqui é olharmos as condições de financiamento. Continuam confortáveis. O investimento estrangeiro direto continua afluindo no país em direção a níveis expressivos. Assim, 80% do financiamento [do déficit em conta corrente] segue feito por investimento estrangeiro", declarou Tulio Maciel, chefe do Departamento Econômico do BC.

Investimentos estrangeiros diretos
O BC informou ainda que os investimentos estrangeiros diretos somaram US$ 4,2 bilhões em setembro deste ano e US$ 46,21 bilhões nos nove primeiros meses deste ano. Isso representa um aumento de 5,6% frente ao mesmo período do ano passado, quando somaram US$ 43,74 bilhões. O BC manteve em US$ 63 bilhões sua previsão para o ingresso de investimentos no Brasil em todo este ano.

Os números da autoridade monetária mostram, portanto, que o resultado negativo da conta de transações correntes, de US$ 62,73 bilhões na parcial de 2014, não foi, novamente, "financiado" em sua totalidade pela entrada de investimentos produtivos na economia brasileira – algo que já aconteceu em 2013 e que, antes disso, não ocorria desde 2001.

Quando o déficit não é "coberto" pelos investimentos estrangeiros, o país tem de se apoiar em outros fluxos, como ingresso de recursos para aplicações financeiras, ou empréstimos buscados no exterior, para fechar as contas.

Economistas alertam, entretanto, que em um cenário de crescimento menor do PIB e menor disponibilidade de recursos nos mercados (com a sinalização do fim das medidas de estímulo nos Estados Unidos), a atratividade da economia brasileira também é menor, o que pode significar um pouco mais de dificuldade no financiamento do déficit das contas externas.

O governo tem lembrado, entretanto, que as reservas internacionais brasilerias, acima de US$ 370 bilhões, conferem tranquilidade na administração das contas externas brasileiras.

Componentes das contas externas
Dentro da conta de transações correntes, as rendas, que incluem, por exemplo, as remessas de lucros e dividendos ao exterior, registraram um déficit de US$ 27,49 bilhões de janeiro a setembro deste ano - contra um valor negativo de US$ 26,21 bilhões no mesmo período de 2013.

Para todo este ano, a expectativa do BC para o déficit na conta de rendas é de US$ 39 bilhões. As remessas de lucros e dividendos (parcelas de lucros), por sua vez, somaram US$ 18 bilhões nos nove primeiros meses de 2014, contra US$ 17 bilhões no mesmo período do ano passado.

De janeiro a setembro de 2014, ainda segundo informações do Banco Central, a balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 696 milhões, contra um resultado negativo de US$ 1,76 bilhão em igual período do ano passado. Para este ano, a previsão do BC para o superávit da balança comercial (exportações menos importações) está em US$ 3 bilhões.

A conta de serviços, por sua vez, que engloba os gastos de brasileiros no exterior, registrou um déficit de US$ 35,63 bilhões nos nove primeiros meses de 2014, contra um resultado negativo de US$ 34,52 bilhões no mesmo período do ano passado. Para todo este ano, o BC prevê um déficit de US$ 46,5 bilhões para a conta de serviços.

 

Cemitério dos Empregos no Brasil

Empresários e trabalhadores têxteis e de confecções fazem instalação de cemitério em frente à feira chinesa .

Nos últimos 12 meses 14 mil postos foram fechados

Segunda-feira 27, um dia após o novo presidente do Brasil ter sido eleito, um cemitério sugirá em São Paulo. A instalação de 150 cruzes que serão enfincadas no canteiro central da Av. Otto Baumgaurten (Pavilhão Amarelo do Expo Center Norte) representará os 14 mil postos de trabalho que foram fechados nos últimos 12 meses no setor têxtil e de confecção do Brasil. A localização do cemitério é muito simbólica, pois será em frente a uma feira chinesa que já recebeu, no ano passado, o primeiro protesto da indústria da moda. De lá para cá, as coisas só pioraram. O ato não é contra a feira, mas para chamar a atenção do governo e da sociedade para a falta de competição justa e o excesso de carga tributária sobre o setor brasileiro.

A iniciativa envolve a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit),Sindicato das Indústrias de Tecelagem de Americana, Nova Odessa, Santa Bárbara d´Oeste e Sumaré (Sinditec), Sindicato de Fiação e Tecelagem de São Paulo (Sinditêxtil-SP), Sindicato das Indústrias do Vestuário de São Paulo (Sindivestuário), Confederação Nacional dos trabalhadores das Indústrias do Setor Têxtil, Vestuário, Couro e Calçados (Conaccovest), Federação dos Trabalhadores Têxteis (Fetratex) e Sindicato dos mestres e contramestres de São Paulo (Sindmestres).

Segundo as entidades, se o mercado é global, os meios e as práticas de produção também deveriam ser globais. A competição se torna injusta uma vez que os asiáticos não cumprem leis rígidas exigidas aos empresários brasileiros, como cuidados ambientais, benefícios e salários dignos aos trabalhadores. No entanto, os empresários asiáticos prosperam tranquilamente aqui no nosso país, enquanto o setor fecha postos de trabalho.

Há mais de um ano, a Abit apresentou uma proposta de Regime Tributário Competitivo para a Confecção ao governo. No estudo feito, se o RTCC fosse implantado, até 2025 o setor criaria mais 597 mil vagas e a produção cresceria 117%. Para tanto, a carga atual de tributos que uma confecção paga hoje, em média de 18%, seria fixada em 5% para todos os tamanhos de empresa. O fortalecimento da confecção irá alavancar toda a Cadeia têxtil.

Enquanto o governo não atende ao pleito do setor, o volume de vestuário importado cresceu 25 vezes na última década. Nos primeiros nove meses do ano, as importações de têxteis e confeccionados cresceram 5,7%, em valor, e as exportações caíram 6,1%, enquanto que o aumento no déficit na balança comercial foi de 8,4%, em relação ao mesmo período de 2013, segundo dados do MDIC. Somente as importações de vestuário apresentaram aumento de 10,3%, em valor, comparativamente com o mesmo período em 2013. Em toneladas essa variação foi de 7%.

Segundo dados do CAGED, nos últimos 12 meses (setembro de 2013 a agosto de 2014), o saldo de empregos no setor têxtil e de vestuário brasileiro ficou negativo em -14.082, enquanto que no período de setembro de 2012 a agosto de 2013, o saldo foi de 11.690.

O saldo entre contratações e demissões na indústria têxtil e de confecção (somente de empregados com carteira assinada), em agosto, foi de 159 contra 2.840 em igual período de 2013, mostrando uma queda vertiginosa no ritmo de contratações, mesmo em época de encomendas.

Nos primeiros oito meses do ano (janeiro a agosto), o saldo de emprego ficou em 15.632 frente aos 33.958 de janeiro a agosto de 2013. Menos da metade do ritmo que o setor desempenhava nesse período

Os índices de produção também são preocupantes, tendo reagido poucas vezes nesse ano. Segundo dados do IBGE, de janeiro a agosto de 2014 houve diminuição de - 2,9% na produção de vestuário e de - 6,6% na de têxteis em âmbito nacional.

 

 

Feirão ‘Limpa Nome’ dá descontos a consumidores de todo país

 

A partir de 4 de novembro o Super Feirão Limpa Nome da Serasa vai oferecer condições personalizadas e descontos especiais a consumidores de todo o país que quiserem renegociar dívidas. Na edição deste ano o atendimento é presencial e online. Nas edições anteriores, os descontos chegaram a 95%. O feirão ocorre em um momento no qual foi registrado um aumento de inadimplência. Segundo a Serasa, de janeiro a setembro de 2014 a inadimplência fechou com elevação de 4,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Além disso, cerca de 40% da população adulta do país, com mais de 18 anos, está inadimplente.

Segundo o superintendente do SerasaConsumidor, Júlio Leandro, este é um ótimo momento para o consumidor colocar a sua vida financeira em ordem e voltar a ter acesso a crédito: “A oportunidade de o consumidor negociar uma dívida frente a frente com a empresa aumenta as chances de um acordo mais satisfatório para ambas as partes. Cada empresa vai oferecer uma proposta individualizada, com o objetivo de facilitar a conversa e proporcionar um bom resultado ao final do acordo”.

Para participar, basta entrar no site HTTP://www.serasaconsumidor.com.br/limpa-nome-online/ e preencher um cadastro. Após isso, o consumidor será levado a uma página onde são listadas todas as empresas do Limpa Nome Online com as quais ele possui alguma dívida pendente e que constam na base de dados da Serasa.

Ao escolher e clicar no nome da empresa, surgirá uma página apresentando as dívidas que o consumidor possui em aberto e os canais de atendimento disponíveis (telefones, e-mail, chat). A partir daí, o consumidor pode entrar em contato diretamente com as empresas para negociar possíveis descontos na dívida, com condições de pagamento diferenciadas – em alguns casos, é possível até mesmo que o boleto já esteja disponível, a partir de uma proposta feita pela própria empresa. Todas as propostas são apresentadas pelas empresas credoras de forma individualizada.

Consumidor deve se preparar antes

O consumidor deve se preparar antes de negociar, colocando na ponta do lápis todas as despesas fixas e as dívidas já assumidas ou previstas. Assim, é possível saber quanto deve sobrar para pagar a nova dívida que será negociada com a empresa (ou mais, se for o caso), escolhendo quais as condições e formas de pagamento melhor se encaixam no orçamento.

“Na hora da negociação, o consumidor deve ouvir a proposta e se não estiver de acordo, é importante fazer uma contraproposta, até que ambos cheguem a uma alternativa realista. O importante é que depois de renegociada, a dívida caiba no bolso do cidadão”, aconselha Leandro.

 

Falta de chuva ajuda companhias aéreas brasileiras em setembro

 

Pelo menos um setor da economia esta lucrando com a estiagem prolongada que atinge várias regiões do Brasil: as companhias aéreas. Em setembro, a demanda doméstica subiu 3 por cento sobre um ano antes, puxada pelas viagens de passeio, informou a associação que representa o setor.

"O clima ajudou o turismo", resumiu o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, ao anunciar os números do setor sobre o mês passado. "Esta calor, o pessoal vai viajar."

As viagens de turismo compensaram com sobras a queda na procura corporativa por bilhetes, o que a Abear atribuiu a uma combinação de menor atividade econômica e cenário eleitoral, o que tem feito decisões de negócios serem postergadas.

Em geral responsáveis por cerca de 60 por cento da demanda, as viagens de negócios também garantem maior rentabilidade às empresas aéreas, já que o preço médio dos bilhetes é bem maior.

De todo modo, a maior atividade nas viagens de lazer ajudou as companhias aéreas a conseguirem maior planejamento das frotas, com o nível médio de ocupação dos voos subindo 1,3 ponto percentual sobre setembro de 2013, para 78,67 por cento.

Isso porque a oferta de assentos em aeronaves no mercado doméstico, avançou 1,3 por cento na mesma base de comparação, menos da metade do avanço da demanda.

No acumulado de janeiro a setembro, o nível médio de ocupação, chamado de "load factor", cresceu 4,2 pontos, para 79,5 por cento.

"Foram números saudáveis para a industria", disse o consultor técnico da Abear Maurício Emboaba.

Se por um lado, a maior participação do turismo aumentou a taxa de ocupação das aeronaves, por outro prejudicou a rentabilidade das empresas, reclamou Emboaba.

A entidade, que representa as companhias aéreas Gol, TAM, Azul e Avianca, reforçou o discurso para que o governo federal reveja os critérios de tributação sobre o querosene de aviação, um dos principais custos das companhias, e cuja estrutura distorcida torna as viagens mais caras do que em outros países, segundo Sanovicz.

"Durante os últimos anos, conseguimos enfrentar as adversidades da economia. Com aumento da eficiência, mas nossa lição de casa esta chegando no limite" disse a jornalistas. "Agora dependemos muito de decisões do setor público para dar previsibilidade e estabilidade" ao setor.

 

Economistas voltam a piorar projeção para o PIB do Brasil

 

Economistas do mercado financeiro voltaram a reduzir a projeção para o crescimento da economia brasileira neste ano, segundo o boletim Focus divulgado pelo Banco Central. O relatório indica que o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) crescerá 0,27% neste ano. Na semana passada, o mercado havia elevado de 0,24% para 0,28% a previsão do PIB, quebrando uma sequência de 19 revisões negativas.

O levantamento é o primeiro divulgado após o BC divulgar que a economia desacelerou e cresceu só 0,27% em agosto, de acordo com o IBC-Br, resultado bem inferior ao 1,52% de julho. Com isso, pelas contas da autoridade monetária, o país cresce só 0,04% no ano, fortalecendo o pessimismo do mercado.

A pesquisa dessa semana também piorou a perspectiva para a indústria para queda de 2,24%, contra retração de 2,16% apontada no relatório anterior.

Em relação à inflação, a projeção continuou em 6,45% para este ano e 6,3% para o ano que vem. Entre o chamado “top 5”, grupo de economistas que mais acertam as previsões, a estimativa também foi mantida em 6,51%, acima do teto da meta do governo, de 6,5%. A pesquisa manteve ainda inalterada a projeção para a taxa básica de juros, a Selic, em 11% ao ano.




 

Novelis fechará fábrica de alumínio no Brasil



A multinacional Novelis anunciou que vai fechar sua fábrica de alumínio primário no Brasil, em Ouro Preto (MG), em meio à estratégia de se focar em laminação e reciclagem do metal no país.

A unidade em Ouro Preto, aberta em 1934, será fechada até o final do ano. A fábrica emprega cerca de 350 trabalhadores e tem capacidade para produzir 18 mil toneladas métricas de alumínio primário por ano.

No ano passado, a Novelis, controlada pelo grupo indiano Aditya Birla Group, completou investimento de US$ 340 milhões na expansão de laminação no Brasil, que ampliou a capacidade de 400 mil para 600 mil toneladas anuais. Os recursos foram aplicados na fábrica de Pindamonhangaba (SP), a maior instalação industrial da empresa na América do Sul.

"A decisão de encerrar as operações em Ouro Preto é consistente com nossa estratégia global", disse Tadeu Nardocci, presidente da Novelis para a América do Sul, em comunicado.

"Além disso, o fechamento é motivado por questões sistêmicas que afetam toda a indústria de alumínio primário no Brasil e que têm impactado o custo das operações e da competitividade", acrescentou o executivo.

QUEDA NOS PREÇOS



No fim de março, a Alcoa, maior produtora de alumínio dos Estados Unidos, anunciou corte de 147 mil toneladas de capacidade em duas usinas de alumínio primário no Brasil, diante da forte queda nos preços do insumo no mercado internacional e dos custos elevados de energia no país.

A produção brasileira de alumínio primário acumula queda de 23,2% de janeiro a agosto, para 682,3 mil toneladas segundo dados da associação que representa o setor, Abal.

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) baixou de 6% para zero em agosto o imposto de importação de alumínio primário. A medida vale até agosto de 2015.

 

'Prévia' do PIB continua crescendo em agosto

Após registrar a maior alta mensal em seis anos em julho, o nível de atividade da economia brasileira continuou avançando em agosto, o que indica que o Produto Interno Bruto (PIB) poderá sair do "atoleiro" no terceiro trimestre deste ano – nos dois primeiros trimestres, o país entrou na chamada recessão técnica.

Segundo os dados divulgados pelo BC, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) – um indicador criado para tentar antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) – registrou alta de 0,27% em agosto. Neste caso, a comparação não considera as variações conforme a época do ano (ou seja, foi feita após ajuste sazonal). Foi o segundo mês seguido de expansão.

Na parcial dos oito primeiros meses de 2014, segundo o BC, foi registrada, entretanto, uma contração de 0,11%, ou seja, houve pequena queda no nível de atividade. Neste caso, a comparação foi feita sem ajuste sazonal. Já no acumulado de 12 meses até agosto, a prévia do PIB registrou alta 0,93%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o crescimento da economia. O cálculo oficial desse dado é feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostrou, no segundo trimestre, uma contratação de 0,6% na economia, após um recuo de 0,2% nos três primeiros meses do ano – o que configura, segundo economistas, um quadro de "recessão técnica".

Para o mercado financeiro, o crescimento do PIB será de apenas 0,28% neste ano. O governo federal estima um, até o momento, uma expansão de 0,9% para o PIB de 2014. O Banco Central, por sua vez, projeta uma expansão de 0,7% para 2014.

Resultados do IBC-Br x PIB
O IBC-Br foi criado para tentar ser um "antecedente" do PIB. O índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos. Os últimos resultados do IBC-Br, porém, não têm mostrado proximidade com os dados oficiais do PIB, divulgados pelo IBGE.

Em 2012, por exemplo, o IBC-Br mostrou um crescimento de 1,6%. Posteriormente, o resultado oficial do PIB mostrou uma alta menor, de 1%. O mesmo aconteceu nas últimas divulgações trimestrais do PIB, quando o indicador não correspondeu aos resultados oficiais do PIB – divulgados pelo IBGE.

O Banco Central já avaliou, em 2013, que o IBC-Br não seria uma medida do PIB, mesmo que tenha sido criado para tentar antecipar o resultado, mas apenas "um indicador útil" para o BC e para o setor privado. "Se o IBC-Br acertasse na mosca é que seria surpreendente", afirmou o diretor de Política Econômica da entidade, Carlos Hamilton, no fim de 2012.

Definição dos juros
O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo Banco Central para definir a taxa básica de juros (Selic) do país. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária. Atualmente, entretanto, os juros básicos estão em 11% ao ano e a expectativa do mercado é de que assim permaneçam até o fim deste ano.

Pelo sistema de metas de inflação que vigora no Brasil, o BC precisa calibrar os juros para atingir as metas preestabelecidas. Quanto maiores as taxas, menos pessoas e empresas dispostas a consumir, o que tende a fazer com que os preços baixem ou fiquem estáveis. Para 2014 e 2015, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Desse modo, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país e medida pelo IBGE, pode ficar entre 2,5% e 6,5%, sem que a meta seja formalmente descumprida. Em 12 meses até setembro deste ano, o IPCA somou 6,75%, segundo números oficiais do IBGE.

 

Sede de aquisições da AB InBev quer a Pepsi

 

Se a Anheuser-Busch InBev não puder tomar sua cerveja preferida, talvez ela se contente com uma Pepsi. Com quase US$ 90 bilhões em acordos fechados nos últimos dez anos, incluindo a aquisição da fabricante da Budweiser em 2008, nenhuma empresa de bebidas gasta como a AB InBev. A maior parte das especulações sobre a próxima jogada do gigante da cerveja de US$ 170 bilhões tem se focado na segunda maior cervejaria do setor, a SABMiller. No entanto, uma companhia do tamanho e com as ambições da AB InBev tem outras opções, entre elas a PepsiCo.

A AB InBev e seus assessores vêm estudando há muito tempo se uma fusão com a empresa de refrigerantes e snacks de US$ 142 bilhões tem sentido estratégica e financeiramente, disseram fontes do setor. Mas não há negociações em andamento, nem existe uma oferta iminente. O cenário é um dos muitos avaliados pela empresa, acrescentou uma das fontes, pedindo não ser identificada porque as informações são privadas. A AB InBev deveria pensar em algo além do mercado da cerveja, disse a Albert Fried Co. Assim, empresas como a Monster Beverage ou a Keurig Green Mountain, que estão ainda mais longe do núcleo da cervejeira, entrariam no seu radar. De qualquer maneira, é pouco provável que a AB InBev saia de mãos abanando.

A cultura da AB InBev está “baseada em fazer grandes acordos, dar grandes passos à frente”, disse Richard Withagen, analista da Kepler Cheuvreux em Amsterdã, em entrevista por telefone:

— É tudo especulação sobre qual será o próximo passo. Que vai haver um próximo passo é quase certeza, eu não acho que essa empresa queira apenas gerenciar o negócio sem expandi-lo.

VELHOS CONHECIDOS

A AB InBev e a PepsiCo se conhecem bem, disse uma das fontes, mencionando o acordo de engarrafamento das empresas na América Latina. Os negócios de refrigerantes e snacks da PepsiCo são atraentes em meio à desaceleração dos lucros na área da cerveja, disseram as fontes. Qualquer acordo entre as empresas teria que ser amistoso.

O motor de uma aquisição seria o custo potencial e os benefícios para a receita de vender cerveja e refrigerantes através do mesmo sistema de distribuição. A AB InBev e seus financiadores brasileiros, entre eles o bilionário Jorge Paulo Lemann, da 3G Capital, também poderiam aumentar a lucratividade da PepsiCo como fizeram após a compra da Anheuser-Busch. Lemann e seus dois velhos parceiros de negócios são proprietários da AB InBev e membros do seu conselho.

— Olhando o histórico deles, esses brasileiros sempre gostaram de histórias de autoajuda — disse Ian Shackleton, analista da Nomura Holdings Inc. em Londres, em entrevista por telefone. — A SABMiller não preenche esse requesito.

Uma opção poderia ser a Coca-Cola, disse Shackleton. Potencialmente, há mais “alavancas para puxar em termos de redução de custos” do que na PepsiCo, que já vem reduzindo gastos em meio à pressão do investidor ativista Nelson Peltz, segundo o analista.



O maior obstáculo dos alvos fora do mundo da cerveja poderia ser que a AB InBev simplesmente se sente melhor só com a cerveja.

Então sobra a SABMiller. Andrew Holland do Société Générale diz que ela é “de longe o alvo mais atraente” para a AB InBev por causa do tamanho, da posição na África e da potencial economia de custos de um acordo. Philip Gorham, analista da Morningstar, diz que uma oferta poderia custar muito e não ser do interesse dos acionistas.

—O ponto principal é que eles sempre vão ser extremamente empreendedores — disse Shackleton da Nomura. — Eles têm um estudo de caso da Pepsi? Tenho certeza. Eles têm um da Coca-Cola? Sem dúvida. Eles têm um da SABMiller? É claro que sim. Com o preço certo, na oportunidade certa, tudo é interessante.

 

 

GM, Ford, Fiat e Volks são as montadoras campeãs de reclamações

 

GM, Ford, Fiat e Volks são as montadoras mais reclamadas no Procon-SP nos oito primeiros meses do ano, de acordo com boletim divulgado pelo órgão de proteção ao consumidor. Juntas, as dez fabricantes de automóveis que mais tiveram queixas registradas no Procon no período somaram 299 reclamações. O principal problema – 61% das queixas – diz respeito a defeito no veículo. De 1° de janeiro a 31 de agosto deste ano as montadoras registraram 50 campanhas de recall no país, convocando mais de 800 mil veículos defeituosos de volta às concessionárias.

Embora sejam as últimas colocadas na lista, Peugeot Citröen e Toyota deixaram de resolver 75% das reclamações encaminhadas. A média do índice de resolução das empresas também é baixo: apenas 47,1%. Para o Procon-SP, o número ideal de solução é acima de 95%.


A GM, que concentra o maior número de reclamações no Brasil - foram 74, com índice de solução de apenas 46% - enfrenta nos EUA um longo processo judicial por conta de um problema na ignição de veículos da marca,que matou pelo menos 27 pessoas no país. O escândalo foi agravado pelo fato de a montadora ter demorado para convocar recall e sanar o problema. Só em 2014 o número de recalls da montadora nos EUA já passou de 70, somando 30 milhões de veículos afetados. O mais notório foi o recall que afetou 2,6 milhões de carros em razão das chaves de ignição defeituosas.

O Procon-SP orienta que, o consumidor que tiver problemas semelhantes ou quaisquer dúvidas sobre seus direitos, entre em contato com os canais de atendimento ou procure o Procon de sua cidade.



 

Mercado de trabalho em setembro foi o pior em 14 anos

 

O mercado de trabalho deve registrar em setembro um dos piores saldos de criação de empregos para o mês nos últimos 14 anos. Segundo fontes do governo, a geração de postos com carteira assinada não superará 100 mil. Em setembro de 2013, foram abertas 211 mil vagas. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) devem ser divulgados pelo Ministério do Trabalho na próxima semana e ficarão bem abaixo da projeção dos analistas: criação de 144 mil empregos.

Setembro costuma ser favorável a contratações, sobretudo na indústria de transformação, que se prepara para as entregas de fim de ano. Mas o setor vem fechando vagas e registra saldo negativo há cinco meses consecutivos. A estimativa de técnicos do governo é que o resultado da indústria no Caged fique positivo, mas abaixo do obtido em setembro nos últimos três anos: 60 mil postos.

Com a crise no setor automobilístico, que colocou boa parte dos trabalhadores em férias coletivas ou em regime de suspensão temporária dos contratos de trabalho, as contratações na indústria deverão ser puxadas pela produção de alimentos e bebidas. Os setores de serviços e comércio, que ainda vêm sustentando o mercado de trabalho, não devem surpreender positivamente. A agricultura virá com saldo negativo, devido à entressafra. As demissões no setor começaram em agosto e deverão ser aprofundadas em setembro.

NO ANO, EXPECTATIVA DE 700 MIL POSTOS

Para o professor Rodrigo Leandro de Moura, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV), um conjunto de fatores ajuda a explicar a desaceleração do mercado de trabalho, como a estagnação da economia por dois trimestres seguidos e a piora nas expectativas, com inflação em alta, pessimismo dos empresários e incertezas geradas pelas eleições.

— O governo não fez os ajustes necessários e o mercado de trabalho reflete a piora no cenário econômico.

A estimativa dos técnicos é que a meta de criar um milhão de empregos neste ano não será alcançada. Deverão ser gerados 700 mil novos postos.




 

Emprego na indústria  do Brasil recua 0,4%

 

O emprego na indústria registrou queda de 0,4% em agosto, na comparação com julho, informou o IBGE. Foi o quinto resultado consecutivo nesse tipo de comparação. Frente ao mesmo mês do ano passado, houve queda de 3,6% — a mesma taxa de julho, igualando a marca de pior perda desde 2009. O resultado é divulgado uma semana depois de o instituto revelar que o setor cresceu pelo segundo mês seguido em agosto.

Com a sequência de taxas negativas, o nível de pessoal ocupado no setor já acumula perda de 2,9%, só entre abril e agosto. No ano, o recuo é de 2,7% e, em 12 meses, de 2,4%. A série de cinco quedas se iguala à sequência de meses negativos do ano passado, quando o nível de emprego recuou consecutivamente de maio a setembro. Em 2013, no entanto, o recuo acumulado foi menos intenso, de 1,8%. De acordo com o IBGE, uma série negativa mais forte que essa foi observada entre outubro de 2008 e junho de 2009: nos nove meses que se seguiram ao estouro da crise, a queda acumulada do emprego na indústria foi de 7%.

Para André Macedo, gerente da pesquisa industrial do IBGE, o mercado de trabalho no setor está em linha com o momento ruim da indústria brasileira.

— Mais do que o resultado de 0,4%, o que chama mais a atenção é a sequência de resultados negativos. A melhora (na produção, em julho e agosto) é algo muito pontual para que haja algum tipo de alteração de cenário do mercado de trabalho — avalia o especislista.

RENDIMENTO AUMENTA, HORAS PAGAS RECUAM

O único indicador positivo no mês foi o valor da folha de pagamento real, que cresceu 0,5% frente a julho e acumula alta de 0,4% no acumulado em 12 meses. Segundo os cálculos do IBGE, no entanto, o resultado recupera apenas parcialmente a perda de 5,1% acumulada nos dois últimos meses. O índice recuou 1,6% na comparação com agosto de 2013.

No período, também houve recuo no número de horas pagas — que indica o nível de produção. A queda frente a julho foi de 0,8%, e, na comparação com agosto de 2013, chegou a 4,5% — a pior desde outubro de 2009, quando havia sido de 5,3%.

— Fico com a ideia de que o aumento na folha de pagamento é uma melhora em funçao de bases mais baixas — explica André Macedo.

RECUO EM 13 DAS 14 REGIÕES PESQUISADAS

A queda em agosto foi disseminada, atingindo 13 das 14 regiões pesquisadas pelo instituto — quadro um pouco melhor que o do mês passado, quando todos os locais investigados tiveram índices negativos. Neste mês, só Pernambuco registrou resultado positivo, de 0,6%.

O maior impacto veio de São Paulo, maior parque industrial do país, onde o nível de ocupação caiu 4,8%. Segundo o IBGE, a taxa foi pressionada pelo menor dinamistmo nas indústrias de meios de transportes (-7,3%), máquinas e equipamentos (-6,4%) e produtos de metal (-9,9%).

Também houve fortes quedas no Paraná (-5,2%), Rio Grande do Sul (-4,7%), Minas Gerais (-3,3%) e regiões Norte e Centro-Oeste (-2,2%).


PRODUÇÃO INDUSTRIAL DEVE ENCERRAR ANO EM QUEDA

Em julho, o criação de vagas na indústria havia tido queda de 0,7% frente ao mês anterior. Segundo analistas ouvidos pelo GLOBO na ocasião, o nível de ocupação deve demorar para reagir, já que há uma defasagem entre a produção e o mercado de trabalho, que só começa a melhorar após seguidas altas da produção.

O cenário para o ano não é positivo. O avanço de 0,7% da produção em agosto, revelado pelo IBGE na semana passada, ainda não indica uma recuperação da indústria e sequer recupera as perdas acumuladas nos quatro meses anteriores, que chegam a 3,4%. Para o fim de 2014, a expectativa é que o setor recue 2,14%, segundo o mais recente boletim Focus.





 

 

Azul e Avianca terão 21 novos voos por dia em Congonhas

As empresas aéreas Azul e Avianca ganharam direito de operar, respectivamente, 13 e 8 novos voos por dia em Congonhas, em São Paulo, informou a Agência Nacional de Aviação Civil. A decisão é resultado da distribuição de novos horários de pousos e decolagens no aeroporto, um dos mais movimentados e disputados do país.

No total, a Anac disponibilizou em Congonhas 43 novos slots, termo técnico para horário de pouso ou de decolagem. A Azul ficou com 26 e a Avianca, com 17. Como cada par de slot forma um novo voo (um pouso + uma decolagem), a primeira terá 13 novos voos e a segunda, 8. Eles serão operados de segunda a sexta e não valem para os finais de semana.

Mesmo com a decisão,TAM e Gol continuam liderando em participação em Congonhas. Elas têm ali, respectivamente, 236 e 234 slots por dia, de segunda a sexta. A Avianca, que tinha 24, passou agora a 40. E a Azul, que não realizava voos durante dias de semana no aeroporto, tem agora 26, o equivalente a 5% de participação.

As empresas terão direito a operar os novos voos entre 27 de outubro de 2014 e 29 de março de 2015. Nesse período, a Anac vai avaliar, entre outros, a pontualidade da companhias. Se houver descumprimento, elas podem perder o direito.

Concorrência
No dia 26 de setembro, a Anac anunciou que Congonhas passaria a receber mais voos a partir deste ano. De acordo com a agência, a medida vai incentivar a concorrência entre empresas, o que deve resultar em redução no preço de bilhetes.

Por hora, Congonhas opera hoje até 30 pousos e decolagens da aviação comercial (jatos de companhias como TAM e Gol) em sua pista principal. Com a decisão, passará a operar até 33, dependendo do horário. Isso significa até 1 voo e meio a mais por hora.

O limite para 30 movimentos por hora, ou slots, havia sido estabelecido após o acidente com o avião da TAM, em 2007, a maior tragédia da aviação brasileira e que deixou 199 mortos. Antes do acidente, Congonhas operava até 48 pousos e decolagens por hora. A redução aconteceu devido às suspeitas de que o acidente poderia ter relação com o uso da pista do aeroporto.

 

Inflação oficial em 12 meses sobe a 6,75%




A inflação oficial brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou alta de 0,57% em setembro, informou o IBGE. Em agosto, o avanço havia sido de 0,25%. No acumulado em 12 meses terminados em setembro, o indicador avança 6,75%, o maior neste tipo de comparação desde outubro de 2011, quando subira 6,97%. No ano (entre janeiro e setembro), o índice já avança 4,61%.

A forte aceleração no acumulado em 12 meses, que havia ficado em 6,51% em agosto, veio acima do esperado pelo mercado. Segundo a Reuters, a mediana das projeções de analistas estava em 6,64%. Com o aumento, o IPCA se distancia muito do teto da meta do governo para a inflação, que é de 6,5%.

O avanço de setembro foi puxado pelo grupo alimentação e bebidas, que, após três meses em queda, registrou alta de 0,78% A categoria teve o maior impacto sobre o resultado, respondendo por 0,19 ponto percentual do índice. Entre as maiores altas, destacam-se a cebola, que subiu 10,17% e a farinha de mandioca, que avançou 2,52%. Já o tomate recuou 9,42%. Os alimentos são responsáveis pela maior parcela das despesas de consumidores.



Carnes têm o maior impacto

A alta na categoria foi influenciada pelo avanço no preço das carnes, de 3,17%. O resultado teve peso de 0,08 ponto percentual sobre o IPCA, o maior impacto individual sobre o índice. É a maior alta das carnes desde outubro de 2013, quando o grupo também avançou 3,17%. Eulina afirma que há uma combinação de razões para a alta do produto:

— Os pecuaristas argumentam que os pastos ainda estão secos por conta da seca do início do ano. Além disso, esse período do segundo semestre é de entressafra. O Brasil é o principal exportador de carne, a arroba do boi vem subindo desde o início do ano e os mercados estão favoráveis ao mercado brasileiro. Há ainda quem diga que há especulação.

Ela explica que não se pode dizer que a alta de alimentos é generalizada, já que produtos como tomate, batata e feijão carioca têm queda.


Passagens aéreas sobem mais de 17%

O segundo maior peso veio do grupo de transportes, que acelerou a alta de 0,33%, em agosto, para 0,63%, em setembro. O grupo teve impacto de 0,12 ponto percentual sobre o índice. O resultado foi influenciado pelos preços das passagens aéreas, que subiram 17,85% no mês, com uma contribuição de 0,07 ponto percentual. Já os combustíveis caíram 0,05%. O preço do litro da gasolina recuou 0,07% e o do etanol, -0,01%. A maioria das regiões teve queda nos preços de combustíveis. A exceção ficou por conta de Salvador, onde a gasolina ficou 10,98% mais cara e o etanol subiu 12,12%.

— Foi uma alta considerável, mais que dobrou o IPCA de agosto para setembro — afirma Eulina Nunes dos Santos, da Coordenação de Índice de Preços do IBGE.

No Rio, o grupo alimentação e bebidas sobe 9,86%. Segundo o IBGE, o cenário ainda é impactado por um prolongamento do efeito Copa do Mundo.

— Rio e São Paulo vêm sendo pressionados por alimentação fora de casa. Esse movimento de Copa propiciou aumentos — afirma Eulina.

Serviços aceleram

Os serviços aceleraram os preços em setembro. Em agosto tinham subido 0,59% e agora avançam 0,77%. A alimentação fora de casa acelerou de 0,71% para 0,81%. Já aluguel residencial passou de 0,66% em agosto para 0,57% em setembro. Nos últimos 12 meses, os serviços sobem 8,58%.

Já os itens administrados passaram de 0,50% em agosto para 0,40% em setembro. Nos últimos 12 meses, avançam 5,32%.



FMI Alertou sobre inflação alta

O relatório trimestral “Panorama da Economia Mundial”, divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), mostrou que o Brasil foi a economia, entre as principais do planeta, com o maior corte na previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014. A expansão, projetada até então em 1,3%, caiu 1 ponto percentual, para apenas 0,3%, o que configura estagnação. O Japão teve revisão de 0,7 ponto, de 1,6% para 0,9%.

Segundo o organismo, a inflação continuará próxima do teto da meta em 2014 e 2015, “refletindo persistência inflacionária, constrangimentos de oferta e pressão reprimida de preços administrados”. Agora o FMI projeta a inflação ao consumidor em 6,3% em 2014 e em 5,9% em 2015, contra 5,9% e 5,5% respectivamente no relatório anterior.

FMI não descarta recessão no Brasil

A perspectiva de expansão do Brasil no momento “é relativamente fraca”, “abaixo da capacidade potencial de médio prazo”, afirmou o vice-diretor de Pesquisas do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gian Maria Milesi Ferretti, em coletiva de apresentação das novas projeções do relatório “Panorama da Economia Mundial”. Embora muito cauteloso, Ferretti não descartou a possibilidade de o Brasil viver uma recessão no conjunto dos quatro trimestres de 2014 — uma contração técnica foi registrada no primeiro semestre. Perguntado sobre este risco, o economista do FMI disse que, em vez de discutir “se o crescimento é de mais ou menos 0,1%”, preferia se focar “na perspectiva geral de crescimento”.

A recuperação dependerá muito da resolução da incerteza política associada à eleição presidencial, que contribuiu para a perda acentuada de confiança de empresários e consumidores este ano, e da queda inflação, que permitiria uma política monetária mais expansionista. Acelerar os investimentos será fator-chave para a recuperação brasileira, bem como renovar o fôlego do consumo das famílias, diz o economista.

Segundo Ferretti, o ciclo de elevação dos juros pelo Banco Central (BC) para combater a inflação alta contribuiu para a desaceleração do Brasil, que viu ceifada em 1 ponto percentual a projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014, para apenas 0,3%. O impacto do aperto política monetária, avalia, continuará, dada a persistência das pressões inflacionárias e o período longo de efeito das decisões sobre juros.

Além disso, advertiu, o cenário externo já não é tão favorável ao Brasil. Os termos de troca dos produtos vendidos ao exterior caiu e a demanda internacional por commodities, como soja e minério de ferro, não é tão forte como em anos atrás, quando a economia brasileira viveu seu auge recente. A escalada do déficit em conta corrente (resultado negativo das transações comerciais e financeiras com o resto do mundo) para cerca de 3,5% evidencia este entrave, diz Ferretti.

— Combinados esses fatores, é um panorama de crescimento modesto, claramente abaixo da capacidade potencial de crescimento do Brasil no médio prazo — afirma o economista. — Queremos focar, em vez de se o crescimento é de mais ou menos 0,1%, na perspectiva geral de crescimento, e esta permanece relativamente fraca para o Brasil, permanece relativamente fraca para a região (América Latina) como um todo, E esperamos, novamente, que a resolução da incerteza política e uma inflação mais controlada pela política monetária ajudem na recuperação da confiança, favorecendo a retomada da atividade econômica.

O Brasil sofreu a mais forte revisão de projeções de crescimento entre as principais economias destacadas pelo FMI, tanto em 2014 quanto em 2015. Segundo o documento divulgado , o corte para o próximo ano foi de 0,6 ponto percentual, para 1,4%. O Brasil é destaque negativo entre as nações emergentes. Seu desempenho no Brics — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — só não é pior do que o russo. As economias chinesa e indiana são as emergentes de grande porte mais bem posicionadas.

 

Poupança tem menor entrada de recursos em 9 anos

Os depósitos superaram os saques na caderneta de poupança em R$ 1,36 bilhão no mês de setembro, informou o Banco Central (BC) Trata-se da menor entrada líquida de recursos para meses de setembro desde 2005, quando houve a retirada de R$ 708 milhões.

No acumulado dos nove primeiros meses deste ano, a captação da poupança (depósitos menos retiradas) somou R$ 15,53 bilhões, a menor entrada de recursos para este período do ano desde 2011, quando R$ 9,49 bilhões entraram na poupança. Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve queda de 68,2% (em relação ao ingresso de R$ 48,94 bilhões em 2013).

Depósitos, retiradas e saldo da poupança
Em setembro deste ano, ainda segundo o BC, os depósitos na caderneta de poupança somaram R$ 145 bilhões, enquanto os saques ficaram em R$ 143,72 bilhões. O volume dos rendimentos creditados nas contas dos investidores alcançou R$ 3,56 bilhões no mês passado.

Com isso, o volume total de recursos aplicados na caderneta subiu em setembro deste ano. No fechamento de 2013, o estoque de recursos na poupança totalizava R$ 597,94 bilhões, subiu para R$ 638,47 bilhões em agosto e para R$ 643,41 bilhões em setembro.

Cenário econômico e baixa atratividade
Segundo economistas, o cenário econômico, com alta da inflação e do nível de endividamento das famílias, tem contribuído para a queda no volume de entrada de recursos na caderneta de poupança neste ano. Além disso, o processo de aumento dos juros básicos da economia (a Selic), implementado pelo Banco Central entre abril do ano passado e maio deste ano, diminuiu a rentabilidade da poupança frente a outras modalidades de investimento.

De acordo com cálculos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), com a estabilidade da taxa básica de juros da economia em 11% ao ano desde o final de maio, as aplicações em renda fixa como fundos de investimento mantêm mais atratividade e "ganham da poupança na maioria das situações".

Isso ocorre porque o rendimento dos fundos de renda fixa sobe junto com a Selic. Já o rendimento das cadernetas, quando a taxa de juros está acima de 8,5% (o que acontece desde agosto), é fixo em 6,17% ao ano mais a variação da TR (Taxa Referencial, que é calculada pelo BC). Segundo a Anefac, as cadernetas de poupança vão continuar mais interessantes frente aos fundos de renda fixa quando a taxa de administração cobrada por eles for superior a 2,5% ao ano.

Fundo de reserva
Especialistas avaliam que, independentemente do rendimento, a caderneta de poupança ainda é uma boa opção de investimento em alguns casos. Pode ser uma boa opção, por exemplo, para pequenos poupadores (com pouco dinheiro guardado), para pessoas que buscam aplicações de curto prazo (poucos meses) ou que procuram formar um "fundo de reserva" para emergências – uma vez que não há incidência do Imposto de Renda.

"Os investidores costumam não gostar muito da caderneta de poupança, por ser um investimento que oferece baixos valores de rendimento. No entanto, posso dizer com segurança que ela é atraente para diversas pessoas, especialmente para aquelas que querem investir para a realização de um objetivo de curto prazo. Contudo, a pessoa educada financeiramente deverá buscar outras linhas que se adequam aos sonhos de médios e longos prazos também", avaliou Reinaldo Domingos, educador financeiro e presidente da DSOP Educação Financeira.

Nos fundos de investimento, ou até mesmo no Tesouro Direto (programa do governo de compra de títulos públicos pela internet) há cobrança do imposto de renda e, na maior parte dos casos, de taxa de administração. Nos fundos de investimento e no Tesouro Direto, o IR incide com alíquota regressiva, ou seja, quanto mais tempo os recursos ficarem aplicados, menor é o valor da alíquota incidente no resgate.

 

 

Venda de imóveis novos em São Paulo cai 48% em agosto

Em agosto, foram vendidos 1.797 imóveis novos em São Paulo, uma queda de 48% em relação ao mesmo período de 2013 (3.464), segundo pesquisa do sindicato da habitação, Secovi. Em julho deste ano, 736 unidades haviam sido negociadas, representando uma variação de 144,2%.

"No primeiro mês após a Copa do Mundo, os incorporadores imobiliários responderam com o aumento da quantidade de lançamentos. Este comportamento deve se consolidar a cada mês, até o final do ano", disse Emílio Kallas, vice-presidente de Incorporação e Terrenos Urbanos do sindicato, por meio de nota.

Segundo o presidente do Secovi, Claudio Bernardes, apesar do movimento de recuperação, as vendas ainda foram tímidas, provavelmente por influência do clima eleitoral, além de incertezas quanto aos rumos políticos e econômicos do país a partir de 2015.

As vendas acumuladas de janeiro a agosto de 2014 totalizaram 11.587 unidades, resultado 48,8% inferior diante das 22.638 unidades comercializadas em iguais oito meses de 2013.

Lideraram as vendas os imóveis de dois dormitórios, com 762 unidades e participação de 42,4%. Já o segmento de um dormitório respondeu por 33,5% do volume comercializado no mês, com 602 unidades.

O VGV (Valor Global de Vendas) de agosto atingiu R$ 984,2 milhões, uma queda de 40,9% frente ao volume de R$ 1,66 bilhão registrado no mesmo mês do ano passado.

O indicador VSO (Vendas sobre Oferta) de 12 meses encerrados em agosto foi de 48,6%. Ou seja, venda média de 48,6% dos imóveis ofertados nos últimos 12 meses.

De acordo com a Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio), em agosto, foram lançadas 2.115 unidades, um aumento de 117,4% em relação às 973 unidades lançadas em julho. Frente a agosto de 2013, foi registrada redução de 30,4%.

 

Montadoras de automóveis anunciam férias

 

O aumento de quase 9% nas vendas de carros entre agosto e setembro não foi suficiente para restabelecer a confiança das montadoras na retomada na demanda. Ford, Volkswagen e Renault já anunciaram novos períodos de férias coletivas ou licenças em suas fábricas. A GM, por sua vez, abriu outro programa de demissão voluntária (PDV). A Mercedes-Benz também tem reduzido sua produção em um dia na semana, para se adequar a oferta.

Em nota, a Volks informa que dará férias coletivas a uma parte do primeiro turno produtivo de sua unidade de São José dos Pinhais, no Paraná. O período vai durar de meados de outubro até o início de novembro. “No sentido de adequar os volumes de produção à demanda de mercado, a Volkswagen do Brasil iniciará um período de férias coletivas na unidade”, limita-se a dizer, sem detalhar quantos empregados serão atingidos.

A Renault deixará quase 50% dos seus 6,5 mil empregados na fábrica paranaense em férias entre os dias 13 e 22 deste mês. A montadora explica que foi prejudicada pela baixa nas exportações à Argentina e também pela redução da demanda interna.

A Ford para totalmente a fabricação de carros e caminhões em São Bernardo do Campo de hoje até o dia 13. A medida abrange 3,5 mil empregados.

A GM, que já está com 930 funcionários com o contrato suspenso, no chamado lay off, abriu nesta quarta-feira novo PDV nas unidades de São José dos Campos e São Caetano do Sul.

Na unidade de São José dos Campos, o programa ficará aberto até dia 8. Já na planta do  ABC Paulista, até dia 6. A empresa não dá detalhes sobre, por exemplo, a expectativa do número de empregados que deve aderir ao PDV. Em todo o país a GM emprega 21 mil pessoas.




 

Indústria do Brasil volta a encolher em setembro

A indústria brasileira não conseguiu sustentar a força proporcionada pelo fim da Copa do Mundo e voltou a contrair-se em setembro, prejudicada por quedas na produção e no volume de novos pedidos, apontou o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês).

O PMI apurado pelo Markit recuou em setembro a 49,3, deixando para trás o recorde de alta de cinco meses de 50,2 registrado em agosto, quando a produção e a assinatura de novos negócios aumentaram com o fim do evento esportivo.

Com isso, volta a ficar abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração, território em que permaneceu em cinco dos últimos seis meses.

"Com o número de setembro, o PMI de indústria encerra o terceiro trimestre a 49,6, sugerindo que a indústria brasileira permaneceu em contração após encolher no segundo trimestre", destacou o economista-chefe do HSBC André Lóes.

O volume de produção na indústria, segundo o Markit, recuou em setembro pela quinta vez nos últimos seis meses, diante do enfraquecimento do mercado em geral e da proximidade das eleições, destacadamente no subsetor de bens de investimento.

Ao mesmo tempo, a demanda mais fraca afetou o volume de novos pedidos, que encolheu pela taxa mais rápida desde maio. Somente a subcategoria de bens de capital viu aumento.

Com tudo isso, os empregos na indústria foram cortados pelo segundo mês seguido em setembro, sendo que a forte queda no nível de funcionários na categoria de bens de investimento superou as contratações nas outras.

Em relação a preços, os dados da pesquisa apontaram que pela primeira vez desde agosto de 2009 houve evidências de pressão para baixo nos custos de insumos. Com isso, os preços dos produtos caíram em setembro pela segunda vez em mais de dois anos e meio, com os entrevistados atribuindo isso ao enfraquecimento do mercado.

Em julho a produção industrial brasileira, último dado disponível, chegou a crescer após cinco meses de queda, com alta de 0,7%, mas analistas não consideraram o resultado como o início de tendência de recuperação para o setor.

Na quinta-feira o IBGE divulga os dados de agosto da produção, e pesquisa da Reuters aponta crescimento muito baixo, de apenas 0,1% sobre julho, dando pouco sinais de recuperação da recente crise.

As perspectivas para o setor neste ano são negativas, em meio a baixos níveis de confiança. Pesquisa Focus do Banco Central mostra que a projeção de economistas de instituições financeiras é de que o setor vai encolher 1,95% em 2014, quando o Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar apenas 0,29%.

 

Ambev passa Petrobras e tem maior valor de mercado

 

A Ambev superou a Petrobras como a empresa com maior valor de mercado da América Latina, segundo levantamento da consultoria Economatica. Enquanto a indústria de bebidas chegou a valer US$ 103,2 bilhões, a petroleira atingiu US$ 96,36 bilhões.

Na véspera, a ação preferencial da Petrobras registrou queda de 11,08%, liderando as perdas do Ibovespa, após divulgação de duas pesquisas na sexta-feira (26) mostrando a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, avançando na corrida presidencial.

Segundo dados da Economatica, entre todas as empresas de capital aberto da América Latina e Estados Unidos com valor de mercado acima de US$ 100 bilhões, a Petrobras é a única com queda do preço das suas ações e valor de mercado no período entre 31 de dezembro de 2010 e 26 de setembro de 2014.

As ações preferenciais da empresa caíram 38,18%, enquanto os papéis ON tiveram queda de 50,59%, considerando os preços em dólar. Já o valor de mercado da Petrobras caiu de US$ 228 bilhões para US$ 108 bilhões no período.

 

BC reduz previsão de crescimento do Brasil

 

O Banco Central derrubou a previsão de crescimento para este ano de 1,6% para 0,7% por causa de queda nos investimentos, desaceleração do consumo das famílias, retração na indústria e agricultura menos dinâmica. A autarquia ainda não espera uma grande recuperação da atividade econômica no ano que vem. De acordo com o relatório trimestral de inflação, divulgado nesta segunda-feira, a autoridade monetária aposta numa expansão de apenas 1,2% no acumulado em um ano ao fim do segundo trimestre, o limite de projeção do BC.

É a segunda vez este ano que a autoridade monetária reduz a previsão para o PIB brasileiro em 2014. Na semana passada, o governo federal reduziu de 1,8% para 0,9% a previsão de avanço da economia este ano, em relatório do Ministério do Planejamento. Mas, ainda assim, as duas projeções estão muito acima das expectativas do mercado: pesquisa do BC divulgada nesta segunda-feira mostra que os analistas reduziram pela 18ª semana seguida as previsões para o PIB brasileiro, desta vez de 0,3% para 0,29%. Em 2015, a estimativa permaneceu em 1,01%.


Nesse cenário traçado pelo Banco Central, o investimento deve encolher, em 2014, muito mais que o estimado no relatório trimestral de junho. A previsão passou de uma queda de 2,4% para nada menos que corte de 6,5%. Já o consumo das famílias deve desacelerar. O crescimento dos gastos do brasileiro — combustível do crescimento nos últimos anos — deve ficar em 1,6%. A aposta anterior era de 2%.

Nas perspectivas do BC, a agropecuária não deve ter um resultado tão bom quanto o esperado anteriormente. E a indústria deve amargar uma retração maior que o estimado antes, apesar do bom desempenho dos setores de extração mineral e petróleo.

BC: Melhora depende da confiança do comsumidor

O BC pondera que esse ritmo de crescimento menor tira pressão sobre a inflação e isso é benéfico para a economia. O Comitê de Política Monetária (Copom) vê um alinhamento entre oferta e demanda e espera mudanças estruturais nesse sentido, ou seja, o consumo dos brasileiros tende a desacelerar e o investimento ganhar força. A expectativa é que o cenário externo contribua para o desenvolvimento do país com aumento de competitividade do setor produtivo.

“Na visão do Copom, as mudanças (...) antecipam uma composição do crescimento de médio prazo mais favorável ao crescimento potencial. Nessa direção também apontam avanços em qualificação da mão de obra e o programa de concessão de serviços públicos. Nesse contexto, o Comitê entende que, em prazos mais longos, emergiriam bases para ampliação da taxa de investimento da economia, para uma alocação mais eficiente dos fatores de produção e, consequentemente, para que as taxas de crescimento do PIB efetivo retomassem patamares mais elevados e até mesmo para que o crescimento potencial aumentasse”, ressalta o BC no relatório. “O Comitê ressalta, contudo, que a velocidade da materialização das mudanças acima citadas e dos ganhos delas decorrentes depende do fortalecimento da confiança de firmas e famílias”.

Há alguns meses, o Banco Central tem mostrado preocupação crescente com o desenvolvimento econômico. Por isso, mesmo num cenário de inflação resistente, parou de aumentar os juros básicos em maio para não sacrificar a atividade econômica.

O Comitê de Politica Monetária interrompeu o mais longo ciclo de aperto monetário da sua história e deixou a taxa básica (Selic) em 11% ao ano. Esse é o principal instrumento do BC para controlar a inflação.

Enquanto isso, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado oficialmente no sistema de metas, está acima do limite permitido. A meta é de 4,5% com uma margem de tolerância de 2 pontos percentuais. No entanto, o IPCA está em 6,51% no acumulado nos últimos 12 meses.

A previsão do BC para a inflação neste ano caiu levemente de 6,4% para 6,3% neste ano. É praticamente a mesma esperada pelo mercado financeiro de 6,31%. Para o ano que vem, o BC aumentou a projeção para a inflação de 5,7% para 5,8%. Já os economistas do mercado financeiro projetam IPCA de 6,3%.



Para a taxa básica Selic, economistas elevaram a expectativa de 11,25% ao ano para 11,38% em 2015. Para este ano, a perspectiva permaneceu em 11%.

O BC vê um quadro favorável para o controle da inflação no futuro. A esperança é que a pressão sobre os preços podem até desaparecer no ano que vem.

“O Copom pondera que, apesar de a inflação ainda se encontrar elevada, pressões inflacionárias ora presentes na economia — a exemplo das decorrentes dos (...) processos de realinhamentos de preços e de ganhos salariais incompatíveis com ganhos de produtividade — tendem a arrefecer ou, até mesmo, a se esgotarem ao longo do horizonte relevante para a política monetária”, diz o relatório.




 

Congonhas dá mais espaço a Azul e Avianca

 

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) anunciou uma realocação nos slots (espaço para pousos e decolagens) no Aeroporto de Congonhas, que vai beneficiar as emprestas entrantes como Azul e Avianca. Com a mudança, o número de movimento que estava limitado desde o acidente com o avião da TAM, em 2007, a 30 por hora na pista principal, sobe para 32 e 33 para aviação comercial dependendo do horário. Para isso, a Anac retirou espeço da aviação geral (jatinhos executivos) de quatro movimentos por hora para dois ou um, também dependendo do horário.

Uma portaria publicada  no Diário Oficial da União hoje define o calendário para aalocação dos slots, que começa no dia 30 de novembro.

A partir de agora o órgão promete analisar rigorosamente os requisitos de regularidade ( não cancelamento de voos) e pontualidade por parte das empresas que operam no aeroporto. Quem não cumprir os horários perderá espaço no aeroporto, que serão entregues aos concorrentes, assim como terá que pagar multas.

A Anac justifica que a medida “ incentiva a concorrência e melhores preços, sem representar um aumento da capacidade do aeroporto, que permanece operando dentro das regras de segurança da aviação civil”

 

Taxa de desemprego no Brasil é preocupante

 

A taxa de desemprego ficou praticamente estável em agosto, em 5%, nas seis principais regiões metropolitanas do país (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre), segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) divulgada  pelo IBGE. É a menor taxa para meses de agosto da série histórica, iniciada em março de 2002.

O instituto informou que a taxa de desocupação total foi de 4,9% em julho, de 4,8% em junho e 4,9% em maio. É a primeira vez, desde o fim da greve de mais de 70 dias que atingiu o instituto, que a taxa é divulgada para o total das regiões pesquisadas. Desde maio, a taxa vinha sendo divulgada apenas parcialmente, para quatro regiões, com exceção de Salvador e Porto Alegre.

O rendimento médio ficou em R$ 2.055,50, registrando alta de 1,7% em relação a julho e de 2,5% na comparação com agosto de 2013. O emprego com carteira assinada subiu 0,7% em agosto frente a julho e 0,4% em relação a agosto de 2013.

FORÇA DE TRABALHO AUMENTA PELA 1ª VEZ NO ANO

Foi a primeira vez no ano que o contingente de pessoas na força de trabalho (empregadas ou à procura de emprego) e a ocupação aumentaram. A ocupação subiu 0,8% em relação ao mês anterior e teve leve queda na comparação com o mesmo mês do ano passado. Já o contingente de desocupados ficou em 1,221 milhão de pessoas nas seis regiões, um avanço de 3,3% em relação a julho e uma queda de 5,8% na comparação com agosto do ano passado.


Segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, não foram geradas vagas suficientes para atender a demanda, com tendência de alta.

— Foi a primeira vez que a ocupação cresceu no ano. Essa ocupação foi concentrada de forma significativa na construção civil em São Paulo e em postos de saúde e educação pública e privada — afirmou.

NO RIO, TAXA CAI PARA 3%

Azeredo afirmou que o aumento da força de trabalho pode ter sido resultado da queda de rendimento em meses anteriores. Entre maio e junho a renda média caiu 1,5%.

A região metropolitana do Rio registrou a menor taxa de desemprego entre todas as regiões pesquisadas. A taxa de desocupação caiu de 3,6% em julho para 3% em agosto. Foi a menor variação registrada pela região metropolitana, considerando todos os meses, desde o início da série em 2002. Em relação a agosto de 2013, a taxa caiu 1,5 ponto percentual de 4,5% para 3%. Já em Porto Alegre, subiu de 1,4 ponto percentual, de 3,4% para 4,8%, nessa comparação.



NA PNAD 2013

A divulgação ocorre em meio à crise institucional que vive o instituto. Na semana passada, o IBGE informou que errou na sua principal pesquisa. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2013), que mostra o retrato socieconômico mais amplo do país, com dados de mercado de trabalho, educação e acesso a bens do país, teve o peso de regiões metropolitanas em sete estados (Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul) superestimado.

Como nessas regiões o rendimento costuma ser mais elevado que no interior dos estados, houve impacto no cálculo de concentração de renda, além da taxa de analfabetismo, trabalho infantil, entre outros.




 

Executivos da Embraer são acusados de suborno

O Ministério Público abriu uma ação criminal contra oito empregados da Embraer, informou o “Wall Street Journal”. Eles são acusados de subornar autoridades da República Dominicana para garantir a aprovação de um contrato de US$ 92 milhões para o fornecimento de caças Super Tucanos às Forças Armadas do país.

A ação criminal, a qual o “Journal” teve acesso, corre em segredo de Justiça e marca uma das primeiras tentativas das autoridades brasileiras de processarem cidadãos do país por pagamento de propina no exterior. O processo obteve ajuda do Departamento de Justiça americano e da Securities and Exchange Commission (SEC, o xerife do mercado financeiro americano).

As agências americanas também estão investigando os acordos da Embraer na República Dominicana e em outros países e forneceram às autoridades brasileiras provas dos delitos, segundo o pedido de ajuda legal feito por procuradores brasileiros.

Empresa de ponta

A Embraer, uma das companhias brasileiras de maior destaque, é a terceira maior fabricante de aviões comerciais em volume de vendas e emprega mais de 18 mil pessoas em suas fábricas em Brasil, China, Portugal, França e Estados Unidos. A empresa tem suas ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE).

“Uma vez que o assunto é objeto de uma investigação em andamento no Brasil e nos Estados Unidos, a companhia não pode comentar mais detalhadamente sobre qualquer aspecto do caso, inclusive com respeito ao procedimento no Brasil, onde a empresa não é alvo de investigação”, informou a Embraer em um comunicado.

A Embraer informou em 2011 que estava sendo investigada nos Estados Unidos por suposta violação da Lei Internacional de Práticas de Corrupção. Como as ações da Embraer são negociadas na NYSE e porque alguns dos supostos pagamentos de suborno passaram pelos Estados Unidos, as autoridades americanas têm autorização para investigar a companhia. Porta-vozes do Departamento de Justiça e da SEC não quiseram comentar a reportagem do “Journal”.

Já o Ministério Público brasileiro apresentou uma queixa-crime de 31 páginas num tribunal do Rio de Janeiro em agosto passado, o primeiro passo para um processo criminal. O representante do Ministério Público também não quis comentar o caso.

Pagamento ao coronel

O processo alega que executivos do setor de vendas da Embraer ofereceram US$ 3,5 milhões para subornar um coronel da reserva da Força Aérea dominicana, que, por sua vez, pressionou parlamentares locais para aprovar a compra dos caças por meio de um acordo de financiamento entre a República Dominicana e o BNDES. A venda foi concluída e os caças entregues.

O coronel da reserva, Carlos Piccini Nuñez, atuava como diretor de projetos especiais para as Forças Armadas da República Dominicana em 2008, quando ocorreram as negociações. O contrato previu a entrega de oito caças Super Tucanos, de propulsão turbo para apoio em missões de ataque. Essas aeronaves têm feito sucesso entre as Forças Aéreas de países em desenvolvimento, por seu baixo custo e disponibilidade.


Segundo o “Journal”, a Força Aérea da República Dominicana e o Ministério da Defesa do país não responderam aos pedidos de entrevista com Piccini.

Segundo a reportagem do jornal americano, a ação criminal alega que o vice-presidente de vendas da Embraer, Eduardo Munhós de Campos, prometeu pagar a propina, e auxiliou no arranjo dos pagamentos feitos por Orlando José Ferreira Neto, outro vice-presidente; os diretores regionais Acir Luiz de Almeida Padilha Jr., Luiz Eduardo Zorzenon Fumagalli e Ricardo Marcelo Bester; e os gerentes Albert Phillip Close, Luiz Alberto Lage da Fonseca e Eduardo Augusto Fernandes Fagundes.



 

 

Dilma rebate ‘espanto’ após saque de R$ 3,5 bi do Fundo Soberano
 

A presidente Dilma Rousseff afirmou, em conversa com a imprensa após discursar na Cúpula do Clima das Nações Unidas, que “é estranhérrimo” e "estarrecedor" o modo como repercutiu no Brasil o anúncio de que o governo está sacando R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano — poupança de sobras orçamentárias — para fechar as contas de 2014. Segundo Dilma, o mecanismo foi criado em 2008 exatamente para a situação corrente, em que o país, e consequentemente a arrecadação, está crescendo menos.

— Nas vacas gordas, você tem dinheiro. Nas vacas magras, tem menos dinheiro. Um fundo soberano, criado em 2008 porque tivemos uma arrecadação e todo um desempenho a melhor, foi feito para ser usado quando? Quando o país precisasse, porque ele tem característica contracíclica, e foi criado exatamente assim. É estarrecedor que questionem o uso do Fundo Soberano quando o país cresce menos do que crescia quando o Fundo foi formado. Ele foi feito para isso.

Segundo a presidente, irresponsabilidade teria sido gastar o dinheiro em qualquer outra situação:

— Tivemos uma atitude séria, sistemática, de guardar para o futuro. E agora é a hora de usar. Estranho muito esta forma de tratar o Fundo soberano, esse espanto. Esse espanto é por quê? Aliás, (o Fundo Soberano) foi feito nos nossos governos. Eu era ministra da Casa Civil, sei exatamente quando ele foi formado e em que condições, e com quais razões. Poderíamos ter gasto o dinheiro com qualquer coisa. Não, nós guardamos o dinheiro. Para usar de forma contracíclica, ao invés de piorar a situação quando o crescimento é menor, você usa esse dinheiro para melhorar a situação.

Dilma negou ainda que o saque dos recursos da colchão para momentos difíceis signifique que o Brasil está em crise.

— Significa que hoje o crescimento é menor do que antes e você age para ampliar (o crescimento) — rebateu a presidente.




 

Preços do etanol caem em nove estados e no DF

Os preços do etanol hidratado nos postos brasileiros caíram em nove estados e no Distrito Federal, subiram em outros 15 e permaneceram estáveis em Rondônia e no Amapá na semana encerrada no sábado (20). Na semana anterior, houve queda em 12 estados, alta em outros 13 e estabilidade em Rondônia e no Distrito Federal.

Os dados são da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e mostram que no período de um mês os preços do etanol caíram em sete estados, subiram em outros 18 e ficaram estáveis em São Paulo e Distrito Federal.

Principal estado consumidor, São Paulo viu a cotação subir 0,32% na semana passada, para R$ 1,875 o litro. Na semana, o maior avanço das cotações foi registrado no Mato Grosso (5,47%), enquanto o maior recuo ocorreu em Goiás (2,48%). No mês, a maior queda ocorreu justamente em Goiás (5,37%) e o avanço mais significativo, na Bahia (10,11%).

No Brasil, o preço mínimo registrado para o etanol foi de R$ 1,499 o litro, no estado de São Paulo, e o máximo foi de R$ 3,20 o litro, no Acre. Na média, o menor preço foi de R$ 1,875 o litro, em São Paulo. O maior preço médio foi verificado no Acre, de R$ 2,944 o litro.

 

Genéricos são em média 57,37% mais baratos em SP

Pesquisa da Fundação Procon-SP mostra que os medicamentos genéricos são em média 57,37% mais baratos do que os de referência na cidade de São Paulo.

O levantamento identificou diferença de até 875,84% nos preços de um mesmo medicamento genérico nas farmácias. O medicamento Nimesulida, 100 mg, 12 comprimidos, por exemplo, custava R$ 1,78 em um estabelecimento e em outro, R$ 17,37.

Quanto aos de referência, a maior diferença encontrada foi de 280,06%. O Amoxil (Amoxicilina), da Glaxosmithkline, 500 mg, 21 cápsulas, foi encontrado em um estabelecimento da capital paulista pelo preço de R$ 15,50 e em outro, por R$ 58,91.

A pesquisa, realizada em agosto, envolveu 15 drogarias, distribuídas pelas cinco regiões do município de São Paulo, onde foram pesquisados 56 medicamentos, sendo 28 de referência e 28 genéricos. Segundo a diretora de estudos e pesquisas do Procon-SP, Valéria Garcia, na comparação entre preços de medicamentos de referência e genéricos, observa-se que a diferença é grande e os medicamentos genéricos são, em geral, mais baratos. “Mas é bom lembrar que um genérico de um mesmo laboratório também pode apresentar preços diferentes entre as drogarias. Logo, é essencial a pesquisa de preços sempre aliada à recomendação e prescrição médica”, diz.

Interior de SP
No interior paulista, São José dos Campos foi a cidade onde os preços variaram mais: a maior diferença encontrada nos genéricos foi de 881,38%, e de 300,06% para remédios de referência.

O levantamento foi feito em Araçatuba,Bauru,Caçapava,Campinas,Guarujá,Jacareí,Ribeirão preto,Santos,São Vicente, São José dos Campos,São José do Rio Preto e Sorocaba.
Recomendações
De acordo com o Procon-SP, vários fatores são determinantes de preço, como aplicação de descontos que varia de acordo com as condições locais de mercado, rentabilidade da loja, condições comerciais de compra; políticas comerciais diferentes para cada canal de venda (loja física, telefone e loja virtual); redes regidas pelo sistema de franquia, no qual não há uma política única de preços entre os franqueados.

O Procon recomenda que o consumidor faça uma criteriosa pesquisa de preço consultando a lista de Preços Máximos (PMC) dos medicamentos, disponível no site da Anvisa (www.anvisa.gov.br). A consulta também poderá ser efetuada nas listas de preços que
devem estar disponíveis ao consumidor nas unidades do comércio varejista, ou seja, nas
farmácias e drogarias.

"Munido dessa informação o consumidor deve comparar os preços dos medicamentos
entre os diversos estabelecimentos, como também os da própria rede, já que podem
variar significativamente."

 

 

BC vê 'provável fim do ciclo de redução da inadimplência'

 

A inadimplência na carteira de crédito doméstico fechou em 3% em junho de 2014, índice estável em relação a dezembro de 2013, depois de três semestres consecutivos de redução, "indicando o provável fim do ciclo de redução da inadimplência".

A avaliação é do Banco Central, por meio do relatório de estabilidade financeira, que avaliou o sistema financeiro nacional no primeiro semestre deste ano.

"Esse comportamento é explicado por um ritmo menos acentuado de queda da inadimplência nos bancos privados, cuja diminuição no semestre foi de apenas 0,1 ponto percentual, e pelo aumento de 0,2 ponto percentual nos bancos públicos. Constatam-se também comportamentos diferentes na análise por pessoa jurídica e pessoa física. No primeiro caso, houve aumento de 0,2 ponto percentual; no segundo, redução de 0,1 ponto percentual", acrescentou a autoridade monetária.

O último dado divulgado pela autoridade monetária sobre a inadimplência refere-se ao mês de julho, quando a inadimplência nas operações bancárias das pessoas físicas com recursos livres atingiu 6,6% -o maior patamar desde maio deste ano, quando estava em 6,7%. Já a taxa de inadimplência das operações dos bancos com as empresas, ainda no segmento com recursos livres, subiu de 3,4% para 3,5% em julho. A taxa geral, para recursos livres, atingiu 4,9% em julho – maior nível desde maio deste ano (5%).

Medidas de estímulo ao crédito
O aumento da taxa de inadimplência das famílias e das empresas acontece em um momento no qual governo anunciou medidas de estímulo ao crédito com o objetivo de tentar ajudar o crescimento da economia brasileira - que vem registrando baixos níveis neste ano.

Em agosto, o Banco Central anunciou duas medidas que vão liberar cerca de R$ 25 bilhões para os bancos emprestarem aos seus clientes. Em julho, a instituição já havia liberado R$ 45 bilhões para os bancos emprestarem.

Além disso, o Ministério da Fazenda também anunciou medidas para medidas para facilitar a compra de imóveis financiados, além da concessão do crédito consignado para trabalhadores do setor privado e para retomada de garantias – como automóveis e caminhões – pelos bancos, em caso de inadimplência.

Proteste recomenda cautela
A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) recomendou que as pessoas pensem duas vezes antes de adquirir um novo empréstimo. "As instituições financeiras poderão retomar mais facilmente os bens financiados. Devemos ter em mente a situação do tomador de crédito hoje, que já se encontra endividado e que, num cenário de juros elevados, não tem para onde correr", avaliou a entidade.

 

 

Comércio de SP tem alta de 10,1% nas vendas

O varejo da cidade de São Paulo teve alta média de 10,1% nas vendas na 1ª quinzena de setembro em comparação com o mesmo período de 2013, segundo balanço da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). De acordo com a entidade, o comércio foi beneficiado por dois dias úteis a mais.

As comercializações a crédito, medidas pelo Indicador de Movimento do Comércio a Prazo (IMC), saltaram 11,8%, impulsionadas pela concessão de crédito por parte de bancos oficiais, ajudando o financiamento de bens duráveis. Já as vendas à vista, segundo o Movimento de Cheques (ICH), cresceram 8,4% na quinzena.

“Esse avanço em setembro ajuda a compensar as quedas nas vendas no 1º semestre, que teve dias úteis perdidos em razão dos feriados e da Copa”, diz Rogério Amato, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de SP (Facesp). Desde 1º de janeiro, as vendas a prazo e à vista aumentaram 1,5% e 2,1%, respectivamente, ante o mesmo período de 2013, avanço moderado no ano de 1,8%, explicado por fatores como alta taxa de juros, crédito mais restrito por parte de bancos privados, queda da confiança do consumidor e incerteza no campo político. Em relação à 1ª quinzena de agosto, as vendas a prazo apresentaram alta de 9,9%, com o mesmo número de dias úteis. As vendas à vista caíram 20,2% na 1ª quinzena de setembro. A queda foi sazonal, já que em agosto os consumidores escolheram presentes de pequeno valor de uso pessoal para o Dia dos Pais, comprados à vista.

Inadimplência
O Indicador de Registro de Inadimplentes, que mede a entrada de registro de consumidores inadimplentes, apresentou, na 1ª quinzena de setembro, altas de 4,1%, 10,3% e 1,8% nas comparações mensal, anual e no acumulado. Para o Indicador de Recuperação de Crédito, que aponta os cancelamentos de dívidas, houve crescimentos de 12,7%, 6,9% e 2,2% nas mesmas comparações.

De acordo com o Instituto de Economia da ACSP, os dados sinalizam uma provável elevação da inadimplência em setembro em relação a 2013, mas não são motivo de preocupação, diante dos recebimentos de parcelas do 13º salário dos aposentados e, posteriormente, dos trabalhadores ativos, além da reabertura das campanhas de renegociações de dívidas.

 

 

Gasolina fica mais cara e puxa avanço da inflação pelo IPC-S

 

O preço da gasolina voltou a subir e puxou o avanço da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S). Da primeira para a segunda semana de setembro, o indicador passou de 0,21% para 0,39%.

A gasolina, cuja variação ficou em 0,46%, depois de recuar 0,31% no início do mês influenciou o grupo de gastos com transportes (de 0,03% para 0,28%). Nesta apuração, todas as oito classes de despesa componentes do índice apresentaram acréscimo em suas taxas de variação.

Também registraram avanços os grupos de alimentação (de 0,29% para 0,43%); educação, leitura e recreação (de 0,22% para 0,64%); habitação (de 0,35% para 0,46%); comunicação (de -0,45% para 0,09%); vestuário (de -0,21% para -0,01%); despesas diversas (de 0,16% para 0,20%); e saúde e cuidados pessoais (de 0,51% para 0,53%).

Veja a variação de preços de produtos:
Carnes bovinas (de 1,08% para 1,91%)
Show musical (de 0,36% para 2,35%)
Tarifa de eletricidade residencial (de 0,23% para 0,99%)
Pacotes de telefonia fixa e internet (de 1,23% para 3,06%)
Roupas (de -0,35% para 0,04%)
Alimentos para animais domésticos (de -0,60% para 0,03%)
Médico (de 0,74% para 0,90%)

 

Acionistas do Santander aprovam aumento de capital

Acionistas do Santander aprovaram em assembleia extraordinária a emissão de até € 4,7 bilhões em um aumento de capital para adquirir a fatia que o banco espanhol ainda não possui na sua unidade brasileira. A operação contemplará a emissão de até 665 milhões de ações do banco, o equivalente a 5,62% do Santander.

Durante a assembleia, a nova presidente do Conselho de Administração do Santander, Ana Botín, disse que, com a aprovação da oferta para comprar os 24,75% do Santander Brasil que o espanhol ainda não detém, a política de diversificação do grupo se fortalece, sendo "chave para consolidar essa nova fase de crescimento de nossos lucros".

Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliário (CVM), o Santander Brasil disse que aguarda as últimas autorizações regulatórios para dar início à permuta de ações. Após o processo de troca ser concluído, os acionistas minoritários da unidade brasileira passarão a deter certificados de depósitos de valores mobiliários (BDRs) do Santader Espanha.

O Brasil, que ao lado do Reino Unido é um dos motores dos resultados do banco, é um dos dez mercados nos quais o Santander conta com uma presença significativa em nível mundial.

Ana Botín aproveitou para enviar uma mensagem de confiança a respeito da economia brasileira ao destacar que ela "superará o período de desaceleração econômica pelo qual está passando".

A executiva também sinalizou que a transação permitirá ao banco um aumento nos lucros por ação do grupo nos próximos anos "graças às perspectivas favoráveis de nosso banco no Brasil", disse.

Além disso, Ana Botín defendeu que a operação no Brasil representa um impulso para a política do grupo de ter subsidiárias listadas em bolsas de valores.

Sobre seu possível sucessor no comando do Santander Reino Unido, Botín não quis fazer comentários, mas sinalizou que uma decisão será tomada em breve.

DISCURSO EMOTIVO

Em sua primeira aparição pública como presidente do Conselho do Santander, Ana Botín protagonizou um discurso emotivo ao defender o legado de seu pai, apostando em continuar com a estratégia de diversificação do grupo e priorizando a política de dividendos.

Em seus cerca de trinta anos na presidência do banco, ele colocou o Santander como primeira entidade da zona do euro e um dos primeiros dez bancos do mundo em capitalização de mercado", disse Botín em tributo ao seu pai, Emilio Botín, falecido na última terça-feira após um ataque cardíaco, aos 79 anos.

"A atenção a vocês (acionistas) foi sempre uma de suas prioridades e o dividendo, objeto principal de atenção para o banco", afirmou Botín, nomeada presidente do Conselho na quarta-feira passada por unanimidade, após ressaltar que seguiria com tal estratégia.

Diante de possíveis reservas expressadas por parte de alguns investidores quanto ao fato de o banco seguir comandado por um membro da família Botín pela quarta geração, a nova presidente do Conselho se limitou a dizer que foi nomeada a partir de uma proposta da comissão de nomeações e "em linha com os mais altos padrões de governança corporativa".



 

Inflação da baixa renda acumula alta de 6,22% em 12 meses

 

A inflação da baixa renda medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1) acumula alta de 4,01% no ano e de 6,22% nos últimos 12 meses, segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV). De julho para agosto, o indicador não mostrou variação.

As taxas de inflação para a baixa renda ficaram abaixo das registradas para o conjunto da população, calculadas pelo IPC – de 0,21% no mês passado e de 6,76% no acumulado em 12 meses.

Das oito classes de despesa que integram o cálculo do índice, três apresentaram acréscimo em suas taxas de variação: alimentação (de -0,59% para -0,03%); saúde e cuidados pessoais (de 0,14% para 0,20%); e educação, leitura e recreação (de 0,25% para 0,38%).

Nestes grupos, os destaques partiram dos itens: hortaliças e legumes (de -13,29% para -7,11%), artigos de higiene e cuidado pessoal (de -0,12% para 0,37%) e passagem aérea (de -15,31% para 8,80%).

Na contramão, foi registrada desaceleração na variação dos grupos de transportes (de 0,25% para -0,25%); habitação (de 0,36% para 0,23%); comunicação (de -0,07% para -0,93%); vestuário (de -0,10% para -0,48%); e despesas diversas (de 0,14% para 0,12%).

Nesta classes de despesa, destacam-se os itens: tarifa de ônibus urbano (de 0,48% para -0,41%), tarifa de eletricidade residencial (de 1,63% para -0,20%), tarifa de telefone residencial (de 0,00% para -1,97%), roupas infantis (de 0,97% para -0,73%) e cartão de telefone (de 1,14% para 0,37%).

 

Banco Central faz declarações catastróficas para o Brasil até 2016


 

O primeiro ano do mandato do próximo presidente deve ser marcado pela alta de preços acima do planejado pelo governo. O Banco Central admitiu que só espera que a inflação volte para o centro da meta de 4,5% nos primeiros trimestres de 2016. A informação é da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), publicada. A expectativa foi calculada com a hipótese de a taxa básica de juros (Selic) permanecer nos atuais 11% ao ano. Esse pelo menos é o plano de voo do BC, explicitado no documento: deixar os juros estáveis por um bom tempo.

Nas contas do BC, com juros no patamar atual e o dólar em R$ 2,25, a perspectiva para inflação neste ano caiu em relação à projeção feita na reunião do Copom em julho. No entanto, ainda está acima da meta de 4,5%. O número não é revelado nas atas do Copom, mas essa indicação de tendência é importante para os agentes econômicos. O BC apenas divulga esse cálculo nos relatórios trimestrais de inflação. O próximo será publicado ainda neste mês.

Para o ano que vem, o Banco Central informou que a projeção ficou estável. O Copom sublinhou, entretanto, que as expectativas para o IPCA entram em trajetória de convergência para a meta nos “trimestres iniciais” de 2016.

O comitê também deixou claro que não pretende diminuir os juros. A possibilidade era cogitada no mercado financeiro. Alguns negócios foram fechados no mercado futuro sob essa premissa, mas ela foi claramente descartada na ata da reunião da semana passada. No texto, os diretores explicaram que a Selic estável por um bom tempo garantirá que a inflação volte a cair.

"É plausível afirmar que, mantidas as condições monetárias – isto é, levando em conta estratégia que não contempla redução do instrumento de política monetária –, a inflação tende a entrar em trajetória de convergência para a meta nos trimestres finais do horizonte de projeção", disse o colegiado, que completou.

"O Copom destaca que, em momentos como o atual, a política monetária deve se manter vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos 12 meses, persistam no horizonte relevante para a política monetária".


Na semana passada, os diretores do Banco Central decidiram — por unanimidade — manter a taxa básica de juros em 11% ao ano. A medida era esperada pela totalidade do mercado financeiro, que esperava uma sinalização mais clara sobre os próximos passos. E o BC deu: retirou da nota divulgada no fim da reunião a expressão “neste momento”. Isso foi entendido como um indicativo que a Selic permanecerá estável no futuro, informação confirmada na ata.

A avaliação dos analistas é que o Banco Central está de mãos atadas por causa da inflação acumulada em 12 meses e pela recessão vivida pelo país. O Índice de preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 6,51%: acima do limite máximo da meta do governo que é de 4,5%, mas tem uma margem de tolerância de 2 pontos percentuais.

No campo do crescimento,a economia brasileira encolheu nos  últimos dois trimestres. Se o BC voltasse a aumentar os juros para conter a inflação poderia aprofundar a crise nos setores que mais sofrem como, por exemplo, a indústria.




 

Governo anuncia incentivos fiscais para usineiros


 

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou incentivos fiscais para usineiros. Segundo ele, o Reintegra será ampliado para os exportadores de etanol e o açúcar. O programa devolve tributos pagos na exportação até o limite de 3% do faturamento das empresas.

— O etanol e o açúcar vão entrar no Reintegra. Vão entrar imediatamente com o decreto que nós vamos fazer. Eles vão se se beneficiar este ano com uma alíquota de 0,3% sobre o valor exportado. E, no ano que vem, com 3% — disse o ministro.

O ministro afirmou que, a partir do ano que vem, essa alíquota de 3% valerá para todos os setores do Reintegra. Em entrevista publicada ontem no GLOBO, o ministro lembrou que, para ajudar as exportações de manufaturados, o governo havia reimplantado o Reintegra.

Ele antecipou que, para o ano que vem, o governo fixará a alíquota em 3%, o que representa uma renúncia de R$ 3 bilhões. Na avaliação de Mantega, a medida ajudará os exportadores, ao baratear a produção, e será uma forma de compensar uma eventual valorização do câmbio. — Isso vai ajudar os exportadores porque barateira a exportação brasileira e compensa uma eventual valorização do câmbio — afirmou.

Em junho deste ano, depois de reunião com a presidente Dilma Rousseff e empresários no Palácio do Planalto, Mantega anunciou o retorno do Reintegra com alíquotas entre 0,1% e 0,3%. O programa havia funcionado até 2013, com alíquota de 3%. Mas os setores de etanol e açúcar não eram beneficiados.

Em 2013, o setor de açúcar e etanol exportou US$ 13,7 bilhões segundo dados compilados pelo Ministério da Agricultura. Nos primeiros oito meses deste ano, no entanto, o faturamento do setor com exportações está 28% menor devido a uma redução nos volumes embarcados e nos preços do açúcar.

Enfrentando uma concorrida disputa à reeleição, a presidente Dilma Rousseff vem enviando nos últimos tempos sinais amigáveis ao mercado esperando recuperar a confiança de eleitores e investidores após a economia cair em recessão técnica neste ano.

As indústrias brasileiras de açúcar e etanol têm sido duramente afetadas por políticas do governo, que mantiveram os preços da gasolina doméstica artificialmente baixos para evitar uma alta na inflação. Cerca de 50 das usinas de cana do país, que no passado chegaram a totalizar cerca de 400, fecharam as portas desde a crise financeira global de 2008. Por volta de outras 60 usinas entraram com pedidos de proteção contra credores.



Os candidatos opositores Aécio Neves e Marina Silva têm culpado as políticas de controle de preço de Dilma pela elevação das expectativas de inflação e por prejudicar as finanças da Petrobras. Marina, que figura em recentes pesquisas de opinião empatada com Dilma em um provável segundo turno em outubro, prometeu elevar os preços da gasolina caso seja eleita. Tal medida ajudaria produtores de etanol a competir com a gasolina pela preferência dos consumidores.

A ampliação dos benefícios tributários no ano que vem colocará uma pressão financeira extra sobre o governo, que já enfrenta dificuldades para economizar recursos suficientes para alcançar a meta fiscal em 2014.

 

Baixo crescimento do Brasil  prejudicam investimentos


A agência de classificação de risco americana Moody’s anunciou que colocou a nota do Brasil em perspectiva negativa. Antes, a perspectiva era estável. Atualmente, o país tem grau de investimento — nota dada a países considerados seguros de se investir — na agência, com a nota Baa2. Abaixo dessa nota, ainda há um nível antes do chamado grau especulativo.

Na Moody's, uma nota em perspectiva negativa significa que o país pode ser rebaixado em um prazo de 12 a 18 meses. Em abril deste ano, porém, a agência havia informado que uma revisão da nota da dívida do país era "pouco provável".

A alteração na perspectiva se aplica a todas as classes de rating da agência. Segundo a Moody's, "a mudança reflete o risco crescente de que a manutenção de baixo crescimento e a piora nas métricas sobre a dívida do país indicam redução na capacidade de pagamento do Brasil, o que desencadearia queda na classificação de crédito". Para a Moody's, o "desafio fiscal" que a situação econômica impõe "impede melhora nos indicadores da dívida".

Entre os principais motivadores da mudança, segundo a agência, está a "redução contínua da crescimento econômico do Brasil, que dá poucos sinais de voltar a seu potencial no curto prazo".

A Moody's também citou a "deterioração no sentimento do investidor", que resultou na queda acentuada da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no PIB do segundo trimestre, indicador que registra investimentos na compra de máquinas, equipamentos e construção civil.

Ao mesmo tempo, a Moody's manteve a classificação de risco dos títulos soberanos brasileiros em Baa2, por causa do "resiliência do país a choques financeiros externos" e da pouca exposição das finanças do país a mudanças globais do apetite por risco.

Alerta pode adiar investimento,dizem analistas

Para analistas do mercado financeiro, os problemas com a política fiscal e a inflação em alta pesaram na decisão da agência.



Nos últimos quatro anos, todas as variáveis acompanhadas pela agência, como a dívida líquida, a inflação e o crescimento, pioraram muito. O governo também é muito criticado pela chamada "contabilidade criativa", que mascara as contas públicas e representa risco significativo para a dúvida pública. Olhando tudo isso, o cenário é muito ruim. O que a Moody's fez foi sinalizar que, se isso continuar, são grandes as chances de haver um rebaixamento — avaliou Rogério Freitas, sócio da Teórica Investimentos, uma gestora de recursos.

Segundo Freitas, a mudança na perspectiva pela Moody's "terá impacto real, nem que seja marginal", na economia:

— As agências cumprem um papel dentro do sistema. Um alerta como esse pode fazer com que alguns investimentos sejam adiados ou que o custo de se fazer negócios no Brasil aumente na avaliação do investidor estrangeiro.

Um outro gestor, que preferiu não ser identificado, disse que o principal motivo para a deterioração da situação fiscal do Brasil foi o fato de o governo atual "ter abandonado o tripé", em referência à combinação de meta de inflação, câmbio flutuante e poupança para pagar juros da dívida.

— O governo tem que voltar a mirar uma inflação de 4,5%, não de 6,5%, no teto da meta, como tem feito — criticou.

Mas, para Freitas, o mercado financeiro está mais otimista com a perspectiva brasileira do que as agências de classificação de risco. isso porque os investidores estão apostando na vitória de Marina Silva (PSB) nas eleições presidenciais, candidatura que vem ganhando força, segundo pesquisas de intenção de voto. A principal bandeira econômica de Marina é, justamente, retomar o tripé macroeconômico.

— Não é papel da Moody's traçar seus cenários especulando sobre o futuro eleitoral. Mas o mercado financeiro está fazendo isso e está mais confiante em uma mudança —acrescentou.

Na disputa com Marina pela confiança do empresariado, a presidente Dilma Rousseff (PT) também já prometeu mudanças na política econômica e em sua equipe da área em eventual segundo mandato.


S&P JÁ HAVIA REDUZIDO RATING

Em março, a Standard&Poor’s rebaixou a nota do Brasil de de "BBB" para "BBB-", encerrando uma década de elevações da nota brasileira e surpreendendo o governo e o mercado, que não esperavam tal medida antes das eleições presidenciais. A nota deixou o Brasil ainda com grau de investimento, mas no menor patamar desta categoria.

Com isso, a Fitch se tornou a única a não fazer qualquer alteração na nota do Brasil. Em julho, a agência encerrou a revisão anual da nota do Brasil e anunciou que manteve a classificação em "BBB", com perspectiva estável.



 

Cresce número de consumidores que buscam crédito

As medidas de estímulo ao crédito anunciadas pelo Banco Central em julho impulsionaram os consumidores a buscar crédito em agosto. A quantidade de pessoas que procuraram crédito aumentou 6,6%, na comparação com o mês anterior, segundo pesquisa da Serasa Experian.

Frente a agosto do ano passado, a procura por crédito subiu 1,3%. No entanto, no acumulado de janeiro a agosto deste ano, a demanda do consumidor acumula queda de 5,2%.

Quanto às faixas de renda, a demanda cresceu em todas, com destaque para o aumento de 7,4% no caso dos consumidores que ganham entre R$ 500 e R$ 1.000 por mês. Na sequência, estão as pessoas que têm renda mensal entre R$ 1.000 e R$ 2.000, com alta de 6,4%. Nas demais camadas de rendimento mensal, a procura do consumidor em agosto cresceu 5,5% (faixa de renda mensal abaixo de R$ 500) até 5,9%, para os consumidores que recebem entre R$ 2.000 e R$ 5.000 por mês.

Na análise por regiões, o maior avanço da demanda do consumidor por crédito ocorreu na Sul, com alta de 10,7% em agosto. No Sudeste o crescimento foi de 8,4% frente a julho. No Nordeste, a alta foi de 2,5% e no Centro-Oeste, de 1,2%. Apenas a Região Norte registrou queda, de 0,8%, em relação a julho.

 

Inflação oficial fecha agosto em 0,25%

A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou agosto em 0,25%. Em julho, a taxa havia ficado em 0,01% e em agosto do ano passado, a taxa foi 0,24%.

Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumula taxas de 4,02% no ano e 6,51% em 12 meses, pouco acima portanto do teto da meta do governo, que é 6,5%.

A inflação em agosto continuou sendo puxada pelo grupo de despesas habitação que, com taxa de 0,94%, respondeu por mais de metade do IPCA. Os principais itens individuais responsáveis pela alta do índice foram o de empregados domésticos, 1,26% mais caro, e energia elétrica com variação de 1,76% em agosto.

Os alimentos, por sua vez, com uma deflação (queda de preços) de 0,15%, foram os principais responsáveis por evitar uma alta mais acentuada do IPCA.




 

Em agosto a produção de veículos cai 22,4% no Brasil

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) confirmou que a indústria automobilística andou de marcha ré no mês passado. Na comparação com agosto do ano passado, as vendas de veículos (automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus) caíram 17,2% e a produção teve um recuo 22,4%, totalizando 272,5 mil unidades.

No acumulado do ano até agosto, foram produzidos 2,1 milhões de unidades, uma queda de 185 em relação a igual período de 2013. Nessa mesma base de comparação, os licenciamentos tiveram retração de 9,7%. Também foi registrada queda na comparação com julho. As vendas recuaram 7,6% e a produção, 5,3%.

Para Luiz Moan, presidente da Anfavea, agosto teve um desempenho abaixo das expectativas por conta do mês ter tido um dia útil a menos e pelas condições de crédito mais restrito, que só começaram a melhorar na última semana do mês, além do cenário "conturbado por fatores externos ao setor". Como exemplo, citou a disputa eleitoral.

— O mês ficou abaixo das nossas expectativas iniciais, mas esperamos um segundo semestre melhor que o primeiro — disse.



 

Tesouro  brasileiro faz a 3ª vendas de  títulos em 2014

O Tesouro Nacional anunciou mais uma emissão de títulos no mercado internacional. Segundo nota divulgada pelo Ministério da Fazenda, o papel oferecido aos investidores estrangeiros será denominado em dólares com vencimento em janeiro de 2025.

Ainda de acordo com a nota, a emissão será liderada pelos bancos Morgan Stanley, BTG Pactual e Citigroup. Os títulos serão emitidos nos mercados americano e europeu, mas o Tesouro também poderá estender a operação ao mercado asiático.

Essa é a terceira captação de recursos que o governo faz no exterior em 2014. A primeira ocorreu em março, quando foram emitidos € 1 bilhão em títulos com vencimento em 2021. Já a segunda foi em julho, quando o Tesouro vendeu US$ 3,55 bilhões em papéis com vencimento em 2045.

Como o Brasil já tem em caixa todos os dólares que precisa para honrar sua dívida externa este ano, a ideia da emissão é principalmente reduzir taxas e melhorar a curva de juros externos dos papéis emitidos pelo governo. Essa estratégia também ajuda o setor privado, pois os juros dos títulos públicos servem como referência para as operações feitas pelo setor privado no mercado internacional.

 

Gasolina deve subir ainda este ano

Questionado se haveria aumento no preço da gasolina ainda neste ano, Mantega afirmou que "todo ano tem aumento da gasolina". "Este ano não deve ser diferente. Ano passado tivemos dois aumentos de gasolina. Não há uma regra fixa, mas todo ano pode ter um ou dois aumentos de gasolina", declarou o ministro da Fazenda.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo enviará uma nova lei ao Congresso Nacional para reajustar a tabela do Imposto de Renda em 4,5% em 2015. Isso porque a Medida Provisória 644, enviada em 30 de abril, por ocasião do Dia do Trabalho, não foi votada e perdeu a validade na última sexta-feira (29).

"Vamos resolver isso com alguma nova lei. Isso vamos verificar. Não vamos deixar sem essa revisão da tabela. Ainda não tem uma definição como vamos encaminhar isso", disse o ministro da Fazenda após ser questionado por jornalistas.

A tabela do imposto de renda é corrigida anualmente em 4,5% desde 2007. O percentual de 4,5% é o que o governo estabelece como meta para a inflação anual. Representantes dos trabalhadores, porém, têm pedido nos últimos anos uma correção maior da tabela, alegando que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado como referência no sistema de metas de inflação, tem ficado acima da meta central. Em 12 meses até julho, o índice ficou em 6,5%.

No ano passado, foram feitos dois reajustes nos preços da gasolina. O primeiro aconteceu em janeiro, quando a Petrobras reajustou o diesel em 5,4% e a gasolina, em 6,6%. O último ocorreu no fim de novembro, quando a Petrobras anunciou que os preços da gasolina e do diesel foram reajustados nas refinarias. Na ocasião, a alta foi de 4% para a gasolina e de 8% para o diesel.

 

 

Analistas cortam previsão para o PIB a 0,52%

 

Analistas do mercado financeiro reduziram, pela 14ª vez consecutiva, a previsão para o crescimento da economia brasileira neste ano. Segundo o boletim Focus divulgado pelo Banco Central, a nova projeção é de alta de apenas 0,52% em 2014, bem menor que a expectativa de 0,70% da semana passada.

O relatório é o primeiro a sair após o IBGE divulgar o resultado do PIB do segundo trimestre, que não só mostrou contração de 0,6% no segundo trimestre, mas também revisou o dado relativo aos primeiro trimestre, que ficou negativo em 0,2%. As duas quedas seguidas caracterizaram a chamada recessão técnica.

Os números decepcionaram ainda mais os analistas, que já estavam pessimistas em relação à economia do país. Na quinta-feira, antes da divulgação dos dados do IBGE, a mediana das projeções indicava alta de 0,69%. Na sexta-feira, a estimativa caiu para os 0,52% reveleados nesta segunda. O resultado ruim também influenciou as projeções dos economistas para o ano que vem. Agora, a previsão é de alta de 1,1% (frente a 1,2% apontada na semana passada).

A previsão para a indústria, um dos setores que mais pesou sobre a queda do PIB no segundo trimestre, teve leve alta, mas permaneceu negativa em 1,7%. Para o ano que vem, a expectativa é de alta de 1,7%.

Em relação à inflação, a estimativa dos economistas permaneceu a mesma. A previsão é que o IPCA feche o ano em 6,27%. Para 2014, a mediana das projeções subiu levemente, de 6,28% para 6,29%.

Também não houve alteração da projeção para a taxa de juros deste ano, que foi mantida em 11% ao ano. Já para o ano que vem, a mediana das previsões subiu para 12% ao ano. Nas últimas semanas, as estimativas para a Selic de 2015 têm oscilado entre 11,75% e 12% ao ano, influenciadas principalmente pelas projeções para a alta de preços do ano que vem.

 

 

Economia brasileira encolhe 0,6% no 2º trimestre

A economia brasileira encolheu 0,6% no segundo trimestre deste ano, na comparação com os três meses anteriores, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O dado do primeiro trimestre de 2014 – que, ao ser divulgado, em maio deste ano, indicava expansão de 0,2% – foi revisado para queda de 0,2%. Com a sequência de dois trimestres seguidos de queda, configura-se um quadro que os economistas chamam de recessão técnica.

A última vez que o Brasil registrou uma recessão técnica foi no último trimestre de 2008 e primeiro de 2009, durante a crise econômica mundial.

Em valores correntes (em reais), o Produto  Interno B ruto no segundo trimestre deste ano chegou a R$ 1,27 trilhão. Ele é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, e serve para medir a evolução da economia. Esse cálculo pode ser feito tanto do lado da produção (riquezas) quanto dos gastos (demanda) – os dois valores são iguais.

Os principais impactos no PIB entre abril e junho vieram do recuo nos investimentos (5,3%) e na indústria (1,5%). Para analistas, a Copa e a crise na indústria foram decisivos para o resultado. "A principal causa foi a queda dos investimentos. Já tem algum tempo que eles estão caindo, mas a queda foi forte nesse trimestre", analisa Rebeca de La Rocque Palis, gerente da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE.

Na comparação com igual período do ano passado, a queda do PIB foi de 0,9%. No acumulado em quatro trimestres encerrados no 2º trimestre de 2014, a atividade doméstica ainda registra alta, mas de apenas 1,4%.

Recessão técnica
Ao comentar a situação de recessão técnica, o IBGE entende que houve estabilidade na economia no primeiro trimestre. "A gente considera queda e crescimento quando o numero é de 0,5 pra cima e queda de 0,5 para baixo", explica Rebeca.

Como é considerada a possibilidade de recuperação no curto prazo, a recessão técnica difere de uma recessão mais profunda, quando há também aumento do desemprego e falência de empresas.

Após a divulgação do PIB, o ministro Guido Mantega disse uqe não se deve falar em recessão. "Para mim, é uma parada prolongada", afirmou. "Estamos falando de dois trimestres, e sabemos que a economia está em movimento. Recessão é quando tem desemprego aumentando e a renda caindo, aqui temos o contrário."

Menos investimentos
Os investimentos sofreram forte queda de 5,3% em relação ao trimestre anterior (1º trimestre de 2014), puxando o resultado negativo do PIB.

Na comparação com igual período do ano passado a baixa chega a 11,2%.

"O destaque negativo são realmente os investimentos, que já têm quatro trimestres com taxas negativas e a taxa ainda mais negativa nesse trimestre”, afirma Rebeca. "O menor resultado antes desse foi no primeiro trimestre de 2009, quando (os investimentos) caíram 11,8%."

Segundo a analista, a queda forte é influenciada por outros componentes do investimento, como construção civil e produção de máquinas e equipamentos.

Gastos do governo
Os gastos do governo recuaram 0,7% em relação ao trimestre anterior. "O consumo do governo [nesse trimestre] foi o menor desde o terceiro trimestre de 2012, quando teve queda de 0,8%”, completou Rebeca.

Na comparação com igual período de 2013, houve expansão de 0,9%.

Consumo das famílias
O consumo das famílias cresceu a uma taxa de 0,3%, e, em relação ao 2º trimestre do ano anterior, a expansão foi de 1,2%.

"A gente vê menos (crescimento) do que o que tinha ocorrido no primeiro trimestre, mas continuou crescendo", avalia a gerente. O IBGE só considerou as quatro regiões que foram divulgadas pela Pesquisa Mensal de Emprego (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Recife), e não considerou Salvador e Porto Alegre na conta.

Exportações
Quanto ao setor externo, as exportações de bens e serviços cresceram 2,8%, enquanto as importações apresentaram queda de 2,1%, em relação ao primeiro trimestre de 2014.

Na comparação anual, as vendas para o exterior tiveram alta de 1,9%, enquanto as importações recuaram 2,4%, de acordo com o IBGE.

Indústria
Dos três setores analisados pelo IBGE para o cálculo do PIB, apenas um mostrou variação positiva, o de agropecuária, que teve ligeira alta, de 0,2% no segundo trimestre ante o trimestre anterior.

“A indústria como um todo teve queda de 1,5%, foi a taxa mais baixa desde o segundo [trimestre] de 2012, que também caiu 1,5%", afirma a gerente de Contas Nacionais.

O IBGE destacou o desempenho ruim da indústria automotiva, que teve férias coletivas no perioodo e baixa exportação. "Argentina e Venezuela estão passando por problemas, e nós exportamos para lá, não está havendo renovação interna da frota (de veículos)", analisa Rebeca, "E teve aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados, no início do ano), que recai sobre vários produtos da indústria automotiva”.

Na contramão, as indústrias de alimentos e bebidas, perfumaria e indústria farmacêutica cresceram no segundo trimestre.

Serviços
O setor de serviços teve queda de 0,5%. "Foi a menor taxa desde o quatro trimestre de 2008, que foi 2,8%", diz Rebeca. "Serviços de informação continuam sendo um dos setores que mais crescem, mas a parte de energia elétrica, água e esgoto não cresceu tanto.”

Em relação ao segundo trimestre do ano passado, o setor de agropecuária não teve variação; serviços sustentaram alta de 0,2%; e a indústria apresentou queda de 3,4%, na mesma base de comparação.

Previsão para o ano
Para 2014, a previsão de economistas do mercado financeiro é de alta 0,7%, segundo o boletim mais recente divulgado pelo Banco Central. Essa projeção vem caindo desde o início do ano e motivou o jornal "Financial Times" a comparar o movimento à "dança da cordinha", desafio em que é preciso passar sob a corda colocada cada vez mais perto do chão.

A expectativa do governo para o PIB deste ano é um pouco mais otimista: crescimento de 1,8%, segundo a divulgação mais recente, feita em julho. Ela foi revista em relação à inicial, de que a alta neste ano seria semelhante à de 2013, que foi de 2,5%.

 

 

Governo prevê queda de R$ 1,1 bilhão nos investimentos da Petrobras



O Projeto de Lei Orçamentária para o próximo ano, entregue ao Congresso, prevê redução de R$ 1,1 bilhão nos investimentos da Petrobras: de R$ 84,5 bilhões na proposta orçamentária enviada ao Congresso em 2014, para R$ 83,4 bilhões.

Segundo a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, a redução se deve à conclusão de vários projetos e não uma queda real nos investimentos da estatal.

— É uma pequena redução. Mas houve os investimentos para a questão do pré-sal e vários investimentos estão sendo concluídos — disse Miriam.

Ela citou o caso da Refina Abreu e Lima, em Pernambuco, que terá gastos ainda em 2014 de R$ 3,6 bilhões e em 2015 não haveria os mesmos gastos.

Miriam ainda minimizou a queda de verbas no Ministério da Integração Nacional, de quase R$ 2,5 bilhões.

No total, o Ministério da Justiça perdeu R$ 161,1 milhões, mas a ministra explicou que isso se deve ao fim do chamado efeito Copa

— Na prática, aumentamos os recursos da Justiça, com mais R$ 174,3 milhões para centros de Segurança — disse Miriam.

A verba global caiu porque as ações da Copa terminaram. Mas retirando as ações da Copa, as demais ações tiveram aumento de verbas.

— Quando tiro o efeito Copa, era R$ 3,954 bilhões e estamos propondo R$ 4,22 bilhões. Para produzir mesma experiência da Copa. Mesmos moldes. O que parece uma redução significa um aumento, quando retiro o efeito Copa.




 

Internacionalização das empresas brasileiras cresceu em 2013

A internacionalização das empresas brasileiras cresceu 1,6% em 2013 (de 21,3% para 22,9%), segundo levantamento elaborado pela Fundação Dom Cabral (FDC), considerada uma das melhores escolas de negócios da América Latina. O estudo, que levou em conta 66 empresas com operações internacionais, seja através de subsidiárias ou franquias, mostrou que a construtora Norberto Odebrecht aparece em primeiro lugar no ranking, com índice de transnacionalidade de 0,549. Em segundo lugar, ficou a siderúrgica Gerdau, com índice de 0,547.

- Há muito tempo a empresa vem focando sua estratégia no exterior, desde a década de 70, e não se rende a dificuldades econômicas. Não é uma surpresa ter sido a primeira no ranking - disse o professor Sherban Leonardo Cretoiu, do núcleo de estratégia e negócios internacionais da FDC.

O ranking representa apenas uma amostra de multinacionais brasileiras, que concordaram em participar da pesquisa. O levantamento é feito anualmente e leva em consideração os dados de ativos, receitas e funcionários dessas companhias no exterior.

De acordo com o professor Sherban Leonardo, o baixo crescimento da economia brasileira no ano passado, e este ano, elevou a expectativa das empresas com suas operações no exterior. De acordo com o especialista, as companhias esperam, por exemplo, vendas maiores lá fora, e margens de lucro melhores, equilibrando a receita com o desempenho mais fraco por aqui

- É natural que com a economia mais lenta, a expectativa com o exterior fique mais positiva entre aquelas empresas que já atuam em outros países. Aqui, há muitos empresários em clima de expectativa com o país, especialmente com o que virá depois da eleição - disse Sherban.

O especialista lembra, entretanto, que o Brasil é o principal mercado dessas companhias e que o baixo crescimento econômico não é o fator determinante para que elas busquem novos mercados no exterior. Segundo ele, as companhias também estão interessadas em ganhar competitividade, quando cruzam as fronteiras, conhecendo novos processos de gestão e incorporando novas tecnologias.

- O baixo crescimento da economia é apenas um dos fatores que levam as empresas a reforçar ou iniciar operações no exterior. Há fatores que vão além do campo financeiro idz Sherban.

O levantamento mostrou que 65,1% das empresas pretendem expandir suas operações nos mercados em que já atuam no exterior. Outras 55,6% planejam entrar em novos países em 2014, números que vêm se repetindo nos levantamentos anteriores.

Por enquanto, a pesquisa não mostrou intenção dos emrpesários de reforçar investimentos na Europa, mostrou a pesquisa. No ano passado, a Turquia ainda apareceu no radar das empresas, mas este ano nenhum país europeu foi citado. O levantamento mostrou intenção de aumentar operações em países latino-americanos que apresentam crescimento econômico expressico, como a Colômbia, por exemplo.

A América do Sul lidera com 75,8% das multinacionais brasileiras com presença física na região, seguida da América do Norte (66,7%) e Europa (54,6%). Os Estados Unidos e a Argentina são os países onde essas empresas têm maior presença. Entre as 66 empresas do levantamento, 39 possuem operações nos EUA e 33 na Argentina. Mas a Argentina foi o país que mais perdeu empresas brasileiras (cinco) no ano passado, o que pode ser atribuído aos problemas políticos e econômicos.

 

 

Percentual de famílias endividadas é o maior desde 2013


 

A parcela de brasileiros endividados cresceu em agosto, alcançando o maior patamar desde julho de 2013, na época, eles eram 65,2%. Ela foi de 63% em julho para 63,6% este mês, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor feita pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). O número também foi maior do que no mesmo mês do ano passado, quando 63,1% da população tinha dívidas. Este foi o primeiro aumento neste indicador desde fevereiro de 2014.

Outro índice que aumentou foi o das pessoas com dívidas ou contas atrasadas, que avançou após três meses de quedas consecutivas. Em julho, ele era de 18,9%, em agosto, 19,2%. Porém, o quadro é melhor do em agosto do ano passado. Na época, 21,8% de brasileiros tinham dívidas em atraso.


Houve melhora também no percentual de pessoas que não têm condições de pagar suas dívidas. Em julho deste ano, elas eram 6,6% da população. Em agosto, eram 6,5% em agosto. Na comparação anual, o índice foi de 7% em 2013 para 6,5% em 2014.

A inadimplência no grupo dos que ganham mais de dez salários mínimos avançou tanto na comparação com 2013 (de 54,7% para 57,6%) quanto em relação ao mês anterior (de 57% em julho para 57,6% em agosto).

Por outro lado, a parcela de inadimplentes dentro do grupo que recebe até dez salários mínimos ficou estável em relação a 2013 (64,8%), mas cresceu em julho contra agosto (de 64,3% para 64,8%).

O cartão de crédito foi apontado por 75,8% das famílias como seu principal tipos de dívida. Em segundo lugar ficaram os carnês, para 17% dos entrevistados, e o financiamento de carro ficou com em terceiro, com 13,4%.

— Apesar da moderação na concessão de crédito e também na demanda, algumas modalidades ainda apresentam crescimento, fazendo com que as famílias se endividem. É o caso do financiamento imobiliário. Ao longo dos últimos anos tem subido a importância dele, principalmente para a faixa de renda superior a dez salários mínimos — explica Marianne Hanson, economista da CNC.

Segundo Marianne, o crédito imobiliário foi considerado o principal tipo de dívida para 15,7% das famílias com renda de mais de dez salários mínimos, e por 5,5% das famílias que ganham menos. No quadro geral, este é o principal tipo de endividamento de 7,3% das famílias, logo atrás do financiamento de automóveis.

O percentual de endividados pode ser um pouco agravado com a proximidade do fim do ano:

— Geralmente, o consumo é aquecido no segundo semestre, principalmente no final dele. E isso pode causar um aumento no endividamento — disse Marianne.

Já as medidas anunciadas pelo governo, na semana passada, para estimular o crescimento da oferta de crédito pode não surtir o efeito esperado:

— Mas os reflexos mas não devem ser muito grandes, porque os juros estão em patamar muito elevado, encarecendo o crédito. Por isso não vemos tendência de alta muito expressiva nos próximos meses.

 

Banco Central inundou mercado com US$ 92 bilhões



A estratégia do Banco Central (BC) de evitar uma valorização mais forte do dólar oferecendo a moeda americana através de leilões diários de contratos de swap cambial, operação que equivale a uma venda de dólares no mercado futuro, deve perder eficácia daqui para frente. Segundo analistas, a moeda americana seguirá ganhando força nos próximos meses, seja por influências domésticas ou externas.

Um ano depois de anunciar a medida, o BC já ofertou ao mercado cerca de US$ 92 bilhões através destes papéis, na maior intervenção no câmbio dos últimos 12 anos. Em 2002, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito, o dólar chegou perto de R$ 4, e o BC despejou US$ 40 bilhões para segurar a cotação. Ao manter o dólar artificialmente entre R$ 2,20 e R$ 2,30, o BC quer evitar mais pressão sobre a inflação.

— A questão aqui é a diferença entre o remédio e o veneno. Se exagerar na dose, o BC acaba deixando transparecer que o real está fraco e atrai especuladores. Mas se não intervir no câmbio, o dólar sobe e a inflação vai junto — avalia Sidnei Nehme, diretor da corretora de câmbio NGO.

Mas a expectativa dos investidores é que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) eleve os juros nos EUA já em 2015. Isso atrairia parte dos recursos que migram para países emergentes, como o Brasil. Essa saída de capitais vai pressionar a moeda americana.

O dólar também pode subir mais dependendo de quem vencer a eleição presidencial no Brasil este ano. No caso de reeleição da presidente Dilma Roussef, alguns especialistas estimam que a moeda americana pode chegar a dezembro de 2015 mais próxima de R$ 2,60. No caso de um candidato da oposição sair vencedor, a aposta é de um dólar entre R$ 2,20 e R$ 2,30 ao fim de 2015.

Diante deste cenário de incertezas, por enquanto, o BC não poderá abrir mão das intervenções no câmbio, avaliam especialistas. Mas, ao mesmo tempo, a estratégia poderá não ser tão eficiente para segurar o dólar como vinha se mostrando até agora.

— O BC pode até aumentar sua intervenção, mas a tendência da moeda americana é de alta — diz Paulo Bittencourt, diretor da Apogeo Investimentos, uma empresa do Grupo Vinci Partners.

Até agora, BC lucrou R$ 21 bi

A vantagem dos swaps é que eles não drenam as reservas internacionais do país. Na prática, as operações de swap são uma troca entre o BC e os investidores interessados em se proteger da variação do dólar. Ao oferecer estes papéis, o Banco Central toma o risco cambial e perde quando a moeda americana se valoriza. Se o dólar recua, o BC tem lucro. Em troca, o comprador do papel paga a taxa de juros do período ao governo. É como se o Banco Central vendesse dólares, aplicasse os reais recebidos em juros e recomprasse a moeda estrangeira no vencimento do contrato. Até junho, com o recuo do dólar, o BC lucrou mais de R$ 21 bilhões nessas operações.

Para Sidnei Nehme, se em lugar dos swaps o BC tivesse vendido R$ 92 bilhões de suas reservas, provavelmente o mercado teria uma avaliação mais negativa da posição externa do país, e o dólar estaria mais forte.

— Mas em algum momento o BC terá que desmontar essas posições. Os leilões não podem substituir uma política fiscal austera e uma política monetária que vise cumprir a meta de inflação estabelecida.

Para o especialista em câmbio da consultoria Tendências, Bruno Lavieri, o bom senso indica que um limite para o uso dos swaps seria chegar ao equivalente a 50% das reservas internacionais, que são o lastro dessas operações. Hoje, os contratos oferecidos já correspondem a 25% das reservas. Lavieri observa que um dos problemas de segurar o câmbio artificialmente é que tanto o mercado quanto os empresários perdem a noção do preço relativo da moeda americana, causando incerteza.

Na avaliação de Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, as intervenções no mercado de câmbio deverão continuar ao menos até o final do primeiro semestre do ano que vem. No entanto, isso não impedirá a alta da cotação do dólar.

— O programa de swap vai continuar, mas apenas para suavizar o processo de apreciação do dólar. Acho isso correto. Evita um comportamento de pânico dos investidores — afirmou Goldfajn.




 

Comerciantes acreditam ter menos estoque que o necessário

 

A maioria dos comerciantes da região metropolitana de São Paulo acredita que os estoques do varejo são insuficientes para a demanda de agosto. É o que indica uma pesquisa divulgada pela FecomercioSP.

De acordo com o levantamento, o Índice de Estoques (IE) para o mês ficou em 107,6 pontos, o que representa baixa de 1,3% em relação a julho. Em comparação com agosto de 2013, a queda foi de 13,2%. O indicador representa a percepção dos comerciantes sobre a quantidade de produtos estocados nas lojas, e varia de 0 a 200. A marca dos 100 pontos indica o limite entre inadequação e adequação, segundo a FecomercioSP.

A quantidade de comerciantes que afirmaram ter menos produtos do que esperam vender aumentou 14,3% entre julho e agosto. Já a parcela dos que dizem contar com excesso de mercadorias caiu 3,5%.

Em nota, os economistas da FecomercioSP explicam que "em agosto foram vistos os primeiros indícios de que o período de ajustes de estoque está começando a surtir efeito". Segundo os especialistas, a falta de estoques "pode indicar uma retomada ainda que modesta da demanda, além da adaptação do varejo às novas perspectivas". Os economistas dizem ainda que os números também podem indicar uma adaptação do comércio "aos novos tempos de consumo mais fraco".

 

Novas medidas do BC podem gerar R$ 140 bilhões em empréstimos

 

O Banco Central anunciou um novo conjunto de medidas para liberar R$ 25 bilhões em capital dos bancos e injetar dinheiro na economia para estimular o crescimento. A autoridade monetária fez uma nova mudança nos depósitos compulsórios, parte dos recursos dos clientes que os bancos são obrigados a recolher aos cofres do BC. Essa alteração deve colocar R$ 10 bilhões em circulação. A alteração da regra é válida por um ano.

A autarquia também reverteu todas as medidas tomadas em 2010 para restringir o crédito, batizadas de macroprudenciais. Isso libera mais R$ 15 bilhões do capital dos bancos, o que poderia gerar empréstimos novos de até R$ 140 bilhões. Há menos de um mês,  os técnicos da autarquia anunciaram mudanças que , juntas, tinham um potencial de irrigar a economia com R$ 45 bilhões.

Para estimular os bancos a não deixarem dinheiro parado no Banco Central, a diretoria da autarquia decidiu subir de 50% para 60% a parcela do compulsório sobre depósitos a prazo (como CDBs, por exemplo) que não terá remuneração. Ou seja, ficaria parada no cofre do BC sem render nada. Por outro lado, as instituições podem usar esse dinheiro para fazer novos empréstimos ou até comprar carteiras de operações de crédito de bancos menores.

O Banco Central ainda permitiu que Letras Financeiras – título de dívida de banco - sejam usadas para o cumprimento da exigibilidade sobre os recursos a prazo. Ou seja, isso libera mais dinheiro para os bancos emprestarem. Na prática, essas mudanças no compulsório pune o banco mais conservador e estimula o consumo com R$ 10 bilhões a mais na praça.

— A medida permite distribuir liquidez entre as instituições — frisou Flávio Vilela, chefe substituto do departamento de Operações Bancárias e do Sistema de Pagamentos do BC. — Tomamos uma medida esperando que tenha resultado.

Para Luis Otávio Leal, economista do banco ABC Brasil, ainda não está claro se as medidas terão efeito sobre a economia, ainda em ritmo lento.

— A pergunta é se os bancos não querem emprestar ou se o consumidor não tem espaço para pegar o empréstimo. Se for essa segunda opção, de demanda, vamos ter que esperar. Vamos ter uma boa prova agora (após as medidas do BC) do que vai acontecer — disse Leal.

Incentivos ao setor automotivo

Uma das preocupações do Banco Central é com o segmento de veículos. Em 2010, a avaliação era que os bancos estavam com ofertas irresponsáveis, já que financiavam carros usados num prazo tão longo que no final do contrato, o bem já não valia mais nada e não poderia ser usado como garantia. Com isso, as pessoas paravam de pagar os empréstimos. Agora, o quadro mudou.

O mercado de automóveis não mostra a mesma força. Para incentivar o setor, o BC reverteu o restante das medidas macroprudenciais tomadas em 2010, que desincentivava os bancos a emprestarem por prazos mais longos. Em alguns casos, o Banco Central chegou a exigir que a instituição tivesse três vezes mais capital para realizar uma operação muito longa. Agora, qualquer financiamento terá o chamado “Fator de Ponderação de Risco” (FPR) de 75%. Ou seja, o banco tem de manter um capital de 75% do valor da operação para fazer o empréstimo. Isso estimula a ousadia das instituições financeiras.

— Dada a dinâmica de crédito atual com o comportamento prudente que os bancos estão tendo nas concessões, não precisa dessas regras prudenciais. O risco sistêmico que se via lá no final de 2010 não se vê mais hoje — ponderou Caio Ferreira, chefe do departamento de Regulação Prudencial do BC.

Num outro passo tomado para dinamizar o consumo, o BC também alterou os critérios para classificação de operações consideradas de “varejo” pelas instituições. A alteração beneficia principalmente pequenas empresas. Isso porque o Banco Central aumentou de R$1,5 milhão para R$ 3 milhões o volume de empréstimo que um único banco pode ter para uma empresa de pequeno porte para que essas operações sejam beneficiárias das condições diferenciadas para o varejo. O BC ainda aumentou de R$ 3,6 bilhões para R$ 15 bilhões o teto do faturamento dessas empresas. Isso deve destinar muito mais dinheiro ao segmento.

Já para grandes operações, o BC resolveu exigir menos garantias. Um dos setores beneficiados é o comércio exterior. Para tentar estimular os exportadores, o Banco Central cortou de 100% para 20% a exigência de capital para que o banco faça, por exemplo, uma carta de crédito para quem vende produto brasileiro ao exterior. Ou seja, a instituição não precisará ter um capital disponível exatamente do valor do empréstimo porque o BC entendeu que a própria mercadoria já é uma garantia. A autoridade monetária ainda diminuiu de 100% para 50% as garantias sobre empréstimos concedidos com critérios de performance.

Para atender um pleito dos banqueiros, o Banco Central ainda premiou as instituições que fizerem operações de crédito consignado com servidores públicos federais. Por terem estabilidade no emprego, a exigência de capital disponível para fechar o empréstimo caiu de 100% para 75% do valor do financiamento.

Na tentativa de tirar obstáculos à internacionalização dos bancos brasileiros, o BC resolveu dar o mesmo tratamento que recebem as instituições financeiras internacionais lá fora. Por isso, o banco brasileiro que comprar títulos de país que tem rating melhor que AA- não terá de ter capital de contrapartida para fechar o negócio. A exigência caiu de 20% para zero.



 

Índice de cheques sem fundos é o maior desde 1991



Durante o mês de julho, 2,24% dos cheques foi devolvido pela segunda vez depois devido à falta de fundos, segundo indicador da Serasa Experian. Este é o maior percentual para julho desde o início da série histórica, em 1991.

Em julho de 2013, a taxa de devolução foi de 20,3%. Na comparação mensal, o aumento foi de 0,32 pontos percentuais. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, 2,11% dos cheques emitidos foram devolvidos, contra 2,07% no ano passado.

Para os economistas da Serasa, a maior inadimplência mostra a maior dificuldade que o brasileiro vem tendo para pagar suas dívidas. Entre os fatores que dificultam o pagamento está a desaceleração da economia, os juros altos, o enfraquecimento do mercado de trabalho e a inflação ainda alta — apesar de o IPCA de julho ter sido de 0,01%, o acumulado do ano está em 6,5%.

Em julho, ainaidmplência do consumifor subiu 11%, na comparação interanual, enquanto em relação a junho, o aumento foi de 4%, também de acordo com dados da Serasa. Um dos fatores que influenciou este crescimento foi a devolução de cheques, que avançou 11,6% de junho para julho.

Na avaliação dos economistas da Serasa, os feriados da Copa do Mundo em junho diminuíram os dias em que as pessoas podiam ir aos bancos devolver os cheques, causando uma espécie de represamento. Com menos jogos e feriados em julho, mais gente pôde ir às instituições, aumentando o índice de devolução.

Os dois estados com maior percentual de cheques devolvidos de janeiro a julho foram Roraima (12,13%) e Amapá (10,52%), que ficaram muito acima da média nacional para o período. Já os que menos tiveram devoluções foram São Paulo (1,48%) e Amazonas (1,15%). Entre as regiões, a Norte foi a que mais devolveu cheques (4,31%), e a Sudeste registrou o menor índice (1,62%).




 

 

Anvisa proíbe venda de água mineral da Nestlé


A Anvisa suspendeu a venda e distribuição, em todo o país, do lote 32966047S1 de Água Mineral Natural sem gás de 300ml da marca São Lourenço, produzida pela Nestlé. O lote, que possui validade até 23/10/2014, apresentou a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa acima do limite estabelecido na legislação sanitária. A bactéria causa alterações de odor e sabor nos alimentos, mas normalmente não representa risco preocupante à saúde da população em geral. No entanto, em crianças, gestantes e pessoas com sistema imunológico fragilizado, a bactéria pode causar infecções, informou a Anvisa.

A amostra foi coletada pela Vigilância Sanitária de Campinas após denúncia de um consumidor que relatou gosto estranho do produto. A vigilância sanitária de Minas Gerais, onde está localizada a fábrica do produto, já foi acionada para adotar as medidas necessárias junto à empresa.

A medida tem validade imediata. O lote em questão não pode ser vendido e o recolhimento é de responsabilidade do fabricante.

Procurada para comentar o assunto, a Nestlé disse, em nota, que ao receber o primeiro contato da autoridade sanitária, em fevereiro, informando sobre alteração de parâmetro no lote, tomou a decisão de suspender imediatamente a distribuição e venda dos produtos. "A medida foi tomada ainda que controles internos não tivessem apontado nenhuma desconformidade com a legislação vigente", complementou.

Para o esclarecimento de dúvidas ou informação adicional, a empresa coloca à disposição dos consumidores o telefone 0800-979-1819.

 

Economia brasileira encolheu 1,2% no segundo trimestre

Com o desempenho oscilante do comércio e com a indústria em retração, a economia brasileira encolheu 1,2% no segundo trimestre deste ano, nos cálculos do Banco Central. O número veio acima da expectativa dos analistas do mercado financeiro de que o IBC-Br (índice que mede a atividade no Brasil) tivesse uma queda de cerca de 1,6% no período, mas, ao mesmo tempo, é o pior resultado desde o primeiro trimestre de 2009, auge da crise financeira, quando o recuo havia sido de 2,68%. De acordo com os dados revisados pelo Banco Central, esse já seria o terceiro trimestre de retração da economia.

Os dados consideram o índice dessazonalizado (que não leva em conta as variações por época do ano). No primeiro trimestre deste ano, a economia encolheu 0,02%, de acordo com o IBC-Br. Já nos últimos três meses do ano passado, a retração foi de 0,29%. No entanto, metodologicamente, o IBC-Br não pode ser considerado uma simples prévia do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país). Isso porque o dado oficial, calculado pelo IBGE, é muito mais complexo. O índice construído pelos técnicos da autoridade monetária é o que os economistas chamam de proxy, ou seja, uma aproximação. O resultado oficial será divulgado pelo instituto no próximo dia 29.

Os dados oficiais do IBGE são de que o PIB cresceu 0,2% no primeiro trimestre sobre os últimos três meses de 2013. Mas boa parte dos analistas não descarta a possibilidade de que esse número seja revisado para mostrar contração, com a divulgação do resultado do PIB do segundo trimestre.


RESULTADO DE JUNHO É O PIOR DESDE MAIO DE 2013

Somente em junho, mês da Copa do Mundo (que diminuiu o número de dias úteis e, consequentemente, de atividade econômica), esse índice do BC revelou que a economia encolheu 1,48%. Foi o pior resultado mensal desde maio do ano passado. Isso porque o resultado do comércio ficou muito abaixo do que previam os especialistas. A queda de junho também foi a quinta seguida na comparação mensal. O IBC-Br acumula alta de 1,41% em 12 meses, ainda segundo dados dessazonalizados.

— Acho que não podemos falar em recessão técnica (dois trimestres seguidos de retração) porque o IBC-Br não crava exatamente o que aconteceu na economia brasileira. O primeiro trimestre, por exemplo, teve desempenho positivo nas contas oficiais do IBGE — ponderou André Perfeito, economista-chefe da corretora Gradual. — Mas esse número já indica que teremos um segundo trimestre negativo no resultado das contas nacionais do IBGE.

Na avaliação do economista-chefe do ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal, o resultado de junho não foi uma surpresa, diante dos dados já divulgados de indústria e comércio, mas o Banco Central acabou revisando o IBC-Br de abril e maio, o que levou a esse recuo de 1,2% no trimestre.

— A intensidade da queda do IBC-Br no segundo trimestre foi maior por causa do efeito Copa, que afetou a indústria, por exemplo. É diferente daquele momento lá atrás, quando entre o quarto trimestre de 2008 e o primeiro trimestre de 2009 tivemos o pior momento da crise econômica internacional — disse Leal.

OUTROS INDICADORES MOSTRAM PÉ NO FREIO

Octavio de Barros, diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, também afirmou, em relatório nesta sexta-feira, que a queda apontada pelo IBC-Br reforça percepção de desaceleração da atividade econômica no segundo trimestre. A contração já foi indicada por outros indicadores, caso das vendas no varejo e produção industrial, por exemplo, divulgadas pelo IBGE.

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, porém, reforçou nesta sexta-feira que não é correto afirmar que a variação do PIB do Brasil foi negativa no segundo trimestre tendo como base o IBC-Br. O diretor, que participa de seminário em São Paulo, lembrou que a projeção do BC para o PIB é a que consta no Relatório de Inflação, que é de 1,6% para 2014. Entretanto, as expectativas dos especialistas, ouvidos em pesquisa Focus do próprio BC, são de que o PIB crescerá apenas 0,81% em 2014, bem aquém dos 2,5% vistos em 2013.

ÍNDICE BALIZA POLÍTICA DE JUROS

O IBC-Br foi criado pelo BC para balizar a condução da política de juros para controlar a inflação. É para ele que o BC olha na hora de fixar a taxa básica de juros (Selic), que está em 11% ao ano. O dado leva em consideração Esses são os indicadores que mais pesam no “PIB do BC.

No segundo trimestre, as vendas do varejo registraram uma queda de 0,6%, na comparação com o primeiro trimestre, de acordo com os dados do IBGE após ajuste sazonal. Já a indústria registrou uma retração de 0,9% da sua produção no período.

 

Lucro do Banco do Brasil cai 62% no 2º trimestre

O Banco do Brasil anunciou que teve lucro líquido de R$ 2,829 bilhões no segundo trimestre, ante resultado positivo de R$ 7,472 bilhões um ano antes — queda de 62%. A queda se deu, segundo Ivan Monteiro, vice-presidente de relações com investidores do banco estatal, porque o resultado do segundo trimestre do ano passado foi fortemente elevado com os recursos obtidos na abertura de capital da BB Seguridade. Excluídos os efeitos desse IPO no lucro do segundo trimestre de 2013 (R$ 2,789 bilhões), o lucro obtido entre março e junho deste ano equivale a uma alta de 1,4% na comparação anual.

Assim como seus concorrentes privados, o BB também se beneficiou, no segundo trimestre, do atual cenário de juros mais altos. O crescimento na área de seguros e de cartões foram outros fatores que contribuíram para os ganhos.

— Tivemos forte crescimento na área de seguros e expansão constante da área de cartões ao longo do segundo trimestre (alta de 29,4% em comparação ao mesmo período do ano passado). Além disso, tivemos bons resultados de tesouraria, impulsionados pelo aumento da Selic (taxa básica de juros) — afirmou a jornalistas.

De acordo com Monteiro, o lucro da BB Seguridade chegou a R$ 845,4 milhões no segundo trimestre, volume 53,6% superior ao lucro do segundo trimestre de 2013.

O lucro ajustado (que exclui itens extraordinários) da maior instituição financeira do país foi de R$ 3,0 bilhões no período, contra R$ 2,6 bilhões de um ano antes, um aumento de 14%. No acumulado do primeiro semestre, o Banco do Brasil teve lucro líquido de R$ 5,506 bilhões, enquanto no mesmo período do ano anterior havia obtido R$ 10 bilhões.

CRÉDITO

A carteira de crédito total do banco chegou a R$ 718,8 bilhões em junho deste ano, alta de 12,5% na comparação anual e de 2,8% em relação ao trimestre anterior. O resultado está abaixo do guidance (meta) do banco para o ano, que varia de 14% a 18%. Ainda assim, a projeção para o fechamento de 2014 está mantida, de acordo com Monteiro. Ele acredita numa aceleração da concessão de empréstimo, tanto na pessoa física quanto na jurídica, no decorrer do segundo semestre.

Os destaques da carteira ficaram para o financiamento imobiliário e para o crédito ao agronegócio, que registraram incrementos em 12 meses de 84,5% e 23,7%, respectivamente. No período, o BB manteve a liderança em crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN), com 21,3% de participação de mercado.

— O segundo semestre é sempre bem melhor que o primeiro, temos eventos como natal, por exemplo. E também é bem forte por conta do agronegócio. Além disso, não tem mais Copa do Mundo. Achamos que haverá uma recuperação natural de alguns segmentos — disse, para completar: — Continuamos focados na estratégia de crescer a carteira nas linhas de menor risco, como consignado e imobiliário, além do crédito do agronegócio.

ABAIXO DOS CONCORRENTES

O lucro líquido do Banco do Brasil, porém, ficou bem abaixo de seus principais concorrentes privados, Bradesco e Itaú Unibanco. O primeiro teve lucro líquido no segundo trimestre de R$ 3,78 bilhões, alta de 28,1% em relação a igual período de 2013. Já no acumulado do primeiro semestre, o lucro chegou a R$ 7,22 bilhões, avanço de 23,1%.

O Itaú Unibanco, por sua vez, chegou a R$ 4,899 bilhões no segundo trimestre — patamar recorde na história do banco —, um crescimento de 36,7% em relação a igual período de 2013. No semestre, o resultado foi de R$ 9,318 bilhões, um incremento de 32,1%.

O balanço só ganhou de longe do Santander, que anunciou lucro líquido de R$ 527,5 milhões no segundo trimestre deste ano. O resultado é 1,75% maior que o registrado nos primeiros três meses do ano e 5,3% superior ao obtido no segundo trimestre de 2013. O lucro acumulado no semestre chegou a R$ 1,406 bilhão, recuo de 5,7% na comparação com o ano passado.

 

BNDES adia IPOs para 2015

O BNDES adiou para 2015 seus planos de realizar duas ofertas públicas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) de empresas da sua carteira de capital empreendedor, disse um superintendente da instituição de fomento, que busca agora unir-se a investidores privados no primeiro fundo do país especializado em mercado de acesso.

Segundo Luiz Souto, superintendente da área de capital empreendedor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, ao menos duas das 36 companhias investidas (cerca de R$ 2,5 bilhões) já estão prontas para ir a mercado, tanto do ponto de vista de governança corporativa como de necessidade de capitalização, aguardando apenas melhoras do cenário macroeconômico.

"No ano que vem teremos ao menos dois IPOs", disse Souto em entrevista à Reuters, recusando-se a citar o nome das companhias. No ano passado, ele havia dito que os IPOs ocorreriam este ano.

"Neste momento temos dificuldade no cenário macroeconômico. Isso reflete no mercado como um todo. Mas estamos com os ingredientes na cozinha", completou.

Na semana passada, o presidente-executivo da BM&FBovespa, Edemir Pinto, disse que a bolsa não tem expectativa de nenhuma oferta pública inicial de ações este ano.

A estratégia do banco agora inclui unir-se a investidores privados em um fundo especializado em empresas do mercado de acesso, o Bovespa Mais, segmento da bolsa voltado para pequenas e médias companhias. Esse tipo de fundo recebeu incentivos fiscais do governo federal em junho, tendo sido regulamentado recentemente pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O BNDES terá até 30% do fundo multisetorial de R$ 250 milhões, cujo gestor será anunciado daqui a cerca de um mês. O gestor ficará encarregado de buscar de cinco a oito empresas a serem investidas, no país todo, explicou Souto.

Segundo o superintendente, não houve mudança de estratégia do BNDES, apenas uma complementação, rumo ao objetivo do banco de trazer investimento privado para empresas da área de capital empreendedor.

"Continuamos com a estratégia de listar as companhias primeiro no Bovespa Mais, tendo como objetivo um futuro IPO", disse. "No Bovespa Mais as empresas têm que atender condições mínimas de governança, e assumem compromisso de fazer o IPO em até sete anos."

O executivo disse acreditar que o mercado de capitais brasileiro tem condições de abrigar ofertas menores, de 100 a 200 milhões de reais -- frente ao valor médio de 500 milhões de reais atualmente -- e há interesse de investidores e bancos de investimento.

Das companhias na carteira do banco, a empresa de tecnologia Senior Solution realizou IPO no ano passado, enquanto Altus Sistemas de Automação, CAB Ambiental, Nortec Química e Quality Software já estão listadas no Bovespa Mais para negociar ações nos próximos anos. Além da Senior, Biomm e Nutriplant já têm papéis negociados no Bovespa Mais.

 

México deverá superar o Brasil na produção de veículos

Brasil e México revivem neste ano uma disputa acirrada pelo título de maior produtor de veículos da América Latina. Na parcial do ano, a indústria mexicana abriu ligeira vantagem, somando 1,86 milhão de unidades fabricadas de janeiro a julho contra 1,82 milhão que saíram das montadoras brasileiras no mesmo período.

Na última semana, quando esses resultados foram divulgados, analistas disseram à imprensa estrangeira que, ainda neste ano, o México deverá superar o Brasil no ranking mundial de produção de veículos, o que não acontece desde 2002, de acordo com dados da associação internacional das montadoras, a Oica.

"Não acredito que seja ainda neste ano. Não colocaria minha mão no fogo, ainda tem todo um segundo semestre. Mas o México vai terminar (o ano) muito mais perto do Brasil", diz Gerardo San Roman, mexicano que preside no Brasil a consultoria Jato Dynamics, especializada no setor.

No ano passado, o Brasil foi o sétimo maior fabricante do mundo, com 3,74 milhões de unidades, uma alta de 9,9% frente ao ano anterior.

Logo atrás, a indústria mexicana somou 3 milhões, 1,7% a mais que em 2012.

Neste ano, porém, apesar do volume semelhante de veículos montados até julho, os dois países vivem situações bem diferentes.

A produção brasileira caiu 17% frente aos primeiros sete meses de 2013, enquanto a mexicana subiu 7,4%.

México exporta; Brasil vende aqui
O México tem a produção em ascensão com um "boom" de fábricas de carros: três foram inauguradas em menos de um ano. Mas a grande maioria dos veículos produzidos não fica no país: praticamente 80% da produção é voltada à exportação, a maior vocação da indústria de veículos mexicana. Parte vai para o mercado brasileiro; mais de 70%, para os EUA.

No Brasil, é o contrário: cerca de 80% da produção é consumida no mercado nacional. O que as montadoras brasileiras exportam vai, principalmente, para a Argentina. Acontece que esses dois "clientes" estão comprando menos neste ano do quem em 2013.

A Argentina enfrenta uma crise econômica e reduziu importações, fazendo o Brasil depender ainda mais do mercado interno.

Apesar de o desconto no Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) continuar valendo até o fim do ano, as marcas reclamam que as vendas no mercado brasileiro não crescem porque osbancos estão limitando financiamento.

De janeiro a julho, foram emplacados 8,6% menos veículos de veículos do que mesmo período de 2013. Como consequências, há paralisações temporárias nas fábricas, por meio de férias coletivas, e redução de turnos, além do chamado lay-off, que é a suspensão de contratos por tempo determinado.

Ainda que projete uma melhora neste segundo semestre, a associação de montadoras, a Anfavea, pverê é que o país fechará 2014 com queda de 10% na produção, somando 3,34 milhões de veículos. A "Anfavea" mexicana, chamada Amia, prevê alcançar 3,32 milhões.

Segredos do México

O México era o maior produtor de veículos da América Latina no início dos anos 2000. Em 2003, foi superado pelo Brasil. A disputa só voltou a esquentar há poucos anos, com o início da recuperação dos mercados dos EUA e do Canadá, após a crise financeira mundial.

Para o presidente da consultoria Jato, a indústria automobilística mexicana foi embalada por uma série de fatores. Veja abaixo.

- geografia: o México é vizinho dos Estados Unidos, o país que mais compra carro no mundo, depois da China, e está perto do Canadá. "Esses países agora estão consumindo, precisando de importação. O mercado americano se recuperou, voltando ao patamar de 17, 18 milhões de veóculos (emplacados ao ano)", diz Gerardo San Roman.

Além disso, o território é banhado por dois oceanos, Pacífico e Atlântico, facilitando o escoamento de mercadorias tanto para a Europa quanto para a Ásia. Como resultado, o especialista explica que o país possui uma região com forte presença da indústria automotiva, uma espécie de ABC mexicano, no chamado Bajio, "bem no meio do México".

Lá estão duas fábricas da Nissan e as de General Motors, Honda, Mazda, além das futuras plantas da BMW – bem maior que a que será inaugurada no Brasil- e da parceria Renault-Nissan-Daimler, para compactos das marcas de luxo Mercedes e Infiniti. E tudo cercado por uma série de fornecedores.

- acordos comerciais: o mais importante são as dezenas de acordos de livre comércio com os principais mercados do mundo. Essas negociações permitem, por exemplo, que carros sejam produzidos naquele país e vendidos em outros lugares, como o Brasil, sem taxa de importação. Ou seja: com preço similar ao dos veículos nacionais.

- moeda desvalorizada: outra atração para as montadoras é que a moeda mexicana está desvalorizada frente ao dólar, aponta San Roman.

- custo menor de produção: os custos de produção naquele país são menores do que nos EUA e na Europa, e também no Brasil, em parte porque as leis trabalhistas "são mais relaxadas", diz o consultor mexicano. "O Brasil, apesar de ter uma boa mão de obra, se tornou muito caro (produção de veículos", compara.

- qualificação: além de ter menos encargos, o México conseguiu qualificar trabalhadores para atingir os padrões americanos, europeus e asiáticos. E se aproveitou do fato de que a língua inglesa é a segunda do país, completa San Roman.

E o Brasil?
Para o consultor, o Brasil ainda tem muito potencial para crescimento da frota de veículos, tanto que há novas fábricas confirmadas para este e os próximos anos, incluindo as de marcas de luxo.

Mas o momento atual, diz ele, é de incertezas, com a proximidade das eleições e o desaquecimento das economias que influenciam a indústria, a da Argentina e a da China.

San Roman alerta que, apesar de o México viver esse "boom" automobilístico, a produção é apoiada em veículos leves (automóveis, picapes, SUVs, etc) e o Brasil ainda é maior na fabricação de veículos pesados (caminhões e ônibus).

"O Brasil já é o maior da América Latina, e pode se fortalecer na produção de caminhões. O México não tem essa capacidade. Essa é uma ciência à parte, requer muita tecnologia, investimentos enormes", explica. "Se o Brasil se tornar um gigante em caminhões, será gerada mais riqueza do que o México com veículos leves."

 

Dívidas do sistema Eletrobras com Petrobras chegam a R$ 7,2 bilhões

 

O diretor Financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, disse que as dívidas acumuladas das empresas do sistema Eletrobras com a Petrobras Distribuidora (BR) somam R$ 7,2 bilhões.

Segundo Barbassa, essas dívidas se devem ao fornecimento de combustível pela BR para a geração de energia na Região Norte por usinas térmicas operadas por distribuidoras da Eletrobras. Ele explicou que os R$ 7 bilhões são a dívida neste momento.

— É como se fosse uma conta-corrente. Depende do fluxo, pois a gente tem contas a receber e, ao mesmo tempo, menos recursos entram — disse Barbassa.

No início do mês, a BR chegou a suspender por dois dias o fornecimento de combustível para a Manaus Energia, dizendo que só retornaria o serviço com o pagamento à vista. Mas, logo em seguida, a estatal voltou a regularizar as entregas do produto. As negociações entre a Petrobras e a Eletrobras continuam em andamento. A Eletrobras está esperando receber um empréstimo de R$ 6,5 bilhões do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal para pagar R$ 850 milhões do total da dívida.




 

Reajuste na energia e na água pode impactar inflação em agosto

O aumento de 18% na tarifa de energia elétrica em São Paulo a partir do dia 4 de julho e o reajuste de 6,75% na taxa de água e esgoto no Rio de Janeiro, em 1° de agosto, podem provocar impacto na inflação oficial do país, o IPCA, no mês de agosto. Em julho, o índice desacelerou e ficou em 0,01%, a menor taxa desde junho de 2010, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Tanto São Paulo quanto Rio de Janeiro têm peso grande. Em São Paulo , a energia elétrica é praticamente um terço do IPCA de São Paulo. E a energia, em todas as áreas, tem importância grande no consumo das famílias (2,3%), peso parecido com o da carne [peso de 2,21%]. Então, qualquer movimento na energia tem peso no bolso das pessoas”, explicou Eulina Nunes, coordenadora de Índice de Preços do IBGE.

De acordo com ela, apesar de ter sido aplicado em julho, o reajuste no preço da energia em São Paulo deve refletir no IPCA de agosto devido à data em que entrou em vigor.

O IBGE informou ainda que em Belém, no Pará, houve reajuste de 34,41% a partir do dia 7 de agosto, na energia elétrica, e em Vitória, no Espírito Santo, o aumento foi de 22,74%, ocorrida na mesma data.

“A água e esgoto também tem peso porque é caro. O consumo de água não é barato, há impostos que entram. E é um item relevante para o IPCA porque os itens monitorados são despesas onde há continuidade no gasto. Assim como a comida, a água tem consumo diário e quanto mais você gasta, mais você paga. Então, ela tem peso relevante no bolso das famílias (1,10% no Rio)”, completou Eulina.

Ainda no Rio de Janeiro, o pedágio sofreu reajuste de 5% em algumas rodovias a partir do dia 1° de agosto e outras vias ainda sofrerão a mesma alteração no preço a partir do dia 11 do mesmo mês. No entanto, segundo a coordenadora, o item não tem tanta relevância para o índice quanto a energia e a água.

Inflação fica em 0,01% em julho
A inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou de junho para julho, passando de 0,4% para 0,01%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa é a menor taxa desde junho de 2010, quando ficou em 0. No mês seguinte daquele ano, o IPCA também registrou 0,01%.

Depois de estourar o teto da meta do governo no acumulado em 12 meses em junho – quando ficou em 6,52% – o IPCA recuou para 6,5% na mesma comparação em julho, taxa que é exatamente o teto da meta da inflação do Banco Central. No ano, até julho, o IPCA está em 3,76%.

 

Produção de petróleo no Brasil bate recorde


A produção de petróleo no Brasil aumentou 6,9% em junho, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, alcançando 2,246 milhões de barris de petróleo por dia, informou a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O volume superou o recorde anterior, de 2,231 milhões de barris diários, alcançado em janeiro de 2012. Na comparação com maio deste ano, a alta foi de 2,6%.

Ainda segundo os dados da ANP, a produção de gás natural também registrou elevação nos dois tipos de comparação, avançando 8,2% em relação a junho de 2013 e 2,4% frente a maio, a 86,6 milhões de metros cúbicos. Somadas, os dois combustíveis alcançaram produção de 2,79 milhões de barris de óleo equivalente diários.

No Rio, 1,7 milhão de barris diários

A maior parte da produção veio do Rio de Janeiro, que respondeu por 67,8% do resultado nacional. Em junho, os poços fluminenses produziram 1,708 milhão de barris de óleo equivalente (petróleo e gás natural) diários, uma alta de 2,74% em relação a maio e de 1,76% na comparação com junho do ano passado.

No mês retrasado, a produção de petróleo ajudou a salvar o desempenho da indústria no estado, segundo dados divulgados na quarta-feira pelo IBGE. Puxado pela produção de óleos e derivados, o setor cresceu 5,4% em junho, frente a maio, recuperando parte da perda acumulada de 7%, registrada nos últimos três meses.

Pré-sal: alta de 6,2%

A ANP informou ainda que a produção no pré-sal teve alta de 6,2% em relação ao mês anterior, alcançando 583,2 mil barris de óleo equivalente por dia. Em junho, houve exploração em 33 poços localizados em águas profundas.

A agência também informou que a maioria (90,4%) da produção de petróleo e gás no país em junho foi proveniente de campos operados pela Petrobras. O campo de Roncador, na bacia de Campos, foi o campeão, com média de 256,2 mil barris por dia. Entre os produtos de gás natural, lidera o ranking o campo de Mexilhão, na bacia de Santos, com média de 6,6 milhões de metros cúbicos em junho.




 

Venda de veículos reage em julho e cresce 11,5%

 

As vendas de automóveis, que ainda estão sendo beneficiados com o IPI menor, teve uma alta de 11,5% nas vendas em julho comparado ao mês anterior. Em junho foram produzidos 204.251 veículos contra 227.708 em julho. Mas, no acumulado do ano, a produção caiu 7,6% e em julho contra julho 12,5%. Os dados foram divulgados  pela Anfavea, associação que representa as montadoras.

Segundo a associação, este foi o pior desempenho de produção e vendas para o mês de julho desde 2007.

Já as vendas de autoveículos, o que reúne caminhões, ônibus e automóveis, subiram 11,8% em julho na comparação com junho. Em relação ao ano passado, porém, os números negativos voltam a aparecer. A comercialização caiu 12,9% em julho deste ano contra o mesmo mês de 2013. Entre os meses de janeiro e julho, as vendas retraíram 8%, também na comparação anual.

A produção dos autoveículos também apresentou crescimento de junho para julho, de 17%. Mas, de novo, apresentou forte queda de 20,5% em relação a julho e de 17,4% no acumulado do ano. As exportações cresceram na comparação mensal (40,2%), mas ainda apresentam forte retração na comparação com julho do ano passado (36,7%) e no acumulado do ano, caindo 35,4% ante igual período de 2013.

E o nível de emprego nas montadoras também ficou negativo na comparação anual. Ele fechou julho em 150.295 postos ocupados, queda de 4,2% em relação ao registrado um ano antes.

Em julho, a Anfavea reduziu suas projeções de desempenho da indústria este ano, prevendo queda de 10% na produção e recuo de 5,4% nas vendas no mercado interno. A projeção para as exportações é de queda de 29%.

Na ocasião, os estoques de veículos novos à espera de comprador eram de cerca de 400 mil unidades, suficiente para mais de 40 dias de vendas. Com produção caindo mais do que as vendas, o estoque de veículos nas fábricas e nas concessionárias caiu de 395,5 mil para 382,6 mil unidades de junho para julho.



 

Itaú Unibanco tem lucro líquido de R$ 4,9 bilhões

O Itaú Unibanco anunciou que teve lucro líquido de R$ 4,899 bilhões no segundo trimestre, acima dos R$ 4,419 bilhões registrados nos três primeiros meses do ano.

No primeiro semestre, o lucro da instituição financeira atingiu R$ 9,318 bilhões, depois de chegar a R$ 7,055 bilhões no segundo semestre do ano passado. De acordo com a consultoria Economatica, o lucro do Itaú nos seis primeiros meses deste ano é o maior da história do banco considerando esse período.

Em bases recorrentes, o lucro do maior banco privado do país atingiu R$ 4,973 bilhões. A previsão média de sete analistas consultados pela Reuters para esta linha era de R$ 4,634 bilhões.

No fim de junho, a carteira de crédito do Itaú Unibanco somava R$ 487,623 bilhões, com expansão de 9,6% em 12 meses. Os destaques foram os segmentos de consignado (62,1%), imobiliário (26,1%) e cartão de crédito (28,6%).

O índice de inadimplência da carteira do banco, medido pelo saldo de operações vencidas com mais de 90 dias, chegou a 3,4% no final do semestre, ante 4,2% um ano antes. Foi o oitavo trimestre consecutivo de queda.

As despesas do Itaú Unibanco com provisões para perdas com calotes somaram R$ 4,465 bilhões no período. Descontados valores obtidos com recuperação de crédito, o montante foi de R$ 3,23 bilhões, ante R$ 3,16 bilhões no trimestre anterior e R$ 3,65 bilhões em igual trimestre do ano passado.

A rentabilidade sobre o patrimônio líquido, índice que mede como os bancos remuneram o capital de seus acionistas, ficou em 23,7% para o Itaú Unibanco no trimestre, em bases recorrentes. O número tinha sido de 22,6% de janeiro a março e 19,3% no segundo trimestre de 2013.

 

Economistas pioram de novo projeção para PIB deste ano

 

A projeção de economistas de instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano mostrou deterioração pela 10ª semana seguida com piora da expectativa para a indústria, enquanto o cenário para a inflação mostrou mais um pequeno alívio. De acordo com a pesquisa Focus do Banco Central , a projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014 agora é de 0,86%, contra 0,90% na semana anterior. Em 2013, o PIB cresceu 2,5%.

Um dos principais pesos sobre a economia é a indústria, cuja perspectiva de retração piorou para 1,53%, ante 1,15%. Em junho, a produção industrial brasileira recuou 1,4%, o quarto mês seguido de queda e a pior série de perdas desde 2010, conforme divulgado na semana passada. Sobre 2015, a projeção para o crescimento do PIB no Focus permaneceu em 1,5%, com a estimativa de expansão de 1,7% na indústria.

As expectativas de inflação, por outro lado, vêm perdendo força há três semanas, e os agentes econômicos consultados no Focus agora projetam a alta do IPCA em 2014 a 6,39%, 0,02 ponto percentual a menos do que na pesquisa anterior.

Com isso a projeção se afasta um pouco mais do teto da meta do governo, de 4,5% com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos. Depois de o IPCA ter superado o teto em 12 meses em junho com alta de 6,52%, os analistas esperam agora a divulgação dos números de julho na sexta-feira.

Em relação ao ano que vem, a perspectiva mediana foi elevada a 6,24%, contra 6,21%. Para os próximos 12 meses, houve ajuste de 0,09 ponto percentual para cima, a 6,03%. Para o Top-5 de médio prazo, com as instituições que mais acertam as projeções, houve manutenção da perspectiva de inflação a 6,39% em 2014 e 6,75% em 2015.

O cenário para a política monetária, por sua vez, não sofreu alterações, com a perspectiva de que a Selic encerre este ano nos atuais 11% e 2015 a 12%. Para os agentes consultados, novo ciclo de aperto monetário será iniciado apenas em janeiro de 2015, com alta de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, sem mudanças em relação à pesquisa anterior.

Já o Top-5 de médio prazo manteve a projeção de que a taxa básica de juros encerrará 2014 a 11%, mas reduziu a perspectiva para o ano que vem a 11,75%, contra 12%. Na sexta-feira, a curva de juros futuros também projetava a Selic a 11,75% no fim do ano que vem.

 

Produção da indústria cai 1,4% em junho

A produção de veículos caiu 12% de maio para junho e impactou a indústria brasileira, que mostrou retração pela quarta vez seguida.

No sexto mês do ano, a atividade industrial registrou baixa de 1,4% frente ao mês anterior, a maior desde dezembro de 2013 nesse tipo de comparação, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"São quatro meses de resultados negativos. A magnitude dessa queda tem uma relação importante com o menor número de dias trabalhados para o mês de junho. Claro que tem relação direta com redução de jornada de trabalho, concessão de férias coletivas, redução de turnos de trabalho. Claro que o evento Copa do Mundo tem relação com esses fatores”, disse André Luiz Macedo, gerente da coordenação de Industria do IBGE.

Frente a junho do ano anterior, a queda foi ainda maior, de 6,9%. Segundo a pesquisa, foi o recuo mais forte desde setembro de 2009, quando o índice teve baixa de 7,4%.

No segundo trimestre, a indústria brasileira mostra queda de 5,4% e, no primeiro semestre, de 2,6%, em relação aos mesmos períodos de 2013. Em 12 meses, o índice acumula baixa de 0,6% – a primeira queda desde março do ano passado.

Maioria dos setores tem queda
Segundo o IBGE, na comparação mensal, junho contra maio, a maioria das atividades da indústria mostrou queda, com destaque para a produção de veículos automotores, reboques e carrocerias (-12,1%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-29,6%). Na contramão, aumentou a produção de derivados do petróleo e biocombustíveis (6,6%), produtos alimentícios (2,1%) e bebidas (2,5%).

“O movimento de queda passa pela atividade de automóveis e caminhões ele vai também às autopeças. Ou seja, a gente tem toda a cadeia da produção automobilística com comportamento de queda”, afirmou Macedo.

Nessa mesma base de comparação, o setor de bens de consumo duráveis, como carros e eletrodomésticos, apresentou uma queda de 24,9%, a mais forte desde o início da série histórica do IBGE. A produção de bens bens de capital, caso das máquinas e equipamentos, também mostrou baixa de 9,7%. O setor produtor de bens de consumo semi e não-duráveis, como roupas e alimentos, registrou queda de 1,3%. A menor queda (0,1%) foi vista nos bens intermediários, caso das matérias-primas.

Comparação anual
Na comparação com junho de 2013, a queda também foi generalizada, quando analisados os setores da indústria. A maior retração partiu da indústria de veículos automotores, reboques e carrocerias, que recuou 36,3%, "pressionada em grande parte pela menor fabricação de automóveis, de caminhões, de caminhão-trator para reboques e semirreboques, de autopeças e de veículos para transporte de mercadorias", segundo informou o IBGE. Essa é a maior queda desde dezembro de 2008, quando havia recuado 51%, de acordo com Macedo.

Também sofreram reduções as produções de máquinas e equipamentos (-14,2%), metalurgia (-12,7%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-25,1%), produtos de metal (-15,6%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-18,4%), entre outros.

Na contramão, avançaram as produções de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (9,9%), produtos alimentícios (7,4%), indústrias extrativas (2,9%) e bebidas (9,4%).

A produção de bens de consumo duráveis caiu 34,3% e de bens de capital, 21,1%. Também tiveram resultados negativos bens de consumo semi e não-duráveis (-3,0%) e de bens intermediários (-2,9%).

No semestre
No ano, assim como nos outros tipos de comparação, o setor que mais diminuiu sua produção foi o de veículos automotores, acumulando queda de 16,9%. Na sequência, aparecem produtos de metal (-10,1%) e metalurgia (-5,0%), entre outros. Entre as oito atividades que aumentaram sua produção estão, principalmente, indústrias extrativas (4,1%) e produtos alimentícios (2,1%).

Entre as categorias, recuaram as produções de bens de consumo duráveis (-8,6%) e de bens de capital (-8,3%), pressionadas especialmente pela redução na fabricação de automóveis (-16,7%) e de equipamentos de transporte (-15,1%). O segmento de bens intermediários mostrou queda de 2,2%.

A única taxa positiva no semestre é a do setor produtor de bens de consumo semi e não-duráveis, que cresceu 0,3%, "impulsionado principalmente pela maior produção de medicamentos, gasolina automotiva e álcool etílico".

 

Embraer reverte prejuízo e tem lucro de R$ 319,8 milhões

A  Embraer teve lucro líquido atribuído aos acionistas de R$ 319,8 milhões no segundo trimestre, revertendo prejuízo de R$ 9,9 milhões no mesmo período de 2013. O resultado da terceira maior fabricante de aeronaves comerciais do mundo também teve ganho, de 23,6%, frente ao trimestre anterior.

No semestre, o lucro da companhia ficou em R$ 578,5 milhões – um ganho de cerca de 1000% sobre o lucro de R$ 51,8 milhões no primeiro semestre de 2013.

A receita líquida atingiu R$ 3,93 trilhões no segundo trimestre, uma alta de 21% frente ao mesmo período de 2013. Nos seis primeiros meses do ano, a receita líquida ficou em R$ 6,86 bilhões, alta de 27% sobre os mesmos seis meses do ano passado.

Aeronaves
De abril a junho, a Embraer entregou 29 aeronaves comerciais e 29 executivas. A carteira de pedidos firmes fechou o trimestre em US$ 18,1 bilhões, segundo a companhia.

No semestre, foram entregues 43 aeronaves comerciais e 49 executivas (39 jatos leves e 10 jatos grandes), comparado com 39 aeronaves comerciais e 41 executivas (31 jatos leves e 10 jatos grandes) no mesmo período de 2013.

 

 

Brasil não está fazendo reformas estruturais

Às vésperas do recesso de verão do Fundo Monetário Internacional (FMI), a diretora-gerente Christine Lagarde reuniu-se com um grupo de jornalistas, na sede do organismo multilateral, para discutir as perspectivas da economia mundial. Ao falar do Brasil, brincou que o país foi “uma força perturbadora” dos trabalhos do organismo por um mês, devido à Copa do Mundo, durante a qual funcionários, diretores e ela própria pararam constantemente para acompanhar os jogos. Mas também falou sério. Questionada se, diante de 15 meses de prognósticos ruins e repetição das mesmas recomendações, o governo brasileiro estava falhando na adoção de políticas para corrigir fragilidades, diplomaticamente concordou:

— Temos reiterado as mesmas fortes recomendações para que reformas estruturais sejam feitas, gargalos sejam reduzidos na economia e que o potencial, a capacidade de o Brasil entregar crescimento seja liberada. E isso não vem sendo feito — afirmou a diretora-gerente, que colocou o Brasil ainda em estado de atenção em relação à expansão do déficit em conta corrente (que fechou em 3,6% do PIB, ou 2,9% justados, em 2013, para um patamar que o Fundo considera ideal entre 1% e 2,5%).

Lagarde reforçou a mensagem de que o mundo passa por um período de retomada desigual do crescimento, com tração nos motores dos países ricos e desaceleração sincronizada e sistemática das nações emergentes. Alertou para os riscos associados à nomalização das políticas monetárias dos EUA e do Reino Unido, que pode provocar turbulências e desarrumar ainda mais a casa dos países em desenvolvimento.

O receituário para vencer os obstáculos, disse Lagarde, é inequívoco: reformas estruturais, conserto dos problemas macroeconômicos (inflação alta, déficits em contas externas, desequilíbrios fiscais) e muita coordenação entre autoridades.

Ela acredita ainda que a criação de mecanismos como o Arranjo de Contingência de Reservas (ACR) das nações que compõem o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) não afronta o FMI, e sim convoca parceria entre os diversos agentes, refletindo um mundo multipolar mas interdependente. A diretora-gerente considera ainda que a falha do Congresso dos EUA em ratificar a reforma de governança do Fundo, que dará mais poder aos emergentes, não afeta a eficiência da instituição nem lhe retira credibilidade.

Sobre a iminência de default da Argentina, nesta quarta-feira, Lagarde afirma que os efeitos serão circunscritos ao país sul-americano, do ponto de vista de turbulências. Mas o episódio acentuará a necessidade de reavaliação dos processos de reestruturação de dívida, da eficiência da ação coletiva, “(d)a escolha de leis e outros critérios legais tipicamente encontrados nesses casos”. O próximo trabalho do FMI sobre o tópico será apresentado à diretoria-executiva do órgão entre o fim de setembro e o início de outubro, pouco antes da Reunião Anual da instituição e do Banco Mundial, em Washington.

Abaixo, alguns trechos da entrevista.

CONDIÇÕES GLOBAIS

“Estamos passando por uma recuperação desigual do crescimento global. O que estamos identificando é risco associado com a normalização das políticas monetárias dos países ricos, começando com EUA e Reino Unido. O Fed (Federal Reserve, BC americano) e o Banco da Inglaterra estão agora considerando o fim dos estímulos e a elevação dos juros. Banco Central Europeu e Banco do Japão provavelmente continuarão mais um tempo com a política acomodativa. Haverá consequências. Se a comunicação for bem calibrada e feita, acreditamos que os efeitos colaterais serão administráveis. Mas claramente temos em mente o que aconteceu em maio do ano passado e como apenas a comunicação da intenção afetou os mercados emergentes”.

EMERGENTES

“Também temos uma desaceleração mais sincronizada dos emergentes. Eu colocaria a China de lado, pois medidas tomadas vão segurar o crescimento de 7,5%. Mas demais emergentes, sim. Isso terá ‘consequências para a vizinhança’, no sentido de que os países que comercializam ou se beneficiam de investimentos dessas nações emergentes vão arcar com os efeitos desta desaceleração sincronizada. Se levarmos esses dois elementos em consideração (desaceleração e normalização monetária dos ricos), claramente haverá impacto na tentativa das autoridades tomarem medidas e realçar a fragilidade do crescimento”.

SETOR EXTERNO E AÇÕES

“(Antes), era mais uma questão do superávit da China versus o déficit dos EUA no debate. O que vemos agora é menos desequilíbrio, mas esta questão está mais espalhada. Do lado superavitário, claramente vemos dois líderes, China e Alemanha. Do lado do déficit, temos os suspeitos de sempre, os EUA e alguns dos países europeus, mas também países como Turquia, África do Sul e Brasil. Está espalhando-se esse lado do déficit. Então, acreditamos que o caminho de políticas é manter a casa em ordem, cada um com suas particularidades no caso dos emergentes. O que é comum a todos é fazer reformas estruturais de diversas categorias. E nos frontes monetário e fiscal, cada um também tem políticas para adotar. A segunda recomendação é: falem uns com os outros. E a terceira é cooperem o quanto puderem. Parece incongruente recomendar cooperação em tempos em que você não vê muita cooperação, mas, economicamente, isso é o mais desejável, mais comunicação, mais cooperação, particularmente os banqueiros centrais, quando forem mudar o curso de política”.

COPA DO MUNDO

“O Brasil foi uma força perturbadora do trabalho do FMI recentemente, porque a Copa do Mundo mobilizou todo mundo nesta instituição, todos grudados na tela de TV por um mês e muitos jogos. Afetou todos os níveis da instituição, dos diretores-executivos ao staff, incluindo a diretora-gerente, embora eu não tenha assistido todos os jogos, mas vi alguns”.

BRASIL

“É verdade que temos revisado para baixo nossas projeções para o Brasil e é verdade que todos temos reiterado as mesmas fortes recomendações para que reformas estruturais sejam feitas, gargalos sejam reduzidos na economia e que o potencial, a capacidade de o Brasil entregar crescimento seja liberada. E isso não vem sendo feito”.

ARGENTINA

“Estamos obviamente monitorando a situação. A Argentina está fora dos mercados financeiros e de qualquer círculo financeiro há muito tempo e, embora defaults sejam sempre lamentáveis, nós não temos a visão de que teria grandes consequências significativas além daquela situação geográfica particular (...) (há) a questão significativa dos princípios da reestruturação de dívidas e qual seria o resultado das decisões legais que estão sendo tomadas em NY no momento, que têm significado mais amplo. Os princípios da reestruturação de dívidas e a eficiência da ação coletiva precisarão ser reavaliadas, junto com escolhas de leis e outros critérios legais tipicamente encontrados nesses casos. É neste ponto em que estamos trabalhando e continuaremos nos próximos meses”.

REFORMA DE GOVERNANÇA E CREDIBILIDADE O FMI

“Sobre (a redistribuição das) cotas, não acho que afete a eficiência do Fundo, a efetividade da diretoria. Quando olho para os nossos programas, linhas de crédito em vigor, a estabilidade que tentamos entregar por intermédio da nossa assistência técnica, da supervisão bilateral que oferecemos baseada em 70 anos de expertise em campo, não acho que a falha de alguns membros em aprovar a reforma de governança é um impedimento às nossas operações. Isso está corroendo a credibilidade da instituição. Alimenta algumas pesquisas acadêmicas e alguns editoriais de observadores, mas na minha vida cotidiana, nas nossas operações com o staff e os membros da diretoria, e, mais importante, nas minhas tratativas com as autoridades dos países, incluindo com as dos países do Brics, isso não afeta o Fundo e não corrói nossas ações”.

INICIATIVAS FINANCEIRAS DO BRICS

“O Arranjo de Contingência de Reservas (ACR) criado pelo Brics vem sendo construído nos últimos três ou quatro anos. Então, acho que é bastante independente da falha dos EUA em ratificarem a reforma (de governança). É atribuída uma ligação pelos observadores, mas o Brics já vinha falando disso há algum tempo, eles decidiram em um encontro deles, há alguns anos, os princípios (do ACR). Há uma cooperação intrínseca entre o ACR e o FMI. Dos US$ 100 bilhões que o Brics reservaram, cada membro pode sacar do que aportou até 30%. Para mais, tem que ter um programa em curso com o FMI. Quando se olha para a relação do FMI com essas novas agências, os acordos, é muito similiar ao Chiang Mai (mecanismo de contingência e reserva) criado pelos países asiáticos, que tem o FMI do outro lado. Não digo que foi um ‘corte e cola’. O Brics não é uma região, Brics é um agrupamento com interesses comuns. Embora, por interesses comuns, eu digo a mim mesma ‘eles não são a mesma coisa de forma alguma’...”.

PAPEL DO FMI

“Estamos celebrando os 70 anos das instituições de Bretton Woods e há muita nostalgia expressa sobre os objetivos dos ‘fundadores’. O mundo mudou ao redor do FMI e o próprio Fundo mudou imensamente. E continuará a mudar. Esta é uma das belezas desta instituição, ela se ajusta, é flexível, mudamos os instrumentos e os programas ao longo do tempo, mudamos a supervisão, ampliamos massivamente a assistência técnica. E continuaremos a fazê-lo. Todo o mundo está mudando continuamente. O equilíbrio de poder está mudando, há confrontos e há poderes econômicos emergindo, se consolidando e cooperando, há efeitos sobre os vizinhos, que valerá a pena continuar explorando. O fato é que a rede de proteção que os coreanos particularmente demandaram no encontro do G-20 vem sendo construída, em torno do arranjo do Chiang Mai, do mecanismo europeu de estabilidade, do ACR, dos instrumentos de swap entre vários bancos centrais. Isso reflete o fato de que o mundo é vastamente global e interdependente e precisa, provavelmente, de diferentes camadas nesta rede de proteção. Mas não vejo nada que seja inconsistente com a missão do FMI, que acho que é coordenação, cooperação entre os pilares das redes de proteção internacionais – das quais o FMI é a peça central”.



 

Brasil é um dos cinco emergentes mais vulneráveis

 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera o Brasil uma das cinco economias emergentes mais vulneráveis do mundo atualmente, em situação frágil para enfrentar uma possível deterioração das condições globais. O país seria afetado de forma dura se o processo de normalização das políticas monetárias das nações ricas — retirada de estímulos e aumento dos juros — for acidentado e se os próprios emergentes continuarem crescendo abaixo do esperado, como ocorre há três anos. Combinados, esses fatores podem gerar turbulências, limitar e encarecer o acesso a recursos, derrubar as commodities que alimentam as exportações, aumentar dívidas e travar investimentos, reduzindo ainda mais a projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, de apenas 2% em 2015.

Fazem companhia ao Brasil no grupo preocupante, listado no relatório anual de avaliação de efeitos colaterais (spillover) do FMI, divulgado nesta terça-feira, Índia, Turquia, Indonésia e África do Sul. No caso de novo furacão financeiro, essas nações arcariam com a maior elevação dos juros dos títulos soberanos e privados, a queda mais acentuada dos preços de ativos em seus mercados (como ações na Bolsa) e a desvalorização cambial mais robusta.

O grupo dos “Cinco Frágeis” foi citado pela primeira vez em agosto do ano passado, em relatório do banco americano Morgan Stanley, que teve grande repercussão. O texto afirmava que esses países seriam os mais vulneráveis à instabilidade da economia global, sobretudo à retirada dos estímulos à economia dos EUA.

Os cinco países já tiveram um ensaio do tipo de agruras por que podem passar, após os EUA indicarem que começariam a retirar os estímulos à economia americana, em maio do ano passado. Nos sete meses seguintes, os cinco emergentes sofreram reversão de expectativas, fuga de capitais e perda de valor da moeda frente ao dólar, acentuando problemas domésticos.

A ação do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) começou efetivamente em novembro. Até outubro deste ano, o Fed vai acabar com o programa de compra de títulos. Os mercados, então, começarão a antecipar quando ocorrerá a primeira alta de juros, próximos a zero desde 2008, atraindo de volta os capitais que inundaram os emergentes entre 2009 e 2012.

O FMI, no trabalho coordenado pelo economista Hamid Faruqee, acredita que as maiores chances são que a mudança monetária dos ricos ocorra de forma ordenada. Mas reconhece que os BCs de EUA, Inglaterra, Europa e Japão enfrentam situação inédita e desafiadora e que não é possível descartar dificuldades, como turbulências nos mercados a partir de sinais trocados de comunicação, subidas dos juros antes do previsto e em maior intensidade do que a esperada.

Ao mesmo tempo, o Fundo avalia que os países emergentes — Brasil incluído — passam por desaceleração do crescimento consistente, gradual e prolongada, que sugere deficiências estruturais arraigadas. Até 2018, estas nações terão expansão abaixo do potencial, como resultado de ganhos residuais ou mesmo perdas, como na América Latina, de produtividade nos anos recentes.

Hamid Faruqee explica que este cenário pode alimentar ainda mais o mau humor dos investidores, tornando as turbulências mais graves e reduzindo ainda mais o crescimento. Ou seja, arrisca-se um círculo vicioso. Os emergentes, como o Brasil, teriam muito a perder. Mas também os países ricos, por intermédio de comércio global mais fraco, menos receitas de multinacionais e bancos, que têm no mundo em desenvolvimento um de seus principais filões, e possíveis esqueletos da crise financeira hoje mascarados.

— É difícil atribuir probabilidade, mas o fato é que existe o risco de o pior cenário se materializar. No cenário mais adverso, os emergentes desapontariam, nos próximos três anos, crescendo 0,5 ponto percentual menos anualmente. Nos últimos três anos, as projeções foram cortadas sistematicamente. Além disso, tivemos os problemas de maio do ano passado, que foram amostra do desafio de os ricos saírem da atual política monetária — advertiu Faruqee.

No caso do Brasil, o ritmo anêmico da economia, diz o FMI, está relacionado a baixas taxas de investimento e poupança doméstica. O país, segundo a equipe econômica, está atualmente em recessão. E não crescerá mais do que 1,3% em 2014, pelos números do Fundo. A saída é resolver gargalos de infraestrutura, especialmente nos setores elétrico e de transporte, aumentar a eficiência do investimento público, adotar medidas que elevem competitividade,reanimar a confiança dos investidores e desestimular o consumo como âncora da expansão.

Isso passa por um dever de casa mais amplo. Começa com a redução do rombo nas contas públicas, com um ajuste fiscal, e passa pela reconstrução dos amortecedores regulatórios. E se estende a dois outros pontos-chave: derrubar a inflação alta e diminuir a necessidade de financiamento externo (expressa pelo déficit em conta corrente). Sem melhorar essas condições, afirma o FMI, o espaço de manobra para reação em caso de nova crise estará muito limitado.

Em outro relatório, de avaliação do setor externo, o FMI considera que o déficit em conta corrente do Brasil, em 3,6% do PIB (ou 2,9%, com dados ajustados), está “moderadamente” acima do que seria aconselhável. Para o Fundo, o ideal é um número entre 1% e 2,5% do PIB.

— Não há nenhum senso de alarme na avaliação do Brasil, de forma geral ela é a de que o número está moderadamente acima do que deveria. Não é que não haja questões a se observar, mas eu colocaria a ênfase no moderadamente — afirmou o economista Steven Phillips, que coordenou o estudo, que mostra que o real ainda está muito valorizado.

As escolhas do governo brasileiro terão impacto direto no Cone Sul. Ao lado de China, Rússia e Venezuela, o Brasil é a nação em desenvolvimento que mais pode contaminar negativamente os vizinhos em caso de desaceleração mais acentuada do crescimento, segundo o FMI. Estão no radar de influência brasileira os parceiros de Mercosul _ Argentina, Uruguai e Paraguai _ e a Bolívia. A economia paraguaia arcaria com o maior custo. Expansão 1 ponto percentual menor no Brasil em 2015 poderia diminuir o PIB do Paraguai em 0,9 ponto.

“Os acordos regionais de comércio têm contribuído para o fortalecimento dos laços comerciais entre o Brasil e os países do Cone Sul. Considerando seu tamanho, o Brasil tornou-se um grande consumidor de bens produzidos pelos seus vizinhos. Esses países, portanto, estão vulneráveis a uma desaceleração no Brasil”, diz o relatório de efeitos colaterais do FMI.




 

 Analistas continuam a reduzir previsão do PIB brasileiro

 

A série de medidas anunciadas na semana passada pelo Banco Central para estimular o crédito e aquecer a economia ainda não surtiu efeito no humor dos analistas do mercado. Pela nona vez consecutiva, os economistas ouvidos pela pesquisa Focus, realizada pelo BC, reduziram a projeção do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país), desta vez para apenas 0,9%, segundo dados divulgados nesta segunda-feira. Na edição anterior do relatório, a expectativa era de 0,97%.

Apesar do pessimismo com a atividade econômica, a previsão para a produção industrial, que vinha sendo cortada nas últimas quatro semanas, parou de cair. Os economistas continuam esperando que o setor feche o ano em contração de 1,15%, mesma projeção da semana passada.

A previsão de alta do PIB em 2014 continuou em 1,5%, mesmo número indicado nas últimas quatro semanas. Para o ano que vem, a expectativa do mercado é que a indústria cresça 1,7%, mesma taxa indicada na semana passada.

Os dados foram apurados no mesmo dia em que o BC anunciou uma série de ações para estimular o crédito, inclusive a liberação de parte dos depósitos compulsórios, permitindo que o dinheiro, normalmente destinado a uma conta do BC, possa ser movimentado pelas instituições financeiras, o que deve injetar até R$ 45 bilhões no sistema financeiro.

Apesar da divulgação semanal, os dados para o boletim Focus são coletados diariamente. Pelo sistema do BC, os cerca de 100 analistas que participam da pesquisa podem alterar diariamente suas projeções, de acordo com os sinais do mercado. Na quinta-feira passada, véspera do anúncio, a mediana das projeções para o PIB estava em 0,93%. Na sexta, após o anúncio no início da manhã, os economistas tinham até as 17h para revisar suas projeções para cima. No entanto, foram na direção oposta, levando a mediana aos 0,9% divulgados.

Em relação à inflação, que tem demonstrado tendência de queda, puxada pelo alívio no preço dos alimentos, a mediana das projeções recuou pela segunda vez consecutiva. Agora, a expectativa é de que o IPCA, índice que mede a inflação oficial no país, feche o ano em 6,41%, contra previsão anterior de 6,44%. O número, no entanto, ainda é próximo do teto da meta do governo, de 6,5%.

PIB fraco 28-07PREOCUPAÇÃO COM CRESCIMENTO

Neste mês, o Banco Central divulgou que a atividade econômica encolheu 0,18% em maio. Foi o pior resultado do IBC-Br, conhecido informalmente como o “PIB do BC”, desde dezembro do ano passado. O resultado fortaleceu as expectativas de que o PIB do segundo trimestre venha fraco.

A estimativa é apenas um dos dados que indicam que o Brasil pode crescer menos neste ano, o que tem preocupado o mercado e o governo. Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI), cortou a previsão de crescimento do Brasil (assim como fez em relação à atividade econômica mundial) para apenas 1,3%. Antes,o próprio governo havia admitido que o PIB deve crescer 1,8%, contra projeção anterior de 2,5% para este ano.

Para analistas,o Banco Central emitiu sinais contraditórios ao mercado na semana passada. Primeiramente, na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), descartou um novo corte na taxa básica de juros, a Selic. No dia seguinte, no entanto, anunciou uma série de medidas, inclusive a liberação de parte dos depósitos compulsórios, que normalmente “congelam” o dinheiro dos bancos, em uma manobra para estimular o crédito.

 

Turistas estrangeiros gastaram US$ 797 milhões no Brasil

Com a Copa do Mundo, o Brasil registrou um recorde histórico de ingressos de recursos de turistas estrangeiros que vieram ao país. Dados divulgados pelo Banco mostram que os viajantes estrangeiros deixaram US$ 797 milhões no país no mês de junho, uma alta de 75,9% na comparação com os US$ 453 milhões registrados em junho do ano passado. Essa foi a maior receita na análise mensal desde o início da série histórica do Banco Central, em 1947.

No acumulado de janeiro a junho, o total gasto pelos estrangeiros no Brasil chega a US$ 3,64 bilhões – uma alta de 4,8% ante os US$ 3,48 bilhões registrados no primeiro semestre de 2013.

As despesas de brasileiros no exterior também bateram recorde e chegaram a US$ 2,0 bilhões em junho, uma alta de 4,9% na comparação com o valor de US$ 1,90 bilhão gasto pelos brasileiros em viagens fora do país no mesmo mês de 2013. No primeiro semestre, o montante deixado lá fora também foi recorde e chegou a US$ 12,48 bilhões – 2,3% a mais que os US$ 12,20 bilhões registrados nos seis primeiros meses do ano passado.

O chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Fernando Rocha, destacou que a entrada de mais receitas com viagens contribuiu para uma redução de 17,3% nas despesas líquidas com viagens internacionais – com gasto líquido de US$ 1,2 bilhão em junho.

- Esse aumento de receitas ocorreu por causa do afluxo de turistas estrangeiros ao Brasil, por ocasião da Copa do Mundo - disse o chefe-adjunto.

Ele destacou que o resultado parcial para julho também aponta para um crescimento significativo na entrada de recursos. Até 23 de julho, a entrada de receitas com viagens cresceu cerca de 50% na comparação com o mesmo período do ano passado.

- As receitas de viagens internacionais no semestre, de US$ 3,64 bilhões, também representam o maior valor da série histórica para o período. Essa influência da Copa nas viagens internacionais, embora concentrada no fim do semestre, foi de uma magnitude que permite que o resultado (do semestre) seja o maior para toda a série - afirmou.

Em junho, o Brasil registrou déficit de US$ 3,4 bilhões na conta de serviços, 4,5% acima do valor registrado no mesmo mês de 2013.

TRANSAÇÕES CORRENTES

As transações do Brasil com o exterior registraram déficit de US$ 3,34 bilhões em junho – contra um déficit de US$ 3,88 bilhões apurado no mesmo mês do ano passado. O resultado contribuiu para um déficit de US$ 43,31 bilhões no acumulado dos seis primeiros meses, ante US$ 43,18 bilhões no mesmo período do ano passado. Esses números, que formam a conta de transações correntes, consideram balança comercial, balança de serviços e transferências unilaterais, como doações e remessas de lucro.

- Houve uma menor despesa líquida de viagens em junho, o que ajuda a explicar o resultado das transações correntes. Outro ponto que ajuda a explicar o resultado é uma redução nas despesas com juros e uma redução na conta de lucros e dividendos - afirmou o chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central.

- Essa redução de lucros e dividendos está ligada a uma atividade econômica em moderação e a uma taxa de câmbio mais depreciada - acrescentou.

O Banco Central projeta um déficit em transações correntes para julho de US$ 6,7 bilhões de dólares. Em julho do ano passado, o saldo negativo ficou perto de US$ 9 bilhões. Se a projeção se confirmar, o resultado de julho permitirá, segundo o chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, que haja uma redução, pelo seguindo mês seguido, no déficit em transações correntes acumulado em 12 meses.

- Caso a projeção do Banco Central esteja certa, teremos uma nova redução do déficit em transações correntes em 12 meses, para algo perto de US$ 78,9 bilhões - disse Rocha, que observou que o déficit em 12 meses está em US$ 81,1 bilhões.

Os números do Banco Central mostram ainda que o ingresso líquido de Investimento Estrangeiro Direto (IED) atingiu US$ 3,9 bilhões no mês passado. Nos 12 meses encerrados em junho, os ingressos líquidos de IED somaram US$ 63,3 bilhões, o que equivale a 2,79% do PIB.



 

 

 

BC prevê 14% de alta nos preços da energia elétrica

O Banco Central subiu de 11,5% para 14% sua estimativa de reajuste dos preços da energia elétrica neste ano. A informação está na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) – que manteve os juros estáveis em 11% ao ano na semana passada –, divulgada .

O reajuste da energia previsto pelo BC já é quase o dobro do estimado pela própria instituição no início deste ano. Em janeiro de 2014, o Banco Central previa que o aumento da eletricidade seria de 7,5%, valor que foi mantido em fevereiro. Em abril, já estimava uma alta de 9,5% e, em maio, passou para 11,5%.

Falta de chuvas
O setor energético passa por uma situação mais complicada neste ano por conta da falta de chuvas. Em situações normais, quase toda a energia consumida no Brasil vem de hidrelétricas. No início desde ano, porém, os reservatórios das principais usinas do país baixaram muito devido à falta de chuvas e, para poupar água, todas as termelétricas disponíveis estão sendo usadas.

Porém, como as térmicas funcionam por meio da queima de combustíveis (óleo, gás, biomassa), a energia gerada por elas costuma ser mais cara e isso impacta a conta de luz. A queda no nível dos reservatórios também levou a patamar recorde o preço da energia no mercado à vista, para onde recorrem as distribuidoras que não têm sob contrato, a preços fixos, toda a energia que precisam para atender aos seus consumidores.

Pela regra, tanto o custo extra com as térmicas quanto com a compra de energia no mercado à vista deveriam ser pagos pelas distribuidoras nesse primeiro momento. Depois, elas seriam compensadas por meio de reajustes que acontecem todos os anos. Mas alegaram não ter recursos suficientes, e o governo lançou um plano de socorro.

Ele se comprometeu a colocar R$ 13 bilhões no setor elétrico neste ano com recursos orçamentários, e já admite que o total de empréstimos bancários às empresas pode chegar a R$ 17,7 bilhões. Este valor para socorrer as distribuidoras será repassado às contas de luz de todos os brasileiros a partir de 2015.

Preços administrados
Na ata do Copom divulgada nesta quinta-feira, o Banco Central também subiu de 5% para 6% sua previsão para os chamados "preços administrados" em 2015 e também passou a projetar uma variação de 4,8% para 2016.

Os preços administrados, que geralmente sobem todos os anos, são: ônibus interestaduais, energia elétrica residencial, água, planos de saúde, serviços farmacêuticos, telefone fixo, telefone celular, telefone público e pedágio. Aqueles que não têm reajuste pré-determinado anualmente, mas que sobem de vez em quando, são: gasolina, álcool combustível, gás de bujão, óleo diesel, ônibus urbano, metrô, trem e correios.

Telefonia
O Banco Central também informou na ata do Copom que suas estimativas contemplam redução de 3,8% nas tarifas de telefonia neste ano. Em maio, a instituição previa que a telefonia teria uma queda maior em 2014: 4,2%.

 

Avanço de 13% no fluxo de passageiros nos aeroportos do país


 

Os aeroportos brasileiros tiveram grande movimentação durante a Copa do Mundo, com 17,8 milhões de passageiros circulando pelos principais terminais, mais que os 15,8 milhões observados na mesma época no ano passado. Mas, ao contrário do divulgado antes pela Secretaria de Aviação Civil (SAC), não foi superado o recorde para um único dia.

O pico da Copa ocorreu em 14 de julho, dia seguinte à final entre Alemanha e Argentina, quando 560 mil passageiros estiveram nos 21 principais aeroportos usados no torneio. O número é alto, mas está atrás dos 567 mil passageiros de 28 de fevereiro de 2014, sexta-feira de Carnaval, e dos 561 mil de 20 de dezembro de 2013. A correção veio depois que o GLOBO alertou a SAC sobre inconsistências nos números divulgados na semana passada.

Em 14 de julho, o governo organizou um evento para divulgar os números da Copa do Mundo, com a presença da presidente Dilma Rousseff e de 16 ministros, entre eles Moreira Franco, da SAC. Na ocasião, o governo exaltou os recordes de movimento nos aeroportos, que não foram acompanhados de caos aéreo, mas deu informações desencontradas sobre o volume real de passageiros que circularam pelos terminais do ano passado para cá.

Na época, foi divulgado que os 548 mil passageiros de 3 de julho (ainda não havia dados dos dias 14 e 15 de julho) tinham sido o pico histórico, à frente dos recordes anteriores: 467 mil passageiros em 28 de fevereiro de 2014, e 420 mil em 20 de dezembro de 2013. Esses números, porém, estavam errados, abaixo inclusive da média observada no meio do ano passado. Na terça-feira, a SAC explicou que havia feito um recorte diferente dos dados, o que acabou por subestimar o movimento de passageiros no Carnaval e no fim do ano passado.

Ao todo, segundo a SAC informou, 17,8 milhões de passageiros circularam pelos aeroportos brasileiros entre 10 de junho e 15 de julho de 2014. O novo balanço inclui os dias 14 e 15 de julho, dias subsequentes ao término da Copa, quando muitas pessoas ainda voltavam para casa. O número é 13% superior aos 15,8 milhões de passageiros verificado no mesmo período do ano passado.

Na terça, a SAC explicou que vários aeroportos, quando considerados isoladamente, superaram o movimento observado em 20 de dezembro de 2013 e 28 de fevereiro de 2014. No Galeão, por exemplo, passaram 68,9 mil passageiros em 14 de julho, 23% a mais que os 56,2 mil de 20 de dezembro do ano passado. A maior variação ocorreu em Fortaleza. Em 5 de julho, dia seguinte ao jogo entre Brasil e Colômbia na cidade, 30,4 milhões de passageiros circularam pelo aeroporto, 54% a mais que os 19,7 milhões de 20 de dezembro. Em Curitiba e Porto Alegre, aconteceu o inverso: o pico durante a Copa foi menor que o movimento em 20 de dezembro e 28 de fevereiro.

A SAC também comparou a movimentação dos aeroportos brasileiros durante a Copa com os terminais da África do Sul, sede do Mundial de 2010. Segundo a SAC, os aeroportos sul-africanos movimentaram 4,5 milhões de passageiros entre 1º de junho e 17 de julho de 2010. Só Guarulhos, o aeroporto com maior movimento no Brasil, recebeu 4,1 milhões de passageiros entre 10 de junho e 15 de julho deste ano.

O Galeão recebeu 1,92 milhão de passageiros durante a Copa. Quando considerado apenas o dia 14 de julho, os aeroportos do Galeão, Santos Dumont e Jacarepaguá tiveram uma movimentação de 1.703 aeronaves (769 voos regulares, 96 voos charter, 838 aviação geral) e transportaram 101 mil passageiros. Segundo a SAC, isso é 6% maior que o movimento de 29 de julho de 2013, dia seguinte ao encerramento da Jornada Mundial da Juventude, realizada no Rio.

Na terça, a SAC também passou números atualizados sobre voos atrasados e o tempo para atendimento em diversos serviços nos aeroportos. O índice médio de atrasos (voos que partem mais de 30 minutos depois do previsto) durante a Copa foi de 6,94%. São considerados satisfatórios índices de até 15%.

O tempo médio para inspeção dos passageiros no raio-x foi de dois minutos e 13 segundos. O tempo de restituição de bagagem em voos internos durou, em média, oito minutos e 36 segundos. Já nos voos internacionais, foram 28 minutos e 18 segundos. O check-in doméstico levou, em média, dez minutos e 40 segundos. Na imigração, o tempo gasto foi de 5 minutos e 7 segundos por passageiro.

Embora os índices de atrasos tenham ficado dentro do satisfatório, houve aeroportos mais problemáticos, como os de Cuiabá e Porto Alegre. Boletins divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) ao longo da Copa mostram que, em Cuiabá, os atrasos foram superiores a 15% em oito dias (quatro deles depois que cidade deixou de receber jogos). No caso de Porto Alegre, foram sete dias, mas apenas um depois do fim da Copa na cidade.

Média de atrasos ficou abaixo de 15%

Os atrasos acima do normal em geral foram pontuais, atingindo um ou outro aeroporto. Em três dias, porém, os atrasos foram generalizados, alcançando 20% em todo país e afetando vários terminais. Um desses dias foi 17 de junho, dia do jogo entre Brasil e México, atingindo Curitiba, Santos Dumont, Galeão, Porto Alegre, Congonhas, Recife e Salvador. Em todo o país, o índice ficou em 20%.

Em 28 de junho, dia de Brasil e Chile pelas oitavas de final da Copa no Mineirão, o índice de atrasos ficou em 18,3% no país. Os aeroportos com atrasos acima do satisfatório foram Santos Dumont, Curitiba, Cuiabá, Congonhas, Confins, Brasília e Salvador. Em 4 de julho, quando o Brasil derrotou a Colômbia em Fortaleza e se classificou para as semifinais, também houve muitos atrasos, mas a média nacional ficou abaixo dos 15%.

Os boletins diários que a SAC começou a divulgar em 12 de junho, dia da abertura da Copa, registram alguns fatos curiosos. Um deles envolveu a seleção da Rússia. “Uma carga de embutidos e laticínios da delegação russa foi retida em Guarulhos – já que se trata de produtos com entrada proibida no país”, informou boletim divulgado em 15 de junho.



 

Governo reduz para US$ 150 cota de importação

A cota de isenção para importação de produtos por via terrestre foi reduzida de US$ 300 para US$ 150, segundo portaria do ministro da Fazenda, Guido Mantega, publicada no Diário Oficial da União. Quem exceder o valor terá de pagar Imposto de Importação de 50% do valor dos produtos transportados.

A redução da cota foi incluída na portaria que regulamenta o funcionamento de free shop em cidades brasileiras que tenham fronteira direta com municípios de países vizinhos.

A nova cota entra em vigor imediatamente e vale também para quem chega ao Brasil de navio ou outro transporte fluvial. Não houve alteração para quem vem ao Brasil de avião, que continua tendo isenção até US$ 500.

A autorização para o funcionamento de free shop em fronteira terrestre tem como base uma lei aprovada pelo Congresso e sancionada pela presidente Dilma Rousseff em dezembro de 2012. A regulamentação editada pelo Ministério da Fazenda permite a quem cruzar a fronteira realizar compras de até US$ 300 nessas lojas.

Para que as lojas passem a funcionar, porém, será necessário a adequação de leis municipais. Somente poderão ter free shops municípios que tenham as “cidades gêmeas” do outro lado da fronteira.

Poderão abrigar as lojas as seguintes cidades: Assis Brasil (AC), Brasiléia (AC), Epitaciolândia (AC), Santa Rosa do Purus (AC), Tabatinga (AM), Oiapoque (AP), Bela Vista (MS), Corumbá (MS), Mundo Novo (MS), Paranhos (MS), Ponta Porã (MS), Porto Murtinho (MS), Barracão (PR), Foz do Iguaçu (PR), Guaíra (PR), Guajará-Mirim (RO), Bomfim (RR), Pacaraíma (RR), Aceguá (RS), Barra do Quaraí (RS), Chuí (RS), Itaqui (RS), Jaguarão (RS), Porto Xavier (RS), Quaraí (RS), Santana do Livramento (RS), São Borja (RS), Uruguaiana (RS) e Dionísio Cerqueira (SC).



 

Mercado reduz previsão  de  alta do PIB de 2014

 

A economia brasileira deve crescer menos de 1% este ano, segundo os economistas do mercado financeiro. É a primeira vez que a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano fica abaixo dessa marca. De acordo com o relatório de mercado (Focus), divulgado pelo Banco Central, a previsão para o PIB caiu de 1,05% para 0,97%. Foi a oitava queda seguida.

As previsões do mercado financeiro, coletadas pelo BC por meio de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras na semana passada, confirmam o cenário de desaceleração da economia brasileira. Em 2013, o PIB registrou crescimento de 2,5%. Para 2015, a previsão do mercado de alta do PIB ficou estável em 1,5%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o crescimento da economia.

Para conter a inflação, o BC subiu os juros entre abril do ano passado e maio deste ano, influenciando também o ritmo de atividade. Com taxas maiores, há redução do crédito e do dinheiro em circulação, assim como do número de pessoas e empresas dispostas a consumir, o que tende a fazer com que os preços caiam ou parem de subir.

No fim de maio, o IBGE informou que a economia do país registrouexpansão de 0,2% nos três primeiros meses de 2014, em relação ao quarto trimestre de 2013, com destaque para o bom desempenho da agropecuária.

A expansão do PIB do país previsto para 2014 pelo mercado financeiro, de 0,97%, continua abaixo do estimado no orçamento federal, de 2,5%, e também menor que a previsão divulgada pelo Banco Central na semana passada, de alta de 1,6%.

Menos inflação
O mercado financeiro também previu menos inflação para este ano. Os economistas dos bancos reduziram de 6,48% para 6,44% sua previsão de 2014 para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país e calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com isso, o valor se distanciou um pouco do teto de 6,5% do sistema de metas de inflação para o ano. A previsão chegou a ultrapassar o teto em abril, mas depois recuou. Para 2015, a expectativa dos economistas dos bancos para o IPCA, porém, subiu de 6,10% para 6,12%.

Pelo sistema que vigora atualmente no Brasil, a meta central tanto para 2014 quanto para 2015 é de 4,5%. Entretanto, há um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Desse modo, o IPCA pode oscilar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

Taxa de juros
A previsão do mercado financeiro para a taxa básica de juros (Selic) da economia brasileira, por sua vez, foi mantida em 11% ao ano até o fechamento de 2014. Na semana passada, o BC manteve a taxa estável neste patamar pelo segundo encontro seguido do Comitê de Política Monetária (Copom).

Para o fim de 2015, a previsão dos analistas para o juro básico da economia permaneceu em 12% ao ano.

Câmbio, balança comercial e investimentos estrangeiros
Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2014 recuou de R$ 2,39 para R$ 2,35 por dólar. Para o término de 2015, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio ficou estável em R$ 2,50 por dólar.

A projeção para o superávit da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2014 permaneceu em US$ 2 bilhões na semana passada. Para 2015, a previsão de superávit comercial subiu de US$ 9,4 bilhões para US$ 9,8 bilhões.

Para este ano, a projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil permaneceu em US$ 60 bilhões. Para 2015, a estimativa dos analistas para o aporte de investimentos estrangeiros ficou estável em US$ 55 bilhões.

 

 

Mesmo com queda nas vendas, preços de carros sobem

 
Mesmo com as vendas de veículos tendo caído 7,3% entre janeiro e junho, o preço dos zero quilômetros subiu no mesmo período, apesar da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). De acordo com um levantamento feito pela consultoria Oikonomia, o preço médio dos automóveis aumentou 6% no primeiro semestre deste ano, ou R$ 2,7 mil, para R$ 47,8 mil. Um ano antes, o valor médio estava em R$ 45,1 mil. O movimento de alta tem ajudado as montadoras a compensar parte da forte retração da demanda.

De acordo com o estudo, o faturamento das montadoras caiu, mas não na mesma proporção que as vendas. O recuo foi de 3%, no mesmo período, segundo a Oikonomia.

— Quando as vendas estão em queda, a montadora aumenta o preço. Isso ocorre para que ela cumpra o seu plano de negócios (business plan) financeiro apresentado à matriz — explicou Raphael Galante, consultor da Oikonomia.

O maior descasamento entre as curvas de vendas e faturamento, de acordo com a consultoria, é da Ford. A receita foi de R$ 7 bilhões em seis meses, uma elevação de 5,4%, sentido oposto à redução de 7,5% nas vendas da montadora. Procurada, a Ford disse não reconhecer os números usados na pesquisa e, por isso, não quis comentar. A Oikonomia esclareceu, por sua vez, que os números estão nos balanços divulgados pela Fenabrave.

A Anfavea, associação que representa as montadoras instaladas no Brasil, reconhece que houve aumento de preços no primeiro semestre, mas atribui esse reajuste à volta de parte do IPI, em dezembro (de zero para 3% nos carros de até 1000 cilindradas); à obrigatoriedade, desde janeiro, do airbag e freio ABS nos veículos que saem da fábrica e, ainda, à maior venda de carros acima de 1000 cilindradas, cujos valores são mais altos, elevando a média de preços. Sobre o aumento do faturamento, no entanto, a Anfavea não comentou.

Para a agência Autoinforme, que acompanha a inflação nas concessionárias, o preço dos automóveis subiu 4% apenas no primeiro trimestre como resultado do aumento do IPI e pelo repasse dos custos dos equipamentos de segurança, como o airbag.

Galante, da Oikonomia, também aponta a recomposição de parte do IPI e a entrada do airbag como fatores de elevação de parte do preço ao consumidor. Mas frisa que há uma forte resistência das montadoras em reduzir suas margens de lucro.

— Ocorre que o mercado não está mais aceitando as elevações de preço e para de comprar. Prova disso é a grande quantidade de concessionárias fechando as portas — afirmou.

Em 2013, a Oikonomia já havia registrado o mesmo movimento de alta no faturamento mesmo com queda nos emplacamentos de novos veículos. Nas contas da consultoria, a receita das montadoras no Brasil cresceu R$ 3,3 bilhões em 2013, para R$ 161,3 bilhões, mesmo com o recuo de 1,6% nas vendas durante o ano.



 

Poupança fica menos atrativa em 2014

 

Com a trajetória de alta da taxa de juros da economia do país (a Selic), deixar o dinheiro rendendo na poupança torna-se menos atrativo em 2014 com relação a outros investimentos, apontam levantamentos de entidades.

A elevação da Selic começou em meados de 2013. Ela passou de 7,25% ao ano para 11% desde abril de 2014. Nesta quarta-feira, o Banco Central manteve a taxa em 11% ao ano– patamar mais alto desde 2011.

Cálculos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) apontam que a poupança variou 3,39% no acumulado do primeiro semestre do ano (como os juros estão superiores a 8,5% ao ano, as poupanças nova e antiga estão rendendo a mesma coisa).

No mesmo período, as variações do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e do CDB (Certificado de Depósito Bancário) foram de 4,93% e 4,84%, respectivamente. Os fundos de renda fixa, por exemplo, tiveram variação de 4,32% no mesmo período, e os Fundos DI (atrelados ao CDI), de 3,81%.

A Easynvest Título Corretora fez os cálculos em um período um pouco maior – de janeiro até o dia 11 de julho, e o cenário se mantém: a variação da poupança no acumulado do período, de 4,02%, perde para 8 de 9 outros tipos de investimento comparados na amostra. O único que rendeu menos foi o fundo de índice ETF DIVO11 (um fundo espelhado em índices com cotas negociadas em bolsa da mesma forma que as ações), que inclusive teve variação negativa (- 5,10%). Pelo levantamento da corretora, a maior variação no período foi a da NTN-B Principal (com vencimento em 15 de maio de 2035), um dos títulos do Tesouro Direto: a alta acumulada no ano é de 14,4%. O CDI, por exemplo, acumula alta de 5,36% no ano. O Ibovespa, por sua vez, acumula alta de 6,36% de janeiro a 11 de julho.

Rendimento da poupança
O rendimento da poupança é de 0,5% mais a variação da Taxa Referencial (TR) sempre que a Selic está acima de 8,5% ao ano, o que aconteceu durante os seis primeiros meses de 2014. Pelas novas regras, estabelecidas em 2012, a poupança passa a render 70% da taxa Selic mais a variação da TR quando os juros básicos recuarem para 8,5% ao ano, ou abaixo disso. As aplicações que já existiam antes da mudança, contudo, seguem com a variação antiga em qualquer cenário.

Imposto de Renda
“Com a Selic em alta, ela influencia todas as aplicações atreladas aos juros”, disse o diretor-executivo de estudos e pesquisas econômicas da Anefac, Miguel de Oliveira.

O especialista lembrou, contudo, que quem aplica dinheiro em fundos têm de pagar taxas de administração que variam de 0,5% a 3%. Há ainda a incidência do Imposto de Renda (IR) sobre o rendimento, que varia de 15% a 22,5% (alguns investimentos, no entanto, não têm a incidência do IR, como LCI e LCA).

Com a cobrança acima de 2,5% ao ano de taxa os fundos começam a perder para a poupança (que não tem nem taxa de administração nem a incidência do IR), diz Oliveira.

O rendimento da poupança no primeiro semestre, contudo, superou a variação do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&F Bovespa), que foi de 3,2% no período.

A variação do dólar no acumulado do ano, por sua vez, foi a única que registrou depreciação no primeiro semestre, com queda de 5,95%. O fundo cambial registrou recuo ainda maior, de 6,44%.

Oliveira estimou que o ciclo de alta de juros da economia deve ficar mantido no patamar atual até o final do ano, por conta do desaquecimento da economia – se o governo sobe muito os juros, prejudica o investimento. Dessa forma, a variação até o momento para a poupança e fundos pode ser tomada como uma base até o final do ano, estima.

 

Controle do banco do Brics será de fundadores



O controle do banco de investimentos do Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) será dos fundadores da instituição mesmo com entrada de novos sócios, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O capital inicial do banco é de US$ 50 bilhões, sendo US$ 10 bilhões de cada um dos países-membros, podendo chegar a US$ 100 bilhões.

Ao detalhar a estrutura da instituição, na VI Cúpula do Brics , Mantega apontou que já há interessados em participar do banco:

- Já há vários países que demonstraram interesse e poderão ingressar no banco. Porém, os cinco membros fundadores terão sempre, no mínimo, 55% do capital e manterão o controle do banco.

O interesse dos países em desenvolvimento, explicou Mantega, está ligado à necessidade de capital para financiar projetos de infraestrutura. Hoje, há uma carência de recursos para essas áreas. As linhas de financiamento de instituições como o Banco Mundial não são suficientes para atender aos projetos do mundo, considerando países desenvolvidos e emergentes.

Uma das diferenças do novo banco de investimento do Brics e instituições como Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional, apontou o ministro da Fazenda, é a divisão do poder. Enquanto nesses organismos o comando se divide entre americanos e europeus, no banco de fomento haverá divisão de poder igual entre os cinco países e um rodízio de quem vai comandar.

— Vocês estão olhando quem vai ser o primeiro presidente, o segundo presidente. Não tem a menor importância. A importância é a participação acionária. Nesse caso, o poder é dividido igual entre os cinco países. (...) A estrutura de poder é bastante democrática entre os cinco sócios — afirmou.

Mantega revelou a intenção do banco de ter uma boa classificação pelas agências de rating para auxiliar na captação de recursos e emissão de bônus. Além disso, destacou que a operação do banco e também o julgamento dos projetos a serem financiados será “totalmente profissional”. Para se credenciar a receber os financiamentos, disse Mantega, os países devem ter economia sólida e não serem inadimplentes.

Os países terão um prazo de sete anos a partir da criação do banco para aportar a contribuição inicial de US$ 10 bilhões cada. No Brasil, esses recursos terão como origem o Tesouro Nacional.

A Índia ocupará a primeira presidência do Novo Banco de Desenvolvimento, enquanto a sede ficará em Xangai. O Brasil terá a presidência do Conselho de Administração, responsável por decisões de novos membros e investimentos, enquanto a Rússia ficou com a presidência do Conselho de Ministros, que é a instância política da instituição e cuida de questões estratégicas. A África do Sul, por sua vez, terá a primeira sede regional, Joanesburgo.

Nos bastidores, a informação é que o governo brasileiro tentou até o último momento ficar com a primeira presidência do banco de fomento, com mandato de cinco anos, mas acabou cedendo para se chegar a um consenso e evitar o fracasso.


 

Embraer recebe novos pedidos da

A fabricante de aviões Embraer anunciou que recebeu novos pedidos por jatos de três empresas aéreas, com destaque para a brasileira Azul, que assinou uma carta de intenções para encomendas que podem totalizar US$ 3,1 bilhões.

A fabricante também anunciou contratos com a japonesa Fuji Dream Airlines (FDA) e com a Azerbaijan Airlines (Azal), do Azerbaijão. Enquanto o acordo com a FDA envolve o pedido firme de três jatos E175 com opções para outras três aeronaves do mesmo modelo, em encomenda que pode chegar a US$ 258,6 milhões a valor de lista, o contrato com a Azul conta com pedido firme por dois jatos E190, com valor estimado em US$ 95,4 milhões.

No caso da FDA e da Azerbaijan Airlines, os pedidos já estavam incluídos na carteira de pedidos do segundo trimestre, de US$ 18,1 bilhões, conforme divulgado na véspera. A encomenda da Azul, porém, deverá ser incluída na carteira de pedidos no quarto trimestre deste ano, segundo a Embraer, quando está prevista a conclusão do contrato.

A empresa aérea, que já tem aviões da Embraer na sua frota juntamente com turboélices ATRs e que recentemente anunciou a adição de jatos da Airbus para fazer voos internacionais, fez um pedido firme por 30 aviões do modelo 195 da segunda geração, que está sendo desenvolvida pela fabricante brasileira.

A carta de intenções também considera opções por outros 20 jatos do mesmo modelo, com um valor estimado de US$ 3,1 bilhões a preços de lista se todas as encomendas forem convertidas em pedidos firmes. Com essa encomenda, a Azul passa a ser o operador-lançador do jato, informou a Embraer, acrescentando que a primeira entrega de um avião da segunda geração está prevista para ocorrer no primeiro semestre de 2018.

A Embraer informou que a Royal Air Maroc, companhia aérea do Marrocos, decidiu introduzir o E190 como parte da estratégia de atualização de sua frota, assinando um contrato de arrendamento de quatro jatos com a Aldus Aviation, empresa irlandesa especializada na locação de aviões da fabricante.




 

Aos 60 anos, planos de saúde triplicam de preço



Um dos tipos de ação mais levados à Justiça, para redução do valor das mensalidades, é o de reajuste dos planos de saúde em idades próximas aos 60 anos, que chegam a mais que triplicar. O aumento, considerado elevado por muitos especialistas, está de acordo com a lei dos planos de saúde, mas é visto como abusivo pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC). Ele ocorre em um momento em que boa parte dos segurados já está aposentada ou em vias de se aposentar, com a consequente redução do salário e o natural crescimento das despesas com exames, consultas e remédios. Especialistas afirmam que ações na Justiça têm conseguido limitar os aumentos à faixa dos 30%. Mas a vitória não é sempre garantida.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determina que o valor para a última faixa etária (de 59 anos ou mais) não pode ser superior a seis vezes o da primeira (de zero a 18 anos), o que representa uma diferença de até 500%. As regras estabelecem, ainda, que a variação acumulada entre a sétima (44 anos a 48 anos) e a última faixa (acima dos 59 anos) não pode ser maior que a acumulada entre a primeira e a sétima. O fato é que os planos têm concentrado parte considerável dos reajustes nas duas últimas faixas.

A arquiteta Miriam Bersein Teperman sabe o quanto o aumento do plano pesa no orçamento. Cliente de um plano coletivo da SulAmérica desde 2004, aos 58 anos pagava R$ 467 por mês, valor que passou para R$ 1.515 aos 59 anos e agora, aos 65, já está um pouco acima de R$ 1.800.

— No último reajuste, recebi uma carta com o aviso de aumento de 18,9%. Inconformada, entrei na Justiça. Por força de liminar, estou pagando metade desse valor desde fevereiro. Estou preocupada, porque o juiz deu ganho de causa à empresa, e já me avisaram que, se perder a apelação, terei de pagar a diferença desses meses com juros e correção monetária. É um absurdo. Pagamos por um serviço pelo qual temos de esperar meses para uma simples marcação de consulta. Até solicitação para cirurgia de coluna já me negaram — queixa-se Miriam.

Procurada, a SulAmérica disse que os reajustes de planos coletivos (empresariais ou contratados por adesão de associações ou sindicatos) têm percentuais variáveis. Os contratos são reavaliados uma vez por ano, de acordo com o perfil de risco dos segurados, custos e frequência de utilização do plano (sinistralidade); além de fatores como a inflação médica, explica a operadora.

Em relação ao caso de Miriam, a companhia ressalta que o processo discute, quatro anos após a aplicação e pagamento regular dos prêmios, o reajuste por faixa etária previsto em contrato. A operadora lembra ainda que a decisão foi favorável à SulAmérica em primeira instância, reconhecendo que o reajuste está em conformidade com o contrato.

NEGOCIAÇÃO PODE DAR RESULTADO

Antes de recorrer à Justiça, tentar negociar com a operadora pode trazer bons resultados. Cliente de um plano individual da Unimed Leste Fluminense desde 2005, Edna Amorim Charret pagava, até fevereiro, R$ 417,35. Em março, no aniversário de 59 anos, foi notificada de que o plano teria reajuste de 107,85% em abril, passando a mais de R$ 850.

— Procurei logo a Unimed e mostrei que não conseguiria pagar o novo valor. Após uma rápida negociação, a mensalidade foi reduzida para R$ 586. Antes do último aumento, nunca me preocupei muito com os reajustes, mas teria que abandonar a cobertura se o valor não fosse revisto — conta.

A Unimed informou que a notificação expedida em março encontrava-se amparada por cláusula contratual. Visando, contudo, a uma solução satisfatória para ambas as partes, em caráter excepcional, a operadora explica que assinou um acordo para redução do reajuste para 40%.

A advogada Renata Vilhena, especializada em direito da saúde, diz que tem crescido o número de ações na Justiça que buscam redução dos reajustes aplicados pelas operadoras. Em boa parte das ações, afirma, os juízes têm limitado os aumentos a 30%.

— É importante lembrar que a maioria dos abusos nos reajustes acontece nos planos coletivos, que, assim como os individuais, são fiscalizados pela ANS, mas que têm percentual de reajuste livremente negociado entre a operadora e a instituição contratada — ressalta Renata.

A advogada do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) Joana Cruz destaca que os reajustes a nessa faixa etária frequentemente têm sido excessivos, na ótica do CDC.

— As empresas sempre alegam a necessidade de reajustes acima da inflação, devido ao ao fato de o aumento das despesas médico-hospitalares ser maior que o de outros setores da economia. O problema é a falta de transparência, pois elas nunca mostram as planilhas de custo — diz Joana.

O aumento de custo é justamente o que alega a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), entidade que reúne as maiores operadoras de planos no país, para os reajustes mais altos nessa faixa etária. Segundo a federação, os aumentos dependem do perfil de uso dos serviços de saúde e essencialmente da idade e, por isso, a lei permite que se cobrem mensalidades diferenciadas por faixa etária. Além disso, na passagem da penúltima para a última faixa etária, diz a FenaSaúde, o aumento do custo médio per capita, pela experiência estatística e atuarial, em muitos casos, pode dobrar.

Os reajustes elevados na mudança de faixa etária não são, contudo, a única preocupação dos consumidores que estão perto dos 60 anos, ressalta a advogada do Idec. Fazer um upgrade no plano de saúde nessa faixa etária é outra questão complicada Segundo Joana, é preciso que o consumidor observe se o contrato prevê essa possibilidade.

— Se não houver a cláusula, ao migrar para um plano superior o cliente pode ter que cumprir carências de até dois anos para marcação de cirurgia e procedimentos de alta complexidade, sem poder usar a rede credenciada que já tinha, nem a que vai ter com o novo plano — explica Joana.

POUCAS ALTERNATIVAS PARA IDOSOS

Outro aspecto levantado por Renata é a dificuldade do usuário que se aposenta ou sai do emprego nessa faixa etária, perdendo a cobertura do plano empresarial. Segundo ela, há dois tipos de situação: a de quem descontava coparticipação mensal para o plano e a de quem não tinha. No primeiro caso, se a pessoa ficou empregada por mais de dez anos, tem direito à manutenção vitalícia do plano, desde que pague a parte que antes era arcada pela empresa. Caso o prazo de contribuição tenha sido inferior a uma década, terá direito à permanência no plano por cada ano de coparticipação. Caso o plano não tenha coparticipação, o que é a situação mais comum atualmente, o consumidor poderá manter o plano, dependendo do contrato, pelo período de seis meses a dois anos, e aí terá a árdua tarefa de contratar um novo plano no mercado.

Joana ressalta que, na prática, restam apenas os coletivos por adesão, pois a oferta de individuais vem sendo reduzida, e as mensalidades são altas:

— Como as mensalidades de cobertura são bastante elevadas na faixa acima dos 60 anos, e o aposentado já tem uma perda natural da renda, a alternativa é entrar em um plano por acordo de adesão junto a uma instituição representativa. Seja como for, por lei, as operadoras não podem negar a oferta de cobertura para quem já passou dos 60 anos.

Embraer fecha parceria com Saab para produção de caça

Embraer assinou um memorando de entendimentos com a Saab para uma parceria na administração conjunta do Projeto F-X2 no Brasil, com a fabricante brasileira realizando grande parte do trabalho de produção e entrega das versões de um e dois assentos do caça de última geração Gripen NG para a Força Aérea Brasileira (FAB), segundo comunicado.

Em dezembro, o governo brasileiro anunciou a aquisição de 36 caças suecos, com investimento previsto de US$ 4,5 bilhões. O modelo disputava com o francês Rafale e o americano F-18 Super Hornet, da Boeing.

Pelo acordo, a Embraer coordenará todas as atividades de desenvolvimento e produção no Brasil em nome da Saab, e também participará do desenvolvimento de sistemas, da integração, testes em voo, montagem final e entregas.

“A Embraer e a Saab serão responsáveis pelo desenvolvimento completo da versão biposto do Gripen NG, ao mesmo tempo em que as duas empresas estudam a formação de uma parceria estratégica para promoção e vendas das duas versões, monoposto e biposto, no mercado global”, informou a fabricante brasileira.

O acordo será implementado após a conclusão das negociações entre a Saab e o Brasil sobre a finalização do contrato do Projeto F-X2, sendo que a expectativa é de que as conversas sejam concluídas até o fim deste ano.



 

Governo negocia novo empréstimo a distribuidoras de energia

 

O governo federal está negociando com bancos um aditivo ao empréstimo de R$ 11,2 bilhões para as distribuidoras de eletricidade que seja suficiente para, pelo menos, cobrir as liquidações do mercado de curto prazo de energia de julho e agosto, disse à Reuters uma fonte que acompanha as negociações. Segundo essa mesma fonte, o valor desse aditivo deve superar a casa dos R$ 2 bilhões.

Somente em julho, o montante que precisa ser liquidado pelas distribuidoras, e que não está coberto pelas tarifas de energia elétrica, é de R$ 1,3 bilhão, referentes às operações do mercado de curto prazo de maio. Na quarta-feira, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) adiou para 31 de julho o pagamento desse R$ 1,3 bilhão, que deveria inicialmente ocorrer até a sexta-feira desta semana. O adiamento teve como principal objetivo ganhar tempo para achar uma solução para ajudar as distribuidoras a fazer a liquidação sem comprometer suas finanças.

No fim de abril, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) assinou contrato de empréstimo dos R$ 11,2 bilhões com um sindicato formado por Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú Unibanco, Santander Brasil, Citibank, BTG Pactual, Bank of America Merrill Lynch, JPMorgan e Credit Suisse.

Os recursos contratados na ocasião serviriam para cobrir as necessidades das distribuidoras ao longo deste ano, mas terminaram em junho diante dos altos custos das empresas com a compra de energia mais cara das termelétricas.

 

 

Metade dos transatlânticos virão ao Brasil no próximo verão

A próxima temporada de cruzeiros marítimos no Brasil, que vai de novembro a abril de 2015, contará com dez navios no litoral do país. Isso equivale à metade do número de embarcações registradas no verão 2010/2011. Em passageiros, o movimento encolheu de um pico de 805.189, em 2011/2012, para 596.532, na temporada passada. Segundo a Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Abremar Brasil), isso se deve ao custo de operação no Brasil. Com menor margem de lucro, em comparação a outros importantes mercados de cruzeiros no mundo, as companhias estariam deslocando embarcações para navegar em águas de destinos que oferecem maior rentabilidade, sobretudo na Ásia e no Oriente Médio, explica Roberto Fusaro, presidente da Abremar.

— Operar cruzeiros turísticos no Brasil custa entre 50% e 100% mais que em destinos de Europa e EUA. Taxas portuárias, custo da praticagem, exigências trabalhistas e outros fatores tornam a operação menos rentável.

Procura pelos cruzeiros há, garante Fusaro. A estimativa para a temporada 2014/2015 é elevar o número de viajantes para 640 mil, apesar de contar com um navio a menos que no verão passado. A expansão virá da oferta de minicruzeiros, roteiros de menor duração e com preço mais acessível. Isso vai ampliar o número de vagas disponíveis.

O mercado confirma a demanda aquecida. Em maio, a operadora de turismo CVC teve aumento de 20% nas vendas de cruzeiros turísticos, ante igual mês de 2013. Além disso, segundo a Abremar, quatro companhias — Costa, MSC, Pullmantur e Royal Caribbean — vão oferecer 239 cruzeiros, em dez navios. Precisamente, a oferta vai subir para 640.564 vagas.

— A Copa atrapalhou o turismo brasileiro. O movimento caiu, as pessoas adiaram as férias. Agora, parecem estar comprando antecipadamente viagens para o verão. O dólar também está melhor — diz Valter Patriani, vice-presidente de Produtos, Vendas e Marketing da operadora.

Para ele, ao montar minicruzeiros, as companhias marítimas conseguem praticamente dobrar a oferta de saídas, embora reduzam o tíquete médio. Em dezembro, há saídas de sete dias a bordo do Sovereign por R$ 1.579 por pessoa. Um minicruzeiro de três dias, no Zenith, no mesmo mês, custa R$ 699.

INVASÃO MEXICANA NA COPA

Durante a Copa, dois navios fretados no México estão circulando pelo litoral do país.

— Num cruzeiro ficou muito mais fácil viajar para acompanhar a Copa. A viagem inclui tudo, hospedagem, alimentação, ingressos. E é uma ótima maneira de conhecer lugares — diz a engenheira mexicana Carla Olivares.


Já o empresário Paul Ginsburg lamentou o fato de o navio ter sido fretado exclusivamente para mexicanos. Ele pretende voltar ao Brasil:

— Uma das vantagens de um cruzeiro é conhecer pessoas de vários lugares.

O aumento de passageiros previsto para a próxima temporada vai garantir a manutenção da receita gerada pelos cruzeiros turísticos na temporada 2013/2014, que foi de R$ 1,15 bilhão. Este total representa queda de 18% ante o verão 2010/2011, de acordo com pesquisa de Clia Abremar Brasil e FGV.

— As empresas querem ampliar a atuação no país. Mas a melhoria em infraestrutura e custos prometida pelo governo é lenta. Com isso, o Brasil perde navios para destinos mais lucrativos — diz o presidente da Clia Abremar.

O Porto Veleiro, em Búzios, que é privado, aguarda há quatro anos autorização da Secretaria de Patrimônio da União para concluir a construção de cinco gates, que servem para a chegada de pequenos barcos que trazem passageiros de navios em escala no balneário fluminense.

— Temos todas as licenças. Mas o processo é lento demais. Teremos 97 das 122 escalas previstas para a cidade no próximo verão. As outras vão para o cais municipal — diz Carlos Eduardo Bueno, à frente do Porto Veleiro e da BrasilCruise, que reúne os terminais de cruzeiros marítimos do país.

PACOTE DE INCENTIVOS

A Secretaria de Portos reconhece a morosidade no avanço em estrutura portuária do país. Mas enumera esforços para mudar o quadro. Desde novembro de 2011 até o fim do ano que vem, perto de R$ 660 milhões estão sendo investidos em modernização e ampliação dos portos de Santos, Natal, Recife, Salvador e Fortaleza.

— Essas obras permitem receber navios maiores. Devem ajudar, sobretudo, a fortalecer o circuito de cruzeiros no Nordeste. Nossa meta é voltar ao patamar de 800 mil passageiros por temporada no verão 2015/2016 — diz Tiago Correia, secretário de Infraestrutura Portuária da Secretaria de Portos.

— É preciso lembrar da sazonalidade: temos receita por cinco meses, custo por 12 — diz, por sua vez, Américo da Rocha, diretor de Operações do Pier Mauá, no Rio.

Os portos cobram dos navios taxas como as de embarque, desembarque, trânsito e atracação. Rocha crê que, se a temporada crescer, esses custos podem cair. Ele diz, porém, que, a despeito da queda no movimento de passageiros e navios recentemente, essas taxas não tiveram reajuste.

A incidência de tributos como PIS e Cofins sobre o combustível, questões trabalhistas, como a exigência de contratação de 25% de mão de obra brasileira por navios estrangeiros, e a praticagem oneram a operação no país, diz Rodrigo Paiva, diretor da Mind Estudos e Projetos, consultoria do setor.

— A competitividade nessa área vai depender de uma política que ajude a estimular a operação, atacando os altos custos — opina Paiva.

Isso pode estar perto de acontecer. O Ministério do Turismo promete para este semestre um pacote de medidas para estimular atividades em diversos setores, como o de cruzeiros marítimos, afirma Vinicius Lummertz, secretário nacional de Políticas de Turismo.

— Vamos entrar num momento de grande ampliação de portos. O PAC prevê um total de R$ 7,5 bilhões para o setor, até 2015. Há outros R$ 6 bilhões para terminais portuários. No total, serão mais de 50 portos beneficiados. E vamos lançar um conjunto de medidas, que inclui novas legislações, para garantir eficiência ao setor.

 

Brasil captação da poupança recua 66%


Com o orçamento mais apertado por causa da inflação, o brasileiro economiza menos. A chamada captação líquida da poupança caiu mais da metade no primeiro semestre deste ano. De acordo com dados divulgados pelo Banco Central, os poupadores depositaram R$ 9,6 bilhões a mais do que sacaram da aplicação financeira mais popular do país: 66% a menos do registrado nos seis primeiros meses do ano passado.

Segundo o BC, foi o pior primeiro semestre desde 2011, quando o brasileiro precisou sacar mais recursos do que depositou. A captação ficou negativa em R$ 1,7 bilhão na época.

Os juros maiores também interferem no comportamento da caderneta de poupança; Como o Banco Central manteve a taxa básica (Selic) em 11% ao ano, os fundos de investimentos têm rentabilidade maior e começa a ser mais procurado pelos investidores que tentam ter ganhos reais. Afinal, a poupança tem perdido para a inflação. Enquanto o IPCA está em 6,37% nos últimos 12 meses, a aplicação rende apenas 6% ao ano, mais TR.

Hoje, o brasileiro guarda R$ 626,9 bilhões. Sobre esse valor, os bancos pagaram R$ 19,4 bilhões de rendimentos no primeiro semestre deste ano.



 

Paraná consegue liberação de empréstimo depois de pedir prisão de secretário

Dois dias depois de o governo do Paraná ter pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, o Banco do Brasil liberou um empréstimo de R$ 817 milhões que vinha sendo alvo de uma disputa entre o estado e a União. Na terça-feira, dia 1º de julho, o Procurador do Estado do Paraná, Sergio Botto de Lacerda, apresentou uma petição ao STF alegando que o Tesouro vinha descumprindo liminares do próprio Supremo que determinavam a liberação desse financiamento e, por isso, Augustin e o subsecretário de Relações Intergovernamentais, Eduardo Coutinho, incorriam no crime de desobediência de ordem judicial que prevê a prisão em flagrante.

A queda de braço entre o Paraná e o Tesouro envolve a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O estado quer que o Tesouro desconsidere seus percentuais de gastos com saúde, que estão abaixo do limite da LRF, e com pessoal (que estão acima do exigido pela Lei) na hora de avaliar os pedidos de empréstimo. A briga chegou ao STF e o ministro Marco Aurélio Mello apoiou a tese do governo estadual determinando que os limites deveriam ser desconsiderados. Ele chegou a estabelecer uma multa diária de R$ 100 mil pelo descumprimento da liminar e depois elevou o valor para R$ 500 mil.

Assim, o Paraná entendeu que a demora da liberação do empréstimo de R$ 817 milhões, feito no âmbito do Proinveste, programa voltada para investimentos em infraestrutura, foi um descumprimento da decisão do STF. O Tesouro, por sua vez, alegou que apenas seguiu com o trâmite normal do processo e que o contrato de garantia da operação foi assinado no dia 13 de maio. A secretaria também informou que não impôs restrições para que o Banco do Brasil liberasse o dinheiro.

- Mas o fato é que logo depois do pedido de prisão o dinheiro foi liberado pelo Banco do Brasil e os outros pedidos de financiamento do Paraná também andaram - afirmou um funcionário do governo do Paraná.

O pedido de prisão do secretário e de seu adjunto ainda está sendo avaliado pelo STF.



 

Consumidores da Eletropaulo terão aumento de 18,08%

A partir desta sexta-feira, a conta de luz dos consumidores da AES Eletropaulo (SP) vai ficar mais cara para as residências e comércio (baixa tensão) com reajuste de 18,08%, enquanto para a indústria (alta tensão) o aumento será de 19,93%. O reajuste foi homologado pela diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A Eletropaulo foi obrigada a devolver para os consumidores este ano cerca de R$ 313 milhões, o que elevaria em 3,3 pontos percentuais o reajuste da tarifa para os consumidores. A Aneel deduziu do reajuste em 2013 metade do valor referente a 246,4 quilômetros de cabos inexistentes incluídos pela empresa como itens da base de remuneração da revisão tarifária da empresa em 2012.

O valor total está estimado em R$ 626 milhões e deve ser abatido nos próximos reajustes. A Eletropaulo informou ontem que vai entrar na Justiça contra a decisão da Aneel que obriga a concessionária a devolver os recursos aos consumidores.

A concessionária presta serviço para 6,5 milhões de unidades consumidoras na capital de São Paulo e em outros 23 municípios da região metropolitana.

CELTINS

A agência também aprovou o reajuste anual da concessionária Companhia de Energia Elétrica do Estado de Tocantins (Celtins). A conta de luz dos consumidores residenciais e comerciais (baixa tensão) vai subir 10,98% e industriais (alta tensão) 10,43%. As novas tarifas entrarão em vigor a partir de amanhã, dia 4. A empresa fornece energia para 506 mil unidades consumidoras de 139 municípios do estado de Tocantins

Segundo o relator do processo da companhia, o diretor André Pepitone, a melhoria na qualidade do serviço da Celtins, os índices de interrupções de energia e duração destas quedas, levou a que a redução da tarifa fosse menor.



 

Redução do poder aquisitivo inibem vendas de veículos

 

A venda de automóveis no Brasil apresentou redução de 10,22% no primeiro semestre do ano em relação a igual período de 2013, segundo dados divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabreve). O total comercializado foi de 1,186 milhão de veículos. Segundo a entidade, esse é o pior semestre desde 2010 e o terceiro pior da história. Na comparação de junho ante maio, a queda foi de 9,46%, com a venda de 187.577 automóveis. Os dados negativos fizeram a federação a elevar a previsão de queda nas vendas para 2014.

Os motivos para a queda assinalados pela Fenabreve foram a redução do poder aquisitivo dos consumidores, as restrições na concessão de crédito e as compras antecipadas em dezembro, uma vez que os consumidores optaram por evitar o Imposto sobre Produtos Industriais (IPI) mais elevados a partir de janeiro, quando a alíquota foi elevada.

Sobre a manutenção do IPI nos atuais patamares, o presidente da Fenabrave, Flávio Meneghetti, disse que essa decisão vai contribuir para não piorar ainda mais o quadro do setor. A alíquota para carros 1.0, por exemplo, passaria de 3% para 7% já neste mês.

— Se tivesse uma recomposição total dos impostos, o mercado não teria condições de repassar para o preço e a queda de vendas seria maior. Seria mais uma cacetada forte nas vendas — disse.

Segundo a Fenabrave, a manutenção do IPI também vai contribuir para um aumento de venda no segundo semetre em relação ao primeiro. A previsão é de 5% de alta. Além do IPI, o fim da Copa, os 14 lançamentos de novos modelos e a renovação da frota por parte das locadoras de automóveis. Também está prevista uma nova corrida no final do ano para a troca de veículos antes do restabelicimento das alíquotas do IPI - que foi adiado de 1º de julho de 2014 para 1º de janeiro de 2015.

No entanto, essa melhora não será suficiente para reverter a queda no ano, que está prevista em 10,51% para o segmento de automóveis. Somando os demais segmentos (comerciais leves, caminhões, ônibus) a previsão de queda para o ano é de 8,1%, bem acima dos 3,2% previstos no início do ano, já no cenário pessimista. A entidade também não confia nas previsões de crescimento do PIB por parte do governo




 

Real completa 20 anos com perda de 80% de seu valor

O real entrou em circulação há exatos 20 anos, deixando para trás uma inflação de três dígitos e o consequente troca-troca de moedas. Com a estabilização da economia, alcançada por meio de um conjunto de mudanças que recebeu o nome de Plano Real, o brasileiro experimentou por um tempo a sensação de ver seu dinheiro valendo mais.

“Era muita inflação, e eram muitos zeros. Não haveria caixa registradora que conseguisse registrar tantas casas decimais se o real não tivesse sido criado”, disse Davi Simão Silber, professor de economia da Universidade de São Paulo (USP). Antes do real, os preços disparavam de um dia para o outro e a variação média chegava a 100% em um mês.

Apesar do trabalho que deu para o brasileiro se acostumar com a nova moeda – muitos usavam calculadoras para transformar a moeda anterior (cruzeiro real) em real e ter uma referência de quanto o produto valia –, o plano deixou como herança a possibilidade de se planejar gastos.

“O brasileiro aprendeu o verdadeiro valor do dinheiro. Soube quanto ganhava efetivamente e o real valor dos bens que poderia adquirir. Conseguimos entender os juros no Brasil e a necessidade de se ter metas claras de combate à inflação. A capacidade de compra aumentou, determinada pela estabilidade da economia. E o mais importante é que durante os anos de estabilidade, todo brasileiro começou a planejar o futuro, elaborar um planejamento financeiro de longo prazo”, diz Fabiano Guasti Lima, pesquisador do Instituto Assaf.

O que dá para comprar com R$ 1?
A hiperinflação foi extinta na década de 1990, mas os preços continuaram subindo ao longo dos anos, e o R$ 1, que antes comprava dez pãezinhos ou até mesmo um quilo de frango, hoje não paga muito mais que um punhado de balas e chicletes.

É difícil achar produtos por R$ 1. No hortifruti, é possível comprar pouca coisa: algumas laranjas, cebolas ou uma maçã. Na padaria, consegue-se comprar menos de três pães, com o quilo beirando os R$ 8. Entre os industrializados, nada muito saudável fica dentro desta faixa de preço, a não ser sucos em pó, gelatinas e refrigerantes. Procurando bem, encontra-se um chocolate ou biscoito em promoção, garrafas de água de 300 ml ou uma lata de ervilha.

Considerando a inflação acumulada de julho de 1994 até maio deste ano, de 359,89% pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o poder de compra da moeda brasileira caiu perto de 80%. Assim, R$ 1 de 20 anos atrás vale agora R$ 0,21, bem como R$ 10 daquela época foram reduzidos a R$ 2,13. Quando comparada a quantia de R$ 100 em 1994 e neste ano, a diferença chega a R$ 78,70. Os cálculos são do matemático José Dutra de Oliveira Sobrinho.

Como está a inflação hoje
Segundo Silber, professor da USP, o país hoje convive com uma inflação que não pode ser considerada baixa, mesmo que fique longe da alta de preços do início dos anos 90.

“A literatura considera alta [inflação] quando passa de 10% ao ano. Baixa é de até 3%. O Brasil está no meio do caminho [cerca de 6%]. Hoje, a inflação neste país é de arrocho salarial [quando os reajustes de salário não acompanham a inflação]. Se tirar os preços que o governo controla, como de ônibus, gasolina e energia, a inflação seria desconfortável. E o pessoal de mais baixa renda é o que mais sente, não consegue mais comprar carne todo dia”, afirma.

Preços acima da média
Alguns gastos subiram ainda mais que a inflação desde o início do Plano Real e preocupam quem se acostumou com a estabilidade. “O brasileiro é muito mais sensível a um aumento na taxa de inflação. Sem a adoção do Plano Real, certamente, ela continuaria bastante descontrolada, nos patamares observados anteriormente ao plano ou até pior”, diz Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria.

A cesta básica vendida na cidade de São Paulo, por exemplo, ficou 443,82% mais cara, enquanto a inflação acumulada foi de 359,89%. O preço da cesta era de R$ 67,40 em julho de 1994 e passou para R$ 366,54 em maio deste ano, de acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

“O medo atual da inflação se deve à perda de poder de compra que sentimos no nosso bolso. Compramos menos coisas que comprávamos no início do Plano Real. Sem ele [plano], que lançou as bases de estabilidade da economia, a situação seria bem crítica. Teríamos inflação bastante elevada, alto nível de desemprego e crescimento medíocre do PIB [Produto Interno Bruto]. A Argentina hoje é um reflexo desse cenário”, diz o pesquisador do Instituto Assaf.

O reajuste do salário mínimo ao longo dos anos também fez o brasileiro sentir como a inflação corroeu seu poder de compra, que havia sido retomado nos idos de 1994. De R$ 64,79, o piso passou para R$ 724. Sem tirar a inflação, o aumento no valor é animador, mas, quando a taxa é considerada, o crescimento é bem menor, de 146%, conforme aponta estudo do Instituto Assaf.

 

Confiança do paulistano em junho tem pior nível desde 2003

A confiança dos paulistanos atingiu, em junho, o pior patamar desde outubro de 2003, aponta o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

O indicador caiu 1,9% sobre maio, para os 107,4 pontos, e ficou mais perto da zona de pessimismo - abaixo dos cem pontos. Na comparação com junho do ano passado (145 pontos), o ICC despencou 26%.

Desde fevereiro, quando chegou aos 136,4 pontos, o indicador apresenta tendência de queda, com quatro variações negativas seguidas, diz a Fecomercio-SP.

"Inflação elevada, modestos ganhos de renda e juros mais altos continuam a prejudicar o orçamento doméstico das famílias da cidade de São Paulo. Esse quadro, além de fazer com que a percepção da economia em geral seja ruim, tem contribuído para frear perspectivas favoráveis sobre o futuro próximo", dizem os economistas da Serasa, em nota.

De maio para junho, foi mantido apenas o índice para paulistanos com remuneração inferior a dez salários mínimos, em 110,6 pontos. Para as demais segmentações, a confiança diminuiu no período, diz. No caso dos que ganham a partir de dez salários mínimos, por exemplo, o indicador caiu 6,2%, para 100,5 pontos.

Subindicadores
Os dois subindicadores do ICC apresentaram queda no mês. O Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA), que apura a satisfação dos consumidores com a situação momentânea, caiu 0,8% aos 110,9 pontos. O Índice de Expectativas do Consumidor (IEC), que mede as projeções para os próximos meses, recuou para 105 pontos, com variação de -2,7%.

 

 

Vendas de imóveis de 1 dormitório crescem 400%

 

Com o aumento dos preços dos imóveis e a mudança no perfil das famílias brasileiras, a preferência pelos imóveis novos de um dormitório tem se consolidado, principalmente em grandes metrópoles como São Paulo. Nos últimos dez anos, a venda desse tipo de moradia na capital cresceu 406,39%.

Enquanto em 2004 as vendas desse tipo de imóvel somaram 1.657 unidades, em 2013 saltaram para 8.391. Os números são de um levantamento do sindicato da habitação de São Paulo (Secovi-SP). Neste ano, de janeiro até abril, dos 6.266 imóveis lançados, 1.800, o que corresponde a 28% do total, são de um dormitório.

O valor comercializado dos imóveis (VGV) de um quarto, acompanhando o aumento das vendas, registrou uma variação ainda maior, de 686,5%, ao passar de R$ 471 milhões em 2004, para R$ 3,7 bilhões no final de 2013. Os números foram atualizados pela inflação calculada pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).

“As famílias estão menores. Está chegando ao mercado uma nova geração de compradores, com menos filhos, solteiros. Hoje, o orçamento das famílias é muito mais adequado para esses imóveis menores”, afirma Sousa.

Os imóveis pequenos também têm conseguido atrair o consumidor pelas facilidades que oferece aos moradores. “Não é apenas preço, porque, em muitos casos, imóveis novos menores são até mais caros do que imóveis antigos maiores na mesma região. Praticidade conta muito hoje em dia, e vai contar cada vez mais. Os condomínios desses imóveis oferecem praticidades, serviços que facilitam o dia a dia”, aponta Marcos Caielli, diretor de negócios imobiliários do Portal de Documentos.

Os números do Secovi mostram que os imóveis novos com número maior de dormitórios também registraram aumento nas vendas, assim como nos valores comercializados nos últimos dez anos, mas numa proporção bem abaixo das unidades de apenas um quarto.

“A demanda continua grande por imóveis, independentemente do tamanho, mas o que percebemos é que lançamentos de imóveis maiores, com mais quartos, são mais raros”, diz o professor do Ibmec.

De 2004 a 2013, as vendas de imóveis de dois dormitórios subiram 118,46% (de 6.717 para 14.674) e de três, 8,79% (de 7.049 para 7.669).

"De 2004 a 2012, a média de imóveis ofertados de um quarto era de 8% [do total]. De repente, no final de 2012 e 2013, tivemos a oferta crescendo 150%. Isso acontece por dois fatores: busca pelo ticket mais barato, que cabe no bolso. O segundo quesito igual ou mais importante é o fato de, hoje, o grande comprador, em média, estar na faixa que vai até 35 anos de idade, que se preocupa mais com mobilidade [localização] do que com o tamanho", disse Celso Petrucci, economia-chefe do SecoviSP.

O único tipo de imóvel que tem registrado queda nas vendas é o de quatro quartos. Em 2004, foram comercializados 4.760 e, no ano passado, apenas 2.585, uma queda de 45,69%.

Quanto ao valor geral de vendas dessas residências, o crescimento foi de 168,32% (de R$ 2,141 bilhões para R$ 5,746 bilhões) no caso de imóveis de dois quartos, e de 67,64% (de R$ 3,064 bilhões para R$ 5,137 bilhões), no de três. Já os imóveis de quatro dormitórios mostraram retração de 19,3% no valor de vendas, de R$ 5,992 bilhões para R$ 4,831 bilhões.

Investimento com mais liquidez
Para as construtoras e incorporadoras, bem como para quem investe no mercado imobiliário, os imóveis menores são mais vantajosos, na avaliação dos especialistas. Isso porque quem constrói lucra mais com a venda de dois imóveis pequenos no lugar de um grande, bem como quem compra para oferecer à locação.

“Esses imóveis normalmente são os preferidos de quem precisa alugar, pois são novos, em excelentes localizações na cidade, e com serviços de conveniência. Portanto, é um investimento com maior liquidez [retorno] para investidores, tanto para locação quanto para revenda”, justifica Caielli, do Portal de Documentos.

E se engana quem pensa que essa é uma tendência apenas vista em grandes cidades. Municípios próximos às metrópoles e até municípios no Nordeste têm apostado nesse filão de mercado, segundo Sousa, do Ibmec.

Banco italiano abrirá filial no Brasil


 

O banco italiano Intesa Sanpaolo anunciou a abertura de uma unidade no Brasil para atender clientes corporativos, parte de estratégia para reforçar sua rede internacional. Em comunicado, o banco afirmou que o banco em São Paulo deverá iniciar as operações em poucos meses, após a obtenção de licenças junto às autoridades para atuar como banco comercial e de investimento tanto em moeda local como em moeda estrangeira.

Segundo o Intesa Sanpaolo, a unidade brasileira funcionará como uma “parceira de negócios”, trabalhando ao lado de empresas italianas, além de companhias nacionais e internacionais com presença no país.

— Para o nosso grupo, a abertura da nova filial em São Paulo representa um retorno muito aguardado a um mercado que sempre foi fundamental para nós — afirmou o gerente geral e chefe da divisão corporativa e de investimento do banco, Gaetano Miccichè.

O banco irá oferecer uma plataforma de produtos e serviços, com a oferta, por exemplo, de assessoria para entrada no mercado brasileiro e para atividades como empréstimos para exportações, seguros de crédito e financiamento internacional de projetos.

— Do ponto de vista de setores industriais, um foco especial será dado aos setores particularmente importantes para a economia brasileira, como infraestrutura, óleo e gás, energia e agricultura — disse o Intesa Sanpaolo.

Com capitalização de mercado de € 40,1 bilhões o Intesa Sanpaolo é líder no mercado italiano e um dos maiores bancos da zona do euro. Sua rede internacional de apoio a clientes corporativos cobre 29 países em regiões como o Oriente Médio e Norte da África, além de países em que as companhias italianas têm forte atividade, como Estados Unidos, Rússia, China e Índia.

 

Juros de pessoas física, com recursos livres, foi para 42,5% ao ano

Os juros bancários médios dos empréstimos para pessoas físicas subiram pelo quinto mês seguido em maio deste ano, para 42,5% ao ano. É o maior nível desde julho de 2011 – ou seja, em quase três anos.

Os números, que tratam das operações com recursos livres (quando os juros são livremente acertados), foram divulgados pelo Banco Central (BC), por meio da nota de juros e crédito bancário.

Em abril deste ano, os juros bancários de pessoas físicas estavam em 42% ao ano. Na parcial de 2014, a taxa avançou 4,5 pontos percentuais, pois estava em 38% ao ano no fechamento de 2013.

Alta dos juros básicos
O aumento desses juros acontece após o próprio Banco Central ter iniciado, em abril do ano passado, um ciclo de alta da taxa básica de juros da economia (a Selic), para tentar conter o crescimento da inflação.

Com o aumento da taxa e o encarecimento dos empréstimos, a instituição consegue reduzir o número de pessoas e empresas dispostas a consumir. Assim, o preço dos produtos e serviços tende a cair ou ficar estável.

Desde o ano passado, os juros básicos passaram de 7,25% para 11% ao ano, o que corresponde a uma elevação de 3,75 pontos percentuais. O processo de alta dos juros foi interrompido apenas no mês passado.

Juros bancários sobem mais do que Selic
Com o aumento dos juros básicos do país, também houve alta na taxa de captação das instituições financeiras, ou seja, no quanto os bancos pagam pelos recursos que serão emprestados às pessoas.

Em abril do ano passado, antes do início da alta dos juros básicos fixados pelo BC, a taxa de captação, para operações com pessoas físicas, estava em 9% ao ano, passando para 12% ao ano em maio. Um crescimento de 3 pontos percentuais.

No mesmo período, os juros bancários das instituições financeiras para pessoas físicas cresceram 8,1 pontos percentuais, visto que estavam em 34,4% ao ano em abril de 2013, ou seja, quase o triplo do aumento da taxa Selic.

Deste modo, os dados do BC mostram que as instituições financeiras não só estão repassando a alta do custo de captação que tiveram por conta da elevação dos juros básicos da economia, como também estão elevando os juros cobrados de seus clientes acima da alta da Selic.

'Spread bancário'
O aumento dos juros bancários com intensidade maior que a alta da taxa básica gerou o aumento do chamado spread bancário (diferença entre o que os bancos pagam pelos recursos e o que cobram dos clientes).

O spread é composto pelo lucro dos bancos, pela taxa de inadimplência, por custos administrativos, pelos depósitos compulsórios e pelos tributos cobrados pelo governo federal, entre outros.

Em abril do ano passado, antes do início do processo de alta dos juros básicos da economia, o spread bancário nas operações com pessoas físicas estava em 25,4 pontos percentuais. Em maio deste ano, já estava em 30,5 pontos percentuais.

O alto nível dessa diferença entre taxas no Brasil já foi duramente criticado, no passado, pela presidente da República, Dilma Rousseff, e por integrantes da equipe econômica, como o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Taxa média de empresas e geral
No caso das operações dos bancos com as empresas, ainda com base nos chamados recursos livres, a taxa média somou 23% ao ano em abril – com alta de 0,1 ponto percentual frente ao patamar de abril (22,9% ao ano). Em 2014, porém, a taxa avançou 1,6 ponto percentual.

Já a taxa média geral de todas as operações com recursos livres (pessoas físicas e empresas) ficou estável em 32% ao ano em maio. Com isso, os juros estão no maior patamar desde fevereiro de 2012 (32,5% ao ano). No acumulado de 2014, a taxa média de juros bancários avançou três pontos percentuais.

 

Parcela de cheques sem fundos sobe em maio

A parcela de cheques devolvidos por falta de fundos no país ficou em 2,17% em maio, leve alta sobre a taxa de 2,13% de abril e da de 2,15% de maio de 2013, divulgou a empresa de análise de crédito Serasa Experian.

Em números absolutos, no mês passado foram devolvidos 1.376.096 cheques e compensados 63.506.394.

No acumulado dos primeiros cinco meses de 2014, o percentual de devolução de cheques sem fundos foi de 2,12%, superior à devolução de 2,10% em igual período de 2013, diz a divulgação.

"O crescimento da inadimplência com cheques em maio com relação a abril reflete a sazonalidade típica do período, tendo em vista a data comemorativa do Dia das Mães. Já o patamar mais elevado da inadimplência com cheques neste ano em relação ao ano passado – tanto no mês de maio quanto no acumulado do ano (janeiro a maio) — é reflexo de uma conjuntura dominada pelo encarecimento do custo do crédito (altas sucessivas das taxas de juros) e pela elevação da inflação. Tais fatores afetam negativamente a capacidade dos consumidores em honrar em dia os seus compromissos", afirmam os economistas da Serasa, em nota.

Roraima liderou o ranking estadual dos cheques sem fundos nos primeiros cinco meses de 2014, com 11,95% de devoluções. O Amazonas foi o estado com o menor percentual (1,19%).

Entre as regiões, a Norte foi a que liderou o ranking, com taxa de 4,36%. A região Sudeste foi a que apresentou o menor percentual (1,64%).

 

Analistas esperam retração da indústria em 2014

Os economistas do mercado financeiro já esperam que a produção industrial, um dos indicadores que compõem o PIB, sofra contração em 2014. A mediana das projeções para o setor está em -0,14%, a primeira previsão negativa desde que as estimativas para o desempenho do setor em 2014 começaram a ser feitas, em 2010. Na semana passada, a expectativa ainda era de alta, de 0,51% e, há um mês, de 1,4%.

O pessimismo reflete o desempenho do setor nos últimos meses. Em abril, a produção industrial recuou 0,3%, frente ao mês anterior, segundo os dados mais recentes divulgados pelo IBGE. Na comparação anual, o resultado foi ainda mais amargo: queda de 5,8%, pior número desde setembro de 2009, influenciado pela maior quantidade de feriados em abril deste ano.

A piora da expectativa para a atividade industrial influenciou a mediana das projeções para o PIB, que reucou pela quarta semana consecutiva. Desta vez, os analistas reduziram as projeções para apenas 1,16%. Os analistas também estão mais pessimistas para o ano que vem, apostando em alta de 1,5%, uma queda em relação à projeção da semana passada, que era de 1,73%.

Em relação à inflação, a mediana das projeções foi mantida em 6,46%, refletindo a trégua na alta de preços dos alimentos, que vem ajudando a segurar o IPCA.

A previsão também foi mantida para a taxa básica de juros, a Selic, que, segundo os analistas ouvidos pelo BC, deve encerrar 2014 nos atuais 11% ao ano.

 

Sancionada  ‘flexibilização’ de exploração de linhas rodoviárias

 

Governo sanciona ‘flexibilização’ de exploração de linhas rodoviárias
Foi publicada no "Diário Oficial da União" a lei 12.996, que resultou da Medida Provisória 638 e traz uma mudança profunda do sistema de exploração de linhas rodoviárias interestaduais e internacionais no país.

Uma emenda incluída de última hora na MP permite que empresas de ônibus atuem no setor apenas com autorizações, sem a exigência de licitações que vinham sendo preparadas há mais de cinco anos pelo governo. Originalmente, a MP tratava do programa Inovar-Auto, de benefícios ao setor automotivo.

Para as operadoras do setor e os fabricantes de ônibus, porém, a medida poderá destravar investimentos da ordem de R$ 6 bilhões em renovação da frota ao longo de quatro anos. Esses investimentos vinham sendo represados por conta da incerteza gerada a partir da dificuldade do governo de promover as licitações das linhas.

Contudo, na avaliação de entidades de defesa do consumidor, como a Proteste, a "flexibilização" das regras pra exploração das linhas fere a Constituição Federal, ao restringir a necessidade de licitações para definição dos operadores.

A emenda incluída na MP 638 foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff, que aceitou também a inclusão de outro "jabuti" no texto: áreas públicas no Distrito Federal ocupadas desde 2006 por entidades religiosas "poderão ser regularizadas, no todo ou em parte", dispensadas as exigências da Lei 8.666, de 1993.




 

Petrobras investirá US$ 5 bi na expansão de gás


 

A Petrobras informou que fará investimentos para escoar, até o litoral, o gás natural produzido nos campos do pré-sal em alto-mar, através de gasodutos e unidades de processamento de gás. Segundo a companhia, conforme seu plano de negócios 2014- 2018, estão previstos investimentos de US$ 5 bilhões, que representam 50% dos recursos da área de gás e energia, para escoamento e tratamento do gás.

A estatal informou que não prevê novos investimentos na expansão de sua malha de gasodutos de transporte terrestre. Como mostrou a reportagem, especialistas calculam que, para atender ao aumento na oferta de gás até 2030, serão necessários investimentos de ao menos US$ 22 bilhões em infraestrutura terrestre de transporte. Esses investimentos poderiam ser feitos pela estatal ou por empresas privadas.

A Petrobras confirmou que não prevê investimentos na expansão da malha de gasodutos terrestres, que atualmente é de 9 mil quilômetros, mas apenas investimentos da ordem de US$ 590 milhões até 2030 "para garantia da continuidade, confiabilidade e segurança operacionais da infraestrutura logística existente de atendimento ao mercado neste período sem a necessidade de novos gasodutos de transporte". Segundo a Petrobras, o atendimento à demanda das distribuidoras e usinas térmicas será garantido por novos pontos de entrega e estações de compressão (que aumentam o volume do gás fornecido).

Especialistas acreditam, porém, que a infraestrutura terrestre precisa ser ampliada. A Petrobras prevê uma oferta média de 168 milhões de metros cúbicos de gás por dia entre 2020 e 2030. Hoje, a capacidade de oferta está em cerca de 100 milhões de metros cúbicos. Para Marco Tavares, da consultoria Gas Energy, a oferta de gás natural no mercado já em 2025 poderá chegar a 200 milhões de metros cúbicos por dia, incluindo não apenas os volumes da Petrobras, mas de terceiros. Para Tavares, a atual malha de gasodutos teria que ser triplicada.

— Os números são muito maiores, e é evidente que o Brasil vai precisar de muito mais investimento em infraestrutura. O modelo é que trava os investimentos, porque a Petrobras atua da geração à distribuição, o que inibe os investidores privados — destacou Tavares.

Pela Lei do Gás, de 2009, os investimentos no transporte precisam ser feitos por chamadas públicas, ou seja, através do envio de propostas ao governo. Analistas dizem que a regulamentação é complexa e atrasa projetos.

O próprio governo federal prevê um aumento maior da oferta de gás para os próximos anos. Segundo o Plano Decenal de Expansão da Malha de Transporte Dutoviário (Pemat), a oferta de gás natural em 2022 poderá chegar a 202,5 milhões de metros cúbicos por dia.

 

 

A moda agora é customizar aviões comerciais por até US$ 300 milhões


 

Encomendar jatos particulares Gulfstream de US$ 65 milhões é coisa do passado. Bilionários que querem voar em grande estilo, levando dezenas de amigos e colegas, estão recorrendo aos fabricantes de aviões comerciais para comprar modelos personalizados.

Segundo reportagem publicada pela revista “Wired”, fabricantes de jumbos, como o 747 e o A380, estão oferecendo o serviço a príncipes sauditas, oligarcas russos e outros ricaços do tipo. Já teve até avião sendo entregue com pista de boliche. Os preços são astronômicos: US$ 80 milhões por um Boeing 737, US$ 280 milhões por um Boeing 747-8, e US$ 300 milhões por um A380.

A Airbus está tão focada neste novo nicho que chegou a encomendar um estudo detalhado, denominado “Billionaires Study”, que concluiu que magnatas do petróleo do Oriente Médio e industriais chineses só apreciam viajar em bando: mais de uma dúzia.



Ou seja, os já conhecidos luxuosos modelos Gulfstream ou Bombardier já não bastam. E os jatos comerciais que apertam centenas de pessoas menos endinheiradas na classe econômica se tornam palacetes depois de redecorados com mesas de jantar enormes, cadeiras de couro, banheiros com ducha e banheira, suítes com cama de casal e salas de TV e de jogos.

Os clientes recebem uma espécie de catálogo com um grande número de possibilidades à sua escolha e o céu é o limite para os pedidos.


Eles querem ter, no ar, o mesmo padrão a que eles estão acostumados em suas casas ou escritórios — afirmou David Velupillai, diretor de marketing da Airbus, ao jornal “Sydney Morning Herald”. — Como você pode imaginar, um bilionário vai gastar pouco para ter um bom escritório e uma linda casa, então eles querem duplicar esse estilo de vida no ar.

personalização de jatos comerciais começou no fim da década de 1990. Mas, recentemente, houve um forte aumento no fluxo de bilionários da Rússia, do Oriente Médio e da China — ao passo que, com a crise econômica, as encomendas de companhias aéreas minguaram —, o que jogou luz sobre o filão.

Desde a abertura de sua agência especializada em aviões particulares, em 1997, a Airbus já vendeu mais de 170 aeronaves. A Boeing começou antes, em 1996, e já entregou 195 do total de 217 pedidos recebidos.

— O nosso mercado é o de bilionários, e não o de milionários — diz Velupillai.



 

 

Confiança do empresário é a mais baixa desde 2009

Levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que a confiança do empresário é a mais baixa desde 2009. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) ficou em 47,5 pontos neste mês, numa escala que vai de zero a 100. O resultado é igual ao registrado em janeiro de 2009, quando o Brasil enfrentava os efeitos da crise financeira internacional.

O indicador de junho representa uma queda de 0,5 ponto na comparação com maio e de 7,3 pontos na comparação com junho de 2013. Também se manteve abaixo dos 50 pontos pelo terceiro mês consecutivo, mostrando falta de confiança do empresário durante todo o segundo trimestre de 2014.

Segundo a CNI, o pessimismo é maior entre os empresários da indústria de transformação, segmento em que o ICEI foi de 48,5 pontos, e da indústria da construção, em que indicador caiu para 46,7 pontos, em junho. Na indústria extrativa, a confiança aumentou 1,8 ponto e ficou em 50,6 pontos, próximo da linha divisória dos 50 pontos.

A pesquisa aponta ainda que o ICEI ficou abaixo dos 50 pontos entre os empresários das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. No Norte e no Nordeste, o indicador ficou acima dos 50 pontos. O levantamento foi feito entre 2 e 11 de junho com 2.636 empresas de todo o país, das quais 992 são pequeno porte, 1.001 são médias e 643 são de grande porte.

Economia acelera 0,12% em abril

 

A economia brasileira cresceu 0,12% em abril de 2014 frente ao mês anterior. É o que aponta o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado pela autoridade monetária. O dado mostra um resultado melhor que o registrado em março, quando a atividade cresceu apenas 0,05% segundo o IBC-Br. Esse dado foi revisado pelo Banco Central. Anteriormente, o indicador de março havia apontado uma queda de 0,11%.

Os números do BC mostram, no entanto, que o atual cenário de inflação elevada, queda no consumo das famílias e fraco desempenho da indústria e do comércio ainda prejudica o crescimento. Segundo o IBC-Br, a economia teve alta de 2,19% num período acumulado em 12 meses, segundo os dados dessazonalizados, ou seja, sem a influência de variações de cada época do ano. No acumulado de 2014, a taxa é de 0,8%.

Octavio de Barros, diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, afirmou, em relatório enviado a clientes, que a queda de 2,29% em relação a abril de 2013 do IBC-Br confirmou as expectativas da instituição de desaceleração do PIB no segundo trimestre.

"Levando em conta a queda do indicador na comparação interanual e considerando-se outros indicadores coincidentes referentes a abril e maio, continuamos acreditando que o PIB do segundo trimestre apresentará desaceleração ante o período anterior", afirmou o economista no texto.

Diferença para o cálculo oficial

O IBC-Br é um dos instrumentos usados pelo Banco Central para definir a taxa básica de juros (Selic) do país. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária. No entanto, o cenário agora é o oposto. Para conter o aumento dos preços, o BC aumentou os juros nove vezes seguidas, num total de 3,75 pontos percentuais, a partir de abril do ano passado, quando a taxa estava em 7,25%. Na última reunião, a taxa foi mantida em 11% ao ano.

O IBC-Br não pode ser considerado uma prévia do PIB porque o dado oficial é muito mais complexo. É o que os economistas chamam de proxy, uma aproximação. As divergências com o número do IBGE refletem-se nos números.




 

Decisão que proíbe protestos nos aeroportos foi concedida

 

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) obteve na 8ª Vara Federal liminar proibindo manifestações nas imediações e dentro dos aeroportos. Com isso, o Sindicato Municipal dos Aeroviários do Rio de Janeiro (Simarj), que reúne trabalhadores em terra na cidade do Rio, decidiu interromper a greve que começou à 0h desta quinta-feira. Segundo a entidade, todos os trabalhadores já estão em seus postos.

Cerca de 20 sindicalistas chegaram a ir em passeata com carro de som até o Terminal 2 do Galeão, mas, ao serem informados da decisão da Justiça, interromperam a manifestação. A multa pode chegar a R$ 500 mil por hora de ocupação indevida e prejuízo da aviação civil, informou a Agência Nacional de Aviação Civil em nota .

Com isso, a greve dos aeroviários não causou transtornos no Aeroporto Internacional Tom Jobim e no Santos Dumont. Os terminais ficaram cheios por causa da quantidade de voos na manhã desta quinta-feira e os passageiros enfrentaram filas nos guichês. Sem paralisação dentro dos terminais, o protesto que chegou a ser iniciado no entorno do Galeão fez com que passageiros se atrasassem para seus voos.


Após ficar duas horas presa no engarrafamento entre o Jardim Botânico e o aeroporto do Galeão, a empresária Tatiana Maia acabou perdendo o voo da TAM para Fortaleza, marcado para as 9h. Com ingressos comprados para os jogos EUA x Gana (em Natal, no dia 16) e Brasil x México (em Fortaleza, no dia 17), ela temia perder as partidas, que planejara assistir com o marido, o americano David Lewis.

— Vou perder dois jogos da Copa do Mundo. Vou cobrar de quem? — lamentou Tatiana, que foi informada de que o próximo voo para o Nordeste só partiria no dia 17 de junho.

O pequeno grupo de aeroviários ocupou parte de via de acesso ao Aeroporto do Galeão, causando grande congestionamento na região. A Anac disse que está acompanhando a situação e vai continuar monitorando eventuais impactos nas operações.

Por volta das 7h50m, houve uma paralisação no sistema de check-in da Gol, que deixou os passageiros apreensivos. Até as 8h30m, o sistema ficou fora do ar. Segundo a Gol, o problema aconteceu com a conexão de internet da Oi e o sistema de check-in foi redirecionado para o link secundário, que é da Embratel. A companhia afirma que o serviço no balcão e nos totens já foi restabelecido.

CATEGORIA PEDE 12% DE AUMENTO

A paralisação dos aeroviários seria de 24h, segundo o Simarj, nos aeroportos Tom Jobim, Santos Dumont e Jacarepaguá. A entidade já estava atendendo a uma determinação da Justiça de pelo menos 80% dos trabalhadores permanecerem em atendimento. Também a pedido da Justiça, não foram realizados piquetes, segundo o vice-presidente do sindicato, José Andrade Cruz.

— A intenção não é prejudicar o usuário. Não queremos o usuário contra o nosso movimento, por isso estamos com a greve mais na parte operacional, interna, sem mexer no check-in — disse ele, antes de ser informado da liminar obtida pela Anac.

A categoria reivindica o “Abono Copa”, já que há um aumento na carga de trabalho neste período, além de reajuste salarial real de 12% e a revisão dos valores dos benefícios da cesta básica e vale-refeição, entre outros itens. O sindicato patronal oferece apenas 5,6%, que corresponde à reposição da inflação de 2013. A paralisação se restringe ao Rio e não afeta os aeroportos em outros municípios.

O sindicato, ligado à Força Sindical, é o único que ainda não assinou a convenção coletiva com o Sindicato Nacional das Empresas de Transporte Aéreo (Snea), que representa companhias como TAM e Gol. Segundo o Sindicato Nacional dos Aeroviários, ligado à CUT, são 64 mil trabalhadores da categoria no Brasil e cerca de cinco mil no Rio. O Simarj representaria pouco mais da metade que os aeroviários no município.

— Com a Copa, a única coisa que nós ganhamos foi trabalho. Não abriremos mão do abono Copa, pois nosso trabalho aumentou. tentamos a negociação há 9 meses, mas todas as tentativas foram frustadas.

Os funcionários também reclamam dos vestiários que não possuem vasos sanitários, causando problemas e constrangimento aos trabalhadores. Uma nova reunião está prevista para segunda-feira, entre a categoria e o sindicato patronal no Tribunal Regional do Trabalho.

Após a audiência de conciliação que terminou sem acordo na tarde desta quarta-feira na Seção Especializada em Dissídios Coletivos do TRT/RJ, a desembargadora do TRT/RJ Edith Maria Corrêa Tourinho concedeu a liminar determinando manutenção em atividade de pelo menos 80% do efetivo. Em caso de descumprimento, incidiria multa de R$ 50 mil contra o sindicato laboral, segundo informou o tribunal.




 

Emprego industrial recua 0,3% em abril

Após dois meses seguidos de alta, o emprego na indústria brasileira registrou queda de 0,3% em abril, segundo levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Frente a abril de 2013, o recuo foi ainda maior, de 2,2%. Os dados não levam em conta as alterações na produção conforme a época do ano.

Em abril, a produção da indústria registrou recuo de 0,3%, na comparação com o mês anterior.

No ano, de janeiro a abril, o total do pessoal ocupado na indústria mostrou retração de 2%. Nos últimos 12 meses, a recuou 1,5%.

Na comparação com abril de 2013, caiu na maioria dos locais analisados pelo IBGE. Assim como ocorreu em março, o principal impacto negativo sobre a média global partiu dos parques de São Paulo (-3,3%). No estado, o indicador sofreu pressão das indústrias de produtos de metal (-15,4%), produtos têxteis (-10,6%), máquinas e equipamentos (-3,8%), calçados e couro (-13,8%) e refino de petróleo e produção de álcool (-11,0%), entre outros.

Também tiveram resultados negativos os indicadores de emprego do Rio Grande do Sul (-4,6%), do Paraná (-3,7%) e de Minas Gerais (-2,2%). Na contramão, contribuíram positivamente Pernambuco (4,4%) e Região Nordeste (0,3%).

Na análise setorial, o total do pessoal ocupado assalariado recuou em 13 dos 18 ramos pesquisados, com destaque para produtos de metal (-7,3%), calçados e couro (-8,5%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-7,0%) e meios de transporte (-3,5%), entre outros.

Horas pagas e salário
Em abril de 2014, o número de horas pagas aos trabalhadores da indústria, já descontadas as influências sazonais, mostrou alta de 0,1% frente a março, interrompendo dois meses seguidos de taxas negativas

Frente ao mesmo período de 2013, o número de horas caiu 3,1%, a 11ª taxa negativa consecutiva neste tipo de comparação e a mais intensa desde outubro de 2009 (-5,3%).

O valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria cresceu 0,7% sobre março, com influência positivo tanto da indústria de transformação (0,8%), como do setor extrativo (2,4%).

Na comparação com igual mês do ano anterior, o valor da folha de pagamento avançou 0,9%, quarto resultado positivo consecutivo nesse tipo de confronto.

 

Petrobras tem mais de US$ 30 bilhões em multas fiscais


 

Com dificuldades de caixa, a Petrobras também acumula um risco fiscal bilionário. Em relatório enviado à Securities and Exchange Commission (SEC, a xerife do mercado de capitais dos Estados Unidos) no fim de abril, a estatal informa que o total de processos de natureza fiscal “com probabilidade de perda possível” soma US$ 30,4 bilhões, sendo a maior parte relativa a tributos federais. A lista de processos envolvendo multas aplicadas pela Receita Federal soma US$ 20,4 bilhões.

O economista José Roberto Afonso, do Ibre-FGV, menciona esse passivo potencial em estudo recente onde relaciona a queda acentuada da carga tributária da Petrobras, nos últimos anos, a incentivos e ao tratamento diferenciado que a estatal recebe do governo para compensar prejuízos com o represamento dos preços dos combustíveis.

— A evolução dos processos fiscais que a Petrobras enfrenta é impressionante. Saltaram de US$ 18,2 bilhões para US$ 30,4 bilhões entre 2011 e 2013. Como melhorar a governança corporativa e o financiamento privado de investimentos de longo prazo se na maior empresa nacional riscos fiscais são acumulados em proporções enormes e de forma tão rápida? — pergunta o economista.

Prática é comum entre petroleiras

A principal batalha travada entre Petrobras e Receita Federal hoje envolve o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e da Cide sobre afretamentos de plataformas de petróleo. Os diversos processos que tratam dessa tributação somam nada menos que US$ 5,771 bilhões. Alguns já estão em fase judicial, enquanto outros ainda se encontram na etapa administrativa.

Segundo técnicos do governo, a estatal utiliza uma prática comum entre petroleiras. Essas empresas costumam fazer um contrato de afretamento no exterior e outro de prestação de serviços de perfuração, exploração e prospecção no Brasil.

No entanto, o afretamento, que não tem incidência do IRRF e da Cide, responde pela maior parte — quase 100% — do custo da operação. Os técnicos entendem que isso significa uma forma de tentar burlar a tributação, de maneira que os impostos incidam apenas sobre uma pequena parte dos negócios.

Este ano, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) já julgou um processo no qual entendeu que há incidência da Cide sobre contratos de afretamento de plataformas de petróleo firmados pela Petrobras. De acordo com os conselheiros, parte do que seria prestação de serviço técnico foi incluída no contrato de afretamento apenas para que a empresa pudesse pagar menos impostos.

Segundo os autos do processo, a separação dos serviços de produção e prospecção de petróleo em contratos de aluguel de plataformas e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções.

“O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual os pagamentos efetuados ao amparo dos contratos ditos de afretamento sujeitam-se à incidência da Contribuição”, afirma o processo.

Neste caso, a Petrobras informou que vai recorrer da decisão judicialmente.

De acordo com técnicos do governo, a Petrobras sempre foi uma empresa conservadora quando se trata da prática conhecida no mercado como planejamento tributário. No entanto, nos últimos anos, tornou-se bem mais agressiva. O contencioso com órgãos de fiscalização federal e estaduais tem aumentado nos últimos anos e é atribuído a essa mudança de comportamento.

Além dos afretamentos, a estatal também tem processos que envolvem deduções da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), além de multas sobre uma repactuação envolvendo o Plano Petros (fundo de pensão dos funcionários), no valor de US$ 1,962 bilhão.

Briga sobre tributação de lucro no esterior

Assim como outras multinacionais, a Petrobras também enfrenta uma briga com o Fisco sobre a tributação do lucro de subsidiárias no exterior. Neste caso, os valores envolvidos chegam a US$ 2,02 bilhões, segundo relatado à SEC.

Como essa polêmica abrangia um grupo grande de empresas de diversos setores, o governo modificou a legislação sobre o lucro de multinacionais fora do país e abriu um programa de parcelamento de dívidas tributárias antigas para que as empresas pudessem regularizar sua situação junto ao Leão.

Há pendências da Petrobras ainda sobre o não recolhimento da Cide sobre a importação de nafta e sobre transações com distribuidoras e postos de gasolina que obtiveram liminares para não pagar a contribuição. Com governos estaduais, há disputas que envolvem o não recolhimento do ICMS nas vendas de petróleo e gás apuradas mediante a medição inicial e final dos estoques, entre outros processos.

Procurada para comentar os processos de natureza fiscal relatados à SEC, a Petrobras informou, por meio de sua assessoria, que não iria se manifestar.




 

 

 

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