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Inadimplência das empresas cresce 12,9%, maior alta desde 2012




As empresas estão tendo maior dificuldade de pagar as contas este ano, é o que revela o Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas de junho. O índice encerrou o primeiro semestre de 2015 com alta de 12,9% em comparação com o mesmo período do ano passado. Foi a maior alta desde 2012. Na comparação entre junho com igual mês do ano passado, a inadimplência entre empresas cresceu 19,2%.

Os economistas da Serasa apontam que a deterioração da atividade econômica, que tem impacto negativo na inadimplência das empresas, seja pela redução de caixa ou pelo aumento do custos capital e financeiro do setor.

Na relação junho contra maio de 2015, o índice apontou leve alta de 0,1%. Nessa relação, as dívidas não bancárias foram as que mais pesaram no indicador, com alta de 4,8%, que representou uma contribuição de 1,8 ponto percentual na taxa. As dívidas com os bancos aumentaram 1,3% na relação intermensal, que equivale a 0,3 ponto percentual.

Os números de cheques sem fundo e títulos protestados frearam o indicador, com quedas de 8,8% e 2,4%, respectivamente, com peso negativo de 1,4 e 0,6 pontos percentuais no resultado.

Valor médio de dívida com bancos cai

O relatório da Serasa Experian indica que o valor médio dos cheques sem fundos caiu no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. De R$ 2.227,89 passou para R$ 2.458,67, ou seja, aumento de 10,4%. O valor dos títulos protestados também subiram 11,7%, valendo, em média, R$ 2.452,20.

O valor médio das dívidas não bancárias subiu 0,7% neste primeiro semestre e foi medido a R$ 863,68. Em contrapartida, o valor da dívida com os bancos caiu no primeiro semestre e passou de R$ 4.993,42 para R$ 4.140,88: uma redução de 17,1%.



 

Cai a  confiança da construção  civil no Brasil

 

A confiança do setor da construção civil recuou na passagem de junho para julho, com queda de 4,7%. É o menor nível da série iniciada em julho de 2010. No ano, o índice acumula queda de 26,5%, segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV). Frente a julho de 2014, o indicador recuou 32,5%.

“A queda do indicador de confiança não surpreende, na medida em que não ocorreram fatos capazes de alterar o quadro de declínio da atividade no setor observado desde o ano passado. Vale notar que para a grande maioria das empresas (60,0%), a carteira de contratos está abaixo do normal. A pequena melhora das expectativas observada no mês anterior não teve respaldo da situação dos negócios. Enfim, a percepção dominante no setor é de que retração na atividade ainda deve prosseguir”, disse Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção da FGV/IBRE.

O resultado sucede a relativa estabilidade de junho (0,1%) e uma queda em maio (4,7%).

De junho para julho, houve queda de 7% no índice de expectativas, influenciada pelo recuo de 9,1% no subindicador que mede as perspectivas para a situação dos negócios nos seis meses seguintes.

A visão sobre a situação atual apresentou a 8ª queda consecutiva, de 1,2%, influenciada pelo recuo de 3,7% no indicador que mede o grau de satisfação das empresas com a situação atual dos negócios.

Custo da construção
O Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) registrou, em julho, taxa de variação de 0,66%, abaixo do mês anterior, de 1,87%. O índice relativo a materiais, equipamentos e serviços registrou variação de 0,17%. No mês anterior, a taxa havia sido de 0,47%. Já o índice referente à mão de obra registrou variação de 1,10%. No mês anterior, a variação registrada havia sido de 3,16%.

Cinco capitais apresentaram desaceleração em suas taxas de variação: Salvador, Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Em contrapartida, Brasília e Porto Alegre registraram aceleração.

 

 

Previsão para inflação sobe pela 15ª semana, para 9,23%

Pela 15ª semana seguinte, os economistas ouvidos pela pesquisa Focus, do Banco Central, elevaram a previsão de inflação para este ano. Já as expectativas em relação ao PIB pioram tanto para 2015 quanto para 2016, indicando uma contração da economia maior do que o esperado na semana anterior.

A projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 9,15% para 9,23%. Há um mês, a sondagem indicava que 2015 terminaria com uma inflação de 9%. Para 2016, os economistas mantiveram a mesma taxa de semana passada: 5,40%.

A economia, em 2015 e 2016, terá um desempenho pior do que o esperado na semana anterior. Os economistas reduziram as projeções para este ano pela segunda vez seguida: em vez de 1,70%, o recuo deve ser de 1,76%. No ano que vem, de acordo com a pesquisa do BC, a atividade econômica ficará em terreno positivo, mas se aproxima cada vez mais da estagnação. Na semana passada, a projeção era de alta de 0,33%. Agora, a expectativa é mais modesta, de apenas 0,20%. Há um mês, a pesquisa indicava crescimento de 0,50%.

Em meio à disparada do dólar em relação ao real na semana passada, os economistas ouvidos pela pesquisa Focus elevaram a cotação da moeda para o fim deste ano de R$ 3,23 para R$ 3,25. Para 2016, no entanto, não houve alteração e espera-se que o dólar chegue em dezembro do próximo ano cotado a R$ 3,40.

Já a Selic deve fechar 2015 em um patamar menor do que o previsto na semana passada. Os economistas reduziram em 0,25 ponto percentual a expectativa para a taxa básica de juros este ano, de 14,50% para 14,25%. A previsão para 2016 foi mantida em 12%.




 

Confiança do consumidor atinge nível histórico de 23,1% em um ano

 


A confiança do consumidor brasileiro continuou a mostrar deterioração em julho, com o índice da Fundação Getulio Vargas (FGV) recuando 2,3% na comparação com o mês anterior e atingindo o menor nível da série histórica. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu a 82 pontos em julho, contra 83,9 pontos em junho, registrando queda pela quarta vez neste ano. Em um ano, o recuo é de 23,1%.

O ano de 2015 tem sido marcado pela baixa confiança de consumidores e empresários diante da fragilidade econômica e dificuldade de recuperação da atividade.

— A queda em 2015 vem sendo influenciada pela insatisfação e pessimismo em relação à economia e piora da situação financeira das famílias — destacou a coordenadora da pesquisa, Viviane Seda Bittencourt. —Diante deste cenário, o consumidor retrai seu ímpeto para compras diminuindo ainda mais as possibilidades de melhora do cenário atual.

Segundo a FGV, o Índice da Situação Atual (ISA) caiu 5,2% em julho, para 71,2 pontos. Em um ano, o recuo é de 36,8%. A percepção sobre a situação atual da economia manteve-se em queda, atingindo o menor nível da série iniciada em setembro de 2005.


O indicador que mede o grau de satisfação com a situação econômica local recuou 10,8%. A proporção de consumidores que avaliam a situação do momento como boa foi de 5,1% enquanto a dos que a consideram ruim chegou a 82,7%, o maior nível da série. Apenas 12,2% dos consumidores consideram a situação como “normal”, o nível mais baixo dos últimos 10 anos.

A maior queda neste mês foi do indicador de intenção de compras de bens duráveis nos próximos seis meses, de 3,5% para 69,7 pontos — o terceiro nível mais baixo da série, superando apenas setembro (66,5) e outubro de 2005 (68,4).

Já a proporção de consumidores que projetam maiores gastos passou de 13,3% para 13,2% entre junho e julho. E a parcela dos que preveem diminuir os gastos subiu de 41,1% para 43,5% do total.



 

 

Desemprego tem maior taxa desde 2010

Em junho, a taxa de desemprego seguiu em alta e chegou a 6,9%, o maior índice para o mês desde 2010, quando a desocupação atingiu 7%. Considerando todos os meses, a taxa é a mesma registrada em julho de 2010, e também a mais alta desde junho daquele ano.

Em maio, o desemprego havia atingido 6,7% e em junho de 2014, 4,8%. Os números foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A população desocupada somou 1,7 milhão de pessoas, não mostrando variação em relação ao mês anterior. Já na comparação com o ano passado, esse grupo cresceu 44,9%. De acordo com oIBGE, esse é o maior aumento anual já registrado em toda a série da pesquisa, que teve início em março de 2002.

Por outro lado, a população ocupada, que chegou a 22,8 milhões, ficou estável frente a maio, mas caiu 1,3% quando comparada a junho de 2014, o maior recuo desde janeiro de 2013.

"Esse aumento [da taxa de desocupação na comparação anual] ocorreu pelo fato de ter havido um crescimento muito elevado da população desocupada, compartilhado com a queda na ocupação. Você tem uma ocupação que cai e uma pressão pelo mercado de trabalho que aumenta. As demissões se manifestam mais na queda da população ocupada", diz Adriana Araújo Beringuy, técnica de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Outra explicação que o instituto levanta sobre o aumento da taxa de desocupação é o crescimento do número de "pessoas que antes não estavam trabalhando e passam a entrar no mercado de trabalho na posição de desocupados".

No setor privado, o número de trabalhadores com carteira assinada também ficou estável no mês (11,5 milhões), no entanto, sofreu redução de 2% diante do mesmo período do ano anterior. A população não economicamente ativa ficou estável em 19,3 milhões de pessoas.

O desemprego ficou praticamente igual em todas as regiões analisadas em relação ao mês anterior, conforme informou o IBGE. Porém, na comparação anual, o desemprego aumentou em todos os locais.

No Recife, passou de 6,2% para 8,8%; em Salvador, de 9,0% para 11,4%; em São Paulo, de 5,1% para 7,2%; em Porto Alegre, de 3,7% para 5,8%; no Rio de Janeiro, de 3,2% para 5,2%, e em Belo Horizonte, de 3,9% para 5,6%.

Ganhos
O rendimento médio real dos trabalhadores ocupados subiu 0,8%, para R$ 2.149,10 em relação a maio. Mas na comparação anual, ficou 2,9% menor (o valor era então R$ 2.212,87). "Houve uma interrupção de queda mensal consecutiva observada desde fevereiro de 2015. Contudo, permanece a retração na comparação anual", analisou Adriana.

Passaram a ganhar mais os trabalhadores do Recife (2,2%); Belo Horizonte e Porto Alegre (1,1%, ambos); Rio de Janeiro (0,8%) e de São Paulo (0,7%). Já em Salvador, o rendimento diminuiu 0,7%.

Os trabalhadores dos ramos de comércio e serviços prestados às empresas tiveram aumento salarial, mas os de construção e outros serviços sofreram perdas.

O rendimento médio real também recuou para os empregados sem carteira assinada no setor privado e subiu para os militares e funcionários públicos e os trabalhadores por conta própria.

 

 

Contas externas têm rombo de US$ 36,7 bilhões

 

Por conta da combinação entre o dólar alto e a crise econômica, o rombo das contas externas brasileira caiu 20,6% no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado. O déficit de todas as trocas de serviços e do comércio do país com o resto do mundo ficou em US$ 36,7 bilhões nos seis primeiros meses do ano, de acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central. É o melhor desempenho desde 2012.

No entanto, o investimento recebido pelo país também desacelerou. No primeiro semestre, o Brasil foi destino de US$ 30,9 bilhões de recursos do exterior que chegam para aumentar a capacidade de produção das fábricas daqui. No mesmo período do ano passado, ingressaram no país US$ 45,9 bilhões. A queda foi de nada menos que 32,7%.

Para o governo, quando o investimento é maior que o rombo das contas externas, isso mostra que o déficit tem o melhor tipo de financiamento, ou seja, que o país não depende de dólares que entram por aplicações mais voláteis. Não é o caso atual.

O dólar caro favorece as exportações, que melhoraram o resultado da balança comercial, também inibe gastos. De acordo com o BC, a remessa de lucros e dividendos no semestre caiu nada menos que 36,7% no primeiro semestre. Na avaliação dos empresários é mais vantajoso mandar lucros para a matriz quando o Real compra mais dólares e não quando a moeda americana está mais elevada. Além disso, há um outro motivo para essa queda:

— Numa atividade que vai mais devagar, você tem menores lucros tanto para reinvestir quanto para remeter. E quando há um aumento do dólar, há interferência no fluxo — explicou o chefe adjunto do departamento econômico do Banco Central, Fernando Rocha.

GASTOS DE TURISTAS NO EXTERIOR CAEM 20% NO ANO

Outro gasto que é afetado pela alta da moeda americana é o feito pelos turistas brasileiros. Com o dólar caro, cai a procura por viagens para fora. As despesas dos viajantes daqui caíram 20% nos seis primeiros meses do ano. De janeiro até o mês passado, os brasileiros gastaram US$ 9,9 bilhões com turismo. No mesmo período de 2014, os gastos foram recordes em US$ 12,4 bilhões.

— A tendência para viagens internacionais de redução do déficit permanece. A atividade econômica está fraca e a taxa de câmbio se valorizando — frisou Rocha.



Apesar da alta do dólar, um gasto continua a crescer: o de aluguel de equipamentos. Isso, na avaliação do governo, é um bom sinal: o setor de extração mineral continua ativo, já que é o maior demandante desse tipo de serviço. Essa despesa cresceu 8% e foi de 8,3% e chegou a US$ 11,2 bilhões.

Segundo o BC, em junho, o superávit comercial veio acima das expectativas. E o déficit nas contas externas veio bem mais baixo do que previa a autoridade monetária. A projeção para o mês era de um déficit de US$ 3,5 bilhões. Os dados mostram que o resultado foi negativo em apenas US$ 2,5 bilhões: a metade do rombo no mesmo mês do ano passado.

— A grande surpresa aí foi o desempenho da balança comercial — revelou Fernando Rocha.

 

Bradesco entra em negociações para compra do HSBC



O banco Bradesco iniciou conversas exclusivas para adquirir a unidade brasileira do HSBC, de acordo com uma fonte com conhecimento direto da transação.

Caso o HSBC aceite a oferta do Bradesco, um acordo pode ser anunciado até o fim deste mês, disse a fonte. A oferta avalia a unidade brasileira do HSBC em cerca de R$ 12 bilhões, ou 1,2 vez seu valor contábil, disse a fonte.

A fonte não informou se o Bradesco vai pagar em dinheiro pela instituição financeira, que tinha ativos de cerca de R$ 170 bilhões no fim de março. Fontes próximas às negociações disseram à Reuters no mês passado que o HSBC esperava que a venda fosse finalizada em agosto.

A disputa pelo HSBC no Brasil avançou rapidamente desde que os planos de venda da instituição foram anunciados em maio. Analistas afirmam que a saída da instituição do Brasil ocorre no momento em que grandes bancos locais superam rivais menores e ganham mais força em um cenário de economia deteriorada.

O fraco crescimento em ativos impediu que o HSBC Brasil ganhasse escala para aumentar sua fatia de mercado, o que fez com que o retorno sobre o patrimônio líquido ficasse negativo em 4,2% no ano passado, comparado a 15,5% no fim de 2011.

Representantes do Bradesco não foram encontrados para comentar. Um porta-voz do HSBC em São Paulo recusou-se a comentar.

 

Perspectivas do mercado para PIB e inflação de 2015 pioram

 

As estimativas dos economistas das instituições financeiras sofreram uma nova piora, segundo pesquisa do Banco Central. A estimativa para a inflação teve a 14ª semana seguida de alta: passou de 9,12% para 9,15%.

Já a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB), depois de uma semana de "trégua", voltou a recuar. Os analistas agora estimam que a economia sofra uma contração de 1,7% neste ano, ante 1,5% na semana anterior.

Os dados são do boletim Focus, que reúne estimativas de mais de cem instituições financeiras, divulgado pelo Banco Central.

Inflação
Para o final de 2016, a pesquisa apontou ligeiro ajuste para baixo na alta do IPCA (o índice oficial de inflação), a 5,4%, contra 5,44% antes.

Se confirmada a estimativa para o IPCA, a inflação de 2015 atingirá o maior patamar desde 2003, quando ficou em 9,3%. A expectativa do governo para a inflação deste ano, divulgada no decreto de programação financeira em maio, está em 8,26%.

Segundo economistas, a alta do dólar e dos preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros) pressiona os preços em 2015. Além disso, a inflação de serviços, impulsionada pelos ganhos reais de salários, segue elevada.

Pelo sistema que vigora no Brasil, a meta central para 2015 e 2016 é de 4,5%, mas, com o intervalo de tolerância existente, o IPCA pode oscilar entre 2,5% e 6,5%, sem que a meta seja formalmente descumprida. Com isso, a inflação deverá superar o teto do sistema de metas em 2015, algo que não acontece desde 2003.

PIB
Se confirmado o resultado de queda de 1,7% no PIB, será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando foi registrada uma queda de 4,35%. Para 2016, a estimativa para o PIB também ficou menor: caiu de 0,5% para 0,33%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira.

No fim de maio, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a economia brasileira registrou queda de  0,2% no primerio trimestre de 2015

 

, puxada pelo desempenho negativo do setor de serviços e da indústria, bem como pelo recuo do consumo das famílias e dos investimentos.

Na semana passada, o IBC-Br, calculado pelo Banco Central e considerado uma "prévia" do PIB, mostrou quea econmia ficou praticamente estagnada em maio, depois de uma queda de 0,88% no mês anterior, sugerindo que a economia pode ter entrado em recessão técnica – quando o PIB acumula dois trimestres seguidos de resultado negativo.

Taxa de juros
A estimativa para os juros no fim deste ano ficou estável pela terceira semana, em 14,5%. Isso quer dizer que os analistas estão prevendo uma nova alta da taxa Selic no decorrer de 2015, que hoje está em 13,75%. Para o fim de 2016, a estimativa recuou de 12,25% para 12% ao ano.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para tentar conter pressões inflacionárias. Pelo sistema de metas de inflação brasileiro, a instituição tem de calibrar os juros para atingir objetivos pré-determinados. As taxas mais altas tendem a reduzir o consumo e o crédito, o que pode contribuir para o controle dos preços.

 

Emprego na indústria recua 1% em maio

 

Pela quinta vez seguida, o emprego na indústria recuou. De abril para maio, a queda foi de 1%, a mais intensa desde fevereiro de 2009 segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). o recuo nesse mês foi o mais intenso desde fevereiro de 2009 (-1,3%) Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a queda foi ainda maior, de 5,8%.

No ano, o emprego industrial acumula baixa de 5% e nos últimos 12 meses, de 4,4%.

O contingente de trabalhadores recuou na maioria dos ramos pesquisados, com destaque para meios de transporte (-11%), alimentos e bebidas (-3,2%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-12,9%), produtos de metal (-10,6%) e máquinas e equipamentos (-7,2%), entre outros.

O número de horas pagas na indústria também diminuiu. Em relação ao mês anterior, a retração foi de 1,3% e frente a maio de 2014, de 6,6%, acumulando assim reduções de 5,6% no ano e de 5,1% em 12 meses.

De acordo com o IBGE, essa queda mensal do número de horas pagas foi a mais intensa desde janeiro de 2009.

"Esses resultados refletem, especialmente, a diminuição de ritmo que marca a produção industrial desde o último trimestre de 2013, com redução de 9,7% desde outubro de 2013", afirma o IBGE, em nota.

Em maio, depois de três meses seguidos de queda, a produção industrial nacional cresceu 0,6%

Valor da folha de pagamento
Em maio, o valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria recuou 3,7% frente a abril, a segunda taxa negativa seguida, acumulando redução de 4,6%. O recuo nesse mês foi o mais intenso desde janeiro de 2013 (-5,3%).

Resultado do mês foi incluenciado pelo setor extrativo (-6%), acentuando a queda de 3,5% registrada no mês anterior, como da indústria de transformação (-2,6%), que permaneceu apontando recuo pelo quinto mês seguido

 

Setor de lavanderia  cresce 1,1% em maio

 

A receita nominal do setor de serviços registrou um crescimento de 1,1% em maio frente a igual mês do ano anterior, anunciou  o IBGE. O resultado de maio passa a ser o segundo menor da série histórica iniciada em 2012 — que era ocupado até então por abril (1,7%) —, atrás apenas do 0,9% de fevereiro. Pelos dados do IBGE (que não levam em conta a inflação), no ano, a taxa acumulada atingiu 2,3%. Em 12 meses, a alta é de 3,8%.

Na comparação com maio do ano passado, três dos cinco segmentos pesquisados registraram variações positivas: serviços profissionais, administrativos e complementares (5,5%); transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio (0,8%); e outros serviços (0,3%). Já serviços prestados às famílias (-1,4%) e serviços de informação e comunicação (-0,8%) registraram variação negativa.

Descontada a inflação de serviços, a receita real do setor recuou 6,6% frente a maio de 2014, segundo cálculos da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), baseados nos dados divulgados hoje pelo IBGE. A taxa negativa levou a receita das atividades pesquisadas pela Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE, a completar 15 meses de queda.

Segundo a CNC, o fraco resultado de maio demonstra o processo de desaceleração da receita nominal frente à deterioração das condições econômicas em 2015.

— A perda do poder de compra, proveniente da persistência inflacionária e do enfraquecimento do mercado de trabalho, vem impedindo o crescimento real do setor — explica Bruno Fernandes, economista da CNC.

As principais contribuições positivas à taxa global da pesquisa foram serviços profissionais, administrativos e complementares (1,2 ponto percentual); transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio (0,3 ponto percentual); outros serviços não contribui para a taxa, enquanto serviços prestados às famílias (-0,1 ponto percentual) e serviços de informação e comunicação (-0,3 ponto percentual) tiveram contribuição negativamente.

 

Pela primeira vez em 7 anos, alugar imóvel fica mais barato no país

Alugar um imóvel ficou mais barato em nove cidades brasileiras em junho, em comparação com o mesmo mês de 2014. É primeira vez que isso acontece desde 2008, quando o FipeZap foi criado. De acordo com o índice, o preço de aluguel dos imóveis residenciais caiu 0,57% no período. No mesmo período, a inflação medida pelo IPCA foi de 8,89%. Com isso, já são 13 meses seguidos em que o índice de locação ficou abaixo da inflação em 12 meses.

Na mesma base de comparação, o Rio de Janeiro teve a maior queda: 4,65%. Também foi registrada variação negativa nominal (sem considerar a inflação) em Porto Alegre, com -3,95%, e Curitiba, com -1,32%.

Nas outras cidades os preços subiram, ou seja, não houve queda nominal, mas sim queda real, ou seja, os valores tiveram reajuste abaixo da inflação. Sem considerar a alta do custo de vida, Brasília teve alta no preço dos aluguéis de 4,64% em um ano, seguida por Salvador, com 3,74%; Campinas, com 3,73%; São Bernardo do Campo, com 1,82%; Santos, com 1,26%; e São Paulo, com a menor variação positiva, de 0,59%.

Na variação mensal, de maio para junho, também houve queda no preço dos aluguéis: o recuo foi de 0,66%, ante uma variação positiva de 0,79% no IPCA. Mais uma vez o Rio de Janeiro foi a cidade que apresentou a maior queda, de 1,63%, seguido por São Paulo, com queda de 0,64%.

Também apresentaram variação negativa Santos, com 0,37%; Salvador, com 0,30%; e Curitiba, com 0,18% de queda. Nenhuma cidade registrou crescimento no valor de aluguéis acima da inflação, mas Brasília apresentou alta de 0,61% de maio para junho; São Bernardo do Campo, 0,1%; e Porto Alegre e Campinas, 0,06%.

Apesar das quedas, o preço médio anunciado para locação por metro quadrado no Rio de Janeiro continua o mais caro, estimado em R$ 40,21. São Paulo fica em segundo lugar, com R$ 37,29. A média nas nove cidades pesquisadas em junho foi de R$ 33,54. O aluguel mais barato foi em Curitiba, onde o aluguel custa em média por R$ 16,08 ao mês, por metro quadrado.

Os preços anunciados para locação considerados para o cálculo do índice FipeZap são para novos aluguéis. Ou seja, não mede a variação dos contratos vigentes (normalmente reajustados automaticamente pelo IGP-M, da FGV, ou por outros índices de correção). Essa medida é importante para avaliar se o mercado imobiliário está mais ou menos atraente em relação a outras opções de investimento. Em junho de 2015, o retorno médio com aluguel foi de 4,7% ao ano.

 

Comprometimento da renda  atinge 34% dos consumidores

Pesquisa Perfil do Consumidor Inadimplente, realizada no 2º trimestre de 2015 com cerca de 1.000 consumidores inadimplentes, que buscaram informações nos postos de atendimento da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). Na comparação com a pesquisa anterior, do 1º trimestre de 2015, houve aumento de 12 pontos percentuais no comprometimento da renda.

Apesar de a maioria dos entrevistados (75%) estar otimista em relação aos próximos 12 meses, na comparação com o trimestre anterior, houve uma queda de 5 pontos percentuais e, quando comparado ao mesmo trimestre de 2014, a queda é ainda mais intensa (15 pontos percentuais).

Causas
O desemprego ainda é a principal causa da inadimplência para 31% dos consumidores. Em seguida, aparece o descontrole financeiro com 28% das menções, e o empréstimo do nome a terceiros (13%).

A aquisição de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos gerou a inadimplência para 22% dos entrevistados, seguido por aquisição de vestuário e calçados (18%) e alimentação (16%).

A forma de pagamento utilizada na compra que gerou a inadimplência foi o carnê ou boleto para 29% dos entrevistados, seguida de cartão de crédito (28%), cheque (14%), empréstimo pessoal (13%), cartão da loja (9%) e cheque especial (7%). Quanto ao valor, 30% dos consumidores disseram que a soma das dívidas em atraso é de até R$ 500, enquanto 38% têm entre R$ 500,01 e R$ 2.000 e 32% devem acima de R$ 2.000.

Intenção de compra
A pesquisa da Boa Vista SCPC revela queda na intenção dos consumidores em realizarem novas compras, após quitarem as dívidas: 21% pretendem realizar novas compras – redução de 7 pontos percentuais em comparação com o trimestre anterior - e 79% não pretendem realizar novas compras.

Após reabilitar o nome, os consumidores pretendem comprar, em primeiro lugar, um veículo (40%), seguido por um imóvel (16%) e móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos (9%).

A pesquisa também revelou que 59% dos consumidores têm como sonho a compra da casa própria. O carro aparece em 2º lugar com 22% das menções. Atualmente, apenas 14% dos consumidores estão preparados para realizar esse sonho, e 96% dizem que estarão preparados para realizá-lo no futuro.

Endividamento
A maioria dos entrevistados (75%) declarou possuir condições de pagar as dívidas vencidas e que geraram a restrição, 17% têm condições de pagar parte da dívida e 8% não têm condições de pagar. Dos que vão pagar totalmente, 63% irão regularizar a dívida de forma parcelada, dos quais 68% irão regularizar nos próximos 30 dias.

Quando perguntados sobre o nível de endividamento, 33% dos entrevistados se declararam pouco endividados, 25% muito endividados e 42% mais ou menos endividados.

A renda familiar dos consumidores está comprometida em até 25% com o pagamento de dívidas para 41% dos entrevistados, de 25% a 50% de comprometimento para 34% dos consumidores, e acima de 50% de comprometimento para 25% dos pesquisados.

A pesquisa apontou ainda queda de 26% para 20% na fatia dos consumidores que consideram pior a situação financeira neste 2º trimestre de 2015, enquanto 24% afirmaram que a situação está melhor. Em comparação ao ano anterior, 27% afirmam que as dívidas diminuíram, enquanto que para 40% continuam iguais e para 33% elas aumentaram. Analisando um espaço menor de tempo, na comparação com o mês anterior, as dívidas diminuíram para 24% dos entrevistados, continuam iguais para 50% e aumentaram para 26%.

 

Depois do calote socialistas gregos dão mais um golpe



Após 17 horas de reunião de cúpula, os líderes da zona do euro chegaram por unanimidade a um acordo que permite negociar um terceiro programa de resgate à Grécia, indicou o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk. O pacote inclui um fundo de € 50 bilhões, gerido pelos gregos, que servirá para recapitalizar bancos e fazer investimentos de estímulo ao crescimento. O socorro como um todo pode chegar a um montante de € 86 bilhões ao longo de três anos. Os mercados europeus reagiram bem ao acordo e as Bolsas operavam em alta.

Os credores, no entanto, exigem que Atenas aprove novas leis nas próximas 48 horas, obrigando o país a aplicar as medidas prioritárias exigidas em troca do resgate. Segundo os jornais britânicos "The Telegraph" e "The Guardian", o documento de sete páginas com os termos do acordo inclui:

- Fundo de € 50 bilhões, sendo € 25 bilhões para recapitalizar os bancos e outros ativos e 50% de cada euro restante (ou seja, 50% dos € 25 bilhões) serão usados para diminuir a dívida em relação ao PIB. Os outros 50% serão utilizados para investimentos. Durante as discussões, alguns credores queriam que esse fundo fosse gerido em Luxemburgo, mas a proposta foi vista como uma "humilhação" para Grécia;

- Estabelece um novo fundo para vender ativos valiosos para ajudar a pagar o novo resgate;

- Aumento do imposto sobre valor agregado;

- Corte de aposentadorias (reforma da previdência);

- Liberalização da economia;

- Privatização;

- Reforma de mercado de trabalho, incluindo novas regras na área industrial e permissão para demissões coletivas;

- Medidas para garantir a independência do escritório de estatísticas grego;

- Medidas que permitiriam o corte automático de gastos, se a Grécia não cumprir suas metas de superávits primários (despesas menos receitas excluindo os gastos com juros);

- Dá ao governo até 22 de julho (uma semana extra em comparação com o projeto anterior) para rever seu sistema de justiça civil, implementar novas regras que alinhem as leis que regem os bancos com o resto da União Europeia.

Agora, a Grécia tem até esta quarta-feira para aprovar no parlamento leis que garantam o pontos do acordo.



O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, afirmou que seu governo travou uma batalha dura durante seis meses e lutou até o fim para um acordo que permitirá ao país recuperar-se.

— Enfrentamos dilemas difíceis e tivemos que fazer concessões para evitar a aplicação dos planos de alguns círculos ultraconservadores europeus. Conseguimos evitar as medidas mais extremas.


Tusk disse que a ajuda financeira será dada mediante o compromisso do governo grego de levar adiante reformas econômicas.

“A Europa decidiu um roteiro. Agora tudo depende da implementação das reformas e adaptações necessárias para a Grécia”, disse o primeiro-ministro da Estônia, Taavi Roivas, no Twitter.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que recomendaria com plena convicção ao parlamento autorizar a abertura de negociações com a Grécia sobre um terceiro resgate uma vez que o parlamento grego aprove todo o programa.

Merkel advertiu que o acordo sobre o resgate da Grécia será um caminho longo e difícil. O Parlamento alemão deve votar o acordo na sexta-feira.

— A Grécia e seus parceiros ainda têm um caminho longo e difícil pela frente para levar a cabo um terceiro programa de resgate a Atenas.

Mas as condições impostas pelos credores são duras e podem pôr mais pressão sobre Tsipras, rachando seu governo e gerando protestos na Grécia.

— Claramente, a Europa da austeridade ganhou — disse o ministro de Reformas da Grécia, George Katrougalos, à rádio BBC. — Ou aceitamos essas medidas draconianas ou haverá uma morte repentina da nossa economia porque os bancos continuam fechados. De modo que é um acordo ao qual estamos praticamente obrigados.


 

Inflação fica em 0,79% em junho, maior desde 1996

 

A inflação oficial brasileira — medida pelo IPCA — ficou em 0,79% em junho, informou o IBGE . O resultado é o maior para o mês desde 1996, quando o índice chegou a 1,19%. Segundo sondagem do Banco Central (BC), analistas do mercado financeiro esperavam que a taxa de junho ficasse em 0,74%. Já as taxas acumuladas no semestre, de 6,17%, e em 12 meses, de 8,89%, são as maiores desde 2003.

Em 12 meses, o índice acumula alta de 8,89%, bem acima do teto da meta estabelecida pelo governo, que é de 6,5%, é mais do que em igual período do ano passado (8,47%). O acumulado em 12 meses é o maior desde dezembro de 2003, quando ficou em 9,30%.

No ano, o índice já está bem perto do teto, fechando o primeiro semestre em 6,17%, bem acima dos 3,75% dos primeiros seis meses do ano passado.

Em junho de 2014, o IPCA ficou em 0,4%. A inflação encerrou o ano passado com alta acumulada de 6,41%, puxada por energia e alimentos. Em maio deste ano, o indicador ficou em 0,71%, maior taxa para aquele mês desde 2008.

O grupo Despesas Pessoais foi o que teve maior alta, de 1,63%. O item jogos de azar registrou a maior variação neste grupo, de 30,80%, exercendo o principal impacto individual no índice do mês, de 0,12 ponto percentual. Considerando maio e de junho, a alta foi de 47,50%, devido aos reajustes nos valores das apostas a partir de 18 de maio. Empregado doméstico também foi um item de destaque nesse grupo, com alta de 0,66%.

O segundo maior impacto no IPCA de junho, de 0,10 ponto percentual, veio das passagens aéreas, que subiram 29,19% no mês. O IBGE ressalta, porém, que este item tem resultados instáveis e, no semestre, acumula queda de 32,71%. O item foi um dos responsáveis por elevar a taxa do grupo transportes, que subiu 0,7%. Mas também contribuíram as altas nos serviços de conserto de automóvel (1,7%) e tarifa de ônibus urbano (0,4%). O IBGE destacou que parte desse aumento é reflexo do reajuste de 12,5% nas passagens de ônibus em Belém, em vigor desde 16 de maio.

Entre os preços monitorados, aqueles controlados pelo governo, o destaque foi a inflação da taxa de água e esgoto, que subiu 4,95% e foi o terceiro item de maior impacto sobre o IPCA. O índice reflete reajustes autorizados entre 13 de maio e 20 de junho em cidades como São Paulo, Rio, Salvador e Curitiba.

PREÇO DA ENERGIA E DOS ALIMENTOS DESACELERA

Vilã da inflação no primeiro semestre, a energia elétrica deu uma trégua em junho. O item subiu 0,06% no mês passado, após ter tido inflação de 2,77% em maio. Já a gasolina, que avançara 0,23% em maio, registrou leve deflação de 0,07% em junho.



A inflação de alimentos também desacelerou em junho. Passou a subir 0,63%, após ter chegado a 1,37% no mês anterior. Com isso, reduziu seu impacto sobre o índice pela metade, de 0,34 ponto para 0,16 ponto. Influenciaram essa taxa a trégua de alguns itens que costumam ser os vilões do IPCA. O tomate passou de alta de 21,38%, em maio, para deflação de 12,27%, em junho. Já a cenoura, passou de avanço de 15,9% para queda de 10,78%, na passagem entre esses meses. No acumulado do semestre, no entanto, esses dois itens ainda registram alta de 58,28% e 32,33%, respectivamente.

— Na alimentação, o resultado foi firme. Alta de 0,63% não é irrisório, é um grupo que tem um peso muito grande no orçamento das famílias. Não significa que os alimentos ficaram mais baratos — destacou Eulina Nunes, gerente da coordenação de índice de preços do IBGE.

 

Empresas poderão reduzir jornada de trabalho e salários

 

Na tentativa de estancar o desemprego — sobretudo no setor automotivo — e em busca de apoio para enfrentar a mais grave crise política do seu governo, a presidente Dilma Rousseff editou medida provisória criando o Programa de Proteção ao Emprego (PPE). A medida permite a redução da jornada de trabalho, com corte dos salários em até 30%, em momentos de crise. Mas, para o trabalhador, esse corte será, efetivamente, de 15% do salário, já que o governo se compromete a usar recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para bancar metade da parcela do salário que for cortada. O gasto estimado em um ano de vigência, prazo máximo do programa, é de cerca de R$ 112,5 milhões.

A proposta — defendida pelos sindicatos dos trabalhadores das montadoras — não contou com o apoio do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, voto vencido nas discussões dos últimos dias. Isso porque o programa vai elevar as despesas do FAT no momento em que a equipe econômica tenta reduzi-las, restringindo o acesso ao seguro-desemprego e estendendo o pagamento do abono salarial. Segundo interlocutores, a maior preocupação do ministro é que a medida sinalize um relaxamento do ajuste fiscal, especialmente depois que o Congresso aprovou medidas de forte impacto sobre os gastos, como o aumento salarial do Judiciário e a extensão da regra de reajuste do salário mínimo para todos os aposentados do INSS.

— Não pode haver uma redução do pessimismo. Se houver uma avaliação de que o ajuste pode ser menor, o esforço feito até agora pode se perder — afirmou um interlocutor de Levy.


A condução e finalização do novo programa ficaram a cargo do Ministério do Planejamento, com auxílio da Secretaria-Geral da Presidência da República. Antes do anúncio, a MP foi detalhada às lideranças sindicais.

— É um projeto ganha-ganha. Ganham os trabalhadores, que mantêm seu emprego, as empresas, que conseguem preservar uma mão de obra qualificada e retomar rapidamente seu nível de produção, e o governo, na medida em que assegura o nível de emprego e preserva receitas importantes do ponto de vista fiscal — disse o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto.

Os setores que poderão aderir ao programa serão definidos nos próximos 15 dias por um comitê gestor, formado por vários ministérios. Em princípio, qualquer empresa em crise financeira poderá participar, desde que se comprometa em manter os empregos na vigência do programa. A adesão poderá ser feita até 31 de dezembro de 2015, por seis meses, prorrogáveis por mais seis. E dependerá de negociação com o sindicato da categoria, mediante acordo coletivo



O FAT vai complementar até 50% do corte salarial, limitados a 65% da parcela do seguro-desemprego (R$ 900,84). Segundo estimativas do governo, quem ganha R$ 2.500 passará a receber R$ 2.125, sendo que a empresa responderá por R$ 1.750, e o governo, por R$ 375. Para uma remuneração de R$ 5 mil, o novo contracheque ficará em R$ 4.250, sendo que a firma pagará R$ 3.500, e o governo, mais R$ 750. Os cálculos consideram corte de 30%.


 

Geração entre 20 e 30 anos vive a primeira crise
 




A primeira crise a gente nunca esquece. Uma geração de jovens adultos, entre 20 e 30 anos, enfrenta, pela primeira vez, algo que só viu em livros ou nas histórias de seus pais: crise econômica com inflação alta, instabilidade política, descontrole fiscal e, principalmente, desemprego e recessão. A bonança do mercado de trabalho dos últimos dez anos — que beneficiou esses jovens — deu lugar a uma taxa de desemprego de 16,4% em maio para quem tem entre 18 e 24 anos. Há um ano, o percentual estava em 12,3% nas grandes metrópoles. A inflação, que parecia vencida há 20 anos, assusta novamente, em torno de 9% ao ano, corroendo os ganhos das famílias. A desesperança diante das expectativas cada vez piores do desempenho econômico completa o quadro com o qual essa geração terá que lidar.

O avanço educacional e o colchão de proteção social criados a partir da Constituição de 1988 e engordados nos últimos anos dão mais armas para essa geração em contraponto a seus pais. Em 2004, somente 32,9% dos jovens entre 18 e 24 anos estavam na universidade. Em 2013, essa parcela tinha subido para 55%.

— As expectativas também estão mais altas. As famílias que têm ainda alguma gordura para queimar vão deixar os filhos se especializando mais até o mercado melhorar — afirma a antropóloga social e demógrafa Joice Vieira, que estudou a transição para a vida adulta.

‘MINHA MOEDA SEMPRE FOI O REAL’

É isso que o estudante de Jornalismo Rafael Loreto Fernandes pretende fazer. Está na segunda faculdade — é formado em Relações Internacionais, domina inglês, francês, espanhol e “arranha” alemão — e teme o momento em que terá de deixar os bancos escolares:

— Nasci em 1990. Só ouvi histórias de crise dos meus pais. Minha moeda sempre foi o real. Estou muito assustado. O mercado de trabalho está expulsando profissionais que já são bem remunerados, especializados. Quando começar a absorver pessoal novamente, vão dar preferência a pessoas que já têm experiência, coisa que o recém-formado não tem.

Marcelo Medeiros, sociólogo da UnB e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), diz que, neste momento de crise, a competição se dará com gente muito mais qualificada.

— Ensino médio não é mais vacina contra pobreza. E há a competição geracional. Esses jovens já competem com os adultos mais velhos.

As ruas podem ser o outro caminho a ser tomado por essa geração, diante da tendência de mobilização da juventude. Em épocas de bonança, lembra Joice, o individualismo avança mais. Na crise, o comportamento é o inverso:

— É uma geração que foi criada na democracia, tem direito à voz. Estamos vendo isso na Europa. São jovens bem formados que podem ser uma voz importante nesse momento, gerando soluções, pressionando e questionando.

PELA PRIMEIRA VEZ, MEDO DE SER DEMITIDO

Dentro das empresas, o medo do desemprego se instalou, na opinião da especialista em marketing Carla Galo, que viaja o Brasil todo fazendo palestras sobre gestão de negócios:

— É uma geração que não tinha medo de romper. Se estava insatisfeito na empresa que não se alinhava aos seus propósitos, começava já a namorar outra. Agora vê o amigo sendo demitido. Pela primeira vez, está sentindo que seu emprego está ameaçado.

Ter que demitir também é outra missão que não estava no radar dessa juventude. Paulo Sardinha, coordenador da pós-graduação de Gestão de Recursos Humanos do Ibmec/RJ e presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RJ), afirma que o choque chegou por meio da necessidade de demissão e do aperto do orçamento:

— Pela primeira vez, eles estão lidando com a reestruturação da equipe, inclusive tendo que demitir pessoas mais velhas que eles. Não estão preparados para demitir, fizeram carreira olhando para cima, ampliando a equipe. São mais técnicos, distantes de questões do orçamento. Agora são obrigados a ver as contas, fornecedores, não dá para se preocupar somente com lado técnico.

Carla concorda que, na hora de cortar custos, há uma paralisia, principalmente no comércio:

— Todo o treinamento no comércio foi feito para vender, nunca para lidar com eficiência, com corte de despesas. É uma situação para a qual eles não foram preparados. Numa palestra, perguntei o que é eficiência. Somente os grisalhos responderam de pronto.

Acostumados a consumir, essa juventude terá que deixar de lado os chamados bens de luxo. O economista Eduardo Velho, que viveu situação semelhante nos anos 1990, quando o então presidente Fernando Collor confiscou o dinheiro da população para combater a inflação, que custou ao país dois anos de recessão e a volta da inflação de maneira mais explosiva ainda, lembra que o exame para mestrado em Economia nunca teve tantos candidatos:

— Esses jovens consomem muito, principalmente bens de luxo. Deve diminuir a venda de tablet e a procura por cursos extraclasse, como balé, academia. Mas essa geração é mais empreendedora, ao contrário da minha. Muitos estão montando seus próprios negócios quando têm alguma poupança.

 

Carla também está notando mais jovens tentando empreender:

— É uma cultura mais recente, mas que vem desde a escola para essa geração. Diante da crise, estão dispostos a tentar o próprio negócio.

Maycom Brum, de 27 anos, morador do Complexo do Alemão e estudante de Publicidade, diz que ser contratado ao fim da faculdade não é uma preocupação. Ele pretende abrir uma agência onde mora para ajudar os pequenos empreendedores locais a crescer. Diz que o aumento da violência atrapalha, pois afasta as empresas, mas vê oportunidades no local:

— As chances no Complexo começaram a se multiplicar com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), com o teleférico. Nunca desejei trabalhar fora daqui. Tenho vontade de abrir uma agência de publicidade, para ajudar os microempreendedores, dar meios para eles crescerem, com um marketing bacana. Quero entender o mercado local e trabalhar com isso. Trazer o conhecimento para dentro e multiplicar aqui.

O mercado de estágio e de trainees ainda não foi afetado pela crise, segundo Débora Nascimento, da Capacitare. Responsável por esses programas em empresas de petróleo que também estão sendo afetadas pela crise da Petrobras, como Shell, Ipiranga, Chevron e Technip, diz que não houve queda na demanda pelos programas. Pelo contrário, nesses momentos de crise, eles acabam contratando mais estagiários e trainees.

Preços dos imóveis têm queda real de 4,45% no 1º semestre

 

O preço anunciado dos imóveis em 20 cidades brasileiras teve queda real pelo oitavo mês seguido, de acordo com o Índice FipeZap de junho, divulgado. O aumento médio de 0,13% ficou abaixo da inflação esperada de 0,72% para o mês (segundo o Boletim Focus, do Banco Central).

Ao fim do primeiro semestre, o Índice FipeZap Ampliado registra um crescimento acumulado em 2015, de 1,38%. No mesmo período, a inflação esperada para o IPCA (IBGE) é de 6,10%. Dessa maneira, o preço médio anunciado do metro quadrado nas 20 cidades pesquisadas ampliou sua queda real para 4,45% em 2015.

No período de 12 meses terminado em junho, os imóveis tiveram aumento nominal de 4,52% nos preços. Foi a sexta vez seguida em que a variação foi menor do que a inflação nessa base de comparação, configurando novamente queda real de preços.

19 cidades têm queda real
Com exceção de Florianópolis, todas as outras cidades que compõem o índice registraram variações menores do que a inflação, sendo que Niterói, Brasília e Curitiba tiveram queda nominal nesse período. O valor anunciado do metro quadrado médio das 20 cidades em junho foi de R$ 7.608.

EmSão Paulo, os preços ficaram praticamente estáveis em junho (0,09%) em relação ao mês anterior, e acumulam valorização de 2,20% no primeiro semestre. No Rio de Janeiro, os preços também não variaram em junho (0,01%), e subiram 0,58% nos seis primeiros meses do ano.

A cidade com o metro quadrado mais caro continua sendo o Rio de Janeiro (R$ 10.643), seguida por São Paulo (R$ 8.593) e Brasília (R$ 7.969). Os dois municípios que apresentaram os menores preços foram Contagem (R$ 3.550) e Goiânia (R$ 4.162).

 

Operação Lava-Jato estima prejuízo R$ 19 bilhões na Petrobras



A Petrobras teve um prejuízo de pelo menos R$ 19 bilhões nos últimos anos devido a fraudes em licitações para beneficiar empreiteiras e pagamento de propinas a políticos e funcionários públicos. O número, que faz parte de um balanço parcial da Polícia Federal (PF), é três vezes maior do que o cálculo feito pela própria companhia no balanço financeiro de 2014. No documento, divulgado em abril, a empresa reconheceu ter perdido R$ 6,2 bilhões entre 2004 e 2012 devido à corrupção.

O cálculo do prejuízo está sendo feito por peritos da PF, com base em um lote de contratos investigado pela Operação Lava-Jato. O relatório final deve ser apresentado semana que vem e anexado ao processo, mas, até agora, já foram apurados desvios que ultrapassam R$ 19 bilhões. Entre as obras que estão sendo auditadas estão a construção das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco (Rnest), e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Para chegar ao montante final, os técnicos estão cruzando dados de planilhas de preços de cada contrato da Petrobras com dados levantados pela investigação, contas bancárias e depoimentos de colaboradores. Além do dinheiro que foi desviado para pagar propinas, a apuração levantou, por exemplo, casos de alteração de valores em itens dos contratos, como o preço unitário de uma peça, superfaturamento, jogos de planilha.

— Achávamos que a margem de prejuízo da Petrobras era em torno de 3% por contrato. É isso o que os colaboradores dizem. Mas estamos descobrindo é que essa margem ficava, na verdade, entre 15% e 20% dos valores de contrato — disse nesta quinta-feira o delegado da PF Igor Romário de Paula, que faz parte da força-tarefa da Lava-Jato.

Procurador admite ser dificil chegar a número exato

Segundo o delegado, as empreiteiras acusadas de formar um cartel e fraudar licitações da Petrobras teriam o costume de aumentar os valores dos contratos até o máximo permitido pela estatal. A Petrobras teria, como praxe, aceitar contratos até 20% mais caros do que o orçamento inicial, que era calculado pela própria estatal.

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, também integrante da força-tarefa da Lava-Jato, concorda que a corrupção causou prejuízos maiores a Petrobras do que os R$ 6 bilhões estimados pela estatal. Por outro lado, ele diz acreditar que seja difícil chegar a um número exato:

 Aquele número do balanço da Petrobras é válido, mas conservador. Não temos dúvida de que os prejuízos são maiores que os R$ 6 bilhões lançados no balanço. Mas é quase impossível fazer essa mensuração porque há uma série de efeitos em toda a cadeia de licitação.

Segundo o Ministério Público Federal, a força-tarefa da Lava-Jato trabalha com a meta de conseguir a devolução de R$ 1 bilhão do dinheiro que foi desviado da Petrobras por meio de esquemas ilícitos até o fim do ano. Até o momento, investigados pela operação Lava-Jato que se comprometeram a cooperar com a Justiça já devolveram cerca de R$ 700 milhões de forma espontânea, de acordo com o procurador Carlos Fernando.

 

Vendas de carros no Brasil caem mês a mês em 2015

As vendas de automóveis e veículos comerciais leves continuam em queda. Segundo dados do Renavan, foram licenciadas 191.910 unidades, declínio de 6,5% no comparativo com igual período do ano passado, quando foram vendidos 205.264 veículos. Ao todo foram 20 dias de vendas, o que dá uma média diária de 9.595,5 unidades. Nos bons tempos da indústria, por dia eram comercializados cerca de 12 mil carros.

A Fiat continua na liderança com 34.693 unidades, o que lhe rendeu uma participação de 18,1%. Já a Volkswagen, mesmo caindo 6% no volume comercializado em relação ao mesmo período do ano passado, vendeu 28.474 automóveis e comerciais leves. Até 29 de junho, com 14,8% de market share, a VW superou a General Motors e é a segunda no ranking de vendas.

A GM vendeu 25.990 unidades, queda de 15,2% no comparativo com a mesma base de 2014. A sua participação ficou em 13,5%. A Ford vendeu 18.789 veículos e está em quarto no ranking, com 9,8%. O destaque negativo vai para a Renault que vendeu 14.006 e agora detém 7,3% de market share e está em sétimo lugar, atrás da Hyundai, em quinto, com 17.120 e 8,9% de participação e a Toyota, em sexto lugar, com 14.305 unidades vendidas e 7,5%.



 

Setor público registra rombo de R$ 6,9 bi em maio

 


O Brasil não consegue poupar como deveria para cumprir a meta de economia para pagar juros da dívida pública num momento em que esse custo bate recorde justamente pela ação de subir os juros básicos para conter a inflação. Com isso, o país se distancia cada vez mais do cumprimento da meta de poupança de 66,3 bilhões, ou seja, cerca de 1,1% de tudo o que o país produzirá neste ano, o Produto Interno Bruto (PIB). Em maio, por exemplo, o país gastou mais do que arrecadou e teve um rombo nas contas públicas de R$ 6,9 bilhões: o pior resultado para o mês desde 2013. Nos cinco primeiros meses do ano, União, estados, municípios e empresas estatais economizaram apenas R$ 25,5 bilhões para pagar juros da dívida pública.

O governo já admite internamente que não há  como cumprir esse objetivo. O esforço fiscal não chegará nem mesmo a 0,9% do PIB. E mesmo menor que o esperado, essa meta anda cada vez mais distante. De acordo com os dados divulgados pelo Banco Central, nos últimos 12 meses, por exemplo, o Brasil carrega um déficit primário de 0,68% do PIB. Isso quer dizer que os entes públicos gastaram R$ 38,5 bilhões a mais que os impostos que arrecadaram.

Para piorar os dados das contas públicas, além dos gastos do governo maiores que as receitas, a conta de juros no fim do mês está cada vez maior porque o Banco Central está num ciclo de alta da taxa Selic para tentar conter a inflação.

Nos cinco primeiros meses do ano, o Brasil gastou nada menos que 198,9 bilhões em juros: um recorde. Isso representa nada menos que 8,4% do PIB. Como não tinha dinheiro no caixa (porque poupou só R$ 25,5 bilhões no período), faltaram R$ 173,4 bilhões para fechar a conta, ou seja, 7,32% do PIB. Sem ter como pagar, esse déficit nominal realimenta a dívida do país.

Nos últimos 12 meses, o setor público arcou com nada menos que R$ 408,8 bilhões em juros: outro recorde. Isso quer dizer que os juros da dívida pública representam 7,22% de toda a produção brasileira.



 

Petrobras anuncia corte nos investimentos, de US$ 130,3 bi



A Petrobras enviou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) fato relevante contendo o plano de negócios para o período de 2015 a 2019. No documento a empresa informa que vai investir no período US$ 130,3 bilhões, uma redução de 37% em comparação ao plano anterior. É o menor nível atingido pela empresa desde 2008. São US$ 90,3 bilhões a menos que no plano anterior, de 2014-2018, que previa investimentos de US$ 220,6 bilhões.    Com isso, as ações da empresa estão em alta na Bolsa de Valores de São Paulo

A companhia informou que espera alcançar uma produção total de óleo e gás (Brasil e internacional) de 3,7 milhões de barris de óleo equivalente em 2020. O número é 30,2% menor que os 5,3 milhões previstos antes.

Só no Brasil, a produção de petróleo e gás natural sofrerá uma forte redução nos próximos anos em relação ao plano anterior. Para 2020 a produção prevista agora é de 2,8 milhões de barris diários, contra 4,2 milhões previstos anteriormente — uma queda de 33,3%. Já para este ano a produção ficará em 2,1 milhões de barris por dia contra os 2,4 milhões de barris previstos anteriormente.

REDUÇÃO DO ENDIVIDAMENTO ESTÁ ENTRE METAS

A Petrobras destaca que seu plano de negócios para os próximos cinco anos tem o objetivo principal de reduzir o elevado nível de endividamento da companhia. O plano prevê o retorno da alavancagem às seguintes metas: alavancagem líquida inferior a 40% até 2018 e a 35% até 2020, e endividamento líquido/Ebitda inferior a 3,0x até 2018 e a 2,5x até 2020.



Dos US$ 130,3 bilhões que serão investidos de 2015 a 2019, 83%, ou seja, US$ 108,6 bilhões serão aplicados nas áreas de Exploração e Produção, incluindo nesse valor US$ 4,9 bilhões em negócios no exterior.

A área de Abastecimento, que foi um dos maiores focos do caso de corrupção revelados pela Operação Lava-Jato da Polícia Federal, receberá apenas US$ 12,8 bilhões, 10% do total. Está incluída nesses investimentos a alocação de recursos para a área de distribuição. O setor de Gás e Energia terá um total de US$ 6,3 bilhões, 5% do total. Outras áreas ficarão com US$ 2,6 bilhões, 2% dos investimentos totais.

As premissas usadas pela Petrobras para a elaboração do Plano de Negócios foram: preços dos derivados no Brasil com paridade de importação; preço do Brent (médio) a US$ 60 o barril em 2015 e US$ 70 no período 2016-2019; taxa de câmbio (média a US$ 3,10 neste ano, US$ 3,20 em 2016, US$ 3,29 entre os anos 2017 e 2019, e US$ 3,56 em 2020.


LUCRO NO PRIMEIRO TRIMESTRE

Em maio, a Petrobras informou que fechou o primeiro trimestre do ano com um lucro líquido de R$ 5,330 bilhões, uma leve queda de 1% em comparação aos R$ 5,393 bilhões obtidos nos três primeiros meses do ano passado. O resultado veio acima das expectativas do mercado, que projetava números "fracos", entre R$ 2,4 bilhões e R$ 4 bilhões para o período.

A divulgação ocorreu menos de um mês depois de a Petrobras ter divulgado o balanço do terceiro trimestre do ano passado e de todo o ano de 2014, auditado, com cinco meses de atraso, por conta das investigações da Lava-Jato. A companhia registrou no ano passado um prejuízo de R$ 21,587 bilhões, o primeiro resultado negativo desde 1991.

O quarto trimestre de 2014, quando houve prejuízo de R$ 26 bilhões, foi especialmente afetado pelas baixas contábeis relacionadas à má gestão e as práticas de corrupção apontadas pela PF. No primeiro trimestre de 2015, não houve esse efeito Lava-Jato.

 

BNDES não pode mais conceder empréstimos à Petrobras

A equipe econômica aprovou, uma medida que, na prática, impede que a Petrobras obtenha novos empréstimos no BNDES. Novas operações só serão liberadas depois que o banco estiver enquadrado nas normas que todas as outras instituições financeiras no Brasil devem seguir. A regra diz que um banco não pode ter operações com um cliente cuja soma seja maior que 25% do seu patrimônio. No caso do BNDES, há uma exceção que permite que esse limite de exposição seja extrapolado com a compra de ações, o que acontece com a cliente Petrobras. Com a decisão, entretanto, o BNDES recebeu um prazo até 2024 para fazer os ajustes.

Para fazer com que o BNDES cumpra a regra que vale para os demais bancos, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou a entrada em vigor de um cronograma para que a instituição diminua a exposição gradativamente. Essa programação existe desde o início do governo Lula, mas a sua adoção foi adiada repetidamente. Com isso, a exposição da instituição financeira à Petrobras só cresceu.

Nos próximos nove anos, o BNDES terá metas para cumprir a cada três anos. Depois de 2024, o banco receberá a punição que qualquer outra instituição recebe quando não obedece essa regra: qualquer valor desenquadrado tem de ser debitado do capital do banco, ou seja, reduz a capacidade de empréstimo.

Numa mudança de postura em relação ao papel do BNDES, a nova equipe econômica não apenas validou o cronograma, que começa em 1º de julho, como criou o impedimento para novos empréstimos. Nos anos anteriores, a política era financiar a petroleira com os recursos subsidiados.

— Estamos colocando uma trava nova — frisou Rodrigo Lara Pinto Coelho, chefe do departamento de Regulação Prudencial e Cambial do Banco Central.



ALÍVIO PARA BANCOS PEQUENOS E MÉDIOS

Devido ao cenário de desaceleração do crédito, o CMN mudou as regras para facilitar que bancos com queda no volume de empréstimos possam oferecer títulos públicos como garantias ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Antes, as instituições financeiras tinham de ofertar carteira de empréstimos como garantia.

A medida deve dar um alívio aos bancos pequenos e médios porque, na prática, cria um "cheque especial" para os bancos com o FGC. Esse foi um pedido de instituições que afirmaram precisar da medida porque perderam empréstimos por causa da portabilidade de financiamento e da recessão econômica.

— A gente viu que algumas garantias estavam diminuindo. A ideia é oferecer a garantia de qualidade em operações — afirmou José Reinaldo de Almeida Furlani, chefe de gabinete da diretoria de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central.

 

Renda média do trabalhador já cai, no ano, 5% além da inflação



O delicado momento da economia brasileira — com desemprego e inflação em alta e crédito mais caro — está esmagando a renda do trabalhador. A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) de maio, divulgada pelo IBGE, mostrou que o rendimento médio já acumula queda no ano de 5%, já descontando a inflação: em maio do ano passado o valor era de R$ 2.229,28. No mês passado, R$ 2.117,10.

O Rio foi a região metropolitana com maior queda na renda, de 6,3% frente a maio de 2015. De acordo com Adriana Beringuy, técnica do IBGE, essa taxa mais intensa é explicada pelo rendimento nas áreas de comércio e em serviços prestados à empresa, que tiveram perdas de 14,4% e 11,6%, respectivamente. Juntos, esses dois setores respondem por 33% da força de trabalho no Rio.

— O único grupamento com aumento de renda no Rio foi a construção, que só representa 7% da população ocupada — apontou Adriana.

Em maio frente a abril, a queda real nas seis regiões metropolitanas analisadas pela PME (Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre) foi de 1,9%, a quarta seguida nessa comparação. Em abril de 2015, a renda média real era de R$ 2.158,74. A massa de rendimento médio habitual (montante recebido por todos os trabalhadores) recuou 1,8% frente a abril e 5,8% em relação a maio de 2014, para R$ 48,9 bilhões.

Por grupamento de atividade, a maior queda no rendimento em relação a maio de 2015 ocorreu em serviços às empresas, de 9,2%, para R$ 2.548,20. Na indústria, o recuo foi de 2,8%, para R$ 2.209,30. A única atividade a registrar aumento no rendimento em maio — frente ao ano passado — foi em serviços domésticos, de 1%, para R$ 946,20.

Para o professor de economia da Unicamp Claudio Dedecca, mais do que o aumento do desemprego, a perda de renda do trabalhador será a grande ferramenta de ajuste da economia.
A renda será o grande elemento de ajuste da economia. Como a inflação acelerou muito, começou a comer os aumentos mais cedo. Antes, o salário mínimo era reajustado e o ganho real só desaparecia seis meses depois. Agora, isso ocorreu em dois meses. As convenções trabalhistas também estão, na melhor das hipóteses, cobrindo a inflação — avalia. — Minha desconfiança é de que isso (a perda de renda do trabalhador) entrará em 2016.

A taxa de desemprego ficou em 6,7% em maio, nas seis regiões metropolitanas. É maior taxa para o mês desde 2010, quando foi de 7,5%. Em abril, a taxa já havia subido de 6,2% em março para 6,4%, a maior desde maio de 2011. Em maio de 2014, a taxa foi de 4,9%.

Considerando toda a série histórica, que teve início em março de 2002 — e não apenas os meses de maio —, a taxa de desemprego de maio foi a maior desde agosto de 2010, quando também foi de 6,7%.

Governo quer evitar reajuste para aposentados do INSS

 


O governo se prepara para enfrentar mais uma batalha no Congresso, na votação da Medida Provisória 672, que estabelece a política de reajuste do salário mínimo. Parlamentares apresentaram emendas estendendo a fórmula - inflação mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes - para as aposentadorias do INSS superiores ao mínimo. A presidente Dilma Rousseff fez uma reunião,  com quatro ministros, e acertou que o governo vai trabalhar para evitar a aprovação da mudança. Segundo o ministro da Previdência, Carlos Gabas, a aplicação da regra para todos os benefícios representa um gasto extra de R$ 9,2 bilhões ao ano.

— Isso traz um impacto enorme na Previdência Social e é inviável. Se essa regra fosse aplicada, nós teríamos um gasto extra com Previdência Social de R$ 9,2 bilhões. Isso é metade do ajuste que foi feito com tanto esforço pelo governo. Isso inviabiliza a nossa estratégia de estabilidade da Previdência e de proteção previdenciária para a sociedade — disse Gabas. Pela regra atual, os benefícios acima do mínimo são reajustados pelo INPC.

Segundo o ministro, se a emenda for aprovada, neste ano, o gasto extra será de R$ 4,6 bilhões, porque valeria por seis meses.

Ao voltar do Rio, a presidente reuniu no Palácio do Planalto, além de Gabas, os ministros Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento) e Aloizio Mercadante (Casa Civil). Para derrubar a proposta, Dilma orientou os ministros a procurarem os deputados para mostrar o impacto nas contas da Previdência e os problemas de vincular o reajuste dos benefícios.

— Uma proposta como essa coloca em alto risco a sustentabilidade da Previdência Social — afirmou Gabas, acrescentando em seguida:

— Isso inviabiliza a Previdência ou inviabiliza a política de crescimento do salário mínimo. Por isso, vamos para o Congresso debater a necessidade de manter a sustentabilidade da Previdência. Ou seja, esta emenda não pode passar.

Atualmente, a Previdência paga 27,8 milhões de benefícios, sendo 17,9 milhões (64%) equivalentes a um salário mínimo, com um gasto total de R$ 26,7 bilhões.



 

Produção industrial e emprego seguem em queda em maio

 

A atividade da indústria brasileira continua em queda, segundo sondagem divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O índice de evolução da produção ficou em 41,7 pontos. Já o índice de evolução do emprego caiu para 41,4 pontos em maio, atingindo novo piso histórico. Pontuação abaixo de 50 indicam queda. Quanto mais abaixo da linha divisória, maior o recuo na comparação com o mês anterior.

"Esse resultado demonstra uma redução disseminada da produção industrial, ainda que menos intensa do que a de abril, quando o índice foi de 39,7 pontos", destaca o relatório. "A sondagem industrial de maio expõe a persistência da baixa atividade industrial e o pessimismo sobre a
melhora da situação da indústria brasileira no curto prazo".

O nível médio de utilização da capacidade instalada das indústrias recuou 1 ponto percentual, para 66%. Em maio de 2014, o índice estava em 71%. Ainda de acordo com a sondagem, o nível de uso do parque fabril efetivo em relação ao usual para o mês atingiu seu piso histórico de 34,9 pontos, o que indica elevada ociosidade da capacidade produtiva da indústria brasileira.

Já os estoques aumentaram em maio. O índice de sua evolução subiu para 51,2 pontos (acima da linha divisória, o que indica aumento dos estoques).

As expectativas continuam pessimistas em maio e o índice de Intenção de Investimento continuou em queda, atingindo o menor valor da série (43 pontos).

 

Déficit nas contas externas do Brasil cai em maio



Com o dólar alto que incentiva as exportações e prejudica os gastos dos brasileiros no exterior, o rombo das contas externas brasileira caiu mais da metade em maio. O déficit de todas as trocas de serviços e do comércio do país com o resto do mundo ficou em US$ 3,4 bilhões: 57% a menos que no mesmo mês do ano passado. Os dados foram divulgados  pelo Banco Central.

— As contas externas são impactadas, principalmente, pela alta do dólar e menor dinamismo da economia — frisou o chefe do departamento econômico, Túlio Maciel, completando:

— Essa redução do déficit da conta corrente se reflete em várias contas como balança comercial, balança de serviços e rendas.

Segundo a autoridade monetária, os dados dos cinco primeiros meses do ano também mostram uma mudança do perfil das contas externas do país. O rombo em transações correntes caiu de US$ 44,9 bilhões para 35,8 bilhões.

No entanto, os investimentos estrangeiros no país também caíram. Em maio do ano passado, entraram US$ 9,6 bilhões. Agora, o ingresso foi de US$ 6,6 bilhões. Apesar da queda, ele cobre com folga o déficit das contas externas.

Para os especialistas, isso é considerado o melhor tipo de financiamento, já que o investimento chega para aumentar a capacidade de produção das fábricas. No ano, o Brasil já recebeu US$ 25,5 bilhões: 35% a menos que nos cinco primeiros meses de 2014.

O investimento deve ficar praticamente estável em relação ao que entrou no ano passado: 4,12% do Produto Interno Bruto (PIB). Isso porque o BC espera o ingresso de US$ 80 bilhões. No ano passado, a entrada foi de US$ 96,9 bilhões, mas a estimativa do Banco Central leva em consideração que a economia brasileira vive uma recessão.


Nesse quadro de queda da atividade e dólar mais alto, a importação deve cair, a exportação subir, as viagens para o exterior devem ser adiadas e as empresas devem remeter menos lucro para o exterior. Isso tudo faz um ajuste nas contas externas — que passaram anos quebrando recordes seguidos de déficit.

GASTOS DOS TURISTAS

Os números já demonstram isso. Em maio, os gastos dos turistas brasileiros caíram nada menos que 37% em relação ao mesmo mês do ano passado. As despesas foram de US$ 1,4 bilhão. Enfim, chegou a desaceleração que o Banco Central espera há um ano.

Remessas de lucros e dividendos são outro exemplo. A queda foi ainda maior: 41%, já que as multinacionais mandaram apenas US$ 1,9 bilhão em maio.

 

País fechou 115 mil vagas em maio, pior resultado desde 1992

O país voltou a perder vagas de empregos formais em maio. No mês passado, foram fechados 115.599 postos de trabalho, segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

É o pior resultado para meses de maio desde o início da série histórica do indicador, em 1992. Também é a primeira vez que há corte de vagas em um quinto mês do ano. Considerando todos os meses, o resultado é o pior desde dezembro, quando foram cortados 555 mil postos de trabalho.

"Ainda não é um mês bom, mas toda essa redução do discurso de que parece que o emprego acabou representa 0,9% do estoque que nós temos, não é um desastre", afirmou o ministro do Trabalho, Manoel Dias.

"Historicamente, o primeiro semestre nunca é o melhor período para a geração de empregos. A economia se avoluma geralmente no segundo semestre".

Os dados foram apresentados em Mato Grosso por Dias, que justificou a escolha informando que o estado foi o que mais gerou emprego no mês.

"Tem setores da economia que estão bem e outros com maior dificuldade. Mas até o final do ano nós vamos retomar os investimentos todos que são necessários para a geração de emprego", afirmou Dias. "Só o fundo de garantia que é dos trabalhadores vai ter o maior investimento da sua história."

Brasil e exterior
O ministro minimizou a perda de empregos comparando a situação do Brasil com a do exterior. "Um país que dobra seu mercado de trabalho, que dobra mercado de emprego e que aumenta em 73% o salário mínimo e aumenta em 34% a renda de todas as pessoas enquanto que o mundo está em crise."

"Você vai na Europa, estive lá agora na OIT, a Espanha tem 42% de desempregados, jovens são 58%, França, Portugal e nós passamos ao largo da crise e conseguimos chegar até aqui. Precisamos agora ajustar, de vez em quando tem que dar uma parada para ajustar."

De acordo com o ministro, a atual crise é mais política que econômica, mas acaba afetando os dois aspectos: "Toda crise é política que afeta a economia. Porque se deixar impressionar pelo discurso de certos setores, se você vai comprar um automóvel vai postergar, vai deixar para comprar depois. Ia comprar um apartamento você deixa para depois e sucessivamente".

Acumulado do ano
No acumulado dos cinco primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, foram fechados 243.948 postos com carteira assinada. Este foi o pior resultado para este período da série histórica disponibilizada pelo Ministério do Trabalho, que começa, para o período acumulado do ano, em 2002.

Também foi a primeira vez, para os cinco primeiros meses de um ano, desde 2002, que o saldo ficou negativo. Os saldos de janeiro a abril foram contabilizados após o ajuste para empregos declarados fora do prazo, e o mês de maio ainda está sem ajuste.

Em 12 meses, o país já acumula a perda de 452.835 postos de trabalho.

Setores
A indústria foi responsável pelo maior corte de vagas no mês: foram 60.989 postos perdidos no período. "Os ramos que apresentara as maiores quedas foram: Indústria de Produtos Alimentícios (-8.604 postos), Indústria Mecânica (-8.373 postos), Indústria Metalúrgica (-7.861 postos) e Indústria de Material de Transporte (- 7.715 postos)", informou o governo.

A construção civil cortou 29.795 vagas, enquanto os serviços perderam 32.602. No comércio, foram 19.351 vagas a menos. A agricultura foi o único setor a contratar no mês, ganhando 28.362 vagas.

"A elevação do emprego na agricultura (+28.362 postos de trabalho), decorrente, em parte, da presença de fatores sazonais, foi proveniente principalmente do desempenho positivo das atividades ligadas ao cultivo de café (+16.820 postos), às Atividades de apoio à Agricultura (+4.478 postos), às de cultivo de laranja (+4.026 postos) e às de cultivo da cana-de-açúcar (+4.000 postos)", acrescentou o Ministério do Trabalho.

No acumulado dos cinco primeiros meses deste ano, a indústria registrou a demissão de 98.053 trabalhadores formais, enquanto que a construção civil teve 108.573 desligamentos e o comércio registrou a perda de 159.315 empregos. Os serviços, por sua vez, contrataram 78.061, a administração pública teve 14.483 admissões e a agricultura registrou 35.589 abertura de vagas.

Regiões
No recorte por regiões, houve fechamento de vagas em todas elas em maio. No mês passado, o Sudeste registrou o pior resultado, com 46.267 vagas a menos.

No Nordeste, foram cortados 34.803 postos, enquanto Sul e Norte perderam, respectivamente, 23.893 e 7.948 vagas, respectivamente.

Já na região Centro-Oeste, foi registrada a demissão de 2.688 trabalhadores com carteira assinada, segundo os dados do Ministério do Trabalho.

 

Governo discute com TCU mudança em concessão de portos

 


O governo já começou a discutir com o Tribunal de Contas da União (TCU) mudanças nas regras de concessão de portos, para incluir a cobrança de outorga no primeiro lote, com previsão de lançamento ainda neste ano. Segundo o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, o impacto financeiro sobre os projetos ainda depende da realização de novos estudos.

Inicialmente, o governo pretendia cobrar outorga a partir do segundo lote, pois o primeiro já havia sido aprovado pelo tribunal. Os investimentos previstos em portos no programa de concessões são estimados em R$ 37,4 bilhões. Agora, o tribunal deve analisar as mudanças depois que o governo apresentar um estudo com o impacto aos projetos já aprovados. Até então, os critérios para o primeiro lote priorizavam a menor tarifa e o volume de movimentação de carga.

— Foi feito um cálculo financeiro com valor de arrendamento, como se tivesse que ser pago por mês. Agora, tem que fazer o cálculo com o valor de outorga, que é paga no início (da concessão). Isso a gente vai fazer — disse Barbosa, no Fórum de Infraestrutura promovido pela Câmara Espanhola de Comércio no Brasil e pelo jornal "El País".

Segundo Barbosa, na visita que fez terça-feira com o secretário dos Portos, Edinho Araújo, ao TCU, os ministros se mostraram "receptivos" e dispostos a analisar o pleito com rapidez:

— Isso será feito nas próximas semanas e submetido ao TCU. A partir daí, a ministra Ana Arraes, relatora do processo no TCU, vai deliberar se é possível ou não incluir a outorga nas licitações listadas pelo governo e que já haviam sido aprovadas pelo tribunal. A princípio, a recepção foi bem positiva.

O ministro voltou a defender o projeto da Ferrovia Bioceânica, que pretende ligar o Brasil ao Peru, estimado em R$ 40 bilhões e classificado por especialistas como de difícil execução. Segundo ele, o trecho em território brasileiro da ferrovia deve melhorar o escoamento da safra de grãos. Barbosa disse que os estudos devem ser concluídos em maio de 2016, e os leilões ocorreriam em etapas a partir do segundo semestre de 2016.

Segundo especialistas, o novo Programa de Investimento em Logística (PIL) pode atrair novos players para o setor de ferrovias, hoje dominado por quatro empresas. Um dos trechos que serão leiloados conecta Lucas do Rio Verde (MT) a Miritituba (PA), criando uma alternativa para o escoamento da soja para a Região Norte. Analistas avaliam que as empresas que comercializam grãos no país e que hoje dependem de ferrovias de terceiros para alcançar portos do Sul e do Sudeste teriam interesse em participar da disputa. Duas delas, a americana ADM e a francesa Dreyfus, dizem que "estão atentas a oportunidades" do PIL. O trecho tem 1.140 quilômetros e estimativa de demanda de investimentos de R$ 9,9 bilhões.

— É o projeto capaz de atrair o agronegócio. Grandes traders (comercializadoras) podem se interessar e reduzir a dependência em relação aos corredores de exportação de Sul e Sudeste — diz Rodrigo Villaça, ex-presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários.

A maior parte da produção de grãos é exportada pelos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), que estão saturados. As quatro traders com forte atuação no agronegócio — ADM, Bunge, Cargill e Dreyfus — concentram operações nesses terminais, mas buscam rotas pelo Norte.

A ADM opera, desde setembro de 2014, um terminal portuário em Barcarena (PA), o que ampliou a logística de transportes de grãos ao exterior. A empresa disse que "se mantém atenta a novas oportunidades de melhorias em relação à logística de escoamento de grãos". A Dreyfus disse que "está atenta às oportunidades de negócios do PIL, incluindo, mas não se limitando, aos projetos de infraestrutura da Região Norte". A empresa faz o escoamento de grãos por portos como o de Itaqui (Maranhão), Santos (SP), Paranaguá (PR), Tubarão (ES), Rio Grande (RS) e Aratu (BA), e estuda investimentos em novos corredores logísticos.



Bunge e Cargill buscam rotas alternativas que passam por Miritituba. As duas evitaram comentar a possibilidade de participar dos leilões de ferrovias, mas confirmaram seu interesse no corredor Norte.

A Bunge investiu R$ 700 milhões na infraestrutura portuária e na logística, esta última em parceria com a Amaggi, para viabilizar nova rota de escoamento. Os grãos seguem do Centro-Oeste por caminhão pela BR-163 até a estação de transbordo em Miritituba, de onde a carga é transportada em barcaças pelo Rio Tapajós até o Porto de Vila do Conde (PA). A Cargill vai construir estação de transbordo em Miritituba, mas usará o Porto de Santarém, onde já possui um terminal.

Para Renato Pavan, da consultoria Macrologística, o interesse das traders na ferrovia é real. Ele pondera, porém, que o governo deveria ter estendido o trecho a ser concedido nos dois extremos: no Pará, até Santarém, e no Mato Grosso, até Rondonópolis. Isso permitiria que a ferrovia fosse usada pelas indústrias da Zona Franca de Manaus para alcançar o mercado paulista, maior consumidor dos produtos industrializados amazonenses. Os itens iriam de Manaus a Santarém em barcaças e seguiriam por ferrovia até Rondonópolis, onde há conexão com outra ferrovia até São Paulo. Hoje, o trajeto é feito por rodovias ou cabotagem.

Governo estuda participação privada na geração nuclear



A participação da iniciativa privada na geração de energia nuclear será possível sem que seja necessário alterar a Constituição. A informação foi dada  pelo Diretor de Planejamento da Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, durante o VI Seminário Internacional de Energia Nuclear, no Rio de Janeiro. O executivo lembrou que o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, vem falando sobre o assunto, e confirmou que o governo já está trabalhando no modelo que poderá adotar.

Existe a vontade política e o ministro (Eduardo Braga) já deixou isso bem claro. Agora como vai se modelar isso, depende da legislação atual. Tem duas maneiras: uma sem alterar a Constituição ou alterando — destacou Leonam.

Sem alterar a Constituição, seria possível desde que se preserve a operação da usina pelo ator estatal. Seria permitida uma parceria na qual a empresa privada poderia até entrar de forma majoritária.

— A parceria pode ser até majoritária desde que a responsabilidade da operação fique sob controle estatal. Assim estaria atendendo a Constituição e se poderia fazer composições de parceria de forma a ser atrativo para o investidor investir nessa instalação — explicou Leonam.

A outra forma, que exigiria mudança na Constituição, seria mudar o atual regime para o de concessão, como foi feito no setor de petróleo. Já existe uma proposta de emenda constitucional tramitando no Congresso nesse sentido. Leonam disse não ser favorável à alterações na Constituição porque além da maior demora, seria uma mudança muito abrupta no modelo do setor nuclear brasileiro e poderia não atrair investidores.

— Não estamos discutindo o monopólio sobre materiais nucleares. Essa é uma razão que leva a operação a continuar com a Eletronuclear, porque precisa comprar e usar esse material — explicou Leonam.

Durante o seminário os participantes estão destacando a necessidade de se dar continuidade ao programa nuclear brasileiro, independente do seu ritmo, não só para evitar a perda do conhecimento tecnológico desenvolvido ao longo das últimas décadas, mas também por ser a energia nuclear uma das melhores opções para complementação da energia hidrelétrica na base do sistema elétrico.



Segundo Leonam as opções existentes para a geração na base são as térmicas a gás natural, a carvão e a energia nuclear. As térmicas a gás tem o desafio de se conhecer o real potencial de reservas e a possibilidade do desenvolvimento da produção e a que custos. Já as térmicas a carvão vão contra a tendência mundial de redução das emissões de CO2 na natureza e exigirão pesados investimentos para mitigar essas emissões. Assim, segundo Leonam, a opção nuclear surge como uma das mais limpas, seguras e de menor custo.

— Acredito que o momento hoje é de dar atenção , dar um peso importante à segurança do abastecimento. Energia é um insumo caro, o problema é que esse caro traga junto com ele a segurança no abastecimento. A energia nuclear tem o enorme desafio que é a aceitação pública — destacou Leonam, ao lembrar que o preço da energia gerada em Angra 1 e Angra 2 é de R$ 160 o megawatt/hora.

A Eletronuclear continua desenvolvendo os trabalhos e estudos para definição dos futuros locais onde poderão ser construídas novas centrais nucleares no Brasil. O executivo disse que os trabalhos estão em ritmo lento, devido à escassez de recursos, mas continuam enquanto o governo federal não anunciar uma posição em relação ao futuro do programa nuclear brasileiro. Atualmente, o país tem Angra 1 e Angra 2 em operação e está construindo Angra 3, que atrasou 23 anos em suas obras, e agora está prevista para ser concluída em 2018 com 1.400 MW de capacidade.

 

Embraer anuncia pedidos no valor de US$ 2,6 bilhões

A fabricante brasileira de aviões Embraer anunciou, na feira de Paris, a confirmação de 50 pedidos firmes para seus jatos regionais de corredor único, avaliados em um total de US$ 2,6 bilhões. As encomendas, que também incluem dezenas de opções para mais jatos, vêm de companhias aéreas como United Airlines, United Continental Holdings, SkyWest e Colorful Guizhou, e da empresa de leasing Aircastle.

A Embraer é a terceira maior fabricante mundial de aviões comerciais. E o pedido mais importante foi da americana Aircastle e inclui 50 unidades do futuro E-Jets E2. A United Airlines encomendou 28 aviões; a Colorful Guizhou Airlines, 17; e a SkyWest Airlines, oito.

O anúncio foi feito no primeiro dia do Salão Aeronáutico de Le Bourget, nos arredores de Paris. O evento, que acontece a cada dois anos em alternância com o Salão de Farnborough, em Londres, espera receber 315 mil visitantes, incluindo 140 mil profissionais do setor.

Já a Embraer Defesa & Segurança e a República de Mali firmaram contrato para a aquisição de seis aviões turboélice de ataque leve e treinamento avançado A-29 Super Tucano. O acordo inclui suporte logístico para a operação do aviões e um sistema de treinamento para pilotos e mecânicos da Força Aérea de Mali.

Antes do pronunciamento da Embraer sobre os contratos, surgiram rumores de que a companhia também estaria em negociação para a venda de cerca de 20 jatos de passageiros E-195 para a Gol Linhas Aéreas e outros 20 para a Latam Airlines, disseram fontes próximas ao tema. A Embraer, no entanto, não confirmou nem comentou a informação.



 

Caderneta registra em 12 meses maior perda real desde 2003



A caderneta de poupança acumula, até maio de 2015, o pior resultado em 12 meses desde outubro de 2003, segundo estudo divulgado pela consultoria Economática. A aplicação tem perda real (rendimento abaixo da variação da inflação) de 1,06% no período, o quarto mês seguido de rendimento real negativo nos 12 meses anteriores. Em maio de 2015, a perda real foi de 0,12%, a sexta perda mensal seguida. No ano, a queda real é de 2,15%. Nos primeiros cinco meses de 2015, o rendimento real está negativo em 2,15%.

Em 12 meses a poupança só ganha da Bolsa, que acumula perda real de 5,07%, informa a Economática, que usou como referência o IPCA, índice oficial de inflação. Quem aplicar R$ 100 mil na poupança recebe, ao fim de 12 meses, um retorno líquido de R$ 7.700. A caderneta é isenta de Imposto de Renda. Um CDB de banco médio, por exemplo, renderia no período R$ 13.088 líquidos.

O desempenho ruim da tradicional aplicação se reflete na captação do investimento, também pressionado pelo baixo crescimento econômico e pela perda de renda com o avanço da inflação. Em maio, os saques superaram os depósitos em R$ 3,199 bilhões, a quinta queda consecutiva registrada em 2015, segundo o Banco Central.



No acumulado do ano, a captação líquida da poupança está negativa em R$ 32,278 bilhões. Houve mais retiradas do que depósitos em todos os meses, sendo que o pior resultado foi registrado em março, quando a captação líquida foi negativa em nada menos que R$ 11,438 bilhões. O valor foi um recorde na série histórica da autoridade monetária, iniciada em 1995.

Em maio do ano passado, a caderneta teve captação líquida positiva de R$ 2,270 bilhões. Já no acumulado dos cinco primeiros meses de 2014, o total era positivo em R$ 6,388 bilhões.



Essa mudança de cenário se deve principalmente ao aumento da taxa básica de juros, a Selic, que vem sendo feita pelo BC para conter a inflação. Esse movimento torna outros tipos de investimento mais atraentes, como fundos e depósitos a prazo. Já no caso da poupança, quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a remuneração dos investidores fica limitada a 6,175% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR).

O BC elevou a Selic de 13,25% para 13,75% ao ano este mês. Essa foi a sexta alta consecutiva dos juros, que atingiram o maior patamar desde agosto de 2006, quando a taxa estava em 14,25% ao ano.

De acordo com os dados divulgados hoje, mesmo com os saques, o patrimônio total da poupança subiu entre abril e maio, passando de R$ 648,3 bilhões para R$ 648,7 bilhões. Isso porque foram creditados rendimentos de R$ 3,662 bilhões no período.

 

Produção de petróleo da Petrobras no Brasil em maio cai 1%

 

A produção de petróleo da Petrobras no Brasil atingiu 2,111 milhões de barris/dia (bpd) em média em maio, queda de 1% ante abril, com impacto de paradas programadas para manutenção de plataformas, informou a empresa.

A estatal informou ainda que a produção de petróleo e gás natural no Brasil em maio somou 2,574 milhões de barris/dia (óleo equivalente), queda de 0,8% ante abril.


Segundo a Petrobras, o efeito negativo na produção de um maior número de paradas programadas de plataformas para manutenção em maio em relação ao mês anterior “foi parcialmente compensado pela entrada em operação do sistema de produção antecipada do campo de Atapu (na área da cessão onerosa), com o FPSO Cidade de São Vicente, no pré-sal da Bacia de Santos”.

Além disso, disse a Petrobras, foi recuperada a produção da plataforma P-58, na área conhecida como Parque das Baleias, na Bacia de Campos, após parada para manutenção concluída em abril.

Considerando a produção de petróleo e gás natural no Brasil e no exterior, a extração somou 2,766 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), queda de 0,7% ante abril, mas um aumento de 6,2% ante maio de 2014.



A produção da Petrobras tem subido em relação ao mesmo mês do ano passado pelo avanço da produção no pré-sal, que, segundo a empresa, atingiu recordes.

“No mês de maio, a Petrobras bateu dois novos recordes mensais de produção no pré-sal”, ressaltou a companhia.

A produção operada atingiu 726 mil bpd, com aumento de 1,6% em relação a abril. Desse total, a parcela própria atingiu nova marca histórica de 519 mil bpd, superando em 3,2% o patamar de abril.

 

Estimativa do BC, gasolina deve subir 9,1% e energia 41%

 

A gasolina e a energia elétrica, principalmente, devem ter altas expressivas este ano, segundo estimativa do Banco Central. Em ata da reunião que elevou a taxa Selic para 13,75%, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC estimou em 41% o aumento da energia elétrica este ano – acima da estimativa de alta 38,3% em abril.

Para a gasolina, a previsão de alta neste ano ficou um pouco menor: passou de 9,8% em abril para 9,1% na última reunião.

No começo deste ano, o governo anunciou aumento da tributação sobre a gasolina, por meio da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), do PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Essa alta foi repassada para os preços.

Já a estimativa de alta de 41% no preço da energia elétrica em 2015 reflete do repasse às tarifas do custo de operações de financiamento, contratadas em 2014, da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

O governo anunciou, no início deste ano, que não pretende mais fazer repasses à CDE – um fundo do setor por meio do qual são realizadas ações públicas – em 2015, antes estimados em R$ 9 bilhões. Com a decisão do governo, as contas de luz dos brasileiros podem sofrer em 2015, ao todo, aumentos ainda superiores aos registrados no ano passado.

Custo de produção maior
O custo de produção de eletricidade no país vem aumentando principalmente desde do final de 2012, com a queda acentuada no armazenamento de água nos reservatórios das principais hidrelétricas do país.

Para poupar água dessas represas, o país vem desde aquela época usando mais termelétricas, que funcionam por meio da queima de combustíveis e, por isso, geram energia mais cara. Isso encarece as contas de luz.

Entretanto, também contribui para o aumento de custos no setor elétrico o plano anunciado pelo governo ao final de 2012 e que levou à redução das contas de luz em 20%.

Para chegar a esse resultado, o governo antecipou a renovação das concessões de geradoras (usinas hidrelétricas) e transmissoras de energia que, por conta disso, precisaram receber indenização por investimentos feitos e que não haviam sido totalmente pagos até então. Essas indenizações ainda estão sendo pagas, justamente via CDE.

Gás de cozinha e telefonia fixa
O Banco Central estimou ainda, na ata do Copom divulgada na manhã desta quinta-feira, que o preço do gás de cozinha deve ter um aumento de 3% neste ano, enquanto que a telefonia fixa deve ter queda de 4,4% em 2015.

Preços administrados
Com a alta da tributação sobre gasolina e fim de repasses para a conta de luz, o Banco Central informou que prevê, para o conjunto de preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros), um aumento de 12,7% neste ano.

 

Juros do crédito sobem e chegam ao maior patamar desde 2010
 


O consumidor voltou a pagar juros mais altos nas operações de crédito no mês de maio. A taxa de juros média para pessoa física apresentou uma elevação de 0,10 ponto percentual no mês passado, passando de 6,77% ao mês em abril (o equivalente a 119,48% ao ano) para 6,87% (121,96% ao ano). É a maior taxa de juros desde junho de 2010 e a oitava elevação consecutiva, acompanhando o movimento de alta da taxa básica de juros (Selic) que o Banco Central vem promovendo para tentar conter a alta da inflação.

O levantamento foi feito pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac). Segundo a pesquisa, entre seis linhas de crédito analisadas, todas tiveram suas taxas de juros elevadas no mês, entre elas juros do comércio, cartão de crédito rotativo, cheque especial, CDC-bancos-financiamento de veículos, empréstimo pessoal nos bancos e empréstimo pessoal nas financeiras.

Os juros do comércio subiram de 5,16% para 5,21% ao mês, enquanto os do cartão de crédito, os mais altos da praça, passaram de 12,14% para 12,34%. A taxa do cheque especial saltou de 9,74% para 9,90% e o CDC nos bancos para a compra de veículos foi de 2,03% para 2,08%. Os juros do empréstimo pessoal nos bancos foi de 4% para 4,06% e nas financeiras saltou de 7,54% para 7,60%.

Para o diretor da Anefac responsável pela pesquisa, Miguel Ribeiro de Oliveira, vários fatores explicam a escalada dos juros no comércio nos últimos meses. Ele lembra que o crédito apertado, o endividamento das famílias e os juros altos aumentam o risco de crescimento da inadimplência.


A inflação mais elevada, o aumento de impostos e juros maiores reduzem a renda das famílias. E o cenário de baixo crescimento econômico se reflete no aumento dos índices de desemprego. Assim, as instituições financeiras aumentam suas taxas de juros para compensar prováveis perdas com a alta da inadimplência — diz Ribeiro de Oliveira.

Ele cita também que a elevação da carga tributária para o sistema financeiro que aumentou a CSLL (Contribuição Social sobre o lucro líquido) de 15% para 20% inevitavelmente será repasse para as taxas de juros das operações de crédito.

Para o diretor da Anefac, como a expectativa é que o Banco Central continue elevando a Selic, novos aumentos dos juros ao comércio devem ser registrados nos próximos meses.




 

HSBC anuncia venda e fim de atividades no Brasil

O banco britânico HSBC anunciou  que vai vender unidades e encerrar quase todas as suas atividades no Brasil e na Turquia até 31 de dezembro de 2016. Uma "participação modesta" será mantida no Brasil para atender grandes clientes corporativos.

As mudanças são parte de um plano de reestruturação para economizar entre US$ 4,5 bilhões e US$ 5 bilhões até 2017. O objetivo do banco é concentrar a atuação na Ásia, principalmente na China e na Índia.

A instituição financeira ainda deve reduzir seu quadro de funcionários no mundo em cerca de 50 mil. Desses, entre 22 e 25 mil serão cortados em todo o mundo.

A redução dos outros 25 mil deverá vir da venda das operações no Brasil e na Turquia. Esses funcionários deixarão os quadros do HSBC, mas não serão necessariamente demitidos, já que passarão a fazer parte dos quadros das instituições compradoras. Só no Brasil, o banco britânico tem mais de 21 mil funcionários.

Objetivos da empresa
O HSBC Holdings confirmou, em nota enviada por e-mail, que pretende vender a sua operação no Brasil, mas planeja manter presença no país para atender aos clientes corporativos de grande porte em suas necessidades internacionais.

“O HSBC Brasil está em um processo de venda e não de encerramento de suas operações no País. O banco segue operando normalmente e, mesmo após a venda, seguirá prestando serviços aos seus clientes. O HSBC está empenhado em garantir a continuidade do negócio e uma transição suave e coordenada para um potencial comprador”, informou na nota.

“Reconhecemos que o mundo mudou e precisamos mudar com ele”, disse o CEO Stuart Gulliver.

O banco informou que o objetivo das mudanças é acelerar seus investimentos na Ásia, "capturando as esperadas oportunidades da riqueza emergente na região".

"O mundo está cada vez mais conectado, e a Ásia deverá mostrar alto crescimento e se tornar o centro do comércio global ao longo da próxima década. Estou confiante que nossas ações nos permitirão capturar as oportunidades futuras de crescimento e entregar mais valor aos acionistas", afirmou Gulliver.

O HSBC estuda ainda a possibilidade de transferir sua sede de Londres para a Ásia – o que deve acontecer até o final deste ano – e busca melhorar suas operações no México e nos Estados Unidos.

Entre 2011 e 2014, o banco já havia cortado 40 mil postos de trabalho, para reduzir os custos e para concentrar o grupo nas atividades consideradas estratégicas.

Unidades no Brasil
Em maio, o principal executivo do banco espanhol Santander no Brasil, Jesús Zabala, declarou que estudaria a possibilidade de adquirir a atividade brasileira do HSBC.

No Brasil, o HSBC tem 853 agências em 531 municípios, 452 postos de atendimento bancários, 669 postos de atendimento eletrônico e 1.809 ambientes de autoatendimento, com 4.728 caixas automáticos.

 

Em maio as montadoras brasileiras tiveram queda de produção de 25,3%

O setor automotivo continua em queda no Brasil. A produção de veículos de janeiro a maio foi de 1,092 milhão, um recuo de 19,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Em maio, as montadoras instaladas no país produziram 210,1 mil unidades, queda de 25,3% em relação ao mesmo mês em 2014. Os dados foram pela Anfavea, a associação dos fabricantes de veículos do país.

Já as vendas caíram 20,9% do acumulado do ano, passando de 1,399 milhão de unidades para 1,106 milhão de unidades. No mês passado, foram licenciados 212,7 mil veículos, um declínio de 27,5%, em relação a maio do ano passado.

A Anfavea previu queda de 17,8% na produção de veículos no Brasil em 2015, piorando expectativa anterior divulgada em abril de queda de 10%.

Para as vendas de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus, a indústria prevê agora baixa de 20,6% em 2015, frente a uma projeção anterior de queda de 13,2%.

— As vendas de maio foram bastante piores do que esperávamos — disse o presidente da entidade, Luiz Moan. - O ajuste fiscal que ainda não foi aprovado impacta bastante o movimento das vendas e por isso tivemos que rever, pela segunda vez, as nossas projeções para o ano - falou Moan.

Frente a abril, a produção de veículos no Brasil caiu 3,4%. As vendas recuaram 3% na mesma base de comparação, para 212,7 mil veículos.

Já em relação a caminhões, o presidente da Anfavea afirmou que os números de vendas de caminhões em maio é o mesmo obtido em maio de 2003. - Em caminhões, retornamos 12 anos - disse. Moan disse ainda que a produção de veículos pesados retorna ao patamar de maio de 1999.

EMPREGOS

A Anfavea fez um estudo que aponta que 25 mil empregados nas montadoras estão em regime de layoff, férias coletivas e licenças neste mês. As medidas foram adotadas pelos fabricantes de veículos para conter a produção e regular o estoque, que está há 51 dias em 361,1 mil carros.

- Temos claramente um excedente de pessoal. Nossa produção atual gira em torno da mesma dos anos 2006 e 2007. E as montadoras empregam 138 mil pessoas, o mesmo que em 2010 - revelou o presidente da entidade.

 

Em 3 meses,  mais de 400 mil trabalhadores perderam o emprego

 


Mais de 400 mil trabalhadores com carteira assinada perderam o emprego entre fevereiro e abril deste ano. Foram 415 mil demitidos. Entre os trabalhadores sem carteira, a queda no emprego foi de 3,5%, com a dispensa de 372 mil trabalhadores. Por atividade econômica, o setor que mais demitiu foi o da construção civil: 288 mil frente ao período de novembro a janeiro. Em relação ao mesmo período do ano passado, a queda do emprego no setor atingiu 609 mil pessoas.

No ano, houve redução no pessoal ocupado da construção de 609 mil, único grupamento que apresentou queda significativa em relação ao ano passado e em relação ao trimestre terminado em janeiro. Houve uma mudança de patamar importante, queda expressiva no setor — explicou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

A crise na construção aparece também no rendimento dos trabalhadores do setor. Houve queda 6,5% frente ao mesmo período do ano anterior e de 1,2% contra o trimestre de novembro a janeiro. O rendimento médio do setor é de R$ 1.479, um dos cinco mais baixos entre as atividades econômicas.

Ataxa de desemprego no país foi 8% no trimestre encerrado em abril, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que apresenta dados para todos os estados brasileiros, e foi divulgada nesta quarta-feira pelo IBGE.


Segundo o instituto, houve alta na população que trabalha por conta própria — ocupações que costumam ser mais precárias — de 141 mil pessoas, frente a novembro e dezembro, e de 1,024 milhão, em relação ao período de fevereiro a abril do ano passado.

A economia no país criou a menor quantidade de ocupações na comparação anual. De 2013 e 2014, a geração de vagas cresceu 1,9%. De 2014 para 2015, essa geração caiu para menos da metade: 0,7%. Em números absolutos, foi criado um total de 1,665 milhão de vagas de 2013 para 2014. Já entre 2014 e 2015, foram somente 629 mil, queda de 62,2%.

– Temos um cenário de perda do emprego e do emprego de qualidade e início de geração de formas de trabalho, como os conta própria, que está remetendo a uma geração de trabalho muito focado na informalidade .

 

Produção industrial caiu 1,2% em abril

 

A produção industrial caiu 1,2% em abril, frente a março, segundo dados divulgados pelo IBGE. Na comparação com abril de 2014, a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) mostrou queda de 7,6%. Já no acumulado do ano, a atividade no setor recuou 6,3%. Em 12 meses, a baixa é de 4,8%, o pior resultado desde dezembro de 2009, quando a taxa foi de 7,1%.

O resultado em relação a abril de 2014 representa a 14ª taxa negativa seguida nesse tipo de comparação — ou seja, há um ano e dois meses a PIM registra queda frente a igual mês do ano anterior. Já a baixa frente a março marca a terceira queda no confronto com o mês imediatamente anterior, acumulando neste período uma redução de 3,2%, de acordo com o IBGE.


Economistas ouvidos pela Bloomberg previam, em média, recuo de -1,4% da produção industrial em abril, em relação a março. Na comparação com abril de 2014, a estimativa média era de queda de 8,1%.

Já o recuo na produção industrial em março, que havia sido divulgado como de 0,8% frente ao mês anterior, foi na verdade inferior, de 0,7%, segundo a revisão divulgada pelo órgão.

Queda de 24% em besn de capital

Todas as cinco grandes categorias econômicas registraram recuo tanto na comparação com março quanto frente a abril de 2014: bens de capital caiu 5,1% e 24%, respectivamente; bens intermediários, 0,2% e 3,2%; bens de consumo, 1,9% e 11,2%; bens de consumo duráveis, 1,8% e 17,1%; enquanto os semiduráveis e não duráveis tiveram queda de 2,2% e 9,3%. No acumulado do ano, os bens de capital acumulam queda de 19,7%, enquanto os de consumo duráveis têm recuo de 16%.



Dezenove das 24 atividades pesquisadas apontaram redução na produção frente a março. O resultado no mês de abril mostra que o total da indústria está 12,3% abaixo do nível recorde alcançado em junho de 2013.

Na comparação com março, as principais influências negativas para o resultado de abril foram de veículos automotores, reboques e carrocerias (-2,5%) — o sétimo mês seguido de recuo na produção, acumulando perda de 21,9% no período; e perfumaria, sabões, detergentes e produtos de limpeza (-3,3%), que acentuou a baixa do mês anterior (-0,9%).

Também puxaram para baixo o resultado total de abril frente a março máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-5,4%), outros equipamentos de transporte (-8,5%), metalurgia (-2,4%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-5,3%), produtos de metal (-2,5%), produtos de borracha e de material plástico (-2,3%), bebidas (-2,2%), celulose, papel e produtos de papel (-2,2%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-3,2%), produtos alimentícios (-0,4%) e máquinas e equipamentos (-1,2%).

Entre os cinco ramos que ampliaram a produção em abril na comparação com o mês anterior, os destaques foram indústrias extrativas e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com avanço de 1,5%.



Comparação com abril 2014

Frente a abril de 2014, a indústria teve queda de 7,6%, afetando 23 dos 26 ramos, 66 dos 79 grupos e 69,7% dos 805 produtos pesquisados. Veículos automotores, reboques e carrocerias, que recuou 23,2%, teve a maior influência negativa sobre indústria, devido à redução na produção de automóveis, caminhão-trator para reboques e semirreboques, caminhões, autopeças, reboques e semirreboques e carrocerias para caminhões e ônibus.

Coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-8,4%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-32,6%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-23,5%), máquinas e equipamentos (-11,8%), de metalurgia (-9,8%), bebidas (-13,1%), produtos de borracha e de material plástico (-8,7%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-13,0%), produtos de metal (-8,8%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-10,1%) e outros equipamentos de transporte (-13,9%) também tiveram contribuições negativas relevantes.

Das três atividades que aumentaram a produção frente a abril de 2014, o principal impacto foi das indústrias extrativas (11,1%).

 

Esforço fiscal no Brasil vai levar pelo menos dois anos


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O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse em São Paulo que o ajuste fiscal deve ser mais acelerado que processos semelhantes que ocorrem em outras economias, em razão das elevadas taxas de juros vigentes no país. Ele afirmou que o esforço perseguido pelo Brasil vai durar pelo menos dois anos, ressaltando que o governo está procurando adotar uma postura gradual no reequilíbrio das contas públicas.

As principais economias estão promovendo consolidação fiscal depois dos esforços dos governos para superar os efeitos da crise de 2008/2009. Nossa estratégia é gradual, mas mais rápida porque no caso do Brasil a taxa de juros que incide sobre a dívida líquida do governo é muito alta. Por isso o ajuste tem que ser mais rápido — disse.

Falando no seminário "O desafio do ajuste fiscal brasileiro", na Fundação Getulio Vargas (FGV), Barbosa reafirmou que o governo buscará um superávit primário de 1,1% este ano, e de 2% a partir de 2016.

Questionado sobre as projeções mais pessimistas dos economistas para a recuperação da atividade, que só começaria a partir de 2017, e não já a partir do próximo ano, como prevê o governo, Barbosa afirmou que essas projeções são revistas a cada dois meses. Na reavaliação feita semana passada, lembrou, as projeções de crescimento foram reduzidas, tanto para este como para o próximo ano.

— Trabalhamos com um modelo mais próximo aos do mercado, e no nosso cenário vemos o início da recuperação da economia a partir do último trimestre de 2016 — disse.

Quanto aos efeitos dessa demora maior da retomada do crescimento e nas projeções de arrecadação do governo, Barbosa afirmou que, além das receitas correntes com impostos, o governo conta com recursos também com operações no mercado de capitais, como a abertura de capital da Cielo, que tem o Banco do Brasil entre os acionistas, e que por isso propiciou uma receita adicional de R$ 4 bilhões ao Tesouro.

— E há os reajustes e revisões de contribuições, como já fizemos com a Cide, e as desonerações, como a proposta para a folha de pagamento, que tramita no Congresso. São esse ajustes e a revisão das de desonerações que sustentam as expectativas de arrecadação do governo — disse.

DEMANDA POR PROJETOS DE INFRAESTRUTURA

Barbosa disse ainda que há interesse de investidores nacionais e estrangeiros pela infraestrutura no Brasil, afirmando que o setor de construção do país tem condições de executar os projetos.

— O setor de construção tem toda capacidade de atender esses investimentos. Firmas novas, firmas médias e mesmo as firmas que enfrentam alguns problemas — comentou.

O governo brasileiro está prestes a lançar um amplo programa de concessão de infraestrutura, abrangendo ferrovias, rodovias, portos e aeroportos. O lançamento do pacote coincide com um momento em que grandes empreiteiras estão envolvidas no escândalo de corrupção bilionário na Petrobras.

Barbosa disse que a taxa de retorno dos projetos irá refletir a realidade brasileira e que o real mais depreciado em relação ao dólar torna os ativos brasileiros mais atraentes em termos de taxa de retorno.


O ministro também avaliou que as taxas de juros na maior parte do mundo deverão continuar em níveis baixos.

— Mesmo que o Fed (banco central americano) aumente a taxa de juros, mesmo assim as taxas de juros no mundo permanecerão baixas e isso garante que, do lado da oferta, haverá interesse (no programa de concessões brasileiro).




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Tesouro, Previdência e BC tem superávit primário de R$ 10,1 bilhões

 



O governo central (composto por Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registrou superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública) de R$ 10,1 bilhões em abril. O resultado representa uma queda de 39,2 % em relação ao mesmo período em 2014, quando o saldo foi de R$ 16,612 bilhões.

No acumulado do ano, o resultado somou R$ 14,59 bilhões. Ele representa uma queda de 50,9 % em relação ao primeiro quadrimestre do ano passado, quando o superávit primário acumulado era de R$ 29,732 bilhões. Esse é o pior desempenho para os quatro primeiros meses do ano desde 2001, quando o saldo foi de R$ 13,2 bilhões.

O resultado ainda está longe da meta fiscal que foi fixada pela equipe econômica para o governo central este ano. O compromisso do governo é fazer um superávit primário de R$ 55,3 bilhões este ano. Considerando o setor público consolidado - que inclui governo central e estados e municípios - a meta é de R$ 66,3 bilhões, ou 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país).

 

Vendas de supermercados caíram  1,64% em abril

 

As vendas reais do setor supermercadista tiveram queda de 1,64% em abril na comparação com o mesmo mês de 2014, informou a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Na comparação com março deste ano, as vendas tiveram alta de 0,57%, segundo o Índice Nacional de Vendas da associação.

Com isso, as vendas do setor acumulam alta de 0,65%, de janeiro a abril, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Em valores nominais, as vendas subiram 1,29% em relação ao mês anterior e, quando comparadas a abril do ano anterior, alta de 6,40%. No ano, as vendas cresceram 8,48%.

O presidente da Abras, Fernando Yamada, disse em comunicado que o resultado até abril mostra o que deve ser a tônica do ano para o setor: crescimento tímido em relação ao ano passado. "O setor já se ressente da elevação do nível de desemprego e da consequente queda da massa salarial", disse Yamada em comunicado à imprensa.

"Mas apesar do primeiro quadrimestre ter sido bastante difícil, ainda esperamos encerrar o ano com um resultado positivo, com expectativas de melhora da economia para o segundo semestre", completou Yamada.

Preços dos produtos
Em abril, o Abrasmercado, cesta de 35 produtos de largo consumo, pesquisada pela GfK e analisada pelo Departamento de Economia e Pesquisa da Abras, registrou alta de 1,40%, passando de R$ 390,96 em março para R$ 396,44 em abril.

As maiores altas foram impulsionadas por tomate (17,76%), cebola (8,34%), carne dianteiro (5,24%), farinha de mandioca (4,19%). Já as maiores quedas foram registradas por feijão (-3,88%), batata (-3,29%), margarina cremosa (-1,58%) e leite em póintegral (-1,56%).

Em abril, as cestas de todas as regiões brasileiras apresentaram alta. A da Região Centro-Oeste foi a que apresentou maior crescimento (2,38%), atingindo o valor de R$ 380,32, seguida pela da Região Norte (1,78%) com o valor de R$ 437,35.

 

Empresas criam Comitê de Fomento Industrial do Polo do  ABC Paulista

 

Garantir o desenvolvimento sustentável da região do  ABC  Paulista integrando indústria, poder público e comunidade. Esse é o objetivo do Comitê de Fomento Industrial do Polo do  ABC Paulista  – COFIP, lançado em Mauá.

Resultado da mobilização de nove empresas do polo, cujo faturamento foi de R$ 8,6 bilhões no último ano*, a entidade tem a função de promover a competitividade da cadeia produtiva local, priorizando saúde, segurança e meio ambiente. O evento de lançamento ocorreu no Diamond Plaza Hotel, em Mauá, e contou com a presença de autoridades políticas, representantes das empresas e organizações, representando a Braskem S.A ,o senhor Flavio Chantre , Gerente de Relações Institucionais São Paulo e Rio de Janeiro.

“O COFIP tem um apelo que vai além do âmbito industrial. A entidade será uma importante instituição de estímulo ao desenvolvimento socioambiental, pois representará as associadas perante o governo nas questões relacionadas à segurança pública, transporte, vias de acesso e infraestrutura. Além disso, atuará como um canal de aproximação entre empresas e comunidade local, valorizando a transparência e trabalhando para o desenvolvimento sustentável do polo do  ABC Paulista, afirma Antonio Emilio Meireles, presidente do COFIP ABC.

Uma importante atuação do COFIP será no apoio aos programas para situações de emergência como o Plano de Auxílio Mútuo (PAM), Plano de Emergência para a Comunidade (PEC) e Plano de Contingência do Polo (PCP). As ações envolvem a segurança da região, por meio do cumprimento de normas e procedimentos para a evasão de pessoas do interior das fábricas, além de simulados com a comunidade do entorno do Polo Petroquímico do ABC Paulista, com participação também de Defesa Civil, Núcleo de Defesa Comunitária (NUDEC), Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e Militar, dentre outros parceiros.

Com a formação do grupo será possível aprimorar ainda a gestão administrativa, integração de serviços, ganhos de eficiência e redução de custos operacionais de todas as empresas participantes. Estados como Rio Grande do Sul e Bahia já contam com comitês industriais locais e servirão como exemplos na troca de boas práticas, visando o progresso na nova associação.

“Toda e qualquer companhia localizada no polo poderá associar-se à entidade, por isso nossa expectativa é que cada vez mais companhias participem da iniciativa. A prioridade é iniciar um trabalho de consolidação entre as empresas, unindo forças e criando condições para que a região volte a impulsionar o setor industrial, a fim de retomar o crescimento vigoroso que sempre a caracterizou e contribuiu para que o ABC  Paulista represente o 4º PIB do Brasil”, reforça Francisco Sérgio Ruiz, gerente executivo do Comitê.

As primeiras associadas do COFIP são Air Liquide, Aquapolo, Bandeirante Brazmo, Braskem, Cabot, Chevron Oronite Brasil, quantiQ, Oxiteno e Vitopel.

Polo Industrial

O Polo do ABC  Paulista é formado por diversas empresas que atuam na extensa cadeia produtiva do setor, incluindo desde refinaria de petróleo até engarrafadoras de gás. Por ser uma indústria de base, a petroquímica é considerada a primeira geração da indústria química e elo inicial de diversos segmentos de mercado, como plástico, borracha, tintas e vernizes, higiene e limpeza, entre outros.

Dentro desta cadeia, o Polo Petroquímico tem grande influência no desenvolvimento econômico e social da região, com geração de aproximadamente 10 mil empregos diretos e indiretos, além de proporcionar um VAF (Valor Adicionado Fiscal) superior a R$ 2 bilhões por ano aos municípios da região, segundo estudo realizado, em 2014, pela consultoria especializada MaxiQuim.

COFIP ABC

O COFIP ABC - Comitê de Fomento Industrial do Polo do  ABC Paulista - é uma entidade criada em 2015, com o propósito de gerar sinergia entre as indústrias, o poder público e a comunidade, em prol do desenvolvimento sustentável da região do ABC Paulista . A instituição representa suas associadas em áreas específicas, promovendo ações positivas e obtendo sinergias por meio de Grupos Técnicos. O COFIP busca ainda fomentar a competitividade, se articulando com os públicos estratégicos e promovendo melhorias para a região.

 

Economia vai recuar 1,24% em 2015

 

Na semana em que o resultado do desempenho da economia brasileira no primeiro trimestre será divulgado pelo IBGE, os economistas ouvidos pelo relatório Focus, divulgado pelo Banco Central (BC), pioraram as expectativas para 2015. A previsão agora é que o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) recue 1,24%. Na semana passada, a expectativa era de uma queda de 1,20%.

Pela sexta semana seguida, os economistas do mercado financeiro voltaram a apostar em elevação dos preços este ano. A expectativa para o resultado da inflação oficial, o IPCA, passou de 8,31% para 8,37%, segundo o relatório de mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central (BC).

A previsão para a Taxa Selic no fim de 2015 também voltou a ser elevada, passando de 13,50% ao ano para 13,75%. Para 2016, também há expectativa de alta: em vez dos 12% da semana passada, agora os economistas apostam em 12,25%.

Por outra parte, a expectativa para a cotação do dólar no fim do ano foi mantida em R$ 3,20 pela quarta semana consecutiva.

Para 2016, os economistas mantiveram boa parte das previsões anunciadas na semana passada. A inflação foi mantida em 5,50%; o câmbio permaneceu estável em R$ 3,30 pela sétima vez seguida e o PIB ficou em 1% pela sexta semana.

PF deflagra operação contra ex-dono da Vasp



Em parceria com a Procuradoria da Fazenda Nacional, a Polícia Federal deflagrou, a Operação Patriota, cujo objetivo é apurar um esquema de fraude à execução fiscal, lavagem de capitais formação de quadrilha e falsidade ideológica pelos gestores de um grupo empresarial especializado em transportes e turismo. Ao todo, estão sendo cumpridos 18 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de condução coercitiva.

Segundo fontes envolvidas, o alvo central da operação é o empresário Wagner Canhedo, ex-dono da Vasp e proprietário de, entre outros empreendimentos, o Hotel Nacional, o mais antigo de Brasília.

As investigações foram iniciadas em meados do ano passado e revelam que, para driblar as execuções fiscais existentes contra o grupo, os gestores constituíram outras empresas de fachada, em nome de "testas de ferro".

Isso permitia que eles movimentassem livremente os recursos que deveriam saldar suas dívidas — inclusive tributárias, que somam cerca de R$ 875 milhões.

Em nota divulgada nesta sexta-feira, a Polícia Federal informa que, conforme decisão proferida na 10ª Vara Federal do Distrito Federal, a administração das empresas caberá a um auditor fiscal a ser indicado pela Receita Federal.

"A medida está prevista no artigo 319 do Código de Processo Penal entre as medidas alternativas à prisão. Com o afastamento dos gestores e a posterior indicação de um auditor fiscal a intenção é garantir que as empresas continuem funcionando e que, portanto, os empregos dos funcionários do grupo sejam mantidos e os valores devidos ao Fisco voltem a ser recolhidos", diz o comunicado.

 

Economia brasileira encolheu 0,81% no trimestre

Famílias com renda mais apertada e indústria retraída pela queda do consumo fizeram com que a economia encolhesse 0,81% no primeiro trimestre deste ano. Somente em março, a retração foi ainda mais forte: 1,07%, de acordo com os cálculos do Banco Central. As contas já consideraram as mudanças metodológicas do cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) feitas pelo IBGE. Como os economistas do mercado financeiro não sabiam como o BC atualizaria o método de calcular o IBC-Br, o índice de crescimento criado pela autarquia, fizeram projeções com os dados antigos.

A aposta média geral dos analistas era de uma retração econômica de 0,7% nos três primeiros meses do ano. As previsões variavam entre uma queda de 0,4% a 1% da atividade econômica. Essas expectativas foram feitas depois de o IBGE divulgar, na semana passada, que o comércio registrou uma queda de 0,8% nas vendas no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado: o pior resultado dos últimos 12 anos. Com menos dinheiro no bolso — por causa do aumento do desemprego, desaceleração do crescimento da renda, inflação que corrói cada vez mais o salário do trabalhador e juros mais altos — as famílias consomem menos.

Na hora de calcular o IBC-Br, a autoridade monetária também usa o desempenho da indústria. Com o consumo em queda, os empresários ficam mais cautelosos e produzem menos. A produção do setor caiu nada menos que 5,9%.

O Banco Central revisou para cima o desempenho do IBC-Br em fevereiro: de crescimento de 0,36% divulgado anteriormente, para alta de 0,59%. Já o índice de janeiro foi recalculado para baixo: de contração de 0,11% para recuo de 0,30%.

Nos últimos 12 meses, o índice do BC revela que a economia brasileira encolheu 1,18%. É praticamente o resultado que os analistas esperam para o ano.

Segundo o diretor de Pesquisas Econômicas do Bradesco, Octavio de Barros, os dados do IBC-Br de março reforça a expectativa de retração do PIB — nos dados oficiais — no primeiro trimestre. Ele reforçou, num comunicado enviados aos clientes nesta manhã, que a queda de 0,8% nos três meses está em linha com a estimativa do banco.



Para o economista do Banco Espírito Santo Flávio Serrano, as mudanças metodológicas feitas pelo BC só alteraram levemente os dados, mas não mudam a história vivida pelo país: a maior contração da atividade econômica vista desde os anos 90. Ele lembra que na crise de 2009, o país teve recessão, mas a recuperação veio logo.

— É importante destacar que tem uma revisão de dados do BC. Mudou um pouco os dados, mas não muda a história. Temos um quadro de desaceleração que está se agravando — frisou o analista que espera uma retração ainda maior no segundo trimestre deste ano e uma recuperação mais lenta depois:

— A gente sabe que o negócio está feio. É um ajuste profundo na economia. O segundo semestre deve ser melhor que o primeiro, mas não quer dizer que vai ser bom. Vai ser muito ruim. Pode ser zero de crescimento ou uma queda mais leve.

Preço do tomate sobe 33% em quatro dias



O tomate voltou a vestir a máscara de vilão dos preços altos, e os comerciantes fazem malabarismos para substituir o produto que — de tão caro — já é tratado como iguaria de luxo nos pratos dos cariocas. No atacado, os gerentes de restaurantes que, até a última sexta-feira (dia 15), compravam uma caixa de 22 quilos do tipo Carmem por R$ 75, encontraram o mesmo alimento ontem, na Central de Abastecimento do Estado (Ceasa), em Irajá, por cem reais — alta de 33%.

Para não comprometer a qualidade dos pratos, cozinheiros estão usando artifícios como a troca de ingredientes.

— Estamos cozinhando com mais extrato de tomate, porque é mais barato e não faz tanta diferença nos pratos quentes. Também reduzimos o tomate no molho à campanha e disfarçamos a falta com mais cebola e pimentão — afirmou o subgerente Cleyson Martins, de 35 anos.

A secretária Rosane do Nascimento, de 60 anos, almoça todos os dias fora de casa e já percebeu que o produto tem se tornado um item cada vez mais raro nos restaurantes do Centro do Rio.

— Adoro tomate, mas à uma hora da tarde não tem mais a opção no bufê de saladas. Tenho notado que está faltando (no cardápio). Está difícil até comprar o alimento até para comer em casa — disse.

Nos balcões dos restaurantes a quilo, a alternativa é oferecer uma menor quantidade. O comerciante Adilson Ferreira, de 43 anos, decidiu expor os pratos com tomate no início do horário de almoço, mas, depois que acabam, não há substituição.

— O preço do tomate está quase o mesmo da carne. Se comprar via atravessador, sai a R$ 9 o quilo — afirmou ele.

O alimento está no período de entressafra, o que reduz a oferta no mercado e contribui para a escala de preço, segundo a Ceasa. De acordo com a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o custo do tomate subiu 17,9% apenas em abril e acumula uma alta de 48,65% desde janeiro deste ano.

— Para 2015, esperamos uma queda de 17% na safra. Eu recomendo que o consumidor substitua o fruto pelo molho de tomate, que teve uma alta menor, de 0,49% em abril — explicou Irene Machado, técnica do IBGE.

Custo continuará alto até junho

A expectativa da Ceasa é que o tomate comece a apresentar uma queda de custo a partir da segunda quinzena de junho, quando terão início as colheitas nas plantações do Noroeste do estado. De julho a setembro, normalmente, a retração no preço já costuma ser mais acentuada, pois a oferta de municípios do interior é somada às das cidades da região do Médio Paraíba. Para especialistas, pesquisar e comparar as ofertas nos supermercados, nas feiras e nos hortifrutis são as melhores estratégias para economizar.

 

— A busca ajudará o consumidor a encontrar um produto com melhor qualidade e menor preço. Vale usar a internet, os encartes promocionais dos jornais e até a indicação de amigos — sugeriu André Braz, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Não é apenas o tomate que está mais raro nos pratos dos cariocas. Alguns tipos de feijão também registraram aumento de preços e estão sendo substituídos pelos estabelecimentos. O mototaxista Alan da Silva, de 33 anos, já reparou que o feijão branco da receita original de dobradinha some em tempos de inflação em alta.

— Os restaurantes estão priorizando o feijão fradinho, mais barato do que o branco. Eles (os donos) acham que não percebemos, mas eu notei. Mas não tem problema. Fica gostoso também — disse.

 

 

Confiança do empresário segue baixa em maio

A confiança do empresário segue em queda no mês de maio, segundo indicador da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Com alta de 0,1 ponto, o índice ficou em 38,6 pontos, abaixo da linha dos 50 pontos, que sinaliza falta de confiança.

A pesquisa mostra também que o índice está 17,6 pontos abaixo da média histórica (56,2 pontos) e 9,4 pontos inferior em relação a maio de 2014.

Usados no cálculo do indicador, os subíndices relacionados às condições atuais e às expectativas sobre a economia tiveram aumento em maio na comparação com abril, porém, seguem abaixo dos 50 pontos.

O indicador sobre as condições da economia brasileira subiu de 19,3 pontos para 21,2 pontos no período e o índice de expectativas sobre a economia, de 33,1 para 34,1 pontos. Os índices que compõem o ICEI também variam no intervalo de zero a cem pontos.

Os índices relacionados às condições atuais e às expectativas sobre a empresa ficaram praticamente estáveis. O indicador sobre as condições atuais da empresa registrou 34,1 pontos e o de expectativas sobre os negócios atingiu 47,7 pontos em maio.

A pesquisa foi feita entre 4 e 13 de maio com 2.922 empresas de todo o país. Dessas, 1.153 são pequenas, 1.086 são médias e 683 são de grande porte.

 

‘Está na moda odiar o Brasil’, diz inventor do termo Bric

 


Após  participar de almoço para investidores em Londres com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o economista britânico Jim O’Neill, contou ter ouvido dele uma perspectiva razoável, de que a tendência de crescimento para o país é de 3%, talvez 4%, se muitas medidas acertadas forem tomadas.

O que houve com o Bric? Brasil e Rússia não vão bem. Índia tem problemas. E a China reduz o passo...


A percepção sobre a desaceleração da China está errada. A China desacelerou menos do que eu imaginava. Para quem achava que ia crescer 10% para sempre, é um grande problema, sobretudo para países que dependem de commodities, inclusive o Brasil. A China é um dos Bric que não me decepcionam. A Índia mostra sinais de aceleração. Já a Rússia e o Brasil me preocupam. Têm um problema comum que é a dependência de commmodities. Isso faz com que sejam um pouco preguiçosos. Não implementam reformas em tempos de bonança e isso torna tudo mais difícil nos momentos ruins.

Quais as perspectivas para o grupo?

Mesmo com problemas de desaceleração, 14 anos depois, os quatro estão muito maiores do que imaginei. Ultrapassaram as expectativas na primeira década. A China continua no páreo para ultrapassar os EUA em 2027. Temos de olhar no longo prazo. Está na moda dizer que o Bric acabou. É ridículo. Mas o Brasil claramente tem problemas.

Como o senhor percebe o Brasil hoje?

Participei do almoço com o seu ministro da Fazenda. Foi muito bom conversar com ele e ouvir o que tinha a dizer. É a pessoa de que o Brasil precisa para restabelecer a credibilidade do país. É bastante conservador do ponto de vista fiscal, respeita a importância da meta de inflação e espero que a presidente esteja dando a ele autonomia de verdade.

Quais são os desafios da economia?

O Brasil, desde os últimos dias do presidente anterior (Lula), se perdeu no caminho. Seus assessores se deixaram levar. Não posso esquecer, em 2009 e 2010, havia uma visão de que o Brasil poderia ter um crescimento chinês, de 10%. Isso era loucura. E alguns assessores de Lula diziam 7%. Se você perguntar ao novo ministro da Fazenda, como fiz na quarta-feira (passada), qual é a tendência para a taxa de crescimento, a resposta é outra. Ele me disse 3%, talvez 4%, “se fizermos muitas coisas boas”. Parte do trabalho de recuperar a credibilidade é justamente ser mais razoável.


Levy disse que o resultado do ajuste só virá em 2016. Os investidores esperarão?

A realidade é que os investidores são sempre movidos por ganância e medo. Estamos sempre entre os dois extremos. No que diz respeito ao Brasil, os sentimentos têm tido altos e baixos. Atualmente, está na moda odiar o Brasil. Mas aqueles com instinto mais aguçado, pensam: “Peraí!”. Eu mesmo estou pensando nisso. Você olha para o Brasil e para Índia. O retorno do mercado de capitais em dólar é grande. Mas o Brasil está barato frente à Índia.

Qual é o calcanhar de Aquiles?

O ministro falou muito de investimentos em infraestrutura, foi ótimo. Mas é só o começo. Uma das razões para ter incluído o Brasil no Bric era o fato de o país ter metas de inflação. Não se pode fingir, se tem uma meta de inflação, tem que segui-la. Isso é o que digo que, durante Dilma (Rousseff), foi um retrocesso. Eles precisam dar ao Banco Central (BC) independência de fato, caso contrário, não tenha meta de inflação. Nos últimos anos, é quase como se o BC estivesse fingindo que está perseguindo a meta. É clara a pressão do governo para parar de prestar atenção nisso. Em contexto: 8% para o Brasil é ruim comparado com anos recentes, mas, meu Deus, muito melhor do que 20 anos atrás. Mas uma das razões para pensar no potencial do Brasil estava ligado à inflação baixa e estável. Não me incomoda que esteja um pouco acima. Mas é preciso explicar o que está acontecendo. Se a meta é de 3% a 6%, tem que assegurar que quando estourar, você vai trazê-la de volta. Se quer que a meta passe a ser de 7% a 10%, explique o motivo. Não mexa nisso apenas por mexer. Tem que explicar.

Os investidores que estiveram com Levy reclamaram de uma crise de comunicação do governo, de falta de explicações ou satisfações. O senhor concorda?

Os brasileiros não sabem se promover no palco internacional com confiança ou autoridade. E isso é um problema. Costumo trabalhar com um conceito que é Q (qualidade da ideia) X A (aceitação) = E (eficiência). Mas se A é zero, E também é zero. E, com frequência, o Brasil tem problemas com o A. Os americanos são sempre bons no A. O Brasil tem que trabalhar no A. O governo está meio que se escondendo. Numa era de tecnologias de mídia que funcionam 24 horas, sete dias por semana, você tem que ter uma mensagem simples, clara e crível. E isso está acontecendo em um momento em que o Brasil tem vulnerabilidades. Se os EUA começarem a mexer com juros, como nos velhos tempos, o real pode estar sob pressão de novo.

 

BB diz que vai apostar em crédito de menor risco

 

O Banco do Brasil disse que seus esforços para reclassificar alguns créditos de sua carteira não estiveram somente relacionados ao aumento dos calotes, mas a uma abordagem mais conservadora enquanto a economia desacelera.

Parte das ações inclui uma migração rumo a segmentos de empréstimo de menores retornos e menos arriscados como crédito imobiliário, disse Bernardo Rothe, diretor de relações com investidores da instituição financeira, durante teleconferência sobre os resultados do primeiro trimestre.

Balanço do 1º trimestre
O Banco do Brasil, anunciou nesta quinta-feira (14) que teve lucro líquido de R$ 5,818 bilhões no primeiro trimestre, alta de 117,3% ante igual período de 2014.

Em bases recorrentes, o lucro do banco estatal somou R$ 3,025 bilhões no período, alta de 24,2% sobre um ano antes e praticamente em linha com a previsão média de analistas ouvidos pela agência Reuters de R$ 3,033 bilhões.

O lucro no primeiro trimestre deste ano é recorde para o período levando em conta o resultado dos bancos brasileiros, segundo pesquisa da consultoria Economatica.

 

 

Vendas no varejo caem 0,9% em março e setor tem o pior trimestre


As vendas no varejo brasileiro recuaram 0,9% em março frente a fevereiro, segundo mês seguido de perdas e com resultado pior do que o esperado, encerrando o primeiro trimestre com o resultado mais fraco em 12 anos, num sinal do peso que a fraqueza econômica vem tendo sobre o setor.

O varejo fechou o período de janeiro a março com recuo acumulado no volume de vendas de 0,8% na comparação anual, leitura mais fraca desde o terceiro trimestre de 2003 (queda de 4,4%) e o pior resultado para um primeiro trimestre também desde o mesmo ano (queda de 6,1%).

Na comparação com março de 2014, as vendas varejistas avançaram 0,4%, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística (IBGE).

Os resultados foram piores que as expectativas em pesquisa da Reuters, de queda de 0,35% na comparação mensal e alta de 1,50% sobre um ano antes.

E para destacar ainda mais a debilidade do varejo neste ano, o IBGE revisou para uma queda de 0,4% as vendas de fevereiro sobre janeiro, contra recuo de 0,1% divulgado antes.

O IBGE informou que cinco das oito atividades pesquisadas no varejo restrito registraram queda mensal no volume de vendas em março (frente a fevereiro), com destaque para móveis e eletrodomésticos (-3%), livros, jornais, revistas e papelaria (-2,3%) e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-2,2%).

As atividades com resultados positivos foram combustíveis e lubrificantes (2,8%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,2%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,2%).

No varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, o volume de vendas caiu 1,6% em março sobre fevereiro, pressionado principalmente pelo recuo de 4,6% em veículos e motos, partes e peças.



 

Levy diz esperar que desaceleração seja 'temporária'

 

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou esperar que a desaceleração econômica no Brasil seja “temporária” e que a disciplina fiscal continua sendo um pilar central da política econômica do país, conforme a alta dos preços das commodities enfraquece.

Falando a investidores em Londres, Levy afirmou que a disciplina fiscal é necessária para proteger a economia contra os efeitos inflacionários da depreciação do real, algo sobre o qual o Banco Central deve continuar “bastante vigilante”.

“O Brasil está passando por um período de ajuste econômico. Nossa prioridade tem sido garantir a sustentabilidade das finanças públicas como a base de um novo ciclo de crescimento”, disse Levy em apresentação na bolsa de valores de Londres.

“Esperamos que a atual desaceleração de nossa economia seja temporária. Estou confiante de que até o próximo ano começaremos a ver resultados”, completou.

Analistas consultados na pesquisa Focus do BC projetam contração do Produto Interno Bruto neste ano de 1,20%, o que seria o pior resultado em 25 anos e a primeira contração desde 2009. A expectativa para a inflação é de 8,29%, bem acima do teto da meta do governo, de 4,5% com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos.

Em abril, o Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou que a economia brasileira vai encolher 1% em 2015, e avaliou na terça-feira que o objetivo do Banco Central de levar a inflação para o centro da meta em 2016 exigirá um aperto adicional na política monetária neste ano.

Levy reiterou que o governo vai em busca de sua meta de superávit primário, algo que o FMI disse ser crucial para reconquistar a confiança dos investidores.

Ele acrescentou que a economia brasileira é flexível o suficiente para garantir que o atual ajuste, como outros na história recente, seja relativamente curto. A confiança empresarial deve começar a melhorar nos próximos meses, disse.

Levy afirmou ainda que o governo busca levar os gastos discricionários de volta aos níveis de 2013. Ele ainda destacou que o Brasil precisa reduzir os encargos com a dívida devido ao peso sobre o crescimento, pedindo que o Banco Central permaneça vigilante em relação à inflação.

É a “clara responsabilidade do Banco Central permanecer bastante vigilante... para que qualquer mudança nos preços que aconteça não se traduza em um processo inflacionário”, disse o ministro.

Ajuste fiscal
No ano passado, o governo gastou bem mais do que arrecadou. Fechou no vermelho, criando o maior rombo (déficit) nas contas públicas da história. Não sobrou dinheiro nem para pagar os juros da sua dívida – o chamado “superávit primário” – uma segurança de que o país não dará calote.

Para tentar salvar as finanças do governo em 2015, a presidente Dilma Rousseff convocou uma nova equipe econômica. O novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, prometeu arrumar as contas públicas até o fim do ano. Criou então a ambiciosa meta de um superávit primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 66,3 bilhões para todo o setor público (estados, municípios e estatais).

Mas para isso, ele avisou que seriam feitos vários sacrifícios. O ajuste fiscal chegou a ser chamado de “saco de maldades”, mas Levy deixou claro que esse seria o único caminho possível para retomar o crescimento e evitar uma situação pior.

Na prática, o “aperto” consiste em duas ações: cortar despesas do governo e elevar a arrecadação.

 

 

Juro do cartão de crédito sobe se aproxima dos 300% ao ano



O cenário de maior inflação, aumento de juros e expectativa de maior inadimplência levaram a um novo aumento dos juros do cartão de crédito. A alta de abril, a terceira seguida neste segmento, fez a taxa chegar a 12,14% ao mês ou 295,48% ao ano, o que significa dizer que uma dívida de R$ 1.000 no cartão se transforma, 12 meses depois, em R$ 3.954,89. Essa é a modalidade de crédito mais cara para a pessoa física, segundo levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac).

Essa taxa média de juros cobrada no cartão é a maior desde março de 1999, quando chegou a 13,45% ao mês, o equivalente a 354,63% ao ano.

Das seis linhas de crédito pesquisadas, todas tiveram suas taxas de juros elevadas no mês: crediário; cartão de crédito rotativo; cheque especial, CDC financiamento de veículos; empréstimo pessoal em bancos; e empréstimo pessoal em financeiras. Com todas essas altas, a taxa de juros média da pessoa física passou de 6,71% ao mês (118,00% ao ano) em março deste ano para 6,77% ao mês (119,48% ao ano) em abril, o maior valor desde julho de 2011.

Na avaliação do diretor executivo da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, o atual ciclo econômico faz com que os bancos fiquem mais criteriosos e, por isso, elevam a taxa. Esse cenário tem como pano de fundo a redução da renda das famílias, que estão com menos verba disponível para o pagamento de dívida devido à inflação e aumento de tarifas. Além disso, há a expectativa de aumento das taxas de desemprego.

"Tudo isto somado e o fato de que as expectativas para 2015 são igualmente negativas quanto a todos estes fatores, há a tendência de levar as instituições financeiras a aumentarem suas taxas de juros para compensar prováveis perdas com a elevação da inadimplência", avaliou.

Para Oliveira, como o Banco Central (BC) deve continuar elevando a Selic, que atualmente está em 13,25% ao ano, os juros para o consumidor continuarão em trajetória de alta.

A alta também é sentida pelas empresas. A taxa de juros média da pessoa jurídica passou de 3,89% ao mês (58,08% ao ano) em março para 3,97% ao mês (59,55% ao ano) em abril, a maior desde novembro de 2011.




 

País não está pronto para nova revolução industrial

 

Começou no Rio e vai até quinta-feira o XXVII Fórum Nacional, organizado pelo ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso. Este ano, a ideia é discutir uma estratégia de desenvolvimento do Brasil considerando a nova revolução industrial, segundo Velloso, com o tema “A hora e vez do Brasil: (povo brasileiro) diante da nova revolução industrial, estratégia para o desenvolvimento do Brasil através do aproveitamento de grandes oportunidades (econômicas, sociais e culturais)”.

Vivemos uma nova revolução industrial, a maior desde 1790, com três forças básicas: avanço tecnológico mais rápido que permitirá que tenhamos máquinas inteligentes, como robôs que tomem decisões, a digitalização sem fronteiras e as novas frentes de inovação, como por exemplo a nanoeletrônica. O Brasil não fala disso e está completamente despreparado — afirma o ex-ministro, que promove o Fórum Nacional desde 1988.

Indústria cultural na pauta

As discussões nos quatro dias de encontro vão além da nova revolução industrial: incluem como impulsionar o crescimento econômico e as tecnologias do século, passando pela melhoria da governança nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e pela estratégia de desenvolvimento das indústrias culturais.

Entre os participantes do fórum estão ainda o novo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Jessé de Souza, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o economista Raul Velloso.

Presidente da Inter.B Consultoria, o economista Claudio Frischtak apresentará o trabalho “O ajuste microeconômico: por uma nova política industrial e de inovação no Brasil”, em parceria com Katharina Davies. O objetivo é propor uma nova agenda no país, diante da avaliação de que vivemos “um progressivo isolamento”, com uma postura protecionista, com poucos acordos comerciais.

Frischtak defende políticas para expandir investimentos e reduzir o custo do trabalho. Ele diz que, para garantir crescimento depois de anos de estagnação, é preciso promover o ajuste fiscal e o realinhamento de preços, mas também definir uma agenda de reformas.

A melhoria da governança nos três poderes da República será o tema de um painel na quarta-feira, com a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, do ex-ministro da Fazenda Marcílio Marques Moreira, e do presidente da SR Rating, Paulo Rabello de Castro. Um segundo painel discutirá o tema: “Favela é Cidade: Fazer Acontecer” e apresentará os resultados do projeto “Favela é Cidade”, formado em 2009 no âmbito do Fórum Nacional.

 

Conta de luz já subiu quase 40% só este ano

 

O aumento de preço da energia elétrica responde por um quarto (24,56%) da alta de 4,56% da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2015, segundo dados divulgados . Quando se considera o IPCA acumulado em 12 meses, de 8,17%, a energia representou um quinto (19,33%) da alta. Entre janeiro e abril, os preços de energia subiram 38,12%. Em 12 meses, a alta acumulada é de 59,93%.

A energia elétrica foi a principal influência para a inflação no ano — explicou a coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos.

Considerada a taxa oficial no país, a inflação medida pelo IPCA ficou em 0,71% em abril. O resultado desacelerou frente a março, quando o índice subiu 1,32%. Nos 12 meses encerrados em abril, a inflação chegou a 8,17%, a mais alta desde o período de 12 meses encerrados em dezembro de 2003, quando somou 9,30%.

Os preços de energia vêm subindo como reflexo da seca no país. Sem chuvas, o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas caiu, o que levou ao aumento do uso da energia das usinas termelétricas, com preço mais alto.

Além disso, a medida provisória 579, de 2012, reduziu as tarifas de energia criou custos para as empresas geradoras e transmissoras de energia, que acabaram pesando mais à frente. Em 2013, o preço de energia elétrica caiu 15,66%, seguida por uma alta de 17% em 2014.

E mais aumento de energia vem por aí na inflação em maio, por causa de reajustes já anunciados em algumas capitais. Em Recife, um reajuste anual de 11,13% passou a valer em 29 de abril. A partir de 22 de abril, subiu o preço da energia em 8,58% em Fortaleza. Em Belo Horizonte, houve aumento de 6,56% em 8 de abril.



 

Desemprego no país subiu para 7,9% no 1º trimestre

 


A taxa de desemprego no país no primeiro trimestre do ano subiu para 7,9%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgada pelo IBGE. É a maior taxa desde o primeiro trimestre de 2013, quando foi de 8%. No primeiro trimestre do ano passado, ela tinha sido de 7,2%. No último trimestre de 2014, chegou a 6,5%. Em 2014, a taxa média de desemprego no país foi de 6,8% ante 7,1% de 2013.

Pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrange as regiões metropolitanas do Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife, o desemprego no primeiro trimestre ficou em 5,8%. Os dados de março mostraram uma deterioração da renda do trabalho, com queda tanto nominal quanto real na renda frente ao mês anterior.

O objetivo do IBGE é substituir a PME pelo levantamento nacional, criado em 2012. A Pnad Contínua Trimestral pesquisa as informações sobre o mercado de trabalho em cerca de 3.500 municípios.

A renda ficou estável em relação ao primeiro trimestre de 2014 e somou R$ 1.840. Frente ao quarto trimestre de 2014, subiu 0,8% acima da inflação.

Por estados, o Rio Grande do Norte teve a maior taxa de desocupação no primeiro trimestre, com 11,5%. Santa Catarina, a menor: 3,9%. No Rio, foi de 6,5%, abaixo da média nacional. Em São Paulo, o desemprego atingiu 8,5%, a maior taxa do Sudeste.

Um terço dos estados apresentaram no primeiro trimestre do ano a maior taxa de desocupação, considerando todas os trimestres da pesquisa. Ao todo, 19 estados tiveram aumento da desocupação frente ao mesmo trimestre do ano passado, enquanto oito registraram queda nessa base de comparação.

— Há uma pressão maior sobre o mercado de trabalho, um aumento dos desocupados, uma geração menor de postos de trabalho e isso vai se refletir na taxa de desocupação — afirma Cimar Azeredo, gerente da pesquisa.


DESEMPREGO CRESCEU EM TODAS AS REGIÕES

O contingente de desempregados no país chegou a 7,9 milhões de pessoas. Já o de pessoas com carteira assinada avançou 0,5 ponto percentual frente ao mesmo período de 2014, para 78,2% do trabalhadores do setor privado. A população ocupada ficou em 92,023 milhões. Houve uma queda de 0,9% na comparação com o trimestre anterior e uma alta de 0,8% frente ao mesmo o período de 2014.

A taxa de desocupação subiu em todas as regiões, em relação ao primeiro trimestre de 2014. No primeiro trimestre de 2015, a região Nordeste foi a que apresentou a maior taxa de desocupação (9,6%) e a região Sul, a menor (5,1%). No Centro-Oeste, do primeiro trimestre de 2014 para o primeiro trimestre de 2015, foi observada elevação de 1,5 ponto percentual na taxa de desocupação e nas regiões Norte e Sudeste, de 1 ponto percentual.




 

Produção da indústria cai pelo segundo mês seguido

Após uma leve recuperação em janeiro, a indústria brasileira teve em março seu segundo mês seguido de queda, afetada pelo baixo nível de confiança de empresários e consumidores e pela desaceleração da demanda doméstica.

A produção caiu 0,8% em março na comparação com o mês anterior, depois de ter sofrido redução de 1,3% (dado revisado) em fevereiro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A queda registrada na comparação mensal é a mais intensa para o mês de março desde 2006, quando o recuo foi de 1,3%.

"Mais do que a queda em dois meses seguidos, de setembro para cá, há uma frequência maior de uma trajetória descendente muito marcada. Há uma perda acumulada muito grande. É um movimento que não está restrito a início de 2015, a gente já observa há algum tempo”, disse André Luiz Macedo, gerente de indústria do IBGE.

Na comparação com março do ano passado, a baixa foi de 3,5%, a 13ª queda consecutiva da produção industrial. No ano, o setor acumula queda de 5,9% e, em 12 meses, de 4,7%. De acordo com o IBGE, essa é a queda mais intensa desde o terceiro trimestre de 2009, quando o índice havia recuado 8,1%.

De acordo com André Macedo, a sequência de 13 meses de queda do índice mensal é a maior da série histórica, iniciada em 2002.

“A sequência de taxas anteriormente a essa, a gente tinha visto de novembro de 2008 a outubro de 2009, a maior sequência era de 12 meses de resultados de negativos”. O especialista ressaltou, no entanto, que “os resultados negativos observados nesse período [2008 a 2009] eram de uma magnitude superior àqueles que estamos observando nesse momento”.

Antes desse período de queda, entre 2009 e 2015, a indústria teve 11 meses de resultados negativos de setembro 2011 a julho de 2012.

“A indústria, de setembro para cá, tem uma perda acumulada de 5,1%. Ela está distante 11,2% do patamar mais alto, que foi registrado em junho de 2013”, afirmou Macedo.

Setores
O setor que mais contribuiu para o resultado negativo da indústria foi o de veículos automotores, com queda de 4,2% até março e de quase 20% nos últimos seis meses. Também influenciaram os desempenhos de máquinas e equipamentos (-3,8%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-8,1%) e de bebidas (-4,9%), entre outros.

“O que a gente observa para esse ano é que a indústria recua calcada nesse setor de veículos automotores, justificada não só pela queda de um produto específico, os automóveis, mas tem conjunto de atividades que mostram comportamento predominantemente negativo. E quando se olha o setor de metalurgia, borracha e plástico, vamos que também acompanham esse ritmo menor da produção industrial. Traz uma série [o resultado da indústria] de outras atividades também com peso importante”, afirma.

Entre os ramos que aumentaram a produção está o de produtos alimentícios, que voltou a crescer, atingindo alta de 2,1%.

Entre as categorias econômicas, recuaram a de bens de capital (-4,4%), como máquinas, a de bens de consumo duráveis (-3,1%), como carros, de bens de consumo semi e não-duráveis (-0,3%), como alimentos, e de bens intermediários (-0,2%), como matérias-primas.

 

Energia  poderá subir em julho mais 16,73% para as residências em SP


 

A conta de energia elétrica para consumidores residenciais em São Paulo poderá subir 16,73% a partir de julho, segundo proposta de revisão tarifária da Eletropaulo colocada em audiência pública pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A Eletropaulo atende 6,7 milhões de consumidores. Entre os clientes industriais, a alta média proposta é de 12,21%.

No início do ano, durante o processo de revisão tarifária extraordinária aplicada pelo governo nas tarifas, para fazer frente ao aumento do custo de geração da energia elétrica e a retirada de subsídios do governo, a tarifa da Eletropaulo já subira, em média, 31,9% para todos os clientes da companhia. Agora, o aumento médio proposto é de 15,16%.

O diretor José Jurhosa Junior, da Aneel, determinou em seu voto, que foi aprovado pela diretoria, que seja realizada uma audiência pública em São Paulo no dia 21 para debate sobre o reajuste, em local a ser definido ainda.

A Aneel aprovou também quatro reajuste de distribuidoras que atuam no interior paulista e em cidades de Minas Gerais. As mudanças foram de redução de 0,5% para a Empresa de Distribuição de Energia Vale Paranapanema S.A. (EDEVP); redução de 4,01% para a Companhia Nacional de Energia Elétrica (CNEE); alta de 1,42% para a Caiuá; e queda de 1,7% para a Empresa Elétrica Bragantina (EEB). Essas novas tarifas começam a valer no dia 10.



 

Redução do limite para financiar imóvel usado já vale

A redução do limite de financiamento para imóveis usados pela Caixa Econômica Federal começou a valer .

A mudança vale apenas para imóveis usados financiados com recursos da poupança – ficam de fora da mudança o crédito para a habitação popular, como o programa Minha Casa Minha Vida, e os financiamentos com recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). Nestas modalidades, não houve alterações, segundo a Caixa.

Pelas novas regras, os financiamentos com recursos da poupança (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) terão uma redução do limite do valor total financiado de 80% para 50% do valor do imóvel no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), e de 70% para 40% para imóveis no Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), pelo Sistema de Amortização Constante (SAC).

Com as mudanças, quem comprar um imóvel usado pelo SFH terá que dar uma entrada de no mínimo 50% e financiar a outra metade. Antes, a entrada mínima era de 20%. No caso do SFI, o valor mínimo da entrada passará a ser de 60%, para o consumidor financiar os outros 40%.

Segundo o banco, o objetivo é focar a oferta de crédito habitacional em moradias novas. O banco detém 70% de todos os financiamentos de imóveis no país.

Restrição nas vendas
Para o vice-Presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi-DF), Eduardo Aroeira Almeida, essa restrição vai afetar principalmente consumidores com menos recursos para comprar imóveis.

“A faixa de compradores entre entre R$ 190 mil e R$ 250 mil costuma ter valores menores disponíveis para dar como entrada”, disse na segunda-feira passada, quando foram comunicadas as novas regras.

“Com esse limite, menos pessoas vão conseguir vender seus imóveis usados para comprar outros maiores, e isso afeta as vendas mercado de imóveis como um todo, inclusive os novos”, acredita o economista, que vê a possibilidade de um aumento no déficit habitacional por conta da restrição.

Como a proporção de vendas de imóveis usados é bem maior que a de novos, Almeida também acredita que essa restrição pode afetar, inclusive, o nível de emprego no setor de construção civil, uma vez que o desaquecimento nas vendas no mercado imobiliário desestimula o lançamento de novas unidades pelas construtoras.

Preços dos imóveis
Por outro lado, Almeida não acredita que essa restrição nas vendas de usados possa provocar uma redução nos preços dos imóveis. “A margem na queda dos preços já está muito apertada”, avalia.

Em março, os preços dos apartamentos à venda acumularam no ano queda real (considerando a inflação do período) de mais de 3% em 20 cidades brasileiras, segundo o índice FipeZap. No mês passado, a alta nos preços foi de 0,14% na comparação com fevereiro. No acumulado em 2015, o aumento é de 0,69%.

No mesmo período, a inflação esperada para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) é de 3,91%. Dessa forma, o preço médio do metro quadrado registra nos três primeiros meses do ano queda real de 3,1%. Foi a 5ª vez seguida que o índice teve queda real de preços na comparação mensal.

Fuga da poupança
A restrição ocorre após a caderneta da poupança ter registrado uma saída líquida (retiradas menos depósitos) de R$ 11,43 bilhões em março, a maior fuga de recursos da aplicação para todos os meses. Quando a captação da poupança é reduzida, os recursos para empréstimos ficam mais escassos.

Março foi o terceiro mês seguido em que a poupança registrou recorde de saídas de valores. Em janeiro, R$ 5,52 bilhões haviam deixado a caderneta, valor que subiu para R$ 6,26 bilhões em fevereiro deste ano e para mais de R$ 11 bilhões em março.

Alta dos juros
Este mês, a Caixa voltou a aumentar as taxas de juros do financiamento imobiliário com recursos da poupança pelo SFH. O primeiro aumento de 2015 foi aplicado em janeiro. As novas condições passaram a valer para financiamentos a partir de 13 de abril.

Os financiamentos habitacionais contratados com recursos do Programa Minha Casa Minha Vida e do FGTS não foram afetados pela mudança.

 

Vale tem prejuízo de R$ 9,5 bi no primeiro trimestre


 

A mineradora Vale registrou prejuízo líquido de R$ 9,538 bilhões no primeiro trimestre de 2015, terceiro trimestre consecutivo de perdas para a companhia, em meio a uma queda nos preços do minério de ferro, ante lucro de R$ 5,909 bilhões no mesmo período de 2014, informou a empresa .

O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) ajustado da companhia, importante indicador da geração de caixa, somou R$ 4,635 bilhões no primeiro trimestre, ante R$ 9,572 bilhões no mesmo período de 2014.

A empresa foi impactada por menores preços de commodities e ajustes de preço, alguns custos de operação foram significativamente reduzidos, disse a companhia, em seu relatório de desempenho.

A empresa disse que realizou 45% das vendas de minério de ferro do primeiro trimestre a preço provisório de US$ 51,40 por tonelada comparado à média de US$ 62,40 por tonelada no período.

Em dólares, o prejuízo da Vale foi de US$ 3,118 bilhões, ante lucro de US$ 2,515 bilhões no primeiro trimestre do ano passado. A média de estimativas feitas por dois bancos e uma corretora foi de prejuízo de líquido de US$ 2,346 bilhões.

O preço médio realizado na venda de finos de minério de ferro despencou 51,5% em um ano, atingindo US$ 46,01 por tonelada no primeiro trimestre de 2015.

Com isso, a receita bruta da mineradora com finos de minério de ferro, sua principal fonte, caiu 47% no primeiro trimestre, na comparação anual, para US$ 2,734 bilhões.

INVESTIMENTOS E DESINVESTIMENTOS

Os investimentos da Vale chegaram a US$ 2,210 bilhões entre janeiro e março, queda de diminuição de US$ 377 milhões ante o mesmo período de 2014.

Já os desinvestimentos e parcerias representaram US$ 1,017 bilhão em recebimentos de caixa no primeiro trimestre. Deste total, US$ 900 milhões foram resultado da venda de 25% adicionais do fluxo de ouro produzido em Salobo (PA) como subproduto de cobre.

Dívida

A dívida bruta da companhia caiu para US$ 28,487 bilhões em 31 de março de 2015, redução de US$ 320 milhões ante o fim de 2014 com a ajuda dos desembolsos com desinvestimentos.

A dívida líquida alcançou US$ 24,802 bilhões, com posição de caixa de US$ 3,685 bilhões, antes da distribuição de US$ 1 bilhão em dividendos agendados para 30 de abril de 2015.



"Permanecemos confiantes que estaremos aptos a manter níveis estáveis de endividamento absoluto conforme executamos com sucesso nosso programa de desinvestimento e aumentamos a disciplina na aplicação de capital", disse a Vale, no comunicado.

Produção

A Vale alcançou produção de minério de ferro 74,5 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2015, o maior volume para um primeiro trimestre na história da empresa.

A produção em Carajás alcançou 27,5 milhões de toneladas, um novo recorde para um primeiro trimestre. A produção de níquel alcançou 69.200 toneladas no primeiro trimestre de 2015, o melhor desempenho para um primeiro trimestre, enquanto as produções de cobre e ouro alcançaram 107.200 toneladas e 103.000 onças, respectivamente, marcando novos recordes históricos de produção para a Vale.

 

Lucro do Bradesco sobe para R$ 4,24 bilhões no 1º trimestre


 

O Bradesco elevou sua rentabilidade no primeiro trimestre, apoiado em maiores ganhos com juros e no controle de despesas, mas o resultado foi ofuscado em parte pelo desempenho fraco em seguros e pelo aumento da inadimplência.

O banco encerrou o primeiro trimestre de 2015 com lucro líquido contábil de R$ 4,244 bilhões, um crescimento de 6,3% com relação ao resultado do quarto trimestre de 2014 e de 23,3% frente ao mesmo período do ano anterior, divulgou nesta quarta-feira (29) o banco.

O resultado do Bradesco no primeiro trimestre de 2014 é o maior lucro da história do banco para um primeiro trimestre, de acordo com a consultoria Economatica.

Os ativos totais do banco alcançaram R$ 1,035 trilhão em março de 2015, uma alta de 12,2% em relação a março de 2014, "ocasionada pelo aumento do volume de negócios".

O patrimônio líquido totalizou R$ 83,937 bilhões em março de 2015, apresentando um crescimento de 14,5% em relação ao saldo de março de 2014.

A rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE) foi de 22,3 por cento no trimestre, aumento de 1,8 ponto percentual sobre o mesmo período do ano passado.

Crédito
Refletindo a estagnação econômica do país, o estoque de crédito do Bradesco subiu apenas 7,2% em 12 meses, para R$ 463,3 bilhões até março. O destaque foram as grandes empresas, com alta de 10,4%. As operações para pessoas físicas e para empresas médias e pequenas, que rendem margens maiores, evoluíram apenas 7,1% e 1,9%, respectivamente.

Ainda assim, o banco se beneficiou do aumento das margens com operações de crédito, de 6,8% para 7,3%, e da boa performance da tesouraria, refletindo o ciclo de alta da Selic e dos títulos do banco atrelados ao IPCA.

Outro reflexo do panorama econômico brasileiro foi o índice de inadimplência medido pelo saldo de operações vencidas há mais de 90 dias, que chegou a 3,6%, altas de 0,1% e 0,2% ponto percentual sobre dezembro e sobre março de 2014, nesta ordem.

Os indicadores antecedentes de inadimplência também subiram.

Nessa linha, a despesa do banco com provisão para perdas com calotes deu um salto de 25,1% na comparação anual, para R$ 3,58 bilhões.

Em contrapartida, as despesas administrativas subiram apenas 4,7% em um ano, a R$ 7,08 bilhões.

No segmento de seguros, o lucro cresceu 23,4% ano a ano, a R$ 1,28 bilhão. Mas a sinistralidade, que mostra as despesas com pagamentos a segurados, aumentou 1,6 ponto percentual.

Na nota do balanço, o banco afirma que mantém uma visão positiva em relação ao país, e que vislumbra perspectivas favoráveis nos segmentos em que atua. "O volume de crédito cresce a taxas sustentáveis e compatíveis ao risco, enquanto a inadimplência mantém-se em patamares historicamente reduzidos e controlados. O cenário para os setores bancário e de seguros no Brasil continua bastante promissor".

 

Refinaria da Petrobras no Japão será fechada



A japonesa Nansei Sekiyu, da Petrobras, disse ter iniciado os procedimentos para desativar completamente as unidades de refino de sua refinaria Nishihara, de 100 mil barris por dia, em Okinawa, sudoeste do Japão.

A medida faz parte do plano de saída da Petrobras de Okinawa, que prevê o encerramento das atividades da Nansei Sekiyu.

O procedimento de desligamento da refinaria levará cerca de dois dias, e a companhia testará se o local pode funcionar como um terminal para manter estoques de combustível para Okinawa, disse uma porta-voz da empresa.

Ainda não foi decidida qual será a duração da parada, disse a porta-voz.

A Petrobras anunciou no fim de março o encerramento das atividades da refinaria. A petroleira não disse se ou como venderá as instalações em Okinawa.

A refinaria foi comprada em abril de 2008 por US$ 71 milhões, e a estatal já gastou o triplo desse valor para resolver problemas ambientais e fazer melhorias operacionais na unidade, que é antiga e processa 100 mil barris diários. Segundo uma fonte, a companhia teria investido mais de US$ 200 milhões na refinaria desde a aquisição.

A Petrobras entrou no mercado japonês com a compra de 87,5% da refinaria Nansei Sekiyu da TonenGeneral Sekiyu. Em 2010, comprou a participação restante que estava nas mãos da trading Sumitomo. Nos últimos anos a Petrobras tentou vender a unidade sem sucesso.

A compra da refinaria foi feita na gestão de José Sérgio Gabrielli e dos então diretores de Abastecimento Paulo Roberto Costa (em prisão domiciliar) e da área Internacional Nestor Cerveró (preso), ambos investigados na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal .

Na época da compra, apesar de ter recebido fortes críticas, a explicação da diretoria era da estratégia da Petrobras colocar o pé em um importante mercado, principalmente de olho no futuro uso do álcool hidratado que o Japão previa adotar.

Mas, desde então, a perspectiva de exportar álcool para o Japão não aconteceu e a refinaria passou a operar com carga mínima, não atingindo a meta de produção original de 100 mil barris de petróleo por dia.



 

 

Volume de emissões de títulos federais foi o maior da série histórica

 

O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido, afirmou que as emissões de títulos feitas pelo governo em março — de R$ 147,15 bilhões — foram um recorde para a série histórica, iniciada em 1999. Ele disse ainda que, apesar de o volume de papéis resgatados pelo Tesouro Nacional ter sido elevado, a emissão líquida também foi recorde.

Segundo Garrido, o aumento da oferta de títulos se deveu ao elevado volume de vencimentos ocorrido em janeiro e março. Como os papéis venceram, foi preciso colocar mais títulos no mercado para rolar a dívida pública. Além disso, lembrou ele, houve uma demanda expressiva por papéis por parte de instituições financeiras e investidores não-residentes.

— A gente teve em janeiro e março um vencimento muito expressivo. Por isso, o Tesouro está fazendo uma recomposição da dívida em mercado. Também houve demanda de diversos grupos de investidores — disse o coordenador, lembrando ainda: — As taxas (pagas pelo Tesouro) estão em patamares atraentes para os investidores.

Garrido explicou, no entanto, que a estratégia da equipe econômica é reduzir a oferta de títulos nos próximos meses:

— Em abril, demanda continua bastante elevada, superior às vendas do Tesouro, mas a estratégia é de uma redução em relação aos volumes vendidos em março. Até porque o Tesouro já efetuou a maior parte da rolagem da dívida.

GOVERNO VAI ESPERAR PARA VOLTAR AO MERCADO INTERNACIONAL

Perguntado sobre quando o governo voltará fazer emissões no mercado internacional, o coordenador disse que o Tesouro continua avaliando as condições e, por enquanto, considera que as taxas ainda podem ficar mais favoráveis:


Quando o Tesouro julgar que é o momento mais adequado vai fazer. A demanda do exterior é grande. Temos sido contactados por investidores estrangeiros, mas acreditamos que ainda poderemos ver taxas mais favoráveis para a República — disse ele, lembrando que a maior procura é por papéis em dólares e euros.

Ele lembrou que o governo já tem em caixa o suficiente para honrar os pagamentos de dívida externa pelos próximos 48 meses e que o principal motivo de novas emissões do Tesouro fora do país é servir como referência para operações de empresas brasileiras no mercado internacional:

— A necessidade de emissões em moeda estrangeira é muito baixa. Temos 48 meses já pré-financiados .



 

Situação do Brasil se deteriorou mais rápido que o esperado, diz GM

 

A General Motors divulgou lucro trimestral menor do que o esperado, com a fraqueza na América do Sul e na Rússia prejudicando a demanda, e impostos maiores que o esperado levando as ações a uma queda de 4%. “É evidente que o ambiente na América do Sul, principalmente no Brasil, deteriorou-se em relação ao que imaginávamos”, disse o vice-presidente financeiro Chuck Stevens a jornalistas.

Ele espera que a região siga “razoavelmente desafiadora” até a primeira metade do ano, mas disse que a GM está mirando lucros no segundo semestre similares aos do mesmo período de 2014.

Stevens disse que a montadora líder nos EUA cortou empregos e irá reduzir turnos de produção em fábricas no Brasil. Ele disse que isso vai gerar uma economia anual de cerca de US$ 200 milhões. A GM teve prejuízo de US$ 214 milhões no América do Sul no primeiro trimestre.

Stevens afirmou ainda que o cenário global para 2015 segue de aumento do lucro e que está no caminho para atingir em 2016 as margens de lucro de 10% na América do Norte e voltar à rentabilidade na Europa.

Resultados

O lucro líquido do primeiro trimestre subiu a US$ 945 milhões, ou 56 centavos por ação, ante US$ 125 milhões, 6 centavos por ação, um ano antes. O resultado do ano passado incluiu despesas relacionadas a recall.

Excluindo itens extraordinários ligados ao fechamento de produção na Rússia e a um recall relacionado a ignição com defeito, a GM lucrou 86 centavos por ação. Analistas estimavam 97 centavos, pela pesquisa da Thomson Reuters I/B/E/S.

A receita caiu 4,5%, a US$ 35,7 bilhões, abaixo dos US$ 37,6 bilhões que os analistas esperavam. As vendas foram afetados por menor volume no Brasil e na Rússia, bem como o impacto da fraqueza das moedas da região ante o dólar. A GM disse em março que vai fechar uma fábrica na Rússia e esvaziar sua marca Opel no país devido à queda da demanda.


A fraqueza da América Latina foi responsável por cerca de 6 centavos da queda no lucro, enquanto outros 4 a 5 centavos deveu-se a impostos maiores que o esperado, disse a GM.

Na América do Norte, a GM lucrou US$ 2,18 bilhões de dólares e margem de lucro de 8,8%, devido à forte demanda por grandes picapes e SUVs, e custos menores.

Apesar da força na América do Norte e China, a fatia de mercado global da GM caiu para 11% no trimestre, de 11,1% no ano passado.

 

Prejuízo da Petrobras é o maior desde 1986

 

O prejuízo da petrobrás em 2014 é o maior desde 1986 entre empresas de capital aberto brasileiras, segundo levantamento da consultoria Economática. Com valores ajustados pela inflação é o terceiro pior resultado. A empresa não apresentava prejuízo desde 1991.

O levantamento da Economatica mostra que, desde 1986, a Petrobras só registrou prejuízo nos anos de 1991 e 2014. O prejuízo no ano de 1991 ajustado pela inflação medida pelo IPCA até 31 de dezembro de 2014 foi de R$ 1,16 bilhões. O maior lucro registrado pela empresa foi no ano de 2008 com R$ 46,2 bilhões.

Desde 1986 a Petrobrás só não distribuiu dividendos no ano de 1992, após o prejuízo de 1991 e agora no ano de 2015 devido ao prejuízo de 2014.

O prejuízo da Petrobrás de R$ 21,58 bilhões no ano de 2014 é o pior resultado já atingido por uma empresa de capital aberto desde 1986 em valores nominais (início da base histórica de dados da Economatica). Dos 10 maiores prejuízos nominais históricos 5 são de empresas estatais. OGX teve o segundo pior resultado da história com o resultado de 2013.

Prejuízos ajustados pela Inflação até 31 de dezembro de 2014

A Economatica elaborou o mesmo estudo com os valores ajustados pela inflação medida pelo IPCA até o dia 31 de dezembro de 2014. Nessas condições o maior prejuízo das empresas de capital aberto brasileiras pertence ao Banco Nacional no ano de 1995 com R$ 23,9 bilhões, resultado este registrado quando da falência do banco. O segundo maior prejuízo histórico com ajuste pela inflação pertence ao Banco do Brasil no ano de 1996 com R$ 22,4 bilhões, quando reconheceram as perdas com os créditos de exercícios anteriores. O prejuízo de R$ 21,58 bilhões da Petrobras no ano de 2014 é o terceiro maior do período analisado.

Prejuízo foi impactado por Operação Lava Jato

O prejuízo líquido de R$ 21,6 bilhões companhia foi impactado, principalmente, pela perda de ativos imobilizados, no total de R$ 50,8 bilhões – composto pela desvalorização dos ativos, calculada em R$ 44,6 bilhões, enquanto a baixa referente a gastos adicionais capitalizados indevidamente em decorrência da Operação Lava Jato foi de R$ 6,2 bilhões).

O valor da receita operacional líquida registrado em 2014 foi de R$ 44,6 bilhões, enquanto a receita com vendas chegaram a R$ 337,3 bilhões. A estatal fez investimentos no valor total de R$ 87,1 bilhões, enquanto o Ebtida ajustado ficou em R$ 59,1 bilhões. A dívida líquida da empresa em 31 de dezembro de 2014 era de US$ 106 bilhões.

Segundo a divulgação dos resultados na quarta-feira (22), o balanço utilizou metodologia baseada no conteúdo das investigações do Ministério Público Federal – valores apurados pela Operação Lava Jato que se referem a 3% do valor de contratos com 27 empresas membros de um esquema de cartel que teria atuado na empresa entre 2004 e 2012.

Os dados apontam que a diretoria de Abastecimento foi responsável pelo desvio de R$ 3,4 bilhões, a de Exploração e Produção por R$ 2 bilhões, e a de Gás e Energia por R$ 700 milhões.

 

Veja os 5 maiores prejuízos nominais:

Petrobras: R$ - 21,5 bilhões, em 2014

OGX (empresa de óleo e gás): R$ - 17,4 bilhões, em 2013

Nova Óleo (óleo e gás): R$ - 16,8 bilhões, em 2013

Banco do Brasil: R$ -7,5 bilhões, em 1996

Banco Nacional: R$ -7,3 bilhões, em 1995

 

Investimento externo no setor produtivo no Brasil cai 38%

As contas externas brasileiras ficaram no vermelho em US$ 5,7 bilhões no mês passado. Por causa da alta do dólar, o resultado é 13,6% menor que o déficit de março do ano passado. Com a moeda americana mais cara, fica mais fácil exportar e menos vantajoso gastar com importados. A expectativa do Banco Central é que o momento atual do câmbio favoreça a contabilidade do país. No entanto, os dados do trimestre ainda não refletem exatamente isso.

Nos primeiros três meses do ano, as transações correntes - todas as trocas de serviços e do comércio do Brasil com o resto do mundo — têm um déficit de US$ 25,4 bilhões. É 8,4% menor que o rombo do mesmo período do ano passado. O resultado seria bom se não houvesse uma queda importante no investimento que chega ao país para aumentar a produtividade das fábricas.

No trimestre, os investimentos diretos foram de apenas US$ 13,1 bilhões. Isso representa uma queda de nada menos que 38% em relação aos três primeiros meses de 2014. Quando os investimentos superam o rombo das contas externas, deixa o BC confortável porque o déficit é mais fácil de ser financiado.

Segundo o BC, o rombo acumulando nos últimos doze meses é de nada menos que US$ 101,6 bilhões, o que equivale a 4,54% do Produto Interno Bruto (PIB).

— O câmbio teve influência determinante nesse tipo de comportamento (de março). O ajuste (esperado pelo BC) já está sendo observado no primeiro trimestre, principalmente, nas rubricas mais sensíveis como remessa de lucros, viagens e a na balança comercial — disse o chefe do departamento econômico do BC, Túlio Maciel. — Deveremos continuar observando esse ajuste nos próximos meses.

Apesar do aumento do dólar, a conta de serviços registrou despesas líquidas de US$ 3,9 bilhões no mês passado, aumento de 6,4% na comparação com o resultado de março de 2014. No entanto, despesas muito sensíveis à variação cambial caíram. Exemplos disso são gastos com transportes e viagens internacionais.

A estilingada recente da moeda americana desanimou o turista a viajar para fora. Os gastos do brasileiro no exterior caiu 18%, que somaram apenas US$ 1,5 bilhão. É o pior resultado para o mês de março nos últimos cinco anos. Em compensação, os ganhos com turismo subiram 2,9% nas despesas de viajantes estrangeiros ao Brasil. Foram US$ 548 milhões.

Já as despesas líquidas de lucros e dividendos atingiram US$1,2 bilhão, ante US$ 2,1 bilhões em março do ano passado: queda de 42,7%, enquanto as despesas líquidas de juros somaram US$ 1,1 bilhão, expansão de 11,1% no período comparativo.

Os investimentos diretos no país aumentaram US$ 4,3 bilhões, dos quais US$ 3,4 bilhões em participação no capital, incluídos US$504 milhões decorrentes do reinvestimento de lucros, e US$ 824 milhões em operações intercompanhias. Em doze meses, os ingressos líquidos dos investimentos diretos no país somaram US$ 88,8 bilhões, equivalentes a 3,97% do PIB.

Esses foram os primeiros dados divulgados pelo BC com uma nova metodologia que segue a sexta edição do Manual de Balanço de Pagamentos e Posição Internacional de Investimento (BPM6), do Fundo Monetário Internacional (FMI). As séries históricas antigas de balanço de pagamentos foram descontinuadas.

“Os padrões metodológicos internacionais oferecem recomendações para a compilação e apresentação das contas macroeconômicas. O objetivo é assegurar não apenas a consistência entre as várias estatísticas macroeconômicas, mas também permitir a comparabilidade entre os países”, diz o BC em nota.

No caso das transações correntes, por exemplo, o BC passou a incorporar lucros de filiais de empresas estrangeiras instaladas no Brasil que foram reinvestidos aqui e juros da dívida brasileira pagos a estrangeiros. Isso aumentou o déficit das contas externas, mas deixou os dados brasileiros mais próximos dos países de economia madura.



 

Prévia da inflação oficial tem pior taxa em 12 anos

A inflação medida pelo IPCA-15 — considerado uma espécie de prévia do IPCA, que é o índice oficial de variação de preços no país — ficou em 1,07% em abril, informou o IBGE. O resultado ficou acima da expectativa do mercado, que variava entre 0,92% e 1,02%, e foi o pior para o mês desde 2003, quando ficou em 1,14%. Apesar disso, houve uma desaceleração na taxa, já que em março foi registrada uma elevação de 1,24%, enquanto o IPCA fechou o mês passado em 1,32%. Em abril de 2014, o IPCA-15 ficou em 0,78%.

No ano, o IPCA-15 já acumula alta de 4,61%. Em 12 meses, o índice chega a 8,22%, o maior desde 2004, quando a variação em igual período somava 8,46%. No mês passado, o resultado em 12 meses foi de 7,90% e em fevereiro, de 7,70%.


Segundo o boletim Focus divulgado pelo Banco Central na última segunda-feira, após 14 semanas de elevação das projeções para inflação neste ano, economistas do mercado financeiro reduziram a expectativa e agora preveem que o IPCA feche 2015 em 8,13%. A redução é pequena, de apenas 0,07 ponto percentual e mantém o índice bem acima do teto da meta do governo, de 6,5%. Há quatro semanas, a previsão era de que os preços subissem 7,93% no fim deste ano.

ENERGIA ELÉTRICA, A PRINCIPAL VILÃ

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, habitação teve a maior alta de 3,66%. Já a menor variação ficou com Comunicação, que teve queda de 0,30%. Os grupos habitação (3,66%) e alimentação e bebidas (1,04%) responderam juntos por 75,70% do índice, somando um impacto de 0,81 ponto percentual, com 0,55 ponto para o primeiro e 0,26 para o segundo.

Com impacto de 0,45 ponto percentual, a energia elétrica foi a que mais influenciou individualmente o IPCA-15. A elevação de 13,02% nas contas de luz deveu-se ao reajuste de 83,33% no valor da bandeira tarifária, que na cor vermelha passou de R$ 3,00 para R$ 5,50 a cada 100 kWh, e aos reajustes extraordinários. O Rio de Janeiro foi a segunda região com maior reajuste na energia, de 16,81%, atrás apenas de Curitiba, cuja variação foi de 20,17%.

Além da energia, o grupo habitação também registrou altas em taxa de água e esgoto (1,05%); artigos de limpeza (0,93%); condomínio (0,87%); gás de botijão (0,82%); aluguel residencial (0,74%); e mão de obra pequenos reparos ( 0,74%).


Já os alimentos, que registraram variação para cima de 1,04%, tiveram como principais altas cebola (6,72%), alho (6,61%), ovos (5,49%), leite (4,96%), tomate (4,28%) e óleo de soja (3,68%). A taxa de alimentos, porém, desacelerou frente a março, quando ficou em 1,22%.

NO RIO, PREÇOS SUBIRAM 9,47% EM 12 MESES

Passagem aérea (10,30%); serviços bancários (1,32%); telefone com internet (1,18%); empregado doméstico (1,12%); cabeleireiro (1,07%); vestuário (0,94%); conserto de automóvel (0,89%) e remédios (0,81%) também registraram altas significativas.

Curitiba foi a região metropolitana com índice de preços mais alto, de 1,79%, devido principalmente à energia elétrica (20,17%) e aos alimentos (1,64%), seguida de Brasília (1,48%) e Rio de Janeiro (1,28). Em março, a taxa fluminense ficou em 1,10%. No ano, acumula alta de 5,43%. Em 12 meses, a região metropolitana do Rio tem a maior inflação do país, com 9,47%, bem acima da média nacional, de 8,22% e que é a maior desde 2004.

A Rosenberg Associados destaca os significativos reajustes no primeiro semestre do ano deverão ser carregados ao longo de todo o ano, fazendo com que a inflação acumulada em 12 meses se descole bastante do teto da meta do governo, que é de 6,5%. Apesar disso, acredita que, depois de “flertar com variações ao redor de 8,5% no meio do ano, espera-se que o IPCA descomprima-se, terminando o ano com taxa acumulada de 7,9%”.

“Apenas os administrados deverão subir 13,6% neste ano, enquanto os preços livres deverão terminar com variação de 6,3%, contando com menores variações nos alimentos no domicílio (haja vista à descompressão dos in natura que já se verifica nos IGPs) e nos serviços (a cargo da deterioração no mercado de trabalho)”, explica a Rosenberg em nota.

O Banco Fator também ressalta a pressão dos preços administrados, por um lado, e a desaceleração de outros componentes devido à alta dos juros e o enfraquecimento da atividade econômica. “Separando o IPCA-15 em preços administrados, serviços e todos os demais componentes, vemos que estes ‘outros’ desaceleraram de 5,76% para 5,18% na base interanual (abril de 2015 frente a abril de 2014). Neste ponto, cabe salientar os efeitos da já observada contração da atividade econômica, junto com o ciclo de alta na Selic iniciado em outubro do ano passo, sobre os preços. Administrados e serviços, como já foi dito, aceleraram nesta base de comparação.”

Em relatório, o Goldman Sachs afirma que as ações feitas pelo governo até o momento para combater a inflação são positivas, mas ainda não são suficientes e farão com que o Comitê de Política Monetária (Copom) volte a elevar a taxa básica de juros, a Selic, mas em 0,50 ponto percentual em vez de um moderado 0,25 ponto percentual na reunião do próximo dia 29.

Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 14 de março a 13 de abril de 2015 e comparados com os que estavam vigentes de 12 de fevereiro a 13 de março deste ano.

 

Proposta do governo para salário mínimo em  2016 é de R$ 854

 

O governo federal propôs que o salário mínimo, que serve de referência para mais 46 milhões de pessoas no Brasil, suba dos atuais R$ 788 para R$ 854 a partir de janeiro de 2016, com pagamento em fevereiro do próximo ano.

O percentual de correção do salário mínimo, pela proposta, será de 8,37% no próximo ano.

A informação consta na proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), divulgada pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. O documento está sendo enviado ao Congresso Nacional.

Para 2017 e 2018, respectivamente, a estimativa do governo para o salário mínimo é de R$ 900,1 e de R$ 961.

O governo também admitiu oficialmente, por meio do projeto da LDO, que a inflação deve somar 8,2% neste ano e, com isso, estourar o teto do sistema de metas de inflação brasileiro.

Formato de correção
A correção do salário mínimo é definida pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), índice de inflação calculado pelo IBGE, do ano anterior ao reajuste, somada ao aumento do PIB de dois anos antes, o que proporciona ganhos reais – acima da inflação – para os assalariados, mas somente se o PIB tiver crescimento.

Essa fórmula valia até este ano, mas, recentemente o governo enviou uma Medida Provisória ao Congresso estendendo o formato até 2019.

Valor ainda pode mudar
Esse valor proposto para o salário mínimo em 2016 pelo governo federal, entretanto, ainda pode ser alterado no futuro, com base nos parâmetros estabelecidos para sua correção (crescimento do PIB do ano de 2014 e da inflação, medida pelo INPC, deste ano). No ano passado, o PIB cresceu 0,1% e, para a inflação medida pelo INPC, a última previsão do mercado financeiro, feita na semana passada, é de uma alta de 8,34%.

O que estava previsto antes
Em 2012, quando enviou a proposta da LDO de 2013, o governo previa que o salário mínimo superasse a barreira dos R$ 800 já em 2015. Mas o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ficou abaixo do que o governo esperava naquela época, o que resultou em uma alta menor do mínimo - para R$ 788 neste ano.

Em abril de 2013, na proposta da LDO do ano seguinte, o governo previa que o salário mínimo somaria R$ 849,78 em 2016. Em março do ano passado, na proposta da LDO de 2015, a estimativa do Executivo para o valor do salário mínimo de 2016 já havia recuado para R$ 839,24.

 

HSBC lidera ranking de reclamações do Banco Central

 

O HSBC liderou o ranking de reclamações do Banco Central em março deste ano, segundo levantamento divulgado Neste caso, foram considerados bancos e financeiras com mais de dois milhões de clientes.

No mês passado, o HSBC, que conta com 10,27 milhões de clientes, recebeu 98 queixas consideradas procedentes. Com isso, registrou um índice de reclamações de 9,53. Segundo o BC, a maior parte das reclamações do HSBC (20) ocorreu por "irregularidades relativas à integridade, confiabilidade, segurança, sigilo ou legitimidade das operações e serviços".

O índice de reclamações, que é o principal critério utilizado pela autoridade monetária para formar o ranking, é calculado com base no número de reclamações dos correntistas consideradas "procedentes", multiplicado por um milhão e dividido pelo número de clientes da instituição financeira.

Em segundo lugar no ranking de reclamações de março deste ano, aparece o Bradesco, com 683 reclamações. O banco possui 75,26 milhões de clientes. Com isso, seu índice de reclamações ficou em 9,07 no mês passado. Em terceiro lugar, ficou o Santander, banco que possui 31,77 milhões de clientes. Foram registradas em março 282 reclamações procedentes. Seu índice de reclamações, com isso, somou 8,87 no mês passado.

Em quarto lugar, está a Caixa Econômica Federal. Com 75,2 milhões de correntistas, houve 657 queixas procedentes em março, o que resultou em um índice (que serve de base para o ranking do BC) de 8,73. Em quinto lugar no mês de março, ficou o Banco do Brasil, que tem 55,4 milhões de clientes. As reclamações somaram 334 em março, o que resultou em um índice de reclamações de 6,02.

 

Vendas no comércio têm a maior queda desde de 2003

Depois de crescerem no primeiro mês de 2015, as vendas do comércio varejista brasileiro voltaram a cair. Em fevereiro, em relação a janeiro, o indicador recuou 0,1%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Frente ao mesmo mês do ano passado, as vendas do comércio tiveram queda de 3,1%. Nessa base de comparação, é o pior resultado desde agosto de 2003, quando o varejo registrou baixa de 5,7%.

Considerando apenas os meses de fevereiro, foi a pior baixa desde 2001, quando houve queda de 5%.

“Depois de dois meses positivos, [o indicador] volta a cair. Aí você tem o efeito calendário em algumas atividades como material de construção, veículos e combustíveis. Os preços dos combustíveis em 12 meses cresceram 10,2%", disse Juliana Vasconcellos, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

No primeiro bimestre do ano, o indicador acumula queda de 1,2% e, em 12 meses, alta de 0,9%.

“O comércio reflete o consumo das famílias. O que influencia a gente é renda, preço e crédito, de um modo geral. A massa de rendimento real dos trabalhadores cresceu 4,1% no ano anterior [comparação de fevereiro de 2013 a 2014] e nesses últimos 12 meses caiu 1,5%, comparado com 2014. Então, você tem crédito crescendo menos, renda caindo... E fora que você tem carnaval”.

De acordo com Juliana, o crédito cresceu 5,2% de 2014 para 2015, em contrapartida, ele havia crescido 7,4% de 2013 para 2014.

Por categorias
De janeiro para fevereiro, venderam menos os ramos de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,2%); tecidos, vestuário e calçados e material de construção (-0,7%); móveis e eletrodomésticos, equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-1,3%); veículos e motos, partes e peças (-3,5%); e combustíveis e lubrificantes (-5,3%).

Porém, cresceram as vendas de outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,8%); livros, jornais, revistas e papelaria (1,0%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,8%).

Na comparação com fevereiro do ano passado, caíram as vendas de móveis e eletrodomésticos (-10,4%); combustíveis e lubrificantes (-10,4%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,8%); tecidos, vestuário e calçados (-7,3%); e livros, jornais, revistas e papelaria (-5,3%).

O resultado negativo nas vendas de móveis e eletrodomésticos exerceu o maior impacto do varejo. Segundo o IBGE, "tal comportamento pode ser atribuído à retirada gradual dos incentivos (redução do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI) direcionados à linha branca somado ao menor ritmo de crescimento do crédito".

Regiões
A maioria dos estados analisados pelo IBGE mostrou vendas menores, com destaque para Goiás (-10,6%); Mato Grosso (-8,9%) e Distrito Federal e Maranhão (ambos com -8,7%).

Na comparação com janeiro, os resultados no varejo foram negativos para 19 estados. As maiores quedas foram vistas em Roraima (-8,0%); no Amapá (-6,7%); em Goiás (-2,5%); e no Ceará (-2,4%).

Varejo ampliado
Incluindo as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, o varejo ampliado caiu 1,1%, o terceiro resultado negativo.

"Esse comportamento ocorre em função do desempenho negativo de veículos, motos, partes e peças, cujo resultado interanual foi de -23,7%, acumulando no ano de -19,8% e em 12 meses taxa de -12,8%", afirma o IBGE, em nota.

 

 

China exigirá compensação pelo empréstimo de US$ 3,5 bi à Petrobras

O empréstimo de US$ 3,5 bilhões do Banco de Desenvolvimento da China para a Petrobras, liberado recentemente, mostra que os chineses não estão brincando e querem ocupar um espaço maior do que já tem na América do Sul. Antes do Brasil, a Venezuela e a Argentina, países que passam por grave crise econômica, foram socorridos por Pequim.

Fontes do governo e especialistas em geral concordam que essa ajuda financeira não é de graça e especulam que a contrapartida exigida pela nação asiática são a realização de obras de infraestrutura com máquinas e equipamentos e trabalhadores do país asiático. No caso da Petrobras, a estatal pagaria o empréstimo comprando alguns equipamentos e fornecendo petróleo.

- As condições do empréstimo para a Petrobras não foram divulgadas, mas devem estar vinculadas ao fornecimento de petróleo e talvez de equipamentos - afirma Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos e atual presidente do Conselho de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Para ele, quem mais perde com a crescente presença da China na América do Sul é o Brasil, por duas razões: a concorrência, cada vez mais forte, dos equipamentos chineses; e, do ponto de vista político-diplomático, a instalação de base militar na Argentina.

- O Brasil sempre se manifestou contra a instalação de bases militares em nossa região - completa Barbosa.

Estima-se que a China já emprestou mais de US$ 120 bilhões para a América do Sul e, por ordem decrescente, venezuelanos, argentinos e brasileiros são os maiores beneficiados. Somente em 2014, foram repassados US$ 12 bilhões para a região e a maior parte dos recursos, US$ 8,6 bilhões, veio para o Brasil.

Sobre a Argentina especificamente, os mais de US$ 10 bilhões emprestados recentemente serão compensados pela compra de máquinas e equipamentos chineses e a autorização de uma base militar de rastreamento de satélites e mísseis no país. Recentemente, a presidente argentina Cristina Kirchner esteve na China para assinar 22 acordos de uma aliança estratégica nas áreas de infraestrutura e energia. E, em janeiro último, os chineses anunciaram que iriam investir US$ 20 bilhões na Venezuela, conforme informou o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

- A China é um país discreto, que procura trabalhar silenciosamente. A grande diferença em relação a outros países é que os chineses têm muito dinheiro. São os maiores credores do mundo e possuem reservas internacionais de US$ 4 trilhões - diz o pesquisador do Instituto de Relações Internacionais da PUC/Rio, Paulo Wrobel.

Segundo o professor de Relações Internacionais Cui Shoujun, da Universidade Renmin, em Pequim, a China vê a América Latina como parte de uma estratégia combinada de longo prazo que visa não só ao lucro, também à influência política na região. Esta estratégia ganhou força depois que o governo Lula fez da cooperação Sul-Sul prioridade. O fato de os latinos terem um histórico de notas de risco ruins não assusta. Muito menos as atuais denúncias de corrupção aqui no Brasil.

- Os países latinos podem estar em apuros agora, mas não necessariamente para sempre. E a corrupção é inevitável. O próprio governo chinês está no meio de uma campanha para erradicar a corrupção. Enquanto o governo brasileiro estiver adotando medidas positivas para combatê-la, as empresas chinesas vão ver no país novas oportunidades de ganhar mercado - disse.

O consultor internacional Nelson Franco Jobim reforça que a China tem as maiores reservas cambiais do mundo e um vasto fundo soberano usado para aquisições estratégicas e, principalmente, assegurar o fornecimento de matérias-primas essenciais a seu desenvolvimento. Isso orienta as relações com a África, a América Latina e o Oriente Médio.


A China se aproveita da fragilidade de países como Brasil, Venezuela e até a Rússia. O acordo da China com a Argentina foi uma clara violação das regras do Mercosul, que cada vez mais se torna irrelevante - diz Jobim.

Leonardo Valente, professor de relações internacionais da UFRJ, lembra que nenhum empréstimo é de graça, nem os concedidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) ou pelas potências ocidentais, nem os concedidos pela China.

- Mas é extremamente positivo que o cenário internacional tenha uma maior diversidade de opções de credores, o que dá mais autonomia decisória aos países que precisam desses empréstimos. A China tem interesses estratégicos na América do Sul e estes dependem da estabilidade política e econômica da região - disse Valente.



 

 

Câmara aprova fim do sigilo de crédito do BNDES



A Câmara dos Deputados aprovou na última quinta-feira emenda do deputado Alfredo Kaefer (PSDB-PR) que quebra o sigilo de operações de apoio financeiro do BNDES — ou de suas subsidiárias — a entes públicos ou empresas, incluindo os financiamentos externos. A emenda foi incluída na MP 661, que autoriza a União a conceder empréstimo de R$ 30 bilhões ao BNDES, aprovada por 298 votos a favor, 95 contra e quatro abstenções. O governo e o PT eram contra a aprovação, mas foram vencidos. O plenário concluiu a votação da MP, com outras alterações, e o texto segue agora ao Senado.

Segundo a emenda aprovada, não poderá ser alegado “sigilo ou definidas como secretas” as operações do BNDES “qualquer que seja o beneficiário ou interessado, direta ou indiretamente, incluindo nações estrangeiras”. Na justificativa, o deputado tucano cita o empréstimo do banco para a construção do Porto Mariel, em Cuba, muito criticado pela oposição. Kaefer afirma que, quando questionou o empréstimo e quis mais informações, elas foram negadas pelo BNDES e pelo Ministério do Desenvolvimento e Comércio Exterior (Mdic).
“O BNDES, banco de fomento 100% estatal, tem como principal fonte de recursos os créditos concedidos pelas União, a taxas subsidiadas", disse Kaefer na justificativa, classificando de absurda a atitude do banco de se negar a prestar informações.

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), foi contra a votação da emenda. A liderança do PMDB estava sendo exercida pelo vice-líder, Newton Cardozo Junior (MG), que liberou sua bancada.

LIMITE MAIOR PARA CRÉDITO CONSIGNADO

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que a emenda é inconstitucional e deverá ser vetada pelo Palácio do Planalto. Ele disse que a matéria não pode ser discutida em lei ordinária, mas somente por lei complementar. O peemedebista destacou que a aprovação da emenda foi uma derrota política para o governo:

— Essa emenda é flagrantemente inconstitucional. O sigilo é regulado por lei complementar. O governo certamente vai ter que vetar. Foi uma vitória política de quem defendia o tema, que pode ser até bastante interessante, mas não pode ser nunca debaixo de uma lei ordinária.

Também foram incluídas na MP, com o voto favorável do governo, emendas que ampliam de 30% para 40%, e até 50%, o percentual que o trabalhador da iniciativa privada pode comprometer de seus salários com empréstimos, na modalidade de crédito consignado. As mesmas regras valerão para aposentados e pensionistas do INSS, ampliando o teto de desconto na folha de benefícios.

De acordo com as emendas, o trabalhador poderá autorizar desconto de até 40% na folha de pagamento de “empréstimos, financiamentos, cartão de crédito e operações de arrendamento mercantil”. No caso das dívidas com cartão de crédito, o desconto em folha pode chegar a 10%. No caso de pagamentos a farmácias, supermercados, plano de saúde, previdência privada e seguro, o percentual chega a 50%.




 

Agência  reduz de estável para negativa nota do Brasil

A agência de classificação de risco Fitch anunciou a revisão da perspectiva do rating do Brasil de estável para negativa. Os motivos citados pela empresa americana são a contínua fraqueza econômica no país, maior desequilíbrio macroeconômico, deterioração fiscal e um aumento significativo do endividamento do governo. Esses fatores estariam, em sua avaliação, “aumentando a pressão sobre o perfil de crédito soberano”.

A Fitch manteve o rating brasileiro em “BBB”, ou seja, ainda grau de investimento — chancela dada a países considerados seguros para investir. Mas a perspectiva negativa signfica que, entre 12 e 24 meses, a chance de rebaixamento é superior a 50%.


Segundo a Fitch, o governo iniciou o processo de ajuste macroeconômico “para aumentar a credibilidade e confiança política”, mas os riscos de desaceleração relacionados à aplicação das medidas persistem, “especialmente no contexto de um ambiente político e econômico desafiador”.

“Choques internos e externos adicionais poderiam minar o ritmo e o alcance do processo de ajustes”, diz a agência.

A nota foi mantida, afirma a Fitch, devido à diversidade econômica brasileira, às instituições civis relativamente desenvolvidas e a uma forte capacidade de absorção de choques sustentada por uma robusta posição de reservas internacionais, entre outros fatores.

A agência ressalta ainda que a composição da dívida do governo tem melhorado nos últimos anos, reduzindo riscos de câmbio e de juros, com o país mantendo o acesso ao mercado.

O processo de ajuste econômico também é destacado pela Fitch como um instrumento que pode melhorar a consistência e credibilidade das políticas governamentais caso seja efetivamente implementado, o que demonstraria “a capacidade dos formuladores de política econômica de responder a choques”.



Além disso, a agência aponta os ajustes já realizados pelo governo, como a maior desvalorização do real frente ao dólar e o aperto nas políticas monetárias e fiscal.

O relatório, no entanto, aponta como panorama negativo o crescimento de apenas 0,1% da economia em 2014 e a perspectiva dos analistas de contração de 1%, em média, em 2015.

 

Conta de luz já acumula alta de 60,42% em 12 meses

 

Com os reajustes extras para compensar o custo do uso de usinas térmicas, a energia elétrica já acumula alta de 60,42% em 12 meses até março. É um forte avanço na comparação com a taxa registrada no fim de 2014, quando o item encerrou o ano em 17,06%, já influenciado pela crise energética vivida pelo país.

— Isso significa que, há 12 meses, se a gente pagava R$ 100, hoje paga R$ 160 pela conta de luz — explica Eulina Nunes, coordenadora de índice de preços do IBGE.


Em março, com aumento médio de 22,08%, a conta de luz mais cara foi responsável por mais da metade do IPCA do mês. O item energia elétrica representou 53,79% do IPCA, com impacto de 0,71 ponto percentual.

No Rio, esse peso da alta da conta de luz foi maior, chegando a 61,3%. Segundo os dados divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE, o serviço registrou alta de 23,34% no mês passado, contribuindo com 0,87 ponto da inflação carioca de 1,35%, acima da média nacional.

O resultado foi principalmente influenciado pelo reajuste de 34,91% da Ampla, recentemente revisado para baixo pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A alta foi autorizada em 15 de março, mas já apareceu no resultado do mês.

Esse resultado fez com que o grupo habitação, no qual se enquadram as tarifas de energia, subisse 5,98% em março (contra 1,02%), e respondendo por nada menos que 74% do resultado do Rio de Janeiro.

Em abril, no entanto, esse avanço deve perder um pouco de fôlego, avalia a especialista do IBGE. A pesquisa deste mês, que será divulgada no início de maio, deve ser impactada principalmente pelos reajustes da conta de luz em Belo Horizonte, de 6,56%, e em Belo Horizonte, de 3,22%, ambos a partir desta quarta-feira.

Os reajustes são menores que, por exemplo, a alta de 34,91% na tarifa da Ampla, autorizada em 15 de março, que já influenciou o IPCA do mês passado. Na terça-feira, porém, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), reduziu o reajuste da Ampla para 30,25%.

Após fechar o ano passado com avanço de 17,06%, a inflação da energia no acumulado em 12 meses saltou para 27,09% em janeiro, 30,27% em fevereiro e a 60,42% no mês passado. A intensidade da elevação mostra que os reajustes estão concentrados no início do ano.

O IBGE informou nesta quarta-feira que a inflação brasileira acelerou para 1,32% em março. O resultado é o maior para o mês desde 1995 — menos de um ano após a implantação do real, em julho de 1994 e quando atingiu 1,55%. Considerando todos os meses, é o maior índice desde fevereiro de 2003, quando chegou a 1,57%. No trimestre, a taxa está em 3,83%, a maior para o período desde 2003, quando foi de 5,13%.

No acumulado em 12 meses, o IPCA, índice oficial, já avança 8,13%, bem acima do teto da meta do governo, de 6,5%, e é o maior desde dezembro de 2003 (9,3%). No acumulado em 12 meses até fevereiro, o IPCA registrava alta de 7,7%. Em fevereiro, havia ficado em 1,22%.

Alimentos e bebidas

Seguindo a tendência nacional, o grupo de alimentação e bebidas respondeu pelo segundo maior impacto do mês no Rio de Janeiro, com alta de 0,95% e peso de 17%.

O vilão entre os produtos alimentícios foi o alho que, segundo o IBGE, é fortemente impactado pelo dólar alto, já que é importado. Também pesou no bolso do consumidor a alta da cebola (12,14%) e, em mês pré-Páscoa, os pescados, que subiram 6,75%.


Para aliviar o consumidor carioca, a carne que foi uma das pressões do ano passado, registrou queda de 1,61% em março. Mas o impacto sobre o resultado foi quase irrelevante, só de 0,03 ponto percentual. Entre as principais quedas, o que mais pesou no balanço da região foi a redução da passagem aérea, que chegou a 12,38%, ainda assim com tímido peso negativo de 0,09 ponto percentual.

Remédios vão pressionar em abril

Enquanto a energia pode dar uma trégua, o índice de abril deve ser pressionado por outras altas. No Rio, pesará sobre o resultado o reajuste de 5,71% do metrô, em vigor desde o último dia 2. E, em todo o país, os aumentos nos preços de medicamentos, de 1,02% a 5,68%, válidos desde o dia 1º.

— Remédio é que tem mais impacto, porque pega o Brasil inteiro. O impacto dos (preços) monitorados no mês de abril tende a ser menos expressivo do que o que ocorreu em março

 

 

Investigados por fraude no Carf planejavam comprar imóveis em Miami

Gravações da Polícia Federal mostram que o grupo acusado de vender decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) chegou a promover a troca de conselheiros para supostamente facilitar a redução da dívida tributária da Açominas, uma empresa do Grupo Gerdau. As escutas mostram que integrantes da organização negociaram uma propina de R$ 50 milhões. Nos diálogos obtidos pelo GLOBO, os conselheiros fazem planos com a fortuna: comprar apartamentos em Miami e ter aposentadoria tranquila.

O envolvimento das empresas do grupo Gerdau no esquema de compra de pareceres do Carf foi revelado em 27 de março, um dia após o início da fase pública da Operação Zelotes. Segundo relatório da PF, o conselheiro José Ricardo Silva, um dos supostos chefes do esquema, foi substituído por Valmir Sandri. A troca faria parte de uma manobra para facilitar o julgamento do processo da empresa sobre uma dívida tributária de R$ 4 bilhões. José Ricardo teria de sair de cena, segundo a PF, porque sua atuação já levantava suspeitas dentro e fora do Carf. Ele ainda tinha mais dois anos de mandato.

“Houve um 'convite' para que o José Ricardo Silva deixasse (o Carf) porque 'todo mundo' estava sabendo que o processo estava comprado por R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais), mas (sic) que ele participaria da partilha”, afirma a PF com base na interceptação de uma conversa telefônica entre o conselheiro Paulo Roberto Cortez e um de seus sócios o auditor fiscal aposentado Nelson Mallmam.

Relatos da propina estão em trechos do diálogo gravado pela PF em 8 de agosto:


Num caso desse é muita grana em jogo — diz Mallmam.

— Deus me livre — brinca Cortez.

— É uma aposentadoria tranquila. Agora eles já estão com R$ 50 milhões para receber nesses processos aí da Gerdau.

— E o contrato perdura o valor. O esquema está do mesmo jeito. Só foi convidado o doutor José Ricardo para se retirar, para renunciar ao mandato no Carf. Única coisa que aconteceu até hoje. Aí ele ficou mais livre para fazer negociata. A irmã dele continua, a Adriana, sócia dele, continua no Carf.

No mesmo dia em que a PF iniciou a Operação Zelotes, o conselheiro Sandri colocou o processo da Gerdau na pauta de julgamento. Seria analisado na quarta-feira seguinte, se o Ministério da Fazenda não tivesse mandado suspender todas as votações dos processos de empresas citadas na investigação.

Em conversa no dia 25 de agosto, Cortez comenta com um sócio o caso da Gerdau e lembra que Sandri estava para se aposentar e vinha comprando imóveis em Miami.

“Nessa ligação o Paulo Roberto Cortez (...) continua falando que o Valmir (Sandri) irá de aposentar após esse processo e que já esta investindo em imóveis em Miami, sendo que isso foi confirmado em ligações captadas do Valmir Sandri (que serão comentadas mais adiante) de que ele realmente este investindo dinheiro e imóveis em Miami e adquirindo novo apartamento no Rio de Janeiro”, diz o relatório da PF.


GERDAU: NENHUMA IMPORTÂNCIA FOI PAGA

Em nota, a Gerdau informou que, até o momento, não foi contatada por qualquer autoridade. Afirmou ainda que os contratos com esses escritórios externos foram firmados com cláusula que determina absoluto respeito à legalidade, cujo descumprimento acarreta na imediata rescisão dos mesmos. E garantiu que nenhuma importância foi paga ou repassada aos referidos escritórios externos.

“A Gerdau reitera, portanto, que possui rigorosos padrões éticos na condução de seus pleitos junto aos órgãos públicos e que está tomando as medidas necessárias para proteger seus direitos e sua reputação.”

O GLOBO tentou contato com Cortez tanto no telefone residencial quanto no celular, mas não houve retorno até o fechamento desta edição. Mallmam e Sandri também foram procurados, mas não foram localizado nos telefones indicados nas investigações. O advogado da família Silva, Getúlio Humberto Barbosa de Sá, também não retornou as ligações, mas afirmara anteriormente que provará a inocência dos seus clientes.




 

 

Vendas da Páscoa têm pior resultado desde 2007


Nem a tentativa do comércio de alavancar as vendas da Páscoa com promoções de última hora, ajudou a salvar o desempenho das vendas deste ano, que registraram o pior resultado desde 2007, quando foi iniciada a série histórica do Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio.

No final de semana da Páscoa, entre os dias 03 e 05 de abril, as vendas aumentaram 3,2% no país na comparação com o mesmo período de 2014. Já na semana passada, de 30 de março a 05 de abril, o crescimento foi nulo, ficando nos mesmos níveis de vendas ante ao mesmo período do ano anterior.

Com menos dinheiro no bolso por conta da alta da inflação, os consumidores deixaram a compra de seus presentes de páscoa para a última hora, esperando que houvessem promoções, observou a pesquisa.

Na semana passada, a maioria dos especialistas já previa uma Semana Santa magra para o comércio, o que levou a diversos varejistas a oferecerem descontos mais cedo do que o previsto que chegavam até 50%, para tentar garantir um resultado positivo para o feriado que responde por quase metade das vendas anuais de chocolates.

 

 

 Brasil cai 10 posições em ranking de negócios seguros

 


O Brasil sofreu uma piora e caiu dez posições em ranking que avalia o risco de cada país para as empresas fazerem negócios e o escolherem como sede de suas cadeias de fornecimento. A economia brasileira aparece em 59° lugar no relatório feito pela avaliadora de riscos FM Global, que classificou 130 países, enquanto no ano passado ele figurava em 49°. Quanto mais acima na tabela, menos arriscado o país é para se fazer negócios.

Nos dois extremos estão Noruega, como o mais bem classificado, e Venezuela, o pior. A companhia ressaltou no relatório — destacado em reportagem no site do “Wall Street Journal” — como os principais pontos negativos os “desafios significativos” que o Brasil enfrenta politica e economicamente, sem citar o esquema de corrupção Operação Lava-Jato e a queda de popularidade da presidente Dilma Rouseff.



Após uma alta no relatório de 2012, quando esteve em 46° e subiu duas posições ante o ano anterior, está é a terceira queda consecutiva do Brasil no ranking — em 2013 voltou a 48° posição, foi para a 49ª em 2014 e sofre novamente um tombo na análise divulgada neste ano.

Na avaliação da FM Global, a piora do Brasil no índice também é dificultada pela relativamente baixa qualidade de sua infraestrutura, embora seja o quinto maior país do mundo tanto por área geográfica e população e seja a maior economia na América Latina. Outro ponto destacado foi a seca prolongada vivida pelo país, apesar de ser ressaltado que o Brasil é “abençoado” com menor risco de desastres naturais.

Para chegar ao ranking, a companhia analisou fatores como crescimento econômico, risco político, exposição a riscos naturais, infraestrutura, gestão de risco e controle da corrupção, para dar a seus clientes uma ideia dos riscos que podem afetar seus negócios distantes.

O melhor colocado da América do Sul foi o Uruguai, em 41° lugar. É também deste continente que emerge a economia com o maior risco para as empresas, a Venezuela. A lista dos porquês justifica o motivo de sua economia vir com um aviso de luz vermelha para os investidores: em grave instabilidade macroeconômica, o país atualmente lida com uma moeda desvalorizada, inflação galopante e escassez de produtos.



O segundo melhor país classificado foi a Suíça, seguido pela Holanda, Irlanda e Luxemburgo. Já o melhor país não europeu foi o Qatar, em 7°, seguido pelo Canadá, classificado em 8º. Os Estados Unidos, que são divididos na análise em três partes, ficaram em 10°, 16° e 21°.

VIETNÃ DESPONTA

Embora o Vietnã tenha aparecido quase na lanterna, em 95° lugar no ranking, a companhia ressaltou a trajetória ascendente do país, sendo esta sua posição mais alta em cinco anos. O relatório destaca sua tendência positiva no índice, e a atribui aos maciços investimentos que os vietnamitas têm feito em infraestrutura, que vão desde os sistemas financeiros às estradas nos últimos 15 anos.

Na visão da FM Global, o país desponta com uma economia que pode se sobrepor a nações emergentes do Brics — Rússia ficou em 68°, Índia em 119°, e a China, também divida em três partes, figurando por volta da 60° posição — como um investimento corporativo offshore. Com todo o cenário positivo, a exposição a riscos naturais e má gestão do risco na região, especialmente no que diz respeito a incêndios, puxa o Vietnã para baixo no ranking.

 

Taxas de  bancos públicos não serão mais tão baixas

Largamente usados no período pós-crise 2008, para estimular a economia, os bancos públicos deixarão de ser usados como instrumentos financiadores de empréstimos em condições mais vantajosas. A informação foi dada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Ele enfatizou que com a expansão do crédito, com apoio do Tesouro, chegou-se ao montante de R$ 460 bilhões. Isso se traduziu em empréstimos para uma grande variedade de setores.

Essa política também já completou seu curso e tem que ser modificada. O mais importante é que essa expansão de crédito não foi inflacionária, porque tinha como lastro o aumento, a injeção de recursos por investidores estrangeiros. A nossa dívida externa, principalmente a pública, não se expandiu, mas a interna cresceu no mesmo passo dos recursos transferidos para o BNDES — afirmou Levy, acrescentando que esse rompimento faz parte da tentativa de se evitar o aumento da dívida pública.

É por isso, segundo Levy, que o governo vem elevando a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e as dos programa como o PSI e o Moderfrota (voltado para a aquisição de equipamentos agrícolas).

O ministro afirmou que o governo está cortando “na carne” para fazer o ajuste, e não só aumentando impostos. Ele argumentou que houve uma queda de 30% nas despesas discricionárias que, segundo ele, chegaram aos níveis de 2013. Como segundo passo nesse esforço, Levy mencionou a criação de grupos de trabalho para melhorar a qualidade dos gastos. São equipes que, enfatizou, “estão passando o pente fino em tudo”.

— É uma sinalização de disciplina e esforço do governo. O governo se pôs na dianteira do ajuste cortando despesas — disse.

Perda de grau de investimento teria ‘custo altíssimo’

Ele começou sua fala na comissão afirmando que o programa de ajuste fiscal do governo tem como objetivo reverter a deterioração das contas públicas e externas para reconquistar a confiança do mercado e permitir que a economia volte a crescer. Ele alertou para o risco de o país perder o grau de investimento, o que seria um cenário muito negativo:

— O custo de perdermos o grau de investimento será altíssimo para o governo, as empresas e para os trabalhadores, que vão ter que viver num país com turbulência.

O ministro ressaltou que o ajuste prevê a reversão das medidas anticíclicas que foram adotadas nos últimos anos, mas que perderam a razão de existir. Ele citou particularmente o programa de desoneração da folha de pagamento das empresas, que representa uma renúncia de R$ 21 bilhões este ano. Caso o programa não seja modificado, ele terá impacto de R$ 25 bilhões no ano que vem. Segundo Levy, essa política anticíclica foi uma das responsáveis para deterioração do quadro fiscal:

— Um dos fatores que levaram essa deterioração do (superávit) primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública) foi a ampliação de renúncias tributárias que se deram no âmbito das medidas anticíclicas.

O ministro afirmou que a proposta do governo — que prevê um aumento das alíquotas de contribuição previdenciária que incidem sobre o faturamento — ainda é vantajosa para grande parte dos empresários. Além disso, ele destacou que a equipe econômica também como vantagem a liberdade de as empresas poderem escolher se que querem pagar o tributo pelo faturamento ou pela antiga sistemática da folha:

— Essa medida fortalece a Previdência Social (pois reduz a renúncia fiscal com o programa), que é um fator de estabilidade para a nossa economia — disse Levy.

O ministro também defendeu as medidas que restringem o acesso benefícios trabalhistas e previdenciários, como o seguro-desemprego. Segundo ele, o que o governo está fazendo não retira direitos dos trabalhadores, mas faz correções no formato do que está em vigor:

— As medidas não tiram direito de ninguém. Elas corrigem falhas do desenho. São coisas que estão em vigor hoje e podem ser ineficientes, que podem ser ruins no longo prazo.

 

Air France-KLM faz pedido de 17 jatos da Embraer



A fabricante de aeronaves Embraer anunciou que recebeu um pedido firme de 17 E-Jets do Grupo Air France-KLM, com valor estimado de US$ 764 milhões com base em preços de lista, segundo comunicado da empresa.

O pedido firme é composto de 15 jatos E175 e dois E190 para a KLM Cityhopper, subsidiária regional da KLM. Sua inclusão na carteira de pedidos da Embraer ocorrerá no primeiro trimestre deste ano.

O contrato, que inclui opções para 17 E-Jets adicionais, pode chegar a US$ 1,5 bilhão se todas as opções forem exercidas. As aeronaves adicionais podem ser entregues para a KLM Cityhopper ou para a HOP!, subsidiária regional da Air France.

A entrega do primeiro E190 está programada para ocorrer até o fim do ano, ao passo que o primeiro E175 vai se juntar à frota da KLM Cityhopper no primeiro semestre de 2016, disse a Embraer em comunicado.

"Eles vão se juntar aos 28 E190 que atualmente operam com a KLM Cityhopper, substituindo os 19 jatos Fokker F70 restantes, que a companhia aérea está retirando de operação", disse a empresa em comunicado.

 

Economia brasileira ficou estagnada em 2014

 


A economia brasileira ficou estagnada em 2014, com alta de apenas 0,1%, informou o IBGE . No quarto trimestre do ano passado, a atividade avançou 0,3%, na comparação com os três meses anteriores. Com esse resultado, o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos) do país ficou em R$ 5,521 trilhões. No quarto trimestre, a economia recuou 0,2% frente ao quarto trimestre de 2013.

No terceiro trimestre, o dado foi revisado de avanço de 0,1% para 0,2%. Com isso, o país não corre mais risco de recessão técnica, que seriam dois trimestres seguidos de queda no PIB. No segundo trimestre, a queda passou a ser mais acentuada após a revisão pelo IBGE: de 0,6% para 1,4%. O primeiro trimestre foi revisado de contração de 0,2% para alta de 0,6%.

O PIB per capita caiu pela primeira vez desde 2009: recuo de 0,7%, para R$ 27.229. Em 2013, o PIB per capita havia obtido crescimento de 1,8% em relação a 2012. O recuo em 2014 ocorreu porque o crescimento populacional foi de 0,9%, ou seja, um avanço superior ao da economia.

Os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo, FBCF, investimento em máquinas, equipamentos e construção civil) subiram 6,1% em 2013 e caíram 4,4% em 2014, no pior desempenho desde 1999, quando o indicador recuou 8,9%. Foi a principal contribuição negativa para o desempenho da economia.

A taxa de investimento (relação entre a Formação Bruta de Capital Fixo e o PIB) da economia caiu de 20,5% em 2013 para 19,7% em 2014, após ter ficado em 20,5% no ano anterior. Essa é a menor taxa desde 2009, ano pós-crise global, quando o indicador havia ficado em 19,2%. A taxa de poupança, por sua vez, teve uma queda mais acentuada, de 2013 para 15,8%.

No ano passado, houve queda na produção interna na importação e produção interna de bens de capital e na construção civil. A construção caiu 3,3%, as máquinas e equipamentos recuaram 9,5%. Já o componente Outros, que incorporou P&D e exploração de petróleo e de minérios e softwares da nova metodologia, reduziu essa queda ao avançar 5,5%. Esse componente, que antes da revisão pesava 5%, agora pesa quase o triplo.

Eles foram responsáveis pelos investimentos não caírem tanto — afirmou. O único segmento da indústria que cresceu em 2014 foi extrativa mineral, com alta de 8,7%. A construção civil recuou 2,6%, mesma taxa da produção e distribuição de eletricidade, gás e água. A indústria de transformação teve tombo de 3,8%, puxada para baixo por indústria automotiva, máquinas e equipamentos, aparelhos elétricos e produtos de metal.

 

Pela ótica da oferta, a indústria teve o pior desempenho, com queda de 1,2%, enquanto serviços avançaram 0,7%. A agropecuária cresceu 0,4%. Pela ótica da demanda, o consumo das famílias avançou 0,9%, o menor crescimento desde a queda de 0,7% registrada em 2003, e o do governo, 1,3%.

O desempenho do consumo das famílias pode ser explicado por um crescimento menor da massa salarial e do crédito para pessoas físicas, enquanto a inflação e a taxa básica de juros da economia avançaram. Em 2014, a massa salarial subiu 4,1%, ao lado de alta nominal de 5,8% do crédito para pessoa física. Se considerado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 6,41% em 2014, houve queda real desse crédito. E a Taxa Selic média passou de 8,2% em 2013 para 10,9% em 2014.

— A massa salarial continua crescendo, mas o crédito para pessoa física não tem mais crescimento real, ou seja, sem considerar a inflação. Ao mesmo tempo, a Selic subiu e a inflação também — explicou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.



 

Importação de energia de Argentina e Uruguai será feita

 

O Ministério de Minas e Energia (MME) reconheceu a necessidade de importação de energia elétrica da Argentina e do Uruguai, "de forma excepcional e temporária", e definiu que ela se dará por meio de ofertas semanais de energia na fronteira com o Brasil ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tendo como destino o mercado de curto prazo do Sistema Interligado Nacional (SIN).

A determinação, publicada em portarias no Diário Oficial da União, dispõe que a Petrobras será responsável por importar energia da Argentina perante a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), enquanto a Eletrobras será responsável pela importação de energia do Uruguai.

No texto, o MME destaca que não caberá às estatais arcar com repercussões financeiras decorrentes de eventual inadimplência no mercado de curto prazo resultante do processo de contabilização da energia elétrica importada.

As portarias entram em vigor nesta quinta-feira, com vigência até 31 de dezembro de 2015.

Esses intercâmbios são feitos, pelo lado brasileiro, a pedido do ONS. Não se tratam de operações comerciais, ou seja, os países não compram energia um do outro. Mas sim de uma espécie de empréstimo, que gera crédito de eletricidade para o país que forneceu.

Em janeiro, por exemplo, o Brasil recebeu energia da Argentina um dia após o apagão do dia 19, que atingiu 11 estados e o Distrito Federal. A importação foi para atender ao aumento da demanda por energia no horário de pico de consumo.

Na época, aquele era a primeira vez que o Brasil pedia energia à Argentina pelo menos desde o final de 2013.

 

Confiança do consumidor cai pela terceira vez

 

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas recuou 2,9% em março, ao passar de 85,4 para 82,9 pontos. Com o resultado, o índice atinge o mínimo histórico pelo terceiro mês consecutivo.

A queda do ICC foi motivada principalmente pela piora da situação atual. Entre fevereiro e março, o Índice de Situação Atual (ISA) caiu 5,6%, de 82,3 para 77,7 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE) recuou 1,4%, ao passar de 87,0 para 85,8 pontos.

Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), os dois índices encontram-se nos níveis mínimos históricos. Considerando-se comparações com séries padronizadas, as expectativas estão em pior estado que as percepções sobre a situação atual: o IE está 3,4 desvios padrão abaixo da média histórica e o ISA, 2,9 desvios abaixo da média.

“O ICC aprofunda a queda, se afastando ainda mais dos níveis mínimos anteriores, registrados durante a crise financeira internacional de 2008-2009. Aos fatores econômicos, como inflação e mercado de trabalho, soma-se a preocupação do consumidor brasileiro com a turbulência do ambiente político e com os riscos de abastecimento de água e energia”, afirma Aloisio Campelo superintendente para ciclos econômicos da FGV/IBRE, por meio de nota.

 

Com dólar mais alto, gastos no exterior caíram

 

Os gastos dos brasileiros no exterior caíram 22,9% em fevereiro deste ano, para US$ 1,48 bilhão, segundo informações divulgadas pelo Banco Central. Trata-se do valor mensal mais baixo desde fevereiro de 2011, quando as despesas lá fora somaram US$ 1,33 bilhão.

Em janeiro, os gastos dos brasileiros fora do país tinham registrado alta de 4,1% ante 1 ano antes, alcançando US$ 2,2 bilhões.

No acumulado do ano, os gastos dos turistas no exterior somam US$ 3,68 bilhões, ante US$ 4,04 bilhões nos dois primeiros meses de 2014.

O dólar mais alto encarece as passagens e os hotéis cotados em moeda estrangeira, além dos produtos comprados lá fora. O dólar mais alto também encarece os gastos com cartões de crédito e débito no exterior.

Em fevereiro deste ano, a moeda norte-americana registrou uma alta de 6,19%, terminando o mês passado em R$ 2,8560. Em março, porém, o dólar rompeu a barreira dos R$ 3. Nesta terça-feira, a moeda norte-americana era negociada em queda. Às 10h40, a divisacaía 0,102%, a R$ 3,1421 para venda.

Histórico de gastos
Em 2014, os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 25,6 bilhões - recorde para um ano fechado. No ano anterior, haviam somado US$ 24,98 bilhões, contra US$ 22,2 bilhões em 2013. Em 2011, as despesas dos nossos turistas lá fora haviam totalizado US$ 21,2 bilhões.

Até 1994, quando foi criado o Plano Real para conter a hiperinflação no país, os gastos de brasileiros no exterior não tinham atingido a barreira dos US$ 2 bilhões. Mas, naquele ano, quando o real foi ao equiparado ao dólar, as despesas somaram US$ 2,23 bilhões. Entre 1996 e 1998, elas oscilaram entre US$ 4 bilhões e US$ 5,7 bilhões.

Com a maxidesvalorização cambial de 1999 e o dólar ultrapassando R$ 3 em um primeiro momento, as despesas lá fora também ficaram mais caras. Os gastos voltaram a recuar e ficaram, naquele ano, próximo de US$ 3 bilhões.

 

Economistas esperam inflação superior a  8% em 2015

 

Pela primeira vez, os analistas de instituições financeiras estão esperando que a inflação supere 8% este ano. Segundo pesquisa feita semanalmente com economistas e divulgada pelo Banco Central (BC), a mediana das expectativas para o IPCA de 2015 foi revisada para cima, na 12ª piora seguida da estimativa, de 7,93% para 8,12%, enquanto para 2016 passou de 5,60% para 5,61%. A meta oficial para a inflação é de 4,5%, podendo chegar a 6,5%.

A alta dos preços administrados é o grande peso, com a expectativa dos especialistas subindo agora para 12,6%, contra 12% antes. O dólar também tende a pressionar os preços, com os especialistas vendo a moeda a R$ 3,15 neste ano contra R$ 3,06 na pesquisa anterior. Para 2016, a projeção é de R$ 3,20, frente a R$ 3,11 antes.

Na última sexta-feira, o IBGE informou que, em 12 meses, o IPCA-15, considerado a prévia da inflação, acelerou para 7,90% — a maior taxa desde maio de 2005, quando ficou em 8,19%. Para o câmbio a previsões também foram revisadas, para cima, de US$ 3,06 para US$ 3,15 no fim de 2015 e de US$ 3,11 para US$ 3,20 no fim de 2016.



Ao mesmo tempo, os analistas passaram a mostrar incerteza sobre a dimensão da alta da Selic na reunião de abril. O Top-5 de médio prazo, com as instituições que mais acertam as projeções, elevaram ainda mais a perspectiva de aperto monetário para o fim deste ano.

CONTRAÇÃO DE 0,83% NA ECONOMIA

Sob o peso da inflação, o Copom elevou a Selic em 0,50 ponto percentual no início de março, para 12,75% ao ano. No Focus, os especialistas consultados veem nova elevação na reunião de abril do Copom, mas a mediana das projeções, de 13,13%, mostra incerteza quanto à dimensão dessa alta — na semana passada, ele viam a Selic a 13%.

Para o fim de 2015, o Focus ainda aponta a taxa básica de juros a 13% na mediana das estimativas, mas o Top-5 elevou a projeção a 13,75%, ante 13,50% antes. Para 2016, a mediana das projeções no Focus permaneceu em 11,5%, enquanto o Top-5 elevou a projeção em 0,50 ponto percentual, a 12%.

Já para o desempenho da economia houve piora nas projeções coletadas até o dia 20 de março: para 2015 foram de -0,78% para -0,83% e para 2016 de uma alta de 1,30% para 1,20%. A pesquisa Focus, do BC, reúne as estimativas de cerca de cem instituições financeiras.

 

Inflação pelo IPCA-15 fica em 1,24% em março

 

A inflação medida pelo IPCA-15, índice considerado uma espécie de prévia do IPCA, que é o índice oficial de variação de preços no país, ficou em 1,24% em março, informou o IBGE. Houve desaceleração na taxa, já que em fevereiro, foi registrada uma alta de 1,33%, enquanto o IPCA fechou o mês passado com elevação de 1,22%. Em março de 2014, o IPCA-15 ficou em 0,73%.

No acumulado em 12 meses, o IPCA-15 acelerou para 7,90% — o maior desde maio de 2005, quando ficou em 8,19%. Habitação (13,72%), alimentação (8,90%), educação (8,43%) e despesas pessoais (8,26%) acumulam resultado ainda maior no período de um ano. A taxa acumulada também é maior que o teto da meta do Banco Central (6,5%) para o IPCA fechado. Com isso, é possível que o indicador de março, a ser divulgado no início de abril pelo IBGE, se distancie ainda mais do objetivo do governo. No acumulado nos três primeiros meses do ano, o IPCA-15 já registra alta de 3,50%, acima dos 2,11% de igual período do ano passado.

O 1,24% de março deve-se principalmente ao aumento na conta de luz, nos preços dos combustíveis e dos alimentos que foram responsáveis por 77,42% do índice do mês, com impacto de 0,96 ponto percentual. A alta da energia elétrica (10,91% ), fez o grupo Habitação registrar o maior resultado no mês de março, com 2,78%.

A energia elétrica também foi a responsável pelo maior impacto individual no IPCA-15, de 0,35 ponto percentual, devido aos reajustes que passaram a vigorar a partir do dia 2 deste mês. Só a bandeira tarifária vermelha, válida no momento, teve alta de 83,33%, passando de R$ 3 para R$ 5,50. A alta no preço da conta de luz teve maior impacto em Curitiba (14,89%) devido ao reajuste extraordinário de 31,86%. No Rio de Janeiro, o custo da energia subiu 9,71%, devido ao reajuste de 21,05%.

Gasolina subiu 6,25%

Os combustíveis subiram 6,25%, gerando um impacto de 0,31 ponto percentual no IPCA-15. A maior parte, 0,26 ponto percentual, veio da gasolina, cujos preços subiram 6,68%. O preço nas bombas reflete o reajuste das alíquotas do PIS/Cofins a partir de 1º de fevereiro. O etanol ficou 5,32% mais caro e o diesel, 4,05%. Assim, o grupo Transportes fechou o mês de março em 1,91%.

O grupo alimentos registrou alta de 1,22%, pressionado por cebola (19,07%), cenoura (18,32%), tomate (13,04%), ovos (12,01%), hortaliças (7,62%) e feijão-carioca (4,17%).

Seguro de veículo (3,01%), higiene pessoal (2,17%), ônibus intermunicipal (1,82%), ônibus urbano (1,39%), automóvel novo (1,37%), mão de obra para pequenos reparos (1,23%) e eletrodomésticos (0,94%) também pressionaram o IPCA-15 em março.

Na outra ponta, comunicação registrou recuo nos preços de 0,78%, enquanto vestuário teve a segundo maior queda, de 0,11%. Despesas pessoais e artigos de residência subiram 0,41% e 0,44%, respectivamente. Educação teve elevação de 0,74%. Já saúde e cuidados pessoais aumentaram 0,96%.


Das 11 regiões pesquisadas, Curitiba registrou a maior alta, com 1,72%, seguida por Fortaleza e Porto Alegre, ambas com 1,38%. A menor ficou com Belém (0,72%).

O Rio de Janeiro, ficou com a terceira menor variação em março, de 1,10%, com desaceleração frente ao 1,59% de fevereiro. No acumulado em 12 meses, porém, a região tem a terceira maior taxa, de 8,69%, atrás apenas de Goiânia (9,33%) e Porto Alegre (8,82%).

O IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação. Tem a mesma metodologia do IPCA, mas é calculado pelo IBGE em períodos diferentes, a partir do meio do mês. Os preços foram coletados entre 12 de fevereiro e 13 de março e comparados com os que estavam vigentes de 14 de janeiro a 11 de fevereiro.



 

 

Smiles prevê ano mais difícil para resgate de milhas

A empresa de programa de fidelidade de clientes Smiles espera ano mais difícil para os resgates de milhas aéreas por conta da alta do dólar e o consequente encarecimento das viagens ao exterior, disse à Reuters o presidente da companhia, Leonel Andrade.

O executivo prevê, no entanto, continuidade da alta do acúmulo de milhas pelos mais de 10 milhões de participantes do programa de fidelidade da Gol, uma vez que o consumo via cartões de crédito deve continuar subindo, sob ritmo menor.

— Vai ser ano difícil no resgate. Com o dólar do jeito que está, as pessoas vão viajar menos, e usar menos milhas — disse Andrade. — Isso não é nenhum problema, na medida em que (as milhas) continuam entrando, as pessoas vão resgatar em algum momento — completou.

É somente no resgate que as milhas são contabilizadas como receita para a Smiles. Em 2014, o resgate de milhas da empresa subiu 9,4% na comparação com 2013, para R$ 33,6 bilhões, enquanto o acúmulo teve alta de 7,4%, para R$ 41,7 bilhões. Já a receita líquida foi de R$ 808,1 milhões, crescimento de 40,9% ano contra ano.

Andrade não traçou projeções para 2015, mas declarou que a Smiles deve ter margens de lucro acima do mercado, ganhando espaço de concorrentes como a Multiplus, programa de fidelidade da companhia aérea TAM e líder do segmento.

— Nosso foco é rentabilidade. Quando fizemos o IPO, o projeto era ter “fair market share” em cinco anos — declarou, referindo-se a uma participação de mercado equivalente à dos concorrentes. A empresa realizou a oferta pública inicial de ações no fim de abril de 2013.

A estratégia da Smiles para crescer vai no sentido oposto à de concorrentes, privilegiando os resgates de passagens aéreas em detrimento do resgate de produtos e serviços.

— Ninguém manda milha para a Smiles para trocar por telefone, manda porque quer voar — declarou Andrade.

Atualmente, produtos e serviços representam menos de 3% do total de resgates da Smiles. Em concorrentes, essa porcentagem é superior a 10%, disse Andrade.

— O melhor valor percebido ainda é assento de avião — salientou.

Dessa forma, a empresa privilegia as parcerias com companhias aéreas, prevendo até o fim do ano fechar de dois a três novos contratos. Atualmente, a Smiles tem 12, entre os quais estão Delta, Air France, KLM, Qatar Airways, Aerolíneas Argentinas, Etihad, Alitalia e TAP. Em breve haverá parceria com Aeroméxico, Korean Air e Copa Airlines, enquanto também está finalizando tratativas com a Air Canada.

Outra frente estratégica é lançar novos produtos, na tentativa de repetir ações do passado que acabaram sendo copiadas por concorrentes, como o Smiles & Money, que permite ao cliente completar com dinheiro as milhas que faltam para resgatar as passagens. Lançado em 2013, esse produto responde hoje por 40% da emissão de tíquetes da Smiles.

Sobre os acordos com varejistas, o executivo declarou que o objetivo não é ter alto volume de parceiros, mas apenas um líder de cada segmento. No ano passado, a Smiles fechou parceria com Cielo, FastShop, Magazine Luiza, Localiza, B2W, entre outros. Em 2015, assinou ainda acordo com Accor Hotels.

O relacionamento com os varejistas está agora fortalecido com a Netpoints, empresa de fidelidade voltada para o setor que recebeu aporte de R$ 25 milhões da Smiles no ano passado. O negócio foi aprovado em janeiro de 2014 pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

— As companhias aéreas são mais importantes para nós, mas o varejo é importante para criar engajamento. Quanto mais milha acumular, mais vai se engajar no programa — disse. — O foco são empresas que tenham algum alinhamento com o nosso core business, como é o caso da Localiza e Accor Hotel — completou.

Há ainda aposta em serviços “inusitados” ligados a viagens. No carnaval, a Smiles permitiu a compra de abadás em Salvador, cidade natal de Andrade, com o uso de milhas.

— Vamos fazer isso de novo no ano que vem.

Localizada em Alphavile, zona oeste da Grande São Paulo, a Smiles tem apenas 93 funcionários, enquanto seu faturamento bruto anual chega a mais de R$ 1 bilhão. Por ter pequena estrutura física, a empresa tem baixa necessidade de investimentos, distribuindo 100% do lucro em dividendos, declarou o executivo.

 

Pedágio da Ponte Rio-Niterói cai para R$ 3,70 em junho



A Ecorodovias ganhou o leilão de concessão da Ponte Rio-Niterói realizado em São Paulo. A empresa propôs uma tarifa de pedágio de R$ 3,2844, um deságio de 36,67% ao relação ao teto de R$ 5,1862 estabelecido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres. Mas, com as atualizações, o valor do pedágio será de R$ 3,70 a partir de 1º de junho, valor 28,85% menor.

A atual administradora da Ponte, a CCR, ofereceu proposta de de pedágio de R$ 4,24, um deságio 18,2%, o pior lance entre os concorrentes. Seis grupos disputaram o leilão, que começou às 10h.

O ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues, comemorou o resultado.

— O leilão foi um sucesso e a partir de 1º de junho teremos um pedágio de R$ 3,70.

O pedágio atual é de R$ 5,20. O lance de R$ 3,2844 da Ecorodovias foi calculado com valores de janeiro de 2014.

— A Ecodorovias se orgulha de estar adquirindo um ativo importante para o Rio de Janeiro e os usuários vão reconhecer. Nossa proposta foi justa — disse Marcelino Rafart de Seras, presidente da Ecorodovias.

A Ecorodovias foi criada em 1997 pela Primav Construções e Comércio, do Grupo CR Almeida, empresa do setor de construção pesada. A partir de 1998, a empresa fez parceria com a europeia Impregilo International, do Grupo Impregilo, construtora de capital aberto da Itália, que depois adquiriu participação acionária na brasileira.


Foi o primeiro leilão do setor de infraestrutura do ano. É também a primeira rodovia federal a ser concedida novamente. A nova concessão terá validade de 30 anos e exigirá investimentos de R$ 1,3 bilhão ao longo desse período.

O secretário dos Transportes do Rio de Janeiro, Carlos Osório, disse que já há um pleito junto ao Ministério dos Transportes para a concessão de mais três rodovias no Rio de Janeiro, entre elas o techo Sul da BR-101, o Arco Metropolitano e a antiga estrada Rio São Paulo.

– Há viabilidade para isso e com o sucesso do leilao da Ponte Rio-Niterói estamos animados – disse o secretário.


O contrato de concessão da Ponte Rio-Niterói vence em maio, após 20 anos. Foi a primeira grande estrutura rodoviária concedida à iniciativa privada, em 1º de junho de 1995. Como trata-se de um projeto já consolidado, os riscos são mais reduzidos, segundo especialistas.

LIGAÇÃO COM LINHA VERMELHA É OBRA OBRIGATÓRIA

O lance que mais se aproximou do valor ofertado pela Ecorodovias foi o do Consórcio Guanabara, formado pela A. Madeira Indústria e Comécio, uma empreiteira de obras rodoviárias que presta serviços ao DER; Coimex Empreendimentos e Participações, sócia da Ecorodovias no trecho da BR-101, na Bahia; Urbesa Administração e Participações e Rio do Frade Empreendimentos, do ramo de construção, com sede na cidade de Serra, no Espírito Santo. O grupo ofereceu um lance de R$ 3,3590, um deságio de 35,23%.

A Triunfo Participações deu lance de R$ 3,8699, deságio de 25,37%; a CS Brasil ofereceu o valor de R$ 4,7895, deságio de 21,34% e Bertin Infraestrutura fez um lance de R$ 4,1417, deságio de 20,13%.


A vencedora Ecorodovias Infraestrutura e Logística já atua na concessão de rodovias desde 1997, administrando entre outras o sistema Anchieta-Imigrantes, através da Ecovias, que liga São Paulo ao litoral e o corredor Ayrton Senna/Carvalho Pinto, que liga a região metropolitana de São Paulo ao Vale do Paraíba.

Por dia, 151 mil veículos passam pela ponte e, no ano, são 56 milhões. O vencedor ficará responsável por operar, fazer a manutenção, monitorar e conservar a estrutura atual e implantar melhorias no trecho de acesso à ponte até o entroncamento com a Linha Vermelha.

A nova concessão engloba também a Avenida Portuária (com extensão de 3,1 km), permitindo o acesso de veículos pesados vindos da Avenida Brasil à área portuária.

Entre as obras obrigatórias, está a ligação da ponte com a Linha Vermelha por meio de uma via elevada. Isso evitará que os motoristas que se dirigem à Baixada Fluminense e à Rodovia Presidente Dutra utilizem a Avenida Brasil.

A concessão prevê ainda a construção de uma passagem inferior do tipo "mergulhão" na Avenida Feliciano Sodré (direção leste-oeste) passando sob a Praça Renascença, em Niterói, o que vai proporcionar maior fluidez ao tráfego.



 


Volkswagen de São Bernardo está com produção parada



A fábrica de São Bernardo do Campo da Volkswagen está totalmente parada desde sexta-feira por falta de bancos para a produção dos carros. O problema de abastecimento começou na quarta-feira da semana passada e os cerca de 10 mil funcionários da linha produtiva foram dispensados na sexta. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, os empregados estão convocados para voltar à atividade nesta quarta-feira. A fabricante de bancos que está com as entregas suspensas é a Keiper, também segundo o Sindicato.

Procurada, a montadora não confirma nem desmente a informação. Até a publicação deste texto não foram encontrados representantes da Keiper. São fabricados na unidade de São Bernardo os modelos Gol, Saveiro e Polo.

O problema de abastecimento também atingiu a fábrica da Volks em Taubaté, onde são montados o up!, Voyage e o Gol. A unidade, porém, está funcionando porque mantinha estoque de bancos, esclareceu o sindicato daquela região. A partir desta quarta-feira 250 funcionários de Taubaté entram em lay off (suspensão de contrato) por até cinco meses. Outros 4,2 mil — de um total de 5 mil empregados — entrarão em férias coletivas no fim deste mês.

CRISE NO SETOR

Só entre janeiro e fevereiro deste ano, a produção de veículos caiu 22%, para 404.900 unidades. As vendas recuaram 23,1%, a 439.700 unidades. No primeiro bimestre, as montadoras fecharam 2,2 mil vagas no setor. Agora, o segmento emprega 142.300 pessoas, menor contingente desde maio de 2011. Os dados são da Anfavea, associação que reúne as montadoras.

Os estoques também estão altos, o que dificulta ainda mais a retomada da produção. Montadoras e concessionárias encerraram fevereiro com 329 mil veículos em estoque, volume suficiente para 50 dias de vendas. São considerados saudáveis estoques de 25 a 30 dias. Mercedes-Benz, General Motors (GM) e Ford também mantêm trabalhadores em layoff.

Governo estuda estrangeiras em aéreas nacionais

 


A aterrissagem de companhias aéreas internacionais no mercado brasileiro se anuncia como inevitável. E já estaria em curso. As quatro empresas brasileiras que dominam o setor — Gol, TAM, Azul e Avianca — já têm alianças com estrangeiras. A tendência, avaliam especialistas, é de integração crescente. Com isso, está cada vez mais próxima a derrubada do teto de 20% de participação de capital internacional nas empresas do Brasil. Até então refratário à revisão da legislação, o governo está sendo forçado a rever sua posição. De um lado, precisa abrir canais para a atração de investimentos e aliviar os custos que reduzem a competitividade das empresas brasileiras. De outro, quer garantir às rotas internacionais a expansão registrada nas domésticas, que decolaram de 36 milhões de passageiros por ano em 2002 para 111 milhões em 2013.

O Congresso trabalha para aprovar um projeto que pode ampliar o teto de investimento estrangeiro para 49%. Executivos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Secretaria de Aviação Civil (SAC) reconhecem que nesse patamar a participação internacional não compromete o controle regulatório do setor e esperam uma mudança assim que o ambiente político desanuviar. Eles defendem que o aumento do teto é tendência mundial.

— A maior sinalização que isso vai ocorrer é a recente notícia de que o governo vai abrir mão da participação de 49% da Infraero na nova leva de concessão de aeroportos, o que sempre foi negado pelo Planalto. A mudança das aéreas se aproxima de vez — disse uma fonte do governo.

DISCUSSÃO GANHA FORÇA APÓS MUDANÇA NA FAZENDA

Procurado, o ministro da SAC, Eliseu Padilha, declarou que trabalha com o limite atual de 20% e disse que nunca discutiu o tema com a presidente Dilma Rousseff. Mas no governo o assunto já é debatido internamente e ganhou força com a mudança de comando no Ministério da Fazenda, pois Joaquim Levy é mais favorável à abertura ao capital externo, segundo fontes próximas ao ministério.

— Estou procurando os líderes de todos os partidos para aprovar a urgência para a apreciação do projeto, que está pronto para ser votado. Acredito que o governo agora será favorável à elevação do teto das estrangeiras — afirmou o deputado Carlos Eduardo Cadoca (PCdoB-PE), um dos maiores articuladores do assunto no Congresso.

O ex-ministro da SAC Moreira Franco avalia que a limitação não faz sentido no atual cenário empresarial, no qual a fatia de capital não é o único fator que define o controle da companhia. Segundo Moreira, o debate sobre a soberania e a segurança nacional, que era comum num setor que foi controlado pelos militares até meados da década passada, não se sustenta mais, já que existem regras fortes para limitar e controlar as empresas.

— O mercado se impõe. Todas as quatro empresas aéreas nacionais já têm acordos com estrangeiras — argumentou Franco.


A união da TAM com a chilena Lan, em 2010, sinalizou a mudança que hoje tem reflexos em todo o mercado. A Gol conta com a gigante americana Delta e a europeia Air France/KLM como sócias, além de fechar cada vez mais acordos de voos compartilhados com estrangeiras. A Avianca Brasil costura um modelo de sinergia com a Avianca Colômbia. A Azul, constituída regularmente no país, foi criada pelo fundador da americana Jet Blue. Uma mudança na legislação favoreceria uma espécie de negócio dos sonhos para os governos brasileiros e português: a compra da TAP pela Azul, dizem fontes próximas às companhias. Sem a restrição legal dos 20%, seria mais fácil viabilizar a operação, que poderia envolver uma troca de ações entre Azul e TAP ou mesmo a injeção de recursos por um sócio estrangeiro.

Enquanto a aproximação entre empresas brasileiras e estrangeiras se fortaleceu nos últimos anos, o governo empurrou as discussões sobre a mudança da lei sobre participação de capital estrangeiro. Para analistas, essa demora pode ter feito o Brasil perder a batalha por um lugar ao sol na indústria global. Ou seja, o país arrisca se tornar um grande mercado, mas sem uma aérea relevante 100% verde-amarela. A Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) estima que o Brasil passará de nono para quinto maior mercado no mundo em passageiros em duas décadas.

Elton Fernandes, professor da Coppe/UFRJ e especialista em transporte aéreo, afirma que a aviação brasileira não pode ficar de fora do que acontece no resto do mundo, onde se vê consolidações entre grandes grupos.

— Não tem mais opção. Tem que abrir para o investimento estrangeiro. A vinda de capital internacional é inevitável. Perdemos o bonde. A consolidação com as empresas estrangeiras vai acontecer de qualquer maneira — diz.

As quatro grandes empresas brasileiras apoiam a alteração do teto em vigor na atual legislação. A TAM, que já tem moldes de multinacional e passou a ter ações negociadas apenas na Bolsa de Valores de Santiago do Chile, defende a abertura de 100% de capital estrangeiro para as companhias aéreas, “pois o setor é de capital intensivo e esta medida estimula o crescimento e gera riqueza para o país”.

CRESCIMENTO MENOR DO TOTAL DE PASSAGEIROS

O estímulo ao crescimento do setor é peça-chave nesse debate. O peso de custos ligados a tributos, combustível e infraestrutura estaria segurando o ganho de eficiência e de receita que a indústria necessita para brigar na esfera internacional.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) vai rever para baixo a estimativa de crescimento do número de passageiros transportados no país, diz o presidente Eduardo Sanovicz. A previsão, elaborada em 2012, apontava um salto de 101 milhões naquele ano para 211 milhões em 2020.

— A aviação tem uma agenda de demandas que precisa ser enfrentada. Ela inclui a discussão sobre a participação de capital estrangeiro, entraves ligados à infraestrutura dos aeroportos, tributação e preço do combustível. Aviação é um negócio de escala. E o Brasil ganhou isso muito recentemente. Esse mercado tem altos custos e margem baixa.


Sanovicz diz que as empresas brasileiras seguem na briga por espaço no mercado internacional:

— De uns dois anos para cá é que passamos a ter um mercado efetivamente competitivo, com quatro empresas operando voos internacionais. É um novo patamar — comenta o presidente da Abear.

Eliseu Padilha, ministro da SAC, informou em nota que o crescimento do setor nos últimos anos foi decorrente “de uma acertada política de flexibilização dos acordos sobre serviços aéreos existentes, permitindo maior concorrência e abertura de novos mercados”. Ele diz trabalhar para promover a popularização do transporte aéreo internacional, negando perda de mercado pelas domésticas: “as empresas brasileiras não apenas sobreviveram, mas cresceram consideravelmente”. Ele lembra que as aéreas nacionais transportam 65% do tráfego entre Brasil e demais países latino-americanos.



 

 

Governo quer nova rodada de privatizações de  aeroportos



O governo estuda tirar da Infraero e repassar à iniciativa privada mais seis aeroportos, além de Porto Alegre, Salvador e Florianópolis, que serão leiloados este ano. Estão nessa lista Curitiba, Recife, Fortaleza, Manaus, Goiânia e Vitória. O ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Eliseu Padilha, confirmou que a Infraero ficará com uma participação inferior a 49% na próxima rodada de privatizações para reduzir os gastos da União com obras e o aporte de capital nas sociedades que vão assumir os terminais.

A empresa perdeu 53% das receitas com os primeiros leilões de aeroportos (Brasília, Guarulhos, Viracopos, Galeão e Confins) e passou a depender de aportes da União. Para recuperar a Infraero, o governo estuda criar duas novas subsidiárias: a Infraero Participações, responsável pela participação nas concessões, e a Infraero Navegação Aérea (torres de controle, serviço de informação de voo e centros meteorológicos). Além disso, criou a Infraero Serviços, empresa de consultoria, em parceria com um operador estrangeiro.

— Estamos com um estudo bastante avançado para a conversão da Infraero em três subsidiárias — disse o ministro da SAC, após participar de audiência na Comissão Geral da Câmara dos Deputados.

OBRAS EM 30 TERMINAIS REGIONAIS

O objetivo, segundo a SAC, é permitir que a empresa tenha foco exclusivo na atividade-fim, a administração de aeroportos, com melhores condições gerenciais e financeiras. Nos bastidores, a Infraero tem se queixado da remuneração pelos serviços prestados na área de controle de voo, considerada baixa. Neste ano, a previsão é de R$ 198 milhões. A estatal é responsável pela operação de 21 torres de controle e 12 controles de aproximação e dispõe de 1.851 funcionários nessa função. A coordenação dos serviços ligados ao controle do espaço aéreo é de responsabilidade do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), órgão subordinado ao Comando da Aeronáutica.

A concessão dos seis aeroportos depende de conclusão de estudos de viabilidade econômica e financeira. No caso de Goiânia e Vitória, por exemplo, o leilão é visto como alternativa à lentidão das obras de responsabilidade da Infraero, que se arrastam desde 2007. As obras foram suspensas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), diante de suspeitas de irregularidades.

A participação da Infraero nas novas concessões está sendo desenhada. Segundo Padilha, uma das alternativas em estudo é uma Golden Share, mecanismo adotado nas privatizações em que o Estado, mesmo com participação minoritária, tem poder sobre algumas decisões.

Em evento no Rio, a presidente Dilma Rousseff disse que fará nova rodada de leilões de infraestrutura, incluindo aeroportos, rodovias, ferrovias e hidrovias:

— Vamos dar início a concessões na área de aeroportos, além das seis que já fizemos, que foi Rio, São Paulo, Brasília, Viracopos, São Gonçalo do Amarante e Minas Gerais. Estamos estudando várias alternativas.

Durante audiência na Comissão Geral da Câmara dos Deputados, Padilha reiterou que o governo pretende licitar este ano obras em 30 aeroportos regionais. Entre eles, Volta Redonda e Angra dos Reis, que já têm licença ambiental.

Padilha disse que o governo está prestes a regulamentar o subsídio às empresas nas rotas regionais. A permissão para a concessão de ajuda ao setor foi aprovada pelo Congresso em dezembro. Nessas rotas, a União vai arcar com até metade dos assentos, no limite de 60. A medida vai beneficiar principalmente a Azul.




 

 

Previsão do BC para alta de preços administrados este ano vai a 10,7%


 

O Banco Central voltou a aumentar a previsão de aumento dos preços administrados (tarifas de serviços públicos) para este ano. Desta vez, foi de 9,3% para 10,7% em 2015, segundo a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária . Na última ata do ano, em dezembro, a previsão era de 6%.

Também subiu muito a previsão para os preços da energia: de 27,6% na ata de janeiro, para 38,3%. Na reunião, os diretores do BC decidiram, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros, a Selic, de 12,25% para 12,75% ao ano, a mais alta em seis anos.

“Entre outros fatores, essa projeção considera hipótese de variação de 8% no preço da gasolina, em grande parte, reflexo de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e do PIS/Cofins; de 3,2% no preço do gás de bujão; de -4,1% nas tarifas de telefonia fixa; e de 38,3% nos preços da energia elétrica, devido, em grande parte, ao repasse às tarifas do custo de operações de financiamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), contratadas em 2014”.

O BC espera aceleração da inflação em 2015, mas vê uma maior possibilidade de os preços convergirem para a meta de inflação do governo em 2016. Pelo sistema oficial, o objetivo é que o IPCA fique em 4,5% ao ano, podendo chegar a 6,5%.

O BC retirou do texto a avaliação de que os preços entrariam em "longo período de declínio" ainda este ano. E projeta, para o conjunto dos preços administrados por contrato e monitorados, variação de 5,2% em 2016, ante 5,1% considerados na reunião de janeiro.

"O Copom ressalta que a evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira, indica que taxas de inflação elevadas geram distorções que levam a aumentos dos riscos e deprimem os investimentos. Essas distorções se manifestam, por exemplo, no encurtamento dos horizontes de planejamento das famílias, empresas e governos, bem como na deterioração da confiança de empresários. O Comitê enfatiza, também, que taxas de inflação elevadas subtraem o poder de compra de salários e de transferências, com repercussões negativas sobre a confiança e o consumo das famílias. Por conseguinte, taxas de inflação elevadas reduzem o potencial de crescimento da economia, bem como de geração de empregos e de renda", afirma a ata.



 

Moradores de Niterói ganham nova barca de dois mil lugares


O governador Luiz Fernando Pezão inaugurou, , a superbarca Pão de Açúcar, primeiro dos sete novos catamarãs que vão operar na travessia Rio-Niterói. A nova barca comporta até duas mil pessoas e está programada para fazer seis viagens nos horários de rush, somando 12 viagens por dia. A embarcação dispõe de ar-condicionado, janelas panorâmicas, bicicletários e 100% de acessibilidade para deficientes e idosos.

Durante inauguração, Pezão ressaltou que a nova embarcação vai encurtar o tempo de viagem e oferecer travessias mais cômodas:

— Essa é a primeira barca que o estado compra depois de muito tempo. Ela tem mais conforto para o passageiro. Esperamos que até o fim deste ano possamos ter mais quatro novas barcas operando no sistema Rio-Niterói. Isso vai encurtar o tempo de viagem dos passageiros — disse o governador.

Com a chegada do catamarã, os frequentes problemas de falta de embarcações, atrasos e longas filas nas estações das barcas operadas pela CCR devem diminuir. Hoje, as barcas tradicionais demoram em média 20 minutos na viagem, contemplando embarque, travessia da Baía de Guanabara e desembarque. A previsão da CCR Barcas é que o tempo médio da nova embarcação seja de 15 a 17 minutos.

A embarcação também possui dupla proa, o que permite a partida e a saída do atracadouro sem necessidade de manobra. A Pão de Açúcar faz parte de um lote de sete embarcações adquiridos de um estaleiro chinês, além de dois catamarãs nacionais, com 500 lugares. O custo total será de R$ 273 milhões para os cofres do governo estadual.

Outras seis embarcações do mesmo porte devem ser integradas à frota até de agosto. A barca Corcovado, que será a próxima a entrar em operação, saiu da China ontem e chegará ao Rio em junho. Juntas, as sete barcas vão possibilitar uma oferta de 24 mil lugares por hora no período de rush da linha entre Rio e Niterói. Já o tempo de travessia entre os dois municípios será reduzido de 18 para 10 minutos.

Montadas pelo estaleiro cearense Inace, os catamarãs menores vão atender aos trajetos entre a Ilha Grande e as estações de Mangaratiba e Angra dos Reis. Outras quatro barcas, também de 500 lugares, foram compradas para operarem nas linhas Paquetá e Cocotá. O vencedor da licitação, concluída em outubro, foi o estaleiro African Gulf.

OBRAS PARA ATRACAÇÃO DE NOVA BARCA

Para que a nova barca Pão de Açúcar possa operar no trecho Rio-Niterói, foram realizadas obras de adaptação nos píeres flutuantes das estações Araribóia e Praça Quinze. A altura e a extensão do novo catamarã são diferentes das medidas das embarcações que fazem parte da frota. Operários trabalharam na solda de vedação de novas estacas para a atracação. Uma rampa de estrutura metálica também foi montada para dar acesso a uma das portas laterais do barco.

Outra incompatibilidade foi a extensão do píer, que não alcançava a porta localizada na parte de trás da barca. Esta será destinada apenas à equipe de manutenção.

Atualmente, duas pontes são adaptadas às embarcações tradicionais e outras duas projetadas para dar acesso aos catamarãs. Uma das obras em curso visa à padronização das quatro pontes para poderem receber todos os tipos de embarcação. As obras são financiadas pela Secretaria estadual de Transportes.

Além das obras das estações, a concessionária CCR Barcas adaptou equipamentos da embarcação às normas brasileiras, como coletes e extintores. Funcionários também foram treinados para operar a nova embarcação.


Os novos veículos já seguem os moldes do catamarã social, com duas proas — o que descarta a necessidade de manobras na hora da atracagem. A previsão da CCR Barcas é que mais uma embarcação chegue da China em abril.

NOMES ESCOLHIDOS POR USUÁRIOS

A escolha dos nomes de pontos turísticos do estado para as embarcações foi feita por meio de uma campanha pela internet da CCR Barcas. Segundo a empresa, 80% dos 2.847 mil usuários votaram por meio do seu site e nos totens instalados nas estações Arariboia, em Niterói, e Praça Quinze.

Até junho, deverão atracar nas estações operadas pela CCR, as barcas“Corcovado”, “Copacabana”, “Parque da Cidade", “Forte de Santa Cruz", “Ilha Grande", “Angra dos Reis", “Itacoatiara” e “Arariboia”, com capacidade para dois mil passageiros, cada uma.

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Impacto negativo de escândalos da Petrobras  afeta  a economia


Um relatório da Moody’s divulgado, indica que os escândalos de corrupção na Petrobras “vão afetar negativamente partes dos setores público e privados”, mas ressalvou que uma ajuda do governo à estatal pode ajudar a conter o impacto. De acordo com o texto, serão afetados os setores de produção de petróleo e gás, de construção e infraestrutura, e ainda o mercado imobiliário do estado do Rio de Janeiro e as empresas que dão suporte a estas áreas da economia.

Na avaliação da agência de risco, os problemas de liquidez da companhia vão se refletir em empresas de engenharia e construção — sejam elas investigadas no caso ou não.

“Os preços baixos do petróleo vão exacerbar a deterioração da posição de liquidez da Petrobras no médio prazo”, avalia Marianna Waltz, uma das diretoras da Moody’s, completando que “isso vai espalhar efeitos negativos pela cadeia de suprimentos, enfraquecendo a performance financeira e operacional dos navios que são parte do esforço vital de produção offshore da Petrobras”.

Já a redução dos gastos da estatal como medida para diminuir suas dívidas vai ter consequências em diversos setores, segundo a agência de classificação de risco. O relatório diz que as contas públicas do estado do Rio sentirão os efeitos do aperto, já que há grande dependência do capital gerado pela indústria do petróleo.

Impacto nos lucros dos bancos

Outra consequência das investigações, na avaliação da Moody’s será a redução nos ganhos das instituições financeiras, principalmente se os bancos públicos tiverem que socorrer a Petrobras.


“A Petrobras tem um papel-chave em projetos de longo prazo no Brasil”, observou Waltz.“Uma séria deterioração em sua qualidade de crédito, coloca o setor bancário do Brasil, os mercados domésticos de capital e a economia em geral em risco”, concluiu a analista.

A agência acredita que o governo federal possa ajudar a estatal, dada sua importância na economia do país. Porém, a Moody’s não tem certeza se o governo conseguiria fazer frente à quantidade de dinheiro necessária em um curto período de tempo para evitar que a Petrobras entre em default.

No texto, a Moody’s afirmou ainda que “as implicações imediatas para o perfil de crédito soberano são limitados” e que “não espera que a ajuda do governo à Petrobras levaria a dívida soberana a exceder 70% do PIB em qualquer cenário”. As implicações, diz o relatório, “dependeriam principalmente da credibilidade da resposta das políticas fiscal e econômica do governo.



 

 

Associação das montadoras  esta preocupada com elevação do dólar

 

O presidente da associação das montadoras, a Anfavea, Luiz Moan, afirmou que o setor está preocupado com os impactos no curto prazo da forte variação cambial e dos aumentos no custo da energia.

— A forte desvalorização do real acaba ajudando no médio e longo prazos mas é preocupante no curto prazo por causa dos insumos importados. Precisamos trabalhar na política nacional de exportação para o desenvolvimento da nossa indústria. Para os nossos empregados a melhor coisa que pode haver é aumento da produção — afirmou Moan.

Ele disse ainda que o acordo automotivo entre Brasil e México atende às “dificuldades econômicas momentâneas” pelas quais o Brasil passa. Ele afirmou que a Anfavea é favorável ao livre comércio entre os dois países para importação e exportação de veículos.

O governo informou neste domingo que negociou a renovação de tratado de cota de automóveis com o México. O tratado original de 2012 impôs tarifas de até 35% das exportações acima de um limite anual de cerca de US$ 1,5 bilhão, com o livre comércio de veículos autorizado após seu término, em 19 de março deste ano. Os dois países acordaram agora em renovar o tratado por quatro anos, disse um porta-voz do Itamaraty.

— No passado, já houve o inverso, ou seja, o Brasil alterando o acordo para beneficiar os mexicanos. Então é um bom acordo, que prevê o aumento linear do comércio entre os dois países até chegar a US$ 1,75 bilhões em 2019.

Segundo Moan, o Brasil e o México estão em tratativas para um novo acordo de veículos pesados e que está marcada uma nova reunião entre representantes dos dois países em maio, novamente no Rio.



 

Desafio do Brasil é mais político do que econômico



O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, afirmou que o maior desafio do Brasil hoje é mais politico do que econômico, uma vez que sem o apoio político para a aprovação das medidas de ajuste fiscal não haverá avanços na economia.

Para Barbosa, é preciso haver “uma união do país”.

— É hora de se buscar um consenso nacional. Ao executivo cabe propor as medidas (de ajuste) e ao legislativo viabilizá-las — disse Barbosa, em palestra a uma plateia de executivos e empresários da Câmara de Comércio França-Brasil. — O desafio é mais político de construir as condições de sustentação para fazer as mudanças o mais rápido possível.

Sem mencionar as adversidades que o governo enfrenta ni Congresso, Barbosa fez questão de manifestar otimismo com o encaminhamento das medidas de ajuste.

— Estamos atravessando alguns desafios, mas nosso potencial é maior do que os nossos desafios.

Barbosa disse que historicamente a “nossa classe política tem capacidade de administrar os conflitos e produzir consenso” para enfrentar as dificuldades.

— Pode haver ânimos exaltados aqui e ali, mas se olharmos a história, o Brasil é um país que se move, que avança.

Questionado se o governo teria um “plano B” caso as medidas propostas não avancem no Congresso, Barbosa reafirmou que as propostas apresentadas são as que a equipe econômica considera necessárias para alcançar a metas de superavit de 1%, 2 % do PIB. Mas que a estratégia inclui uma “reavaliação periódica”.

— Adotamos todas as medidas que achamos necessárias. Mas o Congresso é soberano .....e nós vamos avaliando para buscar essas metas.




 

Produção de veículos no Brasil cai 28,9% em fevereiro

A produção de veículos apresentou uma queda de 28,9% em fevereiro em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pela Anfavea, a associação que representa as montadoras. Foram montadas 200,1 mil unidades, a menor marca para um mês de fevereiro desde 2009. Com relação a janeiro deste ano, a produção apresentou recuo de 2,3%. No resultado do primeiro bimestre do ano, a produção de veículos acumula uma queda de 22% em relação ao primeiro bimestre do ano passado. No período, foram produzidas 404,9 mil unidades frente as 518,9 mil do mesmo período do ano passado.

Desde o ano passado, a produção automobilística vem perdendo força. Com o consumidor ressabiado com os rumos da economia, as vendas têm caído e as montadoras começam ajustar suas linhas de montagem à menor demanda. Há demissões, lay-offs (suspensão temporária de contrato de trabalho) e programas de demissão voluntária em curso. O fim do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido, em dezembro, também é um fator negativo para o setor, já que os preços tendem a aumentar.

O imposto mais baixo era um estímulo do governo e estava vinculado a não demissão de trabalhadores do setor. Nos dois primeiros meses do ano, a indústria automotiva enxugou quase mil postos de trabalho, empregando atualmente 142,3 mil pessoas. Em 12 meses, o número de trabalhadores nas plantas de montagem foi reduzido em 8,8%. Em fevereiro do ano passado, eram 156,1 mil pessoas empregadas.

Na semana passada, a associação que representa as concessionárias de veículos, a Fenabrave, reduziu drasticamente sua estimativa de vendas para este ano: a expectativa de uma queda de 0,5% foi elevada para 10%, o equivalente a 2,9 milhões de unidades. Essa perspectiva mais pessimista foi divulgada após os números de vendas de fevereiro, quando houve uma queda de 27,32%, na comparação com janeiro. E em relação ao mesmo mês do ano passado, o resultado também foi decepcionante, com retração de 26,6%.

A Anfavea deve rever para baixo a projeção de estabilidade nas vendas este ano em relação a 2014 - quando foram vendidos 3,5 milhões de veículos, queda de 7,1% na comparação com 2013. Na última projeção da entidade, a estimativa era que a produção crescesse 4,1% este ano.



 

US$ 3,3 bilhões deixam o Brasil  e fevereiro fica no vermelho

 

A retirada de recursos do Brasil superou o ingresso de divisas em US$ 3,33 bilhões na semana passada, informou o Banco Central.

Com isso, o movimento de fevereiro, que estava positivo até a semana anterior, "virou" e passou a registrar saída de divisas, ficando no vermelho. Em todo mês passado, US$ 1,14 bilhão deixaram o país.

Trata-se da primeira retirada de recursos para um mês fechado desde dezembro do ano passado - quando US$ 14,05 bilhões saíram do Brasil. Em janeiro deste ano, US$ 3,9 bilhões ingressaram na economia brasileira.

No acumulado do primeiro bimestre deste ano, segundo a autoridade monetária, ainda houve mais ingresso do que saída de recursos do país. Neste período, US$ 2,76 bilhões entraram no Brasil. Nos dois primeiros meses do ano passado, US$ 246 milhões deixaram o país.

Impacto no dólar
A retirada de recursos registrado em fevereiro favoreceria, em tese, a alta do dólar. Com menos moeda norte-americana no mercado, seu preço tenderia, teoricamente, a ficar um maior. No mês passado, de fato, o dólar se valorizou. No fim de janeiro, a moeda norte-americana estava cotada a R$ 2,68, avançando para R$ 2,85 no fechamento de fevereiro – uma alta de 6,19% no mês passado

Além do fluxo de recursos, outros fatores também influenciam a cotação do dólar no Brasil. Entre elas, estão o comportamento da economia norte-americana, as sinalizações sobre a política monetária nos Estados Unidos, os indicadores da economia brasileira - que registraram desempenho ruim em 2014 – além de declarações de integrantes da equipe econômica e da oferta de contratos de "swap cambial" (que funcionam como venda de dólares no mercado futuro) pelo BC brasileiro, entre outros.

Nesta quarta-feira (4), a moeda norte-americana opera ao redor de R$ 3 depois que o governo foi derrotado, na véspera, quando o presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros, surpreendeu o Executivo ao rejeitar a medida provisória 669, que trata de aumento de tributos sobre a folha de pagamentos. A decisão agrava as dificuldades em torno do ajuste fiscal.

Retirada de estímulos nos EUA
Nos Estados Unidos, a expectativa dos analistas é de continuidade da retirada de estímulos à economia, que começa a dar sinais de recuperação. Em 2015, há previsão de que pode haver até mesmo aumento de juros nos Estados Unidos, o que tenderia a gerar retirada de dólares do Brasil, em direção aos EUA.

Indicadores da economia brasileira
Os indicadores da economia brasileira, que pioraram nos últimos anos e os fracos resultados dos últimos meses, também impactam a cotação do dólar no Brasil. As contas externas registraram em 2014 um déficit de 4,17% do PIB, o que configura o pior resultado em 13 anos (e um dos mais altos do mundo).

Ao mesmo tempo, as contas públicas brasileiras tiveram o primeiro déficit da história no último ano, segundo informou o Banco Central. Após o pagamento de juros da dívida pública, foi registrado um déficit de R$ 343 bilhões - o equivalente a expressivos 6,7% do PIB no ano passado.

Swaps cambiais
O BC brasileiro também tem prosseguido com suas intervenções diárias no mercado com os "swaps cambiais" – que funcionam como venda de dólares no mercado futuro, atenuando as pressões no mercado à vista. Em dezembro, o presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, informou que o programa diário da oferta de swaps terá prosseguimento em 2015, com um valor entre US$ 50 milhões e US$ 200 milhões por dia.

Os swaps cambiais são contratos para troca de riscos. O Banco Central oferece um contrato de venda de dólares, com data de encerramento definida, mas não entrega a moeda norte-americana. No vencimento deles, o BC se compromete a pagar uma taxa de juros sobre valor dos contratos e recebe do investidor a variação do dólar no mesmo período.

É uma forma de a instituição garantir a oferta da moeda norte-americana no mercado, mesmo que para o futuro, e controlar a alta da cotação. Assim, o BC acalma a procura por dólares sem mexer nas reservas internacionais.

O investidor, preocupado com a tendência de alta, tem interesse em comprar dólares. Quando aceita a operação, fica estimulado a querer a queda ou a manutenção do dólar, para que não tenha que pagar ao banco mais do que receberá em juros. Essa taxa, normalmente, acompanha a Selic, que é a taxa básica da economia brasileira e hoje está em 12,25% ao ano. Se o dólar tiver variação acima disso, por exemplo, quem perde é o investidor.

 

Déficit comercial em fevereiro foi o pior para o mês desde 1980

 

A balança comercial brasileira registrou um déficit de US$ 2,842 bilhões em fevereiro, o pior resultado para o mês desde 1980. As exportações somaram US$ 12,092 bilhões e as importações US$ 14,934 bilhões.

No acumulado do ano, houve um saldo negativo de US$ 6,016 bilhões, ante US$ 6,196 bilhões no primeiro bimestre de 2014. As vendas externas foram de US$ 25,796 bilhões e os gastos no exterior atingiram US$ 31,812 bilhões.

Em fevereiro, houve redução dos embarques dos três principais tipos de produtos: 22,7% para básicos; 11,1% em manufaturados; e 2,3% no caso de semimanufaturados. Entre as maiores quedas, destacam-se as que ocorreram em soja em grão (72,2%), minério de ferro (35,7%), açúcar refinado (19,9%) e açúcar em bruto (44,6%).

Como reflexo da baixa atividade econômica, as importações também caíram: combustíveis e lubrificantes, 20,3%; bens de capital, 8,0%; bens de consumo, 6,8%; e matérias-primas e intermediários, 3,0%. No segmento de bens de consumo, as maiores baixas se deram com eletrodomésticos, automóveis, bebidas e tabaco.

Os Estados Unidos foram os principais compradores de produtos brasileiros no mês passado, com uma parcela de US$ 1,791 bilhão no total de divisas. A China ficou em segundo lugar, seguida por Argentina, Países Baixos e Alemanha.

Entre os principais mercados fornecedores de produtos para o Brasil, os chineses ficaram na primeira posição, com US$ 2,769 bilhões. Os EUA assumiram o segundo lugar, seguidos por Argentina, Alemanha e Nigéria.




 

Trabalhador brasileiro produz menos que o da Venezuela


 

Com a economia estagnada em 2014 e previsões de um 2015 recessivo, a preocupação com a produtividade do trabalho ganha espaço. No quesito, não temos muito o que comemorar. O Brasil está atrás não apenas dos países desenvolvidos, como da grande maioria de seus pares na América Latina. Só está melhor que a Bolívia. Em 2013, a produtividade do trabalho no Brasil correspondia a 17,2% daquela dos Estados Unidos, país considerado referência para o indicador. Na comparação com o México, a relação era de 52,6%, com a Argentina ficava em 58,91% e com a Venezuela, 68%.

O indicador — da organização americana The Conference Board e reunido pelo professor do Instituto de Economia da UFRJ João Saboia — reparte o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto dos bens e serviços) por pessoa ocupada. Ou seja, o tamanho da economia dividido por seus trabalhadores. Aumenta-se a produtividade quando se produz mais com a mesma quantidade de recursos — seja de máquinas e equipamentos ou pessoas.

Isso é especialmente importante no momento em que a população brasileira está envelhecendo, com menos gente entrando para a força de trabalho nos próximos anos. Assim, é preciso que os trabalhadores se tornem mais produtivos para manter o mesmo nível de produção.

— Vamos muito mal em produtividade. Quando se compara com EUA e outros desenvolvidos, é um choque. O cenário também é muito ruim quando se compara com nossos vizinhos — diz Saboia.

Mais serviços, menos produtividade

Em 2013, o PIB por pessoa ocupada era US$ 19.833 no Brasil, alta de 11,9% frente a 2000, enquanto nos EUA a expansão foi de 19,33%. Na Argentina, o crescimento foi menor que o brasileiro, 5,6%, mas no Peru foi bem maior, de 56,5%. A Bolívia, na lanterna da América Latina, cresceu 16,4%.

O baixo nível de investimentos da economia é apontado de forma unânime por especialistas como uma das causas para a baixa produtividade. A falta de recursos — seja em infraestrutura, em inovação, e pesquisa e desenvolvimento — compromete a eficiência da nossa economia.

A taxa de investimento — relação entre o montante aplicado e o PIB — foi de 17,4% no terceiro trimestre de 2014, a pior para um terceiro trimestre desde 2002. Em 2013, era de 18,2%. No México, a taxa era de 24,02% em 2013, enquanto no Peru é de 26,5%. No Uruguai, é de 20%, segundo o site Economywatch.com.

— Estamos em uma situação de estagnação da produtividade. Patinamos enquanto outros países avançam. Uma economia que não consegue consolidar uma taxa de investimento expressiva não tem ganhos de produtividade — destaca o professor do Instituto de Economia da Unicamp Claudio Dedecca.

 

A situação é vivida pela fabricante de adesivos industriais Coladesi. Com a economia parada, o proprietário Ricardo Lopes diz que tem investido pouco:

— Não tenho investido em novas máquinas porque não espero retorno do capital. A troca seria por um equipamento que permitisse melhor acompanhamento dos processos.

A mudança no perfil da economia também influencia. A participação do setor de serviços tem avançado: passou de 66,7% em 2000 para 69,3% em 2013, segundo o IBGE. Já a fatia da indústria caiu de 27,7% para 25%.

— Em média, a produtividade do setor de serviços é mais baixa. A rotatividade dos trabalhadores também é alta, a legislação acaba estimulando isso, o que também não incentiva essa produtividade do setor — afirma Regis Bonelli, pesquisador de Economia Aplicada do Ibre/FGV.

Rotatividade dos trabalhadores também é problema para Beatriz Furtado de Mendonça, consultora de varejo e atacado. Ela destaca que o conhecimento da clientela é importante para as boas vendas e se torna mais difícil quando há troca-troca de funcionários:

— É comum encontrarmos candidatos despreparados nos processos de recrutamento, mas também há empresas que, após a contratação, não fazem um treinamento intensivo e, portanto, demitem e contratam com frequência.

A qualidade da educação é vista como outro entrave para a produtividade, apesar do avanço da escolarização. Dados da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE mostram que a parcela da população ocupada com 11 anos ou mais de estudo saltou de 53,5% em 2003 para 68,7% em 2014.

— As pessoas estão estudando mais, mas aparentemente a qualidade (da educação) é baixa — diz Saboia.

Investimento em infraestrutura

O fato de a produtividade crescer pouco enquanto a renda aumenta trouxe um choque de custo para a indústria, diz o gerente de Economia e Estatística da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Guilherme Mercês:

— A produtividade não acompanhou o aumento de renda do trabalhador e isso afeta nossa competitividade. Prova disso é o saldo zero na balança comercial.

Diante de uma economia que não cresce, o fato de o desemprego estar baixo é uma mostra que a produtividade cai, segundo Saboia. Ainda há gente sendo absorvida no mercado de trabalho, porque os trabalhadores são “pouco produtivos”:

— A produtividade pequena explica porque mesmo com a economia crescendo tão pouco é possível absorver trabalhadores e termos taxa de desemprego baixa. Estamos numa encruzilhada complexa.

Para Regis Bonelli, não há “milagre a curto prazo”: assim como a deterioração da produtividade já ocorre há um tempo, não se espera que comece a melhorar mais rápido de uma hora para a outra.



 

 

Mesmo com grande dificuldades  Abílio  Diniz acredita no Brasil

 

RF, uma das principais empresas de alimentos do mundo e maior exportadora de carne de aves do país, está tendo dificuldades para cumprir alguns embarques programados para o exterior, devido a protestos de caminhoneiros que bloqueiam as estradas, disse o presidente do Conselho de Administração da companhia, Abilio Diniz.

Em teleconferência para comentar os resultados do quarto trimestre de 2014, Abilio disse ainda que os bloqueios nas estradas trazem dificuldades para a companhia operar, por conta da escassez de matérias-primas para as criações, entre outros problemas.

— É um momento triste para o país — disse ele, ressaltando que a empresa está tomando medidas para minimizar os impactos.

Abilio afirmou ter confiança que a BRF vai “crescer na dificuldade”. Segundo ele, a empresa vai ganhar fatia de mercado em 2015.

Duas fábricas da empresa interromperam o processamento de carnes nesta semana por falta de matéria-prima, informou a empresa na segunda-feira. A companhia informou ainda que outras unidades produtivas, especialmente na região Sul, foram afetadas pelos bloqueios das rodovias brasileiras. Por causa disso, em muitas delas a operação passou a ser parcial.

Apesar dos problemas, o presidente do conselho da BRF disse que continua acreditando no Brasil:

— O país é maior que suas dificuldades conjunturais.

A BRF divulgou na véspera um lucro líquido de R$ 991 milhões para o quarto trimestre, em um resultado mais que quatro vezes maior que o obtido um ano antes e que ficou acima da média de expectativas do mercado.



 

 

Governo lança programa que reduz burocracia

O governo lançou o programa Bem Mais Simples Brasil, uma nova etapa do programa Simples, que reduz a burocracia para pequenas e médias empresas. Nesta nova versão o governo promete que a papelada para abrir empresas será reduzida e o tempo necessário para começar o negócio diminuído para apenas cinco dias. Segundo a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, atualmente são necessários 83 dias para abrir uma firma.

A presidente Dilma disse em seu discurso que o programa dá benefícios ao cidadão sem reduzir a arrecadação, que para o governo é importante.

— Temos que considerar que o cidadão é em princípio honesto. Para nós o cidadão brasileiro é honesto, trabalhador e não desiste nunca. Temos que tornar o Estado brasileiro um peso muito menor que é hoje para o cidadão e empresas – disse a presidente.

A desburocratização dos serviços públicos foi uma das promessas de campanha eleitoral de Dilma Rousseff. O Bem Mais Simples vai unificar o cadastro de identificação do cidadão e centralizar em um só posto os serviços públicos que empreendedores preciso acessar para tocar seus negócios.

As novas regras preveem a dispensa de certidões e débitos tributários, previdenciários e trabalhistas para as operações de baixa dos CNPJs das empresas. Com isso o governo espera facilitar o processo de fechamento das empresas.

Fechamento de empresas também será facilitado,afirma ministro

Ao apresentar o Bem Mais Simples, o ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos, pediu que o programa seja comandado pela presidente Dilma Rousseff porque, segundo ele, será preciso ter vontade política para implementar a medida, o que exigirá participação conjunta de vários órgãos públicos. Ao se dirigir à presidente, o ministro disse que ainda falta uma etapa do programa, o Crescer Sem Medo, que vai criar condições para que as pequenas empresas cresçam sem serem sacrificadas pela carga tributária. De acordo com o ministro, as empresas que saem do Simples para o lucro presumido tem um aumento de tributos da ordem de 54%.

— Precisa ter priorização e vontade política. Esse programa tem que ser comandado pela senhora. É uma questão de voz de comando — destacou o ministro.

Ele explicou que o programa tem eixos: empresa, governo e cidadão. Contará com um portal de unificação dos serviços públicos, com simplificação e uniformização da linguagem. O objetivo é que todas as informações do cidadão sejam concentradas um único órgão para facilitar a abertura e o fechamento de empresas, sem a exigência de apresentação repetida de documentos.

Guilherme Afif assegurou que o programa Bem Mais Simples vai permitir o fechamento automático das empresas, em qualquer localidade do país. Não será mais exigida a certidão negativa, bastando apenas o pagamento de uma taxa, que custa em torno de R$ 50,00. A medida será possível com a construção de um sistema entre Receita Federal e Juntas Comerciais. A principal vantagem, segundo o ministro, é o fim do aumento de custo. Ele explicou que empresas inativas precisam publicar balanços anuais, o que envolve despesas com contadores e advogados.

— Quando uma empresa permanece aberta, os custos começam a acumular. Esse é o desespero dos débitos que vão se acumulando — disse o ministro.


No processo de baixa da empresa, os interessados precisam preencher um cadastro com os nomes dos sócios e a localização dos livros de contabilidade para uma eventual fiscalização. O ministro destacou que o fechamento automático não elimina dívidas deixadas pelos sócios e que o Código Nacional de Tributação não sofreu qualquer alteração.

A próxima meta do programa será facilitar a abertura de empresas, cronograma previsto para junho. Nesse prazo, as diversos órgãos públicos vão trabalhar na unificação de portais e construção de um cadastro único, podendo utilizar, por exemplo, a biometria, processo de identificação já adotado pela justiça eleitoral.

Apesar da necessidade de ajuste fiscal das contas públicas, o ministro disse que o governo não está preocupado com o impacto da ampliação das faixas do simples e que a medida será anunciada em breve. Com a proposta, o limite de faturamento das empresas beneficiadas vai subir de R$ 3,6 milhões para R$ 7,2 milhões e as 20 faixas existentes serão agrupadas em seis.



 

Rebaixamento da nota de crédito da Petrobras é grave para o Brasil


O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) disse que o rebaixamento, pela agência de classificação de risco Moody's, da nota de crédito da Petrobras é grave, trará ônus para a estatal e também para sociedade brasileira. Para Cunha, o momento é de repensar o papel da Petrobras e o que fazer para que ela saia desta situação porque o rebaixamento, mesmo sendo algo já esperado, não é bom para a empresa que depende de investimentos elevados.

— Não só os problemas das denúncias de corrupção levaram a Petrobras a ter o rebaixamento. Isso vai ter ônus para a Petrobras, passa a ter um prêmio de custo de financiamento que a Petrobras vai ter que pagar a partir de agora. Numa empresa que já passa por muitos problemas, que não consegue nem se quer ter balanço, além da corrupção, não consegue quantificar o que aconteceu e ao mesmo tempo tem necessidade de investimento elevada, é hora de repensar o papel dela e o que ela tem que fazer — disse Eduardo Cunha, acrescentando:


É um alerta, é grave e a sociedade vai acabar pagando um custo maior pela necessidade que a Petrobras terá de captar para investir.

O rating da dívida da Petrobras foi rebaixado em dois degraus para Ba2, ante Baa3. A Moody's manteve a classificação da estatal em revisão para novo rebaixamento. A medida reflete preocupação com escândalos de corrupção, atraso no balanço auditado e aumento do endividamento da estatal.

Para o presidente da Câmara, a situação da Petrobras já provocou impactos na economia brasileira, mas o rebaixamento não deverá provocar novos impactos nem afetar o risco Brasil, agravando apenas a situação da própria estatal.

O grau de investimento do país tem outros fatores de avaliação que não os fatores da Petrobras. O país tem os fatores de manutenção de sua estabilidade como fator motivador, como garantidor de investimento. São coisas distintas e o mercado sabe disso — disse Cunha.

O ministro de Relações Institucionais, Pepe Vargas, disse que o governo não teme que haja rebaixamento do rating do Brasil por conta da nota de crédito da Petrobras. Ele reafirmou que é viável cumprir o compromisso de superávit primário de 1,2% do PIB, feito pela equipe econômica ainda no fim do ano passado.

— Não temos receio de que haja uma queda na avaliação de risco do Brasil, porque nós entendemos que é perfeitamente viável cumprir a meta do primário, que já foi anunciada, de 1,2% do PIB — disse Pepe, após reunião com aliados para tratar das MPs que endurecem o acesso a benefícios trabalhistas.



 

 

Procon  do Rio entra na Justiça contra operadoras de telefonia

O Procon estadual ingressou na última segunda-feira com uma ação civil pública contra as operadoras Oi, TIM, Vivo e Claro para derrubar o bloqueio de internet móvel após o fim da franquia, que passou a vigorar nos planos pré-pagos, em todo o país, desde novembro do ano passado. Além disso, a TIM já anunciou que vai estender a medida aos planos pós a partir de 20 de março.

A ação corre na 5ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) e, segundo o Procon, “foi motivada pela modificação unilateral que as operadoras fizeram em seus contratos existentes de telefonia com internet ilimitada”, que previam que o serviço de acesso à rede seria apenas reduzido após a utilização da franquia de dados contratada pelo consumidor. No processo, o Procon pede a concessão de uma liminar para que o consumidor continue utilizando o serviço de acesso à internet nos termos em que foi contratado. Caso alguma das empresas citadas na ação não cumpra a liminar, ela pagará uma multa diária de R$ 50 mil.

De acordo com o Procon, as operadoras agiram de má-fé, baseando-se no artigo 52 da Resolução 632/2014 da Agência Nacional de Telecomunicação (Anatel), que determinou que as operadoras comunicassem, com antecedência mínima de 30 dias, aos seus consumidores sobre alterações e extinções de planos de serviço, ofertas e promoções. Para a autarquia, porém, mudanças unilaterais de contrato são práticas abusivas que ferem o direito adquirido previsto pela Constituição Federal e no Código de Defesa do Consumidor (CDC).

O Procon ainda requer que a interrupção do serviço de acesso à internet ou dos planos de dados contratados por adesão das empresas citadas só possa constar de contratos firmados após a data em que a ação civil pública foi instaurada. Além disso, as empresas rés deverão indenizar, da forma mais ampla e completa possível, os danos materiais e morais causados pela modificação unilateral que elas realizaram nos contratos de seus clientes.

 

Governo  deu ‘escorregadinha’ no controle das contas públicas

 

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, voltou a defender as medidas de ajuste para que o país retome o equilíbrio fiscal para voltar a crescer. Em evento da Câmara de Comércio Brasil-França, Levy afirmou que houve “uma escorregadinha” no controle das contas públicas, mas que o senso de responsabilidade fiscal veio para ficar.

— Um país mostra sua maturidade quando certos princípios são adotados por um grupo maior de pessoas, como houve com a responsabilidade fiscal nos últimos anos. A gente pode ter tido uma escorregadinha, mas a realidade agora é esse comprometimento que vai permitir que os juros tenham redução. O sentimento hoje é de uma curva longa declinante — disse.

Segundo Levy, o país experimentou um desequilíbrio fiscal significativo em 2014, alcançando um déficit nominal de quase 7% do PIB.

— Um déficit fiscal de 7% não é muito sustentável.

Levy reafirmou a disposição do governo de acabar com desonerações e incentivos fiscais que acabaram afetando a economia, sem a contrapartida de aumento de empregos e competitividade. Por isso, o desafio hoje inclui “reformas estruturais significativas”.

Ele destacou o ataque a “distorções” em instrumentos como o seguro desemprego as as pensões por morte.

— O conceito de seguro se distingue do conceito de complementação (de renda). Seguro desemprego e pensão por morte têm objetivo de proteger contra o inesperado, não estabelecer um sistema de suporte — disse.

Ainda sobre o seguro desemprego e as pensões, Levy afirmou que as mudanças propostas são “para tornar esses instrumentos mais fortes para as funções para as quais foram desenhados”.

Levy voltou a dizer a uma plateia de empresários que o BNDES não mais terá o fôlego financeiro dos últimos anos.

— Parte do aumento da dívida pública, quase R $ 500 bilhões, se deve ao BNDES, cuja atuação foi importante, mas teremos que ter alternativa para isso — disse.

O ministro ressaltou que o ajuste em curso nas contas públicas tem justamente o objetivo de trouxer estabilidade e diminuir riscos para que haja um aumento dos financiamentos privados na economia.

— Temos que ter uma situação fiscal mais sólida para que as empresas tomem mais riscos — disse.

Levy falou em fortalecer instrumentos como as debentures e de fundos de longo prazo para financiar a infraestrutura, tornado-os ativos de classe mundial para atrair mais investidores internacionais.

— Deve-se olhar para esses instrumentos a fim de torná-los ativos internacionais.

Questionado sobre os problemas que a crise hídrica e de energia trazem ao setor produtivo, Levy elogiou a atual política de realismo tarifário do governo Dilma Rousseff.

— O governo tomou medidas corajosas. O realismo tarifário dos preços de energia é importante, traz segurança ao setor elétrico.

O ministro esquivou-se de responder a uma série de perguntas que lhe foram feitas por presidentes de grandes multinacionais francesas — que iam da prosaica burocracia excessiva existente no país à elevada volatilidade da taxa de câmbio, passando pela carga tributaria —, e disse:

— Não é exatamente minha inclinação prometer soluções rápidas e fáceis, mas temos uma estratégia com medidas que consideramos cruciais e vamos atacá-las. É a agenda de respostas ao novo ambiente que estamos vivendo. Que tem os EUA mudando sua política monetária e a China revendo diretrizes de crescimento. O mundo está mudando e o Brasil tem que mudar também. Temos que ser competitivos globalmente e nos inserirmos nas cadeias de valor, aumentando a competitividade e a produtividade dos nossos trabalhadores — disse.

 

 

Classe C passa a comprar menos



O cenário de inflação alta, crédito escasso e renda comprometida está fazendo a parcela da população brasileira que ascendeu para a classe C comprar menos nos supermercados neste começo de ano do que nos últimos seis meses. E a percepção para o primeiro semestre de 2015 não é nada animadora: o carrinho de compras deve continuar encolhendo. Estes são os primeiros resultados de uma pesquisa inédita, chamada O Bolso do Brasileiro, que o Instituto Data Popular, especializado na classe C, acaba de concluir.

Já segundo a Nielsen, empresa especializada em pesquisar hábitos dos consumidores, diante deste cenário de comprometimento de renda, endividamento e inflação, a classe C é a mais afetada em sua vida financeira, já que apresenta em média um gasto 15% superior à sua renda mensal. Levantamento recente da Kantar Worldpanel, outra companhia especializada em pesquisar as tendências de consumo, mostrou que as classes C e D/E já diminuíram em cerca de oito vezes o número de idas aos pontos de venda, enquanto a classe A diminuiu apenas quatro vezes.

Pela metodologia do Data Popular, as famílias da classe C têm renda média de R$ 2,9 mil e, nos últimos anos, passaram a consumir produtos e serviços antes inacessíveis. O levantamento foi feito entre os dias 18 e 29 de janeiro em 150 cidades do país e foram entrevistadas 3.050 pessoas.

DESCENDO UM DEGRAU

De acordo com a pesquisa, 47% dos entrevistados disseram estar comprando menos produtos no supermercado na comparação com os últimos seis meses. Outros 36% afirmaram que compram a mesma quantidade, e 12% responderam que estão comprando mais produtos. Os pesquisadores perguntaram aos entrevistados se nos próximos seis meses, pensando na condição financeira atual, eles esperavam comprar mais ou menos. Entre as respostas, 45% afirmaram que vão comprar menos; 36% disseram que vão comprar a mesma quantidade e 19% responderam que vão comprar mais.

— O brasileiro da classe C já percebeu que a inflação está comendo sua renda e que está sobrando menos dinheiro para o consumo. Em relação ao futuro, ele mostra desesperança, porque não vê perspectiva de melhora da renda e da situação da economia em geral. Para ele, a inflação deve continuar subindo, assim como os juros do cheque especial utilizado por eles. Ou seja, o brasileiro que já passou aperto em 2014 começa 2015 preocupado em não conseguir encher o carrinho — avalia Renato Meirelles, presidente do instituto de pesquisa Data Popular.

Para o economista Miguel Ribeiro de Oliveira, da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), o aumento dos impostos e o crédito mais caro e restrito afetam todas as classes, mas especialmente a classe C, que pode até encolher neste ano.

— Quando a situação econômica se torna mais difícil, e a renda disponível fica menor, essas categorias podem até cair um degrau (na ascensão social que tinham experimentado) —afirma Oliveira.

Meirelles, do Data Popular, ainda não vê um retrocesso na ascensão social dessa parcela da população, mesmo com a perda de poder aquisitivo. Ele explica que como o critério para definir classe social é o salário, enquanto o desemprego estiver em níveis baixos, não haverá mudanças.

— Enquanto o desemprego não aumentar, esse brasileiro que ascendeu não vai sair da classe C. Mas seu poder de compra diminui, com o aumento da luz, do aluguel e dos produtos em geral — diz o presidente do Data Popular.

Mas o emprego é exatamente o ponto crucial, destaca o economista Luiz Otávio Leal, do banco ABC Brasil. Na análise de Leal, tão importante quanto a inflação, sobretudo de alimentos e tarifas, o que pesa mais para a classe C, é o impacto do mercado de trabalho, que este ano deve ser marcado por uma queda real na renda:

— Neste ano, as discussões salariais vão se concentrar em repor as perdas, e o trabalhador ficará contente se conseguir manter o emprego.

Outra mudança sutil, esta constatada pela Kantar, é que mais pessoas estão priorizando as compras no início da semana, em detrimento dos finais de semana, para aproveitar as promoções, que se concentram entre segunda e quarta-feira.

Foi o que fez o casal Silvia Santana, de 51 anos, e Alexandre Domingos, de 43, donos de uma empresa de artesanato e costura de São Paulo. Os dois passaram a fazer a despesa do mês durante a semana para aproveitar os descontos. Aos sábados e domingos, só quando falta algum item essencial.

— Na medida do possível, trocamos as marcas mais caras por outras mais baratas. E nossa compra mais pesada é feita durante a semana quando os supermercados fazem as promoções — diz Domingos.

ADEUS, SUPÉRFLUOS

Já a aposentada Iara Palmiro, de 65 anos, moradora do Itaim Bibi, também na Zona Sul de São Paulo, foi mais radical e cortou alguns itens considerados supérfluos de sua cesta de compra.

— Em relação aos alimentos, o consumidor acaba trocando por uma marca mais barata. Setores como cosméticos, itens de higiene pessoal e moda, por exemplo, devem ter crescimento menor já que estes itens eram aspiracão da classe C — afirma Reinaldo Saad, sócio da área de bens e consumo da consultoria Deloitte.

Mas especialistas avaliam que, diante do orçamento mais apertado, não só o brasileiro da classe C, mas toda a população, deverá continuar mudando seus hábitos de consumo em 2015.

— A expectativa é de mais um ano ruim para a economia, com juros ainda elevados. Sem perspectiva de aumento de salário, e até de desemprego, a confiança do consumidor caiu 14,5% em janeiro. Ele evita tomar novas dívidas, posterga as compras mais caras e acaba mudando seus hábitos de consumo — diz o assessor econômico da Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio), Vitor França.

O economista da Fecomércio destaca que o brasileiro está com a renda mais comprometida com itens essenciais como conta de luz e água, transporte e aluguel, que ficaram mais caros nos últimos meses. Uma pesquisa do Datafolha também constatou que quase metade dos brasileiros (46%) vai consumir menos nos próximos seis meses, e 56% já vêm cortando despesas desde o segundo semestre de 2014. Significa que o consumo, que vinha puxando o crescimento da economia desde 2008, dará freada prejudicando ainda mais o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto dos bens e serviços produzidos no país). Não sem motivos, na média, os analistas de mercado preveem que a economia encolha 0,5% este ano.



 

Caixa  Econômica Federal no topo de queixas do Banco Central

 

A Caixa Econômica Federal ocupou em janeiro deste ano o primeiro lugar no ranking das instituições financeiras que mais receberam reclamações por seus serviços. O levantamento foi publicado  pelo Banco Central. De acordo com a autarquia, o índice da Caixa foi de 12,78, chegando a um total de 953 reclamações consideradas procedentes, sendo as duas principais por falta de confiabilidade e segurança nos seus sistemas (466) e por débitos não autorizados (84). A instituição tem 74,5 milhões de clientes.

Questionada sobre as queixas, a Caixa afirmou, por meio de nota, que tem como prioridades “a redução das reclamações e o aumento da solução em todos os canais internos e externos”. O banco informou ainda que “as informações e reclamações dos clientes são utilizadas “como subsidio para a melhoria e a modernização de todos os seus processos de atendimento”.

Em segundo lugar, a insatisfação foi com o grupo HSBC, que tem 10,1 milhões de clientes. O índice da instituição foi de 10,99 e ele recebeu 112 reclamações. E o Santander, com 31,4 milhões de correntistas, ficou em terceiro, com um índice de 7,44, recebendo 234 reclamações. Logo atrás, estão o Bradesco, Banrisul e Itaú, que ocupam, respectivamente, a quarta, a quinta e a sexta posições.

O ranking é formado a partir das queixas registradas pelos clientes das instituições financeiras no Banco Central via telefone, internet, correspondência ou de forma presencial.

Do total de 3.656 queixas acatadas pelo Banco Central em janeiro, as três principais foram a falta de confiabilidade, segurança e sigilo nas operações bancárias (691); a impossibilidade de fazer portabilidade de crédito consignado sem nenhum tipo de justificativa (542); e débito em conta sem autorização (317).


O QUE DIZEM OS BANCOS

A Caixa Econômica Federal, primeira colocada no ranking, diz valorizar as informações e reclamações dos clientes, e utilizá-las como subsídio para melhorar e modernizar os processos de atendimento. A redução das reclamações e o aumento da solução em todos os canais internos e externos, diz a instituição, são uma prioridade. O banco afirma ainda revisar permanentemente seus serviços e produtos para garantir a satisfação dos seus clientes .



O Santander, por sua vez, ressalta que tem trabalhado na melhoria dos processos, ofertas e atendimento, com o intuito de torná-los mais simples e ágeis e, dessa forma, aumentar a satisfação dos consumidores com o banco.

Já o HSBC diz avaliar todas as demandas recebidas pelos canais oficiais de atendimento e atuar com o foco do cliente para estabelecer melhorias contínuas em serviços. O banco afirma que tem realizado alterações significativas, principalmente, no modelo de gestão e atendimento e ressalta que segue os mais altos padrões de qualidade para atender os pontos levantados nas avaliações dos seus clientes.

O Bradesco informa que desenvolve um programa intensivo de revisão de processos e sistemas, aliado aos de formação e aperfeiçoamento do quadro de funcionários da sua extensa rede de agências, sempre procurando aumentar o nível de satisfação de seus clientes.




 

Economistas vêem contração da economia no Brasil



Economistas de instituições financeiras passaram a ver pela primeira vez contração da economia neste ano, em meio a um aperto maior da política monetária diante da inflação mais elevada e do dólar mais alto.

De acordo com a pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta quarta-feira, a projeção para a o Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 passou a uma contração de 0,42%, contra variação zero no levantamento anterior, na sétima semana seguida de piora da estimativa.

As projeções para a indústria tiveram forte deterioração, passado para uma retração de 0,43% em 2015, contra expansão de 0,44% na pesquisa anterior.

Para 2016, a projeção para o PIB permaneceu em expansão de 1,50%. Sobre 2014 os economistas consultados revisaram mais uma vez a estimativa de crescimento, a 0,02%, ante 0,07%.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) mostrou na semana passada que a economia brasileira encerrou o quarto trimestre de 2014 com queda de 0,15% em relação aos três meses anteriores e o ano passado com retração de 0,12%, segundo dados dessazonalizados.

E para este ano pairam ainda os riscos de racionamento de energia elétrica e de água, com potencial de pressionar ainda mais a atividade.

Apesar de a economia patinar, os economistas elevaram pela primeira vez após nove semanas a projeção para a Selic ao fim deste ano, a 12,75%, contra 12,50% antes.

A pesquisa do BC mostrou que a expectativa agora é de alta de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros, atualmente em 12,25%, na reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom).

Os economistas ainda veem nova alta de 0,25 ponto na reunião de abril, mas redução da Selic a 12,75% em outubro.

Antes, os economistas consultados viam duas altas de 0,25 ponto, em março e em abril, mas com redução também de 0,25 ponto na última reunião do ano, em novembro.

Para 2016, permanece a perspectiva de que a Selic encerrará a 11,50%.

Por sua vez, o Top-5 de médio prazo, com os economistas que mais acertam as projeções, ainda vê a Selic a 13% ao fim deste ano, e a 11,50% no fim de 2016.

A perspectiva de aumento dos juros vem em um cenário em que as expectativas de inflação não arrefecem, diante da pressão dos preços administrados. No Focus, a projeção para a alta do IPCA em 2015 agora é de 7,27%, contra 7,15% anteriormente.

Para os preços administrados, os especialistas consultados projetam agora alta de 10% neste ano, ante 9,48% na semana anterior.

Além disso, a projeção para o dólar também subiu no fim de 2015, a R$ 2,90 contra R$ 2,80 anteriormente.

A projeção para o IPCA no final de 2016 continuou em 5,60 por cento, com avanço de 5,5 por cento dos administrados.

 

Viajantes tentaram entrar com R$ 251 milhões sem pagar imposto



O subsecretário de Aduana e Relações Internacionais da Receita Federal, Ernani Checcucci, informou  que brasileiros que voltaram do exterior em 2014 tentaram entrar no Brasil com R$ 251,1 milhões em produtos sem pagar imposto de importação.

Nessas ações de fiscalização nos aeroportos internacionais, o Fisco lançou R$ 43 milhões em impostos e R$ 17,2 milhões em multas. Pelas regras da Receita, quando a pessoa que ingressa no Brasil não declara os bens que superam o montante de US$ 500 por viajante, nos voos internacionais, o governo cobra uma multa de 50% sobre o valor que excede essa cota de isenção.

A Receita informou que, no ano passado, os viajantes declararam a entrada de R$ 2,46 bilhões em produtos no Brasil. A arrecadação foi de R$ 21,7 bilhões em imposto de importação. Além disso, foram lançados R$ 620 mil em multas – referente a itens não declarados, mas detectados pelo Fisco.

— Na nossa avaliação, ao longo do ano, o viajante procurou mais por uma regularização espontânea. Mas ainda assim percebemos que existem abusos que precisam ser coibidos e estamos trabalhando para isso .



 

Lucro da Caixa Econômica Federal cresceu 5,5% em 2014



A Caixa Econômica Federal (CEF) registrou lucro líquido de R$ 7,1 bilhões em 2014, valor 5,5% maior que o registrado no ano anterior. A instituição apresentou ainda uma crescimento da carteira de crédito muito acima dos concorrentes.

A carteira de crédito avançou 22, 4 % em 12 meses, encerrando o ano com saldo de R$ 605 bilhões. Muito acima da expansão de concorrentes como Banco do Brasil, Itau Unibanco e Bradesco, cujas carteiras cresceram menos de 10%. “O resultado do ano decorreu, principalmente, do aumento de 42,7 % nas receitas financeiras e de 52,9 % no resultado de títulos e valores e derivativos, além do incremento nas receitas de prestação de serviços e tarifas em 12 %”, observou a Caixa em comunicado.

RECEIO DE ABRIR O CAPITAL

O presidente da instituição, Jorge Hereda, que está deixando o cargo no final do mês, disse que conversou com a presidente Dilma Rousseff sobre a possibilidade de abrir o capital do banco, mas que não há ainda uma decisão sobre o assunto. Hereda, que será substituído pela ex-ministra do Planejamento Mirian Belchior , disse contudo ser pessoalmente contra a privatização do banco e que colocou tal posição à presidente.

— Acho que a questão é: cabe ou não o pais ter um banco 100% público? Em minha opinião é importante para o país ter instrumentos para enfrentar crises com ações anticíclicas, como a Caixa fez em 2009. O que aconteceria se fizéssemos o que os bancos privados fizeram? Qual seria o resultado do PIB? — questionou Hereda.

Segundo o executivo, um banco totalmente público também faz sentido em um mercado bancário cada vez mais concentrado.

— É muito interessante para o país e para o povo que exista possibilidade de se ter concorrência, sobre a ótica do lucro do lucro exacerbado levado à última consequência — disse Hereda, que na apresentação dos resultados da Caixa em 2014 fez uma espécie de balanço dos quatro anos que esteve à frente da instituição.

Para Hereda, uma decisão a esse respeito tomada rapidamente é complicada e "podemos nos arrepender". Para a presidente, disse ele, essa questão não está fechada e há grande possibilidade de que isso não aconteça.

Segundo ele, faria mais sentido o debate da oportunidade de se abrir capital de segmentos de negócios com bom potencial de crescimento, como a área de seguros.

 

 

Lucro do Banco do Brasil cai  28,6% em relação a  2013

Maior banco do país, o Banco do Brasil apresentou lucro líquido de R$ 11,24 bilhões em 2014, resultado 28,6% menor que os ganhos do ano anterior. O lucro ajustado (ou recorrente, que exclui fatores e eventos extraordinários, como os ganhos com o IPO da BB Seguridade, ocorrido em 2013) atingiu R$ 11,34 bilhões, alta de 9,6%. O ganho nas mesmas bases um ano antes foi de R$ 10,3 bilhões.

A rentabilidade do banco (ROE, medida pelo retorno sobre o Patrimônio Líquido) declinou de 22,9%, em 2013, para 15% no ano passado. No quarto trimestre, o BB teve lucro líquido de R$ 2,959 milhões, uma queda de 2,2% ante o mesmo período de 2013. A previsão média de analistas ouvidos pela Reuters era de lucro recorrente de R$ 2,908 bilhões.

"O resultado obtido no ano refletiu a estratégia de atuação do banco com foco em linhas de crédito de menor risco, controle das despesas e mudança no mix de captações para reduzir custos", explicou o banco em comunicado ao mercado.


Em termos de resultados, a performance do BB ficou bem abaixo das registradas pelos seus dois principais concorrentes privados, o Itaú Unibanco e o Bradesco. O Itaú teve no ano passado com lucro líquido de R$ 20,2 bilhões no ano, uma alta de mais de 28% ante 2013, enquanto o Bradesco lucrou R$ 15,36 bilhões, 26% a mais que um ano antes.

O novo presidente do BB, Alexandre Abreu, colocou a busca de eficiência e a geração de resultados sustentáveis como suas prioridades à frente da instituição.

— Sempre observando os compromissos do banco com a sociedade brasileira — disse antes de participar da apresentação dos resultasos do banco a jornalistas, na manhã desta quarta-feira em São Paulo.

Questionado sobre se essa busca de eficiência visaria também a elevar os ganhos do banco, aproximando-os dos lucros de seus pares privados, Abreu afirmou que não gosta de comparações e acrescentou:


O resultado de 2014 está acima das expectativas do mercado e vai na linha da melhoria da eficiência do banco. Nossa margem financeira subiu, houve um baixo crescimento das despesas e a inadimplência, que havia subido no terceiro trimestre, recuou (de 2,09% para 2, 03% em dezembro). Vemos o cenário adiante como desafiador, mas temos bastante expectativa para o desempenho do banco e do seu papel no desenvolvimento do país.

"O resultado do ultimo trimestre foi bem acima do esperado. Mas em relação a seus pares privados, é bem fraco", observou em comentário a gestora Yeld Capital.

A carteira de crédito ampliada do BB atingiu R$ 760,9 bilhões em dezembro, saldo 9,8% superior ao do encerramento de 2013, e ligeiramente abaixo do avanço do crédito no país, que foi de 10% na mesma comparação. O aumento da carteira de crédito também ficou abaixo da previsão feita pelo próprio BB, que era de alta de 12% a 16% para o ano de 2014.

O grupo previu expansão de 7% a 11% da carteira ampliada em 2015. Seus principais rivais, Bradesco e Itaú Unibanco, estimaram crescimento de até 9% na carteira de crédito, em meio à estagnação da economia do país.

De outubro a dezembro, as despesas do BB com provisões para perdas com inadimplência somaram R$ 5,2 bilhões, um avanço de 24,4% em 12 meses e de 13,8% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

EXPOSIÇÃO A PETROBRAS

Isso aconteceu mesmo após o índice de inadimplência da carteira, medido pelo saldo de operações vencidas com mais de 90 dias, ter tido leve recuo na base sequencial, de 2,09% para 2,03%. No último trimestre de 2013, esse indicador fora de 1,98%.

O banco teve o comando trocado na semana passada, após Aldemir Bendine ser nomeado presidente da Petrobras, sendo substituído no BB por Alexandre Abreu.



Além de novo presidente executivo, o BB anunciou na véspera dois novos vice-presidentes. José Maurício Pereira Coelho é o vice-presidente de Finanças e de Relações com Investidores, no lugar de Ivan Monteiro, que também deixou o BB para ocupar a mesma função na Petrobras. Raul Francisco Moreira é agora o vice-presidente de Negócios de Varejo, na posição deixada por Abreu.

Perguntado ainda sobre se a exposição do BB à Petrobras teria exigido provisões adicionais, Abreu respondeu que não, uma vez que os empréstimos do banco ao setor de óleo e gás, como um todo, soma cerca de R$ 41 bilhões, ou 5% da carteira rotal.

— Por isso, consideramos que a exposição no setor é compatível com a sua importância na economia e com a carteira de crédito de que temos — disse.



 

Emprego na indústria recua pelo terceiro ano

O total de empregados assalariados na indústria cresceu 0,4% em dezembro na comparação com o mês imediatamente anterior, interrompendo oito meses de taxas negativas consecutivas, período em que acumulou perda de 4,3%. Os dados, livres de influências sazonais, são da Pesquisa do Emprego Industrial, divulgada , pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A queda no emprego é mais uma componente do cenário negativo da indústria brasileira. De acordo com dados anunciados pelo IBGE em 3 de fevereiro, em 2014, a produção industrial recuou 3,2%, com quedas em 20 de 26 setores pesquisados pelo IBGE. Destaque negativo para a indústria de veículos automotores (-16,8%) e produtos de metais (-9,8%).

Com esses resultados, o último trimestre de 2014, registra variação negativa de 0,2% na comparação com o terceiro trimestre, mantendo a trajetória descendente iniciada em abril de 2013.

Na comparação com dezembro de 2013, o emprego industrial mostrou queda de 4%, 39º resultado negativo consecutivo nesse tipo de confronto. Com isso, o índice acumulado no ano de 2014 ficou em -3,2% e a taxa anualizada, índice acumulado nos últimos doze meses, ao recuar 3,2%, manteve a trajetória descendente iniciada em setembro de 2013 (-1%).

Estado de São Paulo registra maior queda entre locais pesquisados

Em dezembro, o emprego industrial apontou redução nos 14 locais pesquisados. O principal impacto negativo sobre a média global foi observado em São Paulo (-4,7%). Também vale destacar os resultados negativos assinalados por região Nordeste (-4,4%), Minas Gerais (-4,5%), regiões Norte e Centro-Oeste (-4,4%), Rio Grande do Sul (-3,3%), Paraná (-2,8%) e Rio de Janeiro (-4%).

Setorialmente, ainda no índice mensal de dezembro de 2014, o total do pessoal ocupado assalariado recuou em 17 dos 18 ramos pesquisados, com destaque para as pressões negativas vindas de meios de transporte (-7,4%), produtos de metal (-9%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-8,4%), máquinas e equipamentos (-5,5%), calçados e couro (-7,5%), outros produtos da indústria de transformação (-6,8%), alimentos e bebidas (-1,3%), vestuário (-3,1%), metalurgia básica (-5,7%) e produtos têxteis (-3,5%). Por outro lado, o único impacto positivo sobre a média da indústria foi observado no setor de produtos químicos (0,7%).

No índice acumulado nos doze meses de 2014, o emprego industrial mostrou queda de 3,2%, com taxas negativas em 13 dos 14 locais e em 16 dos 18 setores investigados. Entre os locais, São Paulo (-4,3%) apontou o principal impacto negativo no total da indústria, vindo a seguir Rio Grande do Sul (-4,2%), Paraná (-4,2%), Minas Gerais (-2,8%), Região Nordeste (-2,1%), Rio de Janeiro (-2,8%) e regiões Norte e Centro-Oeste (-1,7%). Por outro lado, Pernambuco, com ligeiro avanço de 0,1%, exerceu a única pressão positiva.

Setorialmente, ainda no índice acumulado no ano, as contribuições negativas mais relevantes vieram de produtos de metal (-7,3%), meios de transporte (-5,4%), máquinas e equipamentos (-5,5%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-7,2%), calçados e couro (-8,0%), vestuário (-3,4%), outros produtos da indústria de transformação (-4,5%), produtos têxteis (-4,4%), refino de petróleo e produção de álcool (-7,5%) e metalurgia básica (-4,1%). Em sentido contrário, os impactos positivos foram registrados por produtos químicos (1,4%) e minerais não-metálicos (0,7%).

Número de horas pagas recua em dezembro

O número de horas pagas aos trabalhadores da indústria, já descontadas as influências sazonais, apontou variação negativa de 0,1% em dezembro frente ao mês imediatamente anterior – oitava taxa negativa consecutiva, acumulando nesse período perda de 4,9%.

Com esses resultados, o índice de média móvel trimestral apontou recuo de 0,6% no trimestre encerrado em dezembro de 2014 frente ao patamar do mês anterior e manteve a trajetória descendente iniciada em maio de 2013.

Na comparação com dezembro de 2013, o número de horas pagas aos trabalhadores da indústria recuou 5,3%, 19ª taxa negativa consecutiva neste tipo de confronto. Com isso, o total do número de horas pagas apontou perda de 3,9% no índice acumulado de janeiro a dezembro e a taxa anualizada, índice acumulado nos últimos doze meses, manteve a trajetória descendente iniciada em setembro de 2013 (-1%).

No índice acumulado de janeiro a dezembro de 2014, houve recuo de 3,9% no número de horas pagas, com 16 dos 18 setores pesquisados apontando redução.

Valor da folha de pagamento real avança 1,9% em dezembro, mas recua no ano

Em dezembro de 2014, o valor da folha de pagamento real (descontada a inflação) dos trabalhadores da indústria ajustado sazonalmente avançou 1,9% frente ao mês imediatamente anterior, eliminando parte do recuo de 2,4% registrado em novembro último. No período, o destaque foi a influência positiva tanto da indústria de transformação (1,6%), como do setor extrativo (3,7%). O índice de média móvel trimestral para o total da indústria apontou variação positiva de 0,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2014 frente ao patamar do mês anterior, após registrar queda de 0,9% em novembro último.

Na comparação com dezembro de 2013, o valor da folha de pagamento real recuou 3,9% em dezembro de 2014, sétima taxa negativa consecutiva neste tipo de confronto. Com isso, o valor da folha de pagamento real apontou perda de 1,1% no índice acumulado no ano de 2014. A taxa anualizada (-1,1%) apontou o resultado negativo mais intenso desde março de 2010 (-1,7%) e permaneceu com a trajetória descendente iniciada em janeiro último (1,6%).

 

 

Inflação no Brasil acelera para 1,24% em janeiro

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 1,24% em janeiro, ante 0,78% em dezembro, informou o IBGE. A taxa é a maior desde fevereiro de 2003, quando o índice chegou a 1,57%. Em janeiro de 2014, a taxa tinha sido de 0,55%. A estimativa média de economistas consultados pela agência de notícias Bloomberg era de 1,22%, com projeções entre 0,70% e 1,30%.

No resultado acumulado em 12 meses, a alta é de 7,14%, frente aos 6,41% janeiro a dezembro de 2014. A taxa é a mais elevada desde setembro de 2011, quando foi de 7,31%.

— A taxa de dezembro, de 0,78%, subiu para 1,24%, o que significa uma alta de aproximadamente 60%. Foi uma aceleração da inflação bastante expressiva. Os meses de janeiro geralmente registram alta do preço dos alimentos, mas este ano a seca aumentou o custo de alimentos, mas também de outros produtos importantes para o consumidor, como água e energia — afirmou Eulina Nunes, Coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

Eulina também destacou os recordes registrados pela inflação em janeiro deste ano:

— Não se via uma taxa acumulada em 12 meses na casa dos 7% desde 2011, apesar de desde abril do ano passado estar na casa dos 6%. E também não se via inflação na casa de 1 dígito desde 2003.

ENERGIA SOBE MAIS DE 8%

Apenas três grupos - Alimentos e bebidas, Habitação e Transportes - responderam por 85% do IPCA em janeiro. O preço de energia elétrica subiu 8,27% e foi o maior impacto individual na inflação de janeiro, com 0,24 ponto percentual. Entre os grupos, a maior influência veio de alimentos e bebidas, com alta de 1,48% e impacto de 0,37 ponto percentual.


Em dezembro, a energia elétrica tinha sido de 0,51%. Em 12 meses, o preço subiu 27,09% e também é o maior impacto individual na inflação, de 0,72 ponto percentual. Os preços do grupo habitação, onde está incluída energia, avançou 2,42% em janeiro, depois de aumento de 0,51% em dezembro.

Já os preços do grupo transportes subiram 1,83% em janeiro, após taxa de 1,38% em dezembro. O ônibus urbano subiu 8,02% no primeiro mês do ano, puxado pelas altas nas tarifas de Rio e São Paulo. No Rio, o reajuste foi de 11,67% e em São Paulo, de 12,67%. Também houve alta de 6,59% das tarifas de ônibus intermunicipais, de 6,59%, ao lado de aumento de 9,23% no metrô e de 8,95% no trem. O preço de passagens aéreas, por sua vez, teve deflação de 4,25%, devolvendo parte da alta de 42,53% de dezembro, por causa das festas de fim de ano.

Os grupos artigos de residência e vestuário registraram deflação em janeiro, contribuindo para amenizar a alta do IPCA no mês. O recuo dos preços foi de 0,28% e 0,69%, respectivamente. O grupo de despesas pessoais teve alta de 1,68% puxada pelo aumento de 6,89% de cigarro, de 1,50% de empregado doméstico e de 5,62% em excursão.

ANALISTAS ESPERAM ESTOURO DA META NO FIM DO ANO

A menor demanda das famílias brasileiras se refletiu na deflação de artigos para casa, que inclui eletrodomésticos, e de vestuário. Embora o mês de janeiro seja de promoções do varejo, Eulina apontou que essa não foi a única razão para o resultado de janeiro:

Essa deflação de vestuário e artigos de residência em janeiro tem a ver com as promoções da época, mas também com recuo de demanda. Já em dezembro, com as vendas de Natal, as lojas mostravam promoções.

Dos alimentos, a maior alta do mês de janeiro foi da batata-inglesa, de 38, 09%, seguida por feijão carioca, de 17,95%. O preço da carne subiu 1,55%, mostrando desaceleração frente aos 3,73% de dezembro. Em 12 meses, no entanto, o aumento do preço da carne é de 20,42%, o segundo maior impacto individual no IPCA.

Para 2015, a expectativa dos economistas é de que a inflação fique em 7,01%, acima do teto da meta do governo, que é de 6,5%. A inflação acumulada em 2014 foi de 6,41%, abaixo do teto da meta do governo, resultado maior que os 5,91% registrados em 2013. Na última década, entre 2005 e 2014 a inflação avançou 69,34%.

 

Vendas de veículos não reagem e caem 18,8% em janeiro

 


O mercado brasileiro de veículos começou o ano como havia encerrado 2014, em marcha a ré. As vendas no mês de janeiro totalizaram 253,8 mil unidades (entre automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões), segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O resultado representa uma queda de 18,8% em relação às vendas do primeiro mês do ano passado, de 312,6 mil veículos.

Para Luiz Moan, presidente da Anfavea os números de janeiro não foram uma surpresa. A associação de concessionárias de veículos, Fenabrave, também já tinha alertado no começo da semana para o fraco resultado de vendas do mês, que foi o mais baixo para o período desde 2011.

— Como já tínhamos antecipado, esperamos um primeiro trimestre extremamente difícil para o setor, em razão dos ajuste em curso nas contas fiscais do governo — disse Moan, nesta quinta-feira, em São Paulo.

A produção de carros alcançou 204,8 mil unidades em janeiro deste ano, 13,7% abaixo da marca registrada um ano antes. Em janeiro de 2014, foram produzidas 237,3 mil unidades, de acordo com a Anfavea. Mas, frente a dezembro, a produção de veículos no Brasil em janeiro subiu 0,49%. A baixa ocorreu em um mês marcado por greve de dez dias na principal fábrica da Volkswagen no país, realizada em protesto pela demissão de 800 funcionários da unidade instalada em São Bernardo do Campo.

Com o menor volume comercializado e a produção mais lenta, o setor registrou leve redução em seus estoques: eram 351 mil unidades no final de dezembro, o equivalente a 41 dias de vendas, e passaram a 318, 5 mil no final do mês passado.

Perguntado sobre as fracas perspectivas para o setor este ano e o impacto que isso pode ter sobre os empregos, Moan disse que programas como o lay off e o planos de demissões voluntárias (PDV), que vêm sendo adotados por praticamente todas as montadoras, são instrumentos de “defesa dos empregos”.

— Essa é uma decisão individual e cada empresa, mas o que vemos é que há uma busca intensa da manutenção dos empregos — disse.

Em janeiro, houve redução de 400 postos de trabalho na indústria, que em 2014 o setor já havia eliminado 12 mil postos.

As indefinições do governo sobre as novas condições de financiamento do Programa de Sustentação dos Investimentos (PSI) afetaram duramente as vendas de caminhões, que caíram 28,4% neste início de ano ante janeiro de 2014.

— Trata-se de um segmento muito dependente dos financiamentos públicos, e o BNDES só definiu as novas taxas em 19 de janeiro, o que não permitiu aos agentes financeiros adaptar suas linhas antes do fim do mês. Mas as novas taxas são bastante atraentes em relação às oferecidas no mercado e esperamos com isso reverter a queda de janeiro — disse o presidente da Anfavea.

Ajudando a deprimir a produção, a indústria sofreu queda de 27,9% nas exportações de veículos de janeiro em relação ao mesmo período do ano passado, para 16,3 mil unidades. Em valores, as vendas externas do mês passado foram de US$ 484,18 milhões, 29,3% menores que o resultado obtido um ano antes.

O balanço dos fabricantes de automóvel mostra um mal começo de ano para a indústria automotiva, que já havia encerrado 2014 com recuo de 15,3% na produção. Entre janeiro e dezembro do ano passado foram produzidas 3,15 milhões de unidades, contra 3,71 milhões no mesmo período de 2013. As vendas caíram 7,1% entre 2013 e 2014: de 3,77 milhões para 3,50 milhões. Em dezembro, havia 351 mil unidades em estoque na indústria e nas revendedoras.




 

Indústria encerra 2014 com menores indicadores desde 2009

A indústria brasileira encerrou 2014 com a maior parte dos indicadores em queda, segundo a pesquisa Indicadores Industriais, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em 12 meses, o faturamento real, horas trabalhadas e emprego recuaram em relação a 2013.

As quedas foram, respectivamente, de 1,8%, 3,7% e 0,7%. De acordo com o levantamento da CNI, apenas a massa salarial e o rendimento médio reais cresceram 1,5% e 2,3% no ano passado.

A CNI informou que os dados são os mais fracos desde 2009 para todos os indicadores, com exceção do rendimento médio real.

 “O quadro da indústria para 2014 é bastante negativo e preocupante. Reflete todas as dificuldades que as empresas brasileiras estão tendo, de competição, de produtos importados. O consumo já não mostra o vigor de antes. O ano de 2014 foi de queda do investimento”, destacou o gerente de Políticas Econômicas da CNI, Flávio Castelo Branco.

Avaliando apenas o mês de dezembro, a totalidade dos indicadores caiu em relação a igual período de 2013. O recuo mais expressivo ocorreu nas horas trabalhadas. O dado, que mede o ritmo da produção industrial, caiu 7% no período.

Comparando-se dezembro com novembro de 2014, as horas trabalhadas na produção industrial caíram 3,3%, enquanto o faturamento real recuou 3,1%. O emprego foi o único indicador que teve variação positiva no período, 0,4%.

“O que observamos em dezembro é a continuidade da contração na indústria, o que verificamos ao longo de 2014. A retração das horas trabalhadas e do faturamento é bastante aguda. São números nada triviais”, comentou o economista. Quanto ao emprego, ele destacou que o crescimento mensal é pequeno e que, a longo prazo, o cenário é de queda.

A pesquisa também mostrou a utilização da capacidade instalada no fim de 2014, que atingiu 81% em dezembro, contra 80,9% em novembro do ano passado e 81,7% no mesmo mês de 2013. A CNI avaliou que, “embora não tenha se contraído no mês, a utilização da capacidade instalada sugere desaquecimento do parque fabril”.

Segundo Flávio Castelo Branco, a expectativa para os primeiros meses deste ano é a continuidade do cenário desfavorável. “As expectativas de que a economia reaja são relativamente distantes do mundo de hoje. O aumento da tributação e a elevação das taxas de juros agravam as dificuldades do setor industrial. Esperamos que [as medidas de ajuste fiscal] venham acompanhadas paulatinamente de medidas de mais estímulo”, disse.

Castelo Branco acrescentou que uma possível reação da indústria só deve ocorrer a partir do segundo semestre.

 

 

Lucro do Itaú Unibanco sobe 28,9% em 2014



Maior banco privado do país, o Itaú Unibanco registrou lucro líquido contábil de R$ 20,24 bilhões, resultado 28,9% maior que o ganho de 2013, que foi de R$ 15,696 bilhões. Descontando-se efeitos não recorrentes (baixas ou ganhos contábeis que não ocorrerão nos próximos trimestres, o lucro do banco chegou a R$ 20,62 bilhões.

Mesmo tendo registrado um crescimento abaixo do esperado na evolução de sua carteira de crédito, o Itaú Unibanco aumentou sua rentabilidade em 2014. A instituição encerrou o ano com um total de R$ 525,5 bilhões em operações de crédito contratadas, valor 8,7% maior que os R$ 483,4 bilhões do fim de dezembro de 2013.

Mesmo incluindo a carteira de títulos privados de renda fixa, o avanço foi de 9,8%, abaixo da própria estimativa do banco, de 10% a 13%. A rentabilidade (ROE, retorno sobre o patrimônio líquido) anualizada das operações, contudo, avançou de 20,7% para 23,5%.

Na semana passada, o Bradesco anunciou lucro líquido 25,8% maior em 2014: R$ 15,089 bilhões. Levando em conta apenas os últimos três meses de 2014, a instituição lucrou R$ 3,993 bilhões, avanço de 29,7% sobre o mesmo período de 2013 e de 3% na comparação com o terceiro trimestre.

O presidente da instituição, Roberto Setubal, classificou com "bastante bom" e "sólido" o resultado do banco em 2014, o que deixa o banco bem posicionado para 2015.

— Estamos bastante confortáveis diante do cenário difícil que temos pela frente — disse Setubal, em entrevista a jornalistas.

O Itaú Unibanco projeta uma retração de 0,5% no PIB deste ano, que pode chegar a 1% se houver racionamento de energia. Apesar disso, o banco espera uma expansão em suas operações de crédito similar à de 2014 — que foi de 9,8% ano passado.

— Vemos uma conjuntura de 2015 difícil, de crescimento bastante baixo e nos posicionamos para isso.

Questionado sobre os riscos ao setor financeiro dos desdobramentos da Operação Lava-Jato, Setubal afirmou que os números da exposição dos bancos às empresas envolvidas é muito menor do que o que vem sendo divulgado — cerca de R$ 130 bilhões.

— Esse número não corresponde ao que as pessoas entendem deles. Faz referência exposição dos grupos econômicos ligados à construção. E esse endividamento inclui tudo. Não corresponde portanto ao que está envolvido na Lava-Jato — disse, completando. — Não vejo risco sistêmico de jeito nenhum.

Setubal elogiou a postura pragmática da equipe econômica comanda pelp ministro Joaquim Levy (Fazenda).

— A equipe tem atuado com muito realismo. Acho que as medidas tomadas até agora estão no caminho correto. Estive em Davos e as explicações do Levy foram muito bem recebidas. Este será um ano duro, difícil, mas não vejo alternativa. Esse é o momento de fazer a lição de casa para em dois anos o país voltar a crescer — disse.

LUCRO SUPERA ESTIMATIVAS NO QUARTO TRIMESTRE

No quarto trimestre, o banco superou previsões de lucro, reflexo de nova queda da inadimplência, maiores margens com crédito e aumento das receitas com serviços. O Itaú Unibanco anunciou nesta terça-feira que seu lucro líquido somou R$ 5,52 bilhões no período, alta de 18,8% ante mesma etapa de 2013.

Em bases recorrentes, o lucro foi de R$ 5,66 bilhões, alta de 20,9% no comparativo anual. A previsão média de analistas ouvidos pela Reuters era de lucro recorrente de R$ 5,367 bilhões.

Parte desse resultado deveu-se a maiores ganhos com crédito. A margem líquida com clientes, ajustada ao risco e após despesas com provisões atingiu 7,3%, 0,3 ponto percentual acima do trimestre anterior. Ou seja, o banco conseguiu elevar taxas dos empréstimos e teve menos gastos com riscos.

No crédito, os destaques de alta anual foram o consignado (79,5%) e o imobiliário (19,4%). Em contrapartida, a carteira de veículos caiu 28,3%, também no ano a ano.

Outro ponto positivo do balanço foi a décima queda seguida da inadimplência, atingindo o menor nível histórico desde a fusão entre Itaú e Unibanco em novembro de 2008. O índice, medido pelo saldo de operações vencidas com mais de 90 dias, foi de 3,1% no quarto trimestre, ante 3,2% no trimestre anterior e 3,7% um ano antes.

Com isso, as despesas da instituição com provisões para perdas esperadas com calotes somaram R$ 4,614 bilhões no trimestre, queda de 2,7% na base sequencial. Na comparação anual, por outro lado, a cifra avançou 10,1%.

Além disso, o Itaú viu suas receitas com serviços e tarifas darem um salto de 13,1% no ano a ano, para R$ 6,825 bilhões no trimestre, impulsionadas pela aquisição da Credicard.

PERSPECTIVAS PARA 2015

Por fim, o banco conseguiu fechar 2014 com avanço de 10,1% das despesas administrativas, chamadas de não decorrentes de juros, abaixo da faixa prevista para o ano, de 10,5% a 12,5%. No quarto trimestre, somente, a linha mostrou avanço de 8,1% sobre um ano antes.

Entre outubro e dezembro, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido do Itaú foi de 24,7%, no mesmo nível do trimestre anterior e acima dos 23,9% de um ano antes.

 

O Itaú Unibanco previu alta de 6% a 9% de sua carteira de financiamentos em 2015. Na semana passada, ao abrir a temporada de balanços do setor, o Bradesco projetou alta de 5% a 9% de sua carteira neste ano.

O Itaú também previu que suas despesas neste ano com provisões para calotes esperados devem ficar entre R$ 13 bilhões e R$ 15 bilhões, a mesma faixa prevista para 2014.

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Balança comercial registra déficit de US$ 3,174 bilhões em janeiro

 

A balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 3,174 bilhões em janeiro. O saldo negativo é resultado de exportações no valor de US$ 13,704 bilhões e importações de US$ 16,878 bilhões. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Em janeiro de 2014, a balança comercial havia registrado déficit de US$ 4,06 bilhões.


Segundo o ministério, o resultado das importações em janeiro deste ano representa uma queda de 12% na comparação com janeiro de 2013. As exportações caíram 10,4% na mesma comparação.

Na comparação com janeiro do ano passado, recuaram as exportações de produtos manufaturados (-14,6%) e básicos (-11,1%). Houve alta nas vendas de semimanufaturados (3,1%).

No caso das importações, o Brasil comprou menos combustíveis e lubrificantes (-28,4%), bens de consumo (-14,2), bens de capital (-8,0%) e matérias-primas e intermediários (-7,0%). No grupo dos combustíveis e lubrificantes, a retração ocorreu principalmente pela diminuição dos preços e das quantidades embarcadas de petróleo e óleos combustíveis.

Em 2014, a balança registrou déficit de US$ 3,93 bilhões, o pior desempenho desde 1998. Naquele ano, o saldo ficou negativo em US$ 6,62 bilhões. O resultado do ano passado também foi o primeiro déficit comercial desde o ano de 2000, quando as importações superaram as exportações em US$ 731 milhões. O mercado financeiro projeta para 2015 um superávit comercial de US$ 5 bilhões.



 


 

Joaquim  Levy faz dólar comercial subir 2,45%, a R$ 2,676



As declarações do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sobre a atuação do governo em relação ao dólar estressaram o mercado de câmbio. O  dólar comercial avança 2,45% diante o real, cotado a R$ 2,674 na compra e a R$ 2,676 na venda. Já na Bolsa brasileira, a Petrobras causa mais estragos após ter a sua nota de risco (ranting) rebaixada pela Moody’s. Os papéis da estatal caem mais de 3% e contribuem para o recuo de 1,57% do índice Ibovespa, o principal do mercado acionário local.

Levy participou de um evento com investidores e executivos de empresas que atuam no Brasil. Após o ministro afirmar que “não há intençpão de se manter um câmbio artificialmente valorizado”, a moeda americana, que já operava em alta superior a 1%, acelerou o movimento de valorização. A fala como foi interpretada como um sinal de que o governo irá parar de intervir no mercado de câmbio.

IBOVESPA ABAIXO DOS 47 MIL PONTOS

Já no mercado acionário, o Ibovespa chegou aos 46.537 pontos. O índice não ficava nesse patamar desde março do ano passado. A notícia que mais contribui para o mau humor na Bolsa é o rebaixamento da nota de crédito da Petrobras pela agência de classificação de risco Moody’s, na quinta-feira à noite. A agência sinalizou ainda que um novo rebaixamento pode ocorrer. As ações preferenciais (sem direito a voto) da estatal caem 4,91%, cotadas a R$ 8,32, enquanto as ordinárias (com direito a voto) recuam 3,89%, a R$ 8,14.

— O que ocorre é que a Petrobras está contagiando o mercado. É a maior empresa do país e foi rebaixada, isso aumenta a percepção de risco por parte dos investidores — afirmou Marco Aurélio Barbosa, analista da CM Capital Markets.

Outro papel vem pressionando o Ibovespa nessa sexta-feira é a Vale, mas que ensaia uma leve recuperação, mesmo com a queda do preço do minério de ferro, as ações da mineradora operam em leve alta de 0,12% (preferenciais) e 0,83% (ordinárias). “O motivo principal é a queda nos preços do minério de ferro, somado a fase atual da empresa, que está fazendo fortes investimentos para aumento da capacidade de produção”, avaliaram os analistas da Yield Capital.

Já o setor bancário, que tem o maior peso na composição do Ibovespa, também opera em baixa. As ações preferenciais do Itaú Unibanco recuam 1,37% e as do Bradesco caem 2,15%. Já os papéis do Banco do Brasil têm desvalorização de 3,29%.

No exterior, os principais índices europeus também operam em queda, mas em uma intensidade menor que a Bolsa brasileira. O DAX, de Frankfurt, cai 0,25%, enquanto o CA

 

Em 2015 energia  deve subir  27,6% e gasolina 8%

 

A energia elétrica e a gasolina  devem ter fortes altas este ano, segundo estimativa do Banco Central. Em ata da  reunião que elevou a taxa da Selic para 12,25%, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC estimou em 8% o aumento no preço da gasolina e em 27,6% o da energia elétrica este ano.

De acordo com o BC, a hipótese de elevação de 8% no preço da gasolina, estimada pelo BC, reflete, em grande parte, o aumento da tributação anunciada pelo governo na semana passada, por meio da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), do PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

Já a estimativa de alta de 27,6% no preço da energia elétrica em 2015, ainda de acordo com o Banco Central, é reflexo do repasse às tarifas do custo de operações de financiamento, contratadas em 2014, da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

O governo anunciou, recentemente, que não pretende mais fazer repasses à CDE – um fundo do setor por meio do qual são realizadas ações públicas – em 2015, antes estimados em R$ 9 bilhões. Com a decisão do governo, as contas de luz dos brasileiros podem sofrer em 2015, ao todo, aumentos ainda superiores aos registrados no ano passado. Especialistas avaliam que a alta de energia, neste ano, pode chegar a até 40%.

Custo de produção maior
O custo de produção de eletricidade no país vem aumentando principalmente desde do final de 2012, com a queda acentuada no armazenamento de água nos reservatórios das principais hidrelétricas do país.

Para poupar água dessas represas, o país vem desde aquela época usando mais termelétricas, que funcionam por meio da queima de combustíveis e, por isso, geram energia mais cara. Isso encarece as contas de luz.

Entretanto, também contribui para o aumento de custos no setor elétrico o plano anunciado pelo governo ao final de 2012 e que levou à redução das contas de luz em 20%.

Para chegar a esse resultado, o governo antecipou a renovação das concessões de geradoras (usinas hidrelétricas) e transmissoras de energia que, por conta disso, precisaram receber indenização por investimentos feitos e que não haviam sido totalmente pagos até então. Essas indenizações ainda estão sendo pagas, justamente via CDE.

Gás de cozinha e telefonia fixa
O Banco Central estimou ainda, na ata do Copom divulgada na manhã desta quinta-feira, que o preço do gás de cozinha deve ter um aumento de 3% neste ano, enquanto que a telefonia fixa deve ter alta de 0,6% em 2015.

Preços administrados
Com a alta da tributação sobre gasolina e fim de repasses para a conta de luz, o Banco Central informou que prevê, para o conjunto de preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros), um aumento de 9,3% neste ano. Se confirmada, será a maior alta desde 2004 – quando houve aumento de 9,77%.

 

 

Brasil somou 95,9 milhões de passageiros aéreos domésticos



A Agência Nacional de Transportes Aéreos (Anac) informou que o país registrou 95,9 milhões de passageiros domésticos em 2014, número 6,5% acima do registrado em 2013, quando 90 milhões de pessoas voaram dentro do país. Os dados mostram que a alta no número de passageiros se acelerou em dezembro, quando voaram em rotas domésticas 8,9 milhões de pessoas, 11,2% a mais que em dezembro de 2013, quando 8 milhões de pessoas voaram dentro do país.

Por empresa, a Gol ampliou sua liderança em número de passageiros domésticos: passou de 32,51 milhões em 2013 (36,2% do total) para 35,67 milhões em 2014 (37,2% do total). A TAM reduziu sua participação apesar de elevar o número de passageiros de 31,87milhões em 2013 (35,4% do total) para 32,18 milhões em 2014 (33,6%do total). A Azul, já incluindo os dados da Trip, passou de 18,67 milhões de passageiros em 2013 (20,8% do total) para 20,01 milhões de passageiros no ano passado (21% de participação). Já a Avianca subiu de 5,90 milhões de passageiros em 2013 (participação de 6,6% do mercado) para 6,88 milhões de passageiros (7,2% do mercado). As demais empresas, que transportaram um milhão de pessoas em 2013 (1,11% do total) levaram 1,16 milhões de passageiros no ano passado (1,2% do total).

Nas rotas internacionais, as empresas brasileiras transportaram 6,4 milhões de passageiros no ano passado, 6,7% a mais que os 6 milhões de passageiros de 2013. Somente em dezembro foram 583 mil passageiros, 12,9% a mais que em dezembro de 2013. Por empresa, a líder no segmento internacional entre as empresas brasileiras é a TAM, com 4,439 milhões de passageiros transportados, praticamente o mesmo número do ano passado (4,447 milhões de passageiros). A Gol cresceu fortemente, passando de 1,589 milhão de passageiros em 2013 para 1,920 milhão de passageiros e a Azul, que no fim do ano inaugurou rotas para os Estados Unidos, transportou 21 mil pessoas. A Anac não compila dados das empresas aéreas estrangeiras.



 

Juro bancário de pessoa física sobe o triplo da alta da Selic

A taxa média de juros cobrada pelos bancos nas suas operações com pessoas físicas com recursos livres (excluindo BNDES, rural e habitacional) registrou queda de 0,7 ponto percentual em dezembro do ano passado, para 43,4% ao ano, contra 44,1% ao ano em novembro, informou o Banco Central. Foi a primeira queda em três meses.

No acumulado de 2014, porém, os juros bancários nas operações com pessoas físicas avançaram 5,4 pontos percentuais, mais do que o triplo do aumento dos juros básicos da economia (Selic), fixados pelo Banco Central.

Em todo ano passado, a taxa Selic avançou 1,75 ponto percentual, passando de 10% ao ano, no início de 2014, para 11,75% ao ano em dezembro do ano passado.

Já a taxa de captação dos bancos – que é quanto as instituições financeiras pagam pelos recursos – ficou praticamente estável em 2014 nas operações relativas a pessoas físicas. No fim de 2013, a taxa de captação dos bancos nestas operações estava em 12,2% ao ano, passando para 12,4% ao ano no fechamento do ano passado.

Taxa de todas operações e de empresas
Já a taxa de juros média de crédito de todas operações (pessoas físicas e empresas) caiu de 32,9% ao ano em novembro para 32,4% ao ano em dezembro de 2014. Entretanto, em todo o ano de 2014, a taxa subiu 3,4 pontos percentuais, uma vez que estava em 29% ao ano no fim de 2013.

A taxa das operações de pessoas jurídicas, ainda com recursos livres, recuou 0,5 ponto percentual em dezembro, para 23,3% ao ano. No acumulado de 2014, porém, teve alta de 1,9 ponto percentual, pois estava em 21,4% ao ano no fechamento de 2013.

Inadimplência em queda
Segundo o Banco Central, a taxa de inadimplência das pessoas físicas, nos empréstimos bancários com recursos livres (sem contar crédito rural e habitacional), que mede atrasos nos pagamentos acima de 90 dias, caiu de 6,6% em novembro para 6,5% em dezembro. Em todo ano passado, recuou 0,2 ponto percentual. No final de 2013, estava em 6,7%.

Já a taxa de inadimplência das operações dos bancos com as empresas, ainda no segmento com recursos livres, recuou de 3,5% em novembro para 3,4% em dezembro. Trata-se do menor patamar desde abril do ano passado, quando somou 3,3%. Em 2014, entretanto, a inadimplência das empresas subiu 0,3 ponto (estava em 3,1% no fechamento de 2013).

Considerando a taxa total de inadimplência, que engloba operações com as pessoas físicas e empresas, ainda nas operações com recursos livres, houve queda: de 4,9% em novembro para 4,8% em dezembro. É o menor patamar desde dezembro de 2013 (4,7%). Em 2014, a inadimplência de todas operações com recursos livres subiu 0,1 ponto percentual.

'Spread' bancário sobe no ano
O aumento das taxas de juros bancárias de pessoa física em 2014 contribuiu para elevar o chamado "spread bancário" – que é a diferença entre o que os bancos pagam pelos recursos e quanto cobram de seus clientes.

Embora tenha recuado um pouco de novembro para dezembro, o "spread" nas operações com pessoas físicas avançou fortemente em todo ano passado. Em dezembro de 2013, estava em 25,8 pontos percentuais, avançando para 31 pontos percentuais no mesmo mês de 2014. A alta foi de 5,2 pontos percentuais.

O "spread" é composto pelo lucro dos bancos, pela taxa de inadimplência, por custos administrativos, pelos depósitos compulsórios (que são mantidos no Banco Central) e pelos tributos cobrados pelo governo federal, entre outros.

Em um cenário de inadimplência e tributação praticamente estáveis, o aumento do "spread", em 2014, indica que os bancos estão lucrando mais com as operações de crédito.

 

Inflação no Brasil já  encosta nos 7% em 2015



Economistas do mercado financeiro elevaram, pela quarta vez consecutiva, as projeções para a inflação neste ano. Dessa vez, a expectativa é que o IPCA, índice que mede a alta de preços oficial no país, encerre 2015 em 6,99%, bem acima do limite máximo da meta do governo, de 6,5%. As informações foram divulgadas no boletim Focus, do Banco Central. A inflação brasileira não fecha no patamar de 7% desde 2004, quando o indicador ficou em 7,6%.

Boa parte da pressão inflacionária deste ano será puxada pelos preços administrados, como conta de luz, água e preços de combustíveis, que devem subir 8,7%, de acordo com o relatório. Na semana passada, a mediana das previsões indicava alta de 8,2%. A revisão ocorre em meio à expectativa de que as tarifas de energia subam mais neste ano, com a persistência da crise no setor elétrico.


O grupo de economistas que mais acertam as previsões também elevou as estimativas para inflação neste ano, mas ainda está menos pessimista. A mediana das projeções no chamado “top 5” subiu de 6,6% para 6,86%. Para o ano que vem, eles continuam esperando alta de 5,6%, mesma estimativa da semana anterior.

Apesar de esperarem mais inflação, os analistas não acham que o governo continuará por muito mais tempo sua política de aperto nos juros. A projeção para a taxa Selic no fim do ano foi mantida em 12,5% ao ano, o que significa que o mercado espera apenas mais uma alta de 0,25 ponto percentual na taxa, hoje em 12,25% ao ano.

PIB DE 0,13%

O cenário para o crescimento econômico também é ruim, na visão dos economistas que participam da pesquisa. Eles cortaram, pela quarta semana seguida, a previsão para o PIB deste ano. Agora, a expectativa é de apenas 0,13%, contra estimativa anterior de 0,38%. A projeção para 2016, que vinha sendo mantida em 1,8% há três semanas, foi cortada para 1,54%.

A fraca atividade será influenciada, segundo a pesquisa, por um ano ainda fraco para a indústria. De acordo com o relatório, o setor deve crescer 0,69%, previsão menor na comparação com a alta de 0,71% da semana passada.



 

Sobe preço de carne e energia, e prévia da inflação ganha força

 

Impactado pelo aumento de preços da carne e da energia elétrica, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, ganhou força de dezembro de 2014 para janeiro de 2015, passando de 0,79% para 0,89%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa é a maior taxa mensal desde fevereiro de 2011, quando ficou em 0,97%.

Com isso, o IPCA-15 acumulado em 12 meses está em 6,69% – acima do teto da meta de inflação do governo, de 6,5%. O resultado superou a variação registrada em 2014, de 6,46%. Em janeiro de 2014, o indicador havia avançado 0,67%.

VARIAÇÃO MENSAL DO IPCA-15

A maioria dos grupos de despesas pesquisados pelo IBGE mostrou preços maiores em relação a dezembro. O que mais pesou sobre o avanço do índice em janeiro foram os alimentos e bebidas, cuja variação chegou a 1,45%. Ficaram mais caros as carnes (3,24%), a batata-inglesa (32,86%) e o feijão carioca (24,25%).

Também exerceu impacto no IPCA-15 o custo da energia elétrica, que subiu 2,6%. "À exceção da região metropolitana de Fortaleza (-4,82%) e de Salvador (-1,91%), cujas contas tiveram queda na parcela referente ao PIS/COFINS, as demais apresentaram alta, com destaque para Porto Alegre, que chegou a 11,8% tendo em vista o reajuste de 22,41% em uma das concessionárias desde 8 de dezembro", diz o IBGE em nota.

Dentro dos gastos com habitação, que subiram 1,23% e do qual a energia elétrica faz parte, ainda mostraram avanços as variações de aluguel residencial (1,26%); mão de obra para pequenos reparos (0,95%); condomínio (0,81%); e taxa de água e esgoto (0,77%).

Também impactaram o índice os preços de ônibus urbanos, com alta de 2,85%, e as tarifas dos intermunicipais, 3,89%. Eles fazem parte do grupo de gastos com transportes, cujo avanço diminuiu de 1,59% para 0,75%, graças à queda no preço das passagens aéreas (de 42,42%, para -4,21%).

No grupo das despesas pessoais, que subiu 1,39%, o destaque ficou com o item empregado doméstico, que subiu 1,49%. Serviços como cabeleireiro subiram 1,54% e manicure, 1,82%.

Rio de Janeiro lidera alta
Na análise por região, a maior variação foi vista no Rio de Janeiro (1,35%), "sob pressão dos alimentos (1,96%) e das tarifas de ônibus urbano (4,67%)". Na outra ponta, está Salvador com o menor índice, de 0,49%, onde os combustíveis tiveram queda 1,56%, além da energia elétrica, que também ficou mais barata (-1,91%).

 

Aéreas dizem que vão tomar ‘medidas judiciais cabíveis’ contra sindicatos

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) e o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA) afirmaram , em nota, que as companhias aéreas vão adotar “as medidas judiciais cabíveis” contra os sindicatos dos trabalhadores que encabeçaram a paralisação ocorrida nos principais aeroportos do país. Em nota, as duas entidades afirmaram que não foi garantido “um efetivo de 80% dos colaboradores, estabelecido pelo judiciário” o que teria impactado “20% das operações” dos aeroportos. Na quarta-feira, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou a manutenção de 80% do pessoal trabalhando durante a greve de hoje. Caso não cumprissem, receberiam multa de R$ 100 mil ao dia.

Segundo Marcelo Ceriotti, diretor jurídico do Sindicato Nacional dos Aeronautas, a alegação de que não haviam os 80% exigidos trabalhando “é fantasiosa e não afeta o sindicato”. A greve ocorre depois de sete rodadas de negociação entre trabalhadores e empresas, sem sucesso. O Sindicato pleiteia reajuste salarial de 8,5%, equivalente a um aumento real (acima da inflação) de 2%. As companhias oferecem 6,5%. Mas, segundo Ceriotti, o principal ponto de reivindicação é a melhoria nas escalas de trabalho, com a ampliação dos dias de folga em relação aos dias trabalhados.

Os Sindicato Nacional de Aeronautas fará assembleia com os trabalhadores nesta quinta-feira, às 15 horas, em seis cidades (São Paulo, Rio, Campinas, Belo Horizonte, Porto Alegre e Belém) para definir os próximos passos a serem adotados. Ceriotti acredita que haverá a suspensão temporária de paralisações, uma vez que a categoria terá amanhã, às 14 horas, uma audiência de conciliação no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

— Entendemos que essa audiência de conciliação deve ajudar a categoria a avançar nos pleitos. Então, por isso, provavelmente deve haver a suspensão do movimento — afirmou Ceriotti.

“IMPACTO MÍNIMO”

A Abear também afirmou que a manifestação teve “um impacto mínimo junto aos passageiros”.

Em nota à imprensa, a Azul informou que todos os seus “voos programados para hoje estão mantidos”. E que, mesmo com a manifestação no início da manhã, as “operações estão ocorrendo normalmente” e acrescentou que “registrou apenas alguns pequenos atrasos” e nenhum cancelamento.

Num comunicado interno enviado aos tripulantes e obtido pelo GLOBO, o presidente da Azul, Antonoaldo Neves, reconhece a “impecável atitude no dia de hoje em relação à greve”. No e-mail, o executivo diz que esteve pela manhã em Viracopos, aeroporto de Campinas, e viu “de perto o quanto foram profissionais colocando os clientes em primeiro lugar” o que possibilitou a manutenção das operações em estado “praticamente normal, com alguns pequenos atrasos”. Ele acrescenta ainda que “toda a liderança da Azul” está comprometida em “resolver a questão imediata do dissídio”.



Já a TAM detalhou que dos 43 voos programados para ocorrer entre às 6h e 7h, 25 sofreram atrasos acima de 30 minutos. Depois disso, a operação foi “normalizada”. A companhia disse também que os clientes “que foram impactados têm a possibilidade de remarcação dos bilhetes, caso assim o desejem, mediante disponibilidade e sem custo adicional”.

A Gol, por sua vez, disse que dos 45 voos da companhia previstos para decolar entre 6h e 7h, 27 tiveram atrasos superior a 30 minutos em todo o país. E disse que, para minimizar os danos aos clientes, "readequou sua malha e os reacomodou em outros voos".




 

Aumento de imposto sobre crédito entra em vigor

 

O governo federal publicou o decreto que eleva a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente sobre operações de crédito de pessoas físicas. A alíquota passou de 1,5% ao ano para 3% ao ano. Segundo o decreto, publicado no Diário Oficial da União, a alteração entra em vigor hoje.

A elevação do imposto foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na última segunda-feira e deve gerar uma arrecadação extra de R$ 7,38 bilhões este ano. O governo manteve o adicional de 0,38% que incide na abertura das operações de crédito.

Além de encarecer o crédito ao consumidor, o ministro anunciou outras três medidas de ajuste fiscal. As alterações incluem a alta da alíquota do PIS-Cofins e o retorno da cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que estava zerada desde 2012, sobre os combustíveis. A partir de 1º de fevereiro, haverá aumento, na refinaria, de R$ 0,22 para o litro da gasolina e de R$ 0,15 para o do diesel, somando PIS-Cofins e Cide.

Segundo simulações feitas pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac) e publicados , a elevação do IOF terá um peso extra de 1,05% a 1,48% no valor da dívida dos consumidores, dependendo do tipo de empréstimo.

A elevação vale para financiamentos de um ano e acima disso. Para prazos inferiores a 12 meses, a taxa é de 0,082% ao dia.


O Ministério da Fazenda elevou ainda a alíquota do PIS/Cofins sobre a importação, de 9,25% para 11,75%. Segundo o governo, a medida proporciona isonomia na tributação sobre a produção doméstica e a estrangeira, uma vez que o ICMS está na base de cálculo do PIS-Cofins apenas sobre a produção nacional. O governo também equiparou a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do setor de cosméticos para o atacadista e o empresario industrial.

A elevação na taxação do combustível começa em fevereiro. Como a alta da Cide precisa esperar um período regimental de 90 dias para começar a valer, o PIS/Cofins será maior durante esse período.

No total, o pacote vai gerar uma receita adicional de R$ 20,63 bilhões no fechamento de 2015. As medidas integram a estratégia da equipe econômica de elevar a arrecadação para atingir a meta de superávit primário – a economia para o pagamento de juros da dívida pública – de R$ 66,32 bilhões ou 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos pelo país) no fechamento deste ano.




 

Brasileiros mais tristes  com alta dos  imposto

Num ano em que os especialistas já previam crédito mais caro e escasso, a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)de 1,50% para 3%, em operações de crédito de pessoa física de 365 dias vai tornar mais difícil a vida do consumidor que buscar o crediário para trocar a geladeira, o carro ou mesmo usar o rotativo do cartão de credito ou o cheque especial.

— Haverá impacto em operações de crédito. O consumidor já está pagando juros altos e com a elevação do IOF as prestações devem ter um acréscimo extra — diz Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac).

Além do aumento da alíquota, foi mantido o adicional de 0,38% em cada operação, independente do prazo, que foi adotada em substituição à CPMF quando ela foi extinta. A expectativa é de uma arrecadação extra de R$ 7,4 bilhões com a cobrança do IOF.

Segundo levantamento da Anefac, os juros em seis linhas de financiamento vêm subindo desde que o Banco Central começou a elevar a taxa básica de juros (Selic) em abril de 2013. Em dezembro passado, as taxas chegaram ao maior patamar desde março de 2012. A taxa média subiu de 6,14% ao mês em novembro para 6,30% no último mês de 2014. Anualizado, o juro pago pelo consumidor chega a 108,16%.

No cartão de crédito, a mordida dos juros é ainda mais feroz. A taxa cobrada para quem usa o rotativo está no maior nível desde 1999. O juro subiu de 10,90% para 11,22% ao mês (258,26% ao ano). Quinze anos atrás, a taxa mensal era de 11,74% (278,88% ao ano).

A pedido do GLOBO, Miguel Ribeiro de Oliveira fez simulações para medir o impacto do aumento do IOF nas prestações:

1) Financiamento de uma geladeira em 12 meses no valor de R$ 1.500,00 com taxa de juros de 4,85% ao mês (média do mercado)

- Antes (com IOF de 1,50% ao ano) o consumidor pagava 12 parcelas mensais de R$ 170,96 totalizando R$ 2.051,52

- Agora (com IOF de 3% ao ano) o consumidor pagará 12 parcelas mensais de R$ 173,48 totalizando R$ 2.081,76

- A elevação do IOF representará um aumento de R$ 2,52 na prestação e de R$ 30,24 no total do financiamento

2) Utilização do limite de cheque especial por 20 dias no valor de R$ 5.000,00 com taxa de juros de 8,92% ao mês (média do mercado)

- Antes do aumento, o cliente do banco pagava R$ 350,58 de juros mais IOF

- Agora, pagará R$ 355,09 de juros mais IOF



- A elevação do IOF aumentou em R$ 4,51 no valor pago pelo cliente

3) Utilização do rotativo do cartão de crédito por 20 dias no valor de R$ 3.000,00 com taxa de juros de 11,22% ao mês (média do mercado)

- Antes, o consumidor pagava R$ 351,69 de juros mais IOF.

- Agora, pagará R$ 355,38 de juros mais IOF

- A elevação do IOF elevou em R$ 3,69 o valor pago pelo cliente

4) Empréstimo pessoal em banco com prazo de 12 meses no valor de R$ 4.000,00 com taxa de juros de 3,61% ao mês (média do mercado)

- Antes, o cliente pagava 12 parcelas mensais de R$ 424,45 totalizando R$ 5.093,40

- Agora, pagará 12 parcelas mensais de R$ 430,70 totalizando R$ 5.168,40

- A elevação do IOF representa um aumento de R$ 6,25 na prestação e de R$ 75,00 no total do financiamento

5) Empréstimo pessoal em financeira em 12 meses no valor de R$ 2.000,00 com taxa de juros de 7,34% ao mês (média do mercado)

- Antes, o cliente pagava 12 parcelas mensais de R$ 261,21 totalizando R$ 3.134,52

- Agora, pagará 12 parcelas mensais de R$ 265,05 totalizando R$ 3.180,60

- A elevação do IOF representará uma alta de R$ 3,84 na prestação e de R$ 46,08 no total do financiamento

6) Financiamento de automóvel em 12 meses no valor de R$ 25.000,00 com taxa de juros de 1,84% ao mês (média do mercado)

- Antes, o consumidor pagava 12 parcelas mensais de R$ 2.384,83 totalizando um valor de R$ 28.617,96



Agora, pagará 12 parcelas mensais de R$ 2.419,94 totalizando R$ 29.039,28

- A elevação do IOF representará uma alta de R$ 35,11 na prestação e de R$ 421,32 no total do financiamento

Miguel Ribeiro de Oliveira lembra que nos financiamentos de veículos acima de 12 meses, não houve impacto do aumento do IOF. Um consumidor que financiou o carro de R$ 25 mil em 36 meses pagava parcelas de R$ 973,77, com dívida total somando R$ 35.055,72. Após o aumento, a prestação terá o mesmo valor, assim como a dívida total




 

Segundo boletim Focus, Selic subirá a 12,25% ao ano nesta semana



Na semana em que o Banco Central reavaliará sua política de combate à inflação, a expectativa do mercado financeiro para o aumento de preços neste ano subiu pela terceira semana seguida. Segundo o boletim Focus, levantamento que o BC faz com analistas das principais instituições financeiras do país, a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano passou de 6,6% para 6,67%. Por outro lado, as projeções para o crescimento estão cada vez mais próximas de zero. Por isso, a aposta para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) foi mantida: os diretores devem aumentar a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual na próxima quarta-feira.

Com isso, os juros básicos subiriam dos atuais 11,75% ao ano para 12,25% ao ano. O mercado ainda espera mais uma alta de 0,25 ponto percentual na reunião seguinte do Copom. Depois disso, a Selic ficaria estável até o fim do ano.

Para os economistas, essa é a estratégia do BC para tentar colocar a inflação na meta de 4,5% no fim do ano que vem. A promessa de acertar no alvo em 2016 tem sido repetida várias vezes pelos porta-vozes da autarquia.

Atualmente, o IPCA está em 6,41% no acumulado nos últimos 12 meses. Mesmo alto, o número está dentro do intervalo de tolerância do sistema de metas de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

De acordo com a pesquisa semanal do BC, o reajuste das tarifas de serviços públicos deve ser maior do que o imaginado antes e pesar mais nas contas da inflação. A previsão para o aumento dos preços administrados aumentou de 8% para 8,2%. É a sexta semana seguida que esse número aumenta. O maior peso dele é o reajuste da conta de luz.


QUEDA NA PREVISÃO DO PIB

Não é apenas a projeção para a inflação que piorou. A estimativa de crescimento neste ano também caiu. Os analistas do mercado diminuíram a perspectiva para a expansão da economia brasileira de 0,4% para 0,38% em 2015.

Essa queda foi reflexo de um forte ajuste nas apostas para a indústria neste ano. O crescimento do setor deve ser de apenas 0,71%. Na semana passada, esse número era de 1,02%.

Para o ano que vem, os analistas mantiveram as expectativas para inflação oficial em 5,7% e a do crescimento do país em 1,8%. Por outro lado, reduziu a projeção para preços administrados de 6% 5,9%.



 

BC eleva previsão de saldo negativo no ano a US$ 86,2 bilhões



As contas externas registraram o maior déficit da história para meses de novembro, US$ 9,3 bilhões, informou o Banco Central (BC). Esse foi o pior desempenho desde que o BC passou a registrar os dados em 1947.

Nos 11 primeiros meses deste ano, as transações correntes (resultado de todas as trocas de serviços e comércio do Brasil com o resto do mundo) acumulam um rombo de nada menos que US$ 80 bilhões: também o mais alto já visto no período.

No mesmo período do ano passado, o déficit estava em US$ 72,4 bilhões. No acumulado em 12 meses encerrados em novembro, o rombo nas contas externas já chega a R$ 88,7 bilhões, o que equivale a 4,05% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país).

Os investimentos estrangeiros diretos (IED) no Brasil recuaram em novembro quando comparados com o mesmo mês do ano passado. Segundo os dados do BC, o total registrado em 2014 ficou em US$ 4,644 bilhões, contra US$ 8,334 bilhões em 2013. Já no acumulado em 11 meses, o IED chega a US$ 55,845 bilhões, contra US$ 57,520 bilhões no ano passado.

De acordo com o relatório do Banco Central, as despesas dos brasileiros com viagens internacionais voltaram a cair em novembro. Os gastos foram de US$ 1,2 bilhão: 4,1% menores que os desembolsos das famílias nas férias do mesmo mês do ano passado.

DETERIORAÇÃO DO COMÉRCIO EXTERIOR AFETOU DESEMPENHO

O chefe do departamento econômico do Banco Central, Túlio Maciel, afirmou nesta sexta-feira que a deterioração do comércio exterior foi o principal responsável pela piora nas contas externas até novembro de 2014.

No mês passado, o saldo da balança comercial registrou um déficit de U$ 2,351 bilhões. Já no mesmo período de 2013, o resultado era um superávit de US$ 1,739 bilhão. No ano até novembro, a balança registra um déficit comercial de US$ 4,223 bilhões.

— As perdas na balança explicam essa piora no déficit em transações correntes. Temos observado nos últimos meses uma queda expressiva nos preços dos produtos de nossa pauta de exportações — disse Maciel.

Ele também explicou que a alta do dólar ajudou a reduzir os gastos dos brasileiros no exterior:

— Aquele crescimento que nós observávamos em viagens internacionais desacelerou. Isso reflete sobretudo o encarecimento do dólar.

BC ELEVA ESTIMATIVA DE DÉFICIT PARA O ANO

O Banco Central também divulgou nesta sexta-feira suas novas projeções para o comportamento das contas externas em 2014 e em 2015. De acordo com o documento, o déficit em transações correntes deve terminar este ano em US$ 86,2 bilhões, ou 3,94% do PIB. A projeção anterior era de US$ 80 bilhões, ou 3,52% do PIB. Para o próximo ano, a expectativa da autoridade monetária é que o déficit diminua um pouco, fechando 2015 em US$ 83,5 bilhões, ou 3,80% do PIB.

A visão mais otimista para o desempenho das contas externas, segundo Maciel, se deve, em parte, ao aumento da cotação da moeda americana, que favorece as exportações de produtos brasileiros. Ele lembrou que também há uma expectativa de maior crescimento da economia mundial, o que também é favorável para o comércio brasileiro.



A estimativa para o ingresso dos Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) no Brasil em 2014 permaneceu em US$ 63 bilhões. Para 2015, o número deve subir levemente, para US$ 65 bilhões.

O BC reviu para baixo as estimativas para os gastos dos brasileiros no exterior em 2014. A projeção foi reduzida de US$ 18,5 bilhões para US$ 18,3 bilhões. O número, no entanto, deve subir para US$ 18,5 bilhões em 2015.

A projeção da autoridade monetária para o desempenho da balança comercial em 2014 passou de um superávit de US$ 3 bilhões para um déficit de US$ 2,5 bilhões. Se confirmado, esse será o primeiro resultado negativo em 14 anos e o pior desde 1998, quando a balança registrou déficit de US$ 6,6 bilhões. Para 2015, a estimativa do BC é de um superávit comercial de US$ 6 bilhões.



 

 

 

Distribuidoras de energia vão pedir  revisão extraordinária de tarifas

As distribuidoras de energia vão apresentar na primeira semana de janeiro de 2015 à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) os pedidos de revisão extraordinária de tarifas. O presidente da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Fonseca, disse que se reuniu com os diretores da Aneel e que houve a sinalização de que estão dispostos a analisar os pedidos das empresas individualmente. Ele explicou que existe uma cláusula no contrato que permite o uso deste expediente quando o problema do descasamento entre receita e despesa for muito grande.

— A orientação da Abradee é que as distribuidoras que tiverem necessidade peçam a revisão extraordinária. Durante reunião com a Aneel apresentamos nossa preocupação. Uma das formas é a revisão extraordinária de tarifas, mas ela não pode ser única para todas as distribuidoras, tem que ser calculada de forma individualizada, estamos discutindo com regulador estes números - explicou.

Nelson Fonseca disse que nos cálculos para a revisão extraordinária deverá ser feita uma projeção de gastos futuros, mês a mês, concatenados com o que elas vão receber dos consumidores. Para ele, precisa ter realismo tarifário, que é repassar os custos adicionais para as tarifas.

Os custos extras acumulados para ser feita a revisão extraordinária são a liquidação dos gastos das distribuidoras com a compra de energia térmica nos meses de novembro e dezembro, que segundo fontes do mercado chegam a R$ 3 bilhões. Também o atrasado do Tesouro da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para subvenções tarifárias, pagas para irrigantes e consumidores rurais, R$ 2,1 bilhões. Além do aumento da energia da usina hidrelétrica de Itaipu, que é paga por todos as distribuidoras do Sul, Sudeste e Centro-oeste, que começa a valer a partir de janeiro, que foi de 46,14%, representando R$ 4 bilhões no ano.

O sistema de bandeiras tarifárias, que começa a vigorar a partir de janeiro, disse o presidente da Abradee, é realismo tarifário, permite o uso racional da energia, dá um sinal de preço, para que o consumidor tenha um consumo consciente. Ele explicou que não é definida uma bandeira única para o Brasil inteiro, tem quatro subsistemas no país. Em 2014, disse, somente teve bandeira amarela, no mês de janeiro, o restante do ano foi vermelha, e no subsistema Sul, em julho foi amarela. A perspectiva para janeiro de 2015, segundo ele, que somente deve ser divulgada no próximo dia 23, deve ser também de bandeira vermelha.

Quanto a mudança na bandeira tarifária, Nelson Fonseca disse que não foi uma proposta da Abradee, e para ele tem prós e contras e que precisa ainda de um decreto para fazer a mudança.

— Não temos nenhuma empresa que gere excedentes de recursos com a bandeira tarifária — afirmou, sem querer entrar em detalhes sobre a proposta da Aneel.



 

BC diz que queda do petróleo vai ajudar balança comercial brasileira



O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmou que a queda dos preços do petróleo no mercado internacional deve ajudar a balança comercial brasileira. Segundo ele, se o barril continuar a ser cotado na faixa de US$ 55 a US$ 60, o Brasil, que é importador líquido dessa commodity, pode conseguir uma economia de US$ 5 bilhões a US$ 10 bilhões.

— Nós ainda somos importadores líquidos de petróleo. Sustentados esses níveis, na faixa de US$ 55 a US$ 60 o barril, nós teríamos um benefício na balança comercial de US$ 5 bilhões a US$ 10 bilhões de economia. Isso é para não dizer que serão apenas desafios neste processo. Você tem esse aspecto favorável — disse Tombini ao participar de café da manhã com jornalistas.

O presidente do BC reafirmou que a autoridade monetária trabalha para fazer a inflação convergir para o centro da meta, de 4,5% ao ano, até dezembro de 2016. E garantiu que o governo vai cumprir a meta em 2014:

— O nosso objetivo é trazer a inflação para o centro da meta em dezembro de 2016. Vamos passar por debaixo do limite superior este ano. Ela vai ficar abaixo de 6,5%. E passar por debaixo do limite superior em 2015 para depois trazer para o centro da meta.

Tombini disse que o BC vai definir nos próximos dias os parâmetros para a realização dos leilões de swap cambial a partir de 2015. Essas operações, conhecidas como a ração diária do mercado, funcionam como uma venda de dólares no mercado futuro e ajudam a baixar a cotação da moeda americana no mercado à vista. Segundo ele, a oferta diária será de, no mínimo, US$ 50 milhões, e, no máximo, US$ 200 milhões.

— A proteção cambial que nós fornecemos para a economia por meio dos leilões de swap cambial são cumulativas e dão uma proteção que você não tinha antes. Ontem, eu mencionei que vamos, nos próximos dias, definir os parâmetros para a oferta de swap para janeiro de 2015. Isso tudo faz parte de um processo de atingir o nosso objetivo interno de trazer a inflação para a meta.




 

Tombini: inflação atingirá pico no 1º trimestre de 2015


 

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmou que a inflação deve começar 2015 elevada e atingirá seu pico no primeiro trimestre. Ao participar de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, Tombini explicou que isso se deve a um ajuste de preços que vai ocorrer na economia brasileira. Mas destacou que já no segundo trimestre os índices de preços devem começar um processo de convergência para o centro da meta de inflação, de 4,5%, que deve ser concluído até 2016.

— O BC trabalha para fazer a inflação convergir para o centro da meta o mais rápido possível. O horizonte relevante para isso é 2016. Mas, antes de retomar a trajetória para a meta, a inflação tende a permanecer elevada. O cenário mais provável é que o pico disso ocorra no primeiro trimestre de 2015 em função de ajustes de preços relativos. Tanto dos preços domésticos em relação aos preços internacionais e dos preços administrados em relação aos preços livres — disse ele aos senadores, acrescentando: — O Banco Central não será complacente com inflação e fará o que for necessário para viabilizar um cenário de inflação mais benigno nos período de 2015 e 2016.

Tombini também sinalizou que o BC deve manter em 2015 o programa de leilões de swap que vem sendo implementado desde 2013 para oferecer aos investidores proteção contra variações cambiais. Esses leilões hoje são diários e estão mantidos até o fim do ano. O presidente do BC, no entanto, ainda não tinha falado como seria a estratégia para o ano que vem:

— O programa de swap tem atingido plenamente seus objetivos. Desde agosto de 2013, ele permitiu amortecer a volatilidade da taxa de câmbio (...) Não ensejo no curto e médio prazo uma reversão (dessa estratégia) — explicou Tombini, acrescentando: — O Banco Central definirá (até o fim do ano) os parâmetros do programa de leilões de swaps cambiais que passará a vigorar a partir de 1 de janeiro de 2015.




 

Como se valer da chuva para o abastecimento doméstico



Em Itu, uma das cidades do interior paulista que mais sofrem com a falta d’água, muitos moradores vêm improvisando formas para captar água da chuva e usar em toda a casa. Na capital, aliás, já existe até um movimento chamado “Cisterna já", que prega justamente a construção e instalação de modelos simples, no melhor estilo “faça você mesmo". Mas será que essas medidas, um tanto improvisadas, são realmente boas soluções?

Depende. Embora caia do céu, a água captada da chuva não é assim tão limpa e, muito menos, potável. Por isso, seu uso só é indicado para fins bem simples: lavagem de pisos, carros e roupas, irrigação de jardins e nas descargas de bacias sanitárias. Para qualquer outra finalidade, a questão é polêmica até mesmo entre quem atua no setor.

RETORNO FINANCEIRO EM 4 A 5 ANOS

Há quem defenda que o uso de cloro, como num tratamento parecido com o das piscinas, seria suficiente para matar os micro-organismos que possam estar presentes nessa água, tornando assim seu uso possível para tomar banho, cozinhar, beber. Mas, para a maioria, a prática está longe de ser recomendável. E só seria aceitável em situações realmente emergenciais, num momento de muita crise, como as secas do Nordeste, e a que vive Itu atualmente.

— Existe um nível de potabilidade exigido pelo Ministério da Saúde. E isso, um leigo não consegue controlar em casa. Até porque o tratamento deve ser permanente e esses níveis variam muito — diz o engenheiro sanitarista Eduardo Pacheco, do Portal Tratamento da Água.

Pacheco alerta ainda para os riscos de acidente durante a manipulação dos produtos químicos. Segundo ele, esse é um tipo de serviço que só deveria ser feito por profissionais treinados:

— Imagina se o porteiro de um prédio vai jogar cloro na água e esse cloro pinga em seu olho. Há risco de cegueira.

Por isso, antes de investir num sistema de captação da chuva, que custa, em média, R$ 9 mil para cisternas de até cinco mil litros, é preciso checar até que ponto o uso dessa água justificaria os gastos com a instalação.

Em geral, o retorno financeiro demora de quatro a cinco anos, de acordo com os gastos da família. Em média, o gasto diário de água de uma família de quatro pessoas é de 800 litros. E para que o sistema valha a pena, ele deve proporcionar uma economia de pelo menos um terço dessa quantidade.

— Armazenar água da chuva só para regar jardim pode não fazer sentido. Até porque, se está chovendo, ele não precisa ser regado. Mas há situações em que o sistema se torna interessante. Então, tem de verificar os índices pluviométricos, as capacidades de captação (tamanho do telhado) e armazenamento — ensina Luiz Henrique Ferreira, diretor da Inovatech Engenharia, uma consultoria de sustentabilidade.



O funcionamento do sistema em si é simples e pode ser dividido em duas partes. A captação é feita por uma calha no telhado, que pode ou não ter uma grade para barrar folhas e galhos. A água passa por um filtro que vai retirar a maior parte dos resíduos. Um “freio” — nada mais que uma curva na tubulação — diminui o ritmo de entrada da água na cisterna decantando detritos menores que se depositam no fundo.

A medida mantém a água limpa o suficiente para os usos não potáveis. Na segunda parte, que nem sempre é instalada, uma tubulação leva a água para um reservatório exclusivo. Daí ela pode seguir para bacias sanitárias, máquinas de lavar roupa e tanques.

Em alguns casos, geralmente em construções novas, conjugam-se dois sistemas: o que faz a captação da chuva com o que faz o reuso de águas cinzas, aquelas que saem de chuveiros, pias e lavagem de roupas. Indicadas para os mesmos usos não potáveis, essas águas podem ser levadas ao mesmo reservatório, mas esse sistema exige uma segunda tubulação. Há ainda um realimentador que aciona o hidrômetro geral quando a quantidade da água de reuso ou a da chuva não é suficiente.

Vale lembrar: não há qualquer ligação da tubulação que carrega essas águas com a da caixa potável.

PROCURA POR SISTEMAS CRESCEU 300%

Com a crise dos últimos meses, a procura por sistemas de captação da água da chuva e de reuso cresceu enormemente, especialmente em São Paulo. Só na Ecocasa, uma das empresas que fornece o sistema para residências, a procura aumentou 300%.

Boa parte dessa demanda é para construções já existentes. Mas, nesses casos, a instalação de sistemas completos, além de cara, é bastante trabalhosa já que exige uma obra extensa e complexa, justamente para separar as tubulações — afinal, as águas cinzas e da chuva não podem ser misturadas à potável, fornecida pela concessionária. O que vem acontecendo é que muita gente tem optado por instalar apenas a primeira parte, justamente para fugir da obra.

— Não faço projetos que não contem com sistemas assim. A gente tem que ter responsabilidade com os recursos naturais. Em casas ou prédios prontos, a obra é complexa, mas, ainda assim, válida — diz o arquiteto Antônio Goulart.

Segundo Goulart, com cerca de R$ 5 mil seria possível instalar um sistema mais simples com cisterna de até 3 mil litros, o suficiente para cerca de 15 dias. A defesa principal, nesse caso, é que não se pode mais usar água potável para lavar as áreas comuns de prédios ou irrigar jardins. E é também dessa ideia que nascem movimentos como o paulista “Cisterna já”, que vem realizando encontros para ensinar a construir uma cisterna artesanal, feita com bombonas.

— A gente precisa aliviar a demanda sobre os nossos reservatórios. Até ontem, a sociedade brasileira achava que estava nadando em água. A hora de começar uma transição é agora — defende Claudia Visoni, jornalista e ambientalista que participa do movimento “Cisterna já”.

Luiz Henrique Ferreira, da Inovatech, concorda. Para ele, o problema é o desperdício:


Se a gente usasse água potável somente para beber, tomar banho e cozinhar, essa discussão estaria fora do contexto.

Para o engenheiro sanitarista Eduardo Pacheco, a questão é de planejamento governamental. Ainda que seja válida a instalação de sistemas caseiros, a solução para a atual crise hídrica é que esses sistemas sejam em larga escala:

— Tem que aproveitar água da chuva, tratar esgoto, fazer o reuso de efluentes domésticos em vez de jogá-los no mar. Isso já é feito em outros países e é a solução para qualquer metrópole. Desde que feito em larga escala, pelos governos.

 

Fazenda adota medidas polêmicas que terão impacto nas contas públicas


 

O Palácio do Planalto deixou para a atual equipe econômica as medidas que terão impacto negativo nas contas públicas, antes de mudar os rumos da política fiscal. O governo autorizou aportes do Tesouro em bancos públicos, sendo R$ 30 bilhões para o BNDES e R$ 1 bilhão para o Banco da Amazônia. E permitiu que o Tesouro dê garantias a uma operação com a Eletrobras para reforçar o caixa da Petrobras. A futura equipe econômica, anunciada mas não empossada, foi preservada dessas operações, consideradas pouco transparentes pelo mercado.

Nos bastidores, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, está incomodado com a situação e já disse à presidente Dilma Rousseff que gostaria de deixar o cargo imediatamente. Segundo interlocutores do Planalto, Dilma pretende fazer a troca no início de 2015. Os futuros ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, não querem assumir agora.

— Levy não quer assinar uma série de decisões que não tomou e com as quais não concorda — disse uma fonte do Planalto.

Os futuros ministros trabalham na montagem de equipes. Barbosa deve levar o secretário-executivo-adjunto da Fazenda, Dyogo Oliveira, para ser o número dois no Planejamento. Entre os cotados para secretário do Tesouro estão Tarcísio Godoy, ex-secretário-adjunto do Tesouro, e Eduarda de la Roque, presidente do Instituto Pereira Passos.



 

Banco Central  vê inflação elevada em 2015

A inflação tende a permanecer elevada em 2015, segundo o Banco Central, mas deve entrar "em longo período de declínio". A avaliação está na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, divulgada. Na reunião, realizada na semana passada, o BC elevou para 11,75% a taxa básica de juros, a Selic.

O Banco Central também avalia que a inflação só deve ir para 4,5% (o valor central da meta do governo) em 2016.

"O Copom destaca que, em momentos como o atual, a política monetária [definição de juros para conter a inflação] deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos doze meses, persistam no horizonte relevante para a política monetária [até o fim de 2016]", informou o Banco Central, na ata do Copom.

Com taxas maiores, a instituição busca reduzir o crédito disponível e, assim, o dinheiro em circulação. Dessa forma, é possível diminuir a quantidade de pessoas e empresas dispostas a consumir bens e serviços, e, teoricamente, os preços tendem a cair ou parar de subir.

No documento, o BC indicou ainda que novas altas de juros devem ser feitas como moderação: considerando os "efeitos cumulativos e defasados da política monetária" [altas de juros já implementadas até o momento], o "esforço adicional de política monetária [próximos aumentos de juros] tende a ser implementado com parcimônia".

PIB patina, mas inflação segue alta
A aceleração do aumento de juros, conduzida na semana passada pelo Banco Central, aconteceu em um cenário de estagnação da economia brasileira, mas com inflação ainda resistente. O Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas, avançou somente 0,2% de janeiro a setembro deste ano. No terceiro trimestre, a economia brasileira saiu da recessão técnica registrada na primeira metade do ano, mas com uma alta de somente 0,1% no PIB.

Ao mesmo tempo, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, somou 6,56% em doze meses até novembro, completando quatro meses acima do teto de 6,5% do sistema de metas de inflação brasileiro. A meta, porém, vale somente para anos fechados. O mercado e o Ministério da Fazenda acreditam que a inflação ficará abaixo do teto de 6,5% neste ano.

"Para o Copom, o fato de a inflação atualmente se encontrar em patamares elevados reflete, em parte, a ocorrência de dois importantes processos de ajustes de preços relativos na economia – realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais [alta do dólar] e realinhamento dos preços administrados em relação aos livres [aumento de tarifas, como energia, e gasolina, por exemplo]. O Comitê considera ainda que, desde sua última reunião, entre outros fatores, a intensificação desses ajustes de preços relativos na economia tornou o balanço de riscos para a inflação menos favorável", informou o Copom.

Próximos passos do BC nos juros
Ao subir os juros na semana passada, o Banco Central já havia informado que as próximas elevações da taxa Selic seriam feitas com "parcimônia", conforme foi reafirmado na ata da reunião divulgada nesta quinta. O mercado financeiro já prevê, com isso, uma desaceleração no ritmo de alta da taxa básica da economia, para 0,25 ponto percentual, em janeiro – para 12% ao ano.

Permanece, entretanto, a dúvida sobre qual será o tamanho do ciclo de alta dos juros, ou seja, quantas elevações serão feitas. Até a semana passada, a expectativa dos economistas dos bancos era de que o BC promoveria mais três aumentos seguidos de 0,25 ponto percentual – até 12,5% ao ano – em abril de 2015.

O Copom avaliou ainda que a demanda agregada tende a se apresentar relativamente robusta no horizonte relevante para a política monetária, ou seja, até o fim de 2016.

"De um lado, o consumo das famílias tende a registrar ritmo moderado de expansão, devido a efeitos de fatores de estímulo como o crescimento da renda e a expansão moderada do crédito; de outro, condições financeiras relativamente favoráveis, concessão de serviços públicos, ampliação das áreas de exploração de petróleo, entre outros, tendem a favorecer a ampliação dos investimentos. Por sua vez, as exportações tendem a ser beneficiadas pelo cenário de maior crescimento de importantes parceiros comerciais e pela depreciação do real", informou.

Segundo o Banco Central, esses elementos citados, assim como "os desenvolvimentos no âmbito parafiscal" (superávit primário feito pelo setor público) e no mercado de ativos (preço do dólar, por exemplo), são "partes importantes do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas, que, na visão do Comitê, tende a ocorrer em 2016".

 

Petrobras  faz Bolsa operar abaixo dos 50 mil pontos

 

O inferno astral pelo qual a Petrobras atravessa nesse ano leva a Bolsa brasileira para o terreno negativo. O movimento de queda se acentuou após a abertura dos negócios nos Estados Unidos, onde escritórios de advocacia já entraram com processos contra a estatal brasileira, alegando que a corrupção na empresa contribuiu para a desvalorização das ações. O  Ibovespa, principal indicador do mercado acionário local, opera em queda de 1,17%, aos 49.608 pontos. Já o dólar comercial opera com leve queda.

Entre as ações do índice com maior liquidez, os papéis da Petrobras são os que apresentam queda mais significativa. As ações preferenciais (sem direito a voto) registram recuo de 3,60%, cotados a R$ 10,94, e os ordinários (com direito a voto) caem 3,50%, a R$ 10,18. Essa queda ficou maior após as 12h30 (horário de Brasília), quando teve início as negociações nas Bolsas americanas.

Além das investigações no Brasil, a Petrobras terá que lidar agora com processos judiciais nos Estados Unidos. Ao menos três escritórios americanos já entraram com ações contra a estatal, alegando que os investidores perderam dinheiro devido ao esquema de corrupção. Outro fator negativo para a estatal é a queda do preço do barril de petróleo no exterior. O do tipo Brent, um dos mais negociados, está sendo negociado a US$ 66,03 o barril, ante mais de US$ 100 em meados de junho.

Segundo o operador de uma corretora brasileira, a queda da Bolsa é justificada pela falta de notícias positivas em relação à economia brasileira e ao agravamento da situação da Petrobras. O temor é que esses processos de investidores resultem em multas elevadas, piorando ainda mais a delicada situação de caixa da estatal. Além disso, com juros em patamares elevados - a Selic está em 11,75% ao ano -, o atrativo para aplicar em ações é menor. Na sexta-feira, a estatal irá divulgar o balanço do terceiro trimestre, mas sem o aval de uma auditoria independente.

Vale e bancos também em queda

Além da Petrobras, outras ações que possuem peso relevante na composição do Ibovespa também operam em queda. No caso da Vale, o recuo é de 1,75% nos papéis preferenciais e de 1,73% nos ordinários. A mineradora é afetada pela queda do preço do minério de ferro no mercado externo.


Há motivo para a Bolsa cair. Não tem notícia positiva internamente. Pode ocorre uma pequena correção técnica, mas não há motivo para subir. As commodities em queda também não ajudam. E os investidores não veem atrativo para ir para a Bolsa com um juro tão alto — afirmou.

O setor bancário, o mais representativo no Ibovespa, também opera em queda. As ações do Itaú Unibanco caem 1,76% e as do Bradesco caem 2,14%. Já no caso dos papéis do Banco do Brasil, a desvalorização é de 2,38%.

No mercado externo, o índice DAX, de Frankfurt, tem elve alta de 0,18%, enquanto o CAC 40, da Bolsa de Paris, opera em queda de 0,45%. O FTSE 100, de Londres, registra desvalorização de 0,11%. Nos Estados Unidos, as quedas são um pouco mais expressiva. O Dow Jones cai 0,69% e o S&P 500 tem recuo de 0,55%. Já o Nasdaq cai 0,31%.



 

Não há 'improvisação' nos juros, sobre aumento após eleições

 

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, declarou que o cronograma das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), que definem o nível do juro básicos da economia brasileira, é feito com antecedência e acrescentou que não há “improvisação” em relação ao tempo em que as decisões sobre a taxa Selic são tomadas.

As declarações de Tombini são uma resposta a parlamentares de oposição que questionaram o momento em que o processo de aumento dos juros foi retomado – somente em outubro, ou seja, após o segundo turno das eleições presidenciais. Ele participa de audiência pública na Comissão Mista de Orçamento (CMO). “Não mudou a atitude do BC. Mudaram as circunstâncias”, afirmou ele.

De acordo com Tombini, o cronograma [das reuniões do Copom] é definido com um ano de antecedência. “Não há improvisação em relação ao tempo em que as decisões são tomadas”, declarou o presidente do BC, acrescentando que, entre as reuniões do Copom de setembro e outubro deste ano, o dólar registrou uma alta de cerca de 10% – o que melhora o cenário para as exportações, mas que também torna as compras do exterior mais caras, gerando assim mais pressões inflacionárias.

“Em setembro, quando decidimos não subir [a taxa de juros], a narrativa do BC era de que, no ‘horizonte relevante’ [próximos anos], nós não contemplávamos qualquer redução na taxa [de juros]. Em setembro, o dólar, no mercado doméstico, estava em R$ 2,25, na última reunião antes da eleições. Até a reunião seguinte, em 28 e 29 de outubro, o dólar foi para faixa de R$ 2,50 a R$ 2,55. Tivemos uma desvalorização nominal da ordem de 10% do real [e consequente alta do dólar]”, declarou Tombini.

Segundo ele, não foi somente o real que se desvalorizou entre setembro e outubro. “Foi uma valorização generalizada do dólar no globo. Nossa estratégia [em setembro], que era totalmente válida, não contemplava redução dos juros [nos próximos meses]. Começamos a mudar já ao longo de outubro. No relatório de inflação [divulgado no fim de outubro], o diretor [do BC, Carlos Hamilton] apresentou visão coletiva que estratégia não era apenas não reduzir os juros, dizendo também que não haveria complacência do BC [com a inflação]”, acrescentou o presidente da autoridade monetária.

Tombini avaliou que existe, neste momento, um movimento global de “fortalecimento do dólar” por conta das perspectivas em relação à política monetária (possível aumento de juros) dos Estados Unidos. “Em função da perspectiva de continuar a economia americana crescendo mais do que as outras áreas economcias, há um movimento global do dólar [de valorização]. O real também se desvalorizou. O regime de câmbio flutuante é deixar se ajustar em função do movimento global”, afirmou. Mais cedo, ele disse que há perspectiva de alta do dólar em 2015.

O presidente do BC disse também que o processo de aumento dos juros no Brasil, que foi retomado em outubro desse ano, visa combater os efeitos secundários da alta do dólar e dos preços administrados (tarifas públicas, como energia, combustíveis e de ônibus urbanos, por exemplo), de modo que eles “não se espalhem para a economia”.

 

Zona Franca de Manaus fecha 10 mil vagas



A estagnação da economia atinge em cheio dois dos principais polos industriais da Zona Franca de Manaus: duas rodas e eletroeletrônicos. E a tendência é a situação piorar em 2015, com o anunciado corte nos gastos públicos. A Zona Franca emprega 120 mil trabalhadores e tem contribuído para a geração de cerca de dois milhões de empregos indiretos em todo o país. Neste ano, entretanto, o polo industrial deve fechar 10 mil vagas, segundo estimativas do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam). E as contratações temporárias para o Natal caíram mais da metade, de 9,5 mil trabalhadores para 3,2 mil.

O diagnóstico de empresários e sindicalistas da região é que as razões da crise são a restrição ao crédito para aquisição de motocicletas, principalmente de baixa cilindrada (até 150 e usadas para trabalho de motoboys e mototaxistas) e a queda nas vendas de eletroeletrônicos, decorrente do esfriamento da economia. O quadro se agrava diante da falta de uma política industrial que estimule o desenvolvimento da região e de investimentos em pesquisa e em novas tecnologias. Os gargalos na infraestrutura local são um ingrediente a mais na piora da competitividade da Zona Franca.

As fábricas da Honda e da Yamaha demitiram este ano cerca de seis mil trabalhadores. O setor de eletroeletrônicos também vem eliminando vagas. Mas, além da queda nas vendas, boa parte dos cortes está concentrada em fábricas em processo de estruturação e que perderam mercado para as gigantes LG e Samsung, com tecnologia mais avançada.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, Valdemir Santana, cita alguns exemplos de empresas que perderam espaço no mercado e estão enxugando o quadro de funcionários. A Philco, que foi vendida e teve a marca alugada para a Britânia, e a Lenovo (antiga CCE) vivem esse processo. Juntas, estas fábricas já demitiram 2,5 mil trabalhadores. Sony, Panasonic e Semp Toshiba, que empregavam em torno de nove mil funcionários e atualmente têm três mil, engrossam a lista.

Entre quinta e sexta-feira da semana passada, o sindicato homologou cerca de cem rescisões de trabalhadores da Semp Toshiba. Ligadas ao setor de eletroeletrônicos, as fábricas de plástico acumulam quatro mil demissões, pelas contas da entidade, motivadas principalmente pela proliferação das tevês com tecnologia LED, que utilizam menos esses materiais.


FALTA DE QUALIFICAÇÃO DE PESSOAL

Mãe de três filhos, a assistente administrativa Ana Carolina Gomes, de 27 anos, foi demitida em outubro pela Philco, onde trabalhava desde 2012. Alegaram corte de custos. Outros 500 colegas também foram desligados na mesma época. Conseguir um novo emprego na região não está fácil.



Quando surge uma vaga, eles exigem muita experiência, qualificação e cursos de especialização. Acontece que a gente não tem dinheiro para pagar esses cursos — queixa-se Ana Carolina.

O gerente de Relações Institucionais da Honda, Mário Okubo, informa que a fábrica deixará de produzir neste ano entre 120 mil e 130 mil motocicletas, queda de 10% em relação ao ano anterior. A fábrica suspendeu o expediente nas sextas-feiras em setembro e outubro e demitiu. Segundo o executivo, as vendas caíram devido às restrições ao crédito: de cada dez pedidos, oito são recusados pelas financeiras. Antes, era o inverso. Para ele, a situação tende a piorar em 2015, com a promessa de ajuste nas contas públicas, aumento nos juros e menos incentivo ao consumo.

O presidente do Sindicato da Indústria de Aparelhos Eletroeletrônicos de Manaus, Celso Piacentini, disse que a situação não chega a ser “catastrófica” porque as empresas de tecnologia de ponta acabam absorvendo trabalhadores. Ele considera as demissões entre novembro e dezembro sazonais, pois nesse período do ano a indústria já produziu as encomendas. Destaca ainda que houve uma antecipação das vendas de televisores com a Copa do Mundo. Reforça, entretanto, a avaliação de que 2015 será um ano difícil:

— Prevemos um futuro mais apertado.

 

Proposta do governo reduz a 0,8% previsão de PIB para 2015

 


O governo deu o primeiro passo concreto para tentar resgatar a credibilidade da política fiscal. O Ministério do Planejamento enviou ao Congresso uma proposta para alterar o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2015, ajustando os parâmetros econômicos ao discurso dos futuros ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa. Eles prometeram trabalhar com números mais realistas e próximos às projeções do mercado financeiro. Assim, a estimativa para o crescimento da economia no ano que vem foi reduzida de 2% para 0,8%. Os analistas do mercado, por sua vez, esperam uma alta de 0,77%.

O novo texto mostra que o governo adotará o conceito de meta efetiva de superávit primário, deixando claro qual será o esforço para pagar os juros da dívida pública. Antes, o governo adotava uma meta cheia, da qual fazia descontos como, por exemplo, com investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A proposta informa que a meta de superávit fiscal do setor público consolidado será de R$ 66,3 bilhões, ou 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país). Esse número já considera os abatimentos legais previstos com o PAC. Na proposta original para 2015, a meta cheia era de R$ 143,3 bilhões, caindo para R$ 114,7 bilhões, ou 2% do PIB, com os descontos do PAC. Ainda no texto encaminhado na quarta-feira, a meta do superávit primário baixou de 2,5% para 2% do PIB para os anos de 2016 e 2017.



Ao longo de 2014, a equipe econômica mudou seu compromisso fiscal diversas vezes. A LDO deste ano previa uma meta cheia de primário para o setor público de R$ 167,4 bilhões, ou 3,1% do PIB (sendo que R$ 116,07 bilhões, ou 2,15% do PIB, cabiam ao governo central) com a possibilidade de um abatimento de R$ 67 bilhões com PAC e desonerações. No entanto, diante das dificuldades para fechar as contas, a equipe passou a se comprometer com um resultado de R$ 99 bilhões, ou 1,9% do PIB para o setor público. Esse número também se tornou inalcançável.

Os técnicos, então, começaram a falar apenas no esforço do governo federal e prometeram chegar a um primário mínimo de R$ 49,1 bilhões (saldo que considera o desconto total de R$ 67 bilhões da meta original do governo central, de R$ 116,1 bilhões). Nada disso foi cumprido e foi preciso pedir ao Congresso uma alteração da LDO de 2014 que, na prática, libera o governo do cumprimento da meta.

O discurso agora é outro. O que se quer mostrar é um número que será efetivamente realizado. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, a ideia do novo projeto foi justamente mostrar projeções que não deixem dúvidas sobre a intenção da futura equipe econômica de conduzir uma política fiscal realista e mais austera:

— Não há aqui tentativa de se produzir um número mágico — disse uma fonte da área econômica.

Pelo novo texto, o governo federal fará um primário de R$ 55,3 bilhões, ou 1% do PIB no ano que vem. Já estados e municípios terão que poupar o equivale a R$ 11 bilhões, ou 0,2% do PIB. No entanto, caso os governos regionais não atinjam a meta estimada, o governo federal compensará a eventual diferença. O desconto previsto com o PAC foi mantido em R$ 28,7 bilhões, ou 0,5% do PIB.

PREVISÕES MAIS REALISTAS PARA DÍVIDA

A proposta também traz previsões mais realistas para o comportamento da dívida pública, que ficará estável nos próximos dois anos e só cairá a partir de 2017. O endividamento líquido do setor público é projetado em 37,4% do PIB para 2015; em 37,4% para 2016; e em 37,1% em 2017. Os valores são bem maiores que os incluídos originalmente na proposta da LDO do ano que vem. Eles eram de 33% do PIB para 2015; 32,1% para 2016; e 31,1% para 2017. Os técnicos da equipe econômica explicaram que a forte elevação nas projeções de dívida, como proporção do PIB, se deve não apenas à nova meta de superávit, mas também à revisão para baixo da taxa de crescimento da economia.

Há ainda estimativas para o comportamento da dívida bruta. Ela é projetada em 64,1% do PIB para 2015; 63,3% para 2016; e em 62,5% para 2017. Em seu discurso no dia em que foi confirmado para comandar a Fazenda, Levy afirmou que a futura equipe econômica realizaria um primário suficiente para estabilizar e reduzir o endividamento bruto do país.



 

Petrobras e cenário externo fazem Bolsa brasileira cair 1,23%



As notícias negativas em relação à Petrobras e o mau humor externo, com a piora da perspectiva da economia europeia, fazem a Bolsa brasileira acelerar perdas no Ibovespa.

A estatal teve a sua nota (rating) de crédito individual rebaixado na noite de quarta-feira pela agência de classificação de risco Moody's. Essa nota de gestão, sem suporte do governo, foi rebaixada de baa3 para ba1. Segundo a agência, o motivo foi "a fragilidade da governança corporativa da petroleira e sua capacidade de evitar prejuízo aos investidores causados por fraudes”. A nota global foi mantida em baa2, com perspectiva negativa, ou seja, sem alterações e ainda acima do limite do grau de investimento.

Outra razão que serviu para acelerar a queda da Bolsa foi a declaração do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, que anunciou a redução das projeções de crescimento para a região. Ele afirmou que a expansão da região continuará modesta, com inflçaão em baixa.

— Essa notícia piorou o humor dos agentes dos mercados financeiros. Já não tinha uma razão para a Bolsa brasileira subir e o lado externo acabou pesando de forma negativa — afirmou o operador de uma corretora local.

Segundo Ari Santos, gerente de renda variável da corretora H.Commcor, não há dados econômicos que ajudem na alta do Ibovespa e, para ajudar, o noticiário é negativo em relação às duas das principais empresas do índice. Além da Petrobras, a Vale sofre com a queda do preço do minério de ferro no exterior.

Os bancos são beneficiados pela alta dos juros pelo Banco Central, anunciada na quarta-feira à noite, mas isso já era esperado e já estava no preço das ações — explicou.

As ações preferenciais da estatal (sem direito a voto) operavam em queda de 3,37% e as ordinárias (com direito a voto) recuavam 3,58%. No caso da Vale, a queda é um pouco menor. Os papéis preferenciais recuam 1,54% e os ordinário têm queda de 1,23%. O setor bancário, que possui a maior participação no Ibovespa, também está em terreno negativo. As ações do Itaú Unibanco têm desvalorização de 0,92% e as do Bradesco registram leve variação negativa de 0,34%. O Banco do Brasil está praticamente estável, com leve variação negativa de 0,03%.

No exterior, os índices europeus passaram a operar em queda após as declarações do presidente do BCE. O DAX, de Frankfurt, recua 0,61% e o CAC 40, da Bolsa de Paris, tem queda de 1,03%. Já em Londres, o FTSE 100 cai 0,37%.

 

Governo autoriza repasse de mais R$ 30 bilhões do Tesouro ao BNDES

 

O governo federal editou medida provisória que autoriza a União a conceder crédito de até R$ 30 bilhões ao BNDES. Segundo a MP 661, publicada no Diário Oficial da União, para realizar a operação, o Tesouro Nacional poderá emitir títulos da dívida pública.

A MP também determina que o BNDES poderá utilizar créditos da BNDESPar como contrapartida ao empréstimo. Os recursos do Tesouro serão remunerados pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).

A medida provisória também dá uma ajuda ao governo para a realização do superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública) de 2014. Segundo o texto, o Tesouro poderá utilizar superávit financeiro para a cobertura de despesas primárias obrigatórias.


Ao ser anunciado pelo Palácio do Planalto como novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy sinalizou, na semana passada, que não haverá ampliação do estoque de transferências do Tesouro para bancos públicos no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff .

— É bem entendido que, para se realizar essa trajetória para a relação dívida-PIB, o superávit primário do setor público consolidado deve alcançar valor de no mínimo 2% do PIB, na forma apurada pelo Banco Central pela metodologia “abaixo da linha”, desde que não haja ampliação do estoque de transferências do Tesouro Nacional para as instituições financeiras públicas — afirmou Levy, na ocasião.


MANOBRA TIRA REFLEXO SOBRE DÍVIDA LÍQUIDA

Segundo o discurso de Levy, essa redução nas transferências para os bancos públicos ajudará o governo a cumprir a meta de estabilizar e reduzir a relação entre a dívida bruta e o PIB. Até agora, o governo buscava manter a trajetória de queda da chamada dívida líquida do setor público em proporção ao PIB — este indicador desconta os créditos que o governo tem a receber e ficou em 36,1% do PIB em outubro.

Já a dívida bruta alcançou 62% do PIB em outubro. Na prática, esses aportes permitem ao governo pegar de volta dividendos desses bancos, com impacto positivo sobre as receitas primárias e sem reflexo sobre a dívida líquida, mas apenas sobre a bruta, o que minou a credibilidade das contas do governo nos últimos anos.

O Tesouro já havia emitido, em junho, títulos públicos para injetar outros R$ 30 bilhões no BNDES, impactando a dívida. Com isso, no ano, o aporte ao banco de fomento chegará a R$ 60 bilhões, interrompendo a trajetória de queda das injeções feitas ano a ano.

Em 2009, elas foram de R$ 100 bilhões e, em 2010, R$ 80 bilhões. Em 2011 e em 2012, os volumes baixaram para R$ 55 bilhões e R$ 45 bilhões, respectivamente, e, em 2013, somaram R$ 39 bilhões.

Segundo dados do BC, o estoque de repasses de recursos do Tesouro para o BNDES estava em R$ 456,520 bilhões em outubro.

'ESTE ANO SERÁ MENOS QUE O ANO PASSADO', DIZ MANTEGA

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a autorização busca suprir a demanda para a compra de máquinas, equipamentos, caminhões, ônibus e tratores.


(A autorização é) para fechar o ano, (para) a demanda para a compra de máquinas, equipamentos, caminhões, ônibus e tratores. Isto é para este ano. No próximo ano certamente será menor — disse.

Questionado sobre a utilização de superávit financeiro para a cobertura de despesas primárias obrigatórias, o ministro voltou a responder sobre o crédito ao BNDES.

— Que superávit financeiro? Nós estamos liberando financiamento para a aquisição de bens de capital. Existe uma demanda e nós vamos liberar. E mesmo assim este ano será menos que o ano passado e que o ano retrasado e assim por diante — afirmou.



 

Governo diz que balança comercial fechará 2014 no vermelho



Em mais um capítulo de deterioração dos números, a balança comercial brasileira registrou um déficit de US$ 2,350 bilhões em novembro, o pior resultado para o mês desde o início da série histórica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em 1994. As exportações somaram US$ 15,646 bilhões e as importações, US$ 17,996 bilhões.

No acumulado do ano, o comércio exterior apresentou um saldo negativo de US$ 4,221 bilhões, o maior desde 1998, período em que a conta ficou no vermelho em US$ 6,112 bilhões. As vendas externas totalizaram US$ 207,611 bilhões e as importações, US$ 211,832 bilhões.

O diretor do departamento de Estatística e Apoio à Exportação do Ministério do Desenvolvimento, Roberto Dantas, disse que o déficit acumulado de janeiro a novembro deste ano, de 4,2 bilhões, leva o governo a projetar, pela primeira vez, a possibilidade de um saldo negativo na balança comercial de 2014. Até então, a expectativa oficial era de um pequeno superávit.

- Embora, tradicionalmente, o número de dezembro seja superavitário, ainda assim não esperamos mais um resultado positivo. Houve mudança de expectativa de superávit, ainda que pequeno, para déficit - disse Dantas, sem revelar qual seria a nova projeção.

A principal razão apontada pelo técnico é a queda dos preços das commodities. Não houve recuperação do preço do minério de ferro e a cotação do petróleo não para de cair.

Queda de 25% das exportações em novembro

Sem os embarques da safra de grãos e fortemente afetada pela queda dos preços das commodities no mercado internacional, as exportações realizadas em novembro caíram 25% ante o mesmo mês do ano passado. As vendas externas de soja diminuíram 76,6%; minério de ferro, 47,5%; fumo em folhas, 43,2%; e milho em grão, 32,4%.

O cenário externo é outro fator determinante para o desempenho ruim das exportações, principalmente de produtos industrializados, que ainda enfrentam perda de competitividade em terceiros mercados por causa do real valorizado frente ao dólar. As vendas de manufaturados caíram 31,7% e de semimanufaturados, 6,2%. As maiores baixas ocorreram com óleos combustíveis (55,3%), veículos de carga 46,8%), açúcar refinado (40,4%) e automóveis (39,8%).

Importações caem a taxa menos


Como reflexo do baixo aquecimento da atividade econômica, as importações tiveram uma queda de 5,9% em novembro, com reduções em todas as categorias de itens, à exceção de combustíveis e lubrificantes que tiveram alta de 9,8% ante o mesmo mês de 2013. As compras de bens de consumo diminuíram 9,3%; de matérias-primas e intermediários, 8,3%;e de bens de capital, 8,1%.

Em termos de países, os principais mercados compradores de produtos brasileiros foram, em ordem decrescente, Estados Unidos, China, Argentina, Países Baixos e Alemanha. Do lado dos maiores fornecedores ao Brasil, lideraram o ranking China, EUA, Argentina, Alemanha e Nigéria.

Nos últimos doze meses, a balança registrou um déficit acumulado de 1,572 bilhões, o que indica que o resultado do comércio exterior este ano poderá ser negativo. Mas uma avaliação mais detalhada será feita ainda nesta segunda-feira, pelos técnicos do MDIC, após a entrevista coletiva do ministro indicado da pasta, Armando Monteiro, que substituirá Mauro Borges no cargo.



 

Banco Central  está de olho em 2015

 

Para a politica monetária o ano de 2014 já terminou. As ações e atenções do Banco Central já estão voltadas para 2015. Na reunião do Copom desta semana, qualquer movimento da taxa de juros terá o objetivo de baixar a inflação do ano que vem. E a empreitada não será fácil porque serão tempos de ajustes na economia com a chegada da nova e ortodoxa equipe econômica escolhida pela presidente Dilma Rousseff.

Mesmo depois de saber que Joaquim Levy vai assumir o ministério da Fazenda com uma baita tesoura na mão para cortar gastos públicos, as expectativas para inflação em 2015 cresceram na última semana, para 6,49%, raspando no limite do sistema de metas para inflação (6,5%). Será má vontade dos economistas? Afinal, o governo já elegeu um ministro “do mercado” para comandar a política econômica e nem assim eles esperam coisa melhor para o país?

A má vontade é das contas, dos números. Se os acertos esperados forem mesmo adotados pelo governo, dificilmente teremos uma inflação muito mais baixa no ano que vem. Para lembrar, o Brasil segue com preços represados nas tarifas de energia, combustível e transporte; e manipulação na taxa de câmbio para evitar alta do dólar. O futuro ministro Joaquim Levy ainda não explicou como vai lidar com esse encarceramento – vai liberar tudo de uma vez? Aos poucos? Quem vem primeiro?

Olhando para este cenário, o mercado financeiro espera que o BC continue subindo os juros nesta última reunião de 2014. A maioria dos analistas acredita numa alta de 0,5 ponto percentual, o que elevaria a taxa básica para 11,75% ao ano. Há quem acredite numa estratégia mais gradual dos diretores do Copom, elevando os juros para 11,50%, para aguardar alguma reação da confiança e das expectativas com a chegada do novo ministro da Fazenda.

O IPCA de novembro também está na agenda da semana. Será divulgado na próxima sexta-feira pelo IBGE. Entre os que esperam uma inflação mais alta e uma mais baixa, algo em torno de 0,5%, o índice em 12 meses vai continuar rodando acima dos 6,5%, deixando para a sorte de Alexandre Tombini – presidente do BC – a incumbência de baixar os preços em dezembro, o suficiente para levar o IPCA para dentro dos limites de tolerância da meta de inflação.

Enquanto isso, na Esplanada dos Ministérios em Brasília, nós teremos um governo duplicado com dois titulares da Fazenda e dois do Planejamento. Os ministros Joaquim Levy e Nelson Barbosa foram anunciados mas não empossados. Guido Mantega e Miriam Belchior foram demitidos mas não exonerados. Seria bom o governo explicar de quem serão as decisões a partir de agora, se baseadas na “antiga” matriz econômica de Mantega ou na restauração da política econômica representada pela nova equipe.

 

PIB sobe 0,1% no terceiro trimestre e Brasil

A economia brasileira saiu da recessão técnica no terceiro trimestre de 2014. De julho a setembro, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,1% na comparação com o trimestre anterior, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A chamada recessão técnica acontece quando o PIB tem dois trimestres seguidos de queda. No primeiro e no segundo trimestres deste ano, houve quedas de 0,2% e 0,6%, respectivamente.

Na comparação com o mesmo trimestre de 2013, no entanto, houve queda de 0,2% no PIB.

Para Rebeca de La Rocque Palis, gerente da coordenação de Contas Nacionais do IBGE, o resultado de 0,1 não pode ser considerado um crescimento. “Em geral, a gente considera as taxas menos 0,5 e mais 0,5 como variações. Você não pode dizer que foi um crescimento nem que foi uma queda. Então, é perto da estabilidade para qualquer variável”.

Acumulados e expectativas
De janeiro a setembro, a economia teve expansão de 0,2% frente ao mesmo período do ano passado. Já no acumulado em quatro trimestres, a alta é de 0,7%. Em valores correntes, o PIB no terceiro trimestre de 2014 alcançou R$ 1,289 trilhão.

O mercado financeiro já espera um crescimento fraco da economia para este ano. Segundo pesquisa feita pelo Banco Central com mais de cem instituições financeiras – o Boletim Focus – a previsão dos economistas é que o PIB tenha uma alta de 0,2% no ano.

Consumo das famílias
As famílias brasileiras consumiram menos no terceiro trimestre, registrando uma queda de 0,3% frente aos três meses anteriores. Este é o pior resultado desde o quarto trimestre de 2008 (quando houve queda de -2%), segundo Rebeca, do IBGE.

Na comparação com o período de julho a setembro de 2013, houve alta marginal, de 0,1%. O IBGE aponta que um dos fatores que contribuíram para esse resultado foi o aumento de 2,9% da massa salarial. O resultado, no entanto, é o pior desde o terceiro trimestre de 2003, quando houve queda de 1,5%, segundo Rebeca.

“O crédito parou de crescer em termos reais. (...) Obviamente nós temos manutenção da inflação e juros mais altos do que tinha no ano anterior. Esse aumento também ajuda a reduzir a queda dos investimentos e do consumo”, disse.

Gastos do govermo
Em ano de eleição, os gastos do governo cresceram 1,3%, a maior alta desde o segundo trimestre do ano passado. Frente ao mesmo período de 2013, também houve expansão, de 1,9%.

Investimento
Os investimentos – chamados de formação bruta de capital fixo – também cresceram 1,3% frente ao segundo trimestre.

Na comparação com o mesmo período de 2013, no entanto, houve queda de 8,5% – justificado principalmente, segundo o IBGE, pela queda da produção interna e da importação de bens de capital. Houve influência, também, do desempenho negativo da construção civil no período. Foi o terceiro trimestre seguido de queda dos investimentos nessa comparação.

Indústria
Pela ótica da oferta, a indústria puxou a alta do PIB na passagem do segundo para o terceiro trimestre de 2014. O setor teve alta de 1,7%, com destaque para o crescimento de 2,2% da indústria extrativa mineral.

Na comparação com o mesmo período de 2013, no entanto, a indústria encolheu 1,5%. A queda foi puxada pela indústria de transformação, que recuou 3,6%, reflexo principalmente da piora na produção da indústria automotiva. Houve queda também, de 5,3%, na construção civil. Ainda nessa comparação, a indústria extrativa mineral teve expansão de 8,2%, com o aumento das extrações de petróleo e gás natural e de minerais ferrosos.

“A indústria está ainda com queda com relação ao ano anterior, mas os dados melhoraram em relação ao trimestre anterior. Até porque, no segundo trimestre tivemos menos dias úteis, tivemos paralisação por causa da Copa. O destaque foi para extrativa mineral. Foi o grande destaque da indústria. Do aumento tanto da extração de petróleo e gás quanto de minério de ferro”, explicou Rebeca .

Serviços
O setor de serviços também cresceu no terceiro trimestre, com alta de 0,5% frente aos três meses anteriores. O crescimento foi puxado por transportes, com alta de 1,4%, e intermediação financeira e seguros, que cresceu 0,6%.

Houve crescimento de 0,5% também na comparação com o 3º trimestre de 2013, com destaque para intermediação financeira e seguros (3,2%), serviços imobiliários e aluguel (2,0%) e os serviços de informação (2,0%). Já no comércio (atacadista e varejista) houve queda de 1,8%.

Agropecuária
A produção no campo teve queda de 1,9% frente ao trimestre anterior. Já na comparação com o mesmo trimestre de 2013, houve alta de 0,3%. Segundo o IBGE, esse resultado se explica pelo desempenho de alguns produtos que têm safra relevante no período e pela produtividade.

“A gente vê aqui que o café e a cana estão com perspectivas de queda, -6,6% e -5,9%, mas a laranja (3,2%), mandioca (10,1%), feijão (10,9%) e trigo (30,6%) estão com perspectiva de alta. E o café a cana pesam muito mais, são mais relevantes na economia brasileira. Então, essa queda acabou puxando um pouco a agropecuária”.

Comércio exterior
O IBGE apontou que as exportações cresceram 1% no terceiro trimestre, enquanto as importações (que contam negativamente no PIB) cresceram 2,4%.

Já frente ao terceiro trimestre de 2013, as exportações cresceram mais: 3,8%, ante alta de 0,7% nas importações. Petróleo e carvão foram destaque de crescimento.

 

Alto de preços agrícolas, IGP-M tem forte aceleração e vai a 0,98%

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) acelerou em novembro, para alta de 0,98%, informou a Fundação Getulio Vargas. Foi a maior alta desde março deste ano. Em outubro, o índice havia ficado em 0,28%. Já em novembro de 2013, a variação foi de 0,29%. No acumulado do ano, o indicador registra avanço de 3,05%. Em 12 meses, o IGP-M variou 3,66%.

Com peso de 60% sobre o resultado do IGP-M, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a inflação no atacado, foi o que mais avançou no mês: 1,26%, também maior taxa desde março. Segundo a FGV, esse resultado foi influenciado pela forte alta de itens do grupo matérias-primas brutas, como grãos e carnes. A soja em grão, por exemplo, passou de deflação de 3,21% para inflação de 6,05%. Já o milho em grãodisparou de alta de 0,15% para 10,92%.

Os alimentos in natura, que se enquadram na categoria de bens finais, também tiveram forte aceleração, de 2,04% em novembro, bem mais que em outubro, quando a variação havia sido de 0,12%. A batata-inglesa, por exemplo, passou de deflação de 11,58% para inflação de 78,88% (no atacado). Com isso, o grupo Bens Finais registrou alta de 0,69%, uma aceleração em relação ao 0,52% de outubro.

Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do IGP-M, registrou alta de 0,53% em novembro, mais intensa que em outubro, quando a taxa havia ficado em 0,46%. Nessa categoria, quatro das oito classes de despesa registraram taxas mais aceleradas. A alta mais importante ocorreu no grupo Transportes, cuja inflação passou de 0,18% para 0,52%. O resultado foi puxado pela alta da tarifa de ônibus, que passou de deflação de 0,36% para inflação de 0,36%. Os itens educação, leitura e recreação (0,06% para 0,75%) e habitação (0,47% para 0,62%) também aumentaram.

Em compensação, colaboraram para evitar um avanço maior do indicador itens como o leite in natura, que registrou deflação de 4,22% frente a alta de 0,12% no mês anterior, e o tomate, que havia subido 25,41% em outubro e, em novembro, recuou 16,86%. A banana, cuja inflação havia sido de 0,15% no mês passado, também registrou deflação, de 9,53%.

ÍNDICE É USADO PARA REAJUSTAR ALUGUEL

O IGP-M é usado como referência para a correção de valores de contratos, como os de energia elétrica e de aluguel de imóveis. O indicador é composto pelo Índice de Preços por Atacado (IPA), com peso de 60%, pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com 30%, pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), com 10%. A pesquisa é feita entre o dia 21 do mês anterior até o dia 20 do mês de referência.

 

Confiança da indústria tem maior avanço

 

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) avançou 3,6% entre outubro e novembro, ao passar de 82,6 para 85,6 pontos, o maior patamar desde junho, quando foi de 87,2 pontos, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV).

A alta foi determinada pela melhora da percepção sobre o estado dos negócios em novembro. Após seis quedas consecutivas, o Índice da Situação Atual (ISA) avançou 8,3%, para 85,9 pontos, o maior nível desde junho passado. Já o Índice de Expectativas (IE) registrou queda de 0,6%, para 85,4 pontos, depois de avançar 4,9% no mês anterior.

“Os resultados de novembro confirmam alguma melhora do ambiente de negócios no quarto trimestre de 2014, depois de três trimestres de deterioração. A acomodação do índice de expectativas, no entanto, lança dúvidas quanto à continuidade desta recuperação.”, diz Aloisio Campelo Jr., Superintendente Adjunto para Ciclos Econômicos da FGV/IBRE.

A satisfação com o ambiente geral de negócios registrou a maior influência para o aumento do Índice da Situação Atual neste mês. O indicador de situação atual dos negócios avançou 12,4% entre outubro e novembro, de 74,4 para 83,6 pontos, o maior nível desde julho passado (84,8). A proporção de empresas que consideram a situação atual boa aumentou de 7,8% para 12,8%, enquanto a parcela de empresas que a avaliam como fraca caiu de 33,4% para 29,2%.

O indicador de emprego previsto exerceu a maior contribuição para a queda do Índice de Expectativas em novembro, ao recuar 2,7% sobre o mês anterior. Houve diminuição na proporção de empresas prevendo aumento no total de pessoal ocupado nos três meses seguintes, de 14,5% para 12,2%, e aumento da parcela das que preveem diminuição, de 19,7% para 20,0%.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) ficou em 82,7% em novembro, sucedendo os 82% de outubro e 83% em setembro.

 

Demanda por voos domésticos teve alta de 6,4% em outubro


 

A demanda por transporte aéreo doméstico cresceu 6, 4% em outubro na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo balanço apresentado pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Em relação a setembro, a alta foi de 9%. No total, foram transportados pelas companhias aéreas filiadas à Abear — TAM, Gol, Avianca e Azul — 7, 3 milhões de passageiros, 6,7% a mais do que em outubro do ano passado. No acumulado do ano (janeiro a outubro), foram realizadas 66,4 milhões viagens dentro do país, ou 4% superior ao mesmo período de 2013.

Para o presidente da Abear, Eduardo Sanovicz, o cenário do mercado doméstico se manteve com demanda em alta e com oferta controlada, o que elevou o fator de aproveitamento de assentos para 80,8%, atingindo o padrão de eficiência de empresas internacionais. As empresas TAM, com 39,14% de participação, e Gol, com 36,6%, mantiveram a liderança do mercado doméstico em outubro.

— O quadro se manteve com aumento da demanda e oferta controlada e deverá continuar assim nos próximos meses — disse Sanovicz, lembrando que as empresas aéreas estão preparadas para a operação durante o período de férias que se estende de dezembro a fevereiro.

Entre as medidas para melhorar o fluxo das operações durante os meses de dezembro, janeiro e fevereiro, as companhias anteciparam a manutenção programada das aeronaves, aumentaram o número de aviões reservas e reforçaram as equipes de agentes de aeroportos com maior demanda. Além das medidas preventivas, as empresas também reforçaram os procedimentos para situações emergenciais, como acordos operacionais com hotéis e restaurantes para os casos de impossibilidade de embarque. Só a Gol e a TAM informaram que colocarão mais de 5 mil voos domésticos extras para atender principalmente a maior demanda de passageiros para a região Nordeste.

— Ganhamos bastante experiência com a Copa do Mundo, mas não achamos que será um verão explosivo. Teremos um crescimento moderado de 5% a 5,5% no volume de passageiros — estima Sanovicz.




 

Credibilidade da Petrobras já esta em xeque

O atraso na publicação do balanço de uma empresa de capital aberto do porte da Petrobras, motivado por perdas de valor causadas por corrupção, é inédito na história do mercado de capitais brasileiro, dizem especialistas.

De acordo com esses analistas, sem a rubrica da consultoria independente PricewaterhouseCoopers (PwC), o balanço se torna uma "peça de ficção", prejudicando a imagem da empresa. Nesta situação, dificilmente a empresa terá acesso a captações no exterior, dizem os especialistas. A petrolífera prometeu apresentar um balanço não auditado no próximo dia 12 de dezembro.

- Estamos diante de uma situação inédita, pois sem balanço auditado a empresa perde a credibilidade diante dos investidores nos mercados doméstico e internacional - diz Fernando Zilveti, advogado e professor da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo (FGV).


Ele lembra que a exigência de balanços auditados por firmas independentes foi introduzida no Brasil em 1986, na reforma da Lei das SA. Antes disso, o mercado de capitais era pouco regulado. Desde então, o advogado observa não ter conhecimento de que uma companhia tenha deixado de apresentar números auditados por causa de corrupção.

Outro advogado de um grande escritório de São Paulo, que prefere manter o anonimato, diz que o melhor agora seria que a estatal reconhecesse as perdas no balanço, fizesse a reavaliação de seus ativos e admitisse rever os números apresentados no passado. Com isso, poderia convencer a PwC a chancelar seu balanço, mesmo que a consultoria mantenha ressalvas no documento, informando que as investigações sobre os desvios de recursos da estatal ainda estão em curso.


O profissional afirma que o reconhecimento de perdas, mesmo que parciais, e a admissão de que os prejuízos podem ser maiores do que o esperado, poderia reverter parcialmente o baque na imagem da Petrobras no mercado.

- Reconhecer que o prejuízo pode ser maior do que esperado sinaliza que a empresa tem boa-fé no caso. E um balanço auditado, mesmo com alguma ressalva, é melhor do que números sem aval de uma consultoria independente, permitindo que a companhia realize captações no exterior - diz o advogado, que prevê entretanto que a empresa terá que pagar juros mais altos.

Para o consultor Luiz Marcati, sócio da Mesa Corporate Governance, consultoria especializada em governança corporativa, mesmo que a Petrobras consiga apresentar um balanço auditado, com o valor dos ativos corrigido, a credibilidade de demonstrações passadas já está em xeque. Uma alternativa seria registrar as perdas parciais no valor dos ativos este ano e diluir eventuais prejuízos do passado em balanços futuros.




 

Dilma Rousseff deve adiar contratações


 

Na tentativa de recuperar a confiança dos investidores, a presidente Dilma Rousseff quer anunciar o mais rapidamente possível um pacote de medidas na área fiscal, mirando 2015. Segundo técnicos, para fazer uma economia de gastos equivalente a 2% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país), várias ações estão no radar da equipe econômica. Entre elas, mais contingenciamento e a não renovação das desonerações que vão vencer no próximo ano.

 

Para segurar gastos, o governo deverá adiar a contratação de novos servidores públicos, bem como congelar salários e autorizar somente os aumentos programados. Benefícios como Bolsa Família não deverão ser reajustados e seguro-desemprego superior ao salário mínimo só deverá ter a reposição da inflação. A volta da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide, que incide sobre combustíveis) não está descartada, diante da queda no preço do petróleo e derivados no mercado internacional.

Na avaliação de uma fonte, diante das dificuldades do governo em ajustar as contas públicas pelo lado do corte de gastos, a arrecadação se apresenta como a via mais fácil. O fim das desonerações e a volta da Cide, um imposto já existente, são as alternativas. Não há muita margem para diminuir despesas no Orçamento e o contingenciamento tem atingido mais o custeio com a máquina, já que o Executivo tem evitado reduzir investimentos e mexer nos programas sociais.

À ESPERA DO NOVO TITULAR DA FAZENDA

Cortar despesas com seguro-desemprego, abono salarial (PIS) e benefícios previdenciários (auxílio-doença e pensão), conforme pretende o governo, não é uma ação trivial, admite um técnico. É preciso tempo para aprovar mudanças nas regras e negociar com os trabalhadores.



O Ministério da Fazenda, que está trabalhando na elaboração do pacote fiscal, quer manter o silêncio por enquanto. Segundo um parlamentar da base aliada, o governo está se precipitando, pois ainda não foi divulgado o nome do novo ministro da Fazenda. O entendimento é que ações desta natureza terão que ser discutidas obrigatoriamente pelo novo chefe da pasta e a presidente Dilma. Além disso, falta resolver a questão fiscal de 2014, que ainda não foi votada pelo Congresso.

Nesta sexta-feira, o Ministério do Planejamento divulga o relatório de avaliação de receitas e despesas primárias do quinto bimestre. O documento explicitará a atual estimativa de superávit primário, a economia para o pagamento dos juros da dívida pública, com o qual o governo trabalha para este ano.

No último relatório, divulgado em setembro, o governo reduziu de 1,8% para 0,9% a projeção para o crescimento do PIB este ano e admitiu a possibilidade de sacar R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano para realizar o superávit fiscal primário. Mas, na ocasião, o governo manteve a meta de superávit em R$ 99 bilhões (ou 1,9% do PIB) e preferiu reduzir as estimativas de despesas.

Na quarta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que, apesar da deterioração fiscal de 2014, o governo tem condições de realizar um superávit primário de 2% do PIB em 2015, conforme determina a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do ano que vem.

OFENSIVA PARA APROVAR MUDANÇA

No Congresso, o governo montou uma ofensiva para a convocação de deputados e senadores da base aliada e tentará votar, ainda na noite da próxima segunda-feira ou, no máximo na terça-feira, na Comissão Mista de Orçamento (CMO), o projeto de lei que altera a meta fiscal na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2014. A ação aconteceu depois da derrota de anteontem, quando a oposição conseguiu adiar a votação do projeto, porque faltaram parlamentares da base aliada para garantir a votação.

O ministro Ricardo Berzoini (Relações institucionais) e o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), estão correndo atrás do prejuízo e mobilizando integrantes da CMO para estarem em Brasília na segunda-feira.


Estamos ligando para todos os membros da CMO para repetirmos a sessão. Já pedimos a presença de todos aqui para votarmos na comissão na segunda, às 20h. O presidente Renan (Calheiros, presidente do Congresso) convocou reunião do Congresso para terça-feira. O assunto é urgente e de alto interesse do país. A ideia é dedicação plena e geral a esse tema até vencer a obstrução da oposição — disse Fontana.

O próprio Renan declarou que a ideia é aprovar a proposta na próxima terça-feira, tanto na CMO como na sessão do plenário do Congresso. O problema é que a pauta do plenário está trancada por 38 vetos presidenciais, o que torna bastante remota essa possibilidade.

Sobre o cochilo da base na sessão da CMO, Renan admitiu que há “indefinição” entre os aliados e “gente desmotivada", mas acrescentou que a derrota não ocorreu por isso e sim por problema de quórum. A indefinição na base ocorre por conta das negociações da reforma ministerial.



 

 

Emissões de gases do efeito estufa subiram 7,8% no Brasil
 

O Brasil aumentou suas emissões de gases que provocam o efeito estufa em 7,8% no ano passado em relação a 2012, segundo uma estimativa feita pelo Observatório do Clima e divulgada hoje. O montante equivale a cerca de 1,6 milhão de toneladas de gás carbônico. É o maior valor desde 2008. O país ocupa a sétima posição entre as nações mais poluentes do mundo.

A situação é preocupante se considerarmos que crescemos apenas 1% em 2013. Em 2014, dados preliminares já apontam nova piora. Isso aponta uma tendência. Se não revertermos esse cenário, as metas de redução do país estabelecidas com as Nações Unidas para 2020 estarão em risco — afirmou Tasso Azevedo, coordenador técnico do Seminário de Emissões Brasileiras de Gases do Efeito Estufa - 2014, responsável pelo gasto. O Brasil se comprometeu a não contribuir com um aumento de temperatura global que ultrapasse a média de dois graus Celsius.

Embora todos os setores medidos tenham tido aumento de emissões, os principais responsáveis pela piora nos índices foram a aceleração do desmatamento da Amazônia e do Cerrado e mudanças no setor energético.

— Em 2009, prevíamos que o consumo de álcool subiria 10% ao ano, e o de gasolina cairia 5%. Aconteceu exatamente o contrário — disse Azevedo. O etanol é considerado um combustível limpo, enquanto derivados do petróleo são vilões do meio ambiente.

Além disso, o aumento no uso de termoelétricas para a produção de energia elétrica também pressionou para cima as emissões nacionais. As termoelétricas passaram a ser cada vez mais demandadas diante da seca que atinge o reservatório de hidrelétricas no sudeste do país. O aumento do uso de hidrelétricas é percentualmente equivalente a toda frota de ônibus do país.

Dentre as atividades econômicas, a agropecuária continua sendo a maior poluidora - com a abertura de pastagens em região de florestas e a produção de metano pelo rebanho bovino -, mas transportes e energia aumentaram sua parcela na conta.


As notícias são ruins para o meio ambiente. Em 2013, o país gerou R$3,1 mil do PIB para cada tonelada de carbono produzido, desempenho pior do que em 2012. Uma economia de baixo carbono, que o país precisa perseguir a partir de 2020, estima que, para cada tonelada de CO2 liberados na atmosfera, o país deveria gerar R$40 mil de PIB.

Representantes do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério de Ciência e Tecnologia reconheceram a qualidade e a veracidade dos dados apresentados pelo Observatório do Clima, mas buscaram relativizar a gravidade da piora nas emissões:

— Uma mudança verificada em um ano é pouco para apontar uma tendência e continuamos dentro das metas estabelecidas. É preciso reconhecer que o aumento das emissões também decorre do desenvolvimento socioeconômico e do aumento de conforto para a população — afirmou Adriano Santhiago, diretor de mudanças climáticas do Ministério do Meio Ambiente.




 

Receita do setor de serviços cresce 6,4% em setembro


 

A receita do setor de serviços registrou alta de 6,4% em setembro, na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados pelo IBGE. No acumulado em 12 meses, o avanço é de 7,1% e, no ano, chega a 6,6%. Os números são referentes ao aumento nominal, ou seja, sem descontar a inflação.

O resultado mostra uma recuperação frente ao mês anterior. Em agosto, o setor havia tido alta de 4,5%. A principal contribuição para a alta veio do desempenho do setor de serviços de informação, cuja receita cresceu 2,7% — avanço maior que os registrados em julho e agosto. O IBGE também destacou a contribuição do segmento de transportes e correio, que registrou alta de 6,5%, bem superior às taxas de 3,2% de agosto e de 4,6% de julho.

De acordo com o instituto, os dois segmentos têm peso de 66,4%. Só os serviços de informação têm impacto de 35,7% sobre o levantamento. Com o resultado de setembro, o peso na taxa relativa passou de 13,3% para 14,1%, entre agosto e setembro.

Ainda em relação aos resultados para o mês, o IBGE disse que os serviços prestados às famílias desaceleraram a alta para 5,4%, após terem avançado 9% em agosto. Já a receita dos serviços profissionais e administrativos (como consultorias, que costumam ser mais caros) teve alta de 11,1%, maior que as registradas nos meses anteriores. O segmento tem peso de 35,9% sobre a pesquisa.

O instituto também divulgou os dados para o trimestre. Entre julho e setembro, a receita do setor de serviços cresceu 5,1%, na comparação com o mesmo período do ano passado. Foi a menor taxa nesse tipo de comparação desde o início da série histórica, em 2012.

A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) começou a ser divulgada em janeiro de 2012. Naquele ano, o setor fechou com crescimento acumulado de 10%. O desempenho, no entanto, desacelerou ao longo dos meses e, no ano seguinte, o avanço foi de 8,5%.




 

Investigações contratadas pela Petrobras vão custar R$ 19 milhões

 

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, disse que as investigações contratadas pela estatal para investigar as denúncias da operação Lava-Jato, da Polícia Federal, vão custar cerca de R$ 19 milhões à petrolífera.

Segundo ela, a empresa está pagando ao escritório brasileiro de investigação Trench, Rossi e Watanabe Advogados R$ 6 milhões e ao americano, o Gibson, Dunn & Crutcher LLP, outros US$ 5 milhões (em torno de R$ 13 milhões). O contrato tem um período de um ano.

Graça e Almir Barbassa, diretor financeiro da Petrobras, informaram nesta segunda-feira como serão calculadas as perdas no balanço com base nas conclusões das investigações de corrupção na estatal. Os ajustes, diz o diretor, serão feitos retirando do valor do ativo qualquer quantia que seja relativa à propina. Ou seja, explica Barbassa, a ideia é fazer com que o ativo imobilizado (ativo da companhia) tenha um valor justo.

— Se houve pagamento acima do que é justo, esse valor deve ser retirado do que foi investido e levado para o resultado. É retirar dele (ativo) qualquer valor relativo a propina — comentou ele, em teleconferência com analistas, destacando que o ajuste não inclui os questionamentos feitos pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

— Você é obrigado a baixar do valor do ativo o custo relativo à corrupção. É lei. Tem que baixar. Tem que retirar — disse Graça.

Segundo a presidente da estatal, a referência oficial para esses ajustes são os depoimentos feitos à Justiça.

— É o que o juiz tem chamado de provas emprestadas, que são encaminhadas à Petrobras pela Policia Federal para que as baixas sejam feitas ano a ano.

Graça destacou que vai buscar a reparação das perdas:

— Onde houver identificação de prejuízo, vamos buscar esse prejuízo. O jurídico ja vem trabalhando e nós vamos buscar os prejuízos para que haja retorno para o caixa da companhia. Temos sido bastante cobrados pelo Conselho para ter de volta o que pagamos além do normal e além do razoável.



Graça ressaltou que o mais importante foi a proposta apresentada ao Conselho de Administração para criar uma nova diretoria, de Governança.

— Propusemos ao Conselho criar uma diretoria de Governança. Recebemos apoio unânime do Conselho. Em face das atuais denúncias da Operação Lava Jato, a companhia não está pronta para divulgar seus resultados. Essas denúncias podem impactar potencialmente suas demonstrações. No dia 8 de outubro, os depoimentos dados por Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef poderão levar a possíveis ajustes. E por isso é necessário mais tempo. Tempo também para se obter aprofundamento nas investigações dos escritórios em curso e aprimorar os controles internos — disse Graça, na abertura da conferência.

— Queremos mais que o reconhecimento técnico. Queremos o reconhecimento pela governança da companhia — acrescentou Graça.

Graça lembrou ainda sobre as medidas tomadas para o aumento dos controles internos, como as comissões internas. Ela listou que já foram feitas 60 ações para o aprimoramento da governança e dos processos de gestão e voltou a frisar que vai buscar medidas jurídicas para “ressarcimento dos supostos recursos desviados”, disse a executiva:

— No último ano, foram sete comissões internas de apuração foram concluídas no nível da diretoria e presidência.

 

Petrobras e indefinição política fazem Ibovespa cair

 

A indefinição sobre a formação da equipe econômica e o adiamento da publicação do balanço da Petrobras são os fatores que determinam o mau humor dos mercados, o Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa brasileira, registrava recuo de 1,75%, aos 50.937 pontos. Já o dólar comercial opera em alta de 1,27%, a R$ 2,623 na compra e a R$ 2,625 na venda.

As ações da Petrobras só começaram a ser negociadas às 11h30, e não às 10h na abertura da Bolsa. O motivo dessa mudança foi o adiamento do balanço, que estava previsto para essa sexta-feira - prazo limite para que as companhias com ações no mercado divulguem as informações referentes ao terceiro trimestre- e deverá ocorrer só em dezembro. A multa por atraso é de R$ 500 ao dia. Os papéis preferenciais (sem direito a voto) da petrolífera recuam 4,92% e os ordinários (com direito a voto) caem 4,72%.

— A suspensão das negociações ocorre quando há um fato relevante importante. É uma forma dos investidores entenderem o que está acontecendo. Isso evita decisões precipitadas — explicou Ari Santos, gerente de renda variável da corretora H.Commcor, lembrando que nessa sexta-feira é o último dia para a negociação com opções da estatal, uma vez que a liquidação dos contratos ocorre na segunda-feira.

No exterior, no entanto, não houve suspensão das negociações com os recibos de ações negociados na Bolsa de Nova York, as ADRs. A queda chegou a superar os 7% nessa manhã, mas agora já recuou para 3,41% de perdas.

REFLEXO EM OUTRAS ESTATAIS


O adiamento do balanço da Petrobras está atrelado às investigações da Operação Lava Jato, da Política Federal. A auditoria PwC (PricewaterhouseCoopers) só irá assinar o balanço após analisar os relatórios das comissões internas que apuram as denúncias de corrupção na companhia. "Todos esses problemas que acarretaram com a decisão da PwC de não assinar as demonstrações financeiras se constituem numa oportunidade de a empresa melhorar definitivamente sua governança", avaliaram os analistas da CM Capital Market.

Mesmo sem a Petrobras nas negociações, as estatais têm um grande peso para a queda dessa sexta-feira. Os papéis que registram a maior variação negativa são os da Eletrobras. Os preferenciais (sem direito a voto) caem 6,81% e as ordinárias (sem direito a voto) recuam 4,88%. Já os papéis do Banco do Brasil acumulam perdas de 3,29% nesse pregão.

 

Petrobras deve ter lucro 40% menor no 3º trimestre

Apesar da queda dos preços do petróleo e derivados no mercado internacional, que se acentuou a partir de setembro, a defasagem dos preços da gasolina e do diesel e a alta do dólar deverão fazer com que a Petrobras apresente um resultado fraco em seu balanço do terceiro trimestre deste ano. Analistas e especialistas do mercado preveem que a estatal deverá registrar um lucro líquido de julho a setembro deste ano de cerca de R$ 3 bilhões, abaixo dos R$ 5 milhões no segundo trimestre e menor também em comparação aos R$ 3,4 bilhões registrados no terceiro trimestre do ano passado.

Na opinião de Pedro Galdi, analista da SLW, a companhia deve apresentar queda em seu faturamento, já que vai registrar menos receitas com a exportação de petróleo. Galdi lembra ainda que a estatal deverá ter redução em seus custos por conta da queda do preço do petróleo, já que isso permitiu reduzir as despesas com a importação de gasolina e diesel.

— De um lado, o petróleo caiu 20%. Do outro, o dólar avançou 11% no terceiro trimestre. Como resultado, as receitas da companhia devem apresentar recuo. O dólar também influenciar o aumento de sua dívida, que é em dólar (US$ 109,5 bilhões) — disse Galdi.

Segundo um analista de um banco estrangeiro que prefere não se identificar, o benefício da queda dos preços do petróleo no mercado internacional pode ter um reflexo pequeno no resultado da Petrobras no terceiro trimestre, porque se acentuou apenas em setembro, quando ficou abaixo dos US$ 100 o barril. Ontem, o barril do brent, usado como referência no mercado internacional, fechou cotado a US$ 80,76.

Mas, por outro lado, a boa notícia é que houve aumento na produção nacional de petróleo. No terceiro trimestre, a produção diária média ficou entre 2,049 milhões e 2,117 milhões, acima do 1,887 milhão e 1,979 milhão do mesmo período do ano passado.

Os analistas destacaram que o reajuste dos preços da gasolina e do diesel concedido a partir do último dia 7 de novembro chegou em um momento em que praticamente a Petrobras conseguiu equilibrar os preços internos com os do mercado internacional. Mas o aumento dos preços é importante para a companhia recuperar parte das perdas acumuladas com a defasagem dos últimos anos.

Somente entre janeiro e setembro deste ano, a companhia acumula uma perda por conta da defasagem de R$ 2,7 bilhões, segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE). No terceiro trimestre do ano a gasolina estava com uma defasagem média de 13,5% e o diesel de 7,6%.

 

Gol tem prejuízo de R$ 245,1 milhões no terceiro trimestre

Pressionada pela variação cambial, a companhia aérea Gol ampliou o prejuízo líquido no terceiro trimestre na comparação anual. O resultado negativo chegou a R$ 245,1 milhões, contra prejuízo de R$ 197 milhões um ano antes. Excluído o efeito do câmbio, o resultado da companhia aérea chegaria a R$ 25,4 milhões, afirmou Paulo Kakinoff, presidente da empresa.

O executivo salientou que a evolução dos “resultados está perfeitamente em linha com a estratégia da companhia e com os guidances (projeções) para os próximos anos”.

— Neste trimestre teve uma variação cambial que levou a um prejuízo, que não tem efeito caixa — disse à Reuters na véspera da divulgação do resultado o vice-presidente-financeiro e de relações com investidores da Gol, Edmar Lopes. — O nosso cenário é de perspectiva de um real mais fraco e a gente está se preparando para isso — acrescentou.

O aumento no número de passageiros transportados também ganhou destaque durante teleconferência com jornalistas para a divulgação dos resultados. Kakinoff afirmou que nos primeiros nove meses do ano a Gol foi a companhia que transportou o maior número de pessoas.

— Transportamos 2,6 milhões de passageiros de janeiro a setembro ou quase um mês adicional de passageiros da própria Gol (em relação ao ano passado) — disse o prsidente da empresa, durante conferência com jornalistas na manhã desta quarta-feira.

A companhia divulgou em outubro que a receita por passageiro (Prask) subiu 9,1% entre julho e setembro, mas o yield, indicador de preços de passagens aéreas, caiu 2% no período.

A taxa de ocupação avançou 7,9 pontos percentuais no terceiro trimestre, para 77,5%, e Kakinoff estima ainda mais crescimento, sobretudo com a retomada da demanda executiva, que caiu durante o período da Copa do Mundo e, segundo ele, ainda não foi totalmente retomada.Lopes vê espaço para crescimento.

No terceiro trimestre, a receita operacional líquida da Gol foi de R$ 2,5 bilhões, alta anual de 10,4%. A receita de transporte de passageiros aumentou 7,2%, a chegando a R$ 2,2 bilhões, enquanto a de transporte de cargas e outros avançou 44,6%, subindo para R$ 272,3 milhões.

A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação, amortização e leasing de aeronaves (Ebitdar, na sigla em inglês) atingiu R$ 462,8 milhões, elevação de 24,2% na mesma base de comparação.

PLANO REGIONAL DE AVIAÇÃO É ‘GRANDE OPORTUNIDADE’



Sobre o Plano de Desenvolvimento da Aviação Regional, que irá para votação com novas emendas propostas pelo Congresso, Kakinoff disse se tratar de uma “grande oportunidade a ser aproveitada”. Durante essa semana, as alterações no Plano irritaram a companhia Azul, que ameaça cancelar um pedido de R$ 1,9 bilhão com a Embraer caso a proposta de fim do limite do número de assentos a serem subsidiados seja aprovada.

Para Kakinoff, a única surpresa das novas emendas é o fim do limite da participação do capital estrangeiros nas companhias aéreas. E é aí que está a oportunidade para a Gol, frisou, sinalizando que um aporte internacional pode ocorrer.

— Isso (essa mudança) elimina uma trava. É uma novidade que vai demandar muita discussão interna para aproveitarmos as oportunidades. Ainda não há nada efetivo — comentou.

Queda ou estagnação nas vendas de Natal, comércio prepara promoções

 

Os primeiros enfeites nas vitrines mostram que o Natal já chegou ao comércio. Apesar do clima festivo, a expectativa do setor para as vendas nas festas é tímida. A Confederação Nacional de Comércio (CNC) prevê alta de apenas 2,6% este ano, quase metade dos 5,1% em 2013. Mas há perspectivas ainda mais pessimistas: a gigante Via Varejo, que controla Ponto Frio e Casas Bahia, por exemplo, informou que reduziu em 9,7% o estoque de produtos para o fim desse ano, para R$ 2,8 bilhões. A perspectiva de ritmo fraco pode impulsionar promoções mais agressivas, afirmam especialistas.

No Rio, segundo pesquisa da Fecomércio-RJ, mais da metade dos lojistas (54,3%) espera que as vendas fiquem estagnadas ou que sejam piores do que em 2013. Ainda de acordo com o estudo, 61,4% afirmaram que fizeram ou ainda farão encomendas aos fornecedores iguais ou menores que as do ano passado.


Para Fábio Bentes, economista da CNC, o cenário econômico, de inflação alta e aperto nos juros, deve fazer com que as empresas adotem mais promoções neste ano. Estender o prazo para pagamento deve ser uma das práticas adotadas pelo setor nos próximos meses, afirma o especialista.

— Uma coisa que a gente certamente vai ver até o fim do ano são as estratégias de adiar a primeira parcela. Isso porque o crédito está muito caro. Vale mais a pena apostar nisso do que contar com o fôlego do consumidor — diz o especialista.

Christian Travassos, economista da Fecomércio-RJ, diz que as promoções serão ferramenta para fortalecer as vendas no ano com crescimento menos intenso:

— Essas estratégias de marketing são mais importantes que nunca. As datas comemorativas, principalmente para quem vende duráveis, são importantes. Os empresários vão fazer de tudo.

FINANCIAMENTO MAIS CARO

Financiar as compras deste ano deve sair mais caro do que no ano passado. Segundo levantamento da entidade, a taxa de juros ao consumidor estava em 43,1% em agosto, bem superior aos 36,6% do mesmo período do ano passado. Adiar o pagamento pode ser a oportunidade de evitar a pressão sobre o orçamento no fim do ano, quando os gastos costumam aumentar. Mas é preciso ter cuidado, já que o início do ano também é marcado por contas altas, como IPVA, IPTU e material escolar.

Na Saara, maior centro de comércio popular do Rio, a aposta é que o crédito mais caro atraia mais clientes às cerca de 600 lojas do local, conhecido por vender produtos mais em conta. O Polo Centro Rio, associação que representa os lojistas da Saara, espera aumentar aumentar em 20% o número de temporários contratados para o Natal.

— A gente acredita que, como é um mercado popular, cada vez mais se torna atraente para as pessoas. Não quer dizer que a gente só receba pessoas na época da crise, mas pode ser um estímulo a mais com preços mais competitivos — afirma Leonardo Zonenschein, diretor de comunicação do Polo e dono da loja de camisetas Dimona, que ainda não iniciou a campanha de promoções natalinas.


Roberto Santos, gerente de marketing da rede de papelarias Caçula, em São Cristóvão, que está vendendo enfeites natalinos desde setembro, diz que no fim da segunda quinzena de novembro já será possível sentir a tendência das vendas. Ainda à espera da Black Friday, outras grandes varejistas, como Casa & Vídeo e Lojas Americanas, preferiram não revelar planos para o Natal.


 

Juros do crédito voltam a subir em outubro



Depois de uma queda em setembro, interrompendo uma sequência de 15 meses de altas, as taxas em seis linhas de crédito ao consumidor voltaram a subir em outubro. Na média, a taxa de juros para pessoa física passou de 6,06% ao mês para 6,08%, o maior patamar desde agosto de 2014. Anualizada, a taxa equivale a um juro de 103,05% ao ano.

A pesquisa foi feita pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), que observa que a elevação de 11% para 11,25% da taxa básica de juros pelo Banco Central, em sua última reunião, ainda não se refletiu nas atuais taxas praticadas no crédito, mas isso deve acontecer no levantamento do próximo mês.

Das seis linhas de crédito pesquisadas, os juros cartão de crédito rotativo se mantiveram estáveis em 10,78% ao mês (241,61% ao ano. Outras cinco modalidades de empréstimos apresentaram alta. Os juros do comércio subiram de 4,63% para 4,65% (72,53% ao ano); o cheque especial teve alta de 8,48% para 8,50% (166,17% ao ano); o crédito direto para financiamento de automóveis (CDC) subiu de 1,79% para 1,80% (23,87% ao ano); o empréstimo pessoal no bancos teve elevação de 3,44% para 3,47% (50,58% ao ano) e o empréstimo pessoal em financeiras foi de 7,26% ao mês para 7,28% (132,39% ao ano).

O coordenador da pesquisa e diretor executivo da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira, avalia que com a tendência de novas elevações da taxa Selic pelo Banco Central, nas próximas reuniões, é provável que as taxas de juros das operações de crédito voltem a ser elevadas nos próximos meses. O mercado, segundo pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira, esperam uma alta da Selic ainda este ano para 11,5%. Para 2015, a expectativa é que ela suba até 12% para evitar mais pressões inflacionárias.

Desde março de 2013, a Selic já subiu 4 pontos percentuais - de 7,25% para 11,25% ao ano. No mesmo período, a taxa de juros média para pessoa física apresentou uma elevação de 15,08 pontos percentuais, saindo de 87,97% ao ano em março/2013 para 103,05% ao ano em outubro/2014.

Veja o comportamento dos juros

Juros do comércio - de 4,63% para 4,65% (72,53% ao ano)

Cartão de crédito - estável em 10,78% (241,61% ao ano)

Cheque especial - de 8,48% para 8,50% (166,17% ao ano)

CDC para automóveis - de 1,79% para 1,80% ( 23,87% ao ano)


Empréstimo pessoal nos bancos - 3,44% para 3,47% (50,58% ao ano)

Empréstimo pessoal em financeiras - de 7,26% para 7,28% (132,39% ao ano)



 

Mantega diz que governo estuda cortar subsídios a bancos públicos

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou  que o governo federal está finalizando os estudos que resultarão em uma “redução importante” das despesas. Estão no foco desses ajustes um corte nas despesas de benefícios como o seguro-desemprego, auxílio-doença e abono salarial, que tiveram crescimento acelerado nos últimos anos. Os cortes também envolverão a redução de subsídios financeiros.

Falando a jornalistas depois de fazer uma apresentação em evento em São Paulo, Mantega citou o BNDES como um exemplo de onde poderia ocorrer essa redução. O banco estatal tem uma série de programas de financiamento com juros abaixo da taxa básica Selic, incluindo a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), e vem recebendo injeções de recursos do Tesouro Nacional.

O ministro disse que o papel dos bancos públicos no crédito é "fundamentalmente" anticíclico e lembrou que na fase mais aguda da crise financeira internacional, o crédito privado secou e foi preciso que os bancos públicos assumissem um protagonismo.

Mantega ressaltou, no entanto, que espera que a partir de um novo ciclo de crescimento os bancos privados liberem mais crédito e os públicos não precisem ser tão ativos nessa área. Ele insistiu que não é uma estratégia do governo uma maior participação dos bancos públicos no crédito e sim uma questão de política anticíclica.

— A estratégia macroeconômica para iniciarmos esse novo ciclo de expansão é um ajuste tanto da política fiscal quanto da política monetária —disse. — Do ponto de vista da política fiscal temos que caminhar para um aumento gradual do primário, em relação ao resultado de 2014 — Para isso nós temos agora que fazer uma redução das despesas, uma redução importante das despesas.

Os comentários do ministro ocorrem em um quadro de profunda deterioração das contas públicas, com déficit primário recorde em setembro. O governo precisa revisar sua meta de superávit primário para este ano e deve fazer o mesmo para 2015. Mesmo assim, serão necessários cortes de despesas para equilibrar as contas.

Em sua apresentação, o ministro disse que o desafio agora é "fazer a transição para a economia pós-políticas anticíclicas", em preparação para um novo ciclo de expansão da economia mundial e brasileira.

Mantega disse que também é preciso recuperar a receita e lembrou que com uma melhora da atividade econômica, cujas condições "estão dadas" segundo ele, isso ocorrerá naturalmente.

Do lado da política monetária, o ministro disse que o objetivo é "uma convergência ao centro da meta", de 4,5%, apontando a seca deste ano como uma fator de pressão sobre os preços dos alimentos e as tarifas de energia.

— É uma economia pós-crise, com menos estímulos — resumiu, classificando como um “novo ciclo de expansão da economia”, mas deixando claro que os estudos não estão concluídos.

Sobre o reajuste do preço da gasolina, em 3%, e do diesel, em 5%, a avaliação é que o impacto na inflação seja de 0,1 ponto percentual. No acumulado dos 12 meses encerrados em outubro,  o IPCA está em 6,9% acima do teto da meta, que é 6,5%

NOVO MINISTRO


Ao falar do cenário econômico, Mantega afirmou que, apesar das dificuldades, o governo deve conseguir fazer um saldo fiscal positivo (superávit) em 2014.

Sobre sua saída, reforçou que não sabe quando acontecerá e evitou fazer comentários sobre possíveis substitutos.

— Não sou a melhor pessoa para comentar o nome desses possíveis ministros — concluiu.




 

Depois de ajudar amiga Bendine entrega o cargo

Desgastado por denúncias de favorecimento a uma amiga em empréstimos concedidos pelo Banco do Brasil (BB) e BNDES, o presidente do BB, Aldemir Bendine, entregou o cargo ao ministro da Fazenda, Guido Mantega. Mas a saída dele só será anunciada oficialmente depois da nomeação do novo ministro da Fazenda. O secretário executivo da pasta, Paulo Rogério Caffarelli, deve ser convidado a assumir o comando do BB, de onde é funcionário de carreira. Entre assessores palacianos, Cafarelli é visto como o substituto natural de Bendini.

Segundo interlocutores do Planalto, Caffarelli só não ocupará o posto se não quiser ou se estiver interessado em outra colocação. A avaliação do governo é que ele conquistou espaço e pode escolher para onde quer ir, porque desenvolveu um bom trabalho na pasta.

— O cargo será oferecido a ele e só não será dele se ele não quiser - garante um interlocutor do Planalto.

Bendine foi alvo de denúncias recentes, como o financiamento concedido pelo BB à socialite Val Marchiori em condições favorecidas e o relato de seu ex-motorista, ao Ministério Público Federal, confessando que fez diversos pagamentos em dinheiro vivo a mando do chefe. Com as denúncias, Bendine ficou desgastado demais para fazer o seu sucessor.

Até o nome de Caffarelli surgir como cotado à presidência do Banco do Brasil, as apostas eram de que o vice-presidente de Varejo do BB, Alexandre Abreu, herdaria a cadeira. Entre os funcionários, era dada como certa a ascensão de Abreu porque, desde as denúncias, Bendini afastou-se das atividades do dia a dia do banco. Com isso, o vice-presidente — responsável pelo programa Bom Pra Todos — ganhou mais espaço e, na prática, é quem toca a instituição.

A indefinição deixou o BB em compasso de espera. Projetos foram interrompidos neste ano, e, por enquanto, a ordem é cortar despesas para aumentar o resultado. Até viagens dos executivos foram limitadas para melhorar o balanço.

Outra decisão é esperar 30 dias para repor funcionários que saíram do cargo. A contenção de pequenas despesas é cada vez mais importante, já que o banco diminuiu os juros há dois anos, a pedido da presidente Dilma. E não deve elevar tarifas para recompor a margem.




 

 

Metro quadrado em SP e no Rio tem menor alta desde 2008

A alta dos preços dos imóveis anunciados ficou abaixo da inflação em outubro, segundo dados divulgados pela Fipezap Na média das 20 cidades pesquisadas, o metro quadrado ficou 0,45% maior no mês – abaixo do 0,5% esperado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Em São Paulo e no Rio de Janeiro, os preços do metro quadrado dos imóveis anunciados tiveram as menores altas desde o início da série histórica do indicador, em 2008: as altas foram de 0,3% e 0,35%, respectivamente.

As duas cidades, no entanto, ainda têm o metro quadrado mais caro entre os locais pesquisados. No Rio, o custo é de R$ 10.830, e em São Paulo, de R$ 8.301. Já os menores preços por metro quadrado foram registrados em Contagem (R$ 3.340) e Goiânia (R$ 4.003).

Em duas cidades, houve queda nominal nos preços do metro quadrado: em Florianopolis, a queda foi de 0,55% em outubro ante setembro; e em Brasilia, de 0,02% na mesma comparação.

Acumulados
Desde o início do ano, os preços dos imóveis tiveram uma alta média de 5,88%. O índice é 0,75 ponto percentual superior ao IPCA do período (considerando a expectativa de inflação para outubro).

"Ou seja, em média o preço dos imóveis apresenta pequeno aumento real neste ano", diz a Fipezap em nota.

Em 12 meses, o indicador de preços dos imóveis acumulou alta de 8,23%. Foi o 11º mês consecutivo de desaceleração do indicador, desde os 1,8% registrados em novembro de 2013. O resultado, segundo a pesquisa, ressalta a tendência de desaceleração dos preços dos imóveis no país.

 

Itaú Unibanco fecha terceiro trimestre com lucro  de R$ 5,404 bi


 

Com queda na inadimplência e aumento da margem financeira, o Itaú Unibanco, maior banco privado do país, divulgou um lucro líquido de R$ 5,404 bilhões no terceiro trimestre do ano. O valor representa um crescimento de 35,3% em relação ao mesmo período do ano passado e um aumento de 10,3% em relação ao trimestre anterior. Na semana passada, o Bradesco, segunda maior instituição privada, divulgou lucro líquido de R$ 3,875 bilhões no terceiro trimestre, uma alta de 26,5%.

— O resultado veio com ativos de menor risco na carteira de credito, oferta de mais serviços e controle de despesas forte. Além disso, cresceu a margem financeira com clientes e com o mercado — explicou Marcelo Kopel, diretor corporativo e de controladoria do Itaú Unibanco.

O crescimento da margem financeira contribuiu para o crescimento do lucro do Itaú Unibanco no período. Segundo os dados divulgados pelo banco, a margem financeira com clientes atingiu R$ 13,2 bilhões, uma alta de 4,5% em relação ao trimestre anterior, quando a cifra atingiu R$ 12,7 bilhões. Em relação ao mesmo período do ano passado, o crescimento foi de 15,6%.

Já a margem financeira com o mercado (operações de tesouraria) atingiu R$ 1,08 bilhão frente aos R$ 881 milhões do trimestre anterior, representando um crescimento de 22,9% no período. Em relação ao terceiro trimestre de 2013, o crescimento foi de impressionantes 218,6%.

— Mantivemos a maior parte do nosso caixa aplicado no Brasil do que no exterior, por conta aumento de captações. Com isso, tivemos uma taxa média melhor em operações vinculadas à taxa Selic. Com clientes, a margem subiu por aumento de volume de captação, com maior quantidade de dias úteis — disse Kopel.

A carteira de crédito do banco (considerando avais, fianças e títulos privados) cresceu 3,4% no trimestre e 11,5% em 12 meses, totalizando R$ 536,2 bilhões. O banco manteve a estratégia de mudar sua carteira de crédito com oferta mais expressiva de empréstimos de menor risco.

O empréstimo consignado, por exemplo, se expandiu 21,9% no trimestre, atingindo R$ 36,4 bilhões. Em relação ao mesmo período do ano passado, o crédito consignado cresceu 77,1%. Já o crédito imobiliário teve expansão de 4,9% no trimestre e 22,4% nos últimos 12 meses, atingindo F$ 27,5 bilhões.


O crédito consignado, imobiliário e também para grandes empresas vem crescendo fortemente, com risco menor. A joint venture com o banco BMG para crédito consignado acelerou nosso crescimento. Mas nossa operação própria de consignado cresce 14% ao ano, o que mostra a capilaridade do banco — disse Kopel.

O cartão de crédito fechou o trimestre em R$ 54,3 bilhões, com expansão de 26% no ano e de 1,4% no trimestre.

INADIMPLÊNCIA TEM QUEDA

O crédito para grandes empresas cresceu 13,9% em 12 meses. Para 2015, o banco deve continuar focando na concessão de linhas de crédito com menor risco. Com esse mix, o banco conseguiu reduzir seu índice de inadimplência de 3,4% para 3,2% no trimestre, considerando atrasos de mais de 90 dias.

— É o nosso menor patamar de inadimplência desde a associação com o Itaú Unibanco, em 2008 — lembrou Kopel.

Nos números divulgados pelo Itaú houve redução dos empréstimos para pequenas e médias empresas (3,5% em 12 meses) e para a compra de veículos (13,9% em 12 meses), considerados empréstimos mais arriscados.

Mesmo com a melhora da inadimplência, o banco elevou a provisão para calotes, totalizando R$ 4,8 bilhões, um aumento de 7,7% em relação ao trimestre anterior.



O diretor do Itaú destacou a receita com serviços como outro pilar da estratégia do banco, Em 12 meses, a receita com serviços cresceu 17,6% e no trimestre teve expansão de 3,5%.

Para este ano, o Itaú prevê um crescimento de apenas 0,1% na economia brasileira. Já para 2015, a expansão prevista para o PIB é de 1,3%. Para a inflação, o banco espera que o IPCA fique em 6,5% este ano, fechando em 6,4 % em 2015.

O Itaú prevê ainda mais um aumento da Selic (taxa básica de juros) este ano, com a taxa encerrando 2014 em 10,5% e subindo a 12% no final de 2015. Para o câmbio, a expectativa do Itaú é que o dólar encerre o ano a R$ 2,50 e chegue ao fim de 2015 em R$ 2,60.

Analistas elevam projeção para Selic a 12% em 2015


 

Economistas de instituições financeiras elevaram a estimativa para a Selic no fim de 2015 a 12%, sobre 11,5% previstos antes. Entre os analistas Top 5 — os que mais acertam a previsões — a mediana de médio prazo subiu de 12% para 12,25%, mostrou a primeira pesquisa Focus do Banco Central com projeções coletadas após a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Na quarta-feira passada, O BC surpreendeu ao elevar a Selic em 0,25 ponto percentual, para 11,25%, numa decisão dividida e sob a justificativa de que os riscos para a inflação aumentaram. A alta foi bem recebida por agentes econômicos, que viram como sinal de mudança na política econômica no segundo mandato de Dilma. A pesquisa Focus levantou projeções até a última sexta-feira e, por isso, ainda deve mostrar mudanças nas contas.

O mercado em geral não mudou a estimativa mediana para a Selic em 2014, de 11%. Mas tomando-se a média das previsões, houve elevação, de 10,91% para 10,94%, o que mostra que ao menos parte dos analistas mudou sua expectativa para cima. No sistema do Focus, os agentes de mercado inserem suas estimativas a cada semana e há a possibilidade de parte deles não ter atualizado as projeções após a decisão do Copom. Entre os Top 5, a mediana de médio prazo saiu de 11% para 11,50%. Assim, esses analistas esperam mais um aumento de 0,25 ponto percentual na Selic este ano.

MAIS INFLAÇÃO EM 2015

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC tem ainda mais uma reunião neste ano, em 2 e 3 de dezembro, para definir o futuro da Selic. Apesar da elevação do juro, não se espera um alívio na inflação. Enquanto as estimativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2014 permaneceram em 6,45% na estimativa do mercado em geral e em 6,49% entre os Top 5, a mediana para 12 meses à frente subiu de 6,37% para 6,38% e a de 2015 avançou de 6,30% para 6,32%. Os Top 5 também esperam inflação de 6,38% em 2015.

Alguns analistas consideraram que ao elevar o juro, o Copom respondeu a uma desvalorização cambial e seu possível impacto sobre uma inflação que beira o teto da meta de 6,5% no fim do ano. No Focus, a mediana das estimativas para o dólar subiu de R$ 2,40 para R$ 2,45 no fim de 2014 e de R$ 2,50 para R$ 2,55 no fim de 2015.

Enquanto esperam um juro maior, os analistas também veem uma atividade mais fraca. A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano caiu de 0,27% para 0,24%. Para 2015, a previsão seguiu em 1%. Se confirmada a taxa, será a pior desde 2009, quando a economia do país encolheu 0,3%.

Já a estimativa para a produção industrial deste ano melhorou um pouco, embora ainda siga bastante negativa: saiu de queda de 2,24% para recuo de 2,17%. A previsão para 2015 seguiu em crescimento de 1,42%.

 

 

IPI para veículos  mil pode ser zerado até o fim do ano



Para estimular o setor automotivo e evitar demissões, a equipe econômica estuda, como medida emergencial, zerar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos até 31 de dezembro. O imposto — que já foi zerado em 2012 e parcialmente recomposto — tem alíquota de 3% para automóveis de até mil cilindradas e utilitários, 9% para veículos de até duas mil cilindradas (flex), e 10% para carros de duas mil cilindradas (gasolina). De acordo com a proposta em análise, o imposto seria recomposto a partir de janeiro de 2015. O objetivo da medida é impulsionar as vendas neste fim de ano e ajudar o setor a desovar um estoque de 404,5 mil unidades, nas concessionárias e fábricas. O efeito psicológico da alíquota zero pode ajudar nessa estratégia, avaliam os técnicos.

Segundo uma fonte da área econômica, o impacto na arrecadação não é relevante, porque o IPI cobrado atualmente já representa a metade das alíquotas nos segmentos beneficiados. Diante da demora na recuperação nas vendas de veículos novos, as montadoras pressionam para manter o imposto reduzido por mais tempo. A previsão inicial do governo era recompor o imposto integralmente, a partir de janeiro. Dessa forma, o IPI sobre carros de até mil cilindradas, por exemplo, seria elevado para 7%, mas a fragilidade do setor deve resultar em uma recomposição escalonada.

No discurso após a vitória na urnas no domingo, a presidente reeleita Dima Rousseff prometeu medidas pontuais para estimular a economia. O setor automotivo é considerado estratégico pelo tamanho da cadeia produtiva e participação no Produto Interno Bruto (PIB) industrial. Os bancos públicos foram orientados a concentrar esforços a fim de aumentar a concessão no crédito para veículos, com taxas reduzidas até o fim do ano.

VENDAS ACUMULAM QUEDA DE 4,4% ATÉ SETEMBRO

Na avaliação do governo, os efeitos das medidas de estímulo ao setor, anunciadas em agosto, com maior liberação de recursos para os bancos ainda são tímidos, sobretudo no financiamento de carros novos. De acordo com cálculos da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), a meta do setor de vender 310 mil unidades em outubro, ou 13,5 mil por dia, dificilmente será alcançada. Entre os dias 1º e 29 deste mês, foram licenciados 266,5 mil veículos, o equivalente à venda diária de 12,7 mil. Caso o volume de vendas atinja 292 mil unidades no fechamento do mês, o crescimento em relação a setembro, quando foram comercializados 282,8 mil, será de apenas 3%.

Os dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que o estoque de unidades subiu de 385,7 mil em agosto para 404,5 mil em setembro. As vendas no mês passado subiram 8,7% em relação ao mês anterior, mas no acumulado de janeiro e setembro, a queda é de 4,4%. O presidente da Anfavea, Luiz Moan, esteve nesta semana no Ministério da Fazenda e, na saída, disse ter discutido questões conjunturais do setor.




 

Com alta da Selic, poupança ganha de fundos

 

Com a alta da taxa básica de juros, anunciada pelo Banco Centrral, a poupança passou a render mais que fundos de renda fixa com taxas de administração superiores a 2,5% ao ano, segundo simulação da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Com isso, a recomendação é que investimentos menores sejam direcionados à caderneta, já que o custo dos fundos tende a subir quando o volume aplicado é pequeno.

O aumento da Selic beneficia os dois tipos de investimento. No caso da poupança, influencia a taxa referencial (TR), que é acrescida ao rendimento fixo de 0,5% mensais. Segundo a Anefac, a caderneta passará a ter retorno de 0,58% mensais com a taxa básica a 11,25% ao ano — desempenho superior aos 0,56% que vinha sendo obtido com a Selic a 11% ao ano. Mas leva vantagem em relação à renda fixa, pois é isenta de Imposto de Renda e não paga taxa de administração.

Pela simulação da associação, um investimento de R$ 10 mil renderia, na poupança, 7,19% ao ano, indo, em um ano, para R$ 10.719. Caso o mesmo montante fosse aplicado pelo mesmo período em um fundo com taxa de administração de 1,5%, o valor final seria maior, de R$ 10.744. Já o mais caro dos investimentos, com taxa de administração de 3%, iria para apenas R$ 10.604.

— Dependendo da taxa de administração cobrada, para pequenos valores, a poupança vai ganhar — explica Miguel Ribeiro, coordenador de pesquisa e diretor-executivo da Anefac.

EFEITO SOBRE JUROS AO CONSUMIDOR É PEQUENO

O estudo da associação mostrou ainda que, apesar de a alta de juros ter como objetivo frear o consumo, o efeito do aumento de 0,25 ponto percentual sobre os juros ao consumidor é pequeno. Com a nova Selic, os juros do cartão de crédito, até então em 10,78% ao mês, sobem para 10,8%, em média. Com isso, usar R$ 3 mil do crédito rotativo por 30 dias, que custaria R$ 323,40 com a Selic antiga, passaria a custar R$ 324, uma diferença de apenas R$ 0,60.



Para empresas, o efeito também é pequeno. Na simulação de um empréstimo de capital de giro de R$ 50 mil, com prazo de 90 dias, os juros pagos, com a Selic em 11%, seriam de R$ 2.873,35 e, com a nova taxa, passam a R$ 2.904,49, diferença de R$ 31,14.

Segundo a Anefac, isso ocorre porque existe uma diferença grande entre a taxa básica e as taxas cobradas no mercado, que registram variação de mais de 800% entre as duas pontas.




 

CEF vai financiar veículos com taxas reduzidas até dezembro


O governo federal, através do Banco Pan, braço da Caixa Econômica Federal, decidiu dar mais uma ajuda ao setor automobilístico, neste fim de ano, que amarga vendas fracas e estoques elevados. Por um acordo assinado com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), a CEF tentará estimular as vendas oferecendo financiamento de veículos nos últimos dois meses do ano com taxas de juros especiais. Além disso, a primeira parcela somente será paga após o carnaval de 2015.

— As taxas começam a partir de 0,93% ao mês. E o pagamento da primeira parcela será feito quatro meses após a compra, ou seja no dia 1º de março, após o carnaval — disse Fábio Lenza, vice-presidente de Negócios Emergentes da Caixa.

O presidente da Fenabrave, Flavio Meneghetti, disse que o setor financeiro ainda está retraído, temoroso de assumir riscos de crédito.

— Esperávamos o segundo semestre mais forte, mas o acesso restrito ao crédito segurou o setor. Por isso, essa parceria com a Caixa é importante — disse o presidente da Fenabrave, Flavio Meneghetti.

As concessionárias também terão linhas especiais de financiamento, como capital de giro para décimo terceiro salário e outras despesas de fim de ano com taxas a partir de 1,35% ao mês para pagamento em 36 meses.

Mesmo com o Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido, as vendas de veículos estão mais fracas este ano em relação ao ano passado. Dados da Anfavea, que representa os fabricantes, mostram que até setembro a queda acumulada é de 9,1%. Muitas montadoras estão freando a produção e colocando seus trabalhadores no regime de lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho) para evitar demissões.

SETOR TENTA MANTER IPI REDUZIDO

Com a reeleição da presidente Dilma Rousseff, as montadoras já se movimentam para que o IPI reduzido seja mantido. O presidente da General Motors (GM) para a América Latina, Jaime Ardila, defendeu, a retomada das negociações com o governo para a continuidade da redução do IPI também em 2015. O IPI reduzido, que foi prorrogado de julho para o final de dezembro, é considerado pelos empresários como fundamental para amenizar o quadro de queda nas vendas de veículos no país.


O IPI como está hoje faz parte da indústria. O consumidor já se acostumou com ele e, se mudar, não pode aumentar — afirmou Ardila, que espera que a Anfavea, associação que reúne as montadoras, lidere a reivindicação junto ao governo.

O presidente da Anfavea, Luiz Moan, já havia afirmado que a reeleição da presidente Dilma Rousseff poderia facilitar as negociações para renovar o benefício, já que foi no governo dela que as reduções do IPI foram mantidas para compensar a redução nas vendas de veículos.

O setor automotivo no Brasil responde por cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) da indústria nacional. Mesmo com a continuidade do benefício, as montadoras ainda esperam um início de 2015 com estoques ainda altos nos pátios das montadoras, que hoje estão com cerca de 40 dias de vendas.



 

Desafio do governo é recuperar a confiança de investidores

Encerradas as eleições, o governo brasileiro enfrenta o "desafio imediato" de recuperar a confiança dos investidores e de apresentar um "novo começo" crível para a economia, segundo relatório da agência de classificação de risco Moody's. De acordo com a agência, as perspectivas para esse "novo começo" são cruciais para a nota do país, que está hoje em Baa2, com perspectiva negativa.

"Restabelecer a confiança é importante para manter a dívida do governo em níveis suportáveis, promover o investimento do setor privado e assegurar que a resposta negativa do mercado à eleição não conduza a uma tendência de baixa nos preços dos ativos", afirma a Moody’s.

A agência aponta que um dos desafios mais imediatos da presidente Dilma Rousseff é apontar como as políticas econômicas e os objetivos de seu segundo mandato serão diferentes do primeiro.

“É possível que, na ausência de uma diretriz clara sobre a trajetória política que o governo pretende seguir, os investidores mantenham a abordagem ‘esperar para ver’, a atividade econômica permaneça restringida e os mercados financeiros sejam submetidos a correções periódicas”, afirma, em nota, o vice-presidente sênior da Moody's, Mauro Leos.

Nota
Em setembro, a Moody's alterou, de estável para negativa, a perspectiva de nota do Brasil – o que significa que ela pode ser rebaixada. Segundo a agência, a decisão "refletiu o risco crescente de que o contínuo baixo crescimento e a piora dos indicadores de dívida sinalizem uma redução na qualidade de crédito do Brasil e irão deflagrar uma migração em sentido declinante em seu rating de crédito".

Na nota, a agência afirmou que "as próximas semanas irão oferecer um panorama útil sobre se tal reversão parece possível".

Fitch
Na segunda-feira, a agência de classificação de risco Fitch também falou sobre as perspectivas após as eleições brasileiras. Segundo a agência, o cenário de dificuldades para empresas brasileira em 2015 não foi alterado com a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Segundo a agência, problemas sistêmicos como inflação e sistema tributário excessivamente complexo e ineficiente continuarão a prejudicar os fluxos de caixa das companhias.

A Fitch afirmou ainda que a demanda doméstica deve continuar fraca, uma vez que a confiança dos empresários e consumidores não vai se recuperar de maneira significativa.

 

 

 

Governo brasileiro paga quase US$ 1 bi a mais pelos 36 caças

 

A empresa sueca Saab anunciou que assinou contrato com o Brasil para o fornecimento de 36 caças Gripen NG (de nova geração), incluindo 28 aviões de apenas um motor e oito aeronaves bimotores. O valor total da encomenda é de cerca de 39,3 bilhões de coroas suecas (US$ 5,4 bilhões). Um gasto que supera em quase US$ 1 bilhão o custo anunciado pelo governo em dezembro de 2013, que era de US$ 4,5 bilhões.

Naquela ocasião, o governo brasileiro selecionou o Gripen NG para ser seu próximo caça de nova geração, através do programa F-X2, do governo federal, criado em 2001 mas que ganhou força durante a gestão do presidente Lula. Desde então, as partes vinham negociando para finalizar um contrato, sendo que o anúncio desta segunda-feira marca a conclusão desse processo.

A Saab também assinou um contrato de cooperação industrial, que incluirá transferências de tecnologia à indústria brasileira nos próximos dez anos. Uma das condições imposta pelo governo brasileiro para disputar o contrato era a garantia de que a fabricação das aeronaves fosse realizada em território nacional.

Segundo nota da Saab, a Embraer será parceira estratégica no programa. “Como parte da transferência de tecnologia, a indústria brasileira terá importante papel no desenvolvimento e será responsável pela produção do modelo Gripen NG de dois lugares para a Força Aérea brasileira”.

Três países disputaram contrato

Os municípios de São Bernardo do Campo e São José dos Campos, ambos em São Paulo, já se preparam para receber os futuros investimentos. As entregas às Forças Armadas brasileiras acontecerão entre 2019 e 2024, informou a empresa. O contrato deve entrar em vigor no primeiro semestre de 2015.


Caças de três países disputaram o contrato com o governo brasileiro, que escolheu o modelo sueco em dezembro. Além do vencedor, o sueco Gripen, estavam na disputa o americano Boeing F/A-18 Super Hornet e o francês Dassault Rafale F3. O modelo da Saab substituirá os Mirage 2000, aposentados no começo deste ano.

“Estamos orgulhosos de estar ao lado do Brasil dentro deste programa tão importante”, afirmou o presidente da Saab, Marcus Wallenberg. “O contrato com o Brasil confirma que o Gripen é o sistema de avião de combate mais capaz e mais moderno”, afirmou, em comunicado oficial, o diretor-geral da Saab, Håkan Buskhe.

Brasil e Suécia serão os primeiros países a usar a nova geração dos caças. O Gripen é usado pela Aeronáutica da Suécia, República Tcheca, Hungria, África do Sul e Tailândia.

 

Contas externas brasileiras é a maior em mais de 12 anos

As contas externas brasileiras registraram, nos doze meses até setembro, o maior déficit em mais de 12 anos, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O déficit em transações correntes, que engloba a balança comercial, os serviços e as rendas – e é um dos principais indicadores do setor externo brasileiro – ficou em US$ 83,55 bilhões no período. O resultado é equivalente a 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo a série histórica disponibilizada pela autoridade monetária, trata-se do pior resultado, em doze meses e na proporção com o PIB, desde fevereiro de 2002, quando o déficit somou 3,94% do PIB. Economistas avaliam, assim como o próprio BC, que esta é a forma mais correta de comparação histórica.

Somente em setembro, ainda de acordo com dados oficiais, o déficit das transações correntes somou US$ 7,9 bilhões – o pior resultado para meses de setembro. No acumulado dos nove primeiros meses deste ano, o resultado negativo somou US$ 62,73 bilhões, o que representa uma alta de 4% frente ao mesmo período do ano passado (US$ 60,28 bilhões).

Para todo este ano, a expectativa do Banco Central para o déficit em conta corrente permaneceu em US$ 80 bilhões.

"O crescimento [do déficit em transações correntes] ocorreu de uma forma mais clara em 2012 e 2013. E chegou a este patamar de 3,5% [do PIB], agora passando para 3,7% [do PIB]. Mas já há algum tempo. Acho que o fundamental aqui é olharmos as condições de financiamento. Continuam confortáveis. O investimento estrangeiro direto continua afluindo no país em direção a níveis expressivos. Assim, 80% do financiamento [do déficit em conta corrente] segue feito por investimento estrangeiro", declarou Tulio Maciel, chefe do Departamento Econômico do BC.

Investimentos estrangeiros diretos
O BC informou ainda que os investimentos estrangeiros diretos somaram US$ 4,2 bilhões em setembro deste ano e US$ 46,21 bilhões nos nove primeiros meses deste ano. Isso representa um aumento de 5,6% frente ao mesmo período do ano passado, quando somaram US$ 43,74 bilhões. O BC manteve em US$ 63 bilhões sua previsão para o ingresso de investimentos no Brasil em todo este ano.

Os números da autoridade monetária mostram, portanto, que o resultado negativo da conta de transações correntes, de US$ 62,73 bilhões na parcial de 2014, não foi, novamente, "financiado" em sua totalidade pela entrada de investimentos produtivos na economia brasileira – algo que já aconteceu em 2013 e que, antes disso, não ocorria desde 2001.

Quando o déficit não é "coberto" pelos investimentos estrangeiros, o país tem de se apoiar em outros fluxos, como ingresso de recursos para aplicações financeiras, ou empréstimos buscados no exterior, para fechar as contas.

Economistas alertam, entretanto, que em um cenário de crescimento menor do PIB e menor disponibilidade de recursos nos mercados (com a sinalização do fim das medidas de estímulo nos Estados Unidos), a atratividade da economia brasileira também é menor, o que pode significar um pouco mais de dificuldade no financiamento do déficit das contas externas.

O governo tem lembrado, entretanto, que as reservas internacionais brasilerias, acima de US$ 370 bilhões, conferem tranquilidade na administração das contas externas brasileiras.

Componentes das contas externas
Dentro da conta de transações correntes, as rendas, que incluem, por exemplo, as remessas de lucros e dividendos ao exterior, registraram um déficit de US$ 27,49 bilhões de janeiro a setembro deste ano - contra um valor negativo de US$ 26,21 bilhões no mesmo período de 2013.

Para todo este ano, a expectativa do BC para o déficit na conta de rendas é de US$ 39 bilhões. As remessas de lucros e dividendos (parcelas de lucros), por sua vez, somaram US$ 18 bilhões nos nove primeiros meses de 2014, contra US$ 17 bilhões no mesmo período do ano passado.

De janeiro a setembro de 2014, ainda segundo informações do Banco Central, a balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 696 milhões, contra um resultado negativo de US$ 1,76 bilhão em igual período do ano passado. Para este ano, a previsão do BC para o superávit da balança comercial (exportações menos importações) está em US$ 3 bilhões.

A conta de serviços, por sua vez, que engloba os gastos de brasileiros no exterior, registrou um déficit de US$ 35,63 bilhões nos nove primeiros meses de 2014, contra um resultado negativo de US$ 34,52 bilhões no mesmo período do ano passado. Para todo este ano, o BC prevê um déficit de US$ 46,5 bilhões para a conta de serviços.

 

Cemitério dos Empregos no Brasil

Empresários e trabalhadores têxteis e de confecções fazem instalação de cemitério em frente à feira chinesa .

Nos últimos 12 meses 14 mil postos foram fechados

Segunda-feira 27, um dia após o novo presidente do Brasil ter sido eleito, um cemitério sugirá em São Paulo. A instalação de 150 cruzes que serão enfincadas no canteiro central da Av. Otto Baumgaurten (Pavilhão Amarelo do Expo Center Norte) representará os 14 mil postos de trabalho que foram fechados nos últimos 12 meses no setor têxtil e de confecção do Brasil. A localização do cemitério é muito simbólica, pois será em frente a uma feira chinesa que já recebeu, no ano passado, o primeiro protesto da indústria da moda. De lá para cá, as coisas só pioraram. O ato não é contra a feira, mas para chamar a atenção do governo e da sociedade para a falta de competição justa e o excesso de carga tributária sobre o setor brasileiro.

A iniciativa envolve a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit),Sindicato das Indústrias de Tecelagem de Americana, Nova Odessa, Santa Bárbara d´Oeste e Sumaré (Sinditec), Sindicato de Fiação e Tecelagem de São Paulo (Sinditêxtil-SP), Sindicato das Indústrias do Vestuário de São Paulo (Sindivestuário), Confederação Nacional dos trabalhadores das Indústrias do Setor Têxtil, Vestuário, Couro e Calçados (Conaccovest), Federação dos Trabalhadores Têxteis (Fetratex) e Sindicato dos mestres e contramestres de São Paulo (Sindmestres).

Segundo as entidades, se o mercado é global, os meios e as práticas de produção também deveriam ser globais. A competição se torna injusta uma vez que os asiáticos não cumprem leis rígidas exigidas aos empresários brasileiros, como cuidados ambientais, benefícios e salários dignos aos trabalhadores. No entanto, os empresários asiáticos prosperam tranquilamente aqui no nosso país, enquanto o setor fecha postos de trabalho.

Há mais de um ano, a Abit apresentou uma proposta de Regime Tributário Competitivo para a Confecção ao governo. No estudo feito, se o RTCC fosse implantado, até 2025 o setor criaria mais 597 mil vagas e a produção cresceria 117%. Para tanto, a carga atual de tributos que uma confecção paga hoje, em média de 18%, seria fixada em 5% para todos os tamanhos de empresa. O fortalecimento da confecção irá alavancar toda a Cadeia têxtil.

Enquanto o governo não atende ao pleito do setor, o volume de vestuário importado cresceu 25 vezes na última década. Nos primeiros nove meses do ano, as importações de têxteis e confeccionados cresceram 5,7%, em valor, e as exportações caíram 6,1%, enquanto que o aumento no déficit na balança comercial foi de 8,4%, em relação ao mesmo período de 2013, segundo dados do MDIC. Somente as importações de vestuário apresentaram aumento de 10,3%, em valor, comparativamente com o mesmo período em 2013. Em toneladas essa variação foi de 7%.

Segundo dados do CAGED, nos últimos 12 meses (setembro de 2013 a agosto de 2014), o saldo de empregos no setor têxtil e de vestuário brasileiro ficou negativo em -14.082, enquanto que no período de setembro de 2012 a agosto de 2013, o saldo foi de 11.690.

O saldo entre contratações e demissões na indústria têxtil e de confecção (somente de empregados com carteira assinada), em agosto, foi de 159 contra 2.840 em igual período de 2013, mostrando uma queda vertiginosa no ritmo de contratações, mesmo em época de encomendas.

Nos primeiros oito meses do ano (janeiro a agosto), o saldo de emprego ficou em 15.632 frente aos 33.958 de janeiro a agosto de 2013. Menos da metade do ritmo que o setor desempenhava nesse período

Os índices de produção também são preocupantes, tendo reagido poucas vezes nesse ano. Segundo dados do IBGE, de janeiro a agosto de 2014 houve diminuição de - 2,9% na produção de vestuário e de - 6,6% na de têxteis em âmbito nacional.

 

 

Feirão ‘Limpa Nome’ dá descontos a consumidores de todo país

 

A partir de 4 de novembro o Super Feirão Limpa Nome da Serasa vai oferecer condições personalizadas e descontos especiais a consumidores de todo o país que quiserem renegociar dívidas. Na edição deste ano o atendimento é presencial e online. Nas edições anteriores, os descontos chegaram a 95%. O feirão ocorre em um momento no qual foi registrado um aumento de inadimplência. Segundo a Serasa, de janeiro a setembro de 2014 a inadimplência fechou com elevação de 4,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Além disso, cerca de 40% da população adulta do país, com mais de 18 anos, está inadimplente.

Segundo o superintendente do SerasaConsumidor, Júlio Leandro, este é um ótimo momento para o consumidor colocar a sua vida financeira em ordem e voltar a ter acesso a crédito: “A oportunidade de o consumidor negociar uma dívida frente a frente com a empresa aumenta as chances de um acordo mais satisfatório para ambas as partes. Cada empresa vai oferecer uma proposta individualizada, com o objetivo de facilitar a conversa e proporcionar um bom resultado ao final do acordo”.

Para participar, basta entrar no site HTTP://www.serasaconsumidor.com.br/limpa-nome-online/ e preencher um cadastro. Após isso, o consumidor será levado a uma página onde são listadas todas as empresas do Limpa Nome Online com as quais ele possui alguma dívida pendente e que constam na base de dados da Serasa.

Ao escolher e clicar no nome da empresa, surgirá uma página apresentando as dívidas que o consumidor possui em aberto e os canais de atendimento disponíveis (telefones, e-mail, chat). A partir daí, o consumidor pode entrar em contato diretamente com as empresas para negociar possíveis descontos na dívida, com condições de pagamento diferenciadas – em alguns casos, é possível até mesmo que o boleto já esteja disponível, a partir de uma proposta feita pela própria empresa. Todas as propostas são apresentadas pelas empresas credoras de forma individualizada.

Consumidor deve se preparar antes

O consumidor deve se preparar antes de negociar, colocando na ponta do lápis todas as despesas fixas e as dívidas já assumidas ou previstas. Assim, é possível saber quanto deve sobrar para pagar a nova dívida que será negociada com a empresa (ou mais, se for o caso), escolhendo quais as condições e formas de pagamento melhor se encaixam no orçamento.

“Na hora da negociação, o consumidor deve ouvir a proposta e se não estiver de acordo, é importante fazer uma contraproposta, até que ambos cheguem a uma alternativa realista. O importante é que depois de renegociada, a dívida caiba no bolso do cidadão”, aconselha Leandro.

 

Falta de chuva ajuda companhias aéreas brasileiras em setembro

 

Pelo menos um setor da economia esta lucrando com a estiagem prolongada que atinge várias regiões do Brasil: as companhias aéreas. Em setembro, a demanda doméstica subiu 3 por cento sobre um ano antes, puxada pelas viagens de passeio, informou a associação que representa o setor.

"O clima ajudou o turismo", resumiu o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, ao anunciar os números do setor sobre o mês passado. "Esta calor, o pessoal vai viajar."

As viagens de turismo compensaram com sobras a queda na procura corporativa por bilhetes, o que a Abear atribuiu a uma combinação de menor atividade econômica e cenário eleitoral, o que tem feito decisões de negócios serem postergadas.

Em geral responsáveis por cerca de 60 por cento da demanda, as viagens de negócios também garantem maior rentabilidade às empresas aéreas, já que o preço médio dos bilhetes é bem maior.

De todo modo, a maior atividade nas viagens de lazer ajudou as companhias aéreas a conseguirem maior planejamento das frotas, com o nível médio de ocupação dos voos subindo 1,3 ponto percentual sobre setembro de 2013, para 78,67 por cento.

Isso porque a oferta de assentos em aeronaves no mercado doméstico, avançou 1,3 por cento na mesma base de comparação, menos da metade do avanço da demanda.

No acumulado de janeiro a setembro, o nível médio de ocupação, chamado de "load factor", cresceu 4,2 pontos, para 79,5 por cento.

"Foram números saudáveis para a industria", disse o consultor técnico da Abear Maurício Emboaba.

Se por um lado, a maior participação do turismo aumentou a taxa de ocupação das aeronaves, por outro prejudicou a rentabilidade das empresas, reclamou Emboaba.

A entidade, que representa as companhias aéreas Gol, TAM, Azul e Avianca, reforçou o discurso para que o governo federal reveja os critérios de tributação sobre o querosene de aviação, um dos principais custos das companhias, e cuja estrutura distorcida torna as viagens mais caras do que em outros países, segundo Sanovicz.

"Durante os últimos anos, conseguimos enfrentar as adversidades da economia. Com aumento da eficiência, mas nossa lição de casa esta chegando no limite" disse a jornalistas. "Agora dependemos muito de decisões do setor público para dar previsibilidade e estabilidade" ao setor.

 

Economistas voltam a piorar projeção para o PIB do Brasil

 

Economistas do mercado financeiro voltaram a reduzir a projeção para o crescimento da economia brasileira neste ano, segundo o boletim Focus divulgado pelo Banco Central. O relatório indica que o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) crescerá 0,27% neste ano. Na semana passada, o mercado havia elevado de 0,24% para 0,28% a previsão do PIB, quebrando uma sequência de 19 revisões negativas.

O levantamento é o primeiro divulgado após o BC divulgar que a economia desacelerou e cresceu só 0,27% em agosto, de acordo com o IBC-Br, resultado bem inferior ao 1,52% de julho. Com isso, pelas contas da autoridade monetária, o país cresce só 0,04% no ano, fortalecendo o pessimismo do mercado.

A pesquisa dessa semana também piorou a perspectiva para a indústria para queda de 2,24%, contra retração de 2,16% apontada no relatório anterior.

Em relação à inflação, a projeção continuou em 6,45% para este ano e 6,3% para o ano que vem. Entre o chamado “top 5”, grupo de economistas que mais acertam as previsões, a estimativa também foi mantida em 6,51%, acima do teto da meta do governo, de 6,5%. A pesquisa manteve ainda inalterada a projeção para a taxa básica de juros, a Selic, em 11% ao ano.




 

Novelis fechará fábrica de alumínio no Brasil



A multinacional Novelis anunciou que vai fechar sua fábrica de alumínio primário no Brasil, em Ouro Preto (MG), em meio à estratégia de se focar em laminação e reciclagem do metal no país.

A unidade em Ouro Preto, aberta em 1934, será fechada até o final do ano. A fábrica emprega cerca de 350 trabalhadores e tem capacidade para produzir 18 mil toneladas métricas de alumínio primário por ano.

No ano passado, a Novelis, controlada pelo grupo indiano Aditya Birla Group, completou investimento de US$ 340 milhões na expansão de laminação no Brasil, que ampliou a capacidade de 400 mil para 600 mil toneladas anuais. Os recursos foram aplicados na fábrica de Pindamonhangaba (SP), a maior instalação industrial da empresa na América do Sul.

"A decisão de encerrar as operações em Ouro Preto é consistente com nossa estratégia global", disse Tadeu Nardocci, presidente da Novelis para a América do Sul, em comunicado.

"Além disso, o fechamento é motivado por questões sistêmicas que afetam toda a indústria de alumínio primário no Brasil e que têm impactado o custo das operações e da competitividade", acrescentou o executivo.

QUEDA NOS PREÇOS



No fim de março, a Alcoa, maior produtora de alumínio dos Estados Unidos, anunciou corte de 147 mil toneladas de capacidade em duas usinas de alumínio primário no Brasil, diante da forte queda nos preços do insumo no mercado internacional e dos custos elevados de energia no país.

A produção brasileira de alumínio primário acumula queda de 23,2% de janeiro a agosto, para 682,3 mil toneladas segundo dados da associação que representa o setor, Abal.

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) baixou de 6% para zero em agosto o imposto de importação de alumínio primário. A medida vale até agosto de 2015.

 

'Prévia' do PIB continua crescendo em agosto

Após registrar a maior alta mensal em seis anos em julho, o nível de atividade da economia brasileira continuou avançando em agosto, o que indica que o Produto Interno Bruto (PIB) poderá sair do "atoleiro" no terceiro trimestre deste ano – nos dois primeiros trimestres, o país entrou na chamada recessão técnica.

Segundo os dados divulgados pelo BC, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) – um indicador criado para tentar antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) – registrou alta de 0,27% em agosto. Neste caso, a comparação não considera as variações conforme a época do ano (ou seja, foi feita após ajuste sazonal). Foi o segundo mês seguido de expansão.

Na parcial dos oito primeiros meses de 2014, segundo o BC, foi registrada, entretanto, uma contração de 0,11%, ou seja, houve pequena queda no nível de atividade. Neste caso, a comparação foi feita sem ajuste sazonal. Já no acumulado de 12 meses até agosto, a prévia do PIB registrou alta 0,93%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o crescimento da economia. O cálculo oficial desse dado é feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostrou, no segundo trimestre, uma contratação de 0,6% na economia, após um recuo de 0,2% nos três primeiros meses do ano – o que configura, segundo economistas, um quadro de "recessão técnica".

Para o mercado financeiro, o crescimento do PIB será de apenas 0,28% neste ano. O governo federal estima um, até o momento, uma expansão de 0,9% para o PIB de 2014. O Banco Central, por sua vez, projeta uma expansão de 0,7% para 2014.

Resultados do IBC-Br x PIB
O IBC-Br foi criado para tentar ser um "antecedente" do PIB. O índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos. Os últimos resultados do IBC-Br, porém, não têm mostrado proximidade com os dados oficiais do PIB, divulgados pelo IBGE.

Em 2012, por exemplo, o IBC-Br mostrou um crescimento de 1,6%. Posteriormente, o resultado oficial do PIB mostrou uma alta menor, de 1%. O mesmo aconteceu nas últimas divulgações trimestrais do PIB, quando o indicador não correspondeu aos resultados oficiais do PIB – divulgados pelo IBGE.

O Banco Central já avaliou, em 2013, que o IBC-Br não seria uma medida do PIB, mesmo que tenha sido criado para tentar antecipar o resultado, mas apenas "um indicador útil" para o BC e para o setor privado. "Se o IBC-Br acertasse na mosca é que seria surpreendente", afirmou o diretor de Política Econômica da entidade, Carlos Hamilton, no fim de 2012.

Definição dos juros
O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo Banco Central para definir a taxa básica de juros (Selic) do país. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária. Atualmente, entretanto, os juros básicos estão em 11% ao ano e a expectativa do mercado é de que assim permaneçam até o fim deste ano.

Pelo sistema de metas de inflação que vigora no Brasil, o BC precisa calibrar os juros para atingir as metas preestabelecidas. Quanto maiores as taxas, menos pessoas e empresas dispostas a consumir, o que tende a fazer com que os preços baixem ou fiquem estáveis. Para 2014 e 2015, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Desse modo, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país e medida pelo IBGE, pode ficar entre 2,5% e 6,5%, sem que a meta seja formalmente descumprida. Em 12 meses até setembro deste ano, o IPCA somou 6,75%, segundo números oficiais do IBGE.

 

Sede de aquisições da AB InBev quer a Pepsi

 

Se a Anheuser-Busch InBev não puder tomar sua cerveja preferida, talvez ela se contente com uma Pepsi. Com quase US$ 90 bilhões em acordos fechados nos últimos dez anos, incluindo a aquisição da fabricante da Budweiser em 2008, nenhuma empresa de bebidas gasta como a AB InBev. A maior parte das especulações sobre a próxima jogada do gigante da cerveja de US$ 170 bilhões tem se focado na segunda maior cervejaria do setor, a SABMiller. No entanto, uma companhia do tamanho e com as ambições da AB InBev tem outras opções, entre elas a PepsiCo.

A AB InBev e seus assessores vêm estudando há muito tempo se uma fusão com a empresa de refrigerantes e snacks de US$ 142 bilhões tem sentido estratégica e financeiramente, disseram fontes do setor. Mas não há negociações em andamento, nem existe uma oferta iminente. O cenário é um dos muitos avaliados pela empresa, acrescentou uma das fontes, pedindo não ser identificada porque as informações são privadas. A AB InBev deveria pensar em algo além do mercado da cerveja, disse a Albert Fried Co. Assim, empresas como a Monster Beverage ou a Keurig Green Mountain, que estão ainda mais longe do núcleo da cervejeira, entrariam no seu radar. De qualquer maneira, é pouco provável que a AB InBev saia de mãos abanando.

A cultura da AB InBev está “baseada em fazer grandes acordos, dar grandes passos à frente”, disse Richard Withagen, analista da Kepler Cheuvreux em Amsterdã, em entrevista por telefone:

— É tudo especulação sobre qual será o próximo passo. Que vai haver um próximo passo é quase certeza, eu não acho que essa empresa queira apenas gerenciar o negócio sem expandi-lo.

VELHOS CONHECIDOS

A AB InBev e a PepsiCo se conhecem bem, disse uma das fontes, mencionando o acordo de engarrafamento das empresas na América Latina. Os negócios de refrigerantes e snacks da PepsiCo são atraentes em meio à desaceleração dos lucros na área da cerveja, disseram as fontes. Qualquer acordo entre as empresas teria que ser amistoso.

O motor de uma aquisição seria o custo potencial e os benefícios para a receita de vender cerveja e refrigerantes através do mesmo sistema de distribuição. A AB InBev e seus financiadores brasileiros, entre eles o bilionário Jorge Paulo Lemann, da 3G Capital, também poderiam aumentar a lucratividade da PepsiCo como fizeram após a compra da Anheuser-Busch. Lemann e seus dois velhos parceiros de negócios são proprietários da AB InBev e membros do seu conselho.

— Olhando o histórico deles, esses brasileiros sempre gostaram de histórias de autoajuda — disse Ian Shackleton, analista da Nomura Holdings Inc. em Londres, em entrevista por telefone. — A SABMiller não preenche esse requesito.

Uma opção poderia ser a Coca-Cola, disse Shackleton. Potencialmente, há mais “alavancas para puxar em termos de redução de custos” do que na PepsiCo, que já vem reduzindo gastos em meio à pressão do investidor ativista Nelson Peltz, segundo o analista.



O maior obstáculo dos alvos fora do mundo da cerveja poderia ser que a AB InBev simplesmente se sente melhor só com a cerveja.

Então sobra a SABMiller. Andrew Holland do Société Générale diz que ela é “de longe o alvo mais atraente” para a AB InBev por causa do tamanho, da posição na África e da potencial economia de custos de um acordo. Philip Gorham, analista da Morningstar, diz que uma oferta poderia custar muito e não ser do interesse dos acionistas.

—O ponto principal é que eles sempre vão ser extremamente empreendedores — disse Shackleton da Nomura. — Eles têm um estudo de caso da Pepsi? Tenho certeza. Eles têm um da Coca-Cola? Sem dúvida. Eles têm um da SABMiller? É claro que sim. Com o preço certo, na oportunidade certa, tudo é interessante.

 

 

GM, Ford, Fiat e Volks são as montadoras campeãs de reclamações

 

GM, Ford, Fiat e Volks são as montadoras mais reclamadas no Procon-SP nos oito primeiros meses do ano, de acordo com boletim divulgado pelo órgão de proteção ao consumidor. Juntas, as dez fabricantes de automóveis que mais tiveram queixas registradas no Procon no período somaram 299 reclamações. O principal problema – 61% das queixas – diz respeito a defeito no veículo. De 1° de janeiro a 31 de agosto deste ano as montadoras registraram 50 campanhas de recall no país, convocando mais de 800 mil veículos defeituosos de volta às concessionárias.

Embora sejam as últimas colocadas na lista, Peugeot Citröen e Toyota deixaram de resolver 75% das reclamações encaminhadas. A média do índice de resolução das empresas também é baixo: apenas 47,1%. Para o Procon-SP, o número ideal de solução é acima de 95%.


A GM, que concentra o maior número de reclamações no Brasil - foram 74, com índice de solução de apenas 46% - enfrenta nos EUA um longo processo judicial por conta de um problema na ignição de veículos da marca,que matou pelo menos 27 pessoas no país. O escândalo foi agravado pelo fato de a montadora ter demorado para convocar recall e sanar o problema. Só em 2014 o número de recalls da montadora nos EUA já passou de 70, somando 30 milhões de veículos afetados. O mais notório foi o recall que afetou 2,6 milhões de carros em razão das chaves de ignição defeituosas.

O Procon-SP orienta que, o consumidor que tiver problemas semelhantes ou quaisquer dúvidas sobre seus direitos, entre em contato com os canais de atendimento ou procure o Procon de sua cidade.



 

Mercado de trabalho em setembro foi o pior em 14 anos

 

O mercado de trabalho deve registrar em setembro um dos piores saldos de criação de empregos para o mês nos últimos 14 anos. Segundo fontes do governo, a geração de postos com carteira assinada não superará 100 mil. Em setembro de 2013, foram abertas 211 mil vagas. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) devem ser divulgados pelo Ministério do Trabalho na próxima semana e ficarão bem abaixo da projeção dos analistas: criação de 144 mil empregos.

Setembro costuma ser favorável a contratações, sobretudo na indústria de transformação, que se prepara para as entregas de fim de ano. Mas o setor vem fechando vagas e registra saldo negativo há cinco meses consecutivos. A estimativa de técnicos do governo é que o resultado da indústria no Caged fique positivo, mas abaixo do obtido em setembro nos últimos três anos: 60 mil postos.

Com a crise no setor automobilístico, que colocou boa parte dos trabalhadores em férias coletivas ou em regime de suspensão temporária dos contratos de trabalho, as contratações na indústria deverão ser puxadas pela produção de alimentos e bebidas. Os setores de serviços e comércio, que ainda vêm sustentando o mercado de trabalho, não devem surpreender positivamente. A agricultura virá com saldo negativo, devido à entressafra. As demissões no setor começaram em agosto e deverão ser aprofundadas em setembro.

NO ANO, EXPECTATIVA DE 700 MIL POSTOS

Para o professor Rodrigo Leandro de Moura, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV), um conjunto de fatores ajuda a explicar a desaceleração do mercado de trabalho, como a estagnação da economia por dois trimestres seguidos e a piora nas expectativas, com inflação em alta, pessimismo dos empresários e incertezas geradas pelas eleições.

— O governo não fez os ajustes necessários e o mercado de trabalho reflete a piora no cenário econômico.

A estimativa dos técnicos é que a meta de criar um milhão de empregos neste ano não será alcançada. Deverão ser gerados 700 mil novos postos.




 

Emprego na indústria  do Brasil recua 0,4%

 

O emprego na indústria registrou queda de 0,4% em agosto, na comparação com julho, informou o IBGE. Foi o quinto resultado consecutivo nesse tipo de comparação. Frente ao mesmo mês do ano passado, houve queda de 3,6% — a mesma taxa de julho, igualando a marca de pior perda desde 2009. O resultado é divulgado uma semana depois de o instituto revelar que o setor cresceu pelo segundo mês seguido em agosto.

Com a sequência de taxas negativas, o nível de pessoal ocupado no setor já acumula perda de 2,9%, só entre abril e agosto. No ano, o recuo é de 2,7% e, em 12 meses, de 2,4%. A série de cinco quedas se iguala à sequência de meses negativos do ano passado, quando o nível de emprego recuou consecutivamente de maio a setembro. Em 2013, no entanto, o recuo acumulado foi menos intenso, de 1,8%. De acordo com o IBGE, uma série negativa mais forte que essa foi observada entre outubro de 2008 e junho de 2009: nos nove meses que se seguiram ao estouro da crise, a queda acumulada do emprego na indústria foi de 7%.

Para André Macedo, gerente da pesquisa industrial do IBGE, o mercado de trabalho no setor está em linha com o momento ruim da indústria brasileira.

— Mais do que o resultado de 0,4%, o que chama mais a atenção é a sequência de resultados negativos. A melhora (na produção, em julho e agosto) é algo muito pontual para que haja algum tipo de alteração de cenário do mercado de trabalho — avalia o especislista.

RENDIMENTO AUMENTA, HORAS PAGAS RECUAM

O único indicador positivo no mês foi o valor da folha de pagamento real, que cresceu 0,5% frente a julho e acumula alta de 0,4% no acumulado em 12 meses. Segundo os cálculos do IBGE, no entanto, o resultado recupera apenas parcialmente a perda de 5,1% acumulada nos dois últimos meses. O índice recuou 1,6% na comparação com agosto de 2013.

No período, também houve recuo no número de horas pagas — que indica o nível de produção. A queda frente a julho foi de 0,8%, e, na comparação com agosto de 2013, chegou a 4,5% — a pior desde outubro de 2009, quando havia sido de 5,3%.

— Fico com a ideia de que o aumento na folha de pagamento é uma melhora em funçao de bases mais baixas — explica André Macedo.

RECUO EM 13 DAS 14 REGIÕES PESQUISADAS

A queda em agosto foi disseminada, atingindo 13 das 14 regiões pesquisadas pelo instituto — quadro um pouco melhor que o do mês passado, quando todos os locais investigados tiveram índices negativos. Neste mês, só Pernambuco registrou resultado positivo, de 0,6%.

O maior impacto veio de São Paulo, maior parque industrial do país, onde o nível de ocupação caiu 4,8%. Segundo o IBGE, a taxa foi pressionada pelo menor dinamistmo nas indústrias de meios de transportes (-7,3%), máquinas e equipamentos (-6,4%) e produtos de metal (-9,9%).

Também houve fortes quedas no Paraná (-5,2%), Rio Grande do Sul (-4,7%), Minas Gerais (-3,3%) e regiões Norte e Centro-Oeste (-2,2%).


PRODUÇÃO INDUSTRIAL DEVE ENCERRAR ANO EM QUEDA

Em julho, o criação de vagas na indústria havia tido queda de 0,7% frente ao mês anterior. Segundo analistas ouvidos pelo GLOBO na ocasião, o nível de ocupação deve demorar para reagir, já que há uma defasagem entre a produção e o mercado de trabalho, que só começa a melhorar após seguidas altas da produção.

O cenário para o ano não é positivo. O avanço de 0,7% da produção em agosto, revelado pelo IBGE na semana passada, ainda não indica uma recuperação da indústria e sequer recupera as perdas acumuladas nos quatro meses anteriores, que chegam a 3,4%. Para o fim de 2014, a expectativa é que o setor recue 2,14%, segundo o mais recente boletim Focus.





 

 

Azul e Avianca terão 21 novos voos por dia em Congonhas

As empresas aéreas Azul e Avianca ganharam direito de operar, respectivamente, 13 e 8 novos voos por dia em Congonhas, em São Paulo, informou a Agência Nacional de Aviação Civil. A decisão é resultado da distribuição de novos horários de pousos e decolagens no aeroporto, um dos mais movimentados e disputados do país.

No total, a Anac disponibilizou em Congonhas 43 novos slots, termo técnico para horário de pouso ou de decolagem. A Azul ficou com 26 e a Avianca, com 17. Como cada par de slot forma um novo voo (um pouso + uma decolagem), a primeira terá 13 novos voos e a segunda, 8. Eles serão operados de segunda a sexta e não valem para os finais de semana.

Mesmo com a decisão,TAM e Gol continuam liderando em participação em Congonhas. Elas têm ali, respectivamente, 236 e 234 slots por dia, de segunda a sexta. A Avianca, que tinha 24, passou agora a 40. E a Azul, que não realizava voos durante dias de semana no aeroporto, tem agora 26, o equivalente a 5% de participação.

As empresas terão direito a operar os novos voos entre 27 de outubro de 2014 e 29 de março de 2015. Nesse período, a Anac vai avaliar, entre outros, a pontualidade da companhias. Se houver descumprimento, elas podem perder o direito.

Concorrência
No dia 26 de setembro, a Anac anunciou que Congonhas passaria a receber mais voos a partir deste ano. De acordo com a agência, a medida vai incentivar a concorrência entre empresas, o que deve resultar em redução no preço de bilhetes.

Por hora, Congonhas opera hoje até 30 pousos e decolagens da aviação comercial (jatos de companhias como TAM e Gol) em sua pista principal. Com a decisão, passará a operar até 33, dependendo do horário. Isso significa até 1 voo e meio a mais por hora.

O limite para 30 movimentos por hora, ou slots, havia sido estabelecido após o acidente com o avião da TAM, em 2007, a maior tragédia da aviação brasileira e que deixou 199 mortos. Antes do acidente, Congonhas operava até 48 pousos e decolagens por hora. A redução aconteceu devido às suspeitas de que o acidente poderia ter relação com o uso da pista do aeroporto.

 

Inflação oficial em 12 meses sobe a 6,75%




A inflação oficial brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou alta de 0,57% em setembro, informou o IBGE. Em agosto, o avanço havia sido de 0,25%. No acumulado em 12 meses terminados em setembro, o indicador avança 6,75%, o maior neste tipo de comparação desde outubro de 2011, quando subira 6,97%. No ano (entre janeiro e setembro), o índice já avança 4,61%.

A forte aceleração no acumulado em 12 meses, que havia ficado em 6,51% em agosto, veio acima do esperado pelo mercado. Segundo a Reuters, a mediana das projeções de analistas estava em 6,64%. Com o aumento, o IPCA se distancia muito do teto da meta do governo para a inflação, que é de 6,5%.

O avanço de setembro foi puxado pelo grupo alimentação e bebidas, que, após três meses em queda, registrou alta de 0,78% A categoria teve o maior impacto sobre o resultado, respondendo por 0,19 ponto percentual do índice. Entre as maiores altas, destacam-se a cebola, que subiu 10,17% e a farinha de mandioca, que avançou 2,52%. Já o tomate recuou 9,42%. Os alimentos são responsáveis pela maior parcela das despesas de consumidores.



Carnes têm o maior impacto

A alta na categoria foi influenciada pelo avanço no preço das carnes, de 3,17%. O resultado teve peso de 0,08 ponto percentual sobre o IPCA, o maior impacto individual sobre o índice. É a maior alta das carnes desde outubro de 2013, quando o grupo também avançou 3,17%. Eulina afirma que há uma combinação de razões para a alta do produto:

— Os pecuaristas argumentam que os pastos ainda estão secos por conta da seca do início do ano. Além disso, esse período do segundo semestre é de entressafra. O Brasil é o principal exportador de carne, a arroba do boi vem subindo desde o início do ano e os mercados estão favoráveis ao mercado brasileiro. Há ainda quem diga que há especulação.

Ela explica que não se pode dizer que a alta de alimentos é generalizada, já que produtos como tomate, batata e feijão carioca têm queda.


Passagens aéreas sobem mais de 17%

O segundo maior peso veio do grupo de transportes, que acelerou a alta de 0,33%, em agosto, para 0,63%, em setembro. O grupo teve impacto de 0,12 ponto percentual sobre o índice. O resultado foi influenciado pelos preços das passagens aéreas, que subiram 17,85% no mês, com uma contribuição de 0,07 ponto percentual. Já os combustíveis caíram 0,05%. O preço do litro da gasolina recuou 0,07% e o do etanol, -0,01%. A maioria das regiões teve queda nos preços de combustíveis. A exceção ficou por conta de Salvador, onde a gasolina ficou 10,98% mais cara e o etanol subiu 12,12%.

— Foi uma alta considerável, mais que dobrou o IPCA de agosto para setembro — afirma Eulina Nunes dos Santos, da Coordenação de Índice de Preços do IBGE.

No Rio, o grupo alimentação e bebidas sobe 9,86%. Segundo o IBGE, o cenário ainda é impactado por um prolongamento do efeito Copa do Mundo.

— Rio e São Paulo vêm sendo pressionados por alimentação fora de casa. Esse movimento de Copa propiciou aumentos — afirma Eulina.

Serviços aceleram

Os serviços aceleraram os preços em setembro. Em agosto tinham subido 0,59% e agora avançam 0,77%. A alimentação fora de casa acelerou de 0,71% para 0,81%. Já aluguel residencial passou de 0,66% em agosto para 0,57% em setembro. Nos últimos 12 meses, os serviços sobem 8,58%.

Já os itens administrados passaram de 0,50% em agosto para 0,40% em setembro. Nos últimos 12 meses, avançam 5,32%.



FMI Alertou sobre inflação alta

O relatório trimestral “Panorama da Economia Mundial”, divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), mostrou que o Brasil foi a economia, entre as principais do planeta, com o maior corte na previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014. A expansão, projetada até então em 1,3%, caiu 1 ponto percentual, para apenas 0,3%, o que configura estagnação. O Japão teve revisão de 0,7 ponto, de 1,6% para 0,9%.

Segundo o organismo, a inflação continuará próxima do teto da meta em 2014 e 2015, “refletindo persistência inflacionária, constrangimentos de oferta e pressão reprimida de preços administrados”. Agora o FMI projeta a inflação ao consumidor em 6,3% em 2014 e em 5,9% em 2015, contra 5,9% e 5,5% respectivamente no relatório anterior.

FMI não descarta recessão no Brasil

A perspectiva de expansão do Brasil no momento “é relativamente fraca”, “abaixo da capacidade potencial de médio prazo”, afirmou o vice-diretor de Pesquisas do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gian Maria Milesi Ferretti, em coletiva de apresentação das novas projeções do relatório “Panorama da Economia Mundial”. Embora muito cauteloso, Ferretti não descartou a possibilidade de o Brasil viver uma recessão no conjunto dos quatro trimestres de 2014 — uma contração técnica foi registrada no primeiro semestre. Perguntado sobre este risco, o economista do FMI disse que, em vez de discutir “se o crescimento é de mais ou menos 0,1%”, preferia se focar “na perspectiva geral de crescimento”.

A recuperação dependerá muito da resolução da incerteza política associada à eleição presidencial, que contribuiu para a perda acentuada de confiança de empresários e consumidores este ano, e da queda inflação, que permitiria uma política monetária mais expansionista. Acelerar os investimentos será fator-chave para a recuperação brasileira, bem como renovar o fôlego do consumo das famílias, diz o economista.

Segundo Ferretti, o ciclo de elevação dos juros pelo Banco Central (BC) para combater a inflação alta contribuiu para a desaceleração do Brasil, que viu ceifada em 1 ponto percentual a projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014, para apenas 0,3%. O impacto do aperto política monetária, avalia, continuará, dada a persistência das pressões inflacionárias e o período longo de efeito das decisões sobre juros.

Além disso, advertiu, o cenário externo já não é tão favorável ao Brasil. Os termos de troca dos produtos vendidos ao exterior caiu e a demanda internacional por commodities, como soja e minério de ferro, não é tão forte como em anos atrás, quando a economia brasileira viveu seu auge recente. A escalada do déficit em conta corrente (resultado negativo das transações comerciais e financeiras com o resto do mundo) para cerca de 3,5% evidencia este entrave, diz Ferretti.

— Combinados esses fatores, é um panorama de crescimento modesto, claramente abaixo da capacidade potencial de crescimento do Brasil no médio prazo — afirma o economista. — Queremos focar, em vez de se o crescimento é de mais ou menos 0,1%, na perspectiva geral de crescimento, e esta permanece relativamente fraca para o Brasil, permanece relativamente fraca para a região (América Latina) como um todo, E esperamos, novamente, que a resolução da incerteza política e uma inflação mais controlada pela política monetária ajudem na recuperação da confiança, favorecendo a retomada da atividade econômica.

O Brasil sofreu a mais forte revisão de projeções de crescimento entre as principais economias destacadas pelo FMI, tanto em 2014 quanto em 2015. Segundo o documento divulgado , o corte para o próximo ano foi de 0,6 ponto percentual, para 1,4%. O Brasil é destaque negativo entre as nações emergentes. Seu desempenho no Brics — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — só não é pior do que o russo. As economias chinesa e indiana são as emergentes de grande porte mais bem posicionadas.

 

Poupança tem menor entrada de recursos em 9 anos

Os depósitos superaram os saques na caderneta de poupança em R$ 1,36 bilhão no mês de setembro, informou o Banco Central (BC) Trata-se da menor entrada líquida de recursos para meses de setembro desde 2005, quando houve a retirada de R$ 708 milhões.

No acumulado dos nove primeiros meses deste ano, a captação da poupança (depósitos menos retiradas) somou R$ 15,53 bilhões, a menor entrada de recursos para este período do ano desde 2011, quando R$ 9,49 bilhões entraram na poupança. Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve queda de 68,2% (em relação ao ingresso de R$ 48,94 bilhões em 2013).

Depósitos, retiradas e saldo da poupança
Em setembro deste ano, ainda segundo o BC, os depósitos na caderneta de poupança somaram R$ 145 bilhões, enquanto os saques ficaram em R$ 143,72 bilhões. O volume dos rendimentos creditados nas contas dos investidores alcançou R$ 3,56 bilhões no mês passado.

Com isso, o volume total de recursos aplicados na caderneta subiu em setembro deste ano. No fechamento de 2013, o estoque de recursos na poupança totalizava R$ 597,94 bilhões, subiu para R$ 638,47 bilhões em agosto e para R$ 643,41 bilhões em setembro.

Cenário econômico e baixa atratividade
Segundo economistas, o cenário econômico, com alta da inflação e do nível de endividamento das famílias, tem contribuído para a queda no volume de entrada de recursos na caderneta de poupança neste ano. Além disso, o processo de aumento dos juros básicos da economia (a Selic), implementado pelo Banco Central entre abril do ano passado e maio deste ano, diminuiu a rentabilidade da poupança frente a outras modalidades de investimento.

De acordo com cálculos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), com a estabilidade da taxa básica de juros da economia em 11% ao ano desde o final de maio, as aplicações em renda fixa como fundos de investimento mantêm mais atratividade e "ganham da poupança na maioria das situações".

Isso ocorre porque o rendimento dos fundos de renda fixa sobe junto com a Selic. Já o rendimento das cadernetas, quando a taxa de juros está acima de 8,5% (o que acontece desde agosto), é fixo em 6,17% ao ano mais a variação da TR (Taxa Referencial, que é calculada pelo BC). Segundo a Anefac, as cadernetas de poupança vão continuar mais interessantes frente aos fundos de renda fixa quando a taxa de administração cobrada por eles for superior a 2,5% ao ano.

Fundo de reserva
Especialistas avaliam que, independentemente do rendimento, a caderneta de poupança ainda é uma boa opção de investimento em alguns casos. Pode ser uma boa opção, por exemplo, para pequenos poupadores (com pouco dinheiro guardado), para pessoas que buscam aplicações de curto prazo (poucos meses) ou que procuram formar um "fundo de reserva" para emergências – uma vez que não há incidência do Imposto de Renda.

"Os investidores costumam não gostar muito da caderneta de poupança, por ser um investimento que oferece baixos valores de rendimento. No entanto, posso dizer com segurança que ela é atraente para diversas pessoas, especialmente para aquelas que querem investir para a realização de um objetivo de curto prazo. Contudo, a pessoa educada financeiramente deverá buscar outras linhas que se adequam aos sonhos de médios e longos prazos também", avaliou Reinaldo Domingos, educador financeiro e presidente da DSOP Educação Financeira.

Nos fundos de investimento, ou até mesmo no Tesouro Direto (programa do governo de compra de títulos públicos pela internet) há cobrança do imposto de renda e, na maior parte dos casos, de taxa de administração. Nos fundos de investimento e no Tesouro Direto, o IR incide com alíquota regressiva, ou seja, quanto mais tempo os recursos ficarem aplicados, menor é o valor da alíquota incidente no resgate.

 

 

Venda de imóveis novos em São Paulo cai 48% em agosto

Em agosto, foram vendidos 1.797 imóveis novos em São Paulo, uma queda de 48% em relação ao mesmo período de 2013 (3.464), segundo pesquisa do sindicato da habitação, Secovi. Em julho deste ano, 736 unidades haviam sido negociadas, representando uma variação de 144,2%.

"No primeiro mês após a Copa do Mundo, os incorporadores imobiliários responderam com o aumento da quantidade de lançamentos. Este comportamento deve se consolidar a cada mês, até o final do ano", disse Emílio Kallas, vice-presidente de Incorporação e Terrenos Urbanos do sindicato, por meio de nota.

Segundo o presidente do Secovi, Claudio Bernardes, apesar do movimento de recuperação, as vendas ainda foram tímidas, provavelmente por influência do clima eleitoral, além de incertezas quanto aos rumos políticos e econômicos do país a partir de 2015.

As vendas acumuladas de janeiro a agosto de 2014 totalizaram 11.587 unidades, resultado 48,8% inferior diante das 22.638 unidades comercializadas em iguais oito meses de 2013.

Lideraram as vendas os imóveis de dois dormitórios, com 762 unidades e participação de 42,4%. Já o segmento de um dormitório respondeu por 33,5% do volume comercializado no mês, com 602 unidades.

O VGV (Valor Global de Vendas) de agosto atingiu R$ 984,2 milhões, uma queda de 40,9% frente ao volume de R$ 1,66 bilhão registrado no mesmo mês do ano passado.

O indicador VSO (Vendas sobre Oferta) de 12 meses encerrados em agosto foi de 48,6%. Ou seja, venda média de 48,6% dos imóveis ofertados nos últimos 12 meses.

De acordo com a Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio), em agosto, foram lançadas 2.115 unidades, um aumento de 117,4% em relação às 973 unidades lançadas em julho. Frente a agosto de 2013, foi registrada redução de 30,4%.

 

Montadoras de automóveis anunciam férias

 

O aumento de quase 9% nas vendas de carros entre agosto e setembro não foi suficiente para restabelecer a confiança das montadoras na retomada na demanda. Ford, Volkswagen e Renault já anunciaram novos períodos de férias coletivas ou licenças em suas fábricas. A GM, por sua vez, abriu outro programa de demissão voluntária (PDV). A Mercedes-Benz também tem reduzido sua produção em um dia na semana, para se adequar a oferta.

Em nota, a Volks informa que dará férias coletivas a uma parte do primeiro turno produtivo de sua unidade de São José dos Pinhais, no Paraná. O período vai durar de meados de outubro até o início de novembro. “No sentido de adequar os volumes de produção à demanda de mercado, a Volkswagen do Brasil iniciará um período de férias coletivas na unidade”, limita-se a dizer, sem detalhar quantos empregados serão atingidos.

A Renault deixará quase 50% dos seus 6,5 mil empregados na fábrica paranaense em férias entre os dias 13 e 22 deste mês. A montadora explica que foi prejudicada pela baixa nas exportações à Argentina e também pela redução da demanda interna.

A Ford para totalmente a fabricação de carros e caminhões em São Bernardo do Campo de hoje até o dia 13. A medida abrange 3,5 mil empregados.

A GM, que já está com 930 funcionários com o contrato suspenso, no chamado lay off, abriu nesta quarta-feira novo PDV nas unidades de São José dos Campos e São Caetano do Sul.

Na unidade de São José dos Campos, o programa ficará aberto até dia 8. Já na planta do  ABC Paulista, até dia 6. A empresa não dá detalhes sobre, por exemplo, a expectativa do número de empregados que deve aderir ao PDV. Em todo o país a GM emprega 21 mil pessoas.




 

Indústria do Brasil volta a encolher em setembro

A indústria brasileira não conseguiu sustentar a força proporcionada pelo fim da Copa do Mundo e voltou a contrair-se em setembro, prejudicada por quedas na produção e no volume de novos pedidos, apontou o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês).

O PMI apurado pelo Markit recuou em setembro a 49,3, deixando para trás o recorde de alta de cinco meses de 50,2 registrado em agosto, quando a produção e a assinatura de novos negócios aumentaram com o fim do evento esportivo.

Com isso, volta a ficar abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração, território em que permaneceu em cinco dos últimos seis meses.

"Com o número de setembro, o PMI de indústria encerra o terceiro trimestre a 49,6, sugerindo que a indústria brasileira permaneceu em contração após encolher no segundo trimestre", destacou o economista-chefe do HSBC André Lóes.

O volume de produção na indústria, segundo o Markit, recuou em setembro pela quinta vez nos últimos seis meses, diante do enfraquecimento do mercado em geral e da proximidade das eleições, destacadamente no subsetor de bens de investimento.

Ao mesmo tempo, a demanda mais fraca afetou o volume de novos pedidos, que encolheu pela taxa mais rápida desde maio. Somente a subcategoria de bens de capital viu aumento.

Com tudo isso, os empregos na indústria foram cortados pelo segundo mês seguido em setembro, sendo que a forte queda no nível de funcionários na categoria de bens de investimento superou as contratações nas outras.

Em relação a preços, os dados da pesquisa apontaram que pela primeira vez desde agosto de 2009 houve evidências de pressão para baixo nos custos de insumos. Com isso, os preços dos produtos caíram em setembro pela segunda vez em mais de dois anos e meio, com os entrevistados atribuindo isso ao enfraquecimento do mercado.

Em julho a produção industrial brasileira, último dado disponível, chegou a crescer após cinco meses de queda, com alta de 0,7%, mas analistas não consideraram o resultado como o início de tendência de recuperação para o setor.

Na quinta-feira o IBGE divulga os dados de agosto da produção, e pesquisa da Reuters aponta crescimento muito baixo, de apenas 0,1% sobre julho, dando pouco sinais de recuperação da recente crise.

As perspectivas para o setor neste ano são negativas, em meio a baixos níveis de confiança. Pesquisa Focus do Banco Central mostra que a projeção de economistas de instituições financeiras é de que o setor vai encolher 1,95% em 2014, quando o Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar apenas 0,29%.

 

Ambev passa Petrobras e tem maior valor de mercado

 

A Ambev superou a Petrobras como a empresa com maior valor de mercado da América Latina, segundo levantamento da consultoria Economatica. Enquanto a indústria de bebidas chegou a valer US$ 103,2 bilhões, a petroleira atingiu US$ 96,36 bilhões.

Na véspera, a ação preferencial da Petrobras registrou queda de 11,08%, liderando as perdas do Ibovespa, após divulgação de duas pesquisas na sexta-feira (26) mostrando a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, avançando na corrida presidencial.

Segundo dados da Economatica, entre todas as empresas de capital aberto da América Latina e Estados Unidos com valor de mercado acima de US$ 100 bilhões, a Petrobras é a única com queda do preço das suas ações e valor de mercado no período entre 31 de dezembro de 2010 e 26 de setembro de 2014.

As ações preferenciais da empresa caíram 38,18%, enquanto os papéis ON tiveram queda de 50,59%, considerando os preços em dólar. Já o valor de mercado da Petrobras caiu de US$ 228 bilhões para US$ 108 bilhões no período.

 

BC reduz previsão de crescimento do Brasil

 

O Banco Central derrubou a previsão de crescimento para este ano de 1,6% para 0,7% por causa de queda nos investimentos, desaceleração do consumo das famílias, retração na indústria e agricultura menos dinâmica. A autarquia ainda não espera uma grande recuperação da atividade econômica no ano que vem. De acordo com o relatório trimestral de inflação, divulgado nesta segunda-feira, a autoridade monetária aposta numa expansão de apenas 1,2% no acumulado em um ano ao fim do segundo trimestre, o limite de projeção do BC.

É a segunda vez este ano que a autoridade monetária reduz a previsão para o PIB brasileiro em 2014. Na semana passada, o governo federal reduziu de 1,8% para 0,9% a previsão de avanço da economia este ano, em relatório do Ministério do Planejamento. Mas, ainda assim, as duas projeções estão muito acima das expectativas do mercado: pesquisa do BC divulgada nesta segunda-feira mostra que os analistas reduziram pela 18ª semana seguida as previsões para o PIB brasileiro, desta vez de 0,3% para 0,29%. Em 2015, a estimativa permaneceu em 1,01%.


Nesse cenário traçado pelo Banco Central, o investimento deve encolher, em 2014, muito mais que o estimado no relatório trimestral de junho. A previsão passou de uma queda de 2,4% para nada menos que corte de 6,5%. Já o consumo das famílias deve desacelerar. O crescimento dos gastos do brasileiro — combustível do crescimento nos últimos anos — deve ficar em 1,6%. A aposta anterior era de 2%.

Nas perspectivas do BC, a agropecuária não deve ter um resultado tão bom quanto o esperado anteriormente. E a indústria deve amargar uma retração maior que o estimado antes, apesar do bom desempenho dos setores de extração mineral e petróleo.

BC: Melhora depende da confiança do comsumidor

O BC pondera que esse ritmo de crescimento menor tira pressão sobre a inflação e isso é benéfico para a economia. O Comitê de Política Monetária (Copom) vê um alinhamento entre oferta e demanda e espera mudanças estruturais nesse sentido, ou seja, o consumo dos brasileiros tende a desacelerar e o investimento ganhar força. A expectativa é que o cenário externo contribua para o desenvolvimento do país com aumento de competitividade do setor produtivo.

“Na visão do Copom, as mudanças (...) antecipam uma composição do crescimento de médio prazo mais favorável ao crescimento potencial. Nessa direção também apontam avanços em qualificação da mão de obra e o programa de concessão de serviços públicos. Nesse contexto, o Comitê entende que, em prazos mais longos, emergiriam bases para ampliação da taxa de investimento da economia, para uma alocação mais eficiente dos fatores de produção e, consequentemente, para que as taxas de crescimento do PIB efetivo retomassem patamares mais elevados e até mesmo para que o crescimento potencial aumentasse”, ressalta o BC no relatório. “O Comitê ressalta, contudo, que a velocidade da materialização das mudanças acima citadas e dos ganhos delas decorrentes depende do fortalecimento da confiança de firmas e famílias”.

Há alguns meses, o Banco Central tem mostrado preocupação crescente com o desenvolvimento econômico. Por isso, mesmo num cenário de inflação resistente, parou de aumentar os juros básicos em maio para não sacrificar a atividade econômica.

O Comitê de Politica Monetária interrompeu o mais longo ciclo de aperto monetário da sua história e deixou a taxa básica (Selic) em 11% ao ano. Esse é o principal instrumento do BC para controlar a inflação.

Enquanto isso, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado oficialmente no sistema de metas, está acima do limite permitido. A meta é de 4,5% com uma margem de tolerância de 2 pontos percentuais. No entanto, o IPCA está em 6,51% no acumulado nos últimos 12 meses.

A previsão do BC para a inflação neste ano caiu levemente de 6,4% para 6,3% neste ano. É praticamente a mesma esperada pelo mercado financeiro de 6,31%. Para o ano que vem, o BC aumentou a projeção para a inflação de 5,7% para 5,8%. Já os economistas do mercado financeiro projetam IPCA de 6,3%.



Para a taxa básica Selic, economistas elevaram a expectativa de 11,25% ao ano para 11,38% em 2015. Para este ano, a perspectiva permaneceu em 11%.

O BC vê um quadro favorável para o controle da inflação no futuro. A esperança é que a pressão sobre os preços podem até desaparecer no ano que vem.

“O Copom pondera que, apesar de a inflação ainda se encontrar elevada, pressões inflacionárias ora presentes na economia — a exemplo das decorrentes dos (...) processos de realinhamentos de preços e de ganhos salariais incompatíveis com ganhos de produtividade — tendem a arrefecer ou, até mesmo, a se esgotarem ao longo do horizonte relevante para a política monetária”, diz o relatório.




 

Congonhas dá mais espaço a Azul e Avianca

 

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) anunciou uma realocação nos slots (espaço para pousos e decolagens) no Aeroporto de Congonhas, que vai beneficiar as emprestas entrantes como Azul e Avianca. Com a mudança, o número de movimento que estava limitado desde o acidente com o avião da TAM, em 2007, a 30 por hora na pista principal, sobe para 32 e 33 para aviação comercial dependendo do horário. Para isso, a Anac retirou espeço da aviação geral (jatinhos executivos) de quatro movimentos por hora para dois ou um, também dependendo do horário.

Uma portaria publicada  no Diário Oficial da União hoje define o calendário para aalocação dos slots, que começa no dia 30 de novembro.

A partir de agora o órgão promete analisar rigorosamente os requisitos de regularidade ( não cancelamento de voos) e pontualidade por parte das empresas que operam no aeroporto. Quem não cumprir os horários perderá espaço no aeroporto, que serão entregues aos concorrentes, assim como terá que pagar multas.

A Anac justifica que a medida “ incentiva a concorrência e melhores preços, sem representar um aumento da capacidade do aeroporto, que permanece operando dentro das regras de segurança da aviação civil”

 

Taxa de desemprego no Brasil é preocupante

 

A taxa de desemprego ficou praticamente estável em agosto, em 5%, nas seis principais regiões metropolitanas do país (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre), segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) divulgada  pelo IBGE. É a menor taxa para meses de agosto da série histórica, iniciada em março de 2002.

O instituto informou que a taxa de desocupação total foi de 4,9% em julho, de 4,8% em junho e 4,9% em maio. É a primeira vez, desde o fim da greve de mais de 70 dias que atingiu o instituto, que a taxa é divulgada para o total das regiões pesquisadas. Desde maio, a taxa vinha sendo divulgada apenas parcialmente, para quatro regiões, com exceção de Salvador e Porto Alegre.

O rendimento médio ficou em R$ 2.055,50, registrando alta de 1,7% em relação a julho e de 2,5% na comparação com agosto de 2013. O emprego com carteira assinada subiu 0,7% em agosto frente a julho e 0,4% em relação a agosto de 2013.

FORÇA DE TRABALHO AUMENTA PELA 1ª VEZ NO ANO

Foi a primeira vez no ano que o contingente de pessoas na força de trabalho (empregadas ou à procura de emprego) e a ocupação aumentaram. A ocupação subiu 0,8% em relação ao mês anterior e teve leve queda na comparação com o mesmo mês do ano passado. Já o contingente de desocupados ficou em 1,221 milhão de pessoas nas seis regiões, um avanço de 3,3% em relação a julho e uma queda de 5,8% na comparação com agosto do ano passado.


Segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, não foram geradas vagas suficientes para atender a demanda, com tendência de alta.

— Foi a primeira vez que a ocupação cresceu no ano. Essa ocupação foi concentrada de forma significativa na construção civil em São Paulo e em postos de saúde e educação pública e privada — afirmou.

NO RIO, TAXA CAI PARA 3%

Azeredo afirmou que o aumento da força de trabalho pode ter sido resultado da queda de rendimento em meses anteriores. Entre maio e junho a renda média caiu 1,5%.

A região metropolitana do Rio registrou a menor taxa de desemprego entre todas as regiões pesquisadas. A taxa de desocupação caiu de 3,6% em julho para 3% em agosto. Foi a menor variação registrada pela região metropolitana, considerando todos os meses, desde o início da série em 2002. Em relação a agosto de 2013, a taxa caiu 1,5 ponto percentual de 4,5% para 3%. Já em Porto Alegre, subiu de 1,4 ponto percentual, de 3,4% para 4,8%, nessa comparação.



NA PNAD 2013

A divulgação ocorre em meio à crise institucional que vive o instituto. Na semana passada, o IBGE informou que errou na sua principal pesquisa. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2013), que mostra o retrato socieconômico mais amplo do país, com dados de mercado de trabalho, educação e acesso a bens do país, teve o peso de regiões metropolitanas em sete estados (Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul) superestimado.

Como nessas regiões o rendimento costuma ser mais elevado que no interior dos estados, houve impacto no cálculo de concentração de renda, além da taxa de analfabetismo, trabalho infantil, entre outros.




 

Executivos da Embraer são acusados de suborno

O Ministério Público abriu uma ação criminal contra oito empregados da Embraer, informou o “Wall Street Journal”. Eles são acusados de subornar autoridades da República Dominicana para garantir a aprovação de um contrato de US$ 92 milhões para o fornecimento de caças Super Tucanos às Forças Armadas do país.

A ação criminal, a qual o “Journal” teve acesso, corre em segredo de Justiça e marca uma das primeiras tentativas das autoridades brasileiras de processarem cidadãos do país por pagamento de propina no exterior. O processo obteve ajuda do Departamento de Justiça americano e da Securities and Exchange Commission (SEC, o xerife do mercado financeiro americano).

As agências americanas também estão investigando os acordos da Embraer na República Dominicana e em outros países e forneceram às autoridades brasileiras provas dos delitos, segundo o pedido de ajuda legal feito por procuradores brasileiros.

Empresa de ponta

A Embraer, uma das companhias brasileiras de maior destaque, é a terceira maior fabricante de aviões comerciais em volume de vendas e emprega mais de 18 mil pessoas em suas fábricas em Brasil, China, Portugal, França e Estados Unidos. A empresa tem suas ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE).

“Uma vez que o assunto é objeto de uma investigação em andamento no Brasil e nos Estados Unidos, a companhia não pode comentar mais detalhadamente sobre qualquer aspecto do caso, inclusive com respeito ao procedimento no Brasil, onde a empresa não é alvo de investigação”, informou a Embraer em um comunicado.

A Embraer informou em 2011 que estava sendo investigada nos Estados Unidos por suposta violação da Lei Internacional de Práticas de Corrupção. Como as ações da Embraer são negociadas na NYSE e porque alguns dos supostos pagamentos de suborno passaram pelos Estados Unidos, as autoridades americanas têm autorização para investigar a companhia. Porta-vozes do Departamento de Justiça e da SEC não quiseram comentar a reportagem do “Journal”.

Já o Ministério Público brasileiro apresentou uma queixa-crime de 31 páginas num tribunal do Rio de Janeiro em agosto passado, o primeiro passo para um processo criminal. O representante do Ministério Público também não quis comentar o caso.

Pagamento ao coronel

O processo alega que executivos do setor de vendas da Embraer ofereceram US$ 3,5 milhões para subornar um coronel da reserva da Força Aérea dominicana, que, por sua vez, pressionou parlamentares locais para aprovar a compra dos caças por meio de um acordo de financiamento entre a República Dominicana e o BNDES. A venda foi concluída e os caças entregues.

O coronel da reserva, Carlos Piccini Nuñez, atuava como diretor de projetos especiais para as Forças Armadas da República Dominicana em 2008, quando ocorreram as negociações. O contrato previu a entrega de oito caças Super Tucanos, de propulsão turbo para apoio em missões de ataque. Essas aeronaves têm feito sucesso entre as Forças Aéreas de países em desenvolvimento, por seu baixo custo e disponibilidade.


Segundo o “Journal”, a Força Aérea da República Dominicana e o Ministério da Defesa do país não responderam aos pedidos de entrevista com Piccini.

Segundo a reportagem do jornal americano, a ação criminal alega que o vice-presidente de vendas da Embraer, Eduardo Munhós de Campos, prometeu pagar a propina, e auxiliou no arranjo dos pagamentos feitos por Orlando José Ferreira Neto, outro vice-presidente; os diretores regionais Acir Luiz de Almeida Padilha Jr., Luiz Eduardo Zorzenon Fumagalli e Ricardo Marcelo Bester; e os gerentes Albert Phillip Close, Luiz Alberto Lage da Fonseca e Eduardo Augusto Fernandes Fagundes.



 

 

Dilma rebate ‘espanto’ após saque de R$ 3,5 bi do Fundo Soberano
 

A presidente Dilma Rousseff afirmou, em conversa com a imprensa após discursar na Cúpula do Clima das Nações Unidas, que “é estranhérrimo” e "estarrecedor" o modo como repercutiu no Brasil o anúncio de que o governo está sacando R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano — poupança de sobras orçamentárias — para fechar as contas de 2014. Segundo Dilma, o mecanismo foi criado em 2008 exatamente para a situação corrente, em que o país, e consequentemente a arrecadação, está crescendo menos.

— Nas vacas gordas, você tem dinheiro. Nas vacas magras, tem menos dinheiro. Um fundo soberano, criado em 2008 porque tivemos uma arrecadação e todo um desempenho a melhor, foi feito para ser usado quando? Quando o país precisasse, porque ele tem característica contracíclica, e foi criado exatamente assim. É estarrecedor que questionem o uso do Fundo Soberano quando o país cresce menos do que crescia quando o Fundo foi formado. Ele foi feito para isso.

Segundo a presidente, irresponsabilidade teria sido gastar o dinheiro em qualquer outra situação:

— Tivemos uma atitude séria, sistemática, de guardar para o futuro. E agora é a hora de usar. Estranho muito esta forma de tratar o Fundo soberano, esse espanto. Esse espanto é por quê? Aliás, (o Fundo Soberano) foi feito nos nossos governos. Eu era ministra da Casa Civil, sei exatamente quando ele foi formado e em que condições, e com quais razões. Poderíamos ter gasto o dinheiro com qualquer coisa. Não, nós guardamos o dinheiro. Para usar de forma contracíclica, ao invés de piorar a situação quando o crescimento é menor, você usa esse dinheiro para melhorar a situação.

Dilma negou ainda que o saque dos recursos da colchão para momentos difíceis signifique que o Brasil está em crise.

— Significa que hoje o crescimento é menor do que antes e você age para ampliar (o crescimento) — rebateu a presidente.




 

Preços do etanol caem em nove estados e no DF

Os preços do etanol hidratado nos postos brasileiros caíram em nove estados e no Distrito Federal, subiram em outros 15 e permaneceram estáveis em Rondônia e no Amapá na semana encerrada no sábado (20). Na semana anterior, houve queda em 12 estados, alta em outros 13 e estabilidade em Rondônia e no Distrito Federal.

Os dados são da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e mostram que no período de um mês os preços do etanol caíram em sete estados, subiram em outros 18 e ficaram estáveis em São Paulo e Distrito Federal.

Principal estado consumidor, São Paulo viu a cotação subir 0,32% na semana passada, para R$ 1,875 o litro. Na semana, o maior avanço das cotações foi registrado no Mato Grosso (5,47%), enquanto o maior recuo ocorreu em Goiás (2,48%). No mês, a maior queda ocorreu justamente em Goiás (5,37%) e o avanço mais significativo, na Bahia (10,11%).

No Brasil, o preço mínimo registrado para o etanol foi de R$ 1,499 o litro, no estado de São Paulo, e o máximo foi de R$ 3,20 o litro, no Acre. Na média, o menor preço foi de R$ 1,875 o litro, em São Paulo. O maior preço médio foi verificado no Acre, de R$ 2,944 o litro.

 

Genéricos são em média 57,37% mais baratos em SP

Pesquisa da Fundação Procon-SP mostra que os medicamentos genéricos são em média 57,37% mais baratos do que os de referência na cidade de São Paulo.

O levantamento identificou diferença de até 875,84% nos preços de um mesmo medicamento genérico nas farmácias. O medicamento Nimesulida, 100 mg, 12 comprimidos, por exemplo, custava R$ 1,78 em um estabelecimento e em outro, R$ 17,37.

Quanto aos de referência, a maior diferença encontrada foi de 280,06%. O Amoxil (Amoxicilina), da Glaxosmithkline, 500 mg, 21 cápsulas, foi encontrado em um estabelecimento da capital paulista pelo preço de R$ 15,50 e em outro, por R$ 58,91.

A pesquisa, realizada em agosto, envolveu 15 drogarias, distribuídas pelas cinco regiões do município de São Paulo, onde foram pesquisados 56 medicamentos, sendo 28 de referência e 28 genéricos. Segundo a diretora de estudos e pesquisas do Procon-SP, Valéria Garcia, na comparação entre preços de medicamentos de referência e genéricos, observa-se que a diferença é grande e os medicamentos genéricos são, em geral, mais baratos. “Mas é bom lembrar que um genérico de um mesmo laboratório também pode apresentar preços diferentes entre as drogarias. Logo, é essencial a pesquisa de preços sempre aliada à recomendação e prescrição médica”, diz.

Interior de SP
No interior paulista, São José dos Campos foi a cidade onde os preços variaram mais: a maior diferença encontrada nos genéricos foi de 881,38%, e de 300,06% para remédios de referência.

O levantamento foi feito em Araçatuba,Bauru,Caçapava,Campinas,Guarujá,Jacareí,Ribeirão preto,Santos,São Vicente, São José dos Campos,São José do Rio Preto e Sorocaba.
Recomendações
De acordo com o Procon-SP, vários fatores são determinantes de preço, como aplicação de descontos que varia de acordo com as condições locais de mercado, rentabilidade da loja, condições comerciais de compra; políticas comerciais diferentes para cada canal de venda (loja física, telefone e loja virtual); redes regidas pelo sistema de franquia, no qual não há uma política única de preços entre os franqueados.

O Procon recomenda que o consumidor faça uma criteriosa pesquisa de preço consultando a lista de Preços Máximos (PMC) dos medicamentos, disponível no site da Anvisa (www.anvisa.gov.br). A consulta também poderá ser efetuada nas listas de preços que
devem estar disponíveis ao consumidor nas unidades do comércio varejista, ou seja, nas
farmácias e drogarias.

"Munido dessa informação o consumidor deve comparar os preços dos medicamentos
entre os diversos estabelecimentos, como também os da própria rede, já que podem
variar significativamente."

 

 

BC vê 'provável fim do ciclo de redução da inadimplência'

 

A inadimplência na carteira de crédito doméstico fechou em 3% em junho de 2014, índice estável em relação a dezembro de 2013, depois de três semestres consecutivos de redução, "indicando o provável fim do ciclo de redução da inadimplência".

A avaliação é do Banco Central, por meio do relatório de estabilidade financeira, que avaliou o sistema financeiro nacional no primeiro semestre deste ano.

"Esse comportamento é explicado por um ritmo menos acentuado de queda da inadimplência nos bancos privados, cuja diminuição no semestre foi de apenas 0,1 ponto percentual, e pelo aumento de 0,2 ponto percentual nos bancos públicos. Constatam-se também comportamentos diferentes na análise por pessoa jurídica e pessoa física. No primeiro caso, houve aumento de 0,2 ponto percentual; no segundo, redução de 0,1 ponto percentual", acrescentou a autoridade monetária.

O último dado divulgado pela autoridade monetária sobre a inadimplência refere-se ao mês de julho, quando a inadimplência nas operações bancárias das pessoas físicas com recursos livres atingiu 6,6% -o maior patamar desde maio deste ano, quando estava em 6,7%. Já a taxa de inadimplência das operações dos bancos com as empresas, ainda no segmento com recursos livres, subiu de 3,4% para 3,5% em julho. A taxa geral, para recursos livres, atingiu 4,9% em julho – maior nível desde maio deste ano (5%).

Medidas de estímulo ao crédito
O aumento da taxa de inadimplência das famílias e das empresas acontece em um momento no qual governo anunciou medidas de estímulo ao crédito com o objetivo de tentar ajudar o crescimento da economia brasileira - que vem registrando baixos níveis neste ano.

Em agosto, o Banco Central anunciou duas medidas que vão liberar cerca de R$ 25 bilhões para os bancos emprestarem aos seus clientes. Em julho, a instituição já havia liberado R$ 45 bilhões para os bancos emprestarem.

Além disso, o Ministério da Fazenda também anunciou medidas para medidas para facilitar a compra de imóveis financiados, além da concessão do crédito consignado para trabalhadores do setor privado e para retomada de garantias – como automóveis e caminhões – pelos bancos, em caso de inadimplência.

Proteste recomenda cautela
A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) recomendou que as pessoas pensem duas vezes antes de adquirir um novo empréstimo. "As instituições financeiras poderão retomar mais facilmente os bens financiados. Devemos ter em mente a situação do tomador de crédito hoje, que já se encontra endividado e que, num cenário de juros elevados, não tem para onde correr", avaliou a entidade.

 

 

Comércio de SP tem alta de 10,1% nas vendas

O varejo da cidade de São Paulo teve alta média de 10,1% nas vendas na 1ª quinzena de setembro em comparação com o mesmo período de 2013, segundo balanço da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). De acordo com a entidade, o comércio foi beneficiado por dois dias úteis a mais.

As comercializações a crédito, medidas pelo Indicador de Movimento do Comércio a Prazo (IMC), saltaram 11,8%, impulsionadas pela concessão de crédito por parte de bancos oficiais, ajudando o financiamento de bens duráveis. Já as vendas à vista, segundo o Movimento de Cheques (ICH), cresceram 8,4% na quinzena.

“Esse avanço em setembro ajuda a compensar as quedas nas vendas no 1º semestre, que teve dias úteis perdidos em razão dos feriados e da Copa”, diz Rogério Amato, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de SP (Facesp). Desde 1º de janeiro, as vendas a prazo e à vista aumentaram 1,5% e 2,1%, respectivamente, ante o mesmo período de 2013, avanço moderado no ano de 1,8%, explicado por fatores como alta taxa de juros, crédito mais restrito por parte de bancos privados, queda da confiança do consumidor e incerteza no campo político. Em relação à 1ª quinzena de agosto, as vendas a prazo apresentaram alta de 9,9%, com o mesmo número de dias úteis. As vendas à vista caíram 20,2% na 1ª quinzena de setembro. A queda foi sazonal, já que em agosto os consumidores escolheram presentes de pequeno valor de uso pessoal para o Dia dos Pais, comprados à vista.

Inadimplência
O Indicador de Registro de Inadimplentes, que mede a entrada de registro de consumidores inadimplentes, apresentou, na 1ª quinzena de setembro, altas de 4,1%, 10,3% e 1,8% nas comparações mensal, anual e no acumulado. Para o Indicador de Recuperação de Crédito, que aponta os cancelamentos de dívidas, houve crescimentos de 12,7%, 6,9% e 2,2% nas mesmas comparações.

De acordo com o Instituto de Economia da ACSP, os dados sinalizam uma provável elevação da inadimplência em setembro em relação a 2013, mas não são motivo de preocupação, diante dos recebimentos de parcelas do 13º salário dos aposentados e, posteriormente, dos trabalhadores ativos, além da reabertura das campanhas de renegociações de dívidas.

 

 

Gasolina fica mais cara e puxa avanço da inflação pelo IPC-S

 

O preço da gasolina voltou a subir e puxou o avanço da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S). Da primeira para a segunda semana de setembro, o indicador passou de 0,21% para 0,39%.

A gasolina, cuja variação ficou em 0,46%, depois de recuar 0,31% no início do mês influenciou o grupo de gastos com transportes (de 0,03% para 0,28%). Nesta apuração, todas as oito classes de despesa componentes do índice apresentaram acréscimo em suas taxas de variação.

Também registraram avanços os grupos de alimentação (de 0,29% para 0,43%); educação, leitura e recreação (de 0,22% para 0,64%); habitação (de 0,35% para 0,46%); comunicação (de -0,45% para 0,09%); vestuário (de -0,21% para -0,01%); despesas diversas (de 0,16% para 0,20%); e saúde e cuidados pessoais (de 0,51% para 0,53%).

Veja a variação de preços de produtos:
Carnes bovinas (de 1,08% para 1,91%)
Show musical (de 0,36% para 2,35%)
Tarifa de eletricidade residencial (de 0,23% para 0,99%)
Pacotes de telefonia fixa e internet (de 1,23% para 3,06%)
Roupas (de -0,35% para 0,04%)
Alimentos para animais domésticos (de -0,60% para 0,03%)
Médico (de 0,74% para 0,90%)

 

Acionistas do Santander aprovam aumento de capital

Acionistas do Santander aprovaram em assembleia extraordinária a emissão de até € 4,7 bilhões em um aumento de capital para adquirir a fatia que o banco espanhol ainda não possui na sua unidade brasileira. A operação contemplará a emissão de até 665 milhões de ações do banco, o equivalente a 5,62% do Santander.

Durante a assembleia, a nova presidente do Conselho de Administração do Santander, Ana Botín, disse que, com a aprovação da oferta para comprar os 24,75% do Santander Brasil que o espanhol ainda não detém, a política de diversificação do grupo se fortalece, sendo "chave para consolidar essa nova fase de crescimento de nossos lucros".

Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliário (CVM), o Santander Brasil disse que aguarda as últimas autorizações regulatórios para dar início à permuta de ações. Após o processo de troca ser concluído, os acionistas minoritários da unidade brasileira passarão a deter certificados de depósitos de valores mobiliários (BDRs) do Santader Espanha.

O Brasil, que ao lado do Reino Unido é um dos motores dos resultados do banco, é um dos dez mercados nos quais o Santander conta com uma presença significativa em nível mundial.

Ana Botín aproveitou para enviar uma mensagem de confiança a respeito da economia brasileira ao destacar que ela "superará o período de desaceleração econômica pelo qual está passando".

A executiva também sinalizou que a transação permitirá ao banco um aumento nos lucros por ação do grupo nos próximos anos "graças às perspectivas favoráveis de nosso banco no Brasil", disse.

Além disso, Ana Botín defendeu que a operação no Brasil representa um impulso para a política do grupo de ter subsidiárias listadas em bolsas de valores.

Sobre seu possível sucessor no comando do Santander Reino Unido, Botín não quis fazer comentários, mas sinalizou que uma decisão será tomada em breve.

DISCURSO EMOTIVO

Em sua primeira aparição pública como presidente do Conselho do Santander, Ana Botín protagonizou um discurso emotivo ao defender o legado de seu pai, apostando em continuar com a estratégia de diversificação do grupo e priorizando a política de dividendos.

Em seus cerca de trinta anos na presidência do banco, ele colocou o Santander como primeira entidade da zona do euro e um dos primeiros dez bancos do mundo em capitalização de mercado", disse Botín em tributo ao seu pai, Emilio Botín, falecido na última terça-feira após um ataque cardíaco, aos 79 anos.

"A atenção a vocês (acionistas) foi sempre uma de suas prioridades e o dividendo, objeto principal de atenção para o banco", afirmou Botín, nomeada presidente do Conselho na quarta-feira passada por unanimidade, após ressaltar que seguiria com tal estratégia.

Diante de possíveis reservas expressadas por parte de alguns investidores quanto ao fato de o banco seguir comandado por um membro da família Botín pela quarta geração, a nova presidente do Conselho se limitou a dizer que foi nomeada a partir de uma proposta da comissão de nomeações e "em linha com os mais altos padrões de governança corporativa".



 

Inflação da baixa renda acumula alta de 6,22% em 12 meses

 

A inflação da baixa renda medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1) acumula alta de 4,01% no ano e de 6,22% nos últimos 12 meses, segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV). De julho para agosto, o indicador não mostrou variação.

As taxas de inflação para a baixa renda ficaram abaixo das registradas para o conjunto da população, calculadas pelo IPC – de 0,21% no mês passado e de 6,76% no acumulado em 12 meses.

Das oito classes de despesa que integram o cálculo do índice, três apresentaram acréscimo em suas taxas de variação: alimentação (de -0,59% para -0,03%); saúde e cuidados pessoais (de 0,14% para 0,20%); e educação, leitura e recreação (de 0,25% para 0,38%).

Nestes grupos, os destaques partiram dos itens: hortaliças e legumes (de -13,29% para -7,11%), artigos de higiene e cuidado pessoal (de -0,12% para 0,37%) e passagem aérea (de -15,31% para 8,80%).

Na contramão, foi registrada desaceleração na variação dos grupos de transportes (de 0,25% para -0,25%); habitação (de 0,36% para 0,23%); comunicação (de -0,07% para -0,93%); vestuário (de -0,10% para -0,48%); e despesas diversas (de 0,14% para 0,12%).

Nesta classes de despesa, destacam-se os itens: tarifa de ônibus urbano (de 0,48% para -0,41%), tarifa de eletricidade residencial (de 1,63% para -0,20%), tarifa de telefone residencial (de 0,00% para -1,97%), roupas infantis (de 0,97% para -0,73%) e cartão de telefone (de 1,14% para 0,37%).

 

Banco Central faz declarações catastróficas para o Brasil até 2016


 

O primeiro ano do mandato do próximo presidente deve ser marcado pela alta de preços acima do planejado pelo governo. O Banco Central admitiu que só espera que a inflação volte para o centro da meta de 4,5% nos primeiros trimestres de 2016. A informação é da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), publicada. A expectativa foi calculada com a hipótese de a taxa básica de juros (Selic) permanecer nos atuais 11% ao ano. Esse pelo menos é o plano de voo do BC, explicitado no documento: deixar os juros estáveis por um bom tempo.

Nas contas do BC, com juros no patamar atual e o dólar em R$ 2,25, a perspectiva para inflação neste ano caiu em relação à projeção feita na reunião do Copom em julho. No entanto, ainda está acima da meta de 4,5%. O número não é revelado nas atas do Copom, mas essa indicação de tendência é importante para os agentes econômicos. O BC apenas divulga esse cálculo nos relatórios trimestrais de inflação. O próximo será publicado ainda neste mês.

Para o ano que vem, o Banco Central informou que a projeção ficou estável. O Copom sublinhou, entretanto, que as expectativas para o IPCA entram em trajetória de convergência para a meta nos “trimestres iniciais” de 2016.

O comitê também deixou claro que não pretende diminuir os juros. A possibilidade era cogitada no mercado financeiro. Alguns negócios foram fechados no mercado futuro sob essa premissa, mas ela foi claramente descartada na ata da reunião da semana passada. No texto, os diretores explicaram que a Selic estável por um bom tempo garantirá que a inflação volte a cair.

"É plausível afirmar que, mantidas as condições monetárias – isto é, levando em conta estratégia que não contempla redução do instrumento de política monetária –, a inflação tende a entrar em trajetória de convergência para a meta nos trimestres finais do horizonte de projeção", disse o colegiado, que completou.

"O Copom destaca que, em momentos como o atual, a política monetária deve se manter vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos 12 meses, persistam no horizonte relevante para a política monetária".


Na semana passada, os diretores do Banco Central decidiram — por unanimidade — manter a taxa básica de juros em 11% ao ano. A medida era esperada pela totalidade do mercado financeiro, que esperava uma sinalização mais clara sobre os próximos passos. E o BC deu: retirou da nota divulgada no fim da reunião a expressão “neste momento”. Isso foi entendido como um indicativo que a Selic permanecerá estável no futuro, informação confirmada na ata.

A avaliação dos analistas é que o Banco Central está de mãos atadas por causa da inflação acumulada em 12 meses e pela recessão vivida pelo país. O Índice de preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 6,51%: acima do limite máximo da meta do governo que é de 4,5%, mas tem uma margem de tolerância de 2 pontos percentuais.

No campo do crescimento,a economia brasileira encolheu nos  últimos dois trimestres. Se o BC voltasse a aumentar os juros para conter a inflação poderia aprofundar a crise nos setores que mais sofrem como, por exemplo, a indústria.




 

Governo anuncia incentivos fiscais para usineiros


 

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou incentivos fiscais para usineiros. Segundo ele, o Reintegra será ampliado para os exportadores de etanol e o açúcar. O programa devolve tributos pagos na exportação até o limite de 3% do faturamento das empresas.

— O etanol e o açúcar vão entrar no Reintegra. Vão entrar imediatamente com o decreto que nós vamos fazer. Eles vão se se beneficiar este ano com uma alíquota de 0,3% sobre o valor exportado. E, no ano que vem, com 3% — disse o ministro.

O ministro afirmou que, a partir do ano que vem, essa alíquota de 3% valerá para todos os setores do Reintegra. Em entrevista publicada ontem no GLOBO, o ministro lembrou que, para ajudar as exportações de manufaturados, o governo havia reimplantado o Reintegra.

Ele antecipou que, para o ano que vem, o governo fixará a alíquota em 3%, o que representa uma renúncia de R$ 3 bilhões. Na avaliação de Mantega, a medida ajudará os exportadores, ao baratear a produção, e será uma forma de compensar uma eventual valorização do câmbio. — Isso vai ajudar os exportadores porque barateira a exportação brasileira e compensa uma eventual valorização do câmbio — afirmou.

Em junho deste ano, depois de reunião com a presidente Dilma Rousseff e empresários no Palácio do Planalto, Mantega anunciou o retorno do Reintegra com alíquotas entre 0,1% e 0,3%. O programa havia funcionado até 2013, com alíquota de 3%. Mas os setores de etanol e açúcar não eram beneficiados.

Em 2013, o setor de açúcar e etanol exportou US$ 13,7 bilhões segundo dados compilados pelo Ministério da Agricultura. Nos primeiros oito meses deste ano, no entanto, o faturamento do setor com exportações está 28% menor devido a uma redução nos volumes embarcados e nos preços do açúcar.

Enfrentando uma concorrida disputa à reeleição, a presidente Dilma Rousseff vem enviando nos últimos tempos sinais amigáveis ao mercado esperando recuperar a confiança de eleitores e investidores após a economia cair em recessão técnica neste ano.

As indústrias brasileiras de açúcar e etanol têm sido duramente afetadas por políticas do governo, que mantiveram os preços da gasolina doméstica artificialmente baixos para evitar uma alta na inflação. Cerca de 50 das usinas de cana do país, que no passado chegaram a totalizar cerca de 400, fecharam as portas desde a crise financeira global de 2008. Por volta de outras 60 usinas entraram com pedidos de proteção contra credores.



Os candidatos opositores Aécio Neves e Marina Silva têm culpado as políticas de controle de preço de Dilma pela elevação das expectativas de inflação e por prejudicar as finanças da Petrobras. Marina, que figura em recentes pesquisas de opinião empatada com Dilma em um provável segundo turno em outubro, prometeu elevar os preços da gasolina caso seja eleita. Tal medida ajudaria produtores de etanol a competir com a gasolina pela preferência dos consumidores.

A ampliação dos benefícios tributários no ano que vem colocará uma pressão financeira extra sobre o governo, que já enfrenta dificuldades para economizar recursos suficientes para alcançar a meta fiscal em 2014.

 

Baixo crescimento do Brasil  prejudicam investimentos


A agência de classificação de risco americana Moody’s anunciou que colocou a nota do Brasil em perspectiva negativa. Antes, a perspectiva era estável. Atualmente, o país tem grau de investimento — nota dada a países considerados seguros de se investir — na agência, com a nota Baa2. Abaixo dessa nota, ainda há um nível antes do chamado grau especulativo.

Na Moody's, uma nota em perspectiva negativa significa que o país pode ser rebaixado em um prazo de 12 a 18 meses. Em abril deste ano, porém, a agência havia informado que uma revisão da nota da dívida do país era "pouco provável".

A alteração na perspectiva se aplica a todas as classes de rating da agência. Segundo a Moody's, "a mudança reflete o risco crescente de que a manutenção de baixo crescimento e a piora nas métricas sobre a dívida do país indicam redução na capacidade de pagamento do Brasil, o que desencadearia queda na classificação de crédito". Para a Moody's, o "desafio fiscal" que a situação econômica impõe "impede melhora nos indicadores da dívida".

Entre os principais motivadores da mudança, segundo a agência, está a "redução contínua da crescimento econômico do Brasil, que dá poucos sinais de voltar a seu potencial no curto prazo".

A Moody's também citou a "deterioração no sentimento do investidor", que resultou na queda acentuada da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no PIB do segundo trimestre, indicador que registra investimentos na compra de máquinas, equipamentos e construção civil.

Ao mesmo tempo, a Moody's manteve a classificação de risco dos títulos soberanos brasileiros em Baa2, por causa do "resiliência do país a choques financeiros externos" e da pouca exposição das finanças do país a mudanças globais do apetite por risco.

Alerta pode adiar investimento,dizem analistas

Para analistas do mercado financeiro, os problemas com a política fiscal e a inflação em alta pesaram na decisão da agência.



Nos últimos quatro anos, todas as variáveis acompanhadas pela agência, como a dívida líquida, a inflação e o crescimento, pioraram muito. O governo também é muito criticado pela chamada "contabilidade criativa", que mascara as contas públicas e representa risco significativo para a dúvida pública. Olhando tudo isso, o cenário é muito ruim. O que a Moody's fez foi sinalizar que, se isso continuar, são grandes as chances de haver um rebaixamento — avaliou Rogério Freitas, sócio da Teórica Investimentos, uma gestora de recursos.

Segundo Freitas, a mudança na perspectiva pela Moody's "terá impacto real, nem que seja marginal", na economia:

— As agências cumprem um papel dentro do sistema. Um alerta como esse pode fazer com que alguns investimentos sejam adiados ou que o custo de se fazer negócios no Brasil aumente na avaliação do investidor estrangeiro.

Um outro gestor, que preferiu não ser identificado, disse que o principal motivo para a deterioração da situação fiscal do Brasil foi o fato de o governo atual "ter abandonado o tripé", em referência à combinação de meta de inflação, câmbio flutuante e poupança para pagar juros da dívida.

— O governo tem que voltar a mirar uma inflação de 4,5%, não de 6,5%, no teto da meta, como tem feito — criticou.

Mas, para Freitas, o mercado financeiro está mais otimista com a perspectiva brasileira do que as agências de classificação de risco. isso porque os investidores estão apostando na vitória de Marina Silva (PSB) nas eleições presidenciais, candidatura que vem ganhando força, segundo pesquisas de intenção de voto. A principal bandeira econômica de Marina é, justamente, retomar o tripé macroeconômico.

— Não é papel da Moody's traçar seus cenários especulando sobre o futuro eleitoral. Mas o mercado financeiro está fazendo isso e está mais confiante em uma mudança —acrescentou.

Na disputa com Marina pela confiança do empresariado, a presidente Dilma Rousseff (PT) também já prometeu mudanças na política econômica e em sua equipe da área em eventual segundo mandato.


S&P JÁ HAVIA REDUZIDO RATING

Em março, a Standard&Poor’s rebaixou a nota do Brasil de de "BBB" para "BBB-", encerrando uma década de elevações da nota brasileira e surpreendendo o governo e o mercado, que não esperavam tal medida antes das eleições presidenciais. A nota deixou o Brasil ainda com grau de investimento, mas no menor patamar desta categoria.

Com isso, a Fitch se tornou a única a não fazer qualquer alteração na nota do Brasil. Em julho, a agência encerrou a revisão anual da nota do Brasil e anunciou que manteve a classificação em "BBB", com perspectiva estável.



 

Cresce número de consumidores que buscam crédito

As medidas de estímulo ao crédito anunciadas pelo Banco Central em julho impulsionaram os consumidores a buscar crédito em agosto. A quantidade de pessoas que procuraram crédito aumentou 6,6%, na comparação com o mês anterior, segundo pesquisa da Serasa Experian.

Frente a agosto do ano passado, a procura por crédito subiu 1,3%. No entanto, no acumulado de janeiro a agosto deste ano, a demanda do consumidor acumula queda de 5,2%.

Quanto às faixas de renda, a demanda cresceu em todas, com destaque para o aumento de 7,4% no caso dos consumidores que ganham entre R$ 500 e R$ 1.000 por mês. Na sequência, estão as pessoas que têm renda mensal entre R$ 1.000 e R$ 2.000, com alta de 6,4%. Nas demais camadas de rendimento mensal, a procura do consumidor em agosto cresceu 5,5% (faixa de renda mensal abaixo de R$ 500) até 5,9%, para os consumidores que recebem entre R$ 2.000 e R$ 5.000 por mês.

Na análise por regiões, o maior avanço da demanda do consumidor por crédito ocorreu na Sul, com alta de 10,7% em agosto. No Sudeste o crescimento foi de 8,4% frente a julho. No Nordeste, a alta foi de 2,5% e no Centro-Oeste, de 1,2%. Apenas a Região Norte registrou queda, de 0,8%, em relação a julho.

 

Inflação oficial fecha agosto em 0,25%

A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou agosto em 0,25%. Em julho, a taxa havia ficado em 0,01% e em agosto do ano passado, a taxa foi 0,24%.

Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumula taxas de 4,02% no ano e 6,51% em 12 meses, pouco acima portanto do teto da meta do governo, que é 6,5%.

A inflação em agosto continuou sendo puxada pelo grupo de despesas habitação que, com taxa de 0,94%, respondeu por mais de metade do IPCA. Os principais itens individuais responsáveis pela alta do índice foram o de empregados domésticos, 1,26% mais caro, e energia elétrica com variação de 1,76% em agosto.

Os alimentos, por sua vez, com uma deflação (queda de preços) de 0,15%, foram os principais responsáveis por evitar uma alta